quarta-feira, 27 de novembro de 2024

.: Resenha: "Arca de Noé" é brasilidade poética de colorido belíssimo

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em novembro de 2024


A cultura brasileira em formato de animação de qualidade para nos orgulharmos do cinema nacional. Eis um resumo simplório de "Arca de Noé", produção dirigida por Sérgio Machado e Alois Di Leo. Num colorido vibrante, estilo dos tempos áureos da Disney, quando encantava rapidamente nas imagens fascinantes, a animação declaradamente baseada nos poemas de Vinicius de Moraes transpira brasilidade.

Para tanto, enquanto aparecem na telona os patrocinadores e apoiadores da obra cinematográfica, o público é provocado diretamente quando alguma voz solta o sonoro pedido: "Começa! Começa!". Eis que logo depois do vozerio de ambiente de confusão, são apresentados os amigos, o tímido Vini e o despachado Tom (Marcelo Adnet). Enquanto que Tom é um guitarrista talentoso e pragmático, Vini é um poeta romântico e sonhador (Rodrigo Santoro). Linda homenagem a Vinicius de Moraes e Tom Jobim! 

Todavia, a dupla de ratinhos que tenta sobreviver por meio de apresentações para públicos ínfimos, acaba sendo atingida por uma notícia fatal: Noé está construindo uma arca e somente entrarão um par de cada espécie para procriação, pois haverá uma duradoura enchente. Vendo que a dupla pode ser desfeita, os dois bolam mil e um planos para que entrem no local que os manterá vivos durante o dilúvio. No entanto, no caminho dos dois surge a ratinha Nina (Alice Braga).

Em meio a canções do álbum "A Arca De Noé", de 1980, de Vinicius de Moraes a luta pela sobrevivência vira o foco dentro da arca, uma vez que o senhor Leão (Lázaro Ramos) quer liderar, entre seus mandos e desmandos, inclusive, quer acabar com os humanos que ali estão. "Arca de Noé", coprodução entre o Brasil e a Índia, é uma excelente releitura de um episódio bíblico, porém vai muito além, assim como o álbum de 1980. Imperdível!

O Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021. Para acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN.

"Arca de Noé" ("nacional"). Ingressos on-line neste linkGênero: aventura, comédia, musicalClassificação: livre. Duração: 1h35. Ano: 2024. Distribuidora: Imagem Filmes. Direção: Sérgio Machado, Alois Di LeoRoteiro: Sérgio Machado. Vozes: Rodrigo Santoro, Marcelo Adnet, Selton MelloSinopse: Vini (Rodrigo Santoro) é um ratinho poeta muito carismático, mas ao mesmo tempo bastante envergonhado. Seu melhor amigo, Tom (Marcelo Adnet), também um roedor talentoso, toca violão como ninguém. Quando a grande inundação é anunciada, os dois precisam entrar na Arca de Noé sem que sejam percebidos, já que apenas um macho e uma fêmea de cada espécie são permitidos. Com muita alegria, música e cantoria, Vini e Tom embarcam nessa aventura arriscada, mas bem acompanhados. Ao longo da jornada, eles encontram outros animais que também buscam abrigo e formam novas amizades, enfrentando desafios juntos. Com a ajuda de seus talentos artísticos, Vini e Tom não apenas tentam garantir seu lugar na arca, mas também inspiram todos ao redor a manter a esperança e a criatividade em tempos difíceis. Arca de Noé é uma história divertida e tocante sobre amizade, coragem e a importância de se unir em momentos de crise. Confira os horários: neste link

Trailer "Arca de Noé"


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terça-feira, 26 de novembro de 2024

.: Crítica: "Santino" traz amostra da vida longe da selvageria da cidade

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em novembro de 2024


A felicidade da vida simples, completamente longe da selvageria da moderna cidade lotada de ruas asfaltadas e seus veículos dispersando deliberadamente poluição no ar. Eis o documentário "Santino", dirigido por Cao Guimarães que mostra, com toque de poesia, o modo do homem que batiza o drama de 1 hora de 28 minutos de duração ver o mundo em que está inserido.

Em meio a crenças, a ponto de afirmar ser possuído, às vezes, por um certa divindade, o cotidiano do veredeiro Santino e sua família na bacia do Rio São Francisco, em Minas Gerais é retratado em meio a tradições de um povo que segue vivo num bioma tão visado por grandes empresários. De fato, Santino faz questão de destacar as ameaças de morte recebidas. 

Consciente, homem da mata que vive com a família no bioma do cerrado, revela-se além de um sonhador, mas um verdadeiro ativista, alertando e ensinando os jovens estudantes a respeitarem as veredas que são formações vegetais bastante úmidas, capazes de abastecerem de água a fauna e o solo do cerrado brasileiro. Vale a pena conferir o documentário da biografia do personagem da história brasileira "Santino"!


