sábado, 7 de fevereiro de 2026

.: Finalista do Jabuti, romance resgata história do segundo teatro do Brasil


O romance “A Casa da Ópera de Manoel Luiz”, do escritor carioca Celso Tádhei, mescla ficção, história e reflexão artística. Finalista do Prêmio Jabuti 2025 na categoria Romance de Entretenimento, o livro resgata a memória do segundo teatro em atividade no Brasil, fundado no Rio de Janeiro do século XVIII, e de seu idealizador, o português Manoel Luiz Ferreira. No livro publicado pela Editora Mondru, com uma narrativa ágil e repleta de humor, Celso recria um período pouco explorado da cultura brasileira, trazendo à tona dilemas artísticos que permanecem atuais. Celso trabalhou por 23 anos na Rede Globo, onde foi roteirista-chefe de programas como “Zorra” (indicado ao Emmy Internacional) e “Isso É Muito a Minha Vida", com Paulo Vieira.

A obra se constrói a partir de uma premissa metalinguística: o próprio autor, assombrado pelo fantasma de Manoel Luiz, narra as peripécias do empresário e de sua trupe, composta em grande parte por artistas negros e mestiços, em meio aos bastidores do poder colonial. “Este livro já foi peça, roteiro de cinema e script de radioteatro. E também não foi nada disso, sem deixar de sê-lo”, revela o autor em um trecho que sintetiza o caráter labiríntico e inventivo da narrativa.

Entre cenas de bastidores, improvisos cômicos, intrigas palacianas e a relação com figuras como o Vice-Rei Lavradio e a cantora Lapinha, o romance aborda temas como a arte como resistência, o nascimento de uma cultura brasileira mestiça e o eterno dilema entre criação artística e sobrevivência financeira. “A arte como espaço onde a vida se expande para além do que é imposto, revelando ao criador e a quem assiste a dignidade de sua própria expressão”, define.

Celso Tádhei, carioca de Laranjeiras, traz em sua bagagem mais de duas décadas como roteirista na TV Globo, onde foi responsável por programas como “Zorra” (indicado ao Emmy Internacional) e “Os Caras de Pau”, além de peças teatrais e filmes. Essa experiência com a comédia e a dramaturgia transparece no ritmo do romance, estruturado em capítulos curtos e digressivos, que misturam pesquisa histórica, ironia e um olhar afetuoso sobre os personagens.

“Meu estilo é despojado, porém com um cuidado imenso com as palavras. A proposta foi bagunçar o fluxo narrativo para provocar um certo devaneio que tem tudo a ver com a estupefação do ato criativo”, comenta. O livro dialoga com influências que vão de Mário de Andrade e Machado de Assis até o humor de Kurt Vonnegut e a prosa fragmentada de Márcio Souza.

Além de entreter, a obra cumpre um papel de resgate histórico. Personagens como a cantora Lapinha, o ator João dos Reis e o compositor Padre José Maurício ganham vida nas páginas, lembrando que a cena artística colonial era vibrante e plural, ainda que muitas vezes apagada pelos registros oficiais. “Manoel e, principalmente, tantos artistas brasileiros foram apagados da história da arte nacional. Está mais do que na hora de mudar isso”, reflete o autor.

O processo de escrita, que durou cerca de dois anos, foi marcado por uma virada criativa quando Celso decidiu incluir a si mesmo como personagem, lidando com as dúvidas da pesquisa e a pressão do “fantasma” de Manoel Luiz. “Isso não foi apenas libertador como iluminou o livro inteiro”, afirma. O resultado é um romance que, sem abrir mão do entretenimento, convida o leitor a refletir sobre as raízes da cultura nacional e os desafios perenes da criação artística. Compre o romance “A Casa da Ópera de Manoel Luiz”, de Celso Tádhei, neste link. 


Sobre o autor
Celso Tádhei é roteirista, escritor e professor, com formação em Artes Cênicas pela UNIRIO. Trabalhou por 23 anos na Rede Globo, onde foi roteirista-chefe de programas como “Zorra” (indicado ao Emmy Internacional) e escreveu clássicos como Sítio do Pica-Pau Amarelo" e "Chico Anysio - Cartão de Visitas". É autor de peças teatrais como “O Alienista” (Prêmio Cenym de Melhor Texto Adaptado) e “O Baterista”, além de de filmes como “Os Caras de Pau e o Misterioso Roubo do Anel”. Um dos fundadores da Escola de Roteiro Levante 42, ministra oficinas de escrita criativa e dramaturgia. “A Casa da Ópera de Manoel Luiz” é seu primeiro romance, finalista do Prêmio Jabuti 2025.

.: Mostra "Leonardo Finotti - São Paulo, Multiplicidade" na CAIXA Cultural SP


Mostra reúne séries fotográficas sobre a capital paulista e explora arquitetura, cidade e modos de habitar, com curadoria de Agnaldo Farias. Exposição reúne obras de dez séries do fotógrafo ao longo da carreira do artista. Foto: Leonardo Finotti / necropoli[s]tics


Em cartaz na A CAIXA Cultural São Paulo a exposição "Leonardo Finotti - São Paulo, Multiplicidade", que permanece aberta ao público até 26 de abril, de terça a domingo. A mostra apresenta um panorama da trajetória do fotógrafo e arquiteto Leonardo Finotti, reconhecido internacionalmente por seu olhar sobre arquitetura e espaço urbano. Com curadoria de Agnaldo Farias, a exposição ocupa as galerias D. Pedro II e Neuter Michelon, no edifício da Praça da Sé.

