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segunda-feira, 13 de outubro de 2025

.: "São Florestas" discute os desafios socioambientais da região amazônica


Dirigida por Miguel De Almeida, a produção terá evento de lançamento em 28 de outubro, no Sesc 24 de Maio, em São Paulo, e estreia nacional no mesmo dia, no SescTV. Com 17 episódios, série “São Florestas” estreia 28 de outubro, às 20h, no SescTV. Foto: Santa Rita Filmes.

 
A Amazônia é território de vida e de urgências. Entre rios que se espalham como veias e comunidades que resistem em silêncio ou canto, nascem as histórias reunidas na nova série documental "São Florestas". Dirigida pelo jornalista e escritor Miguel de Almeida, a produção do SescTV conta com 17 episódios e estreia em 28 de outubro, com um convite a olhar a floresta pelo prisma de quem nela habita. O evento de lançamento acontece no Sesc 24 de Maio, em São Paulo, às 19h, com bate-papo entre o diretor da série, o meteorologista Carlos Nobre e a comunicadora Adriana Ramos, seguido de exibição de um dos episódios. A entrada é gratuita, com retirada de ingressos 1h antes na bilheteria da unidade.

A série não se organiza como narrativa única, mas como um mosaico de vozes. Povos originários, comunidades ribeirinhas, pesquisadores e lideranças sociais compõem um panorama que evidencia a Amazônia em múltiplas camadas. No momento em que o Brasil se prepara para sediar a COP 30, em Belém - a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que reúne anualmente representantes de quase 200 países para discutir políticas ambientais globais -, "São Florestas" reforça o coro ao recolocar a floresta no centro do debate: um território que abriga riquezas naturais e culturais, e, ao mesmo tempo, enfrenta desigualdades históricas e pressões globais.

 Para o diretor Miguel de Almeida, a Amazônia exige um olhar que transcende mapas políticos e abrace sua dimensão planetária. Inspirado por Humboldt, ele enxerga o bioma como parte de um organismo terrestre indivisível: “Somos um só sistema, um único corpo. A natureza passa sobre os desenhos humanos para ser uma única estrutura: a Terra”. A série equilibra essa macrovisão com o retrato íntimo das comunidades tradicionais, guardiãs dessa riqueza natural e cultural, reafirmando a floresta como protagonista de um debate urgente para todo o planeta.


Evento de lançamento
No dia 28 de outubro, às 19h, no Sesc 24 de Maio, acontece o lançamento de "São Florestas", com uma conversa sobre economia sustentável e saúde na Amazônia, entre o diretor Miguel De Almeida, o meteorologista Carlos Nobre - cientista de projeção internacional, Nobel da Paz em 2007 pelo IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, das Nações Unidas - e a comunicadora Adriana Ramos, voz incansável na defesa socioambiental da Amazônia.

Entre ciência, ativismo e narrativa, o bate-papo abre a primeira exibição pública da série, com o episódio Cidades e Comunidades Sustentáveis, que apresenta Afuá, a cidade suspensa sobre palafitas, onde bicicletas substituem carros e as marés definem o ritmo da vida, mostrando que tradição e inovação convivem em meio a tensões sociais e ambientais.

 
Estreia na TV
Às 20h00 do dia 28 de outubro, o SescTV estreia a série em sua programação com o episódio Pobreza x Abundância. A narrativa se abre com a extrativista Raimunda Rodrigues, da Reserva Extrativista do Rio Iriri, no Pará, que conta como o trabalho com o babaçu é uma tradição familiar, iniciada há muitas gerações. “A gente conseguiu não só alimentar nossa família e os ribeirinhos, mas também comercializar e ter uma renda maior para a comunidade”. Em suas mãos, o fruto da palmeira se converte em farinha, óleo e sustento. O gesto carrega não apenas sobrevivência, mas também uma economia silenciosa, mantida pelo ritmo da floresta.

 Na mesma trama, o engenheiro agrônomo Beto Veríssimo, do projeto Amazônia 2030, contrapõe números à experiência cotidiana. Para ele, o desmatamento perpetua a pobreza. O que parece crescimento - a expansão da fronteira agrícola, o extrativismo acelerado - revela-se um ciclo de devastação e terra improdutiva, deixando quase metade da população amazônica abaixo da linha da pobreza. Ao lado desses relatos, a voz de Patrícia Cota, do Origens Brasil, reforça outra perspectiva: a de que proteger a floresta passa por valorizar o trabalho de quem dela cuida.

Os episódios da série percorrem temas que dialogam diretamente com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), agenda global estabelecida pela ONU em 2015 para enfrentar desafios como pobreza, desigualdade e mudanças climáticas até 2030. Inspirados nos 17 ODS, os capítulos exploram desde o acesso a saneamento básico e energia limpa até a preservação da vida terrestre e aquática, passando pela igualdade de gênero, a educação e a justiça social.

Os temas abordados em "São Florestas" são: "Pobreza x Abundância"; "A Terra Mata a Fome"; "Saúde e Bem-Estar"; "Educação de Qualidade"; "Igualdade de Gênero"; "Água Potável e Saneamento"; "Energia Limpa e Acessível"; "Trabalho Decente e Crescimento Econômico"; "Indústria, Inovação e Infraestrutura"; "Redução das Desigualdades"; "Cidades e Comunidades Sustentáveis"; "Consumo e Produção Responsáveis"; "Ação Contra a Mudança Global do Clima"; "Vida na Água"; "Vida Terrestre"; "Paz, Justiça e Instituições Eficazes"; e "Parcerias e Meios de Implementação".

Cada episódio é uma tentativa de costurar narrativas - entre a voz da floresta e as urgências do presente - em busca de caminhos que possam sustentar um futuro possível.


Serviços
Série documental "São Florestas"
Direção e apresentação: Miguel de Almeida
Produção: Marcelo Braga – Santa Rita Filmes
Realização: SescTV
Conteúdo: 17 episódios
Duração aproximada: 30 min cada
Classificação indicativa: Livre
Estreia: 28 de outubro de 2025, terça-feira, às 20h, no SescTV 

Sob demanda 
Assista a séria na íntegra na plataforma sesc.digital
Baixe o app Sesc Digital, disponível gratuitamente nas lojas Google Play e App Store.

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Evento de Lançamento
Dia 28 de outubro de 2025, terça-feira, às 19h00
Exibição do episódio “Cidades e Comunidades Sustentáveis”, seguida de bate-papo com diretor e convidados.
Local: Sesc 24 de Maio – Rua 24 de Maio, 109 - República/São Paulo
Grátis. Retirada de ingressos a partir das 18h00, na bilheteria.

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

.: Fenômeno da TV chega aos palcos: “Drag Race Brasil - Ao Vivo” vem aí


Com mais brilho que árvore de Natal em shopping, primeira turnê oficial do reality chega aos teatros brasileiros com estrelas da segunda temporada; veja datas e locais. Foto: divulgação


Preparem as perucas, ajustem as cintas e afiem as unhas: "Drag Race Brasil" vai sair da TV e descer do salto direto para os palcos! Depois de incendiar a telinha com looks de cair o queixo, lipsyncs de fazer até a Beyoncé repensar a carreira e momentos de pura gay energy, chegou a hora de viver isso tudo AO VIVO, bem na sua cara. A estreia rola em São Paulo, dia 6 de novembro, no Teatro Sabesp Frei Caneca - e não para por aí: entre março e abril de 2026, a tour vai rodar diversas capitais brasileiras, passando por Belo Horizonte, Porto Alegre, Floripa, Curitiba, Salvador, Recife, Natal e Fortaleza. 

Pensa na sensação de juntar as amigas todas na sala para berrar a cada look, soltar um “yas, mama!” no lipsync e fingir que não se emocionou com as histórias reveladas? Agora imagina isso ao vivo, com as queens brasileiras entregando tudo, ao som dos aplausos, glitter voando e a representatividade brilhando mais forte que anel de LED em boate. Pois é isso: “Drag Race Brasil - Ao Vivo” chegou pra transformar a sua noite no maior close certo do ano.

E vamos combinar: quem ainda acha que "Drag Race" é “só um realityzinho” precisa acordar, mon amour. O programa já virou religião pop, coleciona Emmy, lançou lendas internacionais e, no Brasil, virou pauta obrigatória de rodinha, feed, barzinho e até almoço de família (mesmo que a tia evangélica faça cara feia). Com Grag Queen no comando, cada episódio foi um evento coletivo que provou que representatividade não é moda: é movimento.

Por trás de todo esse bafo está a Realness, maior produtora de eventos drag da América Latina, e a World of Wonder, a mente por trás da franquia global. Ou seja: é poder, é história, é cultura queer levada a sério (mas com aquele deboche que a gente ama). A união garante o peso de duas empresas que conhecem como ninguém o poder desse fenômeno cultural.

“Drag Race Brasil - Ao Vivo” é uma celebração da arte drag e oferece aos fãs a chance única de prestigiar suas estrelas favoritas em uma experiência ao vivo. O show é estrelado por um elenco de drags icônicas da temporada:

Ruby Nox: A famosa drag pernambucana e finalista, que conquistou a todos ao trazer suas raízes para o programa.
Mellody Queen: Conhecida como a "lipsync assassin" da temporada, imbatível em suas dublagens icônicas.
Adora Black: A "fashion queen" da temporada, extremamente querida pelos fãs e responsável por muitos momentos emocionantes.
Desirée Beck: Já conhecida por participações em outros realities, dobrou o número de fãs e se tornou a "meme queen" da temporada.

A turnê já tem 11 cidades confirmadas, com a possibilidade de novas datas serem anunciadas. Os ingressos já estão à venda neste link. 

⁠6/11/2025 – São Paulo 
6/3/2026 – Belo Horizonte
7/3/2026 – Rio de Janeiro
13/3/2026 – Porto Alegre
14/3/2026 – Florianópolis
15/3/2026 – Curitiba
9/4/2026 – Salvador
10/4/2026 – Recife
11/4/2026 – Natal
12/4/2026 – Fortaleza


Sobre a Realness
Realness é a maior produtora de eventos drag da América Latina e referência na criação de experiências que celebram a arte, a diversidade e a representatividade da comunidade LGBTQIA+. Fundada por Paulo Matos com o propósito de transformar palcos em espaços de celebração e resistência, a empresa já assinou projetos de impacto cultural e popular, trazendo para o público brasileiro o brilho, o glamour e a irreverência que marcam a cena drag mundial.

Com um portfólio que une inovação, profissionalismo e paixão, a Realness se destaca por ser responsável por produções de grande porte que conectam fãs e artistas em espetáculos únicos. Entre eles, está a realização do “The Realness Fesfival” e do “Drag Race Brasil – Ao Vivo”, em parceria com a World of Wonder, que consolida a empresa como protagonista na expansão desse movimento cultural no país. Mais do que entretenimento, a Realness entende o palco como trincheira e vitrine: um lugar onde a arte drag mostra sua força política, estética e transformadora.


Sobre a World of Wonder:
World of Wonder (WOW) é uma das produtoras de entretenimento mais influentes do mundo, responsável por transformar cultura queer em fenômeno global. Fundada por Fenton Bailey e Randy Barbato, a empresa se consolidou ao criar conteúdos que desafiam padrões e amplificam vozes diversas, sempre com irreverência, inovação e impacto cultural.

