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terça-feira, 12 de dezembro de 2023

.: "Sentido", de Bob Nugent, reflete belezas e conflitos da Amazônia


Ao longo de mais de 20 anos, o artista norte-americano documentou a floresta e seus destinos por meio da arte. "Sentido", nova exposição apresentada pela Dan Galeria Contemporânea, reúne as obras que debatem o desmatamento e a mineração, e ainda trazem perspectivas sobre outras regiões do solo brasileiro, como Inhotim. Na imagem, a obra "Valley of the Moon #5". Foto: Divulgação


O contraste e o conflito entre a beleza da Amazônia e sua permanente destruição foram traduzidos em tinta, óleo e cores nas pinturas de Bob Nugent. Ao longo de mais de 20 anos, o artista norte-americano documentou a floresta e seus destinos por meio da arte. “Sentido”, nova exposição apresentada pela Dan Galeria Contemporânea, reúne as obras que debatem o desmatamento e a mineração, e ainda trazem perspectivas sobre outras regiões do solo brasileiro, como Inhotim.

As telas trazem a memória associada aos objetos e sensações vivenciadas nas inúmeras visitas que o artista fez na Bacia do Rio Amazonas. Formas naturalistas semelhantes a colmeias, vértebras, casulos, formigueiros, formas de plantas e insetos estão dispersos na superfície das obras. A devastação vem representada por meio de tons profundos.

“O homem moderno vê a floresta como uma enorme riqueza – mas, ao mesmo tempo, testemunhamos seu esgotamento. Diferentemente dos grupos indígenas, que ali vivem em harmonia há gerações, nós ainda não conseguimos encontrar o equilíbrio necessário que proteja esta riqueza para o futuro”, destaca Bob Nugent. O artista acredita que valorizar a beleza da Amazônia é um dos caminhos para alertar sobre a urgente necessidade de preservação.

Roberto Elisabetsky, autor do livro "Sentido" sobre a obra do artista plástico, analisa o trabalho como uma produção visual única. “Nugent traduz essa tênue delicadeza de forma única, como num alerta ao observador: desfrute do belo, mas saiba que a beleza é efêmera e passageira, não nos foi presenteada com nossa isenção de responsabilidade por ela. A obra de Bob Nugent, nas múltiplas formas e mistérios da natureza que retrata, é um convite ao desfrute do belo e à constatação de que a magnitude desse presente é finita e requer nossa cumplicidade para seguir existindo”.

O artista já esteve em aproximadamente 130 exposições individuais e mais de 650 coletivas nos Estados Unidos, Europa, Ásia e América do Sul. No Brasil, seu trabalho esteve presente em mostras conjuntas no Mube (2018), no Museu Tomie Ohtake (2007) e no Masp (1998). Suas obras estão em importantes coleções brasileiras como a do Museu Tomie Ohtake, do Masp, Museu de Arte Moderna de São Paulo e do Rio de Janeiro.


Sobre Bob Nugent
Nascido e criado na Califórnia, Bob concluiu mestrado em Belas Artes na área de Pintura pela Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara, em 1971. Recebeu inúmeras bolsas de estudo e pesquisa, incluindo Bolsas Individuais da Fundação Tiffany e do National Endowment for the Arts, e Bolsas de Viagem da Fundação Fullbright e do Conselho de Artes da Califórnia, para seu trabalho no Brasil.

Bob passou mais de 23 anos visitando o Brasil. É um apaixonado da ampla paisagem, da flora e fauna, e do povo brasileiro. Bob visitou cada canto do país, da costa do norte do Amapá as Cataratas do Iguaçu, no sul. Viajou ao Pantanal diversas vezes, visitando tribos indígenas espalhadas pela região, particularmente no Estado de Mato Grosso. Sua ligação com o Rio Amazonas é genuína. Esteve várias vezes no rio e em sua bacia, viajando com frequência de Manaus, no Brasil, a Iquitos, no Peru, testemunhando também o encontro do rio com o Oceano Atlântico, em Belém.


Sobre a Dan Contemporânea
A Dan Contemporânea surgiu como um departamento de Arte Contemporânea da Dan Galeria. Em 1985, Flávio Cohn, filho do casal fundador, juntou-se à Dan criando o Departamento de Arte Contemporânea, que ele dirige desde então. Assim, foi aberto espaço para muitos artistas contemporâneos, tanto brasileiros, como internacionais, fortemente representativos de suas respectivas escolas. Posteriormente, Ulisses Cohn também se associa à galeria completando o quadro de direção dela.

Nos últimos vinte anos, a galeria exibiu: Macaparana, Sérgio Fingermann, Amélia Toledo, Ascânio MMM, Laura Miranda e artistas internacionais: Sol Lewitt, Antoni Tapies, Jesus Soto, César Paternosto, José Manuel Ballester, Adolfo Estrada, Juan Asensio, Knopp Ferro e Ian Davenport. Mestres de concreto internacionais também fizeram parte da história da Dan, tais como: Max Bill, Joseph Albers e os britânicos Norman Dilworth, Anthony Hill, Kenneth Martin e Mary Martin.

A Dan Galeria incluiu mais recentemente em sua seleção, importantes artistas concretos: Francisco Sobrino, François Morellet e Getúlio Alviani, bem como os artistas geométricos abstratos históricos: Sandu Darié, Salvador Corratgé, Wilfredo Arcay e Dolores Soldevilla, só para mencionar alguns dos cubanos do grupo Los Once (The Eleven). Nestes últimos dois anos, os fotógrafos brasileiros Christian Cravo e Cristiano Mascaro; os artistas José Spaniol e Teodoro Dias (Brasil); os internacionais, Tony Cragg (G. Bretanha), Lab [AU] (Bélgica) e Jong Oh (Coréia), se juntaram ao departamento de Arte Contemporânea da galeria. A Dan Galeria sempre teve por propósito destacar artistas e movimentos brasileiros desde o início da década de 1920 até hoje. Ao mesmo tempo, mantém uma relação próxima com artistas internacionais, uma vez que os movimentos artísticos historicamente se entrelaçam e dialogam entre si sem fronteiras.


Serviço
Exposição "Sentido", de Bob Nugent. Dan Galeria Contemporânea - Rua Amauri 73, Jardim Europa/São Paulo. Das 11h às 17h, de segunda a sexta; das 11h às 19h, aos sábados. Entrada gratuita. Classificação indicativa: livre. Acesso para pessoas com mobilidade reduzida. E-mail: info@dangaleria.com.br.

domingo, 26 de novembro de 2023

.: Mostra “Horror na Boca” no MIS: uma jornada pelos filmes da Boca do Lixo


Em cartaz no MIS - Museu da Imagem e do Som de São Paulo, a exposição gratuita e inédita “Horror na Boca”, que mergulhará no mundo do cinema paulista em um passeio pelo gênero cinematográfico que desafia os limites entre o medo, o erotismo, a violência, o sobrenatural e até o humor. Uma oportunidade imperdível de explorar o lado mais sombrio e ousado da sétima arte realizada na emblemática "Boca do Cinema", que ganhou espaço dentro da região dita como "Boca do Lixo", localizada em São Paulo, entre os anos 1960 e 1990.

Sob a curadoria de Marcelo Colaiácovo, a exposição, que fica em cartaz até dia 21 de janeiro de 2024, desvenda uma coleção de materiais originais do acervo do novo museu Soberano - Rua do Triunfo, proporcionando uma investida fascinante pela história do cinema de horror de São Paulo. Este projeto é o resultado da colaboração entre a Resistência Filmes, a Levante - Plataforma de Ideias, com o apoio do Museu da Imagem e do Som de São Paulo (instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo) e do Soberano - Rua do Triunfo.

A mostra oferece uma visão abrangente dos horrores que moldaram a cena cinematográfica de São Paulo entre as décadas de 1960 e 1990. Cada filme escolhido é um testemunho das complexidades das produções da época, em um contexto marcado por competição por audiência e espaço nas telonas, resultando em tramas envolvendo possessões demoníacas, fantasmas, assassinos em série, violência, monstros e muito erotismo. Os visitantes poderão admirar tesouros do cinema de horror nacional, como o cartaz original de 1969 do filme “O Ritual dos Sádicos”, de José Mojica Marins, inicialmente proibido devido à censura e renomeado posteriormente como “O Despertar da Besta”, em seu lançamento em 1986, quando foi finalmente liberado pela censura.

“Horror na Boca” também homenageia cineastas renomados, incluindo Adriano Stuart, Rosangêla Maldonado, John Doo, Ody Fraga, David Cardoso, Clery Cunha, Jair Correia, Fauzi Mansur, Juan Bajon, Luiz Castillini, Jean Garrett, entre outros, cuja marca no gênero é notável pela combinação única de elementos de horror, erotismo e até humor, com sua paródia debochada, característica da pornochanchada. Os visitantes terão a oportunidade de explorar uma rara seleção de trechos de filmes originais em 35mm e 16mm da época, além da trilha sonora do LP do filme “Bacalhau (BACS)” (1976), dirigido por Adriano Stuart e do longa “Shock! Diversão Diabólica” (1984), de Jair Correia, filme considerado o primeiro slasher brasileiro.

Cartazes originais e variados representam a diversidade do cinema paulista, como o da “Trilogia de Terror” (1968), uma colaboração entre José Mojica Marins, Ozualdo Candeias e Luiz Sérgio Person; “Jéca Contra o Capeta” (1975), de Amácio Mazzaropi; “Filme Demência” (1987), de Carlos Reichenbach; “Joelma” (1980), de Clery Cunha; “O Homem Lobo” (1966/71) e “Seduzidas pelo Demônio” (1975), de Raffaeli Rossi; além de “A Noite das Taras 2” (1982), dirigido por David Cardoso, John Doo e Ody Fraga.

A exposição inclui outros cartazes raros de Walter Hugo Khouri – normalmente pouco citado para com o gênero de horror –, com obras icônicas como “O Anjo da Noite” (1974), “O Desejo” (1975) e “As Filhas do Fogo” (1978), que estarão lado a lado pela primeira vez com o ícone do horror nacional José Mojica Marins e o cartaz original raríssimo de “Esta Noite Encarnarei no Seu Cadáver” (1967).

“O aprofundamento desse tema proporciona uma oportunidade de compreender o insólito cinema da Boca do Lixo em toda a sua riqueza e complexidade, explorando intersecções intrigantes entre o horror, o humor e o erotismo. As personagens femininas desafiam convenções representando papéis que suscitam questões às vezes controversas, reflexo das peculiaridades sociais da época, mas fundamentais para o sucesso de bilheteria dessas produções. Nesse contexto, surge Rosangela Maldonado, pioneira no gênero de horror como uma diretora mulher na Boca”, explica o curador Marcelo Colaiácovo.

Para os entusiastas do cinema e curiosos exploradores da história cinematográfica, uma linha do tempo feita em parceria com o pesquisador Carlos Primati, sobre a produção do cinema com elementos de horror na Boca do Lixo paulista, será uma oportunidade para entender a evolução deste gênero peculiar e cativante e de extrema importância para o cinema mundial. A exposição fica em cartaz de 25 de novembro a 21 de janeiro com entrada gratuita no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo.