A exposição reúne dez séries produzidas pelo artista ao longo da carreira, com foco especial na capital paulista: são paulo vertical, habitar mendes da rocha, marketscapes, necropoli[s]tics, pelada, re:favela, latinitudes, diálogos tropicais, verAcidade e brutiful. A seleção destaca a interação entre arquitetura, memória urbana e formas de ocupação contemporâneas, explorando diferentes suportes e modos de exibição.

A exposição integra as iniciativas culturais apoiadas pela CAIXA, voltadas à ampliação do acesso democrático à arte brasileira e às reflexões sobre a cidade, a arquitetura e a vida coletiva. Ainda na temática urbana, em março, está previsto o projeto Solidão Coletiva, de Julio Bittencourt. A partir de fotografias, vídeos e esculturas, o artista aborda temas como aprisionamento, anonimato e solidão na vida urbana contemporânea.

Ao longo de 2026, a CAIXA Cultural São Paulo receberá exposições de diversas temáticas e linguagens, aprovadas no último edital de seleção. Entre os destaques estão trabalhos como os de Milton Dacosta e o tradicional concurso de fotojornalismo World Press Photo.

 
Sobre Leonardo Finotti
Nascido em Uberlândia (MG) em 1977, Leonardo Finotti é formado em Arquitetura pela Universidade Federal de Uberlândia e construiu carreira com forte atuação no Brasil, Europa e América Latina. Colaborou com arquitetos como Paulo Mendes da Rocha, Álvaro Siza, Oscar Niemeyer, Souto de Moura, Aires Mateus e Isay Weinfeld, com obras publicadas e expostas no Brasil e exterior. Desde 2008, o artista está baseado em São Paulo, onde mantém seu estúdio e desenvolve projetos autorais e comissionados ligados à arquitetura moderna e contemporânea.

 
Sobre Agnaldo Farias
Agnaldo Farias é professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e referência nacional em pesquisa e curadoria de arte e arquitetura contemporâneas. Foi curador de bienais no Brasil e no exterior, além de exposições em grandes museus, como o Instituto Tomie Ohtake, o MAM Rio e o Museu Oscar Niemeyer.


Serviço
Exposição "Leonardo Finotti - São Paulo, Multiplicidade"

CAIXA Cultural São Paulo – Praça da Sé, 111, Centro, São Paulo
Visitação: de 7 de fevereiro a 26 de abril de 2026 – de terça a domingo
Horário: Disponível no site da CAIXA Cultural São Paulo CAIXA Cultural São Paulo
Classificação indicativa: livre para todos os públicos
Informações: (11) 3321-4400 e @caixaculturalsp
Patrocínio: CAIXA e Governo do Brasil
Acesso para pessoas com deficiência

.: Editora Contexto traz ao Brasil livro sobre a cultura do autocuidado


Na próxima terça-feira, dia 10 de fevereiro, chega ao Brasil, pela Editora Contexto, o livro "O Culto do Bem-estar"fruto de ampla investigação da jornalista americana Rina Raphael, que já recebeu destaque em veículos como The New York Times, The Guardian e The Wall Street Journals. A obra investiga a cultura do autocuidado e os limites de um fenômeno sustentado por uma indústria global que movimenta trilhões de dólares.

Resultado de uma ampla apuração, o livro questiona a lógica que apresenta práticas individuais, rituais e protocolos como respostas suficientes para questões complexas de saúde mental e qualidade de vida. Com atenção especial à experiência feminina, Raphael mostra como as mulheres se tornaram o principal alvo de um mercado que transforma vulnerabilidade em falha pessoal.

Publicado originalmente nos Estados Unidos, O culto do bem-estar recebeu destaque em veículos como The New York Times, The Guardian e The Wall Street Journal. A edição brasileira traz prefácio da psicóloga e pesquisadora Ilana Pinsky, que aproxima o debate da realidade nacional. Compre o livro "O Culto do Bem-estar", de Rina Raphael, neste link.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

.: Entrevista com Leon Carvalho, da banda Gatos Feios: bons de rock


Luiz Gomes Otero
, jornalista e crítico cultural. Foto: Pri Nakano

Desde os anos 60, São Paulo rem revelado talentos na seara do rock. Desde Mutantes, Rita Lee e Made In Brazil, passando por outros nos anos 80, como Ira, Titãs e Ultraje a Rigor, o rock sempre se mostrou presente, de alguma forma. E a dinastia roqueira continua com os novos grupos que biuscam seu lugar ao sol, com a banda paulista Gatos Feios, que mesclam uma mistura de rock inocente da jovem guarda com pitadas fortes de punk rock californiano representado pelo Green Day. 

E a receita vem encontrando seu espaço nos cenários alternativos, muito embora o desejo dos integrantes seja alcançar o tão sonhado mainstream. Em entrevista para o Resenhando, o vocalista Leon Carvalho conta como foi elaborado o projeto para preparar o primeiro álbum, Eu Sou Produto, que está tendo disponibilizado suas faixas nas plataformas de streaming. “São Paulo sempre foi um celeiro de bandas de rock”.


Resenhando.com - Na sua opinião, o que levou o Estado de São Paulo a revelar tanta banda de rock?
Leon Carvalho - Se você parar para pensar, São Paulo sempre esteve na vanguarda do rock. Onde eram gravados os programas da Jovem Guarda? Aquii em São Paulo. Eu sempre curti muito rock nacional dos anos 80 e novamente surgiram bandas paulistas que seguem  até hoje. Eu acho que São Paulo sempre foi um grande celeiro de bandas de rock.


Resenhando.com - Comlo está sendo a gravação do primeiro álbum de músicas autorais?
Leon Carvalho - Tem sido tudo muito pensado, com o pé no chão. Vamos lançando os singles de forma “homeopática”. Temos ideia de disponibilizar em todas as plataformas digitais, Se der, vamos fazer uma tiragem pequena de discos físicos, porque o público sempre costuma pedir algo assim para poder atender essa demanda.


