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segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

.: Cinema: "Nosferatu" e a obsessão, o sexo e sedução no clássico moderno


Por 
Helder Moraes Miranda, editor do portal Resenhando.com. 

Em cartaz na rede Cineflix e em cinemas de todo o Brasil, a nova adaptação de "Nosferatu" não é apenas uma homenagem ao clássico de Friedrich Wilhelm Murnau (F.W. Murnau), mas uma expansão da narrativa original, explorando dimensões psicológicas, sociais e sexuais que ecoam com o público moderno. Com um elenco estrelado que inclui Bill Skarsgård, Lily-Rose Depp, Nicholas Hoult e Willem Dafoe, o filme surgiu para ser um marco no gênero, trazendo camadas de complexidade e nuances emocionais às relações entre os personagens. Esta é a quarta produção inspirada no controverso vampiro, dirigida por Robert Eggers, conhecido pelos trabalhos no terror independente, como "A Bruxa" (2015) e "O Farol" (2019).

Filmado em locações deslumbrantes em Praga e com um orçamento de US$ 50 milhões, o filme combina terror e beleza em uma experiência cinematográfica inesquecível. A trama revisita a obsessão do vampiro (Bill Skarsgård) pela jovem Ellen (Lily-Rose Depp), mergulhando o público em um mundo onde desejo, culpa e amor se chocam de maneira arrebatadora. Com uma estética que remete ao preto e branco e uma atmosfera que evoca o terror gótico clássico, Eggers entrega uma obra que é tanto um tributo ao passado quanto uma reinvenção provocativa para o presente.

Essa nova versão já conquistou elogios da crítica nos Estados Unidos antes de sua estreia no Brasil, sendo descrita como uma obra sensual, visceral e profundamente perturbadora. É uma experiência que transcende o horror e se torna uma reflexão sobre os aspectos mais sombrios da condição humana. Com atuações memoráveis, uma estética arrebatadora e temas provocativos, esta versão de "Nosferatu" é mais do que um remake – é uma reinterpretação profunda que mantém o legado do clássico vivo, ao mesmo tempo em que o atualiza para o século XXI. Listamos os dez motivos para assistir no cinema "Nosferatu", seja você um fã de longa data do vampiro ou alguém em busca de uma experiência cinematográfica imersiva e provocativa, essa adaptação promete impressionar. 

1. Um filme sobre sexo, desejo e repressão
A adaptação dirigida por Robert Eggers vai além de ser apenas uma história de terror gótico. É uma exploração visceral do desejo reprimido e da luta interna entre a moralidade e os instintos primitivos. A tensão sexual permeia cada cena, principalmente na relação entre Ellen (Lily-Rose Depp) e o vampiro Orlok (Bill Skarsgård), que simboliza o desejo proibido. A trama apresenta o sexo como algo simultaneamente sedutor e assustador, reforçando a repressão como tema central.

2. Uma metáfora poderosa sobre sexo e culpa
A relação entre Ellen e Nosferatu vai além da tensão física; é uma metáfora sobre a repressão feminina e a internalização da culpa pelo prazer. A negação de Ellen aos avanços do vampiro não é apenas resistência ao mal, mas também uma luta interna contra os próprios desejos. O filme questiona normas sociais e culturais que associam o prazer feminino ao pecado, criando um paralelo com debates contemporâneos sobre liberdade sexual.

3. Bill Skarsgård: o vampiro como símbolo de sedução e ameaça
Em uma escolha completamente arriscada, que poderia tornar ridículo a transformação de um personagem que no imaginário popular é um ser repulsivo em um ser próximo do sedutor, Bill Skarsgård reinventa o Conde Orlok de maneira marcante, afastando-se do grotesco vampiro original para encarnar uma figura que mistura sensualidade e mistério. Ele não é apenas um predador sanguinário, mas também uma personificação do desejo, com sua presença magnetizante carregada de tensão sexual. Essa abordagem faz de "Nosferatu" um personagem complexo, que provoca fascínio e repulsa ao mesmo tempo, ampliando a dimensão simbólica do vampiro como uma ameaça irresistível. A intenção inicial do primeiro filme, em 1922, era adaptar o romance "Drácula" (1897), de Bram Stoker. No entanto, como não conseguiram os direitos da obra com a família do autor, criaram sua própria versão da história, resultando no lançamento de "Nosferatu", que chegou a ser proibido.

4. Lily-Rose Depp: uma protagonista profunda
Lily-Rose Depp entrega uma atuação impressionante como Ellen, uma mulher assombrada não apenas por Nosferatu, mas por seus próprios desejos e traumas. Sua personagem é uma representação de fragilidade e força, que luta contra as expectativas sociais e a repressão feminina. Ellen é mais do que uma vítima; ela é uma mulher que busca sua liberdade emocional, mesmo que isso a coloque em um confronto direto com os fantasmas do passado.

5. A tensão entre amor, prazer e culpa
A narrativa explora a complexa relação entre Ellen (Lily-Rose Depp), Hutter (Nicholas Hoult) e Nosferatu (Bill Skarsgård), criando um triângulo emocional que reflete o confronto entre amor e desejo. Casada e apaixonada por Hutter, Ellen encontra-se irresistivelmente atraída pelo vampiro, que representa uma força incontrolável de sedução. Essa dualidade é intensificada pelo simbolismo do sangue como metáfora para prazer e culpa, colocando a sexualidade feminina no centro da história.

6. Estética gótica, expressionista e contemporânea
A fotografia e o design visual de "Nosferatu" são um espetáculo à parte. Inspirada pelo expressionismo alemão do filme original de 1922, esta adaptação traz cenários sombrios e composições que remetem ao preto e branco, mas com um toque moderno. A atmosfera lembra obras como "O Conto da Aia", de Margaret Atwood, ao retratar mulheres silenciadas e subjugadas, enquanto explora temas universais de opressão e resistência.

7. Paralelos com clássicos da cultura pop
A história de "Nosferatu" ressoa com grandes narrativas do cinema como a animação "A Bela e a Fera", o musical "O Fantasma da Ópera" e o clássico "King Kong". Em comum entre todos, a interação entre a bela e o monstro que explora temas de desejo, medo e redenção. Sonhos eróticos e encontros surreais entre Ellen e Orlok adicionam uma camada psíquica à trama, reforçando o papel do inconsciente como campo de batalha para os conflitos humanos mais profundos.

8. Nicholas Hoult: um contraponto de sensibilidade
Nicholas Hoult interpreta Hutter com um equilíbrio delicado entre vulnerabilidade e determinação. Sua atuação cria um contraponto ao magnetismo sombrio de Nosferatu, representando o lado humano e moral da narrativa. Conhecido por trazer nuances emocionais a personagens incomuns, Hoult oferece ao público uma visão mais intimista do impacto do vampiro na vida de Ellen e nas relações ao seu redor. Ele já foi um monstro afetivo na comédia romântica "Meu Namorado É Um Zumbi" e assistente de um Drácula abusivo na comédia sangrenta  "Renfield".

9. Detalhes sonoros que intensificam a experiência
Robert Eggers utiliza o som de maneira magistral, empregando ruídos sutis, como respirações que simulam orgasmos, para transmitir tensão, desejo e medo. Esses detalhes criam uma experiência sensorial única, onde a trilha sonora e os efeitos sonoros tornam-se parte da narrativa, amplificando a imersão do espectador e intensificando as emoções provocadas pela história.

10. Uma obra simultaneamente sensual e repulsiva
A nova adaptação de "Nosferatu" não é apenas um filme de terror; é uma experiência sensorial que mistura beleza e monstruosidade. As cenas carregadas de erotismo são contrabalançadas por momentos de horror visceral, criando uma dicotomia que desafia o público a enfrentar as próprias emoções. É uma obra que fascina, incomoda, e que, gostando ou não, será inesquecível.

Assista na Cineflix
Filmes de sucesso como "Ainda Estou Aqui" estão em cartaz na rede Cineflix Cinemas. Para acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN. O Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.


