sábado, 12 de setembro de 2026

.: Vladimir Brichta em “O Menor Palco do Mundo” leva a paternidade ao teatro


“O Menor Palco do Mundo”, primeiro solo de Vladimir Brichta, transforma cartas, histórias e imaginação em uma reflexão sobre paternidade, distância, afeto e reconstrução dos vínculos. Foto: Julia Mataruna

Histórias carregam valores, aproximam pessoas e podem servir de abrigo quando a vida aperta. Em “O Menor Palco do Mundo”, primeiro espetáculo solo de Vladimir Brichta, contar histórias ganha outro peso: torna-se uma maneira de enfrentar a distância e manter vivos os vínculos entre um pai e seus filhos. A temporada de estreia acontece no Teatro Vivo, em São Paulo, de 10 a 31 de outubro, com apresentações às sextas e aos sábados, às 20h00, e aos domingos, às 18h00. Inspirado na história real do premiado autor australiano Kim Crotty, o espetáculo tem dramaturgia de Luiz Felipe Reis e Paula Picarelli, direção de Luiz Felipe Reis e idealização de Aura Cunha e Paula Picarelli.

A história acompanha Crotty, um pai que, depois de cometer um erro e ser preso, procura uma maneira de continuar presente na vida dos filhos. Dentro da prisão, começa a inventar histórias e enviá-las às crianças por cartas. O gesto, nascido de uma situação limite, encontra na imaginação uma possibilidade de aproximação. Entre palavras, personagens e fantasia, ele tenta diminuir a distância e reconstruir a relação com os filhos. As idealizadoras Aura Cunha e Paula Picarelli contam que há algum tempo estava procurando um texto que tivessem vontade de montar, até que a Paula leu uma matéria sobre a obra de Kim Crotty. 

Para Vladimir Brichta, a montagem também encontrou ecos em experiências pessoais e familiares. Primeiro espetáculo solo do ator, “O Menor Palco do Mundo” chega ao Brasil carregado de uma história australiana, mas encontra uma ponte em sentimentos que não precisam de tradução. “Tem coisas que só arte é capaz, como encurtar os espaços via afetos. Estive minha vida toda do outro lado do mundo dos australianos, imaginando, assistindo, vendo de sua cultura. Tive uma filha que visitou o país e sonhei em ter a mesma sorte um dia. Fui aconselhado pela minha agente a não estimular os filhos a irem viver na Austrália. Os filhos dela viveram lá e um deles casou e morou durante anos, para sofrimento dela por conta da saudade e da distância. Eis que já reverberava aí a peça de Kim Crotty, a nossa peça”.

“Fui tocado de imediato pela premissa do espetáculo, um homem, um pai, que comete um erro e precisa pagar por ele. Mas o preço não contabilizado é a distância dos filhos que tanto ama e também uma reflexão profunda sobre paternidade e amor, sob o signo da dor da distância, mas também do lúdico do diálogo e da conexão com nossos filhos quando pequenos”, completa o ator. “Um relato tão pessoal e comovente como o de Kim só faria sentido aqui, do outro lado do mundo, se também permeado por alguma pessoalidade de quem a conta, com as particularidades de se viver no Brasil. Estou muito feliz de trazer aos palcos um relato tão afetivo de Kim Crotty e igualmente feliz de diminuir a distância geográfica em nome de algo universal como amor e paternidade”, finaliza ele.

Luiz Felipe Reis, responsável pela direção e pela dramaturgia ao lado de Paula Picarelli, vê no título da peça uma imagem ligada ao espaço íntimo onde cada pessoa guarda suas experiências, lembranças e conflitos. O diretor conta que “O Menor Palco do Mundo” é, para mim, aquilo que todo humano carrega em si, em seu corpo e subjetividade, desde tempos imemoriais: este nosso pequeno palco-teatro interior, repleto de vísceras, pensamentos e emoções, em que buscamos metabolizar e elaborar o que vivemos nesse imensurável teatro da vida em que estamos imersos, com todos os seus mistérios e revelações, assombro e encantamento”.

“A peça é, por tudo isso, um conjunto de elaborações que ocorre a partir de um improvável encontro cênico entre um autor australiano e um ator brasileiro. Pais que precisam lidar, por diferentes razões, com a distância em relação a seus filhos, e a partir daí enfrentam a própria solidão, isolamento, a saudade, o vazio, a fragilidade e a impotência diante de acontecimentos menores ou maiores, até o ponto inevitável, sem escape, em que precisam olhar e adentrar o teatro das suas próprias vidas, olhar sem desvios pras suas próprias histórias, escolhas e crenças em busca, quem sabe, de uma possível transformação”, conclui Luiz Felipe Reis.

A montagem também olha para os modelos de masculinidade transmitidos entre gerações. Histórias de heróis, aventuras e provas de coragem apresentadas aos meninos desde a infância ajudam a construir uma ideia de homem associada à força e à resistência. A peça abre espaço para sentimentos que costumam ficar fora desse repertório, como medo, fragilidade e afeto. O espetáculo original, “The Smallest Stage”, de Kim Crotty, foi produzido pelo BREC, coproduzido pelo Festival de Perth e vencedor da categoria de Melhor Produção de Palco Principal no Performing Arts WA Awards (PAWA Awards), em 2023.


Ficha técnica
Espetáculo "O Menor Palco do Mundo"
Elenco: Vladimir Brichta. Texto: Kim Crotty. Dramaturgia: Luiz Felipe Reis e Paula Picarelli (a partir do texto de Kim Crotty). Direção: Luiz Felipe Reis. Iluminação: Beto Bruel. Cenografia: Marisa Bentivegna. Trilha Sonora: Felipe Habib. Figurino: Theodoro Cochrane. Trabalho Corporal: Toni Rodrigues. Assistente de iluminação: Sarah Salgado. Assistente de direção e de produção (RJ): Julia Lund. Tradução: Aline Filócomo. Identidade visual e projeto gráfico: Guilherme Falcão. Fotos: Julia Mataruna. Assessoria de Imprensa: Pombo Correio. Produção executiva: Vini Silveira e Yumi Ogino. Idealização e diireção de produção: Aura Cunha (Elephante Produções) e Paula Picarelli (Frey Produções). Realização: Cachalote Produções.

Serviço
“O Menor Palco do Mundo”, com Vladimir Brichta
Temporada: 10 a 31 de outubro de 2026. Horários: sextas e sábados, às 20h00; domingos, às 18h00
Teatro Vivo | Av. Chucri Zaidan, 2460 - Morumbi / São Paulo. Ingressos: R$ 150,00 (inteira), R$ 75,00 (meia-entrada), R$ 50,00 (ingressos populares - inteira) e R$ 25 (ingressos populares - meia-entrada). Vendas on-line: https://bileto.sympla.com.br/event/126035/d/409541/s/2668902. Bilheteria: (11) 3430-1524. Horário de funcionamento da bilheteria: duas horas antes da apresentação. Duração: 80 minutos. Classificação: 14 anos. Capacidade: 274 lugares. Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida. Sessões com interpretação em Libras e Audiodescrição nos dias 10, 11, 16, 17, 18, 23, 24, 30 e 31. Estacionamento no local: entrada pela Av. Roque Petroni Jr, 1464. Valor R$ 30. Funcionamento 2h antes da apresentação e até 30 minutos após a sessão. A temporada de 10 a 31 de outubro será realizada através da Lei Rouanet do Ministério da Cultura e conta com o patrocínio da Vivo.

0 comments:

Postar um comentário

Deixe-nos uma mensagem.

Tecnologia do Blogger.