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domingo, 18 de outubro de 2026
.: “Gol de Quem?”: Pato Fu lança disco ao vivo
.: "Hotel California": 50 anos de um clássico do rock
Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.
Alguns álbuns permanecem com a mesma relevância da época em que foram lançados. Um desses casos é o excelente "Hotel California" da banda americana Eagles, que de uma certa forma acabou elevando o patamar do grupo dentro do mainstream. "Hotel California" foi o quinto álbum de estúdio da banda e também o nome da música de maior sucesso do grupo. Ate ali o Eagles já havia conquistado um espaço com uma sonoridade próxima do folk rock.
A banda tinha como líderes o baterista Don Henley e Glenn Frey, além dos guitarristas Don Felder e Joe Walsh. Ambos responsáveis pelo antológico solo da faixa. O disco demorou oito meses para ser gravado, entre Março e Outubro de 1976. O disco traz a música de maior sucesso do grupo: a faixa-título "Hotel California", além de outros sucessos como "New Kid In Town" e "Life In The Fast Lane". Teve participação do guitarrista Joe Walsh já como um membro fixo da banda, ele que tinha se juntado ao grupo no ano anterior, ocupando o lugar de Bernie Leadon.
Se você ouvir novamente o disco, perceberá que tem uma sequencia de canções que se complementam. "Victim of Love" é a sequencia de baladas que encerra o album são outros destaques . A banda recebeu dois Grammy Awards, um pela música "Hotel California" na categoria "Record Of The Year" e outro pela música "New Kid in Town" na categoria "Best Arrangement For Voices".
"Hotel California"
"New Kid in Town"
quinta-feira, 15 de outubro de 2026
.: Manual Crônico, de Thiago Sobral: Palavras desenhadas no ar
Thiago Sobral é escritor. Também publica semanalmente no Substack. É autor do livro "O Pai, a Faca e o Beijo", publicado pela Editora Patuá.
Chave no contato. Giro. Partida. Dedo no botão: a Partida. Quinze, dezesseis minutos em que sou forçado a recriar na mente quatro linhas, círculo e semicírculos, traves, bola, toques, dribles, cabeçadas e chutes, que são desenhados no ar por alguém que não sei exatamente quem é. Tudo bem que os dribles não estão mais tão na moda assim, mas desejo muito imaginá-los. Caso contrário, qual seria a graça?
Há muito larguei as discussões acaloradas sobre o futebol. Há muito abandonei os gramados e talvez seja por isso que o hexa nunca vem. E há muito não ouvia uma partida pelo rádio. Ao colocar o dedo no botão, o jogo estava um a zero para nós. E os míseros quinze, dezesseis minutos de trajeto entre a escola, no fim do expediente noturno, e minha casa alojaram em meus ouvidos a nostalgia dos anos noventa.
Enquanto dirigia, o time adversário empatou. Diz o homem que desenhava as palavras no ar que Dairon Asprilla havia feito um golaço. Acreditei, incrédulo de meu pé-frio. Digo pé-frio porque me bailou na mente a última transmissão futebolística de rádio de que tenho memória. Não informo o time pelo qual torço por questão de privacidade. Mas o amigo vai entender.
O ano era 1998. E quem conheceu 98 sabe que a coisa não foi lá muita coisa para nós… Não só nós, mas todos nós (Zidane que o diga). Por pouco, não nos igualamos ao futuro, quando os alemães se fizeram em todos nós — não apenas em nós. Minha criança de dez anos ouviu aquela partida com olhos empoçados, imaginando cada um dos sete tentos lusitanos como marteladas no meu pequeno coração torcedor. No dia seguinte, o Globo Esporte calcificou minha imaginação para sempre.
Eis o ponto! A partida do presente levou-me à partida do passado, e as emoções se tornaram uma só. O coração acelerado ouviu o apito estridente e o desenhista das palavras no ar anunciar o pênalti. Foi? Não foi? A mão no câmbio do carro e a segunda entrou rasgando. Jonathan Calleri bateu no alto. Grito! Mão no câmbio novamente: a terceira deslizou. A imaginação cumpriu seu trabalho.
Melancolia do passado. Euforia do presente. Tudo construído através das palavras desenhadas pelas ondas sonoras, sentimento no ar. Não sei se bom ou ruim. Sei apenas que os meninos de dez anos de hoje talvez não terão essa chance, lá na frente. Porque o que há são imagens e cortes, canais e streamings. O palco é das telas. E o serviço está feito.
Só resta torcer.