Serviço
Exposição “Horror na Boca”. Até dia 21 de janeiro de 2024. Local: Sala Maureen Bisilliat | Museu da Imagem e do Som (MIS). Avenida Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo. Horários: terças a sextas, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 20h; domingos e feriados, das 10h às 18h | Permanência até 1h após o último horário. Classificação: 16 anos. Entrada: gratuita.

sexta-feira, 24 de novembro de 2023

.: MIS Experience recebe exposição inédita pelos 40 anos de Chaves


Mostra, prevista para janeiro de 2024, reunirá parte do acervo original, como figurino usado pelo ator e roteiros, além dos principais cenários dos seriados Chaves e Chapolin Colorado.

Em homenagem aos 40 anos de estreia de um dos seriados de TV mais queridos do Brasil – e de toda a América Latina -, a capital paulista recebe, em janeiro de 2024, "Chaves: a Exposição". A maior mostra sobre Chaves já realizada no mundo acontecerá no MIS Experience - instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo - e irá celebrar as quatro décadas de exibição do icônico programa de TV no Brasil, com a reconstrução de mais de 20 cenários emblemáticos que fizeram parte da vida de milhões de espectadores.

Além de transportar os visitantes para dentro das séries "Chaves" e do herói "Chapolin Colorado", a exposição - inédita no mundo - vai reunir um acervo exclusivo de figurinos, itens e roteiros originais trazidos do México exclusivamente para a mostra em São Paulo. A vida e obra de seu criador, o escritor Roberto Gómez Bolaños, conhecido como Chespirito, também será contemplada. 

Já os cenários serão detalhadamente recriados para oferecer uma experiência única. Será possível "entrar em cena" na tradicional Vila do Chaves, Casa do Seu Madruga, no segundo Pátio da Vila e conhecer, até mesmo, alguns locais do seriado que estavam somente no imaginário do próprio personagem, como a "Sala da Bruxa do 71", entre outros cenários famosos da série.

Os ingressos para "Chaves: a Exposição" já estão à venda no site www.expochaves.com.br.  Às terças-feiras, a entrada é gratuita - o ingresso deve ser retirado, exclusivamente, na bilheteria física do MIS Experience, no dia da visita (sujeito à lotação). "Chaves: a Exposição" é uma realização do Ministério da Cultura, Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, MIS Experience, Chespirito, Boldly e Deeplab Project, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. A mostra conta com patrocínio das empresas FACCHINI, TCP, ADAMI e SAFEEDS, apoio de mídia UOL, Fórum Chaves e Omelete e apoio cultural do consulado do México e Hospital Pequeno Principe.

O MIS Experience tem patrocínio institucional da B3 e John Deere e apoio institucional da Vivo. O apoio de mídia é da TV Cultura, JCDecaux e Folha de S.Paulo. O apoio operacional é da Telium, Kaspersky, Pestana Hotel Group, Quality Faria Lima e Hilton Garden Inn São Paulo Rebouças.

Sobre o MIS Experience
Construído em um galpão de 2 mil metros quadrados e 10 metros de pé direito, o MIS Experience é o mais novo espaço do Museu da Imagem e do Som (MIS) – instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo – que traz para a cidade de São Paulo um novo conceito de exposições culturais. 

O MIS Experience foi inaugurado em 2 de novembro de 2019, com o objetivo de proporcionar a realização de exposições imersivas que se utilizem de novas tecnologias, levando o público a interagir de maneira diferente com artistas e suas obras de arte. A abertura do espaço aconteceu com a exposição "Leonardo da Vinci - 500 Anos de Um Gênio", experiência que possibilitou ao visitante conhecer a vida e o legado de Da Vinci. A exposição foi um sucesso de público: recebeu cerca de 500 mil visitantes, teve mais de 85 mil visitações gratuitas e, a cada 15 minutos, uma escola foi atendida pela equipe do Educativo. Nos anos seguintes, o MIS Experience recebeu as megaexposições imersivas "Portinari para Todos" (2022) e "Michelangelo: o Mestre da Capela Sistina" (2023).

Mostra inédita no mundo
Projeto da área dedicada à vida e obra de Roberto Bolaños, um dos destaques da nova exposição do MIS Experience


Serviço
"Chaves: a Exposição". A partir de 5 de janeiro de 2024. MIS Experience - Rua Cenno Sbrighi, 250, Água Branca/São Paulo. Ingressos: gratuito às terças | Quartas às sextas: R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia); sábados, domingos e feriados: R$60,00 (inteira) e R$ 30,00 (meia). Vendas no site www.expochaves.com.br e na bilheteria do MIS Experience. Horários: terças a sextas, domingos e feriados das 10h às 20h (permanência até 21h). Sábados: das 10h às 21h (permanência até 22h).Classificação indicativa: livre.

domingo, 19 de novembro de 2023

.: "Terror no Cinema", exposição do MIS, com ingressos disponíveis até dezembro


O MIS  anunciou novas datas para a exposição "Terror no Cinema", com ingressos disponíveis até 30 de dezembro. Imagem da exposição "Terror no Cinema", do MIS. Foto: Lucas Mello / MIS


O público que não teve a oportunidade de conferir a exposição “Terror no Cinema”, em cartaz no MIS (Museu da Imagem e do Som) de São Paulo, pode comemorar. Já estão abertas novas datas para visitação, com ingressos disponíveis para compra até o dia 30 de dezembro. O valor da entrada continua R$ 30,00 (R$ 15,00 a meia), e a compra pode ser feita tanto na bilheteria física do MIS como pela plataforma INTI — link de vendas no perfil do Museu.

Normalmente fechado às segundas-feiras, o MIS (instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo) anuncia, ainda, abertura excepcionalmente no dia 20 de novembro, por conta do feriado.


Imagem da exposição "Terror no cinema", do MIS. Foto: Lucas Mello / MIS


Sobre a exposição
Dividida em setores temáticos, dedicados a subgêneros do terror (vampiros, zumbis, slashers, sobrenatural e muito mais), a exposição transporta os visitantes à atmosfera dos longas com estímulos sonoros, visuais e olfativos, de forma lúdica e informativa. Um percurso envolvente, impressionante e imersivo levará o público ao universo de clássicos do cinema, como “O Gabinete do Dr. Caligari” (1920), “Nosferatu” (1922), “Drácula” (1931), “A Noiva de Frankenstein” (1935), “Psicose” (1960), “O Exorcista” (1973), “Tubarão” (1975), "Alien, o oitavo passageiro" (1979), “O Iluminado” (1980), “Sexta Feira 13” (1980), “O Silêncio dos Inocentes” (1991), "A Bruxa de Blair" (1999), e inúmeros outros.

A exposição “Terror no Cinema” conta com diversos itens de acervos parceiros do MIS, como a Biblioteca Margaret Herrick, responsável pela preservação da coleção da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, criadora do Oscar. A seleção inclui pôsteres, documentos, fotografias, materiais promocionais de filmes, além de figurinos e adereços usados em cena. Objetos exclusivos, cedidos por estúdios parceiros – como a máscara utilizada na franquia “Pânico”, da Paramount Pictures – também farão parte do que o público visitante encontrará na exposição.

Outros destaques incluem figurinos e a navalha de "Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet" (2007), o vestido da Samara de "O Chamado 3" (2017) e documentos de produção com anotações de William Friedkin, diretor de "O Exorcista" (1973).


Serviço
Exposição “Terror no Cinema”. Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS). Avenida Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo. Classificação indicativa: 16 anos. Horários: terças a sextas, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 20h; domingos e feriados, das 10h às 18h (permanência até 1h após o último horário). Ingressos: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia), disponíveis na bilheteria física do MIS ou pela plataforma INTI. Entrada gratuita às terças-feiras (retirada apenas na bilheteria física).

A programação é uma realização do Ministério da Cultura, Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, e Museu da Imagem e do Som, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. O MIS tem como mantenedora a empresa B3 e tem o apoio institucional das empresas Kapitalo Investimentos, Vivo, Grupo Travelex Confidence, Grupo Veneza, John Deere, TozziniFreire Advogados, Siemens e Lenovo. O apoio Cultural é da Cinemateca Brasileira e Sociedade de Amigos da Cinemateca, Cinémathèque de Toulouse e Infravermelho Filmes e Hopi Hari. O apoio de mídia é da Omelete, Folha de S.Paulo, JCDecaux e KISS FM. O apoio operacional é da Telium, Kaspersky, Pestana Hotel Group, Cabana Burguer, Vitória Régia, Arte do Crepe, KIRO e N2.

segunda-feira, 25 de setembro de 2023

.: Acervo da fotógrafa Vania Toledo chega ao Instituto Moreira Salles


Caio Fernando Abreu e Cazuza. Coleção Vânia Toledo / Acervo IMS

Acervo da fotógrafa Vania Toledo (1945-2020), consagrada pelos registros da cena cultural brasileira, chega ao Instituto Moreira Salles. O acervo inclui imagens produzidas ao longo de toda a carreira da fotógrafa, incluindo retratos de Ney Matogrosso, Cazuza, Caio Fernando Abreu, Rita Lee, Caetano Veloso, Milton Nascimento e Andy Warhol, além de registros de peças teatrais, da noite paulistana, entre outros destaques.

Com sua Yashica a tiracolo, Vania Toledo (1945-2020) costumava percorrer os corredores de teatros e clubes noturnos, registrando as personagens marcadas de suor e purpurina que circulavam pelos locais. Em seu estúdio, também retratou nomes centrais da música e do teatro nacional, convidando-os a posar e se abrir para suas lentes. Essa proximidade com as pessoas fotografadas e com as cenas que captava — “meu vício é gente”, declarava em entrevistas — caracterizam a obra e carreira de Vania.

Constituído majoritariamente ao longo de sua trajetória na imprensa, na noite e em seu estúdio particular, o acervo da fotógrafa acaba de ser adquirido pelo Instituto Moreira Salles. A coleção é composta por cerca de 250 mil imagens, sobretudo retratos em preto e branco, além de reportagens em jornais e revistas, livros e documentos, como credenciais de imprensa. Com a aquisição, o IMS passa a ter direito de fazer exposições e publicações para divulgar a obra de Toledo. Já os direitos autorais permanecem com Juliano Toledo, filho e herdeiro da fotógrafa.

No acervo, há retratos de Gal Costa, Ney Matogrosso, Caio Fernando Abreu, Rita Lee, Cazuza, Pelé, Milton Nascimento, José Celso Martinez Corrêa e Caetano Veloso, além de registros da vida noturna de São Paulo nos anos 1980. Outro destaque é a série pioneira de nus masculinos que deu origem ao livro Homens: ensaio (1980), com personagens famosos e menos conhecidos. 

Nascida em 1945 na cidade de Paracatu (MG), Vania mudou-se na década de 1960 para São Paulo, onde cursou ciências sociais na USP e passou a trabalhar na área de educação da Editora Abril. Até os 30 anos, fotografava apenas de forma amadora. No fim dos anos 1970, decidiu se dedicar à profissão e iniciou sua carreira no jornal Aqui São Paulo, onde se tornou responsável pela coluna de festas.

A partir de então, passou a colaborar com diferentes jornais e revistas do Brasil e do exterior, como Vogue, Interview, Claudia, Veja, IstoÉ, Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, Time e Life. Em 1981, abriu seu próprio estúdio, Studio Salto Alto, na capital paulistana, que funcionava num sobrado no bairro dos Jardins, em São Paulo, onde pôde aprofundar seu trabalho como retratista, reunindo personalidades da música, do cinema e das artes visuais para sessões de fotos imersivas.

