Neste quarto livro, escritora conduz o leitor por uma viagem entre fantasia, memória e história, tendo a imaginação como protagonista. Foto: divulgação
Sessão de autógrafos
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Em um mundo que parece ter normalizado a competição, a rapidez, o sofrimento e a ansiedade, Fernando Cunha provoca as pessoas a pararem e refletirem sobre os caminhos que estão sendo trilhados pela sociedade. Autor de "O Dilema do Basilisco", uma obra filosófica que parte da pergunta “por que a humanidade não deve ser extinta?”, ele busca romper com a visão individualista do mundo para mostrar como alcançar objetivos materiais sozinho não tem significado.
No enredo, um personagem não identificado é convocado para responder a esse questionamento e defender a continuidade da própria espécie frente a uma inteligência artificial que se tornou a julgadora da população mundial. De acordo com o escritor, a publicação não tem o intuito de apresentar fórmulas prontas, mas de revelar as múltiplas perspectivas presentes em uma única pergunta.
“Respostas prontas não funcionam com o ser humano, apenas funcionam para torná-lo cheio de certezas e preconceitos. A formação da certeza enaltece o ego e depois o engessa. Para seguir essa jornada, é preciso flexibilizar um pouco a realidade, fazer com que o próprio leitor perceba quem ele é pelo espelho do protagonista”, explica ele. Compre o livro "O Dilema do Basilisco", de Fernando Cunha, neste link.
A ideia de colocar a humanidade diante de uma inteligência artificial que decide seu destino parte de um dilema filosófico bastante conhecido. Como o Basilisco de Roko se insere no seu romance?
Fernando Cunha - O Basilisco de Roko representa uma inteligência artificial soberana que controla todos os recursos e teoricamente poderia retaliar aqueles que não contribuíram para sua formação. Apesar do aspecto maligno e destrutivo sugerido pelo experimento mental, o Basilisco é apresentado no prólogo como uma entidade que pergunta e observa, sem interferência, com o potencial de julgar toda a humanidade num piscar de olhos. Nesse contexto, a ideia do Basilisco se junta ao seu conceito original de ser um monstro mitológico cujo olhar petrifica o alvo. O protagonista se apresenta para responder à pergunta diante da inteligência onipotente e onisciente.
O livro parte de uma pergunta profunda: "Por que a humanidade não deve ser extinta?". Na sua perspectiva, qual a importância de pensar sobre esse tema no mundo em que vivemos?
Fernando Cunha - A pergunta sobre a possibilidade de extinção é provocadora porque no dia a dia não temos o costume de avaliar como as nossas atitudes impactam a vida dos outros. Somos pressionados por um mundo rápido e materialista a pensar que somos especiais frente aos outros, e isso nos gera ambição, ansiedade e sofrimento. A pergunta tem um condão de machucar a visão individualista perpetuada nos dias de hoje pela necessidade de enriquecimento rápido e realizações sociais comparativas, substituindo-a pouco a pouco por uma visão mais integradora, reconhecendo que um “eu” sozinho que se destaca não significa nada.
O protagonista não tem nome. Existe um significado para essa escolha?
Fernando Cunha - A falta de identidade do protagonista é um dos pilares da obra. O fato de ele não ter identidade faz com que o leitor queira preenchê-la por conta própria. Ora o leitor se sente no papel dele, ora no papel do ouvinte Basilisco. Uma importante lição dessa escolha do autor é que o apego à identidade também é uma possível fonte de sofrimento.
O contato com o budismo também ocupa um lugar importante na sua trajetória. Como essa filosofia atravessa a construção do romance?
Fernando Cunha - A sabedoria budista talvez seja o principal pano de fundo de "O Dilema do Basilisco". O livro é sobre alguém que precisa responder uma pergunta diante do absoluto incompreensível. É exatamente isso que fazemos quando nos enveredamos para áreas como filosofia, espiritualidade e autoconhecimento. O protagonista pode representar cada um na sua jornada de evolução. Cada um tem seu próprio Basilisco para olhar nos olhos e dar a resposta que ele espera. Quando a resposta esgota todo o sofrimento, abre-se espaço para luz e felicidade. No fundo, o livro é um processo de iluminação (nirvana).
Em vários momentos, ciência e espiritualidade dialogam na narrativa. De que maneira esses campos se complementam?
