Mostrando postagens classificadas por relevância para a consulta "O Chamado". Ordenar por data Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens classificadas por relevância para a consulta "O Chamado". Ordenar por data Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

.: Cineflix: lista dos dez melhores filmes que estrearam nos cinemas em 2022

Por: Mary Ellen Farias dos Santos 

Em dezembro de 2022


2022 foi marcado como o ano do regresso definitivo do público aos cinemas. E a turma da poltrona com balde de pipoca e refrigerante foi presenteada com produções incríveis e de gêneros variados como "Trem-Bala", "O Telefone Preto", "O Menu", "O Acontecimento", "Bardo: falsa crônica de algumas verdades", "Avatar: O Caminho da Água", "Esperando Bojangles", "A Felicidade das Pequenas Coisas", "O Beco do Pesadelo", "Doutor Estranho no Multiverso da Loucura", "Entre Rosas", "Tempos Super Modernos", "Adão Negro", "Ela Disse", "A Mulher Rei""Batman" além de marcantes produções brasileiras como "Eduardo e Mônica", "O Palestrante" e "O Amor Dá Voltas"

A emoção nos cinemas foi tanta que voltaram para as telonas o sucesso de bilheteria "Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa", em versão estendida, assim como o destaque de público que estreou em maio: "Top Gun: Maverick". A produção protagonizada por Tom Cruise conseguiu a proeza de se segurar em cartaz por semanas e, alguns meses depois, retornar para mais algumas semanas, coincidindo com o "Dia dos Pais". Nós do Resenhando.com, que assistimos aos filmes no Cineflix Cinemas em Santos, no primeiro andar do Miramar Shopping, elencamos aqui as 10 melhores produções cinematográficas que passaram nas telonas daqui. Confira! 

"Trem-Bala"

O crime não compensa, mas rende uma tremenda história recheada de ação e com um mistério a ser desvendado em partes, tal qual aquelas bonequinhas russas, as matrioskas. O longa dirigido por David Leitch, o mesmo de "Deadpool 2", "Trem-Bala" é um filme de ação com sequências eletrizantes de tirar o fôlego. Sem uniforme de látex e tentando não fazer uso de armas, o protagonista de Brad Pitt, chamado carinhosamente de Ladybug (Joaninha) faz e acontece nos vagões de um trem-bala que segue caminho com toda agilidade rumo a Kyoto. Por isso é o primeiro filme da lista do Resenhando.com!

"Elvis"

Cheio de pompa e estilo, a cinebiografia retrata a vida do ícone do rock que muitos juram não ter morrido. "Elvis"filme do diretor consagrado Baz Luhrmann ("Romeu e Julieta", "Moulin Rouge: O Amor em Vermelho" e "O Grande Gatsby"), apresenta edição ágil e com transições impecáveis, tendo pré-estreia no Dia Mundial do Rock. Em 2h39 não há uma nova história ou segredos expostos -como no recente "Spencer". Contudo, ainda que romanceado e com passagens floridas, "Elvis" trata-se de uma cinebiografia com uma trilha sonora muito bem usada para complementar falas e até pensamentos dos personagens. No entanto, o modo em que tudo é estampado na telona, consegue trazer um ar de novidade quando associado aos fatos que ocorrem em paralelo, atribuindo veracidade a toda narrativa. 

"O Telefone Preto"

No pódio, em terceiro, está "O Telefone Preto". Num visual retrô, leva o público para uma pequena cidade suburbana do Colorado em 1978 enquanto acontece uma partida de beisebol. Entre os adolescentes está o tímido e inteligente Finney Shaw (Mason Thames) que perde para o time oponente. O conto de Joe Hill, adaptado para as telonas, não é somente a história de meninos que foram sequestrados para a satisfação de um sádico. "O Telefone Preto" traz efeitos visuais que contribuem para que o público mergulhe no terror em que Finney é inserido quando capturado pelo sequestrador do carro preto, interpretado por Ethan Hawke ("Antes do Amanhecer", "Dia de Treinamento" e "O Homem do Norte"), ainda que a irmã, Gwen (Madeleine McGraw), tenha algumas informações privilegiadas -daquelas que a polícia esconde.

"Top Gun: Maverick"

O maior sucesso de bilheteria de 2022 é a sequência do clássico "Top Gun: Ases Indomáveis" que recebeu um novo subtítulo "Maverick". "Top Gun: Maverick" fez valer toda a expectativa criada durante o tempo de produção até a estreia nos cinemas, chegando com pegada de clássico. Seja nos minutos iniciais com os créditos da produção tendo imagens similares ao longa de 1986, ao som de "Danger Zone" ou por resgatar o melhor de seu protagonista: Pete "Maverick" Mitchell (Tom Cruise). Tudo regado a um romance pé no chão e muita ação nos ares em cenas de tirar o fôlego. O longa que é pura tensão em 2h 17m, para roer as unhas, é uma sequência de "Top Gun: Ases Indomáveis"Depois de mais de 30 anos, Maverick tira a famosa jaqueta do armário, acelera a moto e volta a pedido de Iceman (Val Kilmer). Embora contasse pilotar novamente com os melhores, acaba assumindo o posto de instrutor de alunos Top Gun e enfrenta os desafios da modernidade. 