"Nosferatu" no Cineflix Santos
Duração: 2h13m - Gênero: terror
2/1/2025 - Quinta-feira - Sala 1 - 20h50 
3/1/2025 - Sexta-feira - Sala 1 - 20h50
4/1/2025 - Sábado - Sala 1 - 20h50
5/1/2025 - Domingo - Sala 1 - 20h50
6/1/2025 - Segunda-feira - Sala 1 - 20h50
7/1/2025 - Terça-feira - Sala 1 - 20h50
8/1/2025 - Quarta-feira - Sala 1 - 20h50


Leia +
.: Adaptação de "Nosferatu" estreia mais de um século após polêmica do original

domingo, 5 de janeiro de 2025

.: James Baldwin, fake news e muito mais: o universo da serrote #48


Por 
Helder Moraes Miranda, editor do portal Resenhando.com. 

A revista serrote #48, publicação de ensaios do Instituto Moreira Salles, é um convite a mergulhar em reflexões profundas, narrativas instigantes e perspectivas diversas que dialogam com o passado, o presente e o futuro. Nesta edição, a revista destaca diálogos históricos, textos premiados e contribuições de grandes nomes nacionais e internacionais, compondo um mosaico rico de temas e estilos. Das questões raciais discutidas por James Baldwin e Nikki Giovanni à memória coletiva da ditadura chilena, passando por ensaios visuais e reflexões sobre fake news, serrote #48 reafirma seu compromisso com a excelência editorial e o pensamento crítico.

Esta edição da revista serrote é mais do que uma coleção de textos: é uma janela para debates históricos, culturais e políticos que atravessam fronteiras e gerações. Um convite irrecusável para leitores que buscam ampliar horizontes e mergulhar em uma experiência literária de alta qualidade. A seguir, apresentamos dez razões imperdíveis para ler e guardar esta edição.


1. Diálogo inédito de James Baldwin e Nikki Giovanni em português
Pela primeira vez, o célebre diálogo entre o escritor James Baldwin e a poeta Nikki Giovanni é publicado integralmente em português. Gravado em 1971 no programa "Soul!", o texto captura um encontro histórico entre dois grandes pensadores, discutindo temas como raça, justiça, liberdade e religião. A conversa, marcada por divergências geracionais e polidez, é ilustrada com frames do programa, um deles estampando a capa da edição – a primeira vez que uma fotografia substitui uma arte na história da revista.

2. Textos premiados do concurso de ensaísmo serrote
A revista destaca os ensaios vencedores do Concurso de Ensaísmo, escritos por Tetê, Camila de Caux e Maria Isabela Moraes. Essas autoras abordam questões contemporâneas com profundidade e originalidade. De reflexões sobre deslocamentos sociais e espaciais à narrativa íntima das enchentes de Porto Alegre, os textos oferecem perspectivas inovadoras sobre temas como gênero, identidade, memória e resistência.

3. Reflexão histórica e atual sobre fake news com Carlo Ginzburg
Carlo Ginzburg
, um dos maiores historiadores contemporâneos, contribui com o ensaio "Fake news?", que investiga a disseminação de informações falsas sob uma ótica histórica e filosófica. O texto convida o leitor a refletir sobre como o distanciamento crítico pode revelar as sutilezas e os impactos desse fenômeno nas sociedades modernas.

4. Exploração da cultura digital e autoritarismo com Moira Weigel
Em "O Algoritmo Adorno", a professora e pesquisadora Moira Weigel utiliza as ideias da Escola de Frankfurt para analisar as novas formas de autoritarismo que emergem na era digital. O ensaio é uma ponte entre o pensamento crítico do século XX e os desafios tecnológicos do presente, mostrando como o passado pode iluminar o futuro.

5. Perspectiva íntima e coletiva sobre a ditadura chilena
No ensaio “Santiago, 2023”, Bianca Tavolari une memórias familiares de sofrimento durante a ditadura de Pinochet a reflexões sobre o luto coletivo de uma nação. Ao percorrer ruas e memoriais da capital chilena, a autora constrói um texto comovente que conecta história, memória e justiça, trazendo à tona as cicatrizes deixadas por regimes autoritários.


6. Uma visão fascinante sobre o gim na Inglaterra do século XVIII
O ensaio “Feitiçaria Líquida”, de James Brown, é um mergulho na história cultural do gim na Inglaterra dos séculos XVIII e XIX. O texto revela como a introdução da bebida influenciou a sociedade, gerando fenômenos como delírio coletivo, alegria e tragédia. É uma análise histórica que mescla cultura, economia e comportamento.


7. Uma nova perspectiva sobre Vladimir Nabokov
No ensaio “O Professor Nabokov”, Jorio Dauster oferece uma visão singular sobre o autor de "Lolita". Em vez de explorar sua produção literária, o texto foca no Vladimir Nabokov professor, destacando sua habilidade de transformar aulas em verdadeiras experiências literárias. A peça, acompanhada por uma caricatura de Cássio Loredano, é um tributo ao papel da educação na formação de leitores e escritores.


8. Uma década de reflexão sobre Ferguson e o movimento antinegritude
Allan K. Pereira revisita as revoltas em Ferguson, nos Estados Unidos, desencadeadas pela execução de Michael Brown em 2014. O ensaio “Ferguson, Dez Anos Depois” conecta esses eventos às lutas contra o racismo em escala global, mostrando como a resistência negra continua a inspirar movimentos por justiça e igualdade.


9. Arte visual e poética com Solange Pessoa e outros artistas
A edição inclui um ensaio visual de Solange Pessoa e trabalhos de artistas como Jorge Tacla, Regina Silveira e Damon Davis. Essas obras complementam os textos da revista, criando um diálogo entre artes visuais e literatura. O design gráfico de Daniel Trench dá peso e textura à experiência de leitura, tornando a revista uma obra de arte por si só.

10. Um projeto editorial de excelência e relevância cultural
Com 224 páginas que combinam ensaios, reflexões e artes gráficas, a serrote #48 é um exemplo do compromisso do Instituto Moreira Salles com a cultura e o pensamento crítico. Cada edição da revista oferece uma curadoria cuidadosa, reunindo vozes consagradas e emergentes em um espaço de diálogo, criatividade e inovação.

sábado, 4 de janeiro de 2025

.: De quintais a terreiros: porque ler "Cazuá" é mergulhar no Brasil ancestral


Por Helder Moraes Miranda, editor do portal Resenhando.com. 

"Cazuá: onde o Encanto Faz Morada"
, do escritor e professor Luiz Rufino, vai além das crônicas enquanto gênero literário. É uma obra que celebra a riqueza e diversidade da alma brasileira. Lançado pela editora Paz & Terra, o livro conduz o leitor a um Brasil real, profundo, e que não se limita aos registros históricos ou aos grandes eventos narrados nas salas de aula, mas se revela na dimensão encantada, ancestral e espiritual. Em "Cazuá", a  oralidade, os saberes populares e a devoção ganham protagonismo, costurando pontes que conectam passado, presente e futuro de maneira poética e visceral.

Luiz Rufino, com a escrita cheia de lirismo e sensibilidade, transforma o cotidiano em arte. Ele ensina o leitor a encontrar beleza e a sabedoria nas coisas aparentemente simples, como uma conversa de mercado, uma roda de samba, ou o silêncio de um quintal ao cair da tarde. As narrativas dele capturam a pluralidade do povo brasileiro e oferecem uma nova forma de enxergar o país, uma que valoriza as histórias contadas de boca em boca, as memórias compartilhadas nos terreiros, e os encantos escondidos nas esquinas.

No centro do livro está o conceito de "cazuá", um lugar de acolhimento, memória e mistério, onde a vida se manifesta em suas formas mais genuínas e surpreendentes. Este espaço simbólico, presente nas tradições afro-brasileiras, funciona como uma metáfora para as conexões humanas e espirituais que transcendem a materialidade e aproximam do encanto, do susto, do inusitado da vida.

"Cazuá: onde o Encanto Faz Morada" é mais do que uma leitura; é uma experiência que alimenta o espírito e amplia a visão sobre o Brasil. É um livro para ser saboreado com calma, carregado consigo e revisitado sempre que se quiser reconectar com o que há de mais bonito na cultura brasileira. Com uma escrita que mistura oralidade e poesia, Rufino transforma cada página de "Cazuá" em um convite à reflexão, um refúgio para quem busca beleza nas pequenas coisas e uma janela para um Brasil tão vasto quanto mágico. Listamos os dez motivos pelos quais esta obra é uma experiência literária indispensável. Compre o livro “Cazuá: onde o Encanto Faz Morada” neste link.


