Os Desbravadores - Uma história mundial da exploração da Terra: Maravilhoso, por mesclar a curiosidade e a ansiedade desses homens numa
narrativa vivida de um livro de História. Saiba mais!
A humanidade possui duas grandes histórias, a primeira é a do longo processo
que fez as sociedades divergirem, se separarem e se diferenciarem em diversas
culturas, desconhecidas umas das outras. A segunda, de maneira bem mais
curta, é do processo contrário, o de convergência, em que houve o contato das
culturas diferentes, comungaram e copiaram seus modos de vida e “se tornaram
novamente mais parecidos entre si”. A ideia de a História da civilização
possuir essas duas etapas, orientada em direções contrárias é abordada pelo
professor inglês Felipe Fernández-Arnesto no seu livro Os Desbravadores:
Uma história mundial da exploração da Terra (Pathfindrs: a global
history of exploration, tradução de Donaldson M. Garschagen). Um
fascinante e rigoroso relato, que elucida a arrebatadora vontade humana de
explorar, do prazer de ser o primeiro, e analisa como as sucessivas
explorações e descobrimentos ao longo da história transformaram a imagem do
mundo que vivemos.
Fernández-Arnesto, catedrático de História mundial e meio-ambiente na
Universidade de Londres, é um dos poucos estudiosos que podem discorrer
sobre o assunto. Também como professor de Oxford, editor do The Times Atlas
of Word Exploration, autor de livros como Milênio (Record, 1999) e
Então
você pensa que é humano – Uma breve história da humanidade (Cia das Letras,
2007), o inglês tem profundidade de entendimento para fazer justiça a um
tema tão formidável.
Quem nunca sonhou com as aventuras que Marco Pólo, Cristóvão Colombo, Vasco
da Gama, capitão Cook e tantos outros? Temos ainda hoje um
fascínio pelos aventureiros exploradores que impulsionados por seus
autointeresses tiveram surpreendentes implicações no curso da história com
suas jornadas por terras mares desconhecidos. Sem falar dos Indiana Jones
que a ficção criou e trouxe para nossa realidade e para nosso deleite.
Em mais de 500 páginas, numa linguagem sem delongas acadêmicas e
magnificamente ilustradas, se revista esses nomes e muitos outros, passando
a limpo as principais viagens de exploração geográfica, dando uma atenção
especial aos últimos quinhentos anos. Pelo menos, o trabalho não está
centrado nos descobrimentos europeus, mas também aborda os primitivos
navegadores polinésios e egípcios, os marinheiros muçulmanos que cruzaram o
Índico, o grande explorador Zhen He, reconhecendo seu papel no processo de
convergência. Mas são, sobretudo os exploradores ocidentais do século XV que
ocupam a maioria das páginas do livro, principalmente porque chegaram até
nossos dias mais e melhores informações sobre suas viagens, além do que,
foram a civilização ocidental que culminou o processo de reconectar todas as
comunidades humanas do planeta. Ou quase todas, porque no ultimo capítulo, o
autor afirma que segundo cálculos estatísticos devem existir escondidos na
selva amazônica alguns grupos humanos que são totalmente alheios a essa
convergência, que há trinta chamamos de globalização.
O maior mérito do livro é reconhecer em poucas páginas os pontos chaves que permitem entender quais as intenções destes exploradores, de que
meios se serviram, como organizaram suas viagens e que frutos obtiveram.
Demonstra que o misticismo, a ambição e a loucura, talvez em maior medida
que o desenvolvimento tecnológico, foram fundamentais nas descobertas mais
extraordinárias dos aventureiros e desbravadores. Assim, temos as jornadas
de Colombo à América, as sete viagens do eunuco Zheng He, a volta ao mundo
de Magalhães, a passagem do cabo da Boa Esperança, as incursões na África,
nos pólos...
Os Desbravadores é um livro esclarecedor, mesmo com a abordagem da
divergência e da convergência humana, é um estudo inédito sobre o espírito
inquieto da humanidade. Ou como o próprio autor escreve: “(...) os
exploradores foram os engenheiros das infra-estruturas da história, os
construtores das estradas da cultura, os forjadores de vínculos, os
tecedores de redes (...) vale a pena estudá-los (...)”. A história desses
homens é a que podemos ter para explicar o que somos nos dias atuais, a fim
de compreender nosso mundo e planejar o tão sonhado futuro da humanidade.