"O Destino de Haffmann"

O drama histórico com pitadas de suspense, exibido durante o Festival Varilux de Cinema Francês, apresenta a história de um talentoso joalheiro quem dá o sobrenome ao filme que começa na Paris de 1941. Assim, o senhor Haffmann (Daniel Auteuil) depara-se com um aviso que irá mudar a vida dele e dos que estão a seu redor. Com a invasão dos alemães, por todo o país, a caça aos judeus é iniciada. Sem conhecer François Mercier (Gilles Lellouche), o novo funcionário do comerciante recebe a proposta de um acordo. Haffmann passa a casa e a joalheria para o nome do francês, além de permitir que ele e a esposa, Blanche (Sara Giraudeau), morem ali, enquanto o judeu e a família se refugiam na zona livre. Contudo, em "O Destino de Haffmann", o rumo da história não segue o planejado.

"Eduardo e Mônica"

"Quem um dia irá dizer que não existe razão nas coisas feitas pelo coração?". É a pergunta que sempre circunda a tocante história de amor do filme "Eduardo e Mônica"o rapaz de 16 anos que está perto de prestar o vestibular com a estudante universitária de Medicina. O longa dirigido por René Sampaio  consegue emocionar o público por vezes e vezes, além de apresentar uma trilha sonora que faz cantar junto -e até dançar de modo contido na poltrona-, apresenta canções do "Legião Urbana", na voz de Renato Russo e até clássicas dos anos 80 e 90, como "Total Eclipse of the Heart". Sim! E que cena linda! Caso tenha conseguido segurar a emoção em algum momento do longa, quando Eduardo sobe ao palco e puxa o microfone para cantar o sucesso na voz da cantora Bonnie Tyler, fica impossível não se arrepiar e deixar escorrer algumas lágrimas que seja. 

"O Beco do Pesadelo"

A história perfeita e muito bem apresentada numa fotografia digna de Oscar, que saiu sem um prêmio do evento em 2022, tem um elenco de peso defendendo com unhas e dentes, personagens cheios de nuances que geram reviravoltas. A nova produção dirigida por Guillermo Del Toro, é um espetáculo completo, mesmo sendo ambientada num circo itinerante. O longa fisga o público com a grande jogada de trabalhar a narrativa, ou seja, apresenta pontos importantes da trama no início enquanto segue lançando provocações ao longo de 2h20min a respeito do rumo que a história irá tomar. É como um jogo bem elaborado em que cada situação, quando permite um novo passo a ser dado, fatalmente esbarra em um novo caos. Por outro lado, ao fim, percebe-se que tudo estava claro, ali, diante dos olhos do público, mas que nada percebeu.

"Batman"

"Batman", protagonizado por Robert Pattinson, com direção de Matt Reeves é uma tremenda surpresa. O filme do morcegão, apresenta um herói mais comedido numa história longa de quase 3h de duração que simplesmente contextualiza o enredo que conhecemos muito bem, mas foge o tempo todo da trama apelativa de heróis que logo começa com pancadaria ou explosões. Vale destacar também a cena pós-crédito, uma brincadeira debochada, para a Marvel e seus fãs. O novo longa do vigilante de Gotham City é de Pattinson que deixa espaço para que Zoë Kravitz faça seu show como Selina, a Mulher-Gato. Não há o que discutir, ambos entregam muito bem seus personagens. Ele em nada se assemelha ao Edward de "Crepúsculo" ou o jovem Cedrico da saga "Harry Potter", e Zoë Kravitz também é muito diferente da marcante Bonnie de "Big Little Lies". 

"Bardo: falsa crônica de algumas verdades" 

"Bardo, falsa crônica de algumas verdades", produção dirigida por Alejandro González Iñárritu, vencedor de quatro estatuetas do Oscar 2015 com "Birdman", incluindo na categoria de Melhor Filme, é pura poesia dedicada ao momento de despedida da vida. Em 2h39, a história pessoal e profissional Silverio, renomado jornalista e documentarista mexicano, é esmiuçada por quem está do outro lado da telona. Silverio, o latino-americano que viveu como norte-americanovolta para as origens e tenta lidar com uma crise existencial depois de ganhar um importante -e muito desejado- prêmio internacional -sequência que garante cenas de bastidores belíssimas. Aliás, "Bardo, falsa crônica de algumas verdades" também imprime poesia na impecável fotografia.