Entre seus projetos mais icônicos está “RuPaul’s Drag Race”, franquia vencedora do Emmy que se tornou símbolo de representatividade LGBTQIA+ em escala internacional, gerando versões locais em vários países e dando visibilidade a artistas drag em todo o planeta. Além da televisão, a World of Wonder também atua em cinema, documentários e na WOW Presents Plus, sua própria plataforma de streaming dedicada a produções originais que celebram a diversidade.

Com sede em Los Angeles, a WOW é hoje referência na criação de formatos que misturam entretenimento, ativismo e cultura pop - provando que arte drag é muito mais que performance: é transformação, identidade e resistência.

terça-feira, 7 de outubro de 2025

.: Sérgio Mamberti tem jornada artística revisitada em série documental


Dirigida por Evaldo Mocarzel, produção em três episódios traça o mapa afetivo e político de um dos maiores intérpretes do país, da cena underground à gestão cultural. Foto: Matheus José Maria

A memória é também um palco por onde transitam vozes, imagens e silêncios que compõem a vida de um artista. É desse movimento que nasce "Sérgio Mamberti, Memórias de Um Ator Brasileiro", série documental dirigida por Evaldo Mocarzel, que revisita a trajetória do ator, diretor e gestor cultural falecido em 2021. Com três episódios, a produção estreia em 26 de setembro de 2025, às 22h00, no SescTV, com exibição semanal, e fica disponível na íntegra no site do canal e na plataforma e app Sesc Digital.

Mais do que um registro biográfico, a série apresenta um percurso em primeira pessoa, a partir de depoimentos de Mamberti e de extenso material de arquivo. Entrelaçam-se ali a história do teatro brasileiro, a resistência política, a cena cultural dos anos 1960 e 1970 e a intimidade de um artista que nunca separou vida e obra.

No primeiro episódio, o ator retorna à infância em Santos, no litoral paulista, onde o Clube de Cinema organizado por seu pai lhe apresentou mitos da cena brasileira, como o ator, diretor e dramaturgo Procópio Ferreira e a cantora Nora Ney. Foi também nesse período que, aos doze anos, conheceu a jornalista e escritora Patrícia Galvão, a Pagu, figura central na formação de seu olhar crítico.

Aos 17, mudou-se para São Paulo. Frequentava o Teatro de Arena, a Biblioteca Mário de Andrade e os bares onde bebiam José Celso Martinez Corrêa, Renato Borghi e uma geração decidida a reinventar a dramaturgia nacional. Ingressou na Escola de Arte Dramática da USP, a EAD. Fundada em 1948, a escola era referência nas discussões sobre o teatro moderno e se posicionava como peça central da dramaturgia paulistana.

A estreia profissional de Mamberti aconteceu em 1964, em meio ao Golpe Militar, na montagem de “O Inoportuno”, de Harold Pinter, sob a direção de Antônio Abujamra. Em apenas três anos de carreira, o ator recebeu o prêmio Saci - um dos mais cobiçados da época. Reconhecido pela crítica e pelo público, cultivou amizades duradouras no meio teatral, como Cacilda Becker, Walmor Chagas e o mestre polonês Zbigniew Ziembinski, arquiteto da encenação moderna no Brasil, por quem nutria devoção.

Os anos de censura e perseguição marcaram sua atuação política. "Durante o período da ditadura, o teatro assumiu a vanguarda da resistência, porque era um teatro extremamente politizado", recorda Mamberti. Filiado ao Partido Comunista, esteve em montagens como “Navalha na Carne”, de Plínio Marcos, e “O Balcão”, do francês Jean Genet, encenado pelo dramaturgo argentino Victor Garcia. Carregadas de crítica social, essas obras se tornaram símbolos de contestação e alvo frequente da repressão.

O segundo episódio da série conduz o espectador à casa de Mamberti no bairro da Bela Vista, em São Paulo. O espaço, aberto a artistas e intelectuais, transformou-se em ponto de encontro da contracultura. Uma casa de portas abertas, por onde transitavam nomes como Gal Costa, Gilberto Gil, Caetano Veloso, os Novos Baianos, entre outros. Foi lá que recebeu a companhia anarquista norte-americana Living Theatre, cuja proposta de revolução sexual e dissolução das fronteiras entre arte e vida influenciou decisivamente sua geração.

Paralelamente ao teatro, Mamberti consolidava sua carreira no cinema, tornando-se um rosto familiar na filmografia marginal e autoral brasileira. Seus personagens em obras como “Toda Nudez Será Castigada” (1973), de Arnaldo Jabor, “O Bandido da Luz Vermelha” (1968), de Rogério Sganzerla, “Maldita Coincidência” (1979), de Sergio Bianchi, e “Brava Gente Brasileira” (2000), de Lúcia Murat, testemunhavam sua versatilidade nas telas. Cinéfilo voraz, o ator assistia de oito a dez filmes por semana e nutria o desejo silencioso de dirigir.

O episódio final da série remonta a uma experiência em Londres, nos anos 1970, ao lado de Gilberto Gil. A cena - um ritual lisérgico com mescalina - tornou-se profecia: em um futuro ainda distante, ambos estariam juntos na reconstrução da política cultural brasileira. Décadas mais tarde, no Ministério da Cultura de Gil (2003-2008), Mamberti foi Secretário de Políticas Públicas para Música e Artes Cênicas, ministro interino em diversas ocasiões e representante do país em fóruns internacionais, realizando, com um sorriso irônico, o desejo antigo de seu pai de vê-lo como diplomata. Esteve também à frente do extinto Teatro Crowne Plaza, em São Paulo, que se destacou por promover shows a preços populares e revelar novos nomes da música brasileira, como Cássia Eller, Zélia Duncan e Chico César.

Apesar da intensa atuação como gestor, Mamberti nunca deixou de se reconhecer, antes de tudo, como ator. "O ator tem uma função social, ele tem esse efeito multiplicador", reflete. Seus cadernos de colagens, utilizados como parte do processo criativo, revelam a disciplina com que construía personagens. Mesmo presente na televisão - em diversas novelas e na marcante série infantojuvenil Castelo Rá-Tim-Bum - e no cinema, ele mantinha o teatro como núcleo de sua trajetória e era categórico em sua fala: "O teatro é a arte do ator".

A série se encerra com uma visita ao Teatro Ruth Escobar, onde encenou a peça “O Balcão” por dois anos. O espaço se torna metáfora de um ciclo que se completa."Sérgio Mamberti, Memórias de Um Ator Brasileiro" ilumina uma vida dedicada à cena, marcada pela resistência, pela paixão e pela crença inabalável no poder transformador do palco. Compre a biografia de Sérgio Mamberti neste link.


Serviço
"Sérgio Mamberti, Memórias de Um Ator Brasileiro"
Série documental
Direção: Evaldo Mocarzel
Conteúdo: três episódios
Duração aproximada: 50 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Estreia: 26 de setembro, sexta-feira, às 22h


Sob demanda
Quando: a partir de 26 de setembro de 2025
Assista em sesctv.org.br/mamberti e sesc.digital
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segunda-feira, 6 de outubro de 2025

.: Entrevista com Bea, defensora do pagode no "Estrela da Casa"


Natural de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, cantora defendeu o pagode ao longo da temporada e agora planeja se dedicar a um projeto audiovisual. Foto: Globo/Fábio Rocha


Bea deixou a disputa do talent show "Estrela da Casa" no último dia 30, já mirando na carreira de sucesso que pretende trilhar. Com 27 anos, a cantora natural de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, defendeu o pagode ao longo da temporada e agora planeja se dedicar a um projeto audiovisual. Com a certeza de que foi fiel à sua verdade do início ao fim, Bea afirma que não mudaria nada em sua participação no reality. “Tudo que as pessoas viram na TV é exatamente o que eu sou no dia a dia.  Eu sou isso na vida e não pretendo mudar”, ressalta. 


O que foi mais especial na sua participação no "Estrela da Casa"?
Bea -
Todo o aprendizado que eu pude absorver. Todas as oficinas, desafios de composição, as provas, tudo tinha um aprendizado muito genuíno. O que eu mais consegui desenvolver através desse aprendizado foi o meu lado de composição. Eu sempre compus, mas sempre tive uma limitação para compor. Sempre precisava de algum acontecimento para me inspirar. Hoje eu consigo compor aqui, sentada, só pegando um papel e uma caneta e começando a inventar. Isso é graças ao "Estrela da Casa". 
 

Qual foi sua dinâmica preferida? 
Bea - Eu acho que o "Desafio Musical" com o tema "Vilão de Novela", em que a gente teve que fazer uma música para o personagem Marco Aurélio, da novela "Vale Tudo". Foi literalmente um desafio, mas foi muito legal de fazer, porque eu usei todo o meu lado engraçado para compor a música junto com as outras pessoas. E foi interessante como saiu uma música muito boa, que super poderia ser usada na trilha da novela. 

 
De qual apresentação sua você mais gostou? 
Bea - Quando cantei “A Loba”, da Alcione. Foi a melhor de todas. Eu amo todas as minhas apresentações, mas eu nunca me entreguei 100% como eu me entreguei nessa apresentação, em toda a minha vida. 
 

Quais aprendizados você levou do "Estrela da Casa" para sua carreira? 
Bea - Bom, primeiro que a gente precisa organizar a carreira antes de subir no palco. Isso em todo o quesito: jurídico, comunicativo, visual, olhar para toda a gestão de carreira em si. A gente precisa ter uma estrutura para atender contratantes e donos de casas de shows. Não dá para ir faltando nada. Posicionamento no palco. Entender para onde olhar. Como se comunicar com o público. Como trazer o público para você. Aprender como ensinar o público a sua música nova, isso eu aprendi com a Daniela Mercury quando ela nos visitou no Centro de Treinamento. É preciso pensar no que fazer no pós-show. Por mais que se tenha uma equipe que responda para você, o artista tem que entender tudo o que está acontecendo. Não dá para eu entregar todas as suas demandas na mão de alguém sem saber o que esse alguém vai fazer. Então, essas coisas foram aprendizados muito importantes e que eu vou levar para a vida. Porque eu quero ter vários e vários anos de carreira. 
 

O que faria diferente, se tivesse a chance? 
Bea - Acho que eu não faria nada diferente. Eu seria exatamente o que eu fui, porque meu melhor amigo falou para mim que eu nunca fui tão fiel a mim como nesse programa. Nunca fui eu de maneira tão íntegra. E tudo que as pessoas viram na TV é exatamente o que eu sou no dia a dia. Com os meus pais, com os meus irmãos, com os meus amigos, com os meus fãs, com os meus funcionários, meus sócios. Eu sou isso na vida e não pretendo mudar. Mesmo que algumas pessoas não concordem com algumas coisas, sempre vai ter alguém que não vai concordar. Nem Jesus agradou todo mundo, então eu também não tenho como agradar. Mas me alegra saber que estou sendo eu. 
 

