segunda-feira, 24 de agosto de 2026

.: “Gente Pobre” e “A Dócil” recolocam Dostoiévski no centro do debate literário


Novas traduções diretas do russo, lançadas pela Via Leitura, aproximam leitores contemporâneos de dois textos fundamentais do escritor e filósofo russo


A literatura russa voltou a ocupar espaço no imaginário do público brasileiro. De referências a Fiódor Dostoiévski na novela “Quem Ama Cuida”, da TV Globo, ao crescimento da hashtag #russianliterature no TikTok, que já ultrapassa 180 milhões de visualizações, os clássicos do século XIX encontram uma nova geração de leitores interessada em histórias marcadas por conflitos humanos, questões sociais e mergulhos na subjetividade. 

O interesse também aparece nas livrarias. O mercado editorial brasileiro tem ampliado a publicação de coleções e novas traduções de autores russos, muitas delas realizadas diretamente a partir do idioma original. É nesse cenário que a Via Leitura lança “Gente Pobre e “A Dócil”, dois livros que ajudam a compreender por que Dostoiévski continua dialogando tão de perto com o presente. As novas edições têm tradução direta do russo assinada pela linguista e tradutora Natalia Petroff, formada pela USP e especialista no idioma. O trabalho busca preservar a força dos textos originais e, ao mesmo tempo, oferecer ao leitor brasileiro uma porta de entrada acessível para a obra do escritor.

Publicado originalmente em 1846, apresentando uma narrativa epistolar de forte dimensão social, “Gente Pobre” foi o primeiro romance de Dostoiévski. A narrativa acompanha, por meio de cartas, dois personagens humildes que compartilham sentimentos, expectativas e dificuldades provocadas pela pobreza. A troca epistolar revela tanto as limitações impostas pela condição social quanto a sensibilidade e a dignidade daqueles que vivem à margem. Compre "Gente Pobre", de Dostoiévski, neste link.

Concentra em poucas páginas um intenso estudo sobre a mente humana,“A Dócil” apresenta um dos momentos mais concentrados e perturbadores da literatura de Dostoiévski. Após o suicídio da jovem esposa, um homem tenta reconstruir os acontecimentos que levaram à tragédia. Entre lembranças, justificativas e contradições, a narrativa expõe temas como solidão, orgulho, incomunicabilidade e os impasses das relações afetivas. Compre "A Dócil", de Dostoiévski, neste link.

Essa capacidade de observar o indivíduo em seus momentos de maior fragilidade explicam a permanência de Dostoiévski. Culpa, medo, isolamento, desigualdade, relações humanas e conflitos psicológicos atravessam o tempo e encontram eco em questões discutidas atualmente, inclusive no campo da saúde mental. Os livros integram a coleção de literatura russa da Via Leitura, que também reúne títulos como “Memórias do Subsolo” e “Noites Brancas”. Com a iniciativa, o Grupo Editorial Edipro amplia o acesso a traduções diretas e aproxima do público brasileiro obras fundamentais da literatura mundial. Para quem ainda vê os clássicos russos como leituras distantes ou difíceis, os dois lançamentos também podem funcionar como ponto de partida. 


Sobre Fiódor Dostoiévski
Fiódor Dostoiévski
(1821-1881) foi escritor, jornalista e filósofo russo. Considerado um dos grandes nomes da literatura universal e um dos precursores do pensamento existencialista, construiu uma obra marcada pela investigação dos conflitos psicológicos e das contradições humanas. Entre seus livros mais conhecidos estão “Crime e Castigo”, “O Idiota” e “Os Irmãos Karamázov”. Sua trajetória pessoal também foi marcada por dificuldades financeiras e familiares, além de períodos de exílio e intensa produção literária. A experiência de Dostoiévski diante da pobreza, da culpa, da perda e das relações humanas atravessou seus livros e ajudou a formar uma literatura que continua provocando leitores de diferentes gerações. Compre os livros de Dostoiéviski neste link.

sábado, 22 de agosto de 2026

.: "Revolver" 60 anos: a arma dos Beatles era a inovação


Por
Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

Há 60 anos os Beatles lançavam o álbum "Revolver", explorando ao máximo os recursos técnicos no estudio de gravação. Mais do que apontar tendencias, o disco consolidou a nova fase da banda, que abandonou os shows ao vivo ´para dedicar seu tempo para trabalhos conceituais e mais elaborados. O som de "Revolver" não se parecia com os trabalhos anteriores. 

A começar que pela primeira vez George Harrison aparecia com três canções de sua autoria ("Taxman", "Love You To" e "I Want To Tell You"). Todas elas aliás são destaques nesse álbum. O detalhe curioso é que em "Taxman", o solo de guitarra foi feito por Paul McCartney e não por George, como ocorria habitualmente.

Na faixa "Eleanor Rigby", McCartney canta acompanhado somente por um octeto de cordas, em um dos momentos mais marcantes do disco. E sola os vocais na bela balada "Here There and Everywhere" e na animada "Got to Get You Into My Life", essa última com arranjo inspirado gravações da Motown e Stax, ícones da soul music nos anos 60. E também se destaca na balada "For No One", que fala do fim da relação dele com sua namorada na época, Jane Asher.

John Lennon apresenta momentos de flerte com o rock psicodélico em "She Said She Said", "I´m Only Sleeping" e "Tomorrow Never Knows". E Ringo sola o vocal em "Yellow Submarine". "Revolver", o álbum, foi o real divisor de águas na carreira musical dos Beatles. E o interessante é que passados 60 anos o trabalho continua relevante na atualidade, comprovando a força dos quatro músicos de Liverpool.

