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sábado, 4 de julho de 2026

.: Madonna retorna às pistas com o aguardado “Confessions II”


Ícone pop revisita o universo de Confessions on a Dance Floor em novo álbum com participações de Sabrina Carpenter, Feid, Martin Garrix, Stromae e Lola Leon; projeto já está disponível. Foto: Rafael Pavarotti 


"As pessoas acham que a música eletrônica é superficial, mas estão completamente enganadas. A pista de dança não é apenas um lugar, é um portal. Um espaço ritualístico, onde o movimento substitui a linguagem", afirma a cantora Madonna ao comprovar que a pista de dança está mais viva do que nunca. O aguardado novo álbum dela, “Confessions II”, já está disponível pela Warner Records, com distribuição nacional da Warner Music Brasil. O projeto também ganha vinil em edição limitada, merchandising oficial e outros produtos exclusivos.

Ao reencontrar o produtor Stuart Price, Madonna inaugura um novo capítulo do universo revolucionário criado em “Confessions on a Dance Floor”, álbum de 2005 e vencedor do Grammy®. Ao longo das 16 faixas mixadas de forma contínua que compõem “Confessions II”, a artista mergulha em temas como amor, trauma, perda e cura. O trabalho reafirma sua convicção de que a música eletrônica vai muito além do entretenimento: a pista de dança é um espaço de refúgio, conexão, liberdade e sobrevivência — um lugar capaz de salvar quem se entrega a ela. Na primavera do hemisfério norte, Madonna apresentou uma prévia com o single “I Feel So Free”, que alcançou o primeiro lugar na parada Billboard Dance Airplay. Ela também estreou “Bring Your Love”, parceria com Sabrina Carpenter, durante sua apresentação no Coachella, celebrando os 20 anos de sua estreia no festival. A faixa alcançou o topo da UK Club Chart.

O álbum conta com a participação de sua filha, Lola Leon, na emocionante “The Test”, composta pelas duas e marcada por versos profundamente pessoais que refletem o processo de cura e a evolução da relação entre mãe e filha. Madonna também une forças pela primeira vez ao DJ e produtor holandês Martin Garrix em “Bizzare”, faixa que explora as complexidades do amor. Já o artista belga Stromae imprime seu estilo inconfundível à sedutora “My Sins Are My Savior”. Andrew Watt e Cirkut também assinam a produção, ao lado de Stuart Price, de “Danceteria” e “L.E.S. Girl”, músicas que revisitam os primeiros anos de Madonna em Nova York, homenageando o lendário clube, as amizades que marcaram sua trajetória e a vida singular que somente ela poderia retratar.

Recentemente, foi anunciado que Madonna será uma das atrações principais do primeiro show do intervalo da história da final da FIFA World Cup 26™, que acontece em 19 de julho, no New York New Jersey Stadium. Com uma audiência global estimada em mais de 1,5 bilhão de espectadores, a apresentação promete marcar um dos momentos culturais mais importantes do evento. A faixa “Read My Lips”, de “Confessions II”, com participação do cantor colombiano Feid, tornou-se um dos hinos do torneio.

No mês passado, Madonna apresentou “Confessions II – The Film” durante a 25ª edição do Tribeca Film Festival. Dirigido por Torso, o filme oferece uma experiência cinematográfica imersiva que dá vida às seis primeiras faixas do álbum por meio de uma narrativa visual ousada, que rompe as fronteiras entre música, cinema e performance. A produção foi recebida com entusiasmo pela crítica especializada. 

Na noite anterior, Madonna surpreendeu o público com uma apresentação inesquecível na Times Square, em Nova York. Anunciado apenas 30 minutos antes do início, o show reuniu cerca de 50 mil pessoas, que acompanharam pela primeira vez, ao vivo, músicas de “Confessions II”, além de sucessos de “Confessions on a Dance Floor”. O evento transformou o coração de Manhattan em uma enorme pista de dança e foi transmitido ao vivo, com exclusividade, pelo Grindr. 

.: Justin Bieber lança “Swag Live From Coachella (Weekend II)”


Transmissões oficiais no YouTube dos shows de Justin Bieber como headliner do Coachella nos finais de semana 1 e 2 também já podem ser conferidas. Foto: Amber Asaly
 
 
Após o lançamento surpresa, na última sexta-feira, de “Swag Live From Coachella (Weekend I)”, seu primeiro álbum ao vivo, Justin Bieber mantém o ritmo com a chegada de um segundo registro ao vivo, “Swag Live From Coachella (Weekend II)”. A gravação continua documentando as históricas apresentações de Justin como headliner do Coachella Valley Music and Arts Festival, realizadas em abril deste ano, desta vez destacando os principais momentos de seu show no segundo fim de semana do festival.

A segunda apresentação de Justin como atração principal foi amplamente elogiada pela crítica, com muitos veículos destacando que o artista conseguiu superar uma estreia que já havia sido considerada um sucesso. A Variety escreveu que "Justin Bieber trouxe a artilharia pesada durante seu show como headliner no segundo fim de semana do Coachella", enquanto a Billboard descreveu a apresentação como "um espetáculo repleto de estrelas".

Os críticos também ressaltaram a confiança ainda maior de Bieber no palco, observando que ele "conseguiu superar a si mesmo ao assumir o palco com confiança". O USA Today destacou que "às vezes os headliners não fazem muito diferente no segundo fim de semana, mas Bieber realmente entregou uma performance excepcional", elogiando a expansão da produção e a execução do espetáculo. Outros veículos reforçaram essa avaliação, afirmando que "Justin Bieber elevou o nível de seu show no segundo fim de semana do Coachella com um repertório ampliado e participações surpresa", enquanto a Consequence classificou a apresentação como "muito mais bem ensaiada" e elogiou seus "momentos surpresa cheios de emoção".

“Swag Live From Coachella (Weekend II)” conta com participações especiais de Sexyy Red, Dijon e SZA. Além dos novos álbuns ao vivo, os fãs agora podem reviver, pela primeira vez no YouTube, as apresentações completas de Justin como headliner nos dois finais de semana do Coachella. Disponibilizados exatamente como foram transmitidos durante o festival, os vídeos oficiais incluem imagens exclusivas preservadas nos arquivos da produção. O segundo fim de semana tornou-se ainda mais memorável com as participações especiais de Big Sean e Billie Eilish, acrescentando mais uma camada inesquecível a essa apresentação histórica.

Após o lançamento de “Swag Live From Coachella (Weekend I)”, a The Fader celebrou o momento ao declarar: "Finalmente, a Bieberchella está de volta." Juntos, os álbuns ao vivo e os vídeos completos dos shows oferecem aos fãs a experiência definitiva de uma das performances ao vivo mais celebradas da carreira de Justin Bieber.

sexta-feira, 26 de junho de 2026

.: Música: Prime Vídeo disponibiliza documentário de Paul McCartney


Por
Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

O streaming Amazon Prime Video disponibilizou para os assinantes o documentário "Man On The Run" que narra a trajetória do ex-beatle Paul McCartney no período p´pós-Beatles e a criação da banda Wings, até chegar na sua atual carreira solo. O documentário é narrado por McCartney. Mas está longe de ser uma produção tipo chapa branca. Nele são mostrados não só os pontos positivos como também as mancadas homéricas, como a sua prisão em 1980 no Japão por porte de entorpecente.

Ainda que mostre de uma forma superficial, a produção acaba conseguindo mostrarcomo o músico superou a desconfiança inicial da mídia sobre o seu trabalho na época. O Wings teve várias formações. permanecendo o aeu  nucleo com McCartney. Linda Eastman e Denny Lane. E deixou gravados álbuns antológicos, como o Band on the Run, de 1973 E Venus And Mars, de 1975.

