Em homenagem à atriz, TV Globo exibe o especial "Tributo" nesta terça-feira, 18 de agosto, após "Além do Tempo". Foto: Globo/Matheus Malafaia
Laura Cardoso morreu na noite desta segunda-feira, 17 de agosto, aos 98 anos, na casa dela, em São Paulo. Segundo a família, a atriz morreu de causas naturais. Nascida Laurinda de Jesus Cardoso, ela se tornou uma das figuras mais importantes da dramaturgia brasileira e construiu uma trajetória artística que atravessou oito décadas, passando pelo rádio, televisão, teatro e cinema. A informação sobre a morte da atriz foi divulgada durante a manhã desta terça-feira, dia 18.
Como homenagem à artista, a TV Globo exibe nesta tarde o especial "Tributo", logo após "Além do Tempo", na Edição Especial. Gravado em 2024, o episódio da série documental revisita momentos marcantes da vida e da carreira de Laura, com depoimentos de amigos e colegas, além de lembranças da infância da atriz. Com a mudança na programação, o filme previsto para a "Sessão da Tarde" não será exibido.
Como homenagem à artista, a TV Globo exibe nesta tarde o especial "Tributo", logo após "Além do Tempo", na Edição Especial. Gravado em 2024, o episódio da série documental revisita momentos marcantes da vida e da carreira de Laura, com depoimentos de amigos e colegas, além de lembranças da infância da atriz. Com a mudança na programação, o filme previsto para a "Sessão da Tarde" não será exibido.
A atriz começou a trabalhar ainda adolescente. Aos 15 anos, deu os primeiros passos no rádio, na Rádio Cosmos. O reconhecimento nacional veio em 1952, quando participou do programa "Tribunal do Coração", da recém-inaugurada TV Tupi. Na emissora paulista, trabalhou com diretores como Dionísio Azevedo e Teixeira Filho e permaneceu até o encerramento das atividades, em 1980. Ao longo da carreira, a atriz acumulou mais de uma centena de trabalhos na televisão, entre novelas, séries e especiais.
Quando chegou à Globo, em 1981, já carregava o status de estrela. A estreia na emissora aconteceu em "Brilhante", de Gilberto Braga, na pele de Alda Sampaio, mãe da protagonista Luiza, interpretada por Vera Fischer. Depois de uma passagem pela TV Bandeirantes, onde participou de "Ninho de Serpente", de Jorge Andrade, e "Renúncia", de Geraldo Vietri, ambas em 1982, Laura voltou à Globo e retomou uma parceria importante de sua trajetória: a colaboração com o autor Walther Negrão. Com textos de Negrão, esteve em três novelas consecutivas: "Pão-Pão, Beijo-Beijo" (1983), como a inesquecível Donana; "Livre para Voar" (1984); e "Fera Radical" (1988).
A década de 1990 trouxe outros personagens marcantes. Laura participou de "Rainha da Sucata" (1990), de Silvio de Abreu, e "Felicidade" (1991), de Manoel Carlos. Em "Mulheres de Areia" (1993), interpretou Isaura Araújo, mãe das gêmeas Ruth e Raquel, vividas por Gloria Pires. No ano seguinte, foi a médium Guiomar, em "A Viagem".
Em 1995, viveu Sinhana, a chamada "mãe Coragem" da segunda versão de "Irmãos Coragem", clássico de Janete Clair dirigido por Luiz Fernando Carvalho. No mesmo ano, interpretou a cigana Soraya em "Explode Coração", de Glória Perez. A parceria com Walther Negrão voltou a render frutos em "Vila Madalena" (1999), novela em que Laura deu vida a Deolinda, uma matriarca italiana. Depois de uma breve passagem pela Record, onde esteve em "Vidas Cruzadas" (2000), de Marcos Lazarini, retornou à Globo em "A Padroeira" (2001), de Walcyr Carrasco. Em "Esperança" (2002), de Benedito Ruy Barbosa, interpretou Madalena, imigrante italiana que sonhava encontrar um marido. A personagem, novamente dirigida por Luiz Fernando Carvalho, estava entre as preferidas da atriz.