"Taxman"

"Here There and Everywhere"

"Eleanor Rigby"

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

: MPB-4 e Orquestra Petrobras revivem clássicos da nossa música


Por
Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

.Sob regência do maestro Felipe Prazeres, o concerto que lotou a Grande Sala da Cidade das Artes (RJ), em outubro de 2024, reuniu a Orquestra Petrobras Sinfônica com o grupo MPB4. Meses depois desta apresentação, que celebrou os 60 Anos da MPB, o quarteto e a orquestra voltaram a se encontrar para a gravação do álbum “MPB4 Sinfônico”, realizada na sala de ensaios da Petrobras Sinfônica, na Fundição Progresso, eternizando a parceria e os arranjos criados para o concerto.

A formação atual do MPB4 conta com Aquiles Reis, Miltinho. Dalmo Medeiros e Paulo Malagutti Pauleira. Os dois primeios estão desde o início, nos anos 60. E os outros entraram mais tarde, mantendo sempre a unidade do grupo, bem como a qualidade dos trabslhos desenvolvidos na música.

No repertório, clássicos da música popular brasileira que marcam a trajetória do MPB4, como “Apesar de Você”, “Olê Olá”, “Roda Viva” (as três de Chico Buarque), “Samba do Avião” (Tom Jobim), “Porto” (Dori Caymmi), “Velas Içadas” (Ivan Lins / Vitor Martins) e “O Ronco da Cuíca” (João Bosco / Aldir Blanc), entre outros. Destaque também para a canção Porto, composta por Dori Caymmi para a primeira versão da novela Gabriela, da Rede Globo.

Os arranjos levam as assinaturas de Jaime Alem, Itamar Assiere, Gilson Santos e Paulo Malaguti Pauleira. O álbum “MPB4 Sinfônico” é um daqueles casos de rara beleza da nossa música popular. E ao unir essas canções com o acompanhanento da Orquestra Petrobras, o grupo potencializou  ainda mais a força das canções. Se você gosta da nossa MPB precisa conferir esse trabalho  do MPB4.

"Porto"

"O Cio da Terra"

"Roda Viva"




 

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

.: “Sobre Poetas e Heresias” leva poesia, humor e ironia ao Sesc Pinheiros


Espetáculo com Jairo Mattos e direção de Carlo Milani aproxima Fernando Pessoa, Padre Antônio Vieira e outros autores em uma montagem que transforma literatura em jogo cênico. Foto: Adriano Escanhuela

A literatura ganha ritmo, humor e provocação em “Sobre Poetas e Heresias”, espetáculo protagonizado por Jairo Mattos e dirigido por Carlo Milani, que estreia nesta quinta-feira, 20 de agosto, no auditório do Sesc Pinheiros, em São Paulo. A montagem reúne textos de Padre Antônio Vieira, José Régio, Fernando Pessoa e Wislawa Szymborska para criar um encontro entre poesia, pensamento e comicidade.

Em cena, Mattos interpreta um bufão contemporâneo que assume a função de mestre de cerimônias e comentarista. Diante do público, ele revisita versos, pensamentos e discursos de diferentes épocas, conduzindo a narrativa com ironia e questionamentos. Sermões e poemas ganham novas possibilidades ao serem transformados em ações cênicas, comentários e situações marcadas pelo humor. A dramaturgia, alinhavada por Aloysio Burtin, coloca lado a lado autores de períodos e contextos distintos para abordar temas como poder, fé, amor e ódio. A palavra ocupa o centro da montagem e serve como ponto de partida para um diálogo entre diferentes vozes da literatura.

“Escolhi o bufão porque ele não oferece respostas; ao contrário. Ri das certezas, desmonta discursos e convida o público a olhar o mundo por outro ângulo. Os poetas presentes também são hereges à sua maneira: recusaram aceitar o mundo como algo pronto e fizeram da poesia um ato de liberdade”, afirma Jairo Mattos.

O espetáculo também marca o reencontro artístico entre Mattos e Milani. A parceria entre ator e diretor parte da ideia de transformar a palavra em ação e estabelecer uma relação próxima com a plateia. A direção trabalha com diferentes ritmos para alternar a intimidade dos sermões, a dimensão poética dos textos e as provocações do bufão. O resultado é uma montagem que aproxima obras literárias do público por meio de uma encenação direta e bem-humorada. Entre citações, comentários e invenções, “Sobre Poetas e Heresias” convida a pensar sobre as certezas que atravessam a vida em sociedade sem abrir mão do prazer de rir delas.


Ficha técnica
Peça teatral "Sobre Poetas e Heresias"
Direção: Carlo Milani
Atuação: Jairo Mattos
Figurino: Luiza Curvo
Maquiagem: Beto França
Texto, luz e cenário: Jairo Mattos
Operador de Luz: Bruno Gutierres
Fotografia: Adriano Escanhuela
Direção de produção: Lilia Ladislau e Jorge Moreira
Consultoria: Adolfo Mazzarini
Produção: Orapronobis Produções Culturais