Resenhando.com - Como funciona o processo de produção musical da banda?
Leon Carvalho - Eu concentro a produção das canções  a partir de violão e voz. Aliás poderíamos até fazer um disco acústico porque as canções nascem dessa forma. Os demis integrantes contribuem na elaboração do arranjo e sugerindo alguma frase ou palavra diferente que se encaixw na canção. As letras destacam cenas do nosso cotidiano.


Resenhando.com - Quais foram as principais influências musicaus da banda?
Leon Carvalho - Com certeza vice encontra toques de Jovem Guardfa e o rock dos anos 50 e 60. Mas temos muita influência do punk rock. Eu sempre gostei muito do rock dos anos 80, representado por nomes como Cazuza, Legião Urbana e Titãs. E não posso deiar de mencionar o Green Day como outra referência importante.


Resenhando.com - Como estão os planos para divulgar esse novo trabalho?
Leon Carvalho - Estamos finalizando uma agende de shows. Se tudo der certo, Santos deve estar no roteiro dessas apresentações.

"Bruxa"

"Nome ou Religião"

"Quero que Vá Tudo pro Inferno"

.: #VivoLendo: "50 Poemas Escolhidos Pelo Autor", de Flávio Viegas Amoreira



quando a palavra goza

Por Vieira Vivo, escritor e ativista cultural.

Um caudaloso, lascivo e camaleônico oceano fonético onde os versos estalam em vagas, vagidos e vertentes. Um universo marítimo cromático e sonoro, asperamente solícito e convidativo à amplitude do mergulho. O poeta se faz mar e nele os tesouros poéticos emergem e desnudam conceitos, desejos, referências e reverências. A relevante coletânea "50 Poemas Escolhidos Pelo Autor", de Flávio Viegas Amoreira, publicada por Cloé Editora nos revela infinitos ângulos multifacetados de um manancial inesgotável detectados pelo prisma evolutivo de constante aprimoramento. Seguindo a orientação de Kavafis, Viegas perscruta infatigavelmente seu quadrante oceânico interior, e qual etéreo escafandrista, nele descobre, resgata e nos oferece abundantes relíquias, conjecturas, influências, ferramentas, memórias e espelhos.

A presença constante, em seus escritos, de citações respeitosas a inúmeros poetas, músicos e pintores de diferentes períodos, vem enaltecer influências e aprendizado e nos remeter a um complexo e generoso caleidoscópio cultural a enriquecer o teor temático de cada poema. Além de envolver furtivamente cada texto escolhido em uma atmosfera de serena e difusa lascívia através da qual um erotismo velado envolve e sustenta preciosamente o viés abrangente e libertário do poeta.

Em destaque, na coletânea, dois longos poemas em homenagem à São Paulo. De mãos dadas com Piva e Willer, Flávio transita por becos noturnos, ambientes obscuros, parques, avenidas e contrastes sociais, qual um guia obcecado por alternativas marginais, entre a fauna urbana e seus ambientes repletos de desejos explosivos em meio ao concreto frio das esquinas e aos literais avessos da complexidade antropofágica paulistana.

Em um relevante posfácio analítico, Ademir Demarchi complementa a edição com um preciso tratado sobre a trajetória poética de Flávio Viegas Amoreira e sua original e complexa obra autoral onde segundo seus versos todo o mistério visível só é perceptível na poesia.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

.: Semana do Cinema no Cineflix oferece filmes a R$ 12,00


A Semana do Cinema acontece de 5 a 11 de fevereiro na Rede Cineflix Cinemas, com unidades participantes em Santos, oferecendo ao público uma oportunidade imperdível de assistir a grandes produções por preços promocionais. Durante o período, os ingressos para qualquer filme em cartaz custam apenas R$ 12,00, incluindo salas VIP e sessões em 3D. Já o combo médio duplo sai por R$ 29,90, tornando a experiência ainda mais acessível para quem não abre mão da pipoca e do refrigerante.

A promoção é válida para todos os filmes em exibição no período, com exceção do documentário musical "Stray Kids: The dominATE Experience". Não é necessário apresentar nenhum tipo de documento para garantir o valor promocional. Vale destacar que a oferta não é cumulativa e, para compras realizadas online, podem ser aplicadas taxas adicionais.


Filmes em cartaz durante a Semana do Cinema no Cineflix Santos
"A Empregada" (2h11 | Suspense)

Millie é uma mulher passando por dificuldades que encontra a chance de um novo começo ao se tornar empregada doméstica de um casal rico. O alívio inicial logo dá lugar à tensão quando ela percebe que os segredos da família são mais perigosos do que os seus próprios.
Direção: Paul Feig
Elenco: Sydney Sweeney, Amanda Seyfried, Brandon Sklenar


"O Agente Secreto" (2h40 | Drama)
Ambientado em 1977, o filme acompanha Marcelo, um especialista em tecnologia acusado de atividades subversivas, que deixa São Paulo e se muda para Recife para escapar da perseguição do regime militar.
Direção: Kleber Mendonça Filho
Elenco: Wagner Moura, Maria Fernanda Cândido, Gabriel Leone

"Hamnet: A Vida Antes de Hamlet" (2h05 | Drama)
A história de Agnes, esposa de William Shakespeare, enquanto tenta lidar com a perda do filho Hamnet, em uma narrativa sensível e profundamente humana.
Direção: Chloé Zhao
Elenco: Jessie Buckley, Paul Mescal, Zac Wishart


"Marty Supreme" (2h29 | Drama)
Um jovem prodígio do tênis de mesa, dono de um estilo arrojado, faz de tudo para alcançar o reconhecimento que acredita merecer.
Direção: Josh Safdie
Elenco: Timothée Chalamet, Gwyneth Paltrow, Odessa A’zion

