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quarta-feira, 17 de abril de 2024

.: Entrevista: Andréa Gaspar fala de "Inspetor Sopa e o crime do mosteiro"

Em entrevista, Andrea Gaspar fala sobre o cenário de "Inspetor Sopa e o crime do mosteiro", série de livros protagonizada por um detetive brasileiro inspirado no Comissário Maigret. Foto: divulgação


A ficção e a realidade andam lado a lado em "Inspetor Sopa e o crime do mosteiro", segundo volume da série policial escrita por Andréa Gaspar. O protagonista, um detetive “flanêur” que dá nome ao livro, caminha por ruas e bares do Rio Janeiro enquanto investiga o assassinato de um monge dentro do Mosteiro de São Bento.   

Em meio às vielas, a investigação do crime se mistura à história da capital fluminense. A narrativa apresenta fatos históricos e curiosidades sobre o local, como a criação de edifícios arquitetônicos, a cena da MPB e a formação das favelas cariocas. Para a escritora, a ambientação faz toda a diferença no desenrolar das tramas policiais, nas quais a cidade assume um papel de personagem coadjuvante. 

Detetives clássicos da literatura também fazem os leitores passearem pelo cenário, como Hercule Poirot, Sherlock Holmes e Comissário Maigret – nomes que são grandes inspirações para a criação do estilo investigativo do Inspetor Sopa. Nesta entrevista, Andrea Gaspar conta sobre a importância de colocar o Rio de Janeiro no centro do enredo, destacando lugares e culturas que passam despercebidas no dia a dia. Confira a entrevista com a autora Andréa Gaspar!


Você pode comprar "Inspetor Sopa e o crime do mosteiro", de Andréa Gaspar aqui: amzn.to/49DBeMX



Além de professora de português para estrangeiros, advogada criminalista, atriz, poeta e romancista, você também é detetive particular. O que fez você se interessar pelo universo do crime? E como a sua formação criminal impacta na construção das narrativas?

ANDRÉA GASPAR: Parecem coisas desconectadas, mas a verdade é que sempre fui uma pessoa com um perfil multifacetado e muito curiosa. Sei que tem gente que escolhe uma profissão desde criança e não muda nunca, mas eu nunca fui assim. Sempre tive interesses diversos e me arrisquei em tudo. Mas existe um ponto em comum entre todas essas profissões que é justamente a escrita e a literatura. Sou aficionada pela literatura policial desde criança porque entendo que, por meio da literatura policial, podemos discutir todos os aspectos centrais da existência humana.  

Fiz o curso de detetive no processo de criação do meu detetive. Eu queria entender melhor o universo do detetive particular no Brasil para então decidir se o meu detetive seria particular ou um quadro das forças policiais e acabei decidindo pela segunda opção porque, de fato, no Brasil o detetive particular é mais procurado para resolver casos de adultério, de espionagem industrial e casos de desaparecimento. Os crimes de morte propriamente ditos ficam por conta das forças policiais oficialmente constituídas.  


Um dos pontos altos de Inspetor Sopa E Crime Do Mosteiro é a ambientação histórica e cultural no Rio de Janeiro, passando por igrejas barrocas e pelo Morro da Providência, considerada a primeira favela carioca. Na sua visão, qual a importância de conectar os leitores com esse cenário?

ANDRÉA GASPAR: Eu entendo que a cidade é um personagem coadjuvante nos romances policiais. O inspetor (ou o detetive), conforme investiga os crimes, percorre os caminhos da cidade. Os detetives clássicos como Poirot, Sherlock Holmes, Comissário Maigret, Vish Puri (da literatura indiana), todos são detetives que contam sobre o cenário em que o crime aconteceu. E fazem o leitor passear pelas ruas e vielas com eles. O Sopa é esse inspetor flâneur que caminha pelas ruas do Rio. É assim que atraio o leitor para encantos do Rio, uma cidade que respira história e que tem muita história para contar, desde o surgimento da primeira favela do Brasil até os palácios que a Monarquia e República usaram como sede, passando pelas igrejas onde se encontram os restos mortais de Pedro Álvares Cabral e onde foi realizado o casamento de D. Pedro I e a Imperatriz Leopoldina. É tudo muito interessante e, infelizmente, subvalorizado. Eu tento lançar uma luz sobre esses cenários incríveis. 


O detetive Sopa vaga sem rumo pelas ruas em busca de lazer, observando e passeando. Além de referências clássicas estrangeiras que você citou, como Sherlock Holmes, quais personagens da literatura brasileira inspiraram a criação do personagem?

ANDRÉA GASPAR:As minhas referências datam mesmo do início do século: João do Rio, Machado de Assis, Lima Barreto e, mais recentemente, Nelson Rodrigues e Ruy Castro. Embora não sejam autores policiais, todos perambulavam (ou no caso do Ruy Castro, perambula) pelas ruas do Rio. Como referência policial, eu tenho o comissário Maigret que é um personagem do Georges Simenon (autor belga que ambientou o seu detetive na França). O Maigret perambula pelas ruas de Paris, parando nos bares, restaurantes e botecos parisienses e serve de inspiração para o Sopa. 


Você diz que Machado de Assis, Lima Barreto e Nelson Rodrigues são algumas das suas inspirações literárias. Hoje, quem você enxerga como referências na literatura brasileira de romance policial?

ANDRÉA GASPAR: Eu acho que existe uma lacuna a ser preenchida. Temos o grande Luiz Garcia Rosa na linha do detetive clássico e o Raphael Montes na linha dos romances policiais de aventura, que é o termo que uso para diferenciar o detetive clássico do romance policial. O detetive do Luiz Garcia Rosa, o Espinoza, concentrou sua área de atuação em Copacabana, Bairro Peixoto e adjacências, embora tenha explorado também o centro do Rio. E o Raphael Montes vai por uma linha policial mais hardcore. Mas, de fato, na linha policial de entretenimento que é o caso da série do Sopa, acho que não conheço atualmente nada no mesmo gênero. Evidentemente, hoje em dia é impossível ter essa informação com certeza porque tem muita publicação nova todos os dias e não temos tempo de acompanhar tudo. 


A saga policial terá um terceiro volume, com lançamento em breve: Inspetor Sopa e o caso do desaparecimento. O que os leitores podem esperar para o futuro da série? Você pretende continuar escrevendo mais histórias sobre o detetive?

ANDRÉA GASPAR: No próximo livro, a história vai se passar em São Paulo. É uma oportunidade que dei para o “assistente” do Sopa, o Trombeta, ganhar o protagonismo. Eu gosto muito desse personagem e achei que ele merecia um livro em que ele assumisse a investigação. Então, nesse terceiro volume vou explorar o centro histórico de São Paulo. Para o quarto volume da série, eu volto para o Rio para explorar o universo do samba e dos bailes de gafieira do Rio. 

Eu não tenho intenção de parar. Acho que é um projeto de vida. Então, enquanto houver vida, haverá Sopa. É só chegar com o seu pratinho e se servir.  


Compre "Inspetor Sopa e o crime do mosteiro", de Andréa Gaspar aqui: amzn.to/49DBeMX


Sobre a autora: Andréa Gaspar é escritora, roteirista, dramaturga, produtora, diretora, atriz e professora de português para estrangeiros. Bacharel em Letras e em Direito, com especialização na Formação de Escritores, publicou seis livros, entre eles “Passante poeta” (2018), “Despedaços” (2015) e “Licor de Pequi” (2014). Em 2019, lançou o primeiro romance policial “Inspetor Sopa e o último copo”, que se tornou uma saga com os livros “Inspetor Sopa e o crime do mosteiro” e “Inspetor Sopa e o caso do desaparecimento”, com publicação prevista para 2024. Com a série literária, recebeu o prêmio durante o VIII Talentos Helvéticos-Brasileiros, promovido pela editora suíça-brasileira Helvetia. 


segunda-feira, 15 de abril de 2024

.: Entrevista: Adriana Simão conta como se inspirou em canções para escrever


Será que é possível transformar as diferentes linguagens artísticas em processo terapêutico? Adriana Simão , autora de "Tempestade de Som e Fúria", descobriu que sim. Best-seller da Amazon, o livro de poemas foi concebido enquanto ela escutava canções e deixava o próprio fluxo de consciência se tornar versos reflexivos.

Como uma espécie de terapia, essa imersão resultou em textos que abordam as relações com o tempo, os diferentes sentidos para a vida, a importância da memória e as formas de viver em meio às contradições da realidade. Iniciado devido a uma sugestão da psicoterapeuta da escritora, o trabalho poético serviu como um momento catártico de autoconhecimento para ela entender seus sentimentos e lugar no mundo por meio da arte.

