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terça-feira, 18 de agosto de 2026

.: “Djavan - Dizem que o Amor Atrai” revela histórias por trás da trajetória


Livro de Tiago Ramos e Mattos revisita a infância em Maceió, a descoberta do violão, a censura na ditadura e episódios pouco conhecidos da carreira de um dos grandes nomes da MPB

Celebrando cinco décadas de carreira, Djavan ganha um novo olhar sobre sua trajetória em “Djavan - Dizem que o Amor Atrai”, livro de Tiago Ramos e Mattos, publicado pela editora Trend Editora. A obra mergulha nas memórias, nos afetos e nas experiências que ajudaram a formar a identidade artística de um dos compositores mais marcantes da música popular brasileira. A narrativa começa na infância, em Maceió, e destaca a presença de Dona Virgínia, mãe do artista, na formação de sua personalidade. 

O autor também investiga a relação de Djavan com as próprias raízes, a ancestralidade africana e a natureza, elementos que atravessam sua produção musical e ajudam a compreender a maneira particular como ele transforma sentimentos e observações do cotidiano em canções. Um dos momentos decisivos dessa trajetória aconteceu aos 16 anos, quando Djavan descobriu o violão e deixou para trás o desejo de se tornar jogador de futebol profissional. A mudança de rumo o levaria posteriormente ao Rio de Janeiro e ao início de uma carreira que alcançaria projeção nacional e internacional.

Para construir o perfil do músico, Tiago Ramos e Mattos conversou com familiares de Djavan, entre eles um sobrinho, a esposa dele e uma sobrinha-neta. O pesquisador também revisitou espaços ligados à infância do cantor em Maceió, buscando elementos que ajudassem a ampliar a compreensão sobre suas origens e relações afetivas. O livro ainda recupera histórias que despertam a curiosidade dos fãs. Entre elas estão o verdadeiro significado de “Flor de Lis”, a parceria que quase aconteceu entre Djavan e Michael Jackson, além de músicas censuradas durante a ditadura militar e composições inéditas.

Ao acompanhar cinco décadas de criação, o autor apresenta um Djavan atravessado por conquistas, perdas, preconceitos, paixões, relações familiares, posicionamentos políticos e constantes reinvenções. O resultado é um retrato que aproxima o leitor do homem por trás das canções e mostra como experiências pessoais podem se transformar em matéria-prima para a criação artística. Com pesquisa e relatos de pessoas próximas ao cantor, “Djavan - Dizem que o Amor Atrai” amplia o olhar sobre uma trajetória construída entre música, memória e identidade. A publicação também ajuda a entender como um jovem alagoano que sonhava com o futebol encontrou no violão o caminho para construir um dos repertórios mais reconhecidos da MPB. Compre o livro  “Djavan - Dizem que o Amor Atrai”, de Tiago Ramos e Mattos, neste link.

Sobre o autor
Doutor em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Tiago Ramos e Mattos dedica-se ao estudo de narrativas e à trajetória de grandes personalidades brasileiras. Antes de escrever sobre Djavan, publicou “Silvio Santos vem aí: a biografia-reportagem do ‘patrão’”, livro dedicado à história de um dos principais comunicadores do país. Compre os livros de Tiago Ramos e Mattos neste link.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

.: "Bons Tempos: Yesteryear" chega às livrarias e satiriza mundo das tradwives


Livro de estreia de Caro Claire Burke, que já vendeu cerca de 1,4 milhão de exemplares nos EUA, ganha edição da Rocco e será adaptado para o cinema com Anne Hathaway. Foto: Riley Haakon

O fenômeno editorial americano “Bons Tempos: Yesteryear”, romance de estreia da jornalista Caro Claire Burke, chega oficialmente às livrarias brasileiras nesta segunda-feira, 17 de agosto, pela Editora Rocco. Diante da procura antecipada, a editora decidiu adiantar as vendas em 15 dias e já prepara uma segunda edição. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, exemplares começaram a chegar às livrarias neste fim de semana. O livro é uma sátira sobre tradição, fama, fé e a construção da feminilidade em uma época em que a vida perfeita pode ser cuidadosamente produzida para as redes sociais.

Nos Estados Unidos, o livro alcançou a expressiva marca de aproximadamente 1,4 milhão de cópias vendidas em apenas cinco meses. A obra também conquistou espaço entre os principais rankings literários, incluindo a lista de best-sellers do The New York Times e o BookTok Charts, ranking oficial do TikTok dedicado aos livros. A tradução brasileira é de Anna Castro. Com humor ácido, reviravoltas e uma boa dose de crítica social, Caro Claire Burke mira a cultura das influenciadoras digitais e, especialmente, o movimento tradwife, formado por mulheres que defendem um modelo de vida baseado em papéis tradicionais de gênero. 

A autora coloca essa idealização diante de uma realidade bem mais áspera ao transportar sua protagonista para o ano de 1855. O sucesso chamou a atenção de Hollywood antes mesmo da publicação brasileira. A Amazon MGM Studios adquiriu os direitos para uma adaptação cinematográfica após uma disputa entre estúdios. Anne Hathaway está confirmada como protagonista e também como produtora do filme. Compre o livro “Bons Tempos: Yesteryear”, de Caro Claire Burke, neste link.


Da vida perfeita nas redes sociais ao passado
A protagonista Natalie construiu uma imagem cuidadosamente planejada nas redes sociais. Milhões de seguidores acompanham sua rotina em uma fazenda aparentemente idílica, cercada por filhos, um marido que parece ter saído de um catálogo e uma vida guiada pela fé. Por trás das fotografias perfeitas, porém, existe uma verdadeira operação de bastidores. A casa conta com equipamentos modernos escondidos, a rotina é sustentada por funcionários e até o marido de Natalie participa da encenação de uma vida que parece perfeita. Tudo muda quando ela desperta em 1855.

Sem eletricidade, eletrodomésticos, equipe de produção ou qualquer das facilidades que ajudavam a construir sua persona digital, Natalie precisa enfrentar uma realidade que até então romantizava. Carregar lenha, lavar roupas à mão, lidar com crianças sujas e trabalhar fisicamente fazem parte de uma rotina que pouco combina com as imagens cuidadosamente produzidas para seus seguidores. O marido também mudou. O homem que antes funcionava como um acessório bonito na composição da família perfeita agora é um fazendeiro rústico e muito mais próximo da realidade daquele período.

Enquanto tenta entender o que aconteceu, Natalie começa a levantar hipóteses. Estaria participando de um reality show? Teria viajado no tempo? Seria tudo uma espécie de teste divino? Ou haveria algo ainda mais sombrio por trás daquela experiência? A situação coloca a personagem diante da própria farsa e transforma em pesadelo a vida que ela passou anos vendendo como ideal. Com uma narrativa que combina sátira, suspense e humor, “Bons Tempos: Yesteryear” aborda temas como tradição, fama, fé, feminilidade, exposição nas redes sociais e a construção de identidades cuidadosamente editadas para o público. Garanta o seu exemplar de “Bons Tempos: Yesteryear”, de Caro Claire Burke, neste link.

.: Livro traz análise inédita e desmonta o mito do desenvolvimentismo de JK


“Juscelino: Uma Crítica ao Desenvolvimentismo”, de Antônio Claret Jr. e Lucas Berlanza, reexamina as escolhas econômicas e políticas do ex-presidente e provoca uma discussão sobre inflação, endividamento e dependência estatal. Fotos: divulgação  


Às vésperas dos 50 anos da morte de Juscelino Kubitschek, em 22 de agosto, o ex-presidente volta ao centro do debate com uma obra que propõe olhar para seu legado por uma perspectiva menos celebratória. Em “Juscelino: Uma Crítica ao Desenvolvimentismo”, publicado pela LVM Editora, Antônio Claret Jr. e Lucas Berlanza revisitam a trajetória política de JK e colocam em discussão os custos econômicos e institucionais associados ao modelo que marcou seu governo. Conhecido pelo slogan “50 anos em 5”, pela construção de Brasília e pela expansão da indústria automobilística, Juscelino se tornou uma das figuras mais emblemáticas da política brasileira. A imagem de um presidente associado ao crescimento, à modernização e ao otimismo nacional é retomada pelos autores, que ampliam o foco para as consequências de longo prazo de suas escolhas.

Em vez de seguir o caminho de uma biografia convencional, o livro examina o desenvolvimentismo praticado por JK desde suas experiências à frente da Prefeitura de Belo Horizonte e do Governo de Minas Gerais até a Presidência da República. O modelo tinha como pilares a forte participação do Estado, os grandes investimentos públicos e a atração de capital estrangeiro como instrumentos para acelerar a industrialização brasileira. O Plano de Metas concentrou esforços em áreas consideradas estratégicas, como energia, transportes, alimentação, indústria de base e educação. Brasília, incorporada posteriormente ao programa, tornou-se a chamada “meta-síntese” de um governo que pretendia transformar rapidamente a estrutura econômica do país.

Os resultados foram expressivos. A economia brasileira registrou crescimento médio superior a 7% ao ano durante o período, enquanto a indústria avançou e a implantação das montadoras fortaleceu uma cadeia de fornecedores, criou empregos e ampliou a circulação de conhecimento técnico. Para Antônio Claret Jr. e Lucas Berlanza, porém, os avanços precisam ser analisados junto aos efeitos produzidos pelo modelo. A atuação do Estado na definição de setores estratégicos, na concessão de incentivos e na proteção de determinadas atividades teria contribuído para consolidar uma relação de dependência entre empresas e poder público. “Juscelino tinha uma combinação rara de carisma, habilidade política e capacidade de transmitir confiança. Seu governo ficou associado à ideia de que o Brasil estava deixando para trás o atraso e entrando em uma fase de crescimento”, afirmam os autores.

