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domingo, 15 de fevereiro de 2026

.: Crônica: Novo "O Morro dos Ventos Uivantes" e o despertar de lembranças

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora e criadora do Resenhando.com

Em fevereiro de 2026


Tive a oportunidade de relembrar a história de amor de Catherine Earnshaw e Heathcliff nas telas da Cineflix Cinemas de Santos com a nova adaptação de "O Morro dos Ventos Uivantes", de Emily Brontë. Em meio a algumas sequências aguardadas, -a cena da pedrada na janela-, fiquei encantada com a produção um pouco apimentada e repleta de amor. Assim, recordei da primeira vez que li a obra.

Era  uma edição pequena, em papel jornal com letras miúdas que não sei se ainda tenho comigo. Livro usado e com manchas de velhice suficientes para gerar crises de espirros. Foi difícil seguir a leitura, mas dei o meu melhor. Contudo, ao cursar a minha segunda graduação, tive o prazer de ter Rosicler Martins Diniz Monteiro como professora de literatura inglesa e língua inglesa.

Ela, com sua doçura e inteligência, numa aula, contou toda a história em inglês. Lembro de estar na primeira fileira, bem pertinho, anotando e prestando atenção em cada evolução da trama trágica que a professora me fazia recordar, afinal a antiga leitura foi complicada por espirros e olhos lacrimejando.

Assistir a nova produção para o clássico que me marcou com Ralph Fiennes e Juliette Binoche no protagonismo, tem um gostinho de encantamento, mas também traz boas lembranças vividas enquanto leitora e aluna. "O Morro dos Ventos Uivantes", de Emily Brontë é uma história linda e que todos deveriam conhecer.


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

.: Manual crônico, de Thiago Sobral: O não-retorno da Fênix


Thiago Sobral é escritor. Também publica semanalmente no site Minha Arca Literária e no Instagram @thiago.sobral_.

Se criar hábito leva vinte e um dias e eu criei em apenas um, sou incomum?

Eis o retorno, não o da Fênix, que julgo ter morrido faz tempo, mas o meu. Declaro, com lágrimas nos olhos e dedos enferrujados, que não estou mais de férias. Nesse ponto, tenho alguma semelhança com a Fênix. Não a popular, que ressurge das cinzas, mas a do meu imaginário, defunta.

Dizem por aí que levam-se vinte e um dias para criar um novo hábito, ideia popularizada pela autoajuda nos anos sessenta. A sabedoria popular contemporânea, muito mais rica e pautada pela alta e valiosíssima cultura dos memes, deu fundamentação prática a isso, e foi além: “Se criar hábito leva vinte e um dias e eu criei em apenas um, sou incomum?”. Isso brotou na tela de meu celular recentemente e me causou profunda estupefação.

Sim, sou incomum (duvido que você seja), tal como minha Fênix morta, pois no primeiro dia das minhas férias, já estava completamente adaptado e afeiçoado a elas, de modo que agora custa-me muito voltar ao batente. “Ai, que preguiça!”, diria Macunaíma. “Ai, que preguiça!”, digo eu sempre. E digo mais forte ainda nestes primeiros dias de retorno ao labor, sem hábito algum.

Minha alma boêmia aposentada gosta da vagabundice, da vida faceira, das costas na rede, dos olhos nas páginas e do copo na mão - seja de café ou de cerveja. Nada de sala de aula, nem de zum-zum-zum de aluno; nada de tec-tec do teclado, nem de revisão de texto; zero edição de postagem em rede social, nem desejo de likes ou aumento de engajamento. Apenas eu, minha preguiça, meu Karamázov e o empurrar com a barriga de tudo o que não era estritamente necessário à minha parca sobrevivência.

Não queria escrever, mas… Se me tens aqui, querido leitor, é por amor a ti, que talvez não me ame tanto assim — e com razão. Mas voltei. Valorize-me, pois!  Essas semanas de ausência minha devem ter lhe causado extrema falta nenhuma. Já que voltei, leia-me, comente-me, curta-me, compartilhe-me. O algoritmo gosta, o engajamento agradece. Eu não gosto, senti zero falta disso, mas preciso. Assim, eis-me aqui, de novo, a deitar palavras à toa. Pelo menos isso combina com o copo que tanto segurei nos últimos dias, seja ele quente ou frio.

E como ficou o mundo nesses dias de minha ausência? Conte-me! Dê-me notícias alvissareiras, por favor. Está difícil me habituar de novo ao trabalho. Vez ou outra, espiei o mundo lá fora. Fiquei com medo, confesso. Até avisei à Fênix popular (não à minha, falecida) que não retorne, porque a coisa está feia.

Nem tudo são flores, mas também nem tudo é choro. Se em um dia me habituei à vadiagem, estes quatro dias de trabalho não fizeram nem cosquinha. Neste prelúdio de dois mil e vinte e seis, há alguma flor em meu caminho, em meio a muitas pedras, mas hei de colhê-la. Ah, como hei! É o que desejo a todos. Talvez a minha Fênix até tente renascer; vou pensar no caso.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

.: Nasce-pisca-morre: manual crônico sobre como amarrar o tempo no poste


Thiago Sobral é escritor. Também publica semanalmente no site Minha Arca Literária e no Instagram @thiago.sobral_.


Em algum destes dias, devo ficar mais velho, meu capitão. Não sei ao certo quando, mas sei que é por agora. Isso me pegou de um jeito que não consigo mais pensar em outra coisa. Quase quarenta anos vividos nesta terra de meu deus. O que se faz com isso? E o que se faz depois disso? Aguardo sua resposta. Se não puder me responder, paciência. Fica este manual comprometido, mas não incompleto.