Serviço
Peça teatral "Sobre Poetas e Heresias"
Temporada: 20 de agosto a 12 de setembro de 2026. De quinta a sábado, às 20h30. Nos dias 4 e 11 de setembro, também às 16h.
Sessões com LIBRAS: 4 e 5 de setembro
Local: Sesc Pinheiros – Auditório – Rua Paes Leme, 195, Pinheiros, São Paulo, SP
Ingressos: R$ 50,00 (inteira), R$ 25,00 (meia-entrada) e R$ 15,00 (credencial plena)
Vendas: sescsp.org.br ou nas bilheterias das unidades do Sesc SP
Duração: 60 minutos
Classificação: 14 anos
Acessibilidade: auditório acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.
Sesc Pinheiros | Rua Paes Leme, 195, Pinheiros – São Paulo/SP.
Horário de funcionamento: terça a sexta, das 10h00 às 22h00; sábados, das 10h00 às 21h00; domingos e feriados, das 10h00 às 18h30.
Estacionamento: com manobrista.
Como chegar de transporte público: 350 metros a pé da Estação Faria Lima (Metrô – Linha Amarela), 350 metros a pé da Estação Pinheiros (CPTM – Linha Esmeralda) e do Terminal Municipal Pinheiros (ônibus).
Acessibilidade: a unidade possui rampas de acesso e elevadores, além de banheiros e vestiários acessíveis para pessoas com mobilidade reduzida. Também conta com espaços reservados para cadeirantes.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

.: Crítica: "O Convite" faz convocação claustrofóbica para reavaliar a relação


Cartaz de "O Convite"

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em agosto de 2026


Baseada no filme e peça "Sentimental", do cineasta Cesc Gay, a comédia dramática "O Convite" é uma intrincada armadilha emocional que percorre desentendimentos surpreendentes para permitir que casal reavalie a relação. Ambientado num apartamento bem espaçoso (até que as conversas começam a afunilar os debates), a produção dirigida por Olivia Wilde, apresenta um casal em crise que recebe os vizinhos do andar de cima, o que torna o jantar caótico e totalmente hilário.

De um lado, em meio ao desgaste afetivo e o tédio conjugal, estão os donos do apartamento, Joe (Seth Rogen) e Angela (Olivia Wilde), que "aguardam" a chegada dos visitantes. Numa implicância silenciosa, os dois recebem o casal ardente Pinã (Penélope Cruz) e Hawk (Edward Norton). De fato, Joe fica incomodado com os sons das festas sexuais dos vizinhos e, acaba sendo levado a verbalizar tamanho desagrado.

Em meio a cutucadas provocativas e bastantes claustrofóbicas que vão além das paredes daquele apartamento como cenário, surgem diálogos inteligentes regando o desconforto do casal com a curiosidade e vontade de sair do marasmo que mergulharam. Assim, o público embarca, mesmo que com receio, na tensão e humor bem balanceados de um relacionamento longo.

O filme que transita na contramão do moralismo, tem um roteiro reflexivo e maduro para uma trama conflitante e tão humana a ponto de permitir que o público, por vezes, consiga se identificar com determinados episódios de uma vida a dois. Sem forçar um desfecho, "O Convite" tem seus minutos finais em silêncio, deixando livre a interpretação do público, se ocorreu uma reconciliação ou apenas o término pacífico do casamento. Vale muito a pena conferir!


"O Convite" (The Invite). Gênero: Comédia, drama, romance. Direção: Olivia Wilde. Roteiro: Rashida Jones, Will McCormack e Cesc Gay. Duração: 1h 47 minutos. Classificação Indicativa: 16 anos. Distribuição: Diamond Filmes. Elenco:  Seth Rogen (Joe), Olivia Wilde (Angela), Penélope Cruz (Piña) e Edward Norton (Hawk). Sinopse: Joe e Angela formam um casal preso na rotina e com o relacionamento à beira de um colapso. A dinâmica muda quando eles decidem convidar os enigmáticos vizinhos do andar de cima, Hawk e Piña, para um jantar casual. O que seria uma noite tranquila transforma-se em um encontro repleto de revelações, constrangimentos e discussões sobre intimidade e desejos reprimidos.

Trailer de "O Convite" 





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.: Glória Menezes deixa seis décadas de história na dramaturgia brasileira


Atriz, que participou dos primeiros anos da televisão no país, construiu a carreira de sucesso no teatro, no cinema e em novelas como “Irmãos Coragem” e “Rainha da Sucata”. Foto: Globo/ Fábio Rocha


Um dos nomes mais importantes da dramaturgia brasileira, a atriz Glória Menezes morreu na tarde desta terça-feira, 18 de agosto, aos 91 anos, na casa dela, no Rio de Janeiro. Ela dedicou mais de seis décadas ao teatro, ao cinema e à televisão. Segundo a família, a atriz morreu de causas naturais. Nascida em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 19 de outubro de 1934, Nilcedes Soares de Magalhães adotou Glória Menezes como nome artístico. Filha de Nilo e Mercedes, teve o nome de batismo formado a partir da combinação dos nomes dos pais. Ainda criança, mudou-se para São Paulo, onde iniciou a formação artística e encontrou no teatro o caminho para a profissão.

Em 1959, recebeu o prêmio de Atriz Revelação em um festival de teatro amador promovido pelo diretor Antunes Filho. No mesmo ano, estreou na televisão em “Um Lugar ao Sol”, novela da TV Tupi. A produção também marcou o encontro profissional com uma geração de atores que ajudaria a consolidar a teledramaturgia brasileira. No cinema, Glória Menezes estreou em “O Pagador de Promessas”, dirigido por Anselmo Duarte. O filme, lançado em 1962, venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes e recebeu indicação ao Oscar de Melhor Filme Internacional. A atriz também participou de produções como “Independência ou Morte” e “Se Eu Fosse Você”.

Foi na televisão, porém, que o nome dela ganhou projeção nacional. Em 1963, na TV Excelsior, Glória Menezes e Tarcísio Meira protagonizaram “2-5499 Ocupado”, considerada a primeira novela diária da televisão brasileira. A parceria profissional dos dois acompanharia boa parte da carreira de ambos. Glória e Tarcísio se casaram e permaneceram juntos por 59 anos. Em 1967, os dois foram contratados pela TV Globo e protagonizaram “Sangue e Areia”, de Janete Clair. A parceria seria retomada em outras produções, entre elas “Rosa Rebelde”, “Irmãos Coragem”, “O Homem que Deve Morrer” e “O Semideus”. Também trabalharam juntos em “Cavalo de Aço”, “O Grito” e “Espelho Mágico”.