No acervo, há muitas imagens feitas nos bastidores do teatro. Ela começou sua carreira fotografando gratuitamente atores que frequentavam o circuito da praça Roosevelt e precisavam de materiais de divulgação. Posteriormente, documentou espetáculos marcantes da história do teatro brasileiro, encenados durante a ditadura militar, como a montagem de Macunaíma. Também retratou astros como Marília Pêra e Raul Cortez, Marco Nanini, Ney Latorraca, Irene Ravache, entre vários outros, desenvolvendo uma intensa relação com a cena teatral, que marcaria toda sua trajetória.

Rita Lee. Coleção Vânia Toledo / Acervo IMS

Em paralelo ao trabalho nas redações, na década de 1980, Vania Toledo documentou seu próprio entorno, especialmente as festas que frequentava na cena underground no centro de São Paulo. De maneira espontânea, registrava as pessoas que se entregavam nas pistas de dança, com roupas e comportamentos que questionavam os padrões sociais. As fotos trazem flagras dessas personagens, captando o ritmo e a energia de um ambiente, marcados por purpurina e música disco. Em entrevista para a revista ZUM, a fotógrafa comenta as imagens: “Eu gostava da noite, de dançar, de festa. A fotografia tem muito a ver, no meu caso, com o olhar e a liberdade de ação. Eu fazia da pista de dança o meu estúdio. Tinha uma espontaneidade que eu adorava. [...] Eram personagens muito interessantes, muito libertárias.”

O acervo traz também fotos realizados para a indústria fonográfica. Vania assinou capas de discos consagrados, como "Refestança", de Gilberto Gil e Rita Lee, e "Televisão", dos Titãs. Outro artista muito fotografado é Ney Matogrosso, com quem Vania cultivou uma estreita amizade. É também de sua autoria a famosa foto de Cazuza abraçado ao escritor Caio Fernando Abreu, em 1988. Vania Toledo fotografou também a escritora Cassandra Rios, que teve mais de 30 livros censurados durante a ditadura. Outro destaque são as imagens que clicou em Nova York, no fim dos anos 1970, onde registrou ícones como Andy Warhol e Truman Capote na lendária discoteca Studio 54, em Manhattan.

 A coleção inclui ainda a famosa série Homens: ensaio (1980), primeiro livro publicado por Vania e um dos mais importantes de sua carreira. Para o ensaio, a fotógrafa convidou amigos para posarem nus diante de suas câmeras, invertendo as posições de artista e modelo, tradicionalmente ocupadas por pessoas do gênero masculino e feminino, respectivamente. A série inclui retratos de nomes como Caetano Veloso, Roberto de Carvalho e Ney Matogrosso. 


Gilberto Gil. Coleção Vânia Toledo / Acervo IMS

No IMS, o acervo de Vania se soma a outros, como o de David Drew Zingg, Madalena Schwartz e Otto Stupakoff, que registram a efervescência cultural e o questionamento dos padrões de comportamento no país.

O coordenador de fotografia contemporânea do IMS, Thyago Nogueira, comenta a incorporação da coleção: “É uma honra trazer ao IMS acervo tão importante para a história da fotografia brasileira. Vania foi ao mesmo tempo uma cronista irreverente da noite paulistana, franqueando acesso aos momentos de intimidade de artistas e personalidades de toda classe, e uma retratista rigorosa, que usou seu carisma transbordante para construir a cumplicidade com que registrou boa parte da cena cultural brasileira. Em vez de uma observadora distante, era uma fotógrafa implicada em seu trabalho. Ainda há muito que estudar em seu arquivo, mas é notável como a informalidade e a descontração se transformaram em estratégias para registrar – e viver – de dentro as mudanças culturais e comportamentais dos anos 70, 80 e 90. O acesso à efervescência das festas noturnas, a inversão de papéis de gênero e mesmo a adoção de uma máquina fotográfica amadora fazem parte da revolução visual promovida por uma artista libertária.”

Juliano Toledo, filho da fotógrafa, ressalta a importância da aquisição do acervo pelo IMS: “Minha mãe foi uma fotógrafa além do seu tempo. Imagina, uma mulher em plena ditadura militar fazer um livro com ensaios de homens nus. Ela não tinha pudores! Ela conseguia captar a essência do ser humano que estava sendo registrado pelo seu clique. Como ela sempre dizia: ‘O meu vício é gente’. Agora seu legado vai poder ser apreciado pelas próximas gerações.”

terça-feira, 1 de agosto de 2023

.: MIS exibe a primeira seleção do projeto "Nova Fotografia 2023"


Imagem da exposição "Utaki", do fotógrafo Ricardo Tokugawa

A partir de 1º de agosto, o público do MIS – Museu da Imagem e do Som de São Paulo confere três mostras fotográficas inéditas, dentro do programa "Nova Fotografia 2023". Desde 2011, a iniciativa do museu seleciona, por meio de convocatória, seis trabalhos de artistas promissores que se distinguem pela qualidade e inovação. Além das exposições, que ganham um acompanhamento curatorial individual, esses projetos também passam a fazer parte do acervo físico e digital do MIS.

Os trabalhos selecionados são expostos em duas etapas. Nesta primeira, é possível conferir "Utaki", de Ricardo Tokugawa; "Azinhaga", Salua Ares, e "ZL Não É Um Lugar Assim Tão Longe", de Erick Peres - no espaço de exposições Maureen Bisilliat, localizado no térreo do museu. Com visitação gratuita, a primeira etapa do Nova Fotografia 2023 permanecerá em cartaz até 17 de setembro. Em seguida, no mês de outubro, será inaugurada a segunda fase da iniciativa, com exibições de: "Eu Não Faço Rap", de João Medeiros; "Luz da Manhã", de Tayná Uràz; e "Mirada ou Black Mirror", de Val Souza. 

Na edição 2023, o júri de seleção foi composto por Claudinei Roberto da Silva, Cristiane Almeida, Ivana Debértolis e Maíra Gamarra. Os acompanhamentos curatoriais desta edição ficaram a cargo de Cadu Gonçalves, curador e pesquisador; Carollina Lauriano, curadora e pesquisadora; Daniel Salum, professor, pesquisador e curador independente; Mônica Maia, editora, curadora, produtora e idealizadora da plataforma Mulheres Luz; Nancy Betts, pesquisadora e crítica de arte; e Ronaldo Entler, pesquisador, professor e crítico de fotografia.

O Goldman Sachs é Patrono do Núcleo de Fotografia. A programação é uma realização do Ministério da Cultura, Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa de São Paulo, e Museu da Imagem e do Som, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. O MIS tem como mantenedoras as empresas Youse e B3 e tem o apoio institucional das empresas Kapitalo Investimentos, Vivo, Grupo Travelex Confidence, Grupo Veneza, John Deere, TozziniFreire Advogados, Siemens e Lenovo. O apoio operacional é da Telium, Kaspersky, Pestana Hotel Group, Petiscleta e Gin Vitoria Regia.


Artistas e obras
"Utaki", por Daniel Salum: “Ricardo Tokugawa é fruto de imigração: sansei, de ascendência okinawana, traz a mistura de três culturas no seu percurso: Brasil, Okinawa e Japão. Compreender o significado dessa posição vai muito além de questões geográficas e culturais, implica um enfrentamento pessoal, na busca pelo entendimento de si no mundo.  Utaki, em okinawano, traduz a ideia de um lugar sagrado, lugar de oração, geralmente espaços na natureza: um bosque, caverna ou montanha, acessados por poucos. Esse olhar para o sagrado, de acordo com a necessidade sentida pelo fotógrafo, se volta para suas raízes, num processo de investigação da família e da casa, conceitos que se misturam dentro da cultura japonesa. As fotografias afixadas no butsudan, o oratório japonês, marcam a presença dos antepassados no espaço da casa. Os vestígios deixados na forma de retratos 3 x 4 lembram que as fronteiras do visível estão constantemente permeadas pelo mundo invisível dos mortos.” 

"Azinhaga", por Mônica Maia: “No projeto, Salua Ares explora o encontro e o confronto entre memória e matéria. Numa espécie de arqueologia, a artista parte de recortes fotográficos criados a partir de imagens apropriadas de álbuns de famílias que testemunharam a transformação radical de seus cenários de infância. Os registros em preto e branco das relações pessoais, mãos e braços dados, ambientes cotidianos e os sorrisos das crianças são colocados em contraponto aos elementos característicos da construção civil, tais como blocos de concreto e cimento, e materializam a ideia de transfiguração e vestígios. A estratégia das justaposições e os paralelos visuais entre as imagens tocam diretamente as camadas de recordações.”

"ZL Não É Um Lugar Assim Tão Longe", por Cadu Gonçalves: “Na série fotográfica, Erick Peres é o interlocutor entre o mundo e a Vila Ipê 1, lugar existentemente oculto, pelo desejo do Estado, do centro e da burguesia. O bairro do Extremo Leste de Porto Alegre (RS), onde nasceu o artista, e que muitas vezes não figura em mapas oficiais, recebe dos moradores das zonas centrais da cidade adjetivos como “inabitado”, “distante”, “difícil de chegar”, “inexistente”, fato corriqueiro a muitas periferias pelo Brasil. A Vila Ipê 1 deixa de ser tão distante ao virar o percurso das antenas que levam energia elétrica a outros pontos da cidade e desapropriam dezenas de moradores, ao figurar em noticiários ou ao receber operações silenciosas e inquisidoras da PM local. A distância muitas vezes caminha com a indiferença.”

Serviço
Exposição | Nova Fotografia - Parte 1
Abertura: Dia 1º.08 das 19h às 22h (evento aberto ao público). Local: Espaço Maureen Bisilliat (expositivo térreo). Período: 1º de agosto a 17 de setembro de 2023. Ingresso: gratuito. Classificação: livre. MIS - Museu da Imagem e do Som de São Paulo: Avenida Europa, 158, Jardim Europa - São Paulo.

terça-feira, 18 de julho de 2023

.: Exposição “Ah, Eu Amo as Mulheres Brasileiras!” e a objetificação da mulher


Exposição apresentada em Nova Iorque, em 2022, ganha nova versão e será apresentada no Centro Cultural São Paulo até dia 27 de agosto; versão brasileira terá um número maior de participantes e obras em relação à que foi exibida nos Estados Unidos: são 36 trabalhos de 19 mulheres de diferentes locais do país. Na imagem, a obra "É Verão o Ano Inteiro" (2019), de Dalila Coelho 

“Ah, Eu Amo as Mulheres Brasileiras!”, exposição coletiva que será inaugurada em 8 de julho, no Centro Cultural São Paulo (CCSP), apresenta um conjunto de 36 obras como uma revisão crítica da imagem estereotipada das mulheres brasileiras. Ao mesmo tempo, sugere caminhos para mudanças de paradigmas, por meio do afeto e da sororidade. A mostra pode ser conferida até 27 de agosto. A exposição é uma versão de “Oh, I Love Brazilian Women!”, com maior número de trabalhos e participantes. A mostra foi apresentada em Nova Iorque no ano passado e para o Brasil teve o título traduzido. 