Torcer como torceu o garotinho na final de 98, na França. Torcer e chorar como o menino que viu os lusos Émerson, César, Leandro, Carlinhos, Evandro, Ricardo Lopes e Da Silva alcançarem o número perfeito, ainda que enganado pelos tricolores Serginho e Marcelinho. Ou mesmo, como torceu o homem de hoje, ao ouvir novamente as palavras desenhadas no ar pelo locutor.
O jogo de agora teve um desfecho melhor: três a um e a nossa classificação para a próxima fase. Dessa vez, não recorri ao Globo Esporte para calcificar a imaginação. Preferi ficar com as palavras desenhadas no ar por alguém que não sei exatamente quem é.
segunda-feira, 12 de outubro de 2026
.: Fama e Hollywood são matéria-prima para novo romance de John Green
Após quase uma década longe da ficção, autor de “A Culpa É das Estrelas” acompanha dois jovens atores diante das delícias e dos estragos provocados pela fama
John Green está de volta à ficção. Depois de quase uma década, o escritor norte-americano retorna às livrarias com “Um Final de Cinema”, romance que mergulha no universo do cinema para discutir fama, exposição, ambição profissional e as marcas que certas experiências deixam pelo caminho. O livro, publicado pela Intrínseca, chega às livrarias em outubro, com tradução de Alda Lima. A arte de Andy Warhol, figura controversa e fundamental da Pop Art, serve como uma das referências para a história. A célebre relação entre celebridade, consumo e transformação de pessoas em produtos ganha novas camadas nas mãos de Green, autor de livros que conquistaram gerações de leitores, como “A culpa é das estrelas” e “Cidades de papel”.
A trama acompanha dois atores em ascensão durante as filmagens de uma cinebiografia sobre o último ano de vida de Warhol. Kai é um estreante em Hollywood que tenta descobrir se finalmente encontrou a oportunidade capaz de mudar sua trajetória ou se aquela será sua primeira e última grande chance. Juniper, por sua vez, foi atriz mirim e está determinada a mostrar que cresceu, amadureceu e está pronta para ocupar novos espaços na indústria. A proximidade entre os dois rapidamente desperta a atenção do público. O talento chama a atenção, mas os rumores de um possível romance também fazem sua parte, especialmente nas redes sociais. Enquanto o filme ganha forma, Kai e Juniper percebem que estão envolvidos em uma produção capaz de alterar suas vidas profissionais.
A expectativa aumenta quando, perto da estreia, a produção conquista atenção suficiente para elevar as projeções de arrecadação. O sucesso finalmente parece ao alcance dos dois. Juniper e Kai chegam ao lugar que tanto desejavam, enquanto uma possível história de amor surge no horizonte, justamente quando suas carreiras começam a ganhar velocidade. A fama, porém, costuma cobrar a conta com juros. Conforme os dois passam a ocupar mais espaço na mídia, lembranças que preferiam manter no passado reaparecem. A exposição transforma questões pessoais em assunto público e obriga os protagonistas a descobrir como sobreviver a uma realidade na qual cada detalhe pode virar notícia, comentário ou especulação.
É nesse jogo entre celebridade e intimidade que John Green encontra o coração de “Um Final de Cinema”. Seus personagens sabem o que querem profissionalmente, mas precisam enfrentar a possibilidade de se transformarem em mercadorias da própria indústria que desejam conquistar. A referência a Warhol, portanto, ganha uma dimensão particularmente saborosa dentro da narrativa. A fama pode durar quinze minutos. O problema começa quando esses quinze minutos resolvem ocupar uma vida inteira.
Sobre o autor
John Green é autor premiado e best-seller do New York Times. Formado em língua inglesa e estudos religiosos pelo Kenyon College, em Ohio, nasceu em 1977, no estado de Indiana, onde vive com a mulher e os filhos. Ao longo da vida, também morou em Nova York, Illinois, Michigan, Flórida e Alabama. Antes de se tornar um dos nomes mais conhecidos da literatura contemporânea para jovens adultos, trabalhou como redator na National Public Radio, em Chicago, e como editor-assistente e de produção da revista de resenhas literárias Booklist. Também assinou críticas de livros para o New York Times. Pela Intrínseca, publicou “A Culpa É das Estrelas”, “Quem É Você, Alasca?”, “Cidades de Papel”, “O Teorema Katherine”, “Tartarugas Até Lá Embaixo”, “Antropoceno: Notas Sobre a Vida na Terra” e “Tudo É Tuberculose”.
domingo, 11 de outubro de 2026
.: “Grande Sertão: Veredas” em novas leituras para uma história sem fim
Sete décadas depois da publicação, o romance de João Guimarães Rosa permanece aberto a novas leituras, adaptações, pesquisas e interpretações que mantêm linguagem e personagens em movimento
Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.
