segunda-feira, 16 de setembro de 2019

.: "Criatura, Uma Autópsia", de Bruna Longo, tem sessões extras em SP

O espetáculo é uma fricção entre o romance "Frankenstein, ou O Prometeu Moderno" e a vida de sua autora Mary Wollstonecraft Godwin (Shelley)


"Como eu, então uma menina, pude pensar e me debruçar sobre ideia tão terrível?" 
Mary Shelley na introdução da edição de 1831 de "Frankenstein, ou O Prometeu Moderno"

"Criatura, Uma Autópsia" é um espetáculo solo de Bruna Longo, fruto de dois anos de pesquisas dentro e fora da sala de ensaio.  Após uma linda temporada de estreia na Oficina Cultural Oswald de Andrade, de 9 a 31 de agosto, volta com quarto sessões extras nos dias 20 e 21 de setembro. 

Em 2013, a atriz lê "Frankenstein, ou O Prometeu Moderno", pela primeira vez. Assombrada pela absoluta solidão da criatura, o romance vira uma fonte de interesse que visita de tempos em tempos. Até a decisão, em 2016, de embarcar em uma adaptação da obra para o palco, a princípio um solo sob o ponto de vista da criatura. Mas os caminhos da pesquisa são frequentemente misteriosos. Por vezes busca-se algo e outra coisa nos encontra. Ao tentar falar da criatura cada ação, cada palavra, cada dor encontrava Mary Wollstonecraft Godwin (mais tarde Shelley), a jovem que escrevera o livro. Sua história se impunha através da narrativa que ela mesma escreveu. 

O trabalho em sala de ensaio inicia-se em fevereiro de 2018, com a colaboração da diretora Larissa Matheus. A dramaturgia física é criada tendo como base duas narrativas: a do romance e a da vida de Mary Shelley, buscando os pontos de fricção. Em junho de 2018, já em meio aos ensaios, um convite surpreendente acontece. Em contato com a Universidade de Oxford sobre documentos originais de Mary Shelley e sua família, Bruna Longo foi convidada pela Bodleian Libraries e o curador do acervo especial Stephen Hebron a acesso total aos diários, cartas e manuscritos originais, reservado geralmente apenas a acadêmicos ligados a grandes centros de pesquisa. 

Com a decisão tomada de aceitar o convite, foi à Inglaterra e visitou todos os lugares relevantes à vida de Mary Shelley em Londres e Bournemouth (onde está o túmulo da família). Além disso teve acesso a outros documentos na British Library. Voltando à sala de ensaio, chega-se à versão final da dramaturgia que agora vem à publico em aberturas de processo. Dois anos depois do início da pesquisa, o espetáculo que nunca se propôs uma biografia da criatura ou tampouco da autora, tornou-se uma autopsia de um romance, de uma personagem revelando as entranhas, artérias, musculatura de dores pessoais e universais. 

Este espetáculo foi produzido sem nenhum patrocínio ou edital. Para a plena realização da temporada, também financiada de forma independente, foi aberto um financiamento coletivo através do site:  https://www.kickante.com.br/campanhas/temporada-estreia-criatura-uma-autopsia

Temporada
Dias 20 e 21 de setembro de 2019. Sextas, às 20h. Sábados, às 18h.
Oficina Cultural Oswald de Andrade. Rua Três Rios,  363 - Bom Retiro, São Paulo.
Gratuito.

Ficha Técnica
Concepção: Bruna Longo
Assistentes: Giovanna Borges e Letícia Esposito
Dramaturgia: Bruna Longo com colaboração de Larissa Matheus
Cenário: Bruna Longo, Larissa Matheus e Kleber Montanheiro
Cinotécnica: Evas Carreteiro e Nani Brisque
Figurinos: Bruna Longo e Kleber Montanheiro
Objetos: Bruna Longo com colaboração de Larissa Matheus
Desenho de luz: Rodrigo Silbat
Trilha: Bruna Longo
Colaboração de edição de trilha: Lino Colantoni
Colaborador de interpretação textual: Mateus Monteiro
Colaborador de direção de arte: Victor Grizzo
Colaboradora de música: Anna Toledo 
Operação de som: Giovanna Borges / Leticia Esposito
Operação de luz: Rodrigo Silbat / Giovanna Borges. 
Fotos: Guilherme Correa (arte oficial) / Danilo Apoena (espetáculo)

Bruna Longo
Atriz, pesquisadora corporal, dramaturga. Mestre em Movement Studies pela Royal Central School of Speech and Drama – University of London, Reino Unido, 2010. Entre seus trabalhos mais recentes como atriz estão: Os 3 Mundos, com direção de Nelson Baskerville, no Teatro Popular do SESI (2018); Um Dez Cem Mil Inimigos do Povo, de Cassio Pires sobre texto de Henrik Ibsen. Direção: Kleber Montanheiro (2016); Ópera do Malandro, de Chico Buarque de Hollanda. Direção: Kleber Montanheiro (2014/15); Crônicas de Cavaleiros e Dragões, de Paulo Rogério Lopes. Direção: Kleber Montanheiro. Teatro Popular do SESI (2013); Kabarett, direção: Kleber Montanheiro (2012/14); Cabeça de Papelão, de Ana Roxo sobre conto de João do Rio. Direção: Kleber Montanheiro. Prêmio de Melhor Atriz no Festival de Teatro de Taubaté em 2013 (2012/16); Cada Qual no Seu Barril, dramaturgia corporal de Bruna Longo e Daniela Flor. Direção: de Kleber Montanheiro. Indicada como melhor atriz ao prêmio FEMSA de Teatro Infantil e Jovem em 2012 (2011/2018); Carnavalha, de Bruna Longo. Direção: Kleber Montanheiro (2011); The Marriage of Medea. Direção: Eugenio Barba. Holstebro, Dinamarca (2008); Landrus & Cassia, escrito e dirigido por Brian O’Connor. Virginia, EUA (2007); Shentai – The Circus Must Go On. Direção: Martha Mendenhall. Virginia, EUA (2007); Ur-Hamlet. Direção: Eugenio Barba. Ravenna, Itália – Helsingør, Dinamarca - Holstebro, Dinamarca - Wroclaw, Polônia (2006/09). É também preparadora corporal e diretora de movimento, tendo trabalhado em projetos na Europa, Brasil e Estados Unidos.

