Mostrando postagens com marcador Mostra. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mostra. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

.: Últimos dias: DAN Galeria apresenta coletiva que revisita a formação da arte moderna brasileira


Com curadoria de Maria Alice Milliet, mostra relaciona Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Portinari, Alfredo Volpi e outros nomes essenciais que colaboraram para construção do imaginário visual brasileiro. Na imagem, Emiliano Di Cavalcanti, "O Repouso".  Foto: Dan Galeria/Divulgação


A DAN Galeria apresenta, até 31 de janeiro, "O Brasil dos Modernistas", com curadoria de Maria Alice Milliet. Reunindo cerca de 50 obras de emblemáticas de nomes fundamentais como Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Cícero Dias, Victor Brecheret, Cândido Portinari, Guignard, Alfredo Volpi, Anita Malfatti e outros, a coletiva traça um panorama da arte moderna no país e destaca o papel do movimento que, a partir da década de 1920, redefiniu a linguagem artística nacional e acrescentou ao imaginário coletivo visões atualizadas do imaginário popular brasileiro.

O Brasil dos modernistas toma como ponto de partida das transformações que marcaram o surgimento da modernidade artística no Brasil, um movimento que se consolidou no confronto entre o conservadorismo cultural e o impulso de renovação de um país em transição. A Semana de Arte Moderna de 1922, é retomada aqui como marco simbólico desse embate: vaiada pelo público, expôs a resistência às novas linguagens e à ruptura com os padrões tradicionais, inaugurando uma produção voltada à atualização estética e à construção de uma identidade artística brasileira.

O percurso curatorial retrata como os primeiros modernistas, em busca de formação e reconhecimento, voltaram-se aos grandes centros artísticos da Europa. Foi a partir dessa experiência que muitos passaram a perceber a força e a originalidade da diversidade cultural brasileira para construção de suas próprias identidades artísticas. “Os nossos modernos não precisaram buscar em lugares exóticos os conteúdos populares ou étnicos que tanto encantavam os europeus. Encontraram em nossas paisagens e costumes os ingredientes para a constituição de uma visualidade de caráter nacional”, afirma a curadora Maria Alice Milliet.

Embora influenciada pelas vanguardas europeias, a arte moderna no Brasil manteve-se fiel à figuração. O contato com o movimento de “retorno à ordem”, no período entre guerras, levou os artistas a explorar linguagens expressionistas, cubistas e, mais tarde, surrealistas, em um processo que definiu as bases estéticas do primeiro modernismo brasileiro.

Dentre os destaques da mostra, está o "Retrato de Judite" (1944), de Alfredo Volpi. Pintado no ano em que o artista se casou com Benedita da Conceição, conhecida como Judite, o trabalho retrata sua esposa nua entre cortinas, de braços abertos, como se apresentasse as pinturas que a cercam. Volpi, que iniciou a carreira decorando fachadas paulistanas, desenvolveu uma linguagem própria, marcada pela geometrização e pelo uso refinado da cor. Seu trabalho simboliza a passagem da pintura figurativa para uma modernidade madura, iluminada e de forte identidade brasileira.

“É inegável que Tarsila, Di Cavalcanti, Cícero Dias, Rego Monteiro, Brecheret, Portinari, Guignard constituíram um corpus iconográfico identificado com o Brasil. Mais que isso, o modernismo acrescentou ao imaginário nacional visões atualizadas da nossa realidade sociocultural. Ou seja, quando pensamos na mulher brasileira, vem à nossa cabeça a sensualidade das morenas pintadas por Di Cavalcanti; a história da conquista do nosso território realiza-se no Monumento às Bandeiras, de Brecheret; nossos mitos são os de Tarsila; nossas praias são as de Pancetti; e as festas populares têm no colorido das bandeirinhas de Volpi sua melhor expressão”, completa Maria Alice Milliet sobre o eixo expositivo.

Ao reunir obras fundamentais do período, a mostra O Brasil dos modernistas destaca a relevância histórica e cultural do movimento que redefiniu os rumos da arte no país. A coletiva reforça o papel dessa geração de artistas na construção de uma identidade visual e reafirma a atualidade de seu legado na formação do que se entende por brasilidade.


Artistas presentes 
Alberto da Veiga Guignard, Alfredo Volpi, Anita Malfatti, Candido Portinari, Cícero Dias, Emiliano Di Cavalcanti, Ernesto De Fiori, Ismael Nery, José Pancetti, Tarsila do Amaral, Vicente do Rego Monteiro e Victor Brecheret.

Sobre a galeria
A Dan Contemporânea surgiu como um departamento de Arte Contemporânea da Dan Galeria. Em 1985, Flávio Cohn, filho do casal fundador, juntou-se à Dan criando o Departamento de Arte Contemporânea, que ele dirige desde então. Assim, foi aberto espaço para muitos artistas contemporâneos tanto brasileiros, como internacionais, fortemente representativos de suas respectivas escolas. Posteriormente, Ulisses Cohn também se associa à galeria, completando o quadro de direção dela.

Nos últimos 20 anos, a galeria exibiu: Macaparana, Sérgio Fingermann, Amélia Toledo, Ascânio MMM, Laura Miranda e artistas internacionais: Sol Lewitt, Antoni Tapies, Jesus Soto, César Paternosto, José Manuel Ballester, Adolfo Estrada, Juan Asensio, Knopp Ferro e Ian Davenport.  Mestres de concreto internacionais também fizeram parte da história da Dan, tais como: Max Bill, Joseph Albers e os britânicos Norman Dilworth, Anthony Hill, Kenneth Martin e Mary Martin. 

A Dan Galeria incluiu mais recentemente em sua seleção, importantes artistas concretos: Francisco Sobrino e François Morellet. O fotógrafo brasileiro Cristiano Mascaro; os artistas José Spaniol, Teodoro Dias, Denise Milan e Gabriel Villas Boas (Brasil); os internacionais, Bob Nugent (EUA), Pascal Dombis (França), Tony Cragg (G. Bretanha), Lab [AU] (Bélgica) e Jong Oh (Coréia), se juntaram ao departamento de Arte Contemporânea da galeria. A Dan Galeria sempre teve por propósito destacar artistas e movimentos brasileiros desde o início da década de 1920 até hoje. Ao mesmo tempo, mantém uma relação próxima com artistas internacionais, uma vez que os movimentos artísticos historicamente se entrelaçam e dialogam entre si sem fronteiras. 


Serviço
Exposição "O Brasil dos Modernistas"

Curadoria: Maria Alice Milliet
Endereço: DAN Galeria – Rua Estados Unidos, 1638 – São Paulo
Período expositivo: até 31 de janeiro de 2026
Horário: das 10h00 às 19h00, de segunda a sexta; das 10h00 às 13h00, aos sábados.
Entrada gratuita
Classificação: livre
Mais informações: dangaleria.com.br

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

.: Sucesso de público faz exposição imersiva “Astro” ampliar horários


Em cartaz no Visualfarm Gymnasium, a mostra agora abre de quinta a domingo, com funcionamento das 11h00 às 19h00 às quintas e sextas-feiras, e das 10h00 às 20h00, aos sábados, e das 10h00 às 18h00, aos domingos. Foto: @opauloliv

Com alta procura desde a estreia, a exposição imersiva “Astro” amplia seus dias e horários de funcionamento em São Paulo. Em cartaz no Visualfarm Gymnasium, o primeiro laboratório permanente de artes imersivas da América Latina, a mostra passa a receber o público de quinta a domingo, oferecendo mais opções para quem busca um programa cultural que une ciência, arte, tecnologia e imaginação.

Instalada em um galpão de mais de 2.000 metros quadrados, “Astro” propõe uma verdadeira viagem pelo universo da astronomia, conectando passado, presente e futuro da exploração espacial. A experiência combina imagens autênticas captadas por missões espaciais, ambientes cenográficos monumentais, projeções em 360 graus, vídeo mapping, realidade virtual, instalações sonoras polifônicas e um planetário digital de última geração.

Logo na chegada, o visitante é convidado a atravessar um tobogã cenográfico que funciona como um portal simbólico para o cosmos. A partir daí, percorre salas que abordam desde os primeiros telescópios e a observação do céu na Antiguidade até os grandes desafios da ciência contemporânea, como a formação das galáxias, a energia escura, a matéria subatômica e a busca por vida fora da Terra. Tudo é apresentado em linguagem sensorial e acessível, despertando curiosidade em crianças, jovens e adultos.

Com curadoria científica do astrônomo João Fonseca e direção artística de Alexis Anastasiou, fundador da Visualfarm, a exposição traduz conceitos complexos em experiências visuais e imersivas, aproximando o público da ciência de forma intuitiva e envolvente. Um dos destaques é a área em que o visitante pode se transformar simbolicamente em astronauta, tornando-se protagonista da narrativa espacial.

Além de dialogar com grandes agências internacionais de pesquisa espacial, “Astro” também valoriza o olhar brasileiro sobre a ciência e a exploração do universo, reforçando o papel da imaginação, da educação e da tecnologia como ferramentas de pertencimento e futuro.

“A resposta do público mostrou que existe uma grande demanda por experiências culturais que unem conhecimento e encantamento. A ampliação dos horários é uma forma de permitir que mais pessoas vivam essa jornada pelo cosmos”, destaca Alexis Anastasiou.


Serviço
Exposição imersiva "Astro"

Visualfarm Gymnasium | Praça Olavo Bilac, 38 / São Paulo
Próximo a Avenida Angélica e estação metrô Mal. Deodoro
Quintas e sextas-feiras, das 11h00 às 19h00; sábados, das 10h00 às 20h00; e domingos, das 10h00 às 18h00.
Acessível para pessoas com mobilidade reduzida
Ingressos a partir de R$ 25,00 à venda na bilheteria do local ou em www.ticketmaster.com.br/
Entrada gratuita para crianças até 6 anos. Meia-entrada para estudantes.
Vendas para grupos.

.: Exposição “Recortes”, de Cristiano Mascaro, marca o aniversário de SP


Mostra reúne fotografias analógicas e digitais que acompanham transformações da paisagem urbana ao longo de décadas. Abertura em 25 de janeiro, domingo, às 10h00, com visita guiada de Cristiano Mascaro às 15h00. Na imagem, escada da Maternidade Filomena Matarazzo

Domingo, dia 25 de janeiro de 2026, data em que São Paulo celebra o aniversário, a Unibes Cultural abre ao público a exposição "Recortes", de Cristiano Mascaro, um dos nomes fundamentais da fotografia brasileira. A mostra inaugura a programação de 2026 da instituição e apresenta um conjunto de fotografias analógicas e digitais ampliadas, realizadas ao longo de diferentes momentos da trajetória do artista, cuja obra contribuiu de forma decisiva para a construção da memória visual da metrópole e de seus espaços arquitetônicos.

Arquiteto formado pela FAU-USP, Mascaro se voltou para a fotografia após o contato com a obra do fotógrafo francês Henri Cartier-Bresson (1908-2004), ainda durante a graduação. Aos 81 anos, com uma carreira amplamente reconhecida por prêmios e exposições no Brasil e no exterior, seu olhar permanece atento, preciso e rigoroso, voltado para a observação contínua da cidade e de suas transformações.