Em “Irmãos Coragem”, exibida em 1970, Glória interpretou Lara, personagem que se tornou um dos destaques de sua trajetória. A atriz ainda participou de novelas como “Jogo da Vida”, “Guerra dos Sexos”, “Corpo a Corpo” e “Brega e Chique”. Em 1988, voltou a dividir um trabalho com Tarcísio Meira em “Tarcísio & Glória”, série criada por Daniel Filho, Euclydes Marinho e Antonio Calmon. Além de atuarem, os dois também participaram da produção do programa.

Um dos personagens mais populares da carreira veio em 1990. Em “Rainha da Sucata”, Glória viveu Laurinha Figueiroa, socialite falida que se tornou uma das vilãs mais lembradas da televisão brasileira. A personagem também marcou a primeira vez em que a atriz interpretou uma grande vilã em uma novela. Nos anos seguintes, vieram trabalhos em “Deus nos Acuda”, “A Próxima Vítima”, “Torre de Babel”, “O Beijo do Vampiro”, “Senhora do Destino”, “Páginas da Vida” e “A Favorita”.

Em “O Beijo do Vampiro”, interpretou Zoroastra. Em “Senhora do Destino”, viveu a Baronesa Laura de Toledo Guimarães. Já em “A Favorita”, deu vida a Irene Fontini. A última novela da atriz foi “Totalmente Demais”, exibida em 2015, na qual interpretou Stelinha Alcântara. A carreira de Glória Menezes também foi marcada por personagens no teatro. Entre os trabalhos estão “Tudo Bem no Ano Que Vem”, que permaneceu em cartaz de 1976 a 1981, “Navalha na Carne”, “Jornada de um Poema” e “Ensina-me a Viver”, espetáculo que ficou em cartaz entre 2008 e 2016.

Por “Jornada de um Poema”, recebeu indicação ao Prêmio Shell de Melhor Atriz e o Prêmio Governador do Estado. O trabalho também deu início a uma sequência de três vitórias no Prêmio Qualidade Brasil na categoria de Melhor Atriz Teatral – Drama. Posteriormente, recebeu o mesmo reconhecimento por “Ricardo III”, em 2006, e “Ensina-me a Viver”, em 2008. 

Glória Menezes acumulou ainda importantes prêmios ao longo da carreira. Recebeu o Prêmio APCA de Atriz Revelação do Teatro em 1960 e o Troféu Imprensa de Revelação Feminina na TV em 1959. Ao longo dos anos, foi indicada diversas vezes ao Troféu Imprensa e venceu como Melhor Atriz por “Teleteatro da Tupi”, “2-5499 Ocupado” e “Deus nos Acuda”. Em 2004, recebeu o Troféu Mário Lago pelo conjunto de sua obra na televisão. No ano seguinte, foi homenageada no Festival de Cinema de Gramado com o Troféu Oscarito, ao lado de Tarcísio Meira, pelo conjunto da contribuição do casal à arte brasileira.

Na vida pessoal, além do casamento de 59 anos com Tarcísio Meira, Glória Menezes era mãe de Tarcísio Filho, do relacionamento com o ator, e de João Paulo e Maria Amélia, de seu primeiro casamento. Deixou ainda netos e bisnetos. Tarcísio Meira morreu em agosto de 2021. Quatro anos depois, Glória Menezes também se despede, encerrando uma trajetória que acompanhou praticamente toda a história da televisão brasileira.

Poucos dias antes da morte dela, em 12 de agosto, a atriz havia sido homenageada com uma estrela na Calçada da Fama dos Estúdios Globo, em reconhecimento ao legado construído na dramaturgia. Na cerimônia, foi representada pelo filho Tarcísio Filho. Glória Menezes deixa uma carreira construída em diferentes palcos e estúdios e personagens que permanecem na memória do público. De “Um Lugar ao Sol”, em 1959, a “Totalmente Demais”, em 2015, atravessou gerações de espectadores e ajudou a formar a própria história da dramaturgia brasileira.

.: Baseado no livro de Colleen Hoover, "Verity" chega aos cinemas brasileiros


Adaptação do best-seller de Colleen Hoover reúne Dakota Johnson, Anne Hathaway e Josh Hartnett em thriller psicológico marcado por segredos, desejo e obsessão


A Sony Pictures apresentou o primeiro trailer de "Verity", adaptação cinematográfica do thriller psicológico homônimo escrito por Colleen Hoover. O longa-metragem tem estreia prevista nos cinemas brasileiros para 1º de outubro. A prévia aposta em uma atmosfera carregada de suspense, desejo e desconfiança, apresentando a relação cada vez mais inquietante entre os personagens interpretados por Dakota Johnson, Anne Hathaway e Josh Hartnett. 

Na história, Lowen Ashleigh (Dakota Johnson) é uma escritora que atravessa dificuldades financeiras e profissionais até receber uma proposta inesperada: assumir a conclusão de uma famosa série literária de Verity Crawford (Anne Hathaway), autora que ficou impossibilitada de continuar o trabalho depois de sofrer um misterioso acidente.

Para realizar a tarefa, Lowen se instala na residência da família Crawford. Durante sua permanência no local, porém, encontra anotações perturbadoras escritas por Verity, nas quais acontecimentos obscuros envolvendo o marido da autora são registrados de maneira íntima e assustadora. À medida que avança na leitura, Lowen passa a questionar os limites entre aquilo que foi inventado e o que realmente aconteceu. A convivência com a família transforma o trabalho literário em uma experiência cada vez mais perigosa, marcada por desejo, manipulação, segredos e obsessão.