.: "Cada Qual no Seu Barril" reestreia oito anos depois para curta temporada

Oito anos após sua estreia, "Cada Qual no Seu Barril" volta a São Paulo para três únicas apresentações

"Cada Qual no Seu Barril" nasceu em 2011 do desejo da criação de um espetáculo infanto‐juvenil utilizando técnicas provenientes do teatro físico. Após oito anos de sua estréia, e contando com 209 apresentações em mais de 40 cidades em seu currículo, o espetáculo volta a São Paulo para três únicas apresentações no mês das crianças.

Este espetáculo é resultado de uma proposta diferenciada de criação de espetáculos infanto-juvenis: A dramaturgia foi desenvolvida inteiramente a partir de improvisações físicas. O espetáculo não possui texto falado, mas uma dramaturgia corporal cuja linguagem é inspirada nos grandes personagens de desenho animado e nos clássicos filmes de cinema mudo, utilizando técnicas de composição derivadas da Mímica Corporal Dramática, Antropologia Teatral, dança e esquetes de palhaço. 

O diretor Kleber Montanheiro, com vasta experiência como palhaço, tendo sido membro do projeto de humanização hospitalar Doutores da Alegria por dez anos, imprimiu este treinamento à direção do espetáculo. Livremente inspirado no livro de Ruth Rocha, Dois Idiotas Sentados Cada qual no seu Barril, a temática de "Cada Qual no Seu Barril" é também diferenciada: o espetáculo discute a intolerância, um dos temas mais caros de nossos tempos. 

Em uma época de ignorância, as guerras, a banalização da violência e a negação / incompreensão daquilo que é diferente (etnia, condição social, religião e sexualidade, evidentes nas manchetes dos jornais) são realidades às quais as crianças estão constantemente sendo expostas. Tratar desses temas de forma bem-humorada e utilizando a fisicalidade dos cartoons permite estabelecer diálogo direto com o público infantil: a linguagem não-verbal não depende da linearidade aristotélica, se aproximando da brincadeira de faz de conta.

Inspirado em famosos personagens de desenhos animados e utilizando o teatro físico como linguagem, "Cada Qual no Seu Barril" conta a história de Igor e Vladimir, dois náufragos em uma ilha deserta tendo que dividir um mesmo espaço. A intransigência faz essa relação virar uma divertida batalha de egos, com um final inesperado.



Histórico do espetáculo 
"Cada Qual no Seu Barril" estreou no Espaço da Cia. da Revista, sede da Cia. da Revista localizada na Praça Roosevelt, em São Paulo, no dia 18 de junho de 2011, permanecendo em cartaz até 23 de outubro, aos sábados e domingos. Reestreou no] Teatro Folha, também em São Paulo, capital, no dia 5 de novembro, cumprindo temporada até 18 de dezembro, aos sábados e domingos.

Foi levado ainda à cidade de Araras, no interior do estado, onde foi apresentado no Teatro Estadual de Araras “Maestro Francisco Paulo Russo”, a 10 de julho de 2011 e novamente em 1º de setembro de 2013. Outras apresentações aconteceram no Clube Paineiras do Morumby (em 29 de outubro de 2011) e Biblioteca Monteiro Lobato (no dia 11 de novembro de 2011). O espetáculo fez parte, de março a maio de 2012, do projeto Escola em Cena do SESC Santo André, realizando 26 apresentações para alunos de diversas escolas da região. Também cumpriu 4 espetáculos para o público em geral na mesma unidade do SESC, em abril e maio.

Cada Qual no Seu Barril participou da primeira temporada de 2012 da Viagem Teatral Sesi, realizando apresentações nas cidades: Araraquara, Birigui, Campinas, Franca, Itapetininga, Marília, Mauá, Osasco, Piracicaba, Ribeirão Preto, Rio Claro, Santo André, Santos, São Bernardo do Campo, São José do Rio Preto, São José dos Campos e Sorocaba, de março a julho de 2012.

Cumpriu temporada no SESC Ipiranga de 07 de setembro a 21 de outubro de 2012, aos domingos e feriados. Participou do projeto FDE – Fundação para o Desenvolvimento da Educação no SESC Santo Amaro, em abril de 2013, realizando 08 apresentações. Participou dos seguintes festivais: 54o FESTA (Festival de Teatro de Santos / SP - Teatro Guarany – 15/04/2012), 16o FENATIB (Festival Nacional de Teatro Infantil de Blumenau / SC – 29/08/2012), XX FENTEPP (Festival Nacional de Teatro de Presidente Prudente / SP – 11/09/2013), 22a Mostra Monte Azul de Teatro (São Paulo / SP – 18/07/2014), 4º Festival de Teatro de Ibira – FESTIB (24/06/2015).

Em 2014 realizou três apresentações na Fábrica de Cultura Parque Belém, em fevereiro e março; cumpriu temporada no Teatro Leopoldo Fróes, em São Paulo, realizando um total de 10 apresentações, em maio; realizou quatro apresentações, em outubro, no Armazém cultural SP; e realizou apresentações nos Teatros Zanoni Ferrite e Martins Penna, em novembro. Em 2015, cumpriu temporada de dois meses no Armazém Cultural SP (São Paulo, Capital) e participou da Mostra Busoni de Artes, São Caetano do Sul, com uma apresentação. 

