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segunda-feira, 2 de novembro de 2026

.: Taylor Swift, Michelangelo e eleições mostram matemática por outro ângulo


Em “Matemática para Seres Humanos (e Alguns Robôs)”, diretor-geral do Impa reúne crônicas publicadas na “Folha de S.Paulo” e revela como números, lógica e pensamento matemático aparecem em situações que vão da cultura pop à política.

O que Taylor Swift, Michelangelo, Platão, inteligência artificial e eleições podem ter em comum? Para o matemático Marcelo Viana, a resposta está muito mais próxima do cotidiano do que muita gente imagina. Em “Matemática para Seres Humanos (e Alguns Robôs)”, lançamento da Tinta-da-China Brasil, o diretor-geral do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) mostra que essa ciência aparece em lugares pouco convencionais, inclusive onde o leitor talvez jamais pensasse em procurá-la.

Autor de “Histórias da Matemática”, que conquistou leitores interessados em conhecer a trajetória dessa ciência, e de “A Descoberta dos Números”, Viana reúne no novo volume textos publicados em sua coluna semanal no jornal Folha de S.Paulo. Com uma combinação de precisão científica, curiosidade e leveza narrativa, o escritor aproxima conceitos complexos de situações reconhecíveis, recorrendo a episódios históricos, anedotas e referências culturais. O resultado é um convite para observar o mundo com um pouco mais de atenção aos padrões, às relações e às perguntas que os números ajudam a formular.

Nas crônicas, a matemática encontra espaço na arte, na literatura, na política e até nas disputas da indústria musical. As esculturas inacabadas de Michelangelo, por exemplo, ajudam a apresentar uma questão antiga da filosofia: os conceitos matemáticos são descobertos ou inventados? A trajetória de James McCune Smith, médico e abolicionista, conduz a uma discussão sobre o uso da estatística para desmontar argumentos racistas sustentados por falsas justificativas científicas.

Taylor Swift e Selena Gomez também entram na conversa. A comparação entre as duas artistas serve para explicar o paradoxo de Simpson, fenômeno estatístico que demonstra como a interpretação equivocada de dados pode produzir conclusões enganosas. Já a história de Kurt Gödel aproxima lógica, filosofia e democracia, mostrando como ideias aparentemente distantes podem compartilhar questões fundamentais.

O repertório de Marcelo Viana também passa por situações bastante práticas. O funcionamento dos códigos de barras e dos QR codes, os modelos matemáticos utilizados em sistemas eleitorais e as ferramentas que ajudam atletas olímpicos a aperfeiçoar seus movimentos aparecem entre os assuntos abordados. O autor ainda apresenta o problema do caixeiro-viajante, desafio matemático com aplicações relevantes em áreas como logística e computação.

Ao aproximar matemática e literatura, Viana aproveita para questionar a divisão rígida entre as chamadas ciências humanas e exatas. Criatividade, imaginação e raciocínio lógico aparecem como elementos que podem conviver e se complementar. Afinal, a construção de uma boa história também depende de escolhas, estruturas e relações, enquanto a matemática exige inventividade para formular perguntas e encontrar caminhos.

Organizado em sete blocos temáticos - “Pioneiros e Pioneiras”; “Símbolos, Falácias e Paradoxos”; “Muito Mais do que Uma Linguagem”; “A Matemática e as Máquinas”; “Querelas e Descobertas”; “Números e Mais Números”; e “Todo Poder à Matemática” -, o livro percorre descobertas, controvérsias e personagens que ajudaram a construir o pensamento matemático. Há também atenção especial às mulheres que abriram caminhos nessa área, no Brasil e em outros países. Para quem gosta de colocar a cabeça para funcionar, uma seção final de desafios permite testar o próprio raciocínio.

Em “Matemática para Seres Humanos (e Alguns Robôs)”, Marcelo Viana demonstra que compreender números pode ser uma aventura intelectual bastante divertida. Entre referências à música pop, episódios históricos e problemas que interferem na vida cotidiana, o matemático apresenta uma ciência que continua em movimento e que tem muito a dizer sobre as escolhas, os acontecimentos e as contradições do mundo contemporâneo.


Sobre o autor
Carioca, Marcelo Viana é doutor em matemática, pesquisador titular e diretor-geral do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa). Reconhecido internacionalmente por suas pesquisas em sistemas dinâmicos, integra a Academia Brasileira de Ciências e recebeu diferentes prêmios e distinções acadêmicas. Também foi condecorado pela Presidência da República com as Ordens Nacionais do Mérito Científico e do Mérito Educacional.

Colunista da “Folha de S.Paulo”, publicou pela Tinta-da-China Brasil “Histórias da matemática: da contagem nos dedos à inteligência artificial” (2024) e “A descoberta dos números: uma aventura matemática” (2025), títulos que ajudam a aproximar o conhecimento científico de leitores com diferentes formações.


Sobre a editora
Fundada em 2012, no Rio de Janeiro, por Bárbara Bulhosa, a Tinta-da-China Brasil nasceu com a proposta de trazer ao país a excelência editorial da casa portuguesa, criada em Lisboa em 2005. Desde 2022, a editora brasileira está sob os cuidados da Associação Quatro Cinco Um, organização sem fins lucrativos sediada em São Paulo e dedicada à difusão do livro no Brasil. O catálogo reúne publicações de literatura, história e ciência, além de títulos de humor, jornalismo, quadrinhos e crítica literária.

.: Nobel Isaac Bashevis Singer apresenta histórias cheias de humor e sabedoria


Em “Porque Noé Escolheu a Pomba e Outras Histórias para Crianças”, escritor polonês vencedor do Nobel de Literatura ganha edição brasileira pela Nova Fronteira, com tradução de Christine Ajuz, ilustrações de Ionit Zilberman e prefácio de Ana Maria Machado


A Editora Nova Fronteira apresenta aos leitores brasileiros uma coletânea infantil assinada por um dos grandes nomes da literatura mundial. “Porque Noé Escolheu a Pomba e Outras Histórias para Crianças” reúne narrativas de Isaac Bashevis Singer, escritor polonês que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1978 e construiu uma obra reconhecida pela riqueza de personagens, pelo humor e pela maneira particular de observar o comportamento humano.

Com tradução de Christine Ajuz, ilustrações de Ionit Zilberman e prefácio da escritora e acadêmica Ana Maria Machado, o volume chega ao Brasil com 144 páginas. A publicação corresponde ao segundo volume da coletânea originalmente intitulada “Histórias para crianças”, cuja continuação tem lançamento previsto para o primeiro semestre de 2027.

No texto de apresentação, Ana Maria Machado chama atenção para a variedade de recursos narrativos encontrados nas histórias, que passeiam entre fantasia, realismo, elementos sobrenaturais e lembranças afetivas. “As diferentes histórias aqui reunidas alternam sonhos e literatura, realismo e intromissões do sobrenatural, tom didático e evocações saudosas. Podem não ser uma leitura fácil. Mas, seguramente, deixarão marcas na lembrança. O que também é uma riqueza que os livros nos trazem”, afirma.

Singer tinha uma opinião bastante particular sobre a literatura destinada aos pequenos leitores. No ensaio “São as crianças os críticos literários definitivos?”, também incluído no livro e originalmente publicado no jornal Chicago Sun-Times, o escritor defende que o público infantil merece narrativas bem construídas, capazes de respeitar sua inteligência e seu interesse por boas histórias.

"As crianças são os melhores leitores da autêntica literatura. Os adultos se deixam hipnotizar por grandes nomes, elogios exagerados, publicidade persuasiva [...] As crianças, porém, não aceitam facilmente esse tipo de crença. Elas ainda preferem clareza, lógica e até mesmo uma coisa tão obsoleta como pontuação. Mais ainda, o jovem leitor exige uma história real, com começo, meio e fim, da maneira como os contos são narrados há milhares de anos", afirma Singer.

A história que dá nome à coletânea recupera uma das passagens mais conhecidas da tradição bíblica: o Dilúvio e a construção da arca de Noé. Enquanto os animais disputam a atenção do patriarca, exibindo força, beleza e esperteza para conquistar um lugar de destaque, a pomba chama atenção por sua modéstia. Noé percebe que todos possuem valor aos olhos de Deus e escolhe a ave para desempenhar uma missão especial como mensageira.

O humor também tem lugar garantido na seleção. Em “Os anciãos de Chelm e a chave de Genendel”, por exemplo, Singer recupera o universo das histórias populares judaicas, explorando situações engraçadas e personagens envolvidos em confusões que desafiam a lógica. A comicidade ajuda a afastar qualquer leitura excessivamente moralizante, preservando a espontaneidade e a graça das narrativas.

Entre alegorias, episódios divertidos e reflexões sobre a convivência humana, a coletânea apresenta às novas gerações um escritor que dedicou atenção especial à literatura infantil, tratando seus leitores com a mesma exigência narrativa que marcou seus contos e romances destinados aos adultos.


Um Nobel que também escreveu para crianças
Nascido em 1902, na Polônia, Isaac Bashevis Singer imigrou para Nova York em 1935, onde desenvolveu grande parte de sua trajetória literária. Filho e neto de rabinos, construiu uma obra predominantemente em língua ídiche, recuperando em contos e romances aspectos da memória, da religiosidade e do cotidiano dos shtetls, comunidades judaicas da Europa Oriental.

Consagrado internacionalmente com o Nobel de Literatura de 1978, Singer tornou-se uma referência da literatura universal. Sua produção reúne histórias marcadas pela observação psicológica, pela presença do fantástico e por personagens que transitam entre dilemas morais, crenças e contradições humanas.

Com a nova publicação, a Nova Fronteira recupera uma faceta especialmente interessante desse escritor: a de alguém que reconhecia nas crianças leitores exigentes, atentos e pouco dispostos a aceitar histórias contadas de qualquer maneira.

