quinta-feira, 16 de julho de 2026

.: A nova temporada de "Autobiografia do Vermelho", com Bianca Comparato


Com direção de Daniela Thomas, espetáculo é inspirado no romance de Anne Carson e cria um retrato profundamente comovente de um jovem que se reconcilia com o fantástico acidente de ser quem é. Foto: Matheus José Maria 


Inspirado no romance homônimo de Anne Carson, o espetáculo "Autobiografia do Vermelho", estreou em fevereiro no Sesc Avenida Paulista. E, agora, a peça estrelada pela atriz Bianca Comparato e dirigida por Daniela Thomas, ganha uma nova temporada no Teatro YouTube, dentro da Galeria Magalu no Conjunto Nacional, de 14 de agosto a 27 de setembro, com sessões às sextas e aos sábados, às 20h, e aos domingos, às 18h. A peça é, ao mesmo tempo, um romance e um poema, uma recriação não convencional de um antigo mito grego e um romance de formação totalmente original ambientada no presente, no midwest estadunidense.

Com dramaturgia de Gabi Costa, Daniela Thomas e Bianca Comparato, a encenação conta ainda com a direção de movimento da artista e coreógrafa Malu Avelar e cenário de Daniela Thomas. Lello Bezerra assina a direção musical e a trilha sonora original, que é executada ao vivo pelo próprio músico. A produção é da South. “Encontre o que você ama e deixe isso te matar. Quem disse isso foi Bukowski. E, talvez, seja o que mais me atraiu a fazer a peça. Me lanço nesse abismo de 7 personagens, sem medo de errar. Aprendi com a Carson a errar deliberadamente, ela erra deliberadamente, inventa, engana. Este projeto é para mim maravilhosamente perturbador”, revela Bianca Comparato.

“Já na primeira leitura de Autobiografia do Vermelho, em preparação para dirigir Bianca no audiolivro, fui transportada para o ambiente no qual iniciei minha trajetória no teatro há quase 50 anos: o teatro experimental estadunidense do final dos anos 70, início dos 80, especificamente em Nova York, onde morava então. Lá assisti ou convivi ou trabalhei com artistas de grupos como Mabou Mines, Wooster Group, Living Theater, em teatros como o La Mama, Theater For the New City, Public Theater, e com criadores como Sam Shepard, Laurie Anderson, Richard Foreman, Jeff Weiss, Spalding Grey e por aí vai. Uma potência inventiva de grande impacto, que repercutiu mundo afora, balizou minha imaginação e a quem devo minha formação como artista do teatro”, conta a diretora Daniela Thomas.

“Passando as páginas do livro, fui descobrindo que o monstro alado Gerião (aquele morto pelo herói Hercules, no seu décimo trabalho, no mito clássico) que eu antecipava habitar a paisagem grega era, nessa versão, um jovem americano esquisito e solitário, vivendo na exata geografia dos meus heróis experimentais de Nova York.(...) Essa descoberta fez com que eu abraçasse a ideia de transformar o livro em um espetáculo que fosse tributário dessa cultura de teatro que me formou e por quem tenho uma admiração imensa”, conclui Thomas. Compre os livros de Anne Carson neste link.


Sinopse de "Autobiografia do Vermelho"
Gerião é o personagem principal da Gerioneida, um poema lírico narrativo escrito por volta de 650 A.C pelo poeta grego Estesícoro, cujos poucos fragmentos foram encontrados somente em 1967, no Egito. A peça conta a sua história misturando fragmentos da peça original grega com criações de Anne Carson e intervenções de Bianca e de Daniela. Gerião, um menino que também é um monstro vermelho alado, revela o terreno vulcânico de sua alma frágil e atormentada em uma autobiografia que ele começa a escrever aos cinco anos de idade. 

À medida em que cresce, Gerião escapa de seu irmão abusivo e de sua mãe afetuosa, mas ineficaz, encontrando consolo na construção da sua autobiografia e nos braços de um jovem chamado Hércules, um andarilho que abandona Gerião no auge da paixão. Anos depois, quando Hércules reaparece, Gerião confronta novamente a dor de seu desejo e embarca em uma jornada por terrenos vulcânicos. A paixão obsessiva por Hércules leva Gerião até seu destino inevitável. Ora excêntrica, ora assombrosa, erudita e acessível, ricamente complexa e enganosamente simples, Autobiografia do Vermelho é um retrato profundamente comovente de um jovem  que se reconcilia com o fantástico acidente de ser quem é. Compre o livro "Autobiografia do Vermelho", de Anne Carson, neste link."


Mais sobre o livro e peça
A obra de Anne Carson, Autobiografia do vermelho, foi destaque no New York Times como “Livro notável do ano” e  finalista do National Book Critics Circle Award. Anne Carson também foi a primeira mulher a ganhar o TS Eliot Prize.

O que acontece com a mitologia clássica, que ainda ecoa no mundo contemporâneo nas formas atuais de pensar, viver e sentir, quando colocamos no centro da narrativa o que antes era periférico a ela? É essa pergunta que a autora nos faz em "Autobiografia do Vermelho". Se assim como Carson fez valer em sua maneira de contar essa história o monstro, é a partir de uma ética da monstruosidade - que faz conviver tudo que é estranho entre si - que percorreu o processo de criação do espetáculo. Tudo aquilo que está à margem, que não é aceito pelo mainstream, os queers, os “diferentes”, os que estão fora do padrão heteronormativo.

A obra é uma reinterpretação contemporânea do mito de Gerião, o monstro vermelho da mitologia grega, apresentando-o como um jovem sensível e introspectivo. Desde os cinco anos, Gerião enfrenta desafios relacionados à sua aparência monstruosa, com asas vermelhas, que é apresentado de maneira mais humana e introspectiva do que o mito original. Ele busca autocompreensão e amor, especialmente através de sua relação com Hércules.