Em julho de 1956, “Grande Sertão: Veredas” chegou às livrarias brasileiras. Setenta anos depois, o romance continua sendo lido, estudado, adaptado, encenado, desenhado, filmado e discutido. A distância entre essas duas datas ajuda a dimensionar a permanência de uma obra que nunca se acomodou dentro da própria importância. O livro de João Guimarães Rosa atravessou gerações sem perder a capacidade de provocar estranhamento.
Riobaldo continua contando a história dele, Diadorim permanece escondendo segredos, os jagunços seguem atravessando o sertão e as perguntas sobre amor, violência, fé, destino, coragem, medo e escolha ainda estão abertas. A explicação para a vitalidade do romance é uma: “Grande Sertão: Veredas” não oferece uma leitura única de si mesmo. A publicação de 1956 representou um momento decisivo na trajetória de Guimarães Rosa. O escritor já havia chamado atenção com “Sagarana”, publicado dez anos antes, mas o novo romance ampliou de maneira radical as possibilidades de sua literatura.
A história acompanha Riobaldo em um longo relato sobre a vida entre jagunços, as guerras, as alianças, as perdas e a relação com Diadorim. Só que a aventura nunca aparece separada das grandes questões que ocupam o narrador. Enquanto conta o que viveu, Riobaldo tenta compreender o que fez, o que desejou, aquilo em que acreditou e até onde suas escolhas foram realmente suas. Essa combinação dá ao livro uma característica incomum. Há uma história para acompanhar, mas também há uma linguagem que exige atenção. Há personagens e acontecimentos, mas existe ainda uma voz que pensa sobre tudo isso enquanto narra. O resultado é um romance que permite diferentes portas de entrada.
Um leitor pode chegar pela história de Riobaldo e Diadorim. Outro pode se interessar pelo sertão. Há quem entre pela linguagem, pela filosofia, pela religiosidade, pela violência ou pela própria construção do narrador. Pedro Süssekind, autor de “O Mar, o Rio e a Tempestade: sobre Homero, Rosa e Shakespeare”, defende essa condição viva do clássico. Para ele, uma obra dessa dimensão não deve ser tratada como peça de museu: cada nova leitura pode recolocar o livro em circulação e fazer com que leitores de épocas diferentes encontrem outras possibilidades na narrativa.
O sertão ficou maior que o mapa
A frase de Riobaldo - “o sertão é do tamanho do mundo” - ganhou uma espécie de vida própria ao longo das décadas. Guimarães Rosa conhecia o sertão mineiro desde a infância, mas também voltou a ele como observador e escritor. Em 1952, acompanhou durante dez dias uma comitiva de oito vaqueiros que conduzia cerca de 180 cabeças de gado até Araçaí. Durante a viagem, registrou palavras, expressões, nomes de lugares, histórias, comportamentos e detalhes do cotidiano, um material que foi transformado pela literatura. No livro aparecem rios, veredas, fazendas, chapadas, animais, vaqueiros e jagunços reconhecíveis. mas também existe também um território interior, feito de dúvidas e decisões, no qual qualquer pessoa pode se reconhecer.
Riobaldo ainda tem perguntas está o tempo todo tentando interpretar os acontecimentos. O homem mais velho que ele se tornou olha para o jagunço do passado e procura compreender o jovem que tomou determinadas decisões. A distância entre experiência e memória produz uma narrativa cheia de dúvidas. Ele acredita que fez um pacto com o Diabo? O destino existe ou é uma explicação que inventamos depois dos acontecimentos? As pessoas escolhem seus caminhos ou apenas descobrem tarde demais aquilo que já fizeram?
Süssekind aproxima Riobaldo de personagens de tradições muito diferentes, como Hamlet, de Shakespeare. A comparação pode parecer inesperada, mas parte de uma ideia simples: a dimensão de um personagem não depende do lugar onde ele vive. Riobaldo pensa sobre a existência com uma intensidade que ultrapassa a classificação de “personagem regional”.
Diadorim continua mudando de rosto
Sônia Clara viveu Diadorim no filme de 1965. Bruna Lombardi assumiu a personagem na minissérie da TV Globo de 1985. Luiza Lemmertz levou a personagem para a montagem teatral de Bia Lessa e depois voltou a interpretá-la no cinema. Luisa Arraes, que também participou da montagem teatral, assumiu Diadorim no “Grande Sertão” de Guel Arraes. A cada versão, a personagem muda de corpo, de ambiente e de linguagem.