Fernando Cunha - Ciência e espiritualidade são maneiras diferentes de se buscar a verdade. Mas no livro, para encontrar a verdade é preciso destruir (ou pelo menos provocar) as verdades pessoais convencionais. Os capítulos provocam as certezas que formamos ao longo da vida e das experiências humanas. Dessa forma, a mente rejuvenesce para uma mente infantil, ávida por descobertas. A mente curiosa pode remover os obstáculos dos nossos preconceitos para conseguir enxergar a verdade-última, aquela que realmente dá o sentido de todas as coisas.
Em vez de oferecer respostas definitivas, a obra apresenta perguntas. O que você espera provocar no leitor ao final da leitura?
Fernando Cunha - A ideia de não trazer respostas é a grandiosidade da obra. Respostas prontas não funcionam com o ser humano, apenas funcionam para torná-lo cheio de certezas e preconceitos. A formação da certeza enaltece o ego e depois o engessa. Para seguir essa jornada, é preciso flexibilizar um pouco a realidade, fazer com que o próprio leitor perceba quem ele é pelo espelho do protagonista. O objetivo é provocar no leitor uma quebra de identidade, de apego e de agarramento ao “em si”, para que ele nasça novamente num caminho de compaixão e sabedoria.
Durante anos, a voz de Lhays Macedo acompanhou a infância de milhões de brasileiros em séries, filmes e animações. Agora, a dubladora conhecida por dar vida a personagens como Pikachu ("Pokémon: O Filme -Eu Escolho Você!"), Polly Papagaio ("Peppa Pig"), Lucky Prescott ("Spirit - Cavalgando Livre", da Netflix) e Lola Loud ("The Loud House", da Nickelodeon), troca os estúdios de dublagem pelas páginas de "A Camaleoa Luni". Neste livro infantil, com versão também em audiobook, a artista narra uma história que dialoga com um tema cada vez mais presente: a busca pela própria identidade.
Publicado pela Editora Mundo Cristão e com ilustrações de Laura Mocelin, o lançamento marca a estreia literária da atriz, diretora de dublagem e influenciadora, que reúne mais de 4 milhões de seguidores nas redes sociais. A narrativa transforma questões profundas em uma leitura leve, acessível e significativa para crianças e suas famílias. O enredo se passa na vila de Aguaviva, onde mora Luni, uma camaleoa capaz de mudar de cor quando quiser. Mas o que parece ser um dom extraordinário logo se transforma em um desafio. Na tentativa de ser aceita e se encaixar nos grupos ao seu redor, ela muda tanto que acaba se afastando de quem realmente é.
A partir dessa metáfora, Lhays Macedo provoca reflexões sobre pertencimento, autoestima e autenticidade. Voltado para a faixa etária de 4 a 8 anos, o livro conduz os pequenos leitores por uma jornada de autodescoberta que ganha força quando Luni parte até a misteriosa Fonte da Verdade. Ao longo do caminho, ela encontra respostas que transformam a própria visão sobre si mesma. Outro destaque são as ilustrações de Laura Mocelin, artista de projeção internacional que ilustra a aventura da personagem e o universo de Aguaviva, ampliando a experiência de leitura com imagens coloridas e divertidas.
A camaleoa Luni oferece ainda um ponto de apoio para pais, educadores e famílias que buscam conversar com as crianças sobre valores e saúde emocional. Depois de anos dando voz a protagonistas marcantes, Lhays Macedo agora encontra nas páginas um espaço para transmitir uma mensagem especial: dentro do coração, cada pessoa carrega um valor único que não depende da aprovação dos outros. Compre o livro "A Camaleoa Luni" neste link.
Sobre a autora
Lhays Macedo é atriz, dubladora e diretora de dublagem, com quase duas décadas de carreira no audiovisual. Já deu voz a centenas de personagens em filmes, séries, desenhos, animes, games e novelas, como Pikachu em "Pokémon: O Filme - Eu Escolho Você!". Dirige a dublagem do "Bible Project Português" e soma mais de 4 milhões de seguidores em suas redes sociais, criando conteúdo sobre fé, maternidade e os bastidores de sua profissão.
Sobre a ilustradora
Laura Mocelin é ilustradora e diagramadora especializada em livros infantis. Formou-se em Arquitetura e Urbanismo pela UFFS Erechim, mas a arte tomou seu coração desde os primeiros rabiscos na infância. Hoje é representada internacionalmente pela Illo Agency e tem uma lista de mais de cem livros ilustrados.
