Serviço
Disponível exclusivamente na Ubook. Formato: 3 episódios, com aproximadamente 25 minutos cada. Produção e roteiro: Daiane Menezes e Naiana Ribeiro. Classificação indicativa: 16 anos.
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Espetáculo "Os Sapatos Que Deixei Pelo Caminho", do Teatro do Kaos, realiza temporada no Teatro Sérgio Cardoso, equipamento da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gerido pela Associação Paulista dos Amigos da Arte (APAA), até dia 28 de junho, com apresentações às sextas, sábados e domingos, às 19h00, na Sala Paschoal Carlos Magno. Com argumento de Lourimar Vieira, texto de Cícero Lopes e direção de Marcos Felipe, o espetáculo parte de experiências atravessadas pela migração, pela exclusão e pela permanência para construir uma narrativa sobre os caminhos impostos pela vida.
A peça acompanha Poim, um migrante nordestino que chega a São Paulo em busca de outras possibilidades de existência. A partir de lembranças, deslocamentos e fragmentos de memória, o personagem revisita episódios de sua trajetória e reorganiza a própria história diante de impasses que atravessam o cotidiano contemporâneo. A montagem articula diferentes linguagens cênicas, como cinema, música, artes visuais, dança e teatro de bonecos, para desenvolver uma dramaturgia que se move entre realidade e fabulação. Em cena, o espetáculo aborda temas como migração nordestina, preconceito, sexualidade, capacitismo, desejo, afeto e resistência.
Ao propor a pergunta “o que você faria diante do abismo?”, a obra organiza sua narrativa em torno de rupturas, perdas e tentativas de reconstrução. A trajetória de Poim é apresentada como ponto de partida para refletir sobre pertencimento, identidade e permanência em contextos marcados por exclusão. O texto de Cícero Lopes marca mais uma colaboração do autor com o Teatro do Kaos.
Já a direção de Marcos Felipe, que assinou a assistência de direção do também premiado "A Falecida"- Projeto Superação/ Teatro do Kaos, dirigida por Nelson Baskerville-, explica que neste a comunicação com a plateia se dá através da poesia, por meio de metáforas, sendo uma obra mais intimista, desenvolvida com o brilho no olhar. “A peça é extremamente contemporânea, tanto na linguagem quanto no conteúdo, e apresenta um espelho da nossa sociedade atual, discutindo conceitos arcaicos, preconceitos enraizados e verdades absolutas. A peça não é conclusiva. À de se discutir, juntos, sobre os caminhos futuros, mas com este trabalho o público vai dançar, rir, chorar, gozar e gritar, simplesmente porque a vida é assim”.
Ficha técnica
Espetáculo "Os Sapatos Que Deixei Pelo Caminho"
Argumento: Lourimar Vieira
Texto: Cícero Gilmar Lopes
Direção: Marcos Felipe
Direção assistente: Sandra Modesto
Elenco / Criadores: Camila Sandes, Diego Saraiva, Fabiano Di Melo, Levi Tavares e Lourimar Vieira
Vídeos: Lucas Beda
Fotos: Sander Newton
Animação: Lucas Schlosinski
Trilha sonora: Marcos Felipe e Sandra Modesto
Intervenção musical: Gustavo Sarzi
Locução: Theo Rangel
Bonecos: Márcia Alves
Cenário: Teatro do Kaos e Fabiano Di Melo
Cenotécnico: Fabiano de Melo e Irio Sandes
Figurino: Fausto Viana
Desenho de luz: Pedro Augusto
Técnico de luz: Rafael Almeida
Técnico de som/projeção: Alana Vieira
Produção: Teatro do Kaos
Serviço
Espetáculo "Os Sapatos Que Deixei Pelo Caminho"
Temporada: até dia 28 de junho de 2026, sextas, sábados e domingos, às 19h
Ingressos: R$ 50,00 (inteira) e R$ 25,00 (meia-entrada / estudantes / classe artística / moradores do bairro) | Sympla
Teatro Sérgio Cardoso – Sala Paschoal Carlos Magno | Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista – São Paulo
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: 60 minutos
Em 25 de junho de 1967, os Beatles entraram no Studio One do Abbey Road Studios, em Londres, e mandaram uma mensagem ao mundo. Transmitida ao vivo como parte do programa “Our World”, da BBC, a primeira transmissão internacional via satélite da música “All You Need Is Love” alcançou cerca de 400 milhões de pessoas em todo o mundo. Por alguns minutos extraordinários, o mundo estava assistindo junto. Décadas depois, em 2009, Faith Cohen, fã de longa data do grupo, decidiu que esse dia merecia ser comemorado. A partir dessa convicção, nasceu o Global Beatles Day, o Dia Mundial dos Beatles. Uma celebração criada e organizada por fãs, dedicada à banda, à sua música e a uma mensagem que continua a ecoar por diversas gerações e ao redor do mundo: “love is all you need” (“o amor é tudo o que você precisa”).
