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Uma
autobiografia filosófica de Nietzsche
Por:
Helder Bentes
Em julho de 2008
Cinco prefácios para cinco livros escritos: uma autobiografia filosófica
de Nietzsche!
Todo mundo já ouviu falar de Nietzsche, mesmo que tenha sido como um ateu
que morreu louco e cujas idéias não se deve conhecer. A verdade é que hoje
há muitos cristãos que deveriam conhecer as críticas que Nietzsche fazia à
cultura judaico-cristã. Aliás, dentre os crentes que rejeitam a filosofia
nietzscheana, poucos sabem que Nietzsche nasceu em berço cristão
protestante. Seu pai e seu avô foram pastores da Igreja Luterana. Por que
será que Nietzsche tornou-se ateu confesso desde a adolescência?
Friedrich Wilhelm Nietzsche(1844-1900) foi um filósofo alemão cujo
pensamento trouxe grandes contribuições para a crítica da cultura ocidental.
Tendo vivido no século XIX, época determinante para a consolidação do
Capitalismo, ele criticou valores universalmente aceitos que, por isso,
serviram de suporte a este sistema. Como hoje vivemos sob a supremacia do
capital, Nietzsche continua atualíssimo para quem espera um pouco mais da
vida do que as "normalices" da nova(?) ordem mundial.
Quem quiser conhecer o pensamento filosófico de Nietzsche não pode deixar de
ler Cinco prefácios para cinco livros escritos de Henry Burnett. O
livro é a análise dos prefácios de Nietzsche para O nascimento da
tragédia (1871/72), Humano, demasiado humano (1878/86 – obra em
dois volumes, com um prefácio cada), Aurora (1881) e A gaia
ciência (1882).
Segundo o Professor Ernani Chaves, que assina o prefácio a este "livro de
prefácios": "Datas e lugares [...] traçam, ao mesmo tempo, uma geografia e
uma cronologia do pensamento de Nietzsche". Esta cronologia de idéias não
segue a cronologia histórica das obras porque esses preâmbulos foram
escritos depois de já publicadas as primeiras obras de Nietzsche.
Certamente os livros cujos prólogos são discutidos por Henry Burnett
inauguraram para a Alemanha uma nova literatura, como dissera o próprio
Nietzsche, em carta a Fritzsch, seu editor, datada de 7 de agosto de 1886.
Falando nisso, um dos grandes méritos do livro de Burnett é o resultado de
pesquisas documentais que constituem matéria histórica importantíssima para
se compreender o pensamento de Nietzsche, considerando as circunstâncias e
até levantando hipóteses sobre o modo de como tal filosofia erigiu-se.
Para o estudioso de Nietzsche que já está habituado a interpretar o autor
sob a perspectiva crítica que lhe é peculiar, o estudo dos prefácios de 1886
induz ao porquê das causas que constituem os alicerces da filosofia
nietzscheana.
Em época de leitura movente ou de substituição dos objetos de leitura
sistemática pela hegemonia da imagem, para cuja leitura nem todo leitor é
competente, o livro de Burnett é o exemplo e, ao mesmo tempo, o preparo do
leitor ideal com o qual Nietzsche e todos os outros bons escritores da
história sonharam, aquele que lê lenta e pacientemente, capaz de distinguir
o estilo, as figuras e funções de linguagem e de reescrever sua própria
história.
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