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"Santino" ("nacional"). Ingressos on-line neste linkGênero: drama, documentárioClassificação: livre. Duração: 1h28. Ano: 2024. Distribuidora: Livres Filmes. Direção: Cao GuimarãesRoteiro: Cao Guimarães. Elenco: Dênis Lacerda, Souma, Muriel Cruz, Rodrigo Ferrera, Solange Teixeira, Adna Oliveira, Walmick de Holanda, Leo Bahia e Diego MontezSinopse: O cotidiano do veredeiro Santino e sua família na bacia do Rio São Francisco, em Minas Gerais. As veredas são formações vegetais bastante úmidas, que abastecem de água a fauna e o solo do cerrado brasileiro. Confira os horários: neste link

Trailer "Santino"


.: "Babygirl": Nicole Kidman tem romance arriscado com estagiário

Suspense erótico chega aos cinemas de todo o Brasil em 9 de janeiro, com distribuição da Diamond Films


A Diamond Films acaba de revelar o trailer inédito de "Babygirl", aguardado suspense erótico que chega aos cinemas de todo o país em 9 de janeiro. Com distribuição da Diamond Films, o novo projeto da diretora Halina Reijn (“Morte, Morte, Morte”) coloca os astros Nicole Kidman e Harris Dickinson em um jogo de gato e rato sensual, que pode colocar em risco tudo o que a protagonista construiu na sua vida, inclusive seu casamento. 

Considerado um forte título na temporada de premiações, "Babygirl" subverte a dinâmica de poder convencional dos filmes do gênero e traz Kidman no papel de Romy, uma poderosa CEO que começa a viver um caso extraconjugal com o novo estagiário da empresa. 

Além do ator em ascensão e da premiada atriz, que saiu vitoriosa do Festival de Veneza deste ano, o elenco ainda inclui Antonio Banderas como o marido da protagonista e Sophie Wilde como a assistente da executiva.  

"Babygirl" estreia nacionalmente em 9 de janeiro, com distribuição da Diamond Films. Confira a nova prévia!





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.: CCXP 24: Globo leva celebração de 100 anos para 11ª edição do evento

Comemorando 100 anos de Globo em 2025, a empresa marca presença na 11ª edição da CCXP, levando suas principais apostas para o próximo ano. O estande de mais de 1000 m² terá ativações temáticas e interativas, proporcionando diversão e conexão com os fãs. Entre os conteúdos que serão ativados no espaço estão "Vale Tudo", "Guerreiros do Sol", "Vermelho Sangue", "BBB", "Arcanjo Renegado" e Esporte. Um palco na esquina de maior visibilidade do estande se transforma em ponto de encontro, com a participação de artistas em bate-papos e meet & greet com o público.

No fim de semana, o palco Thunder recebe artistas e personalidades como Alice Wegmann, Ana Clara, Deborah Secco, Érika Januza, Isadora Cruz, Leticia Vieira, Luis Lobianco, Marcello Melo Jr, Renato Góes, Sabrina Sato e Thomás Aquino, entre outros, para apresentar novidades exclusivas para o público da CCXP.  No sábado (7), às 13h45, o Globoplay celebra seus 10 anos como a maior plataforma brasileira de streaming e leva ao palco conteúdos inéditos. E no domingo (8), às 15h45, será a vez da TV Globo antecipar informações inéditas da tão aguardada releitura de "Vale Tudo", um dos pontos altos da celebração de 60 anos da TV.

.: Entrevista: Rodrigo Cabral fala sobre a estreia poética com o livro “refinaria”


A obra reflete sobre emoções e vivências a partir das mudanças cenográficas da Região dos Lagos, no Rio de Janeiro. Foto: Mariana Ricci


A poesia de Rodrigo Cabral ganha forma em “refinaria”, primeiro livro dele, lançado pela Sophia Editora durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) 2024. O livro mergulha na transformação da paisagem da Região dos Lagos (RJ) e da memória do autor, utilizando versos acompanhados por ilustrações de Rapha Ferreira. O prefácio foi escrito por Júlia Vita, que também editou a obra, e a orelha é assinada por Thiago Freitas

Rodrigo Cabral, 34 anos, nasceu em Campos dos Goytacazes e cresceu em Cabo Frio, onde fundou a Sophia Editora. Poeta e editor premiado, foi segundo lugar no prêmio Off Flip de 2024 na categoria Contos e destaque na categoria Poesia. Em 2023, conquistou o terceiro lugar no Festival de Poesia de Lisboa. Entre suas influências, estão nomes como Ferreira Gullar e Carlos Drummond de Andrade, além de obras como “Água-mãe”, de José Lins do Rego.

Nas páginas de “refinaria”, os poemas de Cabral traduzem o movimento incessante da vida e do território, a partir de uma linguagem que une referências locais e universais. Inspirado por Cabo Frio, cidade onde observa a Laguna de Araruama e a figueira centenária de sua infância, o autor reflete sobre memória, família e os processos internos da escrita. A obra também explora paralelos entre a geologia do pré-sal e a história da cana-de-açúcar em Campos dos Goytacazes. Leia abaixo a entrevista completa com o autor sobre o processo de composição do livro. Compre o livro "refinaria" neste link.

Se você pudesse resumir os temas centrais do livro, quais seriam?
Rodrigo Cabral - Nasci em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, e fui criado em Cabo Frio, na Região dos Lagos. Tenho uma ligação forte com a cidade, sobretudo porque praticamente vim ao mundo numa redação de jornal, já que meu pai, também jornalista, começou a editar, no ano do meu nascimento (1990), o periódico Folha dos Lagos. Fui criado na Rua Alice Torres, conhecida como “rua da árvore” devido a uma imponente figueira empostada perto do Canal do Itajuru, que liga a Laguna de Araruama à Praia do Forte. Durante a infância, caminhávamos pelas salinas até chegar ao mercado. Era um descampado, uma paisagem de sol e de sal que ainda faz pratear a memória. Todo esse cenário mudou. As salinas deram lugar a um novo bairro, o Novo Portinho. A “rua da árvore”, antes de terra, agora é asfaltada. Um antigo hotel jangada, onde crianças experimentaram os primeiros goles de Coca-Cola, também não está lá. Essas transformações estão na raiz de um poema cujo título é justamente “refinaria”. No livro, trato dessa refinaria de memórias, de cenários, do próprio texto editado, e isso com um olhar para o território: a restinga, as águas da Laguna de Araruama, as casuarinas, o sangue do operário cuja história e identidade o vento levou… Como editor da Sophia, tenho trabalhado há anos para formar catálogo com o objetivo primeiro de trazer à luz temas pertinentes à história, à memória e ao patrimônio histórico material e imaterial. Isso se tornou uma das principais características da editora. Naturalmente, a produção da Sophia também deságua na minha escrita.