Não incompleto porque há sábios no mundo. Dou-lhe a prova: “A vida, senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem para de piscar chegou ao fim, morreu”, disse uma boneca de pano a um certo Sabugo, conhecido como Visconde de Sabugosa. Veja só, capitão: a vida é um pisca-pisca. Pois bem. Providenciarei uma árvore de Natal, que já se aproxima, onde depositarei toda a minha vida. Há de ser um Ipê-amarelo frondoso, com quase quarenta galhos, piscando, piscando, piscando…

E como a fala da boneca é linda, penso que o senhor gostará de saber do restante, que transcrevo aqui: “A vida das gentes neste mundo, senhor Sabugo, é isso. Um rosário de piscados. Cada pisco é um dia. Pisca e mama, pisca e brinca, pisca e estuda, pisca e ama, pisca e cria filhos, pisca e geme os reumatismos, e por fim pisca pela última vez e morre.”

Já parou para pensar nisso, capitão? Fiquei boquiaberto com as palavras dela. Mais ainda com o que vem na sequência:

“— E depois que morre?, perguntou o Visconde.

— Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?” *

Acho que é isso mesmo: hipótese, não só depois que morre, mas desde sempre. A cada manhã, ao acordar, levantamos uma hipótese. Aí, partimos para o mundo, e seja o que deus quiser. Vamos vivendo atabalhoados nos afazeres, sem perceber o que acontece durante a piscada. Uma sucessão de minutos, de horas, de dias e de fatos vai se unindo e tecendo a trama do que chamamos vida. Até que uma hora, tudo para. Não há mais vida.

E o que fica depois?

Aumenta-se a hipótese, talvez. Perdi o interesse por esse depois. Basta-me o desenrolar de cada segundo entre o intervalo da primeira e da última batida do meu coração, ou piscadas.

Até porque, "O Tempo só anda de ida. / A gente nasce, cresce, envelhece e morre.” Não tem escapatória, meu capitão. Temos todos o mesmo fim. Ambos aqui não sabemos quando ele ocorrerá. Mas ainda bem que temos a poesia e que ela nos deu Manoel de Barros, que continua esses versos nos ensinando um macete dos bons:

Pra não morrer

É só amarrar o Tempo no Poste.

Eis a ciência da poesia:

"Amarrar o Tempo no Poste!"

Ainda não é tempo para isso “na vida de minhas retinas tão fatigadas.” Mas, quando esse tempo chegar para mim, arranjarei uma corda bem forte e um poste bem firme, calejado por cãezinhos marotos, darei um nó muito bem dado, e porei em prática a ciência da poesia.

E quando cansar, meu capitão? O poeta já deixou a resposta: "dia que a gente estiver com tédio de viver, é só desamarrar o Tempo do Poste.", e voltar ao pisca-pisca.

Ainda quero piscar muito, meu capitão. Piscar e amar, piscar e criar filhos, piscar e escrever, piscar e perder, piscar muito antes da última piscada.

E quando eu não mais quiser amarrar o Tempo, deixe-me com os cãezinhos amigos do poste. Eles cuidarão de meus olhos cansados.


* Monteiro Lobato, em “Memórias de Emí­lia”.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

.: Machado de Assis sabia: um manual crônico para enfrentamentos urgentes


Thiago Sobral é escritor. Também publica semanalmente no site Minha Arca Literária e no Instagram @thiago.sobral_. Na imagem, representações das personagens machadianas Helena, Capitu e Marcela

"Oh, captain, my captain", as notícias que trago hoje não são nada alvissareiras. O mundo, que sempre foi perigoso, anda perigoso e meio. Para as mulheres, perigoso à décima quinta potência. Andar por este vale de lágrimas, para elas, é cair no olho do furacão. Onde vamos parar? "Marcela amou-me por quinze meses e onze contos de réis." Lembra-se, capitão? Pois é… Marcela teve sorte (e, cá entre nós, foi muito esperta). Brás Cubas não era flor que se cheire e, com certeza, não perderia a chance de se tornar um risco iminente para a espanhola. Ela, nada boba, botou prazo de validade e valor de custo.

O Bruxo do Cosme Velho não dava ponto sem nó. Disse o que disse já sabendo o tipo de homem que o defunto viria a ser. Brás desesperou-se enquanto cruzava o Atlântico e, já do outro lado, lançou-se em novas vivências. De volta ao RJ, foi cruel com Eugênia e aproveitador com Virgília. Ainda falando do velho Machado, Capitu é que era das boas! Não deu asas ao lunático Casmurro. Com seus olhos de ressaca, partiu para longe do marido e se salvou. Quem garante que ela continuaria segura? “Por que essa divindade nos dá golpes tão fortes de realidade e parte nossos sonhos?”, perguntava-se ela. Na prática, não é a divindade que dá golpes, meu capitão…

E ainda tem a Helena. Ah, que menina! Não teve medo dos julgamentos e se lançou à vida. Em meio a homens, se impôs e decidiu o próprio destino. Ignorou o patriarcado oitocentista. “E meu espírito gosta, às vezes, de trotar livremente na solidão." Não foi à toa que ela disse isso. Uma mulher dessa, capitão! Com um nome desse! O passado não deu trégua para as mulheres. O presente, não dá tempo. Ele ceifa vidas femininas com crueldade sem limites. E a palavra? A palavra, às vezes falta, não dá conta, mas se sustenta. Não dá para fazer literatura branda.