O livro também coloca sob análise o aumento dos gastos públicos, o endividamento externo e a pressão inflacionária durante o período. Dados históricos do CPDOC apontam que a inflação média anual passou de 13,5%, entre 1948 e 1955, para 22,4% durante o governo JK. Parte dos investimentos, segundo a obra, foi viabilizada por operações externas de curto prazo e custo elevado. “Esse modelo produziu resultados importantes, como a expansão da infraestrutura e da indústria. Seria errado ignorar isso. Mas ele também fortaleceu uma cultura de dependência em relação ao Estado, estimulando subsídios, protecionismo e uma relação muito próxima entre poder público e grupos econômicos”, afirma Claret Jr. Compre o livro "Juscelino: Uma Crítica ao Desenvolvimentismo" neste link.


Brasília concentra os contrastes do período
Inaugurada em 21 de abril de 1960, Brasília se transformou no grande símbolo do projeto de modernização de Juscelino. A nova capital representou uma mudança política, arquitetônica e urbanística, além de reforçar a proposta de interiorização do desenvolvimento brasileiro. Ao mesmo tempo, a construção consumiu recursos significativos em um país que ainda enfrentava dificuldades estruturais em setores como educação, saúde e saneamento. Para Lucas Berlanza, a capital sintetiza os ganhos e os dilemas do modelo desenvolvimentista.

“Brasília sintetiza a lógica das grandes obras, da forte presença estatal e do crescimento acelerado, mas com pouca preocupação com os custos fiscais e os efeitos de longo prazo”
, afirma. A leitura proposta pelos autores procura escapar de interpretações simplificadoras. Brasília aparece, assim, como demonstração da capacidade de realização daquele governo e, simultaneamente, como exemplo dos desafios econômicos envolvidos na estratégia adotada.

JK coloca o papel do Estado em discussão
Embora se debruce sobre decisões tomadas entre as décadas de 1940 e 1960, “Juscelino: Uma Crítica ao Desenvolvimentismo” busca estabelecer uma conexão direta com questões que continuam presentes no debate brasileiro: até onde deve ir a atuação do Estado na economia? Como financiar grandes investimentos? De que maneira combinar crescimento, responsabilidade fiscal, produtividade e participação privada?

“A experiência de JK mostra que é possível acelerar a economia por meio do gasto público e da expansão do investimento estatal. A questão é o que acontece depois. Quando esse crescimento vem acompanhado de inflação, endividamento e perda de eficiência, os custos aparecem mais cedo ou mais tarde”, afirmam Claret Jr. e Berlanza. A crítica apresentada no livro se concentra, portanto, na permanência de um modelo que atribui ao Estado a função de conduzir continuamente o crescimento econômico sem levar em conta, segundo os autores, limites fiscais, qualidade dos gastos, produtividade dos projetos e condições para a atuação do setor privado.


Os 50 anos da morte de Juscelino
Juscelino Kubitschek morreu em 22 de agosto de 1976, em um acidente na Rodovia Presidente Dutra. A aproximação do cinquentenário também reacende o debate sobre as circunstâncias de sua morte. Em 2014, a Comissão Nacional da Verdade afirmou não haver elementos materiais que apontassem para um homicídio. Em 2026, porém, um relatório da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos voltou a levantar a possibilidade de atentado.“Caso um dia haja uma conclusão definitiva sobre as circunstâncias da morte de JK, isso certamente terá impacto na compreensão de seus últimos anos e de sua relação com a ditadura militar. Mas não altera o debate sobre o legado político e econômico de seu governo”, afirmam os autores. Garante o seu exemplar de "Juscelino: Uma Crítica ao Desenvolvimentismo" neste link.

domingo, 16 de agosto de 2026

.: Carla Madeira lança “Quando”, livro sobre laços que sobrevivem ao tempo


A escritora Carla Madeira volta às livrarias com “Quando”, quarto romance dela, publicado pela Editora Record. Depois do sucesso de "Tudo É Rio", "Véspera" e "A Natureza da Mordida", a autora mergulha novamente nas complexidades das relações humanas, desta vez tendo como pano de fundo o Brasil dos anos 1980. A trama acompanha Viridiana, mãe de Margarida, Valquíria e Tito, que se vê diante de uma situação extrema: após um acontecimento trágico, decide denunciar o próprio filho à polícia. A escolha provoca uma ruptura profunda na família e desencadeia consequências que atravessam duas décadas.

Vinte anos depois, o afastamento entre os personagens ganha a possibilidade de ser revisitado. Nesse reencontro com o passado, Carla Madeira conduz uma narrativa marcada por questões como maternidade, homofobia, violência, culpa, justiça, perdão e a permanência dos afetos mesmo diante de experiências capazes de transformar uma família. A obra conta com texto de orelha assinado por Rita von Hunty, que destaca a capacidade do romance de observar tanto as relações particulares quanto as estruturas sociais que atravessam a vida brasileira. O projeto gráfico da capa é assinado pelo premiado Leonardo Iaccarino, a partir da pintura "Apprehensive", de Rebecca Aldernet.

Escrito ao longo de quase quatro anos, "Quando" mantém uma das principais características da literatura de Carla Madeira: a combinação entre intensidade emocional, densidade psicológica e linguagem cuidadosamente trabalhada. O romance coloca seus personagens diante de dilemas morais complexos, evitando respostas definitivas e deixando em aberto questões sobre até onde pode chegar a justiça e o que significa, afinal, perdoar. Compre o livro "Quando", de Carla Madeira, neste link.


Sobre Carla Madeira
Nascida em Belo Horizonte, em 1964, Carla Madeira iniciou a trajetória acadêmica na Matemática, mas posteriormente se formou em Jornalismo e Publicidade. Atuou como professora de redação publicitária na Universidade Federal de Minas Gerais e trabalhou como sócia e diretora de criação da agência Lápis Raro. Pela Editora Record, publicou "Tudo É Rio", "A Natureza da Mordida" e "Véspera". Somados, os três romances já ultrapassaram a marca de 1 milhão de exemplares vendidos, consolidando a escritora entre os grandes fenômenos recentes da literatura brasileira.

As obras também avançam para outras linguagens. "Véspera" tem adaptação prevista para série da HBO Max, sob direção-geral de Joana Jabace, com Bruna Marquezine, Gabriel Leone e Camila Márdila no elenco. Já "Tudo É Rio" está sendo levado ao cinema pela Boutique Filmes, com estreia prevista para 2027. O romance também foi escolhido como Livro do Ano de 2023, na categoria de ficção lusófona, pelo Prêmio Livreiros Bertrand, em Portugal. Compre os livros de Carla Madeira neste link.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

.: Editora Trama lança "A Original", ficção científica sobre identidade


Obra de ficção científica que explora o uso da IA como controle dos seres humanos é lançado em parceria de dois vencedores do Hugo Awards

"A Original", novo lançamento da Editora Trama, ganha sua primeira edição impressa após ter sido concebido originalmente como um audiobook. Escrito em colaboração pelos premiados Brandon Sanderson e Mary Robinette Kowal, o romance se passa em um futuro distante em que a humanidade venceu a morte natural graças a "nanitos injetáveis" que circulam pelo corpo, reparando danos e prolongando a vida indefinidamente. Nesse cenário, a sociedade passou a viver sob um modelo de renda igualitária e automação plena. Mas esse aparente paraíso cobra um preço: check-ins semanais obrigatórios em Estações de Renovação, onde a continuidade da vida depende de um rígido sistema de monitoramento.

É nesse contexto que vive Holly Winseed. Ao despertar em um hospital sem qualquer lembrança e com uma nova identidade imposta, ela descobre que se tornou uma Réplica Provisória. Agentes do governo lhe concedem apenas uma semana para cumprir uma missão impossível: localizar e eliminar sua Original, acusada de assassinar o próprio marido, Jonathan. Se conseguir, herdará seu lugar na sociedade. Se falhar, deixará de existir. Conforme a investigação avança, Holly descobre verdades que a levam a questionar não apenas o funcionamento daquele sistema, mas também sua própria identidade. Misturando thriller e ficção científica, A Original combina ritmo acelerado e suspense com reflexões sobre identidade, livre-arbítrio, vigilância, memória e o preço da imortalidade. Compre o livro "A Original", de Brandon Sanderson e Mary Robinette Kowal, neste link.


Sobre os autores
Brandon Sanderson é um dos principais nomes da fantasia e da ficção científica contemporâneas. Autor best-seller do The New York Times, conquistou milhões de leitores com séries como "Mistborn e Os Relatos da Guerra das Tempestades", além de ter concluído os últimos volumes da série "A Roda do Tempo", de Robert Jordan. Mary Robinette Kowal é escritora e marionetista norte-americana, vencedora dos prêmios Hugo, Nebula e Locus. Autora da aclamada série "Lady Astronaut", é reconhecida por combinar rigor científico, imaginação e personagens complexos em suas obras de ficção científica. Compre o livro "A Original", de Brandon Sanderson e Mary Robinette Kowal, neste link.