Entre a cidade vista e a cidade em detalhe
 As imagens reunidas na exposição percorrem lugares emblemáticos da paisagem paulistana, como a Avenida São João, o Elevado Presidente João Goulart (Minhocão), o Viaduto Eusébio Stevaux e a Maternidade Filomena Matarazzo. Em alguns trabalhos, esses espaços aparecem em vistas amplas, revelando a escala urbana e a organização arquitetônica; em outros, surgem fragmentados, em recortes de fachadas, estruturas, sombras e geometrias, ressaltando a relação entre forma, tempo e uso.
 
Essa alternância entre o todo e o detalhe constitui uma marca da obra de Cristiano Mascaro, que articula rigor formal, memória urbana e observação do cotidiano, sem recorrer ao espetáculo, mas à permanência dos espaços na vida da cidade.

Com curadoria de Flávio Cohn e Luiz Bagolin, a mostra estabelece um diálogo entre diferentes fases da produção do fotógrafo, evidenciando como a fotografia urbana acompanha, ao longo do tempo, as transformações de São Paulo e das tecnologias de imagem. A seleção reúne obras realizadas desde o período da fotografia analógica até a produção digital contemporânea, propondo uma reflexão sobre a cidade como território histórico, arquitetônico e simbólico, continuamente reinterpretado pelo olhar fotográfico.


Sobre o artista
Cristiano Mascaro é formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP). Iniciou sua carreira como repórter fotográfico da revista Veja, onde realizou diversas reportagens no Brasil e no exterior. Foi professor de fotojornalismo na Enfoco, escola de fotografia, e de comunicação visual na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de Santos. Entre 1974 e 1988, dirigiu o Laboratório de Recursos Audiovisuais da FAU/USP. Em 1986, obteve o grau de mestre pela USP e, em 1990, recebeu a Bolsa Vitae de Artes.

Realizou diversas exposições no Brasil e no exterior, com fotografias integrando coleções particulares e de museus. Tem trabalhos publicados na imprensa e em livros. Em 1992, recebeu o Prêmio Abril de Jornalismo com o ensaio "O Jeito Brasileiro de Viver e Morar" e, em 1999, com o ensaio "Sala dos Milagres". Em 1995, obteve o grau de doutor pela USP, com nota máxima e menção de louvor, apresentando a tese "A Fotografia e a Arquitetura".

Em 2006, participou, como arquiteto homenageado, da 6º Bienal de Arquitetura e Design, apresentando a exposição "O Brasil em X, em Y, em Z". Em 2007, recebeu o Prêmio Especial de Fotografia Porto Seguro pelo conjunto de sua obra. Em 2015, foi laureado pela Associação Paulista de Críticos de Arte por seus trabalhos de documentação urbana. Atualmente, atua como fotógrafo independente, dedicando-se a projetos pessoais.


Sobre os curadores
Flávio Cohn é galerista e Diretor de Arte Contemporânea da DAN Galeria, em São Paulo. Filho dos fundadores da galeria, Gláucia e Peter Cohn, em 1985 criou o Departamento de Arte Contemporânea, abrindo espaço para artistas brasileiros e internacionais no circuito de arte contemporânea.

Luiz Armando Bagolin é livre-docente em História da Arte Brasileira e doutor em Filosofia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP). No Programa de Pós-Graduação do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB/USP), coordena pesquisas sobre teorias da arte, da Renascença à produção brasileira. Foi diretor da Biblioteca Mário de Andrade, além de curador de diversas exposições e do Prêmio Jabuti. Suas publicações, que articulam arte, linguagem, retórica e filosofia, consolidam-no como um dos estudiosos mais relevantes do campo no país.


Serviço
Exposição "Recortes" por Cristiano Mascaro
Curadoria: Flávio Cohn e Luiz Bagolin
Visita guiada: 25 de janeiro de 2026, às 15h, com Cristiano Mascaro | Atividade gratuita. Inscrições serão divulgadas posteriormente.
Visitação: 25 de janeiro a 22 de março de 2026.
Horário: Quarta a sábado, das 12h às 19h | Domingo, das 10h às 18h
Local: Unibes Cultural
End.: Rua Oscar Freire, 2500 | São Paulo - SP | a 80m da Estação Sumaré do metrô (Linha 2 – Verde)
Classificação indicativa: livre
Gratuita
Plataforma exclusiva: Fever

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

.: Exposição propõe olhar de integração frente a divisões e polarizações atuais


Mostra "Joaquín Torres García – 150 anos", no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB SP) convoca uma reflexão sobre a importância da escuta e do reconhecimento da arte como união entre os povos; Mais de 500 trabalhos fazem parte do acervo, com itens de 72 artistas brasileiros que dialogam ou são influenciados pelas obras e pensamento do artista uruguaio; a entrada é gratuita. Na image, reprodução da obra América Invertida, 1943.  Crédito: ©Museo Torres García

Em um momento histórico marcado por tensões internacionais, disputas narrativas e recrudescimento de fronteiras entre nações, a exposição "Joaquín Torres García - 150 Anos", no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB SP), propõe um gesto silencioso e profundo: deslocar o ponto de vista a partir do qual se olha o mundo. Sem tratar de conflitos territoriais ou alianças de poder, a mostra convoca uma reflexão sobre culturas, escuta e pertencimento, além de afirmar a arte como espaço de integração e não de polarização.

Com entrada gratuita e cerca de 500 itens expostos - entre obras, documentos, manuscritos, publicações, brinquedos de madeira e materiais pedagógicos -, a mostra apresenta ao público brasileiro o pensamento e a obra de um dos artistas mais decisivos da modernidade latino-americana. O eixo simbólico da mostra é o icônico "Mapa Invertido" (1943), imagem que atravessa gerações como um gesto radical de afirmação cultural do Sul Global.

A exposição se constrói como um campo de pensamento e escuta, reafirmando a arte como lugar de reconstrução simbólica. O gesto de Torres García não propõe confronto nem inversão de dominação, mas um reposicionamento ético e espiritual do olhar: reconhecer, no Sul, não uma periferia, mas uma origem possível do pensamento universal.

“Quando Torres García afirma que ‘nosso Norte é o Sul’, ele nos indica que temos uma realidade tão complexa do ponto de vista de uma expressão civilizatória quanto os povos de outros continentes. A inversão da América é um lugar interior conectado pela visão do exterior, para tornar acessível a ideia de elevação coletiva de uma parte da América, que por acaso é a América do Sul, senão a elevação interior da humanidade sul-americana.”

“Não basta falar sobre decolonialidade, é preciso praticá-la”, observa Saulo di Tarso, curador em colaboração com o Museo Torres García. “Esta mostra é um ato decolonial porque restitui a voz a um artista que pensou a partir da América Latina, sem complexos de inferioridade”.

Ao deslocar o eixo do continente, a exposição lança uma pergunta fundamental: onde pulsa o coração da América? À luz do pensamento de Torres García, a resposta não se encontra em um ponto fixo do mapa, mas no coração de cada americano, na pluralidade dos povos que estavam, estão e que aqui chegaram.

“O coração da América está em cada americano e americana e nas qualidades diversas da pluralidade dos povos que estavam aqui, onde estamos, para onde migramos. A América Invertida não é um protesto, mas um símbolo de ascensão espiritual, resultado de uma trajetória marcada pelas batalhas de um homem comum que acreditava na força de união entre as pessoas e nas energias criadoras que atravessam cada cultura”.

O Universalismo Construtivo, conceito central na obra de Torres García, não propõe uma sociedade universal homogênea nem um modelo industrial de mundo. Ao contrário, reconhece que existem símbolos, formas e geometrias universais e sagradas presentes nas expressões de todos os povos, no passado e no presente. Esse universal não se impõe sobre o diferente, mas nasce do reconhecimento da singularidade do outro. “A América que se revela é a que precisa cuidar do seu território e do seu modo de vida. Que precisa vencer a herança do divisionismo que separa o Norte e o Sul”, exemplifica.


Arte e vida
Torres García
foi um dos artistas que mais profundamente buscou compreender a naturalidade da cultura africana, percebendo afinidades entre povos distintos e atribuindo a essas semelhanças um valor essencialmente humano. Por isso, sua obra aproxima arte e vida, assim como o fazem a arte africana, a arte indígena e as expressões culturais das Américas, nas quais criação, cotidiano e espiritualidade não se separam.

Esse pensamento teve impacto decisivo no Brasil. A influência de Torres García atravessou o desenvolvimento da arte concreta e neoconcreta, reverberando em artistas como Anna Bella Geiger, Alfredo Volpi, Hélio Oiticica, Cildo Meireles, Rubens Gerchman, entre outros presentes na exposição – no total, 72. O diálogo com produções contemporâneas reafirma a ideia de que a integração entre percepções distintas é mais potente do que sua oposição.

A expografia, assinada por Stella Tennenbaum, funciona tanto como um apoio curatorial quanto como uma metáfora espacial. A linha contínua que percorre os espaços do CCBB se inspira no Tratado de Tordesilhas, mas não como uma fronteira rígida — e sim como um caminho a ser atravessado e repensado. Ela mostra o distanciamento conceitual e cultural da América do Sul em relação aos marcos coloniais e europeus, destacando que a cultura se constrói pela circulação, pelo encontro e pelo deslocamento, e não pela contenção ou divisão.

Selecionada no Edital CCBB 2023–2025, a mostra inaugura sua itinerância em São Paulo e segue para Brasília (março de 2026) e Belo Horizonte (julho de 2026). Em cada cidade, o projeto assume novas inflexões, reafirmando que o Sul não é um lugar fixo, mas uma postura diante do mundo.

No Brasil, este é o recado mais profundo da "América Invertida" de Joaquín Torres García: a relação que importa não é entre territórios, mas entre culturas. Uma relação fundada na escuta, na convivência das diferenças e no reconhecimento de que o universal só pode existir quando é construído a partir da pluralidade.


Confira todos os artistas presentes e citados na exposição
Agustín Sabella; Agripina Manhattan; Alexander Calder; Alfredo Jaar; Alfredo Volpi; Aparicio Basilio; Anna Bella Geiger; Anna Bella Geiger (reaparece como eixo teórico-geracional da mostra); Assis Chateaubriand; Bispo do Rosário; Carlos Garaicoa; Carlos Zilio; Carmelo Arden Quin; Cícero Dias; Cildo Meirelles; Darcy Ribeiro; Delson Uchôa; Di Cavalcanti; Emanuel Nassar; Emanoel Araújo; Estela Sokol; Fábio Miguez; Ferreira Gullar; Fernando López Lage; Flávio de Carvalho; Greta Sarfati; Guga Szabzon; Guilherme Galle; Gyula Kosice; Heitor Villa-Lobos; Hélio Cabral; Jac Leirner; Jaime Lauriano; Jandira Waters; Jean-Michel Basquiat; John Cage; Juan Pablo Mazzetto (Mapeto); Jacqueline Lacasa; Leda Catunda; Leonilson; Lina Bo Bardi; Luiz Sacilotto; Mano Penalva; Manuela Costa Lima; Marconi Moreira; Marcos Chaves; Mario de Andrade; Márcio Ficko; Milton Santos; Milton Santos (reafirmado como centro conceitual da cartografia anímica); Montez Magno; Pablo Picasso; Pablo Uribe; Paulo Otávio; Piet Mondrian; Pietro Maria Bardi; Quincy Jones; Rafael RG; Raimundo Colares; Randolpho Lamounier; Rivane Neuenschwander; Robert Kelly; Ronaldo Azeredo; Rosana Paulino; Rubens Gershman; Santos Dumont; Sérgio Camargo; Sidney Amaral; Sofia Borges; Tuneu; Vanderlei Lopes; Wesley Duke Lee.
 