Além de imagens raras da época, a produção utiliza como trllha sonora as canções clássicas de McCartney, acentuando o clima saudosista. Destaco a gravação de Band on TheRun, que foi realizada na Nigeria com vários problemas técnicos e situações turbulentas. Na prática, o documentário joga uma luz na trajetória vitoriosa do ex-beatle. Comprovando que nem sempre esse caminho foi um mar de rosas. Mas solidifivou o mito  e seu talento nato para a música pop mundial.

"Band On The Run"

"My Love"

Trailer de "Man On The Run"


domingo, 21 de junho de 2026

.: 1º Seminário Nacional das Rodas de Samba será realizado no Rio de Janeiro


Encontro do MinC reúne Nei Lopes, Teresa Cristina, Moacyr Luz, Dorina Barros e outros grandes nomes do samba

O Rio de Janeiro será palco de um grande encontro entre diferentes gerações do samba brasileiro. Entre os dias 22 e 24 de junho, o Ministério da Cultura (MinC) realiza o 1º Seminário Nacional das Rodas de Samba, reunindo sambistas históricos, novas vozes do gênero, pesquisadores, gestores públicos, lideranças culturais e representantes de rodas de samba de todo o país para discutir os desafios, as potências e o papel dessas manifestações na vida cultural brasileira.

O encontro também reunirá o secretário-executivo do MinC, Márcio Tavares; a secretária de Articulação Federativa e Comitês de Cultura do MinC, Roberta Martins; o gerente de Projetos da Secretaria Executiva do MinC, Fabrício Antenor; a deputada federal Benedita da Silva, a deputada estadual Verônica Lima, a secretária de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, Danielle Barros, e o secretário municipal de Cultura do Rio de Janeiro, Lucas Padilha.

Realizado no Palácio Gustavo Capanema e no Renascença Clube, dois espaços simbólicos da cultura brasileira, o seminário propõe uma reflexão sobre temas como economia criativa, patrimônio cultural, memória, participação social, ocupação dos espaços públicos e desenvolvimento territorial. As rodas de samba constituem importantes redes de sociabilidade, geração de renda, circulação cultural e preservação das tradições afro-brasileiras. Presentes em milhares de comunidades pelo país, movimentam trabalhadores da cultura, fortalecem identidades locais e mantêm vivas práticas culturais que atravessam gerações.

Ao longo dos três dias, a programação será organizada em eixos de debate sobre economia do samba, sustentabilidade e economia criativa das ruas; memória, identidade, território e patrimônio; inovação e novas gerações; articulação cultural e movimento; além de políticas públicas, controle e participação social. A abertura do seminário contará com mesa de boas-vindas com a participação de Márcio Tavares, Danielle Barros, Lucas Padilha e Verônica Lima. A conferência de abertura reunirá Sereno, Roberta Martins, Wanderso Luna, Benedita da Silva, Dorina Barros e Lucas Lima, diretor de Políticas Públicas da Ambev.

A programação inclui ainda debates com nomes como Helena Theodoro, Tadeu Kaçula, Nilcemar Nogueira, Aline Calixto, Rafa Rafuagi, Rogério Familia, Marina Iris, Thiago Carvalho, além de representantes do Ministério da Cultura, Funarte, Iphan e instituições parceiras. No dia 24 de junho, o seminário será encerrado no Renascença Clube com uma mesa inspiradora reunindo Nei Lopes, Teresa Cristina, Moacyr Luz e Márcio Tavares. Na sequência, haverá uma noite cultural com roda de samba comandada por Marcelinho Moreira em homenagem à Tia Surica. Credenciamento de público geral: clique aqui para acessar o formulário.


Serviço
1º Seminário Nacional das Rodas de Samba: Cidade, Patrimônio e Desenvolvimento
Data: 22, 23 e 24 de junho de 2026

Locais
Palácio Gustavo Capanema
Rua da Imprensa, 16 – Centro – Rio de Janeiro (RJ)

Renascença Clube
Rua Barão de São Francisco, 54 – Andaraí – Rio de Janeiro (RJ)

Entrada gratuita


Programação
Dia 1 - 22 de junho - Palácio Gustavo Capanema
9h00: Mesa de Boas-Vindas
Márcio Tavares - Ministro da Cultura Substituto
Danielle Barros - Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro
Lucas Padilha - Secretário de Cultura da Cidade do Rio de Janeiro
Verônica Lima - Deputada Estadual e Presidenta da Comissão de Cultura

10h00: Conferência de Abertura
Sereno - Fundador do Fundo de Quintal / Criador do Tantan
Roberta Martins (SAFCC/MINC)
Wanderso Luna - Rede Carioca de Rodas de Samba
Benedita da Silva - Dep. Federal - Lei da Salvaguarda do Samba
Dorina Barros - Mulheres na Roda de Samba
Lucas Lima - Diretor de Políticas Públicas da Ambev
Zé Luiz do Império - Compositor

14h00 às 17h00 : Eixo 1: Economia do Samba - Fomento, Sustentabilidade e a Economia Criativa das Ruas
João Grand Jr. - Cidade, Economia Criativa e o Ecossistema de Rodas de Samba do Rio de Janeiro
Anderson Lins - Sesc RJ - A Experiência com as Rodas de Samba no Edital Sesc Pulsar
Marquinhos de Oswaldo Cruz - A Feira das Yabás e o Trem do Samba
Ellen Oliveira - Festival Divas do Samba (DF)


Dia 2 - 23 de junho - Palácio Gustavo Capanema
9h30 às 12h00: Eixo 2: Memória, Identidade, Território e Patrimônio
Mediação: Aline Vila Real (Funarte)
Helena Theodoro - O Samba de lá e o Samba de Cá - Tia Ciata de Santo Amaro e do Samba Carioca
Samora Lopes (Banjo Novo) - Salvador, Terra do Samba e das Rodas de Samba
Fabiola Machado - As Rodas de Samba do Rio de Janeiro
Tadeu Kaçula - SP - O Samba Paulistano
Marina Lacerda - Iphan

13h30 às 16h00: Eixo 3: Inovação e Novas Gerações: “A tradição como lanterna” - Redes Integradas e Dados
Mediação: Fabricio Antenor (MinC)
Chico Reguera - Jornalista/Globo RJ
Dorina - Mulheres na Roda de Samba
Nilcemar Nogueira - Dossiê Matrizes do Samba no Rio de Janeiro / Museu do Samba
Simony Maia - Agência Mural de Jornalismo das Periferias - São Paulo
Dani Miranda - Blog de Samba

16h30 às 18h00 - Mesa: Articulação Cultural e Movimento
Mediação: Roberta Martins (SAFCC/MinC)
Rafa Rafuagi - Construção Nacional do Hip Hop / Museu do Hip Hop
Rogério Família - Rede Carioca de Rodas de Samba
Aline Calixto - Bloco da Calixto (MG)
Cláudia Ajeum - Pérola de Oyá - Fortaleza


Dia 3 - 24 de junho - Renascença Clube
9h30h às 12h00: Eixo 4: Das Rodas às Políticas Públicas: Territórios que transformam o Brasil
Mediação: Daniel Samam (CNPC/SAFCC)
Marina Iris, Wanderson Luna, Thiago Carvalho - Bahia, Fabrício Antenor (SE/MinC) e Aline Vila Real (Funarte)

12h00 às 14h00 - Almoço: Feijoada no Renascença

14h00: Mesa inspiradora / Encerramento
Nei Lopes, Teresa Cristina, Márcio Tavares e Moa Luz

17h30 - Roda de Samba com Marcelinho Moreira
Homenagem à Tia Surica

sexta-feira, 19 de junho de 2026

.: Paul McCartney traz suas lembranças em novo disco


Por
Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

Prestes a completar 84 anos e realizando mais uma turnê mundial, o ex-beatle Paul McCartney lança um novo disco no qual expõe suas lembranças do período da infância e da adolescência; "The Boys of Dungeon Lane" retrata como era sua vida no tempo em que vivia em Liverpool ainda como aspirante a músico.