Nos Estados Unidos, a ideia foi chamar a atenção do público para a visão dos estrangeiros em relação às brasileiras. Um olhar muitas vezes preconceituoso, que objetifica seus corpos, mas nem é tão diferente do que acontece no Brasil. Aqui, esses danos ganham outra dimensão. “O foco da exposição agora é a origem do problema e as consequências dele para a mulher brasileira”, explica Luiza Testa, curadora das duas mostras. 

De 2020, quando inscreveu o projeto curatorial na Chamada Aberta de NYC 2021-22 da apexart, até junho de 2023, Luiza não parou de pesquisar o tema. A jovem curadora recebeu diversos relatos de mulheres que vivem no Brasil e no exterior. “Fui abordada por pessoas que contaram suas histórias, experiências e isso foi enriquecendo a concepção da mostra, revelando outras camadas”, explica. 

Nesse sentido, mais questões surgiram, como o racismo, a antinegritude, a transfobia, a violência sexual doméstica, a questão da feminilidade e o etarismo. Segundo Luiza, as diversas abordagens foram incorporadas quase que naturalmente, já que o grupo de artistas participantes é muito diversificado. “São 19 artistas mulheres de regiões diferentes do Brasil, de várias idades e com vivências únicas”. Dentre elas a poeta, letrista e autora, Alice Ruiz. 

“Ah, Eu Amo as Mulheres Brasileiras!” está dividida em quatro núcleos. O primeiro, "De Iracema a Garota de Ipanema", aborda como o estereótipo perdura ao longo do tempo, desde o Brasil Colônia. Nessa seção, a obra de destaque é "Meruka", de Arissana Pataxó, artista que também participou da versão novaiorquina da exposição.  

O segundo módulo, "Violências e Violações", propõe uma reflexão sobre as agressões sofridas por mulheres e outros grupos. Engloba misoginia, etarismo, transfobia, embranquecimento. "There’s no Place Like Home", obra da artista D’Anunziata, se destaca nesse módulo. É uma alusão ao isolamento no período crítico da pandemia, que, apesar de necessário, deixou as mulheres mais vulneráveis à violência doméstica.

Novas estéticas em construção, terceiro módulo, propõe romper os paradigmas de padrão de beleza, acolhendo a diversidade de corpos das mulheres. São imagens bem distantes do conceito tradicional de beleza. "O Grito", de Milena Paulina, exemplifica essa opção ao mostrar mulheres nuas e gordas, gritando.

O último módulo da exposição, "Afeto e Transgressão", apresenta o potencial dos afetos para acabar com estereótipos, preconceitos e combater violências. A obra "Mira", da dupla "Terroristas Del Amor", traduz esse propósito com a imagem de uma mulher trançando os cabelos de uma menina.“Os núcleos um e dois são mais críticos, com a finalidade de problematizar. Os seguintes são mais otimistas, propositivos”, define Luiza que acrescentou mais uma novidade à mostra no Brasil. 

No último módulo, além das obras, é possível conferir vídeos de cinco mulheres idealizadoras de projetos que têm o intuito de ajudar outras mulheres, em diferentes campos. Nos depoimentos, elas falam de suas iniciativas e de suas motivações. Marina Bertoluzzi é a fundadora do grupo "Women on Walls", plataforma destinada a dar maior visibilidade ao trabalho de mulheres nas artes visuais. Representando esse segmento, a exposição insere "Banca Vermelha (Livraria de Acolhimento)", "Brasileiras Não se Calam" (voltado ao acolhimento, sobretudo por meio de debates online, de mulheres imigrantes), "Mina Theatre" (um programa de teatro para mulheres brasileiras em Londres que utiliza o Teatro do Oprimido como metodologia para explorar a origem, causa e consequências da violência de gênero e entender como o processo imigratório torna as mulheres mais vulneráveis ao abuso no trabalho, em casa e/ou ao acessar serviços no Reino Unido).  

Serviço
Exposição: “Ah, Eu Amo as Mulheres Brasileiras!”.
Até dia 27 de agosto de 2023.  De terça a sexta, das 10h às 19h; sábado, domingo e feriados, das 10h às 18h. Centro Cultural São Paulo, Rua Vergueiro, 1000 - Liberdade - São Paulo.

quarta-feira, 28 de junho de 2023

.: “Dōshin", uma exposição gratuita de brinquedos na Japan House São Paulo


Exposição inédita na Japan House São Paulo explora a cultura e as características do Japão a partir dos brinquedos. São mais de cem peças que traçam um panorama do brincar no Japão. A mostra traz ainda um espaço dedicado à experimentação e interação com os brinquedos


Abrindo a programação do segundo semestre, a Japan House São Paulo apresenta a exposição “Dōshin: os Encantos dos Brinquedos Japoneses” que explora a cultura e as características do Japão a partir dos brinquedos, até dia 12 de novembro, com entrada gratuita. 

Ocupando o segundo andar da instituição, a mostra traz uma seleção de 126 itens, incluindo alguns que surgiram há meio século e que mantém sua popularidade; brinquedos desenvolvidos a partir de uma perspectiva que destaca a segurança e praticidade; jogos e personagens originários do Japão e que conquistaram o mundo, entre outros, além de uma linha do tempo que narra a história do brinquedo a partir do período pós-guerra do Japão. “Dōshin: os Encantos dos Brinquedos Japoneses” conta com o apoio da revista “ToyJournal”, publicada pela Associação Cooperativa de Brinquedos e Bonecas de Tóquio.

Assim como outros elementos, os brinquedos vão além de simples objetos, auxiliam as crianças no desenvolvimento da imaginação e habilidade social por meio da noção de compartilhamento e cooperação; evoluem constantemente, refletindo a cultura e os estilos de vida da sociedade. Fabricantes se inspiram na vida cotidiana para ajudar crianças a entender e se relacionar com o ambiente.

Nesta exposição, os visitantes terão a oportunidade de observar como os brinquedos do Japão refletem o contexto histórico e o estilo de vida japonês, descobrindo assim as diferenças e semelhanças entre os brinquedos japoneses e brasileiros, além de experimentarem alguns aspectos sobre o país nipônico introduzidos na forma do brincar. 

Dada a relevância mundial da indústria japonesa de brinquedos, a exposição foca também nos brinquedos originados no Japão e são conhecidos em todo o mundo. Inclusive, a mostra reserva algumas surpresas aos visitantes, que poderão reconhecer personagens e jogos que já fazem parte da infância brasileira, mas têm origem nipônica. Entre esses exemplos estão o jogo “Pula Pirata” - compre neste link (lançado em 1975 que vendeu mais de 15 milhões de unidades em 47 países); a lousa de desenho magnética “Lousa Mágica” - compre neste link (1977, conhecida como Sensei no Japão, em uma analogia aos professores); e as casas de bonecas em miniaturas da “Sylvannian Families” - compre neste link. Lançada em 1985, a franquia está presente em mais de 70 países e conta com um parque e um restaurante temáticos no Japão.

Para que os visitantes possam interagir e experienciar alguns dos brinquedos, a exposição reserva um ambiente especial para esta vivência. “Brincar é fundamental para o desenvolvimento pessoal e social das crianças. Os brinquedos estimulam a imaginação, melhoram as capacidades cognitivas e motoras, ensinam a importância de compartilhar, de cooperar e de se comunicar. Nesta exposição, os visitantes em geral e, especialmente, as crianças poderão aprender algumas características da cultura nipônica e sair dessa experiência mais conectadas com seus pares japoneses, já que terão a oportunidade de reconhecer diferenças e semelhanças nos brinquedos das duas culturas”, explica a curadora e diretora cultural da Japan House São Paulo, Natasha Barzaghi Geenen.

Dentre os destaques estão os clássicos bonecos do “Ultraman” - compre neste link - série de sucesso dos anos 1970 e 1980, considerada uma das mais representativas do Japão e segue sendo transmitida na TV desde 1966; versões atuais dos bichinhos virtuais “Tamagotchi” - compre neste link (1996), inclusive algumas mais recentes com design que lembra os smartwatches; e kits da personagem Hello Kitty - compre neste link (1974). A mostra traz também alguns itens tradicionais que fazem parte do acervo do Consulado Geral do Japão em São Paulo, como o kendama (bilboquê), beigoma (pião) e o taketombo (hélice voadora).

“A palavra dōshin remete ao coração infantil e nossa ideia é despertar justamente o sentimento de identificação e empatia por meio dos brinquedos que fizeram sucesso pelo mundo, mas ainda trazer referências do cotidiano japonês em alguns dos modelos que só são encontrados e vendidos no Japão.  Esse tipo de reconhecimento do “outro” e seus costumes é essencial para a criação de empatia, tanto no universo dos adultos quanto das crianças.”, comenta a curadora.

Dentre os brinquedos também estão exemplares dos piões “Beyblade” - compre neste link (lançado em 1999, as vendas ultrapassaram a marca dos 500 milhões de unidades, impulsionadas pelo sucesso do anime homônimo); versões de “Aquabeads” (miçangas coloridas que se juntam a partir do contato com água, lançada em 2004) e “Pacherie” (kit para a criação de bolsas, lançado em 2018), que incentivam brincadeiras ao estilo “faça você mesmo”; os robôs de ação “Shinkalion” (2015) da série de anime Shinkansen Henkei Robo Shinkalion e “Robô Gigante Don Onitaijin” da série Super Sentai/Power Rangers (1975); as bonecas clássicas japonesas “Licca-chan” (1967; que possui uma forte presença no mercado nipônico) e “Mell-chan” (uma versão bebê lançada 1992); as bonecas representando as personagens do anime “Pretty Cure” (2004); entre outros brinquedos que são sucesso de vendas no Japão.

Além disso, a exposição conta também com algumas tendências recentes do mercado japonês. É o caso dos quebra-cabeças e jogos analógicos, que se tornaram mais populares como passatempos para se divertir em casa por conta da pandemia. São exemplos  os “Nanobloks”, lançados em 2008, cujos kits contam com pequeninas peças usadas para montar, como o modelo que reproduz o Castelo de Himeji (primeiro do Japão a se tornar Patrimônio Mundial) e o Castelo de Shuri, localizado na província de Okinawa; o “Metallic Nano Puzzle” (2011), uma placa de aço de 0,2 mm de espessura, finamente processada por gravação e laser que pode ser dobrada e encaixada para montar uma peça repleta de detalhes; e o “Crystal Puzzle” quebra-cabeça tridimensional feito com contas transparentes e brilhantes que formam personagens como Totoro, da animação do estúdio Ghibli “Meu Vizinho Totoro” (1988), e os irmãos Doraemon e Dorami, do desenho “Doraemon”( 1973).

Para aprofundar o tema da exposição, a JHSP oferecerá em sua programação paralela uma extensa série de eventos voltados para as crianças durante todo o período expositivo. Dentro do programa JHSP Acessível, a exposição “Dōshin: os encantos dos brinquedos japoneses” conta com recursos táteis, audiodescrição e Libras.