A história mistura elementos de ficção e poesia, explorando questões de identidade, amor, desejo, e a busca pela aceitação. Gerião é retratado como um jovem isolado, que se vê marcado tanto por sua aparência quanto por seu destino trágico. Ele tem uma relação complexa com Hércules, o herói que deve matá-lo, mas a história se concentra também no desenvolvimento emocional e psicológico de Gerião.

Hércules, que inicialmente é visto como o herói que o mataria, passa também por uma transformação emocional. A morte de Gerião no contexto da obra não é apenas física, mas também simbólica, representando um encontro com o próprio destino e a aceitação de seu ser. Sem se ater a um fechamento “clássico” de um romance, mas mantendo uma reflexão sobre a morte, identidade e a verdade interna. A obra é profunda e aberta a múltiplas interpretações, convidando o espectador a questionar as fronteiras entre mito, realidade e a construção de futuros possíveis.

O espetáculo expressa a pluralidade e diversidade em sua composição de artistas e técnicos da ficha técnica. A equipe é formada majoritariamente por mulheres e também é válido reafirmar que os lugares de protagonismo do projeto são ocupados por mulheres ou pessoas não-brancas e LGBTQI+.

Ficha técnica
Espetáculo "Autobiografia do Vermelho"
Direção: Daniela Thomas
Elenco: Bianca Comparato
Direção de produção: Fabiana Comparato
Dramaturgia: Gabi Costa, Bianca Comparato e Daniela Thomas
Cenografia: Daniela Thomas
Direção musical, composição e execução: Lello Bezerra
Direção de movimento e preparação corporal: Malu Avelar
Desenho de luz e operação: Sarah Salgado
Desenho de projeções: Henrique Martins
Figurino: Verônica Julian
Direção vocal: Leila Mendes
Visagismo: Walter Leal
Contrarregra: Luiz Carlos Ferreira
Operação de vídeo: Laura de Lago
Operação de som: Gabriel Edé
Operação de luz: Nicolas Manfredini
Assistente de produção: Gabriel Cillo
Coordenação executiva e financeira: Camilia Cillo
Designer gráfico: Henrique Martins
Fotos: João Kopv
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Produção: South
Produção associada: 3C Produções
Produção associada: Ipa films e Flagcx
Apoio: Grupo Map
Produtores Executivos SOUTH: Bianca Comparato, Roberto Martini e Yana Chang
Equipe South: Pietra Veiga e Julia Faria
Assessoria: MCS Law
Produtora associada: Mariana Beltrão
Produtor executivo: Arlindo Hartz
Produtora de figurino: Lia Damasceno
Produção: Corpo Rastreado
Produtora: Gabi Gonçalves
Colaboração na direção de movimento: Renata Melo
Assistência: Mariana Faloppa
Equipe Corpo Rastreado: Gisely Alves, Tamara Andrade, Graciane Diniz
Apoio: Editora 34, Paradigm Agency, MAP, CASA LÍQUIDA, PMX, Supersônica.

Serviço
Espetáculo "Autobiografia do Vermelho"
Elenco: Bianca Comparato. Direção: Daniela Thomas. Baseado no romance em verso de Anne Carson
Temporada: 14 de agosto a 27 de setembro de 2026
Às sextas e aos sábados, às 20h, e aos domingos, às 18h
Teatro YouTube - Av. Paulista, 2073 - Bela Vista, São Paulo
Ingressos: R$ 120,00  (inteira) e R$ 60,00 (meia-entrada)
Venda online em https://www.eventim.com.br/artist/autobiografia-do-vermelho/
Bilheteria: Avenida Paulista, 2073 (3º andar), no bairro da Bela Vista, em São Paulo - SP
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida
Duração: 90 minutos 
Classificação indicativa: 16 anos
Capacidade: 160 lugares

.: "Foreign Tongues": Rolling Stones desafiam o tempo em novo álbum


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

A cada novo álbum dos Rolling Stones, o público acaba se surpreendendo de forma positiva. Os seus veteranos integrantes recusam solenemente uma eventual aposentadoria e seguem produzindo ótimas canções que mesclam as suas principais influências musicais, entre elas o blues e a música folk americana, além dos pioneiros do rock como Chuck Berry.

Em "Foreign Tongues", que acaba de ser lançado em formato físico e nas plataformas digitais, a fórmula se repete e da muito certo. A exemplo do que ocorreu no disco anterior,  o produtor Andrew Watt manteve intacta a formula dos Stones, sem se preocupar em soar mais contemporâneo. Mick Jagger (vocal ) e Keith Richards (guitarra e backing vocals) assinam a maior parte da autoria das canções, enquanto Ron Wood cumpre seu papel no grupo nos solos e guitarra base.

O disco abre com "Rough And Twisted", um blues rock bem ao estilo dos Stones. E segue  com  a animada  "In The Stars" que tem um forte apelo radiofônico nos riffs e no refrão. Nessas duas faixas o vocal de Jagger esta limpo e impecável,  assim como em todas as demais.Steve Jordan (batéria) e Daryl Jones (baixo) complrmentam a banda. Na faixa "Covered In You" o ex-beatle Paul McCartney participa tocando baixo,  enquanto Steve Winwood participa de várias faixas  tocando teclados. E a banda gravou  um cover de "You Know I'm No Good", de Amy Winehouse, que ficou acima da média. Os Stones não são highlanders do rock. Mas é fato que eles seguem desafiando o tempo. Pelo menos enquanto se sentirem capazes de dar conta do recado. 

"Tough and Twisted"

"In The Stars"

.: História de Olga Benário irá virar musical inédito em 2027

Com direção de Tadeu Aguiar, a história de Olga Benário ganhará versão musical inédita em 2027, ano que marca os 85 anos de sua morte em um campo de concentração nazista.. Na  fotografia, Tadeu Aguiar, Fernando Morais e Eduardo Bakr. Crédito: arquivo pessoal


O escritor Fernando Morais e o produtor, autor e diretor Eduardo Bakr voltam a unir forças nos palcos. Os dois estão desenvolvendo a adaptação musical de "Olga", um dos livros mais conhecidos da carreira de Fernando Morais, que ganhará uma montagem inédita produzida pela Estamos Aqui Produções. A direção será de Tadeu Aguiar e a direção musical de Thalyson Rodrigues.