E é preciso ressaltar o ato de coragem que McCartney teve ao lançar um álbum no formato tradicional. Isso numa época em que as pessoas envolvidas com música têm dado preferência aos singles que são lançados invariavelmente em doses homeopáticas. Gravar, produzir e lançar um álbum com 14 faixas  se tornou uma façanha que poucos conseguem realizar hoje em dia.

Comparando com os discos anteriores, "The Boys of Duingeon Lane" pode ser considerado um álbum conceitual;  A voz de McCartney já sente um pouco os inevitáveis efeitos da idade; Em alguns momentos ela soa um pouco trêmula e hesitante. E em outros ele se mostra um melodista competente, que ainda sabe como fazer pulsar uma banda.

Falando das faixas, citaria "The Days We Left Behind", "Montain Top" e "Down South" como destaques, assim como a igualmente ótima "Home Of Us", cantada em dueto com o ex-beatle Ringo Starr. Dessa forms, Ringo retribuiu a gentileza de McCartney que participou de faixas de um de seus discos mais recentes. Na faixa "Momma Gets By", McCartney homenageia o casamento dos seus pais.

Esse novo álbum está longe de ter a densidade de outros discos lançados nos anos 70, como o "Band On The Run". E creio que esse nem era o objetivo de McCartney. Se por um acaso McCartney anunciar uma aposentadoria, esse disco encerraria de forma digna a sua discogrsafis. Porem eu continuo torcendo para ouvir o seu próximo lançamento.

"As You Lie There"

"Ripples In a Pond"

"Never Know"

sexta-feira, 12 de junho de 2026

.: Crítica musical: Julie Wein, um talento entre pianos e canções


Por
Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: Isabela Espindola

Cantora, compositora, atriz, instrumentista e Doutora em Neurociências pela UFRJ, Julie Wein celebra a tradição do piano popular na canção brasileira no álbum "Pianos e Canções", reunindo músicas de compositores como Johnny Alf, Tom Jobim, Ivan Lins e Benito di Paula. “A seleção desse repertório foi um mergulho na memória afetiva e um resgate da pluralidade que fundamenta a nossa identidade musical. Gravei compositores que sempre me inspiraram a escrever canções e a me acompanhar ao piano, cantando e tocando, aproximando no mesmo disco universos tão distintos quanto os de Benito di Paula e Tom Jobim”, pontua Julie Wein.

Além de figurarem no álbum como compositores, dois destes mestres dividem os vocais com Julie Wein: Francis Hime em “Trocando em Miúdos” (Francis Hime e Chico Buarque), e Ivan Lins em “Bilhete” (Ivan Lins e Vitor Martins). O repertório reúne ainda “Retalhos de Cetim” (Benito di Paula), “Rapaz de bem” (Johnny Alf), “Olha Maria” (Tom Jobim, Vinícius de Moraes e Chico Buarque) e “Balada do Louco” (Arnaldo Batista e Rita Lee). A autoral “Homem Virtuoso”, composta por Wein e Matheus Prevot, completa a seleção.  

Em um país cuja tradição do violão na canção popular é muito presente, Julie Wein lembra que, em outras épocas, a cidade do Rio de Janeiro chegou a ser apelidada de “Pianópolis”: “Este disco nasce também do desejo de celebrar a tradição do piano popular brasileiro, através de artistas que tiveram o instrumento como elemento fundamental de suas composições. Espero produzir novos volumes, gravando compositores como João Donato, Marcos Valle, Guilherme Arantes, Eduardo Dusek, Flávio Venturini, Arrigo Barnabé, Tania Maria, Angela Ro Ro, entre outros”, finaliza Julie Wein.

Com direção e produção musical de Jorge Helder, “Pianos e Canções” repete a dobradinha da artista com a gravadora Biscoito Fino, por onde lançou seu projeto de estreia, “Infinitos Encontros”, em 2020. Com um currículo longo nas artes e na ciência, Julie Wein se destaca na nova cena musical brasileira. Seja na pesquisa acadêmica ou frente ao microfone, a música é a sua matéria-prima. Premiada no Festival de Música da Rádio MEC e eleita Melhor Intérprete de MPB pelo Prêmio Profissionais da Música (PPM), Julie foi vencedora do Prêmio TOCA 2025.

 Participou de espetáculos musicais como “Musical Noel Rosa: Coisa Nossa” (2023) e “Peça Dois Amores e Um Bicho (2017-2020), como atriz e cantora, e como preparadora vocal em peças como “Ayrton Senna - o musical” (2017) e “Haddad e Borghi”(2025). Em 2022, estreou o show “Julie Wein canta Chico Buarque”. É  pesquisadora do Instituto D´Or de Pesquisa e Ensino desde 2011, onde percorreu todas as etapas acadêmicas, da Iniciação Científica ao Pós-Doutorado (posição atual). Graduada em Biofísica pela UFRJ. Doutoranda em Neurociências (Ciências Morfológicas - Biomedicina UFRJ), foi duas vezes premiada pela Jornada Giulio Massarani e Graduada com Dignidade Acadêmica. Recebeu também Menção Honrosa do Prêmio Juarez Aranha Ricardo.

"Retalhos de Cetim"

"Bilhete"

"Trocando em Miudos"

.: "Bem Brasil" recebe Sandra Sá neste domingo, com grandes sucessos


Uma das vozes mais marcantes da música brasileira celebra mais de 40 anos de trajetória em show ao vivo, direto do Sesc Itaquera. Divulgação: Sandra Sá

A cantora Sandra Sá é a convidada do programa "Bem Brasil" neste domingo, dia 14 de junho, às 12h00, em um show especial transmitido ao vivo pela TV Cultura, a partir do meio-dia, diretamente do Sesc Itaquera, em São Paulo. A apresentação reúne sucessos que marcaram mais de 40 anos de carreira de uma das vozes mais importantes da música brasileira, como "Retratos e Canções", "Joga Fora", "Bye Bye Tristeza" e "Olhos Coloridos".

Com uma trajetória marcada pela mistura de MPB, soul, samba, funk e pop, Sandra Sá leva ao palco canções que evidenciam a diversidade musical de sua obra e sua capacidade de dialogar com diferentes gerações de público. Wandi Doratiotto apresenta o Bem Brasil, que conta ainda com a participação da jornalista Roberta Martinelli, que interage com o público presente no Sesc Itaquera. O programa tem transmissão ao vivo pela TV Cultura, canais da TV Cultura, sesc.tv e no canal do youtube.com/sescsp. O público também pode acompanhar as apresentações do "Bem Brasil" no Sesc Itaquera. Os ingressos são gratuitos.


Sobre o "Bem Brasil"
Reconhecido como um dos mais importantes programas musicais da TV pública brasileira, o "Bem Brasil" voltou à TV Cultura após 18 anos, em 7 de junho, por meio de uma parceria entre a emissora e o Sesc São Paulo. A nova fase da atração tem apresentação de Wandi Doratiotto e participação da jornalista Roberta Martinelli. Ao longo da trajetória, o programa tornou-se um registro vivo da diversidade e da riqueza da música brasileira, contribuindo para a democratização do acesso à música na televisão aberta.

A atração estreou em 5 de maio de 1991, na TV Cultura, com a proposta de levar shows musicais ao vivo à televisão aberta, sempre com plateia presente. O nome do programa foi inspirado no choro Bem Brasil, de Altamiro Carrilho, que também participou da edição de estreia ao lado do grupo Isaías e Seus Chorões. Inicialmente exibido ao vivo do anfiteatro da USP, em São Paulo, o programa rapidamente se consolidou como um palco democrático da música brasileira, reunindo artistas de diferentes estilos e gerações.