.: Primeiro livro adulto de John Green, "Um Final de Cinema" tem pré-venda


Com reflexões sobre os tensionamentos entre vida pública e vida privada, a obra resgata o nascimento da cultura da celebridade e apresenta um romance nos bastidores de Hollywood. Foto: Marina Waters


Nove anos depois de "Tartarugas Até Lá Embaixo", o autor best-seller John Green volta à ficção com o lançamento de seu primeiro livro adulto: "Um Final de Cinema". O livro já está em pré-venda e será publicado pela Intrínseca em outubro deste ano. O romance acompanha Kai Laramie e Juniper Castillo, dois jovens atores em ascensão que são escalados para estrelar a aguardada cinebiografia sobre o último ano de vida de Andy Warhol. Com reflexões sobre os tensionamentos entre vida pública e vida privada -  um tema que ecoa diretamente a própria figura de Warhol -, a obra resgata o nascimento da cultura da celebridade e apresenta um romance nos bastidores de Hollywood. A tradução é de Alda Lima.

Contada sob os pontos de vista de Kai e Juniper, a história se estende desde os primeiros dias de gravação até a estreia do longa. Quando o filme começa a fazer muito sucesso, os dois observam suas vidas saírem dos eixos, em sentidos ao mesmo tempo empolgantes, assustadores e dolorosos.  Nas palavras do próprio John Green, é uma história sobre se apaixonar, sobre conviver com trauma e sobre a nossa relação com a internet, onde trocamos pedaços de nós mesmos por atenção pública. Compre o livro "Um Final de Cinema", de John Green, neste link.


O que se sabe sobre o livro
Para os jovens atores em ascensão Kai Laramie e Juniper Castillo, estrelar a tão aguardada cinebiografia sobre o último ano de vida de Andy Warhol é a oportunidade dos sonhos pela qual ambos esperavam. Juniper, uma ex-atriz mirim, não vê a hora de mostrar que está pronta para assumir papéis mais maduros e ser reconhecida na indústria. Já Kai, um ator estreante, não consegue parar de pensar se essa será sua primeira e única chance em Hollywood.

Após o lançamento, o filme vira um fenômeno, e Juniper e Kai finalmente alcançam o sucesso que sempre almejaram - e talvez o amor que não esperavam. Mas, ao mesmo tempo que suas carreiras decolam de uma hora para outra, a vida dos dois começa a sair dos eixos, forçando-os a aprender a navegar entre o estrelato e as dificuldades que a exposição traz.

Comovente e perspicaz, "Um Final de Cinema", escrito por John Green, é, nas palavras do próprio autor, um romance sobre amor, traumas e a relação com a internet, em que trocamos pedaços de nós mesmos por atenção pública. Uma história contemporânea, protagonizada por personagens sinceros e irreverentes, que vivem na pele o que se ganha e o que se perde quando se é visto.


Sobre o autor
John Green, autor premiado e best-seller do New York Times, é formado em língua inglesa e estudos religiosos pelo Kenyon College, em Ohio. Nasceu em 1977 em Indiana, onde vive com a mulher e o filho, e ao longo dos anos morou em Nova York, Illinois, Michigan, Flórida e Alabama. Atuou como redator na National Public Radio em Chicago, foi editor-assistente e de produção da revista de resenhas literárias Booklist e assinou críticas de livros para o New York Times. Personalidade ativa na internet, além de manter o próprio blog e o canal do YouTube Vlogbrothers, John coapresenta com o irmão Hank Green os vídeos do projeto “Crash Course”, um canal on-line com aulas gratuitas de diversas disciplinas. Compre os livros de John Green neste link.

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

.: Livro "Cá Camila ou Uma Invenção de Alegria", será lançado em São Paulo


Neste quarto livro, escritora conduz o leitor por uma viagem entre fantasia, memória e história, tendo a imaginação como protagonista. Foto: divulgação

Foram anos até que "Cá Camila ou Uma Invenção de Alegria", chegasse às mãos do leitor. Com uma narrativa recheada de histórias, viagens e emoções que transitam em um universo onde realidade e imaginação se encontram, o livro será lançado no dia 15 de agosto, às 15h00, em tarde de autógrafos na Livraria Drummond, no Conjunto Nacional, em São Paulo.

Escrito por Fernanda Pompeu e publicado pela Editora Labrador, a publicação conta as aventuras de Cá Camila, uma boneca de madeira criada por dois artesãos, que ganha vida e parte em direção ao desconhecido. Um simples gesto, o dedo apontando ao acaso em um lugar no globo terrestre, transforma-se no início de uma jornada que atravessa geografias, épocas e memórias, conduzindo a personagem por paisagens reais e imaginárias em uma celebração da liberdade, da invenção e do desejo de descobrir o mundo.

A história termina no sul da Bahia, cruza oceanos, passa pelas Malvinas, atravessa Machupicchu, redescobre Hiroshima e contorna o Rio de Janeiro. Mas a verdadeira viagem acontece dentro da própria linguagem. Com uma prosa que combina fantasia, referências históricas e reflexões filosóficas, Fernanda constrói um romance onde a imaginação não funciona como fuga da realidade, mas como ferramenta para compreendê-la.

"É um livro muito especial para mim. Comecei a escrever 'Cá Camila' em Trancoso, no sul da Bahia. Não havia roteiro nem planejamento. Eu só tinha o desejo de escrever um livro e fui descobrindo a história enquanto ela acontecia. Com o tempo, percebi que esse livro também estava me escrevendo. Espero que cada leitor faça essa viagem do seu próprio jeito e descubra que a alegria também pode ser uma invenção", define a autora.

Mais do que narrar uma aventura, Cá Camila ou uma invenção de Alegria celebra a arte. Logo nas primeiras páginas, o leitor acompanha o nascimento da protagonista pelas mãos de Alegria e Organsim, dois artesãos que transformam madeira, tecido e imaginação em vida. A partir desse gesto, a história propõe reflexões sobre temas sensíveis como criação, memória, identidade e pertencimento, reafirmando a literatura como um território onde o impossível encontra morada.

Nesse novo livro, Fernanda rompe fronteiras entre o real e o fantástico, convidando o leitor a viajar e se reinventar, onde cada porto alcançado transforma quem parte e cada paisagem visitada amplia as possibilidades do olhar e do sentir. "Cá Camila ou Uma Invenção de Alegria" propõe um novo encontro de Fernanda com seus leitores. Nesse romance, amadurecido ao longo de décadas, ela traz um olhar diferente, compartilhando com a protagonista uma história que reafirma a imaginação como força criadora, convidando os leitores a desvendarem novos caminhos e a embarcarem em suas próprias travessias. Compre o livro "Cá Camila ou Uma Invenção de Alegria" neste link.

 
Sobre Fernanda Pompeu
Fernanda Pompeu é escritora, jornalista e roteirista, com uma trajetória consolidada na literatura e na comunicação. Foi uma das roteiristas da série "Mundo da Lua", da TV Cultura, e construiu sua carreira escrevendo ficção, não ficção e conteúdos voltados a temas sociais e culturais. Autora de "64", "Escriba Errante" e "Quando Eu Era Velha", incentiva novos escritores por meio de oficinas e projetos de escrita e, nas redes sociais, compartilha reflexões sobre literatura e desafios da comunicação na era digital. Também aborda temas como inteligência artificial, envelhecimento, criatividade e comportamento, sempre com um olhar crítico, bem-humorado e sensível, aproximando o público de discussões atuais por meio da palavra e da experiência. Compre os livros de Fernanda Pompeu neste link.


Sessão de autógrafos
Data: sábado, dia 15 de agosto, às 15h00
Livraria Drummond – Conjunto Nacional | Avenida Paulista, 2073 - São Paulo

sábado, 8 de agosto de 2026

.: Entrevista com Fernando Cunha, autor de "O Dilema do Basilisco"


Na entrevista abaixo, Fernando Cunha, autor de "O Dilema do Basilisco", convida a avaliar as atitudes da humanidade em um mundo cada vez mais rápido e materialista. Foto: divulgação

Em um mundo que parece ter normalizado a competição, a rapidez, o sofrimento e a ansiedade, Fernando Cunha provoca as pessoas a pararem e refletirem sobre os caminhos que estão sendo trilhados pela sociedade. Autor de "O Dilema do Basilisco", uma obra filosófica que parte da pergunta “por que a humanidade não deve ser extinta?”, ele busca romper com a visão individualista do mundo para mostrar como alcançar objetivos materiais sozinho não tem significado.

No enredo, um personagem não identificado é convocado para responder a esse questionamento e defender a continuidade da própria espécie frente a uma inteligência artificial que se tornou a julgadora da população mundial. De acordo com o escritor, a publicação não tem o intuito de apresentar fórmulas prontas, mas de revelar as múltiplas perspectivas presentes em uma única pergunta.

“Respostas prontas não funcionam com o ser humano, apenas funcionam para torná-lo cheio de certezas e preconceitos. A formação da certeza enaltece o ego e depois o engessa. Para seguir essa jornada, é preciso flexibilizar um pouco a realidade, fazer com que o próprio leitor perceba quem ele é pelo espelho do protagonista”, explica ele. Compre o livro  "O Dilema do Basilisco", de Fernando Cunha, neste link.


A ideia de colocar a humanidade diante de uma inteligência artificial que decide seu destino parte de um dilema filosófico bastante conhecido. Como o Basilisco de Roko se insere no seu romance?
 
Fernando Cunha - O Basilisco de Roko representa uma inteligência artificial soberana que controla todos os recursos e teoricamente poderia retaliar aqueles que não contribuíram para sua formação. Apesar do aspecto maligno e destrutivo sugerido pelo experimento mental, o Basilisco é apresentado no prólogo como uma entidade que pergunta e observa, sem interferência, com o potencial de julgar toda a humanidade num piscar de olhos. Nesse contexto, a ideia do Basilisco se junta ao seu conceito original de ser um monstro mitológico cujo olhar petrifica o alvo. O protagonista se apresenta para responder à pergunta diante da inteligência onipotente e onisciente.


