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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

.: Fernando Pinheiro analisa 3 escritores em "O Mago, o Santo, a Esfinge"


Por Luís Augusto Fischer.

Um mago, um santo e uma esfinge entram num bar. Os três são escritores. Mas, alto lá, vistos bem de perto é muito fácil diferenciá-los, porque ostentam distinções importantes. Considere que o mago se chama Paulo Coelho; o santo é Manuel Bandeira; a esfinge atende pelo nome de Clarice Lispector. São muitos os contrastes que qualquer leitor encontrará entre eles, mesmo num bar escuro. Sem esse tom de piada, e com os sentidos analíticos em riste, Fernando Pinheiro traz no livro "O Mago, o Santo, a Esfinge", lançado pela editora Todavia, esses três escritores para o centro do palco, diante do leitor brasileiro, que os conhece, nem que seja pela fama genérica. A capa é de Ana Heloisa Santiago.

O primeiro é figura inevitável no horizonte brasileiro e ocidental na geração atual, e os outros dois gozam de prestígio literário enorme, seja pela fama escolar (Bandeira), seja pela leitura de seus textos, na íntegra ou em drops, nas redes (Clarice). Tendo por referência, entre outros, Pierre Bourdieu e Erving Goffman, e uma forte tradição local de sociologia da cultura, Pinheiro examina não apenas a obra publicada dos três, mas também seus depoimentos, suas memórias e sua trajetória concreta sobre o chão. Seu foco é indagar como se construiu, em cada uma das trajetórias, a figura de escritor(a), e como cada um(a) lidou com a imagem pública que lhe tocou viver.

Trata-se de três casos bastante diversos, que não se conectam nem por geração, nem por um mesmo gênero textual dominante, nem mesmo na relação que cada um estabeleceu com sua imagem pública, resultante tanto de sua deliberada ação quanto das expectativas e demandas em torno de si. Mas aqui eles se vizinham, porque, para além dessas diferenças, os três representam casos notáveis de relação entre o plano das convicções, expresso em textos e entrevistas, e o fundo social em que repousa o valor atribuído à literatura, ao autor, aos livros.

Como um desconfiado profissional, Fernando Pinheiro ilumina os objetos que estuda medindo-os sempre contra certa convenção naturalizada, que atribui alto valor à “leitura literária”, desinteressada, ausente de qualquer dimensão pragmática — leitura que por sinal em nossos dias tem perdido força e espaço para o que se poderá chamar de “leitura identitária”. Também essa mudança difusa e lenta faz valer muito este estudo, para conhecer a chegada do Mago, do Santo e da Esfinge ao balcão do bar das letras. Compre o livro "O Mago, o Santo, a Esfinge", de Fernando Pinheiro, neste link.

O que disseram sobre o livro
“Os ensaios de Fernando Pinheiro miram recessos do trabalho de figuras-chave da história literária nativa. A análise em combustão derruba clichês, escarnece do proselitismo pedante, escrutina subentendidos, a modelar respiros incômodos de interpretação. Paulo Coelho, o autor dito ‘menor’, faz jus a coordenadas contextuais propícias a matizar um retrato contingente e amigável. Os consagrados Manuel Bandeira e Clarice Lispector recuperam feições e escaninhos expressivos na  contramão de vereditos no limiar da apologia. Eis o sumo da empreitada: uma incursão de fôlego apta a esquadrinhar as vulgatas ao cânon.” – Sergio Miceli


Sobre o autor
Fernando Antonio Pinheiro Filho é professor livre-docente de sociologia na Usp (Universidade de São Paulo). É autor de "Lasar Segall: arte em Sociedade" (Cosac Naify, 2008). Garanta o seu exemplar de "O Mago, o Santo, a Esfinge", escrito por Fernando Pinheiro, neste link.


Trecho do livro

Temos assim nessa ponta do arco o escritor colado ao que escreve, e com reservas a tudo que ultrapassa essa relação, o que inclui a indiferença à sua figura pública, que não chega sequer a constituir-se plenamente — Kafka representaria um tipo ideal no sentido de Weber se retivermos apenas esses traços centrais, deixando em suspenso as ambiguidades exploradas na interpretação de sua postura empírica como escritor. Passando agora à outra ponta do arco, habitada por uma postura de escritor antípoda desta (também no plano típico-ideal), os depoimentos citados parecem autoexplicativos, dada sua crueza em revelar artifícios na construção da imagem (simbólica e física) do escritor pondo inteiramente de lado seu trabalho propriamente literário; no entanto, há alguns aspectos que precisam ser um pouco mais desenvolvidos.

“Embelezar” escritores e escritoras como assumida estratégia de marketing editorial representa o epítome de um processo de midiatização que tem uma longa história, que não cabe retraçar aqui, até chegar à interferência no corpo do artista para adequá-lo a certa figura pública previamente calculada. No exemplo quase caricatural de Meg Cabot, ostensivamente louvado pela diretora de marketing de sua editora, destaca-se a fusão entre a escritora e a heroína de seu romance devida à destreza de sua encenação, que potencializa a proximidade simbólica com seu público leitor. 

A unidade assim urdida, no entanto, difere radicalmente do caso de Kafka, cingindo-se à adesão da escritora à imagem de si que ela representa (aqui no sentido cênico) como emblema do que escreve, facilitando a identificação projetiva dos leitores e abrindo caminho para a vendagem do livro, que seguramente deve harmonizar-se, como objeto material, aos marcos postos por esse emblema (em seu projeto gráfico, paratextos de capas e orelha etc.). Esse procedimento ameaça inclusive tomar a frente daquilo a que se refere — como se ao texto bastasse não quebrar a unidade da figuração. 

O depoimento de Olivier Gay indica uma variante dessa postura que inclui alguma crítica irônica na identificação entre a figura de autor desenhada institucionalmente (também nesse caso pela casa de edição) e o produto de seu métier. Ao expor os procedimentos a que se submete para aceder a uma figura de seriedade “de autor”, cria um distanciamento que é parte mesmo dessa figura, adicionando rebeldia retórica e índole transgressiva (olheiras como o “cerne de uma vida dissoluta”) como tempero especialmente apropriados a um escritor de romances policiais — insubmissão tornada modalidade de submissão institucional.

Entre os dois casos típicos assim construídos é possível localizar na história social da literatura um sem-número de casos empíricos de escritores, conforme a distância entre o autor que está no texto e sua existência diante dos outros, como encarnação de uma figura de literato para além do texto dirigida ao público — seus leitores, ou o conjunto dos que têm acesso à sua imagem pública — ou mesmo como um duplo autoconstituído, que pode inclusive se imiscuir na criação. 

De modo mais amplo, o que se sugere então é uma diferença entre texto e obra, considerando que o autor maneja, com maior ou menor controle, consciência e êxito, essa figuração pública e a modula de acordo com o que pretende com o texto — de modo que a obra seria a somatória do escrito com o que ficou encriptado na representação de autor oferecida ao público, que se interpõe entre o escrito e o lido. 

Em Kafka a figuração pública está virtualmente ausente, sobrando o texto como representação imediata do autor — ou quase isso, se lembrarmos a postura (ou impostura, descontada a carga moral do termo) representada pela autodepreciação e hesitação em publicar. No simétrico oposto o texto está presente, mas sob ameaça de ver-se englobado pela encenação de si produzida por seu autor; ou, como nos casos extremos que serviram de exemplo, a partir de uma estratégia editorial de caráter comercial a que adere. 

Não surpreende que o reconhecimento literário e o pertencimento aos cânones nacionais ou mesmo mundiais levam os escritores a uma postura mais próxima do “modo Kafka”, ao passo que o sucesso apenas ou predominantemente comercial, aliado ao fracasso crítico, tenderia a aproximá-los do polo marcado pelo “embelezamento”; no entanto, haverá sempre algo de “embelezamento”, como metáfora para a adequação figurativa, nos escritores mais “puros” (mais afeitos às proezas estritamente literárias) e vice-versa, isto é, a procura por renome literário lastreado no texto entre aqueles cuja performance fora das linhas desse texto lhes proporcionou um tipo mais instável, e contestável, de renome.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

.: "Nasci na América…: Uma Vida em 101 Conversas": Italo Calvino por ele mesmo


"Nasci na América…: Uma Vida em 101 Conversas (1951-1985)"
, lançado pela Companhia das Letras, Italo Calvino por ele mesmo. Um volume monumental de entrevistas feitas com o autor de "As Cidades Invisíveis", espalhadas ao longo de mais de três décadas e reunidas pela primeira vez em livro. Uma janela para uma das mentes mais fascinantes do século XX. Organizado por Luca Baranelli, o livro tem tradução de Federico Carotti.

Organizadas em ordem cronológica, estas 101 entrevistas de Italo Calvino abarcam o período que vai de 1951 a 1985. No diálogo com seus interlocutores - em muitos casos, com perguntas possivelmente elaboradas pelo próprio Calvino -, o autor trata dos mais variados temas: a situação da literatura italiana e estrangeira; a relação entre língua e dialeto; a paixão pelo cinema e pelo teatro; os escritores favoritos, tanto clássicos quanto contemporâneos; sua juventude e seu envolvimento político; a descoberta dos Estados Unidos; o terrorismo dos anos 1970 e o “neoindividualismo” dos anos 1980; sua relação com cidades como Sanremo, Turim, Veneza, Paris e Nova York; o futuro do homem e do universo.

São textos que, apesar da brevidade, carregam o rigor e a elegância de Calvino e oferecem uma compreensão inédita de aspectos que permaneceram em segundo plano em sua produção narrativa. O resultado, para Mario Barenghi, que assina a introdução deste livro, é o de uma autobiografia em construção e multifacetada. Compre o livro "Nasci na América…: Uma Vida em 101 Conversas (1951-1985)" neste link.


