A Música Brasileira perdeu um de seus talentos mais originais. Benito di Paula, cantor e compositor de vários sucessos faleceu no ílnal de semana. Tinha 85 anos e tratava de um câncer de próstata. Foto: Murilo Alvesso
Benito di Paula, nome artístico de Uday Veloso, nasceu em 28 de novembro de 1941, em Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro. Cantor, compositor e pianista, construiu uma das trajetórias mais singulares da música popular brasileira, tornando-se um dos grandes responsáveis por aproximar o samba de uma sonoridade romântica, marcada pelo piano, por interpretações intensas e por melodias que conquistaram milhões de brasileiros.
Filho de uma família musical, Benito desenvolveu desde cedo sua relação com os instrumentos e com a canção popular. Ainda jovem, começou a trabalhar como crooner, apresentando-se em casas noturnas do Rio de Janeiro. Posteriormente, passou por Santos e São Paulo, onde encontrou um ambiente decisivo para o desenvolvimento de sua carreira. Foi na noite paulistana que consolidou sua identidade artística e conquistou o público com uma maneira própria de cantar e tocar samba ao piano.
Sua projeção nacional ganhou força no início da década de 1970, quando assinou com a gravadora Copacabana e passou a lançar discos que rapidamente encontraram grande repercussão comercial. Em 1973, a canção “Retalhos de Cetim” tornou-se um dos maiores marcos de sua carreira. Com sua interpretação emotiva, o piano em primeiro plano e uma melodia de forte apelo popular, a música se transformou em um clássico da canção brasileira, atravessando gerações e recebendo gravações de outros intérpretes.
A partir daí, Benito emplacou uma sequência de sucessos que consolidaram sua presença no imaginário popular. “Charlie Brown”, “Mulher Brasileira”, “Do Jeito Que a Vida Quer”, “Se Não For Amor”, “Vai Ficar na Saudade”, “Tudo Está no Seu Lugar”, "Ah, como eu Amei" e “Proteção às Borboletas” estão entre as canções que ajudaram a definir sua obra. Suas composições combinavam romantismo, cotidiano, humor, sentimento e observação da vida brasileira, sempre com uma assinatura musical facilmente reconhecível.
Seu diferencial estava, sobretudo, na maneira de colocar o piano no centro do samba. Em uma tradição frequentemente identificada com o violão, o cavaquinho e os instrumentos de percussão, Benito desenvolveu uma estética em que o teclado harmônico conduzia a interpretação e estabelecia uma relação particular com a voz. Suas apresentações eram marcadas por gestos expressivos, forte presença cênica e uma entrega emocional que aproximava o artista de seu público.
Benito também rompeu barreiras entre diferentes segmentos da música popular. Sua obra dialogava com o samba tradicional, a canção romântica e elementos do jazz, sem perder o vínculo com a comunicação direta e com a experiência cotidiana dos ouvintes. Essa combinação contribuiu para que alcançasse públicos diversos e se tornasse um fenômeno de popularidade nas décadas de 1970 e 1980.
Embora tenha construído grande parte de sua trajetória a partir de composições próprias, Benito manteve relações importantes com outros criadores e intérpretes da música brasileira. Entre seus parceiros de composição estavam Chico Anysio, Adoniran Barbosa e Márcio Brandão, nomes que representam diferentes experiências e tradições da canção popular e também Jota Velloso, Ney Velloso e Ana Carolina Velloso (irmãos de Benito).
Sua obra também ultrapassou as fronteiras de seu próprio repertório. Composições de Benito foram gravadas por artistas como Roberto Carlos, Maria Bethânia e Alcione, demonstrando a capacidade de suas canções de encontrar novas interpretações e circular por diferentes universos musicais. “Retalhos de Cetim”, em particular, ganhou leituras de outros intérpretes brasileiros e estrangeiros, ampliando o alcance de sua criação.
O reconhecimento de sua música por artistas de gerações distintas reafirmou a força de um repertório que não dependia apenas da presença do próprio compositor para continuar vivo. Suas canções passaram a integrar o patrimônio afetivo da música brasileira, sendo revisitadas por intérpretes do samba, do pagode e da nova geração da MPB.
Nos últimos anos, Benito aprofundou o diálogo entre sua trajetória e a renovação da música popular por meio de seu filho, o cantor e pianista Rodrigo Vellozo. Juntos, lançaram o projeto O Infalível Zen, em 2021, aproximando a experiência musical do pai de outras referências estéticas e de uma perspectiva contemporânea. A parceria também simbolizou a transmissão de um legado artístico entre gerações.
Benito di Paula deixa uma obra que pertence à memória afetiva de diferentes gerações. Suas canções continuam a contar histórias de amor, saudade, alegria e cotidiano, revelando a força de uma música popular que encontra no sentimento uma de suas maiores formas de comunicação. Com certeza, o seu amigo "Charlie Brown" deve se sentir agradecido pelo fato de você ter apresentado para ele as nossas belezas naturais esse sentir nossa musica.
No dia 7 de agosto de 2025, a banda Pato Fusubiu ao palco da Audio Club, em São Paulo, para comemorar três décadas de um de seus álbuns mais emblemáticos: “Gol de Quem?”. Lançado em 1995 e produzido por Carlos Savalla, o trabalho posicionou o grupo mineiro como uma das formações mais originais da cena nacional, unindo rock alternativo, música pop, experimentação sonora e letras cheias de personalidade.