Ao longo de sua história, o "Bem Brasil" realizou mais de 600 programas e recebeu artistas como Maria Bethânia, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Djavan, Tim Maia, Gal Costa, Cássia Eller, Chico Science & Nação Zumbi, Zeca Baleiro, Lenine, Elba Ramalho, Alceu Valença, Martinho da Vila e Alcione, entre muitos outros. O programa também abriu espaço para bandas de rock e pop, como Titãs, Os Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho e Skank, além de valorizar o choro, a música instrumental e novas gerações da música brasileira.


Serviço
"Bem Brasil" - TV Cultura

Domingo, dia 14 de junho, às 12h00

Show com Sandra Sá
Sesc Itaquera – Avenida Fernando do Espírito Santo Alves de Mattos, 1000 – Itaquera – São Paulo
Ingresso gratuito

Transmissão para São Paulo e Brasil por meio da TV Cultura, afiliadas e canais digitais da emissora, sesc.tv e no canal do youtube.com/sescsp.

domingo, 7 de junho de 2026

.: O Dia Mundial dos Beatles pode ser festejado em 25 de junho


© 1967 MPL Communications Ltd/ Crédito: Tony Gale

Em 25 de junho de 1967, os Beatles entraram no Studio One do Abbey Road Studios, em Londres, e mandaram uma mensagem ao mundo. Transmitida ao vivo como parte do programa “Our World”, da BBC, a primeira transmissão internacional via satélite da música “All You Need Is Love” alcançou cerca de 400 milhões de pessoas em todo o mundo. Por alguns minutos extraordinários, o mundo estava assistindo junto. Décadas depois, em 2009, Faith Cohen, fã de longa data do grupo, decidiu que esse dia merecia ser comemorado. A partir dessa convicção, nasceu o Global Beatles Day, o Dia Mundial dos Beatles. Uma celebração criada e organizada por fãs, dedicada à banda, à sua música e a uma mensagem que continua a ecoar por diversas gerações e ao redor do mundo: “love is all you need” (“o amor é tudo o que você precisa”).

De shows tributo em Tóquio a exposições com tema dos Beatles em Nova York, cantorias em Buenos Aires e reuniões de fãs em Liverpool, o Global Beatles Day continuou a crescer organicamente. Seu crescimento se baseou em um amor duradouro por John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr e por sua mensagem, e evoluiu para um evento anual abraçado por fãs de várias gerações e continentes. Agora, em um marco importante para a celebração, a Apple Corps Ltd., empresa fundada pelos Beatles para administrar seus empreendimentos criativos e comerciais, reconheceu formalmente o Dia Mundial dos Beatles.

No dia 25 de junho, paralelamente a eventos online e presenciais em todo o mundo que celebram a banda, os Beatles também lançarão gratuitamente no YouTube uma versão colorizada de sua apresentação de “All You Need Is Love” no programa “Our World”, da BBC. Esta é a primeira vez que essa apresentação icônica é disponibilizada online, comemorando o aniversário da apresentação, marcando o Dia Mundial dos Beatles e dando aos fãs de todo o mundo a chance de reviver aquele momento espetacular e global de 1967 e compartilhar suas reações no chat ao vivo.

Em carta enviada recentemente a Faith Cohen, o CEO da Apple Corps, Tom Greene, elogiou a iniciativa liderada pelos fãs, escrevendo: “Mais do que nunca, a mensagem dos Beatles e de ‘All You Need Is Love’ fala de algo vital para a comunidade, a conexão e o poder de unir as pessoas. É isso que torna o Dia Mundial dos Beatles tão especial. Ele não pede nada mais do que as pessoas, onde quer que estejam, parem, ouçam e compartilhem um pouco de alegria”. O reconhecimento parece adequado para uma banda cujo impacto duradouro permanece incomparável.

Os Beatles continuam sendo um dos grupos musicais de maior sucesso e influência da história. Mais de cinco décadas após sua separação, sua música continua a ecoar entre as gerações, desde os fãs que viveram a beatlemania na década de 1960 até novos públicos que descobrem “Hey Jude” e “Let It Be” por meio de plataformas de streaming e redes sociais, ou “The Two of Us”, recentemente utilizada no filme de sucesso “Project Hail Mary”. Além das vendas de discos, eles revolucionaram a moda, a cultura jovem, a composição musical e a produção de álbuns, deram início à chamada Invasão Britânica nos Estados Unidos e redefiniram a música popular com álbuns inovadores como “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band”. 

O legado dos Beatles continua atraindo milhões de visitantes a locais emblemáticos como o Abbey Road Studios, onde os fãs ainda se reúnem para recriar a icônica foto dos Beatles atravessando a Abbey Road. Em um anúncio feito no início deste mês, o número 3 da Savile Row, local do icônico show na cobertura, será transformado na primeira experiência oficial para fãs, com inauguração prevista para 2027. Olhando para o futuro, um evento cinematográfico de quatro filmes sobre os Beatles, muito aguardado, está programado para estrear em abril de 2028 pela Sony Pictures Entertainment e Neal Street Productions. 

O projeto marca a primeira vez que a Apple Corps Ltd. e os Beatles concederam direitos totais sobre a história de vida e a música para um filme com roteiro. Dirigido por Sam Mendes, o projeto será estrelado por Harris Dickinson (John Lennon), Barry Keoghan (Ringo Starr), Paul Mescal (Paul McCartney) e Joseph Quinn (George Harrison). O Global Beatles Day (Dia Mundial dos Beatles) começou como uma ideia simples que se transformou em um movimento mundial baseado na alegria, na união e na conexão, valores que parecem cada vez mais relevantes nos dias de hoje. No próximo dia 25 de junho, espera-se que milhões de fãs em todo o mundo façam exatamente o que o Global Beatles Day incentiva: celebrar os Beatles, sua música e uma mensagem que continua a ecoar por diversas gerações em todo o mundo: “love is all you need” (“o amor é tudo o que você precisa”).

sábado, 6 de junho de 2026

.: "Bem Brasil" de volta à TV Cultura com show ao vivo de Carlinhos Brown


Carlinhos Brown abre a nova fase do clássico programa de música brasileira neste domingo, dia 7 de junho. Na foto, Roberta Martinelli e Wandi Doratiotto. Foto: Henrique Bacana/Acervo TV Cultura

Neste domingo, dia 7 de junho, um dos mais importantes programas musicais da televisão brasileira volta à grade da TV Cultura: o "Bem Brasil". Com exibição ao vivo aos domingos, ao meio-dia, diretamente do Sesc Itaquera, em São Paulo, a atração será transmitida na TV Cultura e no YouTube da emissora, e terá apresentação de Wandi Doratiotto, nome histórico do programa e já conhecido do público que acompanhou fases anteriores da produção. A nova etapa também contará com a participação da jornalista Roberta Martinelli, que irá interagir com o apresentador e o público em um clima descontraído.
 
O artista convidado para a primeira apresentação será o cantor, compositor e percussionista baiano Carlinhos Brown, que apresenta o show “Começos de Um Encontro”. O espetáculo propõe uma experiência musical vibrante e afetiva ao revisitar diferentes momentos da trajetória do artista em arranjos intimistas que unem ijexá, pop e referências da música brasileira. No repertório, sucessos como “Vilarejo”, “Amor I Love You” e “Meia Lua Inteira” se misturam a clássicos ligados ao universo dos Tribalistas e ao carnaval baiano. 

