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“Fizeram
teste a partir da saliva e detectaram a proporção de europeu, negro e
ameríndio no meu sangue, coisa que nunca tinha imaginado.” - Ildi Silva
Por:
Renato Krausz
Em outubro de 2009
A bela e as feras: capa da revista VIP de outubro e aprendiz de
vilã em novela, Ildi Silva, a mulher mais bonita da TV na atualidade, fala
sobre tudo, inclusive de Caetano Veloso.
A atriz Ildi Silva é mesmo cosmopolita. A influência genética de diferentes
raças a transformou num tipo de mulher ideal, como você pode comprovar no
ensaio da revista Vip de outubro. Além disso, Ildi costuma dizer que é
bapaioca, uma junção de baiana, paulista e carioca: nasceu e morou até os 16
anos em Salvador, e nos últimos 10 anos se dividiu entre São Paulo e Rio e
de Janeiro. Ela adora as três cidades.
Anote aí a receita: misture código genético na proporção 75% europeu, 19%
negro e 6% ameríndio. Acrescente um pouco de energia baiana diluída com
agito paulista e tempere com astral carioca a gosto. Leve às passarelas e
deixe desfilar por uns quatro anos. Depois mergulhe em cursos de teatro
nacionais e internacionais e ponha à prova em telenovelas das três maiores
emissoras do país. Espere completar 27 anos (em 8 de outubro) e pronto: você
criou uma Ildi Silva, essa morena de olhos verdes cuja beleza e talento são
impossíveis de reproduzir numa receita que não seja exatamente esta.
A proporção genética não é chute: foi aferida por um teste de DNA
encomendado pela BBC de Londres. Seus traços desconcertantes lhe renderam
uma música de Caetano Veloso (Musa Híbrida, do álbum Cê, de 2006), com quem
ela teve um affair, sobre o qual não gosta de comentar. Hoje, na pele da
secretária Dinorá Melo, Ildi diverte o público na cômica novela Bela, a
Feia, da TV Record.
Explica essa história de a BBC fazer teste de DNA com você.
ILDI SILVA – Me ligaram dizendo que estavam fazendo uma pesquisa no Brasil
sobre mistura de raças. Fizeram teste a partir da saliva e detectaram a
proporção de europeu, negro e ameríndio no meu sangue, coisa que nunca tinha
imaginado. Minha avó paterna é negra. Meu avô era branco e tinha olho claro.
A família da minha mãe descende de holandeses, mas tem misturas também.
E onde o índio entrou nessa história. De gaiato?
I.S. – Ah, é. Uma das duas famílias deve antepassados ameríndios. Ou as
duas. É uma mistura boa.
Dá para separar algumas partes? Por exemplo: o olho vem dos holandeses...
I.S. – Poxa, brasileira, baiana... O quadril não tem jeito. É mais
avantajado, uma influência dos negros. A pessoa malha, corre, mas não
adianta. Agora até que entrei nos eixos. O formato do meu rosto é igual ao
do meu pai, mas os traços são iguais aos da minha mãe, com o nariz mais
fino. É uma mistura mesmo. Fico imaginando como serão os meus filhos...
Como você entrou nos eixos?
I.S. – Corro seis quilômetros todos os dias. Também vou à academia. E
acertei a alimentação também. Antes eu fechava a boca por dois dias e depois
comia um monte de porcaria. Hoje gosto de comida orgânica e aprendi a
cozinhar.
Onde você corre?
I.S. – Na academia ou na praia. Vou do Arpoador até o final do Leblon e
volto.
Você trabalhou nas três maiores emissoras do país. Como você as compara?
I.S. – Todas me agregaram experiências muito boas. No SBT fiz uma novela de
época, coisa que eu nunca tinha feito. Me senti muito privilegiada. A Globo
foi onde eu trabalhei mais, lá é maravilhoso. Agora na Record estou no meu
primeiro trabalho. Estou adorando, eles estão com uma ótima estrutura, estão
investindo muito para atingir um patamar muito bacana de dramaturgia. Tudo é
muito bem tratado, a direção, a iluminação, tudo.
Você acha que o bom-humor é o motivo principal do sucesso da novela?
I.S. – Eu acho, a novela tem um lado cômico que eu gosto muito. A Dinorá,
minha personagem, tem um sarcasmo bem engraçado.
Ela é uma secretária bajuladora ou alpinista?
I.S. – Acho que as duas coisas e eu ainda colocaria mais uma, ela é uma
aprendiz de vilã. O primeiro momento em que ela tiver oportunidade de fazer
algo para se dar bem, ela vai fazer, seja coisa boa ou má. Ela também
maltrata muito a Bela.
Você maltratava as meninas feias na escola?
I.S. – Não, isso nunca. Aliás, pelo contrário. Às vezes eu chegava com o
cabelo bagunçado, sem as tranças, com o braço roxo. Havia umas meninas na
escola que queriam me bater, fazer algum mal, só porque eu era bonita. Eu me
sentia acuada.
Hoje morando no Rio, do que você mais sente falta em São Paulo?