1. Redescoberta de um Brasil profundo e encantado
Em "Cazuá: onde o Encanto Faz Morada" autor Luiz Rufino desafia quem o lê a enxergar o Brasil sob uma nova perspectiva, destacando suas raízes mais profundas e misteriosas. As crônicas vão além dos fatos históricos para revelar um país vivo, pulsante, onde a memória ancestral e o encanto caminham lado a lado. É uma jornada que amplia os horizontes e permite redescobrir a riqueza da cultura nacional.


2. Poética do cotidiano e da oralidade
O autor mostra como o dia a dia pode ser uma fonte inesgotável de beleza e significado. Em sua escrita, o cotidiano brasileiro – mercados, terreiros, esquinas e quintais – é transformado em poesia. Luiz Rufino valoriza a oralidade como uma herança cultural que transcende gerações, revelando o poder das histórias compartilhadas e vividas em comunidade.


3. Conexão com a ancestralidade afro-brasileira
"Cazuá: onde o Encanto Faz Morada" mergulha nas tradições e espiritualidades afro-brasileiras, trazendo à tona um universo de saberes e práticas que moldaram a identidade do país. As histórias revelam como a ancestralidade está presente em cada detalhe, conectando pessoas, territórios e tempos de forma profunda e transformadora.


4. Encanto e espiritualidade em cada página
O conceito de "Cazuá: onde o Encanto Faz Morada" é apresentado como um espaço simbólico de acolhimento e mistério. Nas histórias, plantas falam, santos interagem com crianças, e flores enfrentam facas, criando um ambiente onde o material e o imaterial se encontram. Essa dimensão encantada torna a leitura uma experiência única, quase ritualística.


5. Estilo narrativo que mistura oralidade e escrita
A escrita de Luiz Rufino é profundamente inspirada na tradição oral. Ele "oraliza a escrita", criando um estilo intimista que aproxima o leitor das histórias, como se estivesse ouvindo um relato ao pé de uma fogueira ou durante uma roda de conversa.


6. Personagens que representam o Brasil real
As crônicas de "Cazuá: onde o Encanto Faz Morada" estão repletas de personagens que simbolizam a diversidade do povo brasileiro – crianças, trabalhadores, malandros e até plantas que conversam. Essa pluralidade reflete a riqueza cultural do Brasil e reforça a importância de valorizar as histórias e saberes de diferentes origens.


7. Exploração de múltiplos territórios brasileiros
A obra é uma viagem literária por diferentes geografias do Brasil, desde os subúrbios do Rio de Janeiro até o sertão nordestino. Cada cenário de "Cazuá: onde o Encanto Faz Morada" carrega as próprias histórias, memórias e significados, permitindo ao leitor mergulhar em uma narrativa que celebra a pluralidade cultural e territorial do país.


8. Valorização da “miudeza” do cotidiano
Luiz Rufino destaca a grandeza que existe nas pequenas coisas. Ele transforma gestos simples, encontros casuais e espaços cotidianos em cenários ricos de significado, mostrando como a vida é feita de pequenos encantos que muitas vezes passam despercebidos.


9. Estímulo à imaginação e à introspecção
Mais do que contar histórias, "Cazuá: onde o Encanto Faz Morada" instiga o leitor a imaginar outros mundos e refletir sobre diferentes formas de existir. As narrativas desafiam as fronteiras entre o material e o espiritual, provocando questionamentos profundos e enriquecedores.


10. Exaltação da brasilidade e celebração da cultura popular
"Cazuá: onde o Encanto Faz Morada" é uma ode à cultura brasileira em sua essência mais verdadeira. Com uma linguagem poética e sensível, Luiz Rufino exalta elementos como a música, a dança, a fé e a resistência, mostrando como a cultura popular é fonte de força, celebração e encantamento.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

.: "Bololô: gaiola Vazia", obra que redefine os limites da ficção brasileira


Por 
Helder Moraes Miranda, editor do portal Resenhando.com. 

O livro "Bololô: gaiola Vazia", escrito por Ricardo Maurício Gonzaga, não é apenas o romance vencedor do Prêmio Sesc de Literatura 2024; é uma obra que redefine os limites da ficção brasileira. Com uma narrativa intensa, direta e profundamente poética, o livro conduz o leitor pela vida de Roque Perigo e seus irmãos, personagens que enfrentam traumas familiares e os mistérios de um universo marcado pelo realismo mágico. O autor, um artista multidisciplinar, traz para o romance sua bagagem nas artes visuais, no teatro e na literatura, criando uma experiência única que ressoa com leitores de todas as origens.

Listamos dez motivos para você mergulhar nessa narrativa envolvente, que mistura brasilidade, estranheza e reflexões sobre as relações humanas. Com um enredo instigante, personagens inesquecíveis e uma linguagem que combina simplicidade e sofisticação, "Bololô: gaiola Vazia" é um convite irrecusável para quem valoriza a boa literatura. É uma obra que não apenas entretém, mas também provoca, emociona e transforma. Compre o livro "Bololô: gaiola Vazia, de Ricardo Maurício Gonzaga, neste link.


1. Reconhecimento literário e impacto cultural da obra  
"Bololô: gaiola Vazia" foi o vencedor do Prêmio Sesc de Literatura 2024 na categoria Romance, uma das premiações mais prestigiadas para novos autores no Brasil. Essa conquista não apenas chancela a qualidade da obra, mas também posiciona Ricardo Maurício Gonzaga, que não é um estreante, entre os escritores mais promissores da atualidade. O prêmio é uma janela para descobrir novos talentos que trazem contribuições valiosas à literatura brasileira e, nesse quesito, o Prêmio Sesc de Literatura está muito bem servido.  


2. Uma narrativa que ecoa realismo e magia  
"Bololô: gaiola Vazia" mistura elementos de realismo mágico com a dura realidade da vida de seus personagens. A história de Roque Perigo e seus irmãos ganha uma dimensão única ao explorar mistérios da natureza, como o lago habitado por uma criatura composta de restos de seres vivos. Essa combinação de imaginação e realidade confere ao livro uma profundidade que instiga o leitor a refletir sobre o extraordinário no cotidiano.  


3. Linguagem direta e profundamente poética  
Ricardo Maurício Gonzaga adota uma linguagem sucinta, direta e crua, herdada do conto, mas que não perde a densidade poética. Essa abordagem estilística permite que a obra atinja camadas emocionais profundas sem se tornar prolixa, oferecendo uma leitura impactante que prende o leitor desde a primeira página.  

4. Reflexão sobre as relações familiares  
De um lado, o bololô, que pode ser relacionado, entre outos significados, a afeto. De outro, a gaiola vazia, que remete ao desamor. O livro mergulha na complexidade dos laços familiares, apresentando personagens marcados por traumas e dores, mas também pela busca por entendimento e reconciliação. A história revela como as ações – e omissões – dos pais moldam os destinos dos filhos, levando o leitor a refletir sobre a influência de seus próprios relacionamentos familiares.  


5. A estranheza como força narrativa
A estranheza de "Bololô: gaiola Vazia" permeia toda a narrativa, tanto nos personagens quanto nas situações vividas. Desde a peculiaridade de Roque e seus irmãos até a atmosfera inquietante do lago misterioso, o livro desafia expectativas e oferece uma leitura que rompe com clichês e lugares-comuns. Essa abordagem incomum é um convite para os leitores saírem de sua zona de conforto e explorarem novas formas de enxergar o mundo.  


6. Um narrador intrusivo e cativante
"Bololô: gaiola Vazia" apresenta um narrador intrusivo, com personalidade marcante e opinativa. Esse estilo narrativo permite que a história seja pontuada por comentários perspicazes e, por vezes, irônicos, que ampliam a experiência de leitura. Além de descrever os eventos, o narrador faz reflexões sobre a vida humana, criando uma interação quase direta com o leitor e enriquecendo o texto com camadas adicionais de significado.  