No Japão, o Dia das Crianças é comemorado no dia 5 de maio, diferente do Brasil, que adotou o dia 12 de outubro. Tradicionalmente nesta data, os japoneses hasteiam o koinobori (flâmulas em formato de carpas) como um pedido para que as crianças cresçam saudáveis e sejam felizes. Tendo como inspiração esse costume e a chegada das férias escolares em julho, a instituição realizará um workshop de produção de koinobori, além de promover experiências com o jogo igo (onde os jogadores alternam em rodadas, colocando pedras pretas e brancas, competindo o tamanho do território conquistado). A programação paralela desta exposição conta com a colaboração das empresas japonesas Epoch, Hasbro e Pilot Pen do Brasil. Todos os detalhes serão disponibilizados no site e redes sociais da Japan House São Paulo.


Serviço:
Exposição “Dōshin: os Encantos dos Brinquedos Japoneses”. 
Apoio: “ToyJournal”, revista publicada pela Associação Cooperativa de Brinquedos e Bonecas de Tóquio. Curadoria: Natasha Barzaghi Geenen e Gabriela Bacelar. Período: 27 de junho a 12 de novembro de 2023. Local: Japan House São Paulo, 2º andar - Avenida Paulista, 52 - São Paulo. Horário de funcionamento: terça a sexta, das 10h às 18h; sábados, das 9h às 19h; domingos e feriados, das 9h às 18h. Entrada gratuita. Reservas online antecipadas (opcionais): https://agendamento.japanhousesp.com.br/ 

Sobre a Japan House São Paulo (JHSP):
A Japan House é uma iniciativa internacional com a finalidade de ampliar o conhecimento sobre a cultura japonesa da atualidade e divulgar políticas governamentais. Inaugurada em 30 de abril de 2017, a Japan House São Paulo foi a primeira a abrir suas portas, seguida pelas unidades de Londres e Los Angeles. Estabelecida como um dos principais pontos de interesse da celebrada Avenida Paulista, a JHSP destaca em sua fachada proposta pelo arquiteto Kengo Kuma, a arte japonesa do encaixe usando a madeira Hinoki. 

Desde 2017, a instituição promoveu mais de trinta exposições e cerca de mil eventos em áreas como arquitetura, tecnologia, gastronomia, moda e arte, para os quais recebeu mais de dois milhões de visitantes. A oferta digital da instituição foi impulsionada e diversificada durante a Pandemia de Covid-19, atingindo mais de sete milhões de pessoas em 2020. No mesmo ano, expandiu geograficamente suas atividades para outros estados brasileiros e países da América Latina. A JHSP é certificada pelo LEED na categoria Platinum, o mais alto nível de sustentabilidade de edificações; e pelo Bureau Veritas com o selo SafeGuard - certificação de excelência nas medidas de segurança sanitária contra a Pandemia de Covid-19.

segunda-feira, 19 de junho de 2023

.: "Revoada" apresenta cerca de 20 pinturas e uma instalação inédita

Pinacoteca de São Paulo realiza exposição de Antonio Obá com instalação inédita. Com obras fundamentais, Revoada é a primeira mostra de um artista brasileiro a ocupar a Galeria Praça, na Pina Contemporânea. Foto: Fata Morgana nº 1 (2022)


A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, apresenta Antonio Obá: Revoada, segunda mostra a ocupar a Galeria Praça da recém-inaugurada Pinacoteca Contemporânea. Com curadoria de Ana Maria Maia e Yuri Quevedo, Revoada apresenta cerca de 20 pinturas e uma instalação inédita, que dá título à exposição, tendo a figura da criança como fio condutor. Também compõem a mostra obras pouco vistas no Brasil, como Banhistas nº 3 – Espreita (2020) e Fata Morgana nº 1 (2022).

O trabalho de Antonio Obá é constituído por três importantes pilares, que conduzem a narrativa desta exposição: a rememoração de acontecimentos históricos – em geral marcos de violência e luta por direitos de pessoas negras nos Estados Unidos –, a atribuição de novos significados a esses episódios e o processo educativo. Juntos, cada um desses aspectos do trabalho constituem um programa para lidar com o tempo, articulando ações de ressignificação, transformação e emancipação.

A instalação Revoada foi construída em diálogo com a história do museu, que nasceu originalmente para ser uma escola. No início do século XX, o edifício da Pina Luz funcionava como o Liceu de Artes e Ofícios, escola dedicada à educação artística voltada para a capacitação profissional dos alunos. Entre as técnicas ensinadas no Liceu estava a fundição, linguagem escolhida pelo artista para desenvolver a instalação. Durante os últimos meses, Obá organizou oficinas na Pina Contemporânea, na Ocupação 9 de Julho (Movimento Sem Teto do Centro) e no Colégio Vera Cruz, onde moldou cerca de 200 pares de mãos de crianças em resina. Agora essas peças vão alçar voo na Galeria Praça – pavilhão que conserva os arcos trabalhados em ferro da construção da antiga Escola Estadual Prudente de Morais.

Fundindo essas mãos, Obá ensina o procedimento da moldagem ao mesmo tempo que interpreta a presença dessas crianças no espaço; considerando a marca expressiva de cada uma. Contida nesse gesto, está a crença na dimensão coletiva das memórias e na educação como processo que garante autonomia e liberdade. Os sujeitos lembram, sabem e agem”, conta o curador Yuri Quevedo.

As crianças em Antônio Obá

Além da instalação, 20 pinturas se organizam a partir do tema da infância e de um movimento vertical, muito presente no trabalho de Obá. No percurso de revisitar momentos da história, o artista inscreve a tragédia e a violência em um tempo mítico, transformando os personagens históricos em entidades, arquétipos que podem rever sua posição na própria história. Por meio de seu trabalho, Obá busca transmutar momentos trágicos em episódios poéticos, sem dessa maneira esquecer aquilo que martirizou quem viveu esses momentos. Esse procedimento pode ser observado em Figuras no caminho “Criança suspensa” (2022), em que o artista retoma a iconografia cristã da crucificação, suspendendo um garoto sobre pernas de pau, seguradas por duas meninas. A suspensão retira o garoto da terra e do tempo corrente. Nesse tempo sem dor, a coroa não é mais de espinhos, mas sim de flores.

A infância em Antônio Obá não é ingênua. As crianças-personagens do artista são agentes do seu tempo, conscientes e capazes de transformar o mundo. Na pintura Tocaia (2019), um menino santo, sem rosto, é atacado por uma pomba, ao mesmo tempo em que consegue reter uma segunda ave com a outra mão. O garoto aprende, se disfarça de isca, atrai e domina seu algoz.

A criança de Wade in the water - after Adriana Varejão (2019), nos desafia frente a uma piscina que se refere à série Saunas, da artista citada no título. A pintura faz alusão à canção Wade in the water, do gênero spirituals, criada e cantada por negros escravizados nos Estados Unidos. A letra é atribuída a Harriet Tubman (Condado de Dorchester, 1822 – Auburn, 1913), uma mulher negra, que nasceu escravizada, e se tornou importante agente na luta pela abolição e, posteriormente, pelo voto feminino. Tubman conduzia fugitivos por uma rota conhecida como Underground Railroad [Ferrovia subterrânea], cantando a canção como uma forma de alertar quem protegia para se esconder. Relatos afirmam que ela salvou cerca de 300 pessoas.

Em Banhistas nº 3 – Espreita (2020), Obá faz referência a um acontecimento de junho de 1964, no hotel Monson Motor Lodge, Saint Augutine, Flórida. Martin Luther King (Atlanta, 1929 – Memphis, 1968), líder do movimento anti-segregacionionista, tentou se servir de almoço e foi impedido pelo gerente. Ao insistir, foi preso por invasão de propriedade. Dias depois, um grupo de manifestantes brancos e negros mergulhou na piscina do hotel em sinal de protesto. Em reação, o mesmo gerente despejou um galão de ácido muriático nas águas. A fotografia mais famosa desse acontecimento é de Horace Cort (1913 - 1988), a partir da qual Obá pinta. Na obra, o vilão dá lugar a um crocodilo, uma alusão às histórias em que crianças escravizadas eram usadas como isca. As crianças da cena ficam à espreita, elas agora se tornaram predadoras.

Obras que retomam a ideia de um movimento de suspensão dos personagens complementam a mostra. Fata Morgana nº 1 (2022), os estandartes Crianças suspensas (2022), Angelus (2022) e a série Strange fruit [Fruto estranho], poucas vezes expostas no Brasil, poderão ser vistas pelo público. O visitante terá acesso a vídeos explicativos sobre cada obra da exposição, na voz do artista, por meio de um QR Code.

A exposição Antonio Obá: Revoada é patrocinada pela Livelo, na cota Apresenta.

O artista: Antonio Obá (Ceilândia, 1983) vive e trabalha em Brasília. O artista participa de exposições coletivas e individuais desde 2001, com um trabalho que maneja história e universo simbólico, alinhavando linguagens e experiências próprias. Suas últimas exposições incluem Path, Oude Kerk, Amsterdam; Antonio Obá: Fables, X Museum, Pequim (2022); Carolina Maria de Jesus, um Brasil para os brasileiros, IMS Paulista, São Paulo (2021); Enciclopédia Negra, Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo (2021).


Exposição: Antônio Obá: Revoada

Período: 24.06 a 18.02.2024

Curadoria: Ana Maria Maia e Yuri Quevedo

Pinacoteca Contemporânea – Galeria Praça

De quarta a segunda, das 10h às 18h

Gratuitos aos sábados - R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia-entrada)

Lançamento do catálogo: 24.06.23, em loja física e no site.

quinta-feira, 8 de junho de 2023

.: 130 anos do Viaduto do Chá em exposição do Museu da Cidade de SP


Exposição " Chá, Um Viaduto. Algumas Histórias" segue em cartaz na unidade do Museu da Cidade de São Paulo, Chácara Lane até dia 28. Cerca de 45 itens trazem à tona a representatividade do viaduto para a expansão da cidade de São Paulo. Na imagem, Benedito Junqueira Duarte (Franca, SP, 1910 - São Paulo, SP, 1995). Vale do Anhangabaú, 1943. Reprodução de fotografia em preto e branco.Acervo Museu da Cidade de São Paulo

Mais que um mero recurso de travessia, o Viaduto do Chá é um símbolo de modernidade para São Paulo. Essa é a defesa feita pela exposição "Chá, Um Viaduto. Algumas Histórias", que está em cartaz na Chácara Lane, unidade do Museu da Cidade de São Paulo, instituição vinculada à Secretaria de Secretaria Municipal de Cultura. A mostra é reflexo de extensa pesquisa da curadora e historiadora da arte Ana Paula Nascimento e celebra 130 anos deste marco do urbanismo. "Chá, Um Viaduto" exigiu uma seleção iconográfica a partir de croquis, fotografias, cartões-postais, coleta de depoimentos, vídeo, obras de arte e registros de instalações, e poderá ser conferida até 28 de junho de 2023.

Ao todo foram reunidas mais de 45 peças pertencentes ao acervo do Museu da Cidade de São Paulo e de outras instituições de memória, dentre elas as bibliotecas da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) e da Escola Politécnica (EP) da Universidade de São Paulo, além do Instituto Moreira Salles (IMS) e do Arquivo Histórico Municipal de São Paulo. Entre as obras estão a reprodução de uma perspectiva de Flávio de Carvalho para o concurso de 1934, assim como as de Elisário Bahiana e Rino Levi, e registros do viaduto efetuados por grandes nomes da fotografia brasileira, como Marc Ferrez, Benedito Junqueira Duarte, Marcel Gautherot, Alice Brill e Juca Martins.

