domingo, 21 de julho de 2024

.: Escritor Luiz Gustavo Medeiros fala sobre dilemas, complexidades e tensões


"Espero conseguir colocar o leitor diante do contraditório, esticar os limites da sua percepção.", afirma o escritor Luiz Gustavo Medeiros. Foto: divulgação


Paulo é um rapaz de trinta e poucos anos lidando com tensões relacionadas ao emprego, ao passado familiar trágico, à herança negra e, sobretudo, aos impasses amorosos. Esse é o personagem principal do romance de duração “A União das Coreias” (compre neste link), escrito por Luiz Gustavo Medeiros e publicado pela editora Reformatório.

O  livro busca traçar um retrato das complexidades da vida e seus dilemas morais, embora temas como o amor, o sexo, a infidelidade, a política, os abismos sociais, ajudem a compor o cenário existencial por onde os personagem se movem. A obra, contemplada pelo Fundo de Arte e Cultura de Goiás em 2023, conta com orelha assinada por Noemi Jaffe e comentários na quarta capa de André Sant’Anna e Maria Fernanda Elias Maglio.

Luiz Gustavo nasceu no Rio de Janeiro, capital, passou a infância praticamente toda em Curitiba, no Paraná, e se mudou para Goiânia, em Goiás, no ano de 2002, onde vive desde então. Ele é graduado em Ciências Sociais e mestre e doutorando na área de Letras. O primeiro livro “O Corpo Útil” (compre neste link) foi vencedor do Prêmio Hugo de Carvalho Ramos de 2020 e publicado em 2021 pela editora Patuá.


Quais são os temas centrais de “A União das Coreias”?
Luiz Gustavo Medeiros - O romance se passa em um só dia e gira em torno de um personagem que, às vésperas do primeiro turno das eleições de 2018, retoma o passado enquanto avalia o presente e o futuro. À grosso modo, o livro trata de temas comuns como o amor, o sexo, a política, os costumes e os abismos sociais. O título surgiu a partir da leitura de uma tese de doutorado em psicologia chamada "Cartas sobre o Envelhecer", de Luciana de Oliveira Pires Franco. A tese é toda composta de cartas e, em uma delas, é citado um documentário chamado "A Vida em Um Dia", que registra um determinado dia na vida de várias pessoas pelo mundo. Um dos relatos é o de um homem que atravessa a Ásia de bicicleta sonhando com a união das Coreias. Gostei da imagem e achei que ela batizaria bem essa tentativa de captura, que é o livro, do percurso mental de um sujeito atormentado por forças contrárias em duelo constante.


Por que você escolheu esses temas?
Luiz Gustavo Medeiros - Não penso que a escolha dos temas, das tramas e subtramas, tenha uma motivação especial. Os conflitos do romance fazem parte da trajetória de muitas pessoas e podem servir como material pra boa literatura, onde mais importa como dizer do que o que dizer


O que motivou a escrita do livro?
Luiz Gustavo Medeiros - Lembro quando um estudante foi assassinado em Goiânia pelo próprio pai por participar das manifestações contra a PEC do teto de gastos durante o governo Temer. O pai se matou em seguida. Sou servidor do CREA e, pouco depois, acabei atendendo a mãe desse jovem, que foi lá apresentar a certidão de óbito do ex-marido, que era engenheiro, pra que o registro dele fosse cancelado. Lembro também de assistir a apuração das eleições de 2018 em um bar numa região de classe média alta de Goiânia e um homem sacar uma arma, depois que o resultado se confirmou, só pra exibi-la. E o livro começou a ser escrito quando a pandemia estourou e o país parecia ensaiar uma divisão entre os que queriam aderir às recomendações dos órgãos de saúde e os que não aceitavam qualquer mudança de comportamento. Quis examinar essa situação, esse afunilamento da tolerância, tentar me aproximar do convívio entre essas pessoas que não compactuam com as mesmas ideias, num momento em que elas ainda pareciam se suportar.


Como você chegou à escolha do formato narrativo da história?
Luiz Gustavo Medeiros - Eu queria uma narrativa que tentasse simular o ritmo da consciência, cheia de idas e vindas. Ao mesmo tempo, eu queria um narrador em terceira pessoa que fosse uma espécie de voz interior do personagem, exigente e debochada, e que fosse muito próxima dele a ponto dos dois se confundirem.


Como a bagagem do seu livro anterior ajudou na construção da obra?
Luiz Gustavo Medeiros - No meu primeiro livro, de contos, eu já vinha experimentando esse narrador em terceira pessoa muito colado no personagem, além dos diálogos diluídos no texto, em itálico. No mais, são livros bem diferentes.


O que você espera alcançar com a publicação de “A União das Coreias”?
Luiz Gustavo Medeiros - Espero alcançar leitores. Espero conseguir colocar o leitor diante do contraditório, esticar os limites da sua percepção.


E o que a obra significa para você? Ela te mudou de alguma maneira?
Luiz Gustavo Medeiros - É meu primeiro romance. Foi escrito ao longo de quatro anos, quatro anos e meio. Foi um desafio cujo resultado me agradou. Não vejo um poder de transformação imediato na escrita. Mas escrever - e ler - ajuda, pouco a pouco, a ampliar nosso horizonte de percepção, a ampliar o mundo e a fazer com que a gente se encaixe melhor dentro dele.


Quais são os seus projetos atuais?
Luiz Gustavo Medeiros - Tenho uma tese pra escrever, mas venho trabalhando devagar em um livro de contos e no esboço de um futuro romance.

.: Ator Cauã Martins fala sobre jogador prodígio de e-sports em nova série


Conheça "Dr4g0n", a primeira série de ficção do Globoplay ambientada na temática de e-sports. Daniel (Cauã Martins) é o protagonista da série.“Você nunca sabe o próximo passo dele”, afirma o ator em entrevista. Foto: Fabio Rebelo

Em "Dr4g0n", nova série Original Globoplay, o ator Cauã Martins dá vida a dois personagens que são um só. Daniel é o irmão mais novo de Ana Paula (Nanda Marques), e passa boa parte dos seus dias em frente ao computador. Sua família mal sabe que, no mundo virtual, ele é um habilidoso jogador, cujo codinome dá título à trama.  

Geralmente trancado no quarto jogando e esquecido pela família, Daniel acaba sendo elevado ao posto máximo de provedor da casa quando a empresa de seus pais entra em falência e sua irmã decide investir em sua carreira de jogador profissional de e-sports. Com isso, pela primeira vez, seus pais e irmã passam a conhecer sua personalidade manipuladora e um tanto quanto sádica.  

É só depois de conhecer Horang (Gabriel Kim), seu principal rival nos games, que Daniel vai aprender a importância do trabalho em equipe. “Cauã entendeu esse ar completamente blasé do Daniel. Ele se acha melhor que os outros, mas não fala sobre isso. Ele pode ser insuportável, mas todo mundo fica em torno dele: as garotas o desejam e os rapazes querem sua aprovação e amizade”, conta Ana Saki, roteirista da série. 