.: Vanessa Yetu estreia no Brasil com contos que exploram as contradições


Em “Velório de Moscas Sobre a Carne”, escritora cabo-verdiana inaugura coleção da Pallas dedicada à literatura africana contemporânea, com curadoria do angolano Ondjaki, e participa de encontros com leitores no Rio de Janeiro


A literatura africana contemporânea ganha um novo espaço nas prateleiras brasileiras com a chegada de Vanessa Yetu. Escritora cabo-verdiana, ela estreia no mercado editorial brasileiro com “Velório de Moscas Sobre a Carne”, publicação da Pallas Editora que inaugura a Coleção Múcua, projeto dedicado à produção literária atual de países africanos, sob curadoria do escritor angolano Ondjaki.

Com 144 páginas, o livro reúne quatro narrativas que investigam as contradições da experiência humana, passando por temas como identidade, pertencimento e memória. A escrita de Vanessa combina imagens intensas, humor e melancolia para apresentar personagens envolvidos em conflitos pessoais, enquanto convivem com mudanças sociais e culturais. As histórias percorrem diferentes geografias e aproximam vivências de Cabo Verde, Angola, Moçambique e Portugal, países que também integram a trajetória da autora.

Para marcar o lançamento, Vanessa estará no Brasil entre os dias 5 e 9 de novembro, com uma programação de encontros literários no Rio de Janeiro e em cidades da região metropolitana. A primeira parada será na FLIM – Língua ao Mar, em Maricá, na quinta-feira, dia 5, às 19h00. A escritora participa de uma conversa com Énia Lipanga e Kalaf Epalanga, sob mediação de Aza Njeri.

Na sexta-feira, 6 de novembro, às 11h00, o encontro será na Universidade Federal Fluminense (UFF). No sábado, dia 7, às 13h30, Vanessa estará na Primavera dos Livros, no Museu de Arte do Rio (MAR), para uma conversa com Bianca Ramoneda e Felipe Charbel. A agenda termina na segunda-feira, dia 9, às 11h, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no Fundão, em atividade com Carmen Lucia Tindó, Norma Lino e Vera Duarte.

Na apresentação de “Velório de Moscas Sobre a Carne”, Ondjaki chama atenção para a força literária da autora e sua maneira particular de observar as relações humanas. “O olhar de Vanessa Yetu funciona como uma lente de precisão que habita paisagens humanas complexas e valoriza o silêncio de cada gesto", escreve. O escritor identifica nos contos uma combinação de beleza imperfeita e aspectos sombrios da existência, com personagens expostos às fragilidades e às contradições das relações. A obra, segundo ele, “mergulha naquilo que nos torna trágicos, frágeis e reais".

Uma coleção com raízes africanas e diálogos atlânticos
O nome Múcua faz referência ao fruto do baobá, árvore associada à ancestralidade e à vida em diferentes culturas africanas. A escolha traduz a proposta da Pallas de aproximar escritores e leitores das duas margens do Atlântico, apresentando ao público brasileiro diferentes vozes da literatura africana contemporânea.

Nascida em 1974, na Ilha de Santiago, em Cabo Verde, Vanessa Yetu passou parte da infância em seu país natal e concluiu o ensino secundário em Moçambique. Formou-se em Economia em Portugal e vive em Angola desde 2004. Durante anos, conciliou a carreira profissional com a escrita e colaborou com suplementos literários. Em 2014, publicou “Não nos impõem as memórias, que nos permitem pertencer”.

O nome literário Yetu significa “nosso” ou “nossa” nas línguas bantas umbundu e kimbundu. A escolha carrega uma ideia de coletividade que acompanha a visão da escritora sobre a literatura: para ela, a escrita não se encerra na experiência individual, pois também se constrói a partir das vivências compartilhadas.

Com a chegada de Vanessa Yetu ao Brasil, a Coleção Múcua começa a apresentar ao público uma produção literária que merece circular com mais frequência por aqui. Afinal, conhecer outras geografias também passa pelas histórias que seus escritores escolhem contar.


Agenda de Vanessa Yetu no Rio de Janeiro
Dia 5 de novembro, quinta-feira, às 19h00:
FLIM – Língua ao Mar, em Maricá. Encontro com Énia Lipanga e Kalaf Epalanga, mediação de Aza Njeri.

Dia 6 de novembro, sexta-feira, às 11h00: Universidade Federal Fluminense (UFF).

Dia 7 de novembro, sábado, às 13h30: Primavera dos Livros, no Museu de Arte do Rio (MAR). Conversa com Bianca Ramoneda e Felipe Charbel.

Dia 9 de novembro, segunda-feira, às 11h00: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Fundão. Encontro com Carmen Lucia Tindó, Norma Lino e Vera Duarte.

domingo, 1 de novembro de 2026

.: Isabel Clemente lança “Toda Escrita É Criativa” em São Paulo, Rio e Brasília


Em “Toda Escrita É Criativa”, jornalista e escritora reúne crônicas e ensaios sobre o ofício de escrever e provoca o leitor a encontrar a própria voz

Todo texto pode melhorar. Até aquele que parece pronto, redondo, definitivo. Para quem se dedica à escrita criativa, a busca passa pelo tom de voz, pela escolha da palavra e pela capacidade de encontrar a forma mais precisa de dizer o que se pretende. É nesse território que Isabel Clemente mergulha em “Toda Escrita É Criativa - Quase Um Guia para Inspirar Você a Escrever Melhor”, publicado pela Editora Giacombelo, primeira antologia dela de crônicas e ensaios dedicada ao ofício da escrita. 

Para apresentar “Toda Escrita É Criativa”, Isabel Clemente participa de três sessões de autógrafos em novembro. Os encontros acontecem nas lojas da Livraria da Travessa em São Paulo, no dia 9, na Livraria Travessa do Shopping Villa Lobos; no Rio de Janeiro, no dia 11, na Livraria da Travessa de Botafogo; e em Brasília, no dia 17, na Livraria da Travessa do CasaPark. As sessões serão realizadas sempre das 19h00 às 21h00.

Jornalista e escritora, Isabel reúne reflexões práticas, bem-humoradas e profundas sobre a capacidade de defender ideias e contar histórias por escrito. O livro parte de uma constatação bastante democrática: escrever bem não deveria ser um privilégio reservado a escritores ou profissionais que vivem de palavras. Afinal, todo mundo escreve — nem que seja uma mensagem no celular, um texto de trabalho ou aquela justificativa que precisava caber em três linhas e acaba virando um tratado.

A autora propõe pensar a escrita como uma extensão da personalidade e como uma ferramenta capaz de revelar uma voz própria. “Escrever é o superpoder que você pode desenvolver para deixar sua marca no mundo”, diz Isabel. Com textos curtos e densos, que assumem o formato de pequenas aulas sem a sisudez típica das aulas, o livro está organizado em três grandes capítulos: “Histórias Importam”, “Pesquisas Apoiam” e “Memórias Emocionam”. Ao circular por essas três frentes, Isabel combina repertório de vida, ciência e reflexão para mostrar como histórias, informação e memória podem ajudar qualquer pessoa a desenvolver um modo próprio de escrever.

O subtítulo “quase um guia” carrega uma dose de brincadeira. O livro passa longe dos manuais de redação corporativa e das receitas para produzir e-mails, relatórios ou documentos impecavelmente burocráticos. A proposta está em outro lugar: estimular o cuidado com clareza, expressão e personalidade em qualquer texto. A autora também questiona critérios rígidos que costumam cercar o ensino da escrita, incluindo os famosos “penduricalhos” associados à redação do Enem. Em vez de oferecer uma fórmula pronta, Isabel prefere provocar o leitor a pensar sobre as escolhas que faz quando coloca uma ideia no papel.

Como resume o escritor e professor Flávio Carneiro na orelha do livro, a escrita de Isabel “vai caminhando na corda-bamba, sabendo do risco da queda e buscando o difícil equilíbrio” e se destaca por ser “clara e profunda, boa ouvinte e boa perguntadora, e ainda muito engraçada”. Formada em Jornalismo pela PUC-Rio e mestre em Escrita Criativa pela Royal Holloway, University of London, Isabel é colunista do Valor Econômico. Ao longo de mais de 30 anos, passou pelas principais redações do país como repórter, editora, colunista e correspondente internacional.

A escritora tem quatro livros publicados no Brasil, entre eles “A Pior Mãe do Mundo: Uma Biografia Não Autorizada de Todos Nós” e “A Mãe da Lua e do Vento”. Finalista do Aesthetica Creative Writing 2022, teve contos publicados na Inglaterra e também ministra oficinas de escrita para jornalistas e profissionais de diferentes áreas. Isabel vive no Rio de Janeiro com o marido e as duas filhas. “Toda Escrita É Criativa” é publicado pela Giacombelo, editora independente da qual Isabel é sócia.


Serviço
São Paulo | Dia 9 de novembro, das 19h00 às 21h00

Local: Livraria da Travessa, Shopping Villa Lobos
Av. Dra. Ruth Cardoso, 4777 – Segundo Piso – Jardim Universidade Pinheiros / São Paulo

Rio de Janeiro | Dia 11 de novembro, das 19h00 às 21h00
Livraria da Travessa de Botafogo
R. Voluntários da Pátria, 97 – Botafogo / Rio de Janeiro

Brasília | Dia 17 de novembro, das 19h00 às 21h00
Livraria da Travessa do CasaPark
SGCV SUL Lote 22 – 4A Casa Park Shopping, St. Park Sul / Brasília

terça-feira, 27 de outubro de 2026

.: “Eterna Promessa” expõe a frustração de um ex-boleiro diante da vida comum


Em romance de Leandro Marçal, João Pedro abandona o sonho dos gramados e encara a rotina de trabalhador enquanto tenta lidar com a carreira que poderia ter tido

Acordar cedo para cumprir o turno de 12 por 36 horas na portaria de um prédio na Ilha Porchat. Nos fins de semana, fazer um “bico” entregando pizzas para um estabelecimento da avenida Presidente Wilson, em São Vicente. No bairro Parque São Vicente, acompanhar as picuinhas entre vizinhos. Levar o filho ao colégio, resolver pendências do dia a dia e seguir a vida como tantos outros trabalhadores. Para João Pedro, o Jotapê, essa rotina aparentemente banal carrega uma dose generosa de frustração.