O que fazer, então, meu capitão? As respostas não chegam de imediato. Braços, para que vos quero, se não para apedrejar a mão vil que finge afagar os lábios de quem a beija? É isso: tirar as pedras do caminho delas e fazer da palavra uma pedra contra quem mata. Antes, esses detratores tivessem sido os filhos que Brás Cubas não teve. Não teriam materializado o legado de nossa miséria. Machado sabia, meu capitão, sabia muito…


quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

.: Carta de demissão: um manual prático para desistir de desistir


Thiago Sobral é escritor. Também publica semanalmente no site Minha Arca Literária e no Instagram @thiago.sobral_

Praia Grande, 4 de dezembro de 2025.

Senhores editores do Portal Resenhando.

Lamento informar que estou me demitindo do cargo de colunista deste respeitável veículo. Meu último dia será em quatro de dezembro de dois mil e vinte e cinco — vulgo hoje — por motivo de inaptidão para a função.

O teco-teco das teclas e o plic-plic das telas me cansam os dedos e me enjoam a vista. Ainda que eu seja um sujeito moderno, prefiro o tec-tec das máquinas de escrever, engenhoca que eu pediria às vossas senhorias de bom grado, se coragem e humildade eu tivesse. Mas não tenho. Tenho muito é melancolia e estresse pós-moderno, que me assolam e maltratam toda vez que ponho os pés nas ruas, e as rodas no asfalto.

Por falar em asfalto, ele deve começar a ficar mais quente, já que o verão se aproxima. Então, terei de redobrar a audácia para continuar andando descalço por aí. Como sou um sujeito arquetípico, não posso me furtar de sentir a natureza tocando meus pés a cada passo que dou pelas ruas da cidade.

Neste longo período desde que assumi esta coluna — duas semanas —, sinto-me deveras cansado, o que me abriu os olhos para a minha incapacidade de mantê-la com o decoro e o luxo que ela requer. Outrossim, não sei a quem pode agradar a existência de um Manual Crônico como este. Andei conversando com meu capitão, e ele me aconselhou a deixar pra lá, empurrar com a barriga, escrever qualquer coisa, “ninguém há de notar”, disse-me à boca pequena. Peço-lhe a finesse de não contar isso aos leitores.

Além disso, há um antigo manuscrito por aí que diz: “a quem muito tem, muito mais será dado. Mas a quem pouco tem, até o pouco lhe será tirado”, ou algo parecido. Se isso for verdade, é outro motivo a se acrescentar à minha demissão. Quando isso acontecer - hoje -, “nunca me esquecerei desse acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas”. Serei eternamente grato, apesar de minha ingratidão em abandonar este sagrado encargo.

Peço a dispensa do cumprimento do Aviso Prévio. Não carece estender o contrato. “Deixe que os mortos sepultem seus mortos”, diz o mesmo antigo manuscrito. Mortos não estamos, mas não custa deixar avisado: não haverá velório, muito menos sepultamento (e nem despedida). Nunca poderei agradecer o suficiente pelas oportunidades que este distinto portal cultural me proporcionou. Trabalhar aqui foi imprescindível para o meu crescimento profissional. Esperem… Um minuto! Silêncio. Ouço ruídos. Preciso ir até a sacada nesta quinta-feira modorrenta que insiste em prosseguir.




Voltei.

“Façam completo silêncio, paralisem os negócios, garanto que uma flor nasceu”.

Depois de avistar a cena que me tragou para a sacada agora há pouco, puxei da estante “A Rosa do Povo”. Foi pelo ocorrido que procurei esse verso que há muito eu não lia. Repito:

“Façam completo silêncio, paralisem os negócios, garanto que uma flor nasceu”.

Por favor, queridos editores, desconsiderem meu pedido. Podem rasgar esta carta de demissão, não a exponham aos leitores, imploro. Continuarei com esta coluna, porque “uma flor nasceu na rua!”. “É feia. Mas é flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.” Vou comunicar ao meu capitão.

Atenciosamente,

Thiago Sobral.

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

.: Manual Crônico, de Thiago Sobral: Sujeito moderno


Thiago Sobral é escritor. Também publica semanalmente no site Minha Arca Literária e no Instagram @thiago.sobral_

Sou um sujeito nojentamente moderno e afeito às inovações tecnológicas deste milênio, meu capitão. Não deixo passar nada. Toda e qualquer novidade chega às minhas mãos na velocidade da luz. Porque de luz eu entendo e posso provar: fui eletricista por quatro anos, divididos em duas empresas. Na primeira, o serviço manual durou quatro dias (depois, mandaram-me trabalhar no escritório); na segunda, durou cinco (mandaram-me novamente ao escritório, para não me mandarem a outro lugar).

Não lamentei os ocorridos, apenas sacudi a poeira dos pés e proferi aos meus opositores patronais: se aqui não me querem, o mundo me quererá, porque de luz eu entendo. Fui ao mundo e bradei: “Faça-se a luz!”. E a luz se fez. E assim tem sido, my captain. Sou o lume fumegante que alumia as novidades deste século. Por exemplo: entendo de aparelhos celulares. Celulares, não, smartphones. Há muito abandonei os tijolões. Carrego comigo um arrojado Samsung A21S há cinco anos, e ninguém o domina tão bem quanto eu.