Daniel, ou "Dr4g0n", é um menino introspectivo e frio. Como você avalia a personalidade do personagem?
Cauã Martins -
Esse lado misterioso do Daniel é a síntese do personagem, você nunca sabe o próximo passo dele. Ele está sempre à frente. E tem muitos momentos na série em que mostramos isso, essa consciência dele, esse mistério. E isso se apresenta nas relações com os outros personagens. As pessoas têm um medo do Daniel, dessa nuvem em volta dele, que elas não conseguem ultrapassar, mas ele está vendo tudo claramente. 


Você já conhecia o universo dos jogos eletrônicos competitivos antes da série? Tinha alguma relação com essa temática?
Cauã Martins - 
Eu já gostava de jogar antes, mas nunca fui uma pessoa aficionada por esse universo, não conhecia tanto. Quando entrei no projeto, precisei pesquisar e estudar, além de jogar mais também. E o legal é que a gente tem dois craques dos e-sports no elenco, o Luigi Montez e o Gabriel Kim. A gente aprendeu muito com o Luigi, ele é uma bíblia do "Counter Strike". Perguntamos muito para ele sobre o que falar e como agir. Então, foi um processo de bastante estudo pré-gravações, mesmo já estando familiarizado com o universo dos games.  


O que você fez para se preparar para dar vida ao personagem?
Cauã Martins - 
Uma das primeiras coisas que comecei a pesquisar, assim que entrei no projeto, foi sobre pro players. Mas eu gosto muito também de buscar referências fora do tema do trabalho. Duas referências que eu busquei foram o Michael Jordan e o Kobe Bryant. No caso do Jordan, eu recém tinha assistido um documentário sobre ele e, pensando no "Dr4g0n", eles têm muito a competitividade super aflorada, ele cobra muito dos colegas e eu achei que ter essa figura em mente funcionaria muito nessa minha construção. Já o Bryant tem um lado mais frio, que combina muito com o Daniel.


Quais foram seus objetos de estudo? 
Cauã Martins - 
No mundo dos e-sports, foi muito legal pesquisar sobre o "FalleN", que é um pro player de "Counter Strike", e o "Coldzera", muito para entender o mundo dos e-sports no Brasil, para saber sobre o estilo de jogo, o comportamento deles ao longo de uma transmissão. Essas foram algumas referências que me ajudaram a construir o Daniel.

Vocês tiveram alguma imersão nesse universo juntos, como um time?
Cauã Martins - 
Durante o período de preparação a gente teve uma experiência muito divertida e que me ajudou muito nessa construção de personagem. Todo mundo foi, junto, para uma lan house, jogar uma partida de "Valorant". E fiquei no time vencedor, o que foi ótimo, pois começar perdendo talvez tivesse sido um balde de água fria nesse processo (risos). Nos bastidores, a gente jogou muita coisa para além desse mundo de e-sports, como jogos de tabuleiro. Isso nos ajudou a criar uma conexão e, claro, isso resulta na cena. 

Quais foram os principais desafios durante todo o processo de fazer "Dr4g0n"?
Cauã Martins - 
O primeiro desafio do projeto, para mim, foi pessoal. Eu já trabalho há bastante tempo, mas esse projeto é o meu primeiro depois de fazer 18 anos. Deixei de ser um ator mirim para ser um ator adulto, o que envolve mais responsabilidades. Mas está sendo muito bacana esse crescimento e esse novo momento. Outro desafio foi manter a concentração para segurar o personagem durante a gravação. O Daniel é um cara muito mais blasé e eu me empolgo, fico feliz, então precisei estar atento a isso, entre um take e outro. 

Você já tinha trabalhado com alguém do elenco antes?
Cauã Martins - 
Eu só tinha trabalhado com a Laura Luz uma vez, mas foi uma coisa rápida, a gente não conversou muito. Em "Dr4g0n", estou cheio de novos amigos. Todos tivemos uma conexão muito boa desde o início. 

Como foi, para você, abordar o abismo geracional entre o Daniel e seus pais?
Cauã Martins - 
Eu acho os personagens dos pais do Daniel incríveis. Desde as primeiras leituras de roteiro, as cenas deles têm o tipo de humor que eu mais gosto. Essa questão geracional entre eles e o filho é bem explícita, mas ela nunca tem um juízo de valor, do que seria certo ou errado. O filho fica isolado no quarto, os pais não fazem ideia do que está acontecendo naquele mundo. A Ana Paula também fica isolada no mundo dela e, mesmo morando dentro de uma mesma casa, eles não convivem nem conversam. 

Quais foram os outros temas tratados na série que você mais gostou de abordar em cena?
Cauã Martins - 
Um dos temas que eu acho mais legais que a gente trabalha na série é sobre como um time se comporta. Não necessariamente um time de e-sports, mas um time, formado por personalidades totalmente diferentes e como elas se comunicam e superam os desafios para chegar no objetivo final. Também tem a relação entre irmãos, da Ana Paula com o Daniel, que são pessoas muito diferentes. Ela, super ansiosa, prestativa; ele, indiferente e blasé. Os dois por tanto tempo não se conectavam e por causa do time se reconectam, numa relação que evolui ao longo da série. 


Criado por Tiago Rezende, o Original Globoplay "Dr4g0n" tem produção de Nora Goulart, da Casa de Cinema de Porto Alegre. A direção da obra é de Ana Luiza Azevedo e Tiago Rezende. A série é escrita por Tiago Rezende, Ana Saki e Tomas Fleck. A supervisão de texto é de Jorge Furtado. A direção de fotografia é de Rafael Duarte e a direção de arte é de Martino Piccinini. A montagem é de Giba Assis Brasil, Joana Bernardes e Jonatas Rubert.

.: TV: no "Provoca", Alessandra Maestrini revela a Marcelo Tas do que tem medo


"Em diversas entrevistas me perguntavam qual é a personagem que eu mais tenho vontade de interpretar e eu sempre digo: ‘eu mesma’. Eu acho que estou caminhando cada vez mais próxima para isso", afirma a atriz em entrevista para Marcelo Tas. Foto: Beatriz Oliveira


Na terça-feira, dia 23 de julho, a atriz, cantora e comediante Alessandra Maestrini estará no "Provoca". Ela relembra com Marcelo Tas o sucesso da personagem em "Toma Lá Da Cá", a empregada Bozena, de Pato Branco; fala sobre "O Som e a Sílaba", comédia dramática musical que conta a história de uma autista que canta ópera e virou série da Disney+; sobre os motivos que a levaram a se declarar bissexual, em 2014; sobre sua busca em ser ela mesma, o que é ser versionista, do que tem medo, e muito mais. Vai ao ar na TV Cultura, às 22h00.

Ela diz quais foram as percepções que o mundo singular do TEA (Transtorno do Espectro Autista) casou nela ao viver a personagem autista Sarah Deighton, no musical "O Som e a Sílaba". “Eu me identifiquei muito, quero dar uma pesquisada para saber se não tenho tracinhos (...) o espectro é grande e as pessoas têm a sua neuroidentidade própria, mas você pode ter traços de uma coisa e de outra (...) eu tenho diagnóstico de TDAH que tem uma intersecção com autismo, eu tenho hiperfoco, tenho hipersensibilidade sensorial de som e de luz”.