O livro parte de uma pergunta profunda: "Por que a humanidade não deve ser extinta?". Na sua perspectiva, qual a importância de pensar sobre esse tema no mundo em que vivemos?
 
Fernando Cunha - A pergunta sobre a possibilidade de extinção é provocadora porque no dia a dia não temos o costume de avaliar como as nossas atitudes impactam a vida dos outros. Somos pressionados por um mundo rápido e materialista a pensar que somos especiais frente aos outros, e isso nos gera ambição, ansiedade e sofrimento. A pergunta tem um condão de machucar a visão individualista perpetuada nos dias de hoje pela necessidade de enriquecimento rápido e realizações sociais comparativas, substituindo-a pouco a pouco por uma visão mais integradora, reconhecendo que um “eu” sozinho que se destaca não significa nada.


O protagonista não tem nome. Existe um significado para essa escolha?
Fernando Cunha - A falta de identidade do protagonista é um dos pilares da obra. O fato de ele não ter identidade faz com que o leitor queira preenchê-la por conta própria. Ora o leitor se sente no papel dele, ora no papel do ouvinte Basilisco. Uma importante lição dessa escolha do autor é que o apego à identidade também é uma possível fonte de sofrimento.


O contato com o budismo também ocupa um lugar importante na sua trajetória. Como essa filosofia atravessa a construção do romance? 
Fernando Cunha - A sabedoria budista talvez seja o principal pano de fundo de "O Dilema do Basilisco". O livro é sobre alguém que precisa responder uma pergunta diante do absoluto incompreensível. É exatamente isso que fazemos quando nos enveredamos para áreas como filosofia, espiritualidade e autoconhecimento. O protagonista pode representar cada um na sua jornada de evolução. Cada um tem seu próprio Basilisco para olhar nos olhos e dar a resposta que ele espera. Quando a resposta esgota todo o sofrimento, abre-se espaço para luz e felicidade. No fundo, o livro é um processo de iluminação (nirvana).


Em vários momentos, ciência e espiritualidade dialogam na narrativa. De que maneira esses campos se complementam? 
Fernando Cunha - Ciência e espiritualidade são maneiras diferentes de se buscar a verdade. Mas no livro, para encontrar a verdade é preciso destruir (ou pelo menos provocar) as verdades pessoais convencionais. Os capítulos provocam as certezas que formamos ao longo da vida e das experiências humanas. Dessa forma, a mente rejuvenesce para uma mente infantil, ávida por descobertas. A mente curiosa pode remover os obstáculos dos nossos preconceitos para conseguir enxergar a verdade-última, aquela que realmente dá o sentido de todas as coisas.


Em vez de oferecer respostas definitivas, a obra apresenta perguntas. O que você espera provocar no leitor ao final da leitura? 
Fernando Cunha - A ideia de não trazer respostas é a grandiosidade da obra. Respostas prontas não funcionam com o ser humano, apenas funcionam para torná-lo cheio de certezas e preconceitos. A formação da certeza enaltece o ego e depois o engessa. Para seguir essa jornada, é preciso flexibilizar um pouco a realidade, fazer com que o próprio leitor perceba quem ele é pelo espelho do protagonista. O objetivo é provocar no leitor uma quebra de identidade, de apego e de agarramento ao “em si”, para que ele nasça novamente num caminho de compaixão e sabedoria.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

.: A voz por trás de Pikachu agora inspira uma nova geração de leitores


Em estreia na literatura infantil, a dubladora Lhays Macedo lança "A camaleoa Luni", uma história sobre identidade, pertencimento e autoaceitação com edição impressa e audiobook. Foto: Divulgação | Editora Mundo Cristão


Durante anos, a voz de Lhays Macedo acompanhou a infância de milhões de brasileiros em séries, filmes e animações. Agora, a dubladora conhecida por dar vida a personagens como Pikachu ("Pokémon: O Filme -Eu Escolho Você!"), Polly Papagaio ("Peppa Pig"), Lucky Prescott ("Spirit - Cavalgando Livre", da Netflix) e Lola Loud ("The Loud House", da Nickelodeon), troca os estúdios de dublagem pelas páginas de "A Camaleoa Luni". Neste livro infantil, com versão também em audiobook, a artista narra uma história que dialoga com um tema cada vez mais presente: a busca pela própria identidade. 

Publicado pela Editora Mundo Cristão e com ilustrações de Laura Mocelin, o lançamento marca a estreia literária da atriz, diretora de dublagem e influenciadora, que reúne mais de 4 milhões de seguidores nas redes sociais. A narrativa transforma questões profundas em uma leitura leve, acessível e significativa para crianças e suas famílias. O enredo se passa na vila de Aguaviva, onde mora Luni, uma camaleoa capaz de mudar de cor quando quiser. Mas o que parece ser um dom extraordinário logo se transforma em um desafio. Na tentativa de ser aceita e se encaixar nos grupos ao seu redor, ela muda tanto que acaba se afastando de quem realmente é. 

A partir dessa metáfora, Lhays Macedo provoca reflexões sobre pertencimento, autoestima e autenticidade. Voltado para a faixa etária de 4 a 8 anos, o livro conduz os pequenos leitores por uma jornada de autodescoberta que ganha força quando Luni parte até a misteriosa Fonte da Verdade. Ao longo do caminho, ela encontra respostas que transformam a própria visão sobre si mesma. Outro destaque são as ilustrações de Laura Mocelin, artista de projeção internacional que ilustra a aventura da personagem e o universo de Aguaviva, ampliando a experiência de leitura com imagens coloridas e divertidas. 

A camaleoa Luni oferece ainda um ponto de apoio para pais, educadores e famílias que buscam conversar com as crianças sobre valores e saúde emocional. Depois de anos dando voz a protagonistas marcantes, Lhays Macedo agora encontra nas páginas um espaço para transmitir uma mensagem especial: dentro do coração, cada pessoa carrega um valor único que não depende da aprovação dos outros. Compre o livro "A Camaleoa Luni" neste link.


Sobre a autora
Lhays Macedo é atriz, dubladora e diretora de dublagem, com quase duas décadas de carreira no audiovisual. Já deu voz a centenas de personagens em filmes, séries, desenhos, animes, games e novelas, como Pikachu  em "Pokémon: O Filme - Eu Escolho Você!". Dirige a dublagem do "Bible Project Português" e soma mais de 4 milhões de seguidores em suas redes sociais, criando conteúdo sobre fé, maternidade e os bastidores de sua profissão. 

Sobre a ilustradora
Laura Mocelin é ilustradora e diagramadora especializada em livros infantis. Formou-se em Arquitetura e Urbanismo pela UFFS Erechim, mas a arte tomou seu coração desde os primeiros rabiscos na infância. Hoje é representada internacionalmente pela Illo Agency e tem uma lista de mais de cem livros ilustrados. 

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

.: "Os Armários Vazios", de Annie Ernaux, é relançado pela Editora Fósforo


Em 1974, quase 50 anos antes de ser laureada com o Prêmio Nobel de Literatura, Annie Ernaux publicava o primeiro romance dela, "Os Armários Vazios", uma incursão visceral pela ficção e espécie de gérmen literário de uma escrita que ficaria cada vez mais contida, se transformando no novo gênero que a consagrou. Neste livro, uma jovem de 20 anos, Denise Lesur, acaba de realizar um aborto e rememora a trajetória de sua ascensão de classe, escrevendo cada detalhe com as tintas da bile. Filha de donos de um café-mercearia, Ninise, como é chamada pelos pais, se vê dividida entre dois mundos e teme que a gravidez indesejada tenha posto tudo a perder. A nova edição, traduzida por Mariana Delfini, é publicada pela Editora Fósforo.

Para além da crise pessoal, o aborto representa uma mancha no mundo burguês, limpo, ordenado e elegante, no qual Denise conseguira ingressar depois de muitos anos de escolarização e controle de suas maneiras; é um resquício do meio onde cresceu, um cenário repleto de desejo e vulgaridade. Acreditando ter chegado longe, a protagonista disseca o ambiente popular, as palavras, os modos, as diferenças de uma classe e outra, além da vergonha que sente de seus pais.

E se os temas podem parecer semelhantes aos de obras posteriores como O acontecimento, "O Lugar", "A Vergonha", o que impressiona em "Os Armários Vazios" é a linguagem rápida, entrecortada e pulsante, livre de autocensura e que urge em captar todo o vivido para que não seja esquecido, para que a verdade não seja postergada. Nele, tem-se a possibilidade de conhecer Ernaux sem as arestas aparadas. Trata-se da obra que revelou para o mundo o trabalho da autora, o qual, desde então, segue impressionando com todas as suas facetas. Compre o livro "Os Armários Vazios", de Annie Ernaux, neste link.


Sobre a autora
Annie Ernaux
nasceu em 1940, em Lillebonne, na França. Estudou na Universidade de Rouen e foi professora do Centre National d’Enseignement par Correspondance por mais de 30 anos. Os livros dela são considerados clássicos modernos na França. Em 2022, Ernaux recebeu o prêmio Nobel de literatura pelo conjunto de sua obra. Compre os livros de Annie Ernaux neste link.

domingo, 2 de agosto de 2026

.: Obra finalista do International Booker e mais livros de Ana Paula Maia em box


A premiada Ana Paula Maia reúne em nova edição, no box "Saga dos Brutos", os sucessos "Entre Rinhas de Cachorros e Porcos Abatidos""Carvão Animal""De Gados e Homens" e "Assim na Terra como Embaixo da Terra". Este último, vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura em 2018, chegou em 2026 a finalista do International Booker Prize, prêmio literário britânico e um dos mais importantes do mundo dado a obras traduzidas para o inglês. O projeto gráfico é do premiado Leo Iaccarino.