O show reuniu convidados que têm escrito capítulos importantes da música brasileira. Os cantores Tom Zé, Zélia Duncan, BNegão e Coral juntaram-se ao Pato Fu para interpretar canções emblemáticas do álbum, em novas e emocionantes versões. A plateia sortuda que disputou ingressos para lotar a casa testemunhou esses felizes encontros centrados no repertório do “Gol de Quem?”, e seguiu cantando a plenos pulmões músicas de todas as fases da banda, algumas há muito tempo não executadas ao vivo.
Fãs de várias gerações agora podem ter acesso à integra desse espetáculo, que foi registrado em formato audiovisual com direção e concepção assinadas por Batman Zavareze, direção musical de John Ulhoa e direção de produção de Aluizer Malab. O registro de áudio de “Gol de Quem? Ao Vivo” acaba de chegar às plataformas digitais. Em breve o projeto também ganhará versões físicas, sendo lançado em CD e vinil duplos em data a ser confirmada.
Formado em Belo Horizonte em 1992, o Pato Fu é considerado uma das bandas mais criativas da música brasileira. Tem 17 álbuns lançados, 3 Discos de Ouro, um Grammy Latino, APCA, vários prêmios MTV e Multishow no currículo e uma carreira marcada por uma videografia reconhecida. A formação atual reúne Fernanda Takai, John Ulhoa, Ricardo Koctus, Xande Tamietti e Richard Neves.
Alguns álbuns permanecem com a mesma relevância da época em que foram lançados. Um desses casos é o excelente "Hotel California" da banda americana Eagles, que de uma certa forma acabou elevando o patamar do grupo dentro do mainstream. "Hotel California" foi o quinto álbum de estúdio da banda e também o nome da música de maior sucesso do grupo. Ate ali o Eagles já havia conquistado um espaço com uma sonoridade próxima do folk rock.
A banda tinha como líderes o baterista Don Henley e Glenn Frey, além dos guitarristas Don Felder e Joe Walsh. Ambos responsáveis pelo antológico solo da faixa. O disco demorou oito meses para ser gravado, entre Março e Outubro de 1976. O disco traz a música de maior sucesso do grupo: a faixa-título "Hotel California", além de outros sucessos como "New Kid In Town" e "Life In The Fast Lane". Teve participação do guitarrista Joe Walsh já como um membro fixo da banda, ele que tinha se juntado ao grupo no ano anterior, ocupando o lugar de Bernie Leadon.
Se você ouvir novamente o disco, perceberá que tem uma sequencia de canções que se complementam. "Victim of Love" é a sequencia de baladas que encerra o album são outros destaques . A banda recebeu dois Grammy Awards, um pela música "Hotel California" na categoria "Record Of The Year" e outro pela música "New Kid in Town" na categoria "Best Arrangement For Voices".
Clara Ribeiro lança seu novo projeto musical, "Outras Ondas, Mesmas Cores", em colaboração com os produtores musicais Taleko e Warmando. Assinam também os beatmakers Holandês, Drei, GregoOnDeBeat, flowerthings, Jovelli, Crosstalk, CL Fez O Beat, Jacquelone e DJ Carlosz – que já produziu Anitta, Marina Sena e Bia Soull.
Primeiro álbum da artista, a iniciativa marca um momento de expansão em sua carreira. Depois de alcançar mais de 100 mil streams com o EP "Desabafos" (2025), em parceria com Chediak, Clara dá continuidade a uma pesquisa artística entre música eletrônica, R&B e experimentos sonoros.
Em "Outras Ondas, Mesmas Cores", Clara reúne diferentes artistas e produtores para atravessar gêneros como house, city pop, UK garage e grime. As faixas nasceram há alguns anos como composições e beats independentes. "Outras Ondas, Mesmas Cores" já está disponível em todas as plataformas.
O intérprete e compositor Lula Barbosa, reconhecido como um dos nomes mais importantes da música brasileira, apresenta-se no Centro Cultural Vila Itororó no dia 29 de outubro, quinta, às 19h. Antes do show, às 17h30, o artista conduz uma Vivência Musical aberta a todos os interessados. Tanto a vivência quanto o show têm ingressos gratuitos e contam com recursos de acessibilidade como intérprete de Libras e audiodescrição. Esta programação dá início ao projeto Lula Barbosa - Memória Viva, que celebra uma trajetória de mais de 40 anos na música brasileira.
No show, Lula Barbosa (voz e violão) - acompanhado por Omar Campos (guitarra), Elias Jó (piano e Direção Musical), Elias Caju (bateria) e Zazá (contrabaixo) - interpreta composições que ilustram toda a sua carreira, entre elas Mira Ira, Brincos e Tempo de Fé. Entre um número musical e outro, ele divide com o público algumas histórias, memórias ou curiosidades sobre as canções. Na vivência, o artista transforma sua experiência, suas músicas e suas histórias em conhecimento para seus fãs e para as novas gerações.
Lula Barbosa é dono de um timbre ímpar e de uma interpretação marcante e singular que adorna com naturalidade a diversidade brasileira de ritmos e estilos, indo da MPB ao pop, da música latina ao choro e ao jazz. Sua discografia, com 24 títulos, é prova da riqueza de sua obra, reunindo trabalhos autorais e homenagens a mestres da nossa cultura.