De shows tributo em Tóquio a exposições com tema dos Beatles em Nova York, cantorias em Buenos Aires e reuniões de fãs em Liverpool, o Global Beatles Day continuou a crescer organicamente. Seu crescimento se baseou em um amor duradouro por John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr e por sua mensagem, e evoluiu para um evento anual abraçado por fãs de várias gerações e continentes. Agora, em um marco importante para a celebração, a Apple Corps Ltd., empresa fundada pelos Beatles para administrar seus empreendimentos criativos e comerciais, reconheceu formalmente o Dia Mundial dos Beatles.
No dia 25 de junho, paralelamente a eventos online e presenciais em todo o mundo que celebram a banda, os Beatles também lançarão gratuitamente no YouTube uma versão colorizada de sua apresentação de “All You Need Is Love” no programa “Our World”, da BBC. Esta é a primeira vez que essa apresentação icônica é disponibilizada online, comemorando o aniversário da apresentação, marcando o Dia Mundial dos Beatles e dando aos fãs de todo o mundo a chance de reviver aquele momento espetacular e global de 1967 e compartilhar suas reações no chat ao vivo.
Em carta enviada recentemente a Faith Cohen, o CEO da Apple Corps, Tom Greene, elogiou a iniciativa liderada pelos fãs, escrevendo: “Mais do que nunca, a mensagem dos Beatles e de ‘All You Need Is Love’ fala de algo vital para a comunidade, a conexão e o poder de unir as pessoas. É isso que torna o Dia Mundial dos Beatles tão especial. Ele não pede nada mais do que as pessoas, onde quer que estejam, parem, ouçam e compartilhem um pouco de alegria”. O reconhecimento parece adequado para uma banda cujo impacto duradouro permanece incomparável.
Os Beatles continuam sendo um dos grupos musicais de maior sucesso e influência da história. Mais de cinco décadas após sua separação, sua música continua a ecoar entre as gerações, desde os fãs que viveram a beatlemania na década de 1960 até novos públicos que descobrem “Hey Jude” e “Let It Be” por meio de plataformas de streaming e redes sociais, ou “The Two of Us”, recentemente utilizada no filme de sucesso “Project Hail Mary”. Além das vendas de discos, eles revolucionaram a moda, a cultura jovem, a composição musical e a produção de álbuns, deram início à chamada Invasão Britânica nos Estados Unidos e redefiniram a música popular com álbuns inovadores como “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band”.
O legado dos Beatles continua atraindo milhões de visitantes a locais emblemáticos como o Abbey Road Studios, onde os fãs ainda se reúnem para recriar a icônica foto dos Beatles atravessando a Abbey Road. Em um anúncio feito no início deste mês, o número 3 da Savile Row, local do icônico show na cobertura, será transformado na primeira experiência oficial para fãs, com inauguração prevista para 2027. Olhando para o futuro, um evento cinematográfico de quatro filmes sobre os Beatles, muito aguardado, está programado para estrear em abril de 2028 pela Sony Pictures Entertainment e Neal Street Productions.
O projeto marca a primeira vez que a Apple Corps Ltd. e os Beatles concederam direitos totais sobre a história de vida e a música para um filme com roteiro. Dirigido por Sam Mendes, o projeto será estrelado por Harris Dickinson (John Lennon), Barry Keoghan (Ringo Starr), Paul Mescal (Paul McCartney) e Joseph Quinn (George Harrison). O Global Beatles Day (Dia Mundial dos Beatles) começou como uma ideia simples que se transformou em um movimento mundial baseado na alegria, na união e na conexão, valores que parecem cada vez mais relevantes nos dias de hoje. No próximo dia 25 de junho, espera-se que milhões de fãs em todo o mundo façam exatamente o que o Global Beatles Day incentiva: celebrar os Beatles, sua música e uma mensagem que continua a ecoar por diversas gerações em todo o mundo: “love is all you need” (“o amor é tudo o que você precisa”).