7. Um olhar profundamente brasileiro  
A brasilidade está presente em cada detalhe da obra, desde o cenário até as escolhas narrativas. "Bololô: gaiola Vazia" traz um retrato autêntico da cultura brasileira, com contrastes e riquezas, sem cair em estereótipos fáceis. Ao mesmo tempo em que é profundamente local, o livro aborda temas universais que ressoam com leitores de qualquer lugar do mundo. Abuso de poder, degradação ambiental, evasão escolar, gravidez na adolescência e luta de classes são algumas das temáticas que aparecem no livro.   


8. Uma jornada de autodescoberta para o leitor  
A intensidade do enredo de "Bololô: gaiola Vazia" e a profundidade das reflexões propostas pelos personagens fazem com que o leitor também embarque em uma jornada de autoconhecimento. Questões como o impacto da violência, a importância das relações humanas e a busca por sentido diante do caos são exploradas de forma tocante e transformadora.  


9. O autor e a trajetória em diversas artes  
Além de escritor, Ricardo Maurício Gonzaga também é um artista visual, performático e professor universitário que traz sua experiência multifacetada para a literatura. Essa vivência rica contribui para a originalidade do romance, que dialoga com diferentes formas de arte e explora temáticas como corpo, imagem e tempo. A obra anterior do autor, "Sobrenome Perigo", já havia demonstrado essa habilidade narrativa, mas é em "Bololô" que ele atinge um novo patamar de maturidade artística.  


10. Uma obra que transcende gêneros e formatos 
"Bololô: gaiola Vazia"
 não é apenas um romance; é uma experiência literária completa que desafia convenções e oferece uma leitura inovadora. A mistura de humor mordaz, fantasia, drama e crítica social cria um mosaico narrativo que agrada tanto a leitores que buscam entretenimento quanto aqueles que procuram profundidade intelectual.

terça-feira, 31 de dezembro de 2024

.: De "Stalking" a "Ainda Dá Tempo": os dez espetáculos que definiram o ano


Por 
Helder Moraes Miranda, editor do portal Resenhando.com. 

O teatro continua a proporcionar experiências únicas e transformadoras, e em 2024 não foi exceção. Esse ano trouxe uma safra de espetáculos memoráveis, com produções que exploram desde temas universais como amor, inclusão e superação até histórias cheias de humor e nostalgia. Seja em peças dramáticas ou em musicais grandiosos, o público foi convidado a refletir, emocionar-se e, muitas vezes, enxergar o mundo sob uma nova perspectiva. 

Esta lista destaca as montagens que mais se destacaram nos palcos em 2024, ranqueadas pelo impacto que causaram no público e pela excelência em suas performances, direção e produção. Cada espetáculo é uma obra que reafirma a vitalidade do teatro e sua capacidade de conectar pessoas a partir da arte. A seguir, listamos os dez melhores espetáculos do ano.

Listar os dez melhores do ano é tarefa ingrata em qualquer área. Selecionar as dez melhores peças teatrais do ano, em meio a centenas de sugestões de pauta que chegam à nossa redação é, também, algo desafiador e uma viagem teatral ao longo do ano a partir de um critério absolutamente subjetivo: o gosto pessoal de quem elaborou a lista. Vários espetáculos tão bons quanto os que estão nesta lista ficaram de fora, o que não quer dizer que não mereçam ser assistidos.  



10° "Ainda Dá Tempo"

"Ainda Dá Tempo" cativa o público ao abordar temas cotidianos com humor e reflexão. É uma montagem despretensiosa que, nas mãos de um elenco tão primoroso, transcende expectativas. A trama entrelaça gerações em torno de uma casa, refletindo sobre escolhas e relacionamentos. O texto bem construído de Jeff Gould, aliado à direção sensível de Isser Korik, conduz a plateia a risos e lágrimas. O espetáculo ficou em cartaz de 5 de abril a 2 de junho no Teatro Uol. Com Ricardo Tozzi, Bruna Thedy, Norival Rizzo, Eliete Cigaarini, Igor Cosso, Bia Arantes e Klayton Pavesi, que brilharam em cena.  Foto: Guilherme Assano.


9º "Gostava Mais dos Pais"
O espetáculo "Gostava Mais dos Pais" se consolida como uma comédia dramática única. Bruno Mazzeo e Lucio Mauro Filho, unidos pela afinidade, prestam uma bela homenagem a seus pais icônicos da comédia brasileira. Com direção sensível de Debora Lamm, o espetáculo equilibra humor, emoção e crítica social. A peça não é apenas sobre legado, mas também sobre continuidade e afeto, abordando a conexão entre gerações de artistas. Destaque para a trilha sonora original executada por Plínio Profeta. Foto: Pedro Miceli.


8º "Um Dia na Broadway"
Para os apaixonados por musicais e pela magia da Broadway, "Um Dia na Broadway" é uma superprodução que não pode ser ignorada. Sob a direção de Billy Bond, a montagem recria o universo dos grandes teatros nova-iorquinos com números icônicos de clássicos como "Chicago", "Les Misérables" e "O Fantasma da Ópera". O espetáculo retorna para uma temporada de 11 janeiro a 22 fevereiro de 2025, às sextas-feiras, às 20h00; aos sábados, às 20h00 e aos domingos, às 18h00, no Teatro Claro Mais São Paulo. Foto: divulgação. 


7º "Querido Evan Hansen"
Um clássico contemporâneo, o musical "Querido Evan Hansen" emociona pela delicadeza com que aborda questões como saúde mental e autenticidade. Gab Lara é extraordinário como Evan Hansen, trazendo nuances e profundidade ao personagem. A direção de Tadeu Aguiar, associada a um elenco forte e trilha sonora marcante, cria uma atmosfera de intensa conexão emocional. Vanessa Gerbelli e Thati Lopes também brilharam, oferecendo interpretações que ampliam a densidade dramática do espetáculo. "Querido Evan Hansen" é uma experiência poderosa que ressoa com a juventude moderna e suas lutas. O espetáculo esteve em cartaz entre os dias 2 de agosto a 22 de setembro no Teatro Liberdade. Também estavam no elenco, Mouhamed Harfouch, Flavia Santana, Hugo Bonemer, Gui Figueiredo e Tati Christine. Foto: Everaldo Rodrigues.


6º "Beetlejuice - O Musical"
Com uma mistura de humor ácido, nostalgia e atuações grandiosas, "Beetlejuice - O Musical" é um espetáculo inesquecível. Eduardo Sterblitch, como Beetlejuice, e Ana Luiza Ferreira, como Lydia Deetz, lideram um elenco brilhante, reinventando personagens icônicos com talento e irreverência. A produção grandiosa, com cenários criativos e efeitos impressionantes, é um deleite visual. Sob a direção de Tadeu Aguiar, o musical conseguiu equilibrar o nonsense com mensagens profundas sobre a vida. "Beetlejuice" é uma celebração vibrante e cheia de personalidade, conquistando o público com sua ousadia. O musical ficou em cartaz entre os dias 22 de fevereiro a 21 de abril no Teatro Liberdade. No elenco, também estavam Thais Piza (Barbara Maitland), Marcelo Laham (Adam Maitland), Flávia Santana (Delia Deetz), Joaquim Lopes (Charles Deetz), Rosana Penna (Juno), Thiago Perticarrari (ensemble e cover Adam Maitland), entre outros. Foto: Leo Aversa. 


5º "Matilda - O Musical"
Baseado no clássico de Roald Dahl, "Matilda" é uma obra-prima teatral. A jovem protagonista foi interpretada com graça e talento por quatro nomes: Luísa Moribe, Belle Rodrigues, Mafê Diniz e Maria Volpe, que ajudam a xontar a história da menina rejeitada pela família com maestria. A direção primorosa de John Stefaniuk, além de coreografias encantadoras e músicas envolventes criam uma experiência mágica. "Matilda" combina humor, drama e fantasia para contar uma história de coragem e empoderamento infantil. A produção encanta todas as idades, sendo um marco no teatro musical brasileiro. O musical esteve em cartaz entre os dias 18 de outubro a 4 de fevereiro. No elenco adulto, destacram-se os atores Cleto Baccic (Agatha Trunchbull), Fabi Bang (Srta. Honey), Myra Ruiz (Sra. Wormwood), Fabrizio Gorziza (Sr. Wormwood) e Mari Rosinski (Sra. Phelps), Foto: divulgação.


