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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

.: Adriana Calcanhotto em "Saga Lusa", livro que comemora 18 anos da Cogobó


Relato bem-humorado da cantora sobre os percalços da turnê portuguesa de "Maré" ganha nova edição pela Cobogó


Para comemorar 18 anos de atividade, a Cobogó volta ao ponto de partida de seu catálogo e relança "Saga Lusa - O Relato de Uma Viagem", de Adriana Calcanhotto. Publicado originalmente em 2008, o livro ganha uma segunda edição com apresentação da própria autora e novo texto de orelha assinado pelo poeta Eucanaã Ferraz. Com humor afiado e uma boa dose de ironia, Adriana transforma os acontecimentos de uma turnê portuguesa em matéria-prima para uma narrativa tão divertida quanto improvável. A viagem aconteceu entre maio e junho de 2008, durante a temporada de shows do disco "Maré". O que deveria seguir o roteiro habitual de uma excursão musical acaba descambando para uma sucessão de situações pouco recomendáveis para quem deseja manter a agenda em ordem. Com capa de Felipe Kaizer, adaptada por Mari Taboada, o livro comemora os 18 anos da Editora Cogobó, que abriu o catálogo com este livro.

Depois de um voo entre Rio de Janeiro e Lisboa sem conseguir dormir, entrevistas logo na chegada e um show interrompido pela falta de luz, mas não pela disposição de continuar cantando, a artista ainda enfrenta uma gripe fortíssima e decide combatê-la com uma combinação desastrosa de medicamentos. O resultado é um surto psicótico provocado pelos remédios, que leva ao cancelamento de shows e compromissos durante vários dias.

No quarto do hotel, sem dormir por dias e cercada por médicos, hospitais, medicamentos, exames e pela incerteza sobre quando aquela situação chegaria ao fim, Adriana começa a escrever compulsivamente. A escrita aparece como uma espécie de fio terra, uma maneira de organizar o medo e preservar algum grau de lucidez enquanto tudo parece sair do controle. O episódio rende uma narrativa em que a cantora se coloca no centro da própria trapalhada e, em vez de esconder o ridículo da situação, explora suas possibilidades cômicas. A língua portuguesa vira brinquedo, canções e livros entram pela prosa sem cerimônia e a experiência de uma crise ganha contornos de aventura.

Entre uma situação absurda e outra, Adriana encontra uma espécie de lema para atravessar aquela temporada: "a alegria é a prova dos nove". A imagem do panda, criada pela própria autora para descrever sua aparência durante o período de recuperação, sintetiza bem o espírito do livro. A cantora observa a si mesma com uma mistura rara de espanto, carinho e deboche - qualidade que transforma um episódio bastante difícil em uma história de leitura saborosa. Compre o livro "Saga Lusa - O Relato de Uma Viagem", de Adriana Calcanhotto, neste link.


Sobre a autora
Adriana Calcanhotto é compositora, cantora e professora da Universidade de Coimbra, instituição da qual é embaixadora desde 2015. Com quatro décadas de carreira, lançou álbuns de estúdio, trabalhos ao vivo e registros audiovisuais de turnês realizadas em diferentes partes do mundo. Suas canções foram gravadas por nomes como Gal Costa, Ney Matogrosso e Marisa Monte. Também colaborou com poetas como Augusto de Campos, Antonio Cicero, Waly Salomão e Arnaldo Antunes. Como Adriana Partimpim, seu heterônimo voltado às crianças de todas as idades, lançou quatro discos e recebeu o Grammy Latino de Melhor Álbum Infantil. 

Na literatura, trabalhou como ilustradora e organizou antologias de poesia. "Saga Lusa - O Relato de Uma Viagem", publicado pela primeira vez em 2008, marcou sua estreia na prosa. O livro também revelou outra faceta de uma artista que circula entre música e literatura com liberdade e personalidade próprias. Adriana Calcanhotto nasceu em Porto Alegre, vive no Rio de Janeiro e, como toda boa autora que sabe escolher suas companhias, ama os felinos.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

.: Alex Solnik leva "O Código 12" à Bienal e reabre o caso da morte de JK


Jornalista e escritor apresenta livro que revisita a morte de Juscelino Kubitschek e reúne documentos, depoimentos e perícia realizada décadas após o acidente. Foto: divulgação

O jornalista e escritor Alex Solnik participa da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo com uma sessão de autógrafos de "O Código 12 - As Surpreendentes Revelações sobre o Assassinato de JK pela Ditadura Militar". O encontro com os leitores acontece no dia 13 de setembro, das 14h00 às 15h00, no estande J75 da Matrix Editora, no Distrito Anhembi. Publicado pela Matrix Editora, o livro investiga as circunstâncias da morte de Juscelino Kubitschek, ocorrida em 1976, e coloca em questão a versão oficial sobre o acidente que matou o ex-presidente. 

A partir de documentos, depoimentos e de uma perícia realizada décadas depois do episódio, Solnik reconstitui os últimos momentos de JK e apresenta elementos para uma nova leitura de um dos casos mais controversos da história política brasileira. Entre os documentos analisados está um laudo elaborado pelo perito Sérgio Ejzenberg, em 2019, a pedido do Ministério Público de Resende. A investigação conduzida por Solnik reúne diferentes registros e testemunhos em torno das circunstâncias da morte de Juscelino. Compre o livro "O Código 12 - As Surpreendentes Revelações sobre o Assassinato de JK pela Ditadura Militar" neste link.


Sobre o autor
Alex Solnik é natural de Drogobytch, na Ucrânia, e mora no Brasil desde 1958. Jornalista profissional desde 1977, trabalhou nas revistas Isto É, Senhor, Careta, Status, Manchete e Interview, além dos jornais Jornal da Tarde, Última Hora, Correio Braziliense, Folha da Tarde, Panorama e O Nacional. É autor de "Os Pais do Cruzado Contam por Que Não Deu Certo", "O Cofre do Adhemar", "A Guerra do Apagão", "A Última Batalha de Napoleão" e "O Dia em que conheci Brilhante Ustra". Também é coautor, com Paulo Caruso, dos quadrinhos da série "Bar Brasil", publicados nas revistas Careta e Senhor, e dos livros "Bar Brasil, Bar Brasil na Nova República" e "Ecos do Ipiranga". Compre os livros de Alex Solnik neste link.


Serviço
Sessão de autógrafos do livro "O Código 12", com Alex Solnik
Dia 13 de setembro, das 14h00 às 15h00
Local: estande da Matrix Editora – J75
Evento: 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Endereço: Distrito Anhembi / São Paulo

.: Claudia Alexandre leva "Tia Ciata e o Mistério da Foto" à Bienal do Livro


Autora participa de roda de conversa no Salão de Ideias e autografa livro infantil que revisita registros sobre a matriarca do samba; Foto: divulgação / arquivo pessoal

Vencedora do Prêmio Jabuti Acadêmico pelo livro "Exu-Mulher e o Matriarcado Nagô", a jornalista e escritora Claudia Alexandre integra a programação oficial da Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Pesquisadora das tradições de matrizes africanas, ela participa de uma roda de conversa no Salão de Ideias, no dia 12 de setembro, ao lado da sambista e jornalista Lyllian Bragança. O encontro apresenta o livro infantil "Tia Ciata e o Mistério da Foto", com início às 19h30. Antes do bate-papo, às 17h00, Claudia autografa o lançamento no estande da Cortez Editora, na Rua G 26.

Resultado de uma pesquisa iniciada em 2008, "Tia Ciata e o Mistério da Foto" transforma em narrativa lúdica uma investigação sobre lacunas, contradições e registros históricos e fotográficos atribuídos à chamada "mãe do samba". A pesquisa lança um olhar curioso para as imagens que ajudaram a construir a memória de Tia Ciata e para aquilo que ficou de fora delas.

Na obra, Claudia também recupera a dimensão multifacetada de Tia Ciata, destacando sua atuação como rezadeira, musicista e personagem fundamental na história do samba. Entre os episódios revisitados está a criação de "Pelo Telefone", considerado o primeiro samba gravado. A trajetória da autora passa ainda pelo Prêmio Jabuti Acadêmico. Claudia Alexandre venceu a premiação em 2024 com "Exu-Mulher e o Matriarcado Nagô" e voltou a ser reconhecida em 2025, desta vez pela obra coletiva "A Salvação da Pátria Amada". No ano passado, "Exu-Mulher" serviu de inspiração para o enredo que levou a Escola de Samba Pérola Negra ao título em São Paulo.

Serviço
Roda de conversa com Claudia Alexandre e lançamento de "Tia Ciata e o Mistério da Foto"

Sábado, dia 12 de setembro, às 17h00 - Sessão de autógrafos
Estande da Cortez Editora – Rua G 26

19h30 - Roda de conversa
Salão de Ideias - Programação Oficial da Bienal do Livro
Endereço da Bienal: Distrito Anhembi - Av. Olavo Fontoura, 1209 - Santana / São Paulo

terça-feira, 8 de setembro de 2026

.: "Chapeuzinhos Mais Coloridos" ganha novas cores e caminhos para o clássico


Novo livro de José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta revisita "Chapeuzinho Vermelho" com seis versões da personagem e chega pela editora independente Padaria de Livros. Fotos: divulgação


Chapeuzinho Vermelho já percorreu a floresta tantas vezes que talvez estivesse na hora de experimentar um figurino novo. É o que fazem José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta em "Chapeuzinhos Mais Coloridos", novo livro infantil da dupla, publicado pela Padaria de Livros, editora independente criada pelos próprios autores, que começa pré-venda no dia 15 de setembro, com ilustrações de Marilia Pirillo. O título dá continuidade a "Chapeuzinhos Coloridos", lançado em 2010 pela Companhia das Letras e que já vendeu 200 mil exemplares. Desta vez, os escritores ampliam a brincadeira e apresentam seis novas possibilidades para a personagem: Amarelo-Canário, Marrom, Rosa, Transparente, Xadrez e Arco-Íris.

Em cada versão, a conhecida história de Chapeuzinho Vermelho ganha outro rumo. A dupla parte do conto tradicional para abordar assuntos como vaidade, folclore brasileiro, questões ambientais, terceira idade, fome, arte e até os mecanismos dos próprios contos de fada, em uma história que brinca com a metalinguagem. "Chapeuzinhos Mais Coloridos" integra a coleção "Eram Mil Vezes", dedicada às reinvenções de histórias conhecidas.

Torero e Pimenta escrevem juntos há mais de 30 anos e acumulam mais de 30 títulos em parceria, entre livros infantis, juvenis e adultos. O método de trabalho é curioso: um funciona como revisor do outro, numa parceria literária que sobreviveu a três décadas e, aparentemente, ainda rende novas maneiras de mexer com personagens que todo mundo acha que conhece. Na mesma coleção, os autores já publicaram "Os Penteados de Rapunzel" (2023), "O Patinho Feio que Não Era Patinho Nem Feio" (2024) e "Os Coelhos e as Tartarugas" (2025).