Ficha técnica
Exposição "Joaquín Torres García - 150 Anos"
Realização: Ministério da Cultura
Patrocínio: BB Asset
Curadoria: Saulo di Tarso em colaboração com o Museo Torres García
Organização e produção: Cy Museum
Apoio institucional: Museo Torres García
Coordenação geral: Cynthia Taboada
Coordenação executiva: Paula Amaral
Coordenação editorial e pesquisa: Helena Eilers, Andrea Sousa e Xênia Bergman.
Projeto expográfico: Stella Tennenbaum
Assessoria de imprensa: Agência Galo


Serviço
Exposição "Joaquín Torres García - 150 Anos"

CCBB São Paulo |  Rua Álvares Penteado, 112 – Centro / São Paulo
Até dia 9 de março de 2026, das 9h00 às 20h00, exceto às terças
Gratuito

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

.: Em SP, exposição "Pinóquio" ganha vida no Farol Santander e encanta gerações


Mostra inédita integra a programação de férias do Farol para toda a família e revisita o clássico de Carlo Collodi, com mais de 300 itens. Foto: Rodrigo Reis


“As Aventuras de Pinóquio” estão no Farol Santander São Paulo, com mais de 300 itens distribuídos entre esculturas, livros, bonecos, filmes, ilustrações, gravuras, autômatos, instalações sonoras e uma coleção de 31 Pinóquios de diferentes épocas e nacionalidades, produzidos em madeira. Dividida em dois andares, a mostra ocupa 400m² e revisita o clássico de Carlo Collodi (1826–1890) por meio de perspectivas históricas, literárias, cinematográficas e visuais. Apresentada pelo Ministério da Cultura, com patrocínio do Santander Brasil e produzida pela AYO Cultural, a atração tem curadoria de Rodrigo Gontijo e será exibida até 22 de março próximo. 

A mostra explora a simbologia universal do boneco de madeira criado por Collodi e publicado originalmente em fascículos entre 1881 e 1883. Considerada uma das obras mais influentes da literatura infantojuvenil e da cultura italiana, "As Aventuras de Pinóquio" tornou-se um fenômeno mundial, atravessando gerações, linguagens e interpretações – da literatura ao cinema, da marionete ao robô. A experiência integra o circuito de visitação do Farol Santander São Paulo, que reúne exposições, arquitetura, história, gastronomia e vista panorâmica da cidade.

“Nosso compromisso com a cultura se expressa na escolha de projetos que ampliam o acesso, estimulam a imaginação e fortalecem a relação das pessoas com a arte e com a memória que nos acompanha ao longo da vida. Esta exposição revisita um clássico que permanece atual, capaz de despertar questionamentos e novas interpretações a cada encontro”; comenta Bibiana Berg, Head Sênior de Experiências, Cultura e Impacto Social do Santander Brasil e Presidente do Santander Cultural.

Carlo Collodi escreveu a história de Pinóquio originalmente em fascículos para o jornal “Giornale per i bambini” (1881–1883), batizando o boneco de madeira com um nome que, no dialeto toscano, significa “pinhão”. Em 1883, no mesmo ano em que concluiu a série, publicou a obra em formato de livro. Collodi desenvolveu uma narrativa onde a jornada de Pinóquio pode ser vista como uma metáfora para a formação da identidade nacional italiana na época. O boneco de pau representa a falta de uma essência definida, e sua transformação simboliza o processo de formação do futuro cidadão. A ambientação, com personagens como o pobre Gepeto e a ameaça constante da fome, reflete a dura realidade social atravessada pelos italianos naquele momento.

“Depois do sucesso da exposição 'As Aventuras de Alice' (2022), também no Farol Santander São Paulo, apresentamos agora 'As Aventuras de Pinóquio', que convida o público a interpretar e reinterpretar a obra de Carlo Collodi. Essa mostra propõe aos visitantes história, entretenimento, aprendizagem e encantamento, pois são diversas as formas de se ler a complexidade dessa criação”; explica Rodrigo Gontijo, curador da exposição.


Pinóquio como símbolo histórico e cultural (andar 20)
No andar 20 são apresentados núcleos temáticos inspirados nos capítulos do livro original. Portanto, o visitante encontra um panorama histórico-literário com informações sobre Collodi e edições raras do livro. Em seguida, na “Oficina de Criação”, surgem as ilustrações das primeiras edições do clássico, feitas pelos italianos Enrico Mazzanti e Carlo Chiostri. Na sequência, o público encontra também uma série de marionetes em madeira, criadas pelo artista brasileiro e especialista em Pinóquio, Gil Toledo. Há ainda uma biblioteca que celebra as traduções brasileiras da obra e apresenta uma instalação de Adriana Peliano inspirada nos “irmãos” de Pinóquio, criados por Monteiro Lobato, em passagem do livro “Reinações de Narizinho” (1931).

Ao final do percurso neste piso, o visitante encontra a “Sala dos Autômatos”, com modelos feitos em madeira e repletos de movimentos, criados pelos brasileiros Eduardo Salzane e Maurizio Zelada. O ambiente é acompanhado da instalação sonora Constelação, criada pelo duo O Grivo, que explora ritmos, ruídos e estruturas mecânicas, lembrando uma espécie de cidade futurista precária, segundo a dupla.

Pinóquio como clássico: múltiplas interpretações (andar 19)
A galeria do andar 19 parte de uma premissa fundamental: Pinóquio é um clássico. Como definiu Ítalo Calvino, “um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer”. A exposição destaca essa permanência por meio de reflexões do próprio Ítalo Calvino e demais autores como Giorgio Manganelli, Umberto Eco, Giorgio Agamben e Alberto Manguel, que se dedicaram a analisar Pinóquio sobre diferentes óticas, ampliando as leituras possíveis sobre a jornada do personagem.

Em vídeos, a presença da primeira adaptação cinematográfica de Pinóquio, dirigida pelo cineasta italiano Giulio Antamoro em 1911, aparece ao lado das detalhadas ilustrações do também italiano Roberto Innocenti. O visitante observa ainda a diversidade cinematográfica de Pinóquios criados em diferentes países, até a versão recente de Guillermo del Toro (2022), na última montagem para a grande tela.

O espaço apresenta também esculturas em madeira do artista cearense Zé Bezerra – sete peças criadas a partir de troncos que evocam criaturas prestes a ganhar vida, gerando assim uma correlação direta com a história de Pinóquio. No núcleo do País dos Brinquedos, surgem cinco ilustrações do paulistano Alex Cerveny, para uma versão do livro lançada em 2012 pela editora Cosac Naify, além de gravuras do artista norte-americano Jim Dine.

Em referência a um dos momentos cruciais da história, a passagem pelo tubarão-baleia é representada pelas intensas ilustrações do renomado artista italiano Lorenzo Mattotti, que ilustrou em 2019 uma nova versão do livro de Ítalo Collodi. Nesta sala, haverá também uma instalação composta por madeira, objetos e projeção, reunindo um compilado de cenas de filmes de diferentes épocas e nacionalidades que retratam o momento em que Pinóquio é engolido pelo monstro marinho.

A última sala, num clima futurista-retrô, revela um espaço imersivo com projeções de códigos computacionais nas paredes. A instalação tecnológica tem pedaços do boneco se transformando em menino e uma composição com múltiplos monitores de TV que exibem cenas do filme “I.A. - Inteligência Artificial” (2001) de Steven Spielberg e trechos do capítulo final do livro de Collodi, gerando assim um diálogo e uma provocação entre as obras.

Ativação no Café do andar 26
De 19 de dezembro a 22 de fevereiro uma dupla de atores interpretando os personagens Pinóquio e Fada Azul estará sempre aos sábados e domingos no Café do Mirante, andar 26 do Farol Santander, para interagir e tirar fotos com os visitantes. A iniciativa propõe gerar ainda mais registros para a memória dos visitantes que passarem pelo Farol Santander São Paulo durante as férias.


Serviço
Exposição "As Aventuras de Pinóquio"
Até 22 de março de 2026
Local: Farol Santander São Paulo - Galerias do 20 e do 19
Endereço: Rua João Brícola, 24 - Centro / São Paulo
Funcionamento: Terça a domingo, das 9h00 às 20h00
Ingressos: R$ 45,00 (inteira) / R$ 22,50 (meia) - disponíveis pelo site farolsantandersaopaulo.com.br e na bilheteria local.


segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

.: Aos 80, "O Pequeno Príncipe" ganha exposição imersiva no MIS Experience


O MIS Experience inaugura no dia 20 de dezembro a exposição "O Pequeno Príncipe - 80 Anos", mostra imersiva e inédita no Brasil que celebra oito décadas da primeira edição francesa da obra de Antoine de Saint-Exupéry. Considerado um dos livros mais traduzidos e lidos do mundo, "O Pequeno Príncipe" ganha uma homenagem de grande escala, que combina tecnologia, artes visuais e narrativa sensorial para revisitar seu universo poético.

A exposição propõe uma jornada cronológica e simbólica que tem início na França dos anos 1920, período decisivo na formação artística e intelectual de Saint-Exupéry. Ao longo do percurso, o público é apresentado a momentos marcantes da vida e da obra do autor, incluindo a atuação dele como escritor, inventor e aviador, além de sua relação profunda com a aviação - elemento central de sua trajetória pessoal e literária.

Composta por cinco salas expositivas e uma sala de imersão 360° inédita, a mostra conduz os visitantes por uma viagem narrativa que atravessa estrelas, planetas e o deserto, recriando, em grande escala, passagens emblemáticas do livro. As aquarelas originais de Saint-Exupéry ganham vida por meio de projeções, animações, trilha sonora exclusiva e recursos visuais que ampliam a experiência sensorial.

Personagens icônicos como o Pequeno Príncipe, a raposa e a rosa surgem ao longo do percurso, reforçando os temas centrais da obra, como amizade, afeto, perda e responsabilidade. Pensada para públicos de todas as idades, a exposição busca dialogar tanto com leitores que cresceram com o livro quanto com novas gerações, reafirmando a atualidade e a força emocional do clássico.


Serviço
Exposição "O Pequeno Príncipe - 80 Anos"
MIS Experience - Museu da Imagem e do Som
Rua Cenno Sbrighi, 250 - Água Branca / São Paulo
Sessões a cada 30 minutos
Terça-feira: entrada gratuita (ingressos apenas na bilheteria)
Quarta a sexta-feira: R$ 40 (inteira) | R$ 20 (meia)
Sábados, domingos e feriados: R$ 60 (inteira) | R$ 30 (meia)
Classificação indicativa: livre para todas as idades
Menores de 18 anos apenas acompanhados de um dos pais ou responsável
Gratuidade: crianças até 7 anos
Acessibilidade: espaço acessível para pessoas em cadeira de rodas
Duração: variável, conforme o ritmo do visitante

sábado, 1 de novembro de 2025

.: Pedro Vicente inaugura "Dado Ludo" e lança livro na Galeria Berenice Arvani


A Galeria Berenice Arvani apresenta "Dado Ludo", exposição + lançamento do livro "Imagemas graPhOEnigMAS", publicado pela editora Laranja Original, do multiartista Pedro Vicente, no dia 4 de novembro, terça-feira, às 17h00.  Além do livro, 20 obras inéditas expandem o universo da publicação e ativam o jogo entre palavra e imagem no espaço expositivo: 12 pinturas, 8 serigrafias, 4 impressões e 1 objeto. O conjunto apresenta linguagem autoral, uma gramática visual denominada "graPhOEMAS" por Pedro Vicente, resultado de pesquisa e prática paralela entre a escrita, o grafismo e a pintura, estabelecendo uma ponte entre poesia visual e arte contemporânea.