Além disso realizou diversas apresentações em teatros distritais e bibliotecas públicas de São Paulo como parte do Circuito SP Cultura da Secretaria de Cultura. Em maio de 2016 participou da Viradinha Cultural, no CEU Jaçanã, organizada pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. Em 2017 realizou apresentações no SESC Osasco, no Espaço Cia da Revista e no projeto Diversão em Cena em Piracicaba. 2018 começou com a participação no Festival Janeiro para Criança é o Maior Barato organizado pela Cia. Fábrica de Sonhos, em São José do Rio Preto. Em abril sai em turnê pelo interior do estado com o Circuito SESC de Artes, visitando: Lins, Penápolis, Araçatuba, Guaratinguetá, Tremembé, Pindamonhangaba Suzano, Mogi das Cruzes e Rio Grande da Serra. Ainda em 2018 foi apresentado em 9 bibilotecas públicas da cidade de São Paulo, cumpriu temporada no Teatro Cacilda Becker e foi levado à Iracemópolis e ao SESC São José dos Campos.

"Cada Qual no Seu Barril" foi indicado a 6 prêmios Coca-Cola FEMSA, nas categorias: cenografia, figurino e trilha sonora para Kleber Montanheiro, melhor atriz para Bruna Longo, melhor espetáculo infantil e na Categoria Especial pela adaptação da linguagem de desenho animado para o teatro.

Ficha Técnica
"Cada Qual no Seu Barril" 
Elenco, concepção e dramaturgia corporal: Bruna Longo e Daniela Flor.
Direção, figurinos e iluminação: Kleber Montanheiro.
Assistência de direção e responsável técnica: Luiza Torres.
Criação e confecção de objetos cênicos: Ricardo Costa, Beatriz Nogueira e Adriana Michalski. Produção executiva: Bruna Longo

Duração: 45 minutos.
Gênero: comédia.
Classificação: livre.
Faixa etária recomendada: maiores de 5 anos
Tema e conteúdo: guerras, conflitos.

Serviço
Domingos, 6, 13 e 20 de outubro, às 16h.
Teatro Irene Ravache, da Oficina de Atores Nilton Travesso. 
Rua Capote Valente, 667, Pinheiros.
Lotação: 50 lugares.
Ingressos: 30 reais, com direito à meia entrada.



.: "Sukata o Musical" em últimas apresentações no Teatro West Plaza

Todos os domingos de setembro, o Teatro West Plaza recebe o espetáculo infantojuvenil "Sukata o Musical". Restam apenas duas apresentações e o público não pode perder as aventuras de Suzana, Katarina e Tânia que, unidas por um sonho e em busca de  um mundo melhor começam um trabalho de reciclagem. 

Música, dança e muito conhecimento marcam uma aventura repleta de desafios. "Sukata o Musical", teve a sua estreia domingo dia 1º de setembro e fica em cartaz até o próximo dia 29 no Teatro do Shopping West Plaza. As apresentações acontecem todos os domingos, às 15h.

Serviço:
"Sukata o Musical"
Gênero: musical infantojuvenil 
Duração: 60 minutos
Classificação livre
Local: Teatro Shopping West PlazaSala Nicete Bruno 
Datas: 22 e 29 de setembro
Horário: 15h
Endereço: Av. Francisco Matarazzo, s/n.º - Água Branca, São Paulo

Ficha Técnica
Direção geral, dramaturgia e canções : Alexia Annes
Direção musical e arranjos: Dan Ricca
Coreografia: Regina Lino
Preparação vocal: Matheus Noquelli
Assistente de produção: Ana Lívia Kanno
Elenco: Amanda Matos, Bruna Story, Gabriela Silveira, Gabriele Annes, Isabelly Billota, Isack Paulino, Júlia Domingues, Luana Rodrigues, Madu Almeida, Marina Ginesta, Paloma Gomes, Raphaella Paes, Renan Wender
Ingressos: R$ 60 e R$ 30 (meia-entrada)





.: "Um Certo Canto Brasileiro", de Anselmo Zolla, com a Studio3

Após o sucesso absoluto no MASP Auditório, o espetáculo faz única apresentação, dia 20 de setembro, no mesmo local, com ingressos a
preços populares

A Studio3 Cia. de Dança, companhia brasileira de dança que tem representado o país no mundo todo em eventos significativos no cenário da dança, em cidades como Milão, na Itália, Paris, Lyon e Biarritz, na França, Regensburg, na Alemanha, Lisboa e Porto, em Portugal, e também nos palcos do Brasil, reestreia o espetáculo "Um Certo Canto Brasileiro", de Anselmo Zolla, em mais uma parceria com o MASP.

O público irá "viajar" no tempo e no espaço com "Um Certo Canto Brasileiro" e se identificar de imediato com as músicas, dos anos 30 aos 80, que marcaram várias épocas e gerações. O idealizador do espetáculo, Anselmo Zolla, e o diretor musical, Felipe Venancio, apresentam canções populares brasileiras, atemporais e imortalizadas por suas letras e interpretações. 

A vida da gente é um filme repleto de lembranças em que a música faz a nossa trilha. Através da dança e do som, a plateia irá se emocionar com as pérolas brasileiras que foram resgatadas. As coreografias muito entrosadas com a música faz com que os espectadores sintam vontade de dançar e fazer parte da montagem. É um universo muito nosso, rico, que vai trazer à tona uma memória afetiva.