Na coleção "Fábrica de Fábulas", da Cia das Letrinhas, a dupla soma outros nove títulos de recontos. Jornalistas de formação, Torero e Pimenta se conheceram quando trabalhavam como revisores de uma revista especializada na área química. A parceria literária também passou pela ficção histórica. Entre os trabalhos da dupla está "Galantes Memórias e Admiráveis Aventuras do Virtuoso Conselheiro Gomes, O Chalaça", publicado originalmente em 1995 e vencedor do Prêmio Jabuti de Romance.

Ao longo da carreira, os dois publicaram por editoras como Companhia das Letras, Alfaguara, Moderna e Objetiva. Em 2019, ao lado do ilustrador Ivo Minkovicius, criaram a Padaria de Livros, que publica exclusivamente obras dos três sócios. A editora já lançou mais de 30 títulos, alguns deles indicados ao Prêmio Jabuti, e ultrapassou a marca de cem mil exemplares vendidos. "Chapeuzinhos Mais Coloridos" chega com 56 páginas e formato de 21 x 28 centímetros. A pré-venda começa em 15 de setembro, pelo site da Padaria de Livros. Pré-venda neste link.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

.: Crítica: “Quando”, de Carla Madeira, coloca mãe e filho em lados opostos


Por
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico cultural, especial para o portal Resenhando.com

Existe uma tentação contemporânea de dividir o mundo entre vítimas perfeitas e culpados absolutos. Carla Madeira faz o movimento contrário em “Quando”, quarto e mais ambicioso romance dela, publicado pela Editora Record. Um livro que exige do leitor algo particularmente desagradável: examinar as próprias convicções. Em tempos de uma sociedade cada vez mais adoecida, em que um streamer aborda e ridiculariza um ator da TV Globo na saída do Rock in Rio por causa da roupa que ele vestia e depois justifica a atitude como entretenimento, o livro ganha uma incômoda atualidade.

A história gira em torno de Viridiana, costureira e mãe de Margarida, Valquíria e Tito. Ela vive cercada pelos pequenos rituais da família, pelos afetos domésticos e por uma espécie de fé na possibilidade de manter tudo no devido lugar. Até que uma tragédia desmonta a bolha em que vive. Depois de chamar a polícia e denunciar o próprio filho, passa a conviver com uma pergunta que nenhuma sentença judicial consegue resolver: o que fazer com o amor quando ele está do lado de alguém que fez alguma coisa imperdoável?

A partir dessa premissa, começa a se desenvolver uma história em que maternidade, culpa, violência, homofobia, preconceito e Justiça se confundem até o leitor perceber que talvez não exista personagem suficientemente inocente para ocupar o papel de juiz. O gesto de Viridiana é brutal porque é correto e, ao mesmo tempo, devastador. Ela denuncia Tito à polícia porque amar alguém não significa necessariamente protegê-lo das consequências de seus atos.

Denunciar ou proteger o próprio filho se transforma em uma pergunta moral sem uma resposta satisfatória. A escritora sabe colocar o dedo na ferida e escolhe um lugar particularmente dolorido: o ponto em que uma mãe descobre que amar um filho pode significar entregá-lo à Justiça. Carla Madeira chegou a um ponto raro na trajetória dela como escritora. Depois do impacto de “Tudo É Rio”, da estrutura de “Véspera” e da investigação íntima de “A Natureza da Mordida”, “Quando” confirma uma escritora interessada em testar até onde a literatura pode levar uma situação aparentemente doméstica.

Machado de Assis já havia colocado, no conto “Pai Contra Mãe”, a miséria humana diante de uma escolha em que o afeto e a sobrevivência se enfrentam. Carla Madeira parece inverter o espelho em “Quando”: a situação a mãe contra o filho e o conflito ganha uma camada ainda mais incômoda, porque Viridiana precisa escolher entre proteger quem ama e entregá-lo às consequências do que fez. “Quando” poderia ter sido escrito como uma história convencional sobre culpa, violência e reconciliação.

Carla Madeira prefere desmontar o relógio, embaralhar os pontos de vista e fazer o leitor pensar, já que o livro avança aos solavancos do tempo. Há horários, lembranças, conversas, capítulos chamados “Engramas”, mudanças de perspectiva e episódios que retornam como se a memória fosse uma casa em que ninguém tivesse encontrado ainda o interruptor. A estrutura reproduz a experiência de quem espera: o tempo passa, mas alguma coisa permanece no mesmo lugar.

Viridiana espera Tito durante horas, dias, meses, vinte anos. Carla Madeira entende que o tempo sabe envelhecer pessoas, mas definitivamente não consegue educar sentimentos. Alguns leitores podem estranhar o ritmo contemplativo, sobretudo quando a narrativa parece interromper a ação para permanecer algum tempo dentro de uma lembrança, de uma conversa ou de uma sensação. Essa escolha, porém, está profundamente ligada ao que o romance pretende investigar: a autora quer que o leitor permaneça dentro das consequências.

Também é particularmente feliz a decisão de não transformar Viridiana em uma santa de porcelana. Ela erra, julga, sente vergonha, arrepende-se, recorda episódios que preferia esquecer e tenta compreender as próprias covardias. Em determinado momento, a mulher que se julgava correta percebe que já havia escolhido não enxergar outras dores quando elas bateram à própria porta. A maternidade, então, ganha contornos menos confortáveis. Uma mãe também pode ser espectadora, cúmplice involuntária, mulher amedrontada, pessoa preconceituosa e alguém capaz de rever a própria história.

Tito, por sua vez, não é apenas o filho denunciado, também está representado pela ausência que reorganiza a família. A homofobia surge dentro desse mecanismo familiar em que os personagens orbitam. O preconceito aparece em casa, no constrangimento, na vergonha, na religião usada como argumento, no medo da opinião alheia e na tentativa de transformar a sexualidade de alguém em problema coletivo. O romance entende que a violência também pode morar numa frase dita à mesa de jantar.

Carla Madeira não trata a dor como uma obrigação de solenidade. Pessoas continuam com fome durante tragédias, brigam por coisas pequenas, fazem sexo, criam filhos, queimam carne, tomam decisões ruins, sentem desejo, falam besteira e riem quando deveriam chorar, afinal, a vida tem péssimo gosto para escolher momentos adequados. O livro também não transforma sofrimento em espetáculo. A autora conhece o apelo da tragédia, mas não parece interessada em entregar ao leitor o conforto de um melodrama convencional. Carla Madeira escreve sobre uma família, mas observa um país.

O Brasil dos anos 1980 aparece como cenário social de uma narrativa marcada por preconceitos que não ficaram confinados ao passado e ainda ecoam em 2026. Homofobia, violência doméstica e familiar, autoritarismo e a ideia de que educar um filho significa moldá-lo pela força aparecem como sintomas de uma sociedade que aprendeu a chamar brutalidade de correção. Dentro desse contexto, expõe-se a fantasia de que os monstros nascem prontos, mas a escritora se mostra interessada no processo contrário: em como uma pessoa se forma dentro de uma família, quando uma violência pode ser ensinada, reproduzida e naturalizada, em como uma criança pode aprender que humilhar alguém é uma forma aceitável de exercer poder.

“Quando” deixa de ser apenas um romance sobre uma família destruída e passa a ser uma história sobre aquilo que o tempo faz quando decide não curar ninguém. O relógio anda, as pessoas envelhecem, o mundo continua, mas determinadas coisas permanecem no lugar em que foram pausadas. O quarto romance de Carla Madeira confirma uma escritora que poderia facilmente repetir a fórmula que a transformou em fenômeno editorial, mas prefere complicá-la. Em vez de oferecer outra história devastadora apenas pela devastação, constrói uma narrativa sobre o que vem depois da tragédia. Compre o livro “Quando”, de Carla Madeira, neste link.

.: "O Tesoureiro" revisita o caso PC Farias pelo olhar de Xico Sá


Livro recupera a investigação que levou o jornalista ao paradeiro do tesoureiro de Fernando Collor e reconstitui bastidores de um dos episódios mais emblemáticos da política brasileira. Foto: Renato Parada / C
apa: Veridiana Scarpelli

Em "O Tesoureiro: O Esquema de Corrupção, a Fuga Espetacular e a Morte de PC Farias", lançado pela Editora Todavia, o escritor Xico Sá retorna aos anos 1990 para reconstruir uma história que reúne política, investigação jornalística, fuga internacional e um assassinato que permanece cercado de dúvidas. O livro combina perfil, reportagem e memória para revisitar os bastidores da cobertura que colocou o jornalista no encalço de Paulo César Farias, personagem central do escândalo que abalou o governo de Fernando Collor de Mello. A capa é de Veridiana Scarpelli.

Repórter de política da Folha de S.Paulo naquele período, Xico Sá foi o primeiro jornalista a revelar o paradeiro de PC Farias depois que o empresário teve a prisão decretada, em 1993. Acusado de envolvimento em um esquema de corrupção ligado ao governo Collor, PC fugiu do Brasil e passou por diferentes países até ser localizado em Bangkok, na Tailândia.

A trajetória da fuga parece saída de uma narrativa de espionagem. Com peruca e sem o característico bigode, PC deixou uma fazenda no interior de Pernambuco em um bimotor com destino a Buenos Aires. O percurso ainda incluiu passagens pela Bahia, Paraguai, Uruguai e Londres, até a chegada à Tailândia. Depois de cumprir pena em Alagoas, ele foi assassinado em junho de 1996, ao lado da namorada, Suzana Marcolino. O crime, ocorrido em uma casa de Guaxuma, em Maceió, jamais foi completamente esclarecido.

Mais de três décadas depois dos acontecimentos que marcaram a política brasileira, Xico Sá recupera as informações que cercaram aquela cobertura. Entre as lembranças estão fontes que forneciam pistas em boates de Maceió, telefonemas anônimos, ameaças e os métodos de uma época em que a apuração jornalística dependia de viagens, telefones e contatos presenciais. O livro também registra uma transformação profunda na profissão. No início dos anos 1990, a internet ainda dava os primeiros passos e os celulares estavam longe da realidade atual. A rotina dos repórteres era marcada pelo fechamento diário dos jornais impressos e por uma cobertura que exigia presença constante no local dos acontecimentos.

