|
|
|
As
mulheres decididas e de personalidade forte de José de Alencar
Por: Mary Ellen Farias dos
Santos
Em julho de 2005
Duas mulheres, amigas e por uma certa peculiaridade, uma tem um aleijão em
um dos pés, enquanto que a outra tem dois pezinhos. Contudo, a história de
Amélia e Laura tem um tom cômico e romântico, em
A Pata da Gazela
e
A Viuvinha, de José de Alencar. Na primeira história,
A Pata da Gazela,
tudo começa da seguinte maneira: "Estava parada na Rua da Quitanda, próximo à
da Assembléia, uma linda vitória puxada por soberbos cavalos do Cabo. Dentro
do carro havia duas moças: uma delas altas e esbelta; a outra de pequena
estatura, era talvez mais linda que sua companheira".
As duas que esperavam o seu lacaio desajeitado acabam por não perceber que
algo do pacote faltava. Laura até teve um pressentimento, mas fechou o
pacote e o escondeu e não deu por falta das suas coisas.
Entretanto é neste momento que passam Horácio Almeida e percebe que um
objeto pertencente à alguma pessoa do carro, caiu. Tenta avisar, mas é
tarde. Ele então o guarda no bolso. Em casa, percebe que é um primor de
botina e por ela apaixona-se e decide ir em busca de sua dona.
Já Leopoldo de Castro era um homem modesto e estava apaixonado por uma das
moças, a que tinha um lindo sorriso. "Quis representar em sua lembrança a
imagem dela; naturalmente começou interrogando sua memória a respeito dos
traços principais. Mas ele não conseguia satisfazer tal desejo, porque não
recebera a impressão particular de cada um dos traços da moça".
A decepção do rapaz logo vem quando Horácio pensa que Amélia, a moça por
quem Leopoldo havia se apaixonado, é a dona da linda botina e a pede em
casamento, para somente poder ver os seus lindos pezinhos. Esta, apenas quer
saber quais as verdadeiras pretensões do moço, se ele a ama realmente. No
fim, o jogo de Amélia envolve a pobre Laura, a dona verdadeira de um
aleijão. Quem fica com quem, se é que fica? Nada melhor do que ler esta
publicação da Rideel, mesmo porque está com o texto condensado por Celso
Leopoldo Pagnan, um excelente meio para iniciar a leitura e em seguida
partir para o deleite da leitura do texto integral.
Já em A Viuvinha, a história não tem um tom leve e mais humorado, mas
sim, há seriedade no triste destino da jovem Carolina, apesar de o sujeito
narrador da obra dirigir-se ao leitor de minha prima. "Este moço, minha
prima, que designei com o nome de Jorge, e que realmente tinha outro nome,
era o filho de um negociante rico que falecera, deixando-o órfão em tenra
idade; seu tutor, velho amigo de seu pai, zelou a sua educação e a sua
fortuna, como homem inteligente e honrado que era".
Com o passar da história, o leitor percebe as bruscas mudanças com a
personagem de Jorge, isto é, após muito aproveitar os prazeres da vida, ele
põe tudo a perder e torna-se miserável. Para não despedaçar o coração da
mais da jovem mais bela dos salões, casa-se com ela. Comente "suicídio" e
ela fica conhecida por todo Rio de Janeiro com a A Viuvinha.
Para sanar todas as dívidas, Carlos, decide reparar todas as letras.
Contudo, restam 6 delas. Para tanto, ele procura o seu tutor, Sr. Almeida.
Neste momento, descobre que ele detém as letras restantes e as paga. Com o
nome do pai e o seu limpos, ele decide ir em busca do que é seu, a jovem
Carolina, sua esposa conhecida como A Viuvinha. "Assim, Carolina
tornou-se coquete, ouvia todos os protestos de amor, mas para zombar
deles; a sua malícia representava um papel engenhoso; mas o coração foi mudo
espectador".
Triste? Não. Este coração, entregue ao seu "falecido" marido torna-se cada
vez mais mole com o recebimento de uma carta com o endereço, A Ela e
uma flor, todos os dias, igualmente. As visitas daquele vulto fazem renascer
o amor no coração desta jovem. É então que o leitor questiona-se é melhor o
amor de seu marido que se foi ou de um vulto galanteador? Com certeza, numa
destas opções, a melhor saída é a junção do amor de seu marido cheio de
galanteios que renasce junto a seu eterna esposa.
Este livro, com duas obras condensadas de José de Alencar, é uma opção para os
vestibulandos que gostam de deixar o seu estudo para o último dia, mesmo
porque a leitura deste pode ser feita em um dia, pois soma
72
páginas, além de trazer nas duas últimas páginas a biografia do autor e um
roteiro de leitura para cada um dos livros.
|
Livro:
A
Pata da Gazela
e A Viuvinha |
|
Autor: José de Alencar (texto condensado por Celso Leopoldo Pagnan) |
|
72
páginas |
|
Editora: Rideel |
::
Mais sobre...
::
Resenha de Senhora
::
Resenha de As Minas de Prata
|
|