Contos
infantis: A astúcia dos portugueses que estão no imaginário da população
Por: Mary Ellen Farias dos
Santos
Em janeiro de 2008
Narrativas portuguesas em sotaque tropical. Chegue longe por meio da astúcia
em Contos do Arco-da-Velha!
Contos do Arco-da-Velha, de Maria Teresa dos Santos Silva, com
adaptação de Eduardo Brandão é um baú abarrotado de sabedoria e cultura aos
pequenos leitores do século XXI. O ceguinho e seu tesouro, A sopa
de pedra, O desleixado frei João e As orelhas do abade são
as quatro narrativas populares portuguesas escritas em versos rimados que conseguem
divertir os adultos enquanto que encanta as crianças.
A adaptação destes clássicos da literatura portuguesa que resiste ao tempo e
à chegada da modernidade e da tecnologia traz com maestria o bom humor do
povo que faz parte da origem de nossa brasilidade de ser e encarar a vida. Além
disso, a escrita deste livro infantil conta com um ritmo agradável e ágil em versos. Um exemplo está em A sopa de
pedra que começa de maneira clássica, o famoso "era uma vez":
"Era uma vez um frade sabido,
que ia lampeiro de aldeia em aldeia
e em todas as casas fazia um pedido:
que lhe fornecessem comida pra ceia." [...]
"'Uma sopa de pedra eu vou preparar!'
Zombou dele o povo, rolando de rir:
'Pois faça essa sopa, queremos provar!'
Era tudo o que o frade esperava de ouvir...".
Os versos rimados da publicação da Companhia das Letrinhas falam sobre
pessoas espertas e trapaceiras: O ceguinho e seu tesouro - um velho
cego, que após roubado, engana o vizinho para ter de volta a sua fortuna
mendigada; A sopa de pedra - um frade sabido que com uma pedra
consegue ganhar do povo uma refeição; O desleixado frei João - um
frei (desleixado) que é desafiado pelo rei a responder questões difíceis e
aproveita a esperteza do amigo moleiro para se safar; As orelhas do abade
- um caçador que convida o abade para jantar, mas esquece da própria mulher, que
com astúcia planeja uma vingança, por ter sido inclusa no preparo do jantar,
mas não na degustação.
As ilustrações de cores vibrantes (e até engraçadas) de José Miguel Ribeiro
dão o tom de esperteza para enganar das personagens que vivem as histórias contadas. Como
uma ilustração consegue tal proeza? Simples. Junte boas rimas e belas
ilustrações. O resultado é uma harmonia entre texto e imagem que agradam a
todos, independente da idade.
Imperdível! Esta é uma grande oportunidade para inteirar-se das histórias
que passam de geração em geração, cruzando continentes e até atravessam
oceanos. Aproveite as férias de janeiro e tenha em mãos Contos do
Arco-da-Velha!
Livro: Contos do Arco-da-Velha Texto: Maria Teresa dos Santos Silva Adaptação: Eduardo Brandão Ilustrações: José Miguel Ribeiro
64 páginas Ano: 2007 Editora:Companhia das Letrinhas