A delicadeza de um diretor ao reconstruir a trágica história da jovem Sylvia
Likens. Saiba mais de
Um Crime Americano!
O colorido mágico de um parque de diversões. Nele, duas garotas aproveitam a
beleza de um carrossel que somente dá voltas, sobe e desce. De acordo com a
protagonista da história, nele "você não chega a parte alguma, mas
sempre se sente segura". Estas são as primeiras cenas de Um Crime
Americano, longa que reinterpreta o caso "Baniszewski contra o estado de
Indiana", ocorrido em 1966.
O longa reconstrói cronologicamente e com sutileza a história (verídica) da
jovem Sylvia Likens (Ellen Page) e de sua irmã Jennie. No entanto, tudo é
detalhado (e narrado) por meio de cenas no tribunal (julgamento da senhora Baniszewski,
Catherine Keener), imagens inseridas com uma bela produção e edição.
Resultado: o longa ganha mais agilidade e fica mais próximo dos reais
acontecimentos, já que os testemunhos foram transcritos do julgamento de 66. Formato que remete ao Exorcismo
de Emily Rose, longa do gênero terror.
A história que é ambientada nos anos 65, mostra um casal (Lester e Betty
Likens) e suas filhas (Sylvia e Jennie) diante de um problema tão comum
atualmente: a separação e uma tentativa de reconciliação. Contudo, o
problema torna-se maior devido a falta de estabilidade no trabalho de Lester,
que pertencia ao circuito das feiras de parques de diversão na venda de
pretzels, maçãs do amor, entre outros. A solução? O casal seguir a vida sem as
filhas.
É
então que o útil e o agradável unem-se na figura da passadeira de roupas e
mãe de sete crianças Gertrude Baniszewski. O acordo entre Lester e Gertrude?
O envio de um cheque semanal de 20 dólares à "mãe de aluguel" das meninas.
No primeiro mês de convivência tudo corre bem, até que o atraso de duas
semanas de um cheque, enlouquece a divorciada que pune Sylvia e Jennie pela
primeira vez com uma surra.
Em contrapartida, Gertie, passa
a abusar das meninas alegando corrigir as atitudes das garotas, como
por exemplo, uma acusação de roubo e até pela suspeita de Sylvia ter
"espalhado" boatos sobre Paula. Tudo é motivo para punir Sylvia, já que esta
tomava para si a culpa de tudo, para deixar a irmã, que sofria de polio, ilesa.
Mantida no porão da casa dos Baniszewski, Sylvia foi acorrentada, tomou
surras, sofreu queimaduras de cigarro, além de muitas outras atrocidades.
O total desequilíbrio de Gertrude é visível, principalmente quando o público
toma conhecimento de que seu bebê e último filho, Kenny, tem como pai um
garoto (James Franco), somente seis anos mais velho que Paula, a primogênita
da passadeira de roupas. Em meio a tantos problemas de personalidade, a
antagonista de Um Crime
Americano, só poderia fazer com que a vida de Sylvia tomasse o caminho
mais trágico possível.
Sem dúvidas esta é uma história forte e marcante
também para o diretor
Tommy O´Haver (Uma Garota Encantada) que cresceu na mesma
Indianápolis em que o caso aconteceu. Talvez a proximidade de O´Haver tenha
dado-lhe inteligência suficiente para conduzir tanta brutalidade com
bom-senso. Não há como negar que tal história ganhou sutileza ao retratar os
sonhos de uma garota de 16 anos desmanchando-se ao encontrar a total
desgraça em um monstro humano que gerou sete filhos e uma maldade que
estimulava a todos que a cercavam.
"A delicadeza de Tommy O´Haver ao reconstruir a história de desgraça
da jovem Sylvia Likens".
- Resenhando.com
Filme:Um Crime Americano (An
American Crime, EUA) Ano: 2007 Gênero:
Drama Duração:98
minutos Direção:Tommy
O'Haver Roteiro:Tommy O'Haver, Irene Turner Elenco:Ellen
Page, Catherine Keener, Ari Graynor, Hayley McFarland, Nick Searcy,
Romy Rosemont, Tristan Jarred, James Franco Distribuição:California Filmes