O personagem é o narrador de “Eterna Promessa”, sexto livro do escritor vicentino Leandro Marçal. Ex-quase jogador profissional, Jotapê viu o sonho de viver do futebol escapar entre uma lesão no joelho e problemas com um empresário. O que restou foi voltar à vida comum e procurar espaço no mercado de trabalho convencional, enquanto convive com a sensação de que poderia ter chegado muito mais longe. A história nasceu, segundo Marçal, da convivência com pessoas que também alimentaram o sonho de jogar futebol profissionalmente e acabaram seguindo outros caminhos. O livro será lançado neste sábado, dia 7 de novembro, das 14h00 às 18h00, na Rua Frei Gaspar, 1731, no Centro de São Vicente, no litoral de São Paulo.

“O João Pedro nasceu do convívio com uma galera que conheci ao longo dos anos. Gente que sonhou em jogar bola, em mudar a vida da família, mas não conseguiu seguir esse caminho por vários motivos. Porque assim como o mercado de trabalho convencional, o mundo da bola não é justo, nunca foi”, comenta Marçal. O romance acompanha esse personagem preso entre aquilo que viveu e aquilo que acredita que poderia ter vivido. Jotapê chegou a ser apontado como promessa nas categorias de base de clubes médios brasileiros, mas a combinação de uma lesão e de uma relação problemática com o empresário encerrou precocemente a possibilidade de uma carreira nos gramados.

A frustração, então, passa a fazer parte da vida adulta. Entre o trabalho, a família e as obrigações cotidianas, João Pedro carrega a memória de um futuro que nunca aconteceu. E, convenhamos, poucos fantasmas são tão insistentes quanto aquele famoso “e se?”. “É mais um livro ambientado na região, com o protagonismo de um cidadão comum, muito mais comum do que a gente imagina. Tem um monte de João Pedro por aí, contando a história de uma vida que não teve, quase incapaz de seguir em frente, sentindo-se superior a quem não tem suas supostas habilidades boleiras, carregando características não muito simpáticas do meio do futebol”, complementa o autor.

Publicado de forma independente, “Eterna Promessa” é o sexto livro de Leandro Marçal e foi viabilizado pelo Edital de Chamamento Público 01/2026 da Secult/SV, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura. Em 2025, o escritor publicou “Me Vê Dez Médias”, também de forma independente e com recursos de edital de fomento à cultura. Assim como o novo romance, a publicação mantém o olhar voltado para personagens e situações reconhecíveis da Baixada Santista, transformando a vida cotidiana da região em matéria-prima literária.


Serviço
Lançamento de “Eterna Promessa”, de Leandro Marçal

Sábado, dia 7 de novembro, das 14h00 às 18h00
Rua Frei Gaspar, 1731 – Centro – São Vicente/SP
Valor: R$ 30,00
Os pedidos podem ser feitos pelo site tireidagaveta.com.br/eterna-promessa, pelo e-mail marcal_91@hotmail.com ou pelas redes sociais, em @leandromp91.

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

.: Livro "Os Porcos" recupera a escrita provocadora de Júlia Lopes de Almeida


Edição especial do livro publicado originalmente em 1903 pela escritora carioca revisita uma obra marcada por ganância, decadência e tensões sociais no ambiente rural


Júlia Lopes de Almeida escreveu "Os Porcos" em 1903, quando o Brasil ainda atravessava uma série de transformações sociais e culturais que deixariam marcas profundas no século XX. Mais de 120 anos depois, o livro ganha uma nova edição pela Degustadora Editora e retorna às livrarias em capa dura, como o terceiro volume da Coleção Pingente, do Selo Jocalis. Uma das principais escritoras brasileiras da passagem do século XIX para o XX, elaconstruiu uma obra extensa, atenta aos conflitos sociais, às desigualdades e às contradições das relações humanas. Em "Os Porcos", esse olhar encontra um ambiente rural marcado por interesses, decadência e disputas, em uma narrativa que combina elementos do Realismo e do Naturalismo.

A nova edição reúne textos críticos de Melissa Velludo, escritora e editora da Degustadora, e Daniela Lobo. Os ensaios ampliam as possibilidades de leitura da obra e aproximam o texto publicado no início do século XX das questões observadas pelo leitor contemporâneo. A história coloca em primeiro plano aspectos pouco confortáveis da condição humana. Ganância, relações de poder e tensões sociais aparecem em uma narrativa que investiga tanto o comportamento dos personagens quanto a influência do ambiente sobre suas escolhas. Júlia Lopes de Almeida observa esse universo com atenção aos conflitos psicológicos e à crítica dos costumes, características que ajudam a explicar a permanência de sua obra.

Nascida em 1862, no Rio de Janeiro, Júlia Lopes de Almeida teve uma produção literária marcada pela diversidade e pela intensa atividade intelectual. Durante a Belle Époque brasileira, tornou-se uma das vozes femininas de maior destaque na literatura nacional, escrevendo romances, contos, crônicas e textos voltados a questões sociais e culturais. A trajetória dela, porém, também expõe uma das contradições do ambiente intelectual brasileiro daquele período. Júlia participou das articulações que resultaram na criação da Academia Brasileira de Letras, em 1897, mas não pôde integrar a instituição como membro fundadora porque a Academia admitia apenas homens.

A cadeira de número 3 acabou ocupada por seu marido, o escritor Filinto de Almeida. A história, vista hoje, tem aquela ironia que a literatura de Júlia Lopes de Almeida conhecia tão bem: uma autora que ajudou a construir um espaço destinado à literatura brasileira acabou impedida de ocupar uma cadeira nele. “O reconhecimento de sua contribuição literária e intelectual integra um movimento de redescoberta de escritoras brasileiras que, apesar da relevância de suas obras, tiveram sua presença reduzida na história literária ao longo das décadas”, comenta Melissa Velludo.

"Os Porcos" integra a Coleção Pingente, projeto editorial da Degustadora Editora dedicado à recuperação de textos clássicos em edições que procuram reunir cuidado gráfico, contextualização crítica e valorização do livro como objeto. A coleção começou com "A Escrava", de Maria Firmina dos Reis, uma das pioneiras da literatura afro-brasileira. O segundo volume reuniu "Eleonora", de Edgar Allan Poe, e "A Desejada das Gentes", de Machado de Assis, aproximando dois autores fundamentais da literatura do século XIX.

Com "Os Porcos", a coleção volta o olhar para uma autora cuja produção ainda vem sendo redescoberta por novas gerações de leitores. A escolha também reforça a proposta de recuperar obras que ajudam a ampliar a própria compreensão da literatura brasileira, especialmente quando se trata da presença feminina na formação do nosso cânone. A Coleção Pingente já tem outros títulos, como "Uma Xícara de Chá", da escritora neozelandesa Katherine Mansfield (1888-1923), com tradução de Nara Vidal, que está em pré-venda. O quinto volume será "Sua Majestade o Dinheiro", da escritora carioca Carmen Dolores (1852-1910).

Com a nova edição de "Os Porcos", Júlia Lopes de Almeida volta às estantes com uma obra que preserva sua capacidade de observar as pequenas e grandes crueldades das relações humanas. O livro chega em embalagem nova, mas a matéria-prima continua sendo aquela velha conhecida da literatura: gente, dinheiro, poder, desejo e as escolhas que fazemos quando acreditamos que ninguém está olhando.

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

.: Fama e Hollywood são matéria-prima para novo romance de John Green


Após quase uma década longe da ficção, autor de “A Culpa É das Estrelas” acompanha dois jovens atores diante das delícias e dos estragos provocados pela fama


John Green está de volta à ficção. Depois de quase uma década, o escritor norte-americano retorna às livrarias com “Um Final de Cinema”, romance que mergulha no universo do cinema para discutir fama, exposição, ambição profissional e as marcas que certas experiências deixam pelo caminho. O livro, publicado pela Intrínseca, chega às livrarias em outubro, com tradução de Alda Lima. A arte de Andy Warhol, figura controversa e fundamental da Pop Art, serve como uma das referências para a história. A célebre relação entre celebridade, consumo e transformação de pessoas em produtos ganha novas camadas nas mãos de Green, autor de livros que conquistaram gerações de leitores, como “A culpa é das estrelas” e “Cidades de papel”.

A trama acompanha dois atores em ascensão durante as filmagens de uma cinebiografia sobre o último ano de vida de Warhol. Kai é um estreante em Hollywood que tenta descobrir se finalmente encontrou a oportunidade capaz de mudar sua trajetória ou se aquela será sua primeira e última grande chance. Juniper, por sua vez, foi atriz mirim e está determinada a mostrar que cresceu, amadureceu e está pronta para ocupar novos espaços na indústria. A proximidade entre os dois rapidamente desperta a atenção do público. O talento chama a atenção, mas os rumores de um possível romance também fazem sua parte, especialmente nas redes sociais. Enquanto o filme ganha forma, Kai e Juniper percebem que estão envolvidos em uma produção capaz de alterar suas vidas profissionais.

A expectativa aumenta quando, perto da estreia, a produção conquista atenção suficiente para elevar as projeções de arrecadação. O sucesso finalmente parece ao alcance dos dois. Juniper e Kai chegam ao lugar que tanto desejavam, enquanto uma possível história de amor surge no horizonte, justamente quando suas carreiras começam a ganhar velocidade. A fama, porém, costuma cobrar a conta com juros. Conforme os dois passam a ocupar mais espaço na mídia, lembranças que preferiam manter no passado reaparecem. A exposição transforma questões pessoais em assunto público e obriga os protagonistas a descobrir como sobreviver a uma realidade na qual cada detalhe pode virar notícia, comentário ou especulação.