Grande fã das playlists em fitas cassetes, populares nos anos 1990, a autora compilou em uma playlist on-line todas as faixas que inspiraram sua criatividade. Ao longo da leitura, leitores podem interagir ainda mais com a obra ao ouvir a miscelânea de artistas como Arcade Fire, Oasis, Tribalistas, Florence + The Machine, Adele, Phoebe Bridgers e Beirut. Nesta entrevista, Adriana Simão conta como se inspirou na produção poética para se conectar com si mesma e de que forma a escrita terapêutica pode contribuir para o desenvolvimento pessoal de cada um.

“Tempestade de Som e Fúria” surgiu como um processo terapêutico, para externalizar suas próprias emoções em poemas. Como a escrita influenciou em seu autoconhecimento?
Adriana Simão
 - Em 2021, eu estava em busca de autoconhecimento, acompanhada por alguns processos terapêuticos. Num desses, a querida Carol Presotto-Simrat me sugeriu colocar uma música para tocar e escrever o que viesse à mente. Veio poesia. Foi um processo tão intenso que acabou se tornando também uma terapia. Com a escrita diária, percebi o potencial de organizar os pensamentos, o que foi se estendendo para as emoções e trouxe um alívio e uma certa clareza para começar o dia... Virou uma espécie de download da mente para seguir mais leve.


Por que você optou por poesia, ao invés de outros estilos literários?
Adriana Simão
 Interessante essa questão, pois o caminho da poesia foi completamente intuitivo. Neste exercício de escrever o que viesse à mente, não havia compromisso com forma nem estilo. Então, poderia vir qualquer coisa.


Como a poesia se conectou com sua própria realidade?
Adriana Simão
 No começo vieram muitas emoções, mas já em formato de poesia... com ritmo e algumas rimas. O processo foi se lapidando e os poemas foram ganhando mais forma e mais sentido. A partir de tudo isso, fui me interessando pelos poemas como leitora e então veio a ideia de publicar um livro para que chegasse a mais pessoas.


Você recomenda a escrita terapêutica para outras pessoas, até mesmo quem não é escritor? Adriana Simão Sem dúvida. A palavra, seja ela falada ou escrita, tem um poder de transformação muito grande. Acredito que, por isso, muitas linhas terapêuticas se amparam na cura por meio da fala. No caso da escrita, é uma conversa de você com você mesmo, o que pode ser muito potente para conseguir escrever coisas que seriam até difíceis de falar. A transformação mora aí, em tirar isso de você, da sua cabeça, dos seus sentimentos... Como a escrita terapêutica não tem compromisso com forma ou regras linguísticas, pode ser algo muito acessível às pessoas que não se imaginam escrevendo e um recurso interessante para quem, por alguma razão, não faz terapia. É um jeito de começar a entrar em contato com o autoconhecimento.


Além de ser uma escrita terapêutica, a obra tem um bônus: os poemas foram escritos enquanto você escutava a músicas. De que maneira a arte musical está presente na sua vida? Adriana Simão Eu sou uma pessoa bem musical. Sempre conto com uma trilha sonora para me concentrar, produzir algo ou relaxar. Para mim, a música e a poesia têm uma relação muito estreita quando pensamos em cantores e compositores como poetas... Renato Russo, Cazuza, Bob Dylan, que inclusive recebeu o Nobel de Literatura.


Para você, qual o ponto de intersecção entre música e literatura?
Adriana Simão
 A poesia, por sua característica "musicada", a partir da cadência e rimas, torna-se ainda mais fácil de reconhecer essa relação e, inclusive, foi uma conexão muito próxima na antiguidade, na poesia cantada. Vemos essa presença ainda hoje, no cordel ou no slam, com o hip-hop, por exemplo.


O livro suscita uma conexão com os anos 1990, com as fitas cassetes. De que forma estas fitas e aquela década estão presentes nas suas memórias?
Adriana Simão
 Eu nasci nos anos 80 e, na década seguinte, a MTV fazia parte do dia a dia de muitos adolescentes. Para mim, esse canal musical e as rádios me acompanhavam sempre e eram base para criar as fitas K7 ou VHS com as músicas, programas e entrevistas dos meus artistas favoritos. Criar uma playlist era um ritual: antes de tudo, pensar na lista de músicas do momento e ficar grudada na rádio para conseguir gravar. O que poderia demorar dias... 

E por que retomar este mundo analógico no presente?
Adriana Simão É nostálgico lembrar desse tempo, porque essa feitura artesanal criava uma relação ainda mais especial com os artistas, locutores e VJs... recordar desse tempo faz refletir um pouquinho sobre os tempos acelerados em que vivemos.



Para publicar "Tempestade de Som e Fúria", a escritora Adriana Simão escutava as músicas favoritas e, naqueles poucos minutos, escrevia um poema. Os temas dos textos podiam ser inspirados nas letras, ou apenas transmitiam os sentimentos dela enquanto ouvia as canções. O lançamento foi resultado de um processo terapêutico vivido pela autora, que recorreu à arte para entender os próprios sentimentos e conhecer a si mesma.

Com o objetivo de transmitir a relação direta entre as composições musicais e a literatura, a obra tem uma diagramação que lembra as fitas cassetes da década de 1990. Além disso, em cada poema, há o nome das músicas que inspiraram a escrita. Assim os leitores atravessam artistas e grupos como Arcade Fire, Oasis, Phoebe Bridgers, Florence + The Machine e Fiona Apple. Compre o livro "Tempestade de Som e Fúria", de Adriana Simão, neste link. 

Poemas em fita cassete
Quando Adriana Simão era adolescente, em meados da década de 1990, dedicava-se a montar playlists em fitas cassetes. Apesar de sempre ter sido apaixonada por música, entendeu o papel da arte na sua vida somente anos depois, ao utilizá-la como recurso terapêutico para o autoconhecimento. Quando escutava canções, transformava o próprio fluxo de consciência em poemas, que foram compilados em Tempestade de som e fúria.

O livro alcançou a marca de best-seller ao ser lançado em e-book de forma independente e agora é publicado por uma editora tradicional. Dividida em lados A e B, a obra reúne uma série de textos existenciais e reflexivos que abordam questões como as relações com o tempo, os diferentes sentidos para a vida, a importância da memória, as formas de viver em meio às contradições da realidade.

O trabalho poético foi inspirado nas melodias que Adriana Simão ouvia no momento da escrita. No início de cada texto, a autora não apenas detalha a data, o horário e o local em que o conteúdo foi concebido, mas também explicita as canções responsáveis por inspirar sua criatividade. A partir dos poemas, os leitores atravessam uma lista diversificada com Arcade Fire, Oasis, Phoebe Bridgers, Florence + The Machine, Fiona Apple, Beirut, Tribalistas e Adele. Para tornar a obra ainda mais interativa, há uma playlist on-line com todas as produções indicadas.

Enquanto o Lado A é composto por versos influenciados pelas músicas favoritas da escritora, o Lado B foi elaborado com a participação do público. Muitas pessoas buscavam a poeta para produzir textos com base em canções, e ela atendia a esses pedidos. Entre as dedicatórias, um nome se destaca: o de Aline Bei, autora dos títulos “O Peso do Pássaro Morto” e “Pequena Coreografia do Adeus”, que quis um poema para “Volant”, de Sebastian Plano. Neste processo, Pato Fu, Nina Simone, Jimi Hendrix, Taylor Swift e Os Mutantes, entre outros, foram adicionados à miscelânea musical.

Além de ser um breve retorno ao mundo analógico da década de 1990, Tempestade de som e fúria mostra a importância de transformar as diferentes linguagens artísticas em processo terapêutico. Iniciados devido a uma sugestão da psicoterapeuta de Adriana Simão, os versos serviram como um momento catártico de autoconhecimento e se conectam com todos aqueles que, como a escritora, procuram a arte para entender os sentimentos e seu lugar no mundo.

Sobre a autora
Formada em Sistemas de Informação pela Universidade Mackenzie, em São Paulo, Adriana Simão trabalha com números, mas desde criança é apaixonada por palavras e música. Aprendeu a produzir playlists em fita cassete e, décadas depois, uniu este conhecimento ao fazer poético. Enquanto escutava canções, escrevia os poemas que foram publicados no seu livro de estreia Tempestade de som e fúria. Lançada primeiro como e-book, a obra alcançou a lista de mais vendidos na Amazon e se tornou um best-seller. Agora o título ganha versão física publicada pela editora Letramento. Garanta o seu exemplar de "Tempestade de Som e Fúria", escrito por Adriana Simão, neste link.

domingo, 14 de abril de 2024

.: Relatos universais de Adriana Lunardi em nove contos e uma nota do destino


Arte e literatura são fio condutor para os textos que compõem "Contos Céticos", obra voltada para as relações humanas que marca a volta de Adriana Lunardi  às livrarias. O novo livro da premiada escritora surge como uma ode à literatura e suas expansões artísticas ao abordar temas como o luto, o plágio, a infância e a velhice, entre outros. O elemento que une os nove contos e o pequeno texto de encerramento, chamado de “Nota do Destino”, é a aposta na ficção para dar fora e desafiar o indizível da subjetividade humana.

