sexta-feira, 8 de março de 2019

.: Barbie homenageia ícones femininos no Dia Internacional da Mulher

A surfista Maya Gabeira é a primeira mulher brasileira a ser presenteada com uma boneca do projeto Mulheres Inspiradoras



Com o objetivo de inspirar e empoderar meninas ao redor do mundo, em 2015 Barbie criou o programa “Mulheres Inspiradoras”, que presenteia mulheres que quebram barreiras, atingem grandes marcas em suas carreiras e servem como exemplo para gerações futuras.

Em comemoração ao aniversário de 60 anos da Barbie, a boneca homenageia novas 20 mulheres de diversos países, entre 19 a 85 anos, que falam 13 idiomas diferentes. Esta é a maior e mais diversificada lista de mulheres já homenageadas pela boneca por meio do programa.

Barbie está homenageando neste ano desde atrizes até ativistas ao redor do mundo. São elas: Yara Shahidi (EUA), Naomi Osaka (Japão), Kelsea Ballerini (EUA), Adwoa Aboah, Model & Activist (Reino Unido), Kristina Vogel (Alemanha), Eleni Antoniadou (Grécia), Rosanna Marziale (Itália), Ita Buttrose (Austrália), Dipa Karmakar (Índia), Gülse Birsel (Turquia), Tessa Virtue (Canadá), Karla Wheelock (México), Mariana Costa (Peru), Tetsuko Kuroyanagi (Japão), Chen Man, Photographer (China), Melodie Robinson (Nova Zelândia), Iwona Blecharczyk (Polônia), Liasan Albertovna (Rússia), Lisa Azuleos, Director (França) e Maya Gabeira (Brasil).

Maya Gabeira – a maior surfista de ondas gigantes do Brasil, que entrou para o Guinness Book em 2018 após surfar uma onda de 20,7 metros e se tornou a primeira mulher a surfar uma onda ilimitada – será presenteada com uma boneca Barbie exclusiva e feita a sua semelhança. Agora, a surfista é a primeira brasileira a ser homenageada pelo projeto “Mulheres Inspiradoras”.
A Barbie foi criada em 1959 para mostrar às meninas que elas podem ser tudo que quiserem. Com ela, foi criado um mundo de infinitas possibilidades e que mostra que nenhum sonho é grande demais se você pode imaginá-lo – não importa se o que elas querem é ser uma fada ou uma astronauta.

Um fator importante para que as meninas conheçam e vivam em um mundo onde todos os sonhos são possíveis é que tenham exemplos de mulheres brilhantes. E que elas possam ver como essas mulheres chegaram onde estão, para que se sintam inspiradas e empoderadas. Sonhar com o que querem ser é apenas o começo. Descobrir que realmente podem, faz toda a diferença.

Sobre a Mattel: Presente no Brasil desde 1988, a Mattel é a líder global em entretenimento infantil, especializada na criação e produção de brinquedos e produtos de consumo inovadores, de qualidade e que geram experiências que inspiram, entretêm e desenvolvem as crianças por meio do brincar. Fazem parte do portfólio da empresa marcas icônicas, incluindo Barbie®, Hot Wheels®, Fisher-Price®, Thomas & Friends® e MEGA®, entre outras, além das que são licenciadas em parceria com empresas globais de entretenimento. Além dos brinquedos, a Mattel disponibiliza conteúdos, jogos, música e atrações. A empresa opera em 40 localidades e comercializa seus produtos em mais de 150 países em parceria com as principais redes de varejo e tecnologia do mundo.  Desde a sua fundação, em 1945, a Mattel tem orgulho de incentivar as crianças a alcançarem todo o seu potencial. Para mais informações acesse www.mattel.com.

Sobre a Barbie®: Barbie foi criada em 1959 pela americana Ruth Handler, co-fundadora da Mattel, que percebeu que sua filha Bárbara, ou Barbie, como era apelidada, gostava de brincar com bonecas de papel que trocavam de roupa. Até então, todas as bonecas tinham aparência de bebês e a de papel era uma das únicas que tinha a feição mais próxima da de uma adolescente. Quando lançada, a boneca foi definida como a “modelo teenager vestida na última moda”. Hoje, a Barbie é reconhecida como uma das marcas mais fortes de todos os tempos e um ícone fashion mundial. Como toda diva, a partir dos anos 90 estilistas famosos como Christian Dior, Chanel, Versace, Givenchy, Carolina Herrera, Donna Karan, Giorgio Armani e Alexandre Herchcovitch a vestiram em várias ocasiões. Clássicos do cinema, teatro e TV também ganharam bonecas Barbie caracterizadas com seus personagens mais famosos, entre eles: Romeu e Julieta, O Mágico de Oz e Star Trek, além de musas como: Marilyn Monroe, Audrey Hepburn, Elizabeth Taylor, Vivien Leigh e Grace Kelly. Por mais de cinco décadas a boneca tem inspirado garotas de todas as idades a sonhar, “viajar” e descobrir que, brincando, elas podem ser o que quiserem. O estilo de vida da boneca, que já virou personalidade, sempre fez com que ela fosse popular entre crianças e adultos. Em 58 anos, ela já teve mais de 150 profissões, todas retratando aspectos da cultura e da sociedade de suas épocas. Alguns exemplos emblemáticos são: Barbie astronauta (1965); Barbie médica cirurgiã (1973); Barbie presidente dos EUA (1992). Acesse: www.barbie.com.br

.: Ana Beatriz Brandão: lugar de mulher é na literatura e onde ela quiser!


Por Ana Beatriz Brandão*, em março de 2019 - entrevista com ela neste link.

Depois do lançamento dos meus livros “O Garoto do Cachecol Vermelho” e “A Garota das Sapatilhas Brancas”, recebi muitas mensagens e e-mails de leitoras contando que passaram por abusos como a personagem Melissa, e que se inspiraram na coragem da personagem para denunciar os agressores.

 “Eu senti medo, tive dúvidas se deveria denunciar. Só que, se eu o protegesse, com certeza ele faria aquilo de novo; se não comigo, com outra. E eu seria, de certa forma, cúmplice dessa violência”. (trecho do livro “O Garoto do Cachecol Vermelho”)

Todos os relatos me inspiraram a escrever esta crônica, principalmente para o Dia Internacional das Mulheres, pois me dei conta da força e da importância que a literatura tem na vida das pessoas. E do quanto é importante o autor ser consciente quando escreve suas histórias.