“Com os olhos e os ouvidos. É por eles que entrarão os graphoemas, e os imãs dessas gemas, e os enigmas grafados, congregados pelo corpo desse livro. Todo feito de vertigens e disposto em dominó: como peças, ora brancas, ora pretas, num sem fim de conjunções”, comenta Fabio Malavoglia no prefácio do livro.

No texto e na tela,  a palavra ganha forma, ritmo e matéria, um sistema de signos geométricos que acolhe ambiguidade, humor, reflexão, e poesia, propondo ao público uma travessia sensível e criativa pelo território da palavra enquanto forma.

"Dado Ludo", segundo Gabriela Inui, curadora da exposição é uma travessia pelo território híbrido da poesia visual, onde a palavra é signo pictórico nas obras criadas a partir do livro "Imagemas graPhOEnigMAS", convertido em matriz de um sistema expandido. Pinturas, serigrafias e impressões, se desdobram como extensões da página impressa, numa partitura visual onde o signo verbal assume densidade gráfica, a palavra deixa de ser apenas portadora de sentido para se tornar pintura, sem hierarquia entre ler e ver, numa simultaneidade sensível entre o poético e o plástico. Como cartas lançadas em um jogo de tarô tipográfico, as obras reverberam múltiplos sentidos, cisões perceptivas em um jogo semântico e lúdico. A letra aparece em estado plástico. O olho lê, a mente vê, e a palavra, desfigurada e reconfigurada, traduz novas possibilidades de ser. Compre o livro "Imagemas graPhOEnigMAS", de multiartista Pedro Vicente, neste link.


Sobre o livro
"Imagemas graPhOEnigMAS" reúne composições caligráficas que operam como poemas-imagem, jogos de palavras em aliteração e sentido se desdobram em desenho, geometria e contraste cromático. As páginas funcionam como um dominó de signos em variações que convidam à leitura sonora, ao olhar atento e ao pensamento brincante. Publicado pela editora Laranja Original.

Sobre o artista
Pedro Vicente
é multiartista e pesquisador, ator e dramaturgo. Em sua produção atual, desenvolve a série "graPhOEMAS", de inspiração construtivissta, que investiga a palavra como corpo plástico e a leitura como experiência de presença. Seu trabalho circula entre a cena, a página e a parede, propondo um campo expandido entre literatura e artes visuais. Compre o livro "Imagemas graPhOEnigMAS", de multiartista Pedro Vicente, neste link.


Serviço
"Dado Ludo" - Lançamento do livro "Imagemas graPhOEnigMAS" e vernissage da exposição
4 de novembro de 2025, terça-feira)
Horário: 17h00 às 21h00
Galeria Berenice Arvani - Rua Oscar Freire, 540 - Jardins/São Paulo
Galeria Berenice Arvani
Curadoria: Gabriela Inui
Artista: Pedro Vicente
Editora: Laranja Original
Entrada: livre (sujeito à lotação)

Tags 
#DadoLudo #exposicao #ImagemasgraPhOEnigMAS #EditoraLaranjaOriginal #PedroVicente

terça-feira, 28 de outubro de 2025

.: Arte pública: The Gallery faz exposição a céu aberto em capitais brasileiras


A mostra, uma das maiores de arte pública do mundo, ocupa painéis digitais em oito capitais brasileiras e traz obras de artistas do Brasil, Reino Unido e outros países, convidando o público a refletir sobre a crise climática no espaço urbano. Imagem de obra em São Paulo. Foto: divulgação


Sob o tema “Não É Fácil Ser Verde”, o projeto The Gallery traz obras de 16 artistas do Brasil, do Reino Unido e de outros sete países a centenas de painéis e telas de publicidade digitais espalhadas por São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Brasília, Fortaleza, Manaus, Porto Alegre e Belém, sede da COP30, além de Londres, Margate, Dorking, Manchester, Edimburgo, Belfast, Inverness, Newcastle, Liverpool, Bristol, Exeter, Bournemouth, Cornwall e outras regiões no Reino Unido.

A exposição pode ser vista pelo público brasileiro até dia 18 de novembro e faz parte do Ano Cultural Brasil/Reino Unido 2025-26, promovido pelo British Council, organização internacional do Reino Unido para relações culturais e educacionais, em parceria com o Instituto Guimarães Rosa, o órgão de diplomacia cultural e educacional do governo brasileiro.


Serviço
Exposição "The Gallery - Ano Cultural Brasil/Reino Unido 2025–26"
Até dia 18 de novembro de 2025 (Brasil) | Até dia 3 de novembro de 2025 (Reino Unido)
Locais: painéis e telas digitais em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre, Salvador, Fortaleza, Manaus, e Belém.
Acesso: gratuito, em espaço público.
Coleção permanente online: https://thegallery.org.uk/pt-br/

.: Experiência imersiva e inédita, Machu Picchu chega ao Brasil em novembro


A experiência inédita que permite ao visitante conhecer em detalhes a icônica Machu Picchu, com a ajuda da tecnologia, estreia no dia 20 de novembro em São Paulo. Foto: divulgação

“Machu Picchu: viagem à Terra Perdida”, uma impressionante experiência Fever Original em realidade virtual inspirada em um dos maiores tesouros arqueológicos do mundo, fará sua estreia inédita no Brasil em São Paulo, a partir de 20 de novembro de 2025, na Galeria Extra Morumbi. Apresentada pela Fever, plataforma líder global em descoberta de entretenimento ao vivo, em parceria com a Virtual Worlds, estúdio criativo pioneiro em experiências de realidade virtual, essa produção combina tecnologia de ponta em VR, escaneamento a laser e reconstruções 3D hiper-realistas para transportar o público ao coração do Império Inca.

A precisão da experiência vem de um contexto inusitado: durante a pandemia, a equipe da Virtual Worlds teve acesso exclusivo a Machu Picchu, aproveitando o raro momento em que o sítio arqueológico estava completamente vazio. Essa oportunidade permitiu uma documentação inédita do local, resultando na reconstrução digital mais fiel já feita da Cidade Perdida , agora apresentada ao público brasileiro em uma jornada imersiva onde a ciência encontra a narrativa e a história se mistura à imaginação.


Uma viagem no tempo - e nos sentidos
Com duração aproximada de 45 minutos, a experiência leva os visitantes a uma recriação de Machu Picchu como ela era em seu auge, com todos os detalhes restaurados à sua glória original. É uma oportunidade única de ver a Cidade Perdida como poucos a viram em séculos - viva, vibrante e repleta de histórias.

Através de realidade virtual, trilhas sonoras originais e narrativa cinematográfica, o público atravessa templos sagrados, terraços agrícolas e residências incas, enquanto conhece seus costumes, crenças e modo de vida. Entre os destaques estão momentos como o eclipse solar, os encontros com criaturas mitológicas das lendas andinas e cenas do cotidiano que revelam o engenho e a cultura do povo inca.

Guiando essa jornada está Teri, um divertido robô-guia dublado na versão original por Terry Crews - o Julius da série “Todo Mundo Odeia o Chris”. Na versão brasileira, o personagem ganha voz local, tornando a experiência ainda mais próxima e envolvente para o público nacional.

Mais do que uma experiência visual, "Machu Picchu: viagem à Terra Perdida" transporta os visitantes a um tempo em que a Cidade Perdida estava viva, permitindo que vejam o esplendor da maravilha inca em uma reconstrução espetacular. É uma jornada em realidade virtual que une passado e presente, convidando o público a refletir sobre o legado humano e histórico que continua a nos fascinar até hoje.


Produção e colaboração internacional
O projeto é apresentado pela Fever e produzido pela Virtual Worlds, estúdio reconhecido por recriar digitalmente patrimônios históricos em VR. Durante a pandemia, a equipe da Virtual Worlds teve acesso inédito a Machu Picchu - uma oportunidade única que permitiu mapear cada milímetro do sítio arqueológico sem a presença de turistas. Com o uso de lasers de alta precisão, drones e sensores tridimensionais, o estúdio criou o modelo 3D mais detalhado já feito de Machu Picchu, utilizado desde então em pesquisas científicas e produções cinematográficas, como "Paddington Goes to Peru" e "Transformers: o Despertar das Feras".

Agora, graças aos avanços da realidade virtual e da inteligência artificial, essa mesma reconstrução foi transformada em uma experiência acessível ao público, permitindo que qualquer pessoa explore Machu Picchu como se realmente estivesse lá - uma fusão impressionante entre inovação tecnológica e preservação cultural.


Uma homenagem à herança latino-americana
Após temporadas de sucesso em Berlim e Los Angeles, o espetáculo chega pela primeira vez à América Latina. Sua estreia em São Paulo marca um momento simbólico: o reencontro do público latino com uma das civilizações mais emblemáticas do continente. Cada detalhe foi desenvolvido em colaboração com historiadores, arqueólogos e especialistas em cultura andina, garantindo respeito histórico e sensibilidade cultural - desde a arquitetura até os elementos narrativos e visuais. Os ingressos já estão disponíveis no site oficial e na plataforma Fever.


Serviço
"Machu Picchu: viagem à Terra Perdida"
Abertura: 20 de novembro de 2025
Local: Galeria Extra Morumbi - Av. Major Sylvio de Magalhães Padilha, 16741 - Jardim Fonte do Morumbi
Duração: aproximadamente 45 minutos
Idade mínima: a partir de 10 anos. Crianças de até 12 anos devem estar acompanhadas dos adultos responsáveis
Early Bird: Ingressos Early Bird: 15 % de desconto até 12 de Novembro

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

.: Prorrogação da exposição "Anatomia pré-fabricada: um Morar no Japão"

Mostra introduz sobre o universo das construções pré-fabricadas japonesas e suas soluções. Foto: Marina Melchers


A Japan House São Paulo anuncia a prorrogação da exposição “Anatomia Pré-fabricada: um Morar no Japão” até o dia 19 de outubro. A mostra, com curadoria de Natasha Barzaghi Geenen, introduz sobre o universo das construções pré-fabricadas japonesas e suas soluções. Instalada no andar térreo da instituição, a exposição é gratuita e aberta à visitação do público de terça a sexta, das 10h00 às 18h00, e aos sábados, domingos e feriados, das 10h00 às 19h00. 

Entre os destaques, “Anatomia Pré-fabricada: um Morar no Japão” apresenta um modelo em escala real de uma casa criada pela VUILD, empresa de arquitetura e design dedicada que utiliza tecnologias digitais e madeira local em uma nova abordagem de pré-fabricação. Também compõe a mostra uma linha do tempo com os principais marcos da história das construções pré-fabricadas no Japão, que aborda desde as primeiras construções, que surgiram no pós-guerra, até os dias atuais, desenvolvida especialmente para a JHSP por Yoshikuni Shirai, professor convidado especial da Faculdade de Meio Ambiente e Estudos da Informação da Universidade de Keio e Editor-chefe da revista Sustainable Japan Magazine by The Japan Times. 