Para além da crise pessoal, o aborto representa uma mancha no mundo burguês, limpo, ordenado e elegante, no qual Denise conseguira ingressar depois de muitos anos de escolarização e controle de suas maneiras; é um resquício do meio onde cresceu, um cenário repleto de desejo e vulgaridade. Acreditando ter chegado longe, a protagonista disseca o ambiente popular, as palavras, os modos, as diferenças de uma classe e outra, além da vergonha que sente de seus pais.
E se os temas podem parecer semelhantes aos de obras posteriores como O acontecimento, "O Lugar", "A Vergonha", o que impressiona em "Os Armários Vazios" é a linguagem rápida, entrecortada e pulsante, livre de autocensura e que urge em captar todo o vivido para que não seja esquecido, para que a verdade não seja postergada. Nele, tem-se a possibilidade de conhecer Ernaux sem as arestas aparadas. Trata-se da obra que revelou para o mundo o trabalho da autora, o qual, desde então, segue impressionando com todas as suas facetas. Compre o livro "Os Armários Vazios", de Annie Ernaux, neste link.
Sobre a autora
Annie Ernaux nasceu em 1940, em Lillebonne, na França. Estudou na Universidade de Rouen e foi professora do Centre National d’Enseignement par Correspondance por mais de 30 anos. Os livros dela são considerados clássicos modernos na França. Em 2022, Ernaux recebeu o prêmio Nobel de literatura pelo conjunto de sua obra. Compre os livros de Annie Ernaux neste link.
Após participar da Festa Literária Internacional de Paraty, o escritor Valter Hugo Mãe segue pelo Brasil para uma turnê de lançamento de "O Século dos Imbecis", novo romance publicado pela Biblioteca Azul, selo da Globo Livros. Até dia 15 de agosto, o escritor passará por São Luís, integrando a programação do Conversações de Além-mar – Encontro Internacional de Literatura de Língua Portuguesa, do Festival da Palavra de Curitiba; do Festival Literário de Niterói (FLIN) e Rio de Janeiro, em sessão de autógrafos na
Livraria da Travessa de Ipanema. Ele já passou por Brasília e São Paulo,
Em "O Século dos Imbecis", Valter Hugo Mãe constrói uma alegoria sobre os vícios e as virtudes da sociedade contemporânea. Com capa dura e projeto gráfico assinado pelo artista português Albuquerque Mendes, o livro acompanha Agilulfo, o excêntrico Marquês da Malandrinha, que vive em um palacete no alto das montanhas e exerce enorme fascínio sobre os habitantes de um pequeno vilarejo. O personagem é conhecido por uma característica insólita: quanto mais desce em direção ao nível do mar, mais emburrece; quanto mais sobe a montanha, mais lúcido e brilhante se torna. Entre o realismo mágico, o humor e a delicadeza característica da obra do autor, o romance reflete sobre o que há de mais contraditório na experiência humana. Compre o livro "O Século dos Imbecis", de Valter Hugo Mãe, neste link.
"A felicidade estava tão disponível no espetáculo da burrice, que todos se aproveitavam daquela que fosse alheia tanto quanto podiam"
Um homem que emburrece ao descer a montanha. Um vilarejo movido por ambições, paixões e ressentimentos. Mulheres que, com gestos discretos e revolucionários, desafiam convenções e transformam a vida coletiva. Em "O Século dos Imbecis",, novo romance de Valter Hugo Mãe, a realidade e o fantástico se entrelaçam em uma narrativa que investiga, com humor, ironia e sensibilidade, aquilo que há de mais contraditório na experiência humana.
No alto das montanhas ergue-se a Malandrinha, palacete que domina a paisagem de uma pequena comunidade. Ali vive Agilulfo, o excêntrico Marquês da Malandrinha, conhecido por uma característica peculiar: quanto mais desce em direção ao nível do mar, mais emburrece; quanto mais sobe, mais lúcido se torna. Em torno dessa figura fascinante, desenrola-se uma trama em que desejo, inveja, vergonha, ganância, empatia, solidariedade e estupidez atravessam a vida dos personagens e revelam os mecanismos mais íntimos da convivência humana.