No palco estão presentes as vozes únicas de Caetano Veloso, Tim Maia, Maysa Matarazzo, Chico Buarque, Roberto Carlos, Bethânia, Cartola, Elizeth Cardoso, Angela Maria, Jamelão, Milton Nascimento, Tom e Elis. É um reencontro com os grandes cantores.

Outro destaque do espetáculo é o belo cenário todo feito em papelão ondulado produzido pela Klabin, assinado por Antônio S. Lemes. Se vivemos num mundo onde nos preocupamos com o meio ambiente e a reciclagem dos objetos, é necessário que o espaço cênico das grandes montagens acompanhe esse tendência ecológica.

Sobre a Studio3 Cia. de Dança
A criação da Studio3 Cia. de Dança representa a consolidação de um trabalho artístico cuidadosamente preparado pelo seu coreógrafo e diretor artístico Anselmo Zolla, sob a direção geral de Evelyn Baruque. Criada em 2005, a companhia hoje conta com 18 intérpretes em seu elenco, provenientes de diversas formações e origens profissionais.



Sobre Anselmo Zolla
Anselmo Zolla atuou como bailarino nos teatros alemães de Kaiserslautern e Wiesbaden. No exterior, onde permaneceu por oito anos, ele criou obras para as companhias Azet Dance Company, Teatro de Heidelberg, Teatro de Mannheim e Teatro de Kaiserslautern. No Brasil, trabalhou ao lado de Deborah Colker e também no Balé da Cidade de São Paulo e na Quasar Cia. de Dança. Atualmente é diretor artístico da Studio3 Cia. de Dança.

Ficha Técnica
"Um Certo Canto Brasileiro"
Com a Studio3 Cia. de Dança e a bailarina Vera Lafer
Ideia e direção coreográfica: Anselmo Zolla
Coreógrafia: Anselmo Zolla e elenco de intérpretes criadores
Ensaiador e assistente de coreografia: Gustavo Lopes
Direção Musical: Felipe Venancio
Cenografia: Móveis em papelão ondulado – Antônio S. Lemes/ Klabin Embalagens
Desenho de Luz: Joyce Drummond
Relações Públicas/ Convidados: Liège Monteiro e Luiz Fernando Coutinho
Assessoria de imprensa: Liège Monteiro e Luiz Fernando Coutinho

Serviço
"Um Certo Canto Brasileiro"
Local: MASP Auditório
Endereço: Av. Paulista, nº 1578, Cerqueira César, São Paulo, SP
Data e horário: sexta-feira, 20 de setembro, às 20h
Ingressos: R$ 40 e R$ 20 (meia-entrada)

Venda pela Internet:
https://masp.byinti.com/#/ticket/eventInformation/7EWAQyBfwWzXd-O4KCnD
Telefone: (11) 3149-5959
Horário da bilheteria: terça a domingo, das 10h às 17h30. Quinta-feira, das 10h às 19h30.
Em dias de espetáculo, a bilheteria funcionará até o horário de início da apresentação.
Cartões: todos
Estação de metrô próxima: Trianon-Masp
Indicação etária: livre
Duração: 60 minutos
Capacidade de público por sessão: 374 pessoas
Crédito das fotos: Renan Livi

.: Primavera Editorial lança "Uma Mulher Não É Um Homem", de Etaf Rum


Primeiro romance de Etaf Rum, "Uma Mulher não É Um Homem" aborda a devastadora estrutura doméstica e a opressão das mulheres na cultura palestina. A autora, norte-americana de origem árabe, toma por base as próprias experiências para construir uma história multigeracional sobre a realidade feminina dentro de uma estrutura patriarcal. 

A narrativa traz, ainda, a jornada de uma jovem mulher que desafia o caminho limitado legado a gerações para reivindicar uma existência traçada com base em sua própria vontade. O best-seller do New York Times, lançado no Brasil pela Primavera Editorial, foi publicado originalmente nos Estados Unidos pela HarperCollins.

“Você nunca ouviu essa história antes. Não importa quantos livros tenha lido, quantas histórias conheça, pode acreditar: ninguém nunca contou uma história assim. Lá de onde eu venho, nós guardamos essas histórias conosco. Contá-las para alguém de fora é inédito, perigoso e a maior das desonras.” A frase, uma das primeiras do livro, revela o tom do romance Etaf Rum, que examina três gerações de mulheres de origem palestina, residindo nos Estados Unidos, em uma saga familiar multigeracional. 

Centrado nas mulheres de três gerações - Deya, Isra e Fareeda -, o romance mergulha nos papeis e expectativas dessas mulheres que vivem em Nova York, no Brooklyn, mostrando como as ideias tradicionais e o feminismo moderno se entrelaçam, iluminando os desafios que imigrantes de primeira e segunda geração enfrentam.

O título é inspirado em uma frase misógina ouvida, repetidamente, por Etaf Rum. Proferida por familiares mais velhos, o dito surgia sempre que ela expressava o desejo de fazer as próprias escolhas; sempre quando se rebelava contra as diretrizes sociais da comunidade palestina. As personagens femininas, mesmo nos Estados Unidos, não contam com liberdade; o então sonho americano passa a ser realizado apenas pelos homens. 

O romance traz a perspectiva feminina, mostrando como a imigração para a América do Norte afeta essas mulheres. “Um dado importante é que não se refere à religião, mas à cultura patriarcal que leva estruturas de poder abusivas para dentro do casamento e da estrutura familiar. Essa distinção é importante para que a obra, em tempos de preconceito contra o Islamismo, não seja usada para reafirmar noções erradas”, afirma Lu Magalhães, presidente da Primavera Editorial.