A violência contida nas histórias me emocionou e entristeceu, mas a coragem que essas leitoras tiveram de dar um basta em tudo o que estavam passando, me trouxe um alivio imenso, pois tive a certeza que consegui passar a mensagem certa, de que toda violência deve ser denunciada, que não devemos nos calar. Dá medo, mas calar é o mesmo que aceitar, permitir que o agressor faça o mesmo com outras mulheres.

Nós, escritores, somos formadores de opinião. Quem lê nossas histórias são sempre tocadas por elas de alguma forma, e devemos usar nosso amor pelas palavras para levar a mensagem certa. Não podemos romantizar nenhum tipo de abuso, seja ele de cunho físico ou psicológico. Não devemos tornar algo como um namorado batendo em uma mulher, ou um cara lindo e rico abusando emocionalmente de uma garota, em algo romântico.

 A submissão não salva e nem transforma ninguém em uma pessoa boa! 

Geralmente é isso que vemos em algumas histórias: essa mensagem de que se você for boazinha e submissa, aquele cara lindo e rico, que te xinga, bate, se aproveita de uma situação de poder para te humilhar, vai se transformar em um príncipe encantado e te amar para o resto da vida.

Ser mulher não é ser fraca, submissa, oprimida. Ser mulher deve ser significado de empoderamento. E já passou da hora de nós nos apossarmos disso!

O fato de tudo ser permitido na literatura não significa que tudo pode ser feito sem responsabilidade. Imagine se as leitoras dos relatos que recebi tivessem lido uma Melissa aceitando o abuso que sofreu? Qual teria sido a repercussão que isso teria tido na vida dela? Será que ela teria denunciado seu agressor?

Quem ama de verdade não faz sofrer, não abusa, não humilha, não maltrata, não espanca.

Já é passada a hora de nós nos unirmos para fazer deste um mundo melhor, com mais compaixão, respeito e aceitação. Devemos nos unir em prol de algo que vai muito além da busca por sermos lidos. Devemos nos unir para tornarmos a vida dos nossos leitores melhor. E tomo também para mim, minhas palavras.

Espero ver uma literatura nacional forte, com os autores recebendo o reconhecimento que merecem, tendo destaque nas livrarias de todo o país, e conquistando o mundo. Mas para isso, precisamos mostrar que não é “romântico” a violência. Coisas como: abuso, maus tratos, homofobia, transfobia, racismo, criminalidade e palavras preconceituosas por causa de características físicas não são aceitáveis. Devemos escrever sobre esses temas com a consciência de que também temos que mostrar que para toda ação, existe uma reação. Que atos como esses não são “bonitos e românticos”.

E deixo um recadinho para minhas anjinhas leitoras:

Você é especial, maravilhosa e poderosa. Ninguém pode tirar o brilho que você tem dentro do seu coração. Ele pode estar meio apagado, escondido pela dor, ou pelo sofrimento, mas ele está aí, só esperando que você o deixe sair. Ninguém pode te fazer sofrer ou te humilhar. Não aceite ser menosprezada ou subjugada por ninguém! Você merece ser amada, ser valorizada, ser respeitada!

E lembre-se: VOCÊ NÃO É OBRIGADA A NADA!

Que o Dia Internacional da Mulher as palavras de “parabéns pelo seu dia” sejam trocadas por atos de respeito e reconhecimento.

.: Capitã Marvel e os desafios a serem vencidos na ficção e na realidade


Por Efrem Pedroza*, em março de 2019.

Carol Danvers surgiu nas histórias em quadrinhos no ano de 1968. Criada por Roy Thomas e Gene Colan, que deu a Danvers o nome de Ms. Marvel, a opção ao “Ms.” tinha relação direta com um contexto da época. Nos anos 70 “Miss” (utilizado para mulheres solteiras) e “Mrs” (destinado às mulheres casadas) eram termos consolidados. Então, Gene Colan resolveu adotar o “Ms”, prefixo que representava a mulher independente e que elevou a super-heroína a um novo patamar, associando-a ao movimento feminista.

Durante anos, Carol Danvers ficou conhecida como Ms. Marvel, mas sua história de codinomes é bem maior. Seu início nas histórias em quadrinhos foi como Major Carol Danvers, da Força Aérea dos Estados Unidos, e que ao se tornar a super-heroína, assumiu a identidade de Ms. Marvel. Entre idas e vindas nas HQ’s, quando se transformou praticamente em uma entidade galáctica, adotou o nome de Binária e, por fim, voltou a usar Ms. Marvel que, na sequência, foi trocado pelo nome de seu mentor (Mar-Vell), adaptando a forma feminina de Capitã Marvel. 

História das histórias em quadrinhos a parte, o fato é que a figura da Capitã Marvel se tornou um ícone do feminismo e se mantém até os dias de hoje. Aproveitando o embalo de protagonistas femininas no cinema e na TV é importante ressaltar que, nas histórias em quadrinhos, Carol Denvers é grande amiga de Jessica Jones (sim, a da série cancelada recentemente pela Netflix). A decisão de incluí-la na websérie foi cancelada quando os estúdios da Marvel decidiram fazer um filme solo da Capitã.

Brie Larson, a atriz que viverá a personagem nas telonas, é declaradamente uma ativista da causa feminista. Mais do que isso, Larson luta não só pela igualdade de gêneros, como também pela diversidade e a inclusão no cinema e fora dele.

Recentemente, em entrevista dada à revista Marie Claire, Larson explicou que na divulgação de seus trabalhos anteriores sempre foi entrevistada pelo mesmo tipo de pessoa - no caso homens brancos - e que ela gostaria de ver entrevistadores mais diversos. Em suma, o que ela defendia era a diversidade e não a exclusão. Tirado desse contexto e transformado em fake news pelos famosos haters, começou um movimento brutal na internet para sabotar o filme da Capitã Marvel, negativando o longa no Rotten Tomattoes e IMDb, baixando sua média de qualidade antes do filme estrear nos cinemas. O Rotten Tomattoes inclusive desativou, temporariamente, a opção de antecipação do filme aos internautas.