O que motivou a escrita do livro?
Rodrigo Cabral - Comecei a escrever “refinaria” no início de 2022. Naquele período, tinha algumas ideias e livros pela metade, na gaveta. Em algum momento, percebi que o primeiro precisava partir daqui, do meu lugar. Precisava ser um abrir de janelas para os cenários que estavam diante de mim. Era necessário ouvir o que esses cenários diziam sobre as memórias, sempre borradas e fragmentadas. É claro que isso, no poema, transforma-se em outro espaço, em outro tempo, e é reescrito de acordo com as percepções de quem lê. De todo modo, o que me moveu, primeiro, foi me reconhecer como um poeta da restinga. Ou um “poeta da orla”, como escreve a Júlia Vita no prefácio.


Como foi o processo?
Rodrigo Cabral - Boa parte da produção surgiu durante a oficina do Marcelino Freire e da formação em poesia promovida pela Escola da Palavra, coordenada por Rafael Zacca e Lucas van Hombeeck. Na sequência, conheci a Júlia Vita, poeta e autora do livro “Água-viva”, publicado pela Córrego. Júlia foi a editora de “refinaria”. A partir das provocações e da sensibilidade dela, deixamos poemas de lado, acrescentamos outros e, então, depois de tantos processos, chegamos à versão final.


Em sua análise, quais as principais mensagens que podem ser transmitidas por “refinaria”?
Rodrigo Cabral - 
O livro é uma tentativa de apreender o que está lá fora. Ou seja, a poesia não está no livro. Está no que foi vivido.  Acredito na poesia que se aproxima da vida com toda a sua camada de complexidade, controvérsia, dualidade e mistério. Concebo a obra, portanto, como refinaria, não em busca de compreender, tampouco de decifrar, mas, sim, de contemplar os processos de transformação de um território, de um indivíduo, de uma escrita; e, também, de analisar, com a ponta dos dedos, aquilo que não evapora, aquilo que permanece.

Você acredita que a escrita te transformou de alguma forma?
Rodrigo Cabral - 
Durante o processo de montagem de “refinaria”, não apenas a escrita mudou, como o escritor, ao se deparar, de repente, com fragmentos de memória no espelho d’água. O livro, aliás, parte do pressuposto de que tudo é, necessariamente, mudança contínua. A partir da escrita de “refinaria”, passei a me interessar cada vez por vasculhar cenários e palavras pertinentes aos lugares que habito ou que habitei. Durante o processo, por exemplo, escrevi o conto “O Encontro do Lamparão com a Galesca”, que trata de um diálogo entre o linguajar de Arraial do Cabo, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, e o de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense. O conto ficou em segundo lugar no Prêmio Off Flip de Literatura em 2024.


Como a bagagem do que você escreveu anteriormente ajudou na construção da obra?
Rodrigo Cabral - 
Como autor, carrego a bagagem dos livros que escrevi e que não publiquei e, principalmente, dos que vivi e ainda não escrevi — ainda. Afinal, “refinaria” é meu primeiro livro. Como editor, posso falar que fui muito influenciado pelas obras publicadas pela Sophia e pelos estudos de pesquisadores da Região dos Lagos, como Ivo Barreto, Meri Damaceno, Leandro Miranda, Luiz Guilherme Scaldaferri, Gessiane Nazario, João Cristóvão, José Correia Baptista, entre tantos outros.


Desde quando escreve poesia?
Rodrigo Cabral - 
Rabisco poemas desde novo. As produções iam ficando por cadernos e arquivos em antigos computadores. De repente, dei-me conta de que a vida é curta e de que precisava organizar meus textos. Publiquei um fanzine com o Subverso, selo literário independente coordenado pelo meu amigo e poeta Frederico Tavares, e depois também passei a colaborar com alguns sites literários, como o Fazia Poesia.

Por que escolheu esse gênero? 
Rodrigo Cabral - 
A poesia não foi uma escolha racional. Foi algo que se impôs naturalmente diante de uma pulsão, uma necessidade de escrever por meio de imagens, recortes, melodias descompassadas, delírios. E a poesia é, também, um lugar da rebeldia, da desordem, da alucinação por meio da palavra, da invenção e da desinvenção. Um grito contra dias maquinais e automatizados.


Quais são suas principais influências artísticas e literárias?
Rodrigo Cabral - 
Entrei no processo de escrita sob muita influência de escritores como Roberto Piva, Claudio Willer, Lawrence Ferlinghetti (este também um poeta-editor, fundador da lendária City Light Books), Jack Kerouac, Allen Ginsberg, Ferreira Gullar, Carlos Drummond de Andrade, Olga Savary, entre tantos outros. Aliás, conheci o Rapha Ferreira, artista plástico que assina as ilustrações do livro, enquanto ele declamava “A piedade”, poema do Piva, durante uma feira literária. 