Lisette Lagnado assina o ensaio que acompanha a série Quartos, com fotos de Rochelle Costi que combinam o interesse pela vida privada com uma crítica à crise da moradia em São Paulo. A curadora destaca a capacidade da artista gaúcha de capturar a memória afetiva dos espaços. A obra de Costi também está presente na abertura da revista, na série "50 Horas - Autorretrato Roubado", em que investiga o próprio corpo no ato de ser olhado por outros. Também é dela o pôster da edição, distribuído exclusivamente aos assinantes.
Duas matérias neste número tratam da relação da fotografia com a mineração. A fotógrafa e arquiteta Valentina Tong percorreu a serra capixaba para documentar a maior indústria de rochas ornamentais do país, destacando a relação entre a arquitetura e o extrativismo mineral. As fotos de Pedras marcadas são acompanhadas de um texto da arquiteta Gabriela Leandro Pereira, que analisa essa relação conflituosa e compara as paisagens registradas por Tong às fotos de família de seu avô marmoreiro na mesma região.
Já a pesquisadora canadense Siobhan Angus revela a cadeia de exploração de trabalho e de recursos naturais por trás do discurso de imaterialidade e de praticidade associado à fotografia ao longo de sua história. No ensaio Mineirando a história da fotografia, Angus destrincha essa relação oculta a partir da análise do cartão-postal de uma greve de mineiros em Cobalt, no Canadá, no início do século 20.
A revista ressalta um assunto que teima em estar em evidência ainda no século 21: o do controle dos corpos das mulheres pelo Estado patriarcal. Em Você não morre, a editora francesa Marie Sumalla e a jornalista iraniana Ghazal Golshiri lembram a morte da jovem curda Mahsa Amini pela polícia moral da República Islâmica do Irã, em 2022, episódio que desencadeou uma onda de protestos no país. Em imagens e textos que combinam histórias pessoais e anônimas, elas fazem a cronologia dessa luta pelos direitos das mulheres.
Ainda nesta edição, um ensaio visual da artista argentina Liliana Porter. que mescla fotografia, pintura, desenho e instalação em obras híbridas, que jogam com os limites entre o mundo e sua representação. A professora Adriana Amante ressalta a intertextualidade no gesto de Porter, comparando a artista ao escritor Jorge Luis Borges.
A convite da ZUM, o fotógrafo Renan Teles, do coletivo Vilanismo, produziu imagens inéditas para a série Esmeraldas não é Cohab porque tem elevador (2017-26), em que retrata amigos e parentes no conjunto habitacional onde cresceu, em Itaquera, Zona Leste de São Paulo. A partir das fotografias, a escritora Lilia Guerra relembra a infância vivida “nos predinhos” na mesma região.
A ZUM #30 apresenta também o novo trabalho do fotógrafo estadunidense Tyler Mitchell. No livro Wish this was real (Aperture, 2025), Mitchell celebra a vida negra no passado e no presente dos Estados Unidos combinando memórias pessoais, moda e performance. Para a pesquisadora Sarah Lewis, Mitchell cria um idioma visual para questionar como é possível criar um terreno estável em meio à precariedade.
Tel.: 11 2842-9120
Conhecido pela trajetória no cinema experimental e na animação, Borowczyk encontrou em "Contos Imorais" um ponto de inflexão na carreira. O filme ampliou a notoriedade internacional dele ao combinar apuro visual, referências literárias e um erotismo frontal que causou escândalo em diversos países. A produção integrou a Seleção Oficial do Festival Internacional de Cinema de Locarno e conquistou, posteriormente, o Prix de l'Âge d'Or, premiação ligada ao legado surrealista europeu.
A estrutura do filme percorre séculos distintos. Na primeira história, um jovem e sua prima experimentam a descoberta sexual em uma praia isolada. Em seguida, uma adolescente francesa mistura fervor religioso e fantasias íntimas enquanto cumpre um castigo. O terceiro segmento revisita a figura lendária da condessa húngara Erzsébet Báthory, associada a histórias de crueldade e obsessão pela juventude. O encerramento leva o espectador à Itália renascentista para acompanhar uma versão particularmente transgressora da família Bórgia, liderada por Lucrécia, seu irmão Cesare e o papa Alexandre VI.