A televisão dos anos 1980 encontrou uma Diadorim inserida em uma produção de grandes dimensões, filmada no sertão mineiro. O teatro de Bia Lessa transformou o romance em uma experiência espacial. O cinema de Guel Arraes transferiu os conflitos dos jagunços para uma periferia urbana. As adaptações de “Grande Sertão: Veredas” mostram isso com clareza. O filme de 1965 precisou condensar uma narrativa monumental. A minissérie de 1985 ampliou o tempo e a dimensão da história. Bia Lessa transformou a obra em teatro e instalação. Guel Arraes levou os conflitos do livro para outro território. Também houve quadrinhos, música e videoinstalação. Mas nenhuma dessas versões substitui o romance, já que ajudaram a mantê-lo em circulação.
Setenta anos também cabem em novas leituras
A permanência de “Grande Sertão: Veredas” aparece ainda na quantidade de maneiras encontradas para voltar a ele. Em 2026, a edição especial de 70 anos publicada pela Companhia das Letras ganhou novo projeto gráfico, capa inspirada em trabalho da artista mineira Sonia Gomes, ensaio de Érico Melo sobre o processo de construção do romance e depoimentos de escritores, pesquisadores e leitores. O aniversário também movimenta outras iniciativas, entre elas uma nova edição de “Diário do Grande Sertão”, de Bruna Lombardi, debates e uma versão em audiolivro narrada por Caio Blat.
Na Flip de 2026, mais de 300 pessoas acompanharam a conferência “70 Anos de Grande Sertão: Veredas”, com Itamar Vieira Junior, dedicada à permanência e à força do romance no presente. A quantidade de atividades em torno da obra revela uma coisa curiosa: comemorar 70 anos não significa olhar para trás durante sete dias, pelo contrário, evidencia encontrar novos motivos para voltar ao livro. Existe ainda uma razão menos evidente para a permanência de “Grande Sertão: Veredas”: Guimarães Rosa continua sendo descoberto.
A biografia dele ajuda a entender parte dessa obra. O menino de Cordisburgo que cresceu ouvindo histórias, o médico que percorreu pequenas cidades do interior, o diplomata que viveu na Europa e ajudou a salvar muitas vidas, o homem interessado por idiomas e culturas diferentes e o escritor que voltou ao sertão para recolher palavras e histórias não cabem numa imagem única.
Chamar Guimarães Rosa apenas de escritor regional seria pequeno demais. Colocá-lo exclusivamente entre os autores do modernismo também não dá conta do que ele fez com a linguagem. Transformar “Grande Sertão: Veredas” em monumento literário pode até reconhecer sua importância, mas cria uma distância desnecessária entre o livro e quem ainda não o leu. A literatura brasileira mudou muito desde 1956. Mudaram os leitores, os costumes, as formas de publicação, os meios de comunicação e as maneiras de contar histórias.
O livro hoje pode ser encontrado numa edição comemorativa, discutido em uma universidade, transformado em filme, levado ao teatro, convertido em quadrinhos, ouvido em audiolivro ou apresentado em uma conversa com escritores. Pode chegar ao leitor que conhece Guimarães Rosa desde a escola e também àquele que abre o livro pela primeira vez. A obra sobrevive porque permite essas aproximações sem perder a ´própria estranheza e não precisa ser simplificada para continuar atual. Ele permanece disponível para novas perguntas sem entregar uma interpretação definitiva de si mesmo.
- "Grande Sertão: Veredas" completa 70 anos e abre novos horizontes
- João Guimarães Rosa, o escritor que inventou um sertão universal
- “Grande Sertão” mobiliza personagens que atravessam amor, guerra e destino
- Guimarães Rosa: as paisagens, viagens e lugares que entraram para a literatura
- “Grande Sertão” é teatro, cinema e TV em diferentes versões de Rosa
- “Grande Sertão: Veredas” revela as faces de Diadorim nas telas e no palco
- Setenta anos depois: por que “Grande Sertão: Veredas” continua vivo
sábado, 10 de outubro de 2026
.: Clara Ribeiro lança "Outras Ondas, Mesmas Cores"
Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.
Clara Ribeiro lança seu novo projeto musical, "Outras Ondas, Mesmas Cores", em colaboração com os produtores musicais Taleko e Warmando. Assinam também os beatmakers Holandês, Drei, GregoOnDeBeat, flowerthings, Jovelli, Crosstalk, CL Fez O Beat, Jacquelone e DJ Carlosz – que já produziu Anitta, Marina Sena e Bia Soull.
Primeiro álbum da artista, a iniciativa marca um momento de expansão em sua carreira. Depois de alcançar mais de 100 mil streams com o EP "Desabafos" (2025), em parceria com Chediak, Clara dá continuidade a uma pesquisa artística entre música eletrônica, R&B e experimentos sonoros.