Quais influenciaram diretamente a obra?
Rodrigo Cabral - Destaco especialmente a influência de José Lins do Rego, mais especificamente sua obra “Água-mãe” (1941). Trata-se do primeiro romance do escritor paraibano a ser ambientado fora do Nordeste. Foi justamente Cabo Frio que inspirou José Lins do Rego a escrever o livro. Ele esteve aqui durante a década de 1930 a trabalho — era fiscal de imposto de consumo. Apaixonou-se pelas paisagens e as colocou em seu livro — as casuarinas, a figueira, a fantasmagórica casa azul e a Laguna de Araruama, muitas vezes referenciada por ele apenas como “Araruama”, espécie de entidade. Fato curioso é que, no poema “refinaria”, falo sobre uma imponente figueira, a única coisa que não muda na “rua da árvore”. Em “Água-mãe”, José Lins do Rego também descreve uma figueira que estaria localizada bem próxima às águas da Araruama. O historiador Elisio Gomes diz que a figueira da Rua Alice Torres — a “rua da árvore” — é a mesma narrada escritor. Coincidências à parte, fato é que um trecho da obra de José Lins do Rego serve de epígrafe principal do meu livro e para um dos poemas. O título é dividido em dois capítulos. Cada um deles carrega uma epígrafe: o primeiro é um poema escrito por Olga Savary enquanto esteve em Arraial do Cabo e publicado em Sumidouro (1977); e, o segundo, extraído de uma canção de Victorino Carriço, chamada “Baixo Grande”. Aliás, o contato com a obra poética de Carriço, poeta nascido em São Pedro que se transformou em flâneur, indo e vindo sempre com um versinho no bolso, também foi bastante significativo. Estive em contato com a poesia dele a vida inteira, já que se trata do autor do hino da escola em que estudei desde os seis anos e, também, do hino de Cabo Frio e de outros municípios da região. Tanto tempo depois, tive a oportunidade de conhecer sua produção com ainda mais intimidade, já que me tornei amigo de sua filha Ercilia Carriço (in memorian) e de seus netos Fernanda Carriço e Junior Carriço, este um grande poeta e autor de um dos meus livros de cabeceira — “Recovecos” (2017, Editora Comunicação). 


Como você definiria seu estilo de escrita? Que tipo de estrutura você adotou ao escrever a obra?
Rodrigo Cabral - 
No início dos processos de composição, estava interessado na imagem em estado bruto; no poema em estado bruto também, como forma. Queria escrever poemas longos, em fluxo de consciência, guiando-me por flashes de memória. Depois, fui trabalhando e retrabalhando, refinando, mas ainda assim muitos dos poemas mais longos venceram a imposição do refino e continuaram com essa característica, digamos, impolida. Em contraposição, mais adiante passei a me interessar mais pela concisão, pelo lampejo que um poema curto pode oferecer. Lembro que fiz um arquivo chamado “pitadas de sal” com esses poemas menores para apresentar à Júlia Vita, editora do livro. Então, “refinaria” traz também essa contraposição de formas, mas não de forma segmentada. Os poemas caudalosos e os enxutos estão entrelaçados. Falo sobre os processos de refino de memórias, de sentimentos e de percepções e, em contraponto, digo que é necessário inaugurar uma antirrefinaria, o que tem a ver com a espontaneidade, com a vida que precisa ser vivida de bate-pronto, com o texto escrito sem tanta racionalização, pelo menos num primeiro momento. O que é a vida sem um porém?


Você escreve desde quando?
Rodrigo Cabral - 
Praticamente nasci numa redação de jornal, que a frequentei desde muito novo para esperar meu pai no trabalho. O cheiro de jornal impresso sempre foi muito forte durante toda a minha vida. Durante a adolescência, quis entrar para aula de música. Pedi um violão ao meu pai. Ele negociou que atenderia a meu pedido, mas, antes, eu deveria fazer uma espécie de “estágio”, para que eu escrevesse algumas redações. E lá fui eu. Os textos eram sempre corrigidos com muita tinta vermelha. No fim das contas, ganhei o violão, que me acompanha até hoje, e um gosto pela escrita e pela edição, também. Veja bem, não tenho medo da caneta vermelha. Essa é a refinaria — editar e ser editado, inclusive pelo leitor — necessária para viver, para terminar uma obra. Algumas dessas memórias estão no poema “chefe”. Anos depois, decidi cursar Jornalismo. Acontece que, confesso, a objetividade e a realidade muitas vezes sufocam. Escreveu Mallarmé: “É de ficar admirado que não exista uma associação, em todas as grandes cidades, entre os sonhadores que aí permanecem para supeditar um jornal que observe os acontecimentos sob a luz própria do sonho”. Estou tentando, ao meu jeito.


Você tem algum ritual de preparação para a escrita? Tem alguma meta diária de produção?
Rodrigo Cabral - 
Tenho feito diário de escrita, o que ajuda bastante. Algumas vezes, palavras ou frases se intrometem na minha mente. Digo que são “galhos”. Posso puxar e descobrir uma árvore inteira. Ou posso ignorar, deixar para lá, dizer que depois me sento para escrever — geralmente é a pior opção, porque o próximo dia pode ser de terra arrasada.


Quais são seus projetos atuais de escrita?
Rodrigo Cabral - 
Quero continuar a refinaria. Não esta, pois agora já é texto consolidado. Meu desejo é escrever mais poemas e um romance. Meu desejo é escrever. 