Sobre o escritor
Italo Calvino
nasceu em Santiago de Las Vegas, Cuba, e foi para a Itália logo após o nascimento. Participou da resistência ao fascismo durante a guerra e foi membro do Partido Comunista até 1956. Em 1946 instalou-se em Turim, onde se doutorou com uma tese sobre Joseph Conrad. Lançou sua primeira obra, "A Trilha dos Ninhos de Aranha", em 1947. A Companhia das Letras está publicando a obra completa do autor. Garanta o seu exemplar de "Nasci na América…: Uma Vida em 101 Conversas (1951-1985)" neste link.

.: "Novas Cartas Portuguesas", a obra transgressora que marcou a revolução


"Novas Cartas Portuguesas" é uma obra transgressora que marcou a Revolução dos Cravos e a vida das mulheres em Portugal e no mundo. Lançado pela editora Todavia, o livro de Maria Teresa Horta, Maria Isabel Barreno Maria Velho da Costa tem prefácio de Tatiana Salem Levy e capa de Julia Custodio.

O livro, por Dulce Maria Cardoso

"Novas Cartas Portuguesas" tem tanto de gênio literário quanto de resistência ao Portugal fascista de 1971. Partindo de Lettres Portugaises - cinco belas missivas amorosamente sofridas que a abandonada soror Mariana Alcoforado teria escrito ao oficial francês Noel Bouton de Chamilly —, as “Três Marias”, Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, reclamam o direito à plenitude da existência política, econômica, social, cultural e sexual das mulheres.

Fazem-no de uma forma, a todos os níveis, revolucionária. Subvertendo o conceito tradicional de autoria - ainda hoje não se sabe quem escreveu o quê -, as três amigas vão se escrevendo cartas, contos, ficções, poemas, ensaios, que compõem um todo dificilmente categorizável e extremamente inovador. Os textos enfrentam, para ofensa dos beatos poderes, o gasto Império de cinco séculos, a exaurida guerra colonial com os seus horrores e mortos, a inefável Censura, a hipócrita subordinação dos cidadãos ao ideal salazarista de “Deus, pátria e família”, a violência sobre o corpo das mulheres e a sua submissão e secundarização na sociedade, no trabalho e no âmbito doméstico.

Considerada pornográfica e atentatória à moral pública, a obra foi proibida e as autoras, processadas. A solidariedade de resistentes antifascistas e o apoio de prestigiados intelectuais estrangeiros deram ao caso dimensão internacional e tornou-o um dos símbolos da luta pela liberdade, que a revolução de 25 de Abril resgatou três anos depois. Neste tempo em que, um pouco por todo o mundo, nos tentam convencer de que é inevitável o lento morrer das instituições democráticas, em que tenebrosas forças reacionárias põem em perigo importantes conquistas civilizacionais, um tempo em que se vai instalando a ideia de que a literatura pouco ou nada pode contra a desesperança que vai minando a humanidade, conhecer ou regressar a Novas cartas portuguesas é uma experiência arrebatadora. Um grito de coragem e de esperança. Compre o livro "Novas Cartas Portuguesas", de Maria Teresa Horta, Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, neste link.


Sobre as autoras
Maria Teresa Horta
nasceu em 1937 em Lisboa. É jornalista, poeta e militante feminista. Seu segundo livro, "Minha Senhora de Mim" (1971), foi censurado pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado (Pide). Com uma obra extensa, tem mais de 40 livros publicados. Em 2017, recebeu o Prêmio Camões, mas se recusou a recebê-lo.

Maria Isabel Barreno nasceu em 1939, em Lisboa, e faleceu em 2016 na mesma cidade. Foi escritora, ensaísta, artista plástica e jornalista. Dedicou-se à causa feminista em todas as suas atividades. Depois de seu primeiro livro, "De Noite as Árvores São Negras" (1968), teve mais de vinte obras publicadas.

Maria Velho da Costa nasceu em 1938, em Lisboa, e faleceu em 2020 na mesma cidade. Um dos nomes mais reconhecidos da literatura portuguesa, foi presidente da Associação Portuguesa de Escritores entre 1975 e 1977. Deixou uma obra vasta que inclui ficção, poesia, roteiros de cinema, peças de teatro e ensaios. Recebeu o Prêmio Camões em 2002. Garanta o seu exemplar de "Novas Cartas Portuguesas", escrito por Maria Teresa Horta, Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, neste link.

Trecho do livro
Mais do que a paixão:
os seus motivos; a construção dela. — Motivos que, peça por peça, a elaboram como um vitral com as suas imagens à transparência? Não —, antes no seu interior visceral de vidro inteiro. Pensemos o amor no seu jogo através do contentamento: as palavras uma por uma no bordado empolgante dos sentimentos e dos gestos. A mão sobre o papel traça com precisão as ideias na carta que, mais do que para o outro, escrevemos para nosso próprio alimento: o doce alimento da ternura, da invenção do passado ou o envenenamento da acusação e da vingança, elas próprias principais elementos da paixão na reconstrução do nosso corpo sempre pronto a ceder à emoção inventada, mas não falsa. — Não é falso se te escrevo:

“Repara, sequiosa é a faca do teu silêncio a revolver-se-me bem no interior do ventre... Cobre com os teus dedos os meus olhos a fim de eu não ver ou não me veja, que te perco e não me odeio.”

Eis o ódio, outro principal elemento do amor. Amor cujo objecto nunca será em si a principal causa, mas apenas o motivo, o ponto de partida, jamais o único objectivo ou mesmo o fulcro, o outro. E se não acredito em mim o amor como sentimento totalmente verdadeiro a não ser a partir da minha imperativa necessidade em inventá-lo (logo já ele é verdadeiro mas tu não), recuso-me a negá-lo no entanto pois na realidade existe, é em si mesmo: vício, urgência, precipício, enquanto tu serves apenas de motivação, de início, de peça envolvente em que te arrasto neste meu muito maior prazer em me sentir apaixonada do que em amar-te. Neste meu muito maior prazer em dizer que te amo do que na verdade em querer-te.

Não é falso, então, se te escrevo: 

“Sei que te perdi e me afundo, me perco também dentro da minha total ausência de poder em que me queiras”.

E assim sofro, aparentemente porque te amo, mas antes porque perco o motivo de alimento da minha paixão, a quem talvez bem mais queira do que a ti. 

Do desvario não me curo, nem da ansiosa vontade de te ver. Mas aqui por certo será já o desejo e não o amor a causa deste outro sentimento ou alimento de uma emoção que pode ser tomada apenas por amor e erradamente entendida de outra maneira que não pelo simples exercício do corpo, que realmente é.

Não nego, portanto, o exercício do amor. O sofrimento como exercício do mesmo e o mesmo amor como exercício da paixão, qualquer que seja.

Que dou eu então em troca do que me dás?

— O meu amor. Mais exactamente: o meu amor por ti.

E jamais, pois, nenhuma de nós três: mulher, se entregará sem dano de si própria e de outrem. Ramificação oculta que transportamos na voragem de nos sabermos, de nos descobrirmos, na viagem que premeditadamente empreendemos através de nós próprias na procura ou na entrega. Na sistemática dissecação do que nos resta? Ou do muito que possuímos?

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

.: Nova edição de prestigiado romance retrata Brasil pouco mostrado nos livros


A obra do genial Ricardo Guilherme Dicke retorna às livrarias com a nova edição de "Madona dos Páramos", seu mais poderoso romance, 40 anos depois de seu lançamento e dezesseis anos após a morte do autor. Ao longo de sua carreira, muito prestigiada pela crítica mas pouco reconhecida pelo público, Dicke ganhou diversos prêmios literários, entre eles o Prêmio Ficção de Brasília e o Prêmio Remington de Prosa e Poesia, e recebeu menção honrosa do Prêmio Walmap, tendo como jurados Antonio Olinto, Guimarães Rosa e Jorge Amado.

 O romance retrata o sertão mato-grossense, região do país pouco vista na literatura brasileira. O prefácio é do pesquisador Rodrigo Simon de Moraes, estudioso da obra de Dicke, que descobriu inéditos do autor durante pesquisa para tese de doutorado. "Madona dos Páramos" conta a história de 12 foragidos que cavalgam pelo sertão do centro-oeste brasileiro em busca da terra da Figueira-Mãe, onde os aguardariam o bem-estar e a justiça. Entre eles, uma mulher, a moça sem nome, arrebatada do lar e de sua família à força, alvo do desejo geral. Todos eles em uma batalha contra o clima e a geografia inóspitos, reflexo também de suas personalidades.

A riqueza do trabalho de linguagem executado por Ricardo Guilherme Dicke é absolutamente inconfundível, tornando-o um dos grandes estilistas da língua portuguesa na segunda metade do século XX. Publicado em 1982, até hoje é peça fundamental na vasta trajetória literária de Dicke, nascido na Chapada dos Guimarães, Mato Grosso. Ele escreve sobre um sertão que pouco se manifesta na literatura brasileira que conhecemos; não é o do Nordeste ou o de Minas Gerais, sobre o qual estamos mais acostumados a ler.

Também não é sobre um lugar que reduz a condição humana, como bem disse Rodrigo Simon de Moraes, mas sim sobre um espaço que a amplia e que retrata a natureza como um “veículo privilegiado para um reencantamento do mundo, um sagrado que irá permitir estar aquém e além do tempo e, assim, superar a dicotomia entre a vida e a morte”. Para o pesquisador, Dicke inaugura uma “literatura do cerrado”. Atualmente fazendo pós-doutorado na Universidade de Princeton, nos EUA, durante pesquisa para sua tese de doutorado pela Unicamp, Simon descobriu contos inéditos de Dicke, que a Record publicará em breve. Compre o livro "Madona dos Páramos", de Ricardo Guilherme Dicke, neste link.