O filme que inaugurou a era das super-heroínas no cinema, "Mulher-Maravilha" também levantou questões parecidas com grupos que pregam um discurso raivoso e que também atacaram filmes como "Pantera Negra" e "Star Wars: O Despertar da Força", mas que foram sucesso de crítica e público.

Fato é que "Capitã Marvel", de acordo com pesquisas recentes, aponta na direção de uma bilheteria de sucesso. Além de se juntar à figura icônica da Mulher-Maravilha nessa luta pelo protagonismo feminino em Hollywood, que aos poucos está aderindo a uma cultura inclusiva e diversa, a super-heroína vem com tudo para enfrentar Thanos e sacramentar mais um rompimento de paradigmas, não apenas a favor da mulher, mas a favor da humanidade na ficção e principalmente na realidade.

*Efrem Pedroza possui graduação em Letras - Tradutor e Intérprete (2006). Pós-graduado Lato Sensu em Administração de Empresas pela UNIFMU/FMU (2009). Pós-graduado Stricto Sensu em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC - SP (2014). Atualmente é professor do FIAM-FAAM - Centro Universitário e ministra aulas para o curso de Rádio, TV e Vídeo (graduação) e Cinema (pós-graduação) - curso idealizado e criado pelo próprio. Foi integrante do Núcleo Docente Estruturante (NDE) do curso de graduação de Rádio, TV e Vídeo do FIAM-FAAM - Centro Universitário e um dos membros fundadores do Núcleo de Estudos de Histórias em Quadrinhos Álvaro de Moya do FIAM-FAAM - Centro Universitário. Além das atividades como professor é Crítico de Cinema e TV no programa "De Bem com a Vida" da Rede Gospel de televisão. Também é Crítico de Cinema e TV, locutor e radialista na Rádio Energia 97FM e tem um programa na webrádio BARUK FM, intitulado "CinemArte: A História do Cinema contada com toda Propriedade". Tem uma coluna de críticas de cinema no Jornal Rodonews (tiragem: 25.000 exemplares) e Jornal do Monotrilho (tiragem: 20.000 exemplares). Tem um canal no YouTube sobre cinema e cultura pop intitulado "Raio Ômega!" que é subsidiado pela rádio Energia 97 FM (97,7).

.: Espetáculo de comédia "Os Monólogos da Vagina" se apresenta em Osasco


Produzido em mais de 150 países e traduzido para mais de 50 idiomas, o espetáculo de comédia "Os Monólogos da Vagina" celebra 18 anos de sucesso de crítica e público no Brasil - crítica neste link

Com adaptação e direção de texto de Miguel Falabella, a estreia do fenômeno teatral aconteceu em 7 de abril de 2000, no Rio de Janeiro, e propôs um formato diferente ao escalar três atrizes para encenarem, ao mesmo tempo, as narrativas de mais de 200 depoimentos verídicos de mulheres, colhidos pela autora Eve Ensler.

Os depoimentos abordam de maneira extremamente bem humorada, direta e livre de preconceitos uma reflexão sobre a relação da mulher com sua própria sexualidade. O formato de Falabella foi um pedido da própria autora e adotado mundialmente em todas as produções até os dias de hoje.

O humor e histórias que, com certeza, farão mulheres de todas as idades se identificar com a peça, estará presente no Dia da Mulher, 8 de Março, às 21h00, no Teatro Municipal Glória Giglio, em Osasco.

Serviço:
"Os Monólogos da Vagina" em Osasco
Teatro - Comédia
8 de Março | Sexta às 21h00

Teatro Municipal Glória Giglio
Av. dos Autonomistas, 1533 - Osasco - SP
Classificação: 12 anos

Inteira – R$ 80 + R$ 13,60 de taxa de serviço
Meia – R$ 40 + R$ 6,80 de taxa de serviço

Onde Comprar: www.bilheteriaexpress.com.br

.: Bianca Comparato estreia como diretora em "Elogio da Liberdade"


O documentário "Elogio da Liberdade", escrito e dirigido pela atriz Bianca Comparato, estreará no canal MAX em 31 de março, às 21h. A produção de 90 minutos retrata a vida e a luta da jornalista, escritora e ensaísta brasileira Rosiska Darcy de Oliveira em prol da liberdade e da igualdade de direitos das mulheres.

No documentário, feito com base em entrevistas realizadas por Bianca, Rosiska conta sua história de vida e visão de mundo, complementadas por imagens de arquivo da vida pessoal e profissional da escritora. Ela relembra a infância em uma tradicional família burguesa carioca, o período na universidade, logo quando o Brasil entrou no regime militar, e mais tarde, o exílio de dez anos na Europa.

Mesmo com tantos obstáculos no caminho, Rosiska continuou sua luta em nome dos direitos das mulheres. Tornou-se uma das líderes do movimento feminista, com diversos livros publicados e, em 2013, foi eleita para a Academia Brasileira de Letras.

"Elogio da Liberdade" é produzido por Roberto Rios, Eduardo Zaca, Patricia Carvalho e Rafaella Giannini da HBO Latin America, e Alice Braga, Rita Moraes e Felipe Braga, da Los Bragas.

.: Chef Patrícia Lopes: oficina para pessoas com Down e chefs refugiados


A chef Patrícia Lopes tem como vocação o engajamento em projetos sociais. Na sua agenda corrida, ela dedica espaço para coordenar oficinas do Projeto Down Cooking ou apoiar chefs refugiados, além de oferecer mentoria para empreendedores da área gastronômica

Cada vez mais, as mulheres têm alcançado lugares de destaque em todo o mundo, seja na economia, política, ciência, ou em outras áreas que eram habitualmente dominadas por figuras masculinas. E não seria diferente no empreendedorismo. Patricia Lopes, chef e empresária, é um exemplo de liderança feminina na área gastronômica e de mulher que faz a gestão de seu negócio, com base em ter um propósito, com base em valores pessoais e na missão de ajudar o próximo.

Dona da  Cook it®, empresa do setor de alimentação pioneira em produtos gourmet desidratados, a chef, motivada pelo perfil visionário e incansável, anuncia uma novidade: ela, que já participava do projeto como voluntária, foi convidada para assumir como coordenadora das oficinas de “Down Cooking” do Instituto Chefs Especiais. A organização sem fins lucrativos foi criada em 2006, com o objetivo de facilitar a inclusão social e autonomia das pessoas com Síndrome de Down por meio de experiências na cozinha.