O elenco também reúne outros nomes de destaque, entre eles Brady Wagner, Asel Swango, Daniel Echevarria, Ismael Cruz Córdova, Michael Abbott Jr., Tom Galantich e Emily McEnroe. A direção é de Michael Showalter, responsável por Uma Ideia de Você, a partir de roteiro assinado por Nick Antosca, conhecido pela série "The Act". O filme "Verity" chega aos cinemas brasileiros em 1º de outubro, exclusivamente nas telonas. Compre o livro "Verity", de Colleen Hoover, neste link.

terça-feira, 18 de agosto de 2026

.: Crônica: um simples adeus para Laura Cardoso e Glória Menezes

Por: Mary Ellen Farias dos Santos

Em agosto de 2026


E num dia 18 de agosto de 2026, amargo por se lamentar a partida da talentosa Laura Cardoso que entregou tanto aos longo de seus 98 anos, morre a atriz Glória Menezes aos 91. Algo que faz lembrar a morte de seu marido, Tarcísio Meira, que faleceu no dia seguinte da morte de Paulo José, também em agosto, mas no dia 12, em 2021.

Com menos de 24 horas de diferença, assim se foram dois grandes nomes do teatro e da televisão brasileira. Agora da ala feminina, tiradas de cena por conta da passagem implacável do tempo. Aos admiradores fica o prazer de sempre poder revisitar personagens inesquecíveis que marcaram e marcarão gerações. 

Uma com um legado de vilãs que botava meda até no Diabo, como por exemplo, a mãe de Ruth e Raquel, a má Dona Isaura de "Mulheres de Areia", a austera Dona Guiomar, de "A Viagem", a beata moralista Doroteia de "Gabriela" ou a rígida matriarca de "Caminho das Índias", Laksmi Ananda. Enquanto que em meio a tantos personagens também icônicos, Glória Menezes se destaca com a vilania inesquecível de Laurinha Figueiroa de "Rainha da Sucata".

Enquanto que com Laura Cardoso eu tive a chance de saber que estive por perto, mas não a vi perfeitamente. Afinal, era a saída de uma peça de teatro, os atores num alvoroço carinhoso e muita gente em torno daquela velhinha. Só descobri com maridão que era ela bem quando perguntamos o que estava causando tamanho fervor que tinha se distanciado bastante. E, claro, Glória Menezes eu ainda tinha esperança de ao menos vê-la numa plateia de teatro. Ainda mais que já tinha visto Tarcísio Meira em "O Camareiro".

Aos admiradores de tamanho talento na atuação, de cada um dos quatro nomes citados, fica a sensação de vazio e perda, mas também a alegria de saber que tivemos o prazer de testemunhar a atuação destes monstros da interpretação (mesmo que pela telinha da televisão ou da telona do cinema). 

.: “Djavan - Dizem que o Amor Atrai” revela histórias por trás da trajetória


Livro de Tiago Ramos e Mattos revisita a infância em Maceió, a descoberta do violão, a censura na ditadura e episódios pouco conhecidos da carreira de um dos grandes nomes da MPB

Celebrando cinco décadas de carreira, Djavan ganha um novo olhar sobre sua trajetória em “Djavan - Dizem que o Amor Atrai”, livro de Tiago Ramos e Mattos, publicado pela editora Trend Editora. A obra mergulha nas memórias, nos afetos e nas experiências que ajudaram a formar a identidade artística de um dos compositores mais marcantes da música popular brasileira. A narrativa começa na infância, em Maceió, e destaca a presença de Dona Virgínia, mãe do artista, na formação de sua personalidade. 

O autor também investiga a relação de Djavan com as próprias raízes, a ancestralidade africana e a natureza, elementos que atravessam sua produção musical e ajudam a compreender a maneira particular como ele transforma sentimentos e observações do cotidiano em canções. Um dos momentos decisivos dessa trajetória aconteceu aos 16 anos, quando Djavan descobriu o violão e deixou para trás o desejo de se tornar jogador de futebol profissional. A mudança de rumo o levaria posteriormente ao Rio de Janeiro e ao início de uma carreira que alcançaria projeção nacional e internacional.

Para construir o perfil do músico, Tiago Ramos e Mattos conversou com familiares de Djavan, entre eles um sobrinho, a esposa dele e uma sobrinha-neta. O pesquisador também revisitou espaços ligados à infância do cantor em Maceió, buscando elementos que ajudassem a ampliar a compreensão sobre suas origens e relações afetivas. O livro ainda recupera histórias que despertam a curiosidade dos fãs. Entre elas estão o verdadeiro significado de “Flor de Lis”, a parceria que quase aconteceu entre Djavan e Michael Jackson, além de músicas censuradas durante a ditadura militar e composições inéditas.

Ao acompanhar cinco décadas de criação, o autor apresenta um Djavan atravessado por conquistas, perdas, preconceitos, paixões, relações familiares, posicionamentos políticos e constantes reinvenções. O resultado é um retrato que aproxima o leitor do homem por trás das canções e mostra como experiências pessoais podem se transformar em matéria-prima para a criação artística. Com pesquisa e relatos de pessoas próximas ao cantor, “Djavan - Dizem que o Amor Atrai” amplia o olhar sobre uma trajetória construída entre música, memória e identidade. A publicação também ajuda a entender como um jovem alagoano que sonhava com o futebol encontrou no violão o caminho para construir um dos repertórios mais reconhecidos da MPB. Compre o livro  “Djavan - Dizem que o Amor Atrai”, de Tiago Ramos e Mattos, neste link.