O que disseram sobre o livro
“Um escritor que me comove até a medula é o Ricardo Guilherme Dicke. Eu o considero dono de uma linguagem excepcional, belíssima. 'Madona dos Páramos' é uma obra-prima.” – Hilda Hilst

“Grande oportunidade de (re)descoberta de Ricardo Guilherme Dicke e de sua literatura ferozmente original.” – Marçal Aquino

“Gênio que viveu recluso.” – Ignácio de Loyola Brandão

“O injustamente desconhecido Ricardo Guilherme Dicke.” – Joca Reiners Terron

“Profundo conhecedor de literatura, faz de seu ofício um aprimoramento da arte criativa com a palavra.” – Madalena Machado, Universidade do Estado de Mato Grosso


Sobre o autor
Ricardo Guilherme Dicke
nasceu em 16 de outubro de 1936, em Raizama, no município da Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso. No começo da década de 1960, escreveu seu primeiro romance, "Caminhos de Sol e Lua". Em 1968, publicou seu segundo romance, "Deus de Caim", que recebeu menção honrosa do Prêmio Walmap, tendo como jurados Antonio Olinto, Guimarães Rosa e Jorge Amado. Em 1977, ganhou o Prêmio Remington de Prosa e Poesia com o romance "Caieira", publicado no ano seguinte pela editora Francisco Alves. Em 1981, ganhou o Prêmio Ficção de Brasília com o romance "Madona dos Páramos". Morreu em 9 de julho de 2008, em Cuiabá. Garanta o seu exemplar de "Madona dos Páramos", escrito por Ricardo Guilherme Dicke, neste link.

domingo, 11 de fevereiro de 2024

.: Humanos: Mário de Andrade folião e outros segredos dos escritores em livro


​Talvez você conheça Mário de Andrade por ter publicado “Macunaíma”. Mas sabia que, além de gostar de carnaval e cachaça, ele adorava seus sobrinhos e promovia as brincadeiras nos eventos da família? Ou lembrava que Euclides da Cunha, consagrado por “Os Sertões”, foi morto após um crime passional e até hoje ninguém tem certeza sobre quem era o verdadeiro culpado? São estes acontecimentos curiosos que o pesquisador Carlos Costa apresenta no livro "Escritores São Humanos: histórias Cotidianas da Literatura Brasileira", lançado pela editora Cepe.

Homenageado no samba-enredo da Mocidade Alegre, escola de SP, Mário de Andrade não somente teve uma grande contribuição para a cultura brasileira, mas era um apaixonado por Carnaval. Segundo o pesquisador Carlos Costa, o autor de “Macunaíma” caía na folia, investia em fantasias personalizadas e até deixou de visitar Manuel Bandeira para participar das festas no Rio de Janeiro. Ao atravessar mais de quatro séculos da história da literatura, o autor mergulha no cotidiano íntimo de grandes escritores, como José de Alencar e Pagu.

A obra conduz os leitores pelos bastidores das vidas dos nossos cânones literários, no intuito de mostrar que, por trás de seus feitos extraordinários, há pessoas comuns. Ao condensar mais de uma década de pesquisa na publicação, o autor expõe os grandes nomes da literatura brasileira por meio de um ângulo que não está presente no ensino das escolas tradicionais e, por isso, talvez seja um conhecimento de difícil acesso às pessoas.

Com linguagem coloquial, Carlos Costa desperta a atenção do público interessado nas trajetórias íntimas dos famosos, ao mesmo tempo que propaga informações sobre a produção literária no Brasil. Para isso, ele delimita uma linha do tempo: narra histórias desde o século XVI, quando Pero Vaz de Caminha registrou em uma carta suas impressões sobre a terra ainda desconhecida aos europeus, até meados da década de 1920, com o marco da Semana de Arte Moderna em São Paulo.

Entre as páginas, é possível encontrar fatos inusitados sobre Gregório de Matos, Álvares de Azevedo e outros. A partir das narrativas, o pesquisador revela quem eram os autores “da porta de casa para dentro” e, sem fazer juízos de valor sobre o que é certo ou errado, desmitifica o aspecto de divindade atrelado à imagem de figuras célebres. No texto, temas sensíveis e atuais são abordados, como feminicídio, racismo, preconceitos sociais e corrupção política.

Carlos explica: “Várias são as referências, os exemplos de homens e mulheres que viraram sinônimo de tenacidade, criação, talento e coragem. Mas essas pessoas não são estátuas, elas são humanas, de carne e osso, com erros e acertos. Por trás desses cânones, havia pessoas de chinelo nos pés, que espirravam, transpiravam suor azedo, tinham preconceitos, sentiam frio, medo, ciúmes e raiva”. Compre o livro "Escritores São Humanos: histórias Cotidianas da Literatura Brasileira", de Carlos Costa, neste link.


Trecho do livro
"Pagu queria sair de casa, mas não tinha idade para isso. Pediu ajuda a Tarsila e Oswald, que prometeram ajudá-la. O plano era o seguinte: Pagu casar-se-ia formalmente com um primo de Tarsila, viajariam em “lua de mel” para Santos, e de lá cada um seguiria seus caminhos. E assim foi feito. Pagu seguiu para a Bahia e o quase quarentão Oswald foi atrás… Quando voltou, Tarsila já sabia do romance dele com Pagu. Soube através de um pai de santo que Oswald levara para casa a fim de espantar as coisas negativas. Ou seja: soube por um desconhecido. Estava tudo acabado: Tarsiwaldo, o casal ícone do modernismo, não existia mais." ("Escritores São Humanos", página 438)

Sobre o autor
Formado em psicologia e em letras, Carlos Costa é pós-graduado em Linguística e se dedica à pesquisa sobre literatura brasileira. Em paralelo, foi psicólogo clínico, trabalhou durante anos com informática e agora é servidor público federal. Nasceu em Parnaíba, no Piauí, e mora em Olinda, em Pernambuco. Garanta o seu exemplar de "Escritores São Humanos: histórias Cotidianas da Literatura Brasileira", escrito por Carlos Costa, neste link.

sábado, 10 de fevereiro de 2024

.: “Mátria”: poeta Laís Romero aborda corpo, ancestralidade e maternidade


"Quem são as mulheres, que devido ao corpo que carregam, seguem invisibilizadas?"
. É o que questiona a escritora, revisora, editora piauiense Laís Romero em seu novo livro "Mátria", lançamento da editora Paraquedas, que amplifica temas que perpassam como corpo, ancestralidade, feminismo e maternidade. 

Em "Mátria", livro de poemas publicado pela editora Paraquedas, escritora propõe o feminino enquanto território. "O silêncio, o cansaço e a sensação de fracasso servem de subtexto e impulsionam o seu desejo; o desejo, já realizado, de ser artista, de ter o próprio corpo como matéria-prima de sua arte, um corpo que flutua, que dança, que resiste, que faz poesia".

"Mátria" é um livro-corpo que se divide em três partes: "Desejo", "Mátria" e "Pathos". Como o próprio título sugere, trata-se de uma busca pelo lugar de expressão da mulher. Não qualquer mulher, uma mulher que tem um corpo, uma origem, um país, uma mátria, nordestina e singular. A partir do seu desejo, da ancestralidade que remonta a Lilith, aquela que renunciou a um suposto paraíso, Laís mergulha na materialidade de ser mulher para encontrar enfim seu  pathos, sua capacidade de comover e afetar a nós, leitores, com sua poesia.

Na obra, a autora convida a atravessar a pele-papel que a separa do mundo, mas que também serve de superfície para explorar sua poesia, sua língua, sua escrita e seu bordado. O silêncio, o cansaço e a sensação de fracasso servem de subtexto e impulsionam o seu desejo; o desejo, já realizado, de ser artista, de ter o próprio corpo como matéria-prima de sua arte, um corpo que flutua, que dança, que resiste, que faz poesia. 

"São temas que me escolheram”, aponta Laís. “Nasci mulher piauiense, não tenho muita escolha aqui”, frisa a autora, evidenciando também que partiu de inquietações pessoais para a escrita dos textos. “Passo caminhada no desejo, na maternidade e na paixão afetada, de maneira firme e puxando as imagens prosaicas do que vivo diariamente”.

Ao longo dos 50 poemas - que adotam um estilo prosaico de métrica livre -, os leitores mergulham em mére-mar-mãe-mátria, esse lugar cheio d’água, profundo, no qual é possível se reconectar com a origem de si e encontrar a pausa da exaustão. De volta à superfície, é preciso puxar o ar com força como quem busca o pathos, “a coragem de descrever o que não é meu e não pertence, apenas é”. A poesia de Laís oferece a outras mulheres um espelho para que elas saibam quem são.

"Não penso em mensagens, mas em imagens. Uma visão de como a mulher conjuga os verbos enquanto sujeito é o que pretendo comunicar de maneira direta e pontual”, aponta a autora. Essa descrição pode ser observada já a partir do título, que subverte a palavra "pátria", usada para se referir a um território de origem, clamando por um espaço em que as mulheres tenham direito à voz, à expressão e a uma história. Deste modo, "Mátria" também traz um coro de mulheres poetas como referências principais, tais como Ana Cristina César, Matilde Campilho, Maya Angelou, Renata Flávia, Cecília Meirelles e Sophia de Mello Breyner Andresen. 

Segundo Laís, a escolha de resgatar a própria história na poesia veio com urgência e de maneira espontânea. A poeta revela ter passado por conflitos internos e frustrações com a maternidade. Além disso, o apagamento histórico de sua família, cuja ancestralidade se mostra presente apenas em sua face "entre a indígena e a negra", também foi um questionamento importante na formulação da proposta da obra. "As mulheres foram sobrevivendo, sempre levando a família adiante. Em face dessa realidade onipresente no Brasil, declarei o território 'Mátria'", reafirma.