Destinadas a jovens adultos portadores de Síndrome de Down com mais de catorze anos, as atividades têm como foco promover maior autonomia no dia a dia dos participantes. “Hoje, são pessoas que têm uma expectativa de vida maior que no passado, eles muitas vezes até mesmo moram sozinhos, então é importante que a sociedade os ajude a ter o máximo de autonomia”, conta a chef Patricia Lopes.

Na prática, além de ministrar aulas, Patricia estará supervisionando os chefs durante as aulas e, também, uma equipe de voluntários, além de criar as receitas que serão ensinadas. “As oficinas são 100% mão na massa”, explica ela. “Eu sempre penso em preparações fáceis de fazer, muito gostosas e que demandam utensílios que os alunos possam utilizar com segurança, sem a necessidade de supervisão”, comenta.

O aprendizado no projeto Down Cooking é de mão dupla, como explica a chef. Voluntária no Instituto desde 2014. Ela conta que aprende muito mais do que ensina, todos os dias.  “Todos nós somos diferentes e únicos”, conta a chef Patricia Lopes. “Pessoas com Síndrome de Down têm leveza, são totalmente sinceras e muito autênticas, independente de convenções sociais. Realmente é um privilégio essa oportunidade de convívio, pois eles representam para mim uma fonte inesgotável de inspiração”, finaliza ela.

Ainda no espectro das ações sociais, a chef foi protagonista de outras iniciativas que merece destaque. Em novembro de 2018, Patricia reuniu chefs refugiados da Síria, Venezuela, Congo, Bolívia, México e Colômbia para uma feira gastronômica em seu espaço, a Casa Cook It. O evento foi um sucesso. Na ocasião, os chefs prepararam pratos típicos de suas terras de origem, com direito a músicas, bebidas e artesanato típico de cada região. “Muitos encontraram na gastronomia a sua sobrevivência aqui em nosso país, por isso divulgar a riqueza da história deles é tão importante”, explica Patricia, que adianta, ainda, que outros projetos parecidos devem sair do papel. “A intenção é que a ‘nossa casa’ seja base para cursos, palestras, mentoria e eventos; mas tudo sempre com propósito”, conta.

Mentoria para empreendedores na área gastronômica
Patricia tem verdadeiro prazer em ajudar novos empreendedores. Por isso, lançou recentemente outra empreitada inovadora, a “cozinha compartilhada”. A ideia é que micro e pequenos empreendedores da área da gastronomia possam se unir e utilizar uma mesma infraestrutura, onde todos se beneficiam em áreas como compras e marketing, além da troca de ideias e know-how. Como resultado, o grupo consegue desenvolver seus negócios de forma mais rápida e eficiente. “Minha ideia é transformar a visão que as pessoas têm do alimento e da cozinha”, explica a chef. “Consegui isso, por meio da Cook it e agora compartilho tudo que sei para ajudar a quem está começando na área”, comemora.

Desafios como mulher e empreendedora
Além de empresária, Patricia Lopes é mãe e esposa. E não abre mão de conciliar família e negócio. "Acredito que há um diferencial em nós, mulheres, quando se fala em empreendedorismo. Estamos sempre atentas aos detalhes e isso faz muita diferença nos resultados", afirma a empresária, que também é blogueira, pesquisadora e food trotter. Ela completa: "O Brasil não é para amadores! Aqui temos que ser profissionais porque enfrentamos dificuldades que vão além da dupla jornada. Mas, de forma geral, é importante saber equilibrar as demandas e aceitar que você não vai ser 100% mãe, mulher e empreendedora, 100% do tempo".

Dados gerais sobre o empreendedorismo feminino (Fonte – GEM 2017):
De acordo com a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2017, realizada pela parceria entre Sebrae e IBQP, no último ano o Brasil registrou 24 milhões de mulheres empreendedoras. A pesquisa mostra também que elas têm superado os homens na abertura de empresas nos últimos anos. Ainda segundo o levantamento, as empreendedoras são jovens: mais de 41% têm idade de 18 a 39 anos e 52% têm entre 40 e 64 anos.

Fonte – Sebrae (Anuário dos Trabalhadores das MPE):
De 2005 a 2015, o número de mulheres empreendedoras teve um incremento de 15,4%, enquanto que o de homens, 10,3%. Em 2005, eram 6,9 milhões de mulheres a frente de um negócio, em 2015, esse número saltou para 8 milhões. Já o quantitativo de homens, donos de negócios, passou de 15,7 milhões para 17,3 milhões, nesse mesmo período. A participação das mulheres no total de empreendedores no País passou de 30,7%, em 2005, para 31,6%, em 2015.

O rendimento médio real mensal das donas de microempresas aumentou mais do que o dos donos de empresas, no período de 2005 a 2015. A alta do rendimento das microempresárias foi de 20%, nesse período, enquanto o rendimento médio real mensal dos microempresários subiu em ritmo menor: 14,5%. A diferença entre os rendimentos dos homens e das mulheres, donos de microempresas, diminuiu de 20,5%, em 2005, para 16,7%, em 2015.

Mais sobre a chef  Patricia Lopes e a marca Cook it®
Formada chef de cuisine e restauranteur pelo Centro Europeu, em Curitiba, Patricia Lopes aperfeiçoou seus conhecimentos gastronômicos em escolas renomadas como Le Cordon Bleu, em Londres, e Universidad Iberoamericana Ciudad de México.

Além de chef e empresária, Patricia é também food trotter. Realizou viagens gastronômicas para os Estados Unidos, Inglaterra, França, Alemanha, China, Japão, México e América Central, dentre outros lugares. A ideia de desenvolver receitas em potes, que ela aplica na sua marca, a Cook it®, surgiu justamente durante sua passagem pela Europa. O sonho de levar boa comida e praticidade para as mesas brasileiras era latente. “Passei algum tempo testando técnicas, preparando receitas e lendo muito sobre o assunto”, conta ela. “Afinal, meu objetivo era que as pessoas tivessem os ingredientes sempre à mão, para uma refeição especial e, ao mesmo tempo, saudável”, explica.