"Doutor Estranho no Multiverso da Loucura"

Em "Doutor Estranho no Multiverso da Loucura", assim como o título do longa dirigido por Sam Raimi sugere, o público é levado a encontrar o "Outro Outro Eu" do protagonista. Para tanto, logo nos primeiros minutos é apresentada a jovem America Chavez (Xochitl Gomez), garota com o dom sobrenatural de abrir portais em formato de estrelas, tendo grande facilidade em transitar pelos múltiplos universos. No entanto, ela, que é amiga de outro Doutor Estranho, topa com Stephen Strange conhecido do público no filme de 2016. Assim, aos poucos, sabe-se bem quem é America e, inclusive, quem está promovendo tal caçada para roubar o dom da moça: Wanda Maximoff, ou melhor, a própria Feiticeira Escarlate. Afinal, quem assistiu "WandaVision" logo entenderá o motivo da vingadora ter tamanha ânsia de viver em outro multiverso. 


Em parceria com o Cineflix Cinemas, o Resenhando.com assiste aos filmes em Santos, no primeiro andar do Miramar Shopping. O Cineclube do Cineflix traz uma série de vantagens, entre elas ir ao cinema com acompanhante quantas vezes quiser - um sonho para qualquer cinéfilo. Além disso, o Cinema traz uma série de projetos, que você pode conferir neste link.

* Mary Ellen é editora do site cultural www.resenhando.com, jornalista, professora e roteirista, além de criadora do photonovelas.blogspot.com. Twitter:@maryellenfsm


Leia+

.: Crítica: "Trem-Bala" é proibidão do mundo do crime. Imperdível!

.: Crítica: "O Telefone Preto" gera tensão crescente diante de um sádico.: Crítica: "O Menu" é surpreendente jantar assombroso com Ralph Fiennes

.: Crítica: "O Acontecimento" mostra o que é ser mulher e suas implicações

.: Crítica: "Avatar: O Caminho da Água" trata descendência e preservação

.: Crítica: "Esperando Bojangles" é conto de fadas de sonhadora e mentiroso

.: Crítica: "A Felicidade das Pequenas Coisas" da vida na montanha

.: Crítica: "O Beco do Pesadelo" tem pinta de clássico e trama riquíssima

.: "Doutor Estranho no Multiverso da Loucura" flerta com terror e feitiçaria

.: Crítica: "Entre Rosas" é sobre apoio para recomeçar

.: Crítica: "Tempos Super Modernos" satiriza a dependência tecnológica

.: Crítica: "Adão Negro", no ponto, longa tem narrativa muito bem conduzida

.: Crítica: "Ela Disse" é filme-denúncia sobre assédio sexual e agressão sexual

.: Crítica: "Batman" é filmaço sem lutas nitidamente coreografadas

.: Crítica: "Eduardo e Mônica" é comédia romântica com trilha sonora perfeita

.: Crítica: "O Palestrante" é comédia brasileira de primeira

.: Crítica: "O Amor Dá Voltas" é comédia romântica gostosa de acompanhar

.: Crítica: "Bardo, falsa crônica de algumas verdades" é para Oscar 2023

.: Crítica: "Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa" versão estendida é melhor

.: Crítica: "Top Gun: Maverick" renova sucesso e estreia como um clássico

.: Crítica: Filmaço, "Elvis" é retorno avassalador de Baz Luhrmann

.: Crítica: "Elvis" é uma homenagem afetadíssima e afetiva ao "Rei do Rock"

.: Crítica: "O Destino de Haffmann" foca no caráter de quem detém o poder

.: Crítica: "Eduardo e Mônica" é comédia romântica com trilha sonora perfeita

.: Crítica: "A Mulher Rei" é novelão com trama dramática e de muita ação


sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

.: Tradição japonesa: ano novo no Japão busca renovação e purificação


A Organização Nacional do Turismo Japonês (JNTO) apresenta as principais tradições japonesas e locais sagrados em que o novo ano é celebrado

O feriado de Ano Novo no Japão é uma comemoração diferente se comparada às festividades no Brasil. O oshougatsu, como é chamado em japonês, é a principal celebração do calendário do país, e se estende do dia 31 de dezembro ao dia 3 de janeiro. A data é recheada de costumes que buscam renovação e prosperidade para o ano que vai chegar. Conheça as principais tradições japonesas e alguns locais sagrados em que o novo ano é celebrado:

108 badaladas
O oshougatsu é tradicionalmente sereno e reservado. Ao invés de fogos de artifícios e grandes festas, o novo ano no Japão é recebido com as 108 badaladas do ritual budista Joya no Kane, quando os templos batem os sinos na noite do dia 31 em contagem regressiva para afastar os desejos mundanos dos homens. A última badalada acontece exatamente à meia noite e marca a virada do ano e a purificação dos homens. Já nos templos xintoístas, um ritual tradicional de ano novo é o Saitan-sai, realizado na madrugada de 1º de janeiro, com orações pelas bênçãos para o ano novo.

Hatsumode - Templos e santuários
É muito comum que, durante todo o feriado, as pessoas visitem os templos budistas e santuários para rezar por um ano próspero e com saúde. O hatsumode é a tradição da primeira visita do ano a um local sagrado e é comum ver as pessoas com trajes típicos, como o quimono e o hakama. Nesses locais, também é possível adquirir novos talismãs da sorte como o Omamori, Daruma e Maneki Neko, e comprar Omikuji, a “loteria sagrada”, que traz mensagens sorteadas que predizem a sorte para o novo ano.