Em "Outras Ondas, Mesmas Cores", Clara reúne diferentes artistas e produtores para atravessar gêneros como house, city pop, UK garage e grime. As faixas nasceram há alguns anos como composições e beats independentes. "Outras Ondas, Mesmas Cores" já está disponível em todas as plataformas.
"Porto Seguro"
"Mantra"
"Vital"
sexta-feira, 9 de outubro de 2026
.: Lula Barbosa revisita sua carreira na música
Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.
O intérprete e compositor Lula Barbosa, reconhecido como um dos nomes mais importantes da música brasileira, apresenta-se no Centro Cultural Vila Itororó no dia 29 de outubro, quinta, às 19h. Antes do show, às 17h30, o artista conduz uma Vivência Musical aberta a todos os interessados. Tanto a vivência quanto o show têm ingressos gratuitos e contam com recursos de acessibilidade como intérprete de Libras e audiodescrição. Esta programação dá início ao projeto Lula Barbosa - Memória Viva, que celebra uma trajetória de mais de 40 anos na música brasileira.
No show, Lula Barbosa (voz e violão) - acompanhado por Omar Campos (guitarra), Elias Jó (piano e Direção Musical), Elias Caju (bateria) e Zazá (contrabaixo) - interpreta composições que ilustram toda a sua carreira, entre elas Mira Ira, Brincos e Tempo de Fé. Entre um número musical e outro, ele divide com o público algumas histórias, memórias ou curiosidades sobre as canções. Na vivência, o artista transforma sua experiência, suas músicas e suas histórias em conhecimento para seus fãs e para as novas gerações.
Lula Barbosa é dono de um timbre ímpar e de uma interpretação marcante e singular que adorna com naturalidade a diversidade brasileira de ritmos e estilos, indo da MPB ao pop, da música latina ao choro e ao jazz. Sua discografia, com 24 títulos, é prova da riqueza de sua obra, reunindo trabalhos autorais e homenagens a mestres da nossa cultura.
O projeto "Lula Barbosa - Memória Viva" - viabilizado pelo Edital Fomento CultSP - PNAB N° 19/2025 - Produção e/ou Manutenção de Projetos Culturais na Indústria Criativa por Pessoas 60+, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo - busca valorizar a trajetória do compositor e intérprete com quase cinco décadas de atuação na música popular brasileira. A iniciativa vem celebrar, registrar e difundir a vasta obra do artista que é um patrimônio vivo da canção brasileira.
.: "Nós Acreditamos em Vocês" coloca a Justiça diante da palavra de uma mãe
Drama belga de Charlotte Devillers e Arnaud Dufeys, premiado na Berlinale, acompanha uma audiência de guarda marcada por acusações de violência sexual e chega com exclusividade à Reserva Imovision
Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.
Alice chega ao tribunal sabendo que qualquer palavra pode interferir no destino dos filhos. A guarda das crianças está em discussão, o ex-marido está diante dela e a mãe precisa sustentar, perante uma juíza, a decisão de protegê-las. É a situação central de "Nós Acreditamos em Vocês" ("On vous croit"), drama belga dirigido por Charlotte Devillers e Arnaud Dufeys que estreia exclusivamente na plataforma Reserva Imovision nesta sexta-feira, dia 9 de outubro. O filme foi lançado nos cinemas brasileiros em julho, pela Filmes do Estação, e retorna agora ao streaming depois de conquistar espaço em festivais internacionais.
Myriem Akheddiou interpreta Alice, personagem que concentra praticamente toda a tensão da narrativa. Conhecida por trabalhos como "Titane" e pela colaboração com os irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, a atriz divide o elenco com Laurent Capelluto, no papel do pai, e Natali Broods, como a juíza. Ulysse Goffin e Adèle Pinckaers completam o núcleo familiar, respectivamente como Etienne e Lila. A direção e o roteiro são assinados por Devillers e Dufeys, que realizam aqui o primeiro longa-metragem da carreira conjunta.
O ponto de partida é uma audiência de família na qual Alice tenta impedir que os filhos voltem a ficar sob os cuidados do pai, acusado de violência sexual contra uma das crianças. A mãe precisa apresentar sua versão diante de advogados e da magistrada, enquanto sua própria conduta passa a ser examinada pelo sistema judicial. O filme acompanha esse embate durante uma manhã e mantém a narrativa praticamente confinada ao ambiente do tribunal, fazendo da burocracia, dos questionamentos e das respostas uma fonte contínua de tensão.
A escolha formal é decisiva para esse efeito. "Nós Acreditamos em Vocês" foi realizado no formato 4:3, com enquadramentos próximos dos rostos, especialmente o de Myriem Akheddiou. Charlotte Devillers explicou que o formato surgiu também da necessidade de trabalhar com recursos reduzidos e que o rosto de Alice se tornou uma espécie de paisagem principal da produção. A diretora e Arnaud Dufeys queriam deixar espaço para a atuação e para a sensação de que aquela audiência estava acontecendo diante do espectador.