"E de escolha de figurino?", pergunta Tas brincando, que explica que a atriz testou alguns figurinos para participar da entrevista. “Isso tem mais a ver com o momento que eu estou vivendo, porque a vida toda, em diversas entrevistas me perguntavam qual é a personagem que eu mais tenho vontade de interpretar e eu sempre digo: ‘eu mesma’. Eu acho que estou caminhando cada vez mais próxima para isso. Eu vim com uma roupa linda que eu ganhei, mas eu falei: ‘não sei se sou eu’ (...) e eu falei para você que quando eu vejo você entrevistando as pessoas, eu acho tão lindo porque eu vejo elas sendo elas mesmas”, conta a atriz.

Sobre ter assumido ser bissexual publicamente em 2014, ela diz: “eu estava sacando tanto fisicamente quanto subjetivamente que eu estava me matando por não estar sendo eu”, explica. Em outro momento da entrevista, Tas fala sobre todas as habilidades de Alessandra, como atriz, cantora, compositora, poeta, diretora, produtora, dramaturga, ativista, tradutora e versionista. E pergunta: o que é uma versionista? “É uma pessoa que traduz para um idioma que não é o seu. Eu versei 10 músicas do Chico Buarque para o Inglês. As palavras deles têm menos sílabas (...) eu mandei para ele por e-mail e eu tenho o e-mail do Vinicius França que é empresário dele, com ele dizendo assim: ‘o Chico mandou dizer que a sua versão tá melhor do que a original’”.

Por fim, Alessandra conta do que tem medo. “Eu vou revelar um medo, de uruca (...) mas eu acho que a uruca é muito da nossa própria cabeça (...) eu vou contar um medo que eu falei uma vez em uma entrevista e que eu achei que se materializou (...) pra mim é importante ter ambientes que não são barulhentos, barulho me tira do sério (...) mas dali pra diante era um tal de obra em tudo quanto é lugar que eu me mudava. Obra, obra, obra, obra, obra (...) não tem um lugar mais de silêncio no planeta Terra. O que eu fiz? Eu materializei!", diz.

.: "O curativo branco na orelha direita se tornou um símbolo", avalia especialista


Professor de Relações Internacionais do CEUB analisa momento político e destaca situação favorável a Trump após atentado. Foto: divulgação


O atentado contra Donald Trump nos Estados Unidos desencadeou impactos na política internacional. Renato Zerbini, professor de Relações Internacionais do Centro Universitário de Brasília (CEUB), analisa o episódio e os desdobramentos para a política internacional após este episódio. O especialista chama atenção aos efeitos deste tipo de violência.


O atentado contra Trump era algo previsível?
Renato Zerbini -
A julgar pelo nutrido histórico de atentados contra candidatos e presidentes estadunidenses, a antropologia política dos EUA nos autorizaria a dizer que a factibilidade desse tipo de atentado sempre está presente em sua realidade eleitoral: Abraham Lincoln (1865); William Mckinley (1901); Theodore Roosevelt (1912); Franklin D. Roosevelt (1933); John F. Kennedy (1963); Robert F. Kennedy (1968); George Wallace (1972); Gerald Ford (1975); e Ronald Reagan (1981). Passados 43 anos desde a consubstanciação do último atentado, trata-se de uma chaga ainda marcante no meio político dessa grande democracia. Contudo, raízes históricas indicam que lá qualquer candidato ou presidente convive com a possibilidade real de atentados. 


Qual é a influência do acesso fácil a armas nos EUA em eventos como o atentado contra Trump?
Renato Zerbini - 
A influência é muito grande. Quanto mais fácil o acesso a armas, mais simples e sem obstáculos será para utilizá-las. Os estudos científicos assim indicam.


Quais foram as reações imediatas dos políticos ao atentado, e como isso pode ter influenciado a percepção pública?
Renato Zerbini - 
O atentado foi imediatamente condenado por todos os políticos. Nos EUA, Republicanos e Democratas, apressaram-se em condená-lo. O que foi muito importante, pois indicou que todos primam pelos pilares de eleições livres, inclusive da violência, em um Estado Democrático de Direito. Isso foi essencial para apaziguar os ânimos do público em geral. 


De que maneira o atentado contra Trump pode afetar a campanha eleitoral e a dinâmica política nos próximos meses?
Renato Zerbini - 
A maioria dos colegas analistas estadunidenses avaliam que Trump o utilizará favoravelmente a seu favor, opacando inclusive os processos e as condenações em seu contra no Judiciário. Trump vender-se-á como aquele que superou um momento de extrema crise, com vitalidade. E isso contrastaria com a imagem de pouca energia de seu oponente Biden. Tendo a concordar com essa avaliação.


Você vê paralelos significativos entre o atentado contra Trump e outros atentados políticos recentes, como o de Bolsonaro no Brasil?
Renato Zerbini - 
O paralelo é o de um atentado no seio de uma disputa eleitoral. No caso de Bolsonaro e de Trump, ambos foram alvejados por armas (facada naquele e rifle nesse). Em ambos os atentados, há uma história de superação eivada de contornos de um milagre divino capaz de sensibilizar o público religiosamente mais fanático. E, no caso de Trump, até de movimentar mais eleitores para as urnas no dia da eleição (nos EUA facultativa). O fato é que lá um grande curativo branco na orelha direita já se tornou um símbolo atualizado da campanha Republicana.


Como a retórica utilizada por Trump contribuiu para o atentado contra ele?
Renato Zerbini - 
Na política, como nas relações sociais em geral, violência tende a gerar mais violência. Logo, a retórica de Trump pode sim ter contribuído para o seu próprio atentado.


Quais podem ser as consequências a longo prazo desse atentado para a segurança dos candidatos presidenciais nos EUA?
Renato Zerbini - 
Falhas nas instituições e sistemas de segurança já foram detectadas. O próprio Presidente Biden já solicitou uma averiguação independente à do FBI sobre o atentado. Ajustes e reformulações nas instituições e sistemas de segurança certamente acontecerão em consequência dessas averiguações ainda em curso. 


Como vê a resposta de Trump ao atentado em termos de seu discurso político e suas possíveis estratégias de campanha?
Renato Zerbini - 
Como um homem de mídia, ex-presidente e um atual candidato com metade dos eleitores a seu favor, Trump aproveitou com muita estratégia esse brutal e fatídico acontecimento tratando de alavancar a sua imagem de candidato da superação e com muita vitalidade. Não à toa, um grande curativo branco na orelha direita já é um símbolo atualizado da campanha Republicana. 


Acredita que esse atentado pode influenciar a polarização e o clima de violência política nos EUA?
Renato Zerbini - 
Dependerá muito de como ambos os candidatos e seus partidos comportar-se-ão a partir de agora. A eleição pôs-se ainda mais incerta. Até agora, Trump e os Republicanos têm um tremendo fato novo a seu favor. Um antídoto para essa novidade pode ser a multicitada possível substituição de Biden por um candidato com vitalidade mais aparente. O cenário de polarização e o clima de violência política nos EUA é observado já a algum tempo. Ninguém, em sã consciência, imaginava uma invasão tão fácil ao Congresso estadunidense após a última eleição. Torcemos para que esse cenário já estabilizado não prospere novamente agora.