O livro será lançado no Rio de Janeiro, no dia 8 de maio, na Janela Livraria, no Jardim Botânico, a partir das 19h00. No dia 25 de maio, a autora participa em Paris do Clube de Leitura da Embaixada do Brasil, e no dia 30 de maio é a convidada do Quartier du Livre, com a chancela da Librairie Portugaise & Brésilienne

Premiada com o Açorianos, o prêmio da Biblioteca Nacional para Obras em Andamento, o Fumproarte e o Icatu de Artes, ela dedicava-se nos últimos tempos à escrita de roteiros de um seriado de televisão. Para este livro, reuniu contos inéditos e outros que haviam sido publicados esparsamente em jornais e antologias. “Eu me dei conta de que todas as personagens tinham um olhar cético, desencantado, de quem não acredita muito no que era dado por certo”, diz a escritora sobre o título do livro, acrescentando que a publicação marca uma redescoberta do que ela vinha fazendo. “O livro reflete uma despretensão da minha parte, e a valorização da ficção como aposta estética para o que eu vinha vivendo”.

Em seus nove contos e uma nota do destino, conhecemos crianças erráticas, idosos mais erráticos ainda, escritores vaidosos e autoflagelados, e vislumbramos o que chamam de "loucura que acomete gênios e artistas", mas sequer chegamos perto de tocá-la – é impossível. Olhamos no olho do mistério porque, em "Contos Céticos", não há quarta parede diante do luto, das últimas imagens que se tem de alguém. Tudo pode ser maculado. Uma criança, a literatura, Paris.

Mas o que torna "Contos Céticos" uma coletânea excepcional são as imagens extraordinárias que a autora é capaz de criar a partir de elementos triviais da existência. Sua narrativa fascinante não vem apenas de uma habilidade magistral, mas de sua uma profunda intimidade com a palavra. O fio condutor que atravessa os contos deste livro não se estica e não se pretende linear, prefere antes partir-se e buscar o remendo, fazer nós e novelos; sua natureza, no entanto, é inequívoca, e diz: estou aqui para fazer literatura. Compre o livro "Contos Céticos", de Adriana Lunardi, neste link.


Sobre o livro
“Nestes contos, Adriana Lunardi – distante de modismos e dona de um teto todo seu na literatura brasileira – faz da dúvida e da ironia instrumentos para vasculhar uma realidade que glossários, fármacos ou truques diversos já não parecem mais capaz de manejar. Afiada, ela nos confronta com o nosso ridículo, mas também revela o que temos de belo quando as luzes diminuem e a afetação se cansa: salva-se, então, ‘um quê de ternura, um arrepio de poema’.” – Adriana Lisboa


Sobre a autora
Adriana Lunardi é autora de "Vésperas" (2002), "Corpo Estranho" (2006) e "A Vendedora de Fósforos" (2011). Foi publicada em Portugal, França e Argentina, entre outros países. Recebeu os prêmios Açorianos, Biblioteca Nacional para Obras em Andamento, Fumproarte e Icatu de Artes. É coautora do seriado de TV "Ilha de Ferro" (Globo, 2019). Nasceu em Santa Catarina e vive no Rio de Janeiro. Garanta o seu exemplar de "Contos Céticos", escrito por Adriana Lunardi, neste link.

sábado, 13 de abril de 2024

.: "A cobrança e a exaustão está deixando a sociedade doente", diz Fabiana C.O.


A escritora Fabiana C.O. publicou "Sra. Capa" para promover diálogos com mulheres acerca das consequências da sobrecarga feminina no cotidiano. Na entrevista abaixo, ela comenta sobre a importância da literatura para a discussão do tema, aborda as próprias experiências de vida e discute sobre os efeitos do excesso de responsabilidades no dia a dia.

Tudo leva a crer que as mulheres estão sobrecarregadas. E isso já foi constatado em dados: o Think Olga, organização não-governamental que promove equidade de gênero, registrou em levantamento que 86% das brasileiras consideram ter muita responsabilidade no cotidiano. Entre as entrevistadas de 36 a 55 anos, cerca de seis em cada dez afirmaram ser responsáveis diretamente por alguém. Fruto desta realidade de exaustão feminina, Fabiana C.O. decidiu utilizar a literatura para conscientizar sobre os efeitos do excesso de tarefas, deveres e obrigações.

Assim surgiu "Sra. Capa", que narra a tentativa de uma filha de entender a relação com a mãe. Aos poucos, ela percebe como a sobrecarga faz parte da vida da figura materna e como também está presente na própria vida. “Como mulher, eu fui ensinada, e vejo isso com todas ao meu redor, que precisamos dar conta de tudo, custe o que custar. Parece que em algum momento vamos ganhar uma estrelinha para pôr no peito. Infelizmente esse reconhecimento não chega e acaba levando muitas mulheres à exaustão”, explica a autora. Abaixo, ela comenta a importância de dar visibilidade ao tema por meio da literatura, relaciona o tema com a própria trajetória de vida e dá detalhes sobre o enredo da obra. Compre o livro "Sra. Capa", de Fabiana C.O., neste link.


Em “Sra. Capa”, você retrata a história de uma mulher comum que, com seus medos, traumas e problemas com a saúde mental, criou uma família inteira. Por que você decidiu dar visibilidade a essas situações, tão comuns no cotidiano das mulheres?
Fabiana C.O. - Trazer o comum foi fruto da minha observação, do quanto essa situação é tão normal que banalizamos. Quando um sentimento ou situação é banalizado, ele perde força e até deixa de existir. Como mulher, eu fui ensinada, e vejo isso com todas ao meu redor, que precisamos dar conta de tudo, custe o que custar. Parece que em algum momento vamos ganhar uma estrelinha para pôr no peito. Infelizmente esse reconhecimento não chega e acaba levando muitas mulheres à exaustão. Na verdade, o reconhecimento não devia ser buscado, e precisamos falar sobre isso. A cobrança, a exaustão e o não se olhar está deixando a sociedade doente. Mas como é tão comum e faz parte do que somos, não paramos para observar que algo precisa ser feito.


A narrativa é contada a partir da perspectiva de Sol, filha de Ana. Que paralelos você traça entre filha e mãe? Como as duas representam as relações familiares atuais?
Fabiana C.O. - Eu acredito muito na importância do olhar que precisamos ter para as pessoas do nosso convívio. Quando Sol narra a história de sua mãe, você percebe claramente a preocupação, o cuidado e um certo amor. Mas se você olhar por outro ângulo, você vê uma menina sobrecarregada, que não olha para a sua vida com o foco preciso. Costumo dizer que existe um padrão entre as personagens em alguns momentos. E esses padrões estão no nosso dia a dia; se a gente não olhar para isso, repetimos o que o ambiente familiar nos ensina. Atualmente temos a chance de termos relações com mais diálogos e trazer as trocas para um espaço de afeto e compreensão muito maior do que as gerações passadas. É nossa responsabilidade aproveitar e fazer diferente. Podemos encontrar um equilíbrio. Para mim as duas representam a chance de a gente olhar para isso independentemente da posição que atuamos.


Como a literatura é uma ferramenta para propor o diálogo sobre a sobrecarga das mulheres na sociedade?
Fabiana C.O. - Quando escolho a literatura, entendo que trago para o leitor aquela famosa frase: “parece vida real!  Você escreveu sobre mim”. A ficção do texto faz parte da vida de todos. Se eu apenas falasse sobre a mulher na sociedade em outros meios, a mensagem não teria o mesmo poder. A literatura é capaz de emocionar e de conectar. Literatura é arte, e acredito que essa conexão ultrapassa o ato de ler e entra no coração das pessoas. Depois de ler, a gente reflete, fala, revê e recalcula nossa própria rota se o problema lido faz parte do nosso dia a dia. Literatura é arte, e a arte tem o poder de tocar nossas almas.


Você é mãe e enfrentou uma luta contra crises de depressão. O que há de pessoal sobre sua própria história no livro “Sra. Capa”?
Fabiana C.O. - Comecei a ter crises de depressão com 15 anos, e minha mãe foi a pessoa que mais me apoiou e ficou ao meu lado. Quando ela teve um momento pós-luto do meu avô, eu já com meus 22 anos, não acreditei que ela não tinha o olhar e cuidado para com ela. Costumo dizer que 80% do livro é inspirado na observação que fiz com minha mãe e na sua história. Ela é nordestina, passou pelo luto paterno, saiu de sua terra ainda criança pois perdeu uma irmã e assim por diante. Tudo isso está no livro. A migração da minha mãe, assim como todas as adversidades que ela viveu a transformaram em uma “Sra. Capa”, e ela me criou. Não pontuo no livro vários fatores e crises minhas, mas algo importante na minha cura foi entender que eu precisava estar bem e me amar antes de amar minhas filhas. Foi uma quebra de padrão e um ensinamento muito importante. O pedir ajuda e falar com alguém também é algo que trago da minha experiência. Algo que eu busco semear no mundo.


