segunda-feira, 27 de junho de 2022

.: Crítica: "O Próximo Passo" ensina a viver as vidas que a vida dá

Por: Mary Ellen Farias dos Santos

Em junho de 2022 


A bailarina principal de uma companhia de dança clássica que flagra uma traição minutos antes de entrar no palco, dá o seu melhor na grande apresentação, mas acaba num passo errado, tendo que aprender a rever o rumo de um novo caminho a percorrer. Esse é o belíssimo e tocante longa francês, do Festival Varilux, em cartaz no Cineflix: "O Próximo Passo"

O filme de Cédric Klapisch emociona ao criar o perfil de uma jovem mulher forte, que na fragilidade pela ausência da mãe durante a fase de crescimento. Além de ter um pai alheio a seus feitos, ser traída pelo namorado e ainda afastada da dança que tanto se dedicou. Enquanto Elise busca a cicatrização de sua ferida sentimental e física, a dançarina clássica precisa se reconectar com ela mesma. 

Ao acompanhar a mudança de vida da protagonista, vê-se o renascimento de si, o que faz a emoção crescer em cada um presente na sala de cinema. Como não segurar as lágrimas quando o passado e o presente de encontram numa cena perfeitamente produzida? De um lado as bailarinas com seus tutus, nas pontas dos pés, do outro, ao longe, Elise se despede tendo encontrado uma nova forma de seguir na dança.

"O Próximo Passo" é visualmente lindo, não somente pelas apresentações de balé, incluindo os cenários e as filmagens em lugares naturais. Tudo contribui para a beleza da produção que foi a terceira mais vista na França, na sua semana de estreia. É indiscutível que a edição presenteia os olhos com muita arte. Não há como passar impune já no início, com a imagem dos braços de bailarina iluminado em azul. Ali já entrega que há um diferencial artístico no filme.

O que se confirma quando os envolvidos na produção são creditados com efeitos incríveis, nos minutos iniciais do longa. Enquanto que as bailarinas dançam, os nomes surgem na telona e se vão em esfumaçados e, ao fundo, uma canção de batidas mais fortes dita o ritmo. Em "O Próximo Passo" há drama, romance e incentivo à devoção pela arte, desde a culinária, música e, claro, à dança e suas variações. Definitivamente é uma produção mágica. Imperdível!

Em parceria com a rede Cineflix Cinemas, o Resenhando.com assiste aos filmes em Santos, no primeiro andar do Miramar Shopping. O Cineclube do Cineflix traz uma série de vantagens, entre elas ir ao cinema com acompanhante quantas vezes quiser - uma oportunidade para qualquer cinéfilo. Além disso, o Cinema traz uma série de projetos, que você pode conferir neste link.


Filme: "O Próximo Passo" ("En Corps")

Duração: 1h57

Gênero: drama

Distribuidora: Bonfilm

Diretor: Cédric Klapisch

Elenco: Marion Barbeau, Hofesh Shechter, Denis Podalydès


Mary Ellen Farias dos Santos, editora do site cultural www.resenhando.com. É jornalista, professora e roteirista. Twitter: @maryellenfsm

Trailer






.: Diário de uma boneca de plástico: 27 de junho de 2022

Querido diário,

Sumi, não é?! Pois bem, eu estou quase que vivendo dentro do cinema em Santos. Sim! Está acontecendo no Cineflix o Festival Varilux de Cinema Francês 2022 e estou empenhada em assistir todos os longas em exibição. Ok. Ontem, domingo, falhei e acabei não assistindo "As Aventuras de Moliére", que eu adoraria ver na telona. Por outro lado, esse é um dos filmes antigos exibido na mostra e eu tenho aqui em casa, em DVD, desde o lançamento. Menos pior, mas... perdi. Seria uma experiência diferente.

Em contrapartida, assisti filmes tocantes e que falam de recomeços e de sempre ter resiliência. como por exemplo. "Querida Léa", "Entre Rosas" e "O Próximo Passo". Aliás, nesse último eu chorei feito um bebê e levei de lição que preciso "viver as vidas que a vida dá". Lindo isso, não é?

Mas também consegui assistir filmes de tirar o fôlego de tanto suspense como "O Segredo de Madeleine Collins" e "Kopromat". Enquanto que no primeiro uma mulher mantém uma vida dupla e tudo acontece de modo surpreendente para levar a um desfecho conectado ao título, "Kopromat" faz roer as unhas, ainda mais por ser baseado em fatos reais. Esse longa também me tocou, pois é a história de um diretor da Aliança Francesa que tem a vida destruída por uma calúnia -que nunca saberá a verdadeira motivação, embora o longa destaque algumas situações.

Ah! Assisti "Golias" e o filme logo me lembrou da produção americana "Uma Voz Contra o Poder", somente pela temática e, o caso em questão, até ser mencionado na produção francesa. A verdade é que o filme dirigido por Frédéric Tellier é muito melhor e profundo. "O Mundo de Ontem" põe em pauta todos combinados que formam a base da política de um país, no casa, na França, pois a presidente quer se aposentar, mas seu sucessor não tem força para vencer.

Já "Peter Von Kant" retrata os bastidores da indústria cinematográfica a partir da vida de um diretor de cinema que pode tudo, inclusive humilhar seu ajudante, até se apaixonar por Karl. Destaco que é uma história para maiores de idade, hein! Enquanto que "King: Meu Melhor Amigo" é um filme família e cheio de aventuras -até mirabolantes- quando um leãozinho surge na vida de Inès e Alex. 

Ufa! Ainda faltam mais filmes para ver. Claro, querido diário, contarei tudinho para você. 

Beijinhos pink cintilantes e até amanhã,

Donatella Fisherburg
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.: "Damas Noir", uma investigação literária repleta de narrativas viscerais

"Damas Noir" é uma antologia de narrativas viscerais que reúne, além de contos, poemas de Margareth Atwood, uma surpreendente história ilustrada de Lisa Lim e o olhar ácido e irresistível de autoras como Valerie Matin, Lucy Taylor, Cassandra Khaw e muitas outras. Organizada pela premiada autora Joyce Carol Oates, Damas Noir nos convida a investigar universos sombrios, descentralizando as figuras masculinas e abrindo espaço para que outras vozes, outros olhares e outros corpos também possam ser representados.


Existe um noir feminino? Foi a partir desta pergunta que a consagrada autora Joyce Carol Oates idealizou uma jornada literária pela paisagem sombria do noir, convocando 15 vozes poderosas em busca de uma resposta. O resultado é "Damas Noir", uma coletânea de narrativas viscerais publicada no Brasil pela Darkside Books que reúne, além de contos, poemas de Margaret Atwood, uma história ilustrada de Lisa Lim e o olhar ácido e irresistível de autoras como Valerie Matin, Lucy Taylor, Cassandra Khaw e muitas outras.