Conheça alguns templos e santuários tradicionais para o hatsumode, indicados pela Organização Nacional do Turismo Japonês (JNTO). É importante ressaltar que neste ano, devido à pandemia, esta tradição não deve se concretizar, pois os locais costumam atrair muitas pessoas durante o feriado e a recomendação é evitar aglomerações.

Templo Sensoji
O Templo budista Sensoji é um dos mais antigos e tradicionais de Tóquio. Localizado no bairro de Asakusa, o templo foi construído em 645 e abriga a estátua sagrada de Kannon, a deusa da misericórdia. O templo tem imponentes portões, um deles com uma lanterna de 700 quilos e um pagode de cinco andares. No pátio central, um jokoro, um enorme queimador de incenso banha os visitantes com sua fumaça sagrada que acredita-se curar feridas e melhorar o funcionamento do corpo. O local é famoso pelo seu ritual Joya no Kane, no dia 31 de dezembro. Mais informações: https://www.japan.travel/pt/spot/1691/

Santuário Fushimi Inari Taisha
Localizado em Quioto, este santuário xintoísta é dedicado à Inari, a divindade da boa colheita e sucesso nos negócios. É um dos principais cartões postais de Quioto e famoso pelo seu túnel de 10 mil portões torii, que conduzem os visitantes ao topo do Monte Inari, de 233 metros de altura. Durante o oshougatsu, muitas pessoas visitam o local para rezar e, no dia 31 de dezembro, é tradição à meia noite os visitantes também tocarem sinos para dar boas vindas ao novo ano. Mais informações: https://www.japan.travel/pt/spot/1128/

Hatsuhinode
O primeiro dia do ano também é especial na tradição do Ano Novo japonês. O costume de apreciar o primeiro nascer do sol, chamado hatsuhinode, leva muitas pessoas a acordar cedo para apreciar o nascer do sol, de algum lugar especial, para rezar e dar boas vindas ao novo ano. Acredita-se que durante o primeiro nascer do sol, as divindades do ano novo vem ao plano terreno para semear boas energias, sorte e felicidade.

Informações sobre viagens ao Japão
Devido à pandemia, as restrições de viagem estão mudando continuamente e se adaptaram conforme a situação evolui globalmente. A JNTO recomenda visitar seu site para obter as últimas notícias sobre o Japão e as restrições de viagens relacionadas à Covid-19. Acesse: https://www.japan.travel/en/coronavirus/

Sobre a JNTO
A Organização Nacional do Turismo Japonês (JNTO) é um orgão governamental japonês com escritórios em 22 cidades ao redor do mundo. A organização está envolvida em uma ampla variedade de atividades para incentivar turistas internacionais de todo o mundo a visitar o Japão. O JNTO presta consultoria em vendas de pacotes turísticos, sugestões e assistência na criação de itinerários para o Japão, e incentiva associações acadêmicas e industriais a realizar congressos no Japão, além de promovê-lo para as pessoas interessadas. Além disso, publica regularmente estatísticas de turismo e relatórios de mercado.

domingo, 10 de agosto de 2025

.: "Antes do Início": Ernesto Mané encara o passado com olhos de futuro

Por Helder Moraes Miranda, especial para o portal Resenhando.com. Foto: Valeria Fiorini

Doutor em física nuclear, diplomata de carreira, pesquisador em centros de excelência como o CERN (Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear) e a Universidade de Princeton - Ernesto Mané poderia, com facilidade, ser apenas um desses nomes que figuram em listas internacionais de prestígio, como a dos 100 negros mais influentes do mundo segundo a plataforma global MIPAD (Most Influential People of African Descent). Mas ele decidiu se mover por outro campo de força: o das memórias partidas.

Em "Antes do Início", livro de estreia dele publicado pela Tinta-da-China Brasil, Ernesto embarca em uma travessia que vai além do Atlântico. Vai do abandono ao pertencimento, do racismo velado às feridas expostas, da ciência para a espiritualidade, em uma escrita híbrida que combina diário de viagem, ensaio e confissão. Ao retornar à Guiné-Bissau em busca da família paterna, o autor confronta heranças esquecidas, desmancha mitos familiares e apresenta uma África real - nem exótica, nem idealizada - onde a fome e a alegria dividem o mesmo prato.

Filho de uma paraibana e de um guineense que o deixou aos sete anos, Ernesto Mané não se contenta em ser um sobrevivente da meritocracia. Quer ser ponte. Ou, como sugere nas páginas do livro escrito por ele, uma espécie de embaixador informal entre dois mundos que se evitam: o Brasil que apagou a África da memória e a África que não reconhece o Brasil como semelhante.

Nesta entrevista exclusiva ao portal Resenhando.com, ele fala sobre relações interrompidas, a difícil arte de construir identidade em terra movediça e os desafios de existir entre continentes, línguas, códigos e silêncios. Porque, às vezes, antes do início, há uma urgência: a de não esquecer. Compre o livro "Antes do Início", de Ernesto Mané, neste link.