Como você espera que as mulheres adultas recebam esta obra? E o que as jovens leitoras podem aprender com o livro?
Fabiana C.O. - Acredito que as mulheres adultas têm chance de conhecer suas capas. Torço para que elas entendam que achar um equilíbrio é importante. Algumas, mesmo em silêncio, poderão rever os sentimentos e a relação com sua mãe ou com filhas/filhos. Um olhar de empatia e entendimento pode ser iniciado. Se este ente querido tiver partido, acredito que o questionamento sobre a vida dessa pessoa irá surgir. A pessoa que lê “Sra. Capa” tem a chance de fazer diferente. Para as jovens, vejo a possibilidade de rever e construir essa capa com menos peso. De entender que sua mãe é um ser que sente, o que traz mais conexão e respeito entre as gerações. Minhas leitoras adolescentes sempre citam que deixaram de ver a mãe como heroína, e isso tem ajudado nas trocas do dia a dia.


“Sra. Capa” faz parceria com ONGs que profissionalizam mulheres em situação de vulnerabilidade. Pode contar mais sobre esse projeto?
Fabiana C.O. - Claro! Desde o começo, imaginei o livro sendo entregue em um saquinho de veludo vermelho. Busquei parcerias e apresentei a ideia para os dirigentes das ONG’S. As duas ONG’s atuam em comunidades e possibilitam uma nova profissão e ofício para as mulheres inscritas no curso de costura. Todas as participantes são remuneradas por cada saquinho produzido. O sorriso de uma costureira que faz 1 saquinho e da outra que faz 50 é o mesmo, pois você entende a superação de cada uma e de como aprender a costura e tudo que fizeram para chegar no produto final tem sentido e uma importância inexplicável. Já escutei de uma mulher: “consegui um emprego, pois aprendi a mexer na máquina overlock costurando o seu saquinho”. Meu coração fica como? Enorme! Isso dá outro peso para o meu trabalho, faz eu acreditar mais.

Sobre a autora
Empresária com MBA em Gestão de Empresas e Negócios, pós-graduação em Filosofia e Autoconhecimento e formação em Marketing de Moda, Fabiana Carvalho de Oliveira nasceu em Guarulhos e mora na capital de São Paulo. Após 15 anos de trabalho no mercado têxtil, decidiu explorar o mercado editorial e conversar com o público feminino ao publicar "Sra. Capa". A obra, que trata sobre a sobrecarga feminina, complementa a trajetória profissional que hoje a autora trilha: é palestrante em escolas, empresas e ONGs para falar sobre o valor do autoconhecimento e de respeitar os próprios sentimentos. Também é fundadora do “Eu Posso Ser Você”, espaço de escrita voltado para mulheres. Com essa mudança na carreira, passou a assinar como Fabiana C.O. Garanta o seu exemplar de "Sra. Capa", escrito por Fabiana C.O., neste link.

.: Tuca Andrada estreia no Sesc Pompeia encenação sobre o poeta Torquato Neto


O ator Tuca Andrada estreia em São Paulo, no Sesc Pompeia, na próxima terça-feira, 16 de abril, às 20h30, encenação sobre o artista e poeta Torquato Neto. A peça “Let´s Play That, ou Vamos Brincar Daquilo” faz curta temporada até 10 de maio. De terça a sexta, às 20h30, no Espaço Cênico da unidade. Criado a partir da leitura de “Torquatália”, uma antologia de obras de Torquato Neto, conduzida por Paulo Roberto Pires, a vida e obra de Torquato Neto ganham uma nova dimensão ao migrarem do universo literário para o palco teatral.

No espetáculo sem quarta parede e com duração de 80 minutos, Tuca Andrada apresenta as impressões e marcas que teve ao se envolver com o poeta e convoca o público a interagir; perguntando, fazendo críticas e tirando dúvidas, o que o torna sempre renovado a cada noite.

O espetáculo se desenvolve numa arena ou semi arena onde o público esta dentro da ação. Como se numa roda de amigos o ator começasse a contar a história de um artista inclassicável/não enquadrável, sobre qualquer aspecto, e o efeito produzido dessa obra nesse ator. Durante pouco mais de uma hora, o mundo e o tempo de Torquato Neto toma conta do ator e ele narra sua visão da história, com a ajuda apenas de um banco, sonoplastia, música, dança e com um chão coberto com poesias do Poeta.

“Não há efeitos grandiosos de luz, apenas atmosferas que vão se estabelecendo com o correr da peça. O figurino é simples também, apenas uma calça e camiseta brancas. A ideia é retomar a simplicidade do contador de estórias, do repentista, do cantador de feira que apenas com a voz e o corpo conduz a audiência para fora do tempo presente, transportando-a para outros universos. E os universos de Torquato são muitos”, diz Tuca. Poeta, jornalista, agitador cultural, compositor, cineasta, ator e um dos ideólogos do movimento mais importante na cultura brasileira, na segunda metade do século XX, a Tropicália.

Torquato era antes de tudo um apaixonado pelo Brasil e pelas diversas formas de Comunicação. Apesar de uma vida curta – se matou aos 28 anos – mudou radicalmente a maneira de se fazer poesia e jornalismo no país. Nunca publicou um único livro em vida, mas sua obra continua reverberando em muitos artistas brasileiros até hoje, haja vista, o presente espetáculo.

Durante a peça o público também é convidado a participar; opinando, criticando, sendo livre para falar o que quiser. Dessa maneira o espetáculo se reconstrói em cada récita, marcando assim uma característica fundamental na obra torquatiana que é o de se reconstruir a cada momento.


Tuca Andrada
Ator, cantor, diretor e produtor. Profissionaliza-se em Recife, sua cidade natal e muda-se para o Rio de Janeiro, onde atua em diversas peças de teatro, filmes e novelas. No Teatro fez: “Rocky Horror Show”, “O Mercador de Veneza”, “Salomé”, “Qualquer Gato Vira-Lata tem uma Vida Sexual mais Sadia que a Nossa”, “O Beijo da Mulher Aranha”, “Veneza”, “Orlando Silva, o Cantor das Multidões”, “O Rei e Eu”, “Seis Aulas de Dança em Seis Semanas”, “Elis, A Musical” e “A Visita da Velha Senhora“.

Na Televisão atuou nas novelas: “O Dono do Mundo”, “Anos Rebeldes” (minissérie), “Fera Ferida”, “As Pupilas do Senhor Reitor”, “O Amor está no Ar”, “Era Uma Vez”, “Suave Veneno”, “As Filhas da Mãe”, “Os Mutantes – Caminhos do Coração”, “Cordel Encantado”, “Dercy, de Cabo a Rabo”, “Amor de Mãe” entre outras.

Fez parte do elenco dos filmes: “Quem Matou Pixote?”, “Doces Poderes”, “Guerra de Canudos”, “Não me condenes antes que me explique”, “Lara”, “Mulheres do Brasil”. Trabalhou com diretores como: Bibi Ferreira, Amir Haddad, Miguel Falabella, José Possi Neto, Dennis Carvalho, Jorge Fernando, Wolf Maia entre outros.


Maria Paula Costa
Licenciada em Artes Cênicas/UFPE, em Dança na Sorbonne/FR e com Especialização em Coreografia/UFBA. Iniciada em dança pelas Mestras Maria Fux (AR) e Enila de Resende (PE) ainda adolescente. Aos 19 anos, entrou para o Balé Popular do Recife, sendo iniciada no universo danças festivas da Tradição Popular.

Morou em Paris por 11 anos, onde retomou os estudos em dança (Licence em Danse – Paris VIII), frequentou aulas com Laura Proença (Escola Mudra de Maurice Béjart) por 6 anos, e foi interprete e coreógrafa da Cie Les Passagers, de dança aérea. Ao retornar ao Brasil em 2000, criou o Grupo Grial de Dança a convite do escritor Ariano Suassuna. Junto ao Grial criou 13 peças coreográficas. Em 2011, foi indicada como Melhor Espetáculo pela Folha de São Paulo com a peça coreográfica Travessia.

Em 2013 recebeu o APCA de Criadora Interprete, com Terra. Dirigiu o espetáculo de música O Duelo da Rabeca com o Violino com Maciel Salu e Israel França; os espetáculos infantis Dom Quixote no Reino do Meio Dia, e Na Mancha Ninguém me Pega. Exerceu o cargo de Assessora de Dança na SECULT/PE, de 2018 até agosto 2022.