Em entrevista, Etaf Rum – que se considera uma mulher mulçumana – comenta que teve receio em abordar o tema, porque sabe o quanto é um tabu na comunidade palestina; ressalta que esse, inclusive, é um desafio que as escritoras árabes frequentemente enfrentam. “Com esse romance, espero transmitir aos leitores, especialmente os que cresceram em circunstâncias semelhantes à narrativa e que foram ensinados que a vida das mulheres é mais limitada que a dos homens; quero reafirmar que essas são crenças tóxicas. Espero que as mulheres reconheçam e possam se libertar”, afirma. 

Ela acrescenta que, no início da trajetória como escritora, se censurava com medo de violar o código de silêncio da própria comunidade, fazendo-os parecer maldosos ou confirmando estereótipos. “Mas, o romance resultou em uma história empolgante, cuja prioridade era falar em nome de mulheres sem voz; falar que podem relatar as próprias histórias mesmo as mais desconfortáveis”, revela.

Na obra, Fareeda - avó e matriarca da família - está obcecada em manter a reputação da família após uma falha perigosa; Isra, a nora humilde e mãe de Deya, está presa em um casamento com um marido abusivo; a filha adolescente passa os dias tentando descobrir como obter uma educação, enquanto enfrenta reuniões familiares com pretendentes para um entrar em um casamento arranjado. Embora entrelaçadas na mesma narrativa, as três perspectivas mostram como diferentes gerações negociam o poder nas sociedades patriarcais.



Trechos do livro

Página 9
“(...) Nasci sem voz num dia frio e nublado no Brooklyn, em Nova York. Ninguém falava do que eu tinha. Só fui saber que era muda anos depois, quando abri a boca para dizer o que eu queria e percebi que ninguém podia me ouvir. Lá de onde eu venho, a falta de voz é parte do meu gênero, tão normal quanto os seios no tórax de uma mulher, e tão necessária quanto as gerações futuras que crescem dentro de seu ventre. Mas isso nunca será explícito, claro.”

Página 34
“(...) Deya lembrou-se do último pretendente que também havia retirado o pedido de casamento. Ele dissera aos avós que ela era muito insolente, muito questionadora, e que isso não era muito árabe. Mas o que os avós esperavam vindo para esse país?”

Página 109
“(...) Foi Fareeda que tivera a ideia de Isra não amamentar Deya. A amamentação impede a gravidez, e Adam queria um menino. Isra obedeceu sem resistir, misturando fórmula infantil nas mamadeiras sobre a pia da cozinha na esperança de reconquistar Fareeda.”

.: "Persona em Foco" terá Walcyr Carrasco, autor de "A Dona do Pedaço"


Na sexta-feira, dia 20 de setembro, o programa "Persona em Foco" presta homenagem a um dos principais autores da teledramaturgia brasileira: Walcyr Carrasco. Autor da atual novela das 21h na Rede Globo, "A Dona do Pedaço", ele é ganhador do Prêmio Emmy Internacional de 2016 pelo seriado "Verdades Secretas" e também é responsável por tramas que cativaram o espectador, como "Chocolate com Pimenta", "Xica da Silva" e "Alma Gêmea". 

No programa, Walcyr é entrevistado pelo ator Dionísio Neto e pela atriz Vera Mancini, que participaram de alguns de seus projetos para a televisão. Apresentado por Atílio Bari, o programa vai ao ar às 22h15, na TV Cultura e no aplicativo Cultura Digital.

domingo, 15 de setembro de 2019

.: Crítica de "Caros Ouvintes", espetáculo musical com resgate histórico


Por: Mary Ellen Farias dos Santos
Em setembro de 2019


"Caros Ouvintes", espetáculo com texto e direção de Otávio Martins, é sem dúvida um resgate da história do Brasil, embora seja o recorte de um dia dos anos de chumbo. Em cartaz no Teatro Renaissance, de sexta a domingo, até o dia 29 de setembro, a montagem faz uso do bom humor, enquanto também é engajada e crítica, sem pesar a temática.

Antes de presenciarmos o palco escuro, um foco de luz se acender e Leonor Praxedes (Carol Bezerra) fazer uma entrada triunfante, nos minutos que antecedem o ingresso para a sala do espetáculo, a publicação "Caros Ouvintes - A Revista da Radionovela Brasileira"distribuída gratuitamente, contextualiza os espectadores para o que virá na comédia musical

Na capa da revista, o casal Conceição Neves (Natália Rodrigues) e Jonas Santinho, estrelas da emocionante radionovela "Espelhos da Paixão", indicam o rumo da trama. Jovens e bonitos, os dois são promessa para a televisão, tendo ela adotado o nome de Suzana Pascoal. No recheio da publicação, páginas 8 e 9, em formato de fotonovela, o público descobre que grandes segredos estão prestes a serem revelados na radionovela.

Logo, o espetáculo ambientado numa rádio, tem seus funcionários apresentados: o produtor da radionovela Vicente Martinho (Dalton Vigh), o locutor Wilson Nelson (Eduardo Semerjian), o sonoplasta Eurico Boa Vista (Alex Gruli), a atriz Ermelinda Penteado (Agnes Zuliani), o ex-galã Péricles Gonçalves (Léo Stefanini) e a cantora Leonor Praxedes (Carol Bezerra). 

Todos empenhados em terminar -com louvor- "Espelhos da Paixão"Sem qualquer informação a respeito da radionovela que substituirá o "sucesso", os atores preparam uma grande apresentação ao vivo com palco armado do lado de fora da rádio para a despedida do público. Mas a chegada do publicitário Vespúcio Neto (Fernando Pavão) agita mais os ânimos que já estão aguçados.

