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terça-feira, 9 de junho de 2026

.: Coleção Cérebro Vivo exercita foco, percepção e memória fora do digital


Manter o cérebro saudável e ativo é tão importante quanto cuidar do corpo. Com esse propósito, a Coquetel, uma das principais editoras de passatempos do país, lança a coleção Cérebro Vivo, criada especialmente para estimular o condicionamento mental de forma divertida e prazerosa. São quatro livros que convidam leitores de todas as idades a exercitar a mente por meio de desafios lúdicos, como caça-palavras, labirintos, criptogramas e outros passatempos que trabalham habilidades cognitivas e emocionais.

Em Visão e Foco, os desafios foram desenvolvidos para ampliar a percepção, aprimorar a consciência espacial e estimular um olhar mais atento e analítico. Já em Memória Ativa, o foco está na capacidade do cérebro de registrar, armazenar e recuperar informações. Em Ginástica Cerebral, o público é convidado a realizar exercícios mentais voltados para a estimulação das conexões neurais, fortalecendo o foco e a atenção. Por fim, Mente Estratégica traz atividades pensadas para ativar áreas específicas do cérebro, favorecer a retenção de conteúdos, estimular o raciocínio organizado e ampliar a capacidade de análise.

Em um contexto em que o uso excessivo de telas também passou a fazer parte da rotina da população mais velha, a coleção Cérebro Vivo aposta em atividades off-line como forma de estimular o cérebro e incentivar hábitos ligados ao envelhecimento saudável. Com exercícios que trabalham a mente, os livros propõem momentos de concentração longe do celular e de outros dispositivos eletrônicos, ajudando a manter o cérebro ativo de maneira acessível e cotidiana. Compre os livros da coleção Cérebro Vivo neste link.

sábado, 6 de junho de 2026

.: "Lugar de Fala", de Djamila Ribeiro, ganha nova edição revista e ampliada


"Lugar de Fala", best-seller de Djamila Ribeiro que deu início à Coleção Feminismos Plurais ganha edição revista e atualizada pela Rosa dos Tempos, editora do Grupo Editorial Record que é referência na publicação de obras feministas no Brasil. O livro abriu caminho para debates fundamentais e importantes conquistas no movimento negro, além de ampliar, no país, as discussões sobre raça, gênero e classe. O livro será lançado em São Paulo no dia 9 de junho, a partir das 18h00, no Espaço Feminismos Plurais, em Moema, com bate-papo e sessão de autógrafos.

Uma das vozes mais influentes na discussão sobre racismo estrutural, feminismo negro e desigualdade no Brasil, Djamila Ribeiro adicionou novos capítulos à obra, que já foi traduzida para vários países, ampliando o alcance do conceito de lugar de fala e demonstrando o reconhecimento da obra e da autora globalmente. A publicação traz ainda prefácio de Chimamanda Ngozi Adichie e apresentação de Grada Kilomba.

"Lugar de Fala" foi eleito um dos melhores livros brasileiros de não ficção do século 21. A lista elaborada com base em votação de cem escritores e críticos literários foi publicada pela Folha de S.Paulo. A antropóloga Débora Diniz, que votou no livro, disse que ele “é uma intervenção original na forma de pensar o poder, as relações raciais e o letramento antirracista, ao articular testemunho, produção de conhecimento e legitimidade discursiva”. Com o lançamento de "Lugar de Fala", a Rosa dos Tempos passa também a editar toda a Coleção Feminismos Plurais.

Em "Lugar de Fala", Djamila Ribeiro discute e desmistifica um conceito que ganhou projeção no debate público desde a década de 2010, segundo o qual todas as pessoas ocupam posições sociais que influenciam o que dizem e como suas palavras são recebidas, legitimando ou deslegitimando vozes. A autora demonstra que é essencial compreender essas diferentes posições e o devido lugar de fala de cada indivíduo, não para censurar ou podar o debate, mas para enriquecê-lo.

Originalmente lançado em 2017, este foi o primeiro título da Coleção Feminismos Plurais, que quebrou paradigmas no meio acadêmico brasileiro ao alavancar a carreira de um grande número de pensadoras e pensadores negros de nosso país, abrindo caminhos para uma revolução no enfrentamento à narrativa hegemônica.

Passada quase uma década da primeira edição de "Lugar de Fala", a autora sentiu que era o momento de avaliar o alcance da obra e da Coleção Feminismos Plurais, revisitando e atualizando seu texto. Agora, a Rosa dos Tempos se orgulha em editar uma das vozes mais influentes na discussão sobre racismo estrutural, feminismo negro e desigualdade no Brasil. Dialogando com outras pensadoras feministas de fôlego, Djamila Ribeiro convida as leitoras e os leitores desta obra a reconhecer seu lugar no mundo, imaginar novas possibilidades de existência e contribuir para uma sociedade mais justa. Compre o livro "Lugar de Fala", de Djamila Ribeiro, neste link.


Sobre a autora
Djamila Ribeiro é ativista, escritora e coordena a iniciativa Feminismos Plurais. É autora de "Quem Tem Medo do Feminismo Negro?", "Pequeno Manual Antirracista" e "Cartas para Minha Avó", que já venderam mais de um milhão de exemplares. É professora universitária com passagens por diversas instituições, como a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), a New York University e, em 2025, segue como primeira brasileira a lecionar no Martin Luther King Program, no Massachusetts Institute of Technology (MIT). Compre os livros de Djamila Ribeiro neste link.


Serviço
Lançamento do livro

Dia 9 de junho, a partir das 18h00, no Espaço Feminismos Plurais - Avenida Chibarás, 666 - Moema, em São Paulo. Haverá bate-papo e sessão de autógrafos.

sexta-feira, 5 de junho de 2026

.: Três veredas para "Grande Sertão": livros que celebram 70 anos do clássico


Em 2026, "Grande Sertão: Veredas" completa 70 anos de publicação. Para celebrar a data, a Autêntica Editora lança um projeto especial dedicado à obra do autor, reunindo lançamentos que revisitam o romance, seu processo de criação e sua permanência e reinvenção no imaginário brasileiro. A proposta reúne três livros bastante distintos entre si, mas atravessados pela mesma pergunta: como um clássico permanece vivo? Em comum, as obras mostram que a história de Guimarães Rosa continua sendo uma fonte de releitura e descoberta, capaz de mobilizar leitores, pesquisadores e espectadores. 

Dentre os livros do projeto, "Diário do Grande Sertão", de Bruna Lombardi, livro que recupera os bastidores da adaptação televisiva da obra de Rosa exibida pela Globo nos anos 1980. A partir dos diários escritos durante as gravações, Lombardi apresenta a experiência de interpretar Diadorim enquanto atravessa, junto à equipe, o sertão mineiro em busca de traduzir para as telas o universo roseano. Combinando memória, relato pessoal e making of, o texto foi originalmente incentivado por Caio Fernando Abreu, que viu nos fragmentos escritos por Lombardi um documento não apenas sobre a realização desafiadora de um seriado, mas sobre uma experiência de transformação pessoal possibilitada pela literatura. Quarenta anos depois da primeira publicação, o livro finalmente sai “da maneira como sempre quis”, afirma Bruna, e ganha material inédito, trechos, fotos e desenhos feitos pela autora. Entre o desafio de interpretar um dos personagens mais enigmáticos da literatura brasileira e a adaptação à vida no sertão durante as gravações, Lombardi revela em sua escrita as formas como um clássico pode ser revisitado e vivido.  

Outro destaque é Ítalo Moriconi dá a largada na coleção "Para Ler", dedicada a aproximar o público de autores e obras considerados canônicos ou desafiadores, com um olhar distinto em relação à obra-prima de Rosa. Em "Para Ler 'Grande Sertão: Veredas'", o autor combina diário de leitura e um resumo da trama, para que o leitor não se perca na imensidão da linguagem do escritor mineiro. Em vez de simplificar ou  domesticar o calhamaço, na primeira parte do livro, o crítico literário apresenta sua própria travessia como leitor, compartilhando dificuldades e descobertas. Na segunda metade, Moriconi reconstitui o enredo de Grande sertão, apontando analiticamente os principais conflitos e personagens da narrativa. 

Completa o projeto "Sertão-Veneza: Retornos e Travessias Roseanas", de Jacques Fux. O ensaio investiga a relação entre o universo de Rosa, suas viagens pelo sertão mineiro e sua passagem pela Itália, sobretudo por Veneza. O livro parte da viagem feita pelo escritor à cidade, em 1949, e dos registros deixados em seus diários para discutir de que forma essa experiência aparece transformada em sua literatura. No livro, Fux também recupera o período em que Rosa viveu na Alemanha às vésperas da Segunda Guerra Mundial e discute como as experiências de deslocamento, exílio, memória e travessia atravessam sua obra. O autor brasileiro registrou em seus cadernos de viagem impressões, paisagens, sensações e reminiscências que mais tarde reapareceriam em Grande sertão. 

Sobre os autores
Bruna Lombardi
é poeta, escritora, atriz, roteirista, diretora, produtora e ativista ambiental. Publicou vários livros, entre eles os best-sellers: "No Ritmo Dessa Festa", "Gaia", "O Perigo do Dragão", "Filmes Proibidos", "Jogo da Felicidade" e "Clímax". Desde "No Ritmo Dessa Festa", primeira publicação como autora, com prefácio de Chico Buarque de Holanda, os trabalhos dela receberam excelentes matérias e elogios de grandes escritores e poetas, como Carlos Drummond de Andrade, Mario Quintana, Lygia Fagundes Telles, Clarice Lispector, Ferreira Gullar, Rubem Fonseca, Vinicius de Moraes. Na televisão e no teatro, participou de produções marcantes, como a minissérie "Grande Sertão: Veredas", em que interpretou Diadorim. No cinema, escreveu, produziu e protagonizou filmes como "O Signo da Cidade", "Onde Está a Felicidade?" e "Amor em Sampa". Também criou, roteirizou, produziu e protagonizou a série "A Vida Secreta dos Casais", da HBO, e fundou a Rede Felicidade, plataforma digital voltada ao bem-estar e ao autoconhecimento. Compre os livros de Bruna Lombardi neste link.