É nesse ambiente que Xico Sá resgata a própria trajetória profissional. O jornalista mistura memória e investigação para reconstituir os caminhos percorridos durante a cobertura de PC Farias, incluindo episódios vividos ao lado de personagens da cena cultural pernambucana, como Chico Science e Doctor Mabuse. Um dos momentos narrados no livro acontece em junho de 1993. Xico estava em Recife, em um raro período de folga, quando uma notícia transmitida pelo rádio anunciou que a Justiça havia decretado a prisão preventiva de PC Farias por sonegação fiscal. A pausa acabou antes mesmo de começar. Por determinação da redação, o jornalista precisou retomar imediatamente a apuração e voltar a Maceió para acompanhar os passos do empresário.

A passagem também funciona como retrato de uma prática jornalística que dependia de telefones enormes, deslocamentos e uma rede de fontes construída no contato direto. O chamado "tijolão", celular cedido pela Folha, servia basicamente para fazer e receber ligações. A velocidade da informação era outra, e o fechamento de cada edição estabelecia o ritmo da investigação. Ao recuperar essas histórias, Xico Sá aproxima o passado dos dilemas do presente.

O resultado é um livro que acompanha a ascensão e a queda de uma das figuras mais controversas da Nova República enquanto também registra a formação de um jornalista diante de uma cobertura que atravessou política, corrupção, perseguições e mistérios. A narrativa preserva ainda a marca literária do autor, que se inspira em referências como Hunter S. Thompson e incorpora elementos de literatura policial à investigação. Entre as figuras que povoam a história está a misteriosa informante conhecida pelo codinome Brigitte Monfort, nome emprestado de uma personagem de romances populares. Compre o livro "O Tesoureiro", escrito por Xico Sá, neste link.


Sobre o autor
Xico Sá nasceu no Crato, no Ceará, em 1962. Iniciou a carreira jornalística no Recife e trabalhou durante anos como repórter investigativo. É autor de livros de contos e crônicas, apresentador do ICL Notícias e colunista do Diário do Nordeste. Compre os livros de Xico Sá neste link.

.: “Gente Pobre” e “A Dócil” recolocam Dostoiévski no centro do debate literário


Novas traduções diretas do russo, lançadas pela Via Leitura, aproximam leitores contemporâneos de dois textos fundamentais do escritor e filósofo russo


A literatura russa voltou a ocupar espaço no imaginário do público brasileiro. De referências a Fiódor Dostoiévski na novela “Quem Ama Cuida”, da TV Globo, ao crescimento da hashtag #russianliterature no TikTok, que já ultrapassa 180 milhões de visualizações, os clássicos do século XIX encontram uma nova geração de leitores interessada em histórias marcadas por conflitos humanos, questões sociais e mergulhos na subjetividade. 

O interesse também aparece nas livrarias. O mercado editorial brasileiro tem ampliado a publicação de coleções e novas traduções de autores russos, muitas delas realizadas diretamente a partir do idioma original. É nesse cenário que a Via Leitura lança “Gente Pobre e “A Dócil”, dois livros que ajudam a compreender por que Dostoiévski continua dialogando tão de perto com o presente. As novas edições têm tradução direta do russo assinada pela linguista e tradutora Natalia Petroff, formada pela USP e especialista no idioma. O trabalho busca preservar a força dos textos originais e, ao mesmo tempo, oferecer ao leitor brasileiro uma porta de entrada acessível para a obra do escritor.

Publicado originalmente em 1846, apresentando uma narrativa epistolar de forte dimensão social, “Gente Pobre” foi o primeiro romance de Dostoiévski. A narrativa acompanha, por meio de cartas, dois personagens humildes que compartilham sentimentos, expectativas e dificuldades provocadas pela pobreza. A troca epistolar revela tanto as limitações impostas pela condição social quanto a sensibilidade e a dignidade daqueles que vivem à margem. Compre "Gente Pobre", de Dostoiévski, neste link.

Concentra em poucas páginas um intenso estudo sobre a mente humana,“A Dócil” apresenta um dos momentos mais concentrados e perturbadores da literatura de Dostoiévski. Após o suicídio da jovem esposa, um homem tenta reconstruir os acontecimentos que levaram à tragédia. Entre lembranças, justificativas e contradições, a narrativa expõe temas como solidão, orgulho, incomunicabilidade e os impasses das relações afetivas. Compre "A Dócil", de Dostoiévski, neste link.

Essa capacidade de observar o indivíduo em seus momentos de maior fragilidade explicam a permanência de Dostoiévski. Culpa, medo, isolamento, desigualdade, relações humanas e conflitos psicológicos atravessam o tempo e encontram eco em questões discutidas atualmente, inclusive no campo da saúde mental. Os livros integram a coleção de literatura russa da Via Leitura, que também reúne títulos como “Memórias do Subsolo” e “Noites Brancas”. Com a iniciativa, o Grupo Editorial Edipro amplia o acesso a traduções diretas e aproxima do público brasileiro obras fundamentais da literatura mundial. Para quem ainda vê os clássicos russos como leituras distantes ou difíceis, os dois lançamentos também podem funcionar como ponto de partida. 


Sobre Fiódor Dostoiévski
Fiódor Dostoiévski
(1821-1881) foi escritor, jornalista e filósofo russo. Considerado um dos grandes nomes da literatura universal e um dos precursores do pensamento existencialista, construiu uma obra marcada pela investigação dos conflitos psicológicos e das contradições humanas. Entre seus livros mais conhecidos estão “Crime e Castigo”, “O Idiota” e “Os Irmãos Karamázov”. Sua trajetória pessoal também foi marcada por dificuldades financeiras e familiares, além de períodos de exílio e intensa produção literária. A experiência de Dostoiévski diante da pobreza, da culpa, da perda e das relações humanas atravessou seus livros e ajudou a formar uma literatura que continua provocando leitores de diferentes gerações. Compre os livros de Dostoiéviski neste link.

.: "Espirais" leva Nelson Job às origens do Druamverso na Bienal de São Paulo


Romance de ficção especulativa combina filosofia, ciência, espiritualidade e cultura pop para contar a história de uma sociedade ancestral

Nelson Job chega à 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo com "Espirais", romance de ficção especulativa publicado pela Mondru Editora que retorna ao passado mais remoto do Druamverso. O encontro com os leitores acontece em 12 de setembro, no Gaeb - Grupo Associado de Escritores Brasileiros, na Travessa 11 (Travessa Literária). 

A história se passa em Mrun, uma ilha ancestral localizada no território que, muitos milênios depois, seria conhecido como Brasil. Nesse lugar, humanos, animais, plantas e outras formas de consciência vivem em comunhão. A harmonia, porém, começa a ruir quando pulsações cósmicas provocam alterações na matéria, na percepção e nas capacidades dos seres vivos.

Com as mudanças, antigos acordos passam a ser questionados e o medo começa a interferir nas decisões coletivas. A transformação do mundo exterior acaba provocando também uma transformação na maneira como seus habitantes percebem a própria existência. A narrativa é conduzida por Nyarah, sacerdotisa e filósofa de Mrun, e se organiza em três movimentos: Dobra, Redobra e Desdobra. Ao longo da história, as mudanças alcançam a ilha, outros territórios e o plano etéreo.

Embora tenha autonomia para ser lido como uma obra independente, "Espirais" ocupa uma posição central na construção do Druamverso. O romance apresenta as origens de conceitos e conflitos que aparecem em trabalhos anteriores de Nelson Job, como "Druam", "Pulsares" e "Cânticos Andróginos". A ficção criada pelo autor aproxima filosofia, ciência, espiritualidade, arte e cultura pop e amplia um universo literário que já vem sendo desenvolvido em diferentes formatos. Aqui, o cosmos não aparece apenas como cenário: ele interfere diretamente na vida dos personagens e nas regras que organizam aquele mundo.


Sobre Nelson Job
Nelson Job é escritor, psicólogo e pesquisador transdisciplinar, doutor em História das Ciências, das Técnicas e Epistemologia pela UFRJ. Trabalhou com o físico Luiz Pinguelli Rosa e conheceu Nise da Silveira na Casa das Palmeiras, onde foi coordenador cultural. É coeditor da revista "Cosmos e Contexto", ao lado do cosmólogo Mario Novello, e criador do campo dos transaberes. É autor de "Druam", "Livro na Borogodança", "Cânticos Andróginos" e "Pulsares". Job desenvolve o Druamverso em diferentes formatos e também promove cursos e grupos de estudo dedicados à experimentação e ao pensamento brasileiro. Compre os livros de Nelson Job neste link.


Serviço
Nelson Job na 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Evento: 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Data: até dia 13 de setembro de 2026
Local: Distrito Anhembi - Pavilhão de Exposições
Endereço: Av. Olavo Fontoura, 1209 - Santana, São Paulo - SP

Atividade: Autógrafos e bate-papo
Data: 12 de setembro de 2026, sábado
Horário: das 10h às 13h45
Onde: Gaeb - Grupo Associado de Escritores Brasileiros - Travessa 11 (Travessa Literária)
Livro: "Espirais"
Gênero: Romance de ficção especulativa
Editora: Mondru Editora
Páginas: 240
Lançamento: 2026

sábado, 5 de setembro de 2026

.: "As Irmãs de Amarelo" mergulha em escolhas difíceis e na sobrevivência


Novo romance de Mieko Kawakami chega ao Brasil pela Intrínseca e acompanha mulheres que tentam sobreviver à pobreza, à criminalidade e à falta de perspectivas. Foto: Reiko Toyama

Quanto de liberdade existe quando escolher é um privilégio que o dinheiro pode comprar? Em "As Irmãs de Amarelo", novo romance de Mieko Kawakami, autora de "Peitos e Ovos", essa pergunta ganha contornos cada vez mais incômodos ao acompanhar mulheres que encontram na amizade, no trabalho e até na criminalidade maneiras de escapar de uma vida marcada pela precariedade. 

Publicado pela Intrínseca, o livro leva o leitor às noites de Tóquio do fim dos anos 1990 e retoma alguns dos assuntos recorrentes na obra da escritora japonesa, como desigualdade social, trabalho feminino e os limites impostos às mulheres quando faltam dinheiro, proteção e perspectivas. Vencedora do Prêmio Yomiuri de Literatura, Kawakami constrói uma narrativa em que as escolhas pessoais nunca estão completamente separadas das condições sociais que as cercam. A tradução é de Rita Kohl.

A história começa em abril de 2020. Aos 40 anos, Hana se depara por acaso com uma notícia de jornal sobre Kimiko Yoshikawa, uma mulher de 60 anos que está sendo julgada por agredir e manter uma jovem em cárcere privado. O nome faz Hana voltar no tempo, até uma fase da vida que parecia definitivamente arquivada. Em 1998, aos 15 anos, ela morava com a mãe na periferia de Tóquio, enfrentava dificuldades financeiras e trabalhava para juntar algum dinheiro. Em uma casa sem segurança e com poucas possibilidades de decidir o próprio futuro, Hana encontra em Kimiko uma espécie de porta de saída.