O processo de criação ocorreu ao longo de um período de 15 anos, com sua versão inicial concluída em 2014. Em 2017, o artista piauiense Lysmark Lial produziu a arte de capa do livro, mas a autora só considerou o projeto concluído em 2023. "Mátria" foi publicado no mesmo ano, com edição da Paraquedas, selo de publicação assistida da editora Claraboia. 

“Esse livro representa um peso que me livrei. Em outros momentos esse livro representa meu cansaço descomunal enquanto mulher, num desassossego (essa maravilhosa palavra cheia de esses)”, comenta. “Por dentro consegui me sentir escritora, poeta, pois passei a existir no mundo. Essa obra é uma presença, não meço a dimensão, mas sinto como presença na linha do tempo da escritura sem fim”. Compre o livro “Mátria”, de Laís Romero, neste link.


Mulher, mãe e escritora: os desdobramentos de Laís Romero
Nascida em 1986, Laís Romero nasceu, cresceu e reside em Teresina, no Piauí. É mãe do Luís e do Júlio. Possui mestrado em letras pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI) e especialização em escrita e criação pela Universidade de Fortaleza (Unifor). Atualmente, trabalha como revisora e editora. Possui poemas e textos literários em diversas antologias e revistas. 

Laís também se destaca por sua trajetória acadêmica. Formada em Letras e Mestre em Literatura, a escritora também atuou como professora de Língua Portuguesa no Instituto Federal do Maranhão e como professora substituta de Literatura no curso de Letras/Libras na UFPI. Desde 2022, cursa bacharelado em Medicina.

O estopim para a sua escrita aconteceu aos 11 anos, quando venceu um concurso literário em sua escola. "O poema virou uma atração na família, um marco”, diz. "Lembro de datilografá-lo para que um tio, então professor de literatura, o levasse para uma aula de poesia”, recorda. Todo esse apoio foi motivador para Laís, que decidiu mergulhar de vez no universo das palavras. 

Atualmente, porém, o hábito de escrever se vê em disputa com a maternidade, o descanso e o trabalho. "Infelizmente não há salário para que possamos escrever literatura, daí uma verdadeira ausência de rituais: escrevo quando e como dá”. No momento, a autora trabalha em um romance e no processo de releitura e reescrita de um livro de contos. Garanta o seu exemplar de “Mátria”, escrito por Laís Romero, neste link.

Confira um poema do livro “Mátria”, de Laís Romero:

Mátria

Meu corpo encontrou um ritmo
meu corpo abrigo
país dos meus filhos
meu corpo ferido frio
corpo dormindo
capataz dos meus delírios
corpo vasto território
corpo de corte e tintura
mapa em relevo da dor
meu corpo sereno
corpo, pelos e suor
meu corpo diz e asseguro
estar a caminho
no presente
e nos medos multiplicação
Meu corpo aberto e preciso
Coragem, eu insisto


quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

.: Livro inédito de Hemingway explora o embate entre a vida e a morte


Publicado pela primeira vez em 1932 e inédito no Brasil, "Morte ao Entardecer" é um mergulho de Ernest Hemingway nas cerimônias e tradições da tourada espanhola, desvendando sua rica história, técnica e filosofia. É também uma contemplação sobre a natureza da covardia e da bravura, do esporte e da tragédia, costurada pelos comentários pungentes do escritor americano sobre a vida e a literatura. Hemingway ainda desafia os leitores a confrontarem as próprias noções de ética, coragem e tradição cultural. Laureado com os prêmios Pulitzer e Nobel de Literatura, o autor já vendeu mais de 500 mil livros no Brasil. A tradução da oobra, lançada pela Bertrand Brasil, é de Irinêo Baptista Netto.

“Penso que moralmente, do ponto de vista moderno, isto é, do ponto de vista cristão, a tourada em si seja indefensável; sem dúvida, há muita crueldade, sempre há perigo, seja ele previsto ou imprevisto, e sempre há sacrifício, e não vou tentar defendê-la agora, apenas contar honestamente o que eu penso de verdade sobre ela.”

Conhecido por sua habilidade em capturar a essência de experiências intensas em suas obras literárias, Ernest Hemingway nunca escondeu seu fascínio pelo embate entre a vida e a morte. Um admirador inveterado da coragem humana diante das adversidades, Hemingway explorou de maneira ímpar essa temática em sua escrita.

Ele acreditava que, após a Primeira Guerra Mundial, o único lugar onde se poderia observar a dualidade da vida e da morte seria nas touradas. Dirigiu-se, então, à Espanha a fim de torná-la palco para suas observações. E sua experiência com as touradas proporcionou-lhe um conhecimento íntimo e uma riqueza de detalhes que ele habilmente incorporou em suas obras, como O sol também se levanta.

Morte ao entardecer reflete a crença de Hemingway de que as touradas transcendem a mera prática esportiva. Apresentada como uma forma de arte, na qual a técnica perigosa beira a linha tênue entre o esporte e a arte, as touradas são comparadas a um balé ricamente coreografado, nas quais o touro, o matador e os espectadores desempenham papéis ativos, contribuindo para o desenrolar do espetáculo.

O livro traz ainda um glossário de termos usados nas touradas, um capítulo com reações de pessoas à tourada espanhola, um texto sobre o primeiro toureiro americano a fazer sucesso e datas importantes de touradas nos países em que elas ainda são populares. Compre o livro "Morte ao Entardecer", de Ernest Hemingway, neste link.


Sobre o autor
Ernest Hemingway é um dos pilares da literatura contemporânea mundial. Nascido em 1899, começou a escrever aos 17 anos para um jornal. Quando os Estados Unidos entraram na Primeira Guerra Mundial, alistou-se como voluntário tornando-se motorista de ambulância voluntário no Exército da Itália. Após ser ferido, recebeu uma condecoração do governo italiano. Ao voltar para os Estados Unidos, trabalhou como repórter para jornais americanos e canadenses, e então voltou para a Europa, cobrindo eventos históricos como a Revolução Grega. Durante os anos 1920, tornou-se membro do grupo de expatriados americanos em Paris, que ele descreveu em seu primeiro livro, "O Sol Também se Levanta" (1926). Ernest Hemingway recebeu o Prêmio Pulitzer em 1953 e foi agraciado com o Nobel de Literatura em 1954. Faleceu em 1961. Garanta o seu exemplar de "Morte ao Entardecer", escrito por Ernest Hemingway, neste link. 




Conheça também
"Como Chegamos a Paris e Outras Narrativas" é um vislumbre pessoal da vida do escritor, jornalista, correspondente de guerra e aventureiro Ernest Hemingway, desde as experiências na Guerra Civil Espanhola e na Segunda Guerra Mundial até sua paixão pelas touradas e o primeiro safári na África. Traduzido para 14 idiomas, o livro tem texto de orelha de Edney Silvestre. Compre o livro "Como Chegamos a Paris e Outras Narrativas", de Ernest Hemingway, neste link.

.: "O Fabuloso e Triste Destino de Ivan & Ivana", o novo livro de Maryse Condé


Em "O Fabuloso e Triste Destino de Ivan & Ivana", lançado pela editora Rosa dos Tempos, a escritora Maryse Condé narra a história de gêmeos unidos por uma força inexplicável e um amor único. A edição brasileira foi traduzida pela escritora Natalia Borges Polesso, vencedora do Prêmio Jabuti, e conta ainda com prefácio da filósofa e feminista negra Djamila Ribeiro. Em 2018, Maryse Condé recebeu o Prêmio New Academy de Literatura, láurea criada como alternativa ao Prêmio Nobel, suspenso naquele ano após denúncias de violência sexual envolvendo integrantes da instituição,

Autora de mais de 20 livros, a premiada escritora guadalupense Maryse Condé traz como protagonistas dois irmãos gêmeos tão parecidos, que um olhar desavisado é capaz de confundi-los. Inseparáveis desde quando nasceram, em Dos d’Âne, um vilarejo pobre em Guadalupe, filhos de mãe solteira, eles desfrutam das delícias do mundo nos primeiros anos de vida: o mar, a areia, a música e os carinhos.

Ivana logo se revela doce e servil - sonha em ser enfermeira ou policial para ajudar as pessoas. Ivan, por outro lado, se revolta com a condição em que vê a si e aos seus - a miséria e o racismo lhe ferem fundo, e ele não consegue compreender por que o mundo é assim. Apesar da distância que se cria entre eles, o amor dos irmãos é tão forte que assusta e chega até mesmo a levantar suspeitas.

Os dois viajam para a África, onde mora o pai, um músico que nunca haviam conhecido. De Guadalupe para o Mali, a vida dos gêmeos se transforma. E ainda há nova mudança de país (e continente) para viverem. Maryse Condé trata com lirismo temas como racismo, sexismo, desigualdades sociais e econômicas, migração e terrorismo jihadista. O caos contemporâneo emerge entre dúvida, fé, violência e amor. Compre o livro "O Fabuloso e Triste Destino de Ivan & Ivana", de Maryse Condé, neste link.