4º "Priscilla, a Rainha do Deserto - O Musical da Broadway"
Com exuberância visual e musical, este espetáculo celebra a diversidade e a liberdade. "Priscilla, a Rainha do Deserto - O Musical da Broadway" é um marco teatral. Reynaldo Gianecchini, Diego Martins e Verônica Valenttino protagonizam momentos impactantes, enquanto a direção de Stephan Elliott entrega um espetáculo memorável. As cenas icônicas e as músicas da era disco tornaram esta montagem uma experiência sensorial completa. O espetáculo contou com a participação luxuosa de Andrezza Massei e a figura sempre marcante de Fabrizio Gorziza - um nome que despontou em "O Guarda-Costas" interpretando o papel que foi de Kevin Costner no cinema e vem se destacando a cada papel pela versatilidade. Tatiana Toyota, e seu carisma, dão comicidade a uma peça que trata de assuntos espinhosos, mas consegue ser leve. Mais do que entretenimento, "Priscilla" é um hino à aceitação e ao amor próprio. O musical esteve em cartaz entre os dias 7 de junho a 1° de setembro no Teatro Bradesco, em São Paulo. Foto: Pedro Dimitrow / Divulgação: @PriscillaRainhaDoDesertoBr


3º "Hairspray"
Vibrante, dinâmico e inspirador, o musical  "Hairspray", dirigido e idealizado por Antonia Prado, Tiago Abravanel e Tinno Zani encantou pela mensagem de diversidade e inclusão. Tiago Abravanel entregou uma performance magistral como Edna Turnblad, enquanto Vânia Canto, Pâmela Rossini e Aline Cunha brilharam nos papéis de Tracy Turnblad, Penny Pingleton e Motormouth Maybelle. A produção é um espetáculo completo, com direção impecável e um elenco em perfeita sintonia. Ivan Parente, irreconhecível como Corny Collins, merece destaque. O musical ficou em cartaz entre os dias 5 de setembro a 15 de dezembro, no Teatro Renault. Foto: Ricardo Brunini.


2.º "Legalmente Loira - O Musical"
Surpreendente e relevante, o "Legalmente Loira - O Musical" aborda temas femininos contemporâneos com leveza e profundidade. Myra Ruiz brilha como Elle Woods e entrega uma atuação carismática e comovente. A direção de John Stefaniuk equilibra humor e crítica social, criando uma narrativa cativante. O espetáculo celebra a força feminina, apresentando personagens multifacetadas que inspiram o público. Além disso, a estética vibrante e as performances marcantes de Gigi Debei, Esther Arieiv e Hopólyto tornam "Legalmente Loira" uma experiência inesquecível. O espetáculo esteve em cartaz de 17 de julho até dia 15 de dezembro no Teatro Claro Mais SP. Foto: Andreia Machado.


1º "Stalking - Um Conto de Terror Documental"
Ainda não tão badalado quanto merecia, o melhor espetáculo de 2024 é "Stalking - Um Conto de Terror Documental". Ao mesclar a realidade crua com elementos de terror e de contos de fadas, a peça teatral evidencia como a sociedade reforça comportamentos machistas e abusivos. Com dramaturgia de Paulo Salvetti, direção de Rita Grillo e um elenco protagonizado por Livia Vilela, que passou pela situação, a peça aborda o impacto de uma relação de assédio no ambiente de trabalho, transformando a vida da protagonista em um verdadeiro conto de terror. A encenação combina dança, máscaras e animação de objetos com documentos reais, criando um espetáculo imersivo que nunca perde seu caráter documental. Inspirada por uma história real, a peça utiliza dispositivos narrativos típicos de contos de fadas para refletir sobre a sociedade de hoje. O espetáculo foi apresentado sábado, dia 19 de outubro, às 20h00, no Teatro do Sesc Santos. Foto: Guilherme Radell.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

.: Autores internacionais, os melhores livros de 2024: Italo Calvino encabeça


Por 
Helder Moraes Miranda, editor do portal Resenhando.com. 

Em 2024, o mundo literário trouxe uma série de obras impactantes e diversas, que não só exploram novas perspectivas e emoções, mas também aprofundam discussões sobre história, identidade e sentimentos humanos. Esta lista foi organizada para destacar os dez melhores livros internacionais do ano, levando em conta o impacto cultural, a profundidade literária, e a habilidade dos autores em conectar com seus leitores. Embora cada livro tenha se destacado de alguma forma, alguns brilham com mais intensidade e deixam uma marca mais duradoura. Aqui está uma análise de cada um deles, com suas qualidades únicas e os motivos pelos quais merecem figurar entre os mais destacados do ano.

Cada um desses livros trouxe algo único para a literatura deste ano, seja pela profundidade emocional, pela análise crítica ou pela exploração de temas universais e atemporais. Alguns conquistaram os leitores por sua beleza literária, enquanto outros brilharam pela sua originalidade e pela maneira como desafiaram as convenções do gênero. Todos, no entanto, são indispensáveis para quem deseja mergulhar no que há de mais relevante na literatura contemporânea.

Listar os dez melhores livros de autores internacionais do ano é tarefa ingrata em qualquer área. Selecionar os dez Melhores Livros de Autores Internacionais de 2024 do portal Resenhando.com em meio a um ano tão fértil em relação à literatura e também a vários que chegam diariamente à nossa redação é algo desafiador e uma viagem literária ao longo do ano a partir de um critério absolutamente subjetivo: o gosto pessoal de quem elaborou a lista. Vários livros tão bons quanto os que estão nesta lista ficaram de fora, o que não quer dizer que não mereçam ser lidos.  Confira também a lista dos Melhores Livros de 2023 neste link.


10. "Nadando no Escuro", de Tomasz Jedrowski
Em um ano de grandes lançamentos, "Nadando no Escuro", publicado pela editora Astral Cultural, é destacado como uma das mais poderosas obras literárias de 2024. Este romance aborda uma história de amor proibido em tempos de repressão, ambientado na Polônia de 1980. A obra escrita por Tomasz Jedrowski não só trata do amor entre dois homens em um contexto político tenso, mas também explora os dilemas existenciais e os sacrifícios feitos por aqueles que amam em tempos de opressão. A escrita de Jedrowski é visceral e emocionante, explorando o amor em sua forma mais crua, enquanto também lança luz sobre as complexidades políticas e sociais da época. Na décima colocação da lista de Melhores Livros Internacionais de 2024, traduzido por Luiza Marcondes, o livro oferece uma leitura profunda e comovente que permanece com o leitor muito após a última página, fazendo dela, sem dúvida, uma das melhores obras de 2024. Compre o livro "Nadando no Escuro", de Tomasz Jedrowski, neste link.


9. "Em Agosto Nos Vemos", de Gabriel García Márquez
O romance póstumo de Gabriel García Márquez apresenta uma mulher que, ao longo de sua vida, descobre os limites de seus desejos e a complexidade de sua identidade sexual. A escrita do autor é inconfundível, com a mesma magia e sensibilidade que marcaram sua carreira. Em "Em Agosto nos Vemos", publicado pela editora Record, o autor colombiano mergulha em temas profundos como o desejo, a perda e a liberdade. A obra encanta pela forma como retrata a busca pela autoaceitação e a resistência do prazer diante do tempo. Na nona colcação da lista, embora não atinja a grandiosidade de seus romances mais conhecidos, este livro póstumo oferece uma reflexão belíssima sobre a vida e as escolhas humanas. A tradução é de Eric Nepomuceno. Compre o livro "Em Agosto Nos Vemos", de Gabriel García Márquez, neste link.


8. "Caro Professor Germain: Cartas e Escritos", de Albert Camus e Louis Germain
Reunindo cartas trocadas entre Albert Camus e o professor Louis Germain, o livro "Caro Professor Germain: cartas e Escritos" apresenta uma bela demonstração de gratidão e respeito mútuo. Essas cartas, carregadas de emoção, oferecem uma visão sobre a relação entre o autor e aquele que desempenhou um papel fundamental na formação intelectual dele. Além disso, o livro contém um texto extra, "A Escola", que enriquece ainda mais a obra, mostrando a reverência de Camus pela educação. Na oitava colocação da lista, é um tributo tocante à relação entre mestre e aluno. A tradução é de Ivone Benedetti. Compre o livro "Caro Professor Germain: Cartas e Escritos", de Albert Camus, neste link.


