sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

.: #VivoLendo: "A Reinvenção da Metáfora", de Rogério Salgado




Por 
Vieira Vivo, escritor e ativista cultural.
No poema cabe a humanidade.

Coletânea comemorativa aos cinquenta anos de atividades poéticas e culturais de Rogério Salgado, o livro "A Reinvenção da Metáfora" traz um meticuloso e preciso trabalho de organização, seleção de poemas e prefácio de Luiz Otávio Oliani além do impecável projeto editorial de Ventura Editora. Em 1975, Rogério Salgado envolvido pelo teatro e pelos livros iniciou sua caminhada poética densa e produtiva em Belo Horizonte, onde seus projetos culturais fervilharam nas artes cênicas e na literatura e desembocaram na “Revista Arte Quintal”, importante veículo cultural, criada em 1983. 

Logo em seguida, acondicionou poemas em saquinhos de pão e começou a colecionar prêmios. Publicou poemas em inúmeros jornais literários a ponto de figurar na antologia “A Poesia Mineira no Século XX”, organizada por Assis Brasil (Imago Editora). Atualmente, com mais de quarenta livros publicados, Salgado insere seu nome entre os poetas marcantes da cena literária nacional.

Seu trabalho poético tem um quê de nostalgia reflexiva alinhado a uma clara e constante determinação na procura de um éden interior, imerso numa utopia existencial e irrequieta diante do panorama áspero do cotidiano. Seu universo poético é movido pela persistência da memória e pela árdua vivência meditativa. Nas palavras de Virgilene Araújo, “é a inocência ao avesso, cores em branco e preto”. E nos envolve qual uma serena réstia de luz sobre a concretude cinzenta das tristezas e das angústias.

Sua temática diversificada navega entre o pessoal, o lírico, a memória afetiva e a problemática social e política seguindo uma concisa composição verbal e uma preocupação constante com o coletivo e suas implicações e consequências sobre o futuro do planeta. Com versos certeiros compõe um mosaico artístico pessoal banhado em coerência, lucidez e profunda visão humanista numa obra repleta de alternativas poéticas. A merecida homenagem a Rogério Salgado complementa-se com orelhas a cargo de Leandro Alves e Bilah Bernardes e capa de Val Melo emoldurando todo o excelente teor comemorativo e literário do projeto.

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