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segunda-feira, 24 de maio de 2021

.: Crítica: "O Menino Que se Alimentava de Pesadelos", Ko Moon-young


Por: Mary Ellen Farias dos Santos


"Todas as noites, lembranças ruins que o menino queria esquecer ressurgiam em seus sonhos e o atormentavam sem parar"


"O Menino Que se Alimentava de Pesadelos", de Ko Moon-young, escrito pela sul-coreana Jo Young e ilustrado por Jam San, da Editora Intrínseca, é mais do que um conto de fadas às avessas. Já no título, o livro de 24 páginas provoca e na evolução da história, reflexões diversas são semeadas. 

A publicação em capa-dura é sobre um garotinho com um problema que insistia em não abandoná-lo. O pequeno não conseguia esquecer as memórias ruins, que, inclusive, ressurgiam em terríveis pesadelos e o atormentavam sem parar. Todas as noites. 

Eis que, por sorte, ele cruza com uma bruxa e faz uma negociação. Por outro lado, combinados têm seus preços e quando não são cumpridos, podem custar caro -para nós. Afinal, qual o preço da felicidade?

A trama do primeiro livro da coleção "It´s okay not to be okay" serve de alerta para os pequenos que tem tudo para serem felizes, enquanto que para os adultos é pura reflexão a respeito de sonhos e realizações e a eterna busca pela felicidade.

Ko Moon-young e suas obras são criações ficcionais do universo do k-drama "It´s Okay Not Be Okay". Você pode comprar "O Menino Que se Alimentava de Pesadelos", Ko Moon-young aqui: Amazon neste link: amzn.to/3xQ4hLC.

Livro: "O Menino Que se Alimentava de Pesadelos"
Autor: Ko Moon-young
24 páginas
Ano: 2021
Coleção: It´s OK not to be okay, Livro 1
Editora: Intrínseca
Link de venda: amzn.to/3xQ4hLC

*Mary Ellen Farias dos Santos é criadora e editora do portal cultural Resenhando.com. É formada em Comunicação Social - Jornalismo, pós-graduada em Literatura, licenciada em Letras pela UniSantos - Universidade Católica de Santos e formada em Pedagogia pela Universidade Cruzeiro do Sul. Twitter: @maryellenfsm

#ResenhaRápida



segunda-feira, 19 de abril de 2021

.: Resenha de "A Máfia dos Mendigos: Como a Caridade Aumenta a Miséria"

 

Por: Mary Ellen Farias dos Santos


O livro "A Máfia dos Mendigos: Como a Caridade Aumenta a Miséria", escrito pelo pastor Yago Martins e publicado pela Editora Record em 252 páginas incomoda ao trazer à tona a realidade dos moradores de rua, fato para o qual muitos insistem em tapar os olhos. Martins foi além ao se disfarçar de mendigo para entender como é a vida que ninguém deseja ter. Assim, retrata também a economia que mantém essa roda problemática a girar sem parar.

O livro dividido em três partes: "As Duas Filhas da Sanguessuga", "As Ruas Escuras da Alma" e "O Cadáver da Fé", é composto por sete capítulos, além de apresentar um texto de introdução e conclusão. "A Máfia dos Mendigos: Como a Caridade Aumenta a Miséria" expõe em letras garrafais que a miséria de um, na verdade "uns", pode ser o ganha-pão do outro. "Claro que nem toda pessoa que paga suas contas através do gerenciamento de ações de caridade possui sentimentos oportunistas, mas é de espantar que existem tantos profissionais da caridade que se esforçam em propagar as ideias políticas mais famosas por manter pessoas na pobreza durante mais tempo. Se, nestes casos, isto for mesmo proposital e pensado, há uma genialidade macabra na indústria da generosidade", expõe o autor.

Escrita pela ótica do pastor, a obra também apresenta relatos como o de Soares, policial militar de 59 anos, que vive na rua há três. "A mulher morreu de leptospirose. Ele não teve coragem de ir ao enterro. Diz que pegou o carro do filho, acelerou o máximo que pôde e bateu em um poste. Dias de coma e algumas cirurgias. [...] Foi do hospital direto para a rua porque não aguentava olhar para os filhos.

Yago Martins registra em "A Máfia dos Mendigos: Como a Caridade Aumenta a Miséria" que tentou comer lixo, mas vomitou. "Vomitei por comer o que para outros é dejeto. Vomitei pelo que aquilo representava, não pela alimentação em si. Tenho ânsias de vômito só de escrever isto". Contudo, o morador de rua Marcelo revela comer lixo e não vomitar. "Para ele é natural. O que precisa acontecer no psicológico de uma pessoa para que ela consiga se contentar em comer dejetos domésticos?"

A obra é um estudo que retrata a vida do homem nas ruas e conscientiza a respeito das variantes que levam a essa sobrevivência. "Não somos tão diferentes de mendigos. A tentativa humana de fugir da inevitabilidade da morte através de um apego cada vez maior à existência terrena é tão fútil e fracassada quanto as braçadas de desespero de quem tenta se agarrar às ondas para evitar o afogamento. Todos vamos morrer. Mais que isso, todos já estamos morrendo. E, considerando a brevidade da vida humana, sempre é mais cedo, nunca mais tarde. Numa perspectiva a longo prazo, todas as expectativas de vida tendem a zero."