O roteiro é assinado por Walerian Borowczyk com contribuições inspiradas na obra do escritor surrealista André Pieyre de Mandiargues. A narrativa dialoga com fontes literárias, lendas históricas e relatos que desafiam os limites entre realidade e imaginação. Essa combinação ajuda a explicar por que o filme continua sendo objeto de estudo tanto por pesquisadores do cinema quanto por especialistas em surrealismo e representação da sexualidade.
No elenco, destacam-se Lise Danvers, Fabrice Luchini - que anos depois se tornaria um dos grandes nomes do cinema francês -, Charlotte Alexandra, Paloma Picasso, filha do pintor Pablo Picasso, e Florence Bellamy. Cada segmento possui identidade própria, mas todos compartilham a mesma intenção de questionar os códigos morais que, ao longo da história, tentaram regular os corpos e os desejos.
Uma das curiosidades mais conhecidas envolve o episódio de Erzsébet Báthory. Para criar o célebre banho de sangue da condessa, a produção utilizou cerca de 30 galões de sangue suíno verdadeiro, uma decisão que contribuiu para a reputação extrema da obra. Outra particularidade é que o projeto originalmente possuía um quinto segmento, "La Bête". O episódio acabou removido da montagem principal e posteriormente expandido para se tornar o cultuado longa "A Besta" (1975), outro título fundamental da filmografia de Borowczyk.
O impacto de "Contos Imorais" jamais se limitou às cenas de nudez que escandalizaram plateias nos anos 1970. O filme permanece relevante porque encara a moralidade como construção histórica, variável e frequentemente contraditória. Entre o refinamento plástico e a provocação deliberada, Borowczyk desafia o espectador a observar como diferentes sociedades condenaram desejos que, muitas vezes, coexistiam discretamente nos bastidores do poder, da religião e da aristocracia.
Décadas após sua estreia, "Contos Imorais" continua dividindo opiniões. Alguns enxergam uma obra de arte ousada; outros, um exercício de provocação levado ao limite. O fato é que poucos filmes do período conseguiram preservar tamanho poder de inquietação. Essa capacidade de desconfortar explica a permanência do filme no imaginário do cinema europeu.
Ficha técnica
"Contos Imorais" | "Contes Immoraux" (título original)
Gênero: drama, erótico, antologia, romance. Duração: 125 minutos (2h05). Classificação indicativa: 18 anos. Ano de produção: 1973. Idioma: francês, com trechos em italiano e húngaro. Direção: Walerian Borowczyk. Roteiro: Walerian Borowczyk, baseado em histórias de André Pieyre de Mandiargues. Elenco: Lise Danvers, Fabrice Luchini, Charlotte Alexandra, Paloma Picasso, Florence Bellamy, Pascale Christophe, Marie Forså. Distribuição no Brasil: sem distribuidora nacional registrada atualmente; lançado nos cinemas brasileiros em 20 de setembro de 1982. Cenas pós-créditos: não.
Publicado pela Globo Livros, o romance de 368 páginas tensiona a história da arte e a desigualdade urbana ao colocar em paralelo o sofrimento final de Vincent van Gogh em Auvers-sur-Oise e a deriva de Igor Brown, jovem que se vê envolvido no roubo de uma pintura do mestre holandês guardada clandestinamente no Rio de Janeiro de 2024. A obra expõe as entranhas do mercado de arte de alto padrão, a invisibilidade social e o crime de colarinho branco sob a atmosfera ágil de um thriller policial.
O bate-papo abordará a arquitetura literária desenvolvida por Silvestre para costurar as duas épocas, as exigências de pesquisa histórica do romance e o papel das artes visuais como motor de suspense na literatura de ficção. Para os profissionais do setor editorial, o encontro traz à tona discussões sobre construção de personagens complexos, ritmo narrativo e a preparação de textos que equilibram rigor factual e apelo comercial. Para participar, basta se inscrever neste link.
Sobre o escritor
Autor do recente romance "O Último Van Gogh", publicado pela Globo Livros, Edney Silvestre é vencedor dos prêmios São Paulo de Literatura e Jabuti de Melhor Romance por "Se Eu Fechar os Olhos Agora", adaptado para minissérie pela Globoplay. O romance "A Felicidade É Fácil" está sendo adaptado para um longa-metragem a ser rodado em São Paulo pela produtora Mixer Filmes. Obras dele foram publicadas na Inglaterra, França, Estados Unidos, Sérvia, Holanda, Itália, Alemanha e Portugal.
