domingo, 5 de abril de 2026

.: Bruna Martiolli rejeita a leitura superficial e reafirma força da literatura


Bruna Martiolli revisita a própria formação como leitora, atravessa perdas e questiona o papel da literatura em um tempo que acelera tudo — inclusive a leitura. Imagem a partir de uma foto do acervo pessoal da autora, modificada por IA

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.

É tempo de morangos e a conversa com Bruna Martiolli começa antes da primeira pergunta. Passa por estantes, algoritmos e histórias que não cabem em qualquer postagem. Entre uma lembrança de infância e outra, aparecem "A Hora da Estrela", Clarice Lispector, Elena Ferrante, José Saramago, Lygia Fagundes Telles, Eça de Queiroz e Lima Barreto como presença contínua na vida de quem aprendeu cedo a ler o mundo pelos livros e, mais tarde, a desconfiar deles também.

Escritora, podcaster, professora e doutoranda, acompanhada por centenas de milhares de leitores nas redes sociais, ela estreia com o livro "É Tempo de Morangos - Reflexões Sobre Livros", publicado pela Editora Intrínseca, sem organizar a própria trajetória em linha reta. As memórias aparecem acompanhadas de leituras, mudanças de rota e perdas que ainda não se acomodaram. Bruna prefere ficar numa literatura que desestabiliza, erra junto, volta atrás e continua insistindo. Em entrevista exclusiva ao portal Resenhando.com, ela retoma esse percurso em primeira pessoa, entre livros, escolhas e aquilo que ficou pelo caminho. Compre o livro "É Tempo de Morangos", de Bruna Martiolli, neste link.

Resenhando.com - Você foi uma criança que brincava de dar aulas para suas bonecas. Em sua trajetória, os livros se tornaram não só companheiros, mas guias. Como você enxerga esse movimento de infância para a maturidade literária?
Bruna Martiolli - Sinto que esse movimento foi menos uma ruptura e mais um desdobramento natural, já existia ali um desejo muito genuíno de entender o mundo, as relações, as pessoas sobretudo. Os livros entraram nesse cenário quase como aliados silenciosos. Na vida adulta a leitura deixou de ser apenas uma atividade prazerosa e passou a ser uma ferramenta de investigação. 


O que aconteceu entre esses dois momentos para que a leitura se transformasse em uma ferramenta tão poderosa para você?
Bruna Martiolli - Eu comecei a ler para compreender as pessoas, os conflitos, os silêncios e as contradições, inclusive as minhas. No fundo, acho que não sou muito diferente daquela criança que ensinava as suas bonecas, a diferença é que hoje entendo que, antes de ensinar, estou sempre aprendendo a ler o mundo.


Resenhando.com - O título do seu livro, "É Tempo de Morangos", evoca um tempo mais doce e nostálgico. Mas, ao mesmo tempo, a literatura que você aborda traz à tona reflexões profundas e dolorosas. Qual é a relação entre esses dois tempos na sua obra? 
Bruna Martiolli - O título vem da última frase da “A Hora da Estrela” da Clarice, não posso explicar abertamente pois seria o maior spoiler sobre a Macabéa (protagonista do livro), mas, eu vejo esses dois tempos não como opostos, mas como camadas que coexistem. Existe ali uma nostalgia, sim, mas é mais um convite a lembrar que a vida é feita de instantes, fases, ciclos, mas que ela acaba e  por isso é preciso viver os morangos, viver cada fase. Porque viver e, principalmente, olhar com atenção para a vida inevitavelmente nos coloca diante das complexidades, das dores, das ausências, das perguntas que não têm resposta fácil. 

O que significa para você “morar” entre os morangos e as complexidades da vida?
Bruna Martiolli - “Morar” entre os morangos e as complexidades é, para mim, um exercício de equilíbrio e de honestidade. É entender que a doçura não anula a dor, e que a dor também não invalida a beleza. Eu não acredito em uma literatura que romantiza a vida a ponto de apagá-la, mas também não me interessa uma escrita que se fixa apenas no peso das coisas. O que me move é justamente esse "entrelugar" da Clarice, há sensibilidade suficiente para perceber o que é leve, mas também coragem para sustentar o que é difícil. Acho que os morangos me devolveram à vida, me ensinaram a aceitar que posso estar vivendo um momento bonito enquanto ainda carrego algo que dói. Eu amei o lançamento do livro no Rio e em São Paulo, principalmente por ter conseguido estar o máximo possível com as pessoas que amo. Mas ainda assim existe uma sensação de incompletude: a ausência da minha avó ali também doeu e é essa a vida que vou ter pra sempre.


Resenhando.com - Você fala da importância da literatura em momentos de desamparo, como foi no seu caso. Em tempos de crise, como o que todos estão vivendo, a literatura pode ser a cura ou só um paliativo? 
Bruna Martiolli - Eu não sei se a literatura pode ser chamada de cura, e talvez a Martha Nussbaum me ajude a sustentar isso. Quando ela fala da importância das emoções na vida ética, ela não está dizendo que a arte resolve a dor, mas que ela nos educa sensivelmente para lidar com ela. A literatura, não elimina o sofrimento, mas amplia a nossa capacidade de compreendê-lo, de nomeá-lo, de reconhecê-lo no outro.


Qual é o papel da ficção no enfrentamento das nossas angústias contemporâneas?
Bruna Martiolli - A ficção, muitas vezes, abre espaço para vozes que foram historicamente silenciadas e, ao fazer isso, desloca o nosso olhar. Em tempos de crise, isso é fundamental, porque nos tira de uma experiência isolada da dor e nos coloca em relação. Então talvez a literatura não seja cura no sentido de apagar a angústia, nem apenas um paliativo que anestesia. Ela é uma forma de resistência num mundo que frequentemente simplifica, acelera e silencia o ser humano. A ficção nos obriga a demorar, a escutar, a sustentar ambiguidades,  e isso muda a forma como habitamos e sentimos a vida. No meu caso, foi exatamente isso: a literatura não me salvou da dor, mas me deu condições de não me perder completamente dentro dela.