A “artificial intelligence” — ou IA, como dizem por aqui — bebeu das letras de minha pena para se construir. O resto é história. Quem vive sem ela hoje em dia é um verdadeiro espécime dos Australopithecus (perdoe-me a franqueza, capitão, mas essa é a verdade). Este texto mesmo foi escrito sob ímpeto do algoritmo, acredite se quiser. A prova são os travessões. Já me empolguei com os carros elétricos, mas cansei. Não quero ficar para trás e, por isso, já estou tendo aulas de direção em veículos a células de hidrogênio. O capitão ficará boquiaberto quando me vir pelas ruas da Baixada Santista montado numa nave destas.

Há um bom tempo, guardo dólares e libras esterlinas para comprar um apartamento em Marte. Terá sacada gourmet e tudo! Lá do alto, olharei para a Terra retrógrada, da qual não sentirei saudades. Prometo escrever ao senhor, capitão, já que prefere não me acompanhar nas evoluções. Tenho feito contato com médicos da Coreia do Sul e de Cingapura. Levando em consideração meu estado corporal, eles disseram que conseguirão aumentar meu tempo de vida (que era de noventa e cinco anos) em mais três décadas. Isso porque terei acesso a uma pesquisa supersecreta que eles vêm desenvolvendo. Agora, entende por que vivo rindo à toa?

Mas tem uma coisa, meu capitão… que me pega de jeito. É a tecnologia mais sublime de que se tem notícia. Nada a supera, está sempre em evolução e não cansa de me surpreender, lançando luz sobre as trevas o tempo todo — e olha que de luz eu entendo, já disse. O mais curioso é que ela não surgiu hoje, nem ontem e, muito menos, surgirá amanhã. Acho um disparate que tal tecnologia tenha sido criada antes de mim, um sujeito moderno.

Tudo bem, aceito a precedência. Afinal, o que sou eu - apesar de moderno - diante do livro? Como não sou bobo nem nada, há muito tempo estendi a mão em direção às páginas, deitei meus olhos no papel e me pus a ler. É ou não é uma invenção dos diabos, meu capitão? Sei que essa alta tecnologia não está tão na moda assim aqui em nossas terras. Temo que, daqui a algum tempo, um desavisado tente usar um livro arrastando para cima, na capa, ou procure um botão de curtir ou compartilhar. E, por isso mesmo, quero registrar aqui neste Manual o que é e o seu modo de uso, em cinco passos. Vamos lá.

Segundo o dicionário Michaelis:
livro (s.m.). 1. Conjunto de folhas de papel, impressas ou manuscritas, coladas ou costuradas num dos lados, cobertas por uma capa; 2. Considerando-se o seu conteúdo, geralmente de caráter literário, artístico, científico, técnico etc., constituído por um ou mais volumes; 3. Cada um dos volumes que constituem uma determinada obra; 4. Cada uma das partes que compõem uma obra extensa; 5. Etc.

Modo de usar:
1. Aponte os olhos para a capa e identifique o título;
2. Coloque as mãos no objeto, abra-o e decodifique as letras;
3. Penetre “surdamente no reino das palavras”;
4. Desvende o que há por trás das palavras e nas entrelinhas;
5. E seja feliz.

Que este texto não se perca, meu capitão! Tão rara e rica tecnologia não pode se extinguir por falta de adeptos. Nenhuma outra tecnologia seria suficiente para cobrir o rombo que o fim dos livros traria. Caso isso venha a acontecer em algum século, voltarei das profundezas para falar ao mundo aquilo de que mais entendo: “Faça-se a luz”, e então surgirei com a lâmpada nas mãos: um livro.

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

.: Manual Crônico, com Thiago Sobral: no princípio, o verbo


Thiago Sobral é escritor. Também publica semanalmente no site Minha Arca Literária e no Instagram @thiago.sobral_

No princípio, havia o nada, e do nada, criou-se o tudo. Do tudo veio o todo e do todo fizeram-se as partes; ou das partes fez-se o todo, tanto faz. Digo isso porque aqui temos o princípio do que antes era o nada para mim. Devo confessar que esta é a primeira vez que me cedem uma coluna. Estou lisonjeado, encantado e um pouco tímido, mas não deixarei isso transparecer. Antes, fingirei costume e erguerei o nariz; deslizarei a pena, deitando ao papel palavras que se pretendem como um manual crônico para aqueles que tiverem a gentileza e a paciência de as ler.

Ainda que não lhe faça promessas, juro que trarei aqui palavras leves, mesmo que carreguem o peso do sentido. Não ofertarei reflexões profundas, embora, vez ou outra, possamos dar algum mergulho no reino das palavras. Não farei filosofia, mesmo quando quisermos saber o porquê. Não serei proselitista, ainda que, por vezes, queira convertê-lo ao verbum literário. Na verdade, meu capitão, pretendo oferecer um verdadeiro "Manual Crônico" da vida prática, a saber: a beleza escondida em um verso qualquer, o fiat lux de um movimento literário ou o sorriso banguela de um cãozinho de rua que tenha cruzado meu caminho. 

Sim, tudo isso pode vir a ser objeto do nosso "Manual Crônico" da vida prática, que lhe ofertarei em troca do módico valor de sua atenção. Esse é o meu devir. Talvez seja muito o que lhe peço, mas peço de coração. Se assim puder agir, prometo - sem jurar - retribuir-lhe com palavras de mentira e fingimento, pois não posso trair nossa divindade suprema, Fernando Pessoa (sou politeísta, confesso), que determinou que “o poeta é um fingidor”. Acolhi esse verso como um mandamento.