"A Máfia dos Mendigos: Como a Caridade Aumenta a Miséria" é um livro que expõe um problema que, geralmente, insiste em ser jogado para debaixo do tapete. A publicação destaca a brevidade da vida humana, o apego excessivo à futilidade e a necessidade de ver o próximo como alguém que pode precisar de sua ajuda. No entanto, usa a ideia do trabalho de entidades religiosas voltado a esse público, ainda que o Brasil seja um país laico. "O trabalho e sua teologia podem ser úteis no estabelecimento so senso humano de dignidade cósmica".

Ao analisar os efeitos colaterais da caridade durante o ano em que viveu nas ruas, mesmo sem muita fundamentação teórica, o autor apega-se a própria visão diante do que experienciou. Por outro lado, Yago Martins lança luz a um tema esquecido. 

Autor: Yago Martins é pastor batista e autor de cinco obras sobre cristianismo. Dá aulas de teologia e de economia em níveis de graduação e pós-graduação em Fortaleza, São Paulo e Brasília, além de palestras por todo o Brasil e América Latina. É formado em Teologia pela Faculdade Teológica Sul-Americana (Londrina/PR), especialista em Escola Austríaca de Economia pelo Centro Universitário Ítalo Brasileiro (São Paulo/SP) e estudante do Sacrae Theologiae Magister (Th.M) em Teologia Sistemática do Instituto Aubrey Clark (Fortaleza/CE). É presidente do Conselho da Missão GAP, membro do corpo de especialistas do Instituto Ludwig von Mises Brasil e apresentador do canal Dois Dedos de Teologia no YouTube.

Livro: A Máfia dos Mendigos: Como a Caridade Aumenta a Miséria, O Pastor que Fingiu Ser Morador de Rua Explica Por Que Nossas Tentativas de Vencer a Pobreza Continuam Fracassando

Autor: Yago Martins

Editora Record

252 páginas

Venda na Amazon: amzn.to/3aaJPLa


*Mary Ellen Farias dos Santos é criadora e editora do portal cultural Resenhando.com. É formada em Comunicação Social - Jornalismo, pós-graduada em Literatura, licenciada em Letras pela UniSantos - Universidade Católica de Santos e formada em Pedagogia pela Universidade Cruzeiro do Sul. Twitter: @maryellenfsm

sexta-feira, 16 de abril de 2021

.: Resenha: "Escravidão Contemporânea", organizado por Leonardo Sakamoto

Por: Mary Ellen Farias dos Santos


Em resumo, de acordo com o Dicionário Michaelis, "escravidão" é um substantivo feminino, definido como "condição daquele que é escravo; cativeiro, escravaria, escravatura. Condição de falta de liberdade; submissão a uma autoridade despótica. Situação, atividade ou qualquer outra coisa que, pelo seu caráter repressivo, impõe alguma restrição ou constrangimento". No livro organizado pelo jornalista e conselheiro da ONU Leonardo Sakamoto, intitulado "Escravidão Contemporânea", publicado pela Editora Contexto, o tema é analisado por vários vieses focando na modernidade, as nomenclaturas recebidas ao redor do mundo, a dificuldade para o combate e o que se é feito para erradicar tal prática.

O livro sobre a escravidão, abolida desde o século XIX, retrata como a escravidão continua enraizada no Brasil e no mundo. Esbarrando no tráfico humano, cerceamento de liberdade, condições degradantes de trabalho, além da impossibilidade de romper a relação com o empregador, o que implica em ameaças com torturas psicológicas a espancamentos e, findando, em assassinatos. Confirmando assim, dados obtidos de 1995 a setembro de 2019, que totalizam mais de 54 mil pessoas encontradas em regime de escravidão em fazendas de gado, soja, algodão, café, laranja, batata e cana-de-açúcar, assim como carvoarias, canteiros de obras, oficinas de costura, bordéis, entre outras unidades produtivas no Brasil. 

Na orelha da publicação, o leitor é informado de que o volume reúne um grupo de autoridades mundiais para tratar do assunto que "é um problema de regiões de fronteira agropecuária, mas também de grandes centros urbanos". O livro de 192 páginas tem a introdução de Leonardo Sakamoto em "O Trabalho Escravo Contemporâneo". Na sequência, em oito artigos assinados, a realidade brasileira é focada, embora não deixe de tratar as formas de combate ao trabalho escravo pelo mundo.

Os oito textos que compõem "Escravidão Contemporânea" são: "Histórias de Liberdade", por André Esposito Roston; "A História da Proibição da Escravidão", por Mike Dottridge; "O Trabalho Escravo Após a Lei Áurea", por Ricardo Rezende Figueira; "Como o Brasil Enfrenta o Trabalho Escravo Contemporâneo", por Tiago Muniz Cavalcanti; "O Perfil dos Sobreviventes", por Natália Suzuki e Xavier Plassat; "Como o Mundo Enfrenta o Trabalho Escravo Contemporâneo", por Renato Bignami; "Trabalho Escravo Contemporâneo: Um Negócio Lucrativo e Global", por Siobhán Mcgrath e Fabiola Mieres e "O Impacto da Escravidão nas Mudanças Climáticas", por Kevin Bales, além de um pósfacio intitulado "A Herança do Racismo", por Raissa Roussenq Alves.