Os produtos da marca Cook it® são artesanais, premium e de perfil “vapt-vupt”, pois ficam prontos em poucos minutos. A linha completa da marca tem 18 itens, elaborados com ingredientes de alta qualidade, secos e desidratados, sob um minucioso controle de qualidade. 

As receitas da Cook it® não contém conservantes nem aromatizantes e são elaboradas com o mínimo possível de refinados. São risotos, polentas, mix de grãos (que originam sopas ou saladas), brownies, panquecas doces e cookies. Todos os produtos evitam desperdícios, pois os ingredientes são porcionados na medida exata para cada preparo. Com a responsabilidade social no coração da marca, as embalagens da Cook it® são distribuídas em vidro, porque o material preserva melhor as propriedades dos alimentos e ainda gera menos impacto ambiental – além de ser reciclável e reaproveitável. Saiba mais em https://cookitemcasa.com.br

.: "As Mulheres Contam" - Um painel sobre o feminicídio no Brasil


Em "As Mulheres Contam", um painel sobre o feminicídio na Baixada Santista e no Brasil, um grupo de Contadores de História, na sua maior parte mulheres, se apropriam dos dados e relatos sobre o tema e levam ao público uma séria reflexão sobre este assunto. Os dados do próprio noticiário dão conta do quanto o número de assassinatos aumentou, mas muitos ainda são tipificados com homicídio doloso, praticados contra a mulher em razão da condição do sexo feminino.

Estes números crescentes motivaram no coletivo Contar é Preciso a decisão de mostrar através das histórias dessas mulheres a vida ceifada precoscemente em razão da violência doméstica e outras violências que muitas sofrem caladas. “Achamos oportuno que no mês de março, quando lembramos o verdadeiro motivo do dia 08, fazermos memória à tantas vitimas: mães, companheiras, filhas” , relatam as integrantes do Coletivo Contar é Preciso. 

A partir desse olhar, elas fazem uma seleção de histórias do noticiário policial, que gerou as adaptações a serem contadas por suas integrantes. E também conduzem uma releitura dos tradicionais contos de fadas, higienizados pela cultura machista e que escondem assim a condição madura e de alerta das mulheres em questão, como a Cinderela, a Branca de Neve e a própria Rapunzel.

Programação:
Dia 13: "A voz do medo": No estilo "Gil Gomes", um personagem do jornalismo policial, as histórias de Maria da Penha e a que gerou o próprio 8 de março.

Dia 20: "A história delas - Repaginando o noticiário policial sobre o feminicídio". Como a cultura machista ameniza e conta este tipo de notícia. Apresentação da Cartilha da ONU para a Imprensa e participação do grupo Comunicando contra a Violência.

Dia 27: "De Rapunzel até nossos tempos" - A análise de alguns contos clássicos que colocam a mulher dependente da boa vontade alheia. No entanto, nem sempre foi assim, muitas dessas obras foram transformadas no que conhecemos hoje, mas tinham um outro ponto de vista e de partida.

O Coletivo Contar é Preciso, é formado por diversas mulheres contadoras e se originou na Baixada Santista, a partir de uma oficina de técnicas de contação de histórias ministrada no Sesc Santos, pelo ator e contador de histórias Ailton Guedes e de outra, ministrada no Senac Santos, por Jaci Aragão. A partir dessas formativas, elas sentiram a necessidade de pesquisar mais sobre a tradição oral e diferentes repertórios e utilizam a Contação como instrumento de reflexão e alerta sobre variados temas, como mulheres, relações de gênero, refúgio, proteção à infância, meio ambiente e idosos.

Serviço
"As Mulheres Contam"
Com o Coletivo Contar é Preciso
De 13 a 27 de março, quartas, das 19h30 às 21h
Sala 2| Sesc Santos ( Rua Cons. Ribas, 136 – Aparecida – Santos)
Não recomendado para menores de 14 anos
Grátis

quinta-feira, 7 de março de 2019

.: Almanaque dos brinquedos: breve cronologia de profissões da Barbie

Por Mary Ellen Farias dos Santos*
Em março de 2019 
 



A boneca Barbie comemora 60 anos, no dia 9 de março e celebra o poder de inspirar as garotas desde 1959. Criada pela empresária Ruth Handler, e produzida pela Mattel, a descendente da boneca alemã Bild Lilli já sofreu diversas alterações no corpo e, com o passar do tempo, passou a perder articulações. Confira a breve ordem cronológica da Barbie por meio das profissões em "Inspiring Girls Since 1959":


Barbie modelo (1959)


Barbie aeromoça (1961)

Barbie astronauta (1965)

Barbie bailarina (1976)

Barbie instrutora aeróbica (1984)

Barbie CEO (1985)

Barbie rockstar (1986)

Barbie pilota (1989)

Barbie rapper (1992)

Barbie snowboarder (1995)

Barbie dentista (1997)

Barbie presidente (2000)

Barbie zoologista (2006)

Barbie pilota de corrida (2010)

Barbie arquiteta (2011)

Barbie designer (2012)

Barbie diretora de filme (2015)


Barbie patinadora no gelo (2017)

Barbie apicultora (2018)

Barbie jogadora de baseball (2019)


*Mary Ellen Farias dos Santos é criadora e editora do portal cultural Resenhando.com. É formada em Comunicação Social - Jornalismo, pós-graduada em Literatura e licenciada em Letras pela UniSantos - Universidade Católica de Santos. Twitter: @maryellenfsm


.: Carrascoza inova ao lançar microcontos para público infantil


Vencedor do Jabuti, João Anzanello Carrascoza lança o livro "Vamos Acordar o Dia? Histórias de Uma Linha Só" pela SM.

O consagrado contista paulista João Anzanello Carrascoza lança mais uma obra destinada ao público infantojuvenil, desta vez revelando o que há de imaginativo, gracioso e certeiro na visão infantil sobre o mundo. No livro "Vamos Acordar o Dia? Histórias de Uma Linha Só", publicado pela SM, o autor tece 22 microcontos em que crianças expressam, em poucas palavras, o seu próprio mundo e a natureza, nos fazendo um convite delicioso: vamos juntos acordar o dia?

Escritos em uma linha só e encabeçados por títulos que agregam sentidos à leitura, os contos são marcados pelo lirismo e pela poeticidade das situações íntimas, cotidianas e familiares e apresentam questionamentos, certezas, dúvidas e definições das personagens.