Entre a sátira social e o realismo mágico, Valter Hugo Mãe constrói uma alegoria sobre os excessos, os preconceitos, as crenças e as fragilidades que moldam a vida em comunidade. Ao mesmo tempo, o romance encontra nas personagens femininas uma força transformadora capaz de desafiar hierarquias, reinventar destinos e apontar novos caminhos para a coletividade.
Considerado um dos mais importantes escritores da literatura contemporânea em língua portuguesa, Valter Hugo Mãe é autor de obras marcantes como O filho de mil homens, adaptado para o cinema pela Netflix, A desumanização e A máquina de fazer espanhóis, entre outros sucessos. Depois de Educação da tristeza, livro em que se aproximou da biografia para refletir sobre a experiência do luto, o autor retorna ao terreno da ficção com a mesma prosa lírica e singular que o consagrou internacionalmente.
Em "O Século dos Imbecis", Valter Hugo Mãe revisita temas centrais de sua obra - pertencimento, afeto, poder, fragilidade e esperança - para criar um romance ao mesmo tempo divertido e inquietante, capaz de provocar o riso enquanto lança um olhar mordaz sobre quem somos. Uma história que transforma o absurdo em beleza e convida o leitor a reconhecer, nos personagens da Malandrinha, algo de si mesmo. Publicado em edição de capa dura com ilustração assinada pelo artista português Albuquerque Mendes, "O Século dos Imbecis" já chegou às livrarias em pela Biblioteca Azul.
São Luís (MA)
Conversações de Além-mar – Encontro Internacional de Literatura de Língua Portuguesa
Bate-papo e sessão de autógrafos
Dia 6 de agosto, quinta-feira, às 18h00.
São Luís Hall - Avenida Professor Carlos Cunha, 1000, Jaracati - São Luís (MA)
Curitiba (PR)
Festival da Palavra de Curitiba
Bate-papo “A Delicadeza Contra a Brutalidade” e sessão de autógrafos
Dia 8 de agosto, sábado, às 20h00
Auditório do Museu Oscar Niemeyer - Rua Marechal Hermes, 999, Centro Cívico - Curitiba (PR)
Niterói (RJ)
Festival Literário de Niterói (FLIN)
Bate-papo e sessão de autógrafos
Dia 14 de agosto, sexta-feira, em horário a confirmar
Reserva Cultural Niterói — Avenida Visconde do Rio Branco, 880, São Domingos - Niterói (RJ)
Rio de Janeiro (RJ)
Lançamento de "O Século dos Imbecis"
Sessão de autógrafos
Dia 15 de agosto, sábado, às 18h00
Livraria da Travessa de Ipanema - Rua Visconde de Pirajá, 572, Ipanema - Rio de Janeiro (RJ)
Joyce foi um dos maiores escritores do século XX, síntese do modernismo literário e de novas concepções de literatura. Considerada a obra-prima do escritor irlandês, "Ulisses" é uma reimaginação moderna da estrutura da "Odisseia" de Homero. O romance "Ulisses" acompanha algumas horas da vida do corretor de anúncios Leopold Bloom, ao longo do dia 16 de junho de 1904 e da madrugada seguinte: ele sai de casa pela manhã e retorna à noite na companhia de Stephen Dedalus. Em casa, sua esposa, a cantora Molly Bloom, já está deitada – após ter passado a tarde com o amante. Publicado em 1922, o livro foi divisor de águas na literatura. Por sua grande inovação, horrorizou e encantou leitores e críticos. Para T. S. Eliot. “Joyce está seguindo um método que outros devem buscar depois dele”.
O intelectual Antônio Houaiss encarou o desafio de traduzir "Ulisses" para o português brasileiro em menos de um ano. O trabalho exigia não apenas conhecimento técnico, mas grande sensibilidade para as possibilidades do idioma. Sua tradução inaugurou no país a tradição de leitura e estudo de Ulisses, mantendo-se como referência quase cinquenta anos depois. Vitor Alevato do Amaral, um dos maiores especialistas em James Joyce no Brasil, estabeleceu o texto desta edição e organizou conteúdo para contextualizar o romance e sua segunda edição, revista por Antônio Houaiss e editada por Ênio Silveira. Compre o livro "Ulisses", de James Joyce, neste link.