Cada uma das autoras traz seu próprio ponto de vista sobre o gênero, mas o noir feminino revela algo em comum: ele surge cruel, assustador, eletrizante e sanguinolento. Em "Damas Noir", as engrenagens da ficção de crime deixam de girar em torno do eixo patriarcal, que com frequência reduz personagens femininas ao papel de vítimas ou mulheres fatais e as relega à margem de uma existência circunscrita ao domínio masculino.

Dividido em três partes, "Damas Noir" convida o leitor a perscrutar universos intrigantes: "Seus Corpos, Nossos Eus"; "Um Infortúnio Todo Seu" e, por fim, "Homicídio". Ao investigarem novas ideias sobre o noir, as autoras descentralizam as figuras masculinas e abrem espaço para que outras vozes, outros olhares e outros corpos também possam ser representados.

Publicado pela marca Crime Scene Fiction, que traz o melhor do true crime na ficção, "Damas Noir" é uma coletânea para todos os interessados nas vozes mais inspiradas e inovadoras da ficção de crime. Mais do que um livro no qual mulheres fortes e corajosas viram o jogo e recriam as regras, ele é uma celebração dos caminhos da autonomia feminina. Mais sobre o livro neste link.


.: Maracujá Laboratório de Artes estreia peça adulta "Vacamundi"

Com direção de Sidnei Caria, espetáculo cômico-musical inspirado nos quadrinhos de Michele Iacocca narra a jornada épica-histórica de parasitas desbravadores que conquistam e ocupam um território não-civilizado: o corpo de uma vaca. Foto: divulgação. 

O Maracujá Laboratório de Artes estreia o espetáculo adulto "Vacamundi", que marca a quarta parceria da companhia com o premiado autor e ilustrador Michele Iacocca. A peça tem seis apresentações gratuitas ao ar livre nos Teatros Arthur Azevedo, Paulo Eiró e Alfredo Mesquita, entre os dias 2 e 17 de julho, sempre aos sábados e domingos, às 17h. A direção é de Sidnei Caria, que também está no elenco ao lado de Dani Theller, Lucas Luciano, Luiã Borges, Nayara Konno e Silas Caria.

Diferentemente das peças anteriores em parceria com Michele Iacocca ("As Aventuras de Bambolina", "Rabisco - Um Cachorro Perfeito" e "Nerina, a Ovelha Negra"), que adaptavam livros infantis sem palavras, desta vez, o grupo transpõe para o teatro uma história voltada para os públicos jovem e adulto.

"Vacamundi" é uma sátira em formato de cartum que discute o comportamento destrutivo do homem consigo mesmo e com a natureza, ao retratar parasitas que se propõem a invadir e colonizar uma vaca. O nome da peça é, segundo o próprio autor, uma espécie de trocadilho com o termo “mapa mundi”, deixando bem claro que os parasitas não estão só na vaca, mas ocupam todos os recantos do planeta Terra.

Publicado pela primeira vez em 1984, o livro tem como protagonistas diversos parasitas - endos, ectos e etc. - que se encontram no processo de colonização de uma vaca. E, apesar de seus quase 40 anos, a obra se mantém bastante atual, pois explora diversas situações relacionadas à finitude de nossos recursos naturais e sua utilização de forma descontrolada. Prova disso é que o quadrinho acaba de ser relançado pela editora Faria e Silva sem praticamente nenhuma atualização.

Para contar essa história, o Maracujá criou um espetáculo cômico-musical adulto, partindo da principal característica de seus outros trabalhos: a plasticidade visual. O grupo explora os traços do cartunista na criação de bonecos de manipulação direta e adereços cenográficos. Além disso, incluir no processo de criação outros elementos já pesquisados pelos artistas, como o teatro físico e a música ao vivo.

Inspirado pelo teatro de revista, o diretor Sidnei Caria criou várias canções originais que retratam de forma irônica aspectos diversos desse processo de colonização, com arranjos instrumentais feitos por Luiã Borges e arranjos vocais criados por Yasmin Olí. Tudo isso é cantado e tocado ao vivo (com instrumentos como violão, acordeon, teclado e percussão) pelo elenco.

Em cena, os artistas ainda se revezam para interpretar os diversos personagens dessa “saga nada heroica”, como o chefe do bando, os parasitas enamorados e os sugadores e mordedores. Completando a composição destes parasitas, os figurinos de Luciano Ferrari propõem uma releitura dos personagens desenhados pelo cartunista, trazendo texturas, cores e desenhos que auxiliam na construção da fisicalidade e comicidades propostas pelo diretor e adaptador do texto.

O espetáculo foi contemplado pelo ProAC 01/2021 de Produção e Temporada de Espetáculos Inéditos de Teatro, realizado pelo Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Economia Criativa. 


Sinopse
Baseado na obra de Michele Iacocca, o espetáculo "Vacamundi" conta a jornada épica-histórica da conquista e ocupação, por “valentes” parasitas desbravadores, de um “território não-civilizado”: uma vaca. Para contar essa saga, o Maracujá Laboratório de Artes criou um espetáculo cômico-musical que mostra, de forma irônica, os parasitas que ocupam não só a vaca, mas o nosso planeta Terra.


Ficha técnica
Espetáculo: "Vacamundi"
Baseado no livro em quadrinhos do autor 
Michele Iacocca
Adaptação, concepção e direção:
Sidnei Caria
Assistente de direção: Lucas Luciano
Elenco: Dani Theller, Lucas Luciano, Luiã Borges, Nayara Konno, Sidnei Caria e Silas Caria
Direção musical: Sidnei Caria
Trilha sonora e arranjos instrumentais: Luiã Borges
Preparação vocal e arranjos vocais: Yasmin Olí
Músicas: Sidnei Caria
Técnico de som: Edézio Aragão
Preparação Corporal (oficina de Commedia Dell’Arte): Lucas Luciano
Direção de arte e cenografia: Sidnei Caria
Equipe de confecção de cenografia, bonecos e adereços cenográficos:
Sidnei Caria, Lucas Luciano, João Caria e Silas Caria
Figurinos e adereços: Luciano Ferrari
Confecção de adereços: Tetê Ribeiro
Coordenação de produção, administração e design gráfico: Camila Ivo
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Fotografias: Cacá Diniz e Maracujá Laboratório de Artes
Ilustrações: Michele Iacocca
Realização: Maracujá Laboratório de Artes (Laboratório de Artes Produções)
Espetáculo contemplado com o ProAC 01/2021, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo.