Em meio a discussões a respeito da ida de Conceição e Jonas para televisão, os atores descobrem que o patrocinador -sabonetes Carizia- passará a produzir telenovelas. Para piorar, o futuro galã de televisão, intérprete do protagonista e antagonista de "Espelhos da Paixão" some preocupando o perfilado produtor da radionovela Vicente (Dalton Vigh). Este, por sua vez, tem outros problemas a serem resolvidos, como por exemplo, o caso amoroso que mantém fora do casamento com Conceição, que está prestes a romper com ele e seguir para o meio televisivo.

A comicidade que suaviza a trama fica a cargo do profissional de sonoplastia Eurico (Alex Gruli), com contribuições generosas do locutor Wilson (Eduardo Semerjian), o ex-galã Péricles Gonçalves (Léo Stefanini), a dúbia Ermelinda Penteado (Agnes Zuliani) e da cantora decadente, chegada numa bebida, Leonor Praxedes (Carol Bezerra). Em perfeita sintonia, no palco, o quinteto dá o tom certo de cada brincadeira do texto. 

Alex Gruli, passa certa dose de inocência para o personagem Eurico e reforça o talento de fazer o público rir, atuando tal qual um homem da época, longe dos maneirismos do jogador de futebol, Cacau Bello, da peça "Divórcio". De voz sonora e marcante, está Eduardo Semerjian, no posto de um senhor distinto e discreto, embora o seu segredo seja bem conhecido por seus companheiros de trabalho. Atuação maravilhosa e bem diferente do professor Salvador de "As Aventuras de Poliana", novela do SBT.

Léo Stefanini, apresenta um Péricles no grande estilo Nelson Gonçalves de ser, não somente pelo mesmo sobrenome, a impostação de voz, mas por todas as vezes que ele anuncia aos outros ser primo do cantor. Assim, coroa a excelente atuação, Stefanini fazendo o público rir muito ao assumir três papéis em "Espelhos da Paixão": Padre Pontes e os gêmeos Aquiles e Átila, um bom e outro mau. 

Agnes Zuliani que defende a personagem Ermerlinda Penteado diverte, enquanto divide os sentimentos do público. Por vezes é detestável e outras comove expondo seu pensamento questionável sobre o certo e o errado. É a perfeita tia que adora uma fofoca e coloca defeitos nos outros. Além de fazer graça, na pele de Leonor Praxedes, a grande voz dos jingles nos comerciais de "Espelhos da Paixão", Carol Bezerra mais uma vez dá um show. Assim, ela entrega a árdua missão de ouvir sua voz sem emocionar a cada um ali presente. Impossível!

Já Natália Rodrigues interpreta uma Conceição Neves, futura atriz de televisão, Suzana Pascoal, com um toque leviano e que sabe aproveitar as oportunidades que a juventude lhe proporciona. Conhecida por conta da radionovela "Espelhos da Paixão", tem como objetivo maior ser famosa na televisão, ou seja, mudar de cidade e terminar a relação com Vicente Martinho. É impagável a voz da mocinha que interpreta Maria Isabel na radionovela! E como toda mocinha com pouco bom senso, a bela atrai um homem nada digno. No caso, o arrogante Vespúcio Neto, de Fernando Pavão. Ator que prova versatilidade ao interpretar um personagem cheio de nuances e índole duvidosa.

Contudo, o Vicente de Dalton Vigh assume uma postura íntegra, embora, em casa, esteja longe de ser um marido exemplar. Com a dignidade que lhe resta, tal qual um maestro, é quem se empenha em manter todos os perfis conturbados na mesma barca, mesmo com um naufrágio iminente. É ao entrar em substituição na radionovela que Vigh apresenta muita habilidade em divertir. Bem diferente do senhor Pendleton de "As Aventuras de Poliana", por exemplo.


Crédito: Heloisa Bortz

Além de trabalhar um momento marcante da história brasileira, outro ponto importante de "Caros Ouvintes" é a distinção dos personagens, que ao longo da narrativa se completam, tal qual em uma engrenagem. Com direito a segredos revelados que surpreendem e fazem a trama fluir de modo ágil. 

A caracterização dos atores, incluindo cabelos, perucas, maquiagens e vestimentas, são o toque perfeito para levar o público para dentro de uma rádio em plena ditadura militar. Em "Caros Ouvintes", inicialmente, as bombas das revelações estouram dentro da rádio, até que passam a estourar pelas ruas diante de toda tensão política da época. É um montagem impecável, portanto imperdível!

Premiações

Prêmio Shell

Melhor cenário: Marco Lima
Melhor Música: Ricardo Severo

Prêmio Arte Qualidade 2014 
Melhor direção: Otávio Martins
Melhor espetáculo: "Caros Ouvintes"

Prêmio Top Quality Brazil
Melhor atriz: Natállia Rodrigues

Prêmio Aplauso Brasil
Melhor figurino: Fábio Namatame

Prêmio R7 de teatro
Melhor figurino: Fábio Namatame

Melhores do ano 2014 Veja 
Melhores do ano 2014 Folha de S.Paulo

Ficha Técnica
Texto e Direção: Otávio Martins
Assistente de direção: Marcos Damigo
Elenco: Dalton Vigh, Agnes Zuliani , Alex Gruli, Natállia Rodrigues, Léo Stefanini, Fernando Pavão, Carol Bezerra, Eduardo Semerjian.
Cenário: Will Siqueira - a partir da cenografia desenvolvida por Marco Lima
Cenotécnica: Rafael Mesquita, Rafael Junqueira, Rafaelle Magalhães e Phelippe Lima.
Direção de arte: Fábio Almeida Prado
Música original: Ricardo Severo
Iluminação: Matheus Macedo
Figurino: Fábio Namatame
Fotos: Heloisa Bortz
Vídeo: Matheus Luz
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Produção: Adriana Grzyb, Léo Stefanini e Will Siqueira
Assistente de produção: Gabriela Fiorentino
Administração: Adriana Grzyb
Assistente administrativa: Márcia Oliani
Realização: Cora Produções Artísticas Ltda.