7. "Neil Gaiman: Histórias Selecionadas", de Neil Gaiman
"Neil Gaiman: Histórias Selecionadas" é uma coletânea que reúne os melhores textos de Neil Gaiman, um dos mestres contemporâneos da literatura fantástica. De histórias de terror a contos de mistério e fantasia, o autor navega por uma variedade de estilos e temas, mostrando versatilidade. A seleção inclui 52 textos, com alguns inéditos, tornando a obra uma excelente porta de entrada para novos leitores e um item precioso para os fãs mais antigos. A tradução é de Leonardo Alves, Augusto Calil, Edmundo Barreiros, Fábio Barreto e Renata Pettengill. Compre o livro "Neil Gaiman: Histórias Selecionadas", de Neil Gaiman, neste link.


6. "O Homem Ciumento", de Jo Nesbø
"O Homem Ciumento"
, de Jo Nesbø, merece o título de sexto lugar na lista dos dez Melhores Livros de Autores internacionais do ano devido à sua extraordinária capacidade de explorar as complexidades da mente humana em situações extremas. Com maestria, ele utiliza os 12 contos que compõem o livro para criar um panorama sombrio e multifacetado dos sentimentos mais viscerais, como ciúme, vingança e desespero. Cada narrativa apresenta personagens em situações limítrofes, testando o comportamento humano e revelando as nuances de suas motivações. Outro ponto que reforça a grandiosidade do livro é a versatilidade das tramas, que se passam em diferentes culturas e contextos, mas mantêm a mesma intensidade e impacto. Desde o detetive grego lidando com um caso de ciúmes extremos até a mulher em um voo para Londres confrontando seu desejo de autodestruição, o autor oferece ao leitor uma experiência imersiva e inquietante. A tradução é de Ângelo Lessa. Compre o livro "O Homem Ciumento", de Jo Nesbø, neste link.


5. "Seis Passeios Pelos Bosques da Ficção", de Umberto Eco
Em "Seis Passeios Pelos Bosques da Ficção", o escritor Umberto Eco leva o leitor a uma jornada filosófica sobre o que é ficção, como ela se conecta à realidade e o que significa entrar no universo de uma história. Eco aborda temas complexos com a leveza e o humor característicos de seu estilo. Na quintta colocação da lista, o livro é uma excelente análise crítica sobre o poder da literatura. A tradução é de Hildegard Feist e a arte da capa, de Teco Souza. Compre o livro "Seis Passeios Pelos Bosques da Ficção", de Umberto Eco, neste link.


4. "Escreva Muito e Sem Medo: uma História de Amor em Cartas (1944-1959)", de Albert Camus e Maria Casarès
Lançada pela editora Record, essa correspondência íntima entre Albert Camus e a atriz Maria Casarès é um tesouro para os fãs do autor francês. "Escreva Muito e Sem Medo: uma História de Amor em Cartas (1944-1959)" traz à tona um lado mais pessoal e vulnerável de Camus, oferecendo cartas reveladoras de sua relação com a atriz. Contudo, o impacto da obra está mais no contexto biográfico do que na profundidade literária do conteúdo. Embora seja uma excelente forma de explorar a figura de Camus sob uma nova perspectiva, a relevância desse material é mais voltada para quem já é fã de sua obra e deseja mergulhar na vida pessoal do autor. Para leitores que não estão tão familiarizados com o autor, o livro, que está na quarta colocação da lista, pode parecer excessivamente íntimo e pouco acessível - mas é uma boa porta de entrada para se aprofundar na obra de Albert Camus. A tradução é de Clóvis Marques. Compre o livro "Escreva Muito e Sem Medo: uma História de Amor em Cartas (1944-1959)", de Albert Camus e Maria Casarès, neste link.


3. "A Casa dos Significados Ocultos", de RuPaul Charles
Na autobiografia "A Casa dos Significados Ocultos", o autor RuPaul Charles oferece aos leitores um olhar sem precedentes sobre a vida, desde a infância em San Diego até a ascensão como um ícone mundial da cultura pop. A obra é um profundo mergulho na identidade desse artista, com reflexões sobre como a autoaceitação e a adaptação são essenciais para a construção de uma persona pública. RuPaul revela momentos vulneráveis da vida, o que torna o livro não apenas uma biografia, mas também um manifesto de superação e resistência. A mistura de sabedoria, humor e filosofia torna o livro - que está em terceiro lugar na lista - uma leitura gostosa e inspiradora. A tradução é de Helen Pandolfi. Compre o livro "A Casa dos Significados Ocultos", de RuPaul Charles, neste link.

2. "A Caminho de Macondo: Ficções 1950-1966", de Gabriel García Márquez
Lançado pela editora Record, "A Caminho de Macondo" reúne textos que formam a base do universo mítico de Macondo, uma das maiores criações da literatura mundial. São escritos que antecedem "Cem Anos de Solidão" e mostram o processo criativo de Gabriel García Márquez. Para os admiradores do autor, a obra é uma verdadeira preciosidade, pois oferece uma janela para o início do realismo mágico. No entanto, para o leitor casual, os textos podem parecer mais fragmentados e menos imersivos, já que muitos ainda estão em estágios iniciais de desenvolvimento. Isso torna o livro - que está na segunda colocação da lista - essencial para estudiosos da obra de Márquez e muito mais interessante, porque o leitor consegue visualizar um pouco do processo de criação do artista. A tradução é de Ivone Benedetti, Édson Braga, Danúbio Rodrigues e  Joel Silveira. Compre o livro "A Caminho de Macondo", de Gabriel García Márquez, neste link.


1. "Nasci na América…: uma Vida em 101 Conversas (1951-1985)", de Italo Calvino

"Nasci na América…: uma Vida em 101 Conversas" é uma coletânea de entrevistas com o renomado escritor italiano Italo Calvino. O livro oferece uma perspectiva única sobre a vida e o pensamento do artista que conquistou um lugar de destaque na literatura universal. As entrevistas, que abrangem três décadas, revelam a mente brilhante de Calvino e o olhar sobre temas como literatura, política, cinema e o futuro do homem. É uma espécie de "autobiografia intelectual" em construção, proporcionando uma compreensão mais rica do legado literário do autor. A obra brilha principalmente pela profundidade, clareza e a elegância inconfundível de Calvino, sendo um tesouro para os admiradores do artista e para os estudiosos da literatura contemporânea. O livro do ano na categoria Melhor Livro de Autores Internacionais é resultado do trabalho de vários profissionais, além do autor: Luca Baranelli (compilador), Federico Carotti (tradutor), Raul Loureiro (arte de capa) e Mario Barenghi (introdução). Compre o livro "Nasci na América…: Uma Vida em 101 Conversas (1951-1985)", de Italo Calvino, neste link.

domingo, 29 de dezembro de 2024

.: Crítica: "Um Dia na Broadway": Billy Bond traz a Broadway para o Brasil


Por Helder Moraes Miranda, editor do portal Resenhando.com. 

Se você já se emocionou ao assistir a um musical, sonhou em passear pelas ruas iluminadas da Times Square ou em viver a magia dos teatros da Broadway, a superprodução "Um Dia na Broadway" é uma oportunidade para preencher algumas lacunas. Dirigido pelo renomado 
Billy Bond, o espetáculo retorna a São Paulo para uma temporada que promete encantar e proporcionar uma experiência imersiva e inesquecível. De 11 de janeiro a 22 de fevereiro de 2025, no Teatro Claro Mais, o público terá a chance de ser transportado para o mundo dos grandes musicais de Nova York.

Combinando tecnologia de ponta, performances marcantes e uma narrativa emocionante, o espetáculo já conquistou milhares de espectadores em temporadas anteriores. Agora, está de volta ainda mais grandioso, com novos detalhes e aprimoramentos que consolidam seu lugar como uma das maiores produções musicais do Brasil. Nós do Resenhando.com assistimos a última apresentação do ano passado e listamos os dez motivos para justificar porque você não pode perder esse espetáculo. "Um Dia na Broadway" estará em cartaz no Teatro Claro Mais, em São Paulo, de 11 de janeiro a 22 de fevereiro de 2025, com apresentações às sextas, sábados e domingos.