O projeto "Lula Barbosa - Memória Viva" - viabilizado pelo Edital Fomento CultSP - PNAB N° 19/2025 - Produção e/ou Manutenção de Projetos Culturais na Indústria Criativa por Pessoas 60+, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo - busca valorizar a trajetória do compositor e intérprete com quase cinco décadas de atuação na música popular brasileira. A iniciativa vem celebrar, registrar e difundir a vasta obra do artista que é um patrimônio vivo da canção brasileira.
Chico Chico e Orquestra Sesiminas lançam "3º Ato (Maré/Espelho, Parabelo da Existência, Altiva)", EP que fecha a trilogia ao vivo do show especial do cantor e compositor ao lado da orquestra, pela gravadora Deck. O terceiro e último ato dessa gravação, que vem sendo disponibilizada aos poucos, chega com as versões ao vivo de "Maré/Espelho", "Parabelo da Existência" (Chico Chico, Helder Quiroga, Oscar Vasconcelos) e "Altiva" (Chico Chico, Sal Pessoa). São canções autorais de Chico que, acompanhadas pela orquestra, ganham um tom ainda mais emocionante, encerrando com força um projeto que revelou novas camadas ao repertório do cantor.
O primeiro ato havia trazido o clássico de Zé Ramalho "Admirável Gado Novo" e as autorais "Toada", "Vai" e "A Felicidade". Já o segundo apresentou as canções "O Tempo Nunca Mais Firmou", "Terra à Vista" e "Urmininu". No espetáculo, Chico é acompanhado pela Orquestra Sesiminas e pelos músicos João Rafael (baixo), Pedro Fonseca (piano de cauda), Thiaguinho Silva (bateria) e Walter Villaça (guitarra).
Com o "3º Ato", o EP "Chico Chico & Orquestra Sesiminas" completa sua trilogia, registrando por inteiro uma apresentação especial que uniu a potência da orquestra à sensibilidade autoral de um dos novos nomes da nova MPB.
"Minha Beleza", o quarto álbum de Sofía Campos, surge de uma travessia: deixar para trás o que é conhecido e atravessar a vertigem da mudança. O álbum percorre a incerteza, com seus avanços e retrocessos, em uma busca pessoal e sonora. São dez canções atravessadas pelo desejo, pelos riscos, pelos vínculos e pelo impulso de recomeçar. Uma procura que também brinca e experimenta no campo sonoro, que se abre ao novo e aos seus desvios, guiada por uma bússola que aponta para o reencontro e o encantamento com a própria beleza.
O lançamento chega depois da apresentação de três singles: “Intacto”, “Cómo Viene Tu Amor” e “Vamos al Mar”, esta última em colaboração com o artista mexicano Caloncho. Em Minha Beleza, Sofía se permite sair de alguns de seus lugares habituais, experimentar novos ritmos e texturas e levar suas canções para uma sonoridade diferente, sem perder a intimidade, a sensibilidade e o peso da palavra que caracterizam sua obra.
A produção ficou a cargo de Kassin e Matías Cella. De volta à Argentina, o álbum continuou crescendo durante vários meses ao lado de Cella, até encontrar sua forma definitiva. O resultado é um trabalho que conecta as diferentes geografias que atravessam a identidade de Sofía: suas raízes argentinas, a infância vivida no Brasil e os anos que passou no México.
Indicada ao Latin Grammy 2022 na categoria Melhor Artista Revelação, Sofía Campos construiu uma trajetória que a levou a palcos da Argentina, do México, do Brasil e da Espanha, além de participar de festivais e encontros como SXSW e LAMC. Ao longo de sua carreira, colaborou com artistas como Jorge Drexler, para quem abriu o show no Movistar Arena, Caloncho, com quem divide a faixa “Vamos al Mar”, e Natalia Lafourcade, com quem colaborou em “Verde Nocturno”.
Ex-baixista da banda Barão Vermelho, Rodrigo Santos tem desenvolvido vários projetos interessantes em sua carreira solo; Agora ele apresenta um disco com releituras de canções de Nelson Motta. com várias participações especiais de convidados. Jogar luz sobre a obra de Nelson Motta foi uma ideia muito feliz, porque apesar de ser um compositor de várias parcerias de sucesso. Nelson Motta sempre foi pouco citado por essa sua contribuição na música.
Em que pese o fato dos vários hits nas rádios, o repertorio se concentra mais nos férteis anos 80, tem parcerias com Lulu Santos ("Tudo Azul", "Como Uma Onda", "Certas Coisas"). e Guilherme Arantes ("Coisas do Brasil"), passandos por outras canções tipo lado B que mereciam ser resgatadas. Com espírito agregador, Rodriho reuniu um seleto elenco de nomes conhecidos como Leila Pinheiro, Sandra Sá, Fernanda Abreu. Ivo Meirelles, Luiz Caldas, Lobão, Sergio Britto (Titãs), Frejat entre outros.
Difícil destacar uma única faixa ou participação especial. Paula Toller está em "Como Uma Onda". Leo Jaime canta "Sereia". E até Chico Chico, filho da Cassia Eller, canta o rock "Perigosa" (o antológico hit das Frenéticas). Mas eu estaria sendo leviano citando apenas essas faixas. O disco merece ser ouvido na integra. "Rodrigo Santos Canta Nelson Motta" é mais do que uma mera celebração. Ele mostra bem a importância de Nelson Motta na nossa música popular. Vale a pena ser conferido.