Serviço
"Caros Ouvintes", de Otávio Martins
Teatro Renaissance – Alameda Santos, 2233, Cerqueira César
Temporada: 2 de agosto a 29 de setembro, às sextas e aos sábados, às 21h, e aos domingos, às 18h.
Ingressos: R$100 (inteira) e R$50 (meia-entrada)
Capacidade: 440 lugares
Bilheteria: (11) 3069-2286
Horário da bilheteria: quinta-feira, das 14h às 20h; Sexta, sábado e domingo, das 14h até o início do último espetáculo.
Vendas online: www.ingressorapido.com.br

Duração: 90 minutos
Classificação: 12 anos
Estreou dia 16 de agosto de 2014. 




*Mary Ellen Farias dos Santos é criadora e editora do portal cultural Resenhando.com. É formada em Comunicação Social - Jornalismo, pós-graduada em Literatura e licenciada em Letras pela UniSantos - Universidade Católica de Santos. Twitter: @maryellenfsm


Encerramento do espetáculo no Teatro Renaissance



.: Crítica de "Agosto" a peça que convoca o público para fazer um jogo da verdade

Fotos: Cláudia Ribeiro
Por Helder Moraes Miranda, em setembro de 2019.

Por mais estranho que pareça, assistir a peça teatral "Agosto" no mês de setembro (o espetáculo estreou no último dia 31) só mostra  que a história é atemporal. Escrito por Tracy Letts com direção e adaptação de André Paes Leme, o espetáculo está em cartaz até dia 29 de setembro no Teatro Porto Seguro.

Dos elementos da narrativa, sobressaem-se o espaço - representado pela casa escura de sempre janelas fechadas - e os personagens que movimentam a história como se estivessem guiados por uma fábula rodrigueana. Narradores participantes, eles cometem pecados, julgam e condenam uns aos outros sem a menor cerimônia: maltratar é consequência do ambiente insalubre em que vivem.

O tempo é o senhor e o elemento que está em todas as cenas de "Agosto". Em cada diálogo, ele está lá, à espreita, como um narrador onisciente. Esse personagem, que não tem uma fala, é tão presente que pode até ser tocado. Ele conhece tudo sobre os personagens e sobre o enredo, sabe o que se passa no íntimo das personagens, conhece as emoções e pensamentos, mas é capaz de desvendar, e entregar de bandeja ao público, quando menos se espera, os segredos de una família disfuncional.

É o tempo responsável por se encarregar de todos os enlaces e desenlaces nos 130 minutos de espetáculo. O tempo que construiu essa família é o mesmo que irá destruí-la. Na miríade deste tempo, físico, psicológico, orquestrado e tão abusivo quanto os personagens que rege e movimenta, reinam, absolutas, três mulheres de diferentes gerações: mãe, filha e neta. 

Violet Weston  (Guida Vianna) é a abelha rainha de uma teia que se move ao dispor de seus ditames. Com câncer na boca, algo que pode ser uma metáfora para a língua ferina da personagem, ela é um poço de mágoas mal resolvidas.  É  ela quem dá as cartas, sobretudo quando resolve falar as verdades empoeiradas que estavam varridas para baixo do tapete. 

Ódios velados, desprezos explícitos, divórcios secretos e até um incesto, nada passa incólume ao olhar repleto de maledicência e sagacidade da personagem. A Violet de Guida Vianna é puro deboche e não há nenhuma outra atriz que pudesse representá-la tão bem. Ao invés de unir essa família, ela separa e repele as filhas, e até o próprio marido, como um elemento desagregador que vai chegar ao cúmulo na cena final que faz com que o público saia destruído.


Letícia Isnard, com uma personagem tão intensa Barbara Fordhan, mostra-se uma surpresa para quem está habituado a vê-la em personagens mais leves na televisão. Ela se revela  um monstro sagrado do teatro, abençoada pelos deuses das artes cênicas, e fica tão gigante no palco que é ali que se tem a dimensão exata do talento dela.  É um caso perdido: o carisma e a a genialidade não cabem na tela da televisão, já que no palco ela transborda. Se todos tivessem a dimensão do quanto essa mulher é potente no teatro, Letícia Isnard seria reverenciada todos os dias, do momento em que acordasse até a hora de dormir. Se fosse uma atriz estrangeira, seria, inclusive, mundialmente conhecida.

Lorena Comparato também, uma mulher de 29 anos, faz com que o público acredite que ela é uma menina de 15 na pele de Jean Fordham. Essas três mulheres captam todos os olhares, mastigam o texto e jogam para o público algo entre o profano e o sublime. Algo que é eterno, mesmo que o tempo, matéria-prima do espetáculo, insista em apostar na efemeridade. Mas não se engane, nenhuma delas é santa, apenas personagens repletos de humanidade e vilanias.

Há outros destaques, como Claudia Ventura, a carismática atriz que empresta seu talento à personagem Karen Weston que é uma irmã doidivanas. Na apresentação que assistimos, Marianna Mac Niven, na pele de Ivy Weston, a irmã que abdicou da vida para cuidar dos pais, estava muito gripada e, com isso, quase sem voz. Mas até essa característica contribuiu para que a personagem se desenvolvesse como uma personagem sem voz ativa, incapaz de tomar as rédeas da própria vida, comprovando o talento indiscutível da atriz. 

Entre as coadjuvantes, Julia Schaeffer, como a contida índia que tem papel fundamental na resolução do desfecho, e a leveza contraditória de Eliane Costa no papel de Mattie Fae Aiken também fazem a diferença com as suas personagens antagônicas: enquanto uma é discreta, a outra é histriônica.