Já no espaço externo da JHSP, o público é convidado a experimentar alguns elementos inspirados nas habitações tradicionais japonesas, como os cômodos com características flexíveis e personalizáveis, delimitados por portas de correr chamadas de ‘fusuma’ e pisos cobertos por tatames. 


Serviço
Exposição “Anatomia pré-fabricada: um morar no Japão” 
Período: até 19 de outubro de 2025 
Japan House São Paulo, térreo - Av. Paulista, 52 - São Paulo/SP 
Horário de funcionamento: terça a sexta, das 10h00 às 18h00; sábados, domingos e feriados, das 10h00 às 19h00.   Entrada gratuita. Reservas on-line antecipadas (opcionais) no site.

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

.: Exposição celebra elo entre MAM São Paulo e Biblioteca Mário de Andrade


Mostra reúne livros raros e obras de artistas brasileiros e estrangeiros do acervo do MAM e da Biblioteca, que revelam como o modernismo ganhou forma no país. Na imagem, Henri Matisse. Jazz, 1947. Biblioteca Mário de Andrade, Núcleo de Obras Raras e Acervos Especiais


De 4 de outubro a 11 de dezembro de 2025, o Museu de Arte Moderna de São Paulo e a Biblioteca Mário de Andrade apresentam a exposição "Do Livro ao Museu: MAM São Paulo e a Biblioteca Mário de Andrade", uma coletiva que resgata a relação fundadora entre as duas instituições e sua contribuição decisiva para a consolidação do modernismo no Brasil.

Com curadoria de Cauê Alves e Pedro Nery, a mostra acontece na Hemeroteca e na Biblioteca Mário de Andrade, ambas localizadas ao redor da Praça Dom José Gaspar, no Centro de São Paulo, e reúne principalmente obras das décadas de 1940 e 1950, período em que a arte moderna se consolidava no Brasil e em que surgiam espaços voltados à sua difusão. Entre os destaques estão livros raros e fundamentais como Jazz, de Henri Matisse, e Le Cirque, de Fernand Léger, que aproximaram artistas e pesquisadores brasileiros do modernismo europeu.

O ponto de partida da exposição é a trajetória de Sérgio Milliet, um agente cultural fundamental nas histórias de ambas as instituições. Milliet foi diretor da Biblioteca entre 1943 e 1959, e também atuou na constituição do MAM São Paulo, onde foi diretor artístico e organizou a 2ª, 3ª e 4ª edições da Bienal de São Paulo, na época realizadas pelo museu.

“Sob a liderança de Milliet, a Biblioteca e o MAM se complementaram na divulgação e institucionalização da arte moderna, abrindo espaço para mostras didáticas que formaram artistas, intelectuais e ampliaram a visibilidade da produção modernista”, explica Cauê Alves. “Foi ainda na Seção de Arte da Biblioteca Municipal de São Paulo (atual BMA) que chegaram ao público as obras modernistas doadas pelo empresário norte-americano Nelson Rockefeller, um marco para a criação do MAM”, complementa.

A exposição também evidencia a produção nacional, apresentando álbuns e livros de artista feitos quase inteiramente à mão, como os guaches de Milton Dacosta e "Fantoches da Meia-Noite" (1922), de Di Cavalcanti, que combina impressões com aquarelas. O percurso segue até os primeiros livros produzidos em tiragem limitada e com impressões de alta qualidade, como os da coleção da Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasil, iniciativa conduzida pelo colecionador de arte Raymundo Castro Maya a partir de 1943.

Obras do acervo do MAM São Paulo também integram a mostra, trazendo à tona as tensões que marcaram a produção moderna brasileira - especialmente a disputa entre abstração e figuração, já presente na exposição inaugural do museu, "Do Figurativismo ao Abstracionismo" (1949). O percurso expositivo ainda contempla a emergência da vanguarda concretista nos anos 1950, em oposição ao abstracionismo informal, revelando a pluralidade de caminhos da arte moderna no Brasil.

“Mais do que funções distintas, a Biblioteca e o Museu partilham uma origem comum e uma missão convergente: preservar, organizar e mediar conhecimentos. São espaços de encontro e aprendizado que estimulam a pesquisa, a reflexão e a imaginação”, complementa Pedro Nery. “Integrando as comemorações dos 100 anos da Biblioteca Mário de Andrade, a exposição Do livro ao museu reafirma nosso elo histórico com o MAM. Somos instituições que nasceram do mesmo impulso modernista e que, um século depois, continuam a mostrar a força desse legado na vida cultural de São Paulo”, completa Rodrigo Massi, diretor da Biblioteca Mário de Andrade.

 
Serviço
Exposição "Do Livro ao Museu: MAM São Paulo e a Biblioteca Mário de Andrade"
Locais: Biblioteca Mário de Andrade (R. da Consolação, 94 - República/São Paulo) e Hemeroteca da Biblioteca Mário de Andrade (R. Dr. Bráulio Gomes, 139 - República/São Paulo)
Curadoria: Cauê Alves e Pedro Nery
Período expositivo: 4 de outubro a 11 de dezembro de 2025
Entrada: gratuita

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

.: Lançamento do livro “A Pintura Branca e Preta", de Hélio Cabral, na Dan Galeria


No encontro entre texto e imagem, a obra recente de Hélio Cabral encontra em Leon Kossovitch um intérprete atento à lógica interna de sua pintura. O lançamento do livro "A Pintura Branca e Preta", de Hélio Cabral, coincide com a abertura de uma exposição na Dan Galeria, criando um campo de fricção entre a reflexão crítica e a experiência direta da obra.

Cabral explora um território onde o branco e o preto não funcionam como polos opostos, mas como forças simultâneas, tensionadas no traço. Em suas telas, a luz não se revela como simples claridade externa, mas como processo interno à própria construção pictórica — uma luminescência que emerge de gestos lançados, cortados, interrompidos, jamais resolvidos em superfícies contínuas.

O que se vê são linhas que giram, se cruzam e se interrompem, desobedecendo à previsibilidade de qualquer forma estável. O gesto, às vezes brusco, às vezes contido, conduz a matéria como quem acompanha a correnteza sem impor-lhe direção: um exercício de presença e atenção que aproxima a pintura de práticas corporais como o Tai Chi Chuan, nas quais a precisão não é contrária à serenidade.

O uso do gesso acrílico sobre têmpera, seco contra seco, preserva a pureza das tintas e mantém viva a tensão entre luz e treva, evitando o cinza conciliador que diluiria a fricção. Ao recusar a homogeneidade e a previsibilidade, Cabral sustenta o que Kossovitch chama de “trajetória desviante”: um fazer que se constrói no próprio ato, sem se submeter a preceitos prévios. O livro da Edusp, acompanhado pela conversa entre o crítico, o artista e o sociólogo Sergio Miceli, aprofunda esse campo de leitura, revelando como a pintura branca e preta de Cabral opera não apenas como imagem, mas como método e pensamento - uma prática que se equilibra entre o controle e a abertura ao acaso.


Serviço
Lançamento do livro "A Pintura Branca e Preta", de Hélio Cabral – Leon Kossovitch
Conversa com Leon Kossovitch, Hélio Cabral e Sergio Miceli
Quarta-feira, dia 20 de agosto de 2025, das 18h00 às 21h00
Exposição: "A Pintura Branca e Preta" – Hélio Cabral
Abertura: 20 de agosto de 2025, 18h00
Local: Dan Galeria – Rua Estados Unidos, 1638, Jardim América/São Paulo

.: MIS Experience prorroga exposição "Uma Viagem Imersiva Extraordinária"


Público agora tem até o dia 21 de setembro para conferir a mostra imersiva inédita, que apresenta projeções 360º, tour de realidade virtual, arte digital e muito mais. A extraordinária viagem imersiva da exposição “Júlio Verne 200” é inspirada nos grandes clássicos do autor francês, como: "Viagem ao Centro da Terra", "20.000 Léguas Submarinas", "Volta ao Mundo em 80 Dias", entre outros. Fotio: divulgação / Layers of Reality


O MIS Experience anuncia a prorrogação da megaexposição “Uma Viagem Imersiva Extraordinária - Júlio Verne 200”, inédita no Brasil. O público agora tem até o dia 21 de setembro para conferir a mostra, que faz uma imersão nas aventuras mais espetaculares do autor francês por meio de oito salas que exploram suas obras mais lendárias, como: "Viagem ao Centro da Terra", "20.000 Léguas Submarinas", "Volta ao Mundo em 80 Dias", "Cinco Semanas em Um Balão", "A Casa a Vapor", "Da Terra à Lua", entre outras.

Criado e concebido pelo estúdio catalão Layers of Reality, e estreado no IDEAL, um dos principais centros de artes digitais de Barcelona, a exposição é organizada, no Brasil, pela Ag Pallet e Apple Produções, em parceria com o MIS Experience. 

"Júlio Verne 200" acontece em um espaço de mais de 1.500 metros quadrados, incluindo salão com projeções imersivas, zonas de realidade virtual, áreas de metaverso, instalações interativas, cenários inspirados nas obras, recriação de objetos e de mapas da época e, ainda, uma sala de realidade virtual 360º. A trilha sonora de todas as instalações, composta por Rafel Plana, foi gravada pela Orquestra e Coro Sinfônicos de Bratislava (Eslováquia).


Ingressos
Os ingressos estão à venda neste link e na bilheteria do MIS Experience (para visita no próprio dia). Os valores são de: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada) às quartas, quintas e sextas-feiras; e R$ 80 (inteira) R$ 40 (meia) aos sábados, domingos e feriados. Às terças-feiras, a entrada é gratuita, com retirada do ingresso diretamente na bilheteria do MIS Experience no dia da visita. Por meio de uma parceria com a B3, o público também tem direito a entrada gratuita - a cada terceira quarta-feira do mês, também com retirada do ingresso diretamente na bilheteria.


Celebração - 200 anos de Júlio Verne
Em 2028, será comemorado o 200º aniversário do nascimento do autor francês Júlio Verne. A exposição, que estreou em Barcelona em 2024, está programada para embarcar em uma extensa turnê internacional, culminando em Paris em 2028 como parte dos eventos que homenageiam o bicentenário do autor em uma das cidades mais intimamente associadas a ele. São Paulo é a segunda cidade do mundo a receber a mostra, no MIS Experience.

A exposição é apoiada e assessorada pela "Société Jules Verne", a principal organização internacional dedicada aos estudos de Verne. Por quase 100 anos, a instituição publicou bibliografias, versões originais de obras póstumas e correspondência pessoal. Também publica o Bulletin de la Société Jules Verne (BSJV), que apresenta estudos e trabalhos inéditos de Verne. A BSJV é um recurso essencial na bolsa de estudos de Verne, apresentando regularmente novas descobertas e contribuições de pesquisadores de todo o mundo.


Sobre Júlio Verne
Nascido em Nantes (França), em 1828, Júlio Verne é considerado um dos artistas mais importantes de todos os tempos. Suas obras literárias combinaram elementos científicos e tecnológicos com imaginação e espírito de aventura, criando um corpo de trabalho fascinante que ressoou com um público amplo e diversificado. Nos romances de Verne, também conhecido como “pai da ficção científica”, a fusão de arte, ciência e tecnologia atinge o nível de obra-prima universal. Seu legado influenciou profundamente a literatura, o cinema e a cultura popular ao longo dos séculos 19 e 20 - e continua a inspirar até hoje.