1. Broadway ao alcance de todos
Você não precisa viajar até Nova York para sentir a grandiosidade da Broadway. "Um Dia na Broadway" recria toda a atmosfera dos grandes teatros nova-iorquinos, apresentando uma coletânea de momentos inesquecíveis dos mais famosos musicais do mundo. É uma oportunidade única para quem sempre sonhou em ter essa experiência.


1. Uma superprodução que envolve o público
Dirigida pelo veterano Billy Bond, conhecido pelo trabalho impecável em musicais como "Les Misérables" e "Rent", a produção reúne uma dramaturgia que cativa, músicas interpretadas ao vivo e efeitos especiais de tirar o fôlego. Cada elemento foi pensado para criar uma experiência que envolve todos os sentidos.

2. Acessível e inclusivo para todos
Para aqueles que nunca tiveram a oportunidade de assistir a grandes musicais internacionais, Um Dia na Broadway é uma oportunidade perfeita. Ao reunir os melhores momentos de dez produções icônicas, o espetáculo democratiza o acesso à magia da Broadway.

3. Dez clássicos eternizados no palco
Em uma noite mágica, o público é transportado para o universo de "Evita" ("Don’t Cry for Me Argentina"), "Chicago" ("All That Jazz"), "Mamma Mia!" ("Dancing Queen"), "O Fantasma da Ópera" ("The Phantom of the Opera"), "Cats" ("Memory"), "Grease" ("Summer Nights"), "Mary Poppins" ("Supercalifragilistic"), "A Bela e a Fera" ("Beauty and the Beast"), "Les Misérables" ("One Day More") e "Priscilla, a Rainha do Deserto" ("It’s Raining Men"). Cada musical é interpretado com uma precisão técnica e artística que impressiona.


4. Tecnologia de ponta e efeitos especiais para encantar
O espetáculo combina cenários físicos com projeções em 4K, um painel de LED com 160 metros de luzes e truques como levitação e números aéreos. Esses elementos criam uma experiência visual única, que imerge o público na atmosfera vibrante de Nova York e na magia dos musicais.


5. Coral e vocais impecáveis
Os artistas de "Um Dia na Broadway" devem ser selecionados a dedo pelo talento. As interpretações vocais são um dos grandes destaques do espetáculo. Com um coral poderoso e números musicais arrebatadores, cada canção é entregue com uma energia que arrepia e emociona o público do começo ao fim.

6. Cenários deslumbrantes e figurinos ricos em detalhes
Os figurinos exuberantes e os cenários detalhados recriam com perfeição o glamour da Broadway. Da Times Square ao Harlem, passando pela Grand Central Station e pelos palcos dos grandes musicais, cada cenário transporta o espectador diretamente para Nova York.


7. Uma história familiar e emocionante
O enredo segue uma família que viaja para Nova York para comemorar o aniversário de casamento dos pais. Após se perderem no Grand Central Station, as crianças embarcam em uma jornada pelos teatros da Broadway, onde vivenciam momentos dos maiores musicais de todos os tempos. É uma narrativa que equilibra humor, emoção e aventura, conectando o público de todas as idades. Bom, também, para despertar no público mais jovem o gosto pelo teatro.


9. Billy Bond: um mestre dos musicais
Com mais de 30 espetáculos em seu currículo e décadas de experiência, Billy Bond é um dos grandes nomes do teatro musical. Sua direção meticulosa e visão criativa garantem que cada detalhe de Um Dia na Broadway seja impecável, desde os números musicais até os efeitos visuais.


10. Uma experiência imersiva e transformadora
O espetáculo vai além de uma apresentação teatral: é uma viagem emocional, um espetáculo de som e luz que envolve completamente o espectador. Da ambientação sonora Surround ao cuidado com os detalhes visuais, você realmente se sente na Broadway.

Serviço
Espetáculo "Um Dia na Broadway", de Billy Bond
Temporada: 11 janeiro a 22 fevereiro de 2025
Às sextas-feiras, às 20h00; aos sábados, às 20h00 e aos domingos, às 18h00
Teatro Claro MAIS São Paulo - R. Olimpíadas, 360 - Vila Olímpia, São Paulo
Ingressos:
Plateia Broadway - R$ 150,00 a R$ 300,00
Plateia Cats – R$ 125,00 a R$ 250,00
Balcão Les Miserables – R$ 110,00 a R$ 220,00
Balcão Grease – R$ 90,00 a R$ 180,00
Times Square Popular- R$ 37,50 a R$ 75,00
Link de vendas: https://uhuu.com/evento/sp/sao-paulo/um-dia-na-broadway-13819
Classificação: livre
Duração: 120 minutos com intervalo de 10 minutos
Capacidade: 803 lugares 

sábado, 28 de dezembro de 2024

.: De Aguinaldo Silva, "Meu Passado me Perdoa" é eleito o livro do ano de 2024


Por Helder Moraes Miranda, editor do portal Resenhando.com. 

O ano de 2024 foi o ano das biografias e de livros marcados por uma impressionante diversidade de lançamentos literários, com obras que abordaram uma gama de temas emocionais, sociais, culturais e pessoais, refletindo as complexas realidades do nosso tempo. Entre os destaques, houve uma fusão de narrativas sensíveis, corajosas, profundas e até irreverentes, levando os leitores a uma viagem literária rica e impactante.

Cada uma dessas obras se destaca pela abordagem única e pela maneira como desafiam o leitor a pensar sobre diferentes aspectos da vida, das relações e da sociedade. Em 2024, a literatura brasileira teve uma verdadeira explosão de criatividade, abrangendo desde questões pessoais até grandes reflexões sociais e culturais. A diversidade de temas e estilos mostra que a literatura contemporânea é multifacetada, rica em nuances e capaz de transformar e impactar profundamente a vida dos leitores. A seguir, apresentamos os dez melhores livros do ano.

Listar os dez melhores livros de autores brasileiros do ano é tarefa ingrata em qualquer área. Selecionar os dez Melhores Lvros Brasileiros do ano do portal Resenhando.com em meio a um ano tão fértil em relação à literatura e também a vários que chegam diariamente à nossa redação é algo desafiador e uma viagem literária ao longo do ano a partir de um critério absolutamente subjetivo: o gosto pessoal de quem elaborou a lista. Vários livros tão bons quanto os que estão nesta lista ficaram de fora, o que não quer dizer que não mereçam ser lidos.  Confira também a lista dos Melhores Livros de 2023 neste link.


10. "Açougueira", de Marina Monteiro
Em "Açougueira", publicado pela editora Claraboia, Marina Monteiro presenteia o leitor com uma obra de uma profundidade emocional e intelectual impressionantes. A narrativa, que gira em torno de um crime de assassinato e esquartejamento, não se limita apenas ao mistério, mas se aprofunda nas complexas questões sociais que envolvem a violência doméstica e a opressão das mulheres. A escolha de narrar a história a partir dos depoimentos de moradores da cidadezinha e da própria esposa do assassinado coloca o leitor no lugar da acusada, desafiando noções de culpabilidade e oferecendo uma reflexão crítica sobre a maneira como a sociedade lida com a violência contra a mulher. Décimo lugar na lista de Melhores Livros Brasileiros de 2024, esse livro se destaca pela coragem com que aborda temas delicados e pela sensibilidade com que a autora constrói suas personagens e seus dilemas. Compre o livro "Açougueira", de Marina Monteiro, neste link.


9. "Virgínia Mordida", de Jeovanna Vieira
A estreia de Jeovanna Vieira é um soco no estômago. "Virgínia Mordida", publicado pela Companhia das Letras, é um romance psicológico intenso que explora as profundezas das relações amorosas, os aspectos mais sombrios da psique humana e os impactos da violência emocional. Ao contar a história de Virgínia, uma mulher que vive um relacionamento tóxico com Henrí, um ator argentino, o livro se torna uma poderosa reflexão sobre como o amor pode ser disfuncional e destrutivo. A autora não tem medo de expor as fragilidades de seus personagens e a tensão entre eles é palpável, criando uma narrativa de ritmo acelerado e angustiante. Nono lugar na lista de Melhores Livros Brasileiros de 2024, Vieira se destaca pela sua habilidade de mergulhar nas emoções e nas motivações dos personagens de forma autêntica e, ao mesmo tempo, perturbadora. Compre o livro "Virgínia Mordida", de Jeovanna Vieira, neste link. 