Resenhando.com - Você é doutor em Física Nuclear e diplomata. Agora se lança como autor de um diário afetivo sobre ancestralidade. Onde termina o cientista cético e começa o filho órfão de continente, tentando religar os fios rompidos da Kalunga?
Ernesto Mané - Da maneira como vejo, existe um contínuo entre o cientista e o filho da diáspora africana. Quando fui estudar física na Europa, me sentia incomodado com todo o processo. Havia uma relação quase colonial, em que eu, um jovem negro vindo de um país periférico, estava sendo “civilizado” pelos europeus. Essa tensão sempre esteve presente. Por outro lado, desde o final da adolescência vinha nutrindo o desejo de conhecer a Guiné-Bissau e minha família paterna, de modo que só consegui reunir as condições materiais para realizar a viagem depois de ter completado o doutorado.


Resenhando.com - 
No livro, seu pai surge como uma figura dividida entre a fuga e o abandono. Que palavras o Ernesto de hoje, pai e diplomata, diria ao pai que partiu quando você tinha sete anos?
Ernesto Mané Diria para ele ainda que, embora eu hoje entenda mais sobre as complexidades da vida, ainda tenho dificuldade de entender a escolha que ele fez de abandonar seus filhos tanto da África quanto os do Brasil, sobretudo se considerar que morávamos na mesma cidade, em João Pessoa. Sua falta foi sentida e precisávamos de uma referência e de alguém que nos protegesse do racismo e da branquitude. Na falta dele, tive que aprender a lidar com essas questões do jeito mais doloroso.


Resenhando.com - Você já foi chamado de “macaco” nas ruas do Brasil e de “branco” nas ruas de Bissau. O que significa para você habitar essa encruzilhada racial em que nenhuma identidade parece bastar?
Ernesto Mané Não me resta dúvidas de que sou um homem fenotipicamente negro, embora seja mestiço. Ter sido chamado de “branco” pelas crianças da Guiné-Bissau tem muito a ver com o fato de eles considerarem o Brasil como “terra de gente branca”, ou seja, não está presente no imaginário de uma criança guineense que o Brasil seja um país majoritariamente negro - o segundo maior país negro depois da Nigeria. Além disso, ser “branco” está relacionado a uma questão de poder, e eu, pelo fato de ser estrangeiro, projetava esse poder através da forma de me vestir, de falar e de portar comigo uma câmera fotográfica digital - todos códigos relacionados com o poder financeiro e com a branquitude no imaginário deles.


Resenhando.com - Em “Antes do Início”, você revela que ninguém em sua família africana toca tambores ou veste roupas tradicionais, mas você ensina capoeira angola às crianças da Guiné. A cultura afro-brasileira está mais próxima da África do que a própria África?
Ernesto Mané Algumas mulheres da minha família, inclusive a minha avó, usam roupas tradicionais. De fato, não tive contato com nenhum parente que tocasse instrumentos musicais locais. Mas isso não os torna menos africanos. São indivíduos pertencentes a um continente que possui uma diversidade cultural riquíssima e que continua sendo a fonte de referência para toda a diáspora, incluindo o Brasil.


Se fosse possível colocar seu livro nas mãos de uma única pessoa - viva ou morta - para que ela o lesse com atenção, quem seria essa pessoa?
Ernesto Mané Seria o meu pai, seguramente. Na verdade, o diário de viagem que serviu de inspiração para o livro ficou por algum tempo guardado junto com alguns dos meus pertences na casa do meu pai. Tenho algumas evidências de que ele talvez tenha lido o diário, embora nem ele nem eu jamais tenhamos puxado o assunto em nossas conversas.


Em algum momento, entre o transporte de uma galinha viva e os silêncios da memória familiar, você se sentiu um estrangeiro em sua própria origem?
Ernesto Mané Eu me senti bastante acolhido pela minha família africana. A etnia a qual pertenço, a balanta, é patrilinear, de modo que todos reconheceram que eu era guineense, a única diferença sendo a de que eu fui “parido fora” da Guiné-Bissau. Hoje, minha leitura sobre os silêncios da memória familiar tem muito a ver com o dano causado pelo colonialismo ao tecido social e familiar do país, que sofreu com a presença colonial portuguesa por mais de 500 anos. Esse dano causou e causa muita dor, sofrimento e vergonha para todos os afetados, de modo que eu entendo que estava sendo poupado pela minha própria família dos detalhes acerca de um capítulo triste da história recente da Guiné-Bissau.


