Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.
O pianista pernambucano Amaro Freitas foi anunciado como vencedor do Prêmio Paul Acket 2026, uma das mais relevantes distinções do jazz internacional. Concedido anualmente a artistas cuja obra merece maior reconhecimento público por sua excelência e originalidade, o prêmio destaca trajetórias que vêm renovando o cenário do jazz contemporâneo em escala global. Criado em homenagem ao produtor e visionário Paul Acket, o prêmio é entregue durante o NN North Sea Jazz Festival, um dos mais importantes do mundo.
Natural de Recife, Amaro Freitas construiu uma linguagem musical singular, marcada por uma sonoridade crua e profundamente autoral. Sua obra propõe uma leitura fresca e “descolonizada” do jazz brasileiro, na qual dialogam com os elementos da tradição afro-brasileira, da espiritualidade indígena e das culturas populares. Ao entrelaçar com precisão estilos locais com o jazz contemporâneo, o pianista se consolidou como um dos músicos mais surpreendentes e virtuoses de sua geração, convidando o público a experimentar novas possibilidades sonoras.
Com seu mais recente álbum solo, "Y’Y" (2024), o artista presta uma homenagem à Amazônia - o título remete a uma palavra indígena para “água” ou “rio” - e propõe uma escuta atenta e respeitosa da natureza. A obra transita entre momentos de intensidade e contemplação, evocando, em sua primeira parte, as paisagens sonoras da floresta brasileira, e, na segunda, sua abordagem ao jazz contemporâneo. O disco conta ainda com colaborações de nomes como Brandee Younger, Jeff Parker e Shabaka Hutchings, ampliando o diálogo internacional de sua música.
"Baquaqua"
"Dona Eni"








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