Microconto é novidade na literatura infantojuvenil
Com destacados prêmios no currículo, como o Jabuti, os da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) e o Guimarães Rosa, da Radio France Internationale, Carrascoza inova ao trazer para a literatura infantojuvenil uma vertente de escrita já incorporada na literatura adulta, mas pouco usual no âmbito infantil: o microconto - também conhecido como miniconto ou nanoconto.

O microconto surgiu com maior força no final do século XX e apresenta a narração dentro de apenas uma linha. A ideia é que, no mínimo de palavras, seja apresentado todo um contexto e uma ação em torno do pouco que é revelado por aquelas palavras. E embora não seja reconhecido como um gênero literário, o microconto vem se consolidando cada vez mais como uma fascinante vertente artística.

Assim, os microcontos de "Vamos Acordar o Dia? Histórias de Uma Linha Só" são construídos com frases simples, plenas de sutilezas, metáforas e comparações, ampliando os sentidos poéticos do texto, que encerra várias camadas de leitura. Além disso, por ser escrito a partir do ponto de vista de uma criança, o texto é atrativo e de fácil leitura e compreensão por parte dos pequenos.

Para João Carrascoza, os microcontos do livro estimulam o imaginário do leitor e o preparam para fruições estéticas mais longas, já que o texto se apoia no não-dito, na incompletude, no subentendido: "Faço votos que os pais leiam com os filhos essas narrativas de uma linha só, cientes de que podem considerá-las resumos de histórias maiores. E, assim, se lancem a inventar outras linhas, alargando a diversão e o afeto em família".

Já as ilustrações, de Sandra Jávera, são lúdicas, coloridas, delicadas e quase minimalistas, como os microcontos, complementando o sentido do texto e estimulando a imaginação do leitor. Vale ressaltar ainda um detalhe especial da obra: as cores dos títulos dos microcontos referem-se sempre a um elemento da ilustração. Esse jogo pictórico favorece o desenvolvimento da percepção e apreciação estética por parte do leitor.



Sobre o autor
João Anzanello Carrascoza nasceu em Cravinhos, interior de São Paulo, em 1962. Na capital paulista, para onde se mudou, formou-se pela Escola de Comunicações e Artes da USP, instituição pela qual é mestre e doutor e onde leciona até hoje. Trabalhou décadas como redator publicitário para as maiores agências do país, ao mesmo tempo que cultivava a escrita literária. Escritor reconhecido no Brasil e também no exterior, publicou livros infantojuvenis, contos, livros de não-ficção, romances e adaptações, alguns deles traduzidos para o inglês, italiano, francês, espanhol e sueco.

Pela sua vasta obra, ganhou destacados prêmios como o Jabuti, os da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) e o Guimarães Rosa – da Radio France Internationale, entre outros, além de ter um livro selecionado para o prestigiado catálogo White Ravens, da Biblioteca Internacional da Juventude de Munique. Pela SM, publicou também Tempo justo, O homem que lia as pessoas e Caixa de brinquedos.

Sobre a ilustradora
Sandra Jávera nasceu na cidade de São Paulo, em 1985. Formou-se pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), em 2011. Completou seus estudos no Instituto Tomie Ohtake e no Museu de Arte Contemporânea da USP, no Brasil, e na Parsons School of Design e na School of Visual Arts, em Nova York, Estados Unidos, onde vive atualmente. Colabora com diversas revistas e jornais e trabalha ilustrando livros infantis e adultos, além de criar estampas e peças de cerâmica. Pela SM, ilustrou também A caixa de Klara (2014).

Sobre a SM
Nascida na Espanha, a SM está presente em 10 países e são mais de 2.300 profissionais e voluntários se dedicando a este projeto. Responsabilidade social, inovação e proximidade com a escola pautam o trabalho da entidade, que tem como objetivo promover o desenvolvimento humano e a transformação social para a construção de uma sociedade mais competente, crítica e justa. Atuante no Brasil desde 2004, a SM oferece um amplo catálogo de serviços educacionais, conteúdos didáticos e de literatura infantil e juvenil no país.

.: Artigo: Século XXI demanda novas formas de pensar


Por Marília Cardoso*, em março de 2019.

"O que te trouxe aqui, não te levará até lá”. A célebre frase do coach norte-americano Marshall Goldsmith, que dá título a seu livro, sua como uma espécie de mantra que precisa ser recitado diariamente por todos os profissionais do século XXI. Contudo, a grande maioria parece preferir ignorar que as velhas receitas não têm mais surtido os mesmos efeitos. Estamos vivendo o século XXI com a mesma mentalidade do século XX.

Para entender melhor a necessidade latente de mudar a forma como pensamos, cabe refletirmos um pouco sobre a história da humanidade. A sociedade se organizou em grupos, trocando mercadorias que eram cultivadas por suas próprias famílias. Na era agrícola, que esteve vigente até 1750, tínhamos comunidades agrárias, que usava a terra como forma de sustento. Mais para o fim dessa era, foram criadas pequenas máquinas, onde o produtor possuía os meios de produção. Os artesãos conheciam todo o ciclo: da compra da matéria-prima até a venda. As famílias produziam juntas e as tradições eram transmitidas de geração para geração.

Logo após esse período, em torno de 1750, a humanidade viveu a chamada Revolução Industrial, dando sequência a uma nova era. Com o desenvolvimento da energia elétrica e das máquinas à vapor, tivemos a segmentação do trabalho e a larga escala. Cada trabalhador passou a fazer apenas uma parte do processo, não tendo conhecimento do todo. Dessa forma, era necessário desenvolver um raciocínio linear, segmentado, repetitivo e previsível. Quem apertasse o maior número de parafusos no menor período de tempo, seria eleito o melhor funcionário da fábrica.

Com o avanço das tecnologias, na década de 1990, entramos na era digital, ou era da informação. As distâncias diminuíram e vimos o mundo se globalizar. Muitas profissões deixaram de existir e outras foram criadas. Tivemos acesso ao trabalho remoto e compartilhado, onde o escritório pode ser em qualquer lugar. O raciocínio passou a ser não-linear, conectado, multidisciplinar e imprevisível. Passamos a viver múltiplas experiências simultâneas, recebendo informações de vários canais de forma instantânea. Novos modelos de negócios surgiram e vimos o nosso cotidiano se modificar drasticamente.