Quais são as implicações internacionais do atentado contra Trump, especialmente em termos de como outros países veem a estabilidade política dos EUA?
Renato Zerbini - 
A estabilidade política dos EUA é fundamental para a estabilidade mundial. Especialmente em uma quadra planetária tão conturbada quanto a atual. O reflexo de uma instabilidade no cenário político estadunidense pode significar catalisar as incertezas que pairam por todo o mundo, tornando-o ainda mais perigoso.

sábado, 20 de julho de 2024

.: Crítica: "Hachiko - Para Sempre" celebra 100 anos pela ótica do cão

 

Por: Mary Ellen Farias dos Santos

Em julho de 2024

A famosa história da lealdade de um cão ganha uma nova versão dirigida pelo chinês Ang Xu ("12 Cidadãos") em "Hachiko - Para Sempre". Nas telonas Cineflix Cinemas de Santos, a produção que adapta o roteiro original do filme japonês Hachiko Monogatari (1987), também ganhou fama na versão hollywoodiana com Richard Gere, em "Sempre ao Seu Lado" (2009), sendo sucesso e exibição até hoje na clássica "Sessão da Tarde". 

Contudo, quando a história real completa 100 anos, ao voltar para as salas de cinema, em 2h05 de duração, a trama resgata a essência em cenário asiático. Logo reforça a história muito famosa, porém pela ótica do cãozinho, o verdadeiro protagonista que tem como personagem de apoio, o professor. 

É inegável que a história do cachorro da raça Akita Inu ganha mais veracidade, seja pelos atores asiáticos ou pela locação. "Hachiko - Para Sempre", visivelmente despretensioso emociona o público desde o primeiro encontro entre o professor e o cachorrinho até o último. 

Vindo na mochila e logo colocado para adoção, mesmo sem receber um nome, o inevitável acontece. Assim, o estreitamento dos laços entre o animalzinho e seu tutor é desenvolvido até o ponto em que cachorro acaba por conquistar seu espaço e vira um membro da família. Acompanhando seu dono até a estação diariamente. No entanto, tudo muda quando o professor sai para trabalhar e não mais regressa.

Não pense que por trazer uma história conhecida,  "Hachiko - Para Sempre" seja desinteressante. O longa é envolvente, divertido e, claro, muito, muito emocionante. Vale a pena conferir a trama que faz chorar, mas também conscientiza ao tratar de abandono de animais de estimação. Imperdível!

Assista na Cineflix
O Resenhando.com é parceiro da rede 
Cineflix Cinemas desde 2021. Para acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN.

"Hachiko - Para Sempre" ("Zhong Quan Ba Gong"). Ingressos on-line neste linkGênero: dramaClassificação: 10 anos. Duração: 2h05. Ano: 2023. Distribuidora: Paris Filmes. Direção: Ang XuRoteiro: Zhang Hanci, Ang Xu. Elenco: Xiaogang Feng, Joan Chen, Qian BoSinopse: A produção traz uma adaptação do roteiro original de “Hachiko Monogatari”, que conta a história de um cachorrinho que comoveu milhões de pessoas em todo o mundo. Hachiko é um lindo da raça Akita Inu, ele conheceu seu proprietário, Chen Jingxiu (Xiaogang Feng) no meio da multidão e tornou-se membro da família Chen. A dupla cria um forte laço de amizade e afeto a ponto do cão acompanhar seu dono até a estação todos os dias. No entanto, quando o professor morre, o companheiro passa a esperá-lo no mesmo lugar apesar da família decidir deixar a cidade. Confira os horários: neste link


.: "Ou-ou", de Elif Batuman: a sequência do aclamado romance "A Idiota"


No romance "Ou-ou" (compre neste link), a escritora Elif Batuman dá continuação ao relato minucioso dos dias de Selin na faculdade, iniciado em "A Idiota" - livro finalista do prêmio Pulitzer e que revelou a autora como uma das vozes mais originais e representativas da nova geração. Depois de dois semestres de pouca ação, resumidos a pensar demais em tudo e obsessivamente trocar e-mails com Ivan - um estudante húngaro por quem se apaixona -, a estudante de literatura Selin Karadağ enfim percebe que precisa começar a agir.

Guiada pelos livros e influenciada por seus amigos, ela finalmente reconhece a importância incontornável das festas, do álcool e do sexo, e resolve aproveitá-las ao máximo. Com o título inspirado no livro do filósofo Søren Kierkegaard sobre ética e estética - conceitos basilares para Selin compreender a vida e como vivê-la -, "Ou-ou" é mais um romance impressionante de Elif Batuman, que se vale de símbolos imprescindíveis da geração millennial para tratar da universalidade da juventude.

Sobre a autora
Elif Batuman nasceu em Nova York, em 1977. É doutora em literatura comparada pela Universidade de Stanford e já recebeu os prêmios Whiting Writers’ Award, Rona Jaffe Foundation Writers’ Award e o Paris Review Terry Southern Prize for Humor. "A Idiota", primeiro romance da autora, foi finalista do prêmio Pulitzer de 2018.


Ficha técnica
"Ou-ou", de Elif Batuman
Tradução: Odorico Leal
Número de páginas: 416
Lançamento: 23 de julho de 2024
Compre o livro neste link


 

.: Comédia perversa, "The Money Shot" reestreia no Teatro Sérgio Cardoso


Com Lavínia Pannunzio, Michelle Boesche, Jocasta Germano e Fernando Billi no elenco, o espetáculo usa humor ácido para criar uma reflexão sobre arte, ambição, status e sexo em Hollywood. Fotos: Leekyung Kim


A toxidade da indústria de entretenimento norte-americana é discutida na comédia perversa "The Money Shot", do autor estadunidense Neil LaBute. O espetáculo ganhou em 2024 uma versão brasileira dirigida por Eric Lenate que tem uma nova temporada na Sala Paschoal Carlos Magno, do Teatro Sérgio Cardoso, entre 3 de agosto e 8 de setembro. As apresentações acontecem aos sábados e domingos, às 18h. "The Money Shot" foi indicado a melhor espetáculo no Prêmio PRIO de Humor. O elenco é formado por Lavínia Pannunzio, Michelle Boesche, Jocasta Germano e Fernando Billi. A peça ainda tem tradução de Jorge Minicelli, figurinos de João Pimenta, desenho de luz de Aline Santini, trilha sonora original de L. P. Daniel e produção de Luque Daltrozo.

"The Money Shot" explora o humor ácido para criar uma reflexão sobre ambição, arte, status, sexo na indústria do entretenimento norte-americana. A peça narra o drama de Karen e Steve, estrelas do cinema que não conseguem mais emplacar um grande sucesso nas telonas. Desesperados para parar de despencar na cadeia alimentar de Hollywood, eles apostam todas as suas cartas em um famoso diretor europeu que pode mudar tudo com seu próximo filme.