Serviço
"Vacamundi", do Maracujá Laboratório de Artes
Ingressos:
grátis, distribuídos uma hora antes de cada apresentação
Duração: 75 minutos
Classificação: não recomendado para menores de 10 anos

Teatro Arthur Azevedo - Área externa
Apresentações:
2 e 3 de julho, no sábado e no domingo, às 17h
Avenida Paes de Barros, 955 - Alto da Mooca - São Paulo

Praça do Teatro Paulo Eiró - Área externa
Apresentações:
9 e 10 de julho, no sábado e no domingo, às 17h
Avenida Adolfo Pinheiro, 765 - Santo Amaro - São Paulo

Teatro Alfredo Mesquita - Área externa
Apresentações:
16 e 17 de julho, no sábado e no domingo, às 17h
Avenida Santos Dumont, 1770 - Santana - São Paulo


“Ninguém sabe de onde eles vieram. E eu também não quero nem saber. Pra mim seria bem melhor se eles nem chegassem a nascer. Tantas estrelas salpicadas no céu, cheias de brilho e cores... Será então que eu sou a única com sete bilhões de sugadores? Não finja que não é com você, nem tente disfarçar. O parasita é só uma imagem mas é de vocês que agora eu vou falar!”

                   (Trecho de abertura da música “A Terra Conta”, abertura do espetáculo Vacamundi)


.: "Alice - O Musical" em apresentação extra no Teatro Fernando Torres

O espetáculo "Alice - O Musical", devido ao grande sucesso no dia 2 de julho no Teatro Fernando Torres acontecerá uma sessão extra. A peça tem direção geral de Max Oliveira e no elenco Alex Alves, João Hespanholeto, Pedro Nasser e Sophie Dalamanco

Devido ao grande sucesso, "Alice - O Musical", uma montagem da Voir Produções e Despertar Produções, fará uma nova apresentação, no dia 2 de julho no Teatro Fernando Torres. O espetáculo comemora em 2022 nove anos em cartaz desde a sua estreia e já foi visto por mais de 50 mil espectadores.

Há 157 anos, Charles Lutwide Dodson, sob o pseudônimo de Lewis Carrol publicava o livro "Alice no País das Maravilhas", que viria a ser um dos maiores clássicos da literatura infantil, com diversas adaptações de sucesso para o cinema.

Na montagem Alice está crescida e entediada em seu quarto, até que resolve ler um livro para se distrair. De repente, a ficção das páginas vira realidade e a velha estante da família deixa escapar fantásticas criaturas que transformam o quarto de Alice em um país das maravilhas. Entre os questionamentos da puberdade e os anseios de envelhecer para ser “dona de seu próprio nariz”, ela passa a viver grandes aventuras ao lado do Chapeleiro Maluco, o Gato Sorridente e a Rainha de Copas. 

O espetáculo apresenta efeitos especiais que vão desde a criação de uma Alice gigante em cena, até o surgimento de um gato brilhante na mesma proporção; números musicais (interpretados ao vivo) contam ainda com coreografias acrobáticas, além da manipulação de bonecos, como a Lagarta fumante (que, na versão, aparece apenas com uma tosse intensa e problemas de memória) e um papagaio e um urubu, feitos à base de guarda-chuvas.

Ficha técnica:
Espetáculo:
"Alice - O Musical"
Direção geral: Max Oliveira
Direção residente e letras: Fernando Marianno
Elenco: Sophie Dalamanco, Pedro Nasser, Alex Alves e João Hespanholeto;
Operador de Som: Eduardo Gabriel
Operador de Luz: Isaias Neri
Composição musical e arranjos: Elton Towersey
Trilha sonora: Guilherme Góes
Voz em off: Paula Capovilla (mãe) e Claudio Galvan (gato)
Figurinos: Jota Produções
Execução de Cenografia: Gabriel Gombossy
Assistente de Produção: Jack Viana
Redes Sociais: Victor Grega
Assessoria de imprensa: Fabio Camara
Coordenador de Produção: Jardel Romão
Realização e Produção: Voir Produções e Despertar Produções 


Serviço:
Espetáculo: 
"Alice - O Musical"
Local: Teatro Fernando Torres
Endereço: rua Padre Estevão Pernet, 588 - Tatuapé. Próximo às estações de Metro Tatuapé e Carrão 
Data: sábado, dia 2, às 16h
Ingressos: R$ 60 (inteira) R$ 30 (meia-entrada). 685 lugares
Informações: (11) 2227-1025
Vendas pela internet: https://bileto.sympla.com.br/event/74006/d/145667/s/952748
Duração: 60 minutos
Classificação: livre, indicado para maiores de cinco anos

domingo, 26 de junho de 2022

.: Crítica: "Golias" é filme-denúncia que não romancea jogo de interesses

Por: Mary Ellen Farias dos Santos

Em junho de 2022 


Uma professora de educação física chamada France (Emmanuelle Bercot) e a viúva agricultora Lucie (Chloé Stefani) têm um problema em comum no filme "Golias", produção francesa do Festival Varilux, em cartaz no Cineflix. O longa dirigido por Frédéric Tellier mergulha por meandros delicados que retratam o bem e o mal de uma realidade que se faz presente em todo o mundo. De um lado o objetivo de produzir em larga escala para lucrar mais, na base do custe o que custar, do outro, pessoas morrendo de câncer e mulheres gerando crianças com deformidades.

"Golias" confirma o título ao retratar o enfrentando de pessoas comuns com uma gigante de um conglomerado econômico, produtora de pesticidas. Assim, o público é levado ao tribunal quando há um julgamento sobre o efeito do uso deliberado de agrotóxicos nas plantações. Para o azar de Lucie, viúva de Margot, vítima de câncer em consequência do uso constante do pesticida que atinge tanto lavradores quanto moradores das proximidades. 

Ainda que o filme deixe claro ser uma obra ficcional, "Golias" é nitidamente uma denúncia de uma realidade mundial. Vale lembrar que, só no Brasil, Bolsonaro liberou 1.629 agrotóxicos em 1.158 dias de governo. Entretanto, Frédéric Tellier é ferrenho ao colocar o dedo na ferida e abri-la sem dó e trazer para debate as consequências assombrosas dos agrotóxicos. Tanto é que pouco depois do início, a viúva Lucie não consegue mais lidar com a falta de punição da gigante do pesticida cancerígeno e comete um ato desesperador.

O filme-denúncia francês também remete ao americano "Uma Voz Contra o Poder" protagonizado por Christopher Walken, mais focado ao personagem que quase perde tudo para um gigante agroquímico. A produção inspirada no caso do agricultor canadense Percy Schmeiser também leva originalmente o nome "Golias". Enquanto que o americano é "Percy vs Goliath", o francês foi batizado de "Goliath".