É nesse jogo entre celebridade e intimidade que John Green encontra o coração de “Um Final de Cinema”. Seus personagens sabem o que querem profissionalmente, mas precisam enfrentar a possibilidade de se transformarem em mercadorias da própria indústria que desejam conquistar. A referência a Warhol, portanto, ganha uma dimensão particularmente saborosa dentro da narrativa. A fama pode durar quinze minutos. O problema começa quando esses quinze minutos resolvem ocupar uma vida inteira.


Sobre o autor
John Green é autor premiado e best-seller do New York Times. Formado em língua inglesa e estudos religiosos pelo Kenyon College, em Ohio, nasceu em 1977, no estado de Indiana, onde vive com a mulher e os filhos. Ao longo da vida, também morou em Nova York, Illinois, Michigan, Flórida e Alabama. Antes de se tornar um dos nomes mais conhecidos da literatura contemporânea para jovens adultos, trabalhou como redator na National Public Radio, em Chicago, e como editor-assistente e de produção da revista de resenhas literárias Booklist. Também assinou críticas de livros para o New York Times. Pela Intrínseca, publicou “A Culpa É das Estrelas”, “Quem É Você, Alasca?”, “Cidades de Papel”, “O Teorema Katherine”, “Tartarugas Até Lá Embaixo”, “Antropoceno: Notas Sobre a Vida na Terra” e “Tudo É Tuberculose”.

domingo, 4 de outubro de 2026

.: Livro “Que Brazil É Esse?” revela como estrangeiros enxergam o Brasil


Livro de Paulo Otávio Barreiros Gravina reúne declarações de personalidades como Brigitte Bardot, Albert Camus, Frank Sinatra, Barack Obama e Charles Darwin para investigar as imagens construídas sobre o país. Foto: divulgação

Como o Brasil aparece aos olhos de quem vem de fora? A pergunta pode render elogios, estranhamentos, preconceitos e até algumas boas doses de ironia. Em “Que Brazil É Esse? - O que Eles Disseram Sobre o Brasil”,  publicado pela Editora Livros Ilimitados, o escritor e professor de escrita Paulo Otávio Barreiros Gravina reúne declarações de personalidades conhecidas mundialmente para investigar o modo como o país foi e continua sendo percebido por estrangeiros.

Com humor e pesquisa bibliográfica, o autor percorre as opiniões de 30 personalidades, entre elas Brigitte Bardot, Barack Obama, Diego Maradona, Albert Einstein, Frank Sinatra, Albert Camus, Charles Darwin e Walt Whitman. O resultado é um mosaico de impressões que passa por questões como preconceito, desigualdade, conflitos culturais e também pelas potencialidades atribuídas ao Brasil. A publicação ainda reserva espaço para comentários encontrados na internet, trazendo para a discussão as impressões de turistas e internautas. As manifestações ajudam a mostrar tanto as tensões provocadas pelo encontro entre culturas quanto uma característica bastante brasileira: a disposição para rebater críticas feitas de fora. Entre as ideias que ganharam força como uma espécie de retrato internacional do país está a famosa definição de “Brasil, um país do futuro”, título do livro publicado pelo escritor austríaco Stefan Zweig. A frase pode ser lida de maneiras diferentes. De um lado, carrega a expectativa de desenvolvimento de uma nação promissora; de outro, pode sugerir a condição de um país eternamente adiado, sempre esperando pelo futuro que nunca chega.

O passeio pelo imaginário estrangeiro também chega a um dos exemplos mais conhecidos da cultura pop. Em um dos capítulos, Gravina recupera a polêmica envolvendo um episódio de “Os Simpsons” em que a família viaja ao Brasil. A representação do país passa por pobreza, sexualidade explícita e pelo Carnaval tratado como uma espécie de cortina para problemas sociais.

Em determinado momento, Homer Simpson dispara: “Eu adoraria voltar ao Brasil, mas soube que o problema dos macacos está cada vez pior por lá”. As representações preconceituosas analisadas pelo autor aparecem em diferentes momentos da obra, incluindo uma declaração racista atribuída a Diego Maradona e uma fala misógina de Arnold Schwarzenegger. Gravina utiliza essas manifestações como material para discutir as imagens construídas sobre o Brasil e a posição do país no cenário internacional.

O livro também retoma ideias que, de tempos em tempos, voltam ao debate brasileiro, como o próprio conceito de “país do futuro” e o chamado “complexo de vira-lata”. Para o autor, observar o que estrangeiros disseram sobre o Brasil pode servir como uma forma de olhar novamente para o país - inclusive para algumas das imagens que os próprios brasileiros construíram sobre si. 

“Certos temas da história são cíclicos. Volta e meia alguém cita a ideia de o Brasil ser 'o país do futuro' ou aborda o nosso 'complexo de vira-lata'. Por isso, considero que entender as relações do Brasil com o mundo e analisar essas visões estrangeiras nos ajuda a compreender o que estamos passando na contemporaneidade”, afirma Paulo Otávio Barreiros Gravina. Com 164 páginas, “Que Brazil É Esse?” transforma frases, opiniões e episódios curiosos em matéria-prima para uma investigação sobre identidade nacional. Entre elogios e alfinetadas, o livro convida o leitor a encarar uma pergunta que talvez seja menos simples do que parece: afinal, que Brasil é esse que o mundo enxerga?


Sobre o autor
Paulo Otávio Barreiros Gravina é escritor, editor, tradutor, revisor, biógrafo, mestre em Literatura Brasileira e professor de escrita na Coordenação Central de Educação Continuada (CCEC) da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). É autor dos livros “Que Brazil É Esse?”, “A Fábula do Príncipe Narseu” e “Família Pacheco - 190 anos”. Também publica ensaios e textos ficcionais no blog “Minhas Traduções Poéticas”.

Como editor, revisor e tradutor, participou de projetos envolvendo obras como “Eureca”, de Edgar Allan Poe, e “Prefácio a Shakespeare”, de Samuel Johnson, entre outros trabalhos.

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

.: Psicanálise involuntária, livro "O Mago" volta em nova edição com texto extra


Biografia que ultrapassou 1 milhão de exemplares ganha posfácio inédito e será relançada pela Realejo Edições com bate-papo e sessão de autógrafos na Livraria da Travessa, em São Paulo


Fernando Morais volta a "O Mago", livro em que mergulhou na vida de Paulo Coelho e que se tornou um dos grandes sucessos editoriais da trajetória dele. Lançada originalmente em 2008, a biografia ganha nova edição pela Realejo Edições, agora acompanhada de um posfácio inédito escrito pelo autor. O relançamento será no dia 14 de outubro, às 19h00, com bate-papo e sessão de autógrafos na Livraria da Travessa, em Pinheiros, São Paulo. A mediação ficará a cargo de José Luiz Tahan, sócio da livraria e da editora.

A nova edição de "O Mago" já está em pré-venda, com entregas e retiradas previstas a partir de 26 de setembro. O livro chega novamente às prateleiras depois de ter sido traduzido e publicado em 20 países e ultrapassado a marca de um milhão de exemplares vendidos. Morais costuma apontar "O Mago" como um de seus livros favoritos e relaciona parte do resultado à personalidade pouco previsível do personagem central. "Eu tive sorte de um personagem tão espantoso e surpreendente como o Paulo Coelho cair no meu colo. O livro é o oposto da obra dele: enquanto a obra é plácida e toca a alma, a biografia é uma sucessão de polêmicas e tragédias. Paulo é um antipersonagem que te surpreende a cada página”, revela Morais.

A pesquisa conduzida pelo jornalista percorre diferentes fases da vida de Paulo Coelho, desde a infância e as internações em hospitais psiquiátricos até a aproximação com o ocultismo, a parceria musical com Raul Seixas nos anos 1970, a prisão e a tortura durante a ditadura militar e a posterior transformação espiritual que contribuiu para sua projeção internacional. No centro dessa trajetória está uma ambição que acompanha o escritor desde a juventude: tornar-se um dos autores mais importantes e lidos do mundo. A biografia acompanha as mudanças de rumo, os conflitos e as escolhas que fizeram parte desse percurso.

Para escrever as mais de 600 páginas de "O Mago", Fernando Morais teve acesso a um material particular guardado por Paulo Coelho: diários íntimos e confessionais mantidos pelo escritor desde a juventude, além de dezenas de fitas gravadas ao longo dos anos. "Quando abri aquele ‘baú’ em Copacabana, encontrei ouro puro: quase 200 diários e dezenas de fitas gravadas desde a juventude dele. Ao ver aquilo, joguei fora as 300 páginas que já tinha escrito e recomecei o livro do zero. Os diários puseram a biografia num patamar completamente diferente”, relembra Fernando Morais.

O trabalho também seguiu o compromisso ético adotado pelo biógrafo nas obras dele. Morais teve acesso ao conteúdo sem censura prévia e entregou o exemplar a Paulo Coelho somente depois da publicação comercial. A leitura da biografia pelo próprio escritor teria provocado um efeito curioso. Ao se deparar com memórias e episódios que estavam guardados no passado, Paulo Coelho contou ao biógrafo ter se assustado com a força do relato e comparou a experiência a uma espécie de "psicanálise involuntária".

O sucesso da primeira edição levou "O Mago" para diferentes mercados internacionais. A obra foi publicada em países como Espanha, Estados Unidos, Itália, França, Rússia, Polônia e Alemanha, entre outros, alcançando mais de um milhão de exemplares vendidos. Para José Luiz Tahan, da Realejo Edições, o relançamento aproxima uma nova geração da história de um escritor brasileiro com enorme alcance internacional. “Estamos diante de uma obra relevante por seu conteúdo, por seu autor e por apresentar às novas gerações uma história que envolve um dos maiores vendedores de livros em todo o mundo, o escritor Paulo Coelho. É uma obra que fala de música, política, literatura, família, rompimentos e recomeços”, comenta.