Há 50 anos, o músico britânico Peter Frampton lançava um álbum duplo ao vivo que se tornou o seu maior êxito em termos de vendagem, além do reconhecimento unânime da crítica especializada. O álbum denominado "Frampton Comes Alive" virou uma espécie de referência para a produção de discos ao vivo na seara do rock. O material foi gravado na maior parte na arena Winterland na turnê de 1975. Dentre os outros locais que foram gravados estão San Rafael na California, Long Island e State University em New York, e uma faixa no estúdio Record Plant, também na California.
Um dos destaques ficou por conta da épica "Do You Feel Like We Do", com uso prolongado do talkbox. Há uma ótima versão de "Jumping Jack Flash" (dos Rolling Stones) e dois singles de enorme sucesso "Show me the Way" e "Baby I Love your Way”. Essas duas faixas tocaram bastante nas rádios e até hoje são executadas. A banda na época contava com John Siomos na bateria, Stanley Sheldon no baixo e Bob Mayo na guitarra base e nos teclados. O álbum ficou posicionado em primeiro lugar nos Estados Unidos, e em sexto no Reino Unido. O single "Show me the Way" ficou em sexto lugar nos Estados Unidos.
O repertório passa pela fase inicial da carreira solo de Frampton, que na época ainda buscava se encontrar no mercado fonográfico, depois de ter tocado na banda Humble Pie com o também britânico Steve Marriott. É incrível notar que após todo esse tempo a sonoridade do disco continua soando atual. De uma certa forma ele mostrou as bases do que nos anos seguintes se chamaria de Arena Rock (ou Rock de Arena), quando as bandas passaram a tocar em locais de grande porte. Atualmente Frampton enfrenta sérios problemas de saúde. E mesmo assim continua na ativa, como um guerreiro incansável. Ele lançou o excelente álbum "Carry The Light", no qual mostra toda a sua competência como músico.
PorLuiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação
O grupo Sururu na Roda celebra 25 anos de trajetória com o lançamento de “Na Linha do Tempo”, seu novo álbum, que chega às plataformas digitais. Com direção musical de Rildo Hora e participação especial de Mart’nália, o disco revisita a história do Sururu a partir de um repertório afetivo, popular e profundamente ligado à memória do samba brasileiro.
O projeto nasce como uma biografia musical. Em vez de apenas olhar para trás, “Na Linha do Tempo” organiza a trajetória do grupo como uma travessia: dos primeiros anos na Lapa carioca ao reconhecimento nacional, das turnês internacionais à maturidade artística da formação atual. O resultado é um disco que celebra o passado, mas aponta para uma nova fase.
O álbum traz Ana Costa, Fabiano Salek e Silvio Carvalho à frente do Sururu na Roda, acompanhados pelos músicos Alexandre Caldi, Flavio Santos, Guinter Vieira, Luiz Augusto Guimarães, Maurício Massunaga, Ney Conceição, Marcelo Caldi, Dirceu Leite, Léo Ramiro e o próprio Rildo Hora, que também assina a direção musical.
Com 12 faixas, “Na Linha do Tempo” reúne canções que ajudam a contar a história do Sururu e sua relação com diferentes vertentes do samba. O repertório atravessa clássicos, memórias afetivas e escolhas que dialogam com a sonoridade construída pelo grupo ao longo de duas décadas e meia. Entre os destaques do disco está “Mascarada”, faixa que conta com participação especial de Mart’nália. O álbum também traz “Conversa de Botequim”, “Ex-Amor”, “Fogo de Saudade”, “Seja Sambista Também”, “Sambas de Roda”, “Água da Minha Sede”, “Sorriso Aberto”, “É”, “Testamento de Partideiro”, “Pura Semente” e “Mutirão de Amor”. Já “Sambas de Roda” aparece como um pot-pourri com por três músicas: “O Cavalo de São Jorge”, “Milagre” e “Todo Menino É Um Rei”.
Gravado no Estúdio Cia dos Técnicos, no Rio de Janeiro, com gravação e mixagem de William Luna, masterização de Alexandre Rabaço e produção de Alan Rabelo (Panda Produções), o álbum reafirma o Sururu na Roda como um dos nomes mais consistentes do samba contemporâneo. Mais do que um álbum comemorativo, ”Na Linha do Tempo” é uma declaração de permanência. Um brinde ao samba, à amizade musical e à capacidade de seguir reinventando a tradição.
PorLuiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação
Há vozes que pertencem a uma época. E há vozes que atravessam épocas. Claudya faz parte do segundo grupo. Aos 60 anos de carreira, a cantora celebra sua trajetória com o lançamento de um novo álbum ao vivo, que foi gravado na Casa Natura Musical, em março deste ano, e que chega a todas as plataformas digitais pela gravadora Kuarup.
O registro reúne 12 faixas - algumas apresentadas em medleys - e revisita diferentes momentos de uma carreira construída entre grandes compositores, diferentes gêneros da música brasileira e uma das interpretações vocais mais reconhecíveis de sua geração. O trabalho também promove três encontros especiais que simbolizam a força e a permanência da música brasileira: Alaíde Costa participa de “Dindi”, clássico de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira; Ayrton Montarroyos participa de “Ipanema Leblon”, de Sergio Fayne e Vitor Martins; e Patrícia Marx participa de “Com Mais de Trinta”, de Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle.
Aos 60 anos de carreira, Claudya poderia simplesmente olhar para trás. Mas escolhe fazer o contrário: revisita sua história para reafirmar sua presença no presente. O registro ao vivo funciona como uma espécie de fotografia artística dessa trajetória. Há espaço para clássicos, canções menos óbvias, composições próprias, repertório popular e momentos de forte experimentação interpretativa.