Ítalo Moriconi é professor, escritor, curador literário.  Organizador da antologia "Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século" (ed. Objetiva), assim como de "Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século", pela mesma editora. Autor da biografia da poeta "Ana Cristina Cesar (O Sangue de Uma Poeta"), organizador das "Cartas de Caio Fernando Abreu", ambos em 2ª. ed. pela e-galaxia).  Outros livros são "Como e Por Que Ler a Poesia Brasileira do Século 20" (2002, Objetiva) "Literatura Meu Fetiche" (2020, Cepe Editora). Entre 2022 e 2024 publicou quinzenalmente uma coluna-diário no Blog Virtual do Pensamento Social (BVPS). Compre os livros de Ítalo Moriconi neste link.

Jacques Fux é escritor, com doutorado em literatura comparada pela UFMG e pela Université de Lille 3. Foi pesquisador na Universidade de Harvard de 2012 a 2014. É autor de 23 livros, entre eles: "Antiterapias", vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura; "Meshugá", vencedor do Prêmio Manaus; Literatura e Matemática, vencedor do Prêmio Capes e finalista do APCA; "O Enigma do infinito", Selo FNLIJ e semifinalista do Prêmio Jabuti; "As Coisas de Que Não Me Lembro, Sou", vencedor do Prêmio FNLIJ e finalista do Prêmio Jabuti; "Nunca Vou Te Perdoar por Você Ter Me Obrigado a Te Esquecer", finalista do Prêmio Jabuti e vencedor do Prêmio Manaus, e "Uma Impostora em Harvard". Sobre João Guimarães Rosa, publicou a biografia para jovens "As Fábulas do Fabuloso Fabulista Joãozito", que recebeu o selo FNLIJ. Seus ensaios, romances e contos já foram publicados na Itália, México, Peru, Israel, Estados Unidos e França. Compre os livros de Jacques Fux neste link.

.: José Roberto de Castro Neves lança novo romance em evento na terça-feira


Imortal da Academia Brasileira de Letras, o escritor José Roberto de Castro Neves lança o romance "Onar’82", publicado pela Editora Intrínseca, em sessão de autógrafos em São Paulo na terça-feira, dia 9 de junho, na Livraria da Vila, a partir das 18h00. No livro, o autor cria uma narrativa dinâmica, repleta de humor, além de referências literárias e culturais. O escritor carioca entrelaça luto e memória para refletir sobre os silêncios e as ausências que povoam as relações familiares.

"Onar ’82" conta com uma narrativa dinâmica, repleta de humor, além de referências literárias e culturais. O escritor carioca entrelaça luto e memória para refletir sobre os silêncios e as ausências que povoam as relações familiares. O enredo apresenta a vida do cronista esportivo Samuel Janowitz, um apaixonado pelo Botafogo e pela seleção brasileira, mas incapaz de se conectar com seu filho Daniel. Após um período afastados, sem nenhuma comunicação entre os dois, Samuel é informado da morte repentina do filho e recebe um manuscrito deixado por ele - uma obra dedicada ao pai. 

Nesse livro, Daniel se inspira na peça "Sonho de Uma Noite de Verão", de William Shakespeare, para construir o universo fictício do Morro de Ardenas. Sob uma ótica mística e esperançosa, a história reimagina o fatídico ano de 1982: enquanto na vida real Samuel perdia a possibilidade de cobrir os jogos devido a uma cirurgia e amargava pela televisão a derrota do Brasil na Copa, na ficção os personagens inspirados na obra do Bardo vivem encontros e desencontros amorosos e tragicômicos e o destino da seleção brasileira é outro.

Ambientada durante a Copa do Mundo de 1982, a história celebra o poder reparador da literatura. Ficção e realidade se mesclam em acontecimentos importantes da trama ocorridos durante partidas verídicas da seleção brasileira. A obra é, sobretudo, um acerto de contas afetivo entre um filho e um pai — e uma redenção literária para milhões de amantes da seleção Canarinho. Compre o livro "Onar’82", de José Roberto Castro Neves, neste link.


Sobre o autor
José Roberto de Castro Neves é advogado, escritor e professor universitário — mestre pela Universidade de Cambridge e doutor em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Autor e organizador de dezenas de livros sobre literatura, história, arte e direito, foi eleito imortal pela Academia Brasileira de Letras em 2025. Pela Intrínseca, também publicou o romance Ozymandias. Casado com a Bel, tem três filhos: Guilherme, João e Duda. Foto: Rafaela Cassiano. Compre os livros de José Roberto Castro Neves, neste link.


Serviço
Sessão de autógrafos de "Onar ‘82", de José Roberto de Castro Neves
Terça-feira, dia 9 de junho, a partir de 18h00
Livraria da Vila - Avenida Pres. Juscelino Kubitschek, 2041 - Loja 335/336 - Piso 2 - Itaim Bibi, São Paulo 
Entrada franca

quinta-feira, 4 de junho de 2026

.: Coleção Argumentos em três livros que debatem futebol, ética e fake news


Publicada pela Ação Editora, a Coleção Argumentos reúne três livros com linguagem simples e direta, pensados para leitores que têm afã por ideias audaciosas e transformadoras. Ou, como  escreveu o escritor uruguaio Eduardo Galeano, “este mundo infame está grávido de outro possível”. “O Outro Lado do Jogo”, de Adriano Freixo, “Ética e Cidadania”, de Herbert de Souza, o Betinho, e Carla Rodrigues, e “Eles Não Querem que Você Saiba - Armadilhas da Desinformação”, de Sylvia Moretzsonhn chegam às livrarias neste mês de maio pela Ação Editora, um braço cultural da Ação da Cidadania, e trazem um convite à transformação, pois ideias movem o mundo.

 Em uma sociedade contemporânea em que as conversas estão, muitas vezes, fragmentadas e superficiais, os volumes da coleção têm assuntos distintos, mas com um fio condutor em comum:  análises claras, acessíveis e consistentes sobre questões atuais, como temas sociais, culturais, políticos e tecnológicos, oferecendo ferramentas para interpretar o mundo com mais lucidez. 

A coleção parte da ideia de que compreender é o primeiro passo para agir. Ao apresentar ideias, contextos e diferentes perspectivas, a Coleção Argumentos incentiva a reflexão crítica, o questionamento de narrativas prontas e a construção de um ponto de vista próprio. São leituras de formato ágil, mas profundas no conteúdo, capazes de ampliar repertório e estimular posições conscientes diante dos desafios do presente. Compre os livros da Coleção Argumentos neste link.


O Outro Lado do Jogo", de Adriano Freixo
"O Outro Lado do Jogo", de Adriano Freixo, é uma obra que prova que o futebol nunca foi apenas um jogo. O livro propõe uma leitura crítica para além do espetáculo esportivo, analisando-o como fenômeno político, social e cultural. Num ano da Copa do Mundo Fifa, em que os olhos do mundo todo, em particular a paixão brasileira pelo futebol e por nossa seleção, estarão voltados para o futebol nos meses de junho e julho, este livro já chega com a bola toda. A obra articula história, relações internacionais e ciência política para revelar os vínculos entre futebol, poder, identidades nacionais e disputas simbólicas, adotando uma abordagem analítica pouco explorada no mercado editorial de livros sobre esporte.

No livro, se descobre como o futebol se tornou uma das maiores ferramentas de influência do mundo moderno. Regimes autoritários, a rivalidade Brasil x Argentina e o impacto simbólico do 7 a 1: a bola sempre esteve no centro de projetos de poder, nacionalismos e estratégias de geopolítica. “Apesar de, volta e meia, jornalistas, dirigentes esportivos, comentadores de redes sociais e mesmo atletas afirmarem que esporte e política não devem se misturar, [...] a capacidade dos esportes de massa de agregar os indivíduos em torno de uma ideia ou causa foi e continua a ser um elemento fundamental na arena política”, escreve Adriano de Freitas na apresentação do livro.

 Adriano de Freixo possui sólida trajetória acadêmica, com formação, mestrado e doutorado em História, atuação como professor e coordenador de programas de pós-graduação na UFF, além de produção consistente sobre política, história e relações internacionais. Essa credencial confere robustez intelectual e legitimidade à análise proposta. Compre o livro "O Outro Lado do Jogo" neste link.


"Ética e Cidadania", de Herbert de Souza e Carla Rodrigues
Em uma conversa franca, humana e profundamente atual, Herbert de Souza, o Betinho, convida o leitor a retomar as rédeas da história. Esta obra nasceu no coração do movimento que mudou a cara do Brasil nos anos 1990. Enquanto a Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida mobilizava o país de ponta a ponta, ele refletia, nestas páginas, sobre o fim da apatia social como o primeiro passo para uma democracia de verdade.

Esta reedição do livro chega num momento em que o Brasil e o mundo estão efervescentes de conflitos sobre ética e política entranhados na vida de todos. Este é o livro ideal para quem deseja transformar solidariedade em ação política. O sociólogo Betinho convida à ação e à retomada da responsabilidade coletiva, mostrando que o fim da apatia é essencial para uma democracia real.

Betinho descomplica conceitos que muitas vezes parecem distantes, mostrando que a ética não é apenas um ideal, mas o alicerce da política e da convivência social. Ele nos lembra que a política vai muito além das urnas, acontecendo na mesa de jantar, na escola e na forma como escolhemos não ignorar a fome do vizinho. “Ética e Cidadania” é um chamado para quem deseja transformar solidariedade em ação política e acredita que organização popular e compromisso ético podem enfrentar as injustiças históricas do nosso povo. Um livro para quem tem fome de mudança e pressa de viver. “Não existe democracia sem liberdade, igualdade, participação, solidariedade e diversidade, que é reconhecer e admitir as diferenças, saber que se pode ser igual ao outro, mas distinto” – Herbert de Souza, o Betinho. Compre o livro "Ética e Cidadania" neste link.


“Eles Não Querem que Você Saiba - Armadilhas da Desinformação”, de Sylvia Moretzsonhn 
“A mentira constante não serve apenas para enganar – seu verdadeiro propósito é destruir a própria noção de verdade. Quando um povo já não consegue distinguir entre o real e o falso, também perde a capacidade de discernir entre o bem e o mal. E um povo assim, desarmado do pensamento crítico, torna-se presa fácil para qualquer poder que deseje controlá-lo”, diz o texto de Hannah Arendt que integra o prefácio da nova obra de Sylvia Moretzsohn.

Atualmente, estamos sob um verdadeiro "tiroteio" de desinformação. Em uma era dominada por algoritmos de redes sociais, avanços da Inteligência Artificial e a velocidade frenética do jornalismo em tempo real, distinguir o fato da manipulação tornou-se um desafio cotidiano. Neste livro, a jornalista e pesquisadora, voz fundamental na crítica de mídia brasileira, oferece as ferramentas necessárias para romper essa barreira. A obra aplica os fundamentos da análise do discurso para ensinar o leitor a ler nas entrelinhas das notícias, revelando os interesses e as intenções que muitas vezes permanecem ocultos por trás das matérias jornalísticas.