A nova edição preserva, assim, uma biografia construída a partir de uma quantidade incomum de documentos pessoais e chega ao público com material inédito, recolocando nas livrarias a trajetória de um dos escritores brasileiros de maior circulação internacional. Compre o livro "O Mago", de Fernando Morais, neste link.

Serviço
Lançamento do livro "O Mago", com bate-papo e sessão de autógrafos com Fernando Morais
Dia 14 de outubro, a partir das 19h00
Livraria da Travessa - Rua dos Pinheiros, 513, Pinheiros / São Paulo
À venda pelo site da Realejo Edições

.: “O Deus das Urnas” investiga a força da religião nas eleições brasileiras


Livro de Alexandre Landim acompanha as disputas presidenciais de 2010 a 2022 e analisa como católicos e evangélicos passaram a ocupar lugar de destaque nas estratégias eleitorais

Nas últimas eleições presidenciais brasileiras, a religião ganhou espaço nos palanques, nos discursos de candidatos e nas estratégias de campanha. O movimento despertou debates sobre a relação entre fé e política e serviu de ponto de partida para o sociólogo Alexandre Landim escrever “O Deus das Urnas: Evangélicos e Católicos em Eleições Presidenciais no Brasil”, lançado pela Editora Telha. A obra acompanha as eleições realizadas entre 2010 e 2022 para investigar como as identidades religiosas se relacionam com as escolhas políticas dos brasileiros. 

Ao longo da pesquisa, Landim observa a presença crescente de temas religiosos nas campanhas e procura compreender de que maneira questões como aborto, costumes, valores familiares e diferentes concepções sobre o papel do Estado passaram a integrar a disputa pelo voto. Em “O Deus das Urnas”, o discurso religioso aparece também como instrumento de mobilização eleitoral. A pesquisa mostra que católicos e evangélicos não formam grupos homogêneos e que suas identidades religiosas apresentam diferenças no comportamento político. Segundo os estudos reunidos pelo sociólogo, essa distância nas preferências eleitorais aumentou nas últimas décadas, especialmente a partir de 2010.

O resultado ajuda a iluminar uma mudança no cenário político brasileiro. A filiação religiosa passou a dialogar de maneira mais evidente com fatores sociais, econômicos e ideológicos na formação das preferências eleitorais. Igrejas, lideranças religiosas e candidatos também passaram a participar de maneira mais intensa da construção das agendas públicas. Para sustentar a investigação, Landim reúne mais de uma centena de pesquisas de opinião, além de um amplo conjunto de materiais publicados pela imprensa. O levantamento permite observar a presença da religião na política brasileira ao longo do tempo, acompanhando mudanças de comportamento e estratégias eleitorais que ganharam força nas últimas campanhas presidenciais.

A pesquisa evita tratar a participação religiosa na política como fenômeno passageiro. Ao acompanhar diferentes eleições, o autor examina a maneira como candidatos incorporaram referências religiosas aos discursos e como essas mensagens passaram a dialogar com parcelas específicas do eleitorado. Sociólogo formado pela Universidade de São Paulo, mestre pela Universidade Estadual do Ceará e doutor pela Universidade Federal do Ceará, Alexandre Landim pesquisa religiões no Brasil há mais de uma década. Professor de Sociologia do Instituto Federal do Ceará, ele transforma parte dessa trajetória acadêmica em um livro voltado tanto a pesquisadores quanto a leitores interessados em política, comportamento, religião e cultura.


Sobre o autor
Alexandre Landim é paulistano e radicado em Fortaleza, no Ceará, desde 2012. Sociólogo e escritor, dedica-se há mais de dez anos ao estudo das religiões no Brasil. É cientista social pela Universidade de São Paulo (USP), mestre pela Universidade Estadual do Ceará (UECE) e doutor em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), com período de estágio na École des Hautes Études en Sciences Sociales, na França. É professor de Sociologia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE). Também publicou o romance “De onde estou já fui embora” (2019), vencedor do edital das Artes da Secretaria de Cultura de Fortaleza.

domingo, 27 de setembro de 2026

.: “A História dos Meus Peitos” coloca o desejo feminino no centro da narrativa


Romance de estreia de Mariana Guimarães revisita memórias de uma mulher a partir da relação com o próprio corpo e chega a São Paulo em noite de lançamento na Livraria Megafauna

“Nenhum homem nunca mais chupou meus peitos desde que minhas filhas botaram suas boquinhas neles.” É com essa frase que Luiza se apresenta ao leitor. Diante do espelho, ela examina o corpo até chegar aos seios, insatisfeita com as mudanças provocadas pelo tempo e pela maternidade. Depois de marcar uma consulta com um cirurgião plástico, o choque inicial dá lugar a uma viagem pelas lembranças que ajudaram a construir sua relação com o desejo e com o próprio corpo. 

O que começa diante do espelho, entre incômodos com o próprio corpo e a decisão de procurar um cirurgião plástico, logo ganha outros contornos em “A História dos Meus Peitos”, romance de estreia de Mariana Guimarães, publicado pela Editora Record. A protagonista Luiza transforma a própria memória em matéria literária e percorre infância, adolescência, descobertas do prazer, casamento e maternidade a partir de uma perspectiva bastante particular: a dos próprios peitos. 

A escritora Natalia Timerman assina o texto de orelha. O lançamento do livro será no dia 8 de outubro, às 19h00, na Livraria Megafauna do Copan, em São Paulo. Após o bate-papo, a autora participa de uma sessão de autógrafos. A conversa será conduzida pela jornalista Cris Bartis, do Mamilos Podcast.

A narrativa acompanha essa trajetória com intimidade e bom humor, revisitando diferentes momentos da vida da personagem e as maneiras pelas quais ela experimentou o prazer, fez escolhas e passou a enxergar a própria sexualidade. Os peitos, que poderiam ocupar apenas o papel de parte do corpo, ganham voz dentro dessa memória afetiva e se tornam uma espécie de fio condutor da história. 

O romance parte de uma experiência real vivida pela autora e transforma uma inquietação pessoal em literatura. Ao colocar o desejo de Luiza no centro, Mariana Guimarães também desloca a maneira como o corpo feminino costuma aparecer nas narrativas, especialmente quando observado pelo olhar alheio. Compre o livro "A História dos Meus Paitos", de Mariana Guimarães, neste link.


Sobre a autora
Mariana Guimarães nasceu em 1980, em São Paulo. Formada em Direito e Psicologia, trabalhou como advogada criminalista e atualmente atua como psicóloga e psicanalista. Mãe de três meninas, estreia na literatura com “A história dos meus peitos”.


Serviço
“A História dos Meus Peitos”
Lançamento: 8 de outubro, às 19h00
Local: Livraria Megafauna do Copan
Av. Ipiranga, 200, loja 53 - Centro / São Paulo

.: “Os Assassinatos da Casa Decagonal” desafia leitores a decifrar clássico


Clássico de Yukito Ayatsuji, considerado um dos romances policiais mais importantes da literatura japonesa, chega em setembro pela Intrínseca em edição inédita no país. Foto: Naoto Otsubo / Kodansha Ltd.


Yukito Ayatsuji é um dos grandes nomes do honkaku, vertente do mistério japonês marcada pela construção de enigmas e pela valorização do raciocínio lógico na solução dos crimes. Publicado originalmente em 1987, “Os Assassinatos da Casa Decagonal” ajudou a renovar o gênero no Japão, tornou-se referência para uma geração de escritores e chega ao Brasil, pela Intrínseca, em uma edição inédita por aqui, com tradução de Lídia Ivasa. O romance também foi incluído pela revista Time entre os 100 thrillers mais importantes do mundo e tem como uma de suas inspirações “E Não Sobrou Nenhum”, clássico de Agatha Christie.

A história começa alguns meses depois de um crime que chocou o país. Um grupo de universitários decide viajar até uma ilha remota na costa do Japão, cenário de um homicídio quádruplo ainda sem solução. O destino escolhido é a Casa Decagonal, residência projetada pelo arquiteto Seiji Nakamura, uma das vítimas do caso e dono da propriedade. Apaixonados por romances policiais, os jovens chegam ao local esperando aproveitar a viagem entre enigmas, livros e aquela dose de excitação que acompanha uma boa história de mistério. 

O passeio, porém, ganha contornos bem menos divertidos quando um deles é encontrado morto. Isolados na ilha e sem possibilidade de contato com o continente, os universitários percebem que o conhecimento acumulado nas leituras de romances policiais pode ser a única ferramenta disponível para descobrir quem está por trás dos assassinatos - e, principalmente, permanecer vivos.

Com uma morte atrás da outra, a tensão cresce dentro da casa enquanto o grupo tenta compreender a lógica do criminoso e encontrar uma saída antes que seja tarde. No continente, a investigação ganha uma segunda frente quando um ex-integrante do grupo recebe uma carta misteriosa assinada por Seiji Nakamura, morto meses antes. Desconfiado de que a mensagem tenha relação com os crimes, ele começa a seguir as pistas por conta própria. Enquanto os jovens presos na ilha tentam solucionar o enigma que os cerca, a investigação no continente procura entender o que realmente aconteceu naquela casa e qual ligação existe entre a carta e os assassinatos.

Livro de estreia de Ayatsuji, “Os Assassinatos da Casa Decagonal” ocupa um lugar importante na história do mistério japonês e ajudou a consolidar o honkaku como uma vertente de grande força na literatura policial do país. A estrutura de quebra-cabeça, os personagens isolados e a sucessão de pistas fazem da obra uma espécie de jogo literário em que o leitor também é convidado a desconfiar de cada detalhe. Compre o livro “Os Assassinatos da Casa Decagonal”, de Yukito Ayatsuji, neste link.