Com formação enxuta de percussão, voz, teclado e guitarra, a apresentação ganha ainda mais emoção com a participação especial das cantoras Clara e Ceci Buarque, filhas de Brown, ampliando o caráter sensível e celebrativo do show. Reconhecido como um dos mais importantes programas musicais da TV pública brasileira, o Bem Brasil se consolidou como um registro vivo da diversidade e da riqueza da música do país, contribuindo para a democratização do acesso à cultura.




sexta-feira, 5 de junho de 2026

.: Crítica musical: os 60 anos dos Afro-Sambas


Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: Guilherme Ligiero

A gravadora Biscoito Fino lançou “Afro-Sambas 60 Anos”, novo álbum de Marcos Sacramento e Zé Paulo Becker, dedicado à celebração das seis décadas de "Os Afro-Sambas", obra seminal de Baden Powell e Vinicius de Moraes, lançada em 1966. Mais do que uma homenagem, o disco propõe uma leitura contemporânea de um dos capítulos mais importantes da música brasileira. A partir do encontro essencial entre voz e violão - eixo que também estrutura o álbum original - Sacramento e Becker revisitam as oito canções de "Os Afro-Sambas" e incorporam outras quatro composições que orbitam esse mesmo universo poético, rítmico e espiritual: “Berimbau”, “Consolação”, “Tempo de Amor” e “Labareda”.

O ponto de partida do álbum é a formação íntima e potente construída pela voz de Marcos Sacramento, um dos grandes intérpretes da música brasileira, e pelo violão de Zé Paulo Becker, responsável também pela direção musical e pelos arranjos. A partir dessa base, o disco se expande, acolhendo participações especiais que ampliam as camadas sonoras, afetivas e simbólicas do projeto. Entre os encontros vocais, um dos momentos mais aguardados é a participação de Ney Matogrosso em “Canto de Ossanha”. O dueto com Marcos Sacramento reúne duas vozes de forte personalidade, presença cênica e enorme reconhecimento no campo da interpretação brasileira.

O álbum também recebe Roberta Sá em “Canto de Yemanjá” e Fabiana Cozza em “Tristeza e Solidão”, duas cantoras de trajetórias sólidas e profundamente ligadas à canção brasileira, ao samba e às matrizes afro-brasileiras. Suas participações reforçam a dimensão feminina, ritualística e emocional do repertório; A nova geração aparece representada por Juliane Gamboa, em “Bocochê”, e Ilessi, em “Canto de Xangô”, artistas que trazem frescor, intensidade e novas perspectivas para o universo dos afro-sambas.

O disco ganha densidade instrumental com presenças de grande destaque. Yamandu Costa participa de “Tempo de Amor”, ampliando o diálogo violonístico do álbum em um encontro com Zé Paulo Becker. O Trio Madeira Brasil participa de “Consolação”, reafirmando a relação de Becker com a música instrumental brasileira. Já Silvério Pontes se soma ao Samba do Sacramento em “Labareda”. Os percussionistas Netinho Albuquerque e Leonardo Dias também participam de algumas faixas ;.

Com direção musical e arranjos de Zé Paulo Becker, direção artística de Phil Baptiste e produção musical de Diego do Valle, “Afro-Sambas 60 anos” celebra a permanência e a atualidade de uma obra que, seis décadas depois, segue abrindo caminhos para a música brasileira.

"Tempo de Amor"

"Canto de Ossanha"

"Consolação"


sexta-feira, 22 de maio de 2026

.: Crítica musical: Sergio Santos lança CD "Todo Samba"

O cantor e violonista Sérgio Santos ao lado do clarinetista Nailor Proveta. Foto de divulgação: Isabela Espíndola

Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

Chegou às plataformas o novo álbum do compositor, violonista, cantor e arranjador Sergio Santos. “Todo samba” reúne 13 canções inéditas, baseadas no samba e suas diferentes possibilidades, para o qual Sergio convidou o clarinetista, compositor e arranjador Nailor Proveta, mestre na linguagem do samba e do choro.

As canções de “Todo Samba” (Biscoito Fino) bebem da raiz fundamental, mas cada uma delas foi construída a seu modo, evitando os jargões melódicos e harmônicos. No repertório, “Serenadas Pedras” tem a autoria da melodia dividida com Francis Hime, e letra sensível de Olivia Hime. Quanto à poética, Sergio Santos recorreu à sua parceria com Paulo César Pinheiro, ícone da poesia musical brasileira, com quem já compôs mais de 300 canções. Há também, além de suas próprias letras, a estreia da parceria de Sergio com o escritor e poeta Marcílio Godói.

O trabalho conta ainda com participações especialíssimas, que dividem os vocais com Sergio em três faixas: em "Trate Bem Seu Bem", o compositor canta com Maíra Manga, jovem e talentosíssima cantora de suas Minas Gerais. Já “Inquietude” é dividida com a magnífica Leila Pinheiro. A canção “Preciosas Pedras” conta com a participação impecável dos parceiros Francis Hime e Olivia Hime.

"Todo Samba' é um disco que mostra bem a proposta de trabalho de Sérgio Santos, além de comprovar a genialidade de Nailor Proveta. Vai agradar quem curte a nossa MPB de qualidade.


Senhoras do Samba



Entortando o samba


A Ordem do Rei



sexta-feira, 15 de maio de 2026

.: Crítica musical: Luis Sérgio Carlini, a essência do rock nacional


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Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

Se havia alguém que pudesse ser representatiuvo para a essência do nosso rock nacional, creio que o nome de Luis Sérgio Carlini deveria sempre ser lembrado como um dos arquitetos desse estilo musical. Foi mesclando elementos de blues com rock ´n roll e de psicodelia dos anos 60 que ele moldou seu inigualável timbre  na guitarra, reconhecido logo no primeiro acorde. A notícia de seu falecimento me pegou de surptesa. Sabia que ele vinha sendo o guitarrista da banda de Guilherme Arantes, com quem já vinha trabalhando desde os anos 80 (vide o disco "Coração Paulista"). Ao que parece, ele vinha enfrentando problemas de saúde há algum tempo.

Minha lembrança afetiva com o som da guitarra de Carlini veio do álbum "Fruto Proibido". Nele, Carlini está simplesmente impecável em todas as faixas, além de assinar a autoria de algumas delas. "Agora Só Falta Você", por exemplo.. Sim eu sei que o disco é da Rita Lee. Mas sem a guitarra de Carlini tudo desmoronaria, sem sombra de súvida. Sobre o solo antológico de "Ovelha Negra", há depoimento de Carlini que conta ter sonhado com a sequência de notas. Gravou um único take e quando se preparava para gravar novamente foi impedido pelo produtor do disco, Andy Mills, que disse - "Não vai mexer em mais nada. O solo é esse mesmo".

Além de Rita Lee e Guilherme Arantes, Carlini teve trabalhos com vários outros nomes conhecidos, como Erasmo Carlos e Barão Vermelho, só pra citar dois exemplos. Carlini, juntamente com os irmãos Baptista (dos Mutantes) e Vecchione (da banda Made In Brazil) foi um digno representante do nosso rock nacional. Em um tempo em que roqueiro brasileiro tinha cara de bandido. Através do seu inconfundível timbre, ele ajudou a abrir caminhos e influenciou uma nova geração de músicos que viria logo a seguir, invadindo as rádios nos anos 80.

"Ovelha Negra"

"Agora Só Falta Você"

sexta-feira, 8 de maio de 2026

.: Pianista pernambucano Amao Freitas ganha o prêmio Paul Acket


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 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

O pianista pernambucano Amaro Freitas foi anunciado como vencedor do Prêmio Paul Acket 2026, uma das mais relevantes distinções do jazz internacional. Concedido anualmente a artistas cuja obra merece maior reconhecimento público por sua excelência e originalidade, o prêmio destaca trajetórias que vêm renovando o cenário do jazz contemporâneo em escala global. Criado em homenagem ao produtor e visionário Paul Acket, o prêmio é entregue durante o NN North Sea Jazz Festival, um dos mais importantes do mundo.