Resenhando.com - Clarice Lispector e Elena Ferrante foram influências marcantes na sua vida. Mas, se você pudesse resgatar um autor que considera fundamental para a sua formação literária e que talvez não tenha sido mencionado em suas reflexões, quem seria?
Bruna Martiolli - Tem um nome muito fundamental e que nem sempre aparece quando falo das minhas influências, eu diria Lima Barreto. A escrita dele tem uma urgência crítica, quase incômoda, que desmonta ilusões sobre o nosso país, sobre as nossas instituições e sobre a própria ideia de progresso. No "Triste Fim de Policarpo Quaresma" ele expõe o abismo entre o ideal e a realidade brasileira com uma ironia que ainda hoje é perturbadora. Lima me ensinou a encarar a estrutura  histórica, racial e política que molda as nossas experiências.


Resenhando.com - Você traz uma relação íntima com a literatura de língua portuguesa, mas também abre espaço para reflexões sobre como ela pode estar sendo negligenciada, principalmente pelos jovens que consomem literatura através de plataformas como o BookTok. Qual é o risco que se corre ao não valorizar mais a literatura nacional em favor de tendências globais e rápidas?
Bruna Martiolli - Eu me baseio nisso pelo olhar sensível que Alfredo Bosi tinha para a literatura como forma de consciência histórica e digo que o risco é profundamente cultural. Quando a literatura de língua portuguesa passa a ser deixada de lado em favor de tendências globais rápidas, como as que circulam no BookTok, a gente não está só trocando um tipo de leitura por outro. A gente está, aos poucos, enfraquecendo a nossa própria capacidade de nos reconhecer enquanto sujeitos históricos, sociais e afetivos num país que fala a língua portuguesa. Bosi sempre defendeu que a literatura é uma forma de memória viva. Ela não é só entretenimento: ela carrega conflitos, linguagem, identidade, modos de ver o mundo. Quando o jovem leitor deixa de acessar autores nacionais, ele perde contato com experiências que dialogam diretamente com a realidade dele, seja ela urbana, periférica, rural, atravessada por desigualdades ou por afetos muito específicos do nosso contexto. O problema das tendências globais e rápidas não está necessariamente na sua existência, mas na lógica de consumo que as sustenta. Inclusive, eu também as leio e, gostando ou não, formo minhas próprias opiniões. São leituras frequentemente mediadas por algoritmos, por modas passageiras e por uma estética da velocidade que não favorece a profundidade. Isso acaba formando um leitor que consome mais do que elabora, que atravessa os textos sem, de fato, ser transformado por eles. E é aí que reside o maior risco: a formação de uma relação superficial com a leitura. Sem o contato com obras mais densas da literatura nacional, o leitor pode perder a oportunidade de desenvolver um olhar crítico mais refinado sobre as próprias vivências, além de uma sensibilidade mais complexa para a linguagem e para a realidade. Valorizar a literatura de língua portuguesa, dos nove países que falam a língua portuguesa, não é um gesto de resistência vazia ou de nacionalismo simplista porque “tô a fim”. É, na verdade, um modo de preservar a nossa capacidade de pensar a partir de nós mesmos. Porque, no fim, quando a gente abandona essas vozes, a gente também corre o risco de se tornar estrangeiro dentro da própria cultura.


Resenhando.com - Na sua obra, há uma relação direta entre livros e transformações de vida, como no caso da sua mudança para Portugal. Quais livros você recomenda para quem está passando por uma transição significativa, seja pessoal ou profissional?
Bruna Martiolli - Um livro que eu destacaria, sem dúvida, é "Sodade", da Ana da Cunha. É uma obra muito recente, mas que já nasce com essa força de tocar em algo muito íntimo: a sensação de ausência, de deslocamento, de viver entre lugares. O que me atravessa ali é a maneira como a saudade deixa de ser só um sentimento e vira quase uma estrutura de vida. Para quem está em transição, esse livro não oferece respostas fáceis, e isso é essencial, mas legitima o desconforto, a ambivalência, a incompletude. E, talvez trazendo mais para perto da nossa tradição, eu lembraria de "Dois Irmãos", do Milton Hatoum, que toca em questões de origem, memória e pertencimento dentro de um contexto marcado por heranças migratórias. É um livro que fala muito sobre como carregamos nossos lugares dentro da gente, mesmo quando tudo muda ao redor.


Resenhando.com - Você menciona como a "Tetralogia Napolitana" de Elena Ferrante se tornou dolorosa após o esmorecimento de uma grande amizade. A literatura tem o poder de refletir as vivências, mas até que ponto a ficção é uma extensão da realidade ou um escape dela? 
Bruna Martiolli - Eu acho que a literatura nunca é só uma coisa ou outra, ela não é puramente espelho, nem puramente fuga. Quando li a "Tetralogia Napolitana", não foi nada confortável, abandonei a cadeira na faculdade e fugi mesmo, não era momento. A ficção, pra mim, funciona como uma espécie de lente que me faz ver melhor e vendo melhor reorganiza o que já existe dentro da gente. Às vezes ela amplia, às vezes distorce, às vezes ilumina coisas que estavam ali, quietas, esperando uma linguagem. 


Resenhando.com - Você já se deparou com momentos em que a literatura também a traiu, revelando mais do que você gostaria?
Bruna Martiolli - Sim, já senti que a literatura me traiu. Mas não no sentido de enganar, no sentido de expor. De colocar em palavras algo que eu ainda não tinha coragem de formular. É como se o texto dissesse: “olha, é isso aqui que você tá sentindo”, antes de estar pronta pra admitir. E aí não tem mais como fingir que não viu. Respondendo melhor: a vida trai mais do que a literatura, prefiro ela.