Sobre o autor
Yukito Ayatsuji nasceu em 1960 e se tornou um dos principais escritores japoneses de suspense e terror. É um dos fundadores do Honkaku Mystery Writers Club, grupo formado por autores dedicados a histórias de mistério construídas em torno de enigmas, investigação e raciocínio lógico, com forte influência dos clássicos policiais. A relação de Ayatsuji com o gênero começou ainda na Universidade de Quioto, quando participou do clube de mistério da instituição. 

O ambiente reunia alguns dos nomes que posteriormente se destacariam na literatura policial japonesa e serviu de inspiração para o grupo de estudantes retratado em “Os assassinatos da Casa Decagonal”. Com o romance de estreia, Ayatsuji recuperou elementos tradicionais do policial de enigma e ajudou a impulsionar uma nova geração de escritores dedicados ao honkaku. O livro se tornou uma referência do gênero no Japão e consolidou o autor entre os principais nomes da literatura de mistério do país. Compre os livros de Yukito Ayatsuji neste link.

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

.: Tragédia, narcotráfico e feminismo em contos de Dahlia de la Cerda


Autora de "Cadelas de Aluguel" retorna ao Brasil com histórias de mulheres e jovens marcadas pela violência, pelo desejo e pela luta para decidir os próprios caminhos

Medeia conhece bem a história do amor que termina em tragédia. A personagem de Eurípides matou os próprios filhos para se vingar de Jasão e entrou para a mitologia como uma das figuras mais perturbadoras da literatura ocidental. Nas mãos da escritora mexicana Dahlia de la Cerda, porém, ela ganha novas companhias, uma sacola de açougue e uma receita que mistura ervas, medicamentos e invocações a deusas. O resultado atende pelo curioso título de "Medeia Me Cantou Um Corrido". Segundo livro da autora publicado no Brasil pela DBA Literatura, depois de "Cadelas de Aluguel", a obra reúne contos independentes que se conectam e formam uma espécie de mosaico sobre violência, maternidade, crime organizado, desejo e sobrevivência. A tradução é de Marina Waquil.

No livro, Paulina está grávida e não quer colocar no mundo uma criança sem pai. Perla decidiu não ter filhos porque teme "estragar" o próprio corpo. Jordán foi cooptado pelo crime organizado e desapareceu há meses. Antonia quer fugir da violenta Aztlán para construir uma vida como mãe solo. Reina procura o filho, sem saber se ainda poderá encontrá-lo vivo. No meio dessas histórias aparece Medeia, movida pela combinação explosiva de amor e ódio que acompanha sua trajetória desde a tragédia grega. Aqui, entretanto, ela se torna uma espécie de aliada para mulheres que precisam lidar com relacionamentos abusivos, uma gravidez indesejada ou a procura desesperada por um filho.

O título resume a mistura proposta por Dahlia de la Cerda. Medeia vem da mitologia grega; o corrido é um gênero musical profundamente ligado à cultura popular mexicana. Entre os dois, a escritora constrói uma literatura que cruza referências aparentemente distantes e coloca lado a lado Hello Kitty e Jean-Paul Sartre, uma bolsa da Gucci e um fuzil, mitologia grega e tradição católica. Essa combinação também está no modo como as personagens são construídas. Inseridas em um ambiente marcado pelo narcotráfico mexicano, elas carregam desejos, medos, vaidades e necessidades bastante concretos. A violência está presente, mas as mulheres não são reduzidas ao papel de vítimas ou peças de uma engrenagem criminosa. Elas querem, amam, erram, planejam, se desesperam e, quando possível, tentam encontrar uma saída.

A oralidade é outro elemento fundamental. O universo dos corridos mexicanos contamina a narrativa, dando às histórias um ritmo próprio e aproximando a literatura da tradição popular. A linguagem também serve para aproximar mundos que costumam aparecer separados: o erudito conversa com o popular, a cultura pop se encontra com a filosofia e a religião divide espaço com armas, grifes e referências do cotidiano.

Em "Cadelas de Aluguel", as mulheres partiam para a vingança com as próprias mãos. Em "Medeia Me Cantou Um Corrido", a personagem mitológica ganha uma função quase de madrinha das desesperadas. Ela aparece como possibilidade de amparo para quem quer romper com um relacionamento abusivo, interromper uma gravidez ou encontrar um filho desaparecido. A própria autora ocupa um lugar de presença forte dentro desse universo. Seu feminismo é frontal, sua escrita não economiza no desconforto e suas personagens vivem em uma sociedade na qual as escolhas femininas frequentemente vêm acompanhadas de consequências violentas.  Compre o romance "Medeia Me Cantou Um Corrido", escrito por Dahlia de la Cerda, neste link.


Sobre a autora
Dahlia de la Cerda (1985) é escritora e ativista mexicana. É cofundadora e codiretora do Morras Help Morras, coletivo feminista voltado à segurança reprodutiva de mulheres periféricas. É autora de "Cadelas de aluguel" (DBA Literatura, 2025), "Medeia me cantou um corrido" (DBA Literatura, 2026) e "Desde los zulos" (2023). Compre os livros de Dahlia de la Cerda neste link.

.: "Obra-prima" transforma o sumiço de uma escultura em mistério literário


Juan Tallón parte de um caso real no Museu Reina Sofía para investigar, pela ficção, os limites entre arte, memória, original e cópia

Uma escultura de 38 toneladas desaparece e ninguém sabe onde foi parar. Não há corpo, pista convincente ou explicação capaz de fazer o absurdo parecer razoável. O cenário parece inventado por algum escritor especialmente empenhado em testar a credulidade do leitor, só que aconteceu de verdade. É a partir desse episódio que o escritor espanhol Juan Tallón constrói "Obra-prima", lançamento da Editora Nós. O livro acompanha o curioso desaparecimento de "Equal-Parallel/Guernica-Bengasi", monumental escultura do artista estadunidense Richard Serra, e usa o caso para levantar perguntas incômodas sobre o próprio conceito de obra de arte. Vencedor dos prêmios Rodolfo Walsh e Euskadi de Plata, "Obra-prima" chega ao Brasil com tradução de Joca Reiners Terron. 

A escultura havia sido encomendada especialmente para a inauguração do Museu Reina Sofía, em Madri. Depois de ser retirada de exibição, foi armazenada por uma empresa terceirizada. Anos mais tarde, quando surgiu a intenção de colocá-la novamente em exposição, veio a pequena questão - pequena apenas no tamanho da frase: ninguém fazia ideia de onde estavam os quatro enormes blocos de aço.

A empresa responsável pelo armazenamento havia falido e desaparecido, deixando para trás pouquíssimos rastros. O problema é que não se tratava de um quadro escondido atrás de outro, de uma pequena peça extraviada ou de algum objeto capaz de desaparecer discretamente numa mudança. Eram quatro blocos de aço que, juntos, pesavam 38 toneladas. O escândalo ganhou proporções internacionais. Diante do desaparecimento, Richard Serra aceitou produzir uma réplica da escultura, que permanece exposta no museu de Madri. 

O desaparecimento passa a provocar questões sobre autoria, identidade, forma, conteúdo, memória e valor artístico. A réplica pode ocupar o lugar do original? As duas obras podem coexistir como se fossem uma só? E se ninguém encontrar a peça desaparecida, ela continua sendo a mesma obra que existia antes? Em ritmo de thriller, "Obra-prima" reúne dezenas de vozes envolvidas no caso. Funcionários do museu, investigadores, autoridades e o próprio Richard Serra aparecem como narradores e testemunhas de um acontecimento que parece crescer a cada depoimento.

A estrutura remete à segunda parte de "Os Detetives Selvagens", de Roberto Bolaño, em que diferentes relatos vão compondo um mosaico narrativo. Tallón utiliza procedimento semelhante para reconstruir um mistério no qual falta justamente aquilo que normalmente encerraria uma investigação: uma prova definitiva. O resultado é uma história em que a investigação avança sem necessariamente aproximar o leitor de uma solução. Quanto mais vozes surgem, mais possibilidades aparecem. A escultura continua desaparecida, e o mistério ganha vida própria. Compre o romance "Obra-prima", de Juan Tallón, neste link.


Sobre o autor
Juan Tallón
nasceu em Vilardevós, na Galícia, em 1975. Formado em Filosofia, atua nas áreas jornalística e ficcional. Ao longo de sua trajetória, escreveu tanto em galego quanto em espanhol. Entre seus trabalhos de destaque estão "Rewind" e "Obra-prima". No Brasil, publicou "Fim de Poema", lançado em 2023. Compre os livros de Juan Tallón neste link.

.: "Elefante" mistura luto e fantasia para falar de infâncias interrompidas


No livro de Josué Souza, a imaginação de um menino de sete anos encontra ancestralidade, afeto e dor para preservar a memória de crianças vítimas da violência. Foto: divulgação


O que acontece quando a imaginação de uma criança encontra uma ausência grande demais para caber em palavras? Em "Elefante", livro infantojuvenil de Josué Souza publicado pela Editora Patuá, fantasia, realismo mágico e ancestralidade se encontram para tratar de pertencimento, luto, esperança e memória - assuntos difíceis, mas apresentados a partir do olhar de uma criança. No livro, Gugu tem sete anos, imaginação de sobra e um companheiro de aventuras bastante particular: POC, um elefantinho que vive naquele território em que realidade e fantasia se misturam. Com o incentivo dos pais, Guilherme e Joshua, o menino percorre uma floresta mágica enquanto o leitor vai percebendo as marcas deixadas por uma ausência dentro da família.

A origem da história está em uma inquietação dolorosa do autor diante de casos reais de crianças e adolescentes mortos em situações de violência. Entre eles estão João Pedro Mattos Pinto e Miguel Otávio Santana da Silva. Josué Souza recorre à literatura para olhar para essas infâncias interrompidas e pensar sobre aquilo que permanece quando uma vida é brutalmente retirada de cena. 

