A escritora Bethânia Pires Amaro é uma das convidadas da programação oficial da Festa Literária Internacional de Paraty 2026, que será realizada de 22 a 26 de julho na cidade do sul fluminense. Revelada em 2023 com o livro de contos "O Ninho", publicado pela Editora Record, que venceu os prêmios Jabuti, APCA e Sesc e foi segundo lugar no Prêmio Clarice Lispector da Fundação Biblioteca Nacional, ela agora está lançando seu primeiro romance, "Ressalga", também pela Editora Record.
“Este convite para a programação principal da Flip é, para mim, um imenso reconhecimento ao meu trabalho, que recebo com muito entusiasmo e responsabilidade", disse a autora. “Paraty tem uma energia incrível de celebração das artes e do pensamento crítico, e fico muito feliz por fazer parte desta conversa coletiva, celebrando a força e a diversidade da nossa produção literária nacional”.
Pernambucana criada na Bahia e hoje morando em São Paulo, Bethânia traz no livro uma história forte e emocionante sobre memórias de três gerações de mulheres na Bahia que lutam contra heranças de um tempo que não deveria mais existir. Percorrendo o Recôncavo até Salvador, seguindo os rios da região, a narrativa fala de ancestralidades, escolhas e possibilidades.
Bethânia Pires Amaro nasceu em Recife, no Pernambuco, em 1988, mas foi criada na Bahia, em Ilhéus e Salvador. Graduada em Direito pela Universidade Federal da Bahia e mestre em Direito do Estado pela Universidade de São Paulo, é escritora, advogada e ministrante de cursos e palestras. "Ressalga" é uma narrativa sobre três gerações de mulheres que atravessam as geografias da Bahia e experimentam a dissolução das fronteiras entre o corpo e o mundo.
Janaína nasce sob o clarão dos fogos-fátuos, no interior do estado. Fascinada pelos olhos azuis da estátua de Nossa Senhora, envolve-se num escândalo que a leva a abandonar a cidade e atravessar o sertão, seguindo o curso dos rios na condição de lavadeira. Ao chegar ao Recôncavo, encontra morada às margens do rio Paraguaçu, numa casa constantemente inundada pelas cheias. A comunhão que estabelece com a água evanesce os contornos entre o cotidiano e a correnteza que arrasta diante do quintal os corpos de animais afogados.
Graça, sua filha, aprende cedo que narrar é também uma forma de sobreviver. Com ossos leves de pássaro e imaginação afiada, ela parte para Salvador na década de 1950, após um casamento arruinado, para trabalhar em “casa de família”. Da curiosidade e do desejo, nascem suas decisões mais audaciosas: transformando o próprio corpo em empreendimento, assume diversas identidades até se converter na Garça Preta, proprietária do cabaré mais renomado da Ladeira da Montanha, transitando pela era de ouro da boemia e pelo rigor dos anos de chumbo.
Flora, a neta, cresce à sombra das histórias da mãe e da avó. Décadas após o evento que levou à ruptura de sua família, ela retorna a Salvador em busca da memória da Mulher de Roxo, tentando decifrar se a lenda urbana que habita o imaginário soteropolitano é, na verdade, o paradeiro final de Graça. O retorno não é apenas geográfico, mas uma tentativa de costurar os fios de uma linhagem que sempre viveu entre a realidade e o mito.
Em "O Ninho", Bethânia Pires Amaro mergulhou em um mosaico de imperfeições e doenças familiares para desvelar esse ninho estranho, disforme, inseguro, destruindo as idealizações que pairam sobre as relações familiares, sobretudo quando se trata de maternidade. Seus quinze contos acompanham personagens femininas que habitam e produzem lares repletos de complexidade. O livro, vencedor dos prêmios Jabuti, APCA e Sesc, já está na quinta edição. Compre os livros de Bethânia Pires Amaro neste link.








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