Um longa sem a essência de Tim Burton. Saiba mais do
visualmente belo,
Alice no País das Maravilhas!
Trabalhar sob pressão não é bom para ninguém. O prejuízo
pode chegar a grandes proporções, pois o resultado deste
trabalho pode ser totalmente diferente das expectativas que
provoca no público. Tim Burton, diretor importante e genial
acabou mostrando que também pode fraquejar na questão êxito
cinematográfico. Após tanto burburinho Alice no País das
Maravilhas chegou aos cinemas brasileiros e não mostrou
tudo o que prometia (considere trailers, imagens e tantas
otras cositas que foram espalhadas pela internet), ou
que, pelo menos, deu a entender que traria grande inovação
aos filmes em 3D.
Não digo que a nova produção de Burton seja um fracasso, mas
caiu na mesmice das outras produções em 3D: mil e um efeitos em
uma
história insossa (ou jogada de escanteio?). Nesse quesito
Alice no País das Maravilhas, Avatar e
Premonição 4 estão no mesmo patamar. Todos não tem um
roteiro forte e envolvente e, por fim, pecam ao ignorar, por
várias vezes a história que deu origem ao longa.
Nesta adaptação de textos do escritor Lewis Carroll, tudo
começa quando Alice (Mia Wasikowska), aos 19 anos, vai a uma
festa e é pedida em casamento diante de muitos convidados da
alta sociedade. Confusa, ela pede um tempo para pensar e,
causa maior espanto quando, no auge de sua indecisão, sai
correndo e deixa o "quase noivo". Calma! Ela não
corre sem motivos. Ela procura desesperadamente pelo coelho branco
que passou pelos jardins da festa. É claro
que o inevitável acontece: ela cai em um buraco e chega ao
País das Maravilhas.
Entretanto, esta visita ao País das Maravilhas é uma
revival, pois a mocinha já havia passado neste mundo, mas
pensava se tratar de
apenas um sonho. Aos poucos (devagar mesmo!) ela nota que muita coisa mudou
e, para pior. A Rainha de
Copas (Helena Bonham Carter) agora é quem dá as cartas, e continua
disposta a cortar as cabeças daquele que a desagradar. O Chapeleiro Maluco (Johnny Depp) e
a Rainha Branca (Anne Hathaway) esperam
desesperadamente pela verdadeira Alice, esta que irá trazer
de volta a paz e a harmonia do
Mundo Subterrâneo. Entretanto, a garota começa a viver em um
impasse: Não sabe se ela é a Alice verdadeira, ou seja, a
essência da história é a mesma (da já conhecida em desenho,
também dos Estúdios Disney), o autoconhecimento e as
transformações da vida de uma garota para a vida adulta.
Legal? Pode até ser. Mas, e a criatividade inventiva de Tim
Burton? Onde foi parar? Talvez tenha caído pelo buraco do
País das Maravilhas (a soberana Walt Disney Company!?!?) e tenha
ficado por lá. O toque especial do genial diretor ficou
abafado, chegando a aparecer, mas de modo tímido. Talvez a
culpa seja das tantas especulações e a força esmagadora da
Disney que, no quesito filmes (não digo animações), sempre
segue o mesmo roteiro insosso. De repente, nem existam
tantas desculpas. Quem sabe este não tenha sido o primeiro
erro cinematográfico de Tim Burton e só?
Para falar a verdade, Alice não chega aos pés de
Encantada e passa longe da beleza de O Estranho
Mundo de Jack ou A Fantástica Fábrica de Chocolate. Caso fosse para fugir do estilo Tim Burton a
Disney deveria ter feito um remake de Alice, levando
somente o
nome de Tim Burton. Eis que surge a pergunta: O que será das
"novas produções cinematográficas"? Efeitos visuais que
enchem os olhos e esvaziam a mente? É claro que é mais fácil
segurar o público por meio de imagens impactantes, mas e a
história? Afinal, se a história é fraca, o filme faz-se
desnecessário. Quer sinceridade? Leia ou releia os livros,
que ficará tudo certo, ou se preferir, adquira os produtos
da linha, só para colecionar!
Filme: Alice no
País das Maravilhas (Alice in Wonderland, EUA) Ano: 2010 Gênero: Aventura / Fantasia Duração: 108 minutos Direção: Tim Burton Roteiro: Linda Wolverton Elenco: Johnny Depp, Anne Hathaway, Helena Bonham-Carter, Crispin
Glover, Alan Rickman, Mia Wasilkowska, Stephen Fry, Michael Sheen, Timothy
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