Ficha técnica
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Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com
Em maio de 2026
O terror psicológico "Hokum: O Pesadelo da Bruxa", dirigido e roteirizado por Damian McCarthy ("Oddity - Objetos Obscuros", "Madame Teia"), mergulha no folclore irlandês para entregar uma história de perdão entre mãe e filho. Contudo, um alerta precisa ser dado logo a princípio, uma vez que o protagonista, o romancista Ohm Bauman (Adam Scott, "Big Little Lies") de postura constantemente grosseira, age sempre de modo desagradável. Ainda que esteja sozinho e em outro país para espalhar as cinzas de seus pais, impede o público de torcer por sua sobrevivência numa pousada mal-assombrada por uma bruxa que arrasta correntes.
A qualidade da trama e a montagem repleta de sequências de pura tensão tornam a produção perfeita para os fãs do gênero. Muito por priorizar o desconforto psicológico por meio de silêncios e a desconstrução da realidade do protagonista em detrimento de soluções narrativas fáceis. No entanto, "Hokum: O Pesadelo da Bruxa" segue uma fórmula para assustar o público, o que vira alerta a ponto de permitir que alguns sustos sejam evitados.
Em certos pontos o longa se conecta com outros. Remete ao clássico "O Chamado" pelas figuras usadas, como por exemplo, o círculo nos primeiros minutos da história paralela do longa, embora estabeleça uma maior conexão com o clássico de terror psicológico "O Iluminado", uma vez que o protagonista está isolado e confuso em um hotel assombrado. "Hokum: O Pesadelo da Bruxa" consegue usar elementos do terror (já conhecidos) a favor. Por fim, consegue ser único.
É inegável que o terror atmosférico de "Hokum: O Pesadelo da Bruxa" fisga a atenção do público ao colocá-lo para embarcar na desordem mental de Ohm e a dificuldade de lidar com um trauma de infância. Vale muito a pena assistir na telona de cinema e garantir uns bons sustos!
"Hokum: O Pesadelo da Bruxa" ("Hokum"). Gênero: Terror. Direção: Damian McCarthy. Roteiro: Damian McCarthy. Duração: 1h 47 minutos. Classificação Indicativa: 16 anos. Distribuição: Diamond Films. Elenco: Adam Scott, David Wilmot e Florence Ordesh. Sinopse: O terror psicológico e folclore acompanha um romancista de terror que visita uma pousada na Irlanda para espalhar as cinzas de seus pais, sem saber que o lugar tem fama de ser assombrado.
Trailer de "Hokum: O Pesadelo da Bruxa"
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Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com
Em maio de 2026
O longa "Mortal Kombat II", dirigido por Simon McQuoid ("Mortal Kombat I"), é entretenimento gamer nostálgico estampado na telona de cinema em sua forma pura. A nítida evolução em relação ao filme de 2021, capaz de corrigir falhas do antecessor, ao focar diretamente no torneio e nas sequências de cenas de ação. Em 1 hora e 56 minutos, a produção entrega lutas coreografadas com excelência na atmosfera contagiante e facilitadora de estabelecer toda conexão com o clássico jogo.
Com muita pancadaria, sangue jorrando e momentos épicos em cenários que mudam constantemente, a produção automaticamente alimenta no público a sensação de estar assistindo a um modo história dos videogames. De fato, a ambientação com boa qualidade de computação gráfica, assim como cenários icônicos bem elaborados e as luta em meio a luz do dia ou antes do cair da noite, fugindo da constante escuridão para esconder falhas técnicas digitais, fazem o longa fluir a ponto de ser palatável, inclusive para quem não assistiu ao primeiro filme e/ou nunca jogou Mortal Kombat.
Sem tramas confusas, o longa de 2026 entrega a essência caótica e divertida da franquia clássica de lutas mortais por meio de personagens mais do que conhecidos. Assim, Johnny Cage (Karl Urban, saga "O Senhor dos Aneis", "The Boys"), personagem da série de jogos eletrônicos inspirado em Jean-Claude Van Damme, entra na história como todo o peso de ser um ator narcisista famoso por filmes de artes marciais, mas que está ultrapassado e até esquecido pelo público. No entanto, para lutar ele é necessário. Logo, o confuso Cage traz muito alívio cômico para a trama.