A abertura já anuncia essa diversidade. Claudya começa com “Deixa Eu Dizer”, de Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza, uma das canções mais associadas à sua trajetória, em um medley que inclui “Só Que Deram o Zero Pro Bedeu”, de Luis Wagner, “Agora Quem Ri Sou Eu”, parceria de Claudya e Cristiê, e “Garra”, de Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle.
O repertório segue por diferentes paisagens da música brasileira, passando por “Menina Fulô”, de Luiz Wanderley, e “Ossain”, de Antonio Carlos e Jocafi. A interpretação segura e singular de Claudya é uma qualidade que ela preserva de forma contundente. É realmente uma das nossas maiores cantoras da MPB e merece mesmo todas as ho.menagens
Relato bem-humorado da cantora sobre os percalços da turnê portuguesa de "Maré" ganha nova edição pela Cobogó
Para comemorar 18 anos de atividade, a Cobogó volta ao ponto de partida de seu catálogo e relança "Saga Lusa - O Relato de Uma Viagem", de Adriana Calcanhotto. Publicado originalmente em 2008, o livro ganha uma segunda edição com apresentação da própria autora e novo texto de orelha assinado pelo poeta Eucanaã Ferraz. Com humor afiado e uma boa dose de ironia, Adriana transforma os acontecimentos de uma turnê portuguesa em matéria-prima para uma narrativa tão divertida quanto improvável. A viagem aconteceu entre maio e junho de 2008, durante a temporada de shows do disco "Maré". O que deveria seguir o roteiro habitual de uma excursão musical acaba descambando para uma sucessão de situações pouco recomendáveis para quem deseja manter a agenda em ordem. Com capa de Felipe Kaizer, adaptada por Mari Taboada.
Depois de um voo entre Rio de Janeiro e Lisboa sem conseguir dormir, entrevistas logo na chegada e um show interrompido pela falta de luz, mas não pela disposição de continuar cantando, a artista ainda enfrenta uma gripe fortíssima e decide combatê-la com uma combinação desastrosa de medicamentos. O resultado é um surto psicótico provocado pelos remédios, que leva ao cancelamento de shows e compromissos durante vários dias.
No quarto do hotel, sem dormir por dias e cercada por médicos, hospitais, medicamentos, exames e pela incerteza sobre quando aquela situação chegaria ao fim, Adriana começa a escrever compulsivamente. A escrita aparece como uma espécie de fio terra, uma maneira de organizar o medo e preservar algum grau de lucidez enquanto tudo parece sair do controle. O episódio rende uma narrativa em que a cantora se coloca no centro da própria trapalhada e, em vez de esconder o ridículo da situação, explora suas possibilidades cômicas. A língua portuguesa vira brinquedo, canções e livros entram pela prosa sem cerimônia e a experiência de uma crise ganha contornos de aventura.
Entre uma situação absurda e outra, Adriana encontra uma espécie de lema para atravessar aquela temporada: "a alegria é a prova dos nove". A imagem do panda, criada pela própria autora para descrever sua aparência durante o período de recuperação, sintetiza bem o espírito do livro. A cantora observa a si mesma com uma mistura rara de espanto, carinho e deboche - qualidade que transforma um episódio bastante difícil em uma história de leitura saborosa. Compre o livro "Saga Lusa - O Relato de Uma Viagem", de Adriana Calcanhotto, neste link.
Sobre a autora
Adriana Calcanhotto é compositora, cantora e professora da Universidade de Coimbra, instituição da qual é embaixadora desde 2015. Com quatro décadas de carreira, lançou álbuns de estúdio, trabalhos ao vivo e registros audiovisuais de turnês realizadas em diferentes partes do mundo. Suas canções foram gravadas por nomes como Gal Costa, Ney Matogrosso e Marisa Monte. Também colaborou com poetas como Augusto de Campos, Antonio Cicero, Waly Salomão e Arnaldo Antunes. Como Adriana Partimpim, seu heterônimo voltado às crianças de todas as idades, lançou quatro discos e recebeu o Grammy Latino de Melhor Álbum Infantil.
Na literatura, trabalhou como ilustradora e organizou antologias de poesia. "Saga Lusa - O Relato de Uma Viagem", publicado pela primeira vez em 2008, marcou sua estreia na prosa. O livro também revelou outra faceta de uma artista que circula entre música e literatura com liberdade e personalidade próprias. Adriana Calcanhotto nasceu em Porto Alegre, vive no Rio de Janeiro e, como toda boa autora que sabe escolher suas companhias, ama os felinos.
PorLuiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação
A cantora e compositora mineira Barbara Rocha apresenta, em seu canal oficial no YouTube, um vídeo especial com os bastidores da turnê “Me and My Old Guitar” - projeto que nasceu de uma relação essencial entre artista, música e violão e ganhou as estradas de Minas Gerais em uma circulação marcada pela proximidade com o público, pela música autoral e pela troca de experiências.
O registro revela momentos que aconteceram antes, durante e depois das apresentações, mostrando um pouco da rotina da artista, os encontros com diferentes públicos e a construção de um projeto que resgata a essência de Barbara: voz, violão e canções que carregam histórias pessoais e sentimentos universais. E como dizia aquela canção de Milton Nascimento e Fernando Brandt, todo artista tem que ir aonde o povo está.