Resenhando.com - A literatura sempre teve papel central na sua vida, mas você também compartilha esse amor com uma grande audiência através das redes sociais e seu podcast "É Tempo de Morangos". Como você equilibra a pressão da visibilidade pública com a intimidade da sua escrita, que é, em essência, tão pessoal?
Bruna Martiolli - Eu sou filha única e vivo uma solidão que, apesar de boa, às vezes até assusta. A internet, pra mim, nunca foi sobre números, sempre foi sobre pessoas que, infelizmente, eu nunca esbarrei na vida. Tive poucas amigas que gostavam de ler, e acho que virei professora muito por essa necessidade de continuar falando sobre livros, de não deixar essa conversa morrer. Eu devo muito a eles: a vida que levo hoje, bem vivida, gostosa, calma, passa diretamente pela literatura. E eu nunca pensei “vou postar sobre livros nas redes sociais”. Eu falo de literatura onde eu estiver, na internet ou fora dela. Não existe uma separação tão rígida pra mim. Quando paro pra pensar no número de ouvintes, fico triste. Não quero saber quantas pessoas estão ali, isso é uma grande ilusão da nossa geração, o que me importa é ouvir essas pessoas. É por isso que gosto tanto dos comentários: é ali que descubro o que gostam, onde moram, vejo suas fotos, seus cabelos, suas famílias. As pessoas. Eu gosto de livros, mas gosto muito de gente. E a internet é só o que me aproxima delas. No fundo, não acho que o que eu digo seja pessoal. Pessoal, pra mim, é quem ouve, quem escolhe me dar um pedaço do próprio tempo de vida.


Resenhando.com - Se a literatura fosse uma pessoa, como você a descreveria em termos de identidade? Ela seria amiga, amante ou uma figura de autoridade?
Bruna Martiolli - A literatura é a formiga e ao mesmo tempo a cigarra. É o gato de Cheshire e a Alice, a literatura é a dúvida. É amiga e, ao mesmo tempo, é uma figura de autoridade. É uma pessoa, mas é aquela ideia do Fernando Pessoa de que em um cabem mil. 


Resenhando.com - Você defende a ideia de que a boa literatura não precisa agradar à primeira vista. No entanto, as redes sociais e plataformas como o BookTok são movidas por emoções rápidas e “recompensas instantâneas”. Como é possível reconstruir um espaço literário que valorize o tempo de amadurecimento, sem se perder nas urgências da era digital?
Bruna Martiolli - Eu não acho que seja uma questão de disputar com a lógica das redes, porque a literatura nunca funcionou no tempo da pressa, e talvez nem deva tentar funcionar. O que dá pra fazer é criar pequenos desvios dentro desse fluxo. As redes sociais, operam muito pela reação imediata, pelo entusiasmo rápido, pela necessidade de sentir algo agora e isso não é necessariamente um problema, é só uma linguagem diferente. O risco está quando a gente começa a confundir intensidade com profundidade, como se o impacto imediato fosse o único critério de valor. Mas, reconstruir um espaço literário mais paciente, pra mim, passa por insistir em outras formas de presença. Falar de um livro que não “funcionou” de primeira, revisitar uma leitura depois de um tempo, admitir silêncios, dúvidas, mudanças de opinião. Mostrar que a experiência literária também é feita de demora, de estranhamento, de algo que vai se abrindo aos poucos. E, principalmente, confiar que existe gente disposta a isso. Porque existe. Nem todo mundo está buscando recompensa instantânea o tempo todo, muitas pessoas só não encontram com frequência espaços que legitimem esse outro ritmo. Acho que não se trata de desacelerar a internet inteira, o que seria impossível, mas de sustentar, dentro dela, um outro tempo. Um tempo em que o livro não precisa agradar de imediato para permanecer porque ele pode incomodar, escapar, e ainda assim continuar trabalhando em quem lê.

sábado, 4 de abril de 2026

.: "Barba Ensopada de Sangue", livro que inspirou filme mergulha na violência


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.

Poucos títulos recentes da literatura brasileira provocam tanto desconforto imediato quanto "Barba Ensopada de Sangue". Publicado pela Companhia das Letras em 2012 e relançado em edição especial uma década depois, o romance de Daniel Galera chamou atenção no momento em que foi lançado e se fixou no tempo. Vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura, o livro atravessa os anos sem perder a capacidade de inquietar. O livro inspirou o filme homônimo dirigido por Aly Muritiba e protagonizado por Gabriel Leone, em cartaz na Rede Cineflix e nos cinemas brasileiros.

A história acompanha um protagonista sem nome, marcado por uma condição neurológica tão específica quanto simbólica: a prosopagnosia, incapacidade de reconhecer rostos. Após o suicídio do pai, ele se muda para Garopaba, em Santa Catarina, levando consigo apenas a cadela Beta, que herdou do genitor, e um projeto difuso de isolamento. 

O deslocamento geográfico funciona como tentativa de suspensão, um corte abrupto com tudo o que ainda não foi elaborado. No entanto, o passado não se deixa conter. Décadas antes, o avô foi assassinado na mesma região, e a permanência naquele espaço passa a operar como uma espécie de reencenação involuntária, a partir do momento em que ele passa a investigar o crime.

A busca por respostas não avança de maneira linear e nem oferece garantias. O romance se constrói em um ritmo que respeita o tempo da hesitação, da dúvida e da observação. Há longos trechos em que nada parece acontecer, mas é justamente nesse aparente vazio que a narrativa ganha densidade. 

O protagonista observa, circula, testa hipóteses e estabelece vínculos precários. A dificuldade em reconhecer rostos desloca a percepção para outros elementos: gestos, vozes, ambientes, repetições. O mundo, filtrado por essa limitação, se reorganiza em padrões instáveis, e o leitor passa a compartilhar essa mesma sensação de incerteza.

Daniel Galera sustenta esse percurso com uma prosa que evita ornamentos e prefere a exatidão. O mar, as trilhas, o ritmo lento da cidade compõem um cenário que tanto acolhe quanto expõe. A relação com Beta introduz um tipo de vínculo que escapa à lógica da explicação. Sem recorrer à humanização do animal, o romance constrói uma proximidade marcada por presença e rotina. 

Em meio à instabilidade das relações humanas, a cadela funciona como um ponto de ancoragem, ainda que insuficiente para conter o avanço das tensões. Quando a narrativa se aproxima do núcleo mais violento da história, Galera não altera o tom para intensificar o efeito. Ao contrário, mantém a mesma contenção, o que torna os acontecimentos ainda mais perturbadores. Compre o livro "Barba Ensopada de Sangue", de Daniel Galera, neste link.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

.: Crítica: "Barba Ensopada de Sangue" é excelente suspense introspectivo

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora e criadora do Resenhando.com

Em abril de 2026


O tom introspectivo do protagonista e a atmosfera de mistério da produção "Barba Ensopada de Sangue" causam o desconforto necessário em quem assiste a história de suspense na telona Cineflix Cinemas de Santos. O longa nacional dirigido por Aly Muritiba, baseado no livro homônimo de Daniel Galera, começa numa sala aconchegante, com um enquadramento incômodo capaz de gerar diversos questionamentos no público, enquanto que um diálogo entre pai e filho tendo uma cachorra, bem acomodada no sofá, por testemunha dá o pontapé inicial da trama.