I.S. – Quando eu vim morar no Rio, há cinco anos, eu sentia muita falta de
São Paulo. Eu brinco que eu sou bapaioca, mistura de baiana, paulista e
carioca. Em São Paulo sinto falta de andar na Oscar Freire, de usar roupas
de frio, de ir a restaurante a qualquer hora do dia ou da noite. Mas fui me
acostumando com o Rio, até porque tem o mar, como na Bahia, e hoje amo morar
aqui.
E de Salvador, o que você mais sente falta. Não vale dizer que é da família
porque seria muito óbvio.
I.S. – Da energia que tem lá. É diferente de qualquer outro lugar. Já viajei
muito, mas quando chego a Salvador, eu não sei explicar, não sei se é
espiritual ou o quê, mas existe uma coisa que me conecta, que me dá força.
Eu me sinto revitalizada, como se eu fosse uma bateria que colocassem na
tomada. É uma vibração muito diferente.
Quais restaurantes você mais gosta nessas três cidades?
I.S. – Em Salvador, o Soho, na Marina, onde a gente come na varanda, olhando
o mar. No Rio, tem vários, gosto muito do Market, em Ipanema, que tem
comidas orgânicas deliciosas. E, em são Paulo, eu adoro o Spot.
Quando você veio a São Paulo, você fez curso de teatro no Wolf Maya, né? O
que você aprendeu lá?
I.S. – O foco maior lá era televisão, não teatro. Foi muito importante, não
tanto na parte prática, mas na teórica. Conheci muitos dramaturgos, li
muitas peças. Também estudamos questões corporais. Na parte prática foi
legal porque me preparou para a TV. Eles têm um cenário lá que reproduz uma
rotina de emissora.
O cinema está entre os seus planos?
I.S. – Quero muito fazer cinema. A preparação para um filme é bem diferente
da TV, mais demorada, é um pouco parecida com a do teatro. Na TV tudo é mais
imediato. No ano passado fui para Los Angeles fazer um curso de
interpretação com o Aaron Speiser, que foi coach do Will Smith e da Jennifer
Aniston. Era para ficar um mês, mas fiquei seis. Foi incrível. O curso me
amadureceu muito como atriz.
E não pintou uma chance de fazer filme por lá?
I.S. – Fiz ótimos contatos com pessoas do cinema de lá. Mas tive de voltar
por causa do meu visto, que não era de estudante. E também houve o convite
do (Edson) Spinello (diretor de Bela, a Feia) para trabalhar na Record. Mas
minha vontade é voltar para os EUA assim que puder.
Você casou com 19 anos, certo? Não era muito adolescente?
I.S. – Fui morar junto quando tinha 20 anos. Eu estava em São Paulo sozinha,
trabalhava como modelo, e ele também morava sozinho e trabalhava como
modelo. Ir morar junto foi natural. Foi bacana, vivemos muitas coisas
juntos.
Depois que você se separou, que lição tirou da vida a dois?
I.S. – Para um relacionamento dar certo é preciso aprender a fazer
concessões e a querer estar junto.
Você já se definiu como romântica. O que você faz quando quer muito agradar
um namorado ou pretendente?
I.S. – Gosto de fazer surpresas e de ser surpreendida.
Qual a maior surpresa que você já fez?
I.S. – Estar muito longe, em outro estado trabalhando, e voltar só para
almoçar com a pessoa.
Há uns três anos só se falava no seu affair com Caetano Veloso. É difícil
para duas pessoas famosas se conhecerem e iniciarem um relacionamento em
paz?
I.S. – Todo mundo, de qualquer área, tem uma vida particular. Para nós é
diferente porque estamos muito expostos. Estamos dentro da casa dos outros,
nas novelas, nas revistas, então é comum querer saber da nossa vida. Minha
única saída é ser uma pessoa muito reservada, tento ao máximo preservar
minha vida pessoal.
É por isso que até hoje você não fala sobre o Caetano?
I.S. – Nunca falei sobre isso. Não faz diferença, eu acho. O que eu digo é
que somos muito amigos, temos muito carinho um pelo outro.
Que trecho você mais gosta de Musa Híbrida, a música que ele fez para você?
I.S. – Gosto da música como um todo. Acho linda a música. O Caetano é
genial.
Você tem planos de ser mãe?
I.S. – Tenho. Sou muito família, acho muito legal ter uma família. As
pessoas na minha área acabam dando um peso maior para a profissão. Mas não
há coisa melhor que ter uma família, ter um marido, ter filhos, acho que
isso só ajuda, só agrega coisas, não atrapalha. Lá em Los Angeles eu via
muitos atores novos, talentosos, bem-sucedidos, todos com família. Eu quero
isso para mim. Não é para já, mas não vou perder de vista nem deixar passar
quando for a hora.
Você está namorando?
I.S. – Estou.
Pode falar quem?
I.S. – Um empresário mineiro, Régis Campos. Estou muito feliz.

Então você corre o risco de virar bapaiocaeira?
I.S. – Ai, ai, é verdade.
Fonte – Revista Vip (http://vip.abril.com.br)
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