O projeto marca o reencontro de Fernando Morais, Eduardo Bakr e Tadeu Aguiar, que trabalharam juntos em "Chatô e os Diários Associados", musical inspirado na trajetória de Assis Chateaubriand, baseado na obra de Fernando Morais, com adaptação para os palcos assinada por Fernando Morais e Eduardo Bakr e direção de Tadeu Aguiar. Agora, o trio volta a colaborar em um novo espetáculo baseado em uma das mais emblemáticas obras da literatura brasileira contemporânea. Com estreia prevista para o segundo semestre de 2027, a montagem iniciará seu processo de desenvolvimento nos próximos meses.

Publicado originalmente em 1985, "Olga" reconstrói a trajetória de Olga Benário Prestes, militante comunista alemã de origem judaica que se apaixonou por Luís Carlos Prestes e foi deportada, grávida, pelo governo brasileiro para a Alemanha nazista, onde acabou assassinada em um campo de concentração. Considerado um dos maiores sucessos editoriais de Fernando Morais, o livro tornou-se uma referência da literatura biográfica brasileira e permanece como uma de suas obras mais conhecidas.

A história foi adaptada para o cinema em 2004, em filme dirigido por Jayme Monjardim e estrelado por Camila Morgado no papel-título. A produção alcançou grande repercussão de público e crítica, ampliando ainda mais o alcance da obra e apresentando a trajetória de Olga a novas gerações. Agora, após conquistar leitores e espectadores em diferentes formatos, o clássico da literatura biográfica brasileira ganhará sua primeira adaptação para o teatro musical, com estreia prevista para 2027, ano que marca os 85 anos da morte de Olga Benário.

A futura montagem contará com composições originais e arranjos de Laura Visconti, além de letras assinadas por Eduardo Bakr. O projeto reúne novamente profissionais ligados a alguns dos principais sucessos da Estamos Aqui Produções, responsável por musicais como de sucesso como "Quase Normal", "A Cor Púrpura", "Querido Evan Hansen" e "Diana - A Princesa do Povo", que recentemente cumpriu temporadas no Teatro Multiplan, no Rio de Janeiro, e no Teatro Liberdade, em São Paulo. Compre o livro "Olga", de Fernando Moraes, neste link.

.: "Entre Irmãos" retorna a São Paulo em nova configuração cênica no Teatro Vivo


Após o sucesso em 2025, a comédia dramática que investiga os afetos masculinos retorna em uma encenação intimista, convidando o público a vivenciar, com ainda mais proximidade, o confronto visceral entre dois irmãos. Foto: Heloísa Bortz


Um dos espetáculos mais comentados da temporada paulistana de 2025 vai voltar. "Entre Irmãos", a comédia dramática de Otávio Martins, que divide o palco com Fernando Pavão, e direção de Marcos Damigo, retorna aos palcos de São Paulo em nova temporada no Espaço de Convivência do Teatro Vivo. As apresentações acontecem a partir de 24 de julho, às sextas e sábados, às 20h00, e aos domingos às 18h00, com classificação etária de 16 anos e duração de 75 minutos. 

A volta chega com um elemento que muda radicalmente a experiência do espectador: o Espaço de Convivência do Teatro Vivo permite uma configuração cênica de extrema proximidade entre plateia e atores, colocando o público literalmente dentro do velório, como convidado presente no momento mais íntimo e explosivo do reencontro entre os dois irmãos. Se o minimalismo já era a marca da produção, palco nu, sem cenografia, um único foco de luz representando o caixão do pai, agora esse recurso ganha uma dimensão ainda mais visceral. Não há onde se esconder. Nem para os personagens, nem para quem os assiste. 

"Vai ser interessante, inclusive para quem já viu a peça, experimentar essa nova configuração, onde os atores estão no mesmo espaço que os espectadores. A história ganha força com uma experiência assim, mais imersiva.", explica Marcos Damigo. 

Desde a estreia em fevereiro de 2025, no Teatro Colinas de São José dos Campos, com casa cheia, "Entre Irmãos" percorreu o Teatro FAAP em São Paulo e seguiu em turnê por diversas cidades do Brasil ao longo de 2025, acumulando cobertura em veículos como Veja SP, IstoÉ, Terraço Paulistano e R7 Entretenimento. O espetáculo foi recebido como um evento cultural de relevância por tratar, sem moralismo e sem fórmulas fáceis, de um tema profundamente universal: o que acontece com os afetos dentro de uma família quando o silêncio dura mais tempo do que o amor consegue suportar. 

A combinação de dois atores amplamente reconhecidos pelo público, Fernando Pavão, vencedor do Prêmio Bibi Ferreira de Melhor Ator por Mary Stuart, e Otávio Martins, vencedor do Prêmio Contigo! De Melhor Ator por Sideman, uma direção precisa de Marcos Damigo e o texto de Otávio Martins que equilibra gargalhadas e emoção genuína transformou "Entre Irmãos" em mais do que teatro. Transformou numa conversa que o público leva para casa. 

"Há algo nessa peça que as pessoas reconhecem imediatamente, mesmo que nunca tenham vivido exatamente aquela situação. Todo mundo tem uma história de silêncio com alguém que ama. A gente só coloca isso em cena", diz o ator e dramaturgo Otávio Martins. Fernando Pavão reforça: "Fazer essa peça noite após noite nunca é igual. O público traz a energia do que está vivendo. Nas cidades por onde passamos, as pessoas ficavam na plateia depois do espetáculo sem querer ir embora. Isso diz muita coisa sobre o que 'Entre Irmãos' toca". 

O espetáculo narra o reencontro de dois irmãos no velório do pai após mais de duas décadas de afastamento. O mais velho sacrificou projetos e paixões para cuidar da família. O mais novo, hoje fotojornalista premiado, fugiu em busca de si mesmo pelo mundo. Quando se encontram diante do caixão, os ressentimentos acumulados emergem com força total. Mas uma revelação inesperada do passado obriga os dois a revisitar quem eram, o que sofreram e o que fizeram um ao outro. 

