Paris, 1908. Dois anos após a morte de Paul Cézanne, um retrato inédito do
escritor Émile Zola, feito pelo pintor, é encontrado diante do Panthéon. Ao
mesmo tempo, a alguns metros dali, ocorre um assassinato num restaurante,
cuja cena do crime é idêntica ao quadro Os jogadores de cartas, também de
Cézanne. Saiba mais de Réquiem para Cézanne!
“A romancista vislumbrou os corpos em detalhe. Depois concentrou-se sobre as
fotografias onde se podia descortinar o pequeno salão por inteiro. Foi
tomada por uma curiosa impressão ao analisar a cena, os dois corpos dobrados
sobre a mesa, o de Marie no chão, e as cartas em volta, espalhadas pela
sala. Lançadas anarquicamente, atraíam todas as atenções; só elas eram
vistas, as vítimas perdiam a importância. Sobretudo na foto que Francillon
avançava sub-repticiamente em direção a ela. Tinha sido tirada de frente e
nela percebiam-se os três corpos em torno da mesa, assim como a parede
atrás, com o quadro, o aparador e o portacachimbos. À esquerda, uma cortina
levantada pela metade, cujas inumeráveis dobras pareciam esmagar a cabeça do
homem morto, caído sobre a mesa.
Ela não conseguia desviar os olhos da cena vista sob aquele ângulo, sentindo
uma impressão de déjà-vu. Achou a foto incompleta: um elemento, talvez dois,
estava faltando no fundo. Buscava-o, os olhos fixados na mesa, passando de
uma foto à outra, voltando sempre à mesma. E, num sopro de lucidez, Lalie
compreendeu. Les Joueurs de cartes (Os jogadores de cartas) de Cézanne! A
primeira versão, a que tem o homem de pé à esquerda, e o garoto que observa
a partida à direita.”
Lalie, uma jovem escritora, amiga de Matisse e Picasso, intriga-se com o
caso e resolve investigá-lo por conta própria. Qual a verdadeira relação
entre o quadro encontrado e o assassinato? Qual de o motivo do pintor ter
sido lembrado de duas formas tão inusitadas? Quem serão os envolvidos?
Réquiem para Cézanne é passado numa época de forte apelo cultural e
apresenta em sua narrativa diversas personalidades e suas respectivas obras.
Dentre elas, Zola, Picasso, Matisse e Manet. Incompreendido em seu tempo,
Cézanne é a figura central de um romance emocionante que traz à tona uma
velha questão: por que os grandes artistas somente são reconhecidos após a
sua morte?
No livro, a escritora Bertrand Puard concilia a força dos romances históricos com a
intensidade dos thrillers contemporâneos, em que o leitor fica em suspense
até a última página. Deixe-se envolver por este caso policial escrito com
uma pitada de modernidade. Confira!
AUTORA:
Bertrand Puard nasceu em 1977. Recebeu o Prêmio de Romance Policial de
Cognac (2001), por Musique de muit, e o Prêmio de Romance de Aventuras
(2003), por La Petite Fille, Le Coyote et la Mort. Uma de suas peças
radiofônicas, La Chose Du marais, foi apresentada, em 2004, na France
Culture.
Livro: Réquiem para Cézanne Título original: Réquiem pour Cézanne Autora: Bertrand Puard
252 páginas Tradução: Izabela Leal Ano: 2009 Editora:Bertrand
Brasil