Ficha técnica (São Paulo)
“Let´s Play That, ou Vamos Brincar Daquilo”
Criação: Tuca Andrada, a partir da obra e vida de Torquato Neto
Direção: Tuca Andrada e Maria Paula Costa Rêgo
Elenco: Tuca Andrada
Direção de Movimento: Maria Paula Costa Rêgo
Direção Musical: Caio Cezar Sitonio
Criação de Luz: Caetano Vilela
Técnico e operação de luz: Rodrigo Palmieri
Assistente Iluminador (Programador): Nicolas Caratori
Técnico / Operadora de som: Cecília Lüzs
Contra-regra: Mauro Sérgio Feles
Cenário e Figurino: Tuca Andrada e Maria Paula Costa Rêgo
Parangolé: Izabel Carvalho
Músicos: Caio Cezar Sitonio e Pierre Leite
Fotografia: Ashlley Melo
Produção Executiva: Tuca Andrada, Adriana Teles e Ana Tito Menezes
Direção de produção - São Paulo: Vany Alves
Projeto Gráfico: Humberto Costa
Realização: Iluminata Produções Artísticas LTDA
Co-produção - São Paulo: Inventos


Serviço
"Let’s Play That ou Vamos Brincar Daquilo", com Tuca Andrada
Sesc Pompeia – Rua Clélia, 93. Não temos estacionamento.
As sessões dos dias 18 e 25 de abril, 2 e 9 de maio, quintas-feiras terão interprete de Libras.
Duração: 80 minutos
16 anos
Ingressos: R$ 12,00 (credencial plena), R$ 20,00 (meia-entrada) e R$ 40,00 (inteira).
Local: Espaço Cênico
50 lugares
Ingressos à venda online a partir do dia 09/4, às 17h, e nas bilheterias a partir do dia 10/4, às 17h

quinta-feira, 11 de abril de 2024

.: "Caro Professor Germain": as cartas de Albert Camus para Louis Germain


Assim que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, , uma das primeiras pessoas em quem Albert Camus pensou foi o professor, o Sr. Louis Germain. Sem ele, segundo o próprio Camus, nada disso teria lhe acontecido. Inédito no Brasil, "Caro Professor Germain: cartas e Escritos" é um testemunho do amor, do respeito e do carinho nutridos entre aluno e professor. A tradução é de Ivone Benedetti.

Neste livro, são reunidas pela primeira vez cartas que Albert Camus e Louis Germain trocaram ao longo dos anos, repletas de carinho e admiração mútuos. Além disso, contém o texto “A Escola”, de "O Primeiro Homem" , romance inacabado de Camus no qual Germain é a inspiração para o personagem Bernard, um professor severo, rigoroso, mas, acima de tudo, extremamente afetuoso e apaixonado pelo magistério. "Caro Professor Germain" é uma homenagem à relação de gratidão e carinho entre um aluno e seu professor e um testemunho inspirador do poder de mudança da educação. Compre o livro "Caro Professor Germain: cartas e Escritos" neste link.


Trecho de uma das cartas

“19 de novembro de 1957

Caro senhor Germain,

Deixei que arrefecesse um pouco o ruído que me cercou todos estes dias antes de vir falar um pouco com o senhor do fundo do coração. Acabam de me render uma honra demasiadamente grande, que não busquei nem solicitei. Mas, quando fiquei sabendo da notícia, meu primeiro pensamento, depois de minha mãe, foi para o senhor. Sem o senhor, sem essa mão afetuosa que se estendeu para o menininho pobre que eu era, sem seu ensinamento e seu exemplo, nada disso teria me acontecido.

[...]

Abraço-o com todas as minhas forças.

Albert Camus”


Sobre o autor
Albert Camus foi um jornalista, filósofo e escritor francês nascido na Argélia, em 1913. Seus trabalhos contribuíram com o crescimento da corrente de pensamento conhecida como absurdismo. Entre as maiores obras do autor estão "A Peste""O Estrangeiro" e "A Queda". Um dos grandes autores do século XX, Camus recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1957, três anos antes de sua morte. Compre o livro "Caro Professor Germain: cartas e Escritos" neste link.

.: "Máquina de Leite", de Szilvia Molnar, é um retrato visceral da maternidade


O romance "Máquina de Leite", de Szilvia Molnar, é um retrato cru e visceral da experiência da maternidade. Com tradução de Marcela Lanius no Brasil, o livro teve os direitos de tradução vendidos para oito países. No romance, um casal que vive em Nova Iorque, uma gravidez e o nascimento da primeira filha. O enredo poderia ser idílico, não fosse permeado pela crueza da experiência da maternidade tão bem explorada neste "Máquina de Leite".

“Eu era tradutora, mas agora sou uma máquina de leite”, percebe a narradora a certa altura. E essa autopercepção parece ditar o tom do romance: a consciência de uma transformação completa, dolorosa e incontornável. Acostumada a trabalhar de casa e sozinha, a narradora, que não é nomeada no livro, constata que ficar isolada no apartamento com a bebê recém-nascida traz conflitos e sentimentos de outra ordem. Antes havia amigos por perto, livros para traduzir, conversas, uma vida conjugal. Agora, seu corpo exausto e sua existência giram em torno apenas de nutrir outro ser.

John, o marido, embora bem-intencionado, não consegue sequer chegar à superfície do turbilhão por que está passando a esposa, seja por questões físicas, seja porque praticamente não parou de trabalhar quando a filha nasceu. Assim, em seus dias de isolamento e cansaço, a mãe desenvolve uma estranha relação de amizade com o vizinho viúvo do andar de cima, que se torna a sua única companhia além da bebê.

As visitas que aparecem de vez em quando e deixam palavras de apoio, mas nunca voltam para ajudar, as noites em claro, os pensamentos que flutuam pela mente esgotada de uma mulher que vira mãe: isso tudo é narrado de forma impressionante. Neste livro, a prosa é afiada, conduzida por uma tradutora do sueco para o inglês que medita sobre as palavras, sobre seus sentidos, significados e ressignificados, resultando em um texto trabalhado e conciso, profundo e cruel.

"Máquina de Leite" mescla a descrição dura do pós-parto com os momentos luminosos da descoberta da gravidez, colocando lado a lado alegria e culpa, dor física e afeto, expectativas e frustrações, até que a vida da mãe volte a se equilibrar e ela consiga, enfim, recuperar a sensação de algum controle. Compre o livro "Máquina de Leite" , de Szilvia Molnar, neste link.
 

O que disseram sobre o livro
“Molnar escreveu um romance ousado e muito necessário que tem um pouco da qualidade inabalável da poesia tardia de Sylvia Plath.” - The Atlantic

"Um livro essencial e surpreendentemente emocionante sobre a maternidade... Uma sensação de violência iminente.” - Claire Dederer, The New York Times Book Review


Sobre a autora
Szilvia Molnar
nasceu em Budapeste, cresceu na Suécia e vive nos Estados Unidos. Trabalha em uma agência literária e já colaborou com veículos como Guernica, Lit Hub, The Buenos Aires Review e Neue Rundschau. Garanta o seu exemplar de "Máquina de Leite" , escrito por Szilvia Molnar, neste link.

domingo, 7 de abril de 2024

.: Uma Família Feliz: Raphael Montes chega à lista dos mais vendidos

Raphael Montes. Foto: divulgação


Raphael Montes já vendeu mais de 500 mil exemplares dos seus oito livros e segue surpreendendo o público. Seu novo romance, "Uma família feliz", começa pelo último capítulo e apenas uma semana depois de ser lançado chegou à lista dos livros mais vendidos.

O autor teve a ideia deste thriller psicológico há alguns anos e em uma conversa com o diretor José Eduardo Belmonte decidiram trabalhar neste projeto para transformá-lo em filme. Protagonizado por Grazi Massafera e Reynaldo Gianecchini, o longa Uma família feliz chega aos cinemas nesta quinta, 04 de abril. Com o roteiro do filme pronto, Raphael decidiu fazer dessa história também um livro. E mais uma vez cativou seu público ao fazer um caminho inverso ao tradicional.

No livro, o autor desbrava as tensões das relações familiares e do mundo de aparências de um condomínio perfeito, em uma trama complexa sobre infância e maternidade. Eva tem a vida perfeita. Seu marido é um jovem advogado em ascensão. Suas filhas gêmeas são lindas, inteligentes e saudáveis. Seu trabalho, a arte reborn, é um sucesso na internet. À sua volta, tudo está à mão: o Blue Paradise, condomínio fechado de classe média-alta na Barra da Tijuca, oferece todo tipo de serviço para que ela não precise sair do conforto de seu lar. Eva tem a vida perfeita — até descobrir que está grávida e seu mundo virar de cabeça para baixo.