Maia dialoga com o cinema, com inspirações no horror e no suspense. Enterre seus mortos, também vencedor do prêmio São Paulo, ganhou adaptação para o cinema em 2025, e a autora roteirizou a série Desalma (Globoplay). "A Saga dos Brutos" reúne histórias de homens que abatem porcos, recolhem o lixo, desentopem esgoto, quebram asfalto, apagam incêndios, cremam corpos e comandam prisões. O retrato da vida amarga desses seres embrutecidos pelas tarefas que executam também é uma fotografia cruel do meio onde vivem. Compre o box de livros "Saga dos Brutos" neste link.

Duas narrativas retratam homens submetidos à brutalidade do cotidiano. Em um subúrbio sufocante, Edgar Wilson e Gerson sobrevivem abatendo porcos e apostando em rinhas de cães. Na segunda história, trabalhadores da limpeza urbana enfrentam o caos após uma greve de coletores de lixo, enquanto Erasmo Wagner inicia uma jornada de acerto de contas com o passado. Compre o livro neste link.

Ernesto Wesley, Ronivon e Edgar Wilson são trabalhadores marginalizados, presos à dureza de suas funções e escolhas. Em uma atmosfera claustrofóbica, Ana Paula Maia revela personagens ambíguos, marcados pela violência, pela morte e pela perda de dignidade. Compre o livro neste link.

Dois anos após Carvão animal, Edgar Wilson trabalha em um matadouro bovino. Mortes inesperadas de animais levam funcionários a questionamentos sobre trabalho, destino e existência em um cotidiano brutal e invisível. Compre o livro neste link.

Em uma colônia penal construída sobre um passado de tortura e assassinatos, o projeto de ressocialização dá lugar a um campo de extermínio. Nos últimos dias de funcionamento da prisão, horrores vêm à tona em uma narrativa impactante que analisa cenários de violência e desumanização. Compre o livro neste link.


Sobre a autora
Ana Paula Maia é escritora e roteirista. Tem nove livros publicados, incluindo "Assim na Terra como Embaixo da Terra", "Carvão Animal", "De Gados e Homens" e "Entre Rinhas de Cachorros e Porcos Abatidos", publicados pela Editora Record; e foi traduzida na Alemanha, Estados Unidos, Sérvia, França, Argentina e Itália. Vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura, "Assim na Terra como Embaixo da Terra" foi finalista do International Booker Prize 2026, um dos principais prêmios da literatura mundial. Compre os livros de Ana Paula Maia neste link.

.: Após a Flip, Valter Hugo Mãe percorre cidades brasileiras com novo romance


Autor português participa de bate-papos, festivais literários e sessões de autógrafos para celebrar o lançamento de "O Século dos Imbecis". Foto: divulgação

Após participar da Festa Literária Internacional de Paraty, o escritor Valter Hugo Mãe segue pelo Brasil para uma turnê de lançamento de "O Século dos Imbecis", novo romance publicado pela Biblioteca Azul, selo da Globo Livros. Até dia 15 de agosto, o escritor passará por São Luís, integrando a programação do Conversações de Além-mar – Encontro Internacional de Literatura de Língua Portuguesa, do Festival da Palavra de Curitiba; do Festival Literário de Niterói (FLIN) e Rio de Janeiro, em sessão de autógrafos na
Livraria da Travessa de Ipanema. Ele já passou por Brasília e São Paulo,

Em "O Século dos Imbecis", Valter Hugo Mãe constrói uma alegoria sobre os vícios e as virtudes da sociedade contemporânea. Com capa dura e projeto gráfico assinado pelo artista português Albuquerque Mendes, o livro acompanha Agilulfo, o excêntrico Marquês da Malandrinha, que vive em um palacete no alto das montanhas e exerce enorme fascínio sobre os habitantes de um pequeno vilarejo. O personagem é conhecido por uma característica insólita: quanto mais desce em direção ao nível do mar, mais emburrece; quanto mais sobe a montanha, mais lúcido e brilhante se torna. Entre o realismo mágico, o humor e a delicadeza característica da obra do autor, o romance reflete sobre o que há de mais contraditório na experiência humana. Compre o livro "O Século dos Imbecis", de Valter Hugo Mãe, neste link.


"A felicidade estava tão disponível no espetáculo da burrice, que todos se aproveitavam daquela que fosse alheia tanto quanto podiam" 
Um homem que emburrece ao descer a montanha. Um vilarejo movido por ambições, paixões e ressentimentos. Mulheres que, com gestos discretos e revolucionários, desafiam convenções e transformam a vida coletiva. Em "O Século dos Imbecis",, novo romance de Valter Hugo Mãe, a realidade e o fantástico se entrelaçam em uma narrativa que investiga, com humor, ironia e sensibilidade, aquilo que há de mais contraditório na experiência humana.

No alto das montanhas ergue-se a Malandrinha, palacete que domina a paisagem de uma pequena comunidade. Ali vive Agilulfo, o excêntrico Marquês da Malandrinha, conhecido por uma característica peculiar: quanto mais desce em direção ao nível do mar, mais emburrece; quanto mais sobe, mais lúcido se torna. Em torno dessa figura fascinante, desenrola-se uma trama em que desejo, inveja, vergonha, ganância, empatia, solidariedade e estupidez atravessam a vida dos personagens e revelam os mecanismos mais íntimos da convivência humana.

Entre a sátira social e o realismo mágico, Valter Hugo Mãe constrói uma alegoria sobre os excessos, os preconceitos, as crenças e as fragilidades que moldam a vida em comunidade. Ao mesmo tempo, o romance encontra nas personagens femininas uma força transformadora capaz de desafiar hierarquias, reinventar destinos e apontar novos caminhos para a coletividade.

Considerado um dos mais importantes escritores da literatura contemporânea em língua portuguesa, Valter Hugo Mãe é autor de obras marcantes como O filho de mil homens, adaptado para o cinema pela Netflix, A desumanização e A máquina de fazer espanhóis, entre outros sucessos. Depois de Educação da tristeza, livro em que se aproximou da biografia para refletir sobre a experiência do luto, o autor retorna ao terreno da ficção com a mesma prosa lírica e singular que o consagrou internacionalmente. 

Em "O Século dos Imbecis", Valter Hugo Mãe revisita temas centrais de sua obra - pertencimento, afeto, poder, fragilidade e esperança - para criar um romance ao mesmo tempo divertido e inquietante, capaz de provocar o riso enquanto lança um olhar mordaz sobre quem somos. Uma história que transforma o absurdo em beleza e convida o leitor a reconhecer, nos personagens da Malandrinha, algo de si mesmo. Publicado em edição de capa dura com ilustração assinada pelo artista português Albuquerque Mendes, "O Século dos Imbecis" já chegou às livrarias em pela Biblioteca Azul. 


Sobre o autor
Valter Hugo Mãe é um dos mais destacados autores portugueses da atualidade. Sua obra foi traduzida para diversas línguas, e recebeu prestigiado acolhimento em muitos países. É autor dos romances "Deus na Escuridão", "As Doenças do Brasil", "Contra Mim" (Grande Prêmio de Romance e Novela - Associação Portuguesa de Escritores); "Homens Imprudentemente Poéticos";  "A Desumanização";  "O Filho de Mil Homens";  "A Máquina de Fazer Espanhóis" (Prêmio Oceanos);  "O Apocalipse dos Trabalhadores";  "O Remorso de Baltazar Serapião" (Prêmio Literário José Saramago);  "O Nosso Reino" e "O Século dos Imbecis". Escreveu "Educação da Tristeza", uma não-ficção, e também alguns livros para todas as idades, entre os quais:  "Contos de Cães e Maus Lobos", "O Paraíso São os Outros", "As Mais Belas Coisas do Mundo",  "Serei Sempre o Teu Abrigo" e "A Minha Mãe É a Minha Filha". Todas essas obras são publicadas no Brasil pela Biblioteca Azul. Compre os livros de Valter Hugo Mãe neste link.


Confira a programação:

São Luís (MA)
Conversações de Além-mar – Encontro Internacional de Literatura de Língua Portuguesa
Bate-papo e sessão de autógrafos

Dia 6 de agosto, quinta-feira, às 18h00.
São Luís Hall - Avenida Professor Carlos Cunha, 1000, Jaracati - São Luís (MA)

Curitiba (PR)
Festival da Palavra de Curitiba
Bate-papo “A Delicadeza Contra a Brutalidade” e sessão de autógrafos
Dia 8 de agosto, sábado, às 20h00
Auditório do Museu Oscar Niemeyer - Rua Marechal Hermes, 999, Centro Cívico - Curitiba (PR)

Niterói (RJ)
Festival Literário de Niterói (FLIN)
Bate-papo e sessão de autógrafos

Dia 14 de agosto, sexta-feira, em horário a confirmar
Reserva Cultural Niterói — Avenida Visconde do Rio Branco, 880, São Domingos - Niterói (RJ)

Rio de Janeiro (RJ)
Lançamento de "O Século dos Imbecis"
Sessão de autógrafos

Dia 15 de agosto, sábado, às 18h00
Livraria da Travessa de Ipanema - Rua Visconde de Pirajá, 572, Ipanema - Rio de Janeiro (RJ)

.: Treze autoras transformam canções de Taylor Swift em contos


Em "13 Histórias de Amor", antologia juvenil que chega às livrarias em agosto pela Intrínseca, nomes de peso da literatura contemporânea internacional se inspiram em canções de Taylor Swift para explorar temas como o primeiro amor, as dores de um coração partido, a força da amizade, as incertezas do amadurecimento e o processo de descobrir quem se é para além de um relacionamento. Escritas por Lynn Painter, Jesse Q. Sutanto, Elise Bryant, J. Elle, Jennifer Dugan, Jessica Goodman, Julie Murphy, Katharine McGee, Krystal Marquis, Laura Sebastian, Sara Shepard, Crystal Maldonado e Sloan Harlow, as histórias acompanham personagens em momentos decisivos da juventude.