Sobre o autor
Doutor em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Tiago Ramos e Mattos dedica-se ao estudo de narrativas e à trajetória de grandes personalidades brasileiras. Antes de escrever sobre Djavan, publicou “Silvio Santos vem aí: a biografia-reportagem do ‘patrão’”, livro dedicado à história de um dos principais comunicadores do país. Compre os livros de Tiago Ramos e Mattos neste link.

.: Raul Barretto estreia “Despalhaço” e revisita 44 anos de carreira em SP


Em primeiro solo adulto de sua trajetória, artista reúne teatro, circo, improvisação e audiovisual para refletir sobre tempo, envelhecimento, memória e o futuro da arte

Com 44 anos de carreira dedicados ao teatro e à palhaçaria, Raul Barretto transforma a própria trajetória em matéria-prima para “Despalhaço”, primeiro espetáculo solo adulto dele e também seu primeiro texto de autoria. A montagem estreia no dia 27 de agosto, no Auditório do Sesc Vila Mariana, em São Paulo, e segue em cartaz até 5 de setembro. Barretto assina o texto, a atuação, a criação e a direção do espetáculo, que combina teatro, circo, improvisação, malabares e recursos audiovisuais. 

Próximo dos 70 anos, o artista revisita experiências pessoais e mudanças vividas pela sociedade para colocar em discussão temas como passagem do tempo, envelhecimento, longevidade, memória e a permanência do artista em cena. A montagem integra as comemorações dos 35 anos do Grupo Parlapatões, do qual Barretto faz parte ao lado de Hugo Possolo. O trabalho também chega 15 anos depois de “O Bricabraque”, seu primeiro solo voltado ao público infantil.

A relação do artista com a formação e a difusão teatral também atravessa a criação. Barretto é sócio cofundador do Espaço Parlapatões, que completa 20 anos, e um dos idealizadores da SP Escola de Teatro, onde coordena há 16 anos a Linha de Estudo em Humor. Em “Despalhaço”, essas experiências ganham novas camadas ao colocar em perspectiva o caminho percorrido e as transformações observadas dentro e fora dos palcos. A passagem do tempo aparece como um dos principais motores da dramaturgia, que também lança questões sobre o futuro em uma sociedade marcada pela velocidade e pela fragmentação.

A narrativa se desenvolve em três planos temporais. No passado, Barretto recupera episódios de sua trajetória e de sua relação com o teatro e a palhaçaria. O presente abre espaço para assuntos como desenvolvimento, sustentabilidade, inteligência artificial e o papel social do artista. Já o futuro surge como território de dúvidas, possibilidades e novas formas de pensar a relação entre humanidade e planeta. “O mais urgente é reafirmar a importância de vivermos em comunidade e em harmonia, conseguindo divergir sem transformar o outro em inimigo. O palhaço mostra o ridículo que vivemos e pode nos levar a alguma consciência”, afirma Barretto.

A encenação aposta também no repertório circense do artista. Texto e improvisação dividem espaço com malabares, monociclo, chicote e facas. O cenário de Diego Dac tem um tecido como elemento central, assumindo diferentes funções ao longo da apresentação. Projeções audiovisuais acompanham a encenação e incorporam imagens, vídeos e depoimentos relacionados à trajetória de Barretto.

A pesquisa para a criação percorre diferentes campos do conhecimento e reúne referências como o filósofo Diógenes, os cientistas Marcelo Gleiser e Carl Sagan, estudos sobre a formação das sociedades humanas, povos indígenas, consciência e inteligência. O espetáculo também estabelece diálogos com o trabalho do artista Jaider Esbell, da arqueóloga Niède Guidon e dos pesquisadores Eduardo Neves e Miguel Nicolelis.

O próprio título “Despalhaço” aponta para as transformações vividas pelo artista ao longo da vida e para a maneira como a palhaçaria continua presente nesse percurso. Para Barretto, preservar o olhar do palhaço significa manter viva uma combinação de inocência, crítica e disposição para o encontro. “O palhaço é uma criança eterna. Manter esse olhar, ao mesmo tempo inocente e crítico, é algo que o ser humano não deveria perder. A permanência no palco também nasce dessa busca pelo diálogo e pelo olho no olho”, afirma.

Ficha técnica
Peça teatral “Despalhaço”
 
Texto, atuação e criação: Raul Barretto.
Preparação de ator e direção de cena: Antônio Januzelli
Assistência de direção: Helena Cerello.
Direção de produção: Jessica Rodrigues e Carolina Henriques.
Cenário e adereços: Diego Dac, Luana Miyamoto e Xapiri Ateliê Artístico.
Figurino: Claudia Schapira.
Projeto de som e trilha sonora: Deivison Nunes e Raul Barretto.
Iluminação e técnica de luz: Reynaldo Thomaz.
Projeto multimídia e audiovisual: Deivison Nunes e Raul Barretto.
Colaboração no projeto multimídia e audiovisual: Marcelo Machado.
Técnica de audiovisual: Deivison Nunes.
Provocação artística: Suzana Aragão.
Arte gráfica: Werner Schulz.
Assessoria de imprensa: Adriana Balsanelli.
Realização: Sesc.
Produção geral: Companhia Vadabordo e Rodri Produções.

Serviço
Peça teatral “Despalhaço”
Estreia: 27 de agosto de 2026
Temporada: de 27 de agosto a 5 de setembro de 2026
Dias e horário: quinta a sábado, às 20h30
Duração: 70 minutos
Classificação etária: 14 anos
Local: Sesc Vila Mariana – Auditório (Torre A, 1º andar)
Rua Pelotas, 141, Vila Mariana, São Paulo
Capacidade: 130 lugares
Ingressos: R$ 15,00 (credencial plena), R$ 25,00 (meia-entrada) e R$ 50,00 (inteira)
Vendas: sescsp.org.br/programacao/despalhaco
Disponível para compra on-line a partir de 18 de agosto, às 17h00.