A proposta de “Me and My Old Guitar” surgiu a partir de uma lembrança afetiva. Antes dos palcos, das bandas e de toda a estrutura de um show, havia apenas Barbara, seu violão e o sonho de fazer música. O formato intimista representa justamente esse retorno às origens, aproximando a artista do público de maneira espontânea e permitindo que as canções sejam apresentadas em sua forma mais essencial.
Durante a turnê, Barbara realizou cinco apresentações em diferentes espaços e cidades mineiras: Associação Cultural Boi da Manta, em Sete Lagoas; CEU das Artes, em Sete Lagoas; Praça da Liberdade, em Belo Horizonte; Passarela do Empreendedor, em Corinto; e o encerramento na Serra de Santa Helena, em Sete Lagoas.
O público teve a oportunidade de conhecer melhor o processo criativo da cantora, ouvir suas histórias e compreender as experiências que deram origem às músicas. O projeto também promoveu atividades formativas, com oficinas como “Primeiros Passos na Composição” e “Produção Musical: tudo o que ocê precisa saber antes de começar”, realizadas no CEU das Artes, em Sete Lagoas, além de ações em Corinto e Belo Horizonte.
Com um repertório autoral de pop rock internacional cantado em inglês, Barbara Rocha também utiliza sua música como instrumento de conexão entre culturas. Além de cantora e compositora, ela é professora de inglês e acredita que o idioma pode ser uma ponte - e não uma barreira - para quem deseja conhecer novas culturas, ampliar horizontes e se comunicar com o mundo.
Essa característica faz parte da identidade artística de Barbara, que transita por referências internacionais sem abrir mão de sua origem brasileira. O resultado é um trabalho que dialoga com diferentes gerações e aproxima o público de sonoridades do pop rock internacional por meio de uma perspectiva autoral.
Suas músicas abordam temas como amor, perda, luto, esperança e relações humanas, criando uma identificação direta com quem acompanha seu trabalho. No formato voz e violão, essas histórias ganham ainda mais força e intimidade.
A experiência também reforçou a importância da Economia Criativa, movimentando profissionais ligados à produção cultural e criando oportunidades para novos encontros, parcerias e projetos.Ela pretende dar sequência a turnê acústica em paralelo ao projeto com acompanhamento de banda;
PorLuiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação
A cantora e compositora Luiza Girardello apresenta seu primeiro álbum, “World Ablaze”, já disponível em todas as principais plataformas digitais. O trabalho reúne nove faixas autorais que transitam por MPB, jazz, bossa nova, baião, rock e referências ao metal progressivo, refletindo a liberdade artística e as diferentes experiências vividas ao longo de sua trajetória.
Lançado pela ZA Music, com distribuição da Musikorama, o álbum tem produção de Luiza Girardello em parceria com o baterista, arranjador e coprodutor João Vitor Costa Dias. A gravação valoriza a sonoridade orgânica e espontânea, com os músicos tocando juntos em estúdio.
Como parte desse novo momento, Luiza também lançou o videoclipe de “Drunk On You”, disponível em seu canal no YouTube. Dirigido pelo cineasta Felipe Brêtas, com direção artística de Zabelê Gomes, o clipe utiliza a metáfora da bebida e da ressaca para abordar a dependência emocional e relacionamentos que ultrapassam os limites do saudável.
Se você puvir o trabalho de Luiza, encontrará dificuldade para classificá-lo em tipo de segmento musical. Podemos dizer que ela está próxima do jazz, porém também mostra elementos da nossa MPB. E aparenta não estar preocupada em seguir um estilo musical específico. Mas sim em mostrar a sua identidade musical moldada pelas suas influencias musicais. Trata-se de um trabalho interessante que merece ser conferido.
PorLuiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Fotos: divulgação
Formado em 1990, oEquale é um importante grupo vocal carioca que reverencia a MPB com trabalhos interessantes, conhecidos pela originalidade nas performances e pelos arranjos personalizados em mais de três décadas de carreira. O álbum “Salve, Aldir!”, que a Biscoito Fino acaba de lançar, se juntará a outros tributos fonográficos do grupo a compositores brasileiros, mote de uma discografia que inclui os álbuns "Expresso Gil" (2000), "Equale Canta Milton Nascimento - Um Gosto de Sol" (2004) e "Na Praia de Caymmi" (2017) - este último, vencedor do Prêmio da Música Brasileira de 2018 como melhor grupo de MPB.
Dessa vez, o Equale dá vozes ao cancioneiro do compositor Aldir Blanc (1946 - 2020), que completaria 80 anos em 2026. Nesta homenagem, o grupo rebobina parcerias não tão óbvias, com compositores como Djavan, Cristovão Bastos, Sueli Costa, Moacyr Luz e Maurício Tapajós, além de alguns clássicos com João Bosco e Guinga, dois dos principais parceiros do bardo carioca.
Com direção musical e regência do maestro André Protásio, produção musical do mesmo, em parceria com Flavio Mendes e Tom Andrade, o álbum conta com as participações especiais de Guinga, Ilessi, Marcos Sacramento e Cristóvão Bastos. A produção executiva do álbum é de Letícia Dias e da TAPA - Tom Andrade Produções Artísticas.
PorLuiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Fotos: divulgação
Há 92 anos, nascia no Rio de Janeiro a cantora Sylvia Telles, a voz que serviu como a imagem da Bossa Nova. Com personalidade forte e cativante, ela acabou influenciando várias outras canypras com sua interpretação peculiar e moderna. Sempre a frente de seu tempo. Sylvia D´Atri Telles nasceu em uma família que tinha a música sempre próxima. Embora fosse atraída inicialmente pela dança (ballet clássico) eLa acabou se descobrindo como intérptrete estimulada pelo seu irmão mais velgo, Mario Telles, que tinha discos e já atuava na música.