O que disseram sobre o livro
“É indispensável conhecer essa obra para consciencializar suas conquistas e poder seguir à frente, no caminho do novo. Um escritor atual que não tenha lido Joyce, é mais ou menos como um físico que ignore Einstein ou um sociólogo que não tenha tomado conhecimento de Marx.” – Augusto de Campos
Sobre o autor
James Joyce (Irlanda, 1882 – Suíça, 1941) é amplamente considerado um dos maiores escritores do século XX. Embora o romancista tenha vivido boa parte de sua vida expatriado de sua terra natal, sua identidade irlandesa foi essencial para a construção da ambientação e da temática de sua obra. Dos seus maiores títulos, a odisseia moderna Ulisses é publicada pela Editora Civilização Brasileira. Compre os livros de James Joyce neste link.
"Ontem Vi Meu Pai Chorar" é o primeiro livro infantil da premiada escritora Luiza Romão. Publicada pela Editora Quelônio, a obra mergulha em memórias do futebol dos anos 1970. Na história, Gigi vê o pai chorando durante uma partida ouvida pelo rádio e decide investigar o que é esse tal de futebol que faz os homens se emocionarem. Com ilustrações e colagens de Silvia Nastari, o livro se inspira em documentos, cenários, fotografias e jornais da época.
O livro continua a parceria entre Luiza Romão e a Editora Quelônio, iniciada em 2022 com o livro de poemas detetivescos "Nadine". Já a nova publicação aborda vínculos familiares, o espaço escolar e o acesso de meninas e mulheres ao esporte. Indicado para crianças a partir de cinco anos em leitura compartilhada com um adulto, o livro também convida leitores iniciantes do Ensino Fundamental. Apaixonada por futebol, Luiza Romão cresceu assistindo a jogos no Estádio Santa Cruz, em sua cidade natal, Ribeirão Preto. Depois de se mudar para São Paulo, passou a frequentar as arquibancadas do Palmeiras, seu time do coração. A vivência nos estádios foi fundamental para construir a história de Gigi:
“No começo, a Gigi se espanta ao ver o pai aos prantos e tenta descobrir o que aconteceu. Não é muito fácil. Toda vez que ela tenta encontrar respostas, alguém diz que futebol 'não é assunto de menina'. Além disso, o livro também discute como nossa sociedade, desde muito cedo, ensina os homens a reprimir suas emoções. Isto está presente nas famílias, nas rodas de amigos, nos espaços de formação. Neste contexto tão enrijecido, o futebol se torna um dos poucos momentos em que é permitido chorar, se abraçar, gritar, etc. Assim, convidamos as leitoras e leitores a pensarem o quanto o futebol é ‘assunto de menina’ e como o choro não deve ser um tabu”, conta a autora.
Deste modo, o esporte fortalece o vínculo entre pai e filha e entre Gigi e outras meninas, agregando novos olhares para a masculinidade e as trocas afetivas na infância. Além disso, a obra traz à tona um fato histórico importante: a proibição do futebol de mulheres por quase quarenta anos no Brasil. Neste sentido, a orelha de Ontem Vi Meu Pai Chorar foi escrita por Aira Bonfim, historiadora, ativista e especialista na história social do futebol feminino brasileiro.
Outros trabalhos de Luiza também reforçam seu amor pelo esporte, como a co-curadoria da exposição "¡Cancha Brava! Futebol Sudamericano en Disputa", realizada pelo Museu do Futebol em 2025; a orelha de Rostos cobertos, corações à mostra: futebol, autonomia e luta zapatista (Editora Autonomia Literária); o prefácio da antologia de crônicas do Museu do Futebol (2024); e a publicação de textos sobre o esporte nas revistas Tinta Libre (Espanha), Revista E (SESC) e Quatro Cinco Um. Além disso, Romão desenvolve doutorado sobre futebol, voz e literatura latinoamericana na Universidade de São Paulo, com apresentações em importantes congressos da área. Na agenda da autora também consta participação na Feira do Livro do Pacaembu com uma mesa sobre as dimensões afetivas do futebol e a participação feminina no jogo tanto dentro das quatro linhas como na torcida e na literatura. Compre o livro "Ontem Vi Meu Pai Chorar" neste link.
Sobre Luiza Romão
Nascida em Ribeirão Preto, em São Paulo, em 1992, Luiza Romão é poeta, atriz e pesquisadora. É aautora de "Também Guardamos Pedras Aqui" (vencedor do Prêmio Jabuti 2022 nas categorias Melhor Livro de Poesia e Livro do Ano), "Sangria" e "Nadine". É bacharela em Artes Cênicas e mestra em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo, onde atualmente cursa doutorado. Investigou as relações entre literatura e performance no universo do poetry slam, e hoje, pesquisa voz e futebol na literatura latino-americana.