Natural de Recife, Amaro Freitas construiu uma linguagem musical singular, marcada por uma sonoridade crua e profundamente autoral. Sua obra propõe uma leitura fresca e “descolonizada” do jazz brasileiro, na qual dialogam com os elementos da tradição afro-brasileira, da espiritualidade indígena e das culturas populares. Ao entrelaçar com precisão estilos locais com o jazz contemporâneo, o pianista se consolidou como um dos músicos mais surpreendentes e virtuoses de sua geração, convidando o público a experimentar novas possibilidades sonoras.

Com seu mais recente álbum solo, "Y’Y" (2024), o artista presta uma homenagem à Amazônia - o título remete a uma palavra indígena para “água” ou “rio” - e propõe uma escuta atenta e respeitosa da natureza. A obra transita entre momentos de intensidade e contemplação, evocando, em sua primeira parte, as paisagens sonoras da floresta brasileira, e, na segunda, sua abordagem ao jazz contemporâneo. O disco conta ainda com colaborações de nomes como Brandee Younger, Jeff Parker e Shabaka Hutchings, ampliando o diálogo internacional de sua música.

"Baquaqua"

"Dona Eni"

sexta-feira, 24 de abril de 2026

.: Crítica musical: Julia Vargas traz seu trabalho mais autoral


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

Trabalho mais autoral da sua carreira, o álbum "D'Água" de Julia Vargas apresenta três canções assinadas por ela: “Pavio”, em parceria com Duda Brack, “Vem” e “Atrás da Cortina da Pantera”, ambas com música e letra de Julia Vargas; Dona de uma voz forte e interpretação contundente, a cantora oferece canções que vão agradar os amantes da boa música popular brasileira.

“Os álbuns que eu gravei anteriormente eram projetos de intérprete. Agora estou começando a trazer as minhas canções, movimento novo na minha história. Sempre tive uma timidez muito grande para falar sobre mim, sobre coisas que eu vivi. Tenho referências tão fortes de poetisas e poetas incríveis, que quando eu começava a compor, achava tudo pequeno, bobo. Só depois fui entendendo que a minha maneira de compor tem a sua beleza, também”, pontua Julia Vargas.

Com “D’Água” a artista propõe novas experiências, trazidas pelas canções autorais e parcerias inéditas, o que faz com a mesma desenvoltura com a qual construiu a solidez de sua carreira de intérprete. Além do repertório autoral, o álbum traz novas versões para “Comportamento Geral”, de Gonzaguinha, e “Maluca” (Luís Capucho), que havia sido gravada por Cássia Eller. Nesta faixa, Julia Vargas recebe Zélia Duncan para um dueto: A outra convidada do álbum é a cantora Roberta Sá, com quem Julia Vargas divide “Sinceramente”, de Khrystal e Moyseis Marques. Da compositora Lhuli, parceira de Lucina em vários clássicos da MPB, Julia escolheu “Flor Lilás”. “Bomba”, de Nicolas de Francesco e Alisson Sant, completa o repertório.

Nascida em Cabo Frio (RJ, rodeada por músicos na família, Julia Vargas é uma jovem artista que já contabiliza mais de 15 anos de atuação profissional.  A artista, que começou na dança, vem se destacando no cenário da música brasileira, dentro da chamada "nova MPB" e tem dois discos lançados: "Ao Vivo em Niterói" (2015) e "Pop Banana" (Biscoito Fino / 2017).

Já atuou ao lado de artistas como Ney Matogrosso, Zélia Duncan, Roberta Sá, Milton Nascimento, Alceu Valença, Elba Ramalho e Pedro Luís. Participou como solista da Orquestra Petrobras Sinfônica e possui vários outros registros relevantes. Seus mais recentes trabalhos fonográficos são o EP "Bruta Flor", em parceria com o Duo Gisbranco. Gravado para o projeto Primeiro Abraço, o single é o da canção "Pé na areia" e "Pé na Areia - remix”, este com o DJ Marcelinho da Lua - ambos lançados em 2021.

"Bomba"

"Comportamento Geral"

"Maluca"

domingo, 19 de abril de 2026

.: Zayn lança o quinto álbum de estúdio, “Konnakol”, com o single “Side Effects”


Cantor fará participações no "The Tonight Show Starring Jimmy Fallon", em 21 de abril, e no "The Drew Barrymore Show", no dia 23 de abril. Foto: Nabil Elderkin. Foto: Nabil Elderkin


O artista multiplatinado, compositor, produtor e filantropo Zayn lança hoje seu aguardado quinto álbum de estúdio, “Konnakol”, pela Mercury Records. A versão física do álbum já está disponível para pré-venda na UMusic Store. “Konnakol” é o projeto mais culturalmente inspirado de Zayn até hoje. Embora ele sempre tenha incorporado em sua música tradições vocais e rítmicas do sul da Ásia, aqui essas influências ganham ainda mais destaque. O álbum, com forte pegada pop, expande o som que os fãs conheceram em seu álbum de estreia recordista, “Mind of Mine”. O disco foi coproduzido por ZAYN ao lado de Malay (Frank Ocean, Lorde), com quem o cantor já havia trabalhado em “Mind of Mine” e “Icarus Falls”. O leopardo-das-neves, um símbolo profundo no sul da Ásia, presente na capa do álbum, representa o quanto sua herança cultural inspirou o projeto.

O álbum de 15 faixas é precedido pelo single principal “Die For Me” e por “Sideways”, uma faixa de pop R&B atmosférico impulsionada pelo falsete característico de Zayn. A faixa de abertura, “Nusrat”, uma homenagem ao músico paquistanês Nusrat Fateh Ali Khan, funciona como o eixo criativo de “Konnakol”, definindo a experimentação vocal e a direção sonora do álbum. O single mais recente, “Side Effects”, aposta em um pop R&B elegante e radiofônico, combinando sintetizadores suaves com seu falsete marcante enquanto explora as complexidades do amor e da devoção. “Fatal” traz uma energia mais voltada para a dança, pensada para apresentações ao vivo, com linhas de baixo vibrantes e um ritmo contagiante, enquanto “Breathe” oferece um momento mais suave e atmosférico. Lista completa de faixas abaixo.

Para promover o lançamento, Zayn fará sua primeira entrevista em um talk show noturno, acompanhada de uma performance no programa “The Tonight Show Starring Jimmy Fallon”, em 21 de abril, seguida por uma participação no “The Drew Barrymore Show”, em 23 de abril. Ele também iniciou a semana de lançamento estampando a capa da ELLE India, destacando a influência cultural global por trás do álbum.

Zayn dará início à sua maior turnê solo até hoje, a “The Konnakol Tour”, em 12 de maio de 2026, em Manchester, no Reino Unido. A turnê passará por grandes cidades ao redor do mundo, incluindo Londres, Los Angeles, Cidade do México, São Paulo e outras, antes de encerrar em 20 de novembro, em Miami, no Kaseya Center. No início deste ano, Zayn concluiu sua primeira residência em Las Vegas, onde apresentou e antecipou músicas inéditas de “Konnakol”. A revista Variety elogiou sua performance: “ele entregou vocais impecáveis, seu falsete característico e uma presença de palco visivelmente mais forte do que em sua última turnê”.

O álbum chega após o aclamado álbum “Room Under the Stairs” (2024), seguido por sua primeira turnê solo pelos Estados Unidos, Reino Unido e México. Recentemente, ele colaborou com Jisoo, do Blackpink, em “Eyes Closed”, que recebeu uma indicação ao iHeartRadio Music Awards 2026 na categoria Colaboração K-Pop Favorita e teve grande impacto global - estreando em #10 na Billboard Global Excl. U.S. (43,9 milhões de streams na primeira semana), #72 na Billboard Hot 100 dos EUA, #21 no Spotify Global e alcançando o topo do iTunes em mais de 40 países.