Para crianças, a aventura e a fantasia abrem as portas da história. Para jovens e adultos, surgem outras leituras sobre perda, violência, racismo, memória e a maneira como uma família tenta conviver com aquilo que ficou. "Elefante" surge de um assunto espinhoso, mas encontra na literatura uma maneira de falar sobre vida, afeto e permanência. A fantasia oferece a Gugu um espaço para elaborar aquilo que a realidade tornou difícil de compreender, enquanto a memória impede que determinadas histórias desapareçam junto com quem partiu.

Ao transformar experiências marcadas pela violência em literatura, Josué Souza coloca a imaginação infantil diante de uma realidade incômoda. E talvez esteja justamente aí uma das forças do livro: permitir que a fantasia seja também um lugar de lembrança, acolhimento e resistência. Compre o livro "Elefante", de Josué Souza, neste link.


Sobre o autor
Josué Souza Tourinho Junior
é acadêmico de Letras Português/Inglês na Universidade de São Paulo (USP). Tem quatro livros publicados. Sua produção literária explora temas como memória, infância, imaginação, amor, perda e permanência, construindo narrativas que dialogam com crianças, jovens e adultos.  Compre os livros de Josué Souza neste link.

domingo, 13 de setembro de 2026

.: Crítica: livro “Eu Disse Não!” coloca a democracia no cockpit e revisita a crise


Em “Eu Disse Não! - Uma Trincheira Antigolpista”, Carlos Baptista Junior abandona a distância confortável dos livros de história e conta, por dentro da Aeronáutica, como os meses entre 2021 e 2023 colocaram disciplina, hierarquia e democracia numa rota de colisão

Um país pode chegar muito perto de um golpe sem que um tanque precise atravessar a avenida. Às vezes, a crise acontece em salas fechadas, reuniões de comando, telefonemas, conversas reservadas e decisões tomadas por homens acostumados a obedecer até o momento em que obedecer pode significar colocar a própria Constituição em risco. É nesse terreno que Carlos Baptista Junior coloca o leitor em “Eu Disse Não! - Uma Trincheira Antigolpista”, publicado pela Editora Autêntica. O título já entrega a posição do autor, mas o livro é mais interessante quando deixa de ser uma declaração de princípios e passa a contar como esse “não” foi construído, sustentado e, sobretudo, quanto custou para mantê-lo.

Tenente-brigadeiro, piloto de caça, com mais de 4.500 horas de voo e quase cinco décadas de carreira na Força Aérea Brasileira, Baptista Junior comandou a Aeronáutica entre abril de 2021 e janeiro de 2023. Portanto, não escreve sobre os acontecimentos olhando para fotografias antigas. Ele estava dentro da foto. E, para alguém acostumado a voar, a expressão “cockpit”, termo em inglês usado para designar a cabine de comando de uma aeronave, ganha aqui uma dimensão curiosa: Baptista Junior estava no cockpit de uma das instituições colocadas sob pressão durante a crise.

O primeiro capítulo, “Doze Horas na Polícia Federal”, por exemplo, começa longe da solenidade dos grandes acontecimentos nacionais. O autor está com o neto, fala da rotina familiar, passa por situações corriqueiras e, de repente, a narrativa o leva para um episódio que ajuda a explicar como aquele homem chegou ao centro de uma das maiores crises institucionais da história recente do país. A estratégia aproxima o leitor do personagem antes de colocá-lo novamente diante do uniforme.

Baptista Junior escreve a partir de uma formação em que palavras como “disciplina” e “hierarquia” têm peso concreto. Só que existe uma terceira palavra que se torna decisiva: Constituição. O livro ganha densidade quando essas três ideias deixam de caber confortavelmente na mesma frase. A crise de 2021 aparece como um ponto de inflexão. A troca do ministro da Defesa, a substituição dos comandantes das Forças Armadas e a reorganização do alto comando militar revelam um ambiente em que a política já não podia ser tratada como assunto externo aos quartéis. 

Jair Messias Bolsonaro havia chegado ao poder com uma relação particular com os militares, e o livro acompanha a deterioração dessa convivência até o momento em que o papel institucional das Forças Armadas passa a ser testado de maneira brutal. O autor não precisa inventar um thriller, já que a realidade brasileira daquele período já havia feito esse trabalho com competência assustadora. A eleição de 2022 ocupa boa parte do relato e mostra uma engrenagem em movimento: questionamentos sobre as urnas, pressão política, reuniões, manifestações, expectativas dentro e fora dos quartéis e o comportamento das cúpulas militares diante da derrota de Bolsonaro. 

A narrativa acompanha os acontecimentos até a posse de Luiz Inácio Lula da Silva e chega ao ponto em que a democracia brasileira parecia estar sustentada por uma quantidade desconfortavelmente pequena de bom senso. O livro desmonta, com detalhes, aquela impressão posterior de que a tentativa de ruptura teria sido uma maluquice improvisada por meia dúzia de exaltados. O autor descreve um ambiente em que a possibilidade de golpe foi discutida, estimulada e considerada por setores que tinham acesso real às estruturas de poder. 

“Eu Disse Não!” é um livro sobre o limite da obediência, questão capaz de incomodar quem enxerga as Forças Armadas como guardiãs naturais da política. Baptista Junior apresenta uma instituição composta por pessoas, disputas, interesses, avaliações e diferentes compreensões sobre até onde poderia ir a atuação militar. A democracia, no livro, não aparece protegida por uma entidade abstrata chamada “instituições”, mas depende de indivíduos tomando decisões.

O mérito da obra está em mostrar que uma ruptura institucional exige mais do que discursos sobre democracia. Em determinados momentos, alguém precisa estabelecer um limite e aceitar as consequências de fazê-lo. O relato ganha interesse quando o autor também se permite olhar para a própria trajetória. Piloto de caça, comandante e homem formado dentro da FAB, ele conhece profundamente o universo que descreve. O leitor percebe a linguagem, os códigos e a lógica de funcionamento de uma organização em que a cadeia de comando pode determinar o destino de uma instituição inteira.

O livro acerta ao não transformar esse gesto em fantasia heroica de história em quadrinhos. Mesmo quando o autor assume claramente um lado, permanece a sensação de que está reconstruindo um período complicado, cheio de zonas de tensão e escolhas difíceis. O leitor acompanha os bastidores e percebe que o país esteve perto de uma situação cuja dimensão fica mais nítida quando os episódios são colocados em sequência.

Existe ainda uma ironia involuntária e bastante brasileira em tudo isso. Um país que passou décadas discutindo o papel dos militares na política chegou ao século XXI diante de uma pergunta quase primitiva: o que faz um militar quando recebe ou percebe uma ordem que entra em choque com a Constituição?

“Eu Disse Não!” ganha força quando deixa de lado a caricatura do herói solitário e permite que apareçam o homem dentro da farda, o comandante dentro da instituição e a instituição dentro de uma crise política que extrapolou os muros dos quartéis. É uma leitura especialmente interessante para quem acompanhou os acontecimentos de 2021 e 2022 e ficou com a impressão de que faltavam algumas peças do quebra-cabeça. Compre o livro "Eu Disse Não", de Carlos Baptista Junior, neste link.

sábado, 12 de setembro de 2026

.: Crítica: "A Estranha na Cama", romance mais apimentado de Raphael Montes


Novo romance de Raphael Montes mistura sexo, ambição, mentira e vingança numa história em que ninguém permanece inocente por muito tempo. Foto: divulgação

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

Novo romance de Raphael Montes, “A Estranha na Cama”, começa com uma mulher, Laura, chegando à delegacia com sangue nas roupas. Ela está com um casamento em ruínas e uma história que parece pronta para ser contada. Na sala ao lado, Diego, advogado criminalista e marido dela, também presta depoimento. O problema é que os dois contam histórias diferentes. E, como o autor sabe muito bem, em uma investigação policial a história bem contada pode ser tão perigosa quanto a sentença final.

Publicado pela Companhia das Letras, o romance tem gosto de escândalo de classe média alta: um casal carioca, bonito, rico, socialmente bem relacionado e aparentemente feliz resolve apimentar o casamento com uma terceira pessoa. A experiência termina com a morte de Julia, amante de Diego. A partir daí, entram em cena chantagens, traições, vídeos íntimos, dinheiro, violência e uma quantidade bastante razoável de gente interessada em salvar a própria pele. Raphael Montes  poderia se contentar com esse cardápio. Prefere, porém, preparar outra conversa.

A estrutura em depoimentos é um dos grandes acertos do livro. Laura e Diego apresentam versões dos acontecimentos que se chocam e se corrigem mas, sobretudo, levantam novas suspeitas. A delegada Patrícia Custódio Revoredo funciona como uma espécie de editora implacável da história: pergunta, volta ao ponto anterior, percebe contradições e deixa os personagens se enforcarem com as próprias argumentações. O efeito é eficiente porque o leitor passa a desconfiar até daquilo que acabou de ler.

Laura é a personagem mais interessante do romance. Vinda de uma família pobre, marcada por uma relação familiar violenta e acolhida pelo universo confortável da família Guimarães Prata, ela constrói uma vida que parece saída de uma propaganda de sabonete caro: cobertura em Ipanema, viagens, festas, contatos influentes, marido bem-sucedido e uma floricultura para chamar de sua. Aos poucos, porém, fica evidente o preço daquele cenário. O casamento, afinal, tem seus contratos. Alguns estão no papel, outros são erguidos entre expectativas, dependências e concessões.

O romance também acerta ao colocar a imprensa e a exposição pública dentro da engrenagem do crime. O julgamento se transforma em espetáculo, com jornalistas, fotógrafos, curiosos, fofocas e vídeos íntimos circulando como combustível para uma história que já perdeu qualquer possibilidade de privacidade. O thriller conversa, assim, com uma época em que uma investigação pode acontecer simultaneamente na delegacia, no tribunal e nas redes sociais.

