segunda-feira, 6 de julho de 2026

.: "A Guerra das Bichas", romance do polemista Copi, ganha edição brasileira


Em um mundo em que os conflitos do século XX não foram resolvidos, mas apenas varridos para debaixo do tapete, "A Guerra das Bichas", romance do argentino Raúl Damonte Botana, conhecido como Copi, volta à tona com seu tom incômodo, violento e com um senso de humor inegável. Se as pessoas pensam que o fim está perto, como se a extinção da humanidade implicasse também no ponto final do planeta, o melhor talvez seja rir de todos os absurdos à nossa frente.O que leva ao começo de uma guerra? Diante dos noticiários atuais todos têm as próprias respostas e Copi também carrega as dele, e elas acabam colidindo neste livro.

Lançado originalmente em 1982, "A Guerra das Bichas" só agora ganha edição no Brasil, pela Editora Ercolano. De terras brasileiras e com planos de dominação intergalática chegam à França a travesti intersexo Conceïçâo do Mundô e o temerário boyceta Viniciô da Luná. Mas, antes de conquistarem o mundo, eles precisam tomar de assalto a vie en rose da classe média gay e branca parisiense. A guerra das bichas revela-se, ao mesmo tempo, uma obra de ficção científica, uma história de amor (ou do que fazer com o que resta do amor) e uma sátira fulminante dos nossos tempos. E, claro, uma fábula sem pé nem cabeça, mas com plumas de pavão. O livro tem tradução de Régis Mikail, projeto gráfico de Estúdio Margem e design de Tereza Bettinardi.

O romance é ainda uma chance de enfim as pessoas enquadrarem Copi no melhor da literatura fantástica da América Latina. Afinal, essa é uma espécie de Jornada nas estrelas queer, que mistura discos voadores e amazonas em fúria e conta até com “pontas” de Michel Foucault e Marguerite Duras, assassinados numa cozinha. Como explica a escritora e pesquisadora Amara Moira, consultora de linguagem da tradução brasileira, na orelha do livro: “Tudo é nonsense à primeira vista, mas tais cenas também brincam com os estereótipos e fantasias que o Norte Global criou em relação às nossas travestis. Impossível não lembrar de Viagem ao Brasil (1557), de Hans Staden, obra também conhecida como descrição verdadeira de um país de selvagens nus, ferozes e canibais, situado no Novo Mundo América: a diferença é que agora essas figuras estão levando sua barbárie à própria Europa”.

Falecido em 1987, aos 48 anos, em decorrência da aids, Copi tem sido publicado de forma dispersa no Brasil. A guerra das bichas é uma chance singular de os leitores brasileiros conhecerem um talento único da geração do pós-boom latino-americano. Compre o livro "A Guerra das Bichas", de Copi, neste link.
 
Sobre o autor
Raúl Damonte Botana (1939–1987), conhecido simplesmente como Copi, foi um escritor, dramaturgo, romancista e cartunista argentino radicado na França. Tornou-se uma figura central da cena contracultural francesa a partir dos anos 1960, reconhecido por seu humor absurdo e por sua linguagem provocadora. Na literatura e no teatro, Copi desenvolveu uma obra transgressora. Entre seus livros mais conhecidos estão os romances A internacional argentina (1988), O uruguaio (1973), A vida é um tango e A guerra das bichas (1982), além de peças fundamentais como Eva Perón (1970), sátira feroz sobre a figura da líder argentina que escandalizou parte do público à época. É considerado um dos autores mais originais da literatura argentina do século XX e uma figura fundamental da cultura queer e experimental latino-americana. Garanta o seu exemplar de "A Guerra das Bichas", de Copi, neste link.

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