Quem tem mais chances de sair vencedor ou vencedora? E para quem fica sua torcida?   
Bea - Eu acho que quem tem mais chance é o Hanii, porque ele é um artista completo. Ele tem vocal, tem performance, ele lida bem com a câmera, é um artista confiante. Ele pode estar passando a barreira que for, mas se ele precisa entregar alguma coisa, ele se concentra e entrega. Ele é dedicado, ensaia igual louco, se cobra, pede opinião... é uma pessoa empática. É uma pessoa que trata muito bem os fãs. Ele merece muito porque ele é de fato uma estrela. E a minha torcida é toda para ele. Eu vou votar muito, dar a minha vida para esse menino ganhar esse programa. 

Quais são os próximos passos da sua carreira?
Primeiro eu quero entender como ficaram as coisas aqui fora. Eu tenho um projeto de pagode lá em Campinas, em São Paulo, e eu tive que deixar esse projeto com alguns amigos cantando no meu lugar, fazendo o projeto no meu lugar, que rola todo sábado. E agora eu quero entender como é que ficou isso, se a casa vai comportar o meu público novo, se esse projeto vai continuar. Mas a minha grande meta, a médio prazo, é o meu audiovisual, o meu DVD. Já estou com várias ideias. Algumas coisas já passei para o bloco de notas do celular. Quero pôr em prática para, no máximo, já ter gravado até abril do ano que vem. 

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

.: True crime: série sobre Ângela Diniz e Doca Street estreia em 13 de novembro


A HBO Max acaba de anunciar a estreia de sua nova série Max Original, .: "Ângela Diniz: assassinada e Condenada", para o dia 13 de novembro. A plataforma também divulgou um teaser exclusivo com as primeiras imagens do drama. Baseada em um crime real, a produção da Conspiração é dirigida por Andrucha Waddington e terá seis episódios.  

A trama parte do podcast "Praia dos Ossos" e revisita a história de Ângela Diniz, uma mulher que, por sua liberdade e autonomia, desafiou os padrões impostos às mulheres e foi brutalmente punida por isso. Seu último relacionamento terminou em tragédia quando foi assassinada com quatro tiros à queima-roupa pelo namorado Doca Street, sob a justificativa de “legítima defesa da honra” - um caso que impulsionou movimentos feministas em todo o país. 

O teaser antecipa a atmosfera intensa da produção, começando com registros de uma Ângela radiante e em momentos felizes, mas logo revelando a virada trágica de sua trajetória. As imagens evoluem para cenas de tensão crescente, incluindo a violência de Doca contra Ângela, reforçando o tom dramático e a gravidade da história real que inspira a série. 

Fazem parte do elenco Marjorie Estiano como Ângela e Emilio Dantas como Doca Street. Também integram a produção Antonio Fagundes (no papel do advogado e ex-ministro do STF Evandro Lins Silva), Thiago Lacerda (Ibrahim Sued), Camila Márdila (Lulu Prado), Yara de Novaes (Maria Diniz). Completam o elenco Thelmo Fernandes, Renata Gaspar, Tóia Ferraz, Carolina Ferman, Joaquim Lopes, Emílio de Mello, Marina Provenzzano, Maria Volpe, Gustavo Wabner, Ester Jablonski, Pedro Nercessian, Deco Almeida, Stepan Nercessian, Daniela Galli, Priscila Sztejnman, Tatsu Carvalho, Charles Fricks e Alli Willow.  

"Ângela Diniz: assassinada e Condenada" é uma série de ficção Max Original produzida pela Conspiração. Escrita por Elena Soárez, Pedro Perazzo e Thais Tavares conta com direção geral de Andrucha Waddington e direção de 2ª. unidade de Rebeca Diniz. A produção é assinada por Waddington e Renata Brandão. Pela Warner Bros. Discovery, a produção executiva fica a cargo de Mariano Cesar, Anouk Aaron e Vanessa Miranda. 

.: TV Cultura estreia série nacional que transforma cinema em oráculo


No palco, Ana Arruda, Dilma Campos e PaulaTrabulsi. Foto: Silvana Garzaro


Nesta quarta-feira, dia 1° de outubro, às 22h00, estreia na TV Cultura a primeira temporada da série nacional "BELAScomASAS". Em seis episódios, a produção transforma o cinema em oráculo contemporâneo, convocando clássicos e obras emblemáticas como gatilhos para refletir sobre dilemas urgentes da sociedade atual. A apresentação é da cineasta Paula Trabulsi. A proposta une o melhor da curadoria do Cine Belas Artes - ícone cultural de São Paulo desde 1956 – ao olhar crítico e criativo de pensadores, artistas e convidados do Coletivo Internacional de Inteligência Criativa ASAS.BR.COM.

Com direção e concepção artística de Paula Trabulsi, sócia do Belas Artes e fundadora da ASAS.BR.COM, o programa acontece no palco do próprio Cinema Belas Artes, mesclando trechos de filmes com bate-papos instigantes de convidados, como a socióloga Isabelle Anchieta, o psicanalista Christian Dunker, a psicóloga Lúcia Rosenberg, o jornalista Fernando Luna, entre outros. Cada episódio parte de uma pergunta inquietante para atravessar obras-primas do cinema e, a partir delas, propor conversas abertas e plurais.


Primeiro episódio
Com o tema "A Tecnologia Te Humaniza?", a edição revisita os filmes "Blade Runner", "A Rede Social", "Matrix", "Her", "Jogador N.º 1" e "Não Olhe Para Cima" e discute como a tecnologia redefine nossa humanidade e nossos vínculos sociais. Para debater o assunto, estão no palco do programa Ana Arruda, especialista em Cinema e Tecnologias Imersivas, e Dilma Campos, líder em Inovação ESG.

terça-feira, 23 de setembro de 2025

.: "Estrela da Casa": Brenno Casagrande faz da emoção uma marca registrada


Brenno Casagrande marcou o "Estrela da Casa" e já prepara novos voos na música. Foto: Globo/ Gabriel Vaguel


O baiano Brenno Casagrande conquistou o público do "Estrela da Casa" com voz doce, carisma e forte presença de palco, marcada pela herança musical que carrega do pai, também cantor. Durante sua trajetória no talent show, emocionou com interpretações cheias de verdade, criou laços fortes com os colegas de confinamento e surpreendeu ao se arriscar até na dança - momento em que recebeu, em tom carinhoso, o apelido de “novo Léo Santana”. 

Quarto eliminado da segunda temporada do programa, Brenno sai grato pela experiência e já com os olhos voltados para os próximos passos da carreira. Em entrevista, ele fala sobre as apresentações favoritas, os aprendizados que leva para a vida e os planos de lançar músicas inéditas, parcerias e até um grande audiovisual.

O que foi mais especial na sua participação no "Estrela da Casa"?
Brenno Casagrande - Foi me redescobrir como pessoa, como artista, me desbloquear para muitas coisas, como dançar. Estão me chamando de novo Léo Santana, sei que estou muito longe disso, mas estão me chamando. Eu dancei em todos os festivais. Tem pessoas na equipe que mudaram a minha vida, tanto nos ensinamentos de dança quanto de voz e carreira. Vou levar o que aprendi e seguir assistindo para aplicar essas dicas na minha trajetória, através da TV mesmo.


Qual foi sua dinâmica preferida?
Brenno Casagrande - Compor. A dinâmica do jingle é muito boa, mas a que mais me marcou foi a do "Desafio - Estrela da Casa". Na última, eu ganhei com os meninos com uma música falando sobre fé. Mas a minha música preferida do programa foi o jingle para o "Criança Esperança".


De qual apresentação sua você mais gostou?
Brenno Casagrande - A minha apresentação preferida foi a primeira, quando cantei "Vai Sacudir, Vai Abalar", música do meu pai. Eu estava muito emocionado, achei que ia chorar feito louco, mas consegui segurar a onda. Só chorei quando a apresentação acabou. Estava imune, estava leve. Foi a mais emocionante, sem dúvidas.


Quais aprendizados você está levando do "Estrela da Casa" para sua carreira?
Brenno Casagrande - Aprendi que a gente tem que manter a nossa verdade, que o carisma conta bastante, e que é importante deixar uma marca registrada nas pessoas. Acredito que deixei essa marca, porque ontem vi um vídeo de todos reunidos na sala de composição cantando a música do meu pai, me homenageando e fazendo a flecha, que é o sinal que eu criei. Fiquei muito emocionado, foi a única vez que chorei depois de sair do programa. Tive certeza de que estou na vida deles para sempre.


O que faria diferente, se tivesse a chance?
Brenno Casagrande - Talvez eu tivesse me esforçado mais para ganhar a imunidade e não ser eliminado ontem. Mas, quanto aos meus comportamentos, não me arrependo. Fui quem eu realmente sou. Já liguei para o meu irmão, para minha esposa, para minha mãe, para o meu pai... todo mundo me parabenizou pelo meu comportamento, pelas minhas falas e posturas. Então, se agradei minha família, não tenho mais o que mudar.


Na sua opinião, quem tem mais chances de sair vencedor ou vencedora? E pra quem fica sua torcida?
Brenno Casagrande - Hanii, Thainá e Juceir. São meus três favoritos. Estou torcendo igualmente para os três.

Quais são os próximos passos da sua carreira?
Brenno Casagrande - Lançar músicas. Tenho muitas em parceria com outros artistas. Quero fazer um audiovisual lindão, continuar brilhando... Meu lugar ao sol chegou, né? Então, agora é brilhar pelo Brasil afora. E para as pessoas que acompanham o programa e têm o sonho de estar aqui: não desistam. Eu fui um sonhador, sonhei muito em estar aqui, e em 2025 consegui entrar no "Estrela da Casa". Então, é sobre não desistir.

sábado, 30 de agosto de 2025

.: Entrevista: Nirah fala sobre "Estrela da Casa" e projeta novos passos na carreira


Direto da Ilha de Marajó para o palco do Estrela da Casa, Nirah levou o tecnomelody para todo o Brasil e, mesmo como a primeira eliminada, conquistou visibilidade, novos fãs e planos ambiciosos para a carreira. Foto: Globo/ Gabriel Vaguel


Da Ilha de Marajó, no Pará, para todo o Brasil: Nirah levou para o programa "Estrela da Casa" o orgulho de suas raízes e mostrou a todo o país a música tecnomelody. A cantora foi a primeira competidora a deixar o reality, na noite de ontem, dia 28, mas conta que aproveitou cada segundo de sua permanência, especialmente as trocas com os outros participantes. Agora, está focada em seus objetivos pós-programa: aproveitar a visibilidade que atingiu e voltar a fazer shows, além de lançar um clipe já gravado e compor um próximo hit. 

"Vivi um sonho no 'Estrela da Casa'. Meu coração está cheio de gratidão", resume a eliminada sobre a experiência do programa. Em entrevista, ela fala sobre a experiência. "Estrela da Casa" é um formato original e inédito Globo, com apresentação de Ana Clara, produção de Maiana Timoner e Rodrigo Tapias, direção geral de Aída Silva e Carlo Milani e direção de gênero de Rodrigo Dourado. O reality é exibido de segunda a sábado, após "Vale Tudo", e domingo, após o "Fantástico".    
 

