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“Hoje o público já reconhece que cada uma é única, mas ainda bem que me
compararam a uma grande artista como Ana Carolina, uma honra” – Isabella
Taviani
Por: Patrick Selvatti
Em maio de 2008
A cantora e compositora Isabella Taviani conta um pouco sobre seu estilo
musical, fala das comparações com Ana Carolina e de sua identificação com o
público gay.
Antes de se tornar cantora, Isabella jogou vôlei, trabalhou em repartição
pública e deu aula para crianças carentes. Filha de uma pianista e neta de
um cantor de ópera, procurou o curso de soprano apenas para aprimorar a voz,
pois já sabia que o que queria era MPB. Isabella formou-se em canto lírico e
desde então, vem desenvolvendo um estilo que cativa a todos que a ouvem pela
força e melodia envolvente de suas composições. Pensando em aprimorar sua
performance no palco ela fez curso na Casa das Artes de Laranjeiras (CAL).
Conheça um pouco mais de Isabella Taviani.

RESENHANDO - Como você define seu estilo musical?
ISABELLA TAVIANI - É difícil definir. No meu repertório, há MPB, pop
rock, rock pesado e também muita balada romântica. Eu flerto muito com o
rock porque sou uma pessoa muito vigorosa e o rock me permite explorar esse
interior que eu quero colocar para fora. Mas eu gosto mesmo é de compor
sobre o amor, independente do estilo musical. Não sou uma compositora que
fica pesquisando, rebuscando muito as palavras. Gosto de compor canções que
saiam rapidamente, que saiam com uma expressão de sentimento, pois parece
que elas são mais verdadeiras.
RESENHANDO - Quem são suas influências musicais?
I.T. - Eu sempre ouvi muito Elis Regina, Maria Bethânia, Simone, Dalva
de Oliveira. Mas me inspiro muito em Maria Callas, pela sua interpretação
audaciosa. Eu acredito na cantora que realmente sua a camisa para estar no
palco, e não apenas na sua voz. Eu não creio na voz perfeita, mas, sim, que,
por baixo de uma grande voz, tem que haver uma grande intérprete, que está
vivendo aquilo que está cantando.
RESENHANDO - Como você encara as comparações com Ana Carolina e como é a
sua
relação com ela?
I.T. - No início eu fiquei muito incomodada porque quando você não vê o
mercado se abrindo para você, é difícil constatar que as pessoas salientam
nossas semelhanças com outros artistas que já se fixaram no mercado e
esquecem as diferenças que nós temos. Ana Carolina e eu temos muitas
diferenças. Hoje, com a situação andando e o trabalho se estabilizando, o
público já reconhece que cada uma é única, mas ainda bem que me compararam a
uma grande artista como Ana Carolina, uma honra. Eu e ela hoje somos grandes
amigas e planejamos até compor uma canção juntas.
RESENHANDO - Você já gravou dois álbuns e seu nome já é conhecido no meio
artístico e de uma grande fatia do público, inclusive com músicas em outra
novela da mesma emissora. Mas as pessoas ainda parecem associar seu sucesso
a este último trabalho. Como é a sensação de ter sua música tocando na
novela das nove da Rede Globo, o programa de televisão mais assistido do
país, ainda mais embalando as cenas de uma atriz do porte de Renata Sorrah?
I.T. - É uma lente de aumento em cima de um trabalho que a gente já vem
fazendo. MPB é um mercado muito difícil, as rádios tocam menos em todo o
país, mas em todo lar há uma televisão e isso faz com que entremos nas casas
das pessoas com mais facilidade.
RESENHANDO - Como é sua relação com os fãs?
I.T. - Existe entre nós uma relação verdadeira, sincera. Há uma troca
muito boa, principalmente no palco, porque na platéia os fãs interagem bem,
graças à facilidade que eles têm de se colocar no meu lugar quando eu canto.
As canções falam de histórias que todo mundo passa e a maneira como
interagimos faz com que eles se transfiram para o meu lugar. Acho que vem
daí essa boa sintonia.
RESENHANDO - Que recordações você traz dos tempos em que canta em bares
na
noite?
I.T. - Eu acho que as roubadas que acontecem no palco, porque na noite
você tem que ter jogo de cintura, saber lidar com várias situações. Mas o
bom dessa época é que a proximidade com o público ajuda mais nessa
interação.
RESENHANDO - Na música “Iguais”, você assume que faz um flerte com o
público gay, que tanto participa dos seus shows. Como você enxerga essa
questão da diversidade sexual nas artes de um modo geral?
I.T. - Os homens gays costumam ser muito sensíveis e isso faz com que
eles sejam presentes nos meus shows. Já as mulheres gays são mais fortes,
guerreiras. Lidar com o público gls é maravilhoso, embora eu não goste de
limitar meu trabalho. Mas nessa música eu prestigio, sim, esse público que
tanto me prestigia.
RESENHANDO - Que mensagem você deixa para os artistas que buscam esse
reconhecimento que você está experimentando?
I.T. - Só há uma saída: acredite em você. Se você não acreditar em si
mesmo, pára e vai buscar outra coisa para sua vida. Acredite no que você
faz. Tem que permanecer, buscar seu sonho até o fim. Se você acredita, vai
fundo.
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