.: "José De Quadros: sobreVIVER Ainda": compilação, dois ensaios e entrevista


Evento de lançamento conta com bate-papo e sessão de autógrafos nesta terça-feira, dia 26 de novembro, às 19h00, no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc SP


Em edição bilíngue, "José De Quadros: sobreVIVER ainda" apresenta a obra do pintor e desenhista José De Quadros, artista brasileiro que se divide em ateliês em dois países: um no Itaim Paulista, na Zona Leste da cidade de São Paulo; outro na cidade de Kassel, na Alemanha. A publicação traz um retrospecto de sua produção artística dos últimos 30 anos dividida em séries distintas evidenciando uma produção que reflete sobre questões sociais e dilemas humanos, como segregação, racismo e/ou perseguição. 

Conforme ressalta a organizadora Tereza de Arruda, o artista retrata “um cotidiano sedimentado por inúmeras camadas de acontecimentos históricos e histórias que norteiam seu universo”. O lançamento acontece no dia 26 de novembro, terça-feira, a partir das 19h00, no Centro de Pesquisa e Formação, com bate-papo entre a organizadora Tereza de Arruda e o pintor e desenhista José De Quadros, mediado por Bel Santos Mayer. O bate-papo será seguido por sessão de autógrafos. 

Além das obras, a publicação traz um ensaio da organizadora Tereza de Arruda sobre a vida e a produção do artista, indicando que a vivência entre os dois continentes permite José De Quadros investigar essas realidades interculturais permeadas por dimensões sociopolítico-culturais que as moldam e que se manifestam distintamente em suas composições. A edição conta, ainda, com artigo de Rita de Fitas sobre a série “Jogos de Armar” — que utiliza técnicas mistas sobre jornais alemães publicados entre 1931 e 1949 — e traz também uma entrevista com De Quadros realizada por Bel Santos Mayer e o coletivo Vozes Daqui de Parelheiros. Compre o livro neste link.


O que disseram sobre o livro

“Como se vê, é também a duplicidade de inserções que advém com a reapresentação de uma obra plástica pela plataforma editorial, com os códigos próprios a esta última, incrementando o acesso a uma trajetória de mais de três décadas por intermédio da reunião e contextualização crítica das criações de José De Quadros.”- Luiz Deoclecio Massaro Galina, Diretor Regional do Sesc São Paulo

“A cada época há novas perguntas que demandam novas respostas. As séries de obras realizadas por José De Quadros durante sua carreira atuam como ferramentas de apoio nesse processo, pois tratam de temas e demandas sociopolítico-culturais emergenciais da nossa realidade e de âmbito universal. Elas nos auxiliam no processo de reparo. Isso no duplo sentido de olhar, observar, notar e igualmente no ato de rever, consertar, renovar!”. - Tereza de Arruda, organizadora do livro.

Sobre a organizadora
Tereza de Arruda é mestre em História da Arte pela Universidade Livre de Berlim e vive entre o Brasil e a Alemanha, como o artista José De Quadros. Ela teve a oportunidade de acompanhar de perto a vivência e a produção artística de Quadros nos dois continentes. Atua como curadora de suas exposições individuais e coletivas.

Sobre o artista
José De Quadros
nasceu em 1958 em Barretos, SP. Iniciou seu percurso como autodidata ainda no Brasil. Um longo caminho o levou à Alemanha, onde ingressou na Faculdade de Artes Plásticas de Kassel, formando-se em 1998 com especialização em Pintura com o professor Kurt Haug.


Ficha técnica:
"José De Quadros: sobreVIVER ainda"
Organizadora: Tereza de Arruda
Edição: 1ª
Editora: Edições Sesc
Ano: 2024
Páginas: 256
ISBN: 978-85-9493-296-9
Idioma: português/inglês
Compre o livro neste link.


Serviço
Evento de lançamento do livro "José De Quadros: sobreVIVER ainda"
Dia 26 de novembro, terça-feira, a partir de 19h
Bate-papo entre Tereza de Arruda e José De Quadros, Bel Santos Mayer, seguido de sessão de autógrafos.
Todas as idades. Grátis
Inscrições: sescsp.org.br/cpf


Centro de Pesquisa e Formação
R. Dr. Plínio Barreto, 285, 4º andar
Bela Vista, São Paulo - SP, 01313-020
www.sescsp.org.br/unidades/14-bis/

.: Candide anuncia com exclusividade o Funko Pop! de Ayrton Senna


Em 2024, o mundo celebra os 30 anos do legado de Ayrton Senna, tricampeão mundial de Fórmula 1, cujo talento, coragem e superação o transformaram em uma fonte inesgotável de inspiração para gerações no Brasil e ao redor do mundo. Sua trajetória transcende o esporte: é lembrada por sua paixão inabalável pela velocidade, seu compromisso inquestionável com a excelência, sua busca incansável pela verdade e, acima de tudo, pelo profundo amor ao seu País. Essas qualidades fizeram de Senna mais do que um grande piloto, um verdadeiro herói nacional até mesmo para aqueles que não tiveram a oportunidade de vê-lo em ação.

Ao longo do ano, o legado do piloto brasileiro é celebrado com diversas homenagens ao redor do mundo, com ações dentro e fora das pistas de corrida, inclusive com uma série sobre sua vida e carreira. Em sintonia com esse momento especial para os fãs, a Candide e a Funko anunciam um lançamento que promete encantar todos os admiradores da trajetória de Senna: três versões exclusivas de Funko Pops.