"(Des)controle" (1h37 | Drama)
Pressionada pela família e pela carreira, Kátia Klein perde o controle emocional e vê sua rotina desmoronar.
Direção: Rosane Svartman
Elenco: Carolina Dieckmann, Caco Ciocler, Julia Rabello

"Song Sung Blue: Um Sonho a Dois" (2h13 | Biografia)
Um casal de músicos que percorre o país com shows em homenagem a Neil Diamond vive altos e baixos enquanto descobre que nunca é tarde para amar e sonhar.
Direção: Craig Brewer
Elenco: Hugh Jackman, Kate Hudson, Michael Imperioli

"O Diário de Pilar na Amazônia" (1h31 | Aventura)
Pilar embarca em uma jornada mágica pela Amazônia ao lado de novos amigos e seres do folclore brasileiro, enfrentando o desmatamento e buscando justiça para uma comunidade ribeirinha.
Direção: Eduardo Vaisman
Elenco: Lina Flor, Sophia Ataíde, Miguel Soares

Assista no Cineflix Cinemas mais perto de você
As principais estreias da semana podem ser assistidas na rede Cineflix CinemasPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SANO Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.

Cineflix Miramar | Santos | Sala 1
De 29 de janeiro a 4 de fevereiro | Sessões em português | 14h00 e 16h00 
No Miramar Shopping | Rua Euclides da Cunha, 21 - Gonzaga - Santos / São Paulo. Ingressos neste link.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

.: Encontro de Leituras traz Itamar Vieira Junior debatendo "Coração Sem Medo"


Romance que encerra Trilogia da Terra será discutido com leitores do Brasil e Portugal em evento on-line e gratuito no dia 10 de fevereiro

O "Encontro de Leituras" de fevereiro recebe o escritor Itamar Vieira Junior para uma conversa sobre seu romance "Coração Sem Medo", publicado no Brasil pela editora Todavia em 2025 e em Portugal pela Dom Quixote em janeiro deste ano. O evento acontece no dia 10 de fevereiro, terça-feira, às 19h00 do Brasil (horário de Brasília) e 22h00 de Portugal, de forma on-line e gratuita, pela plataforma Zoom. O evento pode ser acessado com o ID 842 8191 4937 e a senha de acesso 835758 Para participar, basta seguir neste link. 

Itamar Vieira Junior é geógrafo e doutor em Estudos Étnicos e Africanos. O autor baiano ganhou projeção com Torto Arado (Todavia, 2019), romance que recebeu o Prêmio Jabuti e o Prêmio Oceanos, além de ter sido traduzido para mais de 20 idiomas e integra a Trilogia da Terra, que conta também com a obra Salvar o fogo (Todavia, 2023). 

"Coração Sem Medo" encerra a série de livros cujas narrativas investigam as contradições da sociedade brasileira, dialogando com a memória e a história do país. A literatura de Vieira Junior se dedica a retratar questões sociais do Brasil, dando visibilidade a comunidades marginalizadas e explorando temas como desigualdade, identidade e resistência. 

Nesse volume, acompanhamos a história de Rita Preta, uma operadora de caixa de supermercado e mãe de três filhos que mora na periferia de Salvador. Sua vida é subitamente transformada quando seu filho adolescente Cid desaparece sem deixar rastros após uma abordagem policial. Na sua jornada em busca de respostas, ela enfrenta as possibilidades de perder seu emprego, seu relacionamento amoroso e até mesmo a própria vida.

O evento não é transmitido nas redes nem disponibilizado depois. É uma experiência para ser vivida por aqueles que se juntam à sessão. Os melhores momentos são publicados no podcast Encontro de Leituras, disponível no Spotify, Apple Podcasts, SoundCloud e outros aplicativos de áudio.


Sobre o Encontro de Leituras
O "Encontro de Leituras" resulta da colaboração editorial entre o jornal português PÚBLICO e a revista Quatro Cinco Um, focando em obras literárias disponibilizadas em ambos os países. O Encontro reúne leitores de língua portuguesa e discute romances, ensaios, memórias, literatura de viagem e obras de jornalismo literário na presença de um escritor, editor ou especialista convidado. 

Os encontros são gratuitos e acontecem sempre nas segundas terças-feiras de cada mês, às 19h do Brasil e 22h de Portugal. O evento não é transmitido nas redes sociais, nem disponibilizado depois. É uma experiência para ser vivida por aqueles que se juntam à sessão. Os melhores momentos são depois publicados no podcast Encontro de Leituras, disponível no Spotify, Apple Podcasts, SoundCloud ou outros aplicativos habituais. 

A parceria entre a Quatro Cinco Um e o Público conta com um espaço editorial fixo nos dois veículos e uma newsletter mensal sobre o trânsito literário e editorial entre os países de língua portuguesa. A editoria especial publica materiais jornalísticos sobre autores do Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné Bissau e Timor que tenham sido lançados dos dois lados do oceano. A newsletter mensal traz notas, curiosidades, imagens e informações sobre as novidades das livrarias e os eventos literários em Lisboa, São Paulo, Rio de Janeiro e outras cidades onde se fala português. De vez em quando, na programação de festivais e em outras ocasiões, eventos presenciais serão realizados. Compre o livro "Coração Sem Medo", de Itamar  Vieira Junior, neste link.


Sobre a revista Quatro Cinco Um
Publicada em edição impressa, site, newsletters, podcasts e clubes de leitura, a revista dos livros seleciona e divulga mensalmente cerca de duzentos lançamentos em mais de vinte áreas da produção editorial brasileira. Em linguagem clara, sem jargões nem hermetismo, os textos são assinados por nomes de destaque da crítica e da cultura. Tendo o pluralismo e a bibliodiversidade como nortes editoriais, a Quatro Cinco Um busca misturar em sua pauta diferentes gerações, sensibilidades e pontos de vista. 