O compositor Anibal Augusto Sardinha, conhecido como Garoto, ajudou ela a encontrar trabalho no início da carreira. E foi nessa época também que conheceu um músico baiano com quem teve um breve namoro: João Gilberto. Sylvinha, como wea apelidada pelos amigos, fez sucesso com a canção "Amendoim Torradinho" no ano de 1955. Essa gravação foi determinante para a sua entrada no mercado fonográfico e dos shows ao vivo. Nesse mesmo ano casa-se com José Candido de Mello Mattos, o Candinho, com quem teve a primeira e única filha, Cláudia Telles, que mais tarde se tornaria também cantora.
Ela passou a frequentar as reuniões no apartamento da família de Nara Leão, que se tornou o berlo do movimento musical batizado como Bossa Nova, que conquistaria o mundo nos anos seguintes, Ela logo se identificou com o novo estilo, sendo até apontada como a personificação da Bossa Bova como intérprete. Em 1960 casou-se pela segunda vez com Aloisio de Oliveira, de quem se separaria em 1964.
Infelizmente Sylvinha faleceria no dia 17 de dezembro de 1966, em um acidente automobilistco com seu namorado na época, Horacio de Carvalho, na região de Maricá, no Rio de Janeiro. Tinha apenas 32 anos e uma carreira em crescente ascensão. Meu contato com a obra de Sylvia Telles aconteceu nos anos 80; no período em que busquei mais informações sobre os músicos e cantores que se destacaram na Bossa Nova. As interpretações de Sylvinha eram bem originais, fazendo com perfeição uma ponte entre a nossa MPB e o universo sofisticado do jazz.
Apesar de ter deixado um legado musical de valor inegável, a obra fonográfica de Sylvinha Telles permanece fora de catálogo. Felizmente há vídeos com diversas gravações e trechos de aparições na televisão. E nas platafoirmas de streaming você consegue encontar alguns discos lançados nos anos 50 e 60 pata ouvir.
Em 2022, foi lançada suaprimeira biografia, revelando-a dona de talento e comportamento a frente de seu tempo, símbolo de uma época e criadora de um estilo que permanece vivo e atual. Durante dez anos, o músico e pesquisador Gabriel Gonzaga mergulhou fundo em sua história; colecionou mais de 2500 recortes, reportagens, 200 fotos e cerca de 50 entrevistas que ajudam a contar os detalhes de uma vida intensa.
PorLuiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação
Há 60 anos os Beatles lançavam o álbum "Revolver", explorando ao máximo os recursos técnicos no estudio de gravação. Mais do que apontar tendencias, o disco consolidou a nova fase da banda, que abandonou os shows ao vivo ´para dedicar seu tempo para trabalhos conceituais e mais elaborados. O som de "Revolver" não se parecia com os trabalhos anteriores.
A começar que pela primeira vez George Harrison aparecia com três canções de sua autoria ("Taxman", "Love You To" e "I Want To Tell You"). Todas elas aliás são destaques nesse álbum. O detalhe curioso é que em "Taxman", o solo de guitarra foi feito por Paul McCartney e não por George, como ocorria habitualmente.
Na faixa "Eleanor Rigby", McCartney canta acompanhado somente por um octeto de cordas, em um dos momentos mais marcantes do disco. E sola os vocais na bela balada "Here There and Everywhere" e na animada "Got to Get You Into My Life", essa última com arranjo inspirado gravações da Motown e Stax, ícones da soul music nos anos 60. E também se destaca na balada "For No One", que fala do fim da relação dele com sua namorada na época, Jane Asher.
John Lennon apresenta momentos de flerte com o rock psicodélico em "She Said She Said", "I´m Only Sleeping" e "Tomorrow Never Knows". E Ringo sola o vocal em "Yellow Submarine". "Revolver", o álbum, foi o real divisor de águas na carreira musical dos Beatles. E o interessante é que passados 60 anos o trabalho continua relevante na atualidade, comprovando a força dos quatro músicos de Liverpool.
PorLuiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação
.Sob regência do maestro Felipe Prazeres, o concerto que lotou a Grande Sala da Cidade das Artes (RJ), em outubro de 2024, reuniu a Orquestra Petrobras Sinfônica com o grupo MPB4. Meses depois desta apresentação, que celebrou os 60 Anos da MPB, o quarteto e a orquestra voltaram a se encontrar para a gravação do álbum “MPB4 Sinfônico”, realizada na sala de ensaios da Petrobras Sinfônica, na Fundição Progresso, eternizando a parceria e os arranjos criados para o concerto.
A formação atual do MPB4 conta com Aquiles Reis, Miltinho. Dalmo Medeiros e Paulo Malagutti Pauleira. Os dois primeios estão desde o início, nos anos 60. E os outros entraram mais tarde, mantendo sempre a unidade do grupo, bem como a qualidade dos trabslhos desenvolvidos na música.
No repertório, clássicos da música popular brasileira que marcam a trajetória do MPB4, como “Apesar de Você”, “Olê Olá”, “Roda Viva” (as três de Chico Buarque), “Samba do Avião” (Tom Jobim), “Porto” (Dori Caymmi), “Velas Içadas” (Ivan Lins / Vitor Martins) e “O Ronco da Cuíca” (João Bosco / Aldir Blanc), entre outros. Destaque também para a canção Porto, composta por Dori Caymmi para a primeira versão da novela Gabriela, da Rede Globo.