A peça coloca a saúde mental masculina no centro da narrativa: a dificuldade de nomear a dor, a culpa transmitida entre gerações, os mecanismos de defesa que impedem o cuidado emocional. Faz isso sem sermão e sem simplificação, com humor, com inteligência e com uma honestidade que raramente se vê em cena. Em um momento cultural em que o debate sobre masculinidade, herança emocional e vínculos familiares está no coração das conversas públicas, ENTRE IRMÃOS chega a essa nova temporada com ainda mais relevância do que tinha em sua estreia. 


Ficha técnica
Espetáculo "Entre Irmãos"
Texto: Otávio Martins 
Direção: Marcos Damigo
Elenco: Fernando Pavão e Otávio Martins 
Trilha sonora: Ricardo Severo 
Cello: Ana Eliza Colomar 
Iluminação: Beto de Faria 
Foto: Heloísa Bortz
Design gráfico e produção: Patrícia Scótolo
Realização: Engrenagem de Produção  

 

.: Semifinalista do Jabuti Acadêmico: "Guia de Conduta para Mulheres Bravas


Indicada na categoria Divulgação Científica, a obra resgata a história de mulheres silenciadas e inspira os debates que a pesquisadora leva a duas mesas e uma sessão de autógrafos na Casa Opera

A pesquisadora, artista visual e escritora Marina Jerusalinsky é semifinalista do Prêmio Jabuti Acadêmico na categoria Divulgação Científica (Eixo Prêmios Especiais) com "Guia de Conduta para Mulheres Bravas", publicado pela Editora Orlando. Na obra, a autora mergulha na história do "Juízo das Bravas", julgamento que, entre os séculos XIV e XVIII, punia mulheres por falarem de forma considerada "inapropriada" em espaços públicos, e discute como esses mecanismos de controle da fala e do comportamento feminino permanecem presentes na sociedade contemporânea. A autora também integra a programação da Flip 2026 com duas mesas e uma sessão de autógrafos na Casa Opera, no Centro Histórico de Paraty.

Na quinta-feira, dia 23 de julho, às 11h00, Marina participa da mesa "O Corpo e o Planeta como Campo de Batalha: Violência Contra Mulheres, Luto Pela Terra e Libertação", ao lado de Sandra Godinho e Myriam Scotti. No sábado, dia 25 de julho, às 16h00, realiza sessão de autógrafos de Guia de conduta para mulheres bravas e, às 17h00, integra a mesa "A Escrita como Ato Político", com Danilo Heitor e Rafael Caneca.

Em "Guia de Conduta para Mulheres Bravas", Marina Jerusalinsky combina pesquisa histórica, relatos de mulheres contemporâneas e um projeto gráfico ousado para expor como mecanismos históricos de controle sobre a fala feminina ecoam até hoje. O texto da quarta capa é assinado pela escritora, artista visual e designer gráfica Marcela Scheid. A arte da capa e as ilustrações do livro são de Marina Jerusalinsky e Lídia Ganhito, designer gráfica e artista visual.

Com 59 irônicas "lições de conduta", o livro traz experiências reais de mulheres brasileiras e portuguesas, mostrando como expressões misóginas ainda as categorizam. "Essa pesquisa me ajudou a entender as origens das concepções sobre 'a mulher ideal' e como enfrentá-las", diz Marina, que transformou seu doutorado em uma crítica afiada aos estereótipos de gênero.

A autora não poupa referências literárias e históricas para desmontar narrativas que buscam limitar o que mulheres podem ser ou fazer. "O livro adota um posicionamento feminista ao resgatar fatos marginalizados e dar voz às próprias mulheres sobre as palavras que as oprimem", explica. Entre os exemplos do livro, destaca-se a lição "Brava", que satiriza a criminalização da fala feminina: "Uma mulher pode ser considerada brava ao levantar a voz, ser veemente, discordar, ou falar com irritação – atos completamente inconvenientes e condenáveis. Todos esses elementos vão contra a obrigatória docilidade feminina, sem a qual seria muito mais difícil que nos dominassem como convém".

A obra também revela como estereótipos coloniais persistem, especialmente contra as brasileiras em Portugal. Em "Para Brasileiras em Portugal", ela expõe frases ditas por portugueses, como "Vocês vêm para cá para roubar nossos maridos" e "Ao menos servem para cuidar de nós", evidenciando as contradições e a violência dessas acusações. "Essas 'lições' mostram como a linguagem perpetua opressões, mas também como podemos desmontá-las com ironia", reflete a autora. "Compre o livro "Guia de Conduta para Mulheres Bravas" neste link.


Sobre a autora
Marina Jerusalinsky é artista visual, pesquisadora e escritora. Semifinalista do Prêmio Jabuti Acadêmico na categoria Divulgação Científica (Eixo Prêmios Especiais), é doutora em Artes pela Universidade de São Paulo, mestra em Artes pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e graduada em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Trabalha com a palavra de modo transdisciplinar há mais de dez anos, em projetos de arte participativa, livros de artista e leitura crítica e revisão de textos. Também é autora do livro "Adjetivo Feminino: Dicionário de Experiências" (Bebel Books, 2022). Compre os livros de Marina Jerusalinsky neste link.