“O texto tem personagens extremamente privilegiadas. Elas têm o mundo aberto à sua frente, mas são incapazes de enxergar as questões que são próprias da realidade de pessoas que não fazem parte de seu território de privilégio. Estão sempre tentando se proteger e autopromover. E estão inseridas em um processo de retroalimentação das neuroses da branquitude, que tem medo de perder seus lugares de privilégio”, comenta o diretor Eric Lenate.

A história tem como ambiente a luxuosa mansão de Karen e sua companheira Bev, que trabalha na área de pós-produção da indústria cinematográfica. Elas recebem para um jantar Steve e Missy, a jovem esposa dele que aspira à carreira de atriz. “É um encontro requintado, regado a muita bebida alcoólica, que faz com que a situação entre essas figuras vá se desenrolando de uma maneira cada vez mais feia. Queremos criar um contraste entre o refinamento e a feiura dessas personagens”, acrescenta o encenador.

Para representar esse ambiente, Lenate, que também assina a arquitetura cênica da peça, revela que optou por reproduzir a sala dessa casa. “Estamos pensando em um espaço que tenha bastante luxo e opulência, mas que também tenha certa cafonice”, revela. 

Já a encenação é bastante pontuada pelo jogo entre as três atrizes e o ator. “É um trabalho bastante calcado na verborragia do texto. São quatro personagens em cena que falam o tempo todo, tentando discutir um assunto que sempre se perde. Eles começam a fazer o desfile de egos deles e a situação fica cada vez mais esquisita, até chegar em um desenlace que vai fazer com que as pessoas fiquem bastante atônitas”, garante o diretor.


Sobre Neil LaBute
Neil LaBute recebeu seu diploma de Mestre em Belas Artes em redação dramática pela New York University. Recebeu uma bolsa literária para estudar no Royal Court Theatre, em Londres, e também frequentou o Playwrights Lab do Sundance Institute.

Entre seus filmes, estão “In the Company of Men” (Prêmio do Círculo de Críticos de Nova York de Melhor Primeira Longa-Metragem e Troféu dos Cineastas no Festival de Cinema de Sundance), “Seus Amigos e Vizinhos”, “Enfermeira Betty”, “Possessão”, “The Shape of Things” (uma adaptação cinematográfica de sua peça com o mesmo título), “The Wicker Man”, “Lakeview Terrace” e “Death at a Funeral”.

E entre as peças destacam-se “Bash: Latter-Day Plays”, “The Shape of Things”, “The Mercy Seat”, “The Distance From Here”, “Autobahn (Uma coleção de cinco de suas peças de um ato)”, “Fat Pig”, “Algumas Garotas”, “Isso é Assim Que Vai”, “Em Uma Casa Escura” e “Razões Para Ser Bonita”, que foi indicado ao prêmio Tony de melhor peça.

LaBute também é autor de várias peças de ficção que foram publicadas no “The New York Times”, “The New York Times Magazine”, “Harper's Bazaar” e “Playboy”, entre outros. “Seconds of Pleasure”, uma coleção de seus contos, foi publicada pela Grove Atlantic.


Sinopse de "The Money Shot"
Karen e Steve são estrelas do cinema com uma coisa em comum: o desespero. Faz anos que ambos não conseguem emplacar um grande sucesso, mas um diretor europeu famoso pode mudar isso com seu próximo filme. Até onde eles vão se deixar ir para não despencar ainda mais na cadeia alimentar de Hollywood? Sexy, ousada, sombriamente hilária, "The Money Shot" é uma comédia perversa e perspicaz sobre ambição, arte, status e sexo em uma era - e uma indústria - onde muito pouco é sagrado e quase nada é tabu.


Ficha técnica
Espetáculo "The Money Shot"
Autor: Neil LaBute
Direção: Eric Lenate
Tradução: Jorge Minicelli
Elenco: Lavínia Pannunzio, Michelle Boesche, Jocasta Germano e Fernando Billi
Direção assistente: Vitor Julian
Arquitetura cênica: Eric Lenate
Desenho de luz: Aline Santini
Figurinista: João Pimenta
Trilha sonora original e desenho de som: L. P. Daniel
Operador de som: Lenon Mondini
Operadora de luz: Aline Sayuri
Diretor de palco: Nietzsche
Designer gráfico: Laerte Késsimos
Assessoria de imprensa: Pombo Correio Assessoria de Comunicação
Fotos: Leekyung Kim
Produtora executiva: Camila Bevilacqua
Diretor de produção: Luís Henrique Luque Daltrozo
Realização: Daltrozo Produções


Serviço
Espetáculo "The Money Shot", de Neil LaBute
Temporada: 3 de agosto a 8 de setembro
Aos sábados e domingos, às 18h00
Teatro Sérgio Cardoso - Rua Rui Barbosa, 153, Bela Vista
Ingressos: R$ 80,00 (inteira) e R$ 40,00 (meia-entrada)
Vendas online em Sympla.com
Bilheteria: de terça a sábado, das 14h00 às 19h00.
Informações: (11) 3288- 0136
Duração: 90 minutos
Classificação indicativa:16 anos
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.

.: Primeira peça inspirada em notícia insólita celebra legado de Ferreira Gullar


Inspirada em uma notícia de jornal, a peça "Um Rubi no Umbigo" (compre neste link), escrita em 1970, foi publicada somente em 1978, poucos anos após Ferreira Gullar retornar do exílio imposto pela ditadura civil-militar. A primeira montagem, encenada no ano seguinte, contou com a direção de Bibi Ferreira e importantes nomes da dramaturgia.

Essa comédia à brasileira se passa na casa de uma família de classe média, onde vivem o casal Everaldo e Doca, e o filho, Vítor, um jovem de vinte anos, que tem um rubi costurado no umbigo – o único meio que sua falecida avó encontrou para salvá-lo de uma morte prematura. Quando a família se vê afundada em dívidas, o pai, Everaldo, resolve retirar o rubi do umbigo do filho para pagar os débitos.

Sucesso de crítica, "Um Rubi no Umbigo" apresenta muitas dimensões interpretativas, entre elas, a política, a social e a psicanalítica – esta última muito bem abordada pelo poeta e teórico Hélio Pellegrino, em texto de 1979, incluído integralmente no livro. A edição traz a reprodução fac-similar das emendas feitas à mão pelo autor em um exemplar da primeira edição; a publicação do texto final da peça, reescrito por Gullar após assistir à montagem de Bibi Ferreira; o recorte de uma reportagem sobre o caso do homem que tinha um rubi no umbigo; algumas imagens do programa da montagem de 1979, com capa de Ziraldo, e fotos da mais recente, de 2011; e textos que aproximam o público do debate crítico acerca da peça. O projeto gráfico, assinado pelo artista visual Gustavo Piqueira, é inspirado na edição de 1978 projetada por Eugênio Hirsch.