As duas abrem o Lemon, pequeno bar no bairro de Sangenjaya que acaba se tornando ponto de encontro e abrigo para Hana e outras duas jovens, Lan e Momoko. As quatro passam a trabalhar juntas e dividir a mesma casa. Por algum tempo, aquela família improvisada oferece algo que parecia impossível: pertencimento. Só que contas não costumam respeitar sonhos. Quando o dinheiro começa a desaparecer, a sensação de liberdade também perde força. Hana acaba envolvida no submundo dos golpes, onde necessidade e ganância passam a dividir uma fronteira cada vez mais estreita. O que parecia uma alternativa para sobreviver começa a cobrar um preço próprio. É nesse terreno desconfortável que Kawakami desenvolve a principal questão do romance: até onde uma escolha pode ser considerada realmente livre quando as outras opções praticamente desapareceram? Compre o livro "As Irmãs de Amarelo", de Mieko Kawakami, neste link.

Sobre a autora
Mieko Kawakami
é autora do best-seller internacional "Peitos e Ovos", escolhido pelo jornal The New York Times entre os livros notáveis do ano e incluído pela revista Time entre os dez melhores livros de 2020. Entre seus outros romances estão "Paraíso", finalista do International Booker Prize de 2022, e "Todos os Amantes da Noite", finalista do National Book Critics Circle Award de 2023 na categoria ficção. Em 2024, "As Irmãs de Amarelo" recebeu o Prêmio Yomiuri de Literatura. Traduzidos para mais de quarenta idiomas, os livros da escritora são conhecidos pelas reflexões sobre gênero, classe e ética na sociedade contemporânea. Nascida em Osaka, Kawakami vive atualmente em Tóquio, no Japão. Compre os livros de Mieko Kawakami neste link.

.: Livro "Compêndio..." reúne gigantes e pigmeus na Bienal de São Paulo


Leonardo Menegatto mistura mito, religião, fantasia e ciência em cinco narrativas que percorrem diferentes formas de contar o mundo


Leonardo Menegatto chega à 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo com "Compêndio das Grandes e Pequenas Existências", publicado pela Mondru Editora. O escritor participa de autógrafos e bate-papo em 8 de setembro, no Gaeb - Grupo Associado de Escritores Brasileiros, na Travessa 11 (Travessa Literária). O livro reúne cinco textos independentes ligados por uma presença em comum: gigantes e pigmeus. A partir desse fio, cada narrativa assume uma estrutura própria e conduz o leitor por diferentes épocas, gêneros e maneiras de imaginar e registrar a realidade.

O percurso passa pelo relato mitológico, pelo texto bíblico, pelo conto de fadas, pelo ensaio científico ficcional e pela correspondência. A variedade de formatos faz parte da própria proposta da obra, que investiga como diferentes sociedades e períodos históricos criam maneiras particulares de explicar o mundo. Menegatto dialoga com referências como a tradição atribuída a Homero, textos gnósticos e apócrifos do cristianismo primitivo, os contos reunidos pelos irmãos Grimm e as obras de Charles Darwin.

Doutor em Genética, o autor também estabelece uma aproximação entre literatura e história da ciência. O conhecimento científico entra na construção ficcional sem ficar confinado ao papel de figurante, enquanto a linguagem ganha diferentes funções conforme cada narrativa muda de época e de gênero. "Compêndio das Grandes e Pequenas Existências" brinca com escalas, formatos e perspectivas. Gigantes e pigmeus acabam funcionando como imagens que mudam de tamanho conforme o olhar de quem conta — porque, na literatura, até uma criatura colossal pode caber em poucas páginas. Compre os livros de Leonardo Menegatto neste link.


Sobre Leonardo Menegatto
Leonardo Menegatto é escritor, engenheiro agrônomo, doutor em Genética pela FMRP-USP e mestre em Agronomia, com ênfase em Genética e Melhoramento de Plantas. É também licenciado em Ciências Agrárias pela ESALQ-USP. Sua produção literária transita pelo realismo fantástico, pela poesia e pela literatura infantojuvenil.

É autor de "A Fantástica Aventura de Ferdinando e Quem Eu Lá Conheci", vencedor do Prêmio Book Brasil nas categorias Melhor Infantojuvenil e Aclamado pelo Público, e de "Na Estranha Imagem Entre Nós". Também possui contos e poemas publicados em diferentes coletâneas. Compre os livros de Leonardo Menegatto neste link.


Serviço
Leonardo Menegatto na 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Atividade: Autógrafos e bate-papo
Dia 8 de setembro de 2026, terça-feira, das 9h00 às 13h45
Gaeb - Grupo Associado de Escritores Brasileiros - Travessa 11 (Travessa Literária)

28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Data: 4 a 13 de setembro de 2026
Distrito Anhembi - Pavilhão de Exposições
Endereço: Av. Olavo Fontoura, 1209 - Santana / São Paulo

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

.: “Leia Perigosamente” desafia o medo e devolve à literatura poder de resistência


Novo livro de Azar Nafisi, autora de “Lendo Lolita em Teerã”, investiga por que regimes autoritários temem tanto os livros e aposta na imaginação como ferramenta de liberdade


Livros podem parecer objetos inofensivos. Cabem numa mochila, numa estante e até debaixo do braço de quem atravessa uma fronteira. Para governos autoritários, porém, algumas páginas podem ser bem mais perigosas do que parecem. É justamente nesse território que a iraniana Azar Nafisi mergulha em “Leia Perigosamente - O Poder Subversivo da Literatura em Tempos Conturbados”, lançamento da Editora Record. A tradução é de Marina Vargas.

Conhecida mundialmente pelo livro “Lendo Lolita em Teerã”, Nafisi retoma a literatura como instrumento de resistência e examina a relação incômoda entre livros, imaginação e poder. O ponto de partida são cartas escritas entre 2019 e 2020 para o pai, morto 12 anos antes. Ao escrever para alguém que já não poderia responder, a autora tenta organizar um mundo que parecia perder o juízo: o primeiro governo de Donald Trump, a pandemia, guerras e transformações políticas.

A experiência pessoal se mistura à trajetória de professora de literatura e cidadã do Irã e dos Estados Unidos, país para onde imigrou. O resultado é uma reflexão que passa pelos livros que Nafisi lecionou e pelos autores que ajudam a compreender os mecanismos de controle, intolerância e desumanização. Para explicar por que ditaduras e regimes fascistas enxergam a literatura como ameaça, a autora convoca nomes como James Baldwin, Zora Neale Hurston, Margaret Atwood e Toni Morrison. São escritores que ajudam a iluminar questões do presente e a lembrar uma ideia que regimes autoritários conhecem muito bem: imaginar outras possibilidades pode ser o primeiro passo para deixar de aceitar a realidade imposta.

De Ray Bradbury, com seus livros queimados em “Fahrenheit 451”, ao fatwa contra Salman Rushdie, Nafisi aproxima ficção e realidade para mostrar como o controle da palavra costuma andar de mãos dadas com o controle das pessoas. Quando se tenta impedir alguém de ler, imaginar e questionar, a censura deixa de mirar apenas páginas. Ela passa a mirar a própria capacidade humana de pensar.

A autora defende a literatura como espaço de diálogo, empatia e humanização até daqueles que enxergamos como inimigos. Para isso, a democracia é fundamental. Afinal, uma sociedade em que todos precisam pensar igual pode até parecer organizada - mas literatura costuma ter alergia a esse tipo de ordem. Com “Leia Perigosamente”, Azar Nafisi recupera a dimensão política da leitura sem transformar o livro em um manual de palavras de ordem. Sua aposta está na imaginação, na memória e na capacidade que grandes obras literárias têm de oferecer companhia quando o mundo parece cada vez menos razoável. É uma defesa apaixonada dos livros em uma época que continua produzindo motivos para desconfiar de quem prefere leitores obedientes. Compre o livro "Leia Perigosamente", de Azar Nasifi, neste link.


O que disseram sobre o livro
“A escrita para seu falecido pai reforça o tom do livro de Nafisi, que se volta para o exemplo do passado corajoso frente ao poder e também para uma tradição de grandes obras da literatura como consolo e guia. Com sensibilidade e inteligência, oferece um novo cânone para as tiranias do presente e as possibilidades distópicas do futuro." – Washington Post

“Uma defesa apaixonada da literatura como caminho para liberdade.” – Boston Globe


Sobre a autora
Azar Nafisi nasceu no Irã e, aos 13 anos, foi estudar na Inglaterra. Nos Estados Unidos, concluiu o doutorado em literatura inglesa pela Universidade de Oklahoma. Em 1979, após a derrubada da ditadura e a criação da República Islâmica do Irã, retornou ao país esperando encontrar um cenário de mudanças políticas. O que encontrou, porém, foi um regime de terror comandado pelos aiatolás. Nafisi permaneceu em Teerã por 18 anos. Entre 1979 e 1981, lecionou literatura inglesa na Universidade de Teerã, de onde foi expulsa por se recusar a usar o véu. Depois, passou pela Universidade Livre Islâmica e pela Universidade Allameh Tabataba'i. 

Autora de seis livros, tornou-se conhecida internacionalmente com “Lendo Lolita em Teerã”, memórias sobre o curso secreto de literatura que ministrou para sete mulheres em Teerã. A obra foi traduzida para 32 idiomas e recebeu, entre outros prêmios, o Prix du Meilleur Livre Étranger. Atualmente, Nafisi vive em Washington, nos Estados Unidos, e já colaborou com veículos como The New York Times, The Washington Post e The Wall Street Journal. Compre os livros de Azar Nafisi neste link.


Conheça também
“Lendo Lolita em Teerã: Memórias de Uma Resistência Literária”
, publicado pela Editora Record, recupera as memórias de Azar Nafisi durante o período em que ministrou secretamente um curso sobre clássicos da literatura para sete mulheres na capital iraniana. No final de 2024, o livro ganhou uma adaptação cinematográfica dirigida por Eran Riklis, disponível em streaming. A obra também foi escolhida para a 7ª edição do Clube do Livro Prioli Karnal, comandado por Gabriela Prioli e Leandro Karnal. A tradução é de Marina Vargas. Compre o livro neste link.

