sexta-feira, 14 de agosto de 2026

.: Mirada 2026 homenageia o Equador e celebra os 80 anos do Sesc com 10 dias


Com 41 espetáculos de 15 países e 16 ações formativas, a 8ª edição do festival bienal aborda temas como os deslocamentos territoriais, a festa como rito e ato político, questões ambientais e as relações entre trabalho, ócio e tempo. Foto: Macbeth_ft.Victor Otsuka / Papakuna_ft. Matias Canales / Vovó Surrealista_ft. Isaque Alves

De 3 a 13 de setembro de 2026, o Mirada - Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas chega à sua 8ª edição bienal, tem o Equador como país homenageado e acontece em diferentes cidades da Baixada Santista. Realizada pelo Sesc São Paulo, a programação de dez dias apresenta montagens de teatro, dança, performance em palcos, praças e espaços históricos de Santos, Cubatão, Guarujá, Praia Grande e São Vicente, reunindo artistas de diversas origens e linguagens.
 
Com sete espetáculos, a mostra Equatoriana apresenta a pluralidade da produção desse país. Além disso a programação conta ainda com a Mostra Internacional e a Mostra Nacional, cada uma com 17 espetáculos. Com destaque para as estreias nacionais: "Casa do Norte" (Grupo Clariô de Teatro), "Macbeth" (Cia. Extemporânea), "Vovó Surrealista" (Cia. de Feitos) "e ...ao mesmo tempo..." (Lume Teatro e a Cia. Clowns de Shakespeare), uma obra que dialoga com temas como o tempo, a memória e a continuidade, especialmente significativos em um ano de celebração dos 80 anos do Sesc.
 
"A programação desta edição reflete o compromisso do Sesc com a diversidade, a acessibilidade e a cooperação cultural. Ao ocupar teatros, ruas, praças e espaços históricos da Baixada Santista, o Mirada amplia o acesso à produção cênica contemporânea e promove encontros entre diferentes públicos e perspectivas. Neste ano, em que celebramos os 80 anos do Sesc, esse diálogo se fortalece com a presença de artistas de 15 países, incluindo a Guatemala pela primeira vez, ampliando as possibilidades de intercâmbio e construção de novos repertórios", afirma Luiz Galina, diretor do Sesc São Paulo.

A curadoria reuniu representantes do Sesc de diferentes regiões do país (AP, CE, MS, PA, PR, PE e RJ) e do Departamento Nacional, em um processo que incluiu ainda um fórum formado por uma equipe diversa de técnicos da linguagem que atuam no estado de São Paulo. Essa construção coletiva reafirma o compromisso da instituição com a diversidade, a acessibilidade, a cooperação transnacional e a cidadania. A programação organiza-se em quatro eixos: Mostra Equatoriana, Mostra Internacional, Mostra Nacional e Ações Formativas, que se relacionam e se complementam.
 

O Equador no centro da cena
Nesta edição, o Mirada coloca o Equador como país homenageado, direcionando o olhar para a produção das artes cênicas da América do Sul. Marcado pela presença dos Andes, da Amazônia e do litoral, o país traz ao festival uma cena que evoca ritos comunitários e tensiona feridas coloniais.
 
O espetáculo de abertura do festival é o "Me·de·as", do equatoriano Colectivo Mitómana. A obra revisita o mito de Medeia para discutir maternidade, luto coletivo e a subversão dos papéis atribuídos às mulheres, em uma releitura que une canto, dança e coralidade para abordar diferentes formas de resistência às imposições patriarcais.
 
O recorte equatoriano traz nomes e estéticas diversas. Entre os destaques estão o espetáculo "Papakuna - Agroteatro Cómico Musical" (da Colectiva Yama), que celebra as tradições milenares andinas e o cultivo de batatas nativas como ato de resistência cultural e comunitária, e "La Trocha" (da Runga Arte Experimental, em parceria com a artista argentina Melina Seldes), que investiga a travessia de migrantes na fronteira entre Colômbia e Equador.
 

Diálogos internacionais e a efervescência da cena nacional
A Mostra Internacional registra a participação inédita da Guatemala e a expansão de presenças caribenhas, ao lado de produções da Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Espanha, México, Peru, Portugal, Uruguai e Venezuela. Os espetáculos abordam temas importantes do nosso tempo - como migração, ancestralidade, justiça climática, repressão política e igualdade de gênero. 

Os destaques são o espanhol "Seppuku - El Funeral de Mishima o El Placer de Morir" (da encenadora Angélica Liddell), baseado no código espiritual dos samurais, que combina erotismo, ritualística e o teatro nô japonês; o chileno "Vampyr" (direção de Manuela Infante), um falso documentário sobre criaturas que resistem à divisão entre natureza e cultura para tratar de sustentabilidade; o argentino "Ayoub - El Amor Me Enseña a No Amar" (Marina Otero), que critica o colonialismo afetivo a partir do relacionamento entre um casal no Marrocos; e o mexicano "Mi Madre y el Dinero" (Anacarsis Ramos), no qual o diretor e sua mãe, Josefina Orlaineta, sobem ao palco após uma década de distanciamento para mostrar a história de uma mulher que manteve mais de 40 negócios ao longo da vida em busca da sobrevivência em uma das áreas de maior índice de pobreza no México.
 