“Eles Não Querem que Você Saiba - Armadilhas da Desinformação”  ajuda a navegar em um universo dominado por fake news, um espaço onde informação e manipulação se entrelaçam. É uma leitura essencial para qualquer pessoa que deseje compreender como identidade e poder se confrontam no campo da informação. "Vivemos no contexto que se convencionou chamar de “pós-verdade” – a rigor, uma radicalização do relativismo pós-moderno que ganhou força décadas atrás – em que as crenças prevalecem sobre as evidências", diz a autora.

 Sylvia Moretzsohn é referência nacional em ética no jornalismo, com trajetória consolidada como pesquisadora, professora universitária da Universidade Federal Fluminense e autora de obras fundamentais sobre crítica de mídia, como “Jornalismo em Tempo Real: O Fetiche da Velocidade”  e “Pensando contra os fatos: jornalismo e cotidiano - Do Senso Comum ao Senso Crítico”. Compre o livro "Eles Não Querem que Você Saiba - Armadilhas da Desinformação" neste link.

terça-feira, 26 de maio de 2026

.: "Antes que Apague", novo romance de Natalia Timerman, resgata memórias


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com

A literatura brasileira contemporânea tem encontrado na escrita de Natalia Timerman um porto seguro para as investigações mais profundas da alma humana. Psiquiatra de formação, a paulistana sabe, como poucos da geração dela, operar a palavra como uma escuta radical da dor e do afeto. Depois de perscrutar o abandono amoroso no incensado "Copo Vazio" e de tatear as cicatrizes do luto paterno em "As Pequenas Chances", a autora retorna ao território da memória com o poderoso romance "Antes que Apague", lançado pela Companhia das Letras. A obra consolida uma trajetória marcada pela coragem de se aproximar das fraturas da existência, transformando o declínio biológico em matéria de altíssima voltagem literária.

Em "Antes que Apague", Timerman debruça-se sobre a complexa e por vezes dolorosa relação entre uma filha e sua mãe idosa, recentemente diagnosticada com a doença de Alzheimer. O enredo acompanha o ritmo assombroso com que a mãe perde os traços fundamentais da própria identidade, mergulhando a narradora em um doloroso processo de luto antecipado. Contudo, longe de se resumir a uma crônica sobre a finitude, o livro ganha fôlego de investigação quando esse apagamento iminente faz brotar, paradoxalmente, revelações inesperadas sobre o passado materno. 

À medida que a mente da matriarca se esvai, a urgência da filha em resgatar o que resta transforma o texto em um verdadeiro testemunho contra o esquecimento, onde humanizar a figura materna torna-se um exercício de maturidade suprema e, inevitavelmente, de sofrimento. A força da narrativa reside na exata medida que estabelece entre a crueza da vida e o lirismo da prosa poética. Ao evocar as memórias que ameaçam sumir no horizonte da demência, Natalia Timerman constrói uma cartografia dos vínculos afetivos que desafia o tempo. A escrita se faz comovente e terna, capaz de flagrar o instante exato em que uma lembrança se transforma e se apazigua na mente de quem fica. Compre o romance "Antes que Apague", de Natalia Timerman, neste link.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

.:"Você É Mais Que Seu Trabalho" desafia a cultura da performance


O autor e coach Vicente Ferrio apresenta um guia para reconstruir a relação com a carreira sem abrir mão da identidade e do bem-estar. 

Sem perceber, muita gente passou a medir o próprio valor a partir do trabalho. Esse comportamento, que alimenta a crescente onda de esgotamento profissional e de pressão por desempenho, é o ponto de partida de "Você É Mais Que Seu Trabalho", lançamento da Editora Agir, assinado pelo autor, mentor e coach Vicente Ferrio. Na obra, ele analisa como a produtividade, o sucesso e a performance deixaram de ser apenas metas profissionais para se tornarem critérios de identidade. 

Para o autor, essa lógica cria uma armadilha silenciosa: alimenta a sensação constante de insuficiência e reduz a vida a um único eixo, o trabalho. Longe de pregar o desapego profissional, a obra foca em uma relação mais saudável com a carreira. O autor utiliza exemplos práticos e exercícios para demonstrar que o valor de um indivíduo é composto por múltiplas dimensões, e que o desempenho no trabalho é apenas uma delas. Compre o livro "Você É Mais Que Seu Trabalho", de Vicente Ferrio, neste link.


Sobre o autor
Vicente Ferrio (Espanha, 1974) é engenheiro civil, empreendedor, palestrante, mentor e coach certificado. Especialista em liderança, empreendedorismo consciente e gestão de mudanças pelas escolas de negócios de Columbia e Harvard, é autor de diversos livros sobre carreira profissional e criador do site sincronizatutalento.com, cujo blog mobiliza uma comunidade de milhares de leitores. Garanta o seu exemplar de "Você É Mais Que Seu Trabalho", escrito por Vicente Ferrio, neste link.

quarta-feira, 13 de maio de 2026

.: Amazon anuncia primeira linha Kindle para leitura e escrita


O Kindle Scribe chega ao Brasil com design ultrafino, ultraleve e 40% mais rápido, além de novos recursos de produtividade com IA, incluindo busca inteligente de anotações. O Kindle Scribe Colorsoft traz uma experiência de escrita em cores fluida, rápida e confortável para os olhos .A tela de 11 polegadas reproduz a sensação de escrever em papel, ideal para anotações em milhões de livros, listas de tarefas e revisão de documentos sem distrações


A Amazon anuncia a chegada da primeira linha Kindle Scribe ao Brasil - a geração do Kindle que une leitura e escrita em um único dispositivo. Os modelos Kindle Scribe e Kindle Scribe Colorsoft estão disponíveis para pré-venda a partir de hoje no país. Com o Kindle Scribe, a experiência é de ler e escrever em papel: texto nítido, com espaço de sobra para fontes maiores, imagens, gráficos e documentos em tamanho real. O dispositivo permite fazer anotações em milhões de livros, adicionar notas a documentos e buscar anotações com tecnologia de IA. 

A linha Kindle Scribe chega ao Brasil pela primeira vez, reimaginada para aumentar a produtividade. Oferece opções com e sem luz frontal e um design renovado que remete ao papel: ultrafino com apenas 5,4 mm de espessura e ultraleve com 400 g. O desempenho é 40% mais rápido para escrita e virada de páginas em comparação com as gerações anteriores, disponíveis apenas fora do Brasil. A tela de 11 polegadas, sem reflexo, tem as mesmas proporções de uma folha de papel — e reproduz a sensação de escrever em uma. É o tamanho ideal para revisar documentos em escala real, natural para fazer anotações e fácil de levar para qualquer lugar.


A linha Kindle Scribe traz inovações significativas em hardware:
  • Luz frontal com LEDs miniaturizados que se encaixam firmemente contra a tela, criando bordas mais estreitas e iluminação uniforme
  • Vidro moldado com textura exclusiva que melhora o atrito da caneta na tela — diferente de tablets convencionais, que costumam parecer escorregadios ou vítreos
  • Tela redesenhada que reduz quase totalmente o efeito de distância entre a ponta da caneta e o traço, simulando a escrita direta no papel
  • Novo chip quad-core, O novo chip quad-core, mais memória e a tecnologia de tela Oxide da Amazon tornam toda a experiência mais ágil, com maior contraste e desempenho rápido tanto em conteúdos coloridos quanto em preto e branco. A tela Oxide utiliza uma camada interna de óxido com formas de onda otimizadas para entregar essa performance.
  • Uma experiência de escrita em cores confortável para os olhos
O Kindle Scribe Colorsoft apresenta o mesmo novo design e oferece uma experiência de escrita em cores fluida e natural. Para criar cores suaves que, diferentemente de uma tela LCD, não agridem os olhos, a Amazon utilizou a tecnologia de tela Colorsoft personalizada, com filtro de cor e guia de luz com LEDs de nitreto que aprimoram as cores sem comprometer os detalhes. Para garantir uma experiência excepcional de escrita em cores, a Amazon desenvolveu um novo mecanismo de renderização que aprimora as cores e assegura que a escrita seja rápida, fluida e totalmente natural. Além disso, o Kindle Scribe Colorsoft oferece semanas de duração de bateria e não possui aplicativos ou notificações — nada que distraia você dos seus pensamentos.

Recursos de produtividade com tecnologia de IA
A nova linha oferece um poderoso caderno de anotações com tecnologia de IA, além de software e ferramentas redesenhados para aumentar a produtividade:
  • Nova tela inicial: agora com Notas Rápidas para facilitar anotações sempre que a inspiração surgir. É possível acessar livros, documentos e anotações recentes com rapidez.
  • Acesso a todos os documentos: com suporte para Google Drive e Microsoft OneDrive, é fácil importar documentos para marcação e exportar PDFs anotados.
  • Busca com tecnologia de IA: pesquise suas notas de forma natural e receba resumos gerados por IA. É possível se aprofundar com perguntas de acompanhamento.
  • Compartilhamento com OneNote: exporte notas como texto convertido ou imagem incorporada para o OneNote, mantendo tudo em um só lugar para continuar editando no laptop.
  • Canetas e marcações coloridas no modelo Colorsoft: escreva, desenhe e faça anotações em uma das 10 cores de caneta ou destaque em uma das 5 cores de marca-texto.
  • Sombreamento: artistas e criadores podem criar gradientes suaves e tons sutis com a nova ferramenta de sombreamento, com mais controle sobre profundidade e riqueza da arte.
  • Espaço de trabalho: organize documentos, cadernos, livros e mais na mesma pasta.
  • Tudo o que os clientes amam no Kindle
O Kindle Scribe é um caderno e um Kindle em um só dispositivo, com acesso à maior loja de e-books do mundo. O dispositivo inclui 3 meses grátis de Kindle Unlimited, além dos recursos de leitura mais recentes. Assim como todos os e-readers Kindle, o novo Kindle Scribe oferece acesso instantâneo à Loja Kindle, que inclui:

Ampla seleção: milhões de títulos disponíveis nas Lojas Kindle em todo o mundo.
Kindle Unlimited: acesso a uma biblioteca cada vez maior de milhões de e-books, leituras curtas e assinaturas de revistas selecionadas.
Leitura gratuita para membros Prime: uma seleção rotativa de milhares de títulos sem custo adicional à assinatura Prime.
Vozes diversas: milhões de escritores autopublicados usam o Kindle Direct Publishing (KDP) para compartilhar suas histórias, oferecendo aos leitores um conjunto robusto e diversificado de vozes.
 