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

.: Dez motivos para ler "O Pai, a Faca e o Beijo", de Thiago Sobral


Romance de estreia de Thiago Sobral mergulha em violência familiar, desejo, fé, racismo, homofobia e culpa para construir uma história em que ninguém é completamente inocente

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico cultural, especial para o portal Resenhando.com

Poucas coisas são tão literárias quanto descobrir que o monstro da história pode ter sido vítima antes de virar monstro e que isso, definitivamente, não resolve o problema. Nessa história, há um pai morto, um filho tentando justificar o injustificável, um amor que poderia ter sido e uma cidade pequena onde todo mundo parece saber da vida alheia antes mesmo de a própria pessoa descobrir. É desse material inflamável que Thiago Sobral constrói "O Pai, a Faca e o Beijo", romance de estreia publicado pela Editora Patuá, que será lançado neste sábado, dia 5 de setembro, às 16h00, na Casa das Culturas de Santos. Domingo, dia 6 de setembro, às 14h00, o lançamento será na Bienal Internacional do Livro, no Estande K45 da Editora Pauá.

Ambientado em Cubatão, no litoral de São Paulo, o livro acompanha Santiago e Davi, o Pirueta, em uma relação marcada por desejo, rejeição, violência e uma quantidade considerável de coisas que poderiam ter sido resolvidas com uma conversa. Ex-seminarista franciscano e professor de Língua Portuguesa, Thiago Sobral leva para a ficção questões ligadas à fé, à moral, à família e às contradições humanas. O resultado é um romance seco, provocador e pouco interessado em oferecer ao leitor aquela sobremesa reconfortante chamada redenção.

O próprio autor explica que escreveu a história a partir da ideia freudiana de “matar o pai”, explorada em "Totem e Tabu", relacionando a morte do patriarca à busca de liberdade de Santiago. Depois do crime, porém, o personagem percebe que eliminar o pai não significa necessariamente eliminar aquilo que o pai deixou dentro dele. O romance também nasceu de uma provocação que Sobral ouviu em uma conversa, em 2022, quando alguém afirmou que, para o Brasil “ir para frente”, seria preciso “matar o seu pai”. A frase ficou rondando a cabeça do escritor até virar literatura. Em 2025, depois de retomar o projeto, ele pesquisou casos reais de parricídio e conceitos da psicanálise para dar corpo à narrativa. A seguir, dez motivos para colocar "O Pai, a Faca e o Beijo" na lista de próximas leituras. Compre o livro "O Pai, a Faca e o Beijo", de Thiago Sobral, neste link.


1. Romance transforma o conflito entre pai e filho em uma guerra psicológica
Santiago e Severo não travam apenas uma disputa doméstica. O relacionamento entre os dois concentra violência, medo, desejo de aceitação e uma tentativa desesperada de romper com aquilo que o personagem entende como origem de todos os seus problemas. O resultado é uma relação familiar em que cada gesto parece carregar uma conta antiga. Santiago acredita que matar o pai poderá libertá-lo.


2. Um protagonista difícil de defender
Santiago está longe de ser um "mocinho de estimação". Negro e homossexual, ele carrega o peso do racismo e da homofobia, mas também reproduz contra si e contra os outros parte da violência que sofreu. É homossexual e homofóbico, racista e vítima do racismo, desejante e repressivo, amoroso e cruel. Essa coleção de contradições torna o personagem incômodo e difícil de digerir.


3. O livro pergunta se violência sofrida pode justificar violência cometida
Severo acredita estar protegendo o filho. As agressões são apresentadas por ele como uma forma de educação e de prevenção contra sofrimentos futuros. A mãe relativiza. Os irmãos reproduzem comportamentos. Santiago absorve tudo e, depois, despeja parte dessa brutalidade sobre Davi. Thiago Sobral transforma a violência em uma engrenagem familiar. Quem bate acredita corrigir. Quem se omite acredita evitar problemas. Quem sofre pode acabar repetindo o comportamento que aprendeu. A pergunta fica para o leitor: compreender a origem de uma violência significa perdoá-la?


4. Freud explica e entra na história de maneira indireta
A ideia de “matar o pai” percorre o romance como metáfora de libertação. Thiago Sobral, mesmo que de maneira indireta, mergulhou em "Totem e Tabu", de Sigmund Freud, para construir a relação de Santiago com o pai morto e explorar a ideia de ruptura com a figura paterna. O detalhe mais interessante está na falha dessa libertação. Santiago mata o pai, mas não consegue matar aquilo que carrega dentro de si. A faca resolve uma parte do problema. O restante continua andando pela casa. Como resolver essa situação?


5. Cubatão, que já foi a cidade mais poluída do mundo, deixa de ser cenário e ganha personalidade
Localizada no litoral de São Paulo, Cubatão já foi considerada a cidade mais poluída do mundo pela ONU na década de 1980 e ficou conhecida como "Vale da Morte". Na geografia apertada entre a Serra do Mar, rios, mangues e a área industrial, a atmosfera da narrativa é construída. Thiago Sobral relaciona o espaço físico da cidade ao comportamento dos personagens e à sensação de sufocamento experimentada por Santiago. A própria indústria, com calor e fuligem, reforça essa atmosfera. Cubatão também aparece como território do julgamento. Em lugar pequeno, uma vida privada pode durar pouco tempo antes de virar assunto público.


6. A experiência religiosa do autor aparece sem virar catecismo
Thiago Sobral foi seminarista franciscano, e essa formação inevitavelmente deixa marcas na literatura. O romance trabalha com religião, fé, culpa e moralidade, mas não oferece respostas religiosas mastigadas. O padre Jorge, por exemplo, surge como personagem capaz de apresentar outra possibilidade de relação com a fé, enquanto a instituição religiosa aparece cercada pelas próprias limitações. No contexto do livro, a literatura não substitui a religião, mas pode abrir caminhos e possibilidades para o leitor.

7. Desejo, liberdade e um amor possível, desde que disposto
O personagem Davi, o Pirueta, funciona como contraponto ao protagonista. Ligado à dança, à poesia e à expressão artística, ele carrega uma relação diferente com o próprio corpo, com o desejo e com a liberdade. Enquanto Santiago se debate contra aquilo que sente, Davi parece encontrar na arte uma forma de existir. A relação entre os dois, por isso, ganha uma dimensão que ultrapassa o romance amoroso convencional. O beijo do título não é apenas um gesto de afeto. Ele também representa tudo aquilo que Santiago deseja e, ao mesmo tempo, rejeita.


8. Livro aposta na oralidade e na voz própria dos personagens
Thiago Sobral afirma que buscou reproduzir a oralidade típica de famílias cubatenses formadas por migrantes nordestinos, incluindo referências à própria história familiar. Os diálogos carregam insinuações, ironias, desconfianças e lacunas. Essa escolha aproxima o romance da vida cotidiana e evita personagens que parecem ter saído de um manual de literatura e desembarcado diretamente na página.


9. Machado de Assis aparece como influência sem virar fantasia de imitador
A ironia e a recusa de absolver os personagens aproximam o romance "O Pai, a Faca e o Beijo" da tradição machadiana. A referência está no prazer de observar seres humanos cometendo erros enquanto encontram excelentes justificativas para continuar cometendo os mesmos erros. O resultado é uma narrativa que desconfia das versões oficiais de todos aos fatos que vivem, inclusive daquela contada pelo próprio protagonista.


10. Romance se recusa a entregar a catarse que o leitor espera
"O Pai, a Faca e o Beijo" cria expectativas de reconciliação, redenção e libertação, mas não oferece nenhuma garantia de que isso vá acontecer. Thiago Sobral afirma que a literatura depende da cumplicidade do leitor e afirma que uma mesma narrativa pode produzir histórias diferentes a cada leitura. Diferentes leitores podem querer salvar Santiago, condená-lo, compreendê-lo ou simplesmente mandar todo mundo para terapia, uma alternativa que, infelizmente, não parece estar disponível no universo do livro.

Serviço | Lançamento de "O Pai, a Faca e o Beijo", de Thiago Sobral

Casa das Culturas de Santos
Sábado, dia 5 de setembro, às 16h00
Rua Sete de Setembro, 49 - Vila Nova / Santos

Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Domingo, dia 6 de setembro, às 14h00
Estande K45 da Editora Pauá



terça-feira, 1 de setembro de 2026

.: "O Tardio" leva Maurício Melo Júnior à Bienal com viagem pelo Brasil de 1970


Quarto romance do escritor transforma uma busca familiar em uma jornada por memória, contracultura e liberdade durante a ditadura militar


O escritor Maurício Melo Júnior participa da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo com "O Tardio", quarto romance da trajetória dele, publicado pela Editora Rua do Sabão. O autor estará no estande da Martins Fontes, junto à editora, em 4 de setembro, às 18h30, para uma sessão de autógrafos. Ambientado no Brasil dos anos 1970, durante o período mais duro da ditadura militar, o romance acompanha Sérgio, um advogado pernambucano cuja vida previsível sofre uma reviravolta depois da morte de um parente.

O acontecimento faz reaparecer uma história familiar pouco comentada: a de Roberto, irmão mais velho de Sérgio, morto anos antes. O passado que parecia convenientemente arquivado começa a ganhar novas páginas quando Sérgio encontra cartões-postais escritos pelo irmão durante suas viagens. É por meio dessas mensagens que ele decide refazer os caminhos de Roberto. No final dos anos 1970, o personagem havia deixado a casa dos pais e escolhido uma vida distante dos padrões familiares, tornando-se hippie ao lado de Caliandra.

A investigação leva Sérgio por diferentes regiões brasileiras e transforma a procura pelo irmão em uma jornada de descobertas. Conforme passado e presente se aproximam, o protagonista passa a rever escolhas, desejos e certezas que pareciam tão sólidas quanto uma repartição pública numa segunda-feira de manhã. "O Tardio" combina memória familiar e contexto histórico para acompanhar uma geração que buscava novas formas de viver em um país submetido à repressão. A viagem de Sérgio também se transforma numa reflexão sobre liberdade, pertencimento e as consequências das escolhas feitas — ou adiadas. Compre o livro "O Tardio", de Maurício Melo Júnior, neste link.


Sobre o autor
Maurício Melo Júnior
é escritor, jornalista, crítico literário e documentarista. Pernambucano radicado em Brasília, formou-se em Comunicação Social e possui pós-graduação em Economia e Ciência Política. Atuou em veículos como o "Correio Braziliense" e há 25 anos apresenta o programa "Leituras", da TV Senado. Também assina resenhas literárias para o jornal "Rascunho" e é colaborador da revista literária "Pernambuco". É autor de romances, contos, crônicas e livros infantojuvenis. Ao todo, já escreveu 35 livros. Como documentarista, dirigiu mais de 20 filmes e também escreveu para o teatro. Compre os livros de Maurício Melo Júnior neste link.