Projetos editoriais especiais focalizam temas relevantes, tais como cidades, democracia e justiça, literatura infantojuvenil, literatura japonesa, literatura francesa, literatura israelense e livros LGBTQIA+. Desde 2019, a revista publica o 451 MHz, primeiro podcast da imprensa profissional dedicado exclusivamente a livros. Acreditamos no livro como objeto de transformação individual e coletiva, com base no princípio de que não há sociedade democrática sem ampla circulação de livros. Compre os livros de Itamar Vieira Junior neste link.


Serviço
"Encontro de Leituras" com Itamar Vieira Junior
Data: terça-feira, 10 de fevereiro
Horário: 19h00  do Brasil e 22h00 de Portugal
Modalidade: online e gratuito, via Zoom
ID: 842 8191 4937
Senha de acesso: 835758

.: Fernanda Montenegro reabre Teatro do Sesc Santos em ano histórico


Fernanda Montenegro inaugura o palco renovado do Teatro do Sesc Santos, marcando a reabertura do espaço com a leitura “Fernanda Montenegro Lê Simone de Beauvoir”. Foto: Guilherme Pires

Com Fernanda Montenegro no palco, o Teatro do Sesc Santos reabre as cortinas em grande estilo. A atriz inaugura oficialmente o espaço renovado com a leitura dramática “Fernanda Montenegro Lê Simone de Beauvoir”, entre os dias 20 e 22 de fevereiro, marcando o retorno da programação artística ao teatro após um amplo processo de modernização técnica. Na leitura dramática extraída da obra “A Cerimônia do Adeus”, Fernanda Montenegro apresenta reflexões centrais do pensamento de Simone de Beauvoir sobre o feminismo, a liberdade e sua relação com o filósofo Jean-Paul Sartre. O encontro entre a atriz e a pensadora francesa resulta em uma experiência íntima e potente, que aproxima o público de uma das vozes mais revolucionárias do século XX.

A reabertura acontece em um ano simbólico: o Sesc celebra 80 anos de atuação no país, enquanto o Teatro do Sesc Santos completa quatro décadas de história em 2026. Para celebrar esse duplo aniversário, a unidade apresenta uma programação especial que reúne grandes nomes da cena cultural brasileira e internacional, com espetáculos de teatro, dança e música voltados a públicos de todas as idades.

O espaço passou por uma renovação profunda da caixa cênica, dos bastidores e da infraestrutura técnica. Entre as melhorias estão a instalação de novos equipamentos de iluminação e audiovisual, a ampliação e automatização das varas de cenário e luz, além da substituição completa do piso do palco. O resultado é um teatro mais moderno, seguro e versátil, preparado para receber produções de alta complexidade técnica.

Após a estreia com Fernanda Montenegro, a programação de reabertura segue com a São Paulo Companhia de Dança, que apresenta, nos dias 26 e 27 de fevereiro, um programa com três obras internacionais: “Odisseia” (Joëlle Bouvier), “O Canto do Rouxinol” (Marco Goecke) e “Gnawa” (Nacho Duato). No dia 28/2, a cantora Fafá de Belém sobe ao palco ao lado do pianista André Mehmari com o show “BrasilEssenza”. Já no dia 1º de março, o público infantil é contemplado com o show “Zoró Zureta”, de Zeca Baleiro.

Os ingressos para a programação de reabertura do Teatro do Sesc Santos estarão disponíveis a partir de 3 de fevereiro, às 17h, pelo aplicativo Credencial Sesc SP e pelo site centralrelacionamento.sescsp.org.br. As vendas presenciais começam em 4 de fevereiro, às 17h, nas bilheterias das unidades do Sesc SP. Para a leitura dramática “Fernanda Montenegro lê Simone de Beauvoir”, os ingressos poderão ser adquiridos a partir de 6 de fevereiro, às 15h, tanto on-line quant o presencialmente.É recomendável consultar a classificação indicativa e o limite de ingressos por pessoa. A programação completa está disponível em sescsp.org.br/santos.


Um teatro renovado, técnico e contemporâneo
Considerado um dos principais equipamentos culturais da Baixada Santista, o Teatro do Sesc Santos foi inaugurado em 1986 e hoje tem capacidade para 765 pessoas. O espaço conta com plena acessibilidade, incluindo rampas, elevadores, áreas reservadas para cadeirantes, poltronas adaptadas para pessoas obesas e banheiros acessíveis.

Ao longo de 2025, o teatro passou por uma reestruturação técnica que o coloca em patamar equivalente ao dos grandes teatros brasileiros. Entre os principais avanços está a implantação de um sistema totalmente motorizado de varas cênicas: agora são 45 varas operadas por controle computadorizado, garantindo mais precisão, segurança e agilidade na montagem dos espetáculos.

Os sistemas de iluminação também foram atualizados, com novos equipamentos profissionais e maior uso de tecnologia LED, ampliando tanto a eficiência energética quanto as possibilidades criativas. Outro destaque é o novo piso do palco, com cerca de 600 m² em madeira Tauari, escolhida por seu conforto ergonômico, resistência à umidade característica do clima de Santos e possibilidade de revitalizações futuras. Com essas melhorias, o Teatro do Sesc Santos se reafirma como referência cultural na região, pronto para receber produções contemporâneas de diferentes linguagens e ampliar o diálogo com o público.