O que disseram sobre o livro
“Este universo ficcional prodigioso de Maryse Condé está fundado em um radical e criativo desprezo aos vínculos geográficos, religiosos, históricos, raciais e de gênero. Conforme acompanhamos os gêmeos em sua jornada fatal do Caribe à África e à Europa, aprendemos sobre amor, felicidade, calamidade e, por fim, sobre a sobrevivência da esperança.” - Angela Davis

“Nunca li algo tão forte e cheio de paixão, tão terno e brutal. Maryse Condé é uma das melhores escritoras do mundo.” - Junot Díaz, autor de "A Fantástica vida breve de Oscar Wao"


“Com essa história de um jovem de Guadalupe que se vê persuadido pelo chamado da jihad, Condé escreveu um dos mais romances mais impressionantes dos últimos anos, que, sem dúvida, ressoa sobre os problemas de nosso tempo.” - Le Monde


“Maryse Condé tem o dom de contar histórias com uma fé inabalável em seus personagens e com um senso de humor mordaz.” - The New York Times


Sobre a autora
Maryse Condé
(Guadalupe, 1934) é professora emérita de francês e filologia românica nas universidades de Columbia e Harvard. É autora de mais de 20 livros de diversos gêneros literários. Em 2018, recebeu o Prêmio New Academy de Literatura, láurea criada como alternativa ao Prêmio Nobel, suspenso naquele ano após denúncias de violência sexual envolvendo integrantes da instituição. Em 2021, foi agraciada com o Cino del Duca, principal premiação francesa destinada a reconhecer os maiores responsáveis pela divulgação de ideias humanistas. No Brasil, a Rosa dos Tempos publica também seus romances "Eu, Tituba: bruxa Negra de Salem" e "O Evangelho do Novo Mundo". Garanta o seu exemplar de "O Fabuloso e Triste Destino de Ivan & Ivana", escrito por Maryse Condé, neste link.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

.: "O Oceano no Fim do Caminho", de Neil Gaiman, tem ilustrações de Elise Hurst


Uma história sobre crianças, adultos e os monstros que os assombram. Trabalho revolucionário de um mestre da literatura, "O Oceano no Fim do Caminho" foi publicado em 2013 e logo se tornou um best-seller mundial. Agora, o aclamado livro de Neil Gaiman ganha uma edição ilustrada em capa dura, que chega às livrarias em fevereiro pela editora Intrínseca. Nessa história sombria e comovente, o autor reimagina a própria infância e, ao lado da renomada ilustradora e artista plástica Elise Hurst, convida o leitor a repensar as maravilhas, o terror e a força dessa época da vida. A tradução é de Renata Pettengill.

A trama é ambientada em Sussex, na Inglaterra, cidade em que Gaiman cresceu. Um homem de meia-idade volta à casa na qual passou a sua infância para um funeral. Ao chegar à cidade, ele é atraído para a fazenda no fim da estrada, onde, aos sete anos, conheceu uma garota extraordinária, Lettie Hempstock, que morava lá com a mãe e a avó. Ele não pensava em Lettie há décadas, mas, ao se sentar à beira do lago nos fundos da velha casa, o mesmo a que ela se referia como um oceano, o passado esquecido ressurge como uma forte maré.

Quarenta anos antes, a morte de um homem despertou consequências inimagináveis, e Lettie - com magia, amizade e a sabedoria digna de alguém com muito mais de onze anos - prometeu protegê-lo, não importava o que acontecesse. O oceano no fim do caminho mostra o poder que as histórias têm de revelar e, ao mesmo tempo, de nos proteger dos perigos dentro e fora de nós. Uma obra marcante, sombria e melancólica sobre memória, amadurecimento e sobrevivência. Compre o livro "O Oceano no Fim do Caminho", de Neil Gaiman e Elise Hurst, neste link.

Sobre o autor
Neil Gaiman foi citado no Dicionário de biografia literária como um dos dez maiores escritores pós-modernos vivos, tem mais de vinte livros publicados para leitores de todas as idades e já foi agraciado com inúmeros prêmios literários, incluindo o Hugo, o Bram Stoker e a Newbery Medal. Começou a carreira como jornalista, mas logo seu talento para construir tramas e universos únicos foi levado para o mundo dos quadrinhos, com a aclamada série Sandman, e, depois, para a ficção adulta e a infantojuvenil. Algumas de suas obras foram adaptadas para o cinema e para a TV. Pela Intrínseca, publicou também Mitologia nórdica, Deuses americanos, Lugar Nenhum, Os filhos de Anansi, Coisas frágeis, Coraline, O alfabeto perigoso, Cabelo doido, Kanela, as edições em quadrinhos de Deuses americanos, entre outros. Foto: Darren James

Sobre a ilustradora
Elise Hurst é uma renomada ilustradora, artista plástica e autora australiana especializada em livros infantis. Começou sua carreira desenhando e pintando paisagens, naturezas-mortas e modelos vivos, mas logo enveredou pela ilustração. Seu trabalho viaja o mundo em livros, cartões-postais e inúmeras reproduções, e suas obras conquistaram espaço em museus e coleções privadas de Melbourne a Londres. Em um encontro com Neil Gaiman anos atrás, o escritor lhe disse, como se prevendo o futuro, que um dia trabalhariam juntos. Garanta o seu exemplar de "O Oceano no Fim do Caminho", escrito por Neil Gaiman e ilustrado por Elise Hurst, neste link.

.: "Corpo, Escuta e Escrita", livro dá pistas para ativar múltiplas linguagens


O livro coloca a comunicação como eixo das boas práticas em saúde, seja na linha de frente dos serviços públicos ou nos consultórios particulares. A autora, é jornalista de primeira carreira, terapeuta há mais uma década e, fundindo os dois campos, aprofundou a pesquisa com o objetivo de fortalecer e ampliar os vínculos entre profissionais e pacientes e com as equipes multidisciplinares do cuidado.

A comunicação é das atividades mais importantes na maioria dos ambientes e isso não é diferente no universo dos serviços de saúde. Da combinação das carreiras de jornalista e terapeuta corporal, Liliane Oraggio identificou uma lacuna de especialização acadêmica e direcionou suas pesquisas para as formas de favorecer a troca de informações entre profissionais de saúde, membros da equipe, pacientes e familiares. Na obra "Corpo, Escuta e Escrita - Pistas para Ativar Múltiplas Linguagens em Saúde", lançamento da Summus Editorial, ela apresenta várias propostas de interação e um plano de aulas que pode interessar a todos os envolvidos em aprimorar a qualidade das conexões humanas.

Resultado de uma pesquisa acadêmica em Ciências da Saúde, o livro vai sendo construído a partir de encontros, com um grupo de pessoas envolvidas com produção de textos acadêmicos. Todos interessados em saber mais sobre o próprio corpo, sobre os modos de escutar pacientes e colegas e deixar registros escritos de qualidade, que contribuam com os tratamentos e memoriais. As "Oficinas Corpo, Escuta e Escrita – Experimentos Textuais Formativos" aconteceram na Unifesp de Santos, norteadas pelos conceitos da Psicologia Formativa, fundamentada por Stanley Keleman, autor de "Anatomia Emocional" (Ed. Summus, 1992) e pelo Método da Cartografia, que considera as interações humanas como campo de produção de dados. Aqui interessa mais os diálogos vivos que produzem afetações e levam a conexões autênticas, do que comprovar dados pré-estabelecidos. O livro, ilustrado com fotos do processo, é resultado da intersecção da teoria com textos literários que falam de saúde/doença, experimentações corporais e intervenções terapêuticas de grupo.

A obra pretende também inspirar e multiplicar as oficinas nos campos da formação e saúde, da rede pública e privada, podendo interessar a outros contextos profissionais e acadêmicos, que desejam estimular a qualidade de comunicação oral e escrita, na conexão entre pessoas. Compre o livro "Corpo, Escuta e Escrita - Pistas para Ativar Múltiplas Linguagens em Saúde", de Liliane Oraggio, neste link. 


O que disseram sobre o livro
Liliane Oraggio nos conduz ao cuidado. Cuidar mesmo antes de adoecer. Nesse sentido, sua proposta tem caráter preventivo. Ou, ainda, cuidar depois que a situação de adoecimento ocorre — o que, a meu ver, alcança a função terapêutica. Seus instrumentos de transformação são o corpo e a palavra. [...] Para aplicar seu método, proposto na interface entre saúde e comunicação a autora escolheu um grupo de profissionais da área, […] incluindo psicólogos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais e farmacêuticos. Ao selecionar esse grupo de cuidadores, sua intenção foi ‘cuidar de quem cuida’, mas acredito que o modelo criado por ela pode ser aplicado a inúmeros outros contextos educacionais e profissões.” -Trecho do prefácio de André Trindade, psicólogo e psicomotricista.


Sobre a autora
Liliane Oraggio
é terapeuta do campo corporalista e jornalista, formada em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com longa carreira na imprensa escrita. Mestre em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), campus Baixada Santista, ministra as “Oficinas Corpo, Escuta e Escrita” para profissionais de saúde, desde 2018, enfatizando os aspectos da comunicação no fazer clínico individual e de grupos. 

Escreveu "Ouço Vozes - Escuta, Registro de Diálogos e Epifanias no Acompanhamento Terapêutico" (Oraggio Editorial/Colmeia, 2017) e coordenou os e-books "Ins Tan Tan E Os" (Oraggio Editorial/Gonf Studio, 2018) e "Com a Roupa do Corpo" (Oraggio Editorial/Memoralia, 2021), feitos com textos produzidos nas oficinas. Além de produzir diversos artigos acadêmicos, escreveu e ilustrou "Bordas da Seda" (Quelônio, 2023), sobre o corpo das mulheres que costuram e bordam. Garanta o seu exemplar de "Corpo, Escuta e Escrita - Pistas para Ativar Múltiplas Linguagens em Saúde", escrito por Liliane Oraggio, neste link.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

.: "Morte e Vida Severina", de João Cabral de Melo Neto, ganha adaptação em HQ


Atual e necessário, o auto de Natal "Morte e Vida Severina", de João Cabral de Melo Neto, ganha adaptação em quadrinhos pela Companhia das Letras. Para o poeta Armando Freitas Filho, “violência e ternura nunca foram tão bem trançadas como neste poema”. Esta combinação ganha agora forma e cor no traço de Odyr. Ilustrada, a jornada de Severino transcende e ressignifica este que é um dos grandes clássicos de nossa literatura.

Esta adaptação da obra mais famosa de João Cabral de Melo Neto descortina dramas cruciais da humanidade - de ontem e de hoje. De modo realista, texto e imagens se combinam para recriar a universalidade da árdua caminhada de tantos e tantos severinos.