O que foi mais especial na sua participação no "Estrela da Casa"? 
Nirah - As pessoas me marcaram muito. Apesar do pouco tempo, o programa é muito intenso. No confinamento, eu já estava falando "semana passada" sobre algo que tinha acontecido na segunda-feira, só alguns dias antes. O carinho e a amizade de todos são coisas que ficam. Só tem gente linda e especial, com o coração e caráter lindos, ali. Falei que quero eles todos no Pará, tomando açaí com peixe e farinha da baguda, dançando brega, conhecendo a aparelhagem, e é verdade. Foi um convite que eu fiz de coração, quero todo mundo realmente junto comigo para a gente curtir muito.
 

Qual foi sua dinâmica preferida?
Nirah - A dinâmica em que eu mais fiquei impressionada e me senti mais desafiada foi a do jingle. O compositor que fez a parte inicial, Renno Poeta, começou a me seguir hoje nas redes sociais e eu fiquei muito feliz porque o encontro com ele foi uma oportunidade única. Eu, como compositora amadora, peguei dicas incríveis. Essa foi a coisa que mais me marcou. Foi uma honra ter a oportunidade de aprender com ele, e eu vou levar para o resto da minha vida o conhecimento que ele nos passou.
 

De qual apresentação sua você mais gostou?
Nirah - Estou feliz com tudo, mas acho que eu poderia ter sido melhor em todas elas. Eu sinto que me prejudiquei um pouco porque fiquei eufórica, gritei, cantei, fiz um monte de doidice, e acabei perdendo a voz. Foi difícil para mim aceitar isso porque eu sei que eu poderia ter entregado mais se eu tivesse tido responsabilidade com a minha voz. Deveria ter seguido as dicas da Nina [Pancevski, preparadora vocal do programa], que foram preciosas. Mas, acho que ninguém seguiu completamente porque no programa é uma loucura, uma empolgação enorme (risos).
 

Quais aprendizados você está levando do "Estrela da Casa" para a sua carreira?
Nirah - Muitos! Eu me testei em um nível muito elevado, e talvez tenha sido a coisa mais difícil que eu fiz na minha vida. Eu canto um ritmo diferente, que é o tecnomelody, o brega, e eu pensava em como as pessoas iriam abraçar isso. Pensei muito na minha vida, na minha família, e veio um misto de sentimentos. A gente fica muito aflorado, tentando separar as coisas e acalmar a mente. Mas eu fiquei muito feliz com o resultado que consegui porque pensei: "Eu sou forte demais, não é qualquer pessoa que chega até aqui". Cheguei, me testei e vi que sou capaz. Tudo foi muito gratificante. Preciso ainda citar o Michel Teló, uma pessoa incrível, e o que o Dinho Ouro Preto me falou após a minha eliminação. Ele olhou dentro dos meus olhos, na minha alma, e me disse que eu não podia parar, que eu era gigante. Eu vi a emoção que ele trazia. Aí, desabei -  não dá para ser forte o tempo todo (risos). Vivi um sonho no 'Estrela da Casa'. Meu coração está cheio de gratidão.
 

O que faria diferente, se tivesse a chance?
Nirah - Acho que eu teria batido mais o pé no Tecnomelody. Teria ido de brega já no início. Cantei Tecnomelody na música de apresentação, entrei grandona, mas outros clássicos do gênero estavam organizados para um pouco mais para frente, numa crescente. E acabei não chegando lá. Eu teria trazido essas músicas mais para o início da competição.


Na sua opinião, quem tem mais chances de sair vencedor ou vencedora? 
Nirah - Eu me apaixonei por todo mundo, e de cara pela Ruama Feitosa e pela Bea. Ri tanto com elas como nunca na minha vida, de doer a barriga! Até agradeci a Deus! (risos). Quanto à presença de palco, charme, admiro muito a Talíz. Ela domina o palco, é uma diva. Inclusive fui aprendendo com ela uma coisa aqui e outra ali que vou trazer para a minha vida. Também acho a Thainá Gonçalves uma coisa absurda. Olhava para ela e pensava: "Meu Deus, isso existe? Vem de outro planeta?". Ela canta como um anjo, você sente a presença de Deus. Quando ela abre a boca, com aquele vozerão, a gente fica arrepiado, emocionado. Quem chegar à final é um grande merecedor; todos têm uma história muito linda, também.


E para quem fica sua torcida? 
Nirah - Eu tenho um conterrâneo lá dentro, o Daniel Sobral, e a minha torcida com certeza é para ele. Torço por todos, mas quero muito que ele chegue à final, pelo menos. Ele canta absurdo, tem uma voz surreal! 


Quais são os próximos passos da sua carreira? Já consegue pensar em alguma coisa?
Nirah - Com certeza! Já avisei ao meu esposo: "Meu filho, vamos embora trabalhar porque a gente não pode parar!" (risos). Sei que agora é um momento de evidência, então vamos lá. Nunca parei na minha vida, não será agora. Quero montar um novo show, fechar apresentações e ir para os palcos cantar. Também me reunir urgentemente com outros compositores e lançar um próximo hit. E quero lançar o clipe da minha música "Meu Love", que já estava pronto antes do programa. A música está quase batendo 100 mil reproduções, e um outro clipe que eu já tinha lançado chegou a 500 mil. Tem noção disso? Consegui a marca de meio milhão de visualizações! Então, por tudo isso, o 'Estrela da Casa' já foi grandioso. Estou muito grata e muito feliz porque não é qualquer artista, com o tamanho como o meu, que consegue atingir essas marcas.

sábado, 23 de agosto de 2025

.: Entrevista: Antonio Fagundes relembra papel em "Terra Nostra"


No ar como Otávio em "A Viagem", ator também poderá ser visto como Gumercindo em "Terra Nostra". Foto: Globo/divulgação


Escrita por Benedito Ruy Barbosa, autor de títulos que marcaram gerações de brasileiros, "Terra Nostra" retorna às telas da TV Globo em 1º de setembro no "Edição Especial". Com a saga da imigração italiana ao Brasil no final do século XIX e retratos da vida rural vivenciada por muitos imigrantes como pano de fundo, a novela traz Antonio Fagundes no papel de Gumercindo, um dos personagens centrais da história. “Desde a década de 70, eu já pesquisava sobre essa época, seu impacto no Brasil e algumas das questões abordadas pela novela. Esse contato anterior com o tema naturalmente contribuiu para a construção do personagem”, revela o ator.

Na trama, Gumercindo é dono de uma grande fazenda de café em decadência, sem mão de obra para o cultivo e a colheita do grão. Com a chegada dos imigrantes italianos em busca de trabalho, o coronel os contrata para dar continuidade à produção. Acostumado a não ser contrariado, ele enfrenta dificuldades para lidar com os recém-chegados, que lutam por seus direitos como trabalhadores e cidadãos no novo país. Aos poucos, no entanto, o lado justo de Gumercindo começa a reconhecer as qualidades do povo que passa a trabalhar em sua propriedade.

Casado com Maria do Socorro (Débora Duarte), Gumercindo é pai de Rosana (Carolina Kasting) e Angélica (Paloma Duarte), que sofrem com o autoritarismo do patriarca e o tratamento frio dispensado à mãe. O fazendeiro culpa a esposa por não terem tido um filho homem, seu grande sonho. A novela marcou a segunda vez em que o ator e Débora Duarte contracenaram como par romântico. Além da atriz, outros nomes estrelares integravam ou orbitavam o núcleo de Gumercindo. “Repeti a parceria com a querida Débora Duarte, com quem já havia feito par romântico em ‘Corpo a Corpo’. Foi muito bom reencontrá-la. Também tínhamos o querido Raul Cortez, Maria Fernanda Cândido, Ângela Vieira... Foi um enorme prazer”, comenta Fagundes. Com estreia marcada para 1º de setembro, logo após o "Jornal Hoje", "Terra Nostra" é uma obra de Benedito Ruy Barbosa, escrita com colaboração de Edmara Barbosa e Edilene Barbosa. A novela tem direção geral de Jayme Monjardim e direção de Marcelo Travesso e Carlos Magalhães.


Com a estreia de "Terra Nostra" no "Edição Especial", você estará no ar simultaneamente como Gumercindo e como Otávio, de "A Viagem", que está em reprise no "Vale a Pena Ver de Novo". O que mais emociona você ao revisitar esses trabalhos?
Antonio Fagundes - Talvez o trabalho do ator seja um dos poucos que permitem essa alegria de transitar por universos tão diferentes, de uma obra para outra, o que é extremamente estimulante para nós - e acredito que também para quem gosta de acompanhar novelas. Sem as reprises, o público talvez tivesse um pouco menos de percepção das diferenças entre os trabalhos de um ator, pelo fato das novelas serem mais longas e espaçadas. Com as reexibições, surgem oportunidades como essa: assistir, ao mesmo tempo, a dois personagens com características tão contrastantes.
 

O que essa novela representou para você como ator, em termos de desafio artístico e contribuição cultural?
Antonio Fagundes Por coincidência, eu vinha de um longo trabalho com um autor italiano, Dario Fo. Fiz uma peça dele no Brasil chamada "Morte Acidental de Um Anarquista", que ficou sete anos em cartaz. E, quando "Terra Nostra" estava em montagem, eu estava em cena com o espetáculo "Últimas Luas", de outro autor italiano igualmente importante, Furio Bordon. Assim, mergulhar em uma nova parte do universo italiano por meio da novela foi, para mim, um complemento muito significativo e bem-vindo. Foi marcante estar diretamente envolvido com a cultura italiana naquele período.
 

Houve algum momento da trama que tenha sido particularmente desafiador para você?
Antonio Fagundes Toda obra representa um desafio para qualquer ator, mas gosto de frisar que nosso trabalho não se resume ao período em que estamos em cena. Nós nos preparamos ao longo da vida para as histórias que vamos contar, e com essa novela não foi diferente. Realizei um trabalho muito interessante no cinema, o filme "Gaijin - Os Caminhos da Liberdade" (1979), dirigido por Tizuka Yamasaki. Embora a obra abordasse, principalmente, a imigração japonesa, ela também contemplava o contexto da imigração italiana. Desde aquela época, na década de 70, eu já pesquisava sobre esse período histórico, seu impacto no Brasil e algumas das questões que a novela trata. O contato prévio com esse universo naturalmente me ajudou na construção do Gumercindo. 


Que lembranças você guarda desse trabalho e da rotina de gravação?
Antonio Fagundes Guardo apenas boas lembranças dessa novela. O elenco era maravilhoso e o ambiente das gravações, muito harmonioso. Repeti a parceria com a querida Débora Duarte, com quem já havia feito par romântico em "Corpo a Corpo". Foi muito bom reencontrá-la nesse projeto. Também tínhamos o querido Raul Cortez, Maria Fernanda Cândido, Ângela Vieira... era muita gente boa. Foi um enorme prazer.

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

.: Isis Valverde lança nova coletânea "Vermelho Rubro" de poemas autorais


Com o lançamento de "Vermelho Rubro", a atriz Isis Valverde mostra-se uma autora sensível, capaz de transformar dores, desilusões amorosas, memórias familiares e inquietações existenciais em poesia sincera, densa, delicada e sempre humana. Publicada pelo Citadel Grupo Editorial, a coletânea reúne poemas escritos ao longo de cinco anos e é dedicada a Rosalba Nable, mãe da artista, que venceu o câncer de mama após intensas sessões de quimio e radioterapia em 2024. 