Preços e disponibilidade
Todos os dispositivos acompanham uma caneta que se conecta magneticamente ao Kindle Scribe - sempre à mão e sem necessidade de carregamento. A Amazon também disponibilizará, a partir de junho, uma nova linha de capas premium em diversas cores (Grafite, Matcha e Figo) e materiais premium (couro e toque acetinado), fechamento magnético e porta-caneta, a partir de R$ 489,00. A caneta e pontas estarão disponíveis para compra separadamente. O Kindle Scribe já está disponível em pré-venda, com opção de parcelamento em até 10 vezes. Confira os modelos:


terça-feira, 12 de maio de 2026

.: Mãe e filha, Lúcia Helena e Isabella Galvão ensinam 5 atitudes essenciais


Lúcia Helena e Isabella Galvão propõem caminho para sustentar uma existência com sentido. Foto: divulgação/Hanoi Editora


Existe uma diferença importante entre passar pela vida e, de fato, vivê-la. E justamente agora, em que quase tudo se torna descartável, inclusive ideias, relações e valores, reaprender a pensar se torna essencial. Não no sentido acadêmico ou distante, mas naquilo que toca diretamente a experiência: como lidamos com o outro, com as frustrações, com o tempo e, principalmente, com nós mesmos.  

No livro "Filosofia com Aroma de Café - Reflexões de Mãe e Filha", publicado pela Hanoi Editora, Lúcia Helena Galvão e Isabella Galvão partem dessa provocação para mostrar que a filosofia não é um exercício abstrato, mas uma prática cotidiana. Ao observar a vida com mais atenção, elas propõem um caminho de consciência que não afasta o indivíduo do mundo, mas o reinsere nele com mais lucidez, profundidade e responsabilidade.

As autoras propõem algo simples, mas exigente: viver com presença e responsabilidade sobre si mesmo. Como em uma boa conversa, mãe e filha instigam o leitor a sustentar perguntas que, com o tempo, transformam não apenas os pensamentos, mas a própria existência.  Compre o livro "Filosofia com Aroma de Café - Reflexões de Mãe e Filha", de Lúcia Helena e Isabela Galvão, neste link. Confira cinco ideias do livro que funcionam como pontos de inflexão, sugerindo mudanças sutis de perspectiva que, ao longo do tempo, transformam a forma de viver:


1. Não basta acreditar, é preciso reconhecer a verdade em si
Repetir ideias não é o mesmo que compreendê-las. O livro propõe uma virada importante: sair do campo das crenças e caminhar em direção à experiência direta. Quando algo é verdadeiro, ele não se sustenta apenas como discurso, mas se impõe como evidência interna.


2. Viver é sustentar o equilíbrio entre o concreto e o ideal
A vida não se resolve somente na prática ou só no discurso elevado. Existe um exercício constante de equilíbrio entre o que fazemos todos os dias e os valores que escolhemos sustentar. Ser coerente entre esses dois planos é o que dá direção à existência. 


3. A crise pode ser sinal de crescimento, não de fracasso
Nem toda ruptura indica erro. Muitas vezes, ela marca o fim de uma etapa que já não comporta mais quem você se tornou. Encarar a crise como um movimento de ampliação, e não de perda, transforma a relação com o desconforto e com a mudança. 


4. O ser humano se constrói nas relações
A ideia de autonomia absoluta é, em grande parte, uma ilusão. Somos definidos pelos vínculos que criamos, pela capacidade de sair do próprio eixo e considerar o outro. É nesse movimento que a vida ganha densidade, sentido e permanência. 


5. Autoconhecimento exige prática, não apenas intenção
Olhar para dentro não é um evento pontual, mas um exercício contínuo. Questionar motivações, rever atitudes e distinguir o que é essência do que é máscara são processos que exigem disciplina. É nesse trabalho silencioso que se constrói uma vida mais consciente.

sábado, 9 de maio de 2026

.: "Onde Moram os Livros? Bibliotecas do Brasil" de Daniela Chindler é lançado


Há 15 anos, quando Daniela Chindler começou a pesquisar a histórias das bibliotecas, ela não podia imaginar a repercussão que alcançaria seu trabalho. Em 2012, a autora lançou o título “Bibliotecas do Mundo”, que recebeu o prêmio Malba Tahan de Melhor livro informativo para crianças e jovens pela FNLIJ e logo foi adaptado para o teatro. A peça foi apresentada em escolas, teatros e teve o privilégio de ser encenada na entrada da Biblioteca Nacional! Em 2017 a autora voltou seu olhar para as nossas fronteiras e escreveu “Onde Moram os Livros? Bibliotecas do Brasil”. 

Rapidamente a edição se esgotou e o texto foi também adaptado para a cena e a peça foi apresentada em três estados: Rio de Janeiro, Maranhão e Pará. Agora “Onde moram os livros? "Bibliotecas do Brasil” ganha uma nova edição pela Editora Sapoti. O livro já chega apostando na democratização do acesso à cultura: kits com 20 exemplares serão distribuídos para 49 escolas públicas - e mais a biblioteca da Rede da Maré, e o projeto conta com o apoio dos Institutos Parceiros da Educação Rio e Frevo. O objetivo é estimular que os estudantes leiam o livro nas salas de leitura. 

 “Onde Moram Os Livros? Bibliotecas Do Brasil” é um convite para os leitores viajarem pelo Brasil explorando a arquitetura, os mistérios, as curiosidades e as coleções de seis bibliotecas. A viagem começa pelo Rio de Janeiro, pelo suntuoso palácio construído para abrigar a Biblioteca Nacional e o edifício do Real Gabinete Português de Leitura, considerada uma das bibliotecas mais lindas do mundo. Depois é a vez de conhecer, em São Paulo, a Biblioteca Mário de Andrade, um enorme prédio que reflete a cidade que não para de crescer. Representando o Nordeste está a Biblioteca do Mosteiro de São Bento da Bahia e, subindo mais no mapa, no Norte, a Biblioteca Pública do Amazonas, que promove uma visita à efervescência de Manaus, a capital do Amazonas, durante o ciclo da borracha. De lá, a viagem continua pelo Sul do Brasil, na Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul, conhecida por ser uma caixinha de joias. 

Para essa aventura literária, a escritora Daniela Chindler contou com a colaboração de seis personagens que são os mestres de cerimônia. Cada lugar tem um personagem que recebe o leitor na porta e segue como um guia, descortinando a sua história. No Real Gabinete Português de Leitura, ali na página 38 Luís de Camões, o próprio poeta, vai contar suas aventuras e desventuras enquanto passeia pelas estantes desta casa portuguesa com certeza. Já na página 76 é a vez do escritor modernista Mário de Andrade - de gravata amarela e chapéu de aba meio larga enterrado na cabeça - conduzir os leitores pela torre de 22 andares, que foi um dos primeiros “arranha-céus” da cidade, nos anos 1930, quando São Paulo estava começando a crescer “para cima”.

Este é um livro feito a muitas mãos. Além dos personagens, a autora convidou um time de ilustradores premiados. Da Bahia vem Amma; do Sul Bruna Assis Brasil; de São Paulo, Catarina Bessell e Giovanna Cima; e do Rio de Janeiro, Camilo Martins. Aliás no finalzinho do livro tem uma página dupla com uma mini bio dos artistas.

Falamos de seis bibliotecas, mas são sete capítulos! A escritora reservou o último capítulo do livro para apresentar uma biblioteca que ainda não existe com tijolos e concreto, mas já é um sonho para muita gente: A Biblioteca dos Saberes que será erguida em 2027 na Pequena África, colada na Passarela do Samba e de frente ao monumento do Zumbi dos Palmares, no Rio de Janeiro. O espaço tem projeto assinado por Diébédo Francis Kéré, o primeiro arquiteto do continente africano a receber o prestigiado Prêmio Pritzker de Arquitetura (2022), considerado o "Nobel" da área. Neste capítulo estão Kéré, Zumbi dos Palmares, Heitor dos Prazeres e o povo originário Tupinambá. Compre os livros de Daniela Chindler neste link.


Sobre a autora
Daniela Chindler é autora das visitas teatralizadas da Academia Brasileira de Letras elaboradas para o centenário ABL, projeto que, por conta do sucesso, ficou 15 anos em cartaz e que rendeu outros projetos como a visita teatralizada no Theatro Municipal, em 2025. A autora foi curadora da programação infantojuvenil de várias edições da Bienal do Livro no Rio de Janeiro, da Bienal do Amazonas e da Bahia. É idealizadora do projeto de incentivo à leitura, “História além muros” na penitenciária Talavera Bruce que ganhou o Prêmio “Faz Diferença” do Jornal O Globo e é finalista do prêmio “VivaLeitura”. Dentre seus livros publicados, está “Um porto para o mar”, que conta a história da cidade do Rio de Janeiro a partir da Baía de Guanabara. A autora também escreveu sobre cientistas, pintores, viagens a lugares distantes, como a Índia, histórias de imigrantes e outros assuntos.


Biblioteca dos Saberes
A Biblioteca dos Saberes fala da ancestralidade das pessoas negras e homenageia os povos indígenas. No Centro da Biblioteca dos Saberes, está prevista uma torre, que é como uma árvore da vida e seu formato é uma homenagem a um objeto sagrado que ficou por 300 anos longe de casa: um manto Tupinambá. Quando o Museu Nacional da Quinta da Boa Vista pegou fogo, a Dinamarca decidiu devolver um dos mantos e a chegada da peça histórica ao Rio de Janeiro foi emocionante, contou com a vigília de 170 indígenas do povo Tupinambá, incluindo crianças e anciãos, em frente ao prédio do Museu Nacional. Os Tupinambá pediram que o manto fosse exibido em pé.

Biblioteca do Mosteiro de São Bento da Bahia
A biblioteca tombada pelo IPHAN reúne o segundo maior acervo de documentos e livros raros do Brasil. A formação deste acervo começa com a chegada dos primeiros frades beneditinos que aportaram na Bahia na Páscoa de 1582. É uma história que tem personagens como a índia Catarina Paraguaçu. Muitas das informações foram dadas pelos monges em conversas pelo WhatsApp.

