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::Resenha de Pontos de vista de um palhaço
 

O drama de um palhaço solitário
Por: Cadorno Teles

Em agosto de 2008


A triste história de vida daquele que faz rir! Saiba mais de Pontos de Vista de um Palhaço!



Abandonado pela esposa, o palhaço profissional Hans Schnnier se mostra incapaz de manter sua carreira e coleciona sucessivos fracassos artísticos. Consciente de sua decadência, tanto profissional, quanto humana. Arruinado economicamente e sozinho, Hann regressa para sua casa em Bonn, dedicando-se a telefonar para todos com quem se relacionou durante a vida.
 
No livro Pontos de Vista de um Palhaço, (Ansichten eines Clowns, tradução de Paulo Soethe, Estação Liberdade, 312 páginas), escrito pelo Nobel de Literatura 1972, o alemão Heinrich Böll, vemos os dilemas enfrentados numa Alemanha pós-Segunda Guerra Mundial, sintetizados no protagonista da narrativa descrita, o palhaço Schnnier. O país passava pela ocupação e influência dos vencedores do conflito, separada por colisões ideológicas, religiosas e políticas, socialmente reprimida numa crise que resvala em todas as esferas.
 
Atualmente, a obra é um dos maiores êxitos literários de Böll e de toda a literatura alemã. Escrita em 1963, o romance teve que esperar o falecimento do autor para ser publicada, devido a sua rejeição ao conformismo social, à falta de um sentimento religioso verdadeiro e ao uso da política em benefício próprio.
 
Não há como negar o sentimento de compaixão que o palhaço de Böll desperta em qualquer leitor. Sofrendo o desprezo, o abandono e a ruína econômica e pessoal, Hans ainda se compromete com o destino, não se interessando com o poder ou com o êxito, mas pelo anseio da felicidade.

O jovem palhaço de vinte e cinco anos, irreverente e inquieto, apesar da penúria e do fracasso, não é um perdedor. Sua ironia e sarcasmo, colocadas em prática nas chamadas telefônicas, são exercícios de uma crítica tão aguda, que notamos o quanto ele é combatente. Ao mesmo tempo em que conhecemos sua vida em flashbacks -por meio dos telefonemas- vemos sua desconfiança ante o poder, a perspectiva amargurada entre os cínicos, os ambiciosos, aqueles que fingem, a todos que de alguma forma merecem ouvir suas palavras duras.
 
A narração em primeira pessoa revela o quanto Hans sente falta de sua esposa. São poucas as personagens da literatura que conseguiram se expressar. No entanto, o palhaço reclama o afeto com ternura, melancolia e humor com tanta honestidade e comprometimento que nos faz encarar o protagonista como um herói.


(...) Quando imagina haver palhaços que apresentam os mesmos números durante trinta anos, bambeiam-me as pernas, como se eu tivesse pela frente a tarefa de comer de colheradas um saco de farinha crua. Tenho de gostar do que faço, senão adoeço (...)”. página 122


Em meio aos problemas existenciais de Hans, temos seus pontos de vista para a situação da época. Um romance brilhante, consciente e lúcido de uma pessoa cuja profissão é fazer os outros rirem. Contudo aqui, em Pontos de Vista de um Palhaço, chora.

Curiosidade: Obra marcante por seu humanismo crítico, foi adaptada diversas vezes para o teatro. Em 1976 chegou aos cinemas, em bela versão do tchecoslovaco Vojtech Jasny e do próprio autor, com Helmut Griem e Hanna Schygulla nos papéis principais.


Livro: Pontos de vista de um palhaço

Título Original: Ansichten eines Clowns

Autor: Heinrich Böll

312 páginas

Ano: 2008

Tradução do alemão: Paulo Soethe

Editora: Estação Liberdade

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.: Avaliação :.
Ótimo * * * *               
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