Agenda | Flip 2026
23 de julho (quinta-feira), às 11h
Mesa: O corpo e o planeta como campo de batalha: violência contra mulheres, luto pela terra e libertação

Com Marina Jerusalinsky, Sandra Godinho e Myriam Scotti
Local: Casa Opera, Centro Histórico de Paraty

25 de julho (sábado), às 16h
Sessão de autógrafos de Guia de conduta para mulheres bravas

Local: Casa Opera, Centro Histórico de Paraty

25 de julho (sábado), às 17h
Mesa: A escrita como ato político

Com Marina Jerusalinsky, Danilo Heitor e Rafael Caneca
Local: Casa Opera, Centro Histórico de Paraty

.: "A Divina Sarah Bernhardt" estreia nesta quinta nos cinemas brasileiros


Dirigido por Guillaume Nicloux e estrelado por Sandrine Kiberlain, "A Divina Sarah Bernhardt" chega aos cinemas brasileiros no dia 16 de julho com distribuição da Imovision. Com uma abordagem que une drama histórico e romance, o filme é um mergulho no universo extravagante da famosa atriz francesa do século 19, considerada uma figura visionária e uma lenda do teatro. Ambientada na Paris de 1986, a trama acompanha a primeira celebridade do mundo, Sarah Bernhardt, no auge de sua glória como atriz e uma mulher à frente de seu tempo, sempre desafiando as convenções sociais.

Vencedora do César de Melhor Atriz por "Uma Juíza Sem Juízo", Sandrine Kiberlain dá vida à personalidade irreverente de Bernhardt em um drama biográfico que retrata as paixões, excentricidades e a incansável dedicação ao teatro da figura que ficou conhecida como "A Divina". A partir de dois episódios marcantes na vida da atriz - o jubileu de 1896, organizado por amigos em sua homenagem, e a amputação de sua perna direita em 1915 - o longa explora o relacionamento amoroso de Bernhardt com o ator Lucien Guitry e o encontro com diversas figuras importantes da época, como Alexandre Dumas, Victor Hugo, Sigmund Freud e Émile Zola.

.: “Diamantes” reúne musas de Ferzan Özpetek e recria Roma dos anos 70


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

“Diamantes” chega à plataforma de streaming Belas Artes À La Carte  com a assinatura de Ferzan Özpetek, cineasta turco-italiano que volta a Roma dos anos 1970 para encenar um drama coral embalado por amor, disputas e memórias. No filme, um diretor reúne suas atrizes favoritas para um projeto que, pouco a pouco, ganha forma dentro de um ateliê de figurinos cinematográficos comandado pelas irmãs Alberta e Gabriella Canova, vividas por Luisa Ranieri e Jasmine Trinca.

A história do filme desliza entre realidade e ficção enquanto acompanha o cotidiano de mulheres que sustentam, com talento e urgência, a engrenagem invisível do cinema. Entre máquinas de costura, prazos apertados e pressões de uma grande produção, surgem histórias íntimas marcadas por perdas, amores interrompidos, violência doméstica e dificuldades financeiras. O roteiro, assinado por Özpetek, Elisa Casseri e Carlotta Corradi, aposta no entrelaçamento dessas trajetórias para construir um painel coletivo em que cada personagem encontra espaço para brilhar.

Com Stefano Accorsi, Aurora Giovinazzo, Anna Ferzetti e Vinicio Marchioni no elenco, “Diamantes” chama atenção pela reunião de 18 atrizes italianas de destaque - um feito raro no cinema contemporâneo do país. A imprensa local tratou o longa como um encontro das musas de Özpetek, diretor conhecido por valorizar personagens femininas e dinâmicas familiares intensas. O resultado ecoa o melodrama vibrante que muitos associam ao cinema de Pedro Almodóvar, com cores marcantes, emoções à flor da pele e cenas coletivas carregadas de energia.

A origem do projeto está nas lembranças do próprio diretor, que frequentava oficinas de figurino no início da carreira, nos anos 1980, em Roma. Esse material autobiográfico se traduz na atenção aos detalhes - tecidos, cortes e texturas ganham protagonismo e ajudam a contar histórias que vão além do que se vê em cena. A trilha sonora, assinada por Giuliano Taviani e Carmelo Travia, acompanha esse movimento com sensibilidade.

Sucesso de público na Itália, “Diamantes” ultrapassou 16 milhões de euros em bilheteria e levou mais de 2 milhões de espectadores aos cinemas, tornando-se o maior êxito comercial da carreira de Özpetek, superando títulos consagrados como “A Janela da Frente” e “O Banho Turco”. O filme também marca mais uma colaboração do diretor com a cantora Giorgia, responsável pela canção-tema.

Ficha técnica
“Diamantes” | (“Diamanti” (Título original) 
Gênero: drama, comédia. Duração: 135 minutos. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 2024. Data de lançamento: 19 de dezembro de 2024 (Itália). Idioma: italiano. Direção: Ferzan Özpetek. Roteiro: Ferzan Özpetek, Elisa Casseri, Carlotta Corradi. Elenco: Luisa Ranieri, Jasmine Trinca, Stefano Accorsi, Aurora Giovinazzo, Anna Ferzetti, Vinicio Marchioni, Elena Sofia Ricci, Kasia Smutniak, Vanessa Scalera, entre outros. Distribuição no Brasil: Pandora Filmes. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.



Assine o Belas Artes À La Carte, o streaming para quem ama cinema de verdade
A equipe do portal Resenhando.com acompanha parte da cobertura cinematográfica por meio da Belas Artes À La Carte, plataforma brasileira dedicada ao cinema de arte, clássicos e produções premiadas de diferentes países. Criado pelo grupo responsável pelo tradicional cinema Belas Artes, em São Paulo, em parceria com a Pandora Filmes, o serviço reúne um catálogo com curadoria especializada, incluindo obras raras, títulos restaurados e destaques de festivais internacionais. Para acessar o catálogo completo, conferir os lançamentos semanais e realizar a assinatura, basta acessar o site ou aplicativo da plataforma. Os planos têm valores acessíveis, com opção mensal e anual, além de locação avulsa para títulos específicos. Você pode assinar o Belas Artes À La Carte neste link.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

.: Crítica: "Moana" é o live action que ninguém pediu, mas é agradável

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em julho de 2026


A história da princesa de uma comunidade da etnia Motonui, a desbravadora da Disney, "Moana" virou live action e antes mesmo de as gravações ganharem força, choveram críticas sobre a real necessidade de adaptar "Moana: Um Mar de Aventuras", recente animação de sucesso, com atores reais. Eis que "Moana" chega as telas de cinema (sem o público pedir) trazendo uma adaptação bastante fiel ao infantil de 2016.