A produção de Frédéric Tellier é completa, pois foca no problema e suas causas, fazendo com os personagens desenvolvam os meandros e o aprofundem. Para tanto, entram em cena diversos personagens. Um advogado inescrupuloso, criador de fake news, em defesa da gigante, Mathias. Outro advogado, especialista em direito ambiental e endividado, que ingressa na causa por Lucie, mas consegue ir além, Patrick. Uma professora que trabalha à noite para complementar a renda, sendo também ativista contra o uso de pesticidas, France. 

Entretanto, há uma luz no fim do túnel quando Vanec (Jacques Perrin, de "Cinema Paradiso" e "A Voz do Coração" falecido em 21 de abril de 2022) entra em cena, durante um voo. "Golias" une drama e suspense na medida exata, além da cruel realidade que precisa ser mais tratada e não abafada. Filmaço imperdível! 

Em parceria com a rede Cineflix Cinemas, o Resenhando.com assiste aos filmes em Santos, no primeiro andar do Miramar Shopping. O Cineclube do Cineflix traz uma série de vantagens, entre elas ir ao cinema com acompanhante quantas vezes quiser - uma oportunidade para qualquer cinéfilo. Além disso, o Cinema traz uma série de projetos, que você pode conferir neste link.


Filme: "Golias" ("Goliath")

Diretor: Frédéric Tellier

Duração: 2h02

Gênero: drama, suspense

Classificação: 14 anos

Distribuidora: Bonfilm

Elenco: Emmanuelle Bercot (France), Jacques Perrin (Vanec), Gilles Lellouche (Patrick), Laurent Stocker (Paul), Marie Gillain (Audrey), Chloé Stefani (Lucie) 


Mary Ellen Farias dos Santos, editora do site cultural www.resenhando.com. É jornalista, professora e roteirista. Twitter: @maryellenfsm

Trailer










.: Entrevista: Janaron Uhãy: "Não estou torcendo para ninguém"

Participante indígena do povo Pataxó se destacou no programa "No Limite" pela habilidade nas provas, mas deixou o reality na última terça. Foto: Globo / Fábio Rocha

As habilidades nas provas do "No Limite" surpreenderam: Janaron Uhãy se destacou não só pela força e determinação, mas também pela tranquilidade que demonstrava em momentos de grande tensão. O competidor virou destaque dentro e fora do reality show, chegando a ser um dos favoritos ao prêmio pelos fãs, mas acabou não se saindo tão bem no jogo social, já que deixou de fazer alianças fortes o suficiente para formar maioria em um portal.

Com a união das tribos no programa e o início da dinâmica individual, Janaron se tornou um alvo fácil e terminou eliminado pelos seus companheiros. Na entrevista a seguir, o participante explica a sua estratégia e a escolha de fazer um jogo mais introspectivo. Ele também comenta a mudança de tribos e repercute o carinho que vem recebendo nas redes sociais. 

 
Você foi um dos participantes que mais movimentou torcida nas redes sociais ao longo da temporada. Agora aqui fora, foi surpreendido ou já imaginava que seria um dos favoritos do público?
Janaron Uhãy -
Eu não imaginava essa proporção imensa de ser o favorito ao prêmio nas redes. Eu fui tão surpreendido ao chegar aqui fora e ver essa repercussão, a grandeza com que o povo me acolheu e me considerou um vencedor, não só com o meu povo pataxó, mas também entre outros povos indígenas e as pessoas de todo o Brasil. Fiquei muito surpreendido de ver isso tudo, essa maravilha, acolhimento, carinho e amor. 
  

Algo muito comentado ao longo da sua participação foi a representatividade indígena que você trouxe. Na sua visão, qual a importância disso? 
Janaron Uhãy - 
Eu, como representante do meu povo pataxó, acho que a maior importância é ver a história sendo contada por nós, indígenas. Para mim, é muito importante estar em rede nacional falando um pouco da nossa cultura, mostrar a pintura. O meu povo e outros povos sofreram, foram esquecidos. E ter a oportunidade de levar essa representatividade foi importante para ajudar a quebrar paradigmas. Foi uma descolonização, muito importante para a cultura e para mostrar a história sendo contada pelo indígena. 


Você tinha muitas habilidades que eram importantíssimas nas provas e se destacou em vários momentos. Quais você avalia como os seus pontos fortes e fracos no jogo?
Janaron Uhãy - Dentre os meus pontos fortes, vejo alguns que mais predominam: natação, força, agilidade e tranquilidade. Acho que a tranquilidade foi um ponto muito forte e que fez muita diferença no jogo. Nos pontos fracos, acho que talvez eu precisasse ter formado uma aliança. Não vejo como um ponto fraco, mas faltou uma desenvoltura no programa. 


Apesar de ir muito bem nas provas, você mencionou que deixou a desejar no jogo social, no acampamento. Ser mais observador era uma estratégia?
Janaron Uhãy - 
O meu jogo era eu comigo mesmo. Depois, quando tive noção de que eu precisaria fazer aliança, era tarde, não tive como reverter.


Qual era a sua estratégia no jogo?
Janaron Uhãy - 
A minha estratégia era simplesmente fazer acontecer e ficar na minha, tentar me manter bem, cuidar do meu emocional, não deixar os outros participantes me atingirem. Eu tentei me manter forte mentalmente e cumprir na hora das provas. Manter bem a minha mente para o meu físico poder fazer nas provas. Mas não foi suficiente porque faltou o jogo social. Acho que o meu erro foi esse. 
  

Você foi um dos participantes que trocou de tribo, saiu da tribo Lua e foi para a Sol. Que diferenças sentiu? 
Janaron Uhãy - 
Quando aconteceu a troca, foi um momento do jogo em que me senti acolhido, muito bem, fiquei em paz ali. E nesse sentido, com o enredo que estava acontecendo, eu já estava satisfeito de ter chegado até ali.


O que mudou no seu jogo a partir dessa troca?
Janaron Uhãy - 
Mudou a minha mente. Se eu saísse depois da troca, eu já estava em paz, tranquilo e satisfeito de chegar até o ponto que cheguei. 
 

Você tentou uma aliança com os meninos na tribo Estrela aos “45 minutos do segundo tempo”, mas não foi o suficiente para se salvar. Agora eliminado, você se arrepende de não ter feito alianças mais cedo no jogo?
Janaron Uhãy - 
Realmente, tentei fazer para que eu continuasse no jogo. Não me arrependo, se fosse diferente talvez eu não teria seguido os meus princípios. O social prejudicou, sim, poderia ter ficado mais se tivesse chegado nas panelinhas, mas o meu jogo não era esse, não seria eu, o Janaron, se eu fizesse de outra forma. 