Protagonizado por Gabriel Leone ("O Agente Secreto"), que interpreta um rapaz de mesmo nome, mergulhado numa história familiar extremamente conturbada, "Barba Ensopada de Sangue" vai além ao focar no drama existencial tendo como agravante a incapacidade de reconhecer rostos (prosopagnosia ou cegueira facial). Logo, há poesia em certas resoluções que permite enternecer a interpretação do público.

Em conflito com a morte do pai, Gabriel (Gabriel Leone) precisa voltar ao passado, mudando-se para a cidade litorânea de Armação, no Sul do Brasil (locação fictícia, uma vez que o filme foi gravado em Cananeia, situada no extremo sul do litoral paulista. No livro a cidade é Garopaba) e entender a história da morte de seu avô Gaudêncio, ocorrida décadas antes. No local, com a ideia de vender o imóvel, descobre a má fama do homem, virando alvo de ameaças constantes.

O uso da escuridão e das sombras para criar um clima de suspense ajudam a trama misteriosa a ganhar contornos a respeito de traumas geracionais. Assim, enquanto tenta elucidar o crime do avô, o protagonista completa um mergulho de autoconhecimento. Junto ao talento de Gabriel Leone estão Thainá Duarte ("Corrida dos Bichos"), Ricardo Blat (Carandiru, o Filme), Ivo Müller ("Ato Noturno"), Roberto Birindelli ("Águas Selvagens") e Teca Pereira ("Velhos Bandidos"). Excelente e dar orgulho do cinema nacional, "Barba Ensopada de Sangue" é imperdível!


A equipe Resenhando.com assiste aos filmes em Santos, no primeiro andar do Miramar ShoppingPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN


"Barba Ensopada de Sangue" (nacional). Gênero: Drama, Suspense, Crime. Direção: Aly Muritiba Roteiro: Aly Muritiba, Jessica Candal. Elenco: Gabriel Leone, Thainá Duarte, Ricardo Birindelli, Ivo Müller, Ricardo Blat, Teca Pereira. Distribuição: O2 Play. Duração: 1h 48 min. Sinopse: Após a morte do pai, Gabriel parte para a Praia da Armação em busca de suas origens. 

Trailer de "Barba Ensopada de Sangue"


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.: Chris Standring no novo CD "Time Of Change" é puro soul jazz


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural

Chris Standring retorna em 2026 com onze canções inspiradas em composições que remetem a uma era de ouro. Este conjunto retrô-soul evoca uma época familiar, talvez nostálgica, em que arranjos sofisticados e belas harmonias estavam em voga. Com uma seção de metais de primeira linha, composta por quatro músicos, e uma vasta gama de cores orquestrais, além dos timbres únicos de guitarra de Chris, "Time Of Change" leva você a uma jornada revigorante do início ao fim.

Casar-se pela primeira vez e o falecimento de seu pai marcaram um período de mudanças para Chris Standring, guitarrista de jazz contemporâneo que já figurou no topo das paradas da Billboard. Com a nostalgia em mente e as transformações da vida moldando o terceiro ato de sua existência, Standring compôs e produziu onze novas canções para "Time of Change", que foi lançado pela Ultimate Vibe Recordings. O álbum, que mistura cool jazz inspirado nos anos 70 com grooves retrô de rhythm and blues, será promovido pelo primeiro single, “Hollywood Hustle”, uma faixa animada com toques de metais que começou a ganhar espaço em playlists e rádios no exterior.

Destaco as faixas "Photographs", com uma levada irresistível a la Steely Dan no arranjo. E a faixa "All The Good Times", com um groove que remete aos melhores trabalhos de Standring. Na verdade, as demais faixas estão no mesmo nível e merecem ser conferidas O quarteto principal de “Time of Change”, o décimo oitavo álbum de Standring, é formado por Standring (guitarras, teclados, programação, arranjos de metais e cordas), o baixista Andre Berry, o baterista Chad Wright e o percussionista Lenny Castro.

Quatro faixas do álbum contam com a participação de uma seção de metais composta por Brandon Fields (saxofone tenor), Tom Saviano (saxofone alto), Michael Stever (trompete) e Erik Hughes (trombone). Outros músicos que contribuíram para o álbum são o baixista vencedor do Grammy, Brian Bromberg, George Whitty (piano), Dave Karasony (bateria) e Rodney Lee, o tecladista que fez parceria com Standring na banda Solar System há trinta anos, no início de sua carreira musical. "Time of Change" é mais do que um álbum confessional de Standring. É uma verdadeira aula de como produzir e arranjar um disco mesclando elementos de soul e jazz fusion. É um trabalho de extremo bom gosto de Standring, que merece ser apreciado por amantes da música instrumental.

"Hollywood Hustle"

"Photographs"

"All the Good Times"

.: "Libitina - Elegias e Alguns Infortúnios", de Jorge Ventura


Por 
Vieira Vivo, escritor e ativista cultural.

A existência mostra-se frágil e breve qual um singelo e inofensivo joguete nas mãos da deusa Libitina, a guardiã dos funerais e dos rituais fúnebres dos tempos ancestrais e obscuros das mitologias. Porém, nas páginas de "Libitina - Elegias e Alguns Infortúnios", pequeno e grandioso livro de Jorge Ventura, seus caprichos, manipulações e artifícios revelam-se ante nossos olhos com profunda sagacidade e perspicácia com o intuito de abreviar os dias das espécies ante a imperativa subjugação das fatalidades. Através de concisos relatos, o autor nos apresenta três dezenas de micro-contos, onde o clímax final destaca-se nos óbitos de cada personagem.