 
Biblioteca Nacional
Pedro II doou as fotos que colecionou durante toda a vida para a Biblioteca Nacional. Sua única exigência foi que a coleção recebesse o nome de sua esposa, a imperatriz D. Thereza Christina Maria. As fotos que não estavam em álbuns foram guardadas em caixas e, lá, protegidas nas sombras, ficaram todo esse tempo. Por estarem soltas, elas ficaram meio abauladas e por isso são chamadas carinhosamente de “enroladinhas”. D. Pedro II é o anfitrião da Biblioteca Nacional e brinca que está um pouco amassado porque saiu de uma dessas fotos enroladinhas.
 
Biblioteca Pública do Amazonas
Como a Biblioteca de Alexandria e o Museu Nacional essa biblioteca pegou fogo (em 1945) e do acervo original sobraram apenas 60 livros, que estavam emprestados para uma exposição. É uma biblioteca construída em um exuberante edifício que é um retrato do Ciclo da Borracha.


Real Gabinete Português de Leitura
Esse é o primeiro livro infantil que trata dessa biblioteca eleita uma das mais bonitas do mundo.


Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul
Biblioteca inaugurada em 1922, a sala egípcia lembra a decoração do Salão Assyrio, do Theatro Municipal do Rio de Janeiro,

 
O inferno
Muitas bibliotecas têm um setor chamado: inferno.  Este setor foi criado pelos bibliotecários para preservar os livros proibidos. Até a biblioteca do Vaticano tem seu setor do inferno. Na Biblioteca Nacional um livro de Santo Agostinho foi condenado ao inferno. É uma edição de “A cidade de Deus”, impressa em 1661. A igreja condenou quem fez os comentários, as notas de rodapé, que foram riscados com uma tinta que tinha ferro em sua composição, enferrujou e começou a perfurar as páginas com o passar dos séculos. Hoje é preciso ter todo o cuidado para folhear esse livro, porque ele pode esfarelar.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

.: Editora Record relança "Toda Poesia" de Augusto dos Anjos


Relançado pela Editora José Olympio, o livro "Toda Poesia" de Augusto dos Anjos é um convite à reflexão sobre dilemas humanos de um dos autores mais populares da poesia brasileira, conhecido como o "Poeta da Morte", e referendado por nomes como Carlos Drummond de Andrade, Otto Maria Carpeaux e Antônio Houaiss

A publicação conta com estudo crítico de Ferreira Gullar, uma das principais referências da fortuna crítica de Augusto dos Anjos e responsável por recuperar o prestígio de sua poesia. A nova edição de "Toda Poesia" de Augusto dos Anjos contém ainda um caderno de imagens exclusivo, com informações, fotos e documentos da vida do poeta, em sua maioria não reunidos em livro.

Em 1976, Ferreira Gullar – imortal da ABL e vencedor do Prêmio Camões – preparou a presente edição da poesia completa de Augusto dos Anjos e a enriqueceu com um ensaio que foi decisivo para reposicionar o poeta paraibano no imaginário literário brasileiro, destacando-o como criador singular, e não mais como simples escritor excêntrico. Nesse texto, Gullar sustenta: “Há poetas que apenas escreveram alguns poemas […]. E poucos são aqueles que conseguiram realmente criar uma obra poética, um universo poético próprio. Augusto é um destes.”

Além do estudo crítico de Ferreira Gullar, esta edição conta também com um caderno de imagens que reúne informações, fotos e documentos ainda pouco conhecidos, e capazes de recuperar, para os leitores de hoje, a figura e a vida de Augusto dos Anjos. Caso raro de poeta erudito na forma e popular no alcance, Augusto dos Anjos, autor do poema “Versos íntimos”, aborda poeticamente o cotidiano sob uma perspectiva crua e visceral. Em Eu, seu único livro publicado em vida, a deterioração da matéria e o escatológico ganham uma face sublime, e a morte – científica, inevitável e ao mesmo tempo benquista – se apresenta com extrema materialidade.

A indiscutível força literária de Augusto dos Anjos o aproxima de poetas como Edgar Allan Poe e Charles Baudelaire, com os quais o brasileiro dialoga ao combinar motivos polêmicos e sonoridades impressionantes. Todos introduziram, cada qual em seu país, uma temática centrada na dor universal: solidão, amargura, crise existencial e perplexidade diante das injustiças da vida. Além disso, as referências autobiográficas e o contexto político são fundamentais para a obra augustiana, cujo desalento, melancolia e técnica incomodaram a crítica por muito tempo. Compre o livro o livro "Toda Poesia" de Augusto dos Anjos  neste link. 


O que disseram sobre as poesias de Augusto dos Anjos

“A leitura do 'Eu' foi para mim uma aventura milionária. Enriqueceu minha noção de poesia. Vi como se pode fazer lirismo com dramaticidade permanente, que se grava para sempre na memória do leitor. Augusto de Anjos continua sendo o grande caso singular da poesia brasileira.”
– Carlos Drummond de Andrade

[O] poeta em quem estraçalhado e desamparado amor da Vida, cuja visão lhe pareceu dever ser unitária e conspectiva, o levou a anteviver a Morte como tão seu necessário complemento, que seria impossível dissociar uma da outra.” – Antônio Houaiss


Sobre os autores
Augusto dos Anjos (Engenho Pau d’Arco/PB, 1884 – Leopoldina/MG, 1914) foi escritor, poeta e professor. Aos 17 anos, publicou seus primeiros poemas no jornal paraibano O Commercio. Em 1912, lançou em edição particular Eu, seu único livro publicado em vida.

Ferreira Gullar (São Luís/MA, 1930 – Rio de Janeiro/RJ, 2016) foi escritor, poeta, dramaturgo, crítico de arte e tradutor. Laureado com o Prêmio Camões em 2010, é considerado um dos maiores autores da literatura brasileira. Foi nome proeminente do movimento neoconcreto e autor de obras imensuráveis, como Poema sujo e Dentro da noite veloz. Personalidade atuante na oposição à ditadura civil-militar, foi perseguido e preso. Em 2014, foi eleito para a cadeira no 37 da Academia Brasileira de Letras. Garanta o seu exemplar de "Toda Poesia" de Augusto dos Anjos  neste link. 

sexta-feira, 1 de maio de 2026

.: García Márquez de volta ao começo em "Viagem à Semente"


Ao visitar a antiga casa de seus avós, Gabriel García Márquez compreendeu a chave para sua literatura: voltar ao lugar onde tudo começou. Na mais recente edição de "Gabriel García Márquez: Viagem à Semente", com novo projeto gráfico e trechos extras, Dasso Saldívar narra com detalhes a trajetória do maior escritor colombiano de todos os tempos. O livro marca o início das comemorações do centenário de nascimento de Gabo, em 2027.  A tradução é de Eric Nepomuceno.

Considerado o mestre do realismo mágico latino-americano, Gabriel García Márquez, Prêmio Nobel de Literatura, é um dos autores mais importantes do século XX. Só no Brasil, já vendeu quase 3 milhões de livros. Suas obras foram adaptadas para filmes e minisséries. "Cem Anos de Solidão" ganhou uma megaprodução recente da Netflix. 

A primeira parte foi lançada no fim de 2024 e a segunda parte estará disponível ainda em 2026. “Li seu livro em três noites seguidas porque não consegui largá-lo. É um grande livro, não sei como o fez. Está muito bem escrito e documentado, e gosto dele porque é a biografia que mais se parece comigo”, disse Gabriel García Márquez a Dasso Saldívar. Compre o livro "Gabriel García Márquez: Viagem à Semente", de, Dasso Saldívar, neste link.

 Aos 25 anos, Gabriel García Márquez acompanha a mãe em uma viagem a Aracataca para consumar a venda da antiga casa de seus avós maternos. O jovem, que então dava seus hesitantes primeiros passos na literatura, não poderia imaginar que aquela visita se revelaria, anos depois, como um dos momentos mais decisivos de sua vida de escritor. Naquele vilarejo poeirento onde havia passado a infância, Gabo reencontra as imagens, vozes e atmosferas que haviam moldado sua imaginação.

Em "Gabriel García Márquez: Viagem à Semente", Dasso Saldívar reconstrói a trajetória desse mesmo jovem, que se tornaria o maior escritor colombiano e uma das figuras centrais da literatura do século XX. A biografia não se inicia com seu nascimento, ela vai além ao recuar no tempo para narrar a história de seus avós maternos - talvez os personagens mais decisivos em sua formação - e de seus pais. Ao fazê-lo, ficam para trás os limites do relato individual e se estabelece uma verdadeira saga familiar, marcada por guerras civis, amores censurados, deslocamentos e perdas. É desse legado de conflitos, memórias e afetos que emerge o universo simbólico que, mais tarde, se cristalizaria na ficção de García Márquez.

Ao acompanhar os anos de estudo no liceu e a adoção do jornalismo como ofício, Saldívar ilumina os momentos centrais da formação literária, social e política de Gabo. O texto mergulha em suas leituras formativas - Kafka, Faulkner, Virginia Woolf -, em sua aproximação com o pensamento de esquerda e em sua inserção nos mais diversos círculos intelectuais e afetivos, que foram verdadeiras redes de convivência e amizade, fundamentais tanto para o amadurecimento estético do escritor como para sua sobrevivência em períodos de instabilidade econômica.

Com rigor histórico, sensibilidade crítica e fôlego narrativo, Dasso Saldívar assina uma biografia exemplar. Esta nova edição de Viagem à semente convida o leitor a acompanhar o percurso do menino de Aracataca até sua consolidação como autor de Cem anos de solidão, em uma leitura envolvente e esclarecedora. Longe de pretender esgotar as formas de compreender a vida e a obra de García Márquez, este livro oferece, antes, um caminho de retorno às origens. Como nos ensina Saldívar, só há uma maneira de chegar a Macondo: voltando à semente.  Garanta o seu exemplar do livro "Gabriel García Márquez: Viagem à Semente", de, Dasso Saldívar, neste link.