Desde a primeira publicação, em 1956, a obra ganhou mais de 100 edições, sem contar as inúmeras adaptações para a televisão, o cinema, o teatro, entre outros. Extremamente popular, a obra-prima de João Cabral de Melo Neto alia a força de sua poesia ao engajamento social, explorando com surpreendente harmonia a tensão entre o erudito e popular. Compre a HQ "Morte e Vida Severina", adaptação da obra de João Cabral de Melo Neto com traços de Odyr, neste link.


Sobre o autor
João Cabral de Melo Neto nasceu em 1920, em Recife. Mudou-se para o Rio de Janeiro com a família em 1940, e dois anos depois lançou seu primeiro livro, "Pedra do Sono". Em 1945, entrou para o Itamaraty, iniciando a carreira diplomática que o levaria ao cargo de embaixador. Recebeu prêmios da envergadura do Camões, o Rainha Sofia e o Neustadt International. Faleceu em 1999, deixando uma obra de força descomunal. Garanta o seu exemplar da HQ "Morte e Vida Severina", adaptação da obra de de João Cabral de Melo Neto com traços de Odyr, neste link.

.: "Cabelo Doido", de Neil Gaiman e Dave McKean, mostra um mundo secreto


Neil Gaiman
 é um dos escritores mais originais do nosso tempo. Vencedor de inúmeros prêmios, como a Newbery Medal, o Hugo e o Nebula, o britânico é dono de uma narrativa única e repleta de nuances que conquistou uma imensa legião de fãs de todas as idades. A Intrínseca lança "Cabelo Doido", voltado para o público infantil, que estava indisponível nas livrarias. A tradução é de Cristiane Pacanowski.

Criado pela mente única de Gaiman, "Cabelo Doido" conta com ilustrações exuberantes e coloridas do consagrado Dave McKean - colaborador de longa data de Gaiman - para dar vida a um mundo secreto que toda criança adoraria visitar. Nesta obra memorável, os autores contam a história de Bonnie, uma menina curiosa que descobre um mundo fantástico ao se deparar com um homem com uma cabeleira sem igual. 

Destemida, Bonnie pega seu pente e decide ajeitar a cabeleira do novo amigo. Porém, um cabelo exuberante e cheio de vida não gosta nadinha de ser domado, e a menina acaba sendo puxada para o interior das mechas. Neste novo mundo, ela encontra caçadores perdidos, navios piratas, um parque de diversões e passa a viver grandes aventuras. Compre o livro "Cabelo Doido", escrito por Neil Gaiman e ilustrado por Dave McKean, neste link.


Sobre o autor
Neil Gaiman
 tem mais de 20 livros publicados para leitores de todas as idades. É autor do inesquecível "Coraline", ilustrado por Chris Riddell e adaptado para o cinema. Começou a carreira como jornalista, mas logo seu talento para construir tramas e universos únicos foi levado para o mundo dos quadrinhos, com a aclamada série "Sandman", e, depois, para a ficção adulta e a infantojuvenil. Pela Intrínseca, publicou também "João & Maria", "Kanela", "A Verdade É Uma Caverna nas Montanhas Negras", "O Oceano no Fim do Caminho", "Mitologia Nórdica", "Deuses Americanos", "Lugar Nenhum", "Os Filhos de Anansi", "Coisas Frágeis", "Alerta de Risco", "Biblioteca Gaiman", entre muitos outros. Neil Gaiman/Foto: Beowulf Sheehan. 


Sobre o ilustrador
Dave McKean 
é designer, ilustrador, fotógrafo, músico e diretor de cinema. Já produziu artes para centenas de livros, capa de álbuns e quadrinhos - inclusive a ilustre HQ "Asilo Arkham" - e trabalhou em projetos com John CaleStephen King e os Rolling Stones. É colaborador de longa data de Neil Gaiman, tendo ilustrado também as famosas capas da série "Sandman". Atualmente, mora na Inglaterra com a esposa. Garanta o seu exemplar de "Cabelo Doido", escrito por Neil Gaiman e ilustrado por Dave McKean, neste link.

domingo, 4 de fevereiro de 2024

.: "O Gaucho Insofrível", último livro de Roberto Bolaño, é uma obra-prima


Reunindo cinco ficções e duas conferências, "O Gaucho Insofrível", último livro que Roberto Bolaño deixou para ser publicado, é uma coleção de obras-primas. Na véspera da internação que antecedeu a morte dele, em julho de 2003, o escritor vagou de sua casa, no povoado de Blanes, até Barcelona, onde ficava sua editora, com um disquete na mochila estampada. Nele estava o último livro que trazia os últimos contos escritos pelo autor chileno. Com capa de Raul Loureiro, o livro conta com tradução de Joca Reiners Terron.

O desejo do escritor era entregá-lo à editora para que o livro fosse publicado em seguida, garantindo-lhe alguma segurança financeira durante o período que se sucederia ao transplante de fígado, algo que necessitava fazer com extrema urgência. Na madrugada daquele mesmo dia, no entanto, Bolaño foi internado com severa hemorragia. Duas semanas depois, aos 50 anos, o maior nome da literatura latino-americana do século XXI estava morto.

De fato, a morte é onipresente em "O Gaucho Insofrível". Desde “Jim”, cujo protagonista, um gringo perdido no México, parece um defunto em vida, aos cruéis assassinatos investigados por Pepe, o Tira, em “O Policial dos Ratos”. Em “Dois Contos Católicos”, o peso da religiosidade é condensado no encontro entre um adolescente e um assassino em série. 

Nas duas conferências que encerram o volume, o chileno acerta contas com o destino pós-diagnose e com a mediocridade do público e dos autores de seu tempo. Em “A viagem de Álvaro Rousselot”, um escritor argentino à procura de si mesmo em Paris ouve de um clochard de rua que “a única certeza é a morte”. Exceção seja feita, é claro, ao imortal Roberto Bolaño. Compre o livro "O Gaucho Insofrível", de Roberto Bolaño, neste link. 


O que disseram sobre o livro

“Um verdadeiro testamento criativo e estético.” ― La Vanguardia

“Extraordinariamente belo, inteiramente novo.” ― The New York Times Book Review


Sobre o autor
Roberto Bolaño
nasceu em 1953, em Santiago do Chile, e é considerado um dos grandes nomes da literatura mundial. Passou a adolescência no México e voltou ao seu país pouco antes do golpe que depôs Salvador Allende. Em 1977, instalou-se na Espanha, onde começou sua carreira literária. Do autor, a Companhia das Letras publicou "Os Detetives Selvagens", "2666", "Estrela Distante", "A Literatura Nazista na América", entre outros. Morreu de insuficiência hepática, na cidade de Barcelona, em 2003. Garanta o seu exemplar de "O Gaucho Insofrível", escrito por Roberto Bolaño, neste link.

.: "O Alfabeto Perigoso" é Neil Gaiman e Gris Grimly em 26 rimas alfabéticas


Neil Gaiman
 é um dos escritores mais originais do nosso tempo. Vencedor de inúmeros prêmios, como a Newbery Medal, o Hugo e o Nebula, o britânico é dono de uma narrativa única e repleta de nuances que conquistou uma imensa legião de fãs de todas as idades. A Intrínseca lança "O Alfabeto Perigoso", voltado para o público infantil, que estava indisponível nas livrarias. A tradução é de Bruna Beber.

"O Alfabeto Perigoso" é ilustrado de maneira primorosa por Gris Grimly, cujas artes assombrosas, divertidas e cheias de detalhes complementam os versos que correspondem a cada letra. Com um mapa do tesouro em mãos, duas crianças corajosas decidem fugir de casa em busca de aventura e navegam dentro dos túneis subterrâneos da cidade. 

Lá, elas enfrentam os perigos escondidos em 26 rimas alfabéticas para encontrar o tesouro. A atenção deve ser redobrada, porque esse alfabeto contém um defeito perigoso que apenas leitores com olhos de águia conseguirão detectar. Compre o livro "O Alfabeto Perigoso", escrito por Neil Gaiman e ilustrado por Gris Grimly, neste link.


Sobre o autor
Neil Gaiman
tem mais de 20 livros publicados para leitores de todas as idades. É autor do inesquecível "Coraline", ilustrado por Chris Riddell e adaptado para o cinema. Começou a carreira como jornalista, mas logo seu talento para construir tramas e universos únicos foi levado para o mundo dos quadrinhos, com a aclamada série "Sandman", e, depois, para a ficção adulta e a infantojuvenil. Pela Intrínseca, publicou também "João & Maria", "Kanela", "A Verdade É Uma Caverna nas Montanhas Negras", "O Oceano no Fim do Caminho", "Mitologia Nórdica", "Deuses Americanos", "Lugar Nenhum", "Os Filhos de Anansi", "Coisas Frágeis", "Alerta de Risco", "Biblioteca Gaiman", entre muitos outros. Neil Gaiman/Foto: Beowulf Sheehan. 



Sobre o ilustrador
Gris Grimly é um premiado ilustrador cujo estilo sombrio capturou a atenção de milhares de fãs e clientes como Random House, DreamWorks e Disney. Em seus mais de 20 anos de carreira, já ilustrou uma série de clássicos infantis, inclusive "Pinóquio", que inspirou o design dos personagens da animação stop-motion da Netflix, dirigida por Guillermo del Toro. Gris brincava nos túneis subterrâneos de sua pequena cidade natal quando era criança, e atualmente mora em Nebraska com a família. Garanta o seu exemplar de "O Alfabeto Perigoso", escrito por Neil Gaiman e ilustrado por Gris Grimly, neste link.

sábado, 3 de fevereiro de 2024

.: Selton Mello revela em livro: "Amo memes. Afasta a tristeza de mim"


Apesar de não compartilhar muito da vida pessoal nas redes sociais, Selton Mello costuma postar diversos memes, que geralmente acumulam comentários e curtidas de fãs, amigos e seguidores. Na autobiografia "Eu Me Lembro", ele revela ao ator Lázaro Ramos os motivos de oferecer um lado mais leve na internet: "Amo memes, amo essas bobagens. Afasta a tristeza de mim. Aliás, só tô nas redes sociais por causa dos memes. Funciona assim: se aquilo me divertiu, então deixa eu divertir os outros", ressaltou Selton.