Uma das características mais particulares da produção está na extensa cena de audiência. Segundo a entrevista concedida por Akheddiou ao AlloCiné, a sequência principal tem cerca de 55 minutos e foi filmada em uma tomada, com três câmeras. A atriz também enfrentou um monólogo de aproximadamente 25 minutos, exigência que ajudou a transformar a interpretação de Alice no eixo físico e emocional da produção.
O resultado é um drama de tribunal que evita transformar a acusação em mero recurso para produzir reviravoltas. Os diretores concentram a atenção na maneira como uma mãe precisa organizar sua fala enquanto enfrenta perguntas, objeções e procedimentos jurídicos. A estrutura também coloca o espectador numa posição desconfortável, porque a dúvida institucional passa a disputar espaço com aquilo que Alice afirma estar tentando impedir: que os filhos sejam novamente expostos ao homem que ela acusa.
A origem do projeto ajuda a entender essa escolha. Charlotte Devillers é enfermeira e teve contato profissional com questões relacionadas à saúde sexual e a vítimas de violência. Em entrevistas, ela e Dufeys relatam que pesquisaram o funcionamento da Justiça e conversaram com vítimas e profissionais antes de desenvolver o roteiro. A preocupação dos realizadores era compreender o desgaste de mães que chegam às instituições depois de longos períodos tentando proteger os filhos e precisam, ainda assim, explicar repetidamente suas decisões.
O filme também ganhou atenção pela maneira como utiliza atores profissionais ao lado de pessoas ligadas ao universo jurídico. As advogadas Alisa Laub e Marion de Nanteuil, que atuam na defesa da proteção infantil na Bélgica, participam da produção, assim como Mounir Bennaoum no papel do advogado das crianças. Devillers contou que o texto destinado aos advogados recebeu tratamento diferente durante as filmagens: eles receberam as ideias centrais e puderam desenvolver seus argumentos durante a longa cena da audiência.
A repercussão internacional começou na Berlinale 2025, onde "On vous croit" participou da seção Perspectives e recebeu uma Menção Especial do júri na categoria de primeiro longa-metragem. O reconhecimento oficial da Berlinale confirma a distinção, concedida ao filme dirigido por Charlotte Devillers e Arnaud Dufeys.
A trajetória posterior ampliou a recepção da produção. "Nós Acreditamos em Vocês" acumulou premiações em festivais e, posteriormente, conquistou seis troféus na primeira edição do prêmio René du Cinéma, entre eles Melhor Filme e Melhor Direção. A atuação de Myriem Akheddiou também recebeu reconhecimento em diferentes festivais, reforçando a posição da atriz como principal força interpretativa da produção.
O título ganha sentido completo quando a audiência chega ao fim. "Nós Acreditamos em Vocês" se refere diretamente à necessidade de reconhecer a palavra de vítimas de violência e, ao mesmo tempo, expõe a distância entre o que uma pessoa vive e aquilo que precisa ser traduzido para dentro de uma estrutura jurídica. A produção encontra sua força justamente nessa fricção: Alice precisa falar, explicar, responder e insistir enquanto tenta impedir que a proteção dos filhos seja tratada como uma questão secundária.
Com 78 minutos, fotografia de Pépin Struye, montagem de Nicolas Bier, direção de arte de Mathilde Lejeune e música de Lolita Del Pino, "Nós Acreditamos em Vocês" constrói uma experiência concentrada, sustentada pela atuação de Myriem Akheddiou e pela decisão de manter o espectador dentro daquela audiência durante praticamente toda o filme.
Ficha técnica
"Nós Acreditamos em Vocês" | "On Vous Croit" (título original) | "Acreditamos em Ti" (título em Portugal)
Gênero: drama. Duração: 78 minutos. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 2025. Idioma: francês. Direção: Charlotte Devillers e Arnaud Dufeys. Roteiro: Charlotte Devillers e Arnaud Dufeys. Elenco: Myriem Akheddiou, Laurent Capelluto, Natali Broods, Ulysse Goffin, Adèle Pinckaers, Alisa Laub, Marion de Nanteuil e Mounir Bennaoum. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.