Lista de faixas de “Konnakol”:
1. Nusrat
2. Betting Folk
3. Used to the Blues
4. Sideways
5. 5th Element
6. Prayers
7. Side Effects
8. Met Tonight
9. Fatal
10. Take Turns
11. Blooming
12. Like I have you
13. Loving The Way I Do
14. Breathe
15. Die For Me

sexta-feira, 10 de abril de 2026

.: Crítica musical: Marcelão, do Yahoo para o mundo web


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural

Fundador da banda Yahoo, baterista, produtor musical e jornalista, além de colecionador de discos, Marcelo Ferreira, conhecido como Marcelão, decidiu criar um canal de comunicação nas redes sociais para compartilhar suas experiências e conhecimentos na área musical. E a iniciativa vem recebendo uma boa resposta junto ao público, que sugere até temas para os próximos vídeos.

“Eu percebi que podia contribuir de alguma forma para disseminar esse conhecimento acumulado de 40 anos atuando na música, produção musical e da minha coleção de discos. Como sou jornalista. achei importante ajudar a divulgar a informação correta e mostrar para outras gerações o que há de bom na música. Para mim, existem dois tipos de música: a boa e a ruim”, disse Marcelão.

Entre os vídeos está a série um ano em cinco discos, na qual ele busca listar cinco álbuns mais significativos de acordo com seu gosto musical. “Funciona como um amostra da produção daquele ano. É claro que há muito mais discos do que cinco,  mas a intenção é mostrar aquilo que mais me tocou como ouvinte e colecionador”, explicou

Outro projeto ligado ao canal é o "Conexão Rio-Berlim", no qual ele grava entrevistas com Ricardo Henrique, um amigo de longa data que atualmente reside na Alemanha. “Conversamos sobre os mais variados assuntos, sempre buscando trazer a visão dele sobre como é a vida na Alemanha”. Sobre a banda Yahoo, Marcelão disse que deixou de tocar bateria nos shows para se dedicar a direção musical e produção musical. “Após 40 anos tocando ao vivo, minha mão esquerda passou a doer mais intensamente. Na direção pude contribuir de uma forma muito gratificante".

A formação atual conta com Zé Henrique (baixo e vocal). Rodrigo Novaes (guitarra), Leo Mendes (teclados) e Diogo (bateria). E mantém a mesma pegada pop que consagrou a banda ainda nos anos 80, quando a banda emplacou hits radiofônicos. “ A banda está preparando o próximo disco 'O Agora é Real' para esse semestre. O primeiro single será  lançado em breve”. Quem quiser conferir o trabalho do músico é só acessar o canal dele no YouTube: Marcelão Yahoo - Tudo de Som.

"1973 - Um Ano em Cinco Discos"

Yahoo - "Toque de Mágica"

Yahoo -  "Mordida de Amor"

.: Crítica musical: Rolling Stones e os 50 anos de "Black and Blue"


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural

Recentemente os Rolling Stones anunciaram a reedição do álbum "Black and Blue", que completou 50 anos em 2026 e marcou uma nova fase com a entrada de Ron Wood no lugar de Mick Taylor, que preferiu sair da banda. Para entender melhor o contexto, é preciso lembrar que os Stones haviam gravado o álbum anterior ("It´s Only Rock´n Roll") que apesar das críticas favoráveis, acabou provocando tensões internas por parte de Mick Taylor, insatisfeito com a linha musical desenvolvida pela banda. O grupo contava com Mick Jagger (vocal), Keith Richards (guitarra), Bill Wyman (baixo) e Charlie Watts (bateria).

Com a iminente saída de Taylor, Jagger pensou em chamar Ron Wood, que havia participado da gravação do disco anterior. E obteve a aprovação dos demais integrantes. A entrada de Wood não só preencheu a lacuna deixada por Taylor como ainda agregou qualidade para a sonoridade da banda. Seu estilo se encaixou muito bem ao de Keith Richards.Outro destaque foi a participação de Billy Preston nos teclados, que já havia tocado com os Beatles anteriormente.

"Black and Blue" mostra uma influência direta do reggae nas faixas "Hey Negrita" e "Cherry Oh Baby",  esta última uma regravação de um hit do cantor jamaicano Eric Donasldson. Nas demais faixas se ouve aquele tipo de sonoridade habitual dos Stones, seja nas baladas "Memory Motel" e "Fool To Cry", seja em momentos mais rock´n roll como a ótimas "Crazy Mama" e "Hand Of Fate". Há ainda o blues na faixa "Melody" e um flerte com a música dançante na faixa "Hot Stuff". "Black and Blue" é um álbum de transição, que marca a entrada de Ron Wood. De uma certa forma, ajudou a pavimentar o caminho para os álbuns que viriam a seguir.

"Fool To Cry"

"Crazy Mama"

"Hand Of Fate"

sexta-feira, 3 de abril de 2026

.: Chris Standring no novo CD "Time Of Change" é puro soul jazz


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural

Chris Standring retorna em 2026 com onze canções inspiradas em composições que remetem a uma era de ouro. Este conjunto retrô-soul evoca uma época familiar, talvez nostálgica, em que arranjos sofisticados e belas harmonias estavam em voga. Com uma seção de metais de primeira linha, composta por quatro músicos, e uma vasta gama de cores orquestrais, além dos timbres únicos de guitarra de Chris, "Time Of Change" leva você a uma jornada revigorante do início ao fim.

Casar-se pela primeira vez e o falecimento de seu pai marcaram um período de mudanças para Chris Standring, guitarrista de jazz contemporâneo que já figurou no topo das paradas da Billboard. Com a nostalgia em mente e as transformações da vida moldando o terceiro ato de sua existência, Standring compôs e produziu onze novas canções para "Time of Change", que foi lançado pela Ultimate Vibe Recordings. O álbum, que mistura cool jazz inspirado nos anos 70 com grooves retrô de rhythm and blues, será promovido pelo primeiro single, “Hollywood Hustle”, uma faixa animada com toques de metais que começou a ganhar espaço em playlists e rádios no exterior.

Destaco as faixas "Photographs", com uma levada irresistível a la Steely Dan no arranjo. E a faixa "All The Good Times", com um groove que remete aos melhores trabalhos de Standring. Na verdade, as demais faixas estão no mesmo nível e merecem ser conferidas O quarteto principal de “Time of Change”, o décimo oitavo álbum de Standring, é formado por Standring (guitarras, teclados, programação, arranjos de metais e cordas), o baixista Andre Berry, o baterista Chad Wright e o percussionista Lenny Castro.

Quatro faixas do álbum contam com a participação de uma seção de metais composta por Brandon Fields (saxofone tenor), Tom Saviano (saxofone alto), Michael Stever (trompete) e Erik Hughes (trombone). Outros músicos que contribuíram para o álbum são o baixista vencedor do Grammy, Brian Bromberg, George Whitty (piano), Dave Karasony (bateria) e Rodney Lee, o tecladista que fez parceria com Standring na banda Solar System há trinta anos, no início de sua carreira musical. "Time of Change" é mais do que um álbum confessional de Standring. É uma verdadeira aula de como produzir e arranjar um disco mesclando elementos de soul e jazz fusion. É um trabalho de extremo bom gosto de Standring, que merece ser apreciado por amantes da música instrumental.