Como foi a experiência para você, valeu a pena?
Janaron Uhãy - 
Como eu vejo a galera falando na Bahia, valeu a pena e a galinha toda. Valeu demais ter participado dessa experiência, viver isso tudo. Foi bom demais, uma maravilha. Se me chamarem de novo, eu iria. Mas seria eu mesmo, da mesma forma, não teria outra visão de jogo. Não sei o que acontece, quando tem um prêmio envolvido as pessoas mudam de personalidade. Mas eu seguiria sendo o Janaron mesmo. 

Para quem fica a sua torcida?
Janaron Uhãy - 
Na verdade, sendo sincero, vejo que eu não tenho uma torcida definida. Nesse momento, não estou torcendo para ninguém. 

"No Limite" tem exibição às terças e quintas, após "Pantanal", com apresentação de Fernando Fernandes, direção de gênero de variedades de Boninho, direção artística de LP Simonetti e direção geral de Angélica Campos. O reality é mais uma parceria da Globo com a Endemol Shine Brasil, com base no "Survivor", um formato original de sucesso. Ana Clara apresenta o "A Eliminação" aos domingos, após o "Fantástico".

.: Entrevista: Ninha Santhiago rebate as críticas: "Planta, jamais!"

Mesmo com fortes alianças, participante se viu ameaçada com a junção das tribos e foi eliminada do programa. Foto: Globo / Fábio Rocha

O jogo de Ninha Santhiago no programa "No Limite" pode ter dividido opiniões, mas uma coisa é certa: ela teve uma participação marcante e passou longe da possibilidade de ser esquecida. Deu o seu máximo nas provas e mostrou as suas habilidades e força. Ao perceber que a tribo Lua mirava seus votos nas mulheres da equipe, fortaleceu alianças e conseguiu formar maioria na tribo Sol.

Com a fusão, Ninha se viu ameaçada, tentou trazer mais pessoas para o seu grupo e lutou pela sua sobrevivência até o último segundo, mas acabou eliminada na noite da última quinta-feira, dia 23. Na entrevista a seguir, ela revela a própria estratégia na competição, comenta a aliança com as mulheres da tribo e explica o desentendimento com Pedro na reta final do reality show


Logo no início do jogo você teve a iniciativa de formar uma aliança forte com as mulheres da tribo. Por que adotou essa estratégia?
Ninha Santhiago -
Minha aliança com as meninas começou por afinidade, assim como todas as outras alianças que formei no jogo. Fico espantada com essa repercussão negativa em torno desse assunto. Os homens se unem, isso é natural, mas quando nós, mulheres, fazemos é visto de forma negativa. Triste, né? 


Ainda na tribo Sol, você e Pedro tiveram algumas rusgas e isso ficou ainda mais evidente depois que as tribos se uniram. Como você explica o que aconteceu?
Ninha Santhiago - 
Ele era líder; eu também. Ele se sentiu ameaçado e começou a criar mentiras ao meu respeito na tribo Sol para tentar trazer outras pessoas para a nova aliança, mas não conseguiu. Foi para a tribo Lua e continuou a mentir, até que chegou a hora da fusão e o momento de lavar a roupa suja. Ele teve medo e queimou a largada. 


O seu jogo dividiu opiniões, mas uma coisa é certa: foi uma participação marcante, longe de ser esquecida. Como você vê essa repercussão?
Ninha Santhiago - 
Planta, jamais! Sempre fui protagonista da minha vida e ali dentro não poderia ser diferente. Estudei o jogo antes de entrar e fui ali na intenção de ganhar o prêmio. Em relação a repercussão, é um pouco triste ver que quando uma mulher toma uma postura de ter voz ativa, é tratada como vilã, manipuladora... uma coisa ruim. Mas os homens fazem isso a todo momento e é normal. A mulher tem que ser passiva, meiga e submissa, se não, é vista desse jeito. 

 
Você se arrepende de alguma coisa?
Ninha Santhiago - 
A única coisa que, pensando aqui de fora, se eu tivesse feito seria melhor para meu jogo, é o momento em que falo para Lucas, antes da prova, que ele era nossa opção de voto. A honestidade as vezes atrapalha (risos).


Valeu a pena?
Ninha Santhiago - 
Valeu muito a pena! Não me arrependo em nenhum momento de ter me inscrito no programa. Foi incrível! 


Você se destacou em várias provas e mostrou suas habilidades. Quais você considera os seus pontos fortes e fracos?
Ninha Santhiago - 
Meus pontos fortes com certeza são agilidade e equilíbrio. E ponto fraco, sem dúvidas, é a lógica (risos). 


Você foi eliminada no dia do seu aniversário. Como foi passar por esse momento dentro do reality?
Ninha Santhiago - 
Com certeza, é um momento histórico para minha vida. Nunca vou esquecer tudo que vivi ali e o fato de sair no meu aniversário fez isso ficar ainda mais marcado. 


Que aprendizados você leva dessa experiência?
Ninha Santhiago - 
Aprendi muito a controlar minhas emoções. Sempre fui muito impulsiva e isso já me atrapalhou bastante. 


O que foi mais desafiador: as provas ou o acampamento?
Ninha Santhiago - 
O racionamento de comida (risos)! Acampo desde que me entendo por gente, mas sempre tenho o mínimo conforto. Dormir na chuva foi sinistro! 


Aqui fora, se surpreendeu com o jogo de alguém?
Ninha Santhiago - 
Não. Eu me surpreendi com algumas falas, mas não com o jogo. Matheus, por exemplo, só me enganou na questão do nome, porque para mim estava bem claro quem era ele no jogo, e por isso nunca confiei nele. 


Para quem fica a sua torcida?
Ninha Santhiago - 
Para a Déa, minha preta. 


"No Limite"
 tem exibição às terças e quintas, após "Pantanal", com apresentação de Fernando Fernandes, direção de gênero de variedades de Boninho, direção artística de LP Simonetti e direção geral de Angélica Campos. O reality é mais uma parceria da Globo com a Endemol Shine Brasil, com base no "Survivor", um formato original de sucesso. Ana Clara apresenta o "A Eliminação" aos domingos, após o "Fantástico".