Compre "Uma família feliz", de Raphael Montes aqui: amzn.to/3SC2ZAp


“Um thriller que coloca o dedo na ferida das famílias idealizadas.” — Vera Iaconelli


“Um suspense arrebatador! Eva é uma personagem complexa, vive no fio da navalha sob expectativas sociais tentando equilibrar as exigências da maternidade e as pressões de uma vida de aparências. Sem dúvida, muitas mulheres vão se identificar. Essa história me arrepiou desde o primeiro momento!” — Grazi Massafera



Livro: Uma família feliz

Autor: Raphael Montes

352  páginas

Lançamento: 13/03/24


Compre "Uma família feliz", de Raphael Montes aqui: amzn.to/3SC2ZAp


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terça-feira, 2 de abril de 2024

.: Livro conta curiosidades da língua portuguesa e derruba mito


Em "Assim Nasceu Uma Língua", publicado pela Tinta-da-China Brasil, linguista Fernando Venâncio desfaz preconceitos linguísticos e conta a história do português a partir da formação das palavras.


Dos dois lados do oceano, aprendemos a nos orgulhar das origens latinas, supostamente diretas, da língua portuguesa que usamos todos os dias. Mas será que foi assim mesmo? Em "Assim Nasceu Uma Língua: sobre as Origens do Português", o linguista português Fernando Venâncio demonstra que o idioma de Camões nos chegou de Roma de forma oblíqua, e é na realidade uma variação do galego, língua de pastores de ovelhas do noroeste da Espanha. Em outras palavras, menos latim em pó, e mais o sumo da língua galega. 

Com graça, conhecimento e espírito crítico, Assim nasceu uma língua mostra como a ideia de uma pureza latina serviu a projetos nacionalistas desde o século 13 até o 21. O livro chega às livrarias brasileiras em maio pela Tinta-da-China Brasil, com prefácio do linguista Marcos Bagno e capa de Vera Tavares. 

No prefácio especialmente escrito para a edição brasileira, o linguista Marcos Bagno, autor de Preconceito linguístico, destaca a importância da obra de Venâncio: “Para o público leitor brasileiro, muito do que se diz neste livro há de causar surpresa, espanto e até indignação. Os mitos culturais muito impregnados no senso comum resistem com brio às investidas da racionalidade”.

A prosa de cronista e o rigor de linguista e crítico literário de Venâncio revelam também, por meio de exemplos e boas histórias, que o sabor de muitas palavras do nosso cotidiano tem um herói quase desconhecido: o til, sinal gráfico que ao saltar para cima de certas vogais tornou-se uma das marcas da personalidade da nossa língua. 

Assim nasceu uma língua conta essa história a partir das transformações das palavras do galego em português, buscando alguns dos fenômenos que tornaram a língua tão nossa, como o ditongo “ão”. As palavras são as protagonistas dessa história, o que dá especial sabor ao livro, escrito com didatismo e voltado para todos os leitores, especializados ou não. O conhecimento de linguista se combina ao olhar do leitor apaixonado pela língua literária. Nem por isso endossa o seu uso político através dos tempos, inclusive os dias de hoje, quando o nacionalismo volta a preocupar o mundo. E uma das lições do livro de Venâncio é a de que a ideia de língua nacional sempre é instrumentalizada pelos oportunistas na política.

Venâncio desmonta a mitologia que precisou apagar a origem galega do português para revesti-la de uma origem clássica e pura, mais adequada às ambições de grandeza de Portugal no século 16, quando a expansão marítima fez do país um dos maiores impérios coloniais. Como Venâncio escreve no livro, “denominar português qualquer variedade linguística anterior a 1400 é resvalar num anacronismo, e pelo menos numa sofrível incongruência. Até essa data, Portugal utilizou a língua que herdara ao fazer-se independente: o galego”.

O império colonial já não existe mais, mas a língua permaneceu, transformada por seus novos falantes. Na avaliação de Marcos Bagno, “o que melhor se faz nesta obra é, acredito, a demonstração – e consequente desmonte – de alguns dos mais arraigados mitos que circulam há muito tempo na cultura linguística de Portugal e, herdeiros que somos dela, na cultura linguística do Brasil também”. 

Ao ser publicado em Portugal em 2018, Assim nasceu uma língua surpreendeu os leitores ao abrir o que Venâncio chamou, numa entrevista à imprensa portuguesa, de “alçapões da História do nosso idioma”. Dentro de um desses “alçapões” está, por exemplo, “a intimidade com o galego e a proximidade com o castelhano”. “Ainda hoje juraríamos que ‘genérico’, ‘diamantino’ ou ‘pressuroso’ eram latinismos, mas não, foram criados pelo castelhano e importados pelo português. Uma coisa semelhante, aliás, se deu, e ainda se está a dar hoje, no galego.”

Português e galego, línguas irmãs
Aprendemos na escola que a língua portuguesa nasceu por volta do século 12, ao mesmo tempo que se fundava, no extremo oeste da Península Ibérica, o primeiro Estado nacional moderno de que se tem notícia: o Reino de Portugal. A data precisa seria 1214, quando o rei dom Afonso II redigiu seu testamento, considerado a certidão de nascimento da nova língua nacional. Mais adiante, com Camões, o idioma alcançaria toda a sua glória, consagrando-se, de acordo com o verso do autor de Os Lusíadas, como “última flor do Lácio” — isto é, com um inequívoco DNA latino, vindo “diretamente” de Roma.

O que Fernando Venâncio faz neste livro provocativo é demonstrar que não foi bem assim. E que a rigor o idioma do testamento de Afonso II nada mais é do que o galego. A criação da nossa língua, que hoje tem cerca de 280 milhões de falantes no mundo, vem de bem antes de existir Portugal. A partir do século 7, ainda na alta Idade Média, formou-se no norte da Península Ibérica — na Galiza, cujas maiores cidades são Santiago de Compostela, Corunha e Vigo —, uma nova língua latina, que não apenas daria origem ao português atual, mas resiste até os dias de hoje. 

O galego sobreviveu à hegemonia do castelhano durante a unificação da Espanha e, no século 20, à imposição do castelhano nas escolas, sob o franquismo. Hoje o galego é uma das línguas oficiais da Espanha, mas soa mais próximo do português que do castelhano. O leitor brasileiro que fizer a tentativa de ler um jornal em galego, por exemplo, não terá maiores dificuldades de compreensão. Basta ler uma frase, do presidente da Real Academia Galega, Victor Freixane, diretamente em galego: “O portugués e o galego nacen num mesmo territorio e cunha experiencia histórica común, a Gallaecia. Somos, pois, linguas irmás, ningunha submetida à outra”.

O livro foi recebido com entusiasmo e surpresa ao ser publicado em Portugal e ganhou resenha do historiador Rui Tavares, publicada no jornal Público: “Assim nasceu uma língua é um ensaio que transporta em cada linha o entusiasmo que o autor tem pelo estudo da história da nossa língua, que sabe explicar clara e concisamente o que é confuso, que avança hipóteses histórico linguísticas ainda pouco conhecidas do grande público e que não se furta à polémica, dando gosto de ler mesmo quando não se concorda necessariamente com tudo”.  

O poeta, ator e humorista Gregorio Duvivier é outro entusiasta do livro de Venâncio. Para ele, “Fernando Venâncio faz do nascimento dessa língua românica um romance. Na contramão dos puristas e patriotas, prova que foi o português que veio do galego, e não o contrário — ops, desculpem pelo spoiler. Como numa tragédia grega (ou galega), percebemos que foi o filho que pariu seu pai — para depois degluti-lo em mil pedaços. Afinal, foram os galegos que nos ensinaram a comer as consoantes, e logo em seguida nós é que os comemos, na mesma cama de Caminhas e Camões. Uma coisa é certa: nunca a etimologia foi tão fascinante — uniu galegos e baianos”

Novo Acordo Ortográfico
Tendo lecionado na Holanda durante décadas e hoje aposentado no interior de Portugal, Venâncio é um conhecedor da história do idioma e observador fino de suas expressões contemporâneas. Assim nasceu uma língua foi definido na imprensa portuguesa como “o livro de uma vida”, fruto da “curiosidade” e da “vontade de ir até onde ninguém tinha ido”.

É um crítico severo do Novo Acordo Ortográfico de 1990, que tentou unificar as diferentes grafias dos países de língua portuguesa, mas não pelos argumentos nacionalistas que muitos empregaram em seu país. Venâncio apontou inúmeros problemas e contradições na aplicação do Acordo em Portugal. “Este Acordo surgiu da ingénua convicção de que a grafia do português europeu era ordenável a nosso bel-prazer. Não é”, escreveu. 