Famosa por papéis marcantes na televisão e no cinema, Isis revisita episódios pessoais e reflete sobre laços afetivos por meio de uma escrita direta, e impactante. Cada composição ajuda a formar um mosaico emocional que revela a mãe, a filha, a esposa e, acima de tudo, a mulher real por trás da figura pública exposta aos holofotes. 

No prefácio, Nelson Motta descreve a obra como um “compilado de confissões poéticas de uma jovem estrela pop que todos imaginam levar uma vida perfeita de Instagram”. Nessa linha, os poemas desmontam a ilusão da perfeição por trás da fama e conduzem o leitor pelos escombros de uma alma que sangra e floresce. 

Com coragem literária, Isis se desnuda e compartilha sentimentos muitas vezes silenciados. Inseguranças, fracassos, saudades mal resolvidas, mágoas guardadas e desejos não ditos são explorados. Por outro lado, também celebra a felicidade, a liberdade criativa, o empoderamento feminino e a euforia de se permitir sentir plenamente. “Escrevo quando a dor aperta ou quando a alegria transborda”, explica. 

Ela faz questão, porém, de esclarecer que o livro não é um espelho fiel de sua vivência ou um diário confessional, mas uma travessia lírica por emoções profundas, fantasias e cicatrizes transformadas em arte. Ao definir a própria escrita como um tipo de realismo fantástico, ela se permite transitar entre a realidade e a ficção. 

O lançamento aborda temas universais como o medo da perda, a solidão que resta após um fim, o anseio por um amor acolhedor, o envelhecimento, as transformações do corpo e da alma. A saudade da infância em Aiuruoca, cidade natal no interior de Minas Gerais, aparece como um refúgio afetivo onde ainda se pode experimentar a leveza de outrora. 

Nesse novo compilado de textos, a estrela reforça o hábito de escrever como forma de resgate, como válvula de escape e instrumento terapêutico. Ao se dedicar às palavras, Isis se reconecta com a essência da arte: tocar o outro com o que há de mais verdadeiro. Mesmo nas passagens mais dolorosas, Isis não levanta muros de lamentos, mas constrói pontes de cura.  

Com título inspirado na intensidade sanguínea que permeia cada página, "Vermelho Rubro" convida à vulnerabilidade, à introspecção e à aceitação da beleza imperfeita. Ao dar voz a sentimentos tão comuns, mas frequentemente calados, Isis Valverde entrega um livro que sangra, sim, mas também pulsa com força vital.


Sobre a autora
Isis Valverde
nasceu em Aiuruoca, no sul de Minas Gerais, em 1987. Ainda jovem, trabalhou como modelo e participou de campanhas publicitárias. Estreou como atriz em 2006, na novela Sinhá Moça, da Rede Globo. De lá para cá, já participou de mais de uma dezena de outras novelas, minisséries,e filmes. Por seu trabalho, recebeu diversos prêmios. Mãe de Rael e casada com Marcus Buaiz, Isis é autora dos livros “Camélias” e “Vermelho Rubro”. Foto: Hick Duarte

.: Entrevista com Antonio Calloni: ator comemora retorno de "Terra Nostra"


Em entrevista, o ator relembra a experiência de interpretar um personagem italiano que imigrou para o Brasil, trajetória semelhante a de seu bisavô. Foto: Jorge Baumann


Uma das maiores produções do horário nobre da teledramaturgia brasileira, "Terra Nostra" volta às telas da TV Globo em 1º de setembro, no ‘Edição Especial’. Exibida originalmente em 1999, a novela retorna à programação no ano em que a emissora celebra seu 60º aniversário. A trama, que tem como pano de fundo a saga da imigração italiana ao Brasil no final do século XIX, retrata a história de diversas famílias ítalo-brasileiras, assim como a de Antonio Calloni, intérprete do personagem Bartolo. “Meu bisavô chegou ao Brasil na mesma leva de imigrantes retratada na novela, e isso tornou ainda mais emocionante participar dessa obra e contribuir para contar uma história da qual faço parte”, revela o ator.
 
Na trama, Bartolo é um italiano batalhador, que parte com sua esposa, Leonora (Lu Grimaldi), e a filha rumo ao Brasil em busca de oportunidades de trabalho. No trajeto, se torna amigo do jovem Matteo (Thiago Lacerda) e, junto a ele, o camponês e sua mulher vão trabalhar na fazenda de café de Gumercindo (Antonio Fagundes) quando chegam em São Paulo. Idealista, sincero e ciente de todos os seus direitos como cidadão no novo país, Bartolo encara a nova realidade sem medo do ofício. Descendente de italianos imigrados, Antonio Calloni tinha, em sua própria história, referências para dar vida ao personagem. “Aprendi a falar italiano antes mesmo do português, e isso, de certa forma, tornou a interpretação muito orgânica para mim - tanto no gestual quanto no sotaque”, compartilha. Com estreia marcada para 1º de setembro, logo após o "Jornal Hoje", "Terra Nostra" é uma obra de Benedito Ruy Barbosa, escrita com colaboração de Edmara Barbosa e Edilene Barbosa. A direção geral é de Jayme Monjardim, com direção de Marcelo Travesso e Carlos Magalhães.
  

Como você recebeu a notícia da reprise da novela agora, mais de duas décadas depois?
Antonio Calloni - Fiquei muito feliz com a notícia da reprise. ‘Terra Nostra’ marcou a minha vida, pois, de certa forma, retrata a história da minha própria família – como tantas outras descendentes de italianos. Meu bisavô chegou ao Brasil na mesma leva de imigração dos personagens da novela, e isso tornou ainda mais emocionante participar dessa obra e contribuir para contar uma história da qual faço parte.
 

Você se lembra do que te encantou no Bartolo quando leu o texto pela primeira vez?
Antonio Calloni - Sim, as cenas fantásticas dos primeiros capítulos, quando Bartolo e Leonora acreditam que a filha morreu. São sequências muito emocionantes. A peste estava se espalhando pelo navio, e aqueles personagens viviam um drama intenso, que resultou em cenas marcantes e comoventes, muito comentadas na época da exibição.
 

Como foi o processo de caracterização do personagem?
Antonio Calloni - Aprendi a falar italiano antes mesmo do português, e isso, de certa forma, tornou a interpretação do personagem muito orgânica para mim – tanto no gestual quanto no sotaque. Ter o italiano como primeira língua fez com que tudo fluísse de maneira natural.
 

Há alguma lembrança de bastidores com o elenco ou a equipe que tenha te marcado durante as gravações da novela?
Antonio Calloni - Sim, uma lembrança muito especial foi quando gravávamos no Memorial do Imigrante e encontrei o documento do meu bisavô lá. Naquele momento, eu estava caracterizado como Bartolo, cercado por muitos figurantes, e me vi inserido no mesmo contexto em que meu bisavô desembarcou. Foi uma experiência muito emocionante. Essa novela, sem dúvida, marcou toda a colônia italiana. Foi um enorme prazer fazer parte dela, e estou curioso para ver essa reprise. Grazie mille.
 

domingo, 17 de agosto de 2025

.: Entrevista: Mateus Honori celebra o poder das narrativas nordestinas


Em entrevista ao portal Resenhando.com, Mateus Honori fala sobre fé, ancestralidade, música e as contradições de interpretar personagens que atravessam a história do sertão e da cultura nordestina. Foto: divulgação

Por Helder Moraes Miranda, especial para o portal Resenhando.com. 

Celebrar as raízes é mais do que um gesto de afeto, pode ser também um ato político e artístico. O ator e músico Mateus Honori parece saber disso desde sempre. Nordestino de Fortaleza, ele se entrega a personagens que não apenas contam histórias, mas também acionam memórias coletivas - de Lampião a Rodger Rogério, da poeira do sertão às canções do “Pessoal do Ceará”. Em "Guerreiros do Sol", a novela do Globoplay, é Lucínio, um coiteiro que vive entre lealdades e traições; na minissérie "Alucinação", no Canal Brasil, dá vida a Rodger, parceiro de Belchior e figura central de um dos movimentos mais efervescentes da música brasileira.

Mas a arte de Honori não se limita às telas. Ao lado da atriz e cantora Lua Martins, ele criou o projeto musical "Luar", que revisita clássicos e composições autorais com a força poética de quem olha para o passado sem perder a invenção do presente. Em setembro, eles partem em turnê pelo Ceará, levando palco adentro essa fusão de música, memória e destino. Entre quedas de cavalo milagrosamente sem arranhões, encontros com ídolos vivos e a visceralidade de filmar no sertão, Mateus Honori compartilha com exclusividade para o portal Resenhando.com a trajetória recente - e não hesita em enfrentar perguntas que cutucam o visível e o invisível.

Resenhando.com - Em “Guerreiros do Sol”, você se embrenha no cangaço com suor, poeira e transcendência. Em que momento da gravação você sentiu que não era mais o Mateus, mas sim um corpo ancestral reencarnado naquele chão?
Mateus Honori - Após a morte de Josué, quando justiça e vingança viram uma coisa só. Quando Josué morre, Lucinio, começa a trabalhar com Rosa e começa a se envolver em tramas cada vez mais perigosas, pra ele mesmo. Está vindo uma grande guerra, o ápice da série, Josué morto, sua bebê sequestrada, cabeças expostas em praça pública, Arduino um completo assassino, todo esse momento, foi marcante, pelo clima de tensão que se criou. Nessas cenas senti tudo gritando no corpo.

 
Resenhando.com - Lucínio, Jararaca, Rodger Rogério… São personagens reais ou realistas, com vidas marcadas por contradições. Qual deles mais abalou suas certezas pessoais e exigiu que você desmontasse suas próprias verdades?
Mateus Honori - Nenhum, eu não julgo os personagens, sempre encontro pontos de conexão com eles, todo ser humano é contraditório e eu acredito ser essa uma boa estratégia de abordar personagens complexos, sem hipocrisias. Encontrei três pessoas diferentes, com razões, ideais e valores diferentes, mas todos reais.

 
Resenhando.com - Você rezou no túmulo de Jararaca antes de interpretá-lo. A queda de cavalo sem nenhum arranhão foi sinal, proteção ou aviso? Você é do tipo que escuta o invisível?
Mateus Honori - Eu sou uma pessoa bastante sensível a todas as questões espirituais. Acho que foi proteção, eu pedi e ela veio.

 
Resenhando.com - Rodger Rogério brincou dizendo que você é bonito demais pra ser ele. A vaidade e a fidelidade ao retratado travaram algum duelo durante a caracterização? Já teve que ficar “menos bonito” por um papel?
Mateus Honori - Acho que não, eu estou sempre a serviço do personagem. Durante os processos de caracterização, quanto mais eu mudo, mais gosto, amo trocar de cabelo, de roupa de estilo, acho essa inclusive, uma das partes mais legais do meu trabalho. A minha vaidade não luta com isso.
 