8. "Minha China Tropical: Crônicas de Viagem", de Francisco Foot Hardman
"Minha China Tropical"
, publicado pela Unesp Editora, é uma obra envolvente, mas que se destaca mais pela beleza do estilo do que pela profundidade dos temas abordados. Francisco Foot Hardman apresenta suas crônicas de viagem com uma leveza contagiante, capturando a essência da cultura chinesa e suas contrastantes semelhanças com a realidade brasileira. Embora a obra não tenha o mesmo impacto revolucionário de outros livros da lista, ela oferece uma leitura agradável e enriquecedora sobre as diferenças culturais e as experiências que moldam a visão de um estrangeiro sobre um país complexo e multifacetado. Oitavo lugar na lista de Melhores Livros Brasileiros de 2024, Foot Hardman oferece uma narrativa calorosa e pessoal, desafiando estereótipos sobre a China e promovendo um diálogo entre as culturas. Compre o livro "Minha China Tropical", de Francisco Foot Hardman, neste link.

7. "O Ninho", de Bethânia Pires Amaro
Vencedor do Prêmio Sesc de literatura e do Prêmio Jabuti na categoria Contos, "O Ninho", publicado pela editora Record, é um livro de contos que não apenas retrata o cotidiano das mulheres e suas realidades, mas também desafia as idealizações frequentemente associadas às relações familiares. Bethânia Pires Amaro utiliza sua escrita precisa e sensível para explorar os conflitos internos e externos de suas personagens femininas, que lidam com questões como maternidade, abuso e os traumas herdados de gerações anteriores. A autora tem a habilidade rara de fazer com que o leitor sinta empatia pelas situações difíceis que suas personagens enfrentam, ao mesmo tempo em que coloca em pauta a complexidade das relações familiares e a busca por identidade. Sétimo lugar na lista de Melhores Livros Brasileiros de 2024, o livro é uma reflexão pungente sobre a realidade das mulheres e das relações humanas. Compre o livro "O Ninho", de Bethânia Pires Amaro, neste link.


6. "Tudo o que Posso te Contar", de Cecilia Madonna Young
Embora "Tudo o que Posso te Contar", o livro de estreia de Cecilia Madonna Young, seja divertido e ácido, ele também faz uma observação afiada das questões enfrentadas pela geração Z, abordando temas como depressão, ansiedade e identidade de maneira irreverente e sarcástica. Publicado pela editora Record, o livro oferece uma reflexão nua e crua sobre os dilemas existenciais que os jovens de hoje enfrentam. Sexto lugar na lista de Melhores Livros Brasileiros de 2024, é uma leitura que mistura densidade e leveza, que proporciona uma boa visão sobre a vida moderna e as angústias da juventude. Compre o livro "Tudo o que Posso te Contar", de Cecilia Madonna Young, neste link.

5. "O Mito do Mito", de Rita Lee
Obra póstuma de Rita Lee, o livro "O Mito do Mito", publicado pela Globo Livros, mistura realidade e ficção de maneira sofisticada e instigante. Conhecida pelo talento irreverente e a capacidade de transformar qualquer tema em algo único e inesquecível, ela entrega ao público uma obra que é, ao mesmo tempo, uma reflexão sobre o seu próprio ser e uma narrativa envolvente de mistério. A história gira em torno da própria Rita Lee como protagonista, que busca respostas para suas questões internas durante sessões de terapia. O tom de humor ácido e introspecção presente na obra faz com que a leitura seja tanto divertida quanto profunda. Quinto lugar na lista de Melhores Livros Brasileiros de 2024, o livro é uma verdadeira janela para a mente de uma das artistas mais icônicas do Brasil, revelando uma Rita Lee que, ao mesmo tempo em que se entrega a seus demônios, também se reinventa com leveza. Compre o livro "O Mito do Mito", de Rita Lee, neste link.


4. "Chatices do Amor", de Fernanda Young
"Chatices do Amor"
, publicado pela editora Record, é um livro póstumo que reúne dois romances de Fernanda Young, uma autora de indiscutível talento. No entanto, a obra não alcança o mesmo impacto que outros trabalhos póstumos de escritores consagrados. Ainda que a autora tenha uma escrita perspicaz, o tom de melancolia e humor entrelaçado na narrativa não ressoa com todos os leitores da mesma forma. Quarto lugar na lista de Melhores Livros Brasileiros de 2024,  o livro é, sem dúvida, um tributo ao estilo irreverente e profundo de Young, que mistura de humor e introspecção. Compre o livro "Chatices do Amor", de Fernanda Young, neste link.


3. "Longe do Ninho", de Daniela Arbex
O poder de "Longe do Ninho", publicado pela editora Intrínseca, está na forma como Daniela Arbex consegue transformar uma tragédia pessoal e coletiva em um relato investigativo de grande impacto social e humano. A jornalista apresenta um trabalho impecável ao investigar o incêndio no centro de treinamento do Flamengo, que matou dez jovens promessas do futebol. Com uma abordagem sensível, detalhada e humana, Arbex reconstitui não apenas os fatos, mas também a dor das famílias e as falhas institucionais que possibilitaram o acidente. Ao utilizar depoimentos exclusivos, documentos inéditos e a coragem de retratar o caso de forma crua, a autora apresenta um trabalho de altíssima qualidade que é, ao mesmo tempo, uma homenagem às vítimas e um alerta contra a omissão das autoridades. Terceiro lugar na lista de Melhores Livros Brasileiros de 2024, o livro é, sem dúvida, um livro-reportagem essencial, que vai além da simples narração de um fato e se torna uma reflexão profunda sobre a negligência e suas consequências. Compre o livro "Longe do Ninho", de Daniela Arbex, neste link.


2. "Gilberto Braga, o Balzac da Globo", de Mauricio Stycer e Artur Xexéo
A biografia de Gilberto Braga é uma obra de grande riqueza para os fãs de novelas e da história da televisão brasileira. Por meio de uma parceria entre Mauricio Stycer e Artur Xexéo, "Gilberto Braga apresenta a trajetória do dramaturgo, desde sua infância até os grandes momentos da sua carreira. O livro traz à tona detalhes fascinantes sobre o processo criativo do novelista, as inspirações dele e como as novelas refletem os aspectos mais profundos da sociedade brasileira. Ao mesmo tempo, a biografia serve como um tributo ao autor e à capacidade de tratar de temas delicados, como sexualidade, classe social e racismo, de maneira pioneira. Segundo lugar na lista de Melhores Livros Brasileiros de 2024, a obra é uma excelente leitura para quem deseja compreender a importância de Gilberto Braga na formação da cultura televisiva brasileira. Compre o livro "Gilberto Braga, o Balzac da Globo", de Mauricio Stycer e Artur Xexéo, neste link.

1. "Meu Passado Me Perdoa", de Aguinaldo Silva
Mais que uma autobiografia, "Meu Passado Me Perdoa", de Aguinaldo Silva é o relato de um sobrevivente. Com uma escrita cativante, o autor leva os leitores por uma jornada ao longo da vida e carreira, desde a infância até os bastidores das novelas que marcaram gerações. Este livro não é apenas uma memória pessoal, mas uma verdadeira aula sobre a história da televisão brasileira. Silva traz à tona histórias inéditas sobre o processo criativo das novelas, os desafios que enfrentou e as figuras que cruzaram o caminho dele. As anedotas e revelações sobre o mundo das telenovelas são fascinantes, e o autor também faz uma análise crítica sobre o papel das suas obras na sociedade brasileira. Primeiro lugar na lista de Melhores Livros Brasileiros de 2024, "Meu Passado me Perdoa", além de ser o livro do ano, é uma leitura envolvente para quem ama a TV e para quem deseja entender mais sobre a construção de uma das maiores referências da dramaturgia nacional. Compre o livro "Meu Passado Me Perdoa", de Aguinaldo Silva, neste link.

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