A única vantagem do Acordo, segundo ele, não foi de fato percebida pelos seus criadores: a primazia da pronúncia sobre a etimologia, dando um protagonismo inédito ao português falado. “Pela primeira vez no nosso secular debate ortográfico, a Pronúncia é feita critério decisivo da grafia, assim destronando a Etimologia do topo do pódio, invertendo beneficamente a hierarquia. Mas foi mais sorte que esperteza, já que nunca os autores e promotores do Acordo reivindicaram o cometimento. Só que, no momento de ser aplicada a Portugal essa sã primazia da Pronúncia, as coisas correram mal.” 

No mesmo artigo, Venâncio deseja ao Acordo uma “rápida e humana morte” e o qualifica como “brilharete político”. Entre os exemplos de aplicação esdrúxula que ele cita estão as grafias “cócix” (cóccix), “helicótero” (helicóptero), “núcias” (núpcias), “oção” (opção), “óvio” (óbvio), “rétil” (réptil), “sução” (sucção), “tenológico” (tecnológico). 

Em entrevistas e em seu livro "O Português à Descoberta do Brasileiro", Venâncio tem buscado mostrar que os portugueses não devem temer a influência do português do Brasil em solo europeu. O uso do português brasileiro nas escolas, universidades, documentos públicos e nos exames em geral vem gerando embates em Portugal. Compre o livro "Assim Nasceu Uma Língua", de Fernando Venâncio, neste link.

Sobre o autor
Fernando Venâncio
(Mértola, 1944) é formado em Linguística Geral na Universidade de Amsterdam, onde se doutorou e da qual foi professor. Ensaísta, crítico literário e tradutor, colabora com veículos portugueses de destaque, como Jornal de Letras (JL), Expresso, Colóquio/Letras e as revistas Ler e Visão. É autor de diversos livros, entre eles José Saramago: A luz e o sombreado (2000), Objetos achados: Ensaios literários (2002) e O português à descoberta do brasileiro (2022). Assim nasceu uma língua: Sobre as origens do português foi publicado em 2019 em Portugal e no ano seguinte recebeu o prêmio de ensaio Jacinto do Prado Coelho, da Associação Portuguesa dos Críticos Literários. Garanta o seu exemplar de "Assim Nasceu Uma Língua", escrito por Fernando Venâncio, neste link.

segunda-feira, 1 de abril de 2024

.: Lançamento de livro: "Puro", o novo e incômodo romance de Nara Vidal


"Puro", de Nara Vidal, é o novo – e incômodo – romance da vencedora do Oceanos e finalista dos prêmios Jabuti e São Paulo de Literatura. No livro, que tem capa elaborada por Violaine Cadinot, tudo acontece na década de 1930, Santa Graça, em Minas Gerais. O que poderia ser um vilarejo idílico, uma “referência de virtude e limpeza no território nacional” — e é nisso que alguns de seus habitantes estão tentando transformá-la. 

O casarão misterioso onde vivem Lázaro, menino de seus 15 anos, e as três velhas que o adotaram quando bebê é o epicentro desta narrativa, que toma rumos cada vez mais surpreendentes. Ali e na casa ao lado, trabalha Íris, vinda da parte mais pobre da cidade, o Mata Cavalo, de onde também vêm as crianças que andam pela rua pedindo comida e procurando brincadeiras.

São Íris e Ícaro, o garoto doente que “só sabe babar e cair”, os verdadeiros protagonistas deste romance. São eles o retrato de tantos crimes e injustiças que conhecemos até hoje: o racismo, o capacitismo, a desigualdade social tão marcada que se abre em diferentes tipos de abuso, dos mais evidentes aos mais sutis. E são eles também que desvendarão o plano de horror do vilarejo e os segredos que rondam por ali: o que dr. Lírio e Olavo tramam juntos com sua Enciclopédia da Eugenia Brasileira? O que faz o padre Arcanjo na sacristia? Quem é Helga, a enfermeira de família alemã que cuida das crianças com deficiência? Ao chegar inadvertidamente perto das respostas, os dois se veem obrigados a enfrentar as consequências de seus atos.

A estrutura criada por Nara Vidal, enxuta como só uma autora com ampla experiência em contos consegue fazer, nos revela não apenas o que dizem e fazem os personagens, mas o que sentem e pensam. Mais importante, explicita o abismo que existe com frequência entre uma coisa e outra (com exceção de alguns, como dona Rosa, que diz exatamente o que pensa e sente, sem esconder o ódio pelos pretos de Santa Graça). 

Nessa estrutura, em que não há diálogos, mas monólogos internos e externos, a autora consegue restituir ao garoto Ícaro a autonomia que lhe é tirada por seus cuidadores e superiores. Ao mesmo tempo, garante que compreendamos a complexidade da vida e dos crimes de que Íris é vítima cotidianamente. Com uma prosa direta, Nara Vidal envolve os personagens no contexto histórico do movimento eugenista brasileiro, neste romance inovador e, acima de tudo, corajoso. Compre o livro "Puro", de Nara Vidal, neste link.


Sobre a autora
Nara Vidal nasceu na cidade mineira de Guarani e é formada em letras pela UFRJ, com mestrado em artes e herança cultural pela London Met University. É autora dos romances "Sorte" (Moinhos, 2018), que obteve o terceiro lugar no Prêmio Oceanos, e "Eva" (Todavia, 2022), finalista do Prêmio São Paulo de Literatura, além do livro de contos "Mapas para Desaparecer" (Faria e Silva, 2022), finalista do Jabuti, entre outros. Foto: Bruna Casotti. Garanta o seu exemplar de "Puro", escrito por Nara Vidal, neste link.

.: Carlos Drummond de Andrade volta com tudo às livrarias em novas edições

O livro "Declaração de Amor" volta às livrarias este mês em edição revista e ampliada, com a seleção dos mais belos poemas de amor de Carlos Drummond de Andrade. O novo projeto gráfico da capa traz ilustração de Mariana Massarani, que já assinava o miolo da edição anterior de 2005. A fixação de texto é de Edmílson Caminha, que tem acesso inédito ao acervo de exemplares anotados e manuscritos deixados por Drummond. 

Mas não é só isso. Em abril, a Record relança três clássicos de Drummond: "Amar se Aprende Amando" , "Moça Deitada na Grama" e "Contos de Aprendiz". Os livros apresentam bibliografias completas, uma cronologia de vida e obra do poeta e as variantes no processo de fixação dos textos, disponíveis por meio do código QR localizado na quarta capa dos volumes


Drummond romântico é vida
Coletânea de poemas de amor de Carlos Drummond de Andrade, o livro "Declaração de Amor", organizada por dois de seus netos, Luis Mauricio Graña Drummond e Pedro Augusto Graña Drummond, e por Edmílson Caminha, estudioso de sua obra volta às livrarias em edição revista e ampliada, com capa dura, com acréscimo de seis poemas do livro "Poesia Errante": “A Essa Altura da Vida”, “Amor - Eu Digo”, “Canção de Namorados”, “Nossa História de Amor”, “Papinho Lírico no Dia dos Namorados” e “Quero Sentir”. Um presente ideal para quem se ama. Compre o livro "Declaração de Amor", de Carlos Drummond de Andrade, neste link.



Um panorama das diferentes formas de amar
Publicado originalmente em 1985, dois anos antes da morte de Drummond, "Amar se Aprende Amando" revela as diferentes facetas do amor. Dividido em três partes, o amor carnal, o amor da amizade e o amor pelas cidades, o livro encerra trilogia com "O Corpo" e "O Amor Natural". Posfácio de Bruno Gambarotto. Compre o livro "Amar se Aprende Amando", de Carlos Drummond de Andrade, neste link.


Crônicas com misto de ficção e não-ficção
Último livro em prosa organizado por Carlos Drummond de Andrade, publicado três meses após sua morte, "Moça Deitada na Grama" reúne 70 crônicas, carregadas de lirismo e poesia. Drummond vai do popular ao filosófico, equilibrando-se entre a realidade e o devaneio, com ênfase em conversas cotidianas e nos tipos cariocas. Posfácio de Tom Farias. Compre o livro "Moça Deitada na Grama"de Carlos Drummond de Andrade, neste link.


Ideias e emoções complexas de maneira simples
Publicado em 1951, "Contos de Aprendiz" marca a estreia de Carlos Drummond de Andrade nas narrativas propriamente ficcionais. Nascido em uma região rural, ele incorpora essa experiência em muitas dessas quinze histórias. Aos poucos, as crônicas avançam em direção às grandes cidades. Autor consagrado, nosso maior poeta se revelava também um grande ficcionista. Posfácio de Lauro Moreira. Compre o livro "Contos de Aprendiz", de Carlos Drummond de Andrade, neste link.


