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Brincando
de iludir a morte
Por: Mary Ellen Farias dos
Santos
Em julho de 2005
"Bater as botas", ou se preferir ,"Partir desta para melhor". As formas para
referir-se à morte podem variar, mas o sentimento de medo desta é o mesmo. Em
contraponto, este assunto que aflige a muitas pessoas é tratado de
maneira inteligente, em
Contos de Enganar a Morte,
de Ricardo Azevedo, isto é, o
livro publicado pela Ática traz contos que ensinam a enganar a morte.
Neste 15º livro sobre folclore brasileiro de autoria de
Ricardo Azevedo, há uma
conversa entre leitor e escritor. Este diálogo faz com que a leitura da obra
aconteça de maneira descontraída, ainda mais quando trata de um assunto um
tanto que "pavoroso". A obra que prende a atenção do leitor, do início ao
fim, conta com uma narrativa simples e objetiva, talvez, aí esteja o segredo
do texto agradável de Azevedo.
O livro ilustrado pelo próprio autor, traz quatro contos populares sobre a
"hora de esticar as canelas". Na primeira história, O Homem que Enxergava a Morte,
há um homem pobre que de tão pobre, um dia, inconformado com tanta
miséria, convida a Morte para ser a madrinha de seu sétimo filho. A
madrinha do menino faz do homem pobre, um médico famoso. Um dia, a madrinha
chega para levá-lo.
Em O Último Dia na Vida do Ferreiro há um rapaz forte que sonhava ser
muito rico. A morte? Esta, só esperava um belo dia para pegá-lo. O ferreiro,
muito esperto, usou de suas artimanhas e fez a morte de boba. No terceiro
conto, O Moço que não queria Morrer, é a vez da história de um jovem
viajante que andava pelas estradas do mundo. Até que um dia teve um encontro
com a morte. Por achar injusta a sua morte, ele sai em busca de um lugar em
que a morte não o possa encontrar.
No último conto, A Quase Morte de Zé Malandro, há um rapaz que
gostava de passar a vida zanzando ou deitado na rede. Um dia, ele recebe um
velho viajante que bate à sua porta e pede alimento. Zé, muito bondoso, não
nega comida. Em retribuição, o velhinho lhe concede quatro pedidos, que
acabam tornando-se muito úteis para ele.
Os quatro contos são excelentes e a maneira da escrita de
Ricardo Azevedo utiliza
um tom cômico, o que certamente, agrada aos leitores de bom humor. Por esse
motivo, humanos bem-humorados e mal-humorados, a dica é: "Não é preciso se
preocupar com a morte. Ela é garantida e ninguém vai ser bobo de querer
roubá-la da gente". O importante é cuidar da vida, que é boa, bela, rica,
preciosa, porém frágil. Ela sim, pode ser roubada.
AUTOR: Ricardo José Duff Azevedo é escritor e desenhista. Não pratica
esportes radicais, não é empresário, nem sociólogo, nem muito menos filiado
a nenhum partido político. Para saber mais, acesse:
www.ricardoazevedo.com.br
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Livro:
Contos
de Enganar a Morte |
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Autor: Ricardo Azevedo |
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62
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Editora: Ática |
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