Contudo, cabe também a Josh Lawson ("O Fantástico Mundo de Blaze") interpretando Kano entregar muito bom humor com sacadas rápidas e divertidas, equilibrando a tensão e a violência garantindo boas risadas para o público. Destaque também para as cenas de protagonismo de Hanzo Hasashi, o Scorpion, na pele de Hanzo ("Trem Bala", "John Wick 4: Baba Yaga"), assim como a Kitana de Adeline Rudolph ("Hellboy e o Homem Torto").
"Mortal Kombat II" pode não ser o melhor filme de todos os tempos por ainda esbarrar em falhas pontuais, como certas representações de poderes, mas garante o seu lugar entre as melhores adaptações de videogames para o cinema. O resultado é um filme de puro entretenimento gamer regado de cultura pop que garante muita diversão. Vale a pena conferir na telona de cinema!
"Mortal Kombat II" ("Mortal Kombat II"). Gênero: Ação, artes marciais. Direção: Simon McQuoid. Roteiro: Jeremy Slater. Duração: 1h 56 minutos. Classificação Indicativa: 18 anos. Distribuição: Warner Bros. Elenco: Carl Urban (Johnny Cage), Adeline Rudolph (Kitana), Lewis Tan (Cole Young), Tadanobu Asano (Raiden), Martyn Ford (Shao Kahn), Hiroyuki Sanada (Scorpion). Sinopse: A sequência do longa de 2021 traz o aguardado torneio entre a Terra e a Exoterra.
Trailer de "Mortal Kombat II"
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Em maio de 2026
O primeiro longa congolês a estrear em uma mostra competitiva do Festival de Cannes, vencedor do prêmio Nova Voz, o drama fantástico "Omen" (Augure), é um mergulho em histórias distintas que se assemelham quando apresentadas em quatro capítulos que permeiam crenças que fortalecem feridas coloniais. De estética exuberante, repleta de simbolismos e sequências fascinantes, o filme que soma 1 hora e 30 minutos é uma crítica social onírica, que transita em contos de fadas, imprimindo a dinâmica do exílio, luto e desconexão com o próprio povo.
A narrativa de choque cultural pautada nas vidas de cultura africana, escrita e dirigida pelo artista belga-congolês Baloji apresenta histórias paralelas que se conectam por meio dos personagens Koffi (Marc Zinga), o rejeitado pela mãe na juventude por nascer com uma grande marca de nascença, Paco (Marcel Otete Kabeya), o menino de rua que lidera uma gangue que veste em roupas rosa e está em luto pela morte da irmã, Tshala (Eliane Umuhire), a irmã de Koffi, adepta do poliamor que se prepara para imigrar para a África do Sul e Mujila (Yves-Marina Gnahoua), mãe de Koffi, uma figura forte e controversa.
Ainda que Koffi seja introduzido primeiro na trama, a força da matriarca da família, Mama Mujila, o pilar da família, desenha o rumo do filho, Koffi que volta da Bélgica para a República Democrática do Congo acompanhado de sua noiva grávida. Sem conhecer a própria cultura devido a seu banimento, a relação conturbada com a mãe que o mandou para viver longe por considerá-lo feiticeiro. No entanto, é o desconhecido que conecta mãe, filho, filha (Tshala) e um garoto de rua. Todos marcados como um zabolo (feiticeiro maligno na língua suaíli).
Aliás, o ponto central de "Omen" (Augure) está no estigma de cada personagem ser rotulado pela sociedade local tradicional como "diabo" ou portador do "sinal do diabo". De um ritual para o descrédito instantâneo no outro seguindo uma crença para a anulação de cada indivíduo, a marcante colisão entre antigas crenças tribais, misticismo e as expectativas do mundo moderno, fazem com que a produção afrofuturista entregue um choque cultural brutal em meio a tentativas de pertencimento. Imperdível!
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"Omen" (Augure). Gênero: Drama, fantasia, thriller. Direção: Baloji. Roteiro: Baloji e Thomas van Zuylen. Duração: 1h 30 minutos. Classificação Indicativa: 14 anos. Distribuição: MUBI. Elenco: Marc Zinga (Koffi), Lucie Debay (Alice), Eliane Umuhire (Tshala), Yves-Marina Gnahoua (Mama Mujila) . Sinopse: A trama segue quatro personagens estigmatizados e acusados de serem "bruxos" ou "feiticeiros", que encontram uma maneira de se ajudar mutuamente para escapar de seus destinos socialmente impostos.