Resenhando.com - No set de “Alucinação”, vocês recriaram o espírito de trupe dos anos 70. Existe algo de hoje que você trocaria pela liberdade (ou ilusão dela) que aquele grupo viveu na Praia de Iracema?
Mateus Honori - Gostaria de ter vivido a segurança dos 70. Violão nas ruas, cantoria nas praças, praia até de madrugada. Essa liberdade nos perdermos, pra violência.
 

Resenhando.com - Em “Luar”, você e Lua Martins criam canções que entrelaçam “natureza, o etéreo e o destino”. Alguma dessas músicas nasceu de um sonho, um delírio ou um silêncio cheio de sentido?
Mateus Honori - Todas (risos). Todas as canções autorais nascem de uma reflexão silenciosa e uma observação sensível. “A Reza” da Lua Martins, nasceu de uma só vez, ao pegar no violão, como uma psicografia. A minha “Jacarandá” nasceu de um sonho, literalmente. Era uma árvore grandiosa, cujas raízes faziam música.

 
Resenhando.com - Qual foi o momento mais delicado do processo de cantar e tocar ao vivo nas gravações de "Alucinação"? Você já teve medo de não estar à altura da memória musical do personagem?
Mateus Honori - O trabalho de prosódia, de falar e cantar como os personagens foi muito importante, meu trabalho de instrumentista me deixou confortável, em relação ao violão. Mesmo assim, bate um nervosismo, viver na tela, artistas tão importantes pra nossa história. Fagner, Rodger, Amelhinha, Ednardo e Belchior, são muito vivos na memória.


Resenhando.com - A mística nordestina do sertão está presente nos seus papéis, nas suas músicas e até nas quedas de cavalo. Qual foi o ensinamento mais cabra-macho (ou mais cabra-sensível) que o sertão já deu para você?
Mateus Honori - O sertão ensina sobre o nosso lugar no mundo. A vegetação, a aridez, o sol. Eu sempre aprendo com ele, sempre que chego em seta assim, fico mais calado e concentrado, fico bem sensível. O ser humano não é o centro do universo, viver muito tempo na cidade, faz a gente acreditar nessa falácia, ninguém ganha contra a natureza.


Resenhando.com - Ao revisitar nomes como Zé Ramalho, Dorival Caymmi e Amelinha em “Luar”, você se sente parte de uma linhagem artística? Ou ainda se vê como um curioso apaixonado, à margem da tradição?
Mateus Honori - Eu me sinto como parte dessa linhagem. Somos artistas nordestinos, todos começaram de baixo, lutaram muito pra colocar sua voz no mundo, todos fazendo uma música “alternativa” ao mainstream. No fim das contas, salvo às particularidades, somos iguais.


Resenhando.com - Se pudesse reunir Lucínio, Jararaca, Rodger e você mesmo numa mesa de bar em Fortaleza, o que eles diriam uns aos outros? Quem pagaria a conta?
Mateus Honori - Boa pergunta, engraçado pensar nisso. Todos se dariam super bem, Rodger e eu estaríamos tocando violão, Jararaca e Lucinio conversando sobre a seca e as histórias do cangaço. Rodger impressionaria a todos falando sobre de uma máquina que voa, aviação é uma grande paixão sua. Entre um violeiro boêmio, um coiteiro informante e um cangaceiro, acho que a conta ia sobrar para mim.

sábado, 9 de agosto de 2025

.: Entrevista: Tony Ramos e a morte que chocou o Brasil na novela


A partida de Abel inaugura uma nova fase na trama das sete, com histórias que se desdobram e outras que emergem, prometendo agitar ainda mais os rumos da narrativa. Foto: Globo / divulgação


A morte de Abel, personagem de Tony Ramos na novela "Dona de Mim", chocou o Brasil e deixou fãs e telespectadores emocionados. A inesperada perda do patriarca da família Boaz abriu um novo capítulo dramático na trama, mexendo com os corações e expectativas do público. A emoção dominou o ambiente, especialmente quando Rosa (Suely Franco) faz um comovente discurso sobre a gratidão por ter sido mãe do empresário.

A partida de Abel inaugura uma nova fase na trama das sete, com histórias que se desdobram e outras que emergem, prometendo agitar ainda mais os rumos da narrativa, como antecipou a autora Rosane Svartman. Sempre muito querido pelo público, Tony Ramos se despede de "Dona de Mim" com palavras de gratidão aos fãs que já sentem sua falta. 


Como foi para você saber que Abel tem esse destino na novela?
Tony Ramos - Eu fui convidado para fazer essa novela em um jantar com Rosane Svartman e Allan Fiterman, nosso querido e amado diretor, no final de setembro do ano passado. E, neste momento, eles me contaram o que seria a personagem, então, eu entrei nesse projeto já sabendo o destino do Abel, que ele e Rebeca, personagem de Silvia Pfeiffer, sofreriam um grave acidente. E isso faz parte, inclusive, do desenvolvimento e da narrativa da trama. Faz parte do ofício do ator se entregar à personagem, seja qual for sua trajetória. O texto é de Rosane Svartman, competente escritora, então nem preciso falar. É uma roteirista que ama escrever novela e sabe o que está fazendo.

 
Para os fãs que já dizem sentir falta do personagem, qual o seu recado?
Tony Ramos - A admiração do público é sempre muito bem-vinda. Quando se tem uma boa história, você tem o público ao seu lado. Essa é uma equação simples. Eu amo o que faço e, sem dúvida, o carinho e o reconhecimento do nosso trabalho são combustíveis na hora de subir ao palco ou entrar num set de gravação. A reação mostra que deu certo e a novela é um sucesso. A novela ainda promete muitas emoções e surpresas. Então, meu recado pro público é que não deixem de acompanhar essa história.
 

Como analisa a novela e a parceria com a pequena Elis e os colegas de elenco?
Tony Ramos - Rosane Svartman e equipe são muito talentosos, e a jornada da novela tem sido linda. Elis é uma revelação, é uma atriz vocacionada. Ela é espontânea. E o bonito é que ela é criança, com a mãe e o pai presentes. E nós também a tratamos como criança, como deve ser. Isso é fundamental. Contracenar com os jovens é reaprender. Com eles aprendo muita coisa, até o palavreado. São momentos de explosão de afeto, de humor, como eu sou. Fui muito feliz reencontrando Cláudia Abreu, Marcello Novaes, Suely Franco, Camila Pitanga, Rafa Vitti, e conhecendo o Juan Paiva, Bel Lima e Clara Moneke nesse belo e lindo trabalho.

domingo, 3 de agosto de 2025

.: Mouhamed Harfouch revela a história por trás do espetáculo mais pessoal


Por 
Helder Moraes Miranda, especial para o portal Resenhando.com. Foto: Claudia Ribeiro

Um nome pode ser destino, fardo, bandeira ou metáfora. No caso de Mouhamed Harfouch, foi ponto de partida para um mergulho teatral - e existencial. Após rodar por cinco palcos no Rio de Janeiro, o monólogo "Meu Remédio" estreia em São Paulo no Teatro Santos Augusta, com sessões aos sábados e domingos, entre os dias 30 de agosto e 28 de setembro.

Escrito, produzido e protagonizado por Harfouch, com direção de João Fonseca, o espetáculo mistura memórias, músicas e ancestralidade em 75 minutos de pura exposição - do ator ao homem, do filho ao artista. Com humor, lágrimas e acordes tocados ao vivo, o texto revela não só uma trajetória marcada pela reinvenção, mas também o peso e a força que cabem em um nome.

Nesta entrevista exclusiva para o Resenhando.com, o ator que brilhou em novelas como "Cordel Encantado" e "Órfãos da Terra", e em musicais como "Querido Evan Hansen", fala sobre coragem, pertencimento e os bastidores emocionais da peça mais íntima da vida dele. Entre feridas, risos e confissões, Mouhamed abre espaço para aquilo que ainda está em processo. Porque, como ele mesmo afirma em cena, "aceitar quem somos é curativo".

Resenhando.com - “Meu Remédio” surge de um nome difícil de carregar. Que tipo de cura você acredita que um nome pode atrasar, ou apressar, na vida de alguém?
Mouhamed Harfouch - Se você pensar que o nome é aquilo que te individualiza num primeiro momento, é o teu cartão de visita, e que esse nome é algo que você não escolhe quando nasce, você recebe, de certa forma, de maneira imposta, isso tem um peso. Quando há um casamento perfeito e você gosta é uma maravilha. Mas isso nem sempre ocorre, e com minha peça tenho visto que muita gente teve ou tem dificuldades com o próprio nome. E as razões são diversas. Mas o interessante é que pensar sobre nosso nome pode nos levar a uma viagem muito transformadora sobre quem somos, de onde viemos e para onde vamos. É uma oportunidade de nos revisitarmos. A peça sugere esse diálogo consigo mesmo. Agora sobre atrasar ou apressar, não penso assim. Tudo tem seu tempo correto e faz parte do processo de amadurecimento de cada indivíduo. A cura, muitas vezes, pode vir do resultado deste processo de amadurecimento e isso, sim, é libertador! 


Resenhando.com - A peça é uma travessia íntima embalada por humor e dor. Você teve medo de se expor demais ou, pior, de ser confundido com as caricaturas que também interpreta?
Mouhamed Harfouch - Tive muito medo, por isto levei dois anos escrevendo, ou melhor, maturando. Escrevia uma parte e parava meses. Tinha medo da exposição, tinha dúvidas sobre levar algo tão íntimo para o palco e se isso poderia ser interessante para alguém. Meu diretor João Fonseca foi fundamental nesse processo, pois me deu a mão e me motivou a seguir em frente. Não me deixou desistir. O resultado me deixou realmente muito feliz. Fomos acolhidos pelo público e a crítica carioca de uma maneira muito linda.


Resenhando.com - Ao se lançar como autor, ator e produtor, qual foi o momento mais tentador para desistir, e o que impediu você?
Mouhamed Harfouch - Já tinha produzido e atuar é o meu ofício. Agora escrever é um desafio enorme, ainda mais quando é sobre sua própria história. Sempre tive em mente o título e o como gostaria de terminar a peça, mas como chegar até lá? Como desenvolver isso de forma teatral? Isso foi, sem dúvida,  meu maior desafio, mas tive que vencer um por vez. Vencida a etapa da escrita, veio a de produzir, levantar recursos, viabilizar! Levei quase três anos com uma ideia na cabeça para conseguir materializar. Quando consegui levantar recursos e pautar o espetáculo para a estreia, veio o medo absurdo, o do ator. Afinal, é o primeiro monólogo que levo aos palcos. Para conseguir vencer tantos desafios, foi fundamental contar com uma equipe maravilhosa como a minha. Mas preciso agradecer aos meus filhos, minha primeira plateia e escuta. Eles riam e adoravam ouvir a leitura do meu texto, das minhas histórias que fazem parte deles, e ver meus primeiros ensaios….Isso me deu muita força e coragem.


Resenhando.com - Você cresceu entre sírios e portugueses num Brasil ainda mais pouco preparado para lidar com o “outro”. Já sentiu que era preciso performar uma brasilidade mais palatável para ser aceito?
Mouhamed Harfouch - Nunca pensei sobre. Sempre fui extremamente brasileiro, nasci e cresci aqui, estudei em um colégio católico e só o que destoava da aparente normalidade era justamente o meu nome, porque era onde as pessoas codificavam a minha diferença. Então, minha luta era me entender enquanto parte desta mistura, e não ter vergonha de ser diferente. Saber carregar um nome tão forte e repleto de significados. Se tivesse adotado um outro nome, isto sim, poderia ser parte de um processo para me tornar mais palatável talvez.