"Hollywood Hustle"

"Photographs"

"All the Good Times"

quinta-feira, 2 de abril de 2026

.: "Todos Os Olhos" mergulha na vida de Tom Zé estreia no SescTV e Sesc Digital


Dirigido por Jorge Brennand Junior, filme reúne depoimentos de artistas, familiares e parceiros para revisitar a trajetória de um dos criadores mais singulares da música brasileira. Foto: Rodrigo Palazzo


Antes de ser celebrado como inventor, Tom Zé foi, sobretudo, um observador. Um menino de Irará, no interior da Bahia, que aprendia escutando as conversas dos adultos e passava noites em claro tentando entender o que tinha ouvido. Talvez venha daí a curiosidade que atravessa sua obra, a sensação de que cada canção é uma pergunta aberta ao mundo. É nesse território de investigação que se move “Todos os Olhos”, documentário dirigido por Jorge Brennand Junior e produzido pelo SescTV, que estreia no canal, na plataforma e no app Sesc Digital, em 10 de abril, às 22h00.

Com 1h45 de duração, o filme constrói um retrato do compositor por meio de sua própria voz e de depoimentos de artistas, músicos, intelectuais e familiares que acompanharam diferentes momentos de sua trajetória. Entre lembranças pessoais e reflexões sobre arte, o documentário acompanha o percurso de um criador que sempre tratou a música como campo de experimentação.

O compositor e pesquisador Luiz Tatit relembra a diferença de rumos dentro da geração tropicalista: enquanto Caetano Veloso e Gilberto Gil buscavam dialogar com a música que ocuparia o rádio nos anos seguintes, Tom Zé preferiu seguir investindo em processos experimentais. Para Tatit, é justamente essa disposição para testar caminhos que continua despertando o interesse de novas gerações.

Ao longo do filme, artistas de diferentes campos comentam o impacto de sua obra. A cantora Mallu Magalhães observa a capacidade do compositor de permanecer conectado ao presente e ao futuro. Já a cantora Fernanda Takai destaca sua imprevisibilidade criativa, enquanto Ná Ozzetti chama atenção para a habilidade técnica que sustenta suas invenções musicais. Para o compositor José Miguel Wisnik, a música de Tom Zé nasce de um processo de elaboração constante, em que ideias se expandem como “comprimidos de música”.

Outras vozes ajudam a compreender o alcance dessa trajetória. O jornalista Leonardo Lichote observa que a obra do artista reúne referências que vão do sertão baiano à publicidade, do jornalismo à cultura urbana. Diante dessa mistura, sugere uma imagem curiosa: Tom Zé seria uma espécie de “cientista do sertão”, alguém que investiga sons, palavras e comportamentos como quem conduz um experimento.

“Todos os Olhos” também revela o lado íntimo do músico. A produtora Neusa Martins, companheira de Tom Zé há mais de cinco décadas, fala do cotidiano e do processo criativo do artista. O médico Ewerton Martins, seu filho, relembra a distância da infância e o momento em que passou a compreender a dimensão do trabalho do pai. Já os netos Maria Clara e João Gabriel compartilham memórias familiares e a experiência de ver o avô no palco.

Entre relatos de criação, histórias de bastidores e reflexões sobre arte e vida, o documentário constrói um retrato de um artista que nunca se acomodou à própria trajetória. No filme, Tom Zé diz que não pensa em parar de trabalhar e que, se a morte vier, prefere que seja no palco. Mais do que revisitar uma carreira, “Todos os Olhos” acompanha o pensamento de um criador que continua tratando a música como pergunta. No SescTV, estreia dia 10 de abril, sexta-feira, às 22h00. Acesse no sesc.digital neste link. Ou baixe o aplicativo, disponível para download nas lojas Google Play e App Store.


"Todos os Olhos" 
Direção: Jorge Brennand Junior | Produção: Eureka Imagens e Ideias | Realização: SescTV | Duração: 105 minutos | Classificação indicativa: livre | Grátis  


Aplicativo Sesc Digital
Filmes de ficção, documentários, produções originais, shows, mostras e festivais dão vida à nova plataforma de streaming do Sesc São Paulo. Disponível para Apple e Android, o app Sesc Digital é uma ferramenta intuitiva com acesso gratuito a vídeos em até 4K. Compatível com Chromecast e AirPlay, permite ao usuário assistir às obras audiovisuais sem cadastro e gerenciar perfis para toda a família. 


Sesc Digital

A presença digital do Sesc São Paulo vem sendo construída desde 1996, sempre pautada pela distribuição diária de informações sobre seus programas, projetos e atividades e marcada pela experimentação. O propósito de expandir o alcance de suas ações socioculturais vem do interesse institucional pela crescente universalização de seu atendimento, incluindo públicos que não têm contato com as ações presenciais oferecidas nas 40 unidades operacionais espalhadas pelo estado. No ar desde 2020, a plataforma Sesc Digital apresenta gratuitamente ao público conteúdos de diversas linguagens artísticas, como teatro, música, literatura, dança, artes visuais, entre outras. Com curadoria do CineSesc, a programação de cinema oferece ao público, filmes premiados, clássicos e contemporâneos, ficções e documentários, produções brasileiras e de várias partes do mundo. Saiba mais em Sesc Digital. 

sábado, 28 de março de 2026

.: Série documental "Carlinhos Brown em Meia Lua Inteira" estreia dia 14


Produção original nacional em quatro episódios retrata a vida e a obra de um dos artistas mais influentes da música brasileira, com depoimentos exclusivos de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Marisa Monte, Daniela Mercury e Arnaldo Antunes, entre outros. Foto: divulgação


A HBO estreia no dia 14 de abril sua nova série documental nacional, "Carlinhos Brown Em Meia Lua Inteira". Composta por quatro episódios de 60 minutos, a produção terá o lançamento de um novo capítulo toda terça-feira, às 21h00, no canal e na HBO Max. Produzida pela Giros Filmes, com coprodução de Candyall Music, a série mergulha na vida e na obra de Carlinhos Brown, cuja carreira ajudou a tornar a cultura da Bahia um fenômeno global e a transformar a comunidade onde cresceu. 

Ao longo dos episódios, "Carlinhos Brown Em Meia Lua Inteira" investiga as origens do músico, educador e empreendedor social no Candeal, em Salvador, e sua profunda conexão com a ancestralidade afro-brasileira que moldou sua identidade artística. A série documental reúne ainda depoimentos de grandes nomes da música e cultura brasileira, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Marisa Monte, Daniela Mercury, Margareth Menezes, Arnaldo Antunes, Bell Marques, Luiz Caldas, Lan Lanh, Márcio Victor, Sarajane, Marieta Severo e Deborah Colker, que ajudam a construir um retrato afetivo e multifacetado de Brown. 

Conduzida pelo próprio artista, a produção combina materiais de arquivo, bastidores e cenas exclusivas captadas especialmente para o projeto, além de momentos íntimos que revelam novas camadas de sua história - incluindo um encontro musical inédito com todos os seus oito filhos. A série também destaca sua atuação social na comunidade do Candeal, onde iniciativas lideradas por Brown ajudaram a transformar a realidade local por meio da arte, da educação e da cultura. 

Reconhecido como um dos protagonistas das revoluções sonoras da música brasileira contemporânea, Carlinhos Brown impulsionou movimentos como o Axé Music e o Samba Reggae e fundou a Timbalada, grupo que reinventou a estética percussiva nos anos 1990. Na série documental, esse legado musical e cultural ganha destaque, enquanto a produção revisita suas criações, parcerias e momentos marcantes para revelar o alcance de sua obra dentro e fora do Brasil. Autor de centenas de canções e parceiro de artistas de diferentes gerações, Brown também se tornou o primeiro músico brasileiro a integrar a Academia do Oscar, ampliando o reconhecimento internacional da música brasileira. 

"Carlinhos Brown Em Meia Lua Inteira" é uma série documental coproduzida pela Warner Bros. Discovery, Giros Filmes e Candyall Music com direção geral de Bianca Lenti e Belisario Franca e produzida por Mauricio Magalhães, Bianca Lenti, Belisario Franca e Beatriz Petrini. Pelo lado da Warner Bros. Discovery, assinam a produção Sergio Nakasone, Adriana Cechetti e Luciana Soligo.

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