Apesar das imensas transformações que já duram quase três décadas e mostram que a mudança e a liquidez são a nova constante, algo parece continuar intacto em todo esse processo. Por mais incrível que pareça, continuamos com o mesmo pensamento linear, segmentado, repetitivo e previsível que aprendemos na era industrial. Muito dessa questão deve-se ao fato de que, embora a nossa rotina tenha se transformado tanto, a nossa forma de aprender se manteve praticamente intacta.

Em pleno século XXI, nossas crianças ainda vão para as escolas uniformizadas, são classificadas por idade e não por aptidões e interesses, ouvem um alarme para sinalizar o horário da entrada, do intervalo ou da saída. Tudo perfeitamente preparado para que elas saiam dali e estejam aptas a trabalhar em uma fábrica. As escolas surgiram na era industrial justamente para facilitar esse trabalho massificado e escalável. Quanto mais “dentro da caixa” uma pessoa estivesse, mais lucro traria para o dono da fábrica.

O fato é que hoje o mundo não funciona mais desse jeito. O setor de serviços só cresce. As novas tecnologias estão possibilitando a criação de negócios que seriam impossíveis em outros tempos. Sendo assim, fazer carreira em uma fábrica não é mais a única opção para um profissional. Existe um universo de possibilidades e, por mais que muitos temam que os robôs roubem nossos empregos, creio que eles vão apenas criar novas oportunidades de trabalho.

Agora, estamos entrando em uma nova era, a chamada GNR (Genética, Nanotecnologia e Robótica). Vamos ver cada vez mais novidades que vão impactar a nossa saúde, o nosso trabalho, as nossas relações sociais e o nosso jeito de viver. E, acredite, isso é muito bom! Quem teme um universo de escassez, onde a inteligência artificial dominará o mundo, está pensando de forma linear, com um olhar para o passado e não para o futuro. Sair da zona de conforto incomoda, dói, dá trabalho. Mas, se pensarmos bem, vamos ver que a humanidade só progrediu até hoje. As máquinas aliviaram o trabalho do homem e possibilitaram um mundo de descobertas.

Não imagino que pessoas que tinham como trabalho ascender lampiões no século XVII, tenham morrido de fome quando foi inventada a lâmpada, por Thomas Edison. O mesmo não deve ter acontecido com os cocheiros quando houve a substituição das charretes pelos automóveis. O que dizer então dos ascensoristas, que até pouco tempo atrás passavam a vida subindo e descendo de elevador entre os andares de um prédio? Por mais digna que todas essas profissões tenham sido, hoje elas não são mais necessárias. Muitas outras foram criadas. Tenha em mente que todo trabalho que a máquina faz melhor que o humano, é um trabalho desumano.

Estamos vivendo a era do propósito. O sentido do trabalho vai muito além de pagar as contas. Aliás, a vida como um todo precisa de sentidos mais profundos. Não tem muita lógica vivermos 60, 70, 80 anos trabalhando para pagar boletos e fazendo dietas para emagrecer. Precisamos ir em busca de significados e prazeres que vão muito além de estar em dia com as contas e a balança. Queremos construir uma história. Queremos ser protagonistas e não meros coadjuvantes. Queremos criar e não apenas consumir.

Nesse sentido, precisamos repensar nossas vidas e nossas carreiras. Mas, se fizermos isso usando a mesma cartilha que tivemos até aqui, entraremos em desespero e sofrimento, receosos pelo futuro. Como disse Goldsmith, o que nos trouxe até aqui não será suficiente para nos levar adiante. É hora de agradecer ao passado, aproveitar o que faz sentido e recomeçar. Estamos entrando em um momento onde é necessário divergir para convergir. Descontruir para reconstruir. Pode parecer estranho e muito desconfortável no começo, e de fato é mesmo, mas com o tempo isso se tornará um hábito. Logo, você estará pensando de uma forma diferente, muito mais coerente com os dias atuais.

Carl Jung, um dos maiores psiquiatras da história, disse que “todos nós nascemos originais e morremos cópias”. Quando crianças, somos espontâneos, inocentes e não nos preocupamos com as convenções sociais. Somos criativos, leves, fluidos. Mas, nossos pais logo tratam de nos moldar, impondo regras e ensinando boas maneiras. Depois, vamos para as escolas e o trabalho de formatação em caixas sólidas, rígidas e inflexíveis é concluído com maestria. Quando recebemos nossos diplomas, nos sentimos prontos para o mundo. Só que esse mundo simplesmente já não existe mais.

Num contexto em que a tecnologia terá ainda mais aplicações, eliminando o trabalho do homem, teremos que nos superar, sendo muito melhores naquilo que eles jamais conseguirão fazer. O Diretor do departamento de Educação e Competências em Educação da OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, Andreas Schleicher, diz que “a escola tem de conseguir produzir humanos de primeira, não pode continuar a originar robôs de segunda”.

Aquele velho dilema dos alunos decorarem dezenas de fórmulas, sem saber o verdadeiro sentido de suas aplicações, parece finalmente estar sendo questionado. Avaliações que levam em consideração apenas o erro e o acerto, deixando de lado conceitos como a estratégia, o esforço e o progresso de cada estudante começam a perder lugar. Uma educação focada em preparar pessoas para o vestibular e não para a vida, não faz mais o menor sentido na era GNR.

O século XXI requer o desenvolvimento das competências comportamentais, sociais e principalmente emocionais. Precisamos criar seres originais, inventivos, criativos e autênticos. Chega de retroalimentar aquele velho ciclo de trabalhar mais do que deve, para comprar o que não precisa, com um dinheiro que não tem, a fim de impressionar quem a gente nem gosta. É hora de recriar a nossa existência. Para isso, precisamos, antes de mais nada, buscar novas formas de pensar, projetadas para o futuro e não para o passado. Andar para a frente olhando apenas o retrovisor certamente não vai nos levar “até lá”.  

* Marília Cardoso é jornalista, com pós-graduação em comunicação empresarial e MBA em Marketing. É empreendedora, além de coach, facilitadora em processos de Design Thinking, consultora e professora de inovação. Ama aprender e é adepta do Growth Mindset.