Sobre o livro
“Leitura cativante. Esta biografia é lida como um romance e como um manual da história da América Latina e da Colômbia.” – Frankfurter Rundschau

“Um trabalho enorme e rigoroso, e Saldívar desempenha minuciosamente todas as etapas da vida deste Prêmio Nobel.” – StadtRevue

“O jornalista, que investiu vinte anos de sua vida neste trabalho, produziu um minucioso estudo que inclui entrevistas, testemunhos, anedotas […] Saldívar relaciona cada paisagem, personagem ou situação com a vida de Gabriel García Márquez. Um trabalho amplo que encantará os fãs do escritor.” – El País


Sobre o autor
Dasso Saldívar nasceu em San Julián, Colômbia, em 1951. Estudou Sociologia e Ciências Políticas na Universidad Complutense de Madrid, cidade onde reside, e atuou como jornalista e escreveu várias críticas literárias para diversos jornais e revistas da Europa e da América. Foi redator de programas culturais da Televisão Espanhola e cofundador da revista Margen. Em 1981, ganhou o Prêmio Jauja de Contos e, em 2002, foi agraciado pelo Ministério da Cultura da China com o Prêmio Nacional de Excelência Literária Estrangeira em Versão Chinesa por "Gabriel García Márquez: Viagem à Semente".

.: "Cláudia Vera Feliz Natal", o novo livro de Mariana Salomão Carrara


Novo romance de uma das mais celebradas escritoras brasileiras de hoje, "Cláudia Vera Feliz Natal", escrito por Mariana Salomão Carrara, chega às livrarias publicado pela Editora Todavia, com capa de Ana Heloisa Santiago. No centro da questão, está a liturgia jurídica que exige o cumprimento de certos protocolos. Um processo, por exemplo, por mais complicado que seja, não deve se estender indefinidamente, ou o juiz responsável deverá justificar sua demora. Às vezes, no entanto, há impasses que desafiam a contagem dos dias e expõem os limites do que pode ser decidido dentro de um rito - e mesmo dentro de um código.

É nesse ponto de tensão que se inicia este romance vigoroso. Um jovem magistrado, em resposta a uma representação por excesso de prazo, precisa prestar contas de sua lentidão em um caso sensível que o acompanha há meses. Aos seus superiores, dirige uma espécie de defesa-autobiografia em que revisita os anos de carreira nas pequenas comarcas de Cláudia, Vera e Feliz Natal, no interior do Mato Grosso.

Entre audiências, despachos e tentativas de conciliação, acumulam-se histórias extravagantes que expõem a afetação e o ridículo de todo um sistema que se quer solene, revelando as fissuras do universo de servidores que orbitam os fóruns, figuras tragicômicas como o próprio juiz, unidas pela contingência do cargo e quase nada mais. E enquanto sela o destino dos outros, o jovem juiz vê o seu lhe escapar. Transferido de cidade em cidade, cercado de relações provisórias e com dificuldade de construir laços duradouros - amigos, companheira, uma família possível -, enfrenta a experiência de ter autoridade sobre tudo, exceto a própria solidão.

Em "Cláudia Vera Feliz Natal", Mariana Salomão Carrara confirma a singularidade de um projeto literário que se reinventa a cada obra. Com arquitetura narrativa ousada e domínio cada vez mais surpreendente da linguagem, a autora transforma o universo jurídico em matéria de ficção de alta voltagem e escancara o desconcerto cômico de quem acredita que a lei pode dar forma ao mundo apenas para descobrir que o


Sobre a autora
Mariana Salomão Carrara nasceu em 1986, em São Paulo. É autora de "Fadas e Copos no
Canto da Casa", "Se Deus Me Chamar Não Vou" e "É Sempre a Hora da Nossa Morte Amém". Com
"Sabor Paciência", publicado pela Baião, estreou na literatura para as infâncias. Pela Todavia, publicou "Não Fossem as Sílabas do Sábado" e "A Árvore Mais Sozinha do Mundo", com os quais venceu as edições de 2023 e 2025 do Prêmio São Paulo de Literatura na categoria Melhor Romance. Garanta o seu exemplar de "Cláudia Vera Feliz Natal", de Mariana Salomão Carrara, neste link.

terça-feira, 28 de abril de 2026

.: Nova edição de “Desemprego e Outras Heresias”: romance de Bruno Inácio


Com escrita fragmentada e fluxo de consciência, livro esgotado desde 2023 ganha nova edição pela Sabiá Livros e consolida a linguagem cortante do autor paulista.


Com uma escrita fragmentada, direta e construída em fluxo de consciência, o romance "Desemprego e Outras Heresias", escrito por Bruno Inácio, ganha nova edição pela Sabiá Livros, após o esgotamento da primeira edição. A obra investiga os efeitos duradouros do fanatismo religioso no ambiente familiar e reafirma a força literária de um autor que aposta na tensão entre forma e conteúdo. 

Trata-se de um romance inquietante sobre os traumas provocados por uma ruptura familiar. De forma crua e cortante, o autor traduz em linguagem o estado mental do protagonista, criando uma atmosfera de constante tensão, isolamento e desolação. A segunda edição conta com texto de orelha de Marcelo Labes, prefácio de Cintia Brasileiro, fotos de Lucas Orsini e textos de quarta capa assinados por Xico Sá, Carla Guerson, Pedro Augusto Baía e Gael Rodrigues. A capa, o projeto gráfico e o posfácio são de Andreas Chamorro.


Família, fanatismo e desamparo
Escrito em um fluxo de consciência não linear, o romance acompanha Fábio, um publicitário que vive em São Paulo, distante de sua cidade natal, e enfrenta o isolamento, o desemprego e a falta de perspectivas. A narrativa alterna entre passado e presente, costurando a melancolia da vida adulta com lembranças de uma infância marcada por culpa, rejeição e episódios familiares tensos. Quando Fábio recebe um pacote enviado por seu irmão, é lançado a um mergulho involuntário nas memórias desse passado, fazendo emergir um mistério que atravessa toda a obra e conecta essas duas pontas de sua existência.

As relações familiares estão no centro do interesse literário de Bruno Inácio. “Ao longo dos séculos, a literatura tem se aprofundado nas mais diversas dinâmicas possíveis entre pessoas de uma mesma família e, ainda assim, o tema parece longe de estar esgotado”, afirma o autor. A desolação com que o protagonista encara a vida desde a infância é tão visceral que provoca no leitor a dúvida sobre o caráter autoficcional da obra. Bruno reconhece que parte da história dialoga com uma experiência pessoal: o desemprego. “Quando mudei de cidade, pensei que não teria dificuldades para encontrar trabalho, mas fiquei quase um ano e meio sem ocupação formal”, relata.

Ainda assim, o autor destaca que o romance nasce do encontro entre vivências distintas. “Resolvi escrever uma história que juntasse a questão do desemprego com outro tema que já me causava bastante preocupação: os impactos do fanatismo religioso na formação de crianças e adolescentes”, explica. Compre o livro "Desemprego e Outras Heresias", de Bruno Inácio, neste link.


Linguagem própria e amadurecimento literário
Mesmo diante de temas densos, Desemprego e outras heresias se constrói como uma obra coesa e instigante, consolidando o estilo próprio de Bruno Inácio: frases curtas, secas e diretas, que intensificam o ritmo da leitura e o impacto emocional da narrativa. Essa linguagem, já presente em seu livro de contos de estreia, ganha maior fôlego e complexidade no romance. “Foi desafiador construir uma história mais longa e compor um personagem tão complexo quanto o Fábio, alguém repleto de manias e contradições internas”, comenta o escritor.


Referências literárias e o fascínio pelo poeta do rock brasileiro
Bruno Inácio nasceu em Ituverava, interior de São Paulo, e vive desde 2018 em Uberlândia (MG). É graduado em Jornalismo pela Universidade de Franca, mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Uberlândia e pós-graduado em Psicanálise e Análise do Contemporâneo (PUCRS), Cinema e Produção Audiovisual (USCS) e Literatura Contemporânea (Centro Universitário Barão de Mauá). É colaborador do Le Monde Diplomatique, Jornal Rascunho e São Paulo Review. Já publicou textos em veículos como Rolling Stone Brasil e Estado de Minas.

Na literatura, estreou em 2022 com "Desprazeres Existenciais em Colapso" (Patuá) e "De Repente Nenhum Som" (Sabiá Livros), lançado em 2024. Desemprego e outras heresias, publicado originalmente em 2022, retorna agora em nova edição após o esgotamento dos 500 exemplares iniciais.

O interesse pela escrita surgiu ainda na adolescência. “Até os vinte e poucos anos me dediquei à poesia, depois, passei a escrever prosa e me encontrei”, conta. Entre suas referências literárias estão Marcelino Freire, Marcela Dantés e Carlos Eduardo Pereira, além de Caio Fernando Abreu, Clarice Lispector e Lygia Fagundes Telles.

Outro nome fundamental em sua formação estética é Cazuza. Trechos de músicas do cantor aparecem em passagens relevantes de Desemprego e outras heresias, especialmente canções dos primeiros discos do Barão Vermelho. “Cazuza me impacta desde a adolescência e me hipnotiza até hoje com seus versos, o mesmo acontece com Fábio, protagonista do livro”, afirma o autor.


Trecho do livro (p. 24)
“Fui demitido pela razão mais lugar-comum dos últimos anos: a falência.
A crise não veio sem aviso prévio, como uma tia inconveniente.
Enviou cartas.
Deixou mensagens na secretária eletrônica.
Fez sinal de fumaça.
Então apareceu.
Descalçou os sapatos.
Se acomodou no centro da sala.
E ficou.
Não bastou mudar a gerência. As estratégias. Nem
pôr a vassoura atrás da porta. Quando me dei conta, estava prestes a colocar meus objetos numa caixa de papelão e sair para nunca mais voltar.
Cena recortada de um desses filmes preguiçosos de Hollywood. Na ficção, um recomeço-pré epifania. Na vida real, uma merda”.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

.: Entre "O Pai, a Faca e o Beijo", Thiago Sobral escreve o romance da omissão


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico cultural, especial para o portal Resenhando.com

Há romances que não se contentam em apenas contar uma história. Eles cutucam, provocam, obrigam o leitor a encarar a vida de uma maneira mais pragmática. "O Pai, a Faca e o Beijo", de Thiago Sobral, é um desses livros que estabelece uma relação de gato e rato com o leitor justamente porque não entrega facilmente o que ele quer. A cada página desse excelente livro de estreia, publicado pela Editora Patuá, a sensação é de se estar diante de uma tragédia anunciada - e, ao mesmo tempo, a de testemunhar um beijo negado, ou acompanhar a trajetória daqueles que se suicidam em vida.

O romance gira em torno de Santiago e Davi, o “Pirueta”. À primeira vista, parece uma história simples: dois homens tentando se aproximar, ainda que cercados por obstáculos, o principal deles é o embate com um pai que faz o que faz para proteger o filho da maledicência de uma cidade pequena. Mas Sobral não entrega um romance de amor no molde previsível. Em vez disso, o autor cria um campo de batalha em que as palavras são mal-entendidas, cada gesto se converte em desentendimentos e cada omissão para evitar o confronto carrega mais peso do que qualquer briga consumada. 