A configuração do livro, publicado por Ventura Editora, traz páginas alternadas em branco e preto. Os textos estão impressos em papel couchê ornamentados por arabescos e amparados por páginas vestidas de luto negro. Traz, ainda, ilustrações de Waldez Duarte com temas sinistros, mórbidos e surreais revestindo de forma coerente o teor funéreo dos textos. A fugacidade dos dias vividos e seu repentino término são realçados pela escrita sintética e certeira a nos conduzir, inapelavelmente, para o fim de cada trajetória de vida.

O projeto gráfico de Victor Marques traz capa negra com letras prateadas em estilo gótico e uma árvore com os galhos totalmente ressecados a emoldurar sua concepção artística. É complementado por prefácio de Almir Zarfeg e orelhas a cargo de Alexandre Brandão. Salientamos, ainda, que o poeta e jornalista Jorge Ventura com este décimo terceiro livro publicado expande sua marca literária de forma abrangente e significativa.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

.: Cineflix celebra o Dia do Autismo com “Cara de Um, Focinho de Outro”


Em celebração ao Dia Mundial da Conscientização do Autismo, a Rede Cineflix realiza, nesta sexta-feira, 3 de abril, uma sessão especial adaptada para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em todas as unidades. A iniciativa reforça a importância da inclusão e propõe uma experiência mais acolhedora dentro das salas de cinema, com iluminação suave, som reduzido, ar-condicionado em temperatura leve e liberdade de circulação durante a exibição.

Como parte da ação, pessoas com TEA têm direito à gratuidade no ingresso, enquanto acompanhantes pagam meia-entrada. A proposta não apenas amplia o acesso ao cinema, como também contribui para a construção de espaços culturais mais sensíveis às diferentes necessidades do público. Em Santos, o filme escolhido para a sessão é “Cara de Um, Focinho de Outro”, exibido às sextas-feiras, às 14h10, na sala 4.

A produção apresenta uma trama instigante ao acompanhar uma amante dos animais que utiliza uma tecnologia experimental para transferir sua consciência para o corpo de um castor robótico. A partir dessa experiência incomum, ela passa a enxergar o mundo sob uma nova perspectiva, mergulhando em descobertas que revelam aspectos surpreendentes do comportamento animal.

Ao combinar ficção científica e sensibilidade, o longa propõe uma reflexão sobre empatia, consciência e os limites entre humano e natureza. Inserido em uma programação voltada à inclusão, o filme ganha ainda mais força ao dialogar, de forma indireta, com a ideia de ampliar percepções e compreender diferentes formas de existência.


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.: Filme "Barba Ensopada de Sangue" aposta no vazio e provoca desconforto


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.

A adaptação de "Barba Ensopada de Sangue" finalmente chega às telas da Rede Cineflix e dos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, dia 2 de abril, apostando em um suspense psicológico de atmosfera rarefeita e construção paciente. Dirigido por Aly Muritiba, o filme homônimo transforma em imagens a prosa densa de Daniel Galera, autor que se consolidou como uma das vozes mais influentes da literatura contemporânea no país. A produção, que carrega o selo Original Globoplay, é também mais um movimento estratégico da plataforma em direção ao circuito cinematográfico tradicional.

Na trama, os espectadores acompanham um professor de educação física interpretado por Gabriel Leone, que se muda para o litoral catarinense após a morte do pai. O que começa como uma tentativa de reorganizar a própria vida rapidamente se transforma em uma investigação íntima e fragmentada sobre o desaparecimento do avô, figura envolta em versões contraditórias e perguntas persistentes. A narrativa se constrói em camadas, explorando o deslocamento do protagonista e sua dificuldade de se inserir em uma comunidade que parece proteger segredos com obstinação.

Muritiba, que já havia demonstrado interesse por personagens à margem em trabalhos anteriores, como Deserto Particular, aposta aqui em uma encenação contida, na qual o não dito tem tanto peso quanto os diálogos. O roteiro, assinado em parceria com Jessica Candal, preserva o espírito introspectivo do livro, ainda que adapte sua estrutura fragmentária para um formato mais linear, sem abrir mão da ambiguidade que sustenta o mistério.

O elenco traz ainda nomes como Thainá Duarte, Ivo Müller, Roberto Birindelli e Teca Pereira, compondo um conjunto que sustenta a atmosfera de estranhamento e isolamento que atravessa o filme. A presença da cadela Beta, herdada do pai, funciona como elo afetivo e simbólico, reforçando a solidão do protagonista e sua busca por pertencimento.

Exibido na seleção oficial do Festival de Gramado, o longa já havia chamado atenção pela atuação contida de Leone e pela fidelidade temática ao material original. A adaptação carrega ainda a curiosidade de não ter contado com envolvimento direto de Galera no roteiro, decisão que, segundo entrevistas à imprensa, foi respeitada pelo autor, interessado em ver a obra reinterpretada por outros criadores.

Publicado em 2012, o romance original venceu o Prêmio São Paulo de Literatura e foi traduzido para mais de dez idiomas, consolidando-se como um marco da ficção brasileira contemporânea. No cinema, “Barba Ensopada de Sangue” preserva essa vocação para o incômodo e a introspecção, recusando respostas fáceis e convidando o espectador a habitar as lacunas existentes no livro.


Ficha técnica
“Barba Ensopada de Sangue” (título original)
Gênero: drama.
Duração: 108 minutos.
Classificação indicativa: 14 anos.
Ano de produção: 2026.
Idioma: português.
Direção: Aly Muritiba.
Roteiro: Aly Muritiba e Jessica Candal.
Elenco: Gabriel Leone, Thainá Duarte, Ivo Müller, Roberto Birindelli, Teca Pereira.
Distribuição no Brasil: O2 Play.
Cenas pós-créditos: não.

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“Barba Ensopada de Sangue” no Cineflix Miramar | Santos
De 2 a 8 de abril | Sessões no idioma original | Sala 1 | 21h00 

No Miramar Shopping | Rua Euclides da Cunha, 21 - Gonzaga - Santos / São Paulo
Ingressos neste link

.: “Super Mario Galaxy: O Filme” acelera ação e testa limites do espetáculo


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.