Muito agradável de se ver na tela gigante de cinema, mesmo com os efeitos visuais defeituosos. De fato, há pontos favoráveis pela coragem de manter a história bastante solar, o que evidencia tais problemas, muito por movimentos bruscos. Contudo, a história repleta de magia faz lembrar que ali há uma trama de ficção.

Assim, "Moana" tem sequências nitidamente preparadas por computação gráfica, mas entrega o respeito de seguir a obra original e, claro, trazer Dwayne Jackson como o semideus egocêntrico Maui. E é um deleite vê-lo em carne e osso no papel que é a cara dele.

Como aquela que dá o nome da produção está a novata Catherine Laga'aia que encarna todo carisma e poder de Moana. De rostinho delicado e bem mais bonita do que a da animação, a atriz ganha o público já nos primeiros minutos de apresentação e fica fácil torcer pela Moana humana. 

"Moana' é extremamente agradável de se assistir e é uma excelente opção de entretenimento. As sequências musicais mantém as letras conhecidas e a empolgação de quem é fã simplesmente acontece. Na versão dublada Moana Waialiki leva a voz de Bia Vasconcellos, enquanto que Maui segue com Saulo Vasconcelos (o mesmo da animação de 2016) e a Vovó Tala tem a voz de Nabia Villela. Vale a pena conferir!


"Moana" (Moana). Gênero: Animação, Aventura, Musical. Direção: Ron Clements e John Musker. Roteiro: Jared Bush, Ron Clements, John Musker, entre outros. Trilha Sonora Original: Lin-Manuel Miranda, Opetaia Foa'i e Mark Mancina. Elenco de Voz (Original): Auli'i Cravalho (Moana), Dwayne Johnson (Maui). Duração: 107 minutos. Sinopse: Moana acompanha uma corajosa jovem que, para salvar seu povo, parte em uma jornada épica pelo oceano para encontrar o semideus Maui e devolver o coração místico de Te Fiti

Trailer de "Moana"



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.: "Escreviventes", o novo livro de Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz


Livro derivado de documentário inédito, com Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz, é o primeiro volume da Coleção Memórias Brasileiras. Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz durante a gravação do documentário "Escreviventes". Foto: de Thiago dos Santos


Em dezembro de 2025, durante dois dias, Conceição EvaristoEliana Alves Cruz se sentaram frente a frente na Kaza 123, um quilombo urbano no bairro de Vila Isabel, no Rio de Janeiro. Não foi entrevista, não foi bate-papo de lançamento, foi conversa entre amigas. E o registro dela é "Escreviventes", que a Pallas Editora lança em 2026, primeiro volume da nova Coleção Memórias Brasileiras.

O livro nasce de um projeto idealizado por Estevão Ribeiro, que também assina a direção do longa-metragem documental homônimo, atualmente em pós-produção, com estreia em festivais prevista para 2027 e chegada ao circuito comercial em 2028. As páginas de Escreviventes antecipam, portanto, o que o público só vai ver na tela dentro de dois anos. Um material de arquivo afetivo que já existe mesmo antes do filme estar fechado. 

O ano marca dois números redondos: Conceição completa 80 anos, Eliana completa 60. Uma já consolidada como a criadora do conceito de escrevivência, autora dos clássicos Ponciá Vicêncio (2003), Becos da memória (2006), Olhos d’água (2014) e Canção para ninar menino grande (2018), pela Pallas. A outra, jornalista de formação, chegou à ficção em 2015 pelo Prêmio Oliveira Silveira e hoje soma o Jabuti de 2022 com A vestida e o Prêmio Guimarães Rosa da ABL na categoria Melhor Livro de Ficção com Meridiana. Pela Pallas, Eliana publicou Nada digo de ti, que em ti não veja, em 2019. Juntas, quase 20 livros publicados e uma amizade que atravessa gerações.

A conversa percorre temas que não costumam vir lado a lado num único livro: racismo, maternidade, sexualidade, envelhecimento. Conceição lembra o nome que deu a essas semelhanças entre as duas: parecenças, termo que dá o tom afetivo de toda a obra. Entre um capítulo e outro, a conversa das duas escritoras é entremeada por depoimentos de Itamar Vieira Junior, Renato Noguera, Teresa Cárdenas e Flávia Oliveira - vozes que ampliam, de fora, o que Conceição e Eliana constroem de dentro da amizade.

"Escreviventes" chega como desdobramento da própria escrevivência, não como um conceito a ser explicado, mas como o que ele sempre foi: duas mulheres negras contando suas próprias histórias, pelas próprias mãos, num livro que existe antes mesmo do filme que o originou chegar às telas. Compre o livro "Escreviventes" neste link.

Sobre as autoras
Conceição Evaristo
é escritora, ficcionista e ensaísta mineira radicada no Rio de Janeiro. Graduada em Letras pela UFRJ, mestre em Literatura Brasileira pela PUC-Rio e doutora em Literatura Comparada pela UFF, é autora de "Ponciá Vicêncio", "Becos da Memória", "Olhos D'Água" (Jabuti 2015) e "Canção para Ninar Menino Grande", entre outros títulos publicados pela Pallas.

Eliana Alves Cruz nasceu no Rio de Janeiro em 1966. É jornalista, escritora e roteirista. Venceu o Prêmio Jabuti 2022 com A vestida, o Prêmio Oliveira Silveira com Água de barrela e o Prêmio Guimarães Rosa da Academia Brasileira de Letras (ABL) na categoria Melhor Livro de Ficção, com "Meridiana". Apresenta o programa "Trilha de Letras", na TV Brasil, e foi indicada ao International Emmy Awards 2024 como roteirista da série "Anderson Spider Silva".