.: Laura Cardoso morre aos 98 anos e deixa legado de oito décadas


Em homenagem à atriz, TV Globo exibe o especial "Tributo" nesta terça-feira, 18 de agosto, após "Além do Tempo". Foto: Globo/Matheus Malafaia

Laura Cardoso morreu na noite desta segunda-feira, 17 de agosto, aos 98 anos, na casa dela, em São Paulo. Segundo a família, a atriz morreu de causas naturais. Nascida Laurinda de Jesus Cardoso, ela se tornou uma das figuras mais importantes da dramaturgia brasileira e construiu uma trajetória artística que atravessou oito décadas, passando pelo rádio, televisão, teatro e cinema. A informação sobre a morte da atriz foi divulgada durante a manhã desta terça-feira, dia 18.

Como homenagem à artista, a TV Globo exibe nesta tarde o especial "Tributo", logo após "Além do Tempo", na Edição Especial. Gravado em 2024, o episódio da série documental revisita momentos marcantes da vida e da carreira de Laura, com depoimentos de amigos e colegas, além de lembranças da infância da atriz. Com a mudança na programação, o filme previsto para a "Sessão da Tarde" não será exibido.

A atriz começou a trabalhar ainda adolescente. Aos 15 anos, deu os primeiros passos no rádio, na Rádio Cosmos. O reconhecimento nacional veio em 1952, quando participou do programa "Tribunal do Coração", da recém-inaugurada TV Tupi. Na emissora paulista, trabalhou com diretores como Dionísio Azevedo e Teixeira Filho e permaneceu até o encerramento das atividades, em 1980. Ao longo da carreira, a atriz acumulou mais de uma centena de trabalhos na televisão, entre novelas, séries e especiais. 

Quando chegou à Globo, em 1981, já carregava o status de estrela. A estreia na emissora aconteceu em "Brilhante", de Gilberto Braga, na pele de Alda Sampaio, mãe da protagonista Luiza, interpretada por Vera Fischer. Depois de uma passagem pela TV Bandeirantes, onde participou de "Ninho de Serpente", de Jorge Andrade, e "Renúncia", de Geraldo Vietri, ambas em 1982, Laura voltou à Globo e retomou uma parceria importante de sua trajetória: a colaboração com o autor Walther Negrão. Com textos de Negrão, esteve em três novelas consecutivas: "Pão-Pão, Beijo-Beijo" (1983), como a inesquecível Donana; "Livre para Voar" (1984); e "Fera Radical" (1988).

A década de 1990 trouxe outros personagens marcantes. Laura participou de "Rainha da Sucata" (1990), de Silvio de Abreu, e "Felicidade" (1991), de Manoel Carlos. Em "Mulheres de Areia" (1993), interpretou Isaura Araújo, mãe das gêmeas Ruth e Raquel, vividas por Gloria Pires. No ano seguinte, foi a médium Guiomar, em "A Viagem".

Em 1995, viveu Sinhana, a chamada "mãe Coragem" da segunda versão de "Irmãos Coragem", clássico de Janete Clair dirigido por Luiz Fernando Carvalho. No mesmo ano, interpretou a cigana Soraya em "Explode Coração", de Glória Perez. A parceria com Walther Negrão voltou a render frutos em "Vila Madalena" (1999), novela em que Laura deu vida a Deolinda, uma matriarca italiana. Depois de uma breve passagem pela Record, onde esteve em "Vidas Cruzadas" (2000), de Marcos Lazarini, retornou à Globo em "A Padroeira" (2001), de Walcyr Carrasco. Em "Esperança" (2002), de Benedito Ruy Barbosa, interpretou Madalena, imigrante italiana que sonhava encontrar um marido. A personagem, novamente dirigida por Luiz Fernando Carvalho, estava entre as preferidas da atriz.


Do drama à comédia
Laura Cardoso tinha uma característica que ajudou a torná-la tão admirada: a capacidade de transitar por diferentes gêneros e personagens. Em "Chocolate com Pimenta" (2003), de Walcyr Carrasco, divertiu o público como Carmem, a avó do núcleo caipira. Em "Hoje é Dia de Maria" (2005), sua primeira minissérie na Globo, emprestou a voz à Senhora dos Dois Mundos, avó responsável por narrar histórias para Maria. A produção foi dirigida por Luiz Fernando Carvalho.

A atriz também participou do remake de "O Profeta" (2006), adaptado por Duca Rachid e Thelma Guedes a partir da obra de Ivani Ribeiro; de "Duas Caras" (2007), de Aguinaldo Silva; e de "Caminho das Índias" (2009), de Glória Perez, novela vencedora do Emmy Internacional de Melhor Telenovela, na qual interpretou a matriarca indiana Laksmi Ananda.

Em "Araguaia" (2010), de Walther Negrão, Laura viveu Mariquita, amiga de Antoninha, personagem de Regina Duarte, a quem cabia a criação do filho Fernando Rangel, interpretado por Edson Celulari. Já em 2012, ganhou novamente os holofotes ao interpretar Dorotéia em "Gabriela", releitura assinada por Walcyr Carrasco a partir da obra de Jorge Amado. A personagem, uma beata considerada "o pilar moral de Ilhéus", caiu no gosto do público.