Serviço
“Fernanda Montenegro Lê Simone de Beauvoir”
Datas: 20 a 22 de fevereiro
Horários: sexta e sábado, às 20h00; domingo, às 19h00
Classificação: não recomendado para menores de 14 anos
Ingressos: R$ 21,00 (credencial plena), R$ 35,00 (meia), R$ 70,00 (inteira)
Limite: até 2 ingressos por pessoa
Observação: não é permitida a entrada após o início da leitura

Venda de ingressos
As vendas de ingressos para os shows e espetáculos da semana seguinte (segunda a domingo) começa na semana anterior às atividades, em dois lotes: on-line pelo aplicativo Credencial Sesc SP e portal do Sesc São Paulo: às terças-feiras, a partir das 17h00. Presencialmente, nas bilheterias das unidades: às quartas-feiras, a partir das 17h00.

Bilheteria Sesc Santos - Funcionamento
Terça a sexta, das 9h às 21h30 | Sábados e domingos, 10h às 18h30   

Sesc Santos
Rua Conselheiro Ribas, 136 - Aparecida / Santos
Telefone: (13) 3278-9800        
Site do Sesc Santos
Instagram e Facebook: @sescsantos

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

.: #LeituraMiau: "Rota 69", de Maycon Assunção, um olhar e muitas rotas


Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas

O autor Maycon Assunção nos convida a embarcar em uma jornada literária fascinante, onde a obra se transforma em um guia através do vasto mundo dos livros. Com uma abordagem única, Assunção explora obras clássicas e contemporâneas, apresentando suas nuances e contextos de maneira acessível e envolvente.

"Rota 69 - Uma Viagem pelos Livros", publicado pela Costelas Felinas Editora, leva o leitor a percorrer diferentes gêneros e estilos, pois cada capítulo é como uma parada em uma nova estação, onde podemos conhecer autores renomados e suas obras, bem como redescobrir histórias que marcaram época. Assunção não apenas resume os enredos, mas também analisa temas, estilos e a relevância cultural de cada obra, proporcionando ao leitor uma visão ampliada e enriquecedora.

Uma das grandes qualidades de Rota 69 é a paixão que transparece nas palavras de Assunção. Sua apreciação pela literatura é contagiante e ele consegue transmitir essa empolgação ao leitor, incentivando-o a explorar novos livros e a revisitar velhos conhecidos. O autor também oferece reflexões pessoais que tornam a leitura ainda mais íntima e acessível, mostrando como os livros podem impactar nossas vidas de maneiras profundas e inesperadas.

Além de ser uma obra informativa, "Rota 69" é uma celebração do ato de ler. Assunção lembra aos leitores que cada livro é uma porta para novos mundos e experiências e que a literatura possui o poder de nos transformar e expandir nossos horizontes.

"Rota 69 - Uma Viagem pelos Livros" é uma obra imprescindível para quem deseja aprofundar-se no universo literário e encontrar inspiração em cada página. Maycon Assunção se estabelece como um guia literário habilidoso, fazendo desta leitura uma experiência memorável e enriquecedora. Ao final da viagem, o leitor perceberá que aprenderá a ver a leitura por outros ângulos e constatará sobre a importância da literatura como uma companheira constante em nossa jornada.

.: Alexandre Lino expõe conflitos familiares e desafia rótulos em “A Miss”


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com. Foto: divulgação

Aos poucos, Alexandre Lino construiu uma trajetória marcada pela recusa ao óbvio. Ator de presença discreta, mas de escolhas contundentes, ele passa pelo teatro, pelo cinema e pela televisão interrogando papéis, estereótipos e expectativas - sobretudo aquelas projetadas sobre corpos, sotaques e origens. No filme "A Miss", em breve em cartaz na Rede Cineflix e em cinemas de todo o Brasil, ele dá vida a Athena, personagem marcado por angústias, disputas familiares e ambiguidades morais, reafirmando a vocação dele em dar vida a personagens que incomodam mais do que confortam. Nesta entrevista exclusiva para o portal Resenhando.com, o ator reflete sobre protagonismo tardio, humor como linguagem política, identidade nordestina, processos criativos e a responsabilidade ética de existir em cena sem se render à caricatura.


Resenhando.com - Athena, seu personagem em "A Miss", ajuda a subverter uma tradição familiar baseada em concursos de beleza. Em que momento da sua vida você também precisou “trapacear o roteiro” que o mundo tinha escrito para você?
Alexandre Lino - Subverti o roteiro quando cheguei ao Rio e me pediram para “neutralizar” meu sotaque nordestino para disputar testes e me enquadrar. Naquele momento, era uma exigência comum do mercado e eu precisava trabalhar, mas isso nunca apagou quem eu sou, mesmo tendo me submetido a essa imposição. Hoje vejo esse padrão sendo revisto e fico feliz em perceber como "A Miss" dialoga com essa quebra de expectativas e com a coragem de existir fora das molduras impostas.


Resenhando.com - Você passou décadas sendo um ator essencial, mas muitas vezes coadjuvante no audiovisual. O sucesso tardio no cinema muda o ego ou apenas confirma uma espera que sempre fez sentido para você?
Alexandre Lino - O cinema não inflou minha vaidade, mas tem confirmado uma trajetória construída degrau a degrau. Meu reconhecimento começou no teatro, onde alcancei protagonismos mais rapidamente, e o audiovisual veio depois como consequência dessa maturidade artística. "A Miss" chega como a coroação de uma carreira forjada nos palcos, sem alterar meu modo de encarar a profissão: continuo sendo um operário das artes.


