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::Set de O Exorcismo de Emily Rose: Um Exorcismo Real?
 

Um Exorcismo Real?
Por:
Peu K.*

Em janeiro de 2006



Pelo título somos levados a achar que se trata de mais um filme de horror, sobre demônios e exorcismo, chupando referências de "O Exorcista", de William Friedkin. Na verdade, este é um filme diferente. Uma menina comum e religiosa começa a agir de forma estranha e ter alucinações. Sua família, católica praticantíssima (neologismo mesmo, só pra ilustrar), crê que ela está possuída pelo demônio. Chamam o padre local para um exorcismo, ele faz algumas sessões, mas a menina acaba morrendo. (Calma, eu não contei o final do filme, este é apenas o começo.) Acusado de negligência e falta de socorro, o padre vai a julgamento. E é aí que fica interessante.

Como todos os exorcismos precisam ser aprovados pelo Vaticano (disso eu não sabia), e este não foi exceção, entra no jogo uma outra discussão: a do poder da Igreja e sua influência no sistema judiciário (neste caso em específico, que esteja claro). No filme, a Igreja tenta a qualquer custo evitar um escândalo e as evidências da utilização de técnicas medievais nos dias de hoje.

Não espere um filme de terror. Este se classifica dentro do que eu chamo de "filme de tribunal". Particularmente, adoro. Claro que existem alguns sustos e bastante suspense (provavelmente exigências dos produtores, prevendo um maior sucesso comercial), mas o interessante mesmo é acompanhar os argumentos da defesa e da promotoria dentro do tribunal. Ver a racionalidade dos advogados aplicada numa discussão sobre anjos e demônios é nada menos que surreal. E isto dá ao filme um tom de novidade.

O fato de ser baseado em eventos reais é de arrepiar os cabelos. Hoje em dia, com o onisciente Google.com, é possível tirarmos a prova (ou a quase-prova) dos fatos. E o filme é realmente em cima da história de Anneliese Michel, uma garota alemã que, nos anos 70, sofreu diversos exorcismos e acabou falecendo. A Igreja Católica havia reconhecido oficialmente sua possessão demoníaca e autorizado o exorcismo, o que torna o caso ainda mais intrigante.

Nesta coluna não discutirei fé ou religião - apesar de o filme levantar várias questões e dúvidas sobre as crenças de cada um. Estou aqui apenas pra falar de cinema. Pode ser que existam demônios, pode ser que não. Depois de assistir a este filme, tenho apenas uma certeza: acreditando ou não, caso eu acorde pontualmente às três da madrugada sem motivo aparente, vou ficar é bem quietinho no meu canto.



* Peu K. é colunista da seção Iscas Cinematográficas do site www.lucianopires.com.br, Formado em Publicidade e Propaganda pela USP. Café Brasil: www.lucianopires.com.br



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