"Todo mundo merece estar bem. A gente vive num mundo tão duro que acho que isso também é quase uma missão. Deixa eu espalhar um pouco de afeto, de coisa boa. Porque de desgraça, de coisa ruim, o mundo já está cheio. E, fazendo isso, parece que eu também tô jogando ao mar uma garrafa cheia de coisa legal... e isso volta", completou. Garanta o seu exemplar de "Eu Me Lembro", escrito por Selton Mello, neste link.

40 anos de carreira com livro apaixonante
Selton Mello celebra quatro décadas de carreira com o lançamento da biografia "Eu Me Lembro" cercado por memórias da família, dos amigos e da sua arte. A trajetória é narrada em primeira pessoa, em resposta a uma série de perguntas feitas por um time de 40 estrelas da TV, teatro, cinema e literatura, como Fernanda Montenegro, Lázaro Ramos, Zuenir Ventura, Marjorie Estiano, Jeferson Tenório e Fábio Assunção. Lançamento da Jambô Editora, o livro conta com três cadernos de fotografias, que retratam momentos distintos da vida do ator e somam mais de 70 fotos - um bônus à experiência de leitura.

Ao longo dos capítulos, Selton descortina os principais personagens que interpretou, dublou e dirigiu, revela bastidores de gravações, as técnicas usadas para compor seus trabalhos e detalha experiências inesquecíveis, como dirigir o ator Paulo José já debilitado pelo Parkinson no antológico filme "O Palhaço". As perguntas dos convidados abrem caminho para a intimidade que ele não costuma compartilhar publicamente.

Exemplo disso são as passagens sobre a relação do ator com a mãe, Selva, acometida pelo Alzheimer, e a comunicação mais espiritual mantida pelos dois desde o agravamento da doença. Esse vínculo funciona como a premissa do livro, pois lembrar, hoje, é essencial para manter as memórias da infância no interior de Minas Gerais, ou nos corredores da TV dos anos 1980. "Eu perdi a minha referência mais importante. Desde então, o meu exercício foi continuar fazendo pra ela, mesmo sabendo que ela não vai ver. Ela está aqui e não está. Então agora a minha mãe está dentro de mim".

Com um texto sensível e poético, Selton Mello dá voz aos desafios encarados ainda no começo da carreira, quando enfrentou o ostracismo após um sucesso meteórico e duvidou do próprio talento. Fala, também, sobre como cada um dos entrevistadores para o livro marcou sua trajetória. A biografia diverte, ensina e comove. Um mergulho profundo na alma de um dos maiores atores brasileiros de todos os tempos.

Os questionamentos de grandes personalidades brasileiras ajudam a abrir a caixa de memórias. De perguntas como “O que te inspira na vida?” - Camila Pitanga, “Por que nunca se casou?” - Pedro Bial, “Com que tipo de ator você gosta de contracenar?” - Wagner Moura, “Atuar, dirigir e escrever. Você tinha esse sonho desde pequeno? - Larissa Manoela, e “Qual foi a maior dificuldade que você enfrentou na carreira até hoje?” - Zezé Motta, nascem respostas emocionantes, engraçadas e surpreendentes. Em depoimentos tocantes, Matheus Nachtergaele e Fernanda Torres falam da conexão com Selton.

Para além de declarar seu amor à vida e à arte, ele se inspira em um grande sucesso ao dar o tom à narrativa. Em "Sessão de Terapia", série que dirige e atua, onde dúvidas e angústias são compartilhadas, o expectador se identifica com a busca por respostas. No livro, o autor analisa, com humor refinado e muita ternura, as etapas da carreira e os percalços de forma lúcida e terapêutica, abordando questões delicadas, como transtorno de imagem e depressão. Ele deixa o leitor à vontade para buscar nas entrelinhas um pouco mais sobre sua essência.

"Eu Me Lembro" se resume em uma conversa engraçada, tocante e muito humana sobre a trajetória do criador de personagens icônicos como o Chicó, de "O Auto da Compadecida", Leléu, de "Lisbela e o Prisioneiro", João Estrela, de "Meu Nome Não É Johnny" e Benjamin, de "O Palhaço", entre tantos outros seres encantadores que foram tocados por seu talento. Com este livro-memória, Selton Mello compartilha vivências, sonhos e sentimentos, imortalizando um legado impressionante na televisão, no cinema, no teatro e na vida. Compre o livro "Eu Me Lembro", de Selton Mello, neste link.


Citações da obra

“É preciso ter uma espécie de sabedoria pro fracasso e pro sucesso.”

“Porque sempre gostei de desafiar a rotina dos meus sentidos. Porque vivo grávido de ideias. Porque a arte salva.”

“Meus sentidos e meu intelecto devem ser preservados. Luto internamente para não sofrer uma atrofia da minha natureza. Trabalho diariamente para não colaborar com a debilitação da minha imaginação.”

"A realidade não basta, eu preciso de mais elementos pra sobreviver, componentes mais mágicos. Assim tenho caminhado: vivendo do trabalho e sobrevivendo dos sonhos."

“Sou um sonhador vocacional, inadequado nato e tentando fazer parte, meio provisório, meio definitivo, meio errado, meio acertando, meio bossa nova e rock n’ roll. Não sou especialista em nada, nem de mim mesmo. Sou de exatas e de humanas. E de boas.”


Entrevistadores
Fernanda Montenegro, Matheus Nachtergaele, Paulo José, Marjorie Estiano, Rodrigo Santoro, Alice Wegmann, Lázaro Ramos, Moacyr Franco, Oberdan Júnior, Leticia Sabatella, Fábio Assunção, Zezé Motta, Jeferson Tenório, Johnny Massaro, Pedro Paulo Rangel, Larissa Manoela, Lívia Silva, Wagner Moura, Guel Arraes, Patricia Pillar, Pedro Bial, Simone Spoladore, Raí, Nathalia Timberg, Leticia Colin, Rolando Boldrin, Aracy Balabanian, Christian Malheiros, Jackson Antunes, Fernanda Torres, Luana Xavier, Débora Falabella, Tonico Pereira, Ana Paula Maia, Camila Pitanga, Zuenir Ventura, Emilio Orciollo Netto, Arthur Dapieve, Dira Paes e Danton Mello.

.: "Longe do Ninho": livro-reportagem de Daniela Arbex é lançado nesta segunda


Cinco anos após o incêndio no Ninho do Urubu que vitimou dez garotos e continua sem responsabilização, a premiada jornalista Daniela Arbex lança livro-reportagem  "Longe do Ninho: uma Investigação do Incêndio que Deu Fim ao Sonho de Dez Jovens Promessas do Flamengo de se Tornarem Ídolos no Seu País do Futebol", com informações inéditas sobre o que ocorreu naquela madrugada de 2019. O mesmo ano que entraria para a história do Flamengo como um dos mais gloriosos - o time principal foi campeão do Campeonato Carioca, do Brasileirão e da Taça Libertadores da América - foi também o mais triste de todos. 

Em 8 de fevereiro, uma tragédia sem precedentes no Ninho do Urubu, o centro de treinamento do clube, fez toda a nação amanhecer de luto. Vinte e quatro atletas da base que se reapresentaram ao clube após o fim das férias foram surpreendidos por um grande incêndio enquanto dormiam. As chamas, iniciadas pouco depois das cinco horas da manhã, alcançaram todos os quartos em menos de dois minutos. Os garotos, que se viram encurralados pelo fogo, lutaram até as últimas forças por suas vidas. O incêndio vitimou dez meninos entre 14 e 16 anos e colocou fim ao sonho de se tornarem ídolos no país do futebol.

Daniela Arbex, premiada jornalista investigativa, se lançou em uma extensa apuração para reconstituir o que de fato aconteceu naquela madrugada. Ao reunir laudos técnicos, trocas de mensagens e e-mails, dados e relatos até então não divulgados, além de entrevistas feitas com todas as famílias dos dez jovens, sobreviventes, profissionais da perícia criminal e do IML, Arbex conseguiu montar um quadro completo e elucidativo da trajetória dos atletas, do caminho das chamas - que atingiram temperatura superior a 600 graus Celsius - e das consequências na vida de pessoas que se viram envolvidas em uma tragédia anunciada. Com estrutura inadequada - apenas uma porta de saída - e materiais que não demonstraram ter propriedades antichama, o contêiner-dormitório do Flamengo transformou-se em armadilha fatal.

"Longe do Ninho", que chega às livrarias pela Intrínseca em fevereiro, é um relato extremamente forte, humano e sensível sobre a morte de meninos que estavam muito distante de casa e da proteção de seus pais. A obra reverencia a memória dos que se foram e o esforço dos atletas que sobreviveram. Apesar do trauma e do sofrimento que enfrentaram, eles encontraram no valor da amizade a coragem de que precisavam para seguir rolando a bola por si e pelos irmãos de ideal, aos quais passaram a chamar de “Nossos 10”.

Com informações exclusivas, este livro-reportagem, com prefácio do jornalista Tino Marcos, é peça fundamental para a compreensão do caso. Mais do que isso: é uma voz potente contra o esquecimento que nega a história. “Um dia minha mãe me perguntou por que trato de temas tão dolorosos em meus livros. Respondi que, na verdade, não escolho escrever sobre tragédias, mas sobre as omissões que causam tragédias, para que elas não se repitam. Afinal, se uma história não é contada, é como se ela não tivesse existido”, conclui Daniela Arbex. Compre o livro "Longe do Ninho", de Daniela Arbex, neste link.