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quinta-feira, 8 de outubro de 2026
.: Se fosse antes do Pix… …todo mundo tinha, eu até achava no chão
.: "Um Espírito Baixou em Mim": Steve Martin e Lily Tomlin no mesmo corpo
Comédia de Carl Reiner transforma uma tentativa de transferência de alma em um duelo físico entre dois personagens incompatíveis e marca a última parceria do diretor com Steve Martin
Ficha técnica
Gênero: comédia e fantasia. Duração: 93 minutos. Classificação indicativa no Brasil: 14 anos. Ano de produção: 1984. Data de lançamento: 21 de setembro de 1984 nos Estados Unidos. Idioma: inglês. Direção:Carl Reiner. Roteiro: Phil Alden Robinson e Henry Olek, baseado no romance "Me Two", de Edwin Davis. Elenco: Steve Martin, Lily Tomlin, Victoria Tennant, Madolyn Smith Osborne, Richard Libertini, Dana Elcar, Jason Bernard, Selma Diamond, Eric Christmas, Gailard Sartain, Neva Patterson, Michael Ensign e Peggy Feury. Distribuição no Brasil: Belas Artes à La Carte. Cenas pós-créditos: não há cena pós-créditos, porém há uma sequência musical durante os créditos finais. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.
quarta-feira, 7 de outubro de 2026
.: “As Cores do Tempo” recupera história de família e aproxima 1895 de 2025
Filme de Cédric Klapisch chega à Reserva Imovision depois de passagem pelos cinemas brasileiros e pelo 2º Festival de Cinema Europeu Imovision
Gênero: comédia dramática, drama e romance. Duração: 124 minutos. Classificação indicativa: 14 anos - contém conteúdo sexual, drogas e nudez. Ano de produção: 2025. Data de lançamento no Brasil: 30 de julho de 2026 nos cinemas. Idioma: francês. Direção: Cédric Klapisch. Roteiro: Cédric Klapisch e Santiago Amigorena. Elenco: Suzanne Lindon, Abraham Wapler, Vincent Macaigne, Julia Piaton, Zinedine Soualem, Paul Kircher, Vassili Schneider, Sara Giraudeau, Cécile de France, Olivier Gourmet, Claire Pommet (Pomme), Fred Testot, François Berléand, Philippine Leroy-Beaulieu, entre outros. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.
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.: Drama "Julgamento em Nuremberg”: a Justiça como instrumento de um regime
Com Spencer Tracy, Burt Lancaster, Richard Widmark, Marlene Dietrich, Montgomery Clift e Maximilian Schell, clássico de Stanley Kramer revisita o julgamento de magistrados nazistas e coloca a própria ideia de Justiça no banco dos réus
Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.
O streaming Belas Artes À La Carte recebe “Julgamento em Nuremberg”, clássico dirigido por Stanley Kramer em 1961, um dos grandes dramas judiciais do cinema americano e uma produção que reuniu Spencer Tracy, Burt Lancaster, Richard Widmark, Marlene Dietrich, Montgomery Clift, Maximilian Schell e Judy Garland. Inspirado no chamado “Julgamento dos Juízes”, realizado em Nuremberg depois da Segunda Guerra Mundial, o filme desloca a atenção dos grandes líderes nazistas para homens que ajudaram a transformar a Justiça alemã em instrumento de perseguição. A questão que move a narrativa continua incômoda: o que acontece quando a lei passa a servir ao poder em vez de proteger o indivíduo?
Na trama, o juiz americano Dan Haywood, interpretado por Spencer Tracy, chega à Alemanha ocupada para presidir o julgamento de quatro magistrados acusados de colaborar com o regime nazista. O processo coloca frente a frente o promotor Tad Lawson, vivido por Richard Widmark, e o advogado de defesa Hans Rolfe, papel de Maximilian Schell, enquanto depoimentos e provas revelam como decisões tomadas dentro dos tribunais contribuíram para legitimar esterilizações, perseguições raciais e assassinatos. O filme se passa em 1948, um ano depois do julgamento histórico que serviu de base ao roteiro, alteração feita por Abby Mann para incorporar ao drama o clima da Guerra Fria e a crescente pressão política por uma reaproximação com a Alemanha.
É nessa distância entre a letra da lei e a responsabilidade de quem a aplica que Stanley Kramer concentra sua força. “Julgamento em Nuremberg” não se limita a reconstruir um episódio histórico. O roteiro de Abby Mann, vencedor do Oscar, pergunta até onde pode ir a obediência de um funcionário do Estado e em que momento seguir uma ordem, uma norma ou uma legislação deixa de ser uma justificativa. A Biblioteca do Congresso, ao incluir o filme no National Film Registry em 2013, destacou justamente essa dimensão: a produção amplia o debate sobre os responsáveis pela administração da Justiça e sobre o dever de preservar direitos humanos mesmo quando eles entram em choque com interesses nacionais.