“O grande propósito é mostrar o viaduto muito além de um lugar de passagem”, almeja a curadora. “Sobretudo, interessa levar ao conhecimento e à reflexão o simbolismo, o caráter representativo dessa estrutura para a cidade de São Paulo”, explica. “A exposição recupera a cronologia e contextualiza a relevância do Viaduto do Chá, trazendo informações que vão desde a inauguração do primeiro viaduto, feita em metal, até as interferências artísticas levadas a cabo no espaço em dias atuais”, completa.

Benedito Junqueira Duarte (Franca, SP, 1910 - São Paulo, SP, 1995). Viaduto do Chá, 1938. Fotografia em preto e branco. Acervo Museu da Cidade de São Paulo. Espectador e palco constantes

Tema de música e cenário de novela, o Viaduto do Chá é um dos grandes marcos da arquitetura paulista. A primeira estrutura, feita em treliça metálica, foi idealizada pelo litógrafo francês Jules Martin e oficialmente inaugurada em 6 de novembro de 1892 – sendo contemporânea à celebrada Torre Eiffel, construída em Paris em 1889 com o mesmo material.

Trata-se do primeiro viaduto construído na capital paulista, ligando a colina do Triângulo Histórico ao então “Centro Novo”. Seu nome faz referência ao Morro do Chá, localizado na encosta da atual Rua Xavier de Toledo e às plantações de chá que existiam naquele período no Vale do Anhangabaú. Sua instalação suscitou o embelezamento da região, sendo criado o Parque Anhangabaú, concluído no final da década de 1910, ao lado dos edifícios de fachadas europeias.

Com o aumento do trânsito, congestionamentos e forte urbanização do centro de São Paulo, a estrutura passou a dar sinais de fadiga. Para substituí-lo, a Prefeitura instituiu durante a década de 1930 um concurso para a construção de outro viaduto no mesmo local. Levou a proposta do arquiteto carioca Elisário Bahiana, responsável também por projetar, em uma das cabeceiras do Viaduto, o edifício que por muitos anos abrigou o Mappin. 

Em 18 de abril 1938 o novo viaduto foi inaugurado ao lado do antigo, construção esta em concreto armado, com quase o dobro da largura. No dia, a estrutura metálica começou a ser desmontada. “O Chá é testemunha e parte ativa da transformação da região do Vale do Anhangabaú de quintal a centro simbólico, convertido em principal cartão-postal da cidade ao menos até meado do século 20”, relata a curadora. “É nesta área que por um período ocorre a maior travessia de pedestres da urbe. Mas, além das aglomerações e do trânsito intenso, ele presenciou e presencia comemorações, espetáculos, práticas comerciais, manifestações artísticas, atos cívicos e ações solitárias”, conclui.

Marc Ferrez (Rio de Janeiro, RJ, 1843-1923). São Paulo - Viaduto do Chá, 1892-1898. Ambrotipia. Acervo Museu da Cidade de São Paulo


Percurso
A mostra ocupa sete salas, distribuídas em dois andares da Chácara Lane. Na primeira galeria, o público se depara com fotografias realizadas ao longo da existência do viaduto, revelando uma São Paulo que se moderniza rapidamente ao longo do século 20. Nesse ambiente também estarão expostos cartões-postais que desvelam o magnetismo do viaduto.

Na sala seguinte, os visitantes poderão conhecer as reproduções, tanto parcial do projeto de Jules Martin, como de alguns dos projetos que participaram do concurso para elaboração da nova versão do Chá. Em um ambiente anexo, o visitante encontra também espaço destinado à leitura e pesquisa de títulos, materiais acadêmicos e catálogos relacionados ao Viaduto e aos artistas com trabalhos na exposição. Na sala ainda uma maquete tátil do viaduto.

Em seguida, o visitante irá se deparar com fotografias que colocam, lado a lado, as duas versões do viaduto – a estrutura metálica, desmontada, e a atual, de concreto armado – e também terá acesso a um ambiente dedicado a exibir vídeo-depoimentos de três professores vinculados à USP: Fraya Frehse, Regina Meyer e Ricardo Marques de Azevedo.

No segundo andar, os visitantes terão acesso a registros e obras relacionadas às instalações artísticas. De Rubens Mano um nova apresentação de Detetor de ausências, reflexão a partir de apresentado em 1994 no contexto da exposição Arte cidade: a cidade e seus fluxos.De Ana Teixeira, que efetua ações desde a década de 1990, os registros e objetos de Escuto histórias de amor e Outra identidade. Ambos se valeram do Viaduto do Chá para discutir identidade, solidão e pertencimento. Em outra galeria são apresentadas fotografias que mostram cenas cotidianas no local: pedestres em passagem, multidões reunidas, trânsito movimentado...

Também neste andar estão presentes os trabalhos de Paulo von Poser, artista apaixonado pela cidade de São Paulo, em especial pelo centro histórico. Ele também coordenou, junto com Carla Caffé, um desenho coletivo do Viaduto do Chá especialmente realizado  para a exposição pelos estudantes da disciplina que ministra na Escola da Cidade. Para finalizar, uma linha do tempo dessa estrutura tão emblemática da capital paulista.


Flávio de Carvalho (Barra Mansa, RJ, 1899 - Valinhos, SP, 1973). Projeto para o Viaduto do Chá, vista do Anhangabaú, 1934. Guache sobre papel. Reprodução. Acervo Biblioteca da Escola Politécnica da USP
 

Atualizações constantes
De longa duração, Chá, um viaduto contará com ativações e novidades ao longo do período expositivo. Até o fim de janeiro, a mostra vai inaugurar uma sala com fotografias do viaduto realizadas por Cristiano Mascaro especialmente para a mostra.

No mesmo mês, será montada uma projeção imersiva a partir de uma filmagem realizada por drone ao redor do Viaduto e do Vale do Anhangabaú, de modo a fazer com que o visitante sinta que está sobrevoando a região. Além disso, será realizada uma pequena mostra itinerante no passeio do viaduto, em que serão distribuídos painéis com reproduções das fotografias feitas no local em diferentes momentos.


Sobre o museu
A Chácara Lane, localizada no Centro da capital paulista, é uma das 13 unidades do Museu Cidade de São Paulo, que tem como sede o Solar da Marquesa dos Santos e inclui entre seus espaços de exibição a Casa Modernista e a Cripta Imperial. Identificado com a categoria de museu de cidade (ICOM/UNESCO), além de seus acervos institucionais, o Museu toma a cidade e seus territórios como acervo operacional, sob a ótica interdisciplinar com várias abordagens teóricas, como arquitetura, história, sociologia e arqueologia. 


Serviço
Exposição: "Chá, Um Viaduto. Várias Histórias". Até dia 28 de junho de 2023. De terça-feira a domingo, das 9h às 17h. Local: Chácara Lane – Rua da Consolação, 1024, Centro - São Paulo. Gratuito.

quarta-feira, 7 de junho de 2023

.: Mostra de holandeses "Studio Drift - Vida em Coisas" em cartaz no CCBB SP


Shylight | Drift | 2006-2014. Alumínio, aço inoxidável polido, seda, luzes de LED e robótica. Foto: Ossip van Duivenbode 


A partir de 14 de junho, o Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo apresenta uma seleção bastante representativa da produção do "Drift", dupla de artistas holandeses que recupera em esculturas e instalações a relação da humanidade com a natureza. As obras "Amplitude" e "EGO" ocuparão o novo anexo de 300 metros quadrados que marca a expansão do CCBB SP, localizado bem à frente do endereço tradicional do museu; o novo espaço cultural possui dois andares, auditório reversível e corrobora com a transformação do centro histórico da cidade. 

Em 2007, os artistas Lonneke Gordijn e Ralph Nauta criaram o "Drift", na Holanda. Desde então, eles vêm desenvolvendo esculturas, instalações e performances que colocam pessoas, ambiente e natureza na mesma frequência. Suas obras sugerem ao público uma reconexão com o planeta e poderão ser conferidas gratuitamente entre 14 de junho e 7 de agosto, no CCBB SP.  

Usando a luz como um dos elementos básicos de construção de sua arte, a dupla explora as relações entre humanos, natureza e tecnologia de forma simples e ao mesmo tempo profunda, conferindo aos visitantes a oportunidade de vivenciarem obras que tocam em elementos essenciais da vida na Terra. De acordo com Alfons Hug, curador da mostra, ao colocar a luz como elemento central de suas composições artísticas, o "Drift" “aponta para a ociosidade da vida cotidiana e a futilidade da atividade humana". O curador afirma ainda que a luz, no DRIFT, “nos faz pensar no mundo de hoje, mas também em nossas origens, pois esta luz vem de longe e contém um vislumbre do passado remoto”.


Racionalidade
Marcello Dantas, curador da exposição ao lado de Hug, explica que existe uma racionalidade por trás das obras do "Drift", que é a possibilidade da natureza e da tecnologia viverem em harmonia. "Seja pelo mundo biônico, seja pelo conceito de animismo, em que todas as coisas - animais, fenômenos naturais e objetos inanimados – possuem um espírito que os conecta uns aos outros”. 

O "animismo" em "Drift" significa, por exemplo, transformar um robô numa flor, revelando o encontro entre “a projeção que fazemos das coisas e aquilo que elas potencialmente podem ser”, complementa Dantas. “Ao estudar os seres vivos e tentar emular artificialmente seu comportamento, passamos a criar uma escuta e uma linguagem que, em alguma dimensão simbólica, podem ser sincronizadas"

Um dos destaques da mostra é "Shylight" (algo como “luz tímida”, se traduzido para o português). Trata-se de uma escultura hipnótica que se abre e se fecha, numa fascinante coreografia que mimetiza o comportamento de flores que, durante a noite, se fecham, numa medida de proteção e de economia de recursos. Se grande parte dos objetos feitos pelos homens tendem a ter uma forma fixa, o projeto do "Drift", neste caso, é recuperar a ideia de que, na natureza, tudo está em constante metamorfose e adaptação. Assim, os objetos animados ganham a força de expressar, caráter e emoção.  


Campana
Na passagem por São Paulo, a exposição contará com a exibição inédita da obra "Cadeira Banquete", criada em parceria com o Estúdio Campana, dos irmãos e designers Humberto Piva Campana e Fernando Piva Campana. A peça desconstruída ganhará a forma de blocos sugerindo reflexões sobre sua funcionalidade.

"Cadeira Banquete" integra a série "Materialism", composta também por Fusca Volkswagen:uma escultura pesada que comprime, em blocos, todos os materiais secos que compõem um carro – no caso, um Fusca. Assim, os materiais ganham uma forma condensada, instigando a imaginação sobre o papel humano na transformação da natureza.  

"Fragile" Future procura fundir natureza e tecnologia em uma escultura multidisciplinar de luz. Temos, aqui, uma visão utópica e crítica do futuro do nosso planeta, em que duas formas de evolução aparentemente opostas realizam um pacto de sobrevivência. Circuitos elétricos tridimensionais, de bronze, ficam conectados a sementes da planta dente-de-leão, que emitem luzes.  