Os bonecos capturaram momentos icônicos da carreira de Ayrton Senna. Dois deles representam suas passagens marcantes pela Lotus e McLaren, com seus macacões emblemáticos e o capacete icônico. O terceiro modelo, conhecido como Funko Rides, apresenta uma réplica rica em detalhes do carro amarelo que Senna pilotou enquanto corria pela Lotus na temporada de 1987.


A importância de Senna até os dias de hoje
A admiração por Ayrton Senna vai muito além das pistas. Sua personalidade, ética e sua maneira de se relacionar com as pessoas o tornaram um ícone de inspiração, especialmente no Brasil. "Senna não foi apenas um piloto, ele foi um exemplo de dedicação, superação e generosidade. Hoje, vemos seu legado sendo celebrado de diversas formas, como esta parceria com a Funko, que evoca a emoção do público ao ficar um pouco mais perto de sua história e levar um pouco de Senna para dentro de casa", comenta Bruno Verea, diretor de marketing da Candide.

Bianca Senna, sobrinha de Ayrton e CEO da Senna Brands, empresa que gerencia a imagem e as marcas do piloto, também expressou sua alegria com o lançamento. "A figura do Ayrton Senna transcende o automobilismo, inspirando gerações a buscarem sempre sua melhor versão e nunca desistirem dos seus sonhos. Com este Funko Pop Ayrton Senna, damos aos fãs a oportunidade de levar um pedaço desses valores para suas casas, celebrando o legado de um dos maiores ícones do esporte mundial”, declara.

Quem visitar a CCXP24, de 05 a 08 de dezembro, terá a chance de garantir os bonecos Funko Pop! que estarão disponíveis em quantidade limitada no estande da marca, além de conferir de perto a exposição do emblemático capacete e macacão da Lotus, usados por Senna na temporada de 1987. Na segunda semana de dezembro, será o lançamento oficial dos produtos nas principais lojas do mercado.

Boneco Funko Pop! Racing McLaren - Ayrton Senna: esta versão do piloto retrata Senna segurando seu icônico capacete e usa o famoso macacão vermelho da McLaren, equipe pela qual conquistou três títulos mundiais nos anos de 1988, 1990 e 1991.

Boneco Funko Pop! Racing Lotus - Ayrton Senna: com o capacete clássico e o macacão amarelo, essa figura homenageia um dos momentos mais marcantes da carreira de Senna, quando conquistou sua primeira vitória no prestigiado circuito de Mônaco, em 1987.

Boneco Funko Pop! Rides Deluxe Lotus - Ayrton Senna: neste modelo especial, Senna está no lendário carro de Fórmula 1, o Lotus 99T, que na época foi equipado com a inovadora suspensão ativa. Foi com este carro que Senna conquistou algumas vitórias, entre elas sua última pela Lotus, no circuito de Detroit em 1987.

segunda-feira, 25 de novembro de 2024

.: Diálogo de James Baldwin com a poeta Nikki Giovanni na revista "Serrote"


A 48ª edição da "Serrote", revista de ensaios do Instituto Moreira Salles, já está disponível nas livrarias, com destaque para a publicação na íntegra, pela primeira vez em português, do celebrado diálogo de James Baldwin (1924-1987) e Nikki Giovanni (1947). A conversa entre eles aconteceu em novembro de 1971 num estúdio em Londres, e foi exibida no talk-show "Soul!", programa revolucionário que, entre 1968 e 1973, levou à TV pública americana artistas e pensadores negros consagrados do país.

Escritores e ativistas, Baldwin e Giovanni discorrem sobre diversos assuntos, como questão racial, liberdade, justiça, religião e poder, num confronto entre pensadores de gerações diferentes – ele tinha na ocasião 47 anos, e ela, 28. É na divergência entre eles, temperada sempre com polidez, que o diálogo ganha força. O texto é entremeado por frames da entrevista, tratados como ilustrações. Um deles, de James Baldwin, estampa a capa da edição, um feito inédito em 15 anos na história da revista que sempre circulou com uma arte na capa.

A publicação traz também os textos das três autoras premiadas na edição deste ano do Concurso de Ensaísmo serrote. Primeira colocada, a poeta e artista visual Tetê (1998), nascida em Marabá (PA) e residente em Recife, com atuação também na cena musical, assina o ensaio “Políticas Espaciais do Afeto". Seu trabalho cruza as noções técnicas de arquitetura e urbanismo e vivência pessoal para implodir muros historicamente erguidos entre classes sociais, ideias e sexualidades.

Original e muito bem costurado, o texto é demarcado pela pauta do deslocamento: de chegar num lugar (no seu caso, a universidade pública) a partir da política de cotas e não conseguir transpor as distâncias sociais. A autora acaba de ser contemplada no Concurso de Residências Artísticas da Fundação Joaquim Nabuco, onde dará continuidade à sua pesquisa em arquitetura e urbanismo com foco na admissão das dissidências.

Segundo lugar no concurso, a antropóloga Camila de Caux (1982), mineira residente em São Paulo, evoca no ensaio “Vestígios da Natureza” a trajetória de Tibira, pessoa Tupinambá executada cruelmente pelos invasores franceses no Maranhão do século XVII. A autora faz uma reflexão contemporânea sobre a plasticidade de gêneros e identidades e as violências que permeiam a história.

Escritora nascida em Sergipe, mas residente em Porto Alegre, Maria Isabela Moraes (1990) conquistou o terceiro lugar como um ensaio pessoal sobre como enfrentou as enchentes que devastaram a capital gaúcha em 2024, para onde se mudara um ano antes. Ela foge ao óbvio para construir uma espécie de diário, em que narra seu cotidiano enquanto testemunha o mofo tomar conta do apartamento onde mora.

