Espetáculo de Daniela Tozzi, com direção de Lavínia Pannunzio, estreia em 9 de novembro no Teatro Estúdio e acompanha uma mulher diante da espera por atendimento para a companheira. Foto: Manoel Marques
O encontro entre a dramaturga Daniela Pereira de Carvalho e a atriz Daniela Tozzi deu origem a "Acesso", espetáculo que parte de uma experiência de escrita teatral para chegar ao palco com uma história sobre espera, desamparo e as muitas faces de um hospital público. A montagem estreia em 9 de novembro, no Teatro Estúdio, em São Paulo, onde permanece em curta temporada até 22 de dezembro, sempre às segundas e terças-feiras, às 18h30.
O texto teve sua primeira versão desenvolvida por Daniela Tozzi durante um curso de escrita teatral na CAL – Casa das Artes de Laranjeiras, no Rio de Janeiro. O que começou com apenas três páginas ganhou novos contornos durante um processo de orientação dramatúrgica e, posteriormente, encontrou na diretora Lavínia Pannunzio a responsável por levar a obra ao palco.
“O texto 'Acesso' tem origem com apenas três páginas em um curso online que fiz na CAL – Casa de Artes Laranjeiras/RJ com a dramaturga Daniela Pereira de Carvalho, que posteriormente me incentivou a dar continuidade ao processo de escrita e me tornei sua orientanda por sete meses em encontros online individuais durante o ano de 2025. O primeiro encontro fez nascer o texto 'Acesso'. O segundo nascer o espetáculo. Convidei a diretora Lavínia Pannunzio para ouvir uma leitura e ela por sorte minha, aceitou encená-lo. Durante o processo de montagem o texto original foi adaptado primorosamente pela diretora para o palco, possibilitando o terceiro encontro, com o público. Só tenho a agradecer imensamente, Daniela Pereira de Carvalho e Lavínia Pannunzio por todo amparo criativo para que 'Acessp' pudesse nascer”, declara Daniela Tozzi.
Em "Acesso", Olivia acompanha a namorada, Alice, ao pronto-socorro de um hospital público na cidade de São Paulo. Alice luta para respirar, enquanto Olivia enfrenta horas de espera. Entre corredores, salas e procedimentos, a personagem é tomada por memórias, medos e pensamentos que revelam uma situação de extrema fragilidade.
A espera de Olivia acaba abrindo espaço para outras histórias. O hospital concentra personagens que carregam diferentes marcas da realidade brasileira: a enfermeira Judith, exaurida e ainda assombrada pela pandemia; uma motogirl ferida durante uma entrega de comida por aplicativo; um menino vendedor de paçoca que foi esfaqueado; um médico que admite o desgaste ético provocado pela própria profissão; e Gabriel, o "Homem Esqueleto", figura que leva ao limite a deterioração do corpo.
São oito narrativas interpretadas por Daniela Tozzi, em um solo que percorre mais de 12 horas dentro de um hospital público e coloca em cena uma coleção de vidas anônimas, dores particulares e problemas que se repetem diariamente. “Estruturada como um solo épico-dramático, autora e personagens se misturam ao longo dessas mais de 12 horas entre salas de espera, infindáveis corredores e uma burocracia kafkiana que revela, ao mesmo tempo, as profundezas de um sistema administrativo tão complexo, absurdo e opressor - que esmaga o indivíduo, deixando-o completamente impotente e desamparado -, e a gama humana por trás daquelas centenas de pessoas anônimas que passam, hora após hora, por um hospital público no centro da maior cidade do país", diz Lavínia.
A dramaturga Daniela Pereira de Carvalho aponta a dimensão política da obra e a relação direta entre a dramaturgia e as desigualdades sociais presentes no cotidiano. “A dramaturgia de 'Acesso' é uma espécie propulsora frontal de enfrentamentos às desigualdades sócio econômicas, à mediocridade política e a todo retrocesso comportamental. Acesso é tão profundo e complexo quanto real e urgente”, completa Daniela Pereira de Carvalho.
Para Lavínia Pannunzio, o percurso de Olivia também revela uma sociedade marcada pela multiplicação das situações de vulnerabilidade. “O que a narrativa de Daniela Tozzi nos conta é que nossa sociedade, ao contrário do que pretende nosso famigerado sistema único de saúde, engendra cada vez mais violência sobre violência, e cria sistemas de vulnerabilização social e humana sem precedentes na história da humanidade”, finaliza Pannunzio.
Ficha técnica
"Acesso" | Monólogo
Direção: Lavínia Pannunzio
Atuação, dramaturgia e realização: Daniela Tozzi
Orientação dramatúrgica: Daniela Pereira de Carvalho
Cenografia e direção de arte: Mira Andrade
Figurino: Anne Cerutti
Assistente de figurino: Isadora Brant
Desenho de luz: Aline Santini
Musicista (Acordeão): Aline Reis
Composição Musical Canção UTI e Piano: Daniela Tozzi
Trilha sonora original e design de áudio: Rafael Thomazini
Voz off: Alexandre Padilha - Ministro da Saúde
Operação de luz: Giovanna Gonçalves
Operação de som: Rafael Thomazini
Fotógrafo e vídeo maker: Manoel Marques
Redes Sociais e designer gráfico: Victoria Moliterno
Assessoria de imprensa: Adriana Monteiro
Direção de produção: Carol Vidotti
Apoio Cultural: Nelson Casteline
Serviço
"Acesso" | Monólogo
De: 9 de novembro a 22 de dezembro de 2026
Dias: segundas e terças-feiras, às 18h30
Local: Teatro Estúdio
Rua Conselheiro Nébias, 891, Campos Elíseos
Ingressos: R$ 80,00 (inteira) | R$ 40,00 (meia) | R$ 20,00 para profissionais da saúde, disponíveis diretamente na bilheteria
Vendas: Sympla
Classificação: 14 anos
Duração: 1h20
Capacidade: 42 lugares
*O acesso ao espaço é feito apenas por escadas.








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