Resenhando.com - Há uma cena ou uma canção em "Meu Remédio" que, até hoje, ainda dói apresentar? O que você poupa da plateia?
Mouhamed Harfouch - Meu espetáculo não transita  pela dor, mas pela alegria e emoção. Sempre me emociona a cena onde falo da mala que a gente abria quando meu pai voltava da Síria, ou quando algum primo trazia para meu pai. Era abrir a mala e subir o cheiro de um outro continente, outra cultura, outro povo. Essa cena sempre me faz lembrar da minha infância junto aos meus irmãos, meus pais e isso me emociona muito. Minha mãe acabou falecendo depois que escrevi e estreei a peça. Foi logo depois que estreei, na verdade. Escrevi a peça e me referia a ela presente, e agora me refiro a ela em lembrança. Então, a cena em que falo sobre ela, sobre como ela preparava pratos e mais pratos para nós e também o chancliche, queijo árabe maravilhoso, que cito na peça. Acabou virando um momento que me toca muito e que tenho que respirar para seguir com a história. Mas revivê-la todos os dias no teatro me faz muito feliz. E essa é a tônica da peça: as pessoas saem felizes. E isso é a minha alegria.  


Resenhando.com - Você já deu vida a muitos personagens na TV, no cinema e no teatro. Quem é mais difícil de encarar: o protagonista da própria história ou os papéis que exigem negar quem se é?
Mouhamed Harfouch - Como artista, quero provocar, tocar as pessoas, emocionar, divertir e ampliar horizontes. Então, contar uma boa história é minha busca. Quando cheguei a ao ponto final de “Meu Remédio” fiquei muito empolgado, muito feliz mesmo, achava que tinha uma boa história para contar. Os seis meses de temporada no Rio nos mostraram que sim. Mergulhar na nossa verdade não é tarefa fácil, ter coragem para se revisitar é um processo delicado, mas muito libertador. Sempre tentei achar a verdade de cada personagem, comigo não poderia ser diferente (risos). 


Resenhando.com - Seu espetáculo defende que “aceitar quem somos é curativo”. Mas o que você ainda não aceita em si e que talvez ainda esteja em tratamento?
Mouhamed Harfouch - No momento, tento curar a ausência da minha mãe e me entender sem ela. Neste ponto, o teatro me ajuda mais uma vez. Mas não só isso, não somos uma coisa só. Algo definitivo. A medida que crescemos, amadurecemos, vencemos algumas barreiras, alguns desafios, lidamos com vitórias, derrotas, frustrações, sonho, medos e desejos. A vida não é corrida de cem metros, é maratona, e eu tô correndo, sem pressa de chegar. Que venham os novos desafios. 

Resenhando.com - João Fonseca dirigiu nomes como Cazuza, Tim Maia, Cássia Eller. O que ele revelou de Mouhamed que nem você sabia que estava guardado?
Mouhamed Harfouch - Acho que, ao não me deixar desistir,  pude me entender melhor. Entender  o quanto o teatro me salvou e me deu pertencimento. A entender minha relação com meu nome, minha família e minha própria história. A gente vai vivendo, realizando as costuras da vida, fazendo nossas escolhas e os caminhos, somos atropelados pela correria do agora, então, de certa forma, João me mostrou o quanto as minhas escolhas construíram aquilo que me fez chegar até aqui. Ele me mostrou o quanto tive consciência dessas escolhas, mesmo sem fazer ideia que eu tinha essa consciência. Hoje vejo que sempre fui fiel ao que acredito. 


Resenhando.com - A plateia ri, chora, se identifica. Mas houve alguma reação do público que te desmontou completamente?
Mouhamed Harfouch - Não esperava que a plateia se identificasse tanto com minha história, de verdade.  Que participasse tanto... Teve uma senhora, no Rio, que foi cinco vezes ao meu espetáculo e pagando, tá? Na quinta vez, eu virei para ela e disse: "Agora você não paga mais! É minha convidada tá?" (risos). Tudo isso me surpreendeu positivamente.


Resenhando.com - Depois de olhar tão profundamente para dentro, que tipo de personagem você nunca mais aceitaria interpretar?
Mouhamed Harfouch - Não gosto de personagens vazios. Não gosto de caricatura. Não tenho tesão em fazer algo gratuito, sem alma, sem propósito… por que somos tocados pelo o que é humano. E isso só vem quando é de verdade.

segunda-feira, 28 de julho de 2025

.: Fran Ferraretto, a atriz que costura poesia e porrada com linha de cena


Por Helder Moraes Miranda, especial para o portal Resenhando.com. Fotos:  Julieta Bacchin 

Se a arte fosse uma espécie de luta, Fran Ferraretto entraria no palco sem luvas, mas com a alma em punho. Ela faz mais que interpretar personagens - ela os encarna até o osso. E quando escreve, não faz literatura: brada em forma de texto. Atriz, dramaturga, professora, pesquisadora, premiada, inquieta e indisciplinadamente verdadeira, Fran transita entre o lúdico e o abismo com a naturalidade de quem se recusa a ser domesticada pela caretice estética, política ou espiritual.

Depois de colocar a infância para pensar sobre relacionamentos abusivos em "A Minicostureira", ela volta ao palco agora com "Adulto" - um espetáculo que não pega o espectador pela mão, mas empurra pela consciência. A peça se divide em duas camadas narrativas: a da autora que escreve a obra enquanto, em cena, acontece uma crise conjugal entre os personagens João e Sara, intensificada com a chegada de Vitor e Paula, um casal de amigos que acende o pavio de questões silenciadas. 

Entre revelações, rachaduras e provocações, temas como traição, monogamia, maternidade, machismo, saúde mental e o mito do amor romântico explodem em cena com honestidade brutal. Nesta entrevista exclusiva ao Resenhando.com, Fran não economiza palavras, não disfarça verdades, não posa de musa e nem tenta parecer simpática. Ela é. Ela existe. Ela grita. Ela arrebata. E ponto. Quem não estiver preparado, que desvie o olhar. O palco já está armado.


Resenhando.com - Você já disse que “o palco a deixa em carne viva”. No Brasil de hoje, ser atriz é mais ato político, exercício espiritual ou sadomasoquismo profissional?
Fran Ferraretto - Eu disse isso? (risos). Bom, sem dúvida é um ato político! E se a gente pensar na falta de incentivo que temos no nosso país, eu diria que é um ato de resistência também. Mesmo que os teatros estejam lotados, e com toda a repercussão do cinema nacional pelo mundo, o investimento na cultura ainda é muito difícil, e sem isso não viabilizamos nada. Portanto, quando conseguimos realizar alguma coisa, esse trabalho é um retrato de luta. E isso precisa mudar!


Resenhando.com - Você fala com propriedade sobre relacionamento abusivo em obras para crianças. Mas e no mundo adulto da cultura, qual foi o "relacionamento abusivo" mais difícil de romper: com um diretor, um personagem ou com a ideia de sucesso?
Fran Ferraretto - Eu acredito que foi comigo mesma. Em me enxergar e me aceitar como uma mulher realizadora, não foi fácil. Tentei negar, diminuir essa pulsão, me descredibilizar, e isso tudo porque ainda temos muito poucas figuras de mulheres de autoridade e poder no nosso meio, infelizmente. Os espaços artísticos ainda são dominados por homens. E isso nos faz pensar que a gente não pode, ou não consegue. Mas isso não é verdade, e estamos concretizando essa mudança.


Resenhando.com - O espetáculo “Adulto” estreia em breve. Na sua opinião, quando é que a gente vira “adulto”? Ao pagar boletos, ao se apaixonar por quem não retribui ou ao ter que aplaudir colega ruim só por educação?
Fran Ferraretto - Sim, estrearemos muito em breve. Dia 29 de agosto no Sesc Ipiranga, e ficamos até 12 de outubro. Eu estou muito feliz! Acho que entre os muitos temas que a peça aborda, esse é um deles, o marco de entrada na vida adulta. Não existe uma regra, um guia, então acho que cada pessoa vai encontrar o seu caminho. Mas o capitalismo é imponente, e sem dúvida essa conquista passa pela liberdade financeira, seja para sair da casa dos pais, ter filhos, viajar, fazer uma faculdade, enfim. O dinheiro não é uma escolha, mas cada pessoa lida de uma forma com essa demanda, e isso será bem debatido no espetáculo.


Resenhando.com - Você já viveu o teatro sob direções muito distintas - das mais experimentais às mais afetivas. Qual foi a maior revolução estética ou ética que um processo de criação já provocou em você?
Fran Ferraretto - Olha, estou justamente passando por isso agora. Trabalhar com a Lavínia Pannunzio era um sonho antigo. Nos conhecemos em 2014, e eu sou louca nessa mulher desde então. E agora estar vivendo e dividindo a criação de uma obra com ela, tem sido extraordinário. A escuta, o cuidado, a atenção, o respeito, a inteligência, a generosidade, tudo isso tem sido uma revolução pelo amor. Um dia antes da gente começar os ensaios ela disse: "vamos colocar nossas almas nessa peça, Fran". E assim tem sido!


Resenhando.com - Você já lavava as mãos antes da pandemia. Hoje, o que você não lava mais: a consciência, as mãos de certos convites ou o sangue simbólico dos papéis que te atravessam?
Fran Ferraretto - Eu não sei se entendi a pergunta, mas acho que estou cada vez mais lavando a ideia de dar conta de tudo, sabe? Uma hora na vida adulta a gente entende que depende de nós, aí vamos virando uma máquina de fazer, render, produzir, e isso é muito perigoso. É uma armadilha dos nossos tempos, e tem adoecido muita gente. Então estou tentando me livrar dessas expectativas idealizadas que colocam nas nossas cabeças, e a gente aceita sem pensar.


Resenhando.com - Você disse que as crianças a ensinam a assimilar melhor as coisas do mundo. O que os adultos, principalmente os homens, ainda têm a aprender com você no palco?
Fran Ferraretto - Não sei se aprender comigo, mas o meu próximo espetáculo, "Adulto", vai propor algumas reflexões importantes nesse sentido, principalmente sobre a consciência de um privilégio estrutural direcionado aos homens. E sem esse entendimento não avançaremos.


Resenhando.com - “A Minicostureira” tem inspiração no Tarô egípcio. Se você tirasse uma carta hoje para o teatro brasileiro, qual seria e por quê?
Fran Ferraretto - A primeira que eu pensei foi a "Roda da Fortuna". Que é também um desejo de que as coisas mudem e se transformem para melhor. Que os projetos encontrem as pautas, que os artistas encontrem as oportunidades, que o teatro encontre fomento e o público sempre.


Resenhando.com - Se a Fran Ferraretto de 2025 encontrasse a Fran criança, aquela que não tinha respostas nem acolhimento, o que ela diria? E o que a pequena responderia?
Fran Ferraretto - Primeiro eu a abraçaria, e tenho feito isso diariamente. Diria que as coisas seriam melhores do que ela pensava, pediria para ela não perder alegria, e nem aquela confiança interna que sempre acompanhou a gente. E também agradeceria, afinal, de certa forma foi ela que me trouxe até aqui.