A revista publica ainda um texto sofisticado – pelas pontes históricas que constrói – do historiador italiano Carlo Ginzburg (1939). “Fake News?” faz parte do livro Secularism and its ambiguities (2023), versão ampliada de uma série de conferências realizadas na Central European University, em Budapeste, em 2019. A interrogação do título, explica o autor, “está ali a fim de criar alguma distância em relação a um fenômeno que, com demasiada frequência, é tido por óbvio. Tomar distância pode nos ajudar a abordar as fake news de um ângulo oblíquo", diz ele.

Outro texto desta edição que conversa com a atualidade é o da americana Moira Weigel (1984), professora de estudos da comunicação na Northeastern University e pesquisadora associada da Harvard Society of Fellows, de quem a serrote #29 já publicou o ensaio “Um álibi para o autoritarismo". Na serrote #48 ela contribui com o ensaio “O algoritmo Adorno", em que aborda como o pensamento frankfurtiano ajuda a compreender as novas encarnações do fascismo.

Também nesta edição, um texto da carioca Bianca Tavolari (1988) escrito no marco dos 50 anos do golpe que derrubou Salvador Allende. Professora de direito da FGV, Bianca é neta de um deputado chileno preso e torturado pela ditadura do general Augusto Pinochet. Em “Santiago, 2023”, ela narra os cinco dias de setembro de 2023 em que percorreu as ruas e os memoriais da capital chilena, unindo o luto íntimo ao luto coletivo de uma nação.

Historiador que se especializou, em sua formação acadêmica na Universidade de Sheffield, nas culturas da bebida e intoxicação no início da Inglaterra moderna, o inglês James Brown revela, no texto “Feitiçaria Líquida”, como o gim, o ser introduzido na Inglaterra dos séculos 18 e 19, esteve no centro de uma cultura de delírio, loucura, alegria e morte.

Diplomata e um dos mais importantes tradutores da língua inglesa, Jorio Dauster (1937) verteu para o português autores como J. D. Salinger, Thomas Pynchon, Philip Roth, Ian McEwan, Jonathan Franzen, Paul Auster, Virginia Woolf e Vladimir Nabokov – é sobre este último que ele escreve no ensaio O professor Nabokov. Como o título antecipa, Dauster discorre não sobre o romancista célebre de Lolita, mas sobre o professor que encantava alunos nas instituições em que lecionava, tendo palestras e aulas reunidas em antologias como Lições de literatura, Lições de literatura russa e Lições sobre Dom Quixote. O texto é ilustrado com uma caricatura de Cássio Loredano.

Ainda nesta edição, Allan K. Pereira (1990), nascido em Queimadas (PB) e professor de história da Universidade Federal da Fronteira Sul, no campus de Erechim (RS), escreve sobre como as revoltas pela execução do adolescente afro-americano Michael Brown na cidade de Ferguson, no estado do Missouri, em agosto de 2014 inspiram as lutas contra o movimento global antinegritude. O ensaio “Ferguson, dez anos depois" parte da tese Impróprios para a história: rebelião, tempo e antinegritude em Ferguson, ainda não publicada, defendida no Programa de Pós-Graduação em História da UFRGS em 2022.

A serrote #48 publica ainda um ensaio visual da artista mineira Solange Pessoa (1961). O designer gráfico Daniel Trench, diretor de arte da revista, apresenta a série de desenhos, chamando atenção para o peso e o volume que “parecem afixar essas figuras fugidias no papel". Também presentes nesta edição, trabalhos dos artistas Alvaro de Lara, Nara Amelia, Pedro França, Jorge Tacla, Regina Silveira e Damon Davis.

.: De Sérgio Corrêa, "Clara & Vincent" traz olhar humano para Van Gogh


Famoso por suas pinceladas fortes, tons vivos e imagens de girassóis, Vincent Van Gogh é um dos pintores mais adorados do mundo. Apesar da popularidade atual, a biografia dele é marcada por pobreza, relacionamentos fracassados e muitas especulações sobre uma suposta loucura que lhe rendeu a alcunha de "gênio incompreendido”. Hoje símbolo da cultura pop, ele ganha uma história mais comum e sem idealizações no livro "Clara e Vincent", do escritor Sérgio Corrêa.

O ponto de partida do romance é a temporada que o holandês passa no interior da França, pouco antes de morrer. Em 1888, o pintor até então desconhecido e malsucedido muda-se para Arles. Com esses elementos inspirados na história real do artista, a ficção inicia quando Van Gogh conhece Clara, uma jovem arlesiana responsável por lhe entregar o pão diariamente.

Ao entrar em contato com a obra artística dele, a moça se apaixona por seus quadros e personalidade criativa. Inspirada pela natureza de Arles, ela o incentiva a usar novas cores e elementos em seus quadros, como os famosos girassóis, e se torna testemunha da realização de algumas das telas mais famosas de Vincent. A convivência faz nascer uma paixão profunda que despertará o lado mais belo dos dois e transformará a história da arte mundial.

O livro é uma ficção que busca ir além do senso comum criado ao redor da figura de Van Gogh, e, para isso, o autor mergulha nas emoções e na psique dos personagens. “Isso proporciona uma visão mais íntima e sensível da experiência do artista, destacando como o amor e o apoio emocional podem ter impactado sua criatividade e bem-estar”, explica Sérgio Corrêa. O destaque está no modo como ele foge da associação corriqueira do pintor com a loucura, e constrói um personagem complexo e instável, movido principalmente pelo desejo de representar a beleza do mundo em sua arte.