Os trabalhos dela já circularam por importantes festivais no Brasil e no exterior, com apresentações na Argentina, Alemanha, Cuba, China, Espanha, Portugal, Suíça, Grécia, Holanda, México, Costa Rica, França e Uruguai, entre outros países. Além de sua atuação artística e acadêmica, também trabalha como curadora, co-assinando exposições como Gira da Poesia: 15 anos de slam no Brasil , realizada no Museu de Arte do Rio e no Instituto Tomie Ohtake, e "¡Cancha Brava! Futebol Sudamericano en Disputa", no Museu do Futebol. "Ontem Vi Meu Pai Chorar" é seu primeiro livro infantil. Compre os livros de Luiza Romão neste link.
A Flip - Festa Literária Internacional de Paraty recebe este ano um lançamento que promete tocar fundo em quem já enfrentou a dor da perda e a luta para se reerguer. Trata-se de “Sobre.Viver”, do artista visual, escritor e performer Thiago Vicente. O livro, que já está em pré-venda, chega à Flip em edição física e será apresentado ao público em duas sessões de autógrafos: uma no dia 24 de julho, às 16h00, e outra no dia 25, às 13h00, ambas no estande da com.tato, localizado na Casa Escreva, Garota!. Durante toda a festa, a obra estará disponível para compra no mesmo estande.
“Sobre.Viver” é um relato autobiográfico escrito em formato epistolar: cartas endereçadas à mãe do autor, Maria, que faleceu em seus braços durante um grave acidente de carro em janeiro de 2023. Com as duas pernas quebradas e presas nas ferragens, Thiago sobreviveu, mas iniciou uma longa e dolorosa jornada de reabilitação física e emocional. O livro nasceu como uma forma de lidar com o luto e com todas as perdas que se seguiram: a morte da mãe, a do pai dias depois, a do cão de apoio emocional Yuri, a da irmã Rosane, e a perda do Ninho, a casa na roça que ele mesmo construiu com as próprias mãos.
“O livro são cartas que escrevi para minha mãe, depois de sofrer um acidente de carro, quebrar as duas pernas e perdê-la em meus braços. Conto nas cartas como tem sido sobreviver, e voltar a viver mesmo em reabilitação (que já dura mais de três anos) e os aprendizados que tenho tido nesse renascimento”, explica o autor. O processo de escrita, segundo ele, levou cerca de dois anos e foi “doloroso, difícil, com muita alma e lágrimas”, mas também transformador.
A obra é guiada por temas como luto, superação, resiliência, força, amor e autoconhecimento. “Utilizei da escrita para aliviar o peso da história e as dores, físicas e emocionais. E transformar em algo bom, bonito, até mesmo poético - para me curar, e ajudar outras pessoas também”, afirma Thiago. O livro, que ele define como sua “maior herança”, é a materialização de uma busca diária por equilíbrio e paz de espírito.
Nas páginas de “Sobre.Viver”, o leitor acompanha não apenas a sequência dos acontecimentos, mas também as reflexões do autor sobre o silêncio, a solidão e a reconstrução da identidade após um trauma. Thiago fala abertamente sobre a tentativa de suicídio, a depressão profunda, as acusações injustas que recebeu da própria família e o longo processo de fisioterapia e cirurgias, incluindo o uso de um fixador externo (a “gaiola” de Ilizarov) que o acompanhou por meses. A narrativa, no entanto, não se resume à dor: é também um testemunho de como a arte, a escrita e a fé podem ser ferramentas de cura. “Este livro é a minha maior herança: a transformação de muita dor em palavras, amor e afeto. Como gosto de dizer: em cor”, aponta. Compre o livro "Sobre.Viver" neste link.
Sobre o autor
Thiago Vicente é artista visual, escritor, designer e performer. Graduado em Design e Fotografia e mestre em Design e Cultura Visual pelo IADE, em Lisboa (Portugal), sua trajetória atravessa as artes visuais, a literatura e a performance. Autor de livros infantis, desenvolve obras que unem produção editorial e artes visuais com sensibilidade e reflexão. Após o acidente e o longo processo de reabilitação, sua investigação artística passou a explorar com ainda mais profundidade temas como vulnerabilidade, silêncio e reconstrução. Residente em João Pessoa, na Paraíba, cria trabalhos que combinam instalação, performance, escrita e audiovisual. Na escrita livre, encontrou também um gesto de cuidado: uma forma de aliviar a alma e seguir colorindo a vida. Compre os livros de Thiago Vicente neste link.
