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35
dias de Guerra
Por: Tiago Dória
Em novembro de 2004
De meados de março a abril de 2003, o Brasil acompanhou de forma emocionada
e atenta, a Guerra no Iraque. Os dois únicos jornalistas brasileiros no
conflito, Sérgio Dávila e Juca Varella, mandavam, por meio da Folha de São
Paulo, uma cobertura diária, com capítulos e personagens desse conflito.
Agora essas peças e pessoas estão retratadas com mais reflexão e detalhes,
sem a preocupação do deadline ou da falta de espaço, típico do dia-a-dia de
um jornal impresso.
Assim é Diário de Bagdá ao retratar a passagem de 35 dias dos dois
pelo Oriente Médio, sendo 21 deles na capital iraquiana. Escrito em formato
de diário, o livro de grande qualidade da diagramação valoriza o trabalho
fotográfico de Varella com o uso do papel couché. Os textos de Dávila estão
numa linguagem simples, dramáticos e com ação: foram escritos durante a
guerra, no calor do conflito.
Logo durante o começo da leitura dá para tirar duas conclusões simples: a
primeira é a de que guerra é, antes de tudo, corrupção. Percebe-se o quanto
o Iraque e a sua população estavam corrompidos. Um povo pobre que queria
usar o conflito para ganhar dinheiro dos estrangeiros no país, no caso 180
jornalistas. A guerra acentuou esse desejo de levar vantagem em tudo. O
dinheiro é importante para manter uma boa e duradoura cobertura, já que os
subornos são constantes.
A segunda conclusão é a de que guerra é também um aprendizado. Diferenciar,
por meio do som, um míssil de uma bomba. Ou ainda aprender a falar com as
pessoas na hora e no lugar certo. Descobrir que num conflito desses,
solidariedade não é o forte entre os jornalistas. O leitor só tem a ganhar,
quando o trabalho entre o repórter e o fotógrafo é realizado ao mesmo tempo.
Em resumo, Diário de Bagdá é jornalismo na veia. É o testemunho de um
conflito que terminou oficialmente, mas continua matando.
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Livro:
Diário de Bagdá |
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Autor: Sérgio Dávila |
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Editora:
DBA Editora |
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