Sobre o MIS Experience
Construído em um galpão de 2 mil metros quadrados e 10 metros de pé direito, o MIS Experience – instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo – foi inaugurado em 2 de novembro de 2019, com o objetivo de proporcionar a realização de exposições imersivas que se utilizem de novas tecnologias, levando o público a interagir de maneira diferente com artistas e suas obras de arte. A abertura do espaço aconteceu com a exposição Leonardo da Vinci – 500 anos de um gênio, experiência que possibilitou ao visitante conhecer a vida e o legado de Da Vinci. Nos anos seguintes, o MIS Experience recebeu as megaexposições imersivas Portinari para todos (2022); Michelangelo: o mestre da Capela Sistina (2023); Chaves: A Exposição (2024); e Bob Esponja: A Experiência (2025). Desde sua inauguração, o MIS Experience já recebeu mais de 1 milhão de visitantes. 


Sobre Layers of Reality
Layers of Reality é um estúdio pioneiro na criação de conteúdo de realidade aumentada, oferecendo experiências memoráveis, significativas e transformadoras. Em 2019, inaugurou seu principal centro de criação e exposição, o Ideal Barcelona. Em março de 2022, inaugurou a MAD (Madrid Artes Digitales) no Matadero Madrid, em colaboração com a Som Produce e a Stardust Internacional, e em março de 2024, abrirá o Bombas Gens, Centro de Artes Digitais em Valência.

Entre as produções mais significativas de Layers of Reality estão "Klimt: a Experiência Imersiva" (com Exhibition Hub), "Frida Kahlo: a Vida de Uma Lenda" (com Frida Kahlo Corp.), "Dalí Cybernetic" (com a Fundação Gala-Salvador Dalí), "Os Últimos Dias de Pompéia", "Tutancâmon: a Experiência Imersiva", "A Lenda do Titanic" (com Madrid Artes Digitales), "Sorolla: Uma Nova Dimensão" e "Universo Goya: entre a Luz e as Trevas", que a maioria deles pode ser vista atualmente em todo o mundo.


Sobre a Apple Produções
Com quase 40 anos de experiência no mercado de eventos, a Apple Produções é especializada no fornecimento de equipamentos de som, luz, imagem e estrutura. Reconhecida por participar de grandes produções do setor, a empresa também tem conquistado o mundo das exposições imersivas, um segmento em constante crescimento. Após o sucesso nas exposições “Tutankamon” e “Hotel Drácula”, a Apple Produções assina agora “Júlio Verne 200”, reforçando sua atuação em projetos de grande porte e alto impacto sensorial.


Serviço | Exposição “Uma Viagem Imersiva e Extraordinária - Júlio Verne 200”
Local: MIS Experience: Local: R. Cenno Sbrighi, 250 - Água Branca, São Paulo.
Data: até 21 de setembro de 2025.
Horários:  terças a sextas, das 10h às 17h; sábados, das 10h às 20h; domingos e feriados, das 10h às 18h. Fechado às segundas-feiras.
Ingresso: gratuito às terças (retirada apenas na bilheteria física do MIS Experience no dia da visita). Quartas, quintas e sextas-feiras: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia). Sábados, domingos e feriados: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia). Terceira quarta-feira do mês: ingresso gratuito por conta de parceria com a B3 (retirada apenas na bilheteria física do MIS Experience no dia da visita).
Site de vendas: https://www.ticketmaster.com.br/event/julio-verne-200
Informações de acessibilidade: rampas de acesso e banheiros adaptados para cadeirantes.
Classificação indicativa: livre
Tempo estimado de visitação: 60 minutos
A programação é uma realização do Ministério da Cultura, Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas de São Paulo, e Mis Experience, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e com o apoio do ProAC.
O MIS Experience tem patrocínio institucional da B3, Vivo, Valid, Kapitalo Investimentos, Goldman Sachs, Sabesp e TozziniFreire Advogados e apoio institucional das empresas Unisys, Unipar, Grupo Comolatti, Colégio Albert Sabin, PWC, TCL SEMP, Telium e Kaspersky.

sábado, 9 de agosto de 2025

.: "Brasil de Susto e Sonho", nova mostra de Rivane Neuenschwander em SP


Mostra mescla obras inéditas, releituras e trabalhos consagrados como Quarta-feira de Cinzas/Epílogo, de 2006. Entre vídeos, esculturas, pinturas, instalações e desenhos, os trabalhos abrangem diferentes caminhos artísticos percorridos por Rivane nos últimos 30 anos. 
Na imagem, a obra "A.E. (Nunca Mais Brasil)". Foto: Eduardo Ortega


No dia 14 de agosto, o Itaú Cultural abre para o público "Brasil de Susto e Sonho: um Panorama da Obra de Rivane Neuenschwander". A exposição segue em cartaz até 2 de novembro e apresenta obras inéditas, releituras e trabalhos consagrados de Rivane, como "Quarta-feira de Cinzas/Epílogo", de 2006. No conjunto, entre vídeos, esculturas, pinturas, instalações e desenhos, os trabalhos abrangem diferentes caminhos artísticos percorridos por ela nos últimos 30 anos.

De seus trabalhos inéditos tem Mestre Zenóbio e o Cordão da Bicharada, vídeo comissionado que marca o retorno das parcerias de Rivane e Cao Guimaraes. "Dream.lab/São Paulo", inédita no Brasil, foi apresentada no fim do ano passado e início deste na Áustria e agora ela é exibida feita com crianças brasileiras e seus sonhos desenhados. Também entre as novidades há dois conjuntos formados por seres surreais que representam a realidade: "As Insubmissas" e "Perversos, Marcianos, Canibais e Alienados". Ainda, tem uma nova escultura, "Apocaplástico", que evoca a região do rio Tocantins, onde há mais templos do que hospitais e escolas, e cinco pinturas inéditas acrescidas à série Notícias de Jornal.

Em suma, a mostra apresenta o olhar atento de Rivane sobre assuntos que vêm movendo os brasileiros na história contemporânea do país - dos anos de 1970 aos atuais. A inspiração trafega entre registros de manifestações diversas captadas por ela em solo firme, no espaço das redes sociais, em sonhos de crianças, em festas folclóricas e em observações subjetivas capturadas em suas andanças pelo país. A curadoria da exposição é de Fabiana Moraes e a concepção e realização são do Itaú Cultural. 


Até dia 2 de novembro no Itaú Cultural
"Dream.lab/São Paulo", obra inédita no Brasil, apresentada no fim do ano passado e início deste na Áustria, agora feita com crianças brasileiras e seus sonhos desenhados; "Mestre Zenóbio e o Cordão da Bicharada", vídeo comissionado realizado em colaboração com o cineasta Cao Guimarães; "As Insubmissas" e "Perversos, Marcianos, Canibais e Alienados", dois conjuntos formados por seres surreais que representam a realidade; "Apocaplástico", que evoca a região do rio Tocantins, onde há mais templos do que hospitais e escolas, e cinco pinturas inéditas acrescidas à série "Notícias de Jornal". Estas são as novas peças da artista visual Rivane Neuenschwander, que, com outras obras construídas por ela ao longo de sua trajetória de três décadas, compõem a exposição "Brasil de Susto e Sonho: um Panorama da Obra de Rivane Neuenschwander".

Com abertura no Itaú Cultural (IC) na noite de 13 de agosto - e visitação do público do dia seguinte, 14, até 2 de novembro -, a mostra tem curadoria da pesquisadora (Universidade Federal de Pernambuco/UFPE) e jornalista Fabiana Moraes e realização da equipe do IC. A exposição se estende pelos três pisos do espaço expositivo da instituição dedicados às mostras temporárias. No conjunto, Brasil de susto e sonho: um panorama da obra de Rivane Neuenschwander apresenta o olhar atento da artista sobre assuntos que vêm movendo os brasileiros na história contemporânea do país  dos anos de 1970 aos atuais. 

Os suportes artísticos são variados: vídeos, esculturas, pinturas, instalações e desenhos. A inspiração trafega entre registros de manifestações diversas captadas por ela em solo firme, no espaço das redes sociais, em sonhos de crianças, em festas folclóricas e em observações subjetivas capturadas em suas andanças pelo país.


Piso 1
Este andar acolhe duas de suas obras inéditas: "Dream.lab/São Paulo", ainda não vista pelo público brasileiro, e a estreia de "Mestre Zenóbio e o Cordão da Bicharada". A primeira navega pelos sonhos de crianças, cuja colaboração, como uma espécie de coautores de produção espontânea, marca outros trabalhos da artista. Apresentada no museu de arte moderna KinderKunstLabor, na Áustria, com curadoria de Mona Jas e Andreas Hoffer, esta é a primeira montagem da obra no Brasil após um processo de pesquisa denso e específico para a exposição. Resultado de oficinas conduzidas pela equipe de mediação cultural do Itaú Cultural, ao lado da artista, com alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Abrão de Moraes e da Emef Desembargador Amorim Lima, as atividades partiram de uma leitura do livro "Sonhozzz" (editora Salamandra, 2021), de Silvana Tavano e Daniel Kondo, que também assina as ilustrações. As crianças fizeram exercícios para a produção de desenhos nos quais manifestaram seus sonhos, desembocando em uma delicada investigação sobre a infância, o inconsciente coletivo e os sonhos desses brasileiros em crescimento.

A segunda obra, "Mestre Zenóbio e o Cordão da Bicharada", é um vídeo de cerca de 20 minutos dirigido por Cao Guimarães e Rivane, que retomam uma parceria já vista na obra "Quarta-feira de Cinzas/Epílogo" (2006), também presente na exposição. O trabalho versa sobre o cordão que lhe dá nome, fundado por Mestre Zenóbio na Vila de Juaba, em Cametá, interior do Pará, na primeira metade dos anos de 1970. Em um tempo em que a Copa do Mundo e a Transamazônica dominavam as telas e os discursos do regime ditatorial, Zenóbio enchia uma pequena embarcação com representações de animais de países e climas distintos para chamar a atenção para a preservação da natureza, em um cortejo que se repete todos os anos no Carnaval das Águas (tradição centenária da cultura paraense). Rivane e Cao registraram o mais recente, resultando neste filme que mescla sonho e susto, beleza e plástico jogado fora, ontem e agora. A trilha é da dupla performer brasileira O Grivo, que também aparece em trabalhos como Erotisme.

Ainda fazem parte deste piso "Atrás da Porta e L.L." ("O Vendedor de Furos"). A primeira é de 2007, uma serigrafia sobre madeira composta de 140 peças de dimensões variadas com desenhos e rabiscos, que a artista foi capturando ao longo dos anos nas portas de banheiros públicos. De 2023, a segunda reúne pequenas esculturas, que se espalham pelos três andares da exposição. A obra é baseada em uma memória de infância de L.L., amiga de Rivane, na qual ela imaginava um comerciante que ganhava dinheiro vendendo buracos, e faz uma conexão precisa sobre o mundo em que vivemos na atualidade.


Piso -1
Aqui, o público encontra mais dois trabalhos inéditos: "As Insubmissas" e "Perversos, Marcianos, Canibais e Alienados". Uma ema antifascista, um tubarão verde com lenço amarelo pronto para atacar, arapongas e tigrinhos, entre outros, representam personagens que falam da história mais recente do país. Somando os dois conjuntos, são 23 figuras, entre bichos, frutas, plantas na composição desses bonecos, feitos de tecido, papel machê, garrafas de vidro, bordados e outros materiais.