E por que deve você, meu capitão, dar-me fé e atenção? Digo sinceramente que não sei, mas desejo ardentemente que faça isso. Sou um modesto professor de Língua Portuguesa e Literatura, estudante de Filosofia, autor de romances e crônicas, que busca ardentemente o apodo de escritor. Se me leres, serei mais feliz. Se não, paciência - nem todo céu se dá ao homem, nem todo inferno se dá ao ser. E, quando um não quer, dois não brigam.

Como sou politeísta (sei que já disse isso e não quero amolar mais, mas sinto-me obrigado), rendo graças aos deuses editores deste nobre veículo que me cedem esse espaço, ainda que talvez paguem um preço alto por isso. Mas eles são pessoas de bom coração, e juro - sem prometer - que farei de tudo
para não decepcioná-los.

Como no princípio havia o nada, já agora temos alguma coisa, talvez uma parte de um todo que se pretende construir com crônicas, ensaios e artigos literários. E, se os deuses quiserem, permitirem e me inspirarem, alguma poesia, porque ninguém é de ferro. Espero alcançar tal intento. Por ora, é o que temos: a palavra se fez texto e esta coluna está entre nós. Eis o nosso "Manual Crônico".

segunda-feira, 30 de setembro de 2024

.: Crônica: meu discman da adolescência que foi ao chão em pleno 2024

Por: Mary Ellen Farias dos Santos

Em setembro de 2024


Não lembro ao acerto quantos anos eu tinha quando meu pai mandou eu olhar bem no pé da árvore de Natal e encontrei o meu primeiro (e único) discman anti-shock recarregável, pretinho, um Panasonic. Veio com um fone de ouvido grande de arco que logo deixei em casa e passei a usar fone de ouvido simples. 

Que felicidade! Momento inesquecível. Lembro até hoje a embalagem embrulhada e o meu desejo tornando-se realidade, afinal eu já tinha um walkman de braço e outro que tocava fita.

Eis que estamos em pleno 2024 e o discman segue em pleno uso. Sim! Conecto as caixinhas de som de um outro aparelho, um sonzinho que imitava um mini som, que meu irmão trouxe para mim, de Aparecida do Norte, uma fonte que na tomada e ouço meus CDs. Pois é! Sou dessas. O som é fraquinho, fraquinho a ponto de meu pai dizer que "liguei a ratoeira".

Estamos reformando para nos mudarmos e, domingo, maridão resolveu subir o discman e todo o aparato para ouvirmos melhor o álbum The Best So Far da Whitney Houston. Para fechar o dia, eu tive a "brilhante" ideia de colocá-lo na beirada da janela gradeada e coloquei de volta o CD One of The Boys, da Katy Perry. Tocou.

Contudo, para fechar a janela, pensando em não me aborrecer com a vizinha que vive de olhos voltados para a nosso quintal e o quartinho dos fundos, rapidamente, fechei sem tirar o aparelho da beirada da janela que foi diretamente ao chão. A tampa de um lado, enquanto aparelho em si, seguiu com o CD de Katy como se nada tivesse acontecido.

Maridão logo soltou que se tratava de uma tragédia anunciada. De fato, não tinha onde deixá-lo seguro ali, somente diretamente no chão, porém estávamos passando massa corrida nos rodapés dos quartos. Achei por bem deixá-lo travado entre o beiral e a grade.

A verdade é que fiquei muito, muito chateada. Fosse por minha total estupidez ou por além de ver as partes soltas, tinha ainda um pedacinho pequeno que parecia ser parte da molinha que faz a tampa abrir. Arrasada?! Totalmente.

Peguei um saquinho transparente e coloquei o aparelho com o CD, as caixinhas de som (que somente uma delas funcionar) e a fonte, trouxe tudo para casa. Limpei. Hoje, logo cedo, maridão foi trabalhar e já peguei meu silicone tentando colar o tal pedacinho que parecia segurar a molinha que faz o movimento de a tampa abrir.

Deixei de lado até que resolvi encaixar a tampa de volta, tendo que remover a minha "colagem" de silicone. O fato é que o discman agiu como se nada tivesse acontecido na noite anterior. Assim que conectei tudo e coloquei na tomada, tocou Katy Perry normalmente. Assim, passei a tarde também ao som de Britney Spears, Roxette e Mariah Carey.

Produto antigo?! Com certeza... eu não devia nem ter 18 anos quando o ganhei e hoje tenho 42. Se fiquei feliz?! Ah! Não tenho nem palavras para tanto. Ficou a lição, quando não tiver onde colocar algo delicado e que tenha apreço, mesmo que o chão não esteja como gostaria, forre um pedaço e coloque seu aparelho, pois do chão, ele não vai passar.

* Mary Ellen é editora do site cultural www.resenhando.com, jornalista, professora e roteirista, além de criadora do photonovelas.blogspot.com. Instagram: instagram.com/maryellen.fsm


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terça-feira, 23 de abril de 2024

.: Amazon entrega produto danificado, após devolução faz cobrança de valor

Uma das imagens do estado em que o produto foi entregue. Não foi a primeira entrega a chegar desse jeito. Foto: Mary Ellen Farias dos Santos

Por: Mary Ellen Farias dos Santos

Em abril de 2024


Mal imaginava eu que uma simples compra iria virar um verdadeiro inferno, sendo que até o presente momento, não há indicação de término. Em janeiro fiz a compra de uma Barbie do filme em macacão rosa, paguei por boleto. Chegou com a caixa amassada. Pedi a troca. Aconteceu.