Sobre o organizador
Estevão Ribeiro
é escritor, roteirista e diretor audiovisual capixaba. Criador da personagem Rê Tinta e autor de dezenas de publicações, entre livros infantis, quadrinhos e prosa. No audiovisual, colaborou como roteirista para séries como "Cidade de Deus - A Luta Não Para" (2024, HBO) e é criador da série animada "Vovó Tatá" (2024, Globoplay). Estreou como diretor com o curta-metragem "Salve, Rainha!" (2026) e "Escreviventes" será seu primeiro longa-metragem documental.

.: Memórias da periferia: Wesley Barbosa lança “Os Barraquinhos da Favela”


Obra marca a estreia do autor na literatura infantil e será apresentada em roda de conversa na Casa da Favela, durante a Festa Literária Internacional de Paraty, no dia 23 de julho, às 10h00

Para celebrar sua estreia na literatura infantil, o escritor Wesley Barbosa apresenta "Os Barraquinhos da Favela", publicado pela Editora Moderna, em uma roda de conversa na Casa da Favela, no dia 23 de julho, às 10h, durante a Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP). Na obra, Wesley Barbosa transforma memórias da periferia em narrativa literária. Escrito em primeira pessoa e atravessado por um tom afetivo e saudosista, o livro reconstitui a paisagem da periferia pelos olhos de quem a viveu de dentro. 

Há, nessas páginas, a lembrança dura das casas de madeira arrancadas pelo vento, mas também a poesia de quem guarda, no embrulho da memória, o cheiro do arroz e do feijão quentinhos, e a visão do horizonte recortado por estrelas vistas de uma janela quebrada. É nessa janela que reside a síntese do livro, o convite a olhar para o horizonte e para os próprios barraquinhos como metáforas de sonhos que a infância não deixou morrer, e da força de quem cresceu sem nunca esquecer de onde veio. Compre "Os Barraquinhos da Favela", de Wesley Barbosa, neste link.

Memórias da periferia
As ilustrações são de Tainan Rocha, artista cujo trabalho já dialogou com temas ligados à infância e se destaca pelo uso de texturas, relevos e cores. A junção entre o texto de Barbosa e a sensibilidade visual de Rocha resulta em uma obra recomendada para crianças a partir de 6 anos, mas capaz de tocar leitores de qualquer idade que reconheçam nessas páginas parte da própria história. "Já morei em muitas casas na periferia e em barracos na favela. Desde adolescente, adoro ler, e isso me inspirou a começar a escrever. Os Barraquinhos da Favela é apenas um ponto de partida para muitas conversas sobre lembranças, desafios e afetos", conta o autor.


Sobre o autor
Wesley Barbosa nasceu em Itapecerica da Serra, em São Paulo, em 1990. Autor de cerca de cinco obras, construiu uma trajetória literária marcada pela presença da oralidade e da cultura periférica contemporânea, com livros que discutem identidade, território e vivência urbana. Os Barraquinhos da Favela é sua primeira incursão pela literatura infantil.

 
Sobre o ilustrador
Tainan Rocha
é quadrinista e ilustrador formado pela Quanta Academia de Artes, em São Paulo, onde leciona atualmente. Já ilustrou diversos livros e histórias em quadrinhos no Brasil e no exterior. Hoje vive no litoral com a esposa e o filho, e, quando precisa de inspiração, coloca os pés na areia.


Serviço
Lançamento "Os Barraquinhos da Favela"
Casa da Favela - Flip 26
Dia: 23 de julho, às 10h00

.: "O Tardio", de Maurício Melo Júnior, o quinto romance do escritor


O pano de fundo de "O Tardio", quinto romance de Maurício Melo Júnior, é o Brasil dos anos 1970, período mais duro da ditadura militar: o AI-5 em vigor, a tortura como prática de Estado. Em meio a isso, uma geração de jovens escolheu o caminho oposto - a estrada, a contracultura, a busca por paz e liberdade. Mas o que significa liberdade quando tudo ao redor conspira para impedi-la? Será que eles estão dispostos a pagar o preço que for para conquistá-la?

A vida de Sérgio parecia seguir um caminho bastante tradicional. Uma infância e adolescência comuns, marcadas pela forte presença do catolicismo - à época, quase uma regra em todo o país, inclusive em Pernambuco, onde nasceu. Sua família já não possuía o status social de outrora, mas ele conseguiu se formar em Direito. Casou-se. A esposa, professora, dividia-se entre a casa, os estudos e as salas de aula. Tiveram filhas. Tudo dentro do convencional.

No entanto, a perda de um parente próximo fez reaparecer uma figura há muito aprisionada no silêncio familiar: a de Roberto, seu irmão. Anos atrás, a morte de Roberto e suas escolhas de vida sempre foram um tabu acobertado por seus pais e por todos. O caçula Sérgio, que sempre recebera poucas informações a respeito de seu irmão, agora tinha em mãos mais do que imaginara em toda a sua vida. Ainda assim não era suficiente. Ele precisava de mais. Tinha necessidade de descobrir novas peças da história de seu irmão, cuja morte coincidira com a data de seu próprio nascimento. Angustiado, Sérgio deixa tudo para trás e põe o pé na estrada.

A trajetória de Sérgio em busca de respostas é guiada por cartões-postais encontrados na casa de seu tio, logo após seu falecimento. As correspondências foram escritas por seu irmão durante suas andanças e enviadas ao tio ao longo dos anos. Por onde passa, o advogado abandona a gravata, adota a bata indiana e o pano vermelho do artesanato, recolhe informações e vivências que o ajudam a montar o quebra-cabeças da história de Beto. Nesse percurso, Sérgio começa também a questionar suas próprias escolhas, desejos e certezas, colocando à prova tudo o que havia construído, inclusive o casamento e a vida profissional deixados para trás no Recife.

Aos poucos, a figura de Roberto ganha corpo: um rapaz calado e religioso que, no fim dos anos 1970, abandonou a casa dos pais em Palmares e se tornou hippie ao lado de Caliandra. Juntos, os dois percorreram o país em busca de um modo de viver mais livre. O rastro some no interior de Goiás. E é até lá que Sérgio precisa chegar.