Raphael Montes sabe esconder as cartas. Uma informação aparentemente banal pode ganhar outro significado algumas dezenas de páginas depois,. O leitor acompanha as versões, suspeita de uma, abandona outra e, quando acredita ter entendido o jogo, descobre que talvez tenha prestado atenção à pergunta errada.

“A Estranha na Cama” também fala sobre pessoas que passam tempo demais tentando representar aquilo que acreditam que os outros esperam delas. Laura representa a esposa perfeita. Diego, o marido bem-sucedido. A família, a respeitabilidade. A imprensa, por sua vez, procura a verdade enquanto devora o escândalo. Raphael Montes escreve com velocidade, mas não confunde rapidez com pressa. O texto avança porque sempre existe alguma coisa esperando nas páginas adiante. 

O livro reafirma Raphael Montes como um escritor que entende muito bem o prazer popular do suspense sem tratar o leitor como alguém que precisa receber tudo mastigado. O livro quer divertir, provocar, chocar e, de quebra, brincar com a vontade quase infantil de descobrir quem está mentindo. Compre “A Estranha na Cama”, novo romance de Raphael Montes, neste link.

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

.: Adriana Calcanhotto em "Saga Lusa", livro que comemora 18 anos da Cogobó


Relato bem-humorado da cantora sobre os percalços da turnê portuguesa de "Maré" ganha nova edição pela Cobogó


Para comemorar 18 anos de atividade, a Cobogó volta ao ponto de partida de seu catálogo e relança "Saga Lusa - O Relato de Uma Viagem", de Adriana Calcanhotto. Publicado originalmente em 2008, o livro ganha uma segunda edição com apresentação da própria autora e novo texto de orelha assinado pelo poeta Eucanaã Ferraz. Com humor afiado e uma boa dose de ironia, Adriana transforma os acontecimentos de uma turnê portuguesa em matéria-prima para uma narrativa tão divertida quanto improvável. A viagem aconteceu entre maio e junho de 2008, durante a temporada de shows do disco "Maré". O que deveria seguir o roteiro habitual de uma excursão musical acaba descambando para uma sucessão de situações pouco recomendáveis para quem deseja manter a agenda em ordem. Com capa de Felipe Kaizer, adaptada por Mari Taboada.

Depois de um voo entre Rio de Janeiro e Lisboa sem conseguir dormir, entrevistas logo na chegada e um show interrompido pela falta de luz, mas não pela disposição de continuar cantando, a artista ainda enfrenta uma gripe fortíssima e decide combatê-la com uma combinação desastrosa de medicamentos. O resultado é um surto psicótico provocado pelos remédios, que leva ao cancelamento de shows e compromissos durante vários dias.

No quarto do hotel, sem dormir por dias e cercada por médicos, hospitais, medicamentos, exames e pela incerteza sobre quando aquela situação chegaria ao fim, Adriana começa a escrever compulsivamente. A escrita aparece como uma espécie de fio terra, uma maneira de organizar o medo e preservar algum grau de lucidez enquanto tudo parece sair do controle. O episódio rende uma narrativa em que a cantora se coloca no centro da própria trapalhada e, em vez de esconder o ridículo da situação, explora suas possibilidades cômicas. A língua portuguesa vira brinquedo, canções e livros entram pela prosa sem cerimônia e a experiência de uma crise ganha contornos de aventura.

Entre uma situação absurda e outra, Adriana encontra uma espécie de lema para atravessar aquela temporada: "a alegria é a prova dos nove". A imagem do panda, criada pela própria autora para descrever sua aparência durante o período de recuperação, sintetiza bem o espírito do livro. A cantora observa a si mesma com uma mistura rara de espanto, carinho e deboche - qualidade que transforma um episódio bastante difícil em uma história de leitura saborosa. Compre o livro "Saga Lusa - O Relato de Uma Viagem", de Adriana Calcanhotto, neste link.


Sobre a autora
Adriana Calcanhotto é compositora, cantora e professora da Universidade de Coimbra, instituição da qual é embaixadora desde 2015. Com quatro décadas de carreira, lançou álbuns de estúdio, trabalhos ao vivo e registros audiovisuais de turnês realizadas em diferentes partes do mundo. Suas canções foram gravadas por nomes como Gal Costa, Ney Matogrosso e Marisa Monte. Também colaborou com poetas como Augusto de Campos, Antonio Cicero, Waly Salomão e Arnaldo Antunes. Como Adriana Partimpim, seu heterônimo voltado às crianças de todas as idades, lançou quatro discos e recebeu o Grammy Latino de Melhor Álbum Infantil. 

Na literatura, trabalhou como ilustradora e organizou antologias de poesia. "Saga Lusa - O Relato de Uma Viagem", publicado pela primeira vez em 2008, marcou sua estreia na prosa. O livro também revelou outra faceta de uma artista que circula entre música e literatura com liberdade e personalidade próprias. Adriana Calcanhotto nasceu em Porto Alegre, vive no Rio de Janeiro e, como toda boa autora que sabe escolher suas companhias, ama os felinos.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

.: Alex Solnik leva "O Código 12" à Bienal e reabre o caso da morte de JK


Jornalista e escritor apresenta livro que revisita a morte de Juscelino Kubitschek e reúne documentos, depoimentos e perícia realizada décadas após o acidente. Foto: divulgação

O jornalista e escritor Alex Solnik participa da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo com uma sessão de autógrafos de "O Código 12 - As Surpreendentes Revelações sobre o Assassinato de JK pela Ditadura Militar". O encontro com os leitores acontece no dia 13 de setembro, das 14h00 às 15h00, no estande J75 da Matrix Editora, no Distrito Anhembi. Publicado pela Matrix Editora, o livro investiga as circunstâncias da morte de Juscelino Kubitschek, ocorrida em 1976, e coloca em questão a versão oficial sobre o acidente que matou o ex-presidente. 

A partir de documentos, depoimentos e de uma perícia realizada décadas depois do episódio, Solnik reconstitui os últimos momentos de JK e apresenta elementos para uma nova leitura de um dos casos mais controversos da história política brasileira. Entre os documentos analisados está um laudo elaborado pelo perito Sérgio Ejzenberg, em 2019, a pedido do Ministério Público de Resende. A investigação conduzida por Solnik reúne diferentes registros e testemunhos em torno das circunstâncias da morte de Juscelino. Compre o livro "O Código 12 - As Surpreendentes Revelações sobre o Assassinato de JK pela Ditadura Militar" neste link.


Sobre o autor
Alex Solnik é natural de Drogobytch, na Ucrânia, e mora no Brasil desde 1958. Jornalista profissional desde 1977, trabalhou nas revistas Isto É, Senhor, Careta, Status, Manchete e Interview, além dos jornais Jornal da Tarde, Última Hora, Correio Braziliense, Folha da Tarde, Panorama e O Nacional. É autor de "Os Pais do Cruzado Contam por Que Não Deu Certo", "O Cofre do Adhemar", "A Guerra do Apagão", "A Última Batalha de Napoleão" e "O Dia em que conheci Brilhante Ustra". Também é coautor, com Paulo Caruso, dos quadrinhos da série "Bar Brasil", publicados nas revistas Careta e Senhor, e dos livros "Bar Brasil, Bar Brasil na Nova República" e "Ecos do Ipiranga". Compre os livros de Alex Solnik neste link.


Serviço
Sessão de autógrafos do livro "O Código 12", com Alex Solnik
Dia 13 de setembro, das 14h00 às 15h00
Local: estande da Matrix Editora – J75
Evento: 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Endereço: Distrito Anhembi / São Paulo

.: Claudia Alexandre leva "Tia Ciata e o Mistério da Foto" à Bienal do Livro


Autora participa de roda de conversa no Salão de Ideias e autografa livro infantil que revisita registros sobre a matriarca do samba; Foto: divulgação / arquivo pessoal

Vencedora do Prêmio Jabuti Acadêmico pelo livro "Exu-Mulher e o Matriarcado Nagô", a jornalista e escritora Claudia Alexandre integra a programação oficial da Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Pesquisadora das tradições de matrizes africanas, ela participa de uma roda de conversa no Salão de Ideias, no dia 12 de setembro, ao lado da sambista e jornalista Lyllian Bragança. O encontro apresenta o livro infantil "Tia Ciata e o Mistério da Foto", com início às 19h30. Antes do bate-papo, às 17h00, Claudia autografa o lançamento no estande da Cortez Editora, na Rua G 26.

Resultado de uma pesquisa iniciada em 2008, "Tia Ciata e o Mistério da Foto" transforma em narrativa lúdica uma investigação sobre lacunas, contradições e registros históricos e fotográficos atribuídos à chamada "mãe do samba". A pesquisa lança um olhar curioso para as imagens que ajudaram a construir a memória de Tia Ciata e para aquilo que ficou de fora delas.

Na obra, Claudia também recupera a dimensão multifacetada de Tia Ciata, destacando sua atuação como rezadeira, musicista e personagem fundamental na história do samba. Entre os episódios revisitados está a criação de "Pelo Telefone", considerado o primeiro samba gravado. A trajetória da autora passa ainda pelo Prêmio Jabuti Acadêmico. Claudia Alexandre venceu a premiação em 2024 com "Exu-Mulher e o Matriarcado Nagô" e voltou a ser reconhecida em 2025, desta vez pela obra coletiva "A Salvação da Pátria Amada". No ano passado, "Exu-Mulher" serviu de inspiração para o enredo que levou a Escola de Samba Pérola Negra ao título em São Paulo.

Serviço
Roda de conversa com Claudia Alexandre e lançamento de "Tia Ciata e o Mistério da Foto"

Sábado, dia 12 de setembro, às 17h00 - Sessão de autógrafos
Estande da Cortez Editora – Rua G 26

19h30 - Roda de conversa
Salão de Ideias - Programação Oficial da Bienal do Livro
Endereço da Bienal: Distrito Anhembi - Av. Olavo Fontoura, 1209 - Santana / São Paulo

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