A Mostra Nacional apresenta um panorama dedicado à diversidade das artes cênicas brasileiras, incluindo estreias nacionais, como...ao mesmo tempo..., que reúne o Lume Teatro e a Cia. Clowns de Shakespeare; uma versão contemporânea de "Macbeth" (Cia. Extemporânea), interpretada por um elenco de drag queens; e "Casa do Norte", no qual o Grupo Clariô de Teatro comemora duas décadas de história e afirmação cultural em Taboão da Serra.
 
Formação de novos públicos
A 8ª edição do Mirada reúne espetáculos voltados a públicos de diferentes idades, com obras que convidam crianças, jovens e adultos a se aproximarem das artes cênicas. Entre elas está "Vovó Surrealista", da Cia. de Feitos - baseado no livro de Carlos Canhameiro, o espetáculo acompanha uma avó analfabeta, que finge ler livros aos netos, mas inventa histórias e personagens. Já o áudio percurso "Tesoro, Santos" (da chilena Paula Aros Gho) convida o público a uma viagem lúdica pela cidade de Santos, guiada por vozes de crianças e jovens entre 7 e 15 anos.

Além dos espetáculos, o festival promove 16 ações formativas, com residências, vivências, oficinas, bate-papos e sessões de autógrafos de livros que privilegiam a escuta e a troca entre criadores e público, com o intuito de fomentar o pensamento crítico e a reflexão. Durante o período do Mirada - Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas, o Sesc TV exibe filmes, documentários e séries relacionados ao universo do teatro, que também estão disponíveis no Sesc Digital. Acesse a programação completa em sescsp.org.br/mirada ou pelo aplicativo Mirada Festival Sesc SP.


Mirada - Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas  
Criado em 2010 para evidenciar a diversidade de estéticas e as pesquisas nas artes cênicas dos países da América Latina e Península Ibérica, o Mirada chega à sua oitava edição reforçando as similaridades e pluralidades que se estabelecem entre a produção desses países em Santos e cidades vizinhas que carregam, além de beleza natural, a vocação de palco perfeito para evidenciar e proporcionar o intercâmbio entre os povos.


Sobre o Sesc
O Serviço Social do Comércio é uma entidade privada com finalidade pública, criada em 1946 por iniciativa do empresariado do setor de comércio de bens, serviços e turismo, e que tem como missão contribuir para a qualidade de vida dos trabalhadores dessas categorias, seus dependentes e da sociedade em geral. No estado de São Paulo, o Sesc conta com uma rede de 44 unidades, incluindo centros culturais e esportivos, bem como unidades especializadas. Oferece programações em diversas linguagens artísticas, atividades físico-esportivas e de turismo social, programas de saúde, educação para sustentabilidade, para a diversidade e para acessibilidade, alimentação, programas especiais para crianças, jovens e pessoas idosas, além do Sesc Mesa Brasil – programa institucional de combate à fome e ao desperdício de alimentos. O Sesc desenvolve, assim, uma ação de educação não formal permanente com o intuito de valorizar as pessoas ao estimular a autonomia, a convivência e o contato com expressões e modos diversos de pensar, agir e sentir.


Serviço
Mirada 2026 – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas
De 3 a 13 de setembro de 2026
Sesc Santos, espaços públicos e equipamentos culturais em Santos, Cubatão, Guarujá, Praia Grande e São Vicente.
Vendas de ingressos: a partir de 14 de agosto, às 15h00.
Programação e informações: sescsp.org.br/mirada e aplicativo Mirada Festival Sesc SP
Nas redes sociais pela hashtag #FestivalMirada 
Venda de ingressos a partir de 14 de agosto, às 15h, on-line pelo aplicativo Credencial Sesc SP e Central de Relacionamento Digital (centralrelacionamento.sescsp.org.br), ou presencialmente nas unidades do Sesc São Paulo.


Valores ingressos
Espetáculos adultos 
R$ 40,00 (inteira); R$ 20,00 (meia-entrada); R$ 10,00 (Credencial Plena)

Espetáculos para crianças  
R$ 30,00 (inteira); R$ 15,00 (meia-entrada); R$ 10,00 (Credencial Plena)
Menores de 12 anos têm entrada gratuita nas atividades infantis, mas precisam de ingresso.
 
Gratuidade nos teatros da Baixada Santista
Todos os espetáculos nos teatros de Cubatão, Guarujá e Praia Grande são gratuitos. A retirada de ingressos antecipados é realizada por meio do aplicativo Credencial Sesc ou pela centralrelacionamento.sescsp.org.br.

Legendagem
Todos os espetáculos, nacionais e internacionais, são apresentados com legendas em português e espanhol, com exceção dos espetáculos de rua, que não têm legenda.

Acessibilidade
Todos os espaços do Mirada são acessíveis para pessoas em cadeiras de rodas. O evento oferece serviços de interpretação em Libras e audiodescrição, além de dispor de espaço para acomodação sensorial para alguns espetáculos. Algumas obras possuem elementos sensoriais que podem causar desconforto.

Sesc Santos
Rua Conselheiro Ribas, 136 - Aparecida, Santos / SP
Terça a sexta, 9h00 às 21h30. Sábados, domingos e feriados, 10h00 às 18h30
Informações em sescsp.org.br/mirada 

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