Santiago é o retrato da desesperança: um jovem que parece já ter desistido de si mesmo. Ele também é um paradoxo ambulante: homossexual e homofóbico, negro e racista, puritano e promíscuo, apaixonado e cruel, detestável e vítima das circunstâncias. O protagonista despeja todo tipo de chorume verbal, na fala e nos pensamentos, e ainda assim o leitor insiste em torcer por ele, como se a esperança de redenção pudesse surgir exatamente de quem mais nega a própria possibilidade de mudança e, sobretudo, de ser feliz.

Esse jogo perverso de expectativas é uma das forças do livro. Thiago Sobral não oferece personagens fáceis, mas desafia o leitor a se apegar a eles mesmo assim, como quem insiste em cuidar de uma planta que já nasceu murcha. Essa insistência faz parte da experiência da leitura desse livro: torcer pelo impossível. Mas não são apenas Santiago e Davi que sustentam o enredo de personagens carismáticos e fortes. 

Ao redor deles, um coro de personagens secundários amplia a sensação de claustrofobia emocional. A mãe, apresentada como doce e pilar da família, falha justamente por se omitir - a bondade dela é uma forma de covardia. O padre, que poderia ser refúgio espiritual, é ao mesmo tempo hipócrita e humano até demais, pois também revela-se incapaz de escapar dos dilemas dele. E Severo, o pai opressor e antagonista do próprio filho, representa a insatisfação destilada em cada atitude controversa. 

A falta de conciliação é a espinha dorsal de um livro que se constrói sobre a falha, a omissão e a impossibilidade. Cada gesto que poderia resolver é adiado e cada fala que poderia curar é engolida em um universo onde ninguém é de ninguém e todos se rejeitam o tempo todo. A escrita de Thiago Sobral é impregnada de fé, que no livro não aparece como dogma, muito menos como consolo. O autor, ex-seminarista, sabe quando a religião aperta e escreve sobre espiritualidade sem devoção cega, nem medo de expor as contradições de um universo que insiste em pregar amor enquanto ignora conflitos que poderiam ser resolvidos com uma fala mais incisiva. É uma literatura de coragem porque não teme nomear a ferida.

A influência de Machado de Assis é visível. Não se trata de copiar estilo do Bruxo do Cosme Velho, mas de herdar a ironia fina, a capacidade de desmontar o humano pela sutileza, o gosto pelo pessimismo elegante. Thiago Sobral parece olhar para os personagens que ele cria com a mesma frieza do autor de "Dom Casmurro" diante de Bentinho e Capitu: sem absolvições fáceis e muito menos recorrer ao melodrama.

Curiosamente, a leitura também evoca o cinema. Como no clássico "Casablanca", há uma sensação de destino interrompido, de que os protagonistas sempre carregarão um espaço vazio, um amor não realizado, um “barraco” abandonado em Cubatão, cidade que é cenário de toda essa história, e que traz o peso de uma geografia real para dentro do mito da separação eterna."O Pai, a Faca e o Beijo" é uma ode à liberdade, que nasce do confronto com o que se tentou calar. 

É a liberdade que pode ser percebida nos escombros, no beijo interdito, no pai irredutível e violento, no filho em fuga, naquilo que se faz escondido e no que se varre para baixo do tapete. Não é exagero dizer que também é um soco no estômago. Não há catarse porque não há reconciliação, e talvez esteja aí a ousadia maior do livro: recusar ao leitor a ilusão de que a vida sempre encontra um jeito. Compre o livro "O Pai, a Faca e o Beijo", de Thiago Sobral, neste link.

domingo, 19 de abril de 2026

.: As "Antologias Mínimas" de Fernando Pessoa, lançadas pela Tinta-da-China


Organizadas por Jerónimo Pizarro, a novidade da Coleção Pessoa da editora Tinta-da-China Brasil inclui dois livros de bolso e uma caderneta mínima para o leitor escrever sua própria antologia

No dia 5 de maio celebra-se o Dia Mundial da Língua Portuguesa — e Fernando Pessoa, maior elo literário entre Portugal e o mundo contemporâneo, é um dos nomes que conferem peso e sentido à comemoração. Pessoa publicou pouco em vida, mas deixou uma quantidade gigantesca de textos em verso e prosa que foram e seguem sendo organizados, editados e lançados graças ao trabalho paciente dos estudiosos e a novas descobertas que vieram a público a partir de seu espólio continuamente revisitado.

É desse movimento que nascem as "Antologias Mínimas: Prosa e Poesia", publicadas pela Tinta-da-China Brasil e organizadas por Jerónimo Pizarro, o maior especialista nos manuscritos do escritor português e o responsável pela Coleção Pessoa na editora no Brasil e em Portugal. Com uma seleção significativa e enxuta de sua poesia e uma coletânea reveladora de sua prosa, o lançamento promove um encontro completo com Pessoa. Os volumes estão disponíveis separadamente e também em kit especial, que tem como brinde uma caderneta para estimular o leitor a criar sua própria antologia mínima.

Em formato de bolso e com grafia atualizada, as Antologias mínimas reforçam o projeto da casa editorial de trazer ao público edições caprichadas da obra pessoana, enriquecidas com fotografias e fac-símiles, além de materiais inéditos.  Só em 2025, por exemplo, quando se completaram noventa anos da morte de Pessoa, a coleção dirigida por Pizarro  ganhou dois títulos importantes - "Cartas de Amor" e "Obra Completa de Ricardo Reis" - somando-se a outros, como "Livro do Desassossego", "136 Pessoas de Pessoa", "Obra Completa de Álvaro de Campos" e "Obra Completa de Alberto Caeiro". Nas palavras do organizador da coleção: “Pessoa sempre foi pessoas e cada vez mais. Quão crescentemente múltiplo não será...”Compre as "Antologias Mínimas: Prosa e Poesia", de Fernando Pessoa, neste link.


"Antologia Mínima: Poesia"
Durante décadas, muitos dos poemas de Pessoa ficaram dispersos em arquivos ou soterrados entre papéis ainda por decifrar, o que tornava quase impossível propor uma seleção abrangente. Antologia mínima: poesia surge agora não como uma coletânea definitiva, mas como uma contribuição para o diálogo constante que se estabelece, geração após geração, entre os versos de Pessoa e seus leitores.

É complexa a tarefa de selecionar poemas de um autor que se desdobrou em vozes e heterônimos. Pessoa deixou planos editoriais, listas e projetos, mas também uma infinidade de versões e manuscritos que demandam escolhas delicadas. Optar por um texto em detrimento de outro, decidir entre variantes, incluir ou excluir determinados poemas — tudo isso faz parte do trabalho silencioso de quem edita. Ao lado dos textos, esta antologia apresenta fac-símiles que revelam detalhes preciosos: notas marginais ou até outros escritos que dividem o mesmo papel. É uma forma de partilhar o gosto pelo arquivo e de mostrar ao leitor os bastidores da obra.

O livro se divide em cinco partes. Na primeira, há poemas assinados pelo próprio Pessoa, enquanto a segunda, a terceira e a quarta são reservadas à poesia de seus três heterônimos principais: Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. A última parte da antologia inclui poemas assinados por autores fictícios, ou seja, uma pequena amostra dos mais de cem nomes inventados por Pessoa, como Dr. Pancrácio, Vicente Guedes, Charles Robert Anon, Alexander Search e Joaquim Moura-Costa.

Mais do que uma simples reunião de poemas, "Antologia Mínima: Poesia" é um convite à leitura para públicos diversos, tanto para quem deseja um primeiro contato com a poesia pessoana quanto para os que já a conhecem e desejam redescobri-la sob novos ângulos. É também uma chamada aos estudantes e aos “amadores” da poesia, no sentido mais nobre da palavra: aqueles que se deixam surpreender e que continuam a aprender e se admirar com cada verso.

Assim, esta antologia se inscreve numa tradição de leituras e releituras que jamais se esgotam. Pessoa foi sempre múltiplo, e cada nova seleta confirma sua incessante capacidade de reinvenção. Entre poemas consagrados — como “Autopsicografia” e “Ode marítima” — e joias menos difundidas, o leitor encontrará um testemunho da riqueza e da pluralidade de um dos maiores poetas do século XX.


"Antologia Mínima: Prosa"
Fernando Pessoa é celebrado especialmente como poeta, mas a maior parte de seu espólio está em prosa — e a Tinta-da-China Brasil traz um panorama dessa produção menos visível em Antologia mínima: prosa. Além de ficções breves e de excertos do incontornável Livro do desassossego, a seleção reúne escritos sociopolíticos, filosóficos, esotéricos, epistolares e teóricos, somando-se ainda notas e apontamentos que revelam um pensamento em constante atividade. Pessoa se aventurou também fora dos limites de sua língua nativa, escrevendo textos em inglês e francês que aqui são acompanhados de tradução. 

Reunir em antologia esse material vasto e heterogêneo significa lidar com escolhas nem sempre fáceis, em meio a versões múltiplas, fragmentos que se repetem e esboços que depois se desenvolvem em escritos mais longos. O resultado é inevitavelmente parcial, mas também revelador: cada seleção abre novas possibilidades de leitura e redescoberta.

"Antologia Mínima: Prosa" também se divide em cinco partes: a primeira é reservada a textos assinados pelo próprio Pessoa, enquanto a segunda, a terceira e a quarta contêm material dos três heterônimos mais conhecidos do escritor. A quinta parte, intitulada “E outros”, destina-se a produções textuais atribuídas a alguns dos tantos nomes inventados por Pessoa — como Horace James Faber, Charles Robert Anon, Jean Seul de Méluret, Sr. Pantaleão e Raphael Baldaya — que, embora não tenham alcançado o status de heterônimos, ganharam existência literária por meio daquilo que supostamente escreveram.

Entre os textos escolhidos por Pizarro estão páginas conhecidas, como a carta a Adolfo Casais Monteiro sobre a origem dos heterônimos, mas também peças mais leves e divertidas — aforismos, contos, cartas a Ofélia — e algumas preciosidades que podem surpreender até leitores experientes, como a hilariante “Crônica Decorativa”.

