domingo, 7 de junho de 2026

.: Revista ZUM #30 homenageia Jaider Esbell e revela inéditos de Karim Aïnouz


A 30ª edição da ZUM
, revista de fotografia do Instituto Moreira Salles, chega às livrarias e à loja online do IMS com destaque para o arquivo de fotografias inéditas do cineasta Karim Aïnouz, dois ensaios que enfatizam a relação da fotografia com a mineração e homenagens póstumas aos artistas Jaider Esbell (1979-2021), cuja obra ilustra a capa da edição, e Rochelle Costi (1961-2022). Também homenageado na ZUM #30, o artista e escritor Jaider Esbell, do povo Macuxi, estampa a capa, a quarta capa e as páginas da edição com Carta ao Velho Mundo (2018-19), em que intervém com desenhos e textos sobre reproduções fotográficas de uma famosa enciclopédia de história da arte, confrontando o cânone europeu com o pensamento indígena. 

O entrevistado da edição é o cineasta cearense Karim Aïnouz. Em conversa com o diretor e produtor alemão Felix von Boehm, o diretor de filmes como Madame Satã (2002), A vida invisível (2019) e Motel Destino (2024), que acaba de lançar na Europa Rosebush Pruning (2026), reflete sobre a ideia de lar, pertencimento e a capacidade da fotografia de capturar a “alma do real”: “Acho que há algo na realidade que é muito poético e muito palpável. É isso que me interessa", diz ele a von Boehm. A revista publica fotografias inéditas de Aïnouz, produzidas ao longo de uma vida e carreira na estrada.

Lisette Lagnado assina o ensaio que acompanha a série Quartos, com fotos de Rochelle Costi que combinam o interesse pela vida privada com uma crítica à crise da moradia em São Paulo. A curadora destaca a capacidade da artista gaúcha de capturar a memória afetiva dos espaços. A obra de Costi também está presente na abertura da revista, na série "50 Horas - Autorretrato Roubado", em que investiga o próprio corpo no ato de ser olhado por outros. Também é dela o pôster da edição, distribuído exclusivamente aos assinantes.

Duas matérias neste número tratam da relação da fotografia com a mineração. A fotógrafa e arquiteta Valentina Tong percorreu a serra capixaba para documentar a maior indústria de rochas ornamentais do país, destacando a relação entre a arquitetura e o extrativismo mineral. As fotos de Pedras marcadas são acompanhadas de um texto da arquiteta Gabriela Leandro Pereira, que analisa essa relação conflituosa e compara as paisagens registradas por Tong às fotos de família de seu avô marmoreiro na mesma região.

Já a pesquisadora canadense Siobhan Angus revela a cadeia de exploração de trabalho e de recursos naturais por trás do discurso de imaterialidade e de praticidade associado à fotografia ao longo de sua história. No ensaio Mineirando a história da fotografia, Angus destrincha essa relação oculta a partir da análise do cartão-postal de uma greve de mineiros em Cobalt, no Canadá, no início do século 20.

A revista ressalta um assunto que teima em estar em evidência ainda no século 21: o do controle dos corpos das mulheres pelo Estado patriarcal. Em Você não morre, a editora francesa Marie Sumalla e a jornalista iraniana Ghazal Golshiri lembram a morte da jovem curda Mahsa Amini pela polícia moral da República Islâmica do Irã, em 2022, episódio que desencadeou uma onda de protestos no país. Em imagens e textos que combinam histórias pessoais e anônimas, elas fazem a cronologia dessa luta pelos direitos das mulheres.

Ainda nesta edição, um ensaio visual da artista argentina Liliana Porter. que mescla fotografia, pintura, desenho e instalação em obras híbridas, que jogam com os limites entre o mundo e sua representação. A professora Adriana Amante ressalta a intertextualidade no gesto de Porter, comparando a artista ao escritor Jorge Luis Borges.

A convite da ZUM, o fotógrafo Renan Teles, do coletivo Vilanismo, produziu imagens inéditas para a série Esmeraldas não é Cohab porque tem elevador (2017-26), em que retrata amigos e parentes no conjunto habitacional onde cresceu, em Itaquera, Zona Leste de São Paulo. A partir das fotografias, a escritora Lilia Guerra relembra a infância vivida “nos predinhos” na mesma região.

A ZUM #30 apresenta também o novo trabalho do fotógrafo estadunidense Tyler Mitchell. No livro Wish this was real (Aperture, 2025), Mitchell celebra a vida negra no passado e no presente dos Estados Unidos combinando memórias pessoais, moda e performance. Para a pesquisadora Sarah Lewis, Mitchell cria um idioma visual para questionar como é possível criar um terreno estável em meio à precariedade.


Tel.: 11 2842-9120

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