Natural de Valença, no estado do Rio de Janeiro, filho de uma operária de fábrica e um dono de armazém, foi correspondente internacional da Rede Globo e do jornal O Globo, de 1992 a 2002. Cobriu os atentados ao World Trade Center, a devastação do Iraque após duas guerras, a visita do Papa a Cuba, voou dentro do furacão Floyd com os Hurricane Chasers, reportou direto do tapete vermelho do Oscar em Hollywood.
Ainda nos Estados Unidos, criou o primeiro programa internacional de entrevistas da GloboNews, o "Milênio", onde apresentou pensadores como Noam Chomsky, Gloria Steinem e Edward Said, autores como Alice Walker, Edward Albee e Salman Rushdie, artistas como Juliette Binoche e Barbra Streisand.
De volta ao Brasil, foi repórter especial do Jornal Nacional e do Globo Repórter. Por 15 anos apresentou o GloboNews Literatura, onde entrevistou o italiano Umberto Eco, o português José Saramago, a sul-africana Nadine Gordimer, o turco Orhan Pamuk, o peruano Mario Vargas Llosa, o nigeriano Wole Soyinka, além de autores brasileiros estreantes e consagrados – Milton Hatoum, Adélia Prado, Ariano Suassuna, Elvira Vigna, Victor Heringer, Ana Maria Gonçalves, Marcelo Moutinho, Lygia Fagundes Telles. Silvestre é autor de quatro livros de jornalismo, inclusive a biografia profissional "Segredos de Um Repórter", e oito de ficção. Compre os livros de Edney Silvestre neste link.
Sobre o mediador
Manuel da Costa Pinto.é jornalista, crítico literário e mestre em teoria literária e literatura comparada pela USP. É autor dos livros "Albert Camus: Um Elogio do Ensaio" (1998), "Literatura Brasileira Hoje" (2004), "Antologia Comentada da Poesia Brasileira do Século 21" (2010) e "Paisagens Interiores e Outros Ensaios" (2012); organizador e tradutor de "A Inteligência e o Cadafalso e Outros Ensaios", de Albert Camus (1998), organizador de "Camus, o Viajante" (2019), com textos sobre o Brasil do escritor francês, e do "Diário Confessional de Oswald de Andrade" (2022). Criador da revista Cult, foi colunista do jornal Folha de S.Paulo (2003-2016) e coordenador editorial do Instituto Moreira Salles. Atuou como curador da FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty) de 2011 e curador da programação literária da Feira do Livro de Frankfurt de 2013, que teve o Brasil como país homenageado. Atualmente, é editor-chefe e apresentador do “Entrelinhas”, programa semanal sobre literatura da TV Cultura, e curador, pelo Brasil, do Oceanos – Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa. Compre os livros de Manuel da Costa Pinto neste link.
Com ingressos esgotados no Tucarena até maio, o espetáculo “O Mercador de Veneza” migra para um teatro maior e abre novas sessões aos sábados e domingos de junho e julho, agora no Tuca, em São Paulo. A peça vem realizando um feito: até agora não houve nenhuma sessão em que não tivessem sido vendidos todos os assentos. O projeto é uma coprodução da Kavaná Produções e Baccan Produções. À frente do elenco, Dan Stulbach dá vida ao icônico agiota Shylock, já interpretado por nomes como Al Pacino, Laurence Olivier e Pedro Paulo Rangel. A direção é de Daniela Stirbulov. Mergulhando em temas como preconceito e intolerância a todos aqueles que são estrangeiros, a montagem é uma reflexão acerca das transformações nas relações humanas e tensões sociais que transcendem séculos.
“Lidar com os desafios shakesperianos é abrir espaço para o risco, para o confronto com o que somos — e com o que podemos ser. E expandir o entendimento sobre a vida: as relações humanas em sua complexidade e contradições. Tudo está ali. Vilões e heróis se confundem nas máscaras sociais. A obra, atravessada por tensões religiosas e preconceitos, nos confronta com questões sobre intolerância, identidade e justiça - tão atuais quanto no tempo em que foi escrita”, reflete a diretora, Daniela Stirbulov.
A trama acompanha Antônio, um mercador que contrai uma dívida com o agiota judeu Shylock para ajudar seu amigo Bassânio. Como garantia, estipula-se a retirada de uma libra da carne de Antônio. Com o não pagamento da dívida, o contrato desencadeia um julgamento dramático, colocando em pauta temas como justiça e preconceito. Sob a direção de Daniela Stirbulov, “O Mercador de Veneza” se desloca da Itália do século 16 para um cenário contemporâneo, em que questões como o antissemitismo, o preconceito racial, e as guerras motivadas pelo lucro e pelo capital ganham mais potência frente à narrativa. O agiota Shylock é alçado a protagonista nesta montagem, que busca narrar a história a partir de seu ponto de vista.