Eis que dias depois, a mesma boneca baixou R$ 20,00. Optei por pagar em cartão de crédito e foi aí que o meu maior erro começou, em 29 de janeiro. O produto, que veio somente num "plastiquinho" de nada com o símbolo da Amazon, foi entregue na casa dos meus pais. Dias depois fui buscar e, claro, a caixa da boneca colecionável estava amassada -assim como tantas outras compradas via Amazon, recentemente.

Solicitei o código para retirada do produto no site da Amazon, colei com durex a mesma embalagem da Amazon que veio e assim foi deixada para ser retirada. Logo cedo alguém dos Correios a levou, junto com outra boneca, que também havia chegado com a caixa também danificada.

Eis que solicitei a devolução do valor pago, no caso R$ 219,90. Inicialmente, a cobrança do valor foi cancelada. Entrei em contato, eu fui acalmada de que estava tudo certo, pois o reembolso havia sido feito em 19 de fevereiro. O tempo passou -meses- e, certo dia, vendo como estava o reembolso, surgiu a mensagem de que o produto não havia sido devolvido.

Voltei a entrar em contato. Não mais por e-mail -em que as mensagens eram bastante confusas e nada explicativas, uma delas veio até com símbolos misturados no corpo da mensagem-, mas procurei a Amazon no Facebook, quando fui encaminhada a um chat que me tranquilizou, uma vez que o produto havia sido devolvido, sim. 

Eis que em abril, recebo um e-mail alegando que pela não devolução do produto, a fatura seria cobrada. De fato, estou sendo cobrada, embora tenha o comprovante dos Correios do item devolvido. O caso está no PROCON e a devolutiva da Amazon (feita à noite, na data limite de resposta, dia 22 de abril) foi de que não devolvi o item. Detalhe: a boneca foi devolvida dia 19 de fevereiro, junto com outra que foi trocada, inclusive. 

Respondi que o comprovante foi enviado na reclamação entre os tantos anexos, e que a boneca foi devolvida na mesma embalagem em que foi enviada, assim como destaco em vídeo no canal Photonovelas (publicado em 16 de fevereiro de 2024) sobre o caso. Agora, o próprio PROCON deu uma nova data limite: 03/05/2024. 

Resumo: MUITO cuidado ao comprar na Amazon.com.br, pois se enviarem o produto amarrotado e você devolver e pedir reembolso, você pode ser ENROLADO por meses e, passados quase 3 meses, ainda serão capazes de cobrar o produto devolvido alegando a não devolução do item. Atendimento péssimo.

* Mary Ellen é editora do site cultural www.resenhando.com, jornalista, professora e roteirista, além de criadora do photonovelas.blogspot.com. Twitter:@maryellenfsm 

A resposta padrão de quem não abriu o anexo do comprovante de devolução


sábado, 6 de abril de 2024

.: Crônica: Ziraldo parte, mas o autêntico menino maluquinho deixa um legado

Ziraldo. Foto: Divulgação

Por: Mary Ellen Farias dos Santos

Em abril de 2024


A lenda partiu aos 91 anos para ser, definitivamente, eternizado entre as futuras gerações. Assim, fica o legado traçado com perfeição pelo gigante cartunista, chargista, pintor, escritor, dramaturgo, cartazista, caricaturista, poeta, cronista, desenhista, apresentador, humorista e jornalista brasileiro Ziraldo. 

De múltiplos talentos, o brasileiro, mineiro de Caratinga, deixa para muitos aquela figura que o público aguardava ver todos os dias a cada Bienal do Livro de São Paulo -assim como o também marcante Mauricio de Sousa. Era lindo de se ver admiradores rondando o tão gentil Ziraldo que sempre estava em algum estande dando autógrafos ou andando livremente pelo evento.

Na infância, entre os primeiros anos escolares, lembro da leitura da professora aos alunos de "Chapeuzinho Amarelo". Aquela capa do livro na mão da professora, enquanto ela lia a história da garotinha que tinha medo de tudo ajudava a fazer a imaginação embarcar na trama. Como passar impune a "Flicts"?!

Foi na minha primeira graduação, Comunicação Social com ênfase em Jornalismo que tive o prazer de conhecer a história revolucionária a qual ele fez parte, principalmente com "O Pasquim", semanário alternativo contra o regime militar. 

No MIS São Paulo, na megaexposição "Quadrinhos" lá estava um Ziraldo em 3D, num espaço com tantas criações do artista.

E pensar que, por esses dias,conversando com meu marido perguntei:

- Esse ano tem Bienal do Livro. Será que veremos Ziraldo e Mauricio de Sousa?! 

Para nós, ficam suas produções geniais. Valeu, Zap! Vá em paz Ziraldo! 

quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

.: "Falar em nome de terceiros é crime" e nada é solucionado

Por: Mary Ellen Farias dos Santos

Em dezembro de 2023


Nunca usamos cartão de crédito aqui em casa. No auge dos nossos 41 anos, fomos "intimados" (ainda que se demonstre total desinteresse em possuir ou usar) pelo banco, por conta do parcelamento de um imóvel. Mesmo a contra gosto, fizemos uma comprinha. 

Após nos informarmos, no próprio banco, sobre a necessidade de continuar com o cartão de crédito, quando fomos abater certo valor do parcelamento do imóvel, soubemos de que exista um outro cartão de crédito sem taxas. Para nós que não usamos tal forma de pagamento seria uma boa.

