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O retrato internacional dos brasileiros
Por: Mary Ellen Farias dos Santos

Em junho de 2009





Na telona a história de um brasileiro com final trágico e de grande repercussão. Saiba mais de
Jean Charles!




Jean Charles é um longa baseado na história do brasileiro morto por engano, com sete tiros na cabeça, dentro da estação Stockwell, no metrô da Rainha de Buckingham, em 22 de julho de 2005. Com roteiro de Henrique Goldman e Marcelo Starobinas, jornalista brasileiro da BBC, estreante no cinema, o drama estrelado por Selton Mello e Vanessa Giácomo, não impressiona e nem faz grandes revelações. No entanto, retrata, detalhadamente a vida daqueles que partem para outros países com o sonho colorido de vencer fora do Brasil, porém, ao buscar sucesso financeiro, acabam sujeitando-se a situações desagradáveis.

O longa dirigido por Goldman (roteiro e direção), brasileiro radicado em Londres, apresenta a história do jovem mesclado com os noticiários sobre os atentados terroristas (e tentativas) realizados, na mesma época, em metrôs e ônibus de Londres. Inicialmente, conhecemos o rapaz (Selton Mello) confundido com um homem-bomba árabe, de um modo peculiar, ou seja, Jean é o típico brasileiro com um toque mineirinho, aquele que sempre dá um jeitinho (de mansinho) em tudo. Mostrando toda a sua brasileirice, Jean, traz de Gonzaga, cidade do interior de Minas Gerais, a prima Vivian (Vanessa Giácomo) para a evoluída Londres, na tentativa de ganhar a vida em libras.

A comicidade da película, que começa nos três meses que antecedem o assassinato do brasileiro,  fica por conta de Alex (Luis Miranda) e do show de Sidney Magal, em que Jean assiste com seu amigo de trabalho e, com seu jeitinho brasileiro, ajuda o dono da casa de shows ao concertar a mesa de som.

A atuação de Selton Mello e Vanessa Giácomo são perfeitas. Enquanto que ele dá vida ao brasileiro alegre, sagaz e sempre disposto a dar um jeitinho em tudo, ela, com um jeitinho Zuca (protagonista da novela global Cabocla) é apresentada na telona com seu jeitinho de moça interiorana que aos poucos solta-se e na cena final, domina toda a história.

Com um orçamento de cerca de R$ 8 milhões, o longa foi filmado no Reino Unido e no Brasil e transita entre dois idiomas, português e inglês. O filme, que visa não só mostrar o acontecimento trágico, mas celebrar a vida do brasileiro, levou seis semanas para ser rodado. De acordo com o diretor, presente na pré-estreia do longa, em Santos (Cine Roxy), o processo foi árduo, mas valeu a pena. “Tudo o que poderia falar agora está no filme. Aproveitem!”, concluiu.

Jean Charles, longa anteriormente intitulado de Leave to Remain e Brazuca, não é o filme do ano e muito menos o filme da sua vida, porém merece todo e qualquer destaque por ter arriscado, e muito, em um gênero não muito aceito e produzido no Brasil, o drama. Sem contar que consegue mexer com o público, seja em lágrimas ou comentários ao final do filme. Vale a pena assistir ao longa produzido pela paulistana Já Filmes e a londrina Mango Films, com lançamento em 26 de junho, pela Imagem Filmes!

HISTÓRIA: No dia anterior à execução, aconteceram quatro atentados a bomba em três lugares no metrô e em um ônibus londrino. Nem todos os envolvidos morreram no local, o que levou a polícia a fazer uma investigação em larga escala com o objetivo de caçar os fugitivos. Um indício material, encontrado em mochilas que não explodiram dos terroristas, levou os investigadores a um bloco de apartamentos de três andares em Scotia Road, Tulse Hill. Por volta das dez da manhã, agentes que observavam o local viram Jean sair do prédio de apartamentos onde morava com dois primos. Os agentes deveriam estar vigiando três homens de aparência somali ou etíope.

Jean, que trabalhava como eletricista, acabara de receber uma chamada para consertar um alarme de incêndio quebrado em Kilburn. Os agentes seguiram o rapaz durante cinco minutos, até a parada de ônibus. Ele embarcou em um ônibus da linha número 2. Entre dez e quinze minutos depois, o ônibus chegou à estação de Stockwell. Jean Charles telefonou para um colega de trabalho, Gésio de Ávila, dizendo que chegaria atrasado por causa do congestionamento provocado pelos atentados do dia anterior. Fora da estação de Stockwell, a polícia alega que lhe ordenou que parasse, fato questionado pelas revelações preliminares da investigação independente.

A polícia alegou que Jean trajava um pesado blusão, o que preocupou os policiais, pois havia a possibilidade dele estar carregando explosivos junto ao corpo. Contudo, o jornal britânico The Observer, relatou que ele vestia "baseball cap, blue fleece and baggy trousers" (boné, um casaco e calças largas). A Reuters relatou que, segundo uma das testemunhas do tiroteio, Mark Whitby, Jean Charles estaria usando um grande casaco de inverno e "parecia deslocado". Outra testemunha, Anthony Larkin, "talvez interessado em fazer piada ou ridicularizar o precipitado julgamento" contou à BBC que Menezes parecia estar vestindo um "cinturão de bombas, com fios saindo ligados à uma tomada elétrica".

Nenhum artefato foi encontrado. Entretanto, a sua ocupação como eletricista poderia explicar a presença dos fios nessa imagem, pois ele não carregava sua maleta de ferramentas, deixada com seu colega no fim do dia anterior. Na hora do tiroteio a temperatura em Londres era de dezessete graus centígrados, o que é fresco o suficiente para alguém criado em região de clima tropical, querer se vestir com agasalhos.

Foi dito também que o motivo para ele supostamente ter corrido de policiais sem uniforme, foi ter sido atacado, poucas semanas antes, por uma gangue de skinheads, criminosos arruaceiros tolerados pela polícia britânica, acostumados a agredir pessoas de aparência semita. Inicialmente, foram divulgados relatos contraditórios sobre a identificação correta dos agentes disfarçados, se estes tentaram contê-lo no chão ou se algum aviso foi dado antes de atirarem.

O Comissário da Polícia Metropolitana, Sir Ian Blair disse, em uma coletiva de imprensa, que o aviso foi dado antes de dispararem contra ele e que uma ambulância aérea foi chamada depois. No entanot, Jean Charles foi declarado morto no local, ou seja, morte instantânea.
 


Filme: Jean Charles (Jean Charles, Brasil-Reino Unido)
Ano: 2008
Gênero: Drama
Duração: 93 minutos
Direção: Henrique Goldman
Roteiro: Henrique Goldman e Marcelo Starobinas
Elenco: Selton Mello, Vanessa Giácomo, Luis Miranda, Daniel de Oliveira

.: Avaliação :.

Ótimo

 

Ruim / Regular / Bom /  Ótimo / Excelente


 

 






 

 
 
 
 
 
 

 

.: Participe :.

 
 

 
 

   
 
 
 
 
   
   
   
   
   
   
 
 
 
 
   
 
                   

 

 
                   
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