Com tradução de  Beatriz D’Oliveira e Nathália Dimambro, os contos são organizados como as faixas de uma playlist e alternam estilos, atmosferas e interpretações sobre sentimentos presentes nas músicas que os inspiraram. Para os fãs da cantora, a leitura também está repleta de referências do universo de Taylor Swift. Ao mesmo tempo, as histórias funcionam de maneira independente e acompanham personagens que tentam compreender as próprias emoções em fases marcadas por mudanças e decisões difíceis.

Em um dos contos, uma estudante do ensino médio prepara um grande gesto para demonstrar à melhor amiga a importância daquela relação. Em outro, dois jovens no último ano da escola tentam conciliar a atração que sentem com os caminhos distintos que pretendem seguir depois da formatura. Há ainda uma universitária prestes a iniciar uma carreira promissora que precisa reavaliar o relacionamento no qual depositou seus planos para o futuro. O amor funciona como o fio que conecta a antologia, mas surge em diferentes formas. 

As autoras de "13 Histórias de Amor" estão entre alguns dos principais nomes contemporâneos da literatura jovem. O grupo reúne escritoras best-sellers do New York Times e do USA Today, autoras premiadas e donas de obras adaptadas para o audiovisual. Lynn Painter, por exemplo, autora de "Melhor do que nos Filmes", já ultrapassou a marca de um milhão de exemplares vendidos no Brasil.  Compre o livro "13 Histórias de Amor" neste link.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

.: "Ulisses", na pioneira tradução de Antônio Houaiss, é relançado


Na véspera do Bloomsday, como é chamado o dia em que se passa a narrativa de "Ulisses", a editora Civilização Brasileira manda para as livrarias o romance monumental de James Joyce, na célebre e pioneira tradução de Antônio Houaiss, recuperando o projeto gráfico original do icônico designer Eugênio Hirsch, com texto de orelha de Augusto de Campos. A edição conta ainda com preparação de texto que recupera a versão aprovada por Houaiss, além de introdução e cronologia.

Joyce foi um dos maiores escritores do século XX, síntese do modernismo literário e de novas concepções de literatura. Considerada a obra-prima do escritor irlandês, "Ulisses" é uma reimaginação moderna da estrutura da "Odisseia" de Homero. O romance "Ulisses" acompanha algumas horas da vida do corretor de anúncios Leopold Bloom, ao longo do dia 16 de junho de 1904 e da madrugada seguinte: ele sai de casa pela manhã e retorna à noite na companhia de Stephen Dedalus. Em casa, sua esposa, a cantora Molly Bloom, já está deitada – após ter passado a tarde com o amante. Publicado em 1922, o livro foi divisor de águas na literatura. Por sua grande inovação, horrorizou e encantou leitores e críticos. Para T. S. Eliot“Joyce está seguindo um método que outros devem buscar depois dele”.

O intelectual Antônio Houaiss encarou o desafio de traduzir "Ulisses" para o português brasileiro em menos de um ano. O trabalho exigia não apenas conhecimento técnico, mas grande sensibilidade para as possibilidades do idioma. Sua tradução inaugurou no país a tradição de leitura e estudo de Ulisses, mantendo-se como referência quase cinquenta anos depois. Vitor Alevato do Amaral, um dos maiores especialistas em James Joyce no Brasil, estabeleceu o texto desta edição e organizou conteúdo para contextualizar o romance e sua segunda edição, revista por Antônio Houaiss e editada por Ênio Silveira. Compre o livro "Ulisses", de James Joyce, neste link.


O que disseram sobre o livro
“É indispensável conhecer essa obra para consciencializar suas conquistas e poder seguir à frente, no caminho do novo. Um escritor atual que não tenha lido Joyce, é mais ou menos como um físico que ignore Einstein ou um sociólogo que não tenha tomado conhecimento de Marx.” Augusto de Campos


Sobre o autor
James Joyce (Irlanda, 1882 – Suíça, 1941) é amplamente considerado um dos maiores escritores do século XX. Embora o romancista tenha vivido boa parte de sua vida expatriado de sua terra natal, sua identidade irlandesa foi essencial para a construção da ambientação e da temática de sua obra. Dos seus maiores títulos, a odisseia moderna Ulisses é publicada pela Editora Civilização Brasileira. Compre os livros de James Joyce neste link.

domingo, 26 de julho de 2026

.: Entrevista: Thiago Sobral, o homem que ousou matar o pai na ficção


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

No romance de estreia "O Pai, a Faca e o Beijo", escrito por Thiago Sobral, a conversa começa depois do que não tem volta: um filho diante do corpo do pai, tentando organizar a própria versão enquanto empurra todo o resto para fora do quadro. Não há espaço para testemunha, só para a fala que é despejada ali. A cidade observa de perto, como sempre, e o silêncio pesa mais do que qualquer grito.

O romance lançado pela Editora Patuá avança em cima de cortes secos, pistas falsas, desvios  e o leitor fica ali, insistindo, mesmo quando já entendeu o terreno em que está pisando. Ex-seminarista, professor, escritor estreante pela Patuá, o autor prefere o atrito à acomodação. Nesta entrevista exclusiva ao portal Resenhando.com, ele fala de desconfiança, linguagem, fé sem amparo e personagens que não buscam aprovação dos leitores, o que torna tudo mais interessante. Compre o livro "O Pai, a Faca e o Beijo", escrito por Thiago Sobral, neste link.


Resenhando.com - Seu romance parece sabotar o leitor o tempo todo: quando ele pensa que encontrou um afeto, ou quando espera redenção, você oferece outra coisa. Escrever, para você, é um gesto de desconfiança?
Thiago Sobral - Acredito, em partes, que sim. Desconfiança das verdades estabelecidas, das certezas inquebrantáveis. No caso de “O Pai, a Faca e o Beijo”, o leitor talvez pense que, por tratar da relação entre pai e filho, encontre alguma esperança ou possibilidade de redenção, como em tantas outras histórias que se constroem em torno disso, como a parábola do Filho Pródigo, por exemplo. Mas, na história de Santiago e Severo, temos um filho que sofreu muito com as várias violências praticadas pelo pai. Por conta disso, ele não consegue mais olhar para o lado, dialogar com as diferenças e que, por isso, busca, de todas as formas, justificar o parricídio que acabou de cometer. Nessa tentativa, ele conta a sua versão dos fatos. Versão essa que não deixa espaço para a interferência das outras personagens. Todas as possibilidades de construir um novo olhar, de se abrir a novos sentimentos e experimentar novos afetos são sumariamente ignoradas. A pergunta que surge é: Santiago age assim porque é fruto de tudo isso, ou porque escolhe se fechar a qualquer possibilidade de agir e ser diferente?


Resenhando.com - Santiago é um personagem que concentra contradições quase insuportáveis, já que encarna aquilo que combate. Em algum momento você temeu que ele se tornasse tão intragável a ponto de o público não torcer por ele?
Thiago Sobral - Eu quis construir um personagem que, de cara, fosse identificado como vítima e que, ao longo da história, oferecesse elementos capazes de justificar o seu crime e assim ganhasse a confiança do leitor. Justamente por isso, penso que, por mais que sinta vontade de abandoná-lo em seu próprio ódio e condená-lo pelo seu ato, o leitor ainda torce por ele, deseja que supere tudo aquilo e encontre o seu caminho. As possibilidades existem, alguns personagens tentam fazê-lo enxerga-las. E é por isso que o leitor, talvez, deseje, até o final, que tudo acabe bem.


Resenhando.com - No seu livro, a violência aparece como forma de cuidado, omissão e até desejo. Você diria que a forma mais cruel de agressão é aquela que consegue se disfarçar de amor?
Thiago Sobral - Ah, sem dúvida. Quase sempre, nas relações humanas das quais se espera o cuidado, a violência é justificada por quem a pratica. As surras, as palavras pesadas, as ofensas, os puxões de orelha são sempre dados na tentativa de se evitar que algo ruim aconteça. No caso do Severo, ele esperava livrar o filho de certos sofrimentos e, principalmente, de julgamentos morais. Ioiô, a mãe, tenta convencer o filho de que aquele é o jeito do pai e que, uma hora ele vai mudar. Os irmãos homens de Santiago reproduzem aquilo que veem em seu dia a dia. E o próprio Santi reproduz essa violência com seu amigo Davi, seja no ato sexual em si, seja com as palavras que dirige a ele em cada tentativa de afeto recebido. No fim, a violência aparece como parte natural da vida daquela família e como substituta do diálogo, que nunca acontece por completo, porque não são capazes de se abrir à experiência com o outro, ao universo do próximo. Cada um se fecha em suas próprias verdades. E quando não se dialoga, o que resta é a tentativa de impor ao outro as suas próprias convicções; e, por não haver palavra trocada, restam puxões de cabelo, tapas, socos e xingamentos.