Trata-se de uma escultura com forma potencialmente infinita, que pode crescer ou encolher, dependendo do espaço que ocupa. Para a construção, a dupla recorreu a sementes que, uma a uma, receberam luzes de LED, num processo artesanal que resiste aos métodos de produção em massa e à cultura do descarte.  

A escultura "Ego", pensada inicialmente para compor o cenário da ópera Orfeu, representa a rigidez da produção da humanidade e o quanto é importante que essa produção se torne fluida, para que não colapse. A obra questiona o quanto nossas esperanças, verdades e emoções são resultado direto da rigidez ou da fluidez de nossa mente. Um bloco de fibra de náilon oscila, graças à ação de oito motores e um algoritmo pensado especialmente para a obra.  

Também fazem parte da exposição as peças "Amplitude", "Franchise Freedom", "Coded Nature", "Drifters", "Dandelight" e "Making of Drift", uma instalação com peças que mostra uma espécie de “making of” do trabalho da dupla. Para a construção dessas obras monumentais, os artistas comandam uma equipe multidisciplinar de 64 pessoas, com um estúdio em Amsterdã e outro em Nova Iorque. 


Expansão
As obras de "Drift" marcam também a primeira mostra no CCBB São Paulo a ocupar, além das galerias tradicionais do edifício criado pelo arquiteto Hippolyto Pujol Junior, um novo anexo com 300 metros quadrados imediatamente à frente do CCBB. "É uma expansão que reforça nossa característica de espaço cultural, de encontros, reflexões e memória", descreve Claudio Mattos, Gerente Geral do CCBB. De acordo com o executivo, "a iniciativa corrobora com a transformação do centro histórico da cidade"

"Studio "Drift - Vida em Coisas" tem curadoria de Alfons Hug e Marcello Dantas e após a passagem por São Paulo percorrerá os CCBBs Belo Horizonte e Brasília. O patrocínio da mostra é do Banco do Brasil e da BB Asset Management, com produção executiva da Madai Art. Ingressos disponíveis em bb.com.br/cultura e na bilheteria física do CCBB SP. 


Serviço
Exposição "Studio Drift - Vida em Coisas". Local: Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo. Data de abertura: 14 de junho. Funcionamento: todos os dias, das 9h às 20h, exceto às terças-feiras.Ingressos gratuitos: disponíveis em bb.com.br/cultura e na bilheteria física do CCBB SP. Entrada acessível: pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida e outras pessoas que necessitem da rampa de acesso podem utilizar a porta lateral localizada à esquerda da entrada principal. Informações: (11) 4297-0600. Estacionamento: O CCBB possui estacionamento conveniado na Rua da Consolação, 228 (R$ 14 pelo período de 6 horas - necessário validar o ticket na bilheteria do CCBB). O traslado é gratuito para o trajeto de ida e volta ao estacionamento e funciona das 12h às 21h. Transporte público: O Centro Cultural Banco do Brasil fica a 5 minutos da estação São Bento do Metrô. Pesquise linhas de ônibus com embarque e desembarque nas Ruas Líbero Badaró e Boa Vista. Táxi ou Aplicativo: Desembarque na Praça do Patriarca e siga a pé pela Rua da Quitanda até o CCBB (200 m). Van: Ida e volta gratuita, saindo da Rua da Consolação, 228. No trajeto de volta, há também uma parada no metrô República. Das 12h às 21h.

terça-feira, 23 de maio de 2023

.: MAB FAAP abre exposição com uma das maiores coleções de cartazes


“Cinematográfica” apresenta 56 cartazes de filmes, assinados por personalidades como Francis Ford Coppola, Alan Parker, Wim Wenders, Laís Bodansky e Anselmo Duarte.


O Museu de Arte Brasileira MAB FAAP, abre ao público no dia 23 de maio, a exposição “Cinematográfica”, que apresenta uma das maiores coleções de cartazes de cinema do país. Na mostra, com curadoria do professor e pesquisador Rubens Fernandes Junior, o público poderá ver 56 cartazes de filmes nacionais, internacionais e animações, feitas entre 1969 e 2017. Todos eles estão assinados por algum dos envolvidos no processo de criação do filme, como diretores, produtores, ilustradores e atores que estiveram presentes na FAAP.

Entre as curiosidades estão o cartazes dos filmes "O Poderoso Chefão", de 1972, assinado pelo diretor Francis Ford Coppola, Medo e Obsessão, assinado pelo diretor Wim Wenders, "O Fantástico Mundo do Dr. Kellogg", assinado pelo diretor Alan Parker, "O Rei Leão", assinado pelo diretor de animação Aaron Blaise, e o mais antigo desta mostra, "O Comissário Pepe", de 1969, assinado por Maria Sole Tognazzi, filha do ator Ugo Tognazzi. O que era uma peça descartável de produção industrial, quando autografadas, ganham uma nova e indiscutível importância cultural.

A exposição está dividida em quatro núcleos: cartazes de filmes internacionais, nacionais, de animação e de filmes realizados por professores e ex-alunos. “O cartaz de cinema tem uma dimensão utilitária e temporal, assim como é uma peça efêmera, presumivelmente descartável. Ele tem um caráter prosaico e cumpre uma função bem objetiva. É um impresso multiplicado em grandes tiragens, cuja finalidade primeira é a comunicação e a divulgação do filme. Buscamos manter esse expressivo conjunto que, ao longo do tempo, adquiriu um inestimável valor histórico”, explica o curador da mostra professor Rubens Fernandes Júnior.


Cartazes de cinema movimentam milhões no mercado de leilões
Um leilão ocorrido em maio nos Estados Unidos, com cerca de mil cartazes de clássicos do cinema, promovido pela Propstore, um dos principais fornecedores mundiais de adereços e figurinos de filmes, movimentou quase US$ 2 milhões. O valor de algumas peças, como o pôster do filme de faroeste Cimarron (1931), vencedor do Oscar de Melhor Filme, foi avaliado em mais de US$ 100 mil (R$ 500 mil). Estima-se que exista apenas quatro cópias dele no mundo.

Cartazes de filmes como "O Vampiro de Dusseldorf "(1931), do diretor Fritz Lang, "Star Wars: Episódio VI - O Retorno de Jedi" (1983) e "Star Wars: Episódio IV - Uma Nova Esperança" (1977), podem chegar à valores entre US$ 30 mil e US$ 60 mil (R$ 151 mil e R$ 303 mil). Enquanto cartazes de outros filmes clássicos, como "Relíquia Macabra" (1941), "Casablanca" (1942), "A Guerra dos Mundos" (1953), "Sangue de Pantera" (1942), "Os Sete Samurais" (1954), "2001: Uma Odisséia no Espaço" (1968), "Vampiros de Almas" (1956) e "Narciso Negro" (1947), também foram à venda, por preços que variaram entre US$ 3.000 e US$ 40 mil (R$ 15 mil a R$ 201 mil). A Propstore não disponibiliza os valores arrecadados em seus leilões.

Em 2012, na Austrália, foi a leilão uma das maiores coleções do mundo, com cerca de sete mil cartazes de clássicos do Cinema Mundial, onde um sortudo colecionador adquiriu uma cópia em francês do clássico "King Kong", de 1933, por US$ 100 mil. Essa pode ser a única cópia existente no mundo. A coleção do cenógrafo e artista português, Joaquim António Viegas, foi anunciada como uma possível candidatura ao Tesouro Nacional, a convite do Museu Municipal de Faro. Joaquim costumava dizer que “Há raríssimos cartazes que sobreviveram, quando os próprios filmes não o conseguiram fazer. Se sobreviveram, estão esquecidos e não são encontrados”.


Filmoteca FAAP
A Filmoteca FAAP detém uma das maiores coleções de cartazes de cinema do país e reúne, cerca de 900 títulos em película (35mm, 16mm, Super 8mm), aproximadamente 7500 cartazes e cerca de 10.000 fotografias de still, uma referência para pesquisadores. Uma coleção institucional única no país, mantida pelo Centro Universitário FAAP. Uma fabulosa reunião de singularidades, com afinidades estéticas e gráficas, de caráter aberto e dinâmico, preservada e disponível para professores, alunos e pesquisadores.


Exposição "Cinematográfica"
Abertura: 23 de maio, às 18h. Período de visitação: 24 de maio a 6 de agosto. Horário: Todos os dias, das 10h às 18h, exceto as terças-feiras (fechado, mesmo aos feriados). Endereço: R. Alagoas, 903 - Higienópolis - São Paulo. Informações: (11) 3662-7198. Entrada: gratuita. Cartazes assinados por: Wim Wenders, Francis Ford Coppola, Allan Parker, Giuseppe Tornatore, Carlos Saldanha, Jorge Bodansky, Fernando Meirelles, Eduardo Coutinho, João Moreira Salles, Laís Bodansky, Anselmo Duarte, Breno Silveira, Aaron Blaise, Tarcísio Meira, Djalma Limongi Batista, Cao Hamburguer, Rodrigo Teixeira, Paulo Morelli, Marcos Caruso, José Gozze, Hugo Prata, Andrucha Waddington, Esmir Filho, Kiko Goifman, Breno Silveira, Marchi, Rodrigo Santoro, Luiz Bolognesi, Lázaro Ramos, Suzana Amaral, Park Chan-Wook, Giuseppe Tornatore, Alê Abreu, Vincent Gallo, Mauro Lima, Selton Mello, Charly Braun, Atom Egoyan, Marina Person, Samuel de Castro, Tony Ramos, Andrea Tonacci, Marco Dutra, Paulinho Caruso e Teodoro Poppovic.


Sobre o MAB FAAP
Desde que abriu suas portas pela primeira vez em 10 de agosto de 1961, com a mostra “Barroco no Brasil”, o Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) se comprometeu a incentivar e divulgar a arte brasileira. Além de seu acervo próprio que conta com mais de 3 mil obras de arte a partir do final do século 19, no decorrer dos últimos anos, abrigou exposições marcantes para a história da cultura do País, como a exposição “Toyota - O Ritmo do Espaço” premiada pela APCA em 2018.

Em 2016, foi criada a Coleção Moda-MAB que reúne vestimentas, bonecas e acessórios de estilistas contemporâneos brasileiros, fortalecendo o vínculo entre o museu e a moda, que desde 1989 esteve presente por meio de desfiles e exposições vinculadas ao tema. Cabe destacar que além da pesquisa e organização de exposições de temas pertinentes às artes visuais brasileiras, o MAB incorporou a apresentação de mostras de arte internacional com temáticas de interesse geral que trazem experiências significativas ao público e ampliam a compreensão do fazer artístico e cultural. 

Desde agosto de 2021, o Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas e assiste todas as estreias na unidade em Santos. Também é parceiro da MUBI desde abril de 2023. Assine a MUBI e fique por dentro das novidades do cinema neste link.

sábado, 20 de maio de 2023

.: Mirante do Sesc 24 de Maio reabre portas, com vistas deslumbrantes de SP


Os visitantes poderão desfrutar novamente do icônico Mirante do Sesc 24 de Maio, localizado no coração de São Paulo, com horário de funcionamento de terça a sábado, das 10h às 18h30, e aos domingos e feriados, das 10h às 17h30. Foto: Helô Goes


O Sesc 24 de Maio anuncia a reabertura de seu Mirante, um dos pontos turísticos mais emblemáticos da cidade de São Paulo. A partir deste sábado, dia 20 de maio, os visitantes poderão desfrutar novamente da bela vista oferecida por esse espaço privilegiado no coração da metrópole.