Sobre o autor
Ferreira Gullar nasceu em São Luís, Maranhão, em 1930, e mudou-se em 1951 para o Rio de Janeiro, onde trabalhou em diversos jornais e revistas. Foi escritor, poeta, dramaturgo, crítico de arte e tradutor. Laureado com o Prêmio Camões, em 2010, Gullar é considerado um dos maiores autores da literatura brasileira. Foi nome proeminente do movimento neoconcreto, ao lado de Lygia Clark e Hélio Oiticica. É autor de "Poema Sujo" (1976), considerado um marco na literatura brasileira e traduzido para diversas línguas. Personalidade atuante na oposição à ditadura civil-militar, foi perseguido e preso. Exilou-se, a partir de 1971, em Paris, Moscou, Santiago, Lima e Buenos Aires. Apenas em 1977 o poeta pôde retornar ao Brasil. Em 2014, foi eleito para a cadeira de no 37 da Academia Brasileira de Letras. Morreu no Rio de Janeiro em 2016.


Ficha técnica
"Um Rubi no Umbigo"
Ferreira Gullar
160 págs. | R$ 79,90
Ed. José Olympio | Grupo Editorial Record
Compre o livro neste link

.: Marcelo Serrado estreia "Um Pai do Outro Mundo" no Teatro J. Safra


Espetáculo fala, com delicadeza e humor, sobre a transformação em mão dupla vivida entre pais e filhos. A direção é de Marcelo Saback. Foto: Rogerio Faissal


Os múltiplos dilemas e demandas do pai moderno, vividos ou ouvidos por aí, se transformaram em matéria-prima para a criação da peça “Um Pai do Outro Mundo”, uma parceria de Marcelo Serrado e Claudia Mauro (vencedora do Prêmio APTR 2017 de Melhor Texto por “A Vida Passou por Aqui”), com direção de Marcelo Saback, em temporada de 16 de agosto a 8 de setembro, às sextas e sábados, às 21h00, e domingos, às 19h00.

O espetáculo conta a história de Paulo Hernesto (Marcelo Serrado), cantor de jingles e pai de uma pré-adolescente, fruto do seu primeiro casamento. Um dia recebe da atual mulher a notícia: será pai de gêmeos. Os filhos chegam revolucionando a rotina. Entre dúvidas e angústias, Paulo faz de tudo para ser o melhor pai desse mundo. Equilibrando a vida atribulada e cheia de demandas, vai tentando dar conta. Ao longo dos anos, aprende e se transforma, provocado pelos variados desafios de cada fase dos seus três filhos.

A rotina do pai contemporâneo, seja com filhos adolescentes ou bebês gêmeos, traz junto suas piadas prontas, e às vezes rir de si mesmo é a única saída possível. Interpretando este novo pai, e todos os personagens que gravitam à sua volta (mãe, filhos, filha), Serrado retrata o caos e a delícia dessa nova vida em que é preciso se desdobrar em muitos para dar conta da revolução dentro da casa - e da própria cabeça.

“Um Pai do Outro Mundo” fala, com delicadeza e humor, da transformação dos padrões de interação entre pais e filhos. Passeando por variadas fases na linha do tempo, nem sempre cronológicas, fala de amor e das transformações em mão dupla que esta relação provoca as duas partes se desafiam mutuamente e são afetadas uma pela outra.

“É uma comédia que fala da relação do pai com seus filhos: uma filha pré-adolescente e filhos gêmeos. Eles modificam a vida desse pai, um cantor de jingles classe média, com um casamento que está meio lá, meio cá, eles fazem terapia de casal. Ele está sem dinheiro, e acaba tendo que ter uma relação muito constante com os filhos. Eu faço todos os personagens. Os filhos, o pai, a mulher, e depois estes mesmos filhos quando mais velhos. É uma comédia que acho que pode emocionar muito. Fala desse pai de hoje, que tem que estar com os filhos também. O público tem tudo para gostar e se identificar com essa comédia tão atual”, conta Marcelo Serrado.


Ficha técnica
Monólogo "Um Pai do Outro Mundo"
Texto: Cláudia Mauro e Marcelo Serrado
Direção: Marcelo Saback
Atuação: Marcelo Serrado
Direção musical: Max Vianna
Preparação corporal: Roberta Fernandes
Cenário: Marieta Spada
Figurino: Karen Brusttolin
Iluminação: Paulo Denizot
Fotos: Rogerio Faissal
Programação Visual: Rico Vilarouca
Direção de produção: Fernando Gomes
Produtores associados: Marcelo Serrado e Rosângela Ribeiro
Realização: RioMS Produções
Assessoria de imprensa do espetáculo: JSPontes Comunicação - João Pontes e Stella Stephany
Assessoria de imprensa do Teatro J. Safra: Flavia Fusco Comunicação


Serviço
Monólogo "Um Pai do Outro Mundo"
Texto: Cláudia Mauro e Marcelo Serrado
Direção: Marcelo Saback
Atuação: Marcelo Serrado
Direção musical: Max Vianna
Gênero: comédia
Recomendação: 12 anos
Duração: 70 minutos
Temporada: de 16 de agosto a 8 de setembro, sextas e sábados, às 21h, e domingos, às 19h
Ingressos: entre R$ 30,00 e R$ 120,00
Compras on-line: https://www.eventim.com.br/artist/um-pai-de-outro-mundo/?affiliate=JSA


Bilheteria
Quartas e quintas-feiras, das 14h00 às 21h00
Sextas, sábados e domingos, das 14h00 até o horário dos espetáculos
Aceita os cartões de débito e crédito: Amex, Dinners, Elo, Mastercard, Visa e Hipercard. Não aceita cheques.
Telefone da bilheteria: (11) 3611-3042


Teatro J. Safra | 627 lugares
Endereço: Rua Josef Kryss, 318 - Barra Funda - São Paulo – SP
Telefone: (11) 3611 3042 e 3611 2561
Abertura da casa: 2 horas antes de cada horário de espetáculo, com serviço de lounge-bar no saguão do Teatro.
Acessibilidade para deficiente físico
Estacionamento: Valet Service (Estacionamento próprio do Teatro) - R$ 30,00 

.: Best-seller de Mizuki Tsujimura é tema do Clube de Leitura Japan House SP


A história de sete adolescentes solitários de Tóquio que são levados para um castelo misterioso é o tema de "O Castelo no Espelho" (compre o livro neste link), lançamento da editora Morro Branco. A obra da escritora japonesa Mizuki Tsujimura, que se transformou em um sucesso internacional, será discutida na próxima edição do Clube de Leitura Japan House São Paulo + Quatro Cinco Um, que acontece na próxima quinta-feira, dia 25 de julho, a partir das 19h00. 

O debate terá como mediadores Natasha Barzaghi Geenen, diretora cultural da JHSP, e Paulo Werneck, editor da revista Quatro Cinco Um, e como convidada a escritora, ilustradora e roteirista Janaina Tokitaka, autora da obra "O Pedido da Fada Madrinha"(compre o livro neste link), publicado pela Companhia das Letrinhas no ano passado.

O romance chega ao Brasil traduzido por Jefferson José Teixeira, e mistura elementos do gênero fantástico japonês com temas da atualidade, como saúde mental e a importância da amizade. Com mais de um milhão de cópias vendidas, a história conta as aventuras de um grupo de jovens entediados com a rotina de estudos, que são repentinamente transportados para um castelo misterioso, onde devem seguir pistas para ter seus desejos atendidos. O palácio se transforma em um refúgio durante o horário escolar e as decisões de cada um dos personagens tem consequências graves para todos. Com uma narrativa hipnotizante, o livro rapidamente se tornou um best-seller internacional.