Os arranjos levam as assinaturas de Jaime Alem, Itamar Assiere, Gilson Santos e Paulo Malaguti Pauleira. O álbum “MPB4 Sinfônico” é um daqueles casos de rara beleza da nossa música popular. E ao unir essas canções com o acompanhanento da Orquestra Petrobras, o grupo potencializou ainda mais a força das canções. Se você gosta da nossa MPB precisa conferir esse trabalho do MPB4.
Livro de Tiago Ramos e Mattos revisita a infância em Maceió, a descoberta do violão, a censura na ditadura e episódios pouco conhecidos da carreira de um dos grandes nomes da MPB
Celebrando cinco décadas de carreira, Djavan ganha um novo olhar sobre sua trajetória em “Djavan - Dizem que o Amor Atrai”, livro de Tiago Ramos e Mattos,publicado pela editora Trend Editora. A obra mergulha nas memórias, nos afetos e nas experiências que ajudaram a formar a identidade artística de um dos compositores mais marcantes da música popular brasileira. A narrativa começa na infância, em Maceió, e destaca a presença de Dona Virgínia, mãe do artista, na formação de sua personalidade.
O autor também investiga a relação de Djavan com as próprias raízes, a ancestralidade africana e a natureza, elementos que atravessam sua produção musical e ajudam a compreender a maneira particular como ele transforma sentimentos e observações do cotidiano em canções. Um dos momentos decisivos dessa trajetória aconteceu aos 16 anos, quando Djavan descobriu o violão e deixou para trás o desejo de se tornar jogador de futebol profissional. A mudança de rumo o levaria posteriormente ao Rio de Janeiro e ao início de uma carreira que alcançaria projeção nacional e internacional.
Para construir o perfil do músico, Tiago Ramos e Mattos conversou com familiares de Djavan, entre eles um sobrinho, a esposa dele e uma sobrinha-neta. O pesquisador também revisitou espaços ligados à infância do cantor em Maceió, buscando elementos que ajudassem a ampliar a compreensão sobre suas origens e relações afetivas. O livro ainda recupera histórias que despertam a curiosidade dos fãs. Entre elas estão o verdadeiro significado de “Flor de Lis”, a parceria que quase aconteceu entre Djavan e Michael Jackson, além de músicas censuradas durante a ditadura militar e composições inéditas.
Ao acompanhar cinco décadas de criação, o autor apresenta um Djavan atravessado por conquistas, perdas, preconceitos, paixões, relações familiares, posicionamentos políticos e constantes reinvenções. O resultado é um retrato que aproxima o leitor do homem por trás das canções e mostra como experiências pessoais podem se transformar em matéria-prima para a criação artística. Com pesquisa e relatos de pessoas próximas ao cantor, “Djavan - Dizem que o Amor Atrai” amplia o olhar sobre uma trajetória construída entre música, memória e identidade. A publicação também ajuda a entender como um jovem alagoano que sonhava com o futebol encontrou no violão o caminho para construir um dos repertórios mais reconhecidos da MPB. Compre o livro “Djavan - Dizem que o Amor Atrai”, de Tiago Ramos e Mattos, neste link.
Sobre o autor Doutor em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Tiago Ramos e Mattos dedica-se ao estudo de narrativas e à trajetória de grandes personalidades brasileiras. Antes de escrever sobre Djavan, publicou “Silvio Santos vem aí: a biografia-reportagem do ‘patrão’”, livro dedicado à história de um dos principais comunicadores do país. Compre os livros de Tiago Ramos e Mattos neste link.
PorLuiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação
Em um momento em que o mercado da música redescobre a força dos medleys e da nostalgia como estratégia para conquistar novas gerações, Renan Oliveira segue apostando em um caminho que já virou marca registrada de sua carreira. Depois de a primeira parte do audiovisual “Os Pagodes Que a Gente Gosta – Volume 3”, já ultrapassou de 3 milhões de reproduções nas plataformas digitais em poucas semanas, o cantor lança a segunda etapa do projeto gravado na Quadra da Portela; no Rio de Janeiro, tendo como destaque o encontro inédito com Thiago Soares.
A parceria acontece no medley “Entre a Cruz e a Espada / Namorada Nota Dez / História Combinada”, escolhido como faixa foco do lançamento. O encontro reúne dois artistas identificados com o pagode romântico em um repertório que atravessa diferentes gerações e reforça a proposta do projeto: revisitar clássicos que permanecem vivos na memória afetiva do público, sem abrir mão de uma interpretação contemporânea.
Gravado diante de cerca de quatro mil pessoas na Quadra da Portela, o audiovisual mostra que existe espaço para um pagode que cresce menos pela lógica dos desafios virais e mais pela conexão emocional com o público. O repertório reúne canções que marcaram os anos 1990 e 2000, período considerado um dos mais férteis da história do gênero, e transforma sucessos conhecidos em medleys que mantêm a energia de uma roda de samba.
A nova etapa também consolida o crescimento do projeto “Os Pagodes Que A Gente Gosta”, que já realizou mais de dez edições, passou por diferentes cidades brasileiras, reuniu públicos superiores a 15 mil pessoas e acumula mais de 64 milhões de reproduções considerando os lançamentos anteriore