Você é um diplomata que lida com desarmamento e segurança internacional, mas seu livro desmonta outro tipo de armamento: o emocional, o simbólico, o familiar. Foi mais difícil negociar com líderes mundiais ou com seus próprios fantasmas?
Ernesto Mané Se, por um lado, minha decisão de publicar livro sobre a viagem que fiz a Guiné-Bissau foi fruto de uma negociação interna, em que tive que lidar com meus próprios fantasmas, por outro, a questão do armamento nuclear está intimamente vinculada com as relações coloniais. Portugal, por exemplo, já fazia parte da Organização do Tratado do Atlantico Norte - OTAN, durante a luta pela independência da Guiné-Bissau. Cabe lembrar que a OTAN é uma aliança fundada em cima do poderio nuclear de seus membros. Atualmente vivemos em um período de grande tensão internacional, que tem colocado em xeque a segurança de toda a humanidade. Meu trabalho como diplomata e como físico tem sido guiado pela convicção de que essas armas precisam ser eliminadas, pois representam um grande risco existencial. Sem dúvidas, essa tarefa é urgente e muito mais difícil do que lidar com meus próprios fantasmas, uma vez que o livro foi publicado, mas os países nuclearmente armados seguem aumentando seus arsenais.


O crioulo é falado por todos na Guiné-Bissau, mas não é língua oficial. No Brasil, o racismo é falado em silêncio, mas rege as relações sociais. Em qual idioma se traduz melhor o que é ser negro entre dois mundos?
Ernesto Mané Fiz essa reflexão no livro, em que verifiquei ser o crioulo a língua franca da Guiné-Bissau, ao passo que o português ainda está associado com a língua do colonizador. Registrei que minha avó simplesmente se recusava a falar o português, ao mesmo tempo em que há guineenses que deixam de ensinam o crioulo a seus filhos, por acreditarem ser o português o melhor veículo para ascensão social. No Brasil, país que se tornou independente a mais tempo, acabamos por moldar o português através das contribuições dos africanos trazidos para cá e das nações originarias, como nos ensinou Lélia Gonzales. Em ambos os casos, o crioulo e o português brasileiro trazem consigo a marca da resistência contra o colonizador.


Sua trajetória parece negar a ideia de origem fixa - como se você tivesse que começar sempre outra vez. Qual é o seu ponto de partida hoje?
Ernesto Mané Essa sensação de ter que recomeçar constitui experiencia definidora dos processos diaspóricos. Ao longo de cinco séculos, sofremos violências físicas, psicológicas, epistêmicas e materiais. Muitas vezes, o que temos é apenas nosso corpo. Meu ponto de partida é saber que carrego comigo esse legado e tenho que seguir a diante, reconstruindo pontes e criando possibilidades de existir. Isso passa, por exemplo, em ser capaz de garantir as condições para que as próximas gerações não tenham que começar do zero.


Para quem acredita na meritocracia como dogma, sua trajetória seria um exemplo da famosa “superação”. Mas você parece rejeitar esse rótulo. O que existe por trás do homem que venceu - e o que ele ainda precisa perder para se reencontrar?
Ernesto Mané Existe uma pessoa que cobra de si o tempo inteiro excelência em tudo o que faz, porque não consegue esquecer uma frase que ele escutou ainda quando criança, vinda de pessoas próximas: “o preto quando não caga na entrada, caga na saída”. Essa frase é de um fatalismo gigantesco, porque não importa o quanto você seja um “vencedor”, a branquitude sela o seu destino, ao dizer que você, em dado momento, vai colocar tudo a perder, pelo fato de ser preto. Eu trabalho tanto para assegurar que esse dia nunca chegue, mas, se chegar, preciso ser capaz de reivindicar minha humanidade, porque como cantava o mestre Jorge Bem, “errare humanum est”.


domingo, 24 de março de 2024

.: Tudo sobre a versão de "A História Sem Fim", gratuito, no Teatro do Sesi-SP


Do mesmo autor da premiada "Momo e o Senhor do Tempo", a nova criação teatral da premiada diretora Carla Candiotto é "A História Sem Fim", clássico da literatura alemã sobre o poder da fantasia, best-seller mundial traduzido para 44 idiomas, com mais de 9 milhões de livros vendidos. O espetáculo estreia dia 31 de março, domingo, às 15h, sua temporada popular no Teatro Sesi-SP até dia 30 de junho. A mágica aventura de um garoto que, pelas páginas de um livro, passa para o reino da fantasia, obra do escritor alemão Michael Ende, foi publicada pela primeira vez em 1979.

Para encenar o espetáculo, a diretora Carla Candiotto reuniu a equipe de criativos – Marco Lima na cenografia e bonecos, Wagner Freire na Iluminação, Fábio Namatame no figurino, Roberto Alencar na coreografia, Marcelo Pelegrini na trilha original e André Grynwask no vídeo e para adaptar a obra, Victor Mendes. Para treinar a técnica de arte marcial necessária para as cenas de luta da trama, a encenadora contou com o apoio luxuoso de Georgette Fadel e Ana Paula Gomes para ministrar as aulas de Aikidô ao elenco.


Elenco e personagens
• Camila Cohen - Conselheira, Trole, Morla, Imperatriz Criança e Xayide, Antigos Imperadores
• Carol Badra - Mãe, Conselheira, Morla, Corvo, Uiulala, Antigos Imperadores e manipulação do Artax.
• Eric de Oliveira - Cairon, Trole, Dragão Fuchur, Corvo e Antigos Imperadores
• Ernani Sanches- Pai, Conselheiro, Corvo, Gmork , Argax e manipulação do Artax
• Thiago Amaral - Bastian Baltazar Bux.
• Victor Mendes – Atreiú, Antigos Imperadores.