O escritor Maurício Melo Júnior nos conduz por essa jornada na qual o protagonista atravessa cidades do Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste do país, refazendo o caminho do irmão. Sua maneira de nos apresentar esse mundo, transforma paisagem em estado de espírito: “o asfalto do sertão é uma cobra negra e rastejante”, “o calor sobe do chão como nuvem”, “cada lugar carrega o peso de quem passou por ele”. O Brasil que emerge dessas páginas é místico e distante do modo de vida tradicional. Nessa leitura, fazemos uma travessia ao lado de andarilhos que esperam e buscam a chamada Era de Aquarius.

"O Tardio" é o romance da busca e do desencontro: de um homem que chega sempre depois do tempo, como o irmão que nunca conheceu, como a era que nunca veio. Uma narrativa instigante, densa e profundamente brasileira, em que o passado e o presente se entrelaçam na estrada aberta de um país que ainda busca a sua própria liberdade. Compre o livro "O Tardio", de Maurício Melo Júnior, neste link.


Sobre o autor
Maurício Melo Júnior é escritor, jornalista, crítico literário e documentarista. Pernambucano radicado em Brasília, formou-se em Comunicação Social, com pós-graduação em Economia e Ciência Política. Atuou em alguns dos principais veículos de comunicação do país, como o Correio Braziliense. Há 25 anos apresenta o programa Leituras, na TV Senado, o primeiro dedicado à literatura brasileira. Assina resenhas literárias para o jornal Rascunho (Curitiba/PR) e é colaborador da revista literária Pernambuco (Companhia Editorial de Pernambuco. Recife/PE). Presidiu o Instituto Casa de Autores, de Brasília, além de ser membro da Associação Nacional dos Escritores. 

É também autor de romances, contos, crônicas e livros infantojuvenis, com destaque para "Não Me Empurre para os Perdidos" e "Sujeito Oculto". Ao todo, já escreveu 35 livros e "O Tardio" é seu quinto romance. É curador da FLIPIRI curador (Festa Literária de Pirenópolis – GO) e da Flipenedo - Festa Literária de Penedo (GO). Como documentarista, dirigiu mais de 20 filmes e escreveu para o teatro, com peças encenadas em diversas regiões do país. Garanta o seu exemplar de "O Tardio", escrito por Maurício Melo Júnior, neste link.

.: Luiz Felipe Pondé debate guerra e natureza humana em SP nesta quinta


Luiz Felipe Pondé recebe Fernando Schuler para um debate sobre guerra e natureza humana nesta quinta-feira, dia 16, em São Paulo. O filósofo lança o livro "Por que a guerra? Einstein pergunta, Freud responde, Pondé comenta", em evento gratuito, na Livraria das Perdizes


Nesta quinta-feira, dia 16 de julho, o filósofo Luiz Felipe Pondé lança "Por que a Guerra? Einstein Pergunta, Freud Responde, Pondé Comenta", em conversa com o cientista político Fernando Schuler, em São Paulo. Ambos debaterão sobre guerra, violência e natureza humana, a partir da histórica correspondência entre Albert Einstein e Sigmund Freud. O diálogo entre dois dos maiores intelectuais do século 20, realizado nos anos 1930, discutiu as raízes psicológicas da agressividade, o papel das instituições políticas e os limites da civilização diante da barbárie. 

Esta edição brasileira, publicação da Amarilys Editora, apresenta uma nova tradução do texto original e inclui um prefácio crítico de Pondé, que examina a atualidade dessas ideias à luz dos conflitos do século 21. A sessão de autógrafos com coquetel e palestra acontece a partir das 19h00, com entrada franca, na Livraria das Perdizes, e deve encerrar às 21h30. Compre o livro "Por que a Guerra? Einstein Pergunta, Freud Responde, Pondé Comenta" neste link. Confira a agenda da livraria para julho:


Quinta-feira, dia 16 de julho 
19h00 às 21h30 - Lançamento de "Por que a Guerra? Einstein Pergunta, Freud Responde, Pondé Comenta"
Bate-papo com o filósofo Luiz Felipe Pondé e o cientista político Fernando Schuler sobre guerra, violência e natureza humana, a partir da histórica correspondência entre Albert Einstein e Sigmund Freud. O encontro discute a atualidade das reflexões dos dois pensadores diante dos conflitos contemporâneos. Compre o livro "Por que a Guerra? Einstein Pergunta, Freud Responde, Pondé Comenta" neste link.

Sábado, dia 18 de julho 
10h00 às 12h00 - Oficina Carta por Carta "Eu Também Já Fui Criança", com Mariana Ferrari
O encontro propõe uma experiência de escrita a partir da memória da infância. Por meio de exercícios corporais e literários, os participantes são convidados a resgatar lembranças, sensações e afetos para desenvolver uma narrativa mais sensível e criativa. 

14h00 às 16h00 - Aniversário de 1 ano de Sete Centímetros | Clube do Livro Café com Nat + Sentadas na Janela
Encontro especial em comemoração ao primeiro aniversário do romance Sete Centímetros, de Natália Marques. Ao lado da comunicadora Juliana Mazza, a autora conversa sobre os bastidores da escrita, luto, câncer, cuidados paliativos e a naturalidade da morte, temas centrais da obra que mistura autoficção e realismo mágico. 

Quinta-feira, dia 23 de julho 
19h00 às 21h00 – Lançamento dos livros Esquerda e direita, a fé na trincheira e "Manual do Comportamento Político dos Evangélicos" (2ª edição)
Os autores Gustavo Sanches e André Anéas promovem um diálogo sobre religião, política e democracia a partir de suas obras. O encontro propõe uma reflexão crítica sobre a relação entre fé e polarização política, discutindo o papel dos evangélicos no cenário brasileiro e incentivando uma participação cidadã mais consciente, plural e comprometida com o bem comum. 


Livraria das Perdizes

Rua Bartira, 317 - Perdizes / São Paulo
Entrada: franca - estacionamento no local

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