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Contos
que refletem os caminhos imaginários de Autran Dourado
Por:
Mary Ellen Farias dos Santos
Em junho de 2005
Uma escrita de primor e excelência. Estas seriam duas palavras perfeitas
para definir
o trabalho literário do escritor Autran Dourado. As imaginações
pecaminosas, publicado pela primeira vez em 1981, não fica fora desta
definição. Neste, fantástica obra composta por nove contos e um artigo de
não-ficção, as histórias são narradas sob o ponto de vista dos moradores de
Duas Pontes, aqueles que tudo observam de maneira astuta e nada perdoam.
Apesar deste livro não ter o conhecimento do grande público, foi ele que
possibilitou a Autran Dourado a conquista ao Jabuti, em 1982, além do
importante prêmio Goethe de literatura, oferecido pelo governo alemão. O
valor deste livro pode ser notado já dos títulos dos contos: Um Ajuste de
Contas, Noite de Cabala e Paixão, Os Gêmeos, além dos outros seis
contos bastante animadores para todos tipos de leitores.
De fato, os títulos são instigantes, porém a história é ainda mais curiosa,
mesmo tendo um conteúdo mais denso e preciso, a escrita é inteligente, o que
torna a leitura envolvente, pois as palavras estão (exatamente) no lugar
correto.
Um exemplo é está no segundo conto Retrato de Vítor Macedônio, em que é
iniciado da seguinte forma. "O mal de Vítor Macedônio foi não saber esperar
a própria morte. Nisso não diferia do comum dos mortais, em que a regra
geral é a impaciência. Poucos tem o ânimo necessário para aguardá-la, quando
então tudo acontece naturalmente, como a queda de de uma folha, a vinda do
outono ou do inverno". Uma abertura de texto um tanto que inusitada, não?
Sim, ainda mais ao levar-se em conta que a cada parágrafo dos contos há essa
surpresa do leitor. Não foi à toa que, em entrevista ao Guia do Livro (http://www.guiadolivro.com.br/info.php?not=28),
disse que a única maneira de saber-se se você tem talento é escrevendo. É
justamente o que não falta à ele, talento para a escrita.
O diferencial de As imaginações pecaminosas é o artigo de não-ficção,
um presente para os admiradores do escritor Machado de Assis. Neste, Dourado
faz a
sua versão para a Missa do Galo, reescrita para integrar o livro
Missa do Galo – Variações sobre o mesmo tema, publicado pela Sumus
Editorial. A versão conta os
motivos que o levaram a aceitar o desafio de reescrever um dos contos mais
famosos do (mestre) Machado de Assis, destrinchando o complexo
simbolismo utilizado pelo mestre da literatura brasileira (Machado) para narrar uma história que
parece simples mas que é cheia de insinuações.
Autor:
Waldomiro Autran Dourado nasceu em Patos de Minas, Minas Gerais, em 1926, e
mora há mais de 40 anos no Rio de Janeiro. Nenhum outro escritor brasileiro
possui os prêmios e honrarias do romancista. Há vários livros seus
traduzidos e trinta teses de mestrado e doutorado sobre sua obra. Seu
romance Ópera dos mortos foi escolhido pela Unesco para integrar a sua
Coleção de Obras Representativas da Literatura Universal e Os sinos da
agonia, adotado para os exames de Agregação das Universidades Francesas. Tem
nove prêmios no Brasil e um na Alemanha, o Prêmio Goethe de Literatura. Em
agosto de 2000, recebeu o Prêmio Camões pelo conjunto de sua obra. A Rocco
está reeditando as obras selecionadas e revistas pelo autor, entre romances,
contos e ensaios. As capas das reedições são feitas especialmente pelo
gravurista Ciro Fernandes.
Obras reeditadas
pela Rocco
Ópera dos mortos, romance
Os sinos da agonia, romance
A barca dos homens, romance
O risco do bordado, romance
Um artista aprendiz, romance
Uma poética de romance: matéria de carpintaria, ensaio
Novelário de Donga Novais, romance
A serviço del-Rei, romance
Gaiola aberta, memórias (inédito, lançado em 2000)
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Livro: As Imaginações Pecaminosas |
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Autor: Autran Dourado |
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160 páginas |
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Editora: Rocco |
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