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Encontrando-se
na sonoridade pop
Por: Helder Miranda
Em dezembro de 2007
Autobiografia musical. Não é só mais um livro-documentário musical, e quem
ler
De A-ha a U2: Os Bastidores das Entrevistas do Mundo da Música, de Zeca
Camargo, vai saber o porquê.
Quando se pensa em jornalismo, ainda mais para quem trabalha nessa área do
que para leigos, a objetividade é citada quase que o tempo todo, mas
sabe-se, ela não existe. Qualquer reportagem vai ser escrita, narrada ou
editada sob a ótica de alguém, que inevitavelmente vai se posicionar. É
justamente a partir daí que De A-ha a U2: Os Bastidores das Entrevistas
do Mundo da Música, livro de Zeca Camargo lançado pela editora Globo,
arrebata o leitor.
Inicialmente, quem é atraído pela publicação, que se destaca na prateleira
pela capa com cores chamativas, depois pela boa diagramação que abusa de
grandes fotografias e capas de CD`s, passa da mera curiosidade a vontade de
querer o livro. Fazem parte desse público pessoas que procuram sonoridades
desconhecidas, com dicas de músicas, bandas e cantores sempre no final de
cada capítulo e a tão pessoal (e questionável) única música que ele indica
se você tiver de escutar apenas uma música das personagens citadas em cada
capítulo.
Há, também, os que vão em busca dos detalhes apimentados dos bastidores, que
sugere o livro de forma tão irresistível, que chega a ser desleal a
concorrência com outras obras na livraria. Você vai encontrar tudo isso, mas
terá acesso a algo que o livro não vende e é justamente seu ponto alto: Zeca
Camargo se autobiografa por completo ali, e confesso, enquanto estava lendo
tive a sensação de que seria amigo dele, se ele quisesse.
São 53 grandes momentos na carreira de Zeca. Na busca pela objetividade, com
seu ponto de vista muito peculiar e com uma incansável perseguição por
sobreviventes e recém-chegados ao mundo pop, ele esbarra em gente que sabe o
que faz, além de fabricados que estão desconfortáveis em um papel atribuído
pelas gravadoras e cobrado pela mídia e fãs, que inevitavelmente vão ficar
bravos com algum comentário de desagrado que ele fizer sobre determinado
artista. Ou concordar, depende, tendo em vista que fãs são piores que mãe de
miss.
A publicação também cede espaço a momentos de puro lirismo, quando Elton
John começa a falar da morte de Lady Di, ou George Michael, que em um
momento delicado de sua carreira recorda o namorado brasileiro morto. Há,
ainda, os altos e baixos das cinco entrevistas que fez com Alanis Morissete,
a cantora que mais entrevistou, ou os hilariantes dois encontros com Britney
Spears, que saiu do quarto de hotel aos prantos por causa de um jornalista
que a havia bombardeado com perguntas incômodas, ou quando chegou mancando a
entrevista porque o salto de uma de suas botas havia acabado de quebrar.
Escolhas óbvias para citar aqui? Talvez, mas o livro é bom e pop
demais para nos aproximarmos do cult.
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