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Em busca do desconhecido
Por: Cadorno Teles


Em outubro de 2009









Os Desbravadores - Uma história mundial da exploração da Terra: Maravilhoso, por mesclar a curiosidade e a ansiedade desses homens numa narrativa vivida de um livro de História. Saiba mais!




A humanidade possui duas grandes histórias, a primeira é a do longo processo que fez as sociedades divergirem, se separarem e se diferenciarem em diversas culturas, desconhecidas umas das outras. A segunda, de maneira bem mais curta, é do processo contrário, o de convergência, em que houve o contato das culturas diferentes, comungaram e copiaram seus modos de vida e “se tornaram novamente mais parecidos entre si”. A ideia de a História da civilização possuir essas duas etapas, orientada em direções contrárias é abordada pelo professor inglês Felipe Fernández-Arnesto no seu livro Os Desbravadores: Uma história mundial da exploração da Terra (Pathfindrs: a global history of exploration, tradução de Donaldson M. Garschagen). Um fascinante e rigoroso relato, que elucida a arrebatadora vontade humana de explorar, do prazer de ser o primeiro, e analisa como as sucessivas explorações e descobrimentos ao longo da história transformaram a imagem do mundo que vivemos.
 
Fernández-Arnesto, catedrático de História mundial e meio-ambiente na Universidade de Londres, é um dos poucos estudiosos que podem discorrer sobre o assunto. Também como professor de Oxford, editor do The Times Atlas of Word Exploration, autor de livros como Milênio (Record, 1999) e Então você pensa que é humano – Uma breve história da humanidade (Cia das Letras, 2007), o inglês tem profundidade de entendimento para fazer justiça a um tema tão formidável.

Quem nunca sonhou com as aventuras que Marco Pólo, Cristóvão Colombo, Vasco da Gama, capitão Cook e tantos outros? Temos ainda hoje um fascínio pelos aventureiros exploradores que impulsionados por seus autointeresses tiveram surpreendentes implicações no curso da história com suas jornadas por terras mares desconhecidos. Sem falar dos Indiana Jones que a ficção criou e trouxe para nossa realidade e para nosso deleite.

Em mais de 500 páginas, numa linguagem sem delongas acadêmicas e magnificamente ilustradas, se revista esses nomes e muitos outros, passando a limpo as principais viagens de exploração geográfica, dando uma atenção especial aos últimos quinhentos anos. Pelo menos, o trabalho não está centrado nos descobrimentos europeus, mas também aborda os primitivos navegadores polinésios e egípcios, os marinheiros muçulmanos que cruzaram o Índico, o grande explorador Zhen He, reconhecendo seu papel no processo de convergência. Mas são, sobretudo os exploradores ocidentais do século XV que ocupam a maioria das páginas do livro, principalmente porque chegaram até nossos dias mais e melhores informações sobre suas viagens, além do que, foram a civilização ocidental que culminou o processo de reconectar todas as comunidades humanas do planeta. Ou quase todas, porque no ultimo capítulo, o autor afirma que segundo cálculos estatísticos devem existir escondidos na selva amazônica alguns grupos humanos que são totalmente alheios a essa convergência, que há trinta chamamos de globalização.

O maior mérito do livro é reconhecer em poucas páginas os pontos chaves que permitem entender quais as intenções destes exploradores, de que meios se serviram, como organizaram suas viagens e que frutos obtiveram. Demonstra que o misticismo, a ambição e a loucura, talvez em maior medida que o desenvolvimento tecnológico, foram fundamentais nas descobertas mais extraordinárias dos aventureiros e desbravadores. Assim, temos as jornadas de Colombo à América, as sete viagens do eunuco Zheng He, a volta ao mundo de Magalhães, a passagem do cabo da Boa Esperança, as incursões na África, nos pólos...

Os Desbravadores é um livro esclarecedor, mesmo com a abordagem da divergência e da convergência humana, é um estudo inédito sobre o espírito inquieto da humanidade. Ou como o próprio autor escreve: “(...) os exploradores foram os engenheiros das infra-estruturas da história, os construtores das estradas da cultura, os forjadores de vínculos, os tecedores de redes (...) vale a pena estudá-los (...)”. A história desses homens é a que podemos ter para explicar o que somos nos dias atuais, a fim de compreender nosso mundo e planejar o tão sonhado futuro da humanidade.


Livro: Os Desbravadores - Uma história mundial da exploração da Terra
Título original: Pathfindrs: a global history of exploration
Autor: Felipe Fernández-Armesto
536 páginas
Ano: 2009
Tradução: Donaldson M. Garschagen
Editora:
Companhia das Letras
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