Sobre a autora
Nascida em Minas Gerais, Daniela Arbex é autora premiada de seis livros, todos publicados pela Intrínseca. Sua obra de estreia, "Holocausto Brasileiro" (2013), foi reconhecida como Melhor Livro-Reportagem de 2013 pela Associação Paulista de Críticos de Arte e ficou em segundo lugar no Prêmio Jabuti de 2014. Além disso, foi adaptada para documentário pela HBO. "Cova 312" (2015), seu segundo livro, venceu o Jabuti de Melhor Livro-Reportagem em 2016 e "Todo Dia a Mesma Noite" (2018) ganhou adaptação pela Netflix em 2023. 

"Os Dois Mundos de Isabel" (2020) foi lançado no mesmo ano em que a autora recebeu o prêmio de Melhor Repórter Investigativa do Brasil pelo Troféu Mulher Imprensa. "Arrastados" (2022) foi agraciado com o Prêmio Vladimir Herzog 2023. Daniela Arbex conquistou ainda outros 20 prêmios nacionais e internacionais, entre eles três prêmios Esso e o americano Knight International Journalism Award. Foi repórter especial do jornal Tribuna de Minas por 23 anos e atualmente dedica-se à literatura. Foto: Leo Aversa. Garanta o seu exemplar de "Longe do Ninho", escrito por Daniela Arbex, neste link.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

.: Um ano sem Glória Maria: Editora Mostarda lança biografia infantojuvenil


No dia 2 de fevereiro, completará um ano da morte da jornalista Glória Maria. Visando manter a sua memória viva, a editora Mostarda lançará a biografia infantojuvenil da repórter na segunda quinzena de fevereiro. Sem dúvida, toda família brasileira já se reuniu em torno do sofá para assistir as incríveis reportagens realizadas pela saudosa e supertalentosa Glória Maria.

Mulher negra, nascida e criada no universo contagiante do samba do Rio de Janeiro e que se tornou uma das mais importantes jornalistas do Brasil. Durante anos ela esteve presente no cotidiano de milhares de pessoas que, um ano após sua morte, dia 2 de fevereiro, sentem a falta do seu sorriso iluminando as telas da TV.

Com o intuito de manter a sua memória viva, a editora Mostarda convidou o jornalista Duílio Fabbri Júnior e a ilustradora Manoela Costa para a publicação da biografia infantojuvenil de Glória Maria, que será lançada na segunda quinzena de fevereiro. Com linguagem direta e ilustrações encantadoras, a obra apresenta em detalhes o período de sua transição de telefonista para repórter e alguns episódios importantes de sua carreira. Além disso, o livro retrata a vida pessoal da jornalista e sua luta contra o racismo.

“Glória Maria - Glória Maria Matta da Silva” é o mais novo lançamento da coleção Black Power: são 30 biografias de personalidades negras que são exemplo para as novas e atuais gerações. A ideia principal é disseminar as inúmeras possibilidades de representatividade negra desde a infância. Compre a biografia infantojuvenil “Glória Maria - Glória Maria Matta da Silva” neste link.

.: Ana Salvagni lança terceiro livro de poemas com reflexões do cotidiano


Com publicação pela editora Laranja Original,  "Oratório" é o terceiro livro de poemas da multifacetada artista Ana Salvagni que, além de escritora, possui graduação em Regência pela Unicamp, dedicando-se principalmente à música popular brasileira. Além disso, possui quatro álbuns gravados, sendo o terceiro, “Alma Cabocla”, vencedor da 21ª edição do Prêmio da Música Brasileira. Salvagni é natural de Taquaritinga, mas encontra-se há mais de três décadas radicada em Campinas, no interior de São Paulo.

Trazendo à tona uma coleção única de reflexões sobre o cotidiano, a condição feminina, a sensualidade e  a espiritualidade, "Oratório" traz consigo referências e leituras ao longo de dez anos, incluindo autores como Hilda Hilst, Fernando Pessoa, Manoel de Barros, Paulo Leminski e José Paulo Paes, que Salvagni considera como algumas de suas principais influências. 

Para Aercio Flavio Consolin, que assina o prefácio, a divindade a que se dirigem as súplicas  nos poemas de Salvagni tem um caráter panteísta, bucólico e sincrético. “Outra espécie de religião emana dos poemas: é o ligar fortemente o indivíduo à percepção de si, dos anseios da alma buscando localizá-los nas amplidões da Natureza ou no corpo humanamente frágil e assediado por aflições e necessidades que estimulam reações. Os versos revelam maturidade literária no tom da admiração pelas paisagens mínimas que o olho atento e sensível emoldura”, escreve. Compre o livro de poemas "Oratório", de Ana Salvagni, neste link.


“Oratório”: um livro criado em três movimentos 
Segundo a autora, o processo criativo de “Oratório” foi intenso, embora tenha ocorrido em períodos distantes entre si. Alguns poemas, como "Cordão", "Voraz", e "Alerta", são de uma época que a escritora chama de "seca", ou seja, um tempo em que quase não escrevia e por isso produziu muito pouco, mas que, por outro lado, a conexão nascida com aqueles poucos textos foi a semente para o livro que lança agora. Um segundo grupo de poemas foi produzido mais recentemente e é o que engloba, entre outros, as "Preces", poemas em forma de oração, ou, talvez, orações em formato poético. "Estes são dez textos, todos nascidos nos últimos três anos aproximadamente, o que coincide com o isolamento pela pandemia da Covid-19", afirma. Por fim, os poemas mais novos, como, por exemplo, "Partilha" e "Tocata", surgem no fluxo maior de criação e já a partir da possibilidade de publicação da obra.
 
A composição do livro foi, para a autora, resultado de uma extensa busca pela expressão de sensações e sentimentos, não necessariamente com a intenção de construir uma obra coesa, mas, a princípio, por necessidade e gosto em se exercitar na escrita poética. Ao tratar de temas que atravessam os desejos e os prazeres nas coisas mais simples, e, pela primeira vez, adentrando o campo da espiritualidade, Salvagni reconhece que os poemas têm forte ligação com situações eventuais de sua vida. “Embora não seja uma regra, às vezes uma poesia parece nascer ‘do nada’... de toda forma, sendo ou não, possível, identificar uma situação pessoal em um poema, é muito bom quando os leitores se reconhecem e se apropriam deles, de forma muito particular”, pondera.


Ana Salvagni é reconhecida não apenas pelas contribuições à literatura, mas também pelo papel fundamental no cenário musical. Foto: Isabela Senatore

Cantora, regente e escritora: conheça as muitas faces de Ana Salvagni
Nascida em Taquaritinga, São Paulo, em 1969, Ana é mais conhecida enquanto cantora e regente. Há mais de três décadas radicada em Campinas/SP, desde 1988, ela é reconhecida não apenas por suas contribuições à literatura, mas também por seu papel fundamental no cenário musical. É regente de corais e integrante do grupo Flor da Pele, além de compartilhar sua paixão pelo canto, também através do ensino. Seu trabalho musical inclui a gravação de quatro álbuns: "Ana Salvagni" (1999), "Avarandado" (2005), "Alma Cabocla" (2009) e, em parceria com o violonista Eduardo Lobo, "Canção do Amor Distante" (2016). O álbum "Alma Cabocla" recebeu o 21º Prêmio da Música Brasileira (2010) na categoria "Melhor Álbum", solidificando a posição de Ana Salvagni como uma artista de destaque.

Além de sua carreira musical, Salvagni também sempre gostou de escrever - algo que começou a experimentar ainda na infância. "Sempre tive predileção, na escola, pelas matérias de Língua Portuguesa, Literatura e Redação. Posso me lembrar de um pequeno texto escrito por volta dos 13 anos, algo que, pela primeira vez, reconheci como poesia", conta. Mas foi só na idade adulta, entre os 18 e os 25 anos, que a literatura a atravessou com força. Nessa época, ela conta que viveu um período onde tanto a leitura quanto a escrita se tornaram mais intensas. Entretanto, o primeiro livro, "Janela sem Tranca" só veio mais tarde, aos 36 anos, "depois de muitas dúvidas, reflexões e trocas de experiências com outros autores", conta.

Ao mesmo tempo, a escritora acumula um currículo respeitável no mundo das palavras. Salvagni foi cronista do jornal Correio Popular, de Campinas. Seu primeiro livro, "Janela sem Tranca" (2006), foi prefaciado por Chico César, e, o segundo, "Fotos do Espelho" (2013), conta com apresentação de Carlos Vogt.

“Tenho trabalhado em uma série de haicais e este deverá ser o meu próximo livro, mesmo que eu ainda precise de mais um ou dois anos, para aumentar a produção e amadurecer a escrita. Além deste, em algum momento, deverei retomar o projeto de um livro de crônicas”, conta a autora, sobre projetos futuros no campo literário. Garanta o seu exemplar de "Oratório", escrito por Ana Salvagni, neste link.


O que disseram sobre o livro
"Ana vai filigranando imagens de quem maneja e doma o discurso. Inventa aliterações, justaposições, comparações, metáforas e metonímias, recursos que resultam em fraseados inusitados e belas expressões com ritmo e fluência”Aercio Flavio Consolin, no prefácio.


Confira um o poema "Prece IX", de "Oratório" :

mãe, senhora 
leva-me ao teu caloroso colo
lava-me com teus cheiros 
amacia-me com tuas ervas 
enfeita-me com as miúdas flores 
acalenta-me até que alvoreça em mim o sentido
e o impulso
senhora mãe dos abertos e seguros caminhos
dá-me a hora feliz de poder soltar-te a mão
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