Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com. Foto: Carlos Costa
A história de Diana Spencer já foi contada à exaustão pela imprensa, pelo cinema, pela televisão e pelos documentários. Ainda assim, "Diana - A Princesa do Povo", em cartaz no Teatro Liberdade até dia 5 de julho, encontra uma brecha rara: abandonar o fascínio pela figura mítica para observar a mulher que existia por trás das manchetes. O "comeback" de Sara Sarres não poderia ser me melhor. Ela retorna aos palcos em estado de graça. O reencontro dela com o teatro musical não poderia ter encontrado personagem mais poderosa.
Diana oferece a Sara Sarres todas as possibilidades dramáticas imagináveis, e a atriz aproveita cada uma delas. Vulnerável, divertida, apaixonada, indignada e determinada, a interpretação dela evita o retrato santificado que tantas vezes acompanha a princesa. Sara constrói uma mulher real, capaz de despertar empatia sem pedir complacência. Ao lado dela, Claudio Lins entrega um Charles distante da caricatura. A voz cristalina do ator encontra espaço para brilhar em números musicais que ampliam os conflitos internos do personagem. O espetáculo compreende algo que muitas produções ignoram: para que Diana funcione dramaticamente, Charles precisa existir como figura complexa. E Lins alcança esse equilíbrio com precisão.
Uma das decisões mais inteligentes da montagem está na construção de Camilla Parker Bowles. Giselle de Prattes afasta qualquer leitura simplista da personagem e oferece uma interpretação marcada pela humanidade. A Camilla defendida por ela não surge como antagonista de novela, mas como alguém que também espera, sofre e ocupa um lugar desconfortável dentro daquele tabuleiro afetivo. Curiosamente, a figura mais rígida e implacável da narrativa acaba sendo a Rainha Elizabeth II, defendida com firmeza por Simone Centurione. A presença dela no espetáculo ajuda a compreender que o verdadeiro embate nunca foi apenas amoroso, era institucional.
Dino Fernandes também deixa sua marca como James Hewitt. A participação dele ganha destaque em uma das cenas visualmente mais impactantes da montagem, envolvendo o célebre passeio a cavalo. É um momento que sintetiza liberdade, desejo e fuga em meio ao sufocamento imposto pela vida pública.
Marianna Alexandre confirma aquilo que o público habituado ao teatro musical brasileiro já conhece: a presença dela em cena funciona como um selo de qualidade. Nas sequências compartilhadas com Diana, interpretando Sarah Spencer, a atriz introduz afeto, cumplicidade e leveza sem desviar a atenção dos conflitos centrais. São passagens que lembram algo frequentemente esquecido quando se fala da princesa: antes de se tornar um fenômeno mundial, ela era uma mulher que acreditou sinceramente em uma história de amor. Tudo o que veio depois parece surgir como reação ao colapso dessa promessa.
O grande mérito de Tadeu Aguiar está em compreender essas nuances. A direção precisa dele evita julgamentos simplistas e conduz o espectador por zonas moralmente mais interessantes. Não há heróis absolutos e muito menos monstros definitivos em "Diana - A Princesa do Povo". Todos no espetáculo são pessoas presas a protocolos, interesses, expectativas e convenções que acabam esmagando qualquer possibilidade de felicidade genuína.
Com direção musical de Thalyson Rodrigues, cenografia de Natália Lana, figurinos de Ney Madeira e Dani Vidal e coreografias de Sueli Guerra, a superprodução da Estamos Aqui Produções transforma um episódio amplamente conhecido da cultura pop em uma experiência emocionalmente envolvente. O espetáculo revisita a trajetória da princesa Diana sem recorrer à reverência automática que costuma cercar a memória dela. O resultado é um musical que faz uma pergunta desconfortável e atual: o que acontece quando uma instituição milenar exige obediência de alguém que deseja apenas ser amada? A resposta, o mundo inteiro já conhece. O mérito desta montagem está em fazer o público voltar a senti-la.
Serviço
Espetáculo "Diana - A Princesa do Povo"
Espetáculo "Diana - A Princesa do Povo"
Local: Teatro Liberdade
Rua São Joaquim, 129 - Liberdade | São Paulo
Temporada até dia 5 de julho de 2026
Sessões: Sextas às 20h00, Sábado às 16h00 e 20h30. Domingos às 15h00 e às 19h30
Ingressos
Plateia Premium
Sexta-feira, sábado e 1ª sessão de domingo - R$340,00 (Inteira) | R$170,00 (Meia)
Quinta-feira e 2ª sessão de domingo - R$ 280,00 | R$140,00 (Meia)
Plateia
Sexta-feira, sábado e primeira sessão de domingo - R$250,00 (Inteira) | R$125,00 (Meia)
Quinta-feira e segunda sessão de domingo - R$ 190,00 | R$85,00 (Meia)
Balcão Visão Parcial - R$120,00 (Inteira) | R$60,00 (Meia)
Balcão A - R$170,00 (Inteira) | R$85,00 (Meia)
Balcão B: R$50,00 (Inteira) | R$25,00 (Meia)
Vendas: Site Sympla (https://bileto.sympla.com.br/event/114505) ou Bilheteria local
Gênero: musical
Duração: 150 minutos (com intervalo)
Classificação: 12 anos
Descontos
*Desconto 35%: Obtenha 35% de desconto no ingresso inteiro ao preencher o formulário durante o processo de compra.
Para comprar mais de um ingresso nessa modalidade, basta preencher um formulário por ingresso conforme será solicitado. Desconto disponível para todos os públicos.
*Clientes Glesp: têm 25% de desconto nos ingressos inteiros mediante a aplicação do cupom, limitado a 4 ingressos por cupom. Válido para todos os setores.
*Crianças até 24 meses não pagam entrada e ficam no colo dos responsáveis durante a apresentação. A partir de 02 anos e 1 dia, a criança paga meia-entrada mediante apresentação da carteira de identidade ou certidão de nascimento.
Ingressos
Internet (com taxa de conveniência):
Bilheteria física (sem taxa de conveniência):
Horário de funcionamento de bilheteria:
Atendimento presencial: de terça à sábado das 13h00 às 19h00. Domingos e feriados apenas em dias de espetáculos até o início da apresentação.
Acessibilidade
Deficientes físicos: teatros adequados às normas de acessibilidade, contendo elevador, corrimão, espaço para cadeirantes e acompanhantes, banheiros adaptados.
Deficientes físicos: teatros adequados às normas de acessibilidade, contendo elevador, corrimão, espaço para cadeirantes e acompanhantes, banheiros adaptados.
Deficientes auditivos – Agenda de apresentações com tradução em libras (em construção)
Deficientes visuais - Previsão de que, quando solicitada, a produção disponibilize texto da peça em Braile e resumo descritivo do espetáculo em Braille e em áudio (para cidadãos devidamente identificados)
Deficientes intelectuais – Quatro (quatro) assentos posicionados em local de fácil mobilidade para este público, proporcionando conforto caso haja necessidade de se retirar durante a sessão e, ainda, previsão de que, quando solicitada, a produção disponibilize abafadores de ruído (para cidadãos devidamente identificados)
Este espetáculo contém Luz Estroboscópica (flashes de luz intensa). Este efeito visual é contraindicado para pessoas com epilepsia, sensibilidade à luz ou autismo. Aconselhamos cautela.








0 comments:
Postar um comentário
Deixe-nos uma mensagem.