Resenhando.com - Em "A Miss", o desejo da mãe fala mais alto que a escuta dos filhos. Na sua leitura, esse filme fala mais sobre identidade de gênero ou sobre o autoritarismo disfarçado de amor dentro das famílias brasileiras?
Alexandre Lino - "A Miss" é, antes de tudo, um filme sobre família. A discussão sobre identidade de gênero está presente, mas o centro dramático é esse amor que vira controle e a projeção de frustrações da mãe sobre os filhos. O quarteto central revela contradições muito humanas - gente que ama e machuca, acerta e erra - e é nessa ambiguidade que o filme se fortalece e torna-se universal.


Resenhando.com - Depois de dar voz a personagens socialmente invisíveis - porteiros, migrantes, figuras à margem - o que ainda o assusta mais: a invisibilidade ou a caricatura quando finalmente se ganha destaque?
Alexandre Lino - A caricatura me assusta mais que a invisibilidade, porque ela cristaliza estigmas e empobrece realidades complexas, sobretudo quando falamos do nordestino. Muitas vezes o público se surpreende ao encontrar reflexão por trás de personagens populares, como o Porteiro Waldisney. Meu compromisso é seguir oferecendo densidade a essas figuras que o audiovisual insiste em simplificar.


Resenhando.com - Você transita com naturalidade entre o riso popular e o drama sensível. Existe preconceito dentro do próprio meio artístico contra quem domina o humor antes de ser reconhecido como “ator sério”?
Alexandre Lino - Existe, sim, um preconceito estrutural contra quem vem do humor. O meio artístico ainda supervaloriza o drama e o experimental, enquanto subestima quem faz rir ou trabalha para públicos populares. Eu sigo transitando entre gêneros porque acredito que um ator se mede pela seriedade do trabalho e não pelo rótulo que tentam lhe impor. Sou plural e diverso na vida, e na arte cultivo essa multiplicidade, transitando entre gêneros, linguagens e personagens sem me prender a julgamentos e denominações.


Resenhando.com - Athena é irreverente, afetuoso e provocador. Ele carrega algo do Alexandre diretor, algo do Alexandre ator ou algo do Alexandre homem que não cabe mais em rótulos?
Alexandre Lino - Athena reúne muito do meu humor e da minha sensibilidade, mas também carrega as experiências acumuladas em 25 anos de carreira. Ele nasce dessa mistura entre vida pessoal e repertório artístico que todo ator mobiliza ao criar um personagem. E há algo raro ali: a capacidade de perdoar, que me comove e me interessa profundamente no ser humano.


Resenhando.com - Em "O Porteiro", você inverte o foco e coloca o “figurante da vida real” como protagonista. Em "A Miss", a inversão é de gênero e expectativa. A subversão virou um projeto político na sua arte?
Alexandre Lino - Não chamaria de um projeto político no sentido partidário, mas de uma escolha estética e ética: lançar luz sobre histórias simples e de pessoas comuns, corpos pouco celebrados e temas que costumam ficar à margem. "O Porteiro" nasce dessa vontade de inverter centros e provocar empatia por quem quase nunca ocupa o protagonismo. Já "A Miss" apresenta uma família disfuncional que serve de espelho para milhares de outras ao redor do mundo.


Resenhando.com - Depois de tantos anos criando pontes entre teatro, cinema e educação artística, o que ainda move você: reconhecimento, sobrevivência ou a necessidade quase física de contar histórias que incomodam?
Alexandre Lino - O que ainda me move é o desafio do novo e a necessidade de contar histórias conectadas às minhas raízes nordestinas, mas também capazes de deslocar olhares. Quero seguir construindo projetos que dialoguem com esse lugar de origem e com outros territórios simbólicos, mantendo viva a tríade que organiza minha vida artística: teatro, cinema e educação.


Resenhando.com - Você já afirmou que “ser homem hoje é reinventar-se”. O que o cinema brasileiro ainda precisa desaprender para representar novas masculinidades sem medos ou clichês?
Alexandre Lino - O cinema brasileiro precisa desaprender a objetificação feminina e os atalhos fáceis que ainda surgem, sobretudo na comédia. Representar novas masculinidades passa por mostrar homens que não se afirmam pela dominação, mas pelo respeito e pela parceria. Rir não pode servir de desculpa para uma liberdade marcada por preconceitos.


Resenhando.com - Se "A Miss" fosse menos sobre concursos de beleza e mais sobre o Brasil atual, que faixa simbólica você acha que o país está tentando usar, e qual ele definitivamente não merece?
Alexandre Lino - Se "A Miss" fosse uma metáfora direta do Brasil, eu diria que ainda estamos tentando ostentar uma faixa de certezas quando deveríamos assumir a da diversidade e do diálogo. O filme aponta que não existe beleza eterna nem modelo único de família, e que a polarização é a faixa que definitivamente não merecemos usar.

.: Livro de Joël Dicker é ode à literatura e ao poder de proporcionar diálogos


Democracia, igualdade e respeito às diferenças. Em novo livro, o autor best-seller Joël Dicker se baseia nesses três pilares para construir uma história que visa promover leituras conjuntas em família, além de refletir sobre a polarização ao tentar unir pessoas com pensamentos distintos. Em "O Supercatastrófico Passeio ao Zoológico", o autor suíço inova ao dar protagonismo à uma criança em uma narrativa, que embora seja breve, passa uma mensagem poderosa. O lançamento chega às livrarias brasileiras em fevereiro pela Intrínseca. A tradução é de Debora Fleck.

No enredo, o leitor acompanha Joséphine e seu grupo de amigos, formado apenas por crianças com características que as distinguem das demais crianças, em uma investigação sensível sobre o misterioso fechamento de sua escola após uma inundação. Elas estão convencidas de que não foi um acidente e não pouparão esforços para descobrir o verdadeiro culpado dessa pequena catástrofe. Enquanto isso, terão que frequentar a instituição de ensino do outro lado da rua, que acolhe um número grande de alunos. Do dia para a noite, as crianças terão que sair de suas zonas de conforto para conviver com pessoas diferentes e, no caminho, aprender conceitos fundamentais para todos.