Serviço
Maurício Melo Júnior na 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Dia 4 de setembro de 2026, sexta-feira, às 18h30
Estande da Martins Fontes, com a Editora Rua do Sabão - F88
Distrito Anhembi - Pavilhão de Exposições
Av. Olavo Fontoura, 1209 - Santana / São Paulo

domingo, 30 de agosto de 2026

.: Romance "Me Chame pelo Seu Nome" ganha versão em graphic novel


Adaptação ilustrada por Sarah Maxwell revisita o romance de André Aciman quase duas décadas depois da publicação do livro que conquistou leitores e chegou aos cinemas

Quase vinte anos depois de chegar às livrarias e conquistar uma legião de leitores, "Me Chame pelo Seu Nome", escrito por André Aciman, ganha uma nova forma de ser lido. A Editora Planeta lança no Brasil a adaptação em graphic novel do romance que se tornou um clássico contemporâneo e inspirou o premiado filme homônimo. Agora em quadrinhos, a história de Elio e Oliver preserva a intensidade emocional e a atmosfera do romance original, enquanto ganha uma narrativa visual capaz de aproximar a obra de novos leitores. As ilustrações de Sarah Maxwell dão rosto, movimento e textura àquele verão italiano que, convenhamos, já tinha ingredientes suficientes para causar estragos no coração de qualquer leitor.

Na Riviera Italiana, Elio recebe Oliver, hóspede de seu pai. O americano chega com uma boa dose de arrogância, camisas esvoaçantes e comentários irônicos, fazendo Elio acreditar que a convivência entre os dois será uma receita para a antipatia. Só que o verão tem seus próprios planos. Com o passar dos dias, a convivência transforma a implicância inicial em amizade. Elio e Oliver caminham por ruas arborizadas, compartilham almoços sob o sol e disputam partidas de tênis. Aos poucos, Elio passa a reparar em coisas que talvez preferisse ignorar: quer fazer Oliver rir, observa seus gestos e se deixa fascinar pelo brilho de sua pele à beira da piscina.

O que parecia amizade começa a ganhar outra dimensão. Durante as semanas daquele verão, a ligação entre os dois se intensifica até se transformar em uma experiência de intimidade profunda e rara, capaz de deixar marcas muito depois de as férias terminarem. A adaptação mantém o universo criado por Aciman e encontra nas imagens uma maneira própria de explorar os personagens e a atmosfera da narrativa. Para quem já conhece a história, a graphic novel oferece uma nova visita à Itália de Elio e Oliver. Para quem chega agora, fica o convite para descobrir por que aquele verão continua despertando suspiros quase duas décadas depois.

"'Me Chame pelo Seu Nome' começou como uma simples fantasia sobre estar em uma vila italiana com vista para o mar. Eu não fazia ideia de que esse devaneio se transformaria em uma história, muito menos em um romance. Enquanto escrevia, acabei me apaixonando por Elio e Oliver. Sarah dá vida a esses personagens e ao universo deles de uma forma totalmente nova, e o resultado é incrível. Estou muito feliz por trabalharmos juntos para que ainda mais leitores possam descobrir 'Me Chame pelo Seu Nome' nesta belíssima graphic novel”, comenta o autor André Aciman.

"Sinto-me muito privilegiada por ter adaptado essa história tão bonita para uma graphic novel, permitindo que ainda mais pessoas possam se emocionar e se conectar com ela. Espero que todos que lerem Me chame pelo seu nome sejam transportados de volta àquele verão na Itália e possam se apaixonar por esses personagens, vez após vez", conclui Sarah Maxwell-McNicol. Compre a adaptação em graphic novel do romance "Me Chame pelo Seu Nome" neste link.


Sobre o autor
André Aciman é autor best-seller do The New York Times por "Me Chame pelo Seu Nome", além de diversas obras de ficção e não ficção. Também é editor de The Proust Project e professor de literatura comparada da City University of New York. Vive com a esposa em Manhattan.

Sobre a ilustradora
Sarah Maxwell é uma artista e ilustradora de quadrinhos estadounidense baseada em Londres. Seu portfólio abrange uma ampla variedade de gêneros e estilos. Nas horas vagas, também trabalha como tatuadora. Apaixonada por quadrinhos, flores e tudo que remete ao universo medieval.

.: “Era Uma Vez Minha 1ª Vez” na Bienal do Livro SP com Thalita Rebouças


Autora promove a adaptação cinematográfica de sua obra na Bienal e participa de sessões de autógrafos nos dias 5 e 6 de setembro, no estande da Rocco

Os leitores de Thalita Rebouças que passarem pela Bienal do Livro SP 2026 terão a chance de encontrar a escritora, garantir um autógrafo e, de quebra, saber um pouco mais sobre a adaptação cinematográfica de “Era Uma Vez Minha Primeira Vez”, baseada no livro homônimo da autora. O encontro acontece no estande da editora Rocco em duas oportunidades: no sábado, 5 de setembro, às 15h00, e no domingo, 6, às 17h30. Durante as sessões de autógrafos, serão distribuídos marcadores de livro com QR Code que leva à compra de ingressos para o filme, que chega aos cinemas em 17 de setembro.

Dirigido por Claudia Castro, o filme tem roteiro assinado por Thalita Rebouças e João Paulo Horta e mergulha no universo juvenil com leveza, humor e uma dose generosa de descobertas. Ritos de passagem, amadurecimento, amizade, sexualidade e a velha diferença entre estar com pressa e estar preparado para descobrir aparecem no caminho. No elenco principal estão Castorine, Duda Matte, Leticia Braga e Livia Silva. O quarteto divide a cena com Cauã Martins, Caian Zattar, Cintia Rosa, Pedro Ogata, JP Rufino e Duda Pimenta.

A produção e a distribuição são da Na Paralela Filmes, com codistribuição da A Fábrica, em parceria com a RioFilme, órgão que integra a Secretaria de Cultura da Prefeitura do Rio. A produção conta ainda com coprodução da Warner Bros. Pictures e RioFilme e investimento do BRDE, por meio do Fundo Setorial do Audiovisual e da Ancine. Compre o livro "Era Uma Vez Minha Primeira Vez", de Thalita Rebouças, neste link.


Quatro amigas, quatro descobertas e nenhuma fórmula pronta
Baseado no livro de Thalita Rebouças, o filme “Era Uma Vez Minha 1ª Vez” leva para o cinema as descobertas e os ritos de passagem da juventude de maneira leve, madura e descomplicada. A trama acompanha quatro amigas - Teresa, Clara, Tuca e Patty - enquanto cada uma descobre, à sua maneira, que o despertar da sexualidade não segue manual de instruções. Expectativas, amizade e as diferenças entre pressa e descoberta dão o tom da história. Compre o livro "Era Uma Vez Minha Primeira Vez", de Thalita Rebouças, neste link.

.: Barraco Editorial leva a literatura independente para a Bienal do Livro SP


Editora criada por Wesley Barbosa participa pela segunda vez consecutiva do maior evento literário da América Latina e apresenta "Viela Ensanguentada", "Os Barraquinhos da Favela" e "Ódio ao Poema"

Da venda de livros de mão em mão pelas ruas de São Paulo ao estande de uma das maiores feiras literárias do país. A trajetória da Barraco Editorial ganhou mais um capítulo na Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Criada em 2023 pelo escritor e editor Wesley Barbosa, a editora confirma presença na 28ª edição do evento, que será realizada entre 4 e 13 de setembro de 2026, no Distrito Anhembi. 

Será a segunda participação consecutiva da Barraco Editorial na Bienal, levando ao público uma produção literária que coloca autores independentes e vozes das periferias brasileiras no centro da conversa. A proposta continua a mesma: abrir espaço para uma literatura que conhece a quebrada por dentro e que não precisa de tradução para falar sobre suas próprias experiências.

Entre os destaques está a segunda edição do romance "Viela Ensanguentada", de Wesley Barbosa. O editor também apresenta "Os Barraquinhos da Favela", seu primeiro livro infantil, lançado em julho de 2026 pela Editora Moderna, na Coleção Girassol. A obra tem ilustrações de Tainan Rocha e marca uma nova fase na produção do escritor, agora voltada ao público a partir dos seis anos. Escrito em primeira pessoa, "Os Barraquinhos da Favela" recupera memórias da infância de Wesley, que cresceu em barracos e moradias da periferia. O livro encara as dificuldades da vida na quebrada, incluindo a vulnerabilidade de casas de madeira castigadas e arrancadas pela força do vento, mas também encontra espaço para a imaginação e para as pequenas belezas do cotidiano.

Entre arroz e feijão recém-feitos, janelas quebradas e noites de céu aberto, a infância periférica aparece com suas dores e afetos. As estrelas e o horizonte, afinal, também cabem numa janela que já perdeu o vidro. Outro destaque da Barraco Editorial em 2026 é "Ódio ao Poema", de Vitor Miranda, que estará no estande da editora durante toda a Bienal Internacional do Livro de São Paulo. O título é o oitavo livro do autor e idealizador do Movimento Neomarginal.

Com estrutura e ritmo próximos de um manifesto político e estético, a obra transforma o próprio "Poema" em personagem. Distante do lirismo tradicional, ele ganha corpo e voz para encarar a violência urbana, a desigualdade social e as contradições do presente. Vitor Miranda coloca a literatura diante da realidade brasileira sem a preocupação de deixá-la confortável para quem lê.

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

.: "Depois que Abri a Porta do Mar" leva Gabriela Curry à Bienal do Livro de SP


Autora transforma 25 anos entre Brasil e Portugal em crônicas sobre identidade, preconceito, feminismo, amadurecimento e as experiências que ajudam a construir uma trajetória

A escritora, jornalista e publicitária Gabriela Curry participa pela primeira vez da Bienal do Livro de São Paulo, que acontece de 4 a 13 de setembro, para apresentar "Depois que Abri a Porta do Mar - Crônicas entre Dois Continentes", publicado pela Editora Lacre. O livro reúne crônicas inspiradas nos 25 anos em que a autora viveu entre Brasil e Portugal, depois de deixar o Espírito Santo, em 2001. "Eu estou em êxtase! Nem nos meus sonhos mais loucos imaginei que teria o meu metro quadrado na Bienal", conta Gabriela.

No dia 6 de setembro, a autora participa de um bate-papo no Espaço Escreva Garota, ao lado de Kika Gama Lobo e Manika Apsara. Com o tema "O que uma mulher precisa atravessar para contar a própria história?", o encontro aborda assuntos como silenciamentos, autorização para escrever, envelhecimento e carreira. Depois da conversa, as três autoras permanecem no espaço para conversar com o público, vender e autografar os livros.

"Foi justamente através de um impulsionamento da Kika que surgiu a ideia de criar o livro", explica Gabriela. Para transformar a proposta em publicação, ela resgatou textos escritos desde a adolescência e passou um mês em cafeterias do Rio de Janeiro reunindo materiais produzidos ao longo de duas décadas.