"As Insubmissas" reúne os personagens A Ativista; O Brasil; O Comunista; O Socialista; A Anti-fascista e O Ministro. Em "Perversos, Marcianos, Canibais e Alienados" estão A Agência de Vigilância; A Alta Patente; A Emenda Parlamentar; A Força Aérea Expedicionária; A Funcionária Fantasma; A Inflação; A Patriota; O Algoritmo; O Autocrata; O Deputado Federal; O Empresário; O Jogo de Apostas; O Magnata da Fé; O Oligarca; O Tarifaço e O Tecnocrata.

Estes trabalhos derivam da obra "O Alienista" (2019), atualmente exposta no Instituto Inhotim e baseada no livro de Machado de Assis. Nela, estão personagens como O Orador de Sobremesas, O Juiz de Fora, O Terraplanista, O Barbeiro, A Viúva e João de Deus (personagem de O alienista, de Machado de Assis), entre outros.

Também está neste piso o vídeo digital Enredo, produzido por Rivane em 2016 com o neurocientista Sérgio Neuenschwander. O audiovisual se inspira na coletânea de contos populares do Oriente Médio "As Mil e Uma Noites" (edição em português) para acompanhar uma aranha tecendo a sua teia com o seu fio entremeado por confetes feitos de pequenos trechos do livro, entre palavras que atravessam o seu caminho e ao som de um tamburello (versão italiana da pandeireta) tocado pelo cantor e compositor Domenico Lancellotti.  

Neste andar, ainda, o público encontra mais um vídeo de Rivane e Cao Guimarães: "Quarta-feira de Cinzas/Epílogo", realizado em 2006. O filme de 10 minutos articula a folia em fim de festa. A obra Repente, de 2016, apresenta etiquetas de tecido bordadas, painel de feltro, caixas de madeira, alfinetes de cabeça e de segurança, em um trabalho que a artista vem atualizando ao longo dos anos com novas palavras de ordem em um remix de protestos, mobilizações e lutas dos brasileiros. 

No trabalho "Noites Árabes" (2008), ela evoca a claridade volátil da Lua mobilizando um número palíndromo, assim como na obra "Enredo, as Mil e Uma Noites de Sherazade". Aqui, o rolo de filme de 16 milímetros se desdobra em 1.001 pequenos furos atravessados pela luz, entre 1.001 noites, histórias e recomeços. 

"À Espreita", acrílica sobre papel preto acid free, reúne 24 pinturas que investigam tanto o lado psicanalítico quanto político do medo. Rivane vem investigando há anos a infância como um lugar também político. Neste trabalho ela exibe formas sombrias desenhadas pelas próprias crianças, a partir de oficinas realizadas na pesquisa O nome do medo. As formas remetem a monstros, fantasmas e espíritos que além de viverem nas casas, habitaram porões e delegacias no período ditatorial brasileiro.

Piso -2
"Apocaplástico", obra exibida com destaque neste andar, também é inédita. Trata-se de uma escultura composta de madeira, massa e tinta acrílica, corda, plástico e papel, com dimensões variadas. Tem origem na viagem que a artista fez ao lado de Cao Guimarães, na região do rio Tocantins, para a produção de Mestre Zenóbio e o Cordão da Bicharada. Lá, Rivane observou uma grande quantidade de plásticos e outros materiais jogados após o Carnaval, cujas imagens aparecem no vídeo e nestas obras.

A artista também anotou pontos de reflexão sobre o projeto de colonização dos interiores do norte do país, que segue firme e cada vez mais forte por meio da religião, e as depositou em "Apocaplástico". A localidade é a que abriga mais templos religiosos no país – 459 deles a cada 100 mil habitantes; mais do que hospitais e escolas.

Também neste andar, "Notícias de Jornal (...)", de 2025, expõe o noticiário cotidiano – em especial os tantos casos de feminicídio – em uma série de cinco novas pinturas baseadas em ex-votos – sem santos, mas com sangue. São elas: Notícias de Jornal(Simone),Notícias de Jornal (Natália),Notícias de Jornal (Érica), Notícias de Jornal (Jaciara) e Notícias de Jornal (Suely), todas realizadas neste ano.

Em "A Conversação" (2010-2025), Rivane se inspirou no filme homônimo dirigido por Francis Ford Coppola em 1974. Nesta instalação composta de papel de parede, carpete, forro para carpete, cola, gravadores de áudio, aparelho de som e alto-falantes, também de dimensões variadas, o mote é a paranoia da espionagem, que transforma todos em suspeitos e alvos – dos celulares e drones, da entrega e monetização dos dados de cada pessoa, notícias sobre grupos e pessoas espionados pela gestão federal encerrada em 2022. Neste trabalho, há escutas escondidas no assoalho e nas paredes e microfones camuflados.

"M.C." ("Sete Exu da Lira/Chacrinha"), de 2025, é um bordado de miçangas e lantejoulas sobre sarja de algodão. O trabalho vai buscar o Brasil de 1971 – quando, em pleno governo militar, os brasileiros assistiam ao programa do Chacrinha aos domingos. Ele tem foco especialmente no último domingo de agosto daquele ano, no qual a umbandista Mãe Cacilda de Assis recebia a entidade Seu Sete Rei da Lira e promovia um transe coletivo no programa da TV Globo (e, depois, no famoso show de Flávio Cavalcanti, na TV Tupi). Andrógina, negra e à frente de uma prática não cristã, Mãe Cacilda se tornou alvo do discurso moralista e racista das mais poderosas representantes do catolicismo conservador do país.

No vídeo "Erotisme", produzido por Rivane em 2014, a trilha sonora é de O Grivo. Nele, uma mão interpreta o alfabeto desobedecendo a sua sombra. Entre umas imagens e outras, vão aparecendo palavras em francês, usuais ou inventadas, riscadas a canivete na madeira: masturber, nidifier, occulter (masturbar, aninhar, ocultar), entre outras. A obra faz referência direta ao verbete “erotismo”, atribuído a Georges Bataille, na obra surrealista Le memento universel Da Costa, e passeia por dualidades do sexo, visto como prazer ou arma; gozo ou ferida, remetendo à violação.

"M.F. (Road Trip)", de 2015, poderia ser resumido como um buraco de 1 x 2 cm feito na parede, para exalar o cheiro de gasolina. Mas é muito mais do que isso. Trata-se de uma referência ao Brasil militar-desenvolvimentista e suas grandes estradas que cortaram aldeias e florestas, já a partir da década de 1970.

Em "A.E. (Nunca Mais Brasil)", de 2023, uma tapeçaria de 1,70m x 1,70m, Rivane apresenta uma costura de retalhos de medos e lembranças, infância e geografia, arquivos e pavores: monstros e nomes de locais que serviram como espaços de tortura e desova de corpos, em uma referência ao livro "Brasil: Nunca Mais" (1985; editora Vozes) – organizado por Dom Paulo Evaristo Arns, Hélio Bicudo e Jaime Wright, reúne documentos de episódios de tortura durante a ditadura militar no Brasil. Aqui, a artista mescla a pesquisa "O Nome do Medo" (iniciada em 2015) a outro tema que demarca suas investigações: o regime autoritário que por duas décadas enterrou pessoas em locais como a Ponta da Praia (RJ).

"R.R. (90 Milhões em Ação)", de 2025, também remete aos anos de 1970, quando o Brasil conquistou o tetra na Copa de Futebol, com jogadores como Pelé, Rivelino, Tostão, Gerson e Jairzinho em campo. A vitória foi capitalizada pelo governo Médici (1969-1974) e embalada pela marchinha de Miguel Gustavo transformada em uma espécie de hino: “Noventa Milhões em Ação / Pra Frente, Brasil, do Meu Coração”. Nas telas brilhava o Canal 100, fundado em 1957 pelo produtor Carlos Niemeyer, que exibia zooms de rostos em sua maioria desconhecidos acompanhando partidas de futebol enquanto, longe das câmeras, gestões autoritárias sequestravam, torturavam e matavam. 


Serviço
Itaú Cultural

Avenida Paulista, 149 – próximo à estação Brigadeiro do metrô.

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

.: Abertura da exposição World Press Photo 2025 será nesta terça em SP


A abertura da exposição contará com a presença dos fotógrafos brasileiro premiados, Anselmo Cunha e Amanda Perobelli, e do presidente do júri Sulamericano, o também brasileiro, Lalo Almeida. Foto: Aeronave em Pista Inundada, registrada durante a enchente histórica que atingiu o Rio Grande do Sul em maio de 2024 | Anselmo Cunha - Agence France-Presse


A exposição itinerante "World Press Photo 2025", que apresenta os vencedores do 68º Concurso Anual, chega na CAIXA Cultural de São Paulo nesta terça-feira, dia 5 de agosto. Este ano, a mostra, que reúne o melhor do fotojornalismo, traz 42 projetos vencedores que refletem os temas mais urgentes da atualidade: política, gênero, migração, conflitos armados e a crise climática, reunindo histórias captadas por fotógrafos de 31 países. 

Entre os premiados, estão três profissionais brasileiros: Amanda Perobelli, André Coelho e Anselmo Cunha. O Brasil também ganhou protagonismo na lente de profissionais internacionais, o mexicano Musuk Nolte com imagens da seca na Amazônia e Jerome Brouillet com a foto do atleta olímpico Gabriel Medina. Depois de uma temporada de sucesso no Rio de Janeiro, a mostra segue em cartaz em São Paulo até o dia 28 de setembro, depois segue para Brasília, Curitiba e Salvador.

Em 2025, as imagens documentam desde protestos e levantes em países como Quênia, Myanmar, Haiti, El Salvador e Geórgia, até retratos inesperados de figuras políticas nos Estados Unidos e na Alemanha. Também revelam histórias comoventes de jovens ao redor do mundo – como um homem trans de 21 anos nos Países Baixos, uma jovem ucraniana traumatizada pela guerra e a foto do ano que mostra uma criança palestina vivendo com amputações após bombardeios em Gaza, captada por uma fotógrafa da mesma nacionalidade.

Outro destaque desta edição é o impacto das mudanças climáticas em diferentes partes do mundo, com registros de desastres no Peru, Brasil e Filipinas. Há ainda um retrato potente da comunidade LGBTQIAPN+ celebrando o orgulho em um local secreto em Lagos, Nigéria, onde atos dessa natureza podem ser criminalizados. Destaque também para Tamale Safale, o primeiro atleta com deficiência a competir com atletas não deficientes em Uganda.

“Uma foto vencedora no World Press Photo não é apenas um registro histórico, é arte. Ela documenta, mas também fica na memória. O prêmio valoriza os projetos que jogam luz a questões urgentes e relevantes, que estão em debate em todo o mundo. E enxergar o nosso país nesse lugar de potência traz ainda mais satisfação em representar a exposição aqui”, explica Flávia Moretti, representante do World Press Photo no Brasil. 


Brasil
Três fotógrafos brasileiros estão entre os premiados da América do Sul no World Press Photo 2025. Na categoria Individual, Anselmo Cunha foi reconhecido pela imagem Aeronave em Pista Inundada, registrada durante a enchente histórica que atingiu o Rio Grande do Sul em maio de 2024. Com o mesmo tema, Amanda Perobelli venceu na categoria Reportagem com a série As Piores Enchentes do Brasil, que retrata os impactos das chuvas na cidade de Canoas, uma das mais afetadas pelo desastre climático. Também na categoria Individual, o fotógrafo André Coelho foi premiado com a imagem Torcida do Botafogo: Orgulho e Glória, que mostra a comemoração dos torcedores do clube carioca após a conquista inédita da Copa Libertadores da CONMEBOL, em novembro de 2024. 