Num trecho do texto de introdução, Leornado Sakamoto informa:

"Como o Estado brasileiro já não admite a possibilidade de uma pessoas ser 'dona' de outra, também não reconhece o trabalho escravo como relação legítima ou legal. Por isso, quando nosso Código Penal foi aprovado, em 1940, esse crime ficou conhecido como 'redução à condição análoga à de escravo'. Do ponto de vista técnico e jurídico, essa é a nomenclatura para definir tal forma de exploração. Na prática, é o mesmo que trabalho escravo contemporâneo."

"Escravidão Contemporânea" é mais do que um livro, mas um estudo que retrata um problema crônico e abusivo que insiste resistir, inclusive, à aplicação de leis. No entanto, é uma bandeira de alerta para que tal abuso tenha fim. E para que a vivência do leitor seja completa, segue o desejo de Sakamato: "Que a luz da dignidade e os bons ventos da liberdade acompanhem sua leitura."

Autor: Leonardo Sakamoto é jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Professor de Jornalismo na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York. É diretor da Repórter Brasil, conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão e foi comissário da Liechtenstein Initiative – Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos. É colunista do portal UOL, onde escreve diariamente sobre política. 

Livro: Escravidão Contemporânea

Organizado por  Leonardo Sakamoto

Editora Contexto

192 páginas

Venda na Amazon: amzn.to/3dkj1Kh


*Mary Ellen Farias dos Santos é criadora e editora do portal cultural Resenhando.com. É formada em Comunicação Social - Jornalismo, pós-graduada em Literatura, licenciada em Letras pela UniSantos - Universidade Católica de Santos e formada em Pedagogia pela Universidade Cruzeiro do Sul. Twitter: @maryellenfsm




segunda-feira, 12 de abril de 2021

.: Resenha de "Coraline", de Neil Gaiman, livro para ler e reler

Por: Mary Ellen Farias dos Santos


Em "Coraline", de Neil Gaiman, a garota que dá nome ao livro, protagoniza 224 páginas, por ser dona de uma mente criativa. Filha única e tendo ao lado os pais que vivem trabalhando -verdadeiros workaholics homeoffice-, para sair do tédio, ela tenta encontrar diversão na casa nova a ponto de conhecer os vizinhos excêntricos. Embora seja chamada erroneamente de Caroline, a menina faz amizade com um treinador de ratos circenses e duas irmãs que fisicamente parecem tão diferentes, mas se completam.

Contudo, no livro tudo começa com uma portinha e sua chave. Curiosa, Coraline mergulha num universo paralelo que, no decorrer da trama, percebe ser super do mal. Lá estão, inclusive, os pais dela que fazem as vontades dela. Totalmente diferentes dos que estão do outro lado da porta na parede. Como ela os diferencia? Não apenas pelo tratamento recebido, mas por cada um, no lugar dos olhos, ter botões.

Imagem sem legenda

Transitando entre duas formas diferentes de viver, Coraline, pelas mãos de Neil Gaiman, leva o leitor numa escrita deliciosa que envolve de modo orgânico e sempre desperta o desejo de "ler só mais um pouquinho" a cada fim de capítulo. A missão da pausa acaba sendo impossível, pois a curiosidade de Coraline faz a leitura fluir e permitir que o entretenimento não pare. 

"Coraline" é um livro voltado ao público infantil?! Também. No entanto, diria ser uma leitura obrigatória para o leitor, do mais jovem ao adulto. Em capa dura, as páginas com letras graúdas, facilitam a leitura. A publicação também tem as bordas das páginas na cor roxa, com divisórias ilustradas por Chris Riddell, assim como a capa e contracapa, a cada novo capítulo. A edição ainda acompanha um marcador especial do livro.


"Coraline", de Neil Gaiman é o tipo de livro para ler e reler. Não somente pela história incrivelmente inventiva e ágil, mas pela apresentação caprichada dada pela Editora Intrínseca. A edição especial que é um verdadeiro convite visual para a leitura de qualidade, já foi pauta aqui no Resenhando.com, em "Dez motivos para ler "Coraline", de Neil Gaiman, em edição especial" e até tema do "#ResenhandoQuiz: sabe tudo de "Coraline"? Descubra!". Isso que é livro para ter em destaque na estante para futuras releituras!!

Você pode comprar "Coraline", de Neil Gaiman aqui: Amazon neste link.


Livro: "Coraline"
Autor: Neil Gaiman
Ilustrador: Chris Riddell 
Tradutora: Bruna Beber 
224 páginas
Ano: 2020
Editora: Intrínseca
Link de venda: amzn.to/3bJoud3

*Mary Ellen Farias dos Santos é criadora e editora do portal cultural Resenhando.com. É formada em Comunicação Social - Jornalismo, pós-graduada em Literatura, licenciada em Letras pela UniSantos - Universidade Católica de Santos e formada em Pedagogia pela Universidade Cruzeiro do Sul. Twitter: @maryellenfsm

sábado, 2 de janeiro de 2021

.: "Laura Dean Vive Terminando Comigo" não é historinha água com açúcar

Por: Mary Ellen Farias dos Santos*


Nem toda relação é pura e simplesmente linda. Na história em quadrinhos "Laura Dean Vive Terminado Comigo", da dupla Mariko Tamaki e Rosemary Valero-O´Connell, publicado pela Intrínseca, duas meninas, Freddy Riley e Laura Dean, caem de amores numa ciranda durante uma atividade física escolar. Enquanto Riley é emoção, Dean é razão. Desta forma, o relacionamento entre as duas fica mais para uma amizade com benefícios, o que não é tão claro para Frederica.

