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Um thriller emocionante na fervilhante Paris da belle époque
Da Redação do Resenhando

Em setembro de 2009







Paris, 1908. Dois anos após a morte de Paul Cézanne, um retrato inédito do escritor Émile Zola, feito pelo pintor, é encontrado diante do Panthéon. Ao mesmo tempo, a alguns metros dali, ocorre um assassinato num restaurante, cuja cena do crime é idêntica ao quadro Os jogadores de cartas, também de Cézanne. Saiba mais de
Réquiem para Cézanne!



“A romancista vislumbrou os corpos em detalhe. Depois concentrou-se sobre as fotografias onde se podia descortinar o pequeno salão por inteiro. Foi tomada por uma curiosa impressão ao analisar a cena, os dois corpos dobrados sobre a mesa, o de Marie no chão, e as cartas em volta, espalhadas pela sala. Lançadas anarquicamente, atraíam todas as atenções; só elas eram vistas, as vítimas perdiam a importância. Sobretudo na foto que Francillon avançava sub-repticiamente em direção a ela. Tinha sido tirada de frente e nela percebiam-se os três corpos em torno da mesa, assim como a parede atrás, com o quadro, o aparador e o portacachimbos. À esquerda, uma cortina levantada pela metade, cujas inumeráveis dobras pareciam esmagar a cabeça do homem morto, caído sobre a mesa.

Ela não conseguia desviar os olhos da cena vista sob aquele ângulo, sentindo uma impressão de déjà-vu. Achou a foto incompleta: um elemento, talvez dois, estava faltando no fundo. Buscava-o, os olhos fixados na mesa, passando de uma foto à outra, voltando sempre à mesma. E, num sopro de lucidez, Lalie compreendeu. Les Joueurs de cartes (Os jogadores de cartas) de Cézanne! A primeira versão, a que tem o homem de pé à esquerda, e o garoto que observa a partida à direita.”

Lalie, uma jovem escritora, amiga de Matisse e Picasso, intriga-se com o caso e resolve investigá-lo por conta própria. Qual a verdadeira relação entre o quadro encontrado e o assassinato? Qual de o motivo do pintor ter sido lembrado de duas formas tão inusitadas? Quem serão os envolvidos?

Réquiem para Cézanne é passado numa época de forte apelo cultural e apresenta em sua narrativa diversas personalidades e suas respectivas obras. Dentre elas, Zola, Picasso, Matisse e Manet. Incompreendido em seu tempo, Cézanne é a figura central de um romance emocionante que traz à tona uma velha questão: por que os grandes artistas somente são reconhecidos após a sua morte?

No livro, a escritora Bertrand Puard concilia a força dos romances históricos com a intensidade dos thrillers contemporâneos, em que o leitor fica em suspense até a última página. Deixe-se envolver por este caso policial escrito com uma pitada de modernidade. Confira!

AUTORA: Bertrand Puard nasceu em 1977. Recebeu o Prêmio de Romance Policial de Cognac (2001), por Musique de muit, e o Prêmio de Romance de Aventuras (2003), por La Petite Fille, Le Coyote et la Mort. Uma de suas peças radiofônicas, La Chose Du marais, foi apresentada, em 2004, na France Culture.


Livro: Réquiem para Cézanne
Título original: Réquiem pour Cézanne
Autora: Bertrand Puard
252 páginas
Tradução: Izabela Leal
Ano: 2009
Editora: Bertrand Brasil
 

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