Sobre a autora
Mizuki Tsujimura, vive em Tóquio, no Japão, e é conhecida por seus romances de mistério. Sua obra já teve mais de um milhão de exemplares vendidos para diversos países ao redor do mundo, além de ter faturado o cobiçado Japan Bookseller’s Award e o prêmio Naoki.


Sobre o Clube de leitura Japan House São Paulo + Quatro Cinco Um
Com a mediação de Natasha Barzaghi Geenen, diretora cultural da JHSP, e Paulo Werneck, diretor de redação da revista Quatro Cinco Um, o Clube discute livros de autores nipônicos traduzidos diretamente do japonês para o português, com o objetivo de ampliar o acesso dos brasileiros a este universo literário. Todo mês, o encontro de caráter informal conta também com a presença de um leitor convidado, e já recebeu grandes profissionais da tradução japonesa no Brasil, autores brasileiros contemporâneos, editores, críticos, jornalistas e personalidades da cultura.

Serviço
Clube de Leitura JHSP + Quatro Cinco Um
“O Castelo no Espelho”
Quando: quinta-feira, 25 de julho
Horário: 19h00
Convidada: Janaina Tokitaka
Duração: cerca de 90 minutos
Custo: participação gratuita, mediante inscrição prévia (vagas limitadas)
Inscrição: https://clubedeleitura.japanhousesp.com.br/
Acesso: online, via plataforma Zoom. O link de acesso é enviado aos inscritos por e-mail.
Participantes do clube terão 30% de desconto na compra pelo site da editora Morro Branco, basta aplicar o cupom JHSP451 diretamente no site da editora. O cupom fica vigente até dia 27 de julho, válido para uso único por CPF.

.: Acolher as emoções: a lição de "Divertida Mente 2" para nós, adultos


Por Sheila Drumond, psicóloga e mestre em Mindfulness

Muitos adultos têm se conectado profundamente com o recém-lançado "Divertida Mente 2". Em tempo recorde, a franquia mais adulta de filmes infantis se tornou a animação com a maior bilheteria de todos os tempos no Brasil. Somente no último fim de semana, mais de 3,42 milhões de pessoas foram aos cinemas, que arrecadaram mais de R$ 74,8 milhões com a exibição, segundo a ComScore.

Uma das grandes lições do filme é a necessidade de equilibrar e harmonizar as emoções, interpretadas pelos personagens Alegria, Tristeza, Raiva, Medo e Nojinho. Agora, o novo lançamento conta com quatro novos personagens que nascem conforme a protagonista, Riley, se torna adolescente.

Ansiedade, Tédio, Inveja e Vergonha vêm para provar ao público que sentimentos negativos também devem ser acolhidos como parte integral da experiência humana, e que todos eles são responsáveis por formar a personalidade, o senso crítico e o autoconhecimento. Não é à toa que todo o filme pode ser associado à Terapia Cognitiva-Comportamental.

Isso porque, ao protagonizar as novas fases da vida de Riley, Divertida Mente 2 ilustra como as emoções interagem entre si para formar decisões, que se concretizam em convicções e, por fim, moldam o “senso de si” da personagem - ou seja, sua personalidade.

Mas então, surge a dúvida: se Divertida Mente retrata apenas uma adolescente com os hormônios à flor da pele, aprendendo a lidar com seus sentimentos, por que tantos adultos também esparramam lágrimas assistindo ao filme?

A verdade é que mesmo nós, adultos, ainda lutamos para compreender as emoções e viver conectados ao próprio “eu” interior. Já crescidos, ainda temos questões pendentes com a personalidade, que apesar de ser mais definida do que a fase adolescente, na maioria dos casos, pode surpreender com novos valores e comportamentos.

A história de "Divertida Mente 2" lembra que, assim como Riley, experiências inéditas influenciam as escolhas à medida que envelhecemos. Sendo assim, a inclusão dos novos personagens, que seriam estigmatizados na vida real, também simbolizam um lembrete poderoso de que somos compostos por uma ampla gama de emoções, e que todas elas merecem ser validadas para evitar o desencadeamento de pensamentos negativos, a sobrecarga emocional e até crises e transtornos mentais.

Nesse sentido, mindfulness é uma meditação científica que ajuda a navegar por essas transformações com clareza e responder aos sentimentos de maneira consciente, sem deixar dominar pelas lutas emocionais que afloram em momentos turbulentos da vida. Ao cultivar a atenção plena, podemos aceitar a impermanência da vida e encontrar um caminho mais significativo, transformando cada desafio em oportunidade de crescimento e autodescoberta.

Exaltado pela neurociência como uma ferramenta benéfica para diferentes regiões do cérebro, o mindfulness integrado à Psicologia Cognitiva-Comportamental é capaz de estimular o córtex pré-frontal, que está intimamente ligado à tomada de decisões, interações sociais e autoconsciência.

Essas estruturas cognitivas podem ser ativadas por diferentes técnicas de foco, como pausas e exercícios de respiração, caminhadas, meditação guiada e a prática de estar presente em momentos simples do dia a dia, como ao comer ou escovar os dentes. O resultado dessas estratégias é o desenvolvimento do autocontrole emocional, permitindo gerenciar sentimentos e criar uma conexão mais profunda com o corpo, em situações incomuns.

"Divertida Mente 2" convida a refletir sobre a complexidade da mente e entender que cada sentimento, seja ele positivo ou negativo, é responsável por moldar a jornada de autodescoberta e crescimento pessoal. E, ao adotar o mindfulness como uma estratégia terapêutica na rotina, é possível aprender a exercitar a autocompaixão, abraçando a diversidade das emoções e encontrando o bem-estar psicológico para todas as decisões e convicções.


Assista na Cineflix
Filmes de sucesso como "Twisters" são exibidos na rede Cineflix CinemasPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SANO Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.

sexta-feira, 19 de julho de 2024

.: Entrevista com Claudio Leal e Rodrigo Sombra, organizadores de "Cine Subaé"


Por 
Helder Moraes Miranda, editor do portal Resenhando.com. Fotos: Erick Schons e Raphael Urjais

Claudio Leal e Rodrigo Sombra são os organizadores de "Cine Subaé - Escritos sobre Cinema (1960 –2023)", o novo livro de Caetano Veloso, publicado pela Companhia das Letras. O lançamento reúne críticas da década de 1960, publicadas no santamarense Archote e em periódicos da capital baiana, onde Caetano atuou na juventude como crítico e sonhava em dedicar sua vida à direção de filmes. Nesta entrevista exclusiva, eles falam sobre o livro, um poderoso testemunho que atesta o impacto que o Cinema Novo, as películas exuberantes norte-americanas, o neorrealismo italiano e o existencialismo das fitas francesas impactaram a formação cultural de Caetano Veloso. 