Com essa gama de personagens femininos tão fortes, o elenco masculino não deixa de ter a sua função. Mas há, nos homens de "Agosto", uma nítida inversão de papéis já que a peça, comandada por mulheres, mostra os homens como elementos frágeis, retratados com delicadeza pelo texto do autor.

O olhar para com o masculino é mais generoso para eles, que não tomam as rédeas da vida e lidam com as inseguranças da pior maneira possível, como, por exemplo, a sedução de mulheres mais novas. Isaac Bernat, Alexandre Dantas Cláudio Mendess e Guilherme Siman emprestam a própria dignidade a personagens quebrados e frágeis em um contexto em que a testosterona é das mulheres. 

"Agosto", com seus segredos, é um espetáculo que insiste em ser lembrado mesmo semanas depois de ser assistido. Em 2013, ganhadora dos principais prêmios nos Estados Unidos - Pulitzer e Tony -,a obra inspirou o longa-metragem "Álbum de Família" protagonizado por Meryl Streep e Julia Roberts, além de Ewan McGregor, Juliette Lewis, Sam Shepard e Benedict Cumberbatch. 

Esta primeira montagem no Brasil surgiu pelas mãos da produtora Maria Siman, da Primeira Página Produções, em parceria com Andrea Alves e Sarau Agência de Cultura Brasileira. Mas está terminando a temporada no Teatro Porto, por isso interessados em assistir a uma boa peça de teatro em São Paulo devem correr. Em outubro, a peça vai para Minas Gerais e retorna ao Rio de Janeiro para as últimas apresentações.

Falar que "Agosto" é um soco no estômago do espectador é cometer eufemismo - a maneira como ela atinge o público, que sai arrebatado, é muito mais do que isso. As relações humanas nunca foram tão longe, e com tanto excesso de velocidade, no teatro: todos querem uma catarse, mas nem todos são merecedores dela. 

Daí o tom de desafeto desde a primeira fala e a overdose de ressaca moral em que o espectador é submetido. Afinal, parafraseando Regina Duarte na célebre fala de outro espetáculo igualmente perturbador que trata sobre família, "O Leão no Inverno" (também apresentado no Teatro Porto Seguro": "Que família não tem seus problemas?".



"Agosto", de Tracy Letts
De 30 de agosto a 29 de setembro – Sextas e sábados, às 21h. Domingos, às 19h.
Classificação: 14 anos.
Duração: 130 minutos.
Gênero: comédia dramática.
Ingressos: R$ 80 plateia / Balcão e frisas R$ 70.

Ficha Técnica:
Texto: Tracy Letts. Tradução: Guilherme Siman. Direção e Adaptação: André Paes Leme. Elenco/personagens: Guida Vianna (Violet Weston), Letícia Isnard (Barbaraordhan), Alexandre Dantas (Steve Heidebrecht),  Claudia Ventura (Karen Weston), Cláudio Mendess (Charlie Aiken), Eliane Costa (Mattie FaeAiken), Guilherme Guilherme Siman (Charles Júnior), Isaac Bernat (Beverly Weston/Bill Fordham), Julia Schaeffer (Johnna Monevata),Lorena Comparato (Jean Fordham), Marianna Mac Niven (Ivy Weston). Diretor Assistente: Anderson Aragón. Cenografia: Carlos Alberto Nunes. Figurino: Patrícia Muniz. Iluminação: Renato Machado. Música: RiccoViana. Diretor Assistente: Anderson Aragón. Cenografia: Carlos Alberto Nunes. Figurino: Patrícia Muniz. Iluminação: Renato Machado. Música: Ricco Viana. Projeto Gráfico: Mais Programação Visual. Fotografia: Silvana Marques. Assessoria de Imprensa: ArtePlural. Produção Executiva: Felipe Valle. Direção de Produção: Andrea Alves e Maria Siman. Idealização e Coordenação Geral: Maria Siman. Realização: Primeira Página Produções.

Teatro Porto Seguro
Al. Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos – São Paulo.
Telefone (11) 3226-7300.

Bilheteria: de terça a sábado, das 13h às 21h e domingos, das 12h às 19h.
Capacidade: 496 lugares.
Formas de pagamento: Cartão de crédito e débito (Visa, Mastercard, Elo e Diners).
Acessibilidade: dez lugares para cadeirantes e cinco cadeiras para obesos.
Estacionamento no local: Estapar R$ 20 (self parking) - Clientes Porto Seguro têm 50% de desconto.
Serviço de Vans: transporte gratuito Estação Luz – Teatro Porto Seguro – Estação Luz. O Teatro Porto Seguro oferece vans gratuitas da Estação Luz até as dependências do Teatro. Como pegar: na Estação Luz, na saída Rua José Paulino/Praça da Luz/Pinacoteca, vans personalizadas passam em frente ao local indicado para pegar os espectadores. Para mais informações, contate a equipe do Teatro Porto Seguro. Bicicletário – grátis.
Gemma Restaurante: terças a sextas-feiras das 11h às 17h; sábados das 11h às 18h e domingos das 11h às 16h. Happy hour quartas, quintas e sextas-feiras das 17h às 21h.

Vendas: tudus.com.br
Facebook: facebook.com/teatroporto
Instagram: @teatroporto


*Helder Moraes Miranda é bacharel em jornalismo e licenciado em Letras pela UniSantos - Universidade Católica de Santos, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura, pela USP - Universidade de São Paulo, e graduando em Pedagogia, pela Univesp - Universidade Virtual do Estado de São Paulo. Participou de várias antologias nacionais e internacionais, escreve contos, poemas e romances ainda não publicados. É editor do portal de cultura e entretenimento Resenhando.



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