“Estar à frente da direção me possibilitou criar um universo contemporâneo. A história, escrita no contexto do capitalismo emergente do século XVI, foi transportada para os anos 1990 - década marcada pela aceleração da globalização e pelo surgimento de uma nova ordem mundial. Estabelecemos a Bolsa de Valores como espaço central, implantando a atmosfera das negociações financeiras do tempo presente e o dinheiro como motor principal das relações”, conta a diretora.
No centro do palco, uma estrutura acrílica transparente elevada cria um tablado para os atores. No alto, um painel circular de led desenha palavras e frases ligadas à ação. Há um operador de câmera captando imagens em tempo real, também projetadas no painel. A música é executada ao vivo por uma baterista no palco.
A produção do espetáculo é assinada pela Kavaná e pela Baccan Produções, sob a liderança de Cesar Baccan e Marcelo Ullmann, que também integram o elenco. Com atuação destacada pela qualidade, os produtores vêm consolidando uma trajetória marcada por obras de relevância artística e apelo de público, como “O Nome do Bebê”, com Bianca Bin, “A Pane”, com Antônio Petrin, e “Um Inimigo do Povo”, de Henrik Ibsen. Mais do que viabilizar montagens, Baccan e Ullmann desenvolvem projetos que transitam entre o clássico e o contemporâneo, equilibrando rigor estético, comunicação com o público e consistência de produção, enquanto avançam com novos projetos em desenvolvimento.
Ficha técnica
Espetáculo "O Mercador de Veneza"
Texto: William Shakespeare. Direção: Daniela Stirbulov. Tradução, Adaptação e Assistência de Direção: Bruno Cavalcanti. Elenco / Personagem: Dan Stulbach / Shylock; Augusto Pompeo / Duque; Amaurih Oliveira / Lorenzo e Príncipe de Marrocos; Cesar Baccan / Antônio; Gabriela Westphal / Pórcia; Júnior Cabral / Graciano; Marcelo Diaz / Lancelotte Gobbo; Marcelo Ullmann / Bassânio; Maria Clara Strambi / Jéssica; Rebeca Oliveira / Nerissa; Renato Caldas / Solânio e Tubal; Thiago Sak / Salarino e Príncipe de Aragão. Baterista em cena: Caroline Calê. Cenografia: Carmem Guerra. Cenotécnico: Douglas Caldas. Desenho de luz: Wagner Pinto e Gabriel Greghi. Figurino e visagismo: Allan Ferc. Assistente de figurino: Denise Evangelista. Peruqueiros: Dhiego Durso e Raquel Reis. Direção de movimento: Marisol Marcondes. Aderecista: Rebeca Oliveira. Consultoria sobre Shakespeare: Ricardo Cardoso. Vídeo e imagem: André Voulgaris. Fotos: Ronaldo Gutierrez. Design gráfico: Rafael Oliveira Branco. Operação de luz: Jorge Leal. Operação de som: Eder Sousa. Motorista: Cosme Araujo. Assistente de produção: Amanda Nolleto. Produção executiva: Raquel Murano. Direção de produção: Cesar Baccan e Marcelo Ullmann. Produção: Kavaná Produções e Baccan Produções. Assessoria de imprensa: JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Sephany.
Serviço
Espetáculo “O Mercador de Veneza”
Reestreia sábado, dia 6 de junho, às 20h00
Teatro Tuca – Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes / São Paulo. Telefone: (11) 3670-8455.
Sábados, às 20h00, e domingos, às 17h00 (as sessões dos dias 13 de junho, 4, 5, 11 e 19 de julho dependem dos jogos do Brasil na Copa do Mundo).
Ingressos: R$ 200,00 e R$ 100,00 (meia-entrada) na bilheteria terça-feira a sábadp, das 14h00 às 20h00, e domingo, das 14h00 às 18h00, ou em https://bileto.sympla.com.br/event/118833?share_id=1-copiarlink
Capacidade: 672 espectadores
Duração: 1h50
Gênero: comédia dramática
Classificação indicativa: 12 anos
Acessibilidade: sim
Temporada: até 26 de julho