Assim, trocamos de cartão de crédito. Passado algum tempo, do próprio banco, vieram questionar sobre o não uso do mesmo, até o momento. Eis que, por livre e espontânea pressão, uma outra compra foi feita, usando o novo cartão. 

Acompanhando pelo app, o pagamento da fatura não liberava. E o tempo foi passando. Eis que dia 27 de dezembro, ao consultar o extrato da conta, em picadinhos foram descontados o total de R$ 200,10, referente ao uso do cartão, sendo que a compra chega ao total de R$ 248,40.

Ao entrar em contato com quem nos fez usar o novo cartão, fomos encaminhado a resolver tal problema usando o 0800 que está atrás do próprio cartão de crédito.

Enquanto meu marido tentava explicar, logo foi informado de que, naquele momento não havia sistema. Contudo, tínhamos uma dúvida sobre o tal débito em conta do próprio cartão. Afinal, o que já foi descontado não totaliza o valor da compra, que também constava como em aberto, sendo que, no app, informa que o vencimento acontece dia 28.

Eis que ao repetir a explicação, mais detalhada, meu marido direcionou o telefone para que eu falasse, quando ouvimos: "que falar em nome de terceiros é crime". Do outro lado, ficamos com cara de interrogação, enquanto que meu marido riu daquela fala.

Em que momento, a minha voz feminina, se fez passar por ele ou disse ser portadora dos documentos?

Enfim, ficou claro que a atendente "não quer trabalhar", como destacou me marido. Assim, a bucha segue em aberto para nós resolvermos.


* Mary Ellen é editora do site cultural www.resenhando.com, jornalista, professora e roteirista, além de criadora do photonovelas.blogspot.com. Twitter:@maryellenfsm 


segunda-feira, 11 de setembro de 2023

.: Cuidado! Infelizmente, VMEX não é excelência em acabamentos de vidros

Por: Mary Ellen Farias dos Santos

Em setembro de 2023


Estar em reforma não é fácil. São muitas e muitas escolhas e decisões a serem tomadas. Eis que na etapa de reformular um banheirinho de casa, caí no erro de comprar um lavatório pequeno da marca VMEX, em fumê, após pesquisar na internet e chegar ao site da Madeira Madeira. Não efetuei a compra. 

Contudo, num dia, passando por uma loja, decidi entrar e falar a respeito. A vendedora foi extremamente atenciosa. Comprei, mas ela alertou que o produto não era próprio. Demorou, mas chegou. 

Com a conclusão do banheirinho, chegou o momento de instalar o lavatório pequenininho, em 1º de setembro. Foi quando os problemas com o produto ficaram mais nítidos. Entrei em contato com a empresa indicando os defeitos, via WhatsApp, que me passou o e-mail do setor. 

"Central de Atendimento

(34) 3219-0594 / 34-98863-7760

de Seg. a Sex. das 08h30 às 18h

www.cubasegabinetes.com.br 

contato@cubasegabinetes.com.br


Entre em contato com nosso setor de ecommerce.  Eles farão as tratativas para que seja feito o processo de garantia e suporte"

Eis que hoje, dia 11 de stembro, nada foi respondido. Solenemente ignorada diante de um lavatório com os mais variados problemas. Assim que um rapaz entregou ao meu marido, conferi e parecia estar tudo ali. Logo notei que a pontinha de um dos quatro lados da tampa faltava. Mostrei para meu marido, que considerou uma tremenda besteira. 

Contudo, ao instalar, apareceriam novos defeitos, além de uma das pontas como que lascada. Ao pegar a cuba, por debaixo, há uma marca funda de risco, começando pouco depois da ponta até quase que o meio da pia. Ok. Foi instalada para o lado esquerdo em que não ficaria em destaque o tal problema. No entanto, como não bastasse, o vidro da prateleira debaixo não é do mesmo tom. 

Sem comentários! Observando o produto, no geral, ficou nítido que ali estavam peças defeituosas e a sorteada para recebê-los como compradora, fui eu. Infelizmente, ficou claro que a VMEX não é excelência em acabamentos de vidros, seja pela nítida falta de controle de qualidade nos produtos que vende e ainda o falho atendimento ao consumidor.

* Mary Ellen é editora do site cultural www.resenhando.com, jornalista, professora e roteirista, além de criadora do photonovelas.blogspot.com. Twitter:@maryellenfsm 

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

.: Crônica: despedida de uma vidinha que jamais será esquecida

Por: Mary Ellen Farias dos Santos

Em agosto de 2023


Vejo cada um dos bichinhos que tenho a honra de cuidar, muito além de serem de minha responsabilidade. Não sou dona, mas uma cuidadora que ama demais. Não sou apenas uma tutora que dá amor, um lugar limpo e comidinha, sinto que são vidinhas as quais tenho gigante responsabilidade por longos anos. Sem dúvida, aqueles seres que são mais do que animais representam bênçãos de quatro patas.

Foram chegando sem avisar e deram alegrias imensuráveis, afinal, cada um tem uma personalidade própria -o que só de observar é engraçado. Como algo tão pequenino pode se diferenciar assim?

Tudo começou com Mumuco há quase 25 anos, até que há uns 15, chegou a Tatá. Apesar das investidas, só em 2018 que a expectativa se tornou realidade. Nascendo finalmente cinco rebentos lindos. Que felicidade!