O elenco transforma esse embate jurídico em matéria dramática de primeira grandeza. Spencer Tracy conduz a história com uma atuação contida como o juiz Haywood, enquanto Maximilian Schell imprime ao advogado Hans Rolfe uma combinação de inteligência, agressividade e convicção. Schell havia interpretado o mesmo personagem na versão televisiva de “Judgment at Nuremberg”, exibida pelo programa “Playhouse 90”, da CBS, em 1959, e acabou permanecendo no papel mesmo depois de Marlon Brando manifestar interesse em assumir a função. A escolha se mostrou decisiva: Schell ganhou o Oscar de Melhor Ator.
Montgomery Clift e Judy Garland aparecem em momentos particularmente dolorosos do julgamento. Clift interpreta Rudolph Petersen, testemunha cuja experiência revela a violência praticada pelo sistema nazista, enquanto Garland vive Irene Hoffmann, personagem que presta um depoimento devastador. O filme ainda reserva a Marlene Dietrich uma presença de enorme força como Madame Bertholt, viúva de um general alemão executado por crimes de guerra. A atriz chegou a ter dificuldades para realizar uma das cenas porque discordava profundamente da ideia defendida por sua personagem sobre a suposta ignorância dos civis alemães em relação às atrocidades cometidas durante a guerra.
Uma das cenas mais lembradas pertence a Spencer Tracy. O discurso final do juiz Haywood dura cerca de 11 minutos e foi filmado em uma única tomada, com câmeras posicionadas simultaneamente para garantir a cobertura necessária. A decisão de Kramer preservou a continuidade da atuação e evitou interromper a concentração do protagonista. O resultado é uma das passagens mais emblemáticas do filme e demonstra por que o trabalho de Tracy permanece no centro da memória de “Julgamento em Nuremberg”.
A produção também incorporou imagens reais dos crimes cometidos nos campos de concentração. A Biblioteca do Congresso chama atenção para os cerca de sete minutos de material documental inseridos no filme, recurso que aproxima a ficção das provas históricas apresentadas dentro do tribunal. Essa combinação entre representação dramática e imagens documentais ajudou a dar ao julgamento uma dimensão particularmente perturbadora para o público de 1961.
A liberdade tomada pelo roteiro em relação aos acontecimentos históricos é considerável. O julgamento real dos juízes ocorreu em 1947 e teve 16 acusados, enquanto Abby Mann condensou a história em quatro réus e combinou características de diferentes figuras históricas. A mudança para 1948 também permitiu que a narrativa incorporasse o golpe comunista na Tchecoslováquia e a tensão crescente entre Estados Unidos e União Soviética. O AFI Catalog registra a origem do projeto no telefilme exibido em 1959 e a posterior adaptação de Mann para o cinema.
Essa dimensão de reconstrução histórica ajuda a compreender por que o filme permanece tão discutido. Bosley Crowther, do “The New York Times”, reconheceu na época a força do trabalho de Kramer e observou que a produção conseguia dizer muito sobre uma questão que continuava a exigir atenção. Décadas depois, o “Los Angeles Times” voltou a destacar o desempenho de Tracy e a maneira como o roteiro de Mann transformava a memória dos crimes nazistas em um conflito moral e jurídico.
“Julgamento em Nuremberg” também carrega uma curiosidade cinematográfica rara: Maximilian Schell venceu o Oscar de Melhor Ator embora apareça apenas como o quinto nome na ordem dos créditos principais. O filme recebeu 11 indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme, Direção, Ator para Spencer Tracy, Ator Coadjuvante para Montgomery Clift e Atriz Coadjuvante para Judy Garland, além de categorias técnicas. As duas estatuetas foram para Schell e Abby Mann.
O reconhecimento institucional veio muitos anos depois. Em 2013, a Biblioteca do Congresso selecionou “Judgment at Nuremberg” para preservação no National Film Registry, que reúne obras consideradas cultural, histórica ou esteticamente significativas para o cinema dos Estados Unidos. A escolha reforça a permanência de um filme que nasceu ligado a um acontecimento específico, mas encontrou no tribunal uma maneira de discutir algo muito maior: a responsabilidade individual quando instituições inteiras decidem obedecer ao poder.
Ficha técnica
“Julgamento em Nuremberg” | “Judgment at Nuremberg” (título original)
Gênero: guerra, histórico e drama jurídico. Duração: 186 minutos. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 1961. Data de lançamento: 14 de dezembro de 1961. Idioma: inglês e alemão. Direção: Stanley Kramer. Roteiro: Abby Mann. Elenco: Spencer Tracy, Burt Lancaster, Richard Widmark, Marlene Dietrich, Montgomery Clift, Maximilian Schell, Judy Garland, William Shatner, Werner Klemperer, Torben Meyer e Martin Brandt. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.
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