Sinopse de "A História Sem Fim"
Tímido, Bastian Balthasar Bux adora ler, pois encontra nos livros uma forma de escape para sua vida tão triste. Com a morte de sua mãe, recebe um livro de presente e fascinado de forma mágica pelo mesmo, o menino mergulha em Fantasia tentando se afastar desse mundo real. Esse reino fantástico, está ameaçado pelo Nada, que se propaga cada vez mais de maneira assustadora. Mergulhado no livro, Bastian recebe o chamado das personagens da obra para salvar Fantasia. Nesse universo, a Imperatriz Criança, que adoece de forma misteriosa, só pode ser curada se receber um novo nome a ser dado por uma criança humana. Bastian se enche de coragem e junto, com o jovem herói Atreiú e o Dragão da Sorte Fuchur, atende o chamado de fantasia. O garoto se entrega a uma viagem na qual cada minuto importa. Seria Bastian a criança capaz de libertar o Reino de Fantasia?

Projeto de anos e técnica de roteirizar ações
No processo de adaptação do livro para o teatro, Carla passou por uma imersão criativa na obra. “Por tratar de questões universais, de ser um livro que fala com sua alma, como se relacionar com o mundo e autoestima, é grande o desafio de comunicar seu conteúdo para o universo de uma criança. Esse é um livro que cada pessoa que lê, interpreta de uma forma diferente pois coloca sua história nele, e como todos somos diferentes a história não tem fim, por isso da 'História Sem Fim'”. 

A diretora leu o livro Momo e o Senhor do Tempo, do mesmo autor, aos 25 anos e, desde então, passou a seguir Michael Ende. Na adaptação dessa criou um prólogo para situar o espaço e a razão de estar contando a história. Na nova peça não foi preciso. “A adaptação é um outro olhar sobre a história, é um olhar muito pessoal uma sensação de estar falando de você próprio e não apenas de uma história. Estamos em 2024, outras questões abalam o mundo, várias estão em curso e que bom poder falar sobre isso".

No decorrer de sua carreira, Candiotto encenou dezenas de clássicos infantis na Cia. Le Plat du Jour para em seguida dirigir espetáculos para vários outros grupos e também as suas próprias produções. Fascinada pelo teatro físico, deparou-se com o desafio de contar uma história cujo livro original tem quase 500 páginas e um extenso volume de dados. Do calhamaço para o espetáculo de pouco mais de 60 minutos, o trabalho da encenadora foi suado. “Quando o Sesi aprovou o projeto, estudei o livro e para me instrumentalizar, estudei Análise Ativa, técnica russa, com Michelle Zaidon”. Contou com este suporte para dissecar e entender quais personagens poderiam ser cortados. Sabia que em 1h15 não poderia inserir todos os tipos citados. A proposta era descobrir quais eram os personagens fundamentais.

“Ficamos três meses nesse processo de estudo para começar a escrever a adaptação antes de partir para a redação do texto. Ao longo dos anos, desenvolvi uma técnica pessoal para criação – primeiro leio e depois decupo o roteiro de ação somente depois vou ao encontro dos atores e atrizes”, conta, ressaltando a importância da colaboração de Michelle nessa fase. Em seguida, estabeleceu-se a parceria com o ator Victor Mendes, que assina com Carla também a adaptação de Momo e o Senhor do Tempo. “Ele tem uma visão questionadora, o que é muito bom”.

Por meio do personagem do menino, o autor definiu a existência desses dois universos. “Um não vive sem o outro, a fantasia e a realidade. Um dos mundos fica doente quando o outro não existe ou não tem espaço para existir”, aponta Carla, comentando não ser possível viver só na fantasia ou só na realidade. “Os dois são necessários para viver”. O menino em questão supera a dor da perda da mãe e recupera a autoestima, mergulhando nos livros. Por meio da fantasia, sai do processo de luto. “Seu mundo real está uma barra – perdeu a mãe e se sente invisível. Depois de resgatar a fantasia, passa por um processo difícil de aceitação de si mesmo e encontra um caminho”


Sobre a cenografia de Marco Lima
Após meses de estudo e inúmeras proposições para a concepção da cenografia, cenógrafo e diretora chegaram a um lugar único para contar a história. Um porto/portal - de cores não espectrais, do preto ao branco passando pelos cinzas - situado num mar seco e arenoso. Uma cenografia simbólica ambienta a trama da peça, localizada em “uma terra devastada, fruto do abandono e esquecimento pelos seres humanos da importância da imaginação em nossas vidas. Tudo está seco, sem cor, sem vida. O que restou foi uma plataforma, um cais destruído que une dois mundos: o da Fantasia e o da Realidade”, explica Marco Lima. 