O Brasil também se destacou em outros dois projetos internacionais. O mexicano Musuk Nolte retratou os efeitos socioambientais da redução do nível dos rios na região norte do país. A série Seca no Rio Amazonas foi uma das vencedoras na categoria Reportagem da América do Sul. Já o fotógrafo francês Jerome Brouillet, da AFP, venceu na categoria Individual da região Ásia-Pacífico e Oceania, com a imagem de grande repercussão que  mostra o surfista brasileiro Gabriel Medina emergindo triunfante de uma onda em Teahupo’o, no Taiti, quando garantiu a medalha de bronze  nas Olimpíadas de Paris

O fotógrafo Lalo de Almeida, vencedor na categoria Individual da América do Sul na edição de 2024, foi escolhido para presidir o júri na América do Sul. “Ter a experiência de estar do outro lado do balcão é uma honra. É uma grande responsabilidade, pois todas as histórias são importantes e todas as fotografias selecionadas eram impressionantes. Há muitos fotógrafos trabalhando em histórias profundas e foi incrível ver a forma como a América do Sul produz boas histórias”, afirma ele, que também integrou o júri global.


Campanha Feminicídio Zero
Durante o período de exibição no Brasil, a  "World Press Photo 2025" adere à campanha "Feminicídio Zero" para ampliar o debate sobre violência de gênero e os desafios enfrentados por mulheres em diferentes contextos ao redor do mundo. As histórias retratadas em diversas imagens vencedoras da mostra nesta edição, tais como Corpos Femininos Como Campos de Batalha (Cinzia Canneri), Maria (Maria Abranches), Jaide (Santiago Mesa), Terra Sem Mulheres (Kiana Hayeri) e Crise no Haiti (Clarens Siffroy) evidenciam como o corpo e a vida das mulheres continuam sendo alvos de opressão, controle e violência. Ao conectar essas narrativas visuais com os objetivos da campanha, a mostra convida o público a refletir sobre os direitos das mulheres, a urgência do enfrentamento ao feminicídio e o papel da arte na promoção da conscientização social.


Concurso
Desde 1955, o Concurso Anual World Press Photo reconhece e celebra o melhor do fotojornalismo e da fotografia documental produzidos ao longo do último ano. Em 2021, o concurso passou a adotar um modelo regional de premiação, o que o tornou mais representativo globalmente. A edição de 2025 mantém esta estrutura, com seis regiões globais: África; América do Norte e Central; América do Sul; Ásia Ocidental, Central e Sul Asiático; Ásia-Pacífico e Oceania; e Europa. 

Neste ano, a novidade é a mudança de um para três vencedores nas categorias Fotografia Individual e Reportagem em cada região do mundo, além de um vencedor por região na categoria Projeto de Longo Prazo. A exposição será apresentada em mais de 60 cidades, incluindo a estreia mundial em Amsterdã, seguida de Londres, Roma, Berlim, Viena, Budapeste, Cidade do México, Montreal, Jacarta e Sydney. 

As inscrições são julgadas e premiadas de acordo com a região onde as fotografias e histórias foram produzidas — e não pela nacionalidade do fotógrafo. Cada região contempla três categorias baseadas em formato: Individual (Singles), Reportagem (Stories) e Projetos de Longo Prazo (Long-Term Projects). 

Em 2025, o concurso, que acontece em meio às comemorações de 70 anos da Fundação World Press Photo, realizadora da premiação, ampliou o número de fotógrafos e projetos premiados – de 33, em 2024, para 42. Foram recebidas 59.320 inscrições, enviadas por 3.778 fotógrafos, de 141 países. As inscrições sempre são avaliadas de forma anônima. A primeira etapa da seleção foi realizada por júris regionais, que fizeram a pré-seleção dos trabalhos. Em seguida, os vencedores foram definidos por um júri global independente, composto pelos presidentes dos júris regionais e o presidente global.

A exposição no Brasil é patrocinada pela CAIXA e pelo Governo Federal, e tem o apoio do Jornal Folha de S. Paulo. A organização sem fins lucrativos Repórteres Sem Fronteiras (RSF) é apoiadora da programação paralela da World Press Photo. 


Serviço
Exposição "World Press Photo 2025"
CAIXA Cultural São Paulo
De 5 de agosto a 28 de setembro de 2025
Praça da Sé, 111 - Centro – Próximo à estação Sé do Metrô
Horário de visitação: de terça a domingo, de 8h00 às 19h00
Entrada gratuita
Classificação etária: 12 anos
Mais informações: https://www.caixacultural.gov.br/Paginas/default.aspx /@caixalculturalsp/tel: (11) 3321-4400
Importante: A exposição terá visitas mediadas com Libras e todas as imagens contarão com audiodescrição.

terça-feira, 22 de julho de 2025

.: Últimos dias da mostra "Mulheres Atingidas por Barragens" no MASP


Exposição Mulheres Atingidas por Barragens: bordando direitos apresenta técnica têxtil como ferramenta de resistência e denúncia contra violações de direitos humanos e socioambientais. Coletivo Nacional de Mulheres do MAB, Tratores famintos, 2014. Acervo do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Foto: Filipe Berndt


O MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta, até 3 de agosto, a exposição "Mulheres Atingidas por Barragens - Bordando Direitos", que reúne 34 arpilleras produzidas pelo Coletivo Nacional de Mulheres do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). As peças foram confeccionadas coletivamente por mulheres de todo o Brasil, em rodas de bordado organizadas pelo coletivo, como expressão de suas vivências e lutas diante dos impactos sociais e ambientais causados pela construção, operação e pelo rompimento de barragens.

As arpilleras, peças têxteis que se tornaram símbolo da memória e da luta por direitos humanos, são composições de retalhos de tecido bordado sobre juta. A técnica surgiu no Chile nos anos 1960 e, durante a ditadura de Augusto Pinochet, tornou-se uma expressão cultural e política de protagonismo feminino. Criadas principalmente por mulheres — muitas delas mães, esposas e familiares de presos políticos e desaparecidos —, essas obras retratam cenas do cotidiano, da repressão e da luta por direitos. O Coletivo Nacional de Mulheres do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) passou a utilizar a técnica em 2013 para abordar temas como a violência doméstica, a ruptura de vínculos entre a terra e a comunidade, a violência contra crianças e adolescentes, a falta de acesso à água potável e à energia elétrica, e os impactos das barragens e da poluição de rios na pesca e na subsistência das famílias, entre outras violações aos direitos humanos e ambientais.

Com curadoria de Glaucea Helena de Britto, curadora assistente, MASP, e Isabella Rjeille, curadora, MASP, esta exposição reúne arpilleras de diferentes regiões do Brasil, produzidas entre 2014 e 2024. Organizadas cronologicamente, essas peças contemplam uma grande diversidade de técnicas e temas. Cada arpillera é contextualizada por uma carta escrita pelas autoras, guardada em um bolso no verso de cada peça, evidenciando o caráter coletivo e de organização popular do processo de realização de cada peça. Na mostra, o público terá acesso à seleção de 6 cartas manuscritas.

“Para muitas pessoas, a arpillera pode parecer apenas uma obra de arte para pendurar na parede. Para nós, o significado político desse testemunho têxtil está na organização das mulheres, na luta pelos seus direitos e na proposição política — dos sonhos, das utopias, daquilo que almejamos. É denúncia, mas também é um projeto de esperança”, diz Daiane Höhn, militante do MAB. 

Sobre a organização das mulheres no MAB
O Coletivo Nacional de Mulheres do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) é um núcleo dentro do movimento que articula a luta das mulheres atingidas em todo o país, fortalecendo sua participação política e promovendo ações de denúncia e resistência. Desde sua criação, tem ampliado a presença feminina nos espaços de decisão e consolidado estratégias para garantir direitos e enfrentar as violações causadas pela construção, operação e pelo rompimento de barragens. No último período, as atingidas também têm promovido debates e fortalecido a organização com mulheres impactadas por desastres climáticos, que, de forma semelhante, geram desestruturação comunitária e familiar, com impactos específicos na vida das mulheres e violações de direitos das famílias.

Desde 2013, as mulheres do MAB organizam oficinas nas quais, por meio do bordado, constroem narrativas visuais que denunciam injustiças socioambientais, registram memórias e reforçam redes de apoio. As arpilleras tornaram-se um símbolo da resistência das mulheres atingidas. "Mulheres Atingidas por Barragens - Bordando Direitos" integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias da ecologia. A programação do ano também inclui mostras de Abel Rodríguez, Clarissa Tossin, Claude Monet, Emilija Škarnulytė, Frans Krajcberg, Hulda Guzmán, Inuk Silis Høegh, Janaina Wagner, Maya Watanabe, Minerva Cuevas, Tania Ximena, Vídeo nas Aldeias e a grande coletiva Histórias da ecologia.


Acessibilidade
Todas as exposições temporárias do MASP possuem recursos de acessibilidade, com entrada gratuita para pessoas com deficiência e seu acompanhante. São oferecidas visitas em Libras ou descritivas, além de textos e legendas em fonte ampliada e produções audiovisuais em linguagem fácil – com narração, legendagem e interpretação em Libras que descrevem e comentam os espaços e as obras. Os conteúdos, disponíveis no site e no canal do YouTube do museu, podem ser utilizados por pessoas com deficiência, públicos escolares, professores, pessoas não alfabetizadas e interessados em geral.

Catálogo
Na ocasião da mostra, será publicado um catálogo bilíngue, em inglês e português, composto por imagens e ensaios comissionados de autores fundamentais para o estudo da obra e luta do MAB. A publicação tem organização de Isabella Rjeille, curadora, MASP, e Glaucea Helena de Britto, curadora assistente, MASP, e textos de Roberta Bacic, Monise Vieira Busquets e Carolina Caycedo, além de uma entrevista com Daiane Höhn, Esther Vital e Louise Löbler. O catálogo conta com a reprodução de 47 arpilleras produzidas pelo coletivo, além de textos que contextualizam cada peça.

Realização e apoio 
"Mulheres Atingidas por Barragens - Bordando Direitos" é realizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e PROAC ICMS. 


Serviço
Exposição "Mulheres Atingidas por Barragens - Bordando Direitos"
Curadoria: Glaucea Helena de Britto, curadora assistente, MASP, e Isabella Rjeille, curadora, MASP.
Até dia 3 de agosto de 2025
Mezanino, 1º subsolo, Edifício Lina Bo Bardi

MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand
Avenida Paulista, 1578 - Bela Vista / São Paulo
Telefone: (11) 3149-5959
Horários: terças grátis, das 10h00 às 20h00 (entrada até as 19h00); quarta e quinta das 10h00 às 18h00 (entrada até as 17h00); sexta das 10h00 às 21h00 (entrada gratuita das 18h00 às 20h30); sábado e domingo, das 10h00 às 18h00 (entrada até as 17h00); fechado às segundas.
Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos
Ingressos: R$ 75,00 (entrada); R$ 37,00 (meia-entrada)

Postagens mais antigas → Página inicial
Tecnologia do Blogger.