A engrenagem da nostalgia volta a girar em alta rotação com a estreia de “Super Mario Galaxy: O Filme”, continuação direta do fenômeno “Super Mario Bros. O Filme” (2023), que não apenas dominou as bilheterias globais como redefiniu o potencial das adaptações de videogame no cinema. Agora, em cartaz na Rede Cineflix e em cinemas de todo o Brasil, a aposta da parceria entre Nintendo, Illumination e Universal Pictures é expandir esse universo para além do Reino dos Cogumelos, levando seus personagens a uma jornada intergaláctica que mira tanto o público infantil quanto uma legião fiel de fãs formados ao longo de décadas.

Dirigido novamente por Aaron Horvath e Michael Jelenic, com roteiro de Matthew Fogel, o longa -metragem preserva a equipe criativa responsável pelo sucesso anterior, reforçando a estratégia de continuidade estética e narrativa.Na versão brasileira, destacam-se Raphael Rossatto, como Mario, Manolo Rey, como Luigi, Carina Eiras, como Princesa Peach, Marcio Dondi, como Bowser e Eduardo Drummond, como Toad. A dublagem original em inglês também retorna com nomes conhecidos: Chris Pratt (Mario), Anya Taylor-Joy (Peach), Charlie Day (Luigi), Jack Black (Bowser) e Keegan-Michael Key (Toad). A sequência amplia o elenco com Donald Glover como Yoshi, Brie Larson como Rosalina e Benny Safdie como Bowser Jr., numa clara tentativa de dar mais densidade ao universo.

A trama, mantida sob relativo sigilo antes da estreia, segue a estrutura clássica do jogo "Super Mario Galaxy", lançado originalmente para o Nintendo Wii, em que Mario atravessa planetas e dimensões em busca das Power Stars. No filme, essa premissa ganha contornos de blockbuster: após derrotar Bowser e salvar o Brooklyn, o encanador mais famoso da cultura pop se vê diante de uma ameaça cósmica capaz de colocar toda a galáxia em risco. A narrativa aposta em ritmo acelerado, com sequências de ação contínuas e uma avalanche de referências - os chamados easter eggs - que funcionam como recompensa direta ao fã.

As primeiras reações da crítica internacional, publicadas por veículos como The Hollywood Reporter, Variety e Screen Rant, indicam um cenário dividido. Há elogios consistentes à qualidade da animação, descrita como uma das mais sofisticadas já produzidas pelo estúdio, com universos visualmente exuberantes e detalhamento técnico impressionante. Por outro lado, o roteiro volta a ser apontado como um ponto frágil: funcional, ágil, mas superficial, mais interessado em manter o fluxo de estímulos do que em construir uma narrativa emocionalmente duradoura. Ainda assim, há consenso em um ponto: trata-se de um filme pensado para fãs e, nesse sentido, cumpre o que promete.

Curiosamente, a expansão do universo Mario no cinema parece dialogar com uma tendência mais ampla da indústria, que busca transformar propriedades intelectuais consolidadas em franquias audiovisuais contínuas, com potencial para spin-offs e crossovers. Não por acaso, rumores sobre um possível “Nintendo Cinematic Universe” ganham força, especialmente diante das inúmeras participações e referências cruzadas sugeridas no longa-metragem. Se o filme repetirá ou irá superar o desempenho bilionário do antecessor, ainda é cedo para afirmar. Mas uma coisa é certa: Mario não apenas saltou para o cinema, ele pretende dominar galáxias inteiras.

Ficha técnica
“Super Mario Galaxy: O Filme” | "The Super Mario Galaxy Movie" (título original)

Gênero: animação, aventura, ação, família, fantasia.
Duração: 1h39.
Classificação indicativa: livre.
Ano de produção: 2026.
Idioma: Inglês.
Direção: Aaron Horvath, Michael Jelenic.
Roteiro: Matthew Fogel.
Elenco: Chris Pratt, Anya Taylor-Joy, Charlie Day, Jack Black, Keegan-Michael Key, Donald Glover, Brie Larson, Benny Safdie, Kevin Michael Richardson.
Distribuição no Brasil: Universal Pictures.
Cenas pós-créditos: sim, duas cenas.

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“Super Mario Galaxy: O Filme” no Cineflix Miramar | Santos
De 2 a 8 de abril | Sessões dubladas | Sala 1 | 14h00, 16h20 
De 2 a 8 de abril | Sessões dubladas | Sala 2 | 14h30, 16h50 
De 2 a 8 de abril | Sessões legendadas | Sala 1 | 18h40 
No Miramar Shopping | Rua Euclides da Cunha, 21 - Gonzaga - Santos / São Paulo 
Ingressos neste link

.: "Todos Os Olhos" mergulha na vida de Tom Zé estreia no SescTV e Sesc Digital


Dirigido por Jorge Brennand Junior, filme reúne depoimentos de artistas, familiares e parceiros para revisitar a trajetória de um dos criadores mais singulares da música brasileira. Foto: Rodrigo Palazzo


Antes de ser celebrado como inventor, Tom Zé foi, sobretudo, um observador. Um menino de Irará, no interior da Bahia, que aprendia escutando as conversas dos adultos e passava noites em claro tentando entender o que tinha ouvido. Talvez venha daí a curiosidade que atravessa sua obra, a sensação de que cada canção é uma pergunta aberta ao mundo. É nesse território de investigação que se move “Todos os Olhos”, documentário dirigido por Jorge Brennand Junior e produzido pelo SescTV, que estreia no canal, na plataforma e no app Sesc Digital, em 10 de abril, às 22h00.

Com 1h45 de duração, o filme constrói um retrato do compositor por meio de sua própria voz e de depoimentos de artistas, músicos, intelectuais e familiares que acompanharam diferentes momentos de sua trajetória. Entre lembranças pessoais e reflexões sobre arte, o documentário acompanha o percurso de um criador que sempre tratou a música como campo de experimentação.

O compositor e pesquisador Luiz Tatit relembra a diferença de rumos dentro da geração tropicalista: enquanto Caetano Veloso e Gilberto Gil buscavam dialogar com a música que ocuparia o rádio nos anos seguintes, Tom Zé preferiu seguir investindo em processos experimentais. Para Tatit, é justamente essa disposição para testar caminhos que continua despertando o interesse de novas gerações.