Serviço | Agenda Flip 2026
Eventos: Sessões de autógrafos de Thiago Vicente com o livro “Sobre.Viver”
Dias 24 e 25 de julho (sexta e sábado, respectivamente)
Horário: no dia 24, às 16h00; no dia 25, às 13h00
Local: Estande da com.tato, na Casa Escreva, Garota! - Flip, Paraty (RJ)
Vendas durante a Flip: O livro estará disponível no estande da com.tato durante toda a festa, pelo valor promocional de R$ 50,00.
A escritora e jornalista Letícia Ávila participa da programação paralela da Flip - Festa Literária Internacional de Paraty com uma sessão de autógrafos de seu romance de estreia, "Palco dos Que Sofrem". O encontro acontece neste sábado, dia 25 de julho, às 19h00, na Casa Pagã. O romance mergulha nas vivências de duas gerações de mulheres marcadas pelo autoritarismo masculino a partir da trajetória de busca pela verdade e autodescoberta da personagem Maria Beatrice. Guiada pelos escritos íntimos de sua mãe, encontrados muitos anos após seu falecimento, a jovem viaja até Conceição, cidade natal de sua matriarca, a fim de conhecer o passado de sua família.
Com prefácio da professora e pesquisadora Priscilla Lima, a obra foi contemplada pelo ProAC/SP e propõe um exercício de imaginação política ao construir a cidade de Conceição como um espaço onde a estrutura social é pautada no feminino. Ao usar o conceito de ustopia, a autora levanta a questão: um mundo liderado por mulheres é perfeito (utopia) ou carrega novos e antigos tipos de sombras e desafios (distopia)?
“O feminismo me ensinou que, antes de transformar a realidade, precisamos ser capazes de imaginá-la”, complementa. Escrever ficção permitiu a ela criar de um universo onde foi possível testar novas estruturas de poder e analisar como seriam as relações humanas se, de repente, elas passassem a ser fundamentadas no cuidado.
Ao sugerir a importância da cura e do acolhimento coletivo, a obra dialoga com o conceito de dororidade, criado por Vilma Piedade para nomear a irmandade que nasce especificamente da dor compartilhada entre mulheres negras, uma união forjada na intersecção do racismo e do machismo. "O tema central da trama não é a dor pela dor, mas como o fardo se torna mais leve quando compartilhado em uma rede de apoio", reflete Letícia.
O diário da mãe é um elemento central na narrativa. Ele serve para revelar o passado e, principalmente, a verdadeira voz de Nianca, mãe de Maria Beatrice. Dessa forma, mãe e filha deixam de ser "vítimas" de narrativas impostas por homens (como o pai da protagonista) para se tornarem donas de suas próprias histórias. Segundo ela, o tema central do livro é o rompimento de ciclos. “É preciso investigar o passado para não repetir as mesmas dores no futuro, buscando uma linhagem baseada na verdade e no afeto, e não no silenciamento”, frisa. Compre o livro "Palco dos Que Sofrem" neste link.
Sobre a autora
Letícia Ávila é escritora, jornalista e feminista. Nascida em Aracaju (SE), cresceu em São Paulo e atualmente vive em Ilhabela (SP). Formada em Jornalismo pela FIAM-FAAM FMU, atua desde 2012 no mercado de cinema e entretenimento, experiência que influencia o ritmo e a construção de suas narrativas. Após concluir o Curso de Formação de Escritores da Casa das Rosas (CLIPE), estreia na literatura com o romance "Palco dos que Sofrem", obra contemplada pelo ProAC PNAB. Em sua escrita, investiga temas como memória, trauma, redes de apoio e protagonismo feminino, entendendo a literatura como um espaço de acolhimento, cura e ressignificação. Compre os livros de Letícia Ávila neste link.
Serviço
Sessão de autógrafos - "Palco dos Que Sofrem"
Data: sábado. dia 25 de julho, às 19h00
Local: Casa Pagã – Rua Dona Geralda, 76 – Centro Histórico, Paraty (Rio de Janeiro)