.: "Wastwater", montagem inédita no Brasil, traz texto de Simon Stephens

Espetáculo sobre o desespero humano diante de situações limite traz três casais que se encontram diante de uma escolha definitiva sobre seus futuros. Foto: Fernando Vilela

"Wastwater", espetáculo do autor inglês Simon Stephens, ganhou os palcos em 2011, em Londres, e obteve boa crítica. Agora, a peça estreia no Brasil, com direção de Fernando Vilela, em temporada no Teatro Pequeno Ato, na Vila Buarque, em São Paulo.

O elenco é formado por Ariel Rodrigues, Filipe Augusto, Fernanda Paixão, Gabriela Gama, Gabriela Moraes e Shirtes Filho, que já trabalharam com o diretor em outros espetáculos, como "Tragédia: Uma Tragédia", apresentado em 2021.

A peça trata do desespero humano diante de situações limites e de como agimos nas sombras, longe dos holofotes e dos limites da sociedade. Situado ao redor do Aeroporto de Heathrow, Londres, "Wastwater" é um tríptico do instante onde três casais estão fazendo uma escolha definitiva sobre seus futuros.

Frieda e Harry, mãe e filho que têm uma relação possessiva, se encontram pela última vez antes de uma viagem sem volta. Lisa e Mark, casal de amantes, entram num jogo de sedução e limites, mas deixam transbordar dores e traumas antigos. E Sian e Jonathan, longe dos olhos de todos, estabelecem um acordo terrível e sem saída sobre um tema delicado. Assim como um tríptico, as três cenas estão interligadas.

Com essas três duplas, o autor joga luz sobre ações e desejos escondidos e provoca uma discussão sobre o que define nossos valores visíveis e ocultos e sobre como estamos cada vez mais naturalizados diante da violência cotidiana e diária. "Wastwater" é o nome do lago mais profundo da Inglaterra. E ele dá nome à peça justamente por essa dualidade entre superfície e profundeza que o autor propõe. Quem somos e nossos papéis diante dos outros são só a capa superficial que nos envolve. A crítica elogiou a montagem inglesa de 2011 por provocar uma sensação de incômodo e tratar, de maneira atraente, crises existenciais.

O texto chamou a atenção do diretor Fernando Vilela pela potência do jogo proposto em cena, mas ganhou novo sentido a partir da pandemia de covid-19, que aumentou as sensações de solidão e medo. Por isso, ele provoca o público a se questionar como nos comportamos diante de todas essas mudanças de nossa realidade. E o texto de Stephens, mesmo escrito há mais de 10 anos, escancara justamente este incômodo encontro com uma violência silenciosa que se apresenta de diversas formas.

“Como estamos vivendo com a retina sendo bombardeada a todo instante de acontecimentos trágicos? Como estamos vivendo tendo muita morte no ar? Qual a medida que estabelecemos como normal? Em meio a uma escalada brutal do número de mortes e infectados num país que não apresentou planos de controle da doença; em meio às cabeças pretas sendo pisoteadas no asfalto; em meio a protestos, em meio a tudo isso, o texto de Simon Stephens se abre para novas chaves de ressonância”, diz Vilela.

O maior desafio de Vilela na direção e montagem da peça foi adicionar essa carga de atualidade e conexão sem mudar o texto de Simons. Ele optou também por manter o nome original pelo significado que ele traz.

“O mundo mudou muito desde que conheci esse texto. Com a chegada da pandemia, as necessidades, as urgências passaram a ser outras, em escalas maiores. Mas hoje, em 2022, passado o auge da pandemia e com a retomada dos trabalhos, o desafio maior é estar em relação com esse novo mundo, com essa nova configuração - ainda que estranha - de realidade. O texto do Simon Stephens é absurdamente vertiginoso, pois ele dá contorno às perguntas ainda sem respostas. E o que importa não são as respostas e as decifrações, mas os movimentos. As tentativas de movimento. O trânsito entre a superfície e a profundeza. E o reconhecimento de si nesse lugar”, explica o diretor.

O trabalho com os atores se deu em duas partes, uma on-line e a outra presencial. O grupo leu o texto pela primeira vez em março de 2020, “uma sexta-feira, antes do mundo fechar”, conta Vivela. “Passamos dois anos, já que tínhamos tempo, discutindo, lendo muitas e muitas vezes, investigando cada passo, analisando cada frase, cada palavra. E isso ajudou muito quando fomos para o presencial. Estávamos todos muito carregados do texto, querendo testar logo as possibilidades. E a construção, o trajeto do jogo, se deu de forma mais natural, muito por conta desse período extenso de análise”, conta o diretor.

“Eu sempre espero que o nosso trabalho seja uma oportunidade de olharmos para os nossos nós, os nossos vazios, nossas questões, nossos conflitos. Talvez a gente carregue alguma resposta durante esse processo, mas com certeza a gente carrega uma tentativa de início de alguma resposta. E eu espero que a peça consiga, na sua potência máxima, ser um disparador de movimento. Não há lugares estanques. Que a gente consiga ter consciência dos cantos escuros e das tomadas de decisão”, diz Vilela.


Sobre o autor
Simon Stephens é um dos expoentes mais sólidos do cenário atual da dramaturgia inglesa. Com 51 anos, tem mais de 30 peças escritas, entre adaptações de textos clássicos e contemporâneos, como "A Casa de Bonecas", de Ibsen, e "A Gaivota, de Tchekhov", e peças que pensam o mundo atual e suas grandes questões: violência, paternidade, solidão, racismo. Seu trabalho é muito difundido na Europa e nos Estados Unidos. Venceu o prêmio Tony em 2015 com a peça "The Curious Incident of the Dog in the Night-Time".


Sobre o diretor
Fernando Vilela é diretor, designer e artista visual. Formado em atuação pelo Teatro Escola Célia Helena, em Design de Moda pelo Istituto Europeo di Design e em cinema na FAAP, Vilela ministrou aulas de Method Acting/Lee Strasberg com Estrela Straus. Dirigiu as montagens "Dolores", de Edward Allan Baker (2019); "Tape", de Stephen Belber (2019); "O Filho do Moony Não Chora", de Tennessee Williams (2018); "Os Sobreviventes", de Caio Fernando Abreu (2016); e a montagem on-line de "Tragédia: Uma Tragédia", de Will Eno (2021).


Ficha técnica:
Espetáculo: 
"Wastwater". Texto: Simon Stephens. Direção: Fernando Vilela. Elenco: Ariel Rodrigues, Filipe Augusto, Fernanda Paixão, Gabriela Gama, Gabriela Moraes e Shirtes Filho. Cenografia e direção de arte: Fernando Vilela. Iluminação: Gabryel Matos. Direção de produção: Daniele Aoki. Produção executiva: Renata Reis. Realização: FRESTA e Árvore Azul.