Depois, em 2020, vieram mais três criaturinhas, sendo a última nascida em 25 de março. Tão, tão pequenino, com pelinha nos olhos e restos da bolsinha de alimentação debaixo do casco. Tinha dificuldade para andar, cresceu pouco em três anos e quase cinco meses. Às vezes, era difícil de convencê-lo a comer. Ao menos, eram raras as vezes que negava um belo pedaço de folha de couve.

Amava comer folhas de amora e, claro, a própria folhinha da árvore. Não era muito fã de banana, mas amava laranja e suas variações. Mordia mamão, curtia muito abacate e se esbaldava no caquizinho, além do pêssego. Ficava quietinho nos banhinhos de água morna e deixava secar cada vãozinho entre as patinhas e o casco. Era inegavelmente fofo. 

Contudo, a vida é um sopro e em 5 de agosto a vidinha mais delicada simplesmente se foi. Com direito a despedida na sexta-feira, com o cafuné habitual, respondeu levantamento a cabeça. Foi a última interação nossa. 

No dia seguinte, percebi algo de errado. Estava ali como que sem alma, numa pose doce e suave. Não era o mesmo bichinho, estava sem vida num sono profundo. O sono eterno que fica para sempre em nossas memórias cheias de afeto. Adeus, Tchuco, Pitchuco ou Projeto de Jabuti! 


* Mary Ellen é editora do site cultural www.resenhando.com, jornalista, professora e roteirista, além de criadora do photonovelas.blogspot.com. Twitter:@maryellenfsm 


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sábado, 10 de junho de 2023

.: Crônica: "O Guarda Costas - O Musical" é showzão de Leilah Moreno

Cena de "O Guarda Costas - O Musical" em cartaz no Teatro Claro, São Paulo. Foto: Helena Mello


Por: Mary Ellen Farias dos Santos 

Em junho de 2023


"O Guarda Costas - O Musical", em cartaz no Teatro Claro, em São Paulo, até o dia 11 de junho, não é somente uma belíssima adaptação teatral da 4ACT para o marcante filme de 1992 com a diva Whitney Houston e o ator Kevin Costner. O espetáculo brasileiro protagonizado pela cantora Leilah Moreno, a Whitney Houston do Brasil, como Rachel Marron, é um verdadeiro show de emoção para se assistir com toda a família.

Empolgante e arrepiante do início ao fim, a montagem dá o devido destaque para aquela mulher talentosa que ficou conhecida por todo o Brasil no show de calouros, programa televisivo, apresentado por Raul Gil. Contudo, ver Leilah Moreno que lançou CD, atuou em novelas e séries, além de brilhar com destaque na Banda do programa Altas Horas, a dona de uma voz ímpar, num musical de teatro na pele de outra diva da música gera uma experiência inesquecível a qual pude viver no dia do meu aniversário. E que presentão!

Mesmo com as mudanças tecnológicas, tenho o CD dela, dado com amor por meu maridão quando ainda namorávamos. Para tornar todo o espetáculo ainda mais interessante, tive uma nova surpresa. Durante o espetáculo, enquanto me debulhava em lágrimas de felicidade e encantamento, tentando cantar as canções (originais em inglês, pois há versões lindas que ficam na mente e você pode se pegar cantando por vezes após a apresentação), alguém ao lado notou o quanto eu estava embarcando na apresentação. Era o marido de Leilah Moreno, quem também assistia a tudo com admiração.

No fim, testemunhar aquele show em formato de musical, podendo conversar com o parceiro de quem admirava foi ainda mais especial. Somando a expectativa para a apresentação, o musical em si e o intervalo, fica guardada com carinho, a sensação única de alegria imensurável por vê-la atuar tão pertinho e soltando o vozeirão com as canções de Whitney Houston que vão além das do filme "O Guarda Costas - O Musical"

Para fechar com chave de ouro, há ainda a dobradinha vocal de Leilah Moreno com Talita Cipriano, que interpreta a irmã da protagonista, Nikki Marron, representando o encontro de dois vozeirões que levam o público para um estado de espírito de pura paz e alegria. Garantindo arrepios mil. Se eu recomendo "O Guarda Costas - O Musical"? Sem dúvida. Fabrizio Gorziza, intérprete de Frank Farmer, personagem que dá nome ao musical é extremamente carismático e complementa a personalidade de Rachel Marron. O espetáculo é imperdível e só fica em cartaz até o dia 11 de junho. Não perca!!

* Mary Ellen é editora do site cultural www.resenhando.com, jornalista, professora e roteirista, além de criadora do photonovelas.blogspot.com. Twitter:@maryellenfsm

Serviço
"O Guarda-Costas - O Musical"
Temporada até 11 de junho de 2023. Local: Teatro Claro SP – Shopping Vila Olímpia - R. Olimpíadas, 360 - Vila Olímpia/São Paulo. Capacidade: 799 pessoas Site: teatroclarosp.com.br. Classificação: 12 anos. Duração: 125 minutos. Acessibilidade. Ar-condicionado. Sessões: quinta e sexta-feira, às 21h. Sábado, às 17h30 e 21h. Domingo, às 19h. Ingressos: de R$ 50 a R$ 200. Obs.: confira legislação vigente para meia-entrada. Canais de venda oficiais: www.sympla.com.br - com taxa de serviço. Bilheteria física - sem taxa de serviço. Teatro Claro (Shopping Vila Olímpia). De segunda-feira a sábado, das 10h às 22h. Domingos e feriados, das 12h às 20h. Telefone: (11) 3448-5061.


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