Do drama à comédia
Laura Cardoso tinha uma característica que ajudou a torná-la tão admirada: a capacidade de transitar por diferentes gêneros e personagens. Em "Chocolate com Pimenta" (2003), de Walcyr Carrasco, divertiu o público como Carmem, a avó do núcleo caipira. Em "Hoje é Dia de Maria" (2005), sua primeira minissérie na Globo, emprestou a voz à Senhora dos Dois Mundos, avó responsável por narrar histórias para Maria. A produção foi dirigida por Luiz Fernando Carvalho.
A atriz também participou do remake de "O Profeta" (2006), adaptado por Duca Rachid e Thelma Guedes a partir da obra de Ivani Ribeiro; de "Duas Caras" (2007), de Aguinaldo Silva; e de "Caminho das Índias" (2009), de Glória Perez, novela vencedora do Emmy Internacional de Melhor Telenovela, na qual interpretou a matriarca indiana Laksmi Ananda.
Em "Araguaia" (2010), de Walther Negrão, Laura viveu Mariquita, amiga de Antoninha, personagem de Regina Duarte, a quem cabia a criação do filho Fernando Rangel, interpretado por Edson Celulari. Já em 2012, ganhou novamente os holofotes ao interpretar Dorotéia em "Gabriela", releitura assinada por Walcyr Carrasco a partir da obra de Jorge Amado. A personagem, uma beata considerada "o pilar moral de Ilhéus", caiu no gosto do público.
No ano seguinte, Laura foi Veridiana em "Flor do Caribe". Aos 87 anos, em 2014, participou de três produções: o seriado "Segunda Dama" e as novelas "Boogie Oogie" e "Império". Em 2016, voltou a interpretar uma vilã, Dona Sinhá, em "Sol Nascente", de Walther Negrão, Suzana Pires e Júlio Fischer. Em 2017, destacou-se como Caetana em "O Outro Lado do Paraíso", de Walcyr Carrasco. Dois anos depois, reencontrou o autor em "A Dona do Pedaço", na qual interpretou Matilde.
Teatro, cinema e muitos prêmios
A televisão foi apenas uma das frentes de uma carreira gigantesca. Laura Cardoso também construiu uma história de respeito nos palcos e no cinema, acumulando prêmios e homenagens. No teatro, recebeu o Prêmio Shell em 1990 e 1993 pelas atuações em "Vem Buscar-me que Ainda Sou Teu", dirigida por Gabriel Villela, e "Vereda da Salvação", com montagem de Antunes Filho. Também foi reconhecida pela APCA, pelo Grande Otelo e por outras importantes premiações.
No cinema, estreou em 1964, com "O Sol", de Geraldo Vietri, e participou de mais de 20 filmes. Pela atuação como Selma em "Através da Janela", de Tata Amaral, recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cinema Brasileiro de Miami. Em 2001, conquistou o Grande Prêmio Cinema Brasil por "Copacabana", dirigido por Carla Camurati.
Em 2006, foi condecorada com a Ordem do Mérito Cultural, concedida pelo governo brasileiro por sua contribuição ao cinema, ao teatro e à televisão. Em 2021, recebeu o Prêmio Guarani Honorário. Em 2023, foi homenageada com o Troféu Oscarito no Festival de Cinema de Gramado, reconhecimento a uma trajetória fundamental para a história do audiovisual brasileiro.
Em outubro de 2025, Laura Cardoso ganhou uma estrela na Calçada da Fama dos Estúdios Globo, eternizando seu nome entre os grandes artistas que ajudaram a construir a dramaturgia brasileira. Viúva do ator e diretor Fernando Balleroni, Laura Cardoso deixa as filhas Fátima e Fernanda, as netas Claudia e Adriana e o bisneto Fernando. O velório acontece na manhã desta terça-feira, em São Paulo, em cerimônia restrita a familiares e amigos. A partida encerra uma das carreiras mais longevas e respeitadas da cultura brasileira. Laura Cardoso deixa personagens, histórias e uma presença artística que atravessou gerações — da era do rádio à televisão contemporânea.
Sobre "Tributo"
O especial dedicado a Laura Cardoso foi gravado em 2024 e recupera momentos da trajetória da atriz, reunindo depoimentos de colegas e amigos e memórias de sua infância. Exibição: terça-feira, 18 de agosto, após "Além do Tempo" (Edição Especial). Observação: em razão da exibição do especial, o filme programado para a "Sessão da Tarde" não será exibido.








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