Por outro lado, Riley vai se cansando da forma que é tratada pela popular Laura Dean, desde bolos em encontros ou descobertas desagradáveis -Laura estar com outra pessoa. Nesse trajeto, ao lado, tem grandes amigos, como por exemplo, Doodle, mas também faz uma amizade especial com Vi, desconhecida que testemunhou o vexame que Freddy deu após beber além da conta na festa do Dia dos Namorados.

De fato, "Laura Dean Vive Terminado Comigonão é mais uma historinha de final feliz e previsível. O livro estampa um recorte da relação de Freddy com os que a cercam e, claro, com foco em Laura Dean. Dessa forma, surge a temática do relacionamento abusivo e diante de cada diminuição da autoestima de Freddy, o leitor que se deixa envolver pela trama, pensa em um título alternativo ao livro: "Eu odeio Laura Dean".

A publicação de 304 páginas, das premiadas quadrinistas Mariko Tamaki e Rosemary Valero-O’Connell é de encher os olhos diante dos quadrinhos em preto e branco, com detalhes nas imagens na cor rosa, dando todo um toque delicado ao livro, o que inclui a belíssima capa. "Laura Dean Vive Terminado Comigovenceu três Eisner Awards, maior prêmio do universo dos quadrinhos, nas categorias Melhor Roteirista, Melhor Artista e Melhor Publicação Para Adolescentes. Você pode comprar "Laura Dean Vive Terminando Comigo", de Mariko Tamaki e Rosemary Valero-O’Connell, neste link: amzn.to/2LhfXD9

Livro: Laura Dean Vive Terminando Comigo

Autoras: Mariko Tamaki e Rosemary Valero-O’Connell

304 páginas

Editora Intrínseca


*Mary Ellen Farias dos Santos é criadora e editora do portal cultural Resenhando.com. É formada em Comunicação Social - Jornalismo, pós-graduada em Literatura, licenciada em Letras pela UniSantos - Universidade Católica de Santos e formada em Pedagogia pela Universidade Cruzeiro do Sul. Twitter: @maryellenfsm

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

.: Resenha do livro episódico "Bateia", de Rômulo P. Alvim

Por: Mary Ellen Farias dos Santos*


"Tudo começou com uma pequena dor de barriga e pouco apetite. Melhorou, quase sarou, com alguns chás e remédio pra verme. Piorou de novo: e a dor aumentava. Perdeu muito peso. Certa manhã, viu sangue nas fezes. Depois amarelou o olho. Foi quando deixou de ir trabalhar pela primeira vez em toda a sua vida. Pra ir procurar o médico novo que havia chegado à cidade. E os caminhos da vida se encontraram. E a história começa."

No romance episódico "Bateia", assinado pelo médico e escritor Rômulo P. Alvim, o doutor Emílio Trappo Cascali, descobre as anotações do paciente Vaninho da Banda. É diante das palavras de um homem simples, já morto, que o profissional da medicina promove uma reflexão profunda de autoconhecimento, gerando um encontro com o essencial.

Assim, lições de vida são dadas de um homem comum a um doutor, o único médico do pequeno hospital da pequena cidade. É o garimpeiro das palavras que ensina a importância de viver tudo a seu tempo, ou seja, um dia de cada vez e o valor dos percursos das realizações da vida.

Publicado pela Saíra Editorial, a primeira obra de literatura intimista de 72 páginas traz ilustrações de Mariana Waechter. O livro que agrada a todo leitor, tem como público-alvo os jovens a partir de 16 anos. Você pode comprar o livro "Bateia", de Rômulo P. Alvim, neste link: amzn.to/38IUg7n

Frases retiradas do livro:

"Uma árvore não era uma ponte de tempo entre uma semente e outra?"

"A beleza da flor e a doçura do fruto não começam na raiz fincada no escuro do barro?"

"A lentidão das nuvens era fruto da ausência de rumo, aí sua beleza."

"Compreender a si mesmo pra sentir que a felicidade não nasce das virtudes. É a virtude."

"Se um deserto se cobrisse de flores, não seria mais um deserto."

"Prefiro pelo resto da vida topeçar em estrelas, não nas pedras do caminho. E - quem sabe? - aprender a tropeçar em si mesmo."

Autor: Rômulo P. Alvim nasceu em 1950, na pequena e antiga Rio Preto, cidadezinha mineira, que faz divisa com o estado do Rio de Janeiro, onde ainda reside. É o mais velho de nove irmãos, pai de quatro filhos e avô de nove netos. Formado médico em Juiz de Fora, em 1973, ainda exerce a profissão de clínico-pediatra.