Com descrições de obras conhecidas como “Noite Estrelada sobre o Ródano”, e das belas paisagens da Provença, "Clara e Vincent" é um retrato delicado sobre duas pessoas unidas pela sensibilidade e pelo fascínio com a vida. É uma leitura para agradar os fãs de romances históricos, assim como os das artes. Compre o livro "Clara e Vincent" neste link.

Trecho do livro
"Clara sentiu o ar lhe faltar. Ela tinha visto Vincent montá-lo, mas, de onde se encontrava, mesmo tendo uma imagem próxima do ponto de vista dele, nada daquilo que ali estava ressaltou aos seus olhos. Como podia ter ele visto daquela forma? A luz era exatamente aquela, lembrava-o bem. Ali estava um momento único, fixado na retina do pintor, transposto para a tela numa sobreposição de camadas de tinta que lhe dava composição tridimensional e faziam as imagens saltarem da tela numa pantomina de cores, acrescentando-lhe vida própria. Era a paisagem por detrás de sua casa, porém, como que vista em sonho. Um sonho maravilhoso, de cores intensas, explodindo de vida." ("Clara e Vincent", pág. 30)

Sobre o autor
Sérgio Luiz Almeida Corrêa
nasceu em 1958, em Colatina, no Espírito Santo. Formou-se em Odontologia pela UFES e, em 1988, mudou-se para Portugal. Estreou como escritor com o romance O Aroma do Café em Flor, premiado no Concurso Internacional de Literatura da União Brasileira de Escritores (UBE), no Rio de Janeiro. Seu mais recente livro é Clara e Vincent. Redes sociais do autor: Facebook: /drsergiocorrea e Instagram: @sergiocorreautor. Garanta o seu exemplar de "Clara e Vincent" neste link.

Ficha técnica
Livro "Clara e Vincent"
Autor: Sérgio Côrrea
ISBN: 978-65-5872-374-5
Número de páginas: 150
Compre o livro neste link.

.: "Fins & feriados": contos festivos para abraçar a transitoriedade da vida


Para alguns, datas comemorativas remetem a uma saudade quase palpável, parecida com um vazio existencial causado pela transitoriedade do tempo. Para outros, há a sensação de renovação, um desejo de celebrar não apenas o que foi, mas o que está por vir. A partir desses sentimentos paradoxais, o escritor G. H. Oliveira lança "Fins & Feriados", uma coletânea de contos que contempla começos e términos representados pelas festividades.

Com elementos do realismo fantástico, o autor retrata em cinco textos diferentes personagens e cenários para criar uma atmosfera que mescla reflexões filosóficas a situações cotidianas. Em "Neve Vermelha", por exemplo, a morte e o medo são explorados no dia do Halloween, quando, todo ano, as bruxas atingem o ápice de seus poderes e se aproveitam disso para invadir o vilarejo dos humanos.

Os personagens precisam lidar com a ideia de que, embora as festividades se repitam, as experiências e emoções não se renovam de forma igual, revelando a impermanência da vida, como é o caso do conto “Para Onde as Estrelas Vão” (Natal). Já em "Memórias de Um Milagre" (São João), o luto e a tentativa de encontrar um sentido após a perda são centrais. Enquanto em "Todas as Certezas" (Páscoa), uma morte injusta coloca em perspectiva crenças e verdades da protagonista.

"Fins & Feriados" transita ainda por temas como amor, fé, fragilidade da vida, crenças, natureza cíclica, rituais e tradições. O livro é uma mediação sobre finais, tanto literais quanto simbólicos, e sobre como as celebrações, que muitas vezes representam recomeços, também são momentos de mudanças e despedidas.

Vencedor do Prêmio Conto Inesquecível da Amazon com “Nem Sempre É Para Sempre” (Dia dos Namorados), também presente neste lançamento, G. H. Oliveira apresenta um olhar introspectivo e sensível sobre as complexidades da existência humana, desde conflitos emocionais experenciados pelos personagens até momentos de alienação diante de situações externas. Compre o livro "Fins & Feriados" neste link.


Sobre o autor
Guilherme Henrique Vieira de Oliveira
nasceu em Teresópolis, mas cresceu em Volta Redonda, no interior do Rio Janeiro. Formado em Sistemas de Informação, divide seu tempo entre códigos e escrever histórias. É autor de "O Viajante do Tempo", um dos contos incluídos à coletânea do Prêmio OFF FLIP 2023. Agora ele lança seu livro de estreia "Fins & Feriados", que reúne cinco histórias baseadas em datas festivas. Dentre elas, a comédia romântica "Nem Sempre É Para Sempre", que foi vencedora do Prêmio Conto Inesquecível promovido pelo Amazon KDP. Acompanhe o autor no Instagram: @ghescritor. Garanta o seu exemplar de "Fins & Feriados" neste link.


Trecho do livro
"A morte não é uma questão de querer, é uma consequência. Ela vai acontecer. Tudo que você pode fazer é garantir que, quando ela te encontre, não tenha desperdiçado sua existência em uma vida vazia. Se você vive por algo maior, nunca morre de verdade." ("Fins & Feriados", pág. 199)

Ficha técnica
Livro "Fins & Feriados"
Autor: G.H. Oliveira
Editora: Clube de Autores
ISBN: 9786558727484
Número de páginas: 334
Compre o livro neste link.

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