Ao longo do filme, artistas de diferentes campos comentam o impacto de sua obra. A cantora Mallu Magalhães observa a capacidade do compositor de permanecer conectado ao presente e ao futuro. Já a cantora Fernanda Takai destaca sua imprevisibilidade criativa, enquanto Ná Ozzetti chama atenção para a habilidade técnica que sustenta suas invenções musicais. Para o compositor José Miguel Wisnik, a música de Tom Zé nasce de um processo de elaboração constante, em que ideias se expandem como “comprimidos de música”.

Outras vozes ajudam a compreender o alcance dessa trajetória. O jornalista Leonardo Lichote observa que a obra do artista reúne referências que vão do sertão baiano à publicidade, do jornalismo à cultura urbana. Diante dessa mistura, sugere uma imagem curiosa: Tom Zé seria uma espécie de “cientista do sertão”, alguém que investiga sons, palavras e comportamentos como quem conduz um experimento.

“Todos os Olhos” também revela o lado íntimo do músico. A produtora Neusa Martins, companheira de Tom Zé há mais de cinco décadas, fala do cotidiano e do processo criativo do artista. O médico Ewerton Martins, seu filho, relembra a distância da infância e o momento em que passou a compreender a dimensão do trabalho do pai. Já os netos Maria Clara e João Gabriel compartilham memórias familiares e a experiência de ver o avô no palco.

Entre relatos de criação, histórias de bastidores e reflexões sobre arte e vida, o documentário constrói um retrato de um artista que nunca se acomodou à própria trajetória. No filme, Tom Zé diz que não pensa em parar de trabalhar e que, se a morte vier, prefere que seja no palco. Mais do que revisitar uma carreira, “Todos os Olhos” acompanha o pensamento de um criador que continua tratando a música como pergunta. No SescTV, estreia dia 10 de abril, sexta-feira, às 22h00. Acesse no sesc.digital neste link. Ou baixe o aplicativo, disponível para download nas lojas Google Play e App Store.


"Todos os Olhos" 
Direção: Jorge Brennand Junior | Produção: Eureka Imagens e Ideias | Realização: SescTV | Duração: 105 minutos | Classificação indicativa: livre | Grátis  


Aplicativo Sesc Digital
Filmes de ficção, documentários, produções originais, shows, mostras e festivais dão vida à nova plataforma de streaming do Sesc São Paulo. Disponível para Apple e Android, o app Sesc Digital é uma ferramenta intuitiva com acesso gratuito a vídeos em até 4K. Compatível com Chromecast e AirPlay, permite ao usuário assistir às obras audiovisuais sem cadastro e gerenciar perfis para toda a família. 


Sesc Digital

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.: "Ser ator era algo distante da minha vida", revela Dan Stulbach no "Persona"


O artista conversa com Atílio Bari e fala sobre carreira e desafios; edição vai ao ar neste domingo, dia 5 de abril, às 21h00, na TV Cultura. Foto: Nadja Kouchi/ Acervo TV Cultura


Neste domingo, dia 5 de abril, o "Persona" recebe o ator, diretor, apresentador e radialista Dan Stulbach, que revisita sua trajetória artística, compartilha histórias da infância, inspirações pessoais e comenta trabalhos recentes. O programa, apresentado por Atílio Bari, vai ao ar às 21h00, na TV Cultura. Filho de imigrantes judeus, Dan relembra que, ainda na infância, criava suas próprias histórias e se divertia imitando apresentadores e personagens da televisão. No entanto, afirma que não se imaginava nos palcos nem contava com o apoio da família para seguir carreira no teatro. “Ser ator era algo absolutamente distante da minha vida, algo impossível”, comenta.

O artista revela que chegou a cursar engenharia, mas não concluiu a graduação. Torcedor do Corinthians, destaca o ex-jogador Sócrates como uma de suas grandes inspirações — e teve a oportunidade de declarar isso pessoalmente ao ídolo: “Acho que sou ator muito por sua causa. Porque você me ensinou que dá para usar tudo por algo maior, que a comunicação pode ir além do nosso prazer de estar em cena, que pode significar mais”.

 Ainda nesta edição, Dan comenta sua participação no "CQC" e no "Fim de Expediente", programa que está prestes a completar 20 anos na rádio CBN. Ele também recebe homenagens de Fábio Herford, Ariela Goldmann, Julia Lemmertz, Helena Ranaldi, Luiz Gustavo Medina e Daniela Stirbulov. Nos próximos meses, Dan volta aos palcos com a peça "O Mercador de Veneza", de William Shakespeare, na qual interpreta o agiota Shylock. A trama aborda conflitos morais envolvendo dinheiro, amor, poder e vingança.

.: Manual Crônico: Café para os vivos, o sabor da despedida


Thiago Sobral é escritor. Também publica semanalmente no site Minha Arca Literária e no Instagram @thiago.sobral_. É autor do livro "O Pai, a Faca e o Beijo", a ser publicado pela Editora Patuá.

Sem assunto na cabeça, pus-me a pensar no impensável: velórios. E por pensar muito sobre isso - uns cinco minutos, se muito - constatei que nunca fui a um velório que não ocorresse em minha cidade natal. Calma lá! Já velei alguns defuntos em outros lugares, mas velório, velório, mesmo, desses em lugar próprio para o ato, só em Cubatão. Os outros aconteceram em ambiente improvisado, ou em igreja.

Cabeça vazia, oficina do diabo. Por não ter o que pensar, o velório veio até mim, pela primeira vez. Porque, na verdade, sempre vamos aos velórios, ainda que contrariados. Quando se vela um amigo, um parente, um familiar, mal sobra tempo para as coisas interessantes que um velório pode oferecer. Mas quando vamos apenas por conhecer o defunto “de vista e de chapéu”, nossos olhos ficam secos e desimpedidos, aptos às peculiaridades que só um velório pode proporcionar.

Quando padres conhecidos meus morreram, o velório foi em igreja. Lembro-me do finado frei Lindolfo, que saiu a passear de monomotor, mas o teco-teco caiu. Adeus ao frade, que foi velado com rito e pompa na matriz de Ituporanga, em Santa Catarina. Nessa época, eu estava no meu primeiro ano de convento, com os franciscanos. O Carlinhos, seminarista como eu, sentiu-se culpado pela morte do religioso. Pouco antes da decolagem, ele havia se confessado com frei Lindolfo e julgava que o peso de seus pecados fizera o avião cair.