À medida que a apuração avança, os pequenos são confrontados com vários desafios impostos pela mudança de suas rotinas. Mas, mesmo com os percalços, as crianças conseguem descobrir respostas com ajuda da avó de um deles, que, por ser fã de séries policiais, sabe tudo sobre como conduzir uma investigação. A partir daí, o grupo atravessa várias desventuras hilárias em busca da verdade, que culminam em um passeio caótico ao zoológico. Ao final, os amigos descobrem que as aparências podem enganar quando o caso toma um rumo totalmente diferente do que imaginaram.

O supercatastrófico passeio ao zoológico é um livro escrito com o desejo de fazer as pessoas lerem juntas. Como Dicker descreve na nota do autor, ao final do livro, o autor queria elaborar algo que “despertasse a vontade de ler e de fazer os outros lerem, sem distinção. E que fizesse a gente se reencontrar. De verdade”. Compre o livro "O Supercatastrófico Passeio ao Zoológico", de Joël Dicker, neste link.


Sobre o autor
Joël Dicker nasceu em Genebra, na Suíça, em 1985. É autor de "A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert", fenômeno mundial adaptado para série homônima, que foi finalista do prêmio Goncourt e vencedor do Grande Prêmio de Romance da Academia Francesa. São dele também "Os Últimos Dias de Nossos Pais", agraciado com o Prêmio dos Escritores de Genebra; "O Livro dos Baltimore"; "O Desaparecimento de Stephanie Mailer"; "O Enigma do Quarto 622"; "O Caso Alaska Sanders" e "Um Animal Selvagem", todos publicados pela Intrínseca. Foto: Anoush-Abrar. Compre os livros de Joël Dicker neste link.

.: Tainá Müller estreia como apresentadora do "Café Filosófico"


Novo formato do programa vai ao ar na segunda quinzena de abril. Foto: Nadja Kouchi/Acervo TV Cultura


As noites de domingo vão ganhar uma novidade para quem gosta de uma boa conversa e estava com saudade de um dos rostos mais famosos e talentosos da TV. A partir da segunda quinzena de abril, o programa "Café Filosófico", que está no ar há 23 anos na TV Cultura, em parceria com o Instituto CPFL, passa a ser apresentado pela atriz, roteirista, diretora e jornalista Tainá Müller. A atração vai ao ar às 20h00. 

A artista que protagonizou a série "Bom Dia, Verônica", atuou em várias novelas de sucesso e estreou recentemente como diretora no documentário Apolo, agora poderá ser vista na tela da Cultura. Tainá, que fez pós-graduação em Filosofia Contemporânea, pela PUCRJ, sempre foi uma telespectadora assídua do Café Filosófico e ficou entusiasmada com o convite da TV. "Eu comecei como apresentadora, eu sou jornalista, e durante a minha carreira de atriz, que é algo pelo qual sou completamente apaixonada, confesso que fiquei com um pouco de saudades, de nostalgia da época em que eu fazia entrevistas. E quando chegou a proposta do Café Filosófico foi a combinação perfeita do que eu queria fazer nesse momento", diz a nova apresentadora do programa.
 
"Vivemos um momento de renovação e a chegada de Tainá Muller reforça isso. Estamos felizes em ter mais um grande talento em nosso time. Hoje precisamos refletir sobre a sociedade e os desafios que o mundo tem nos apresentado. Ter o Café Filosófico na TV Cultura, agora em um formato mais atraente, cumpre essa missão", afirma Beth Carmona, vice-presidente da TV Cultura.
 

Novo visual e formato
O Café Filosófico chega com uma nova identidade visual e artística, incluindo cenário, vinheta de abertura e artes gráficas para acompanhar a renovação do formato, que passa a ter Tainá Muller interagindo com os convidados e a plateia. O programa apostará em um conteúdo mais envolvente e relevante, que é um dos seus principais legados.
 
"Renovar o formato do Café Filosófico CPFL é uma forma de acompanhar as transformações da sociedade em um projeto que sempre esteve à frente do seu tempo. Desde o início, o programa é pioneiro ao levar temas contemporâneos para a TV de forma profunda e acessível, estimulando a reflexão e o diálogo. A parceria com a TV Cultura é essencial nessa trajetória, e somos muito gratos por caminhar juntos nessa evolução, ampliando o alcance e a relevância do Café para novos públicos", diz Daniella Ortolani Pagotto, Head do Instituto CPFL.
 

Sobre Tainá Müller
Tainá Müller é atriz, jornalista e cineasta formada pela PUC-RS. Antes de se dedicar à atuação, trabalhou como repórter da MTV. No cinema, como atriz, conquistou prêmios com "Cão Sem Dono" (2007) e "As Mães de Chico Xavier" (2010) e participou de personagens marcantes na televisão, como a fotógrafa Marina, da novela "Em Família" (2014) e a policial protagonista de "Bom Dia, Verônica" (2020-2024). Em 2025, estreou na direção de longas-metragens com o documentário Apolo, ampliando sua trajetória artística também atrás das câmeras. Sucesso de crítica, Apolo venceu prêmios como “Melhor documentário” no Festival do Rio, Melhor Filme pelo público no Mix Brasil. Interessada desde sempre em entender os caminhos do pensamento na nossa sociedade, chegou a cursar durante a pandemia uma pós-graduação em filosofia contemporânea na PUC-RJ.
 

Sobre o Café Filosófico
Desde a estreia, em 2003, o programa convida o público a fazer uma imersão no mundo do conhecimento, com a participação de convidados de Filosofia, Psicologia, História, Ciências e Arte, que debatem temas do cotidiano.
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