Serviço:
Espetáculo: 
"Wastwater"
Temporada:
de 11 de junho a 26 de junho de 2022, sábados às 20h e domingos às 19h.
De 30 de junho a 8 de julho, quintas e sextas às 21h.
Duração: 110 minutos.
Classificação etária: 16 anos.
Teatro Pequeno Ato - Rua Doutor Teodoro Baima, 78 - Vila Buarque - São Paulo
Telefone: (11) 99642-8350.
Bilheteria aberta com uma hora de antecedência. Aceita cartões.
Capacidade: 40 lugares.
Venda: Sympla (ainda sem link) e bilheteria.

.: Estreia trilha sonora do filme "Elvis", o novo filme de Baz Luhrmann


A House of Iona/RCA Records lança a tão aguardada trilha sonora de “Elvis” Original Motion Picture. O novo filme de Baz Luhrmann, a cinebiografia de Elvis Presley, é estrelado por Austin Butler e Tom Hanks, já estreou nos cinemas americanos e em breve chefga ao Brasil. A trilha sonora tem uma variedade de artistas, misturando diferentes gêneros e sons para criar algo especial ao lado do filme.

O álbum apresenta faixas de algumas das maiores estrelas – Eminem & CeeLo Green (“The King and I”), Tame Impala (“Edge of Reality - Remix”, com Elvis Presley), Stevie Nicks & Chris Isaak (“Cotton Candy Man”) e o dueto de Jack White com Elvis Presley (“Power of My Love”). Austin Butler também empresta seus vocais para “Trouble” de Elvis Presley, “Baby, Let’s Play House” e muito mais.

Da versão angelical de Kacey Musgraves de “Can't Help Falling In Love” para “Vegas” de Doja Cat que interpola a versão de ShonkaDukureh (que interpreta Big Mama Thornton no filme) de “Hound Dog” para a versão de balada rock de Måneskin da versão de “ If I Can Dream” – o álbum mistura os antigos clássicos com um toque único que traz nova vida a esses clássicos de Elvis Presley.

Em comemoração ao legado de Elvis Presley e ao próximo filme biográfico, o Spotify também está lançando um álbum aprimorado exclusivo, destacando muitas das músicas icônicas apresentadas no filme "Elvis", como “Hound Dog”, “Burning Love” e muito mais. Os fãs serão brindados com uma experiência de álbum multimídia com clipes especiais do diretor Baz Luhrmann, e os artistas de trilha sonora PNAU, Måneskin e Paravi compartilhando com os ouvintes a importância do legado musical de Elvis.

"Elvis" é um espetáculo épico de tela grande do visionário cineasta Baz Luhrmann que explora a vida e a música de Elvis Presley (Austin Butler) através do prisma de seu complicado relacionamento com seu enigmático empresário, o coronel Tom Parker (Tom Hanks). A trilha sonora apresenta o extraordinário corpo de trabalho de Elvis abrangendo os anos 1950, 60 e 70, ao mesmo tempo em que celebra suas diversas influências musicais e impacto duradouro nos artistas populares de hoje.

Você pode visitar a loja “Elvis Record Store” para ficar imerso no mundo de "Elvis", ouvindo as faixas originais do filme: https://recordstore.elvisthemusic.com. Você pode ouvir  "Elvis" Original Motion Picture Soundtrack: https://elvis.lnk.to/soundtrack.

Faixas de "Elvis" Original Motion Picture:

1 Suspicious Minds (Vocal Intro) Elvis Presley             
2 Also Sprach Zarathustra/American Trilogy Elvis Presley
3 Vegas Doja Cat                                 
4 The King And I Eminem & CeeLo Green         
5 Tupelo Shuffle Swae Lee & Diplo
6 I Got A Feelin’ In My Body (Stuart Price Remix) Elvis Presley and Stuart Price 
7 Craw-Fever Elvis Presley         
8 Don't Fly Away (PNAU Remix) Elvis Presley & PNAU
9 Can't Help Falling in Love Kacey Musgraves             
10 Product of the Ghetto Elvis Presley & Nardo Wick
11 If I Can Dream Måneskin                                               
12 Cotton Candy Land Stevie Nicks & Chris Isaak                 
13 Baby, Let's Play House Austin Butler                       
14 I'm Coming Home (Film Mix) Elvis Presley                   
15 Hound Dog Shonka Dukureh                   
16 Tutti Frutti Les Greene                               
17 Strange Things Are Happening Every Day Yola                 
18 Hound Dog Austin Butler                                             
19 Let It All Hang Out Denzel Curry             
20 Trouble Austin Butler                       
21 I Got A Feelin’ In My Body Lenesha Randolph
22 Edge of Reality (Tame Impala Remix) Elvis Presley & Tame Impala
23 Summer Kisses/In My Body Elvis Presley                   
24 ’68 Comeback Special (Medley) Elvis Presley         
25 Sometimes I Feel Like a Motherless Child Jazmine Sullivan
26 If I Can Dream Elvis Presley                       
27 Any Day Now Elvis Presley             
28 Power of My Love Elvis Presley & Jack White                 
29 Vegas Rehearsal/That's All Right Austin Butler & Elvis Presley
30 Suspicious Minds (Film Edit) Elvis Presley                 
31 Polk Salad Annie (Estreia trilha sonora do filme "ELVIS"   


sábado, 25 de junho de 2022

.: Entrevista: Meg Pedrozzo: "O amor dá liberdade de sermos quem somos"

Com produção de Vibox, cantora apresenta combinação audaciosa entre versatilidade e coração. Foto: André Bueno

Por 
Helder Moraes Miranda, editor do Resenhando. 

Artista talentosa, Meg Pedrozzo alança o EP "Pessoas São Falhas" que, ao longo de 13 minutos, percorre do R&B mais romântico ao afrobeat contemporâneo. A cantora, que gravita com facilidade entre diferentes estilos da black music, é natural do Grajaú, bairro de grande efervescência artística na zona sul de São Paulo. No EP, dirigido pelo produtor e multi-instrumentista Vibox, é possível medir o clima de romance sério e de liberdade compartamental na balada com seus temas sobre amor verdadeiro, flertes, festa e convivência.

As canções deste trabalho combinam as estéticas musicais de hoje com inúmeras referências do passado, como a clareza na voz de Meg, que optou por não fazer uso de muitos efeitos vocais para que o trabalho soasse mais orgânico, como os sons de décadas anteriores. O EP "Pessoas São Falhas" já está disponível via OneRPM. Nesta entrevista exclusiva, Meg Pedrozzo fala sobre música, trabalho e amor.


O que representa a música em sua vida?
Meg Pedrozzo - A música é a minha herança para este mundo, é a minha contribuição musical sonora, é a minha essência que viverá eternamente.