Resenhando.com - Como é trabalhar em um país em que o maior cachê de um artista pode vir de uma publi no Instagram e não de uma peça que esgota ingressos? Isso a desespera ou a desafia?
Fran Ferraretto - É desolador, né!? Foi tudo o que falei nas outras respostas. São tantos desafios, que sem resistência a gente não dura um dia nessa profissão. Mas falando individualmente, eu prefiro não colocar muito meu foco nessa questão, até porque acho que me desanimaria demais, sabe? Eu estou ciente, mas prefiro trabalhar nos meus projetos e brigar pelas minhas peças.


Resenhando.com - Entre Blanche Dubois, de "Um Bonde Chamado Desejo", Mirella, de “Feras”, Clara, “a minicostureira”, e a Fran da vida real - qual delas você levaria para uma ilha deserta? E qual você deixaria na rodoviária sem olhar para trás?
Fran Ferraretto - Eu levaria a Clarinha, óbvio. "A Minicostureira" foi minha primeira dramaturgia e idealização, significa muito para mim essa peça. Inclusive estamos voltando a circular aqui em São Paulo, depois de oito anos da estreia, e tem sido maravilhoso. Em setembro estaremos no Sesc Interlagos, e estou muito feliz. Acho que não conseguiria deixar nenhuma, sou apegadinha (risos).


Serviço
Espetáculo "Adulto"
Temporada: de 29 de agosto a 12 de outubro de 2025
Dias e horários: sextas e sábados, às 20h00; domingos, às 18h00
Sessão extra para grupos: quinta-feira, 9 de outubro, às 20h00 (em substituição ao dia 7 de setembro)
Local: Sesc Ipiranga – Teatro
Endereço: rua Bom Pastor, 822 - Ipiranga / São Paulo
Duração: Aproximadamente 90 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Ingressos: à venda no site sescsp.org.br/ipiranga e nas unidades do Sesc
Valores: R$ 12,00 (credencial plena), R$ 20,00 (meia-entrada), R$ 40,00 (inteira)

quinta-feira, 24 de julho de 2025

.: "Três Graças", próxima novela das nove, tem primeiras cenas gravadas em SP


Equipe e parte do elenco estão em filmagens em diversos bairros da capital paulista. Na imagem, Joélly (Alana Cabral), Gerluce (Sophie Charlotte) e Lígia (Dira Paes). Foto: Globo/ Estevam Avellar


Uma mulher, filha e mãe, inconformada com a injustiça diante das maldades que assolam sua comunidade e sua família, numa São Paulo que abriga milhões de brasileiras como ela. Corruptos que prejudicam uma multidão de doentes em benefício próprio. A luta do bem contra o mal e a dúvida sobre até onde ir quando se precisa batalhar pela sobrevivência. Esses são os dilemas que movem a protagonista da próxima novela das nove da TV Globo, "Três Graças", de Aguinaldo Silva, que mistura drama, tragédia, romance, mistério e toques de humor, cujas gravações ocorrem neste mês na capital paulista. 

Criador de histórias marcantes e personagens icônicos, como as vilãs Perpétua, de "Tieta", Nazaré Tedesco, de "Senhora do Destino", e Maria Regina, de "Suave Veneno", e de mulheres fortes, como Tieta, da novela homônima, e Maria do Carmo, também de "Senhora do Destino", e dos carismáticos Crô de "Fina Estampa" e o comendador Zé Alfredo, de "Império", entre muitos outros, Aguinaldo está de volta ao horário nobre da TV Globo após seis anos. O autor, vencedor de dois Emmys, traz nesta obra toda as suas vivências, referências e sua assinatura única na teledramaturgia. Desta vez, divide a escrita com Virgílio Silva e Zé Dassilva, e trabalha em parceria com Luiz Henrique Rios, que comanda pela primeira vez a direção artística de uma novela de sua autoria.

“Durante a pandemia, houve a reprise de ‘Fina Estampa’ e de ‘Império’ e agora, a de ‘Tieta’ no 'Vale a Pena Ver de Novo'. Fiquei muito satisfeito com o sucesso delas novamente. A minha ideia, em ‘Três Graças’, é fazer uma novela popular e abrangente, que fala do dia a dia das pessoas, de quem sai às 5h da manhã e pega três ônibus para ir trabalhar. E aí você vai penetrando nesse dia a dia e vendo que dentro dele tem histórias edificantes, maravilhosas, e ao mesmo tempo histórias terríveis de pessoas que supostamente são a elite do país. Eu acho que a novela é uma tentativa de retratar o Brasil que está acontecendo nesse momento. É uma novela da atualidade, do ônibus, do metrô, do trem”, adianta Aguinaldo Silva. 

 Em "Três Graças", o público será convidado a embarcar na jornada de Gerluce Maria das Graças (Sophie Charlotte). Moradora de uma favela fictícia na capital paulista, ela integra uma família de mães solo: é filha de Lígia Maria das Graças (Dira Paes) e mãe de Joélly Maria das Graças (Alana Cabral). Criada pela mãe, que engravidou na adolescência e foi abandonada pelo seu pai, Gerluce enfrentou destino parecido com a chegada da filha na fase em que se preparava para entrar na faculdade. Abdicou dos seus sonhos para dar a Joélly uma vida diferente, que tivesse um futuro promissor. Mas, quando a gravidez precoce da terceira geração se confirma, Gerluce fará de tudo para impedir que a filha abra mão de seus projetos e ambições, assim como ela e a mãe foram obrigadas a fazer.

“Gerluce é uma mulher que luta para não perder a esperança. Ela tem tudo para se conformar com a vida, mas não se conforma, e essa esperança não é apenas a dela, mas das pessoas que a rodeiam. Ela acha que todos têm direito a viver melhor e precisam lutar por isso. Ela quer uma vida melhor para a filha, não sabe como vai conseguir isso, mas é seu principal objetivo”, define Aguinaldo.

Forte e de pensamento positivo, Gerluce vive uma rotina intensa, que se resume ao trabalho, aos cuidados com a mãe doente e a proteger a filha. Até que se vê em uma situação que vai mudar o rumo de sua vida. Na casa da perversa Arminda (Grazi Massafera), para quem trabalha como cuidadora da mãe idosa, Josefa (Arlete Salles), ela descobre que a patroa e seu amante Santiago Ferette (Murilo Benício) lideram um esquema de falsificação de remédios que impacta não apenas a saúde de sua mãe Lígia, mas a de muitas pessoas da comunidade onde vive. Também lá, na mansão da patroa, ela encontra uma grande quantia de dinheiro guardada dentro de uma estátua escondida, o que a coloca diante de um conflito ético: até onde cabe uma atitude drástica em nome de um bem maior?  

Embora a trama seja baseada na realidade brasileira, com temas profundos, mistério, suspense e personagens muito ativos, o diretor artístico de 'Três Graças" busca trazer para a novela um tom de tragicomédia. "Esse é o jogo que pretendemos construir a partir de uma interpretação que não será totalmente naturalista. Na estética, vamos trabalhar com um tom um pouco acima da realidade. A novela tem muita cor e muita vibração, é uma história intensa, à flor da pele. Com isso queremos trazer para o público uma emoção diferente”, explica Luiz Henrique Rios.  

Com estreia prevista para outubro, "Três Graças" é uma novela criada por Aguinaldo Silva, escrita com Virgílio Silva e Zé Dassilva, tem direção artística de Luiz Henrique Rios, produção de Gustavo Rebelo e Silvana Feu. O elenco conta ainda com grandes nomes como Romulo Estrela, Marcos Palmeira, Paulo Mendes, Luiza Rosa, Andréia Horta, Pedro Novaes, Gabriela Loran, Miguel Falabella, Enrique Diaz, Juliano Cazarré, Belo, Xamã, Alanis Guillen, Mell Muzzillo, Samuel de Assis, Daphne Bozaski, Barbara Reis, Leandro Lima, Fernanda Vasconcellos, Carla Marins, Túlio Starling, Amaury Lorenzo, Gabriela Medvedovisky, Augusto Madeira, Juliana Alves, Otávio Muller, Rejane Faria, Julio Rocha, Guthierry Sotero, Vinicius Teixeira, Lorrana Mousinho, Lucas Righi, André Mattos, entre outros. 

 
Gravações movimentam diversas regiões da capital paulista
A grande São Paulo, com seus prédios imponentes e enorme diversidade populacional é onde se passa a história de "Três Graças". Nas últimas semanas, equipe e parte do elenco viajaram para a capital paulista, dando início às filmagens das primeiras cenas da obra. Durante dias frios e ensolarados, os trabalhos estão sendo realizados, em grande parte, na Brasilândia, na região Norte da cidade, onde será retratada a comunidade fictícia da obra. Foi lá que as protagonistas Sophie Charlotte, Dira Paes e Alana Cabral se encontraram pela primeira vez no set de gravação. 

As atrizes dão vida, respectivamente a Gerluce, Lígia e Joélly. No ar em "Guerreiros do Sol", Alana Cabral se junta às já veteranas Sophie e Dira em sua primeira novela das nove. A atriz, de 18 anos, iniciou a carreira aos seis. Na TV Globo, também esteve nas novelas "Verão 90" (2019), "Nos Tempos do Imperador" (2021), na série "Assédio" (2019) e foi campeã do reality culinário "Super Chefinhos", do "Mais Você" (2022). 

As filmagens devem durar um mês em São Paulo e, depois, seguem para os Estúdios Globo, no Rio de Janeiro. Para o diretor artístico Luiz Henrique Rios, começar os trabalhos no local retratado na história é fundamental. "É muito importante para a narrativa mostrar a cidade, não só como normalmente se mostra São Paulo, com seus grandes prédios, mas o dia a dia das pessoas. Alguns personagens vivem na comunidade da ficção, que estamos ilustrando como uma parte da Brasilândia, um lugar muito diverso. Trazer essa realidade para dentro da nossa comunidade proporciona a ampliação do espaço cenográfico. Teremos uma grande cidade cenográfica, mas queremos misturar com muito do que acontece aqui. Vamos gravar em cinco locações dentro desse grande complexo", conta o diretor. Cerca de 90 pessoas da equipe da novela e 30 figurantes locais participam de cenas na Brasilândia. Ruas, vielas e espaços urbanos da região foram usados nas sequências. A região central da cidade e os bairros Aclimação, Bela Vista, Pinheiros, Pirituba e Freguesia do Ó também estão entre as locações da novela.

Em dias de filmagem na Brasilândia, a atriz Sophie Charlotte conta como a ambientação contribuiu para a composição da personagem. "Achei muito emocionante começar as gravações na Brasilândia, olhando o trânsito das pessoas, todas muito carinhosas com a gente, recebendo a nossa gravação com tanta curiosidade... Observei as pessoas circulando pelas ruas, idosos, crianças jogando bola... Começar vendo a vida do lugar inspira muito. Como atriz, busco aqui, na vida real, a fonte para a história fictícia que vamos contar", declara.

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