Trailer de "Omen"
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“Valor Sentimental” | “Sentimental Value” (título original)
Gênero: drama.
Classificação indicativa: 14 anos.
Ano de produção: 2025.
Idioma: inglês.
Direção: Joachim Trier.
Roteiro: Joachim Trier e Eskil Vogt.
Elenco: Renate Reinsve, Stellan Skarsgård, Elle Fanning, Inga Ibsdotter Lilleaas, Anders Danielsen Lie.
Distribuição no Brasil: Retrato Filmes / MUBI.
Duração: 2h13.
Cenas pós-créditos: não.
Em cartaz até dia 13 de maio
A estreia de "Luta Pelo Amanhã", nesta quinta-feira, dia 7 de maio, aposta na fisicalidade das artes marciais para narrar uma história que, no fundo, é menos sobre golpes e mais sobre vínculos partidos. Dirigido por Chan Tai-Lee, o longa-metragem distribuído pel A2 Filmes conduz o espectador pelas ruas densas de Hong Kong, onde passado e presente colidem com a mesma intensidade de um ringue.
No centro da narrativa está Shi San-lung, ex-líder do submundo que tenta reconfigurar a própria existência após anos afastado do crime. O reencontro com o filho, no entanto, não oferece redenção imediata: ao contrário, funciona como gatilho para que antigas rivalidades retornem com força, arrastando ambos para um ciclo de violência que parecia encerrado. É nesse contexto que o Muay Thai surge não apenas como ferramenta de combate, mas como linguagem simbólica: cada luta encena aquilo que não foi dito, cada movimento carrega o peso de culpas acumuladas.
Há um esforço evidente do filme em equilibrar o espetáculo físico com um drama familiar que busca densidade emocional. A presença de Patrick Tam, nome veterano do cinema asiático, contribui para dar corpo a esse conflito, sustentando a ambiguidade de um personagem que oscila entre a brutalidade do passado e a tentativa - talvez tardia - de reconstrução afetiva. Em paralelo, a ambientação reforça esse embate: a Hong Kong retratada aqui não é cartão-postal, mas território de tensões, onde tradições e transformações urbanas coexistem de maneira instável.
Curiosamente, produções recentes do cinema de ação asiático têm investido nesse cruzamento entre combate e melodrama, aproximando-se de um modelo que dialoga tanto com o público global quanto com questões locais de identidade e pertencimento. “Luta Pelo Amanhã” se insere nesse movimento ao utilizar o ringue como extensão do espaço doméstico - um lugar onde pai e filho precisam, literalmente, se enfrentar para que qualquer possibilidade de reconciliação exista.
Sem reinventar o gênero, o filme encontra força na maneira como articula seus elementos: a coreografia das lutas, a tensão entre gerações e a ideia de que o futuro, como sugere o título, é sempre uma conquista instável. Ao final, o que permanece não é apenas a memória dos combates, mas a sensação de que algumas batalhas, especialmente as familiares, jamais se encerram por completo. Locação digital nas melhores plataformas de streaming.
Ficha técnica
“Luta pelo Amanhã” | "Fight For Tomorrow" (título original)
Gênero: ação, drama.
Duração: 101 minutos.
Classificação indicativa: 16 anos.
Ano de produção: 2024.
Idioma: cantonês.
Direção e roteiro: Chan Tai-Lee.
Elenco: Patrick Tam, (demais nomes não amplamente divulgados).
Distribuição no Brasil: A2 Filmes.
Cenas pós-créditos: não.
Locação digital nas melhores plataformas de streaming.
Com abordagem direta e sem recorrer a reconstituições dramáticas, o filme investe novamente na força dos depoimentos, ampliando o escopo para além da denúncia inicial e mergulhando nas engrenagens legais que atravancam processos dessa natureza. A narrativa expõe audiências, recursos e entraves jurídicos que, mais do que adiar decisões, revelam o quanto a figura pública de Jackson ainda mobiliza estruturas de defesa institucional e emocional. Ao mesmo tempo, Reed opta por manter o foco nas consequências íntimas: relações familiares tensionadas, traumas persistentes e o custo psicológico de enfrentar uma opinião pública frequentemente hostil.