No ano seguinte, Laura foi Veridiana em "Flor do Caribe". Aos 87 anos, em 2014, participou de três produções: o seriado "Segunda Dama" e as novelas "Boogie Oogie" e "Império". Em 2016, voltou a interpretar uma vilã, Dona Sinhá, em "Sol Nascente", de Walther Negrão, Suzana Pires e Júlio Fischer. Em 2017, destacou-se como Caetana em "O Outro Lado do Paraíso", de Walcyr Carrasco. Dois anos depois, reencontrou o autor em "A Dona do Pedaço", na qual interpretou Matilde.


Teatro, cinema e muitos prêmios
A televisão foi apenas uma das frentes de uma carreira gigantesca. Laura Cardoso também construiu uma história de respeito nos palcos e no cinema, acumulando prêmios e homenagens. No teatro, recebeu o Prêmio Shell em 1990 e 1993 pelas atuações em "Vem Buscar-me que Ainda Sou Teu", dirigida por Gabriel Villela, e "Vereda da Salvação", com montagem de Antunes Filho. Também foi reconhecida pela APCA, pelo Grande Otelo e por outras importantes premiações.

No cinema, estreou em 1964, com "O Sol", de Geraldo Vietri, e participou de mais de 20 filmes. Pela atuação como Selma em "Através da Janela", de Tata Amaral, recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cinema Brasileiro de Miami. Em 2001, conquistou o Grande Prêmio Cinema Brasil por "Copacabana", dirigido por Carla Camurati.

Em 2006, foi condecorada com a Ordem do Mérito Cultural, concedida pelo governo brasileiro por sua contribuição ao cinema, ao teatro e à televisão. Em 2021, recebeu o Prêmio Guarani Honorário. Em 2023, foi homenageada com o Troféu Oscarito no Festival de Cinema de Gramado, reconhecimento a uma trajetória fundamental para a história do audiovisual brasileiro.

Em outubro de 2025, Laura Cardoso ganhou uma estrela na Calçada da Fama dos Estúdios Globo, eternizando seu nome entre os grandes artistas que ajudaram a construir a dramaturgia brasileira. Viúva do ator e diretor Fernando Balleroni, Laura Cardoso deixa as filhas Fátima e Fernanda, as netas Claudia e Adriana e o bisneto Fernando. O velório acontece na manhã desta terça-feira, em São Paulo, em cerimônia restrita a familiares e amigos. A partida encerra uma das carreiras mais longevas e respeitadas da cultura brasileira. Laura Cardoso deixa personagens, histórias e uma presença artística que atravessou gerações — da era do rádio à televisão contemporânea.


Sobre "Tributo"
O especial dedicado a Laura Cardoso foi gravado em 2024 e recupera momentos da trajetória da atriz, reunindo depoimentos de colegas e amigos e memórias de sua infância. Exibição: terça-feira, 18 de agosto, após "Além do Tempo" (Edição Especial). Observação: em razão da exibição do especial, o filme programado para a "Sessão da Tarde" não será exibido.

.: "A Paixão de Cristo" volta aos cinemas brasileiros em versão remasterizada


Mais de 20 anos após seu lançamento, filme dirigido por Mel Gibson será exibido novamente nos cinemas em dezembro, como preparação para a chegada da aguardada continuação. Imagem: divulgação

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

"A Paixão de Cristo", produção dirigida por Mel Gibson em 2004, voltará aos cinemas brasileiros em uma versão remasterizada em 4K. O anúncio foi feito nesta quarta-feira pela Heaven Content e pela Paris Filmes por meio das redes sociais. A nova exibição está programada para dezembro de 2026, embora a data específica ainda não tenha sido divulgada pela distribuidora. O relançamento acontece às vésperas da estreia de "A Ressurreição de Cristo: Parte Um", sequência dirigida novamente por Gibson e que dará continuidade à história apresentada no longa de 2004.

Lançado há mais de duas décadas, "A Paixão de Cristo" acompanha as últimas 12 horas que antecedem a crucificação de Jesus. O filme foi rodado com diálogos em aramaico e latim, línguas associadas ao contexto histórico retratado na produção. Realizado com orçamento estimado em US$ 30 milhões, o longa-metragem alcançou US$ 612 milhões em bilheteria mundial e recebeu três indicações ao Oscar: Melhor Maquiagem, Melhor Fotografia e Melhor Trilha Sonora Original. Jim Caviezel interpretou Jesus Cristo, enquanto Monica Bellucci viveu Maria Madalena e Maia Morgenstern deu vida a Maria. O elenco também contou com Francesco De Vito como Pedro e Ivano Marescotti no papel de Pôncio Pilatos.


A continuação
A sequência de "A Paixão de Cristo" foi oficialmente confirmada em 2025. Intitulada "A Ressurreição de Cristo", a produção será dividida em duas partes e levou cerca de sete anos para ser desenvolvida por Mel Gibson, Donal Gibson e Randall Wallace, roteirista de Coração Valente. A história será ambientada no período que envolve as 24 horas da paixão de Jesus e os acontecimentos dos três dias que antecederam sua ressurreição. Detalhes da trama permanecem em sigilo.

Para a continuação, o elenco original foi substituído por novos intérpretes. Jaakko Ohtonen, conhecido por "The Last Kingdom", assumirá o papel de Jesus Cristo. Mariela Garriga será Maria Madalena, Kasia Smutniak interpretará Maria, Pier Luigi Pasino viverá Pedro e Riccardo Scamarcio dará vida a Pôncio Pilatos. Rupert Everett também integra o elenco, em um personagem ainda não revelado. "A Ressurreição de Cristo: Parte Um" tem estreia prevista no Brasil para 6 de maio de 2027. A segunda parte chega aos cinemas em 25 de maio de 2028.
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