*Mary Ellen Farias dos Santos é criadora e editora do portal cultural Resenhando.com. É formada em Comunicação Social - Jornalismo, pós-graduada em Literatura, licenciada em Letras pela UniSantos - Universidade Católica de Santos e formada em Pedagogia pela Universidade Cruzeiro do Sul. Twitter: @maryellenfsm

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

.: Crítica: "Todas as Cartas" de Clarice Lispector em dez motivos para você ler



"Todas as Cartas", de Clarice Lispector, publicado pela editora Rocco é o maior e mais ambicioso lançamento em 2020, um ano atípico salvo entre um motivo e outro, mas principalmente por ser o ano do centenário desta escritora, que completaria 100 anos nesta quinta-feira, dia 10 de dezembro. A obra reúne todas as correspondências escritas pela autora ao longo da vida, abreviada em 9 de dezembro de 1977, aos 56 anos, por um câncer de ovário. A seleção de cartas configura um acervo fundamental para compreender a trajetória literária de Clarice Lispector. 

É um livro para ler, reler e guardar com muito carinho, pois entrega ao leitor as correspondências escritas desde maio de 1940 a novembro de 1977, um mês antes de morrer.  "Todas as Cartas" é mais que um apanhado da correspondência desta que hoje é considerada por muitos a maior escritora da literatura brasileira, já que revela tesouros guardados no baú de Clarice Lispector, tem prefácio da biógrafa Teresa Montero e posfácio do editor Pedro Karp Vasquez, o que torna tudo mais interessante. O Resenhando listou dez motivos para ler o livro.


1. "Todas as Cartas" é o livro do ano. Além de comemorar o centenário de Clarice Lispector em uma edição muito caprichada, elaborada com todo o respeito que a escritora merece, é um livro muito afetivo, capa dura em sua versão física, que mostra na intimidade - e, de alguma maneira, tira do pedestal carinhosamente o mito para mostrar um lado que poucos conheciam: o da mulher de verdade. Uma ousadia e tanto, já que mostrar as nuances reais de uma mulher quase que santificada pelo mito que gerou em torno de si poderia ser considerado por muitos quase uma blasfêmia. 


2. "Todas as Cartas" pode ser lido como uma autobiografia.
O livro ainda pode ser visto como um romance epistolar, formado por cartas, ou uma autobiografia em que o leitor pode espionar Clarice Lispector pelo buraco de uma fechadura imaginária, sem a proteção do mito. Nas cartas, não há o mito, há uma mulher, por vezes apaixonada, por vezes discorrendo o cotidiano, tal qual a vida como ela é. Mas não se iluda: Clarice Lispector só mostra até onde ela quer, então não espere muitos segredos ou confissões - ela é econômica nisso. 

2. "Todas as Cartas" mostra o psicológico de Clarice Lispector. Considerada por muitos uma pessoa intimista, cheia de nuances, audaciosa e até mesmo a que melhor representa a literatura contemporânea brasileira, Clarice Lispector era econômica nas opiniões e intensa nos textos que publicava. Dizem que escrever é pura exposição e Clarice Lispector soube se expor como ninguém em sua trajetória artística - até o limite que estabelecia entre si mesma e os leitores. Esse limite foi ultrapassado em "Todas as Cartas": nunca um livro mostrou tanto as características psicológicas desta escritora. O mais irônico disso é que as cartas escritas, talvez sequer tenham sido imaginadas por ela em livro, mas mostram, por ela mesma, em primeira pessoa, o que está acontecendo na própria vida e o que pensa sobre o mundo. A seleção das cartas configura um acervo fundamental para quem ama a própria Clarice Lispector e a literatura brasileira.


3. 
"Todas as Cartas" traz correspondências inéditas entre Clarice Lispector e escritores consagrados. O livro é um conjunto de correspondências que nunca foram publicadas antes entre Clarice Lispector e vários escritores, como João Cabral de Melo Neto, Lêdo Ivo, Lygia Fagundes Telles, Mário de Andrade, Natércia Freire, Nélida Piñon, Otto Lara Rezende, Paulo Mendes Campos e Rubem Braga.  Ao todo, foram 284 cartas enviadas por Clarice a familiares e amigos. Em relação à publicação da correspondência com grandes escritores, o livro tamvém se mostra um importante acontecimento da literatura, pois mantém a inspiração, o lirismo e o humor ao escrever cartas, tão ou mais fascinantes e criativas quanto os próprios livros de Clarice Lispector como artista.


4. Correspondências de 
"Todas as Cartas" mostram bastidores da arte da escrita. O livro foi organizado por décadas, dos anos 1940 aos 1970. As cartas, escritas entre os anos de 1940 a 1970, são acompanhadas por de 510 notas de rodapé da biógrafa Teresa Monteiro para contextualizar a relação das cartas com o tempo, espaço e várias citações a personalidades e referências culturais. É uma correspondência riquíssima em relação ao processo de escrita e as reais motivações que deram norte à produção da obra literária de Clarice Lispector. Uma aula para aqueles que querem escrever profissionalmente.