Resenhando.com - Como você poderia definir a relação do Caetano com cinema na época em que os textos foram escritos?
Claudio Leal - O livro abrange mais de 60 anos de produção crítica de Caetano. Nesse arco temporal, a relação dele com o cinema sofreu transformações, mas foi inalterável o interesse em acompanhar o meio cinematográfico. Numa síntese, posso dizer que ele partiu da posição de crítico, na juventude, para a de colaborador e interlocutor de cineastas, nos anos 1960 e 1970, quando realizou trilhas musicais, dentre as quais se destaca a de "São Bernardo" (1972), que repercute em seu disco experimental "Araçá Azul" (1973). Nessa fase, o imaginário do cinema também esteve presente em suas canções. A partir dos anos 80, essa relação tende a se aproximar de seu antigo desejo de ser cineasta. Ele dirige clipes e seu único longa, "O Cinema Falado", de 1986. Nos últimos anos seu vínculo tem sido semelhante ao dos anos 1960 e 1970, com a composição de trilhas e canções originais, além de dialogar mais frequentemente com cineastas como Cacá Diegues, Mauro Lima, Jorge Furtado e Guel Arraes. E houve o documentário "Narciso em Férias" com os diretores Renato Terra e Ricardo Calil.


Resenhando.com - É possível afirmar, hoje, que o artista suprimiu o crítico de cinema?
Claudio Leal - O artista nunca suprimiu o crítico em nenhuma fase de sua trajetória. O Caetano cancionista praticou o ensaísmo em seus discos e jamais abandonou o gesto de revisão crítica da cultura brasileira em canções, textos e entrevistas. "Cinema Novo", parceria com Gilberto Gil no álbum "Tropicália 2", de 1993, é um desses momentos em que o ensaísta dá as caras - e, neste caso, o crítico de cinema. 


Resenhando.com - Se pudessem fazer um filme sobre Caetano Veloso e fosse preciso escolher um recorte sobre a vida dele, qual seria?
Rodrigo Sombra - Eu faria um filme sobre sua adolescência em Santo Amaro. Em mais de uma ocasião, Caetano declarou que, não importasse a idade, continuava a se sentir um adolescente. Quando fez 70 anos, disse ainda sentir-se como um rapaz de 14.  Enquanto desvaloriza a infância, para ele uma experiência limitante, marcada por inúmeras restrições, mas que tendemos a idealizar, a adolescência revelou-se um território rico em possibilidades e maravilhamentos. A descoberta da sexualidade, o esboço de aspirações artísticas e intelectuais, as tensões entre um senso de pertencimento à origem interiorana, a Santo Amaro, e as seduções de um mundo transbordante que se anunciava nas imagens do cinema, nas canções no rádio, na literatura. Tudo isso permeia esse período de sua vida. Mais que um momento formativo distante no tempo, preso ao passado, a adolescência tem repercussões perenes em sua personalidade.


Resenhando.com - Quem seria o diretor ideal para dirigir esse filme idealizado por você?
Rodrigo Sombra - Escolheria a francesa Claire Denis. É na adolescência que testemunhamos as mais radicais mutações do corpo, e ninguém filma as nuances da carne como ela. Ninguém senão Denis olha as relações entre os corpos, e o lugar destes nos espaços, de modo a dotar cada imagem de igual naturalidade, erotismo e mistério. E ser adolescente é viver o mistério de descobrir-se outro, adulto, que essa fase da vida precipita.


Resenhando.com - Por que as pessoas precisam ler "Cine Subaé"?
Claudio Leal - Com o livro, pretendemos iluminar uma produção crítica que influenciou seu tempo, moveu as artes, produziu um diálogo fecundo entre música, poesia e cinema. Além disso, em vários momentos, Caetano entrelaça história e linguagem. Nas críticas e ensaios, ele observa a tradição e as ondas novas, sem temer a apreciação dos modismos. Tudo isso pode trazer ao leitor um percurso do desenvolvimento das artes nas últimas seis décadas, no Brasil e no mundo, da "nouvelle vague" ao cinema pernambucano de hoje. 


Resenhando.com - Há alguma faceta de Caetano Veloso, no livro, que o público não conhece?
Rodrigo Sombra - Caetano dirigiu um único longa, "O Cinema Falado", de 1986. O filme dividiu o público e a crítica, mas prevaleceram na memória social as reações negativas, sobretudo pela estridência dos ataques de alguns cineastas brasileiros inconformados em ver Caetano arriscar-se no ofício de diretor. O "Cinema Falado" conviveu assim, e desde a noite de estreia, com uma aura de filme “maldito”. Em textos e em entrevistas reunidos no "Cine Subaé", Caetano comenta extensamente as intenções estéticas por trás do seu único filme. Rememora a experiência no set e rebate um a um os ataques ao filme. Creio que a leitura do livro ajuda a dissipar a bruma de incompreensão que há anos envolve "O Cinema Falado". No mais, depoimentos reunidos no livro oferecem um vislumbre do cineasta que Caetano imaginou ser ao revelar detalhes de roteiros que ele rascunhou, mas jamais viria a filmar.


Resenhando.com - Como você definiria Caetano Veloso como crítico de cinema?
Rodrigo Sombra - Difícil dar uma definição estanque. O pensamento cinematográfico de Caetano passa por seguidas rupturas e transformações. Na juventude, temos um crítico algo sectário, interessado em “catequizar” as plateias santamarenses, exigindo-lhes que abandonassem o culto aos melodramas importados de Hollywood em favor do refinamento artístico do cinema de autor europeu. Mais adiante, seus textos revelam notável ecletismo, articulam o olhar sobre o cinema a questões envolvendo política, raça, identidade nacional, urbanismo. Na maturidade, sua mirada é mais abrangente e tolerante. Nas colunas publicadas no jornal O Globo na última década, blockbusters como "Rio" ou "Avatar" são merecedores da atenção crítica de Caetano.  


Resenhando.com - Em que os textos de "Cine Subaé" continuam atuais?
Claudio Leal - Nem todos os textos de "Cine Subaé" podem ser entendidos como atuais. Alguns deles são intervenções de época, sobretudo os escritos de juventude, publicados entre 1960 e 1963. A maioria dos textos do livro é de sua fase madura e pode atender a um desejo de atualidade porque essas críticas discutem filmes recentes ou de décadas mais próximas. O livro tem ainda fragmentos de entrevistas muito vivazes. Mas acredito que a questão da atualidade não importe tanto. Com o tempo, Caetano assumiu uma dimensão cultural que atrai leitores variados, desde os críticos e cinéfilos aos seus admiradores e não-admiradores curiosos, sem falar de estudiosos da história brasileira posterior aos anos 1960. Caetano tem um olhar livre diante de obras de arte e isso traz um interesse atual a textos à primeira vista atrelados a uma circunstância histórica. "Cine Subaé" incorpora ainda elementos novos à fortuna crítica de filmes como "Hiroshima, Mon Amour", "A Grande Feira", "O Bandido da Luz Vermelha", "Central do Brasil" e o próprio "O Cinema Falado", dirigido por Caetano.


Ficha técnica
Cine Subaé – escritos sobre cinema (1960 –2023), de Caetano Veloso
Claudio LealRodrigo Sombra (org.)
Lançamento: 28 de maio de 24
Páginas: 440
Compre o livro neste link.

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