.: Duas vezes Jorge Furtado no CPF Sesc dias 15 e 16 de março

O diretor e roteirista Jorge Furtado participa de duas atividades da programação do Centro de Pesquisa e Formação do Sesc em março. Ele é o convidado da série "Em Primeira Pessoa", no dia 15 - quando conversa com o público sobre sua carreira -  e debate o filme "Rasga Coração", dirigido por ele, no dia 16, dentro da série Cine Debate. As vagas são limitadas.

No dia 15, Jorge Furtado conversa com o público sobre sua carreira de diretor e roteirista de cinema e televisão. Furtado é diretor e roteirista de vários longas metragens, entre eles  "O Homem que Copiava" (2003) e "Meu Tio Matou Um Cara" (2005). Dirigiu também vários curtas metragens premiados no Brasil e no exterior, como "Ilha das Flores" (1989). 

Para a TV Globo, dirigiu a série "Cena Aberta" (2003), a minissérie "Luna Caliente" (1998), "Decamerão" (2010), as três temporadas de "História do Amor" (2011, 2012 e 2013) e os telefilmes "Homens de Bem" (2011) e "Doce de Mãe" (2012). Este último originou a série em 14 episódios "Doce de Mãe (2014) e rendeu dois prêmios Emmy Internacional: melhor atriz para Fernanda Montenegro, em 2013, e melhor série de comédia, em 2015. Seus mais recentes trabalhos para televisão são as séries "Mister Brau" e "Sob Pressão", ambas da TV Globo. Jorge Furtado é um dos sócios fundadores da Casa de Cinema de Porto Alegre.

Já no sábado, dia 16 de março, haverá Cine Debate com o filme "Rasga Coração" (115 min., 2018). O longa-metragem é uma adaptação da peça de Oduvaldo Vianna Filho e conta a história de Manguari Pistolão, militante anônimo que depois de quarenta anos de luta pelo que considera novo e revolucionário, vê o filho Luca acusá-lo de conservador, antiquado e anacrônico. 

Contando o dinheiro para fechar o mês, sofrendo com as dores de uma artrite crônica e num crescente conflito com o filho, Manguari passa em revista seu passado e se vê repetindo as mesmas atitudes de seu pai. A partir de uma relação entre pai e filho, o filme conta a história de um país partido.

"Em Primeira Pessoa" - Jorge Furtado
Sexta-feira, dia 15 de março, das 19h30 às 21h. 30 lugares.
Preço: R$ 15 (inteira); R$ 7,50 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e professor da rede pública); R$ 4,50 (trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes).

Cine Debate: "Rasga Coração"
Exibição de filme seguido de debate com o diretor Jorge Furtado. 
Sábado, 16 de março, das 15h às 18h. 70 lugares. 
Grátis – mediante inscrição na Central de Atendimento ou pelo site.

Sobre o CPF Sesc
Inaugurado em agosto de 2012, o Centro de Pesquisa e  Formação do Sesc é uma unidade do Sesc São Paulo voltada para a produção de conhecimento, formação e difusão e tem o objetivo de estimular ações  e desenvolver estudos nos campos cultural e socioeducativo.

Além do Curso Sesc de Gestão Cultural - que visa a qualificação para a gestão cultural de profissionais atuantes no campo das Artes, tanto de instituições públicas como privadas - a unidade proporciona o acesso à cultura de forma ampla, tematicamente, por meio de cursos, palestras, oficinas, bate-papos, debates e encontros nas diversas áreas que compreendem a ação da entidade, como artes plásticas e visuais, ciências sociais, comportamento contemporâneo e cotidiano, filosofia, história, literatura e artes cênicas, voltadas para o público em geral.

Serviço:
Recomendação etária: 16 anos. 
Tradução em Libras disponível. Faça sua solicitação com no mínimo dois dias de antecedência da atividade pelo e-mail centrodepesquisaeformacao@sescsp.org.br.

Informações e inscrições pelo site (sescsp.org.br/cpf) ou nas unidades do Sesc no Estado de São Paulo. Serviço de van até a estação de metrô Trianon-Masp, de segunda a sexta, às 21h30, 21h45 e 22h05, para participantes das atividades.

.: "Happy Hour": Letícia Sabatella vive um dilema em seu novo longa-metragem


Ter uma relação aberta ou terminar o casamento? O que fazer quando o desejo fala mais alto? É o que tenta descobrir o professor universitário argentino Horácio (Pablo Echarri) no longa “Happy Hour -Verdades e Consequências”, de Eduardo Albergaria, que estreia em 28 de março e acaba de divulgar trailer e cartaz. 

O filme retrata o impasse que se instaura no casamento de Horácio com a deputada Vera (Letícia Sabatella) quando o marido resolve propor um relacionamento aberto. Presos num mundo de verdades e mentiras, os dois precisam fazer escolhas: viver uma vida conservadora que atende aos preceitos da carreira política ou assumir os efeitos de romper com as estruturas do casamento.

O trailer traz um recorte das transformações ocorridas na rotina do casal quando Horácio se torna conhecido da imprensa e da população carioca depois de capturar, acidentalmente, o bandido aranha (Pablo Morais). Com a visibilidade, ele ganha ainda mais prestígio – e sex appeal - junto às jovens alunas. Tentado a ceder aos encantos da sedutora Clara (Aline Jones), o professor decide, então, assumir seu desejo e propõe à mulher que eles se abram para outras aventuras.

“A gente está casado há 15 anos e não é possível que a gente não possa aprender com o erro dos outros. É só olhar em volta. É maior que a gente, é uma coisa que tem a ver com desejo. A gente precisa dar espaço a isso, entende? A forma que se criou para lidar com isso é o divórcio. Mas as coisas precisam mesmo ser assim, tão tristes?”, pondera o personagem Horácio para a mulher. Vera se vê, então, dividida entre aceitar o novo modelo de casamento e se divorciar.

No elenco estão Chico Diaz, Rocco Pitanga, Pablo Morais e Luciano Cáceres. Com distribuição da Imovision, produção da Urca Filmes e da Haddock Filmes, o longa tem roteiro e direção de Eduardo Albergaria.

Trailer de “Happy Hour -Verdades e Consequências”

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