5. Textos inéditos de "Todas as Cartas" mostram algumas opiniões e confidências de Clarice Lispector. Aproximadamente 50 cartas são inéditas para o público, justamente a que ela utilizou para trocar opiniões e confidências com destinatários ilustres, entre escritores e editores. São poucas as confidências, as confissões ou os segredos, mas todas valem a pena, pois traduzem uma leitura saborosa e dão dicas de como entender melhor alguns textos que a consagraram. 


6. "Todas as Cartas" mostra Clarice Lispector sobre ângulos diferentes.
A partir do livro, o leitor tem a oportunidade de acompanhar 40 anos da trajetória de Clarice Lispector. Nunca ela foi mostrada de uma maneira tão íntima, falando com diferentes interlocutores sobre diferentes ângulos da vida. O público terá a sensação de conhecer Clarice Lispector como uma amiga íntima, com as angústias e opiniões dela sobre temas que são discutidos até hoje. Prova que Clarice Lispector continua moderna e relevante.


7. "Todas as Cartas" mostra Clarice Lispector como desbravadora na arte da escrita. O leitor pode acompanhar a trajetória de Clarice Lispector como uma mulher que tem a ousadia de ser escritora no século passado, quando a Academia Brasileira de Letras ainda não havia sequer cogitado em mudar os estatutos para permitir a entrada de mulheres.


8. 
"Todas as Cartas" mostra Clarice Lispector como uma mulher com senso de humor apurado. No primeiro lote de cartas, endereçadas às irmãs, Clarice Lispector, antes de se tornar a escritora consagrada, atuava como repórter. Ela se queixava do dinheiro com muito bom humor. Além disso, são deliciosas as confidências que faz para as amigas Marina Colasanti e Nélida Piñon. Quem a conheceu diz que Clarice Lispector tinha um humor sutil, que se assemelhava ao dos britânicos. Quem ler o livro chegará à própria conclusão.


9. "Todas as Cartas" é resultado de uma pesquisa cuidadosa. Com grande material inédito, o livro é resultado de uma longa pesquisa realizada pela jornalista Larissa Vaz, com orientação de biógrafos e da família. As cartas trazem uma visão integral de Clarice Lispector como ser humano e como escritora. 


10. "Todas as Cartas" promove um encontro de Clarice Lispector com o novos leitores. Clarice viveu quase 20 anos no exterior e, na intimidade, ela se correspondeu para não perder os laços de afeto, seja com familiares, seja com amigos. Clarice Lispector afirmava para os amigos que “não sabia escrever cartas”, mas a publicação de "Todas as Cartas" comprova que a correspondência que ela alimentava é tão interessante quanto os romances, contos e crônicas que a eternizaram como escritora. Para quem já a conhece, mais um motivo para se apaixonar novamente, ler e relê-la. Para os leitores da nova geração, uma oportunidade de encontrar uma escritora fascinante que pode mudar definitivamente o rumo de suas vidas.

Se você compartilhar fotos ou textos sobre "Todas as Cartas", você pode marcar a editora Rocco ou utilizar as tags #ClariceLispector e #365DiasDeClarice.  Você pode comprar "Todas as Cartas", de Clarice Lispector, neste link.




sexta-feira, 2 de outubro de 2020

.: Resenha do livro '"Ana e os Palíndromos", de Fernando Vilela

Por: Mary Ellen Farias dos Santos* 

Ana é uma menina inteligente e quando se apresenta, logo ensina que o nome dela é um palíndromo. "Posso ler de lá pra cá. E na frente do espelho, posso ler de cá pra lá". Nessa brincadeira de escrever e ler as palavras do fim para o começo, a leitura de Ana esbarra em "A mala e a lama", "Amada é a dama" e "Raul é de luar".

Em meio aos palíndromos que acompanham os desenhos de Fernando Vilela, também escritor da trama, a publicação da Editora do Brasil, apresenta em 48 páginas o universo encantador da leitura espelhada, cercada de inventividade. "Busquei um jogo gráfico entre as frases e as ilustrações, em que o texto se torna parte do desenho. Assim como os palíndromos têm duas leituras, decidi fazer imagens com duas cores -rosado e azul-, experimentando as suas sobreposições, que geram uma terceira cor", destaca o autor do livro.

Ao fim, o autor explica que os palíndromos são palavras ou frases lidas da mesma forma da esquerda para e direita e da direita para a esquerda, detalhes sobre o processo de produção do livro, uma lista com os palíndromos usados na publicação e também outros palíndromos, inclusive uns famosos, alguns criados por famosos como Laerte e Gregorio Duvivier, além de outros criados pelo próprio autor do livro, Fernando Vilela. Você pode comprar o livro 
Ana e os Palíndromos, de Fernando Vilela aqui: amzn.to/3pY8nh5

Livro: Ana e os Palíndromos
Autora: Fernando Vilela
Ilustrações: Fernando Vilela
48 páginas
Editora do Brasil

*Mary Ellen Farias dos Santos é criadora e editora do portal cultural Resenhando.com. É formada em Comunicação Social - Jornalismo, pós-graduada em Literatura, licenciada em Letras pela UniSantos - Universidade Católica de Santos e formada em Pedagogia pela Universidade Cruzeiro do Sul. Twitter: @maryellenfsm



#ResenhaRápida



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terça-feira, 4 de agosto de 2020

.: Resenha: "Vovó diz cada coisa", de Mailza de Fátima Barbosa

Por: 
Mary Ellen Farias dos Santos*

Vovó termo que repete uma consoante e uma vogal e que, para muitos, é sinônimo do que há de mais doce no mundo. Quem teve o prazer de ser cuidado por uma vovó amorosa e cheia de sabedoria, entende perfeitamente como é isso na prática.