O título surgiu depois, a partir de uma imagem que traduz a relação afetiva da autora com os dois países. "Esse Atlântico tem uma porta. Imaginária, poética, mas muito real para mim. Eu a abro e chego em casa, em Portugal. Abro-a de novo e retorno para casa, no Brasil. Há 25 anos vivo nesse vai e vem atravessando essa porta sempre aberta e construindo, entre as duas margens, o meu caminho. E casa não é forçosamente um espaço físico, é mais um sentimento. Eu encontro abrigo nos dois lugares", afirma.

As experiências dessa travessia aparecem em diferentes momentos do livro. Gabriela recupera os primeiros anos de adaptação em Portugal, as impressões provocadas pela escola e a experiência de crescer longe do país onde nasceu. Também revisita o retorno ao Brasil, aos 34 anos, justamente a idade em que a mãe havia emigrado para Portugal.

"Há muitos textos que narram os primeiros anos de adaptação: as impressões, os sentimentos e as situações vividas nas escolas. Alguns contam como eu e minha irmã nos emancipamos tão cedo e a importância da confiança e educação da nossa mãe para enfrentarmos muitas coisas. Existem outros sobre os primeiros anos da minha volta ao Brasil, aos 34 anos — a mesma idade em que minha mãe emigrou para Portugal. É uma mistura interessante, porque o leitor acompanhará dois processos vividos em momentos e idades muito diferentes da minha vida", explica.

A escrita acompanha Gabriela desde cedo. Formada em Jornalismo pela Universidade do Porto, ela conta que sempre ouviu de pessoas próximas que deveria seguir carreira na comunicação. "Sou naturalmente midiática: crio, escrevo, capto, edito e tenho pouquíssima dificuldade em falar diante de uma câmera. Claro que ninguém nasce sabendo; vamos aprimorando, errando e aprendendo ao longo do caminho. Mesmo nos curtos períodos em que não tinha vínculos empregatícios, eu roteirizava, captava e editava meus próprios conteúdos para o Instagram", relata.

Depois da graduação, concluída em 2017, Gabriela tomou uma decisão ousada: comprou uma passagem só de ida para o Brasil com o objetivo de trabalhar como repórter. O destino foi o Rio de Janeiro. Em 2018, entregou um currículo na sede da Band e pouco tempo depois foi contratada. A passagem pela emissora durou alguns meses e é definida por ela como uma experiência "intensa e impactante".

A trajetória profissional, porém, encontrou novos caminhos na publicidade. Gabriela passou a construir carreira na área e se especializou em gestão de atendimento, atividade que reúne organização, visão estratégica e compreensão ampla do marketing. "Aos poucos, fui construindo minha carreira nessa área. Acabei me encontrando dentro da gestão de atendimento, uma área essencialmente relacional, que exige muita organização, visão estratégica e uma compreensão 360º do marketing. Minha primeira grande experiência em uma empresa global foi na Ogilvy Brasil, e ela foi uma verdadeira escola. Trabalhei com grandes marcas, processos altamente dinâmicos e desafios complexos. Foi uma base muito sólida e forte para a construção da minha carreira", conta.

Essa trajetória entre diferentes áreas e países também está presente nas páginas de "Depois que Abri a Porta do Mar". Aos 15 anos, Gabriela chegou a Portugal e passou a experimentar o cotidiano sob a perspectiva da cultura portuguesa. No lugar de Machado de Assis, conheceu Luiz de Camões. Antes do almoço e do jantar, incorporou o hábito português de tomar sopa. Entre costumes, descobertas e adaptações, construiu uma identidade marcada pela mistura das duas culturas.

Aos 16 anos, começou a trabalhar em telemarketing, uma experiência que, somada às viagens pela Europa e ao contato precoce com o universo profissional, ajudou a moldar sua personalidade. "Trabalhar tão cedo moldou traços da minha personalidade, como esse meu lado tão social e extrovertido. Trabalhar, e conviver com adultos já formados, inclusive em dado momento com a minha própria mãe, que pagavam boletos e tinham suas próprias responsabilidades, me deu muito cedo um senso de compromisso e responsabilidade com tudo o que faço", afirma.

A convivência entre Brasil e Portugal também provocou questionamentos sobre pertencimento. Gabriela passou por momentos em que não sabia exatamente como definir sua identidade ou explicar de onde era. "Hoje, é uma diversão que conduzo com leveza, mas houve momentos de crise, sem saber exatamente de onde eu era, a que lugar pertencia ou como deveria escrever. Eu não sabia nem como me apresentar. 'Mas és brasileira ou portuguesa?', 'onde você nasceu?'. Decidi incorporar tudo: sou brasileira, lusa, escrevo e falo tudo misturado. Atualmente, quando estou em Portugal, falo como uma portuguesa; quando estou no Brasil, falo como uma brasileira", relata.

O sentimento de não pertencimento também esteve relacionado a episódios de xenofobia que a autora vivenciou e transformou em matéria literária. O preconceito contra brasileiras na Europa aparece em uma das crônicas do livro, assim como uma situação envolvendo a irmã de Gabriela, que aos 13 anos reagiu a uma ofensa preconceituosa dentro da escola. "Sofri com estereótipos, rótulos, preconceitos. 25 anos atrás, para muita gente na Europa, brasileira era vista apenas como prostituta ou manicure. Até você explicar que não há problema algum em ser qualquer uma das duas, a conversa costumava ser longa, ou terminava em tapa (risos). Uma das minhas crônicas, inclusive, fala de um caso em que minha irmã, aos 13 anos, voou na jugular de um sujeito que gritou no corredor da escola: 'Lá vêm as brasileiras, filhas da put&!'. Ela respondeu na hora: 'Da minha mãe você não fala!'", lembra.

A experiência pessoal acabou dando à autora uma perspectiva mais ampla sobre temas como preconceito, feminismo, racismo e os direitos da população LGBTQIAPN+. Para Gabriela, a escrita também representa uma forma de não permanecer em silêncio diante dessas questões. "São causas que não pertencem a um grupo específico; elas devem ser olhadas e defendidas ativamente por todos nós. Escrevo sobre elas porque não posso passar omissa diante das inúmeras barbáries cometidas todos os dias contra mulheres, pretos e pessoas LGBTQIAPN+. Se você se cala, pode até não cometer o crime, mas se torna cúmplice daquilo que permite que continue acontecendo", finaliza.


Sobre Gabriela Curry
Nascida em 1985, no Espírito Santo, Gabriela Curry é licenciada em Jornalismo pela Universidade do Porto, em Portugal, e também construiu carreira na área de Publicidade. Anualmente, colabora com a revista portuguesa I Love Brides, mantendo a ligação com o universo da escrita e da comunicação. Ao longo da experiência entre diferentes culturas, lugares e encontros, Gabriela passou a compartilhar nas redes sociais crônicas escritas durante boa parte da vida. Aos poucos, conquistou leitores e consolidou seu trabalho autoral.

A partir de uma inquietação da escritora Kika Gama Lobo, começou a desenvolver "Depois que Abri a Porta do Mar - Crônicas entre Dois Continentes", publicado pela Editora Lacre. Além da trajetória literária, Gabriela atua há nove anos como publicitária, com passagens por algumas das principais agências do mercado, entre elas Ogilvy, BETC Havas e Rock World. Ao longo desse período, desenvolveu projetos para grandes marcas e consolidou experiência em comunicação e gestão de contas.

Sem abandonar o jornalismo, escreve desde 2022 para a revista I Love Brides, em Portugal. Também produz roteiros, edita e cria conteúdos autorais de viagens para o Instagram, além de ter participado de diferentes projetos editoriais. No Brasil, trabalhou como repórter na TV Bandeirantes.


Serviço
Bienal do Livro de São Paulo 2026
Evento: Bate-papo "O que uma mulher precisa atravessar para contar a própria história?"
Participantes: Gabriela Curry, Kika Gama Lobo e Manika Apsara
Data: 6 de setembro de 2026
Local: Espaço Escreva Garota
Livro: "Depois que Abri a Porta do Mar – Crônicas Entre Dois Continentes"
Editora: Lacre
Onde comprar: Editora Lacre
Instagram: @gabycurry

terça-feira, 18 de agosto de 2026

.: “Djavan - Dizem que o Amor Atrai” revela histórias por trás da trajetória


Livro de Tiago Ramos e Mattos revisita a infância em Maceió, a descoberta do violão, a censura na ditadura e episódios pouco conhecidos da carreira de um dos grandes nomes da MPB

Celebrando cinco décadas de carreira, Djavan ganha um novo olhar sobre sua trajetória em “Djavan - Dizem que o Amor Atrai”, livro de Tiago Ramos e Mattos, publicado pela editora Trend Editora. A obra mergulha nas memórias, nos afetos e nas experiências que ajudaram a formar a identidade artística de um dos compositores mais marcantes da música popular brasileira. A narrativa começa na infância, em Maceió, e destaca a presença de Dona Virgínia, mãe do artista, na formação de sua personalidade. 

O autor também investiga a relação de Djavan com as próprias raízes, a ancestralidade africana e a natureza, elementos que atravessam sua produção musical e ajudam a compreender a maneira particular como ele transforma sentimentos e observações do cotidiano em canções. Um dos momentos decisivos dessa trajetória aconteceu aos 16 anos, quando Djavan descobriu o violão e deixou para trás o desejo de se tornar jogador de futebol profissional. A mudança de rumo o levaria posteriormente ao Rio de Janeiro e ao início de uma carreira que alcançaria projeção nacional e internacional.

Para construir o perfil do músico, Tiago Ramos e Mattos conversou com familiares de Djavan, entre eles um sobrinho, a esposa dele e uma sobrinha-neta. O pesquisador também revisitou espaços ligados à infância do cantor em Maceió, buscando elementos que ajudassem a ampliar a compreensão sobre suas origens e relações afetivas. O livro ainda recupera histórias que despertam a curiosidade dos fãs. Entre elas estão o verdadeiro significado de “Flor de Lis”, a parceria que quase aconteceu entre Djavan e Michael Jackson, além de músicas censuradas durante a ditadura militar e composições inéditas.

Ao acompanhar cinco décadas de criação, o autor apresenta um Djavan atravessado por conquistas, perdas, preconceitos, paixões, relações familiares, posicionamentos políticos e constantes reinvenções. O resultado é um retrato que aproxima o leitor do homem por trás das canções e mostra como experiências pessoais podem se transformar em matéria-prima para a criação artística. Com pesquisa e relatos de pessoas próximas ao cantor, “Djavan - Dizem que o Amor Atrai” amplia o olhar sobre uma trajetória construída entre música, memória e identidade. A publicação também ajuda a entender como um jovem alagoano que sonhava com o futebol encontrou no violão o caminho para construir um dos repertórios mais reconhecidos da MPB. Compre o livro  “Djavan - Dizem que o Amor Atrai”, de Tiago Ramos e Mattos, neste link.

