quinta-feira, 3 de setembro de 2026

.: “Leia Perigosamente” desafia o medo e devolve à literatura poder de resistência


Novo livro de Azar Nafisi, autora de “Lendo Lolita em Teerã”, investiga por que regimes autoritários temem tanto os livros e aposta na imaginação como ferramenta de liberdade


Livros podem parecer objetos inofensivos. Cabem numa mochila, numa estante e até debaixo do braço de quem atravessa uma fronteira. Para governos autoritários, porém, algumas páginas podem ser bem mais perigosas do que parecem. É justamente nesse território que a iraniana Azar Nafisi mergulha em “Leia Perigosamente - O Poder Subversivo da Literatura em Tempos Conturbados”, lançamento da Editora Record. A tradução é de Marina Vargas.

Conhecida mundialmente pelo livro “Lendo Lolita em Teerã”, Nafisi retoma a literatura como instrumento de resistência e examina a relação incômoda entre livros, imaginação e poder. O ponto de partida são cartas escritas entre 2019 e 2020 para o pai, morto 12 anos antes. Ao escrever para alguém que já não poderia responder, a autora tenta organizar um mundo que parecia perder o juízo: o primeiro governo de Donald Trump, a pandemia, guerras e transformações políticas.

A experiência pessoal se mistura à trajetória de professora de literatura e cidadã do Irã e dos Estados Unidos, país para onde imigrou. O resultado é uma reflexão que passa pelos livros que Nafisi lecionou e pelos autores que ajudam a compreender os mecanismos de controle, intolerância e desumanização. Para explicar por que ditaduras e regimes fascistas enxergam a literatura como ameaça, a autora convoca nomes como James Baldwin, Zora Neale Hurston, Margaret Atwood e Toni Morrison. São escritores que ajudam a iluminar questões do presente e a lembrar uma ideia que regimes autoritários conhecem muito bem: imaginar outras possibilidades pode ser o primeiro passo para deixar de aceitar a realidade imposta.

De Ray Bradbury, com seus livros queimados em “Fahrenheit 451”, ao fatwa contra Salman Rushdie, Nafisi aproxima ficção e realidade para mostrar como o controle da palavra costuma andar de mãos dadas com o controle das pessoas. Quando se tenta impedir alguém de ler, imaginar e questionar, a censura deixa de mirar apenas páginas. Ela passa a mirar a própria capacidade humana de pensar.

A autora defende a literatura como espaço de diálogo, empatia e humanização até daqueles que enxergamos como inimigos. Para isso, a democracia é fundamental. Afinal, uma sociedade em que todos precisam pensar igual pode até parecer organizada - mas literatura costuma ter alergia a esse tipo de ordem. Com “Leia Perigosamente”, Azar Nafisi recupera a dimensão política da leitura sem transformar o livro em um manual de palavras de ordem. Sua aposta está na imaginação, na memória e na capacidade que grandes obras literárias têm de oferecer companhia quando o mundo parece cada vez menos razoável. É uma defesa apaixonada dos livros em uma época que continua produzindo motivos para desconfiar de quem prefere leitores obedientes. Compre o livro "Leia Perigosamente", de Azar Nasifi, neste link.


O que disseram sobre o livro
“A escrita para seu falecido pai reforça o tom do livro de Nafisi, que se volta para o exemplo do passado corajoso frente ao poder e também para uma tradição de grandes obras da literatura como consolo e guia. Com sensibilidade e inteligência, oferece um novo cânone para as tiranias do presente e as possibilidades distópicas do futuro." – Washington Post

“Uma defesa apaixonada da literatura como caminho para liberdade.” – Boston Globe


Sobre a autora
Azar Nafisi nasceu no Irã e, aos 13 anos, foi estudar na Inglaterra. Nos Estados Unidos, concluiu o doutorado em literatura inglesa pela Universidade de Oklahoma. Em 1979, após a derrubada da ditadura e a criação da República Islâmica do Irã, retornou ao país esperando encontrar um cenário de mudanças políticas. O que encontrou, porém, foi um regime de terror comandado pelos aiatolás. Nafisi permaneceu em Teerã por 18 anos. Entre 1979 e 1981, lecionou literatura inglesa na Universidade de Teerã, de onde foi expulsa por se recusar a usar o véu. Depois, passou pela Universidade Livre Islâmica e pela Universidade Allameh Tabataba'i. 

Autora de seis livros, tornou-se conhecida internacionalmente com “Lendo Lolita em Teerã”, memórias sobre o curso secreto de literatura que ministrou para sete mulheres em Teerã. A obra foi traduzida para 32 idiomas e recebeu, entre outros prêmios, o Prix du Meilleur Livre Étranger. Atualmente, Nafisi vive em Washington, nos Estados Unidos, e já colaborou com veículos como The New York Times, The Washington Post e The Wall Street Journal. Compre os livros de Azar Nafisi neste link.


Conheça também
“Lendo Lolita em Teerã: Memórias de Uma Resistência Literária”
, publicado pela Editora Record, recupera as memórias de Azar Nafisi durante o período em que ministrou secretamente um curso sobre clássicos da literatura para sete mulheres na capital iraniana. No final de 2024, o livro ganhou uma adaptação cinematográfica dirigida por Eran Riklis, disponível em streaming. A obra também foi escolhida para a 7ª edição do Clube do Livro Prioli Karnal, comandado por Gabriela Prioli e Leandro Karnal. A tradução é de Marina Vargas. Compre o livro neste link.

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