Resenhando.com - Severo, o pai opressor, parece agir movido por uma lógica interna que, para ele, faz sentido. O que mais interessava a você ao construí-lo: denunciar a violência ou revelar o quanto ela pode ser racionalizada por quem a pratica?
Thiago Sobral - Na cabeça do Severo, aquela era a melhor forma de educar o filho. Não eram atitudes inconscientes ou impulsivas. Ele queria livrar Santiago de coisas que ele mesmo julgava conhecer bem. E é muito comum nos depararmos com pessoas que pensam assim. Em minha trajetória como professor, já me deparei com pais que pensam e agem dessa forma. Quantas e quantas vezes não já ouvimos a frase: “Isso é falta de surra!”? Ou “Dou uns tapas que aí vira homem rapidinho!”? Então, a violência, nesses casos, é racionalizada, revela-se como um método e é quase institucionalizada. Quanta polêmica não foi feita na época em que se debateu a “Lei da Palmada”? Muita gente pensa que é um direito dos pais corrigirem os filhos com violência, quando julgarem necessário. Tivemos um caso recente no Paraná, de um pai que chutou a filha de três anos. Então, além de denunciar a violência sofrida por muitos filhos, eu quis, sobretudo, mostrar que ela não é mero fruto do acaso. Antes, faz parte de uma estrutura, de um arranjo social muito antigo e que está aos poucos sendo questionado e combatido. Mas ainda é preciso que se faça muito mais nesse campo. Para tornar a reflexão ainda mais complexa, o livro quer propor mais uma reflexão: as violências sofridas por Santiago justificam o crime que ele cometeu?
 

Resenhando.com - A cidade de Cubatão não aparece apenas como cenário, mas como uma espécie de personagem que vigia, regula e rotula. Até que ponto a geografia, na sua escrita, é responsável pelo fracasso das relações?
Thiago Sobral - O espaço que se habita sempre exerce alguma influência sobre nós. O Determinismo, de Hippolyte Taine, ofereceu algumas ferramentas aos escritores naturalistas e estas exercem alguma influência sobre a minha literatura, embora não haja, de minha parte, uma adesão plena a esse pensamento. Mas todo cubatense compartilha, de alguma forma, um instinto bisbilhoteiro e comentador dos fatos cotidianos. Nossa geografia, espremida pela Serra do Mar, e bairros entrecortados por rios e mangues, nos aglutina de tal maneira, que, muitas vezes, temos a sensação de conhecer e saber alguma coisa sobre todo mundo. Além disso, temos as fábricas que ocupam parte significativa desse território, lançam muita fuligem no ar e esquentam a atmosfera, de modo que tudo parece sempre muito abafado. Morar em Cubatão é sufocante em boa parte do ano. E boa parte da vida, dos desejos e da personalidade de Santiago é também sufocada por ele em mesmo e pela vizinhança. Talvez por isso, a despeito da riqueza que a cidade arrecada com os impostos, seja, ainda hoje, um lugar que precisa se desenvolver e superar alguns fracassos do passado que insistem em nos marcar até os dias atuais.
 

Resenhando.com - Sua experiência como ex-seminarista aparece, de alguma maneira, no romance. Mas a fé que aparece ali não dá o conforto que as pessoas esperam de um ex-religioso. A literatura, para você, substitui a religião ou continua sendo uma forma de oração, ainda que sem resposta?
Thiago Sobral - Vejo a religião como uma institucionalização da fé. Por isso, não. A literatura não substitui a religião, embora muitos a coloquem num altar sacrossanto inalcançável. Gostei dessa ideia de ser uma forma de oração, sobretudo porque me faz pensar na experiência que orar proporciona ao que crê. É um ato de elevar o pensamento, vocalizar sentimentos e expressar desejos. A oração é a via-expressa utilizada por aquele que crê para se aproximar do Mistério Absoluto, do Totalmente Outro. Justamente por isso, nela não se encontra certeza, apenas se confia. A literatura também não nos dá certezas, antes, apresenta-nos caminhos, mostra possibilidades e, inclusive, nos permite viver aquilo que não cabe em uma única existência, podendo nos dar um gostinho de vida eterna. No livro, a religião surge como forma de opressão e de aprisionamento. Ainda que o personagem padre Jorge tente mostrar uma outra religião, aquela que se mantém fiel à “Inspiração da Boa Nova”, a que se sobrepõe é a “Instituição” religiosa. Essa coloca algemas no sacerdote, um peso sobre Severo e uma falsa convicção em Santiago. O que surge como outra possibilidade é o espírito artístico de Davi, o Pirueta, que, com sua dança e seus versos, nos deixa uma carta que se mostra quase como uma litania a Santi e um louvor ao amor e à vida.


Resenhando.com - Há ecos claros de Machado de Assis na sua ironia e no modo como você recusa absolver seus personagens. O que interessa mais a você nos diálogos que você escreve e nas tramas que constrói?
Thiago Sobral - Ao construir um personagem, é fundamental que ele tenha voz própria e que essa voz revele muito mais do que as palavras que ele diz. “O Pai, a Faca e o Beijo” é um livro que se constrói pelo que não é dito, mas que está ali; por aquilo que poderia ter sido, mas não foi. Assim, os diálogos pretendem revelar as intenções e a psicologia de cada personagem. Também busquei retratar a oralidade típica de muitas famílias cubatenses, que são formadas por migrantes nordestinos, como ocorre com a minha própria família. Para além disso, há lacunas frequentes nos diálogos entre Severo e Santiago, há insinuações, desconfianças, covardias e ironias que vão permeando as palavras ditas e não ditas. Os capítulos em que Santiago conversa diretamente com o cadáver do pai são carregados de sinceridade, ainda que esta seja calcada numa certa ilusão. Ao longo de praticamente toda a história, a forma como as falas do pai é apresentada traz quase que uma chave de leitura para todo o romance, mas que deixo para o leitor interpretar e decidir.


Resenhando.com - Em vários momentos, o leitor se vê torcendo pelo impossível, numa espécie de tentativa de salvar alguém que não está disposto a ser salvo. Você acredita que a literatura ainda pode operar algum tipo de redenção ou isso já é uma ilusão que o seu livro desmonta?
Thiago Sobral - A literatura, por si só, não opera nada. Ao mesmo tempo, a literatura pode tudo, desde que o leitor se coloque como cúmplice do que lê. Uma história só funciona realmente quando um pacto tácito e secreto é selado entre o narrador e o leitor. Feito isso, uma nova história nasce a cada leitura que se conclui de uma mesma narrativa. E é justamente essa nova história que pode operar tudo, seja uma redenção ou uma condenação. Meu livro pode levar a crer que não há redenção, mas isso ocorre por que as chances foram esgotadas, ou por que aquele que poderia redimir se recusou a olhar para os lados e enxergar outras possibilidades? Por fim, resta-nos pensar em quantas vezes não somos nós mesmos os culpados pelos fracassos e assassinatos metafóricos que cometemos ao longo da vida.


Resenhando.com - A ideia freudiana de “matar o pai” aparece como um gesto simbólico de liberdade. No seu romance, essa ruptura parece sempre incompleta. Existe liberdade possível sem destruição total?
Thiago Sobral - Essa é uma questão interessante, porque ela alcança o cerne do romance. Para escrever essa história, mergulhei no pensamento de Freud a partir dos escritos de “Totem e Tabu”. Essa ideia de matar o pai tirano para ocupar o seu lugar e assim gozar da liberdade e dos privilégios que tal posição lhe daria aparece frequentemente na conversa de Santiago com o pai defunto. Santi acredita piamente que todos os seus problemas decorrem de sua relação com o pai: o medo de que ele tenha certeza de sua orientação sexual, as surras que levou na infância e adolescência, a pele negra que ele tanto odeia e da qual se envergonha. Tudo isso forma a “herança maldita” à qual ele se refere ao longo da história e que alimenta seu discurso de ódio e preconceito contra os irmãos e contra si mesmo e que, inconscientemente, recai sobre Davi. Apesar de tudo isso, ele vai levando a vida, até que uma descoberta torna tudo insuportável para ele. É nesse momento em que seu complexo de Édipo invertido não superado se torna latente que ele passa a acreditar que o assassinato do pai será a via para a sua libertação. Porém, ao cometer o crime, se dá conta de que as coisas não são bem assim e tenta se convencer do contrário. No fim, ele destrói muita coisa, mas não destrói o principal, que está dentro de si mesmo. Por fim, não sei se é preciso destruição total para se alcançar a liberdade. Sei apenas que precisamos soltar a mão de certas coisas para que possamos ser aquilo que a nossa natureza pede de nós mesmos.
 

Resenhando.com - “O Pai, a Faca e o Beijo” termina sem oferecer catarse. Em um mercado editorial que muitas vezes aposta no conforto, você escolheu o incômodo. Escrever hoje é, para você, também uma forma de contrariar expectativas, um ato de indisciplina?
Thiago Sobral - Escrever exige, antes de tudo, constância e disciplina. Penso que justamente isso, constância e disciplina, seja uma forma eficaz de contrariar expectativas e fugir da “disciplina” adotada por muitos e, portanto uma “indisciplina” contemporânea. Esse paradoxo, acredito, perpassa o dia a dia de todo escritor, porque precisamos, muitas vezes, nos refugiarmos numa outra lógica, fora do tempo e do espaço que se constroem hoje. É como se a matéria de nossa dedicação (a palavra) precise ser buscada em lugares pouco frequentados. Não quero com isso dizer que o ofício do escritor seja algo elevado, superior. Muito pelo contrário. A palavra está na “vida ao rés do chão”, como disse o mestre Antônio Candido. Embora ele tenha usado essa expressão para se referir à crônica, penso que todo escritor precisa sentir a poeira da terra, “lamber o chão” para penetrar surdamente no reino das palavras e trazer à vida uma nova história. E isso é encarado como algo natural, ossos do ofício, pois não há nada de extraordinário na literatura. Ao mesmo tempo, ela é uma ação sublime capaz de dar ao leitor novas lentes para ver e decifrar o mundo.

sábado, 25 de julho de 2026

.: "Ontem Vi Meu Pai Chorar", o livro infantil de Luiza Romão


A primeira obra infantil da premiada autora conta com imagens criadas por Silvia Nastari, diretora de arte da editora Quelônio. Ilustrações digitais e elementos fotográficos se combinam em colagens originais. Foto: Duda Portella

"Ontem Vi Meu Pai Chorar" é o primeiro livro infantil da premiada escritora Luiza Romão. Publicada pela Editora Quelônio, a obra mergulha em memórias do futebol dos anos 1970. Na história, Gigi vê o pai chorando durante uma partida ouvida pelo rádio e decide investigar o que é esse tal de futebol que faz os homens se emocionarem. Com ilustrações e colagens de Silvia Nastari, o livro se inspira em documentos, cenários, fotografias e jornais da época.