O lançamento da Editora do Brasil, "Vovó diz cada coisa", da escritora Mailza de Fátima Barbosa, apresenta o menino Dudu que é rodeado por duas vovós, a do lado materno e a do lado paterno. Assim, sempre que o menino as encontra, ouve coisas que a cabeça dele vai dar um nó.

Enquanto o menino descobre o uso metafórico das palavras por meio de provérbios, os ditados populares, as falas das vovós tornam-se enigmas do mundo adulto. E como todo garotinho curioso, Dudu mergulha no universo da interpretação para entender a ideia do que as palavras passam quando usadas em enigmas idiomáticos.

Em meio aos ditados da sabedoria popular, a mamãe da mamãe e a do papai, permitem que Dudu aprenda com elas, a única linguagem fácil de entender: a do amor. O livro ilustrado por Ina Carolina faz parte da coleção "Meu Pequeno Mundo".


"Eu tenho duas avós. Uma é a mãe da minha mãe e a outra é a mãe do meu pai.
Elas são bem diferentes em quase tudo: na cor do cabelo, na altura, no jeito de se vestir."



Livro: Vovó diz cada coisa
Autora: Mailza de Fátima Barbosa
Ilustrações: Ina Carolina
24 páginas
Editora do Brasil

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*Mary Ellen Farias dos Santos é criadora e editora do portal cultural Resenhando.com. É formada em Comunicação Social - Jornalismo, pós-graduada em Literatura, licenciada em Letras pela UniSantos - Universidade Católica de Santos e formada em Pedagogia pela Universidade Cruzeiro do Sul. Twitter: @maryellenfsm

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

.: Resenha de "O Labirinto do Fauno", Guillermo del Toro e Cornelia Funke

Em setembro de 2019 


Ler é um prazer indescritível e pode ser ainda melhor quando estamos diante de uma grande história. Tão gigante quanto é "O Labirinto do Fauno", publicação que chegou ao mercado editorial brasileiro pelas mãos caprichosas da Editora Intrínseca. O texto magistral do escritor e roteirista mexicano, Guillermo del Toro, e da escritora e ilustradora alemã Cornelia Funke, resgata a trama magnífica apresentada no filme de 2006 [Confira a crítica do filme aqui]. 

O conto de fadas às avessas, entrelaça a fantasia e a crueldade com equilíbrio necessário para que o leitor entenda a forma que Ofélia tenta ler e enfrentar a vida. De narrativa bem elaborada, ainda que o filme ou partes dele estejam na lembrança dos leitores, a cada parágrafo da publicação, a magia da trama acontece. 

O ano é 1944, quando uma menina e a mãe, grávida, seguem pelo norte de uma floresta na Espanha, dentro de um carro que é acompanhado de outros dois. Todos na cor preta. "Estavam fazia horas na estrada, cada vez mais distantes de tudo que Ofélia conhecia, entrando profundamente naquela floresta infinita, para encontrar o homem que a mãe havia escolhido para o novo pai da menina. Ofélia o chamava de Lobo e não queria pensar muito nele. Mas até as árvores pareciam sussurrar aquele nome". p. 14

O livro de contos de fadas moderno vai além ao expandir o perfil de diversos personagens, explorando o passado deles, como por exemplo, o Homem Pálido. "Dessa vez, o livro revelou logo seus segredos. A página da esquerda se encheu primeiro, linhas finas mostrando a figura esquelética de um homem pálido, sem nariz e careca, com buracos no lugar dos olhos e uma boca escancarada. A tinta marrom desenhou uma fada, depois uma porta. A imagem foi tomando forma e ganhando cada vez mais detalhes enquanto Ofélia lia as palavras que apareciam na página da direita: Use o giz para riscar uma porta em qualquer lugar de seu quarto." p.151/152

Permeando o sombrio e fantástico, a apresentação dos acontecimentos gera expectativa no leitor tal qual uma nova e desconhecida história. Em meio a transcrição exata do filme, foram acrescidos dez contos sobre elementos importantes do filme, os quais foram chamados de interlúdios, por Guillermo.

Em capa dura e design de capa por Sarah J. Coleman e Hoel Tippie, totaliza 320 páginas. Fechado, o livro também é atrativo pela lateral colorida que orna com a capa, além dos detalhes nas bordas superiores, inferiores e no centro, entre uma página e outra ilustrado a cada novo capítulo, projeto gráfico de Antonio Rhoden.

Ao leitor que busca um romance de, praticamente, instantânea identificação e intimidade, o livro "O Labirinto do Fauno" é uma leitura obrigatória. Afinal, a vida de todos também é um conto de fadas moderno que mescla o sonho e a realidade com toques, por vezes sombrios, por vezes fantásticos.

