Na telona a história de um brasileiro com final trágico e de grande
repercussão. Saiba mais de Jean Charles!
Jean Charles é um longa baseado na história do
brasileiro morto por engano, com sete tiros na cabeça,
dentro da estação Stockwell, no metrô da Rainha de
Buckingham, em 22 de julho de 2005. Com roteiro de Henrique
Goldman e Marcelo Starobinas, jornalista brasileiro da BBC,
estreante no cinema, o drama estrelado por Selton Mello e
Vanessa Giácomo, não impressiona e nem faz grandes
revelações. No entanto, retrata, detalhadamente a vida
daqueles que partem para outros países com o sonho colorido
de vencer fora do Brasil, porém, ao buscar sucesso
financeiro, acabam sujeitando-se a situações desagradáveis.
O longa dirigido por Goldman (roteiro e direção), brasileiro
radicado em Londres, apresenta a história do jovem mesclado
com os noticiários sobre os atentados terroristas (e
tentativas) realizados, na mesma época, em metrôs e ônibus
de Londres. Inicialmente, conhecemos o rapaz (Selton Mello)
confundido com um homem-bomba árabe, de um modo peculiar, ou
seja, Jean é o típico brasileiro com um toque mineirinho,
aquele que sempre dá um jeitinho (de mansinho) em tudo.
Mostrando toda a sua brasileirice, Jean, traz de Gonzaga,
cidade do interior de Minas Gerais, a prima Vivian (Vanessa
Giácomo) para a evoluída Londres, na tentativa de ganhar a
vida em libras.
A
comicidade da película, que começa nos três meses que
antecedem o assassinato do brasileiro, fica por conta
de Alex (Luis Miranda) e do show de Sidney Magal, em que
Jean assiste com seu amigo de trabalho e, com seu jeitinho
brasileiro, ajuda o dono da casa de shows ao concertar a
mesa de som.
A atuação de Selton Mello e Vanessa Giácomo são perfeitas.
Enquanto que ele dá vida ao brasileiro alegre, sagaz e
sempre disposto a dar um jeitinho em tudo, ela, com um
jeitinho Zuca (protagonista da novela global Cabocla) é apresentada na
telona com seu jeitinho de moça interiorana que aos poucos
solta-se e na cena final, domina toda a história.
Com um orçamento de cerca de R$ 8 milhões, o longa foi
filmado no Reino Unido e no Brasil e transita entre dois
idiomas, português e inglês. O filme, que visa não só
mostrar o acontecimento trágico, mas celebrar a vida do
brasileiro, levou seis semanas para ser rodado. De acordo
com o diretor, presente na pré-estreia do longa, em Santos
(Cine Roxy), o processo foi árduo, mas valeu a pena. “Tudo o
que poderia falar agora está no filme. Aproveitem!”,
concluiu.
Jean Charles, longa anteriormente intitulado de
Leave to Remain e Brazuca, não é o filme do ano e
muito menos o filme da sua vida, porém merece todo e
qualquer destaque por ter arriscado, e muito, em um gênero
não muito aceito e produzido no Brasil, o drama. Sem contar
que consegue mexer com o público, seja em lágrimas ou
comentários ao final do filme. Vale a pena assistir ao longa
produzido pela paulistana Já Filmes e a londrina
Mango Films, com lançamento em 26 de junho, pela Imagem
Filmes!
HISTÓRIA: No dia anterior à execução, aconteceram
quatro atentados a bomba em três lugares no metrô e em um
ônibus londrino. Nem todos os envolvidos morreram no local,
o que levou a polícia a fazer uma investigação em larga
escala com o objetivo de caçar os fugitivos. Um indício
material, encontrado em mochilas que não explodiram dos
terroristas, levou os investigadores a um bloco de
apartamentos de três andares em Scotia Road, Tulse Hill. Por
volta das dez da manhã, agentes que observavam o local viram
Jean sair do prédio de apartamentos onde morava com dois
primos. Os agentes deveriam estar vigiando três homens de
aparência somali ou etíope.
Jean, que trabalhava como eletricista, acabara de receber
uma chamada para consertar um alarme de incêndio quebrado em
Kilburn. Os agentes seguiram o rapaz durante cinco minutos,
até a parada de ônibus. Ele embarcou em um ônibus da linha
número 2. Entre dez e quinze minutos depois, o ônibus chegou
à estação de Stockwell. Jean Charles telefonou para um
colega de trabalho, Gésio de Ávila, dizendo que chegaria
atrasado por causa do congestionamento provocado pelos
atentados do dia anterior. Fora da estação de Stockwell, a
polícia alega que lhe ordenou que parasse, fato questionado
pelas revelações preliminares da investigação independente.
A polícia alegou que Jean trajava um pesado blusão, o que
preocupou os policiais, pois havia a possibilidade dele
estar carregando explosivos junto ao corpo. Contudo, o
jornal britânico The Observer, relatou que ele
vestia "baseball cap, blue fleece and baggy trousers" (boné,
um casaco e calças largas). A Reuters relatou que,
segundo uma das testemunhas do tiroteio, Mark Whitby, Jean
Charles estaria usando um grande casaco de inverno e
"parecia deslocado". Outra testemunha, Anthony Larkin,
"talvez interessado em fazer piada ou ridicularizar o
precipitado julgamento" contou à BBC que Menezes parecia
estar vestindo um "cinturão de bombas, com fios saindo
ligados à uma tomada elétrica".
Nenhum artefato foi encontrado. Entretanto, a sua ocupação
como eletricista poderia explicar a presença dos fios nessa
imagem, pois ele não carregava sua maleta de ferramentas,
deixada com seu colega no fim do dia anterior. Na hora do
tiroteio a temperatura em Londres era de dezessete graus
centígrados, o que é fresco o suficiente para alguém criado
em região de clima tropical, querer se vestir com agasalhos.
Foi dito também que o motivo para ele supostamente ter
corrido de policiais sem uniforme, foi ter sido atacado,
poucas semanas antes, por uma gangue de skinheads,
criminosos arruaceiros tolerados pela polícia britânica,
acostumados a agredir pessoas de aparência semita.
Inicialmente, foram divulgados relatos contraditórios sobre
a identificação correta dos agentes disfarçados, se estes
tentaram contê-lo no chão ou se algum aviso foi dado antes
de atirarem.
O Comissário da Polícia Metropolitana, Sir Ian Blair disse,
em uma coletiva de imprensa, que o aviso foi dado antes de
dispararem contra ele e que uma ambulância aérea foi chamada
depois. No entanot, Jean Charles foi declarado morto no
local, ou seja, morte instantânea.
Filme: Jean
Charles (Jean Charles, Brasil-Reino Unido) Ano: 2008 Gênero: Drama Duração: 93 minutos Direção: Henrique Goldman Roteiro: Henrique Goldman e Marcelo Starobinas Elenco: Selton Mello, Vanessa Giácomo, Luis Miranda, Daniel de
Oliveira