Difícil foi conter o riso em meio ao rito fúnebre dentro da igreja. Como pouco conhecíamos o padre-defunto, as anedotas correram soltas, à boca pequena. Os jovens seminaristas - eu à parte, claro - botavam reparo em tudo quanto era beata que se aproximava aos prantos do caixão exposto na nave central. Muito antes do padre do balão, conhecemos o frade do avião que caiu pelos pecados do Carlinhos.

Outro velório fora de um velório que fui foi o de minha vozinha. Esse, por ter acontecido há muito tempo, recebe as cores da minha memória infantil de nove anos. Tivemos que sair de Cubatão bem cedo, pois ela morava em São Bernardo do Campo. O velório aconteceu num salão de festas, ao que me lembro. Viramos a noite velando. Claro que não resisti e achei um canto que me serviu de cama improvisada. Houve tempo para o choro, fruto da saudade que eu já começava a sentir dela. Mas o que mais ficou na minha memória foi o pão com manteiga mais gostoso que comi em toda a minha vida. Até hoje me causa água na boca.

Agora em Cubatão… Lá, temos o velório Municipal, que frequentei bastante nos meus primeiros anos de adolescência. Ia porque acompanhava minha mãe às visitas ao túmulo de meu avô. Ao final, sempre dávamos uma passadinha no velório. São quatro salas, mais uma capela, que sempre acolhe um corpo extra, quando o número de defuntos aumenta.

Nessas visitas, sempre encontrávamos algum conhecido que conhecia o morto. Em meio a conversas e memórias, surgiam pontos de conexão com o defunto, o que virava ponte para o cafezinho. Ah, como eram bons aqueles velórios. Café de qualidade, cheiroso, bolachas macias, tortas, bolo de coco, de fubá, e tantas coisas…

Já nos velórios de hoje, seja em Cubatão, seja em outro lugar - nunca mais fui em velórios fora de Cubacity -, não se serve mais nada! O que aconteceu com a hospitalidade mortuária? Cadê a consideração com os amigos do defunto? Um cafezinho quente reconforta a perda, aconchega a viúva, atiça a fofoca aos mexeriqueiros, aproxima os amigos e incita o choro das carpideiras. Não larguemos essa tradição, pelo amor de quem morre!

Se eu estiver enganado, e se ainda houver velórios acolhedores, me informem, me atualizem, me convidem. E quando chegar o meu — nunca se sabe quando — que sirvam café, que haja bolo, que ofereçam chá (e uma pinguinha também, ou uma cervejinha, ou os dois, porque ninguém é de ferro; podem servir um tira-gosto, para agradar aos amigos), pois não quero convidado falando mal depois, dizendo que sentiu fome, nem cronista escrevendo sobre velórios com saudosismo barato. Depois, deixem que os mortos sepultem seus mortos, e partam para o samba. Antes, digam apenas consummatum est*, e sigam felizes sob minha memória.

* Tudo está consumado.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

.: Crítica: "Nuremberg" estuda mente de nazista orgulhoso de carnificina

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora e criadora do Resenhando.com

Em abril de 2026


O drama histórico "Nuremberg", com direção e roteiro de James Vanderbilt (conhecido por escrever "Zodíaco" e "O Espetacular Homem-Aranha"), leva o público a entender um pouco da mente de nazistas, principalmente, o sucessor de Hitler, o veterano da Primeira Guerra Mundial Hermann Wilhelm Göring, militar alemão, político e líder do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, o nazista número 2 da Alemanha, assim como seus ardorosos seguidores.

Num momento fim de guerra, Hermann (Russel Crowe, "O Exorcista do Papa") se entrega em Radstadt, na Áustria, perto de Salzburg, no dia 7 de maio de 1945, estando no carro com motorista, esposa e filha. Ardiloso, procura as forças americanas na tentativa de evitar a captura pelos soviéticos. Após a rendição ser considerada incondicional para a Alemanha, ele é detido. Contudo, nesse processo, um médico entra em cena, o psiquiatra Douglas Kelley (Rami Malek, "Bohemian Rhapsody") quem tenta interpretar a mente do nazista, antes de ser levado a julgamento internacional em Nuremberg.

No entanto, é sabido que quem brinca com fogo acorda queimado. Portanto, num contato direto com os admiradores do nazismo e, claro, com Hermann, Douglas é fisgado tal qual um inocente a ponto de ser manipulado. Embora comece a amolecer quando conhece Edda, filha de Hermann. Assim, vai além de seu estudo de buscar e identificação de um "traço biológico ou psicológico" único que explicasse o mal nazista, para desvendar algo que distinguisse os criminosos do resto da humanidade.

Douglas acaba tomado pela ideia de que diante dele há um ser humano, ainda que tenha praticado imensurável crueldade impiedosa do nazista Hitler. Enquanto o julgamento é o ápice da trama, não somente pelo confronto de representantes internacionais com Hermann, mas por ainda conseguir entregar revelações, atribuindo mais humanidade ao enredo e facilitando a reflexão a respeito de que aquele que pratica o mal nunca se vê como errado e abusivo. Vale a pena tal aula de humanidade na telona Cineflix Cinemas de Santos!


A equipe Resenhando.com assiste aos filmes em Santos, no primeiro andar do Miramar ShoppingPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN


"Nuremberg"(Nuremberg). Gênero: Drama, guerra, thrillerDireção e Roteiro: James Vanderbilt. Duração: 2h 28min. Distribuição: Diamond Films Brasil. Elenco: Rami Malek (Douglas Kelley) Russell Crowe (Hermann Göring) Michael Shannon (Robert H. Jackson) Leo Woodall Richard E. Grant. Sinopse: Situado em 1945, logo após a Segunda Guerra Mundial, o filme acompanha o psiquiatra do exército dos EUA, Douglas Kelley, com a missão de avaliar a sanidade de 22 oficiais nazistas, incluindo Hermann Göring, o braço direito de Hitler, enquanto o promotor Robert H. Jackson tenta garantir condenações por crimes contra a humanidade

Trailer de "Nuremberg"



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