Um mercador que vende muitas coisas bonitas consegue ser a tristeza do
Califa Chasid de Bagdá e seu fiel companheiro, o Grão-vizir. Saiba mais detalhes
de
O Califa Cegonha, de Wilhelm Hauff, adaptado por Ana Maria
Machado!
Embora o Califa (sucessor do profeta Maomé, na qualidade de guia ou líder
temporal e espiritual da comunidade islâmica) não seja algo tão comum em
nosso país, o conto O Califa Cegonha do escritor alemão Wilhelm Hauff, traduzido por Maria Lucia Machens
e adaptado por Ana Maria Machado, exerce grande fascínio entre os jovens
leitores brasileiros por trazer uma história cheia de magia e encanto.
Na publicação da Editora Global tudo começa com um Califa, um Grão-Vizir, um mercador, uma caixinha com pó preto
e um
manuscrito. "O Califa, que há muito tempo desejava dar uma alegria a seu
Grão-vizir, mandou chamar o vendedor. Logo o trouxeram à sua presença. [...]
Quando o mascate já ia fechando a caixa, o Califa viu no fundo uma gaveta
pequena e perguntou se ele também guardava mercadorias ali dento. Então, o
mascate a abriu e lhes mostrou uma caixinha com um pó preto, acompanhada de
um papel onde havia umas coisas escritas em uma grafia estranha, que nem o
Califa nem o Vizir sabiam ler".
Por gostar de ter papéis antigos em sua biblioteca, o Califa compra um
manuscrito e uma caixinha. Contudo, é ao descobrir o mistério do que está
escrito que o leitor é levado para o mundo da imaginação. Nesta viagem
embarca
diretamente para Bagdá. Desta forma, a obra abre espaço para que, mesmo em
pleno século XXI (quando a tecnologia comanda grande parte das atitudes), o
ser humano recupere o prazer de ler, ouvir e contar histórias.
Com um toque da famosa As Mil e Uma Noites, O Califa Cegonha
apresenta elementos marcantes do romantismo-fantástico ao satirizar e
ironizar a sociedade. Embora seja repleto de simbologia e valores humanos,
este livro pode ser apresentado para os jovens leitores a partir dos 8 anos
de idade. Outro ponto relevante desta obra é o fato de abordar os temas transversais,
como por exemplo, ética e pluralidade cultural. Além de conseguir interessar
os pequenos para uma pesquisa por palavras da língua portuguesa que têm sua origem no idioma
árabe. O Califa Cegonha é uma excelente dica de presente para este
Natal. Confira!
AUTOR:
Wilhelm Hauff nasceu em 29 de novembro de 1802, em Stuttgard. Estudou
teologia e filosofia em Tübingen, trabalhou como professor particular e
depois como redator de jornal. Lichtendtein (1826), obra fundadora do romance histórico na Alemanha, considerada seu maior êxito literário.
No entanto, o que realmente o celebrizou foram seus
contos de fada, publicados em três almanaques, de 1826, 1827 e 1828, e seus
Lieder, canções populares.
Em seus relatos, Hauff une elementos românticos-fantásticos a uma veia
satírica e à crítica de costumes. O que ele pretendia, porém, não era
proporcionar uma elucidação crítica de seu tempo. Sua intenção era muito
mais a de conversar com os seus leitores. O poeta morreu em 18 de novembro
de 1827, em sua cidade natal, antes de completar 25 anos. A tradução de
Lieder seria "canções", mas costuma-se manter o termo em alemão por
se tratar de um gênero específico dos países de língua alemã que são canções
eruditas apresentadas em salas de concerto. O texto ressalta que os Lieder
de Wilhelm Hauff se popularizaram. A História do Navio Mal-assombrado
é uma de suas obras.
ILUSTRADORA:
Claudia Scatamacchia nasceu, estudou e morou em São Paulo. Aluna de Yoshiya
Takaoka ainda adolescente, Claudia afirma emocionada que esse grande mestre
lhe abriu a alma para a pintura e para a vida.
Formada em Comunicação Visual, sempre trabalhou com pintura, design,
projetos gráficos, direção de arte e ilustrações.
Claudia fala pouco de si e também pouco explica seu trabalho. Seus desenhos
falam por ela e seu relacionamento com o mundo também acontece de modo
semelhante. Seus desejos e sonhos transparecem nas aguadas, aquarelas, nos
bicos-de-pena, nas nuances do lápis de cor.
Em seu processo de trabalho alia o rigor da técnica à sensibilidade
artística. Diante de uma obra, antes de se decidir por uma linha de desenho
e pelo ângulo de recriação da história, estuda, analisa, pesquisa,
incorporando o texto ao seu dia-a-dia, à semelhança dos atores que
incorporam a personagem.
Premiada várias vezes no Brasil e no exterior, ilustrou clássicos e autores
de renomada importância: Goethe, Virgílio, Andersen, Irmãos Grimm, Perrault,
Lewis Carrol, Fernando Pessoa, Érico Veríssimo, Walmir Ayala, Odette de
Barros Mott, Maria Dinorah, Lúcia Pimentel Góes, Ilka Brunhilde Laurito.