Sobre o autor
Carlos Drummond de Andrade
nasceu em Itabira, Minas Gerais, em 1902. Poeta, contista e cronista, considerado um dos maiores nomes da poesia brasileira do século XX, foi autor, entre outros, de "Alguma Poesia", "Brejo das Almas", "Sentimento do Mundo", "Claro Enigma", "Fazendeiro do Ar" e "Fala, Amendoeira". Faleceu no Rio de Janeiro, em 1987, aos 84 anos.

domingo, 31 de março de 2024

.: "Dolores Claiborne": livro aclamado de Stephen King volta com novo nome


Publicado nos anos 1990 como "Eclipse Total" e há décadas esgotado no país, um dos livros mais aclamados de Stephen King retorna ao mercado brasileiro em edição especial da Biblioteca Stephen King, com outro nome, nova tradução e conteúdo extra. "Dolores Claiborne" é um suspense poderoso e inesquecível sobre uma mulher que esconde um segredo perturbador.

Faz décadas que Dolores Claiborne trabalha para Vera Donovan, milionária dona de uma mansão na ilha Little Tall, no Maine. Determinada, com três filhos para criar, Dolores enfrentou desde o início a personalidade tempestuosa da patroa e, diferente de incontáveis antecessoras, conquistou a confiança da mulher e a estabilidade no emprego.

Quando Vera morre em um acidente, porém, todas as suspeitas caem sobre a funcionária. Questionada pelas autoridades, Dolores faz uma confissão e revela, durante seu testemunho, algo inesperado pela polícia: uma história sobre um relacionamento abusivo e a misteriosa morte de seu marido, que ocorreu 30 anos antes, em Little Tall.

Publicado no Brasil com o título "Eclipse Total" e adaptado para o cinema em 1995, com atuação de Kathy Bates, "Dolores Claiborne" é um suspense psicológico de tirar o fôlego. O relato comovente e inquietante da protagonista faz deste um dos romances mais originais de Stephen King. Compre o livro "Dolores Claiborne", de Stephen King , neste link.

Sobre o autor
Stephen King nasceu em Portland, no Maine, em 1947. Em 1974, publicou Carrie, seu livro de estreia, que logo se tornou um clássico contemporâneo. Já escreveu mais de 70 best-sellers mundiais, como "Depois", "O Iluminado", "It: a Coisa", "Misery" e "À Espera de Um Milagre". Em 2003, recebeu a medalha de Eminente Contribuição às Letras Americanas da National Book Foundation e, em 2007, foi nomeado Grão-mestre dos Escritores de Mistério dos EUA. Ele mora em Bangor, no Maine, com a esposa, a escritora Tabitha King. Garanta o seu exemplar de "Dolores Claiborne", escrito por Stephen King , neste link.

.: "Instinto Materno", de Barbara Abel, o livro que inspirou o filme em cartaz


Um thriller psicológico eletrizante sobre perda, culpa e as complexidades das relações humanas... Até onde o ódio, o medo e a vingança podem nos levar? No livro "Instinto Materno", escrito por Barbara Abel e publicado pela Globo Livros, os Geniot e os Brunelle são amigos inseparáveis. Os dois casais vivem em casas geminadas em um bairro tranquilo e têm filhos da mesma idade, que crescem juntos, como irmãos. Até que um trágico acidente acontece com Maxime, filho de Tiphaine e Sylvain Geniot. 

Enquanto o casal é atormentado pela tristeza e amargura, David e Laetitia Brunelle são tomados pela culpa. O livro inspirou o filme homônimo que está em cartaz na Rede Cineflix Cinemas, e coloca frente a frente Anne Hathaway e Jessica Chastain, duas vencedoras do Oscar contracenando em um jogo de gato e rato em que não se sabe quem é a mocinha, nem a vilã.A tradução é de Érika Nogueira. Confira a  crítica do filme neste link: "Instinto Materno" entrega desfecho cruel e inimaginável.

No romance publicado pela Globo Livros, o relacionamento entre os casais começa a se deteriorar à medida que a suspeita e a paranoia se instalam e uma série de misteriosos acidentes começa a acontecer com Milo, filho dos Brunelle, despertando a desconfiança de Laetitia. Será que seus antigos melhores amigos estão tentando puni-los ameaçando seu filho? Laetitia, cada vez mais paranoica, tenta desesperadamente proteger Milo do perigo e a pouca civilidade restante entre as duas famílias se transforma em uma hostilidade declarada. Laetitia estaria apenas imaginando coisas? Ou será que Sylvain e Tiphaine estão mesmo conspirando secretamente contra os vizinhos?

"Instinto Materno" é uma história sobre perda, culpa e os extremos a que somos levados pela dor. A autora Barbara Abel mergulha profundamente no coração e na mente dos personagens para explorar os limites da amizade e o poder avassalador do amor materno. Uma trama sombria e repleta de tensão, com um final surpreendente. A obra é ideal para os fãs de suspenses, como "A Garota no Trem", "Garota Exemplar" e a série "Os Outros", da Globoplay. Compre o livro "Instinto Materno", de Barbara Abel, neste link.


Leia o livro e assista o filme na Cineflix
Filmes de sucesso como "Instinto Materno" são exibidos na rede Cineflix CinemasPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SANO Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.

"Instinto Materno" ("Mothers' Instinct). Ingressos on-line neste linkGênero: drama, thriller, suspenseClassificação: 14 anos. Duração: 1h34. Ano: 2023. Idioma original: inglês. Distribuidora: Imagem Filmes. Direção: Benoît Delhomme. Roteiro: Sarah Conradt-Kroehler. Elenco: Anne Hathaway, Jessica Chastain, Caroline Lagerfelt, Josh CharlesSinopse: As donas de casa Alice e Celine são melhores amigas e vizinhas que parecem ter tudo. No entanto, quando um trágico acidente destrói a harmonia de suas vidas, a culpa, a suspeita e a paranoia começam a desfazer seu vínculo.

Trailer de "Instinto Materno"

.: "O DJ: amores Eletrônicos", livro de Toni Brandão traça retrato interessante


Na cultura pop geral, o  "metaverso" e a realidade aumentada já foram retratados em obras como "Jogador Nº 1" (dirigido e adaptado por Steven Spielberg) e por uma das sagas mais famosas de todos os tempos, "Matrix". O debate ressurge com força recentemente não apenas porque vivemos na era das redes sociais, mas também porque a pandemia da covid-19 potencializou a necessidade por escapismo e uma realidade "diferente". "O DJ: amores Eletrônicos", do autor Toni Brandão, entende muito bem e sentimento, misturando uma história que fala sobre temas complexos e ao mesmo tempo explora o tão famoso "metaverso".

Além de ser um escritor multimidia, já tendo participado também de roteiros e outros projetos, Toni Brandão é um autor conhecido por livros para um publico mais jovem, pré-adolescente, sempre apto para falar de sentimentos de forma leve e divertida, "O DJ" leva a narrativa para lado distinto, mais jovem adulto, com personagens que carregam dilemas mais forte sentimentos que variam e passam pela sexualidade, luto, solidão e medos.

Contada por diversos pontos de vista, o principal deles é de Amy, que começa a história na balada. Disposta a aproveitar o ambiente em que está, ela dança conforme a música e acaba interessando por Jon. Quando as coisas começam a tomar um rumo inesperado, no entanto, tem que entender exatamente onde ela está e porque está ali. Em certo momento de Matrix, Morpheus, personagem de Lawrence Fishburne , pergunta: "o que é real? Como você define real?"

Se você está falando do que pode sentir, cheirar, experimento ver, então real é apenas sinais elétricos interpretados pelo seu cérebro. Em "DJ", os personas de Toni Brandão estão constantemente se perguntando qual é a realidade em que eles e vivendo, e se os seus sentimentos são reais ou não. Além de ter uma gama diversificada personagens distintos entre si, a narrativa faz um bom trabalho em retratar a disparidade e o mundo real X o metaverso e, no processo, constrói um retrato interessante sobre a juventude. Compre o livro "O DJ: amores Eletrônicos", de Toni Brandão, neste link.


Sobre o autor
Toni Brandão
é um escritor, roteirista, dramaturgo e criador multimídia brasileiro que nasceu em São Paulo no dia 3 de dezembro de 1960. É formado em comunicação social pela Escola Superior de Propagando e Marketing (ESPM). A maioria de seus livros e projetos são voltados para o público adolescente e jovem-adulto e refletem sobre as principais questões do mundo contemporâneo. A venda de seus títulos ultrapassa a marca de 2 milhões de exemplares em 25 anos; e renderam ao autor vários prêmios. Entre eles, o APCA, da Associação Paulista de Críticos de Arte. O sucesso editorial no Brasil está fazendo, a partir de 2017, seus livros serem lançados também da França, Bélgica, Suíça, Canadá e outros países de língua francesa. Pela Global Editora tem publicado "O Garoto Verde", "Os Recicláveis", "Aquele Tombo que Levei", "Guerra na Casa do João", entre outros títulos. Garanta o seu exemplar de "O DJ: amores Eletrônicos", escrito por Toni Brandão, neste link.

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