Personagens chegam e partem por esta plataforma, navegando em embarcações de um mundo distópico; alguns com esperança, outros sem nenhuma, pois o Nada se aproxima e poderá ser responsável pela completa destruição do reino de Fantasia. “Esse ambiente é o reflexo metafórico do estado da mente de um garoto que, por sua imaturidade, não soube lidar com a dor da perda da mãe. Mas há um farol em cena, que, simbolicamente, trará a luz para orientar a hora mais escura de nossa história”.

Um dragão branco e um unicórnio azul são bonecos animados pelos próprios atores. Com a técnica de manipulação direta, eles darão vida a estes seres imaginários. De grande porte, serão confeccionados em diversos materiais como: espuma, madeira, isopor, metal, tecidos, borrachas, cristais, acetatos e fibra de vidro. O dragão será feito em tecidos que ficam fluorescentes sob a luz ultravioleta, e o unicórnio trará o brilho de cristais para ganhar o aspecto mágico da irrealidade. “São animais fantásticos, que ainda não foram tragados pelo Nada, e auxiliarão na reconstrução deste reino destruído”, conta Marco. Quando a história sofre a interferência da ação de um garoto humano, a cenografia ganhará cor e vida a partir das criações da mente fértil dessa criança que tem o poder ilimitado de imaginar tudo o que deseja.


Sobre a adaptação de Carla Candiotto e Victor Mendes
A adaptação nasceu como um processo de arqueologia. Com delicadeza, fomos descobrindo o que o autor queria nos dizer e escolhendo os momentos, abrindo mão de alguns personagens e ampliando os significados de outros, fomos criando a nossa história sem fim. Uma versão movida pelo sentimento, pela emoção e sem esquecer, é claro, da diversão. “Sabemos da importância da imaginação para as crianças e esse livro é um prato cheio para mergulhar nesse universo. Já é a meu quarto espetáculo com Carla Candiotto e dessa vez nosso desafio era grande: revisitar um clássico da literatura infanto-juvenil e abrir espaço para o mundo da Fantasia”, comenta Victor Mendes.


Sobre o figurino de Fábio Namatame
A concepção de Fábio Namatame para o figurino do espetáculo obedece a uma linguagem oriental, com inspiração na China, Japão, Índia, Indonésia, Arábia e Egito. Serão vestidos assim os seres fabulosos da história. “Será tudo muito colorido, como uma ilustração antiga, e um filtro ocre para dar o clima cinematográfico, quase uma pintura a óleo”, comenta Namatame. Da tapeçaria aos brocados, os tecidos incluem materiais sintéticos como plástico e tela de nylon, para dar volume. A estamparia também segue a inspiração do Oriente, “mescla de pintura japonesa com arabesco”.  O figurino básico – que recebe as fantasias mais elaboradas em sobreposição - é um saruel e uma camisa. É bordô e tem inspiração nos manipuladores de bonecos balineses.


Sobre a direção de movimento de Roberto Alencar
A diretora considerou o Aikidô a melhor opção para combinar com a estética do espetáculo. Assim a técnica foi escolhida para ser usada na preparação corporal dos atores. “A construção da encenação foi desenvolvida por meio de golpes, onde o bastão e a espada desempenham papel importante”, explica Roberto Alencar. 

Como treinamento, conta Alencar, os atores e atrizes fizeram aulas regulares de Aikidô, sob orientação de Georgette Fadel e Ana Paula Brieda - duas vezes por semana. “Nos exercícios e golpes que esta luta marcial propõe é possível explorar qualidades de presença, escuta, atenção, aterramento, tranquilidade, espacialidade, expansão, controle, precisão e elegância dos gestos”.

A coreografia do criativo para a peça está embrenhada na narrativa, com gestos e ações transportadas para o universo do surreal, do nonsense, sempre com o foco no humor e na diversão a nortear a montagem, marca registrada da diretora. “Fomos trabalhando o universo particular de cada personagem, priorizando o corpo como instrumento para contar a história”, diz. “Carla é uma diretora de teatro que pensa como uma coreógrafa, ela marca todos os momentos do espetáculo – cada gesto e passo dado em cena. Ela tem o pensamento muito coreográfico”, observa Alencar. “Este é um dos espetáculos em que Carla mais lançou mão de recursos multimedia, 'com elementos fortes de cenografia, adereços, bonecos, interação com projeção de vídeo, a referência do figurino'”.


Ficha técnica e serviço
Espetáculo "A História Sem Fim". Drama musicado ao vivo, jovem, 80 minutos - Recomendado para maiores de 10 anos e para toda família, Adaptação: Carla Candiotto e Victor Mendes. Direção: Carla Candiotto. Elenco: Camila Cohen, Eric Oliveira, Ernani Sanchez, Carol Badra, Victor Mendes e Thiago Amaral. Centro Cultural Fiesp. Teatro do Sesi – SP.  Av Paulista, 1313. Estreia dia 31 de março, domingo, às 15h00. Temporada: quintas e sextas-feiras, às 11h00. Sábados e domingos, às 15h00. De 30 de março a 30 de junho de 2024. Gratuito, tem que fazer agendamento pelo aplicativo Meu Sesi.

← Postagens anteriores Próximas postagens → Página inicial
Tecnologia do Blogger.