Sobre o autor
Doutor em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Tiago Ramos e Mattos dedica-se ao estudo de narrativas e à trajetória de grandes personalidades brasileiras. Antes de escrever sobre Djavan, publicou “Silvio Santos vem aí: a biografia-reportagem do ‘patrão’”, livro dedicado à história de um dos principais comunicadores do país. Compre os livros de Tiago Ramos e Mattos neste link.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

.: "Bons Tempos: Yesteryear" chega às livrarias e satiriza mundo das tradwives


Livro de estreia de Caro Claire Burke, que já vendeu cerca de 1,4 milhão de exemplares nos EUA, ganha edição da Rocco e será adaptado para o cinema com Anne Hathaway. Foto: Riley Haakon

O fenômeno editorial americano “Bons Tempos: Yesteryear”, romance de estreia da jornalista Caro Claire Burke, chega oficialmente às livrarias brasileiras nesta segunda-feira, 17 de agosto, pela Editora Rocco. Diante da procura antecipada, a editora decidiu adiantar as vendas em 15 dias e já prepara uma segunda edição. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, exemplares começaram a chegar às livrarias neste fim de semana. O livro é uma sátira sobre tradição, fama, fé e a construção da feminilidade em uma época em que a vida perfeita pode ser cuidadosamente produzida para as redes sociais.

Nos Estados Unidos, o livro alcançou a expressiva marca de aproximadamente 1,4 milhão de cópias vendidas em apenas cinco meses. A obra também conquistou espaço entre os principais rankings literários, incluindo a lista de best-sellers do The New York Times e o BookTok Charts, ranking oficial do TikTok dedicado aos livros. A tradução brasileira é de Anna Castro. Com humor ácido, reviravoltas e uma boa dose de crítica social, Caro Claire Burke mira a cultura das influenciadoras digitais e, especialmente, o movimento tradwife, formado por mulheres que defendem um modelo de vida baseado em papéis tradicionais de gênero. 

A autora coloca essa idealização diante de uma realidade bem mais áspera ao transportar sua protagonista para o ano de 1855. O sucesso chamou a atenção de Hollywood antes mesmo da publicação brasileira. A Amazon MGM Studios adquiriu os direitos para uma adaptação cinematográfica após uma disputa entre estúdios. Anne Hathaway está confirmada como protagonista e também como produtora do filme. Compre o livro “Bons Tempos: Yesteryear”, de Caro Claire Burke, neste link.


Da vida perfeita nas redes sociais ao passado
A protagonista Natalie construiu uma imagem cuidadosamente planejada nas redes sociais. Milhões de seguidores acompanham sua rotina em uma fazenda aparentemente idílica, cercada por filhos, um marido que parece ter saído de um catálogo e uma vida guiada pela fé. Por trás das fotografias perfeitas, porém, existe uma verdadeira operação de bastidores. A casa conta com equipamentos modernos escondidos, a rotina é sustentada por funcionários e até o marido de Natalie participa da encenação de uma vida que parece perfeita. Tudo muda quando ela desperta em 1855.

Sem eletricidade, eletrodomésticos, equipe de produção ou qualquer das facilidades que ajudavam a construir sua persona digital, Natalie precisa enfrentar uma realidade que até então romantizava. Carregar lenha, lavar roupas à mão, lidar com crianças sujas e trabalhar fisicamente fazem parte de uma rotina que pouco combina com as imagens cuidadosamente produzidas para seus seguidores. O marido também mudou. O homem que antes funcionava como um acessório bonito na composição da família perfeita agora é um fazendeiro rústico e muito mais próximo da realidade daquele período.

Enquanto tenta entender o que aconteceu, Natalie começa a levantar hipóteses. Estaria participando de um reality show? Teria viajado no tempo? Seria tudo uma espécie de teste divino? Ou haveria algo ainda mais sombrio por trás daquela experiência? A situação coloca a personagem diante da própria farsa e transforma em pesadelo a vida que ela passou anos vendendo como ideal. Com uma narrativa que combina sátira, suspense e humor, “Bons Tempos: Yesteryear” aborda temas como tradição, fama, fé, feminilidade, exposição nas redes sociais e a construção de identidades cuidadosamente editadas para o público. Garanta o seu exemplar de “Bons Tempos: Yesteryear”, de Caro Claire Burke, neste link.

.: Livro traz análise inédita e desmonta o mito do desenvolvimentismo de JK


“Juscelino: Uma Crítica ao Desenvolvimentismo”, de Antônio Claret Jr. e Lucas Berlanza, reexamina as escolhas econômicas e políticas do ex-presidente e provoca uma discussão sobre inflação, endividamento e dependência estatal. Fotos: divulgação  


Às vésperas dos 50 anos da morte de Juscelino Kubitschek, em 22 de agosto, o ex-presidente volta ao centro do debate com uma obra que propõe olhar para seu legado por uma perspectiva menos celebratória. Em “Juscelino: Uma Crítica ao Desenvolvimentismo”, publicado pela LVM Editora, Antônio Claret Jr. e Lucas Berlanza revisitam a trajetória política de JK e colocam em discussão os custos econômicos e institucionais associados ao modelo que marcou seu governo. Conhecido pelo slogan “50 anos em 5”, pela construção de Brasília e pela expansão da indústria automobilística, Juscelino se tornou uma das figuras mais emblemáticas da política brasileira. A imagem de um presidente associado ao crescimento, à modernização e ao otimismo nacional é retomada pelos autores, que ampliam o foco para as consequências de longo prazo de suas escolhas.

Em vez de seguir o caminho de uma biografia convencional, o livro examina o desenvolvimentismo praticado por JK desde suas experiências à frente da Prefeitura de Belo Horizonte e do Governo de Minas Gerais até a Presidência da República. O modelo tinha como pilares a forte participação do Estado, os grandes investimentos públicos e a atração de capital estrangeiro como instrumentos para acelerar a industrialização brasileira. O Plano de Metas concentrou esforços em áreas consideradas estratégicas, como energia, transportes, alimentação, indústria de base e educação. Brasília, incorporada posteriormente ao programa, tornou-se a chamada “meta-síntese” de um governo que pretendia transformar rapidamente a estrutura econômica do país.

Os resultados foram expressivos. A economia brasileira registrou crescimento médio superior a 7% ao ano durante o período, enquanto a indústria avançou e a implantação das montadoras fortaleceu uma cadeia de fornecedores, criou empregos e ampliou a circulação de conhecimento técnico. Para Antônio Claret Jr. e Lucas Berlanza, porém, os avanços precisam ser analisados junto aos efeitos produzidos pelo modelo. A atuação do Estado na definição de setores estratégicos, na concessão de incentivos e na proteção de determinadas atividades teria contribuído para consolidar uma relação de dependência entre empresas e poder público. “Juscelino tinha uma combinação rara de carisma, habilidade política e capacidade de transmitir confiança. Seu governo ficou associado à ideia de que o Brasil estava deixando para trás o atraso e entrando em uma fase de crescimento”, afirmam os autores.

O livro também coloca sob análise o aumento dos gastos públicos, o endividamento externo e a pressão inflacionária durante o período. Dados históricos do CPDOC apontam que a inflação média anual passou de 13,5%, entre 1948 e 1955, para 22,4% durante o governo JK. Parte dos investimentos, segundo a obra, foi viabilizada por operações externas de curto prazo e custo elevado. “Esse modelo produziu resultados importantes, como a expansão da infraestrutura e da indústria. Seria errado ignorar isso. Mas ele também fortaleceu uma cultura de dependência em relação ao Estado, estimulando subsídios, protecionismo e uma relação muito próxima entre poder público e grupos econômicos”, afirma Claret Jr. Compre o livro "Juscelino: Uma Crítica ao Desenvolvimentismo" neste link.


Brasília concentra os contrastes do período
Inaugurada em 21 de abril de 1960, Brasília se transformou no grande símbolo do projeto de modernização de Juscelino. A nova capital representou uma mudança política, arquitetônica e urbanística, além de reforçar a proposta de interiorização do desenvolvimento brasileiro. Ao mesmo tempo, a construção consumiu recursos significativos em um país que ainda enfrentava dificuldades estruturais em setores como educação, saúde e saneamento. Para Lucas Berlanza, a capital sintetiza os ganhos e os dilemas do modelo desenvolvimentista.

“Brasília sintetiza a lógica das grandes obras, da forte presença estatal e do crescimento acelerado, mas com pouca preocupação com os custos fiscais e os efeitos de longo prazo”
, afirma. A leitura proposta pelos autores procura escapar de interpretações simplificadoras. Brasília aparece, assim, como demonstração da capacidade de realização daquele governo e, simultaneamente, como exemplo dos desafios econômicos envolvidos na estratégia adotada.

JK coloca o papel do Estado em discussão
Embora se debruce sobre decisões tomadas entre as décadas de 1940 e 1960, “Juscelino: Uma Crítica ao Desenvolvimentismo” busca estabelecer uma conexão direta com questões que continuam presentes no debate brasileiro: até onde deve ir a atuação do Estado na economia? Como financiar grandes investimentos? De que maneira combinar crescimento, responsabilidade fiscal, produtividade e participação privada?

“A experiência de JK mostra que é possível acelerar a economia por meio do gasto público e da expansão do investimento estatal. A questão é o que acontece depois. Quando esse crescimento vem acompanhado de inflação, endividamento e perda de eficiência, os custos aparecem mais cedo ou mais tarde”, afirmam Claret Jr. e Berlanza. A crítica apresentada no livro se concentra, portanto, na permanência de um modelo que atribui ao Estado a função de conduzir continuamente o crescimento econômico sem levar em conta, segundo os autores, limites fiscais, qualidade dos gastos, produtividade dos projetos e condições para a atuação do setor privado.


Os 50 anos da morte de Juscelino
Juscelino Kubitschek morreu em 22 de agosto de 1976, em um acidente na Rodovia Presidente Dutra. A aproximação do cinquentenário também reacende o debate sobre as circunstâncias de sua morte. Em 2014, a Comissão Nacional da Verdade afirmou não haver elementos materiais que apontassem para um homicídio. Em 2026, porém, um relatório da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos voltou a levantar a possibilidade de atentado.“Caso um dia haja uma conclusão definitiva sobre as circunstâncias da morte de JK, isso certamente terá impacto na compreensão de seus últimos anos e de sua relação com a ditadura militar. Mas não altera o debate sobre o legado político e econômico de seu governo”, afirmam os autores. Garante o seu exemplar de "Juscelino: Uma Crítica ao Desenvolvimentismo" neste link.

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