A nova produção também surge em um contexto simbólico: enquanto cinebiografias e revisões da obra de Michael Jackson voltam a ganhar força na indústria, o documentário atua como contraponto incômodo, tensionando a memória coletiva e questionando a facilidade com que o entretenimento absorve ou silencia controvérsias. Há, inclusive, um dado curioso que atravessa sua trajetória recente: diferentemente do original - que estreou no Festival de Sundance e teve ampla difusão pela HBO -, esta sequência enfrentou dificuldades de distribuição internacional, chegando a ser disponibilizada de forma mais restrita e até considerada insatisfatória pelo próprio diretor em termos de alcance.
Esse deslocamento, longe de diminuir sua relevância, reforça o caráter quase insurgente da obra. Ao escapar dos circuitos tradicionais, “Deixando Neverland 2” se posiciona como um produto que insiste em existir apesar das barreiras, sejam comerciais, jurídicas ou simbólicas. O resultado é um filme que amplia o campo de discussão sobre abuso, poder e memória, reafirmando o documentário como instrumento de confronto e não de conciliação. Locação digital nas melhores plataformas de streaming.
Ficha técnica
“Deixando Neverland 2: Sobrevivendo a Michael Jackson” | "Leaving Neverland 2" | "Deixando Neverland 2: Sobrevivendo a Michael Jackson"
Gênero: documentário.
Duração: 53 minutos.
Classificação indicativa: 16 anos.
Ano de produção: 2025.
Idioma: Inglês.
Direção e roteiro: Dan Reed.
Elenco: Wade Robson, James Safechuck.
Distribuição no Brasil: A2 Filmes.
Cenas pós-créditos: não.
Locação digital nas melhores plataformas de streaming.
Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com
Em maio de 2026
No longa nacional de ação, suspense e policial, "Rio de Sangue", em cartaz na Cineflix Cinemas, a policial Patrícia Trindade (Giovanna Antonelli), afastada da corporação, foge de São Paulo para o Pará após ser jurada de morte pelo narcotráfico, numa operação fracassada. Ao tentar se reaproximar da filha, a médica Luiza (Alice Wegmann), ela esbarra numa nova problemática em que põe a vida em risco, quando a jovem é sequestrada por garimpeiros ilegais durante uma missão humanitária no Alto Tapajós.
Unindo amor materno e a experiência profissional Patrícia corre contra o tempo para resgatar Luiza na selva, refém do cabeça dos esquemas, Polaco (Antonio Calloni, de "Anjos de Sol" e "Jogo de Xadrez") que a usa para salvar o filho, Jadson (Ravel Andrade). Na situação desesperadora, ela se vê forçada a ingressar entre os garimpeiros para enfrentar os poderosos que dominam a região empunhando armas e nenhum escrúpulo.
Na telona, as cenas de ação realistas, intensas e cruas, passam longe dos exageros caricatos e impactam, o que é nitidamente favorecido pelo talento do elenco, principalmente da protagonista que desenha a força da trama de modo convincente. Todo o conjunto da produção nacional bem realizada, empolga, facilitando para que o público embarque na história de mãe e filha lutando para sobreviver em meio a um cenário de crime ambiental.
Num papel de fortaleza pronta para a defesa tal qual o personagem Rambo, Antonelli consegue passar vulnerabilidade na medida que torna o filme visceral. "Rio de Sangue" é filme-denúncia sobre a realidade do garimpo ilegal na Amazônia, contra a exploração ambiental e a violência na região. O "grito da floresta" que soma 1 hora e 46 minutos imprime certa angústia e prende a atenção do início ao fim. Vale a pena conferir!
"Rio de Sangue" (nacional). Gênero: Thriller, Ação, Drama. Direção: Gustavo Bonafé. Roteiro: Felipe Berlinck, Dennison Ramalho. Duração: 1h 46 minutos. Distribuição: Disney. Classificação Indicativa: 16 anos. Elenco: Giovanna Antonelli (Patrícia Trindade), Alice Wegmann (Luiza), Antônio Calloni, Felipe Simas, Sérgio Menezes, Fidélis Baniwa, Ravel Andrade. Sinopse: Patrícia, uma policial afastada após uma operação fracassada e jurada de morte, se refugia no Pará. A trama engrena quando sua filha Luiza, médica em missão humanitária, é sequestrada por garimpeiros, forçando Patrícia a agir.
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.: Crítica: "Nuremberg" estuda mente de nazista orgulhoso de carnificina