Guilhermo del Toro é roteirista e diretor do fascinante "O Labirinto do Fauno" e de "A Forma da Água", que lhe rendeu o Oscar de Melhor Diretor. Também é coautor da série de livros "Trilogia da Escuridão" e, pela Intrínseca, publicou "Caçadores de Trolls" e "A Forma da Água".


Cornelia Funke é uma premiada escritora e ilustradora alemã que se tornou best-seller no mundo inteiro com seus contos de fadas modernos. É autora de "O Senhor dos Ladrões" e da trilogia "Mundo de Tinta", todos sucesso de público e crítica.


Algumas frases marcantes:

"Segredos. Eles contribuem com a escuridão do mundo, mas também atiçam sua curiosidade para descobrir mais..." - O Labirinto do Fauno, Cornélia Funke. Editora Intrínseca


"Em nossas escolhas encontra-se o nosso destino" O Labirinto do Fauno, Cornélia Funke. Editora Intrínseca


Às vezes, os objetos que tanto estimamos revelam mais sobre nós mesmos do que as pessoas que amamos. - O Labirinto do Fauno, Cornélia Funke. Editora Intrínseca


Quem se preocupa com a cura num mundo que só pensa em matar? - O Labirinto do Fauno, Cornélia Funke. Editora Intrínseca


O amor mata de várias maneiras. - O Labirinto do Fauno, Cornélia Funke. Editora Intrínseca


Livro: O Labirinto do Fauno
Editora Intrínseca
Autores: Guillermo del Toro, Cornelia Funke 
Gênero: Literatura fantástica
320 páginas

*Mary Ellen Farias dos Santos é criadora e editora do portal cultural Resenhando.com. É formada em Comunicação Social - Jornalismo, pós-graduada em Literatura e licenciada em Letras pela UniSantos - Universidade Católica de Santos. Twitter: @maryellenfsm



sexta-feira, 12 de abril de 2019

.: "The Beatles: Yellow Submarine" é irresistível aventura gráfica

Por: Mary Ellen Farias dos Santos
Em abril de 2019.


Pepperland é um paraíso fora da Terra, quase sem inverno e sem solidão, onde a brisa leva a toda parte o som da música e das risadas, a 80 mil léguas no fundo do mar, ele se encontra ou se perde. Eis que o Líder dos Maldosos Azuis, por detestar todo tipo de música, decide varrer Pepperland do mapa, tirando a cor e o som. Assim, as aventuras no submarino amarelo começam quando o marinheiro idoso jovem Fred recruta o quarteto de Liverpool: os Beatles, para trazer a paz e a música de volta ao lugar.

Para comemorar os 50 anos da animação "Yellow Submarine" (1968), com trilha sonora dos Sgt. Peppers, a editora dedicada ao terror e fantasia, Darkside Books, publica no Brasil o Graphic Novel, "The Beatles: Yellow Submarine" (compre neste link). Em 128 páginas de coloridos vibrantes, a psicodélica história de John, Paul, George e Ringo é resgatada num texto infantil, apresentando, assim, essa obra-prima para um novo público.

Seja para o beatlemaníaco completar a coleção, um interessado no estilo romance gráfico ou para o fã novato do quarteto de Liverpool, o lançamento é sem dúvida é uma bela aquisição -uma vez que o livro tem capa dura e páginas acetinadas. Em mãos, a história em quadrinhos "The Beatles: Yellow Submarine" é fascinante, pois resgate com perfeição um clássico do psicodelismo e aviva a perfeita harmonia na mistura de estilos que, mesmo no papel, explodem. 

Diante de tanto colorido, o enredo que denuncia o autoritarismo vivido pela geração da época, deixa claro que tudo o que se precisa na vida para ser feliz é amor e música. A fantasia da história contribui para que a leitura da trama aconteça de modo voluntário, assim, o leitor, envolvido, deseja devorar cada página. Seja o texto -em si- ou as imagens que complementam o conjunto. 

"The Beatles: Yellow Submarine" é diversão garantida, que incentiva o leitor -de todas as idades- a observar os detalhes das diversas ilustrações contidas em cada página, além de lembrar da importância de sonhar. Afinal, "está tudo na mente, você sabe."

Leia também: #ResenhandoQuiz: sabe tudo sobre "The Beatles"? Descubra!



Livro: "The Beatles: Yellow Submarine"
Baseado em uma canção de John Lennon e Paul Mccartney
Adaptação da história por Bill Morrison a partir do roteiro de Lee Minoff, Al Brodax, Jack Mendelsohn e Eric Segal.
Com agradecimentos a Roger McGough
Arte adaptada por Bill Morrison a partir do design e da arte de Heinz Edelmann
Ilustradores p.25 a 96: Andrew Pepoy com Tone Rodriguez
Cores: Nathan Kane
Letreiramento: Aditya Bidikar
Tradução: Bruno Dorigatti
Editora: Darkside Books


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Mary Ellen Farias dos Santos é criadora e editora do portal cultural Resenhando.com. É formada em Comunicação Social - Jornalismo, pós-graduada em Literatura e licenciada em Letras pela UniSantos - Universidade Católica de Santos. Twitter: 
@maryellenfsm

Videoclipe da canção "Yellow Submarine"

Sobre o livro

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