O livro continua a parceria entre Luiza Romão e a Editora Quelônio, iniciada em 2022 com o livro de poemas detetivescos "Nadine". Já a nova publicação aborda vínculos familiares, o espaço escolar e o acesso de meninas e mulheres ao esporte. Indicado para crianças a partir de cinco anos em leitura compartilhada com um adulto, o livro também convida  leitores iniciantes do Ensino Fundamental. Apaixonada por futebol, Luiza Romão cresceu assistindo a jogos no Estádio Santa Cruz, em sua cidade natal, Ribeirão Preto. Depois de se mudar para São Paulo, passou a frequentar as arquibancadas do Palmeiras, seu time do coração. A vivência nos estádios foi fundamental para construir a história de Gigi: 

“No começo, a Gigi se espanta ao ver o pai aos prantos e tenta descobrir o que aconteceu. Não é muito fácil. Toda vez que ela tenta encontrar respostas, alguém diz que futebol 'não é assunto de menina'. Além disso, o livro também discute como nossa sociedade, desde muito cedo, ensina os homens a reprimir suas emoções. Isto está presente nas famílias, nas rodas de amigos, nos espaços de formação. Neste contexto tão enrijecido, o futebol se torna um dos poucos momentos em que é permitido chorar, se abraçar, gritar, etc. Assim, convidamos as leitoras e leitores a pensarem o quanto o futebol é ‘assunto de menina’ e como o choro não deve ser um tabu”, conta a autora.

Deste modo, o esporte fortalece o vínculo entre pai e filha e entre Gigi e outras meninas, agregando novos olhares para a masculinidade e as trocas afetivas na infância. Além disso, a obra traz à tona um fato histórico importante: a proibição do futebol de mulheres por quase quarenta anos no Brasil. Neste sentido, a orelha de Ontem Vi Meu Pai Chorar foi escrita por Aira Bonfim, historiadora, ativista e especialista na história social do futebol feminino brasileiro.

Outros trabalhos de Luiza também reforçam seu amor pelo esporte, como a co-curadoria da exposição "¡Cancha Brava! Futebol Sudamericano en Disputa", realizada pelo Museu do Futebol em 2025; a orelha de Rostos cobertos, corações à mostra: futebol, autonomia e luta zapatista (Editora Autonomia Literária); o prefácio da antologia de crônicas do Museu do Futebol (2024); e a publicação de textos sobre o esporte nas revistas Tinta Libre (Espanha), Revista E (SESC) e Quatro Cinco Um. Além disso, Romão desenvolve doutorado sobre futebol, voz e literatura latinoamericana na Universidade de São Paulo, com apresentações em importantes congressos da área. Na agenda da autora também consta participação na Feira do Livro do Pacaembu com uma mesa sobre as dimensões afetivas do futebol e a participação feminina no jogo tanto dentro das quatro linhas como na torcida e na literatura. Compre o livro "Ontem Vi Meu Pai Chorar" neste link.

Sobre Luiza Romão
Nascida em Ribeirão Preto, em São Paulo, em 1992, Luiza Romão é poeta, atriz e pesquisadora. É aautora de "Também Guardamos Pedras Aqui" (vencedor do Prêmio Jabuti 2022 nas categorias Melhor Livro de Poesia e Livro do Ano), "Sangria" e "Nadine". É bacharela em Artes Cênicas e mestra em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo, onde atualmente cursa doutorado. Investigou as relações entre literatura e performance no universo do poetry slam, e hoje, pesquisa voz e futebol na literatura latino-americana. 

Os trabalhos dela já circularam por importantes festivais no Brasil e no exterior, com apresentações na Argentina, Alemanha, Cuba, China, Espanha, Portugal, Suíça, Grécia, Holanda, México, Costa Rica, França e Uruguai, entre outros países. Além de sua atuação artística e acadêmica, também trabalha como curadora, co-assinando exposições como Gira da Poesia: 15 anos de slam no Brasil , realizada no Museu de Arte do Rio e no Instituto Tomie Ohtake, e "¡Cancha Brava! Futebol Sudamericano en Disputa", no Museu do Futebol. "Ontem Vi Meu Pai Chorar" é seu primeiro livro infantil. Compre os livros de Luiza Romão neste link.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

.: Thiago Vicente lança na Flip livro-carta sobre sobrevivência e recomeço


Em “Sobre.Viver”, Thiago Vicente transforma luto e reabilitação em narrativa autobiográfica escrita à mãe; sessões de autógrafos acontecem nos dias 24 e 25 de julho, no estande da com.tato 

A Flip - Festa Literária Internacional de Paraty recebe este ano um lançamento que promete tocar fundo em quem já enfrentou a dor da perda e a luta para se reerguer. Trata-se de “Sobre.Viver”, do artista visual, escritor e performer Thiago Vicente. O livro, que já está em pré-venda, chega à Flip em edição física e será apresentado ao público em duas sessões de autógrafos: uma no dia 24 de julho, às 16h00, e outra no dia 25, às 13h00, ambas no estande da com.tato, localizado na Casa Escreva, Garota!. Durante toda a festa, a obra estará disponível para compra no mesmo estande.

“Sobre.Viver” é um relato autobiográfico escrito em formato epistolar: cartas endereçadas à mãe do autor, Maria, que faleceu em seus braços durante um grave acidente de carro em janeiro de 2023. Com as duas pernas quebradas e presas nas ferragens, Thiago sobreviveu, mas iniciou uma longa e dolorosa jornada de reabilitação física e emocional. O livro nasceu como uma forma de lidar com o luto e com todas as perdas que se seguiram: a morte da mãe, a do pai dias depois, a do cão de apoio emocional Yuri, a da irmã Rosane, e a perda do Ninho, a casa na roça que ele mesmo construiu com as próprias mãos.

“O livro são cartas que escrevi para minha mãe, depois de sofrer um acidente de carro, quebrar as duas pernas e perdê-la em meus braços. Conto nas cartas como tem sido sobreviver, e voltar a viver mesmo em reabilitação (que já dura mais de três anos) e os aprendizados que tenho tido nesse renascimento”, explica o autor. O processo de escrita, segundo ele, levou cerca de dois anos e foi “doloroso, difícil, com muita alma e lágrimas”, mas também transformador.

A obra é guiada por temas como luto, superação, resiliência, força, amor e autoconhecimento. “Utilizei da escrita para aliviar o peso da história e as dores, físicas e emocionais. E transformar em algo bom, bonito, até mesmo poético - para me curar, e ajudar outras pessoas também”, afirma Thiago. O livro, que ele define como sua “maior herança”, é a materialização de uma busca diária por equilíbrio e paz de espírito.

Nas páginas de “Sobre.Viver”, o leitor acompanha não apenas a sequência dos acontecimentos, mas também as reflexões do autor sobre o silêncio, a solidão e a reconstrução da identidade após um trauma. Thiago fala abertamente sobre a tentativa de suicídio, a depressão profunda, as acusações injustas que recebeu da própria família e o longo processo de fisioterapia e cirurgias, incluindo o uso de um fixador externo (a “gaiola” de Ilizarov) que o acompanhou por meses. A narrativa, no entanto, não se resume à dor: é também um testemunho de como a arte, a escrita e a fé podem ser ferramentas de cura. “Este livro é a minha maior herança: a transformação de muita dor em palavras, amor e afeto. Como gosto de dizer: em cor”, aponta. Compre o livro "Sobre.Viver" neste link.


Sobre o autor

Thiago Vicente é artista visual, escritor, designer e performer. Graduado em Design e Fotografia e mestre em Design e Cultura Visual pelo IADE, em Lisboa (Portugal), sua trajetória atravessa as artes visuais, a literatura e a performance. Autor de livros infantis, desenvolve obras que unem produção editorial e artes visuais com sensibilidade e reflexão. Após o acidente e o longo processo de reabilitação, sua investigação artística passou a explorar com ainda mais profundidade temas como vulnerabilidade, silêncio e reconstrução. Residente em João Pessoa, na Paraíba, cria trabalhos que combinam instalação, performance, escrita e audiovisual. Na escrita livre, encontrou também um gesto de cuidado: uma forma de aliviar a alma e seguir colorindo a vida. Compre os livros de Thiago Vicente neste link.


Serviço | Agenda Flip 2026
Eventos: Sessões de autógrafos de Thiago Vicente com o livro “Sobre.Viver”
Dias 24 e 25 de julho (sexta e sábado, respectivamente)
Horário: no dia 24, às 16h00; no dia 25, às 13h00
Local: Estande da com.tato, na Casa Escreva, Garota! - Flip, Paraty (RJ)
Vendas durante a Flip: O livro estará disponível no estande da com.tato durante toda a festa, pelo valor promocional de R$ 50,00. 

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