sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

.: Lenine: novo álbum marca um manifesto de liberdade


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: dibulgação

Com a urgência de quem transforma criação em gesto de liberdade, Lenine volta à cena com o álbum “Eita”, reafirmando sua autonomia artística e o vínculo visceral com o Nordeste. Após dez anos sem lançar um disco de estúdio, o artista retorna com uma obra que exalta a força criadora de suas origens e consolida sua posição de referência na música brasileira.

Disponível nas plataformas de streaming, o projeto vem acompanhado de um audiovisual em média-metragem, no YouTube, que amplia o universo sensorial das canções e reafirma a habilidade de Lenine de transformar som em imagem – desta vez, assumindo também o papel de intérprete visual da própria obra.

O disco é também uma celebração com seus parceiros e com seu coletivo sonoro. São 11 faixas inéditas que cruzam o contemporâneo e a tradição, com arranjos de artistas como Carlos Malta, Henrique Albino e Martin Fondse, sob direção artística do próprio Lenine e produção musical de Bruno Giorgi.

“Eita”, expressão popular que pode ser espanto, encanto ou celebração, dá nome a uma obra em que tudo parte da primeira pessoa. É o disco mais pessoal de Lenine; um trabalho de domínio total sobre criação, gravação, som e imagem. “Empoderei-me de todos os meios, todos os caminhos, todas as etapas”, pontua o artista, que assina cada camada do processo, em uma afirmação de independência e liberdade criativa.

O álbum é também uma grande homenagem ao Nordeste, território de origem e imaginação de Lenine, que ressoa em cada batida, palavra e silêncio. Não à toa, é dedicado a Dominguinhos, Hermeto Pascoal, Letieres Leite e Naná Vasconcelos. O disco reúne jovens compositores, como Carlos Posada e Gabriel Ventura; além de nomes  consagrados (Arnaldo Antunes, Dudu Falcão, João Cavalcanti, Lula Queiroga e Siba), e homenageia o Terreiro Xambá com a força ancestral da família Bongar, que traz seus toques, loas e danças.

As participações de Maria Bethânia (“Foto de Família”, de Lenine e João Cavalcanti), Maria Gadú (“O Rumo do Fogo”, de Lenine e Lula Queiroga), Siba (“Malassombro”, de Lenine e Siba) e Gabriel Ventura (“Beira”, de Lenine e Gabriel Ventura) completam o encontro. Mais do que um disco, “Eita” é uma tomada de domínio, um gesto de liberdade e uma celebração da criação como forma de existir. Uma obra que transcende fronteiras e espelha as complexidades, afetos e possibilidades do Brasil contemporâneo. Um projeto que anuncia, com poesia e verdade, que um dos maiores criadores da música brasileira traz boas novas.


"Eita!"

"Meu Xamego"

"Confia em Mim"

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