Como e quando começou a cantar?
Meg Pedrozzo - Eu comecei a cantar por volta dos 12 anos, cantava nas igrejas, depois virei baixista da igreja, depois que saí da igreja, fui cantar outros estilos até me encontrar sonoramente no grupo The Monkey’s Thc e agora trilho a carreira solo.


Pessoas são realmente falhas?
Meg Pedrozzo - Sim, não deveríamos ter aprendido sobre a história do príncipe encantado perfeito (risos). Quando se fala de amor, na minha visão, vejo que as falhas fazem parte de qualquer relação, seja afetivamente ou não, somos todes passíveis de errar, mas é importante perceber as falhas e corrigi-las.


Como se deu o processo de seleção de canções para o seu primeiro EP?
Meg Pedrozzo - A seleção ocorreu no ano de 2020 para 2021, logo no começo da pandemia. A escolha foi bem atípica mesmo, eu não pensava ainda em fazer um EP, mas fomos produzindo ao longo do período. Então, em um belo dia, sentamos e selecionamos tudo o tínhamos produzido até aquele momento, e aí sim surgiu a ideia de lançar tudo como um EP, contendo cinco faixas. Todas as faixas têm a assinatura do Vibox como produtor musical e diretor musical. E tem também a presença do Leandro Duarte, que foi fundamental para as construções das linhas de baixo.


Como foi trabalhar com Vibox?
Meg Pedrozzo - Olha, a primeira vez que eu tive contato com o Vibox, fiquei muito impactada, além da sua performance como produtor, multi-instrumentista e diretor musical. Todas as suas produções dele são de alto nível, ele sabe o que faz, domina demais essa gama de produção musical. A direção musical do Vibox foi fundamental para que esta EP brilhasse assim.


Na hora de escolher uma canção, qual é a mensagem que você prioriza?
Meg Pedrozzo - Sempre priorizo o amor, acho que todo dia a gente vê o mundo morrendo um pouco, sabe? Acredito que o amor é o sentimento que nos une, que dá liberdade de sermos quem somos.


Quem são as suas referências na música?
Meg Pedrozzo - Alcione, Péricles, Liniker, Whitney Houston, Mary J. Blige, Alicia Keys, Missy Elliott, SZA. Estes artistas possuem uma identidade musical única, muita musicalidade, é o que me chama atenção quando escuto qualquer música.


Qual é o papel da música no Brasil de hoje?
Meg Pedrozzo - O papel da música é poder representar diversas culturas, é poder compartilhar um pouco da sua arte com o próximo.


É possível viver de música no Brasil?
Meg Pedrozzo - Às vezes, sim, temos vários exemplos hoje em dia de artistas que construíram suas heranças através da música. Eu, como artista independente, precisei e preciso fazer diversos "corres" para poder lançar minhas músicas.


Para você, quais as características separam uma música boa de uma ruim?
Meg Pedrozzo - Músicas ruins são as que reproduzem o machismo, homofobia, transfobia, músicas que fazem apologia à violência feminina.


Você tem algum talento oculto? 
Meg Pedrozzo - Meu talento principal é o canto, atualmente eu estou imergindo no mundo de produção musical, quem sabe não vira um talento também (risos).


Se pudesse escolher somente uma música para ouvir para o resto da vida, qual seria?
Meg Pedrozzo - “It Hurts Like Hell”, da Aretha Franklin. É uma música que fala o quanto dói amar muito, quando você sabe que deu tudo de si e mesmo assim não deu certo, mas acima de tudo, fala sobre tentar encontrar a sua felicidade, e que às vezes precisamos deixar ir e às vezes precisamos partir.


Quem é a Meg Pedrozzo, por ela mesma?
Meg Pedrozzo - Uma artista que fala de amor e que ainda aprende todos os dias como amar, aprendiz de vida que não é fácil, através da música ela consegue compartilhar seus sentimentos e sua paixão por cantar.



.: Crítica: "O Segredo de Madeleine Collins" é um longa formidável



Por: Mary Ellen Farias dos Santos

Em junho de 2022 


"O Segredo de Madeleine Collins", filme que está nas telonas do Cineflix, no Festival Varilux de Cinema Francês, começa provocando. Ao som de chamadas no alto-falante, indicando se tratar de um shopping, conhecemos uma linda jovem que está em busca de uma roupa especial, pois a mãe lhe deu dinheiro para tal compra. No entanto, um mal-estar e um desfecho trágico é o que gera todo o drama e suspense do longa dirigido por Antoine Barraud.

Na sequência conhecemos uma loira parecida, em idade um pouco mais avançada. É Judith Fauvet (Virginie Efira, protagonista de "Adeus, Idiotas", filme do Festival Varilux de Cinema Francês de 2021). Linda, sedutora e extremamente ardilosa mantém vida dupla. De um lado é Judith com um marido maestro e mãe de dois meninos, um já adolescente. Do outro, é Margot, relacionando-se com um homem mais jovem que ela, Quim Gutiérrez (Abdel Soriano), assim como a linda menininha, Ninon. 

Judith mantém um jogo de mentiras sem que o marido se dê conta, afinal, a ocupação dele o faz viajar bastante. Assim, como a própria que participa de conferencias como tradutora. Contudo, ela é colocada contra a parede quando o filho adolescente ouve o fim de uma conversa com a declaração de amor da mãe. 

Todavia, o segredo da protagonista vai além da vida dupla e trabalha com a tensão a ponto de fazer roer as unhas. O longa dirigido por Antoine Barraud é brilhante, pois começa como um drama, mas, a partir da metade, apresenta revelações em sequência, imprimindo muito suspense na telona. E como toda produção excelente francesa, segue um rumo totalmente inesperado e um desfecho formidável -o que conecta a produção ao título. Imperdível!



Em parceria com a rede Cineflix Cinemas, o Resenhando.com assiste aos filmes em Santos, no primeiro andar do Miramar Shopping. O Cineclube do Cineflix traz uma série de vantagens, entre elas ir ao cinema com acompanhante quantas vezes quiser - uma oportunidade para qualquer cinéfilo. Além disso, o Cinema traz uma série de projetos, que você pode conferir neste link.



Filme: "O Segredo de Madeleine Collins"

Diretor: Antoine Barraud

Duração: 1h 42m

Elenco: Virginie Efira (Judith Fauvet), Quim Gutiérrez (Abdel Soriano), Jacqueline Bisset (Patty), Valérie Donzelli (Madeleine Reynal)


Mary Ellen Farias dos Santos, editora do site cultural www.resenhando.com. É jornalista, professora e roteirista. Twitter: @maryellenfsm

Trailer






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