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12
dias de confinamento em Berlim
Por:
Felipe
Bächtold
Em junho de 2005
O ator suíço Bruno Ganz está para Hitler assim como Ben Kingsley foi para
Gandhi. Aliando semelhanças físicas a uma imersão no personagem, a atuação
de Ganz é uma das atrações do polêmico A queda - As últimas horas de
Hitler, em cartaz nos cinemas de todo o país. Representante alemão no
Oscar 2005, o filme mostra os derradeiros 12 dias do Terceiro Reich, em meio
ao confinamento de Hitler em um esconderijo na Berlim sitiada pelas tropas
soviéticas.
Na Europa, "A queda" chegou a ser criticado por supostamente mostrar um "Führer"
humano, sem retratar os atos de monstruosidade que fizeram o mundo
atribuir-lhe a pior imagem de um indivíduo em todos os tempos. Assim, o
filme exibe um Hitler, que, por exemplo, cuidava de seu cão ou se mostrava
preocupado com o destino de colaboradores com os quais simpatizava. Esse
lado, no entanto, ocupa parte mínima da história. O ditador geralmente é
mostrado em três estados de espírito: resignado com a derrota na guerra,
tendo delírios de grandeza com uma improvável reviravolta nos acontecimentos
ou, com mais freqüencia, em ataques de fúria contra seus subordinados. Fúria
essa que em pouco difere da demonstrada nos discursos em que pregava a
superioridade ariana, registrados nos vídeos da época - algo que só comprova
a grandeza da atuação de Granz.
Em vez de cair na armadilha de satanização do personagem principal, o filme
tenta explicar o nazismo como um fenômeno, o que o diretor Olivier
Hirschbiegel, o mesmo do impressionante A Experiência, de 2001, chamou de
"romper tabus". Para chegar a isso, "A queda" prima por costurar detalhes do
ambiente do regime. Ali estão a "liturgia" nazista e seus gestos, palavras,
a fé cega e o endeusamento dos seguidores ao líder.
A maior parte do filme se passa em um fétido bunker onde se esconde a cúpula
nazista, incluindo a amante de Hitler, Eva Braun, retratada como risonha e
patética. Em meio ao clima de confinamento que transmite ao espectador,
entremeado pelo barulho constante de explosões, é exibido todo o horror dos
últimos momentos do regime. Dezenas de militantes nazistas se matam,
enquanto ministros praticam assassinatos em série contra as próprias
famílias. O bunker é uma espécie de palco de suicídio coletivo, onde o ritmo
dos acontecimentos é apocalíptico. Ninguém ali podia conceber uma vida
pós-guerra, sem o Führer. Hitler, no entanto, se eximia de todo esse
colapso. Diante do fim iminente, prefere culpar o povo alemão por não ter
conseguido sair do atoleiro em que ele o metera.
Apesar do foco no ditador, "A queda" tem, de fato, como personagem central a
secretária de Hitler, Taudl Junge (interpretada pela atriz Alexandra Maria
Lara), em cujas memórias o filme é baseado. O enfoque acaba sendo benéfico
para a obra e ajuda a tirá-la da previsibilidade de uma história que todos
já sabem o fim. A atenção voltada a Taudl Junge coloca o filme no rumo de um
longa metragem de guerra mais "convencional", com suas passagens de
incertezas dos protagonistas e luta pela vida. Ainda assim, há pouco de
usual no filme. Até porque um de seus méritos é mostrar a história do lado
dos perdedores e o salve-se quem puder deles, algo que está longe de ser um
assunto freqüente no cinema.
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Avaliação |
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Atuação |
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Visual |
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Direção |
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Nota
Geral: |
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Filme: A queda: As últimas horas de Hitler (Der Untergang, Alemanha /
Itália)
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Ano: 2004 |
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Gênero: Drama |
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Duração: 156 min |
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Site Oficial:
www.downfallthefilm.com |
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Elenco: Bruno Ganz (Adolf Hitler), Alexandra Maria Lara (Traudl
Junge), Corinna Harfouch (Magda Goebbels), Ulrich Matthes (Joseph Goebbels),
Juliane Köhler (Eva Braun), Heino Ferch (Albert Speer), Christian Berkel
(Prof. Ernest-Günter Schenck), Matthias Habich (Prof. Werner Haase), Thomas
Kretschmann (Hermann Fegelein), Michael Mendl (General Helmuth Weidling),
André Hennicke (Wilhelm Mohnke), Ulrich Noethen (Heinrich Himmler), Birgit
Minichmayr (Gerda Christian),
Rolf Kanies (General Hans Krebs), Justus von Dohnanyi (General Wilhelm
Burgdorf), Dieter Mann (Wilhelm Keitel) |
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