Há espaço também para a própria reflexão de Pessoa sobre os limites entre poesia e prosa. Em textos críticos e teóricos, o autor discute as diferenças entre as duas formas da palavra escrita, ora aproximando-as, ora sublinhando suas especificidades. Essa dimensão metalinguística aponta a natureza experimental da obra pessoana e mostra como o escritor se pensava tanto poeta quanto prosador. Nas palavras de Pizarro no prefácio da edição, “se há mais antologias de sua obra em verso do que da sua obra em prosa é simplesmente porque os críticos costumam privilegiar os poetas em detrimento dos prosadores”.

Sem a pretensão de delimitar um corpus definitivo, "Antologia Mínima: Prosa" é um convite à descoberta. Ao lado de textos consagrados, o livro apresenta páginas que permitem “desaprender Pessoa”, para citar Alberto Caeiro, e reencontrar sua obra com o frescor da primeira leitura.


Fernando Pessoa
Fernando Pessoa (1888‑1935)
é hoje o principal elo literário de Portugal com o mundo. Sua obra em verso e em prosa é a mais plural que se possa imaginar, pois tem múltiplas facetas, materializa inúmeros interesses e representa um autêntico patrimônio coletivo: do autor, das diversas figuras autorais inventadas por ele e dos leitores. Algumas dessas personagens - Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos - Pessoa denominou “heterônimos”, reservando a designação de “ortônimo” para si próprio. Diretor e colaborador de várias revistas literárias, autor do "Livro do Desassossego" e, no dia a dia, “correspondente estrangeiro em casas comerciais”, Pessoa deixou uma obra universal em três línguas que continua a ser editada e estudada desde que escreveu, antes de morrer, em Lisboa, “I know not what tomorrow will bring” [“Não sei o que o amanhã trará”].


Jerónimo Pizarro
Professor, tradutor, crítico e editor, Jerónimo Pizarro é o responsável pela maior parte das novas edições e novas séries de textos de Fernando Pessoa publicadas em Portugal desde 2006. Professor da Universidade dos Andes, titular da Cátedra de Estudos Portugueses do Instituto Camões na Colômbia e prêmio Eduardo Lourenço (2013), Pizarro voltou a abrir as arcas pessoanas e redescobriu a “biblioteca particular de Fernando Pessoa”, para utilizar o título de um dos livros da sua bibliografia. Foi o comissário da visita de Portugal à Feira Internacional do Livro de Bogotá (Filbo) e à Festa do Livro e da Cultura de Medellín, e coordena há vários anos a visita de escritores de língua portuguesa à Colômbia. Coeditor da revista Pessoa Plural, assíduo organizador de colóquios e exposições, dirige atualmente a Coleção Pessoa na Tinta‑da‑China no Brasil e em Portugal.


Sobre a Tinta-da-China Brasil
A Tinta-da-China Brasil foi fundada em 2012, no Rio de Janeiro, por Bárbara Bulhosa, para trazer ao país a excelência da casa fundada em 2005 em Lisboa. Em 2022, a editora brasileira passou para os cuidados da Associação Quatro Cinco Um, em São Paulo, organização sem fins lucrativos voltada para a difusão do livro no Brasil, que deu prosseguimento ao projeto editorial, concentrado nos eixos de literatura, história e ciência, com desvios pelo humor, jornalismo, quadrinhos e crítica literária.

domingo, 12 de abril de 2026

.: "A Parteira Pariu a Repórter" conta histórias de repórter que marcou tempo


Vladimir Herzog, Geraldo Vandré e princesa Diana são alguns dos nomes que passaram pela vida marcante de Ana Maria Cavalcanti, que ela compartilha nesse livro de memórias

Quando a gente termina de ler "A Parteira Pariu a Repórter", da jornalista Ana Maria Cavalcanti, fica a certeza de que a autora teve uma experiência profissional, no Brasil e na Inglaterra, das mais ricas e fascinantes. O livro, publicado pela Editora Labrador, tem a ousadia como característica fundamental para profissionais da reportagem. Desde o início, essa brasileira, com cidadania britânica, entendeu muito bem isso. Corajosa, ousou em cada trabalho que fez. E a recompensa veio na forma de reconhecimento: ganhou dois prêmios Vladimir Herzog, outros dois prêmios da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) pelos documentários "Cinco Anos de Aids", que também recebeu menção honrosa no festival de Cinema e Vídeo de Cuba, e "Avenida Ipiranga".

O grande mestre no jornalismo dela, Vladimir Herzog, com quem trabalhou na TV Cultura, acabou entrando para a História como um mártir da ditadura militar. Vlado era chefe de redação do Hora da Notícia, o telejornal diário da emissora. Um dia recebeu intimação para depor. Entrou no quartel e de lá saiu sem vida. Foi assassinado durante o interrogatório. No livro, Ana Maria conta detalhes de sua amizade com Vlado. E de como conheceu o jornalista Ingo Ostrovsky, colega de trabalho na Cultura, pai de seu filho, Fernando. Ficaram tão amigos que Herzog foi padrinho de casamento dos dois. Compre o livro "A Parteira Pariu a Repórter", de Ana Maria Cavalcanti, neste link.


Morte da Princesa Diana
Novamente, Ana Maria decidiu largar tudo em São Paulo, e foi viver em Londres em 1994. Já havia morado lá. Assim que chegou, começou a trabalhar para a BBC. Só saiu da emissora dez anos depois, para retornar ao Brasil. No começo, atuou como “freelancer.” Tempos depois, foi contratada como Editora de Cultura. Entre os muitos eventos importantes que cobriu na Inglaterra, está a morte trágica da Princesa Diana, num túnel em Paris, juntamente com o namorado Dodi Al Fayed, em agosto de 1997.

Durante uma semana, a Inglaterra parou. O desaparecimento repentino da linda princesa, aos 36 anos, desencadeou uma onda de profunda tristeza no país. Homens, velhos, mulheres e crianças manifestavam abertamente seus sentimentos pelas ruas. Toneladas de buquês de flores mudaram a paisagem na frente do Palácio de Kensington, onde Diana morava. Os canais de TV passaram a ostentar uma faixa em sinal de luto. Era o único assunto no país, em transe, naqueles dias. A autora cobriu tudo. Por isso, faz no livro um relato tão completo dessa tragédia.


Como Geraldo Vandré escapuliu
Muito antes de se lançar no jornalismo, Ana Maria, naquele tempo, uma das pouquíssimas mulheres a frequentar as aulas do curso de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas, se envolveu com um homem famoso, que também faz parte da nossa História e teve enorme impacto na vida dela (são amigos até hoje).

Geraldo Vandré fez uma palestra na FGV e se insinuou para aquela jovem estudante de cabelos compridos - que caiu no laço. Namoraram até Vandré sair do Brasil, por medo de ser preso. Logo depois do AI 5. Ana e seu pai levaram o artista de carro até Alegrete, pertinho da fronteira com Uruguai. Vandré ganhou o mundo e só voltou quatro anos depois.

Embora a década passada em Londres - 1994/2004 - tenha sido muito rica, foi também um período marcado por problemas, que afetaram profundamente sua vida. “Descobri que estava ficando surda - um mal de família. Hoje, sem aparelho, não ouço absolutamente nada. O que consigo ouvir é graças aos avanços da tecnologia (implante coclear)”, escreve Ana Maria, contando ainda outro momento bastante difícil durante o tempo em que morou na fascinante capital britânica: “Precisei fazer uma operação, por causa de um incômodo em meu olho esquerdo. Deu errado, porque atingiram um nervo: meu rosto paralisou, fiquei com a boca torta e um olho que não piscava. Com o tempo e o auxílio de exercícios e cirurgias, meu rosto melhorou”.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

.: "'A Partilha' e Outras Peças Teatrais" é um convite à reflexão profunda


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.

O teatro de Miguel Falabella sempre teve a habilidade de fazer do cotidiano um campo de batalha emocional em que rir e doer acontecem ao mesmo tempo. No livro "'A Partilha' e Outras Peças Teatrais: 'O Som e a Sílaba'. 'A Sabedoria dos Pais'. 'Os Olhos de Nara Leão'", lançado recentemente pela Matrix Editora, essa vocação se confirma com maturidade e precisão. A coletânea reúne quatro textos escritos entre 1990 e 2025 e funciona como um mapa afetivo de um autor que aprendeu a escutar.

O livro reafirma a força do teatro como espaço para a elaboração de confrontos. Ler as peças de Falabella, qualquer uma delas, é também perceber como certos conflitos permanecem intactos, como se todos estivessem sempre ensaiando dores parecidas em novas situações. Ainda mais em tempos de discursos prontos, peças que insistem na ambiguidade e na humanidade dos personagens são ouro. Qualquer leitor que esteja aberto a pensar pode sair dessa obra com a sensação de ter participado de algo íntimo demais para ser ignorado.

A obra começa com "A Partilha", peça que já passou por gerações e permanece atual. Nela, o reencontro de quatro irmãs após a morte da mãe, mediado pela divisão de bens, transforma-se em algo mais incômodo: a partilha das mágoas, das ausências e das versões nunca ditas das histórias de cada uma delas. Falabella constrói o conflito com humor afiado e usa o riso como instrumento de revelações cruéis.

Se "A Partilha" escancara o núcleo familiar, "O Som e a Sílaba" desloca o olhar para as diferenças ao focar na relação de amizade entre uma jovem cantora autista e a professora de canto dela. O texto evita o didatismo e aposta no território delicado da escuta. O resultado é uma peça moderna e sensível que tem o cuidado evidente de não reduzir a personagem à sua condição, mas de expandi-la como sujeito.

Em "A Sabedoria dos Pais", o autor abandona qualquer ilusão conciliadora quando aborda o fim de um casamento de 35 anos. Os conflitos surgem a partir de um acúmulo de situações mal resolvidas, em que o desgaste aparece nos pequenos detalhes. A peça se sustenta nesse incômodo prolongado de constatar que o amor, quando não cuidado, pode se transformar em rotina ressentida.

"Os Olhos de Nara Leão", misto de monólogo e biografia,  evoca a figura de Nara Leão. A reflexão sobre identidade, escolhas e autonomia ganha contornos íntimos, como se o palco fosse um espaço para a confissão. O que une as quatro peças é a habilidade de transformar situações reconhecíveis em experiências densas sem perder a leveza. Falabella escreve diálogos que soam naturais e têm ritmo, ironia e uma compreensão profunda de que o teatro é feito para causar reflexões profundas sobre a vida. Compre o livro "'A Partilha' e Outras Peças Teatrais: 'O Som e a Sílaba'. 'A Sabedoria dos Pais'. 'Os Olhos de Nara Leão'", de Miguel Falabella, neste link.

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