Os visitantes têm a oportunidade de contemplar a paisagem urbana, admirar os principais pontos turísticos do centro, como o Terraço Itália e o Farol Santander (antiga torre Banespa) e apreciar a riqueza cultural e arquitetônica que a cidade tem a oferecer vista do alto.

O horário de funcionamento do Mirante do Sesc 24 de Maio será de terça a sábado, das 10h às 18h30, e aos domingos e feriados, das 10h às 17h30. Não haverá distribuição de ingressos nem agendamento prévio, mas atenderemos ao público seguindo a disponibilidade e a capacidade máxima permitida para o espaço.

Para que esta experiência seja ainda mais completa, o Sesc 24 de Maio oferece diversificadas programações, como a exposição "Utopia Brasileira - Darcy Ribeiro 100 Anos" que ficará em cartaz até 25/06 e muitas outras atividades voltadas a todos os públicos.

Além disso, nosso jardim da piscina, no 11º andar, conta com café que oferece opções deliciosas de lanches e bebidas, proporcionando um momento agradável de descanso e descontração enquanto aprecia a vista da cidade da garoa.


Serviço

Horário de funcionamento do mirante: terça a sábado: 10h às 18h30. Domingo e feriado: 10h às 17h30. "Utopia Brasileira - Darcy Ribeiro 100 Anos". Local: 5º andar - Sesc 24 de Maio, rua 24 de Maio, 109, São Paulo. Período expositivo: até 25 de junho de 2023. Horário de funcionamento: terça a sábado, das 9h às 21h; domingos e feriados, das 9h às 18h. Acessibilidade: mobiliário acessível; audioguia geral e audiodescrição de objetos táteis; videoguia em Libras com Legendagem para Surdos e Ensurdecidos (LSE) e vibroblaster para obras sonoras; réplica, maquete e mapa táteis; piso podotátil e impressão dos textos em dupla leitura (português ampliado e Braile). Classificação: livre. Ingressos: entrada gratuita.


Sesc 24 de Maio
Rua 24 de Maio, 109, Centro, São Paulo. 350 metros do metrô República. Telefone: (11) 3350-6300.


quinta-feira, 27 de abril de 2023

.: Exposição “Diversidade” na Academia Brasileira de Arte será neste sábado

No próximo sábado, dia 29 de abril, o Coletivo Let´s traz para a Academia Brasileira de Arte, em Moema, performances de artes plásticas, teatro, música e dança. A exposição #Diversidade contará com a mostra de obras dos artistas participantes, oficina, música ao vivo e live painting, onde o público poderá prestigiar artistas visuais produzindo seus trabalhos ao vivo.

“O objetivo do evento é apresentar o universo criativo de múltiplos artistas como inspiração empreendedora. Misturando diversas linguagens é possível expandir a criatividade”, explica o fotógrafo Bruno Okubo, um dos organizadores do Coletivo Let´s, que desde 2015 realiza vivências criativas. 

O artista Naoki Takada se inspira em seu estilo de vida surfista e  sua origem oriental. Foto: Daniel Bonozati


A performance visual vai reunir pinturas ao vivo de dois artistas cuja a ancestralidade africana e oriental são fontes de inspiração. Morando em São Paulo desde o final de 1990,  o artista plástico baiano Ógbá é conhecido por grafitar  diversos muros com motivos africanos. Já a inspiração do artista plástico Naoki Takada vem de seu estilo de vida surfista,  sua origem oriental e o fascínio pela obra "A grande onda de kanagawa", a mais famosa xilogravura do mestre japonês Katsushika Hokusai e a primeira pintura na série Trinta e seis vistas do Monte Fuji. 


Morando em São Paulo desde o final de 1990,  o artista plástico baiano Ógbá é conhecido por grafitar  diversos muros com motivos africanos. Foto: Ógbá

Customização de objetos
Além de presenciar a pintura ao vivo, o público também poderá ter peças customizadas pela fusão da arte desses artistas. Após inúmeros diálogos sobre a cultura africana e oriental presentes em suas pesquisas, os artistas Ógbá e Takada iniciaram um trabalho em parceria. Nasceu assim uma união de composições orgânicas que mesclam as culturas distintas através das obras de arte. 


Oficina Refazendo arte
Durante o evento, quem quiser aprender mais sobre arte, poderá participar de uma oficina ministrada pela artista plástica Silvia Borini, ganhadora, entre outros, do Prêmio Internacional de Artes Plásticas – Brasil-Extremo Oriente (1986).


“A Saga de Otello”
O evento contará ainda com uma performance do artista Alberto Garcia com trechos da peça teatral “A Saga de Otello”, além de música ao vivo com os músicos Raphael Badessa e Dudu Sales, Flash Tattoo, Music Painting, bate-papo sobre processos criativos e apresentação de documentários sobre artistas envolvidos desde 2015 no Coletivo Let´s. Os presentes também contarão com um coquetel.


Serviço:
Exposição “Diversidade”
Data: 29 de abril
A partir das 18h
Local: Academia Brasileira de Arte (ABRA)
Avenida Macuco, 684, Moema, São Paulo, SP
https://abra.com.br/
Ingressos: https://www.sympla.com.br/evento/exposicao-diversidade-coletivo-lets/1952626
R$ 67

sexta-feira, 10 de março de 2023

.: Filosofia: ciclo de debates “Entreolhares” aborda Chagall e o amor


Marc Chagall | "O Sonho", 1980 | Óleo sobíe cartão, 38x46 cm | Coleção paíticular © Chagall, Marc/AUTVIS, Brasil, 2022


"Chagall e o Amor Segundo a Filosofia" é o tema da primeira edição do ciclo de debates "Entreolhares". O encontro, a ser realizado em 11 de março, às 18h, faz parte de uma série de ações especiais previstas para a temporada da exposição "Marc Chagall: Sonho de Amor", que ocorre no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB SP). O evento é gratuito e os ingressos devem ser retirados no site bb.com.br/cultura ou na bilheteria do CCBB.

A cada edição do ciclo de debates haverá a participação de um convidado. Na estreia, Alexia Bretas, doutora em filosofia e professora na Universidade Federal do ABC, fará uma palestra que oferecerá aos participantes uma visão filosófica sobre um dos temas recorrentes nas obras de Marc Chagall, o amor.

Após a palestra, o público poderá visitar a exposição e também conferir a uma apresentação do Duo Pujol formado pelos músicos Fábio Ferreira (Flauta) e Lucas Vieira (Violão), vencedores do primeiro lugar no XVIII concurso nacional de violão "Musicalis", com premiação na mostra "Nascente" promovida pela USP, no turno música de câmara .

“Este Ciclo de debates têm o propósito de convidar o público a uma imersão ainda mais profunda em seu universo poético e vibrante, proporcionando uma reflexão sobre o amor em diversas perpectivas, tudo acompanhado por intervenções artísticas mais intimistas, com solistas ou duos de música, e declamações de poesia”, aponta Cynthia Taboada, organizadora da mostra.

Os próximos encontros do ciclo "Entreolhares" estão previstos para 15 de abril e 13 de maio, sempre às 18h. Já a exposição "Marc Chagall: Sonho de Amor" permanece em cartaz até 22 de maio no CCBB SP, com entrada gratuita. A mostra, dividida em quatro seções, tem início em "Origens e Tradições Russas". Neste módulo estão presentes as obras "Aldeia Russa" ("Russian Village"), de 1929, e "Vendedor de Gado" ("Le Marchand de Bestiaux"), de 1922, cedida pelo MASP, e o livro "Maternité", com gravuras de Chagall da coleção Mario de Andrade, ambos raramente expostos.

O segundo bloco da exposição, intitulado "Mundo Sagrado", se subdivide em “Bíblia” e “A História do Êxodo”. Nele são destaques "Davi e Golias" ("David et Goliath"), de 1981, além de águas-fortes que representam alguns dos capítulos mais importantes do Velho Testamento, como "Travessia do Mar Vermelho" ("Passage de la Mer Rouge"), "Morte de Moisés" ("Mort de Moïse") e 24 litografias vivamente coloridas com os passos da "História do Êxodo".

Um poeta com asas de pintor, o terceiro módulo, reúne trabalhos ligados ao regresso de Chagall do exílio nos Estados Unidos. O mundo do circo, a vida parisiense e o  amor a Paris são os protagonistas das obras dessa seção, como "O Galo Violeta" ("Le Coq Violet"), de 1966-1972, "Músico e Dançarina" ("Musicien et Danseuse") de 1975 e a série “Derrière le Miroir” retratando lugares icônicos de Paris.

O quarto e último módulo da mostra é intitulado "O Amor Desafia a Força da Gravidade". O sentimento de amor, a sensação de estar apaixonado, o enlace dos enamorados são os temas das pinturas. Ali está uma seção de buquê de flores pintados por Chagall ao longo da carreira, como "Buquê de Rosas" ("Bouquet de Roses"), de 1930 e "Buquê de Flores Sobre Fundo Vermelho" ("Bouquet de Fleurs Sur Fond Rouge"), de 1970, "Duas Cabeças" ("Deux Têtes") de 1966, "Os Amantes com Asno Azul" ("Les Amoureux à l’anê Bleu"), de 1955, e "Os Noivos com Trenó e Galo Vermelho", ("Les Mariés au Traîneau et au Coq Rouge") de 1957.

A exposição tem patrocínio da BB Seguros e do Banco do Brasil, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. A organização e produção são da empresa Cy Museum, em parceria com a italiana Arthemisia.


Serviço
Ciclo de Debates Entreollhares
Palestra:
Chagall e o amor segundo a filosofia, pela doutora em filosofia Alexia Bretas.
Local: Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo
Data: 11 de março de 2023
Horário: às 18h
Ingressos gratuitos: no site bb.com.br/cultura e na bilheteria do CCBB
Exposição: "Marc Chagall: Sonho de Amor"
Local: Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo
Data: até 22 de maio de 2023
Funcionamento: todos os dias, das 9h às 20h, exceto às terças-feiras
Ingressos gratuitos: disponíveis em bb.com.br/cultura e na bilheteria física do CCBB SP.
Entrada acessível: pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida e outras pessoas que necessitem da rampa de acesso podem utilizar a porta lateral localizada à esquerda da entrada principal.
Informações: (11) 4297-0600
Estacionamento: o CCBB possui estacionamento conveniado na Rua da Consolação, 228 (R$ 14 pelo período de 6 horas - necessário validar o ticket na bilheteria do CCBB). O traslado é gratuito para o trajeto de ida e volta ao estacionamento e funciona das 12h às 21h.
Transporte público: o Centro Cultural Banco do Brasil fica a cinco minutos da estação São Bento do Metrô. Pesquise linhas de ônibus com embarque e desembarque nas Ruas Líbero Badaró e Boa Vista.
Táxi ou Aplicativo: desembarque na Praça do Patriarca e siga a pé pela Rua da Quitanda até o CCBB (200 m).
Van: ida e volta gratuita, saindo da Rua da Consolação, 228. No trajeto de volta, há também uma parada no metrô República. Das 12h às 21h.

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