sábado, 14 de março de 2026

.: Crítica: "A Pequena Amélie" deixa de ser Deus, esbarra no apego e amadurece

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora e criadora do Resenhando.com

Em março de 2026


A delicada poesia da história de uma garotinha apática que deixa de viver pressa em seu mundo e passa a enxergar encantamento no aprender a escrever e descobrir o que há além da porta de sua casa. A coprodução independente entre França e Bélgica intitulada de "A Pequena Amélie" (Amélie et la métaphysique des tubes), indicada ao Oscars 2026 na categoria Animação, apresenta a formação de Amélie, facilmente constatando que é deus até fazer três anos e lidar com eventos inesperados e potentes para mudar totalmente a concepção de quem ela é e de como viver. 

Nos primeiros minutos, após ganhar forma e pensamento, a pequena chega ao seio de uma família composta por pai, mãe, irmão e irmã. Durante 1 hora e 18 minutos de duração, o longa animado leva o público a embarcar numa experiência sensorial em meio a traços simples com toques expressivos capazes de explodirem na telona do cinema. Com o colorido de encher os olhos, a produção marca as emoções raivosas e/ou cheias de dúvidas da garotinha em sequências acinzentadas ou nevoadas, assim como ganham vida quando ela estabelece uma relação mais profunda e libertadora, gerando cenas de cores vibrantes.

De olhos verdes marcantes, toda a trama é contada pela ótica da pequena garotinha nascida na Bélgica, mas que passa a ter certeza de que é japonesa. Diagnosticada em estado vegetativo, após nascer, ela cresce isolada e raivosa. Contudo, a virada de chave acontece quando Amélie recebe a visita da avó que lhe presenteia com um chocolate belga de propriedades mágicas. Junto disso, ela conhece a amável Nishio-san, agora governanta da família.

Tendo o apoio de Nishio-san, Amélie que aprendeu a andar e a falar de modo lento, passa, de modo voraz, a decifrar os códigos da vida humana, conhecendo até os impactos da guerra no Japão, assim como a cultura do país. Atenta a tudo o que Nishio-san faz e sedenta por aprender mais, Amélie desenvolve forte apego pela governanta -o que não agrada todos. 

É Kashima-san, a dona da casa em que a família mora, com seu modo de agir seco e sempre distante, quem força a pequena garotinha, no dia de seu aniversário de três anos, a amadurecer para compreender as complexidades da realidade. Profunda e sensível, a animação é indiscutivelmente imperdível!


A equipe Resenhando.com assiste aos filmes em Santos, no primeiro andar do Miramar ShoppingPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN

"A pequena Amélie"(Amélie et la Métaphysique des Tubes). Gênero: animação, drama, comédiaDireção: Amélie Nothomb, Liane-Cho Han Jin Kuang. Roteiro: Amélie Nothomb, Liane-Cho Han Jin Kuang, Aude Py. Duração: 1h 17min. Distribuição: Mares Filmes / Alpha Filmes. Elenco de Vozes (Original): Loïse Charpentier (Amélie); Victoria Grosbois (Nishio-San); Yumi Fujimori (Kashima-San); Isaac Schoumsky (André) Laetitia Coryn (Danièle, a mãe); Marc Arnaud (Patrick, o pai); Cathy Cerdà (Claude); Haylee Issembourg (Juliette); François Raison (Médico/Voz Rádio). Sinopse: Amélie é uma criança nascida no Japão e se sente uma divindade até os dois anos e meio. Após um evento marcante, ela descobre sua humanidade e desenvolve um laço profundo com sua babá japonesa, Nishio-san, explorando o mundo ao seu redor. O filme foi indicado ao Oscar de Melhor Animação na 98ª edição da premiação. 

Trailer


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.: Teatro: “O Céu Fora Daquela Janela” ganha primeira montagem brasileira


“The Welkin”, da prestigiada dramaturga britânica Lucy Kirkwood, ganha sua primeira montagem profissional no Brasil com produção da Bendita Trupe, numa versão feminista de Doze Homens e uma Sentença. Foto: Alê Catan


Originalmente encomendada e encenada pelo National Theatre, de Londres, a peça "The Welkin", da prestigiada dramaturga britânica Lucy Kirkwood, ganha uma versão brasileira pela Bendita Trupe que define a montagem como “uma odisseia de tirar o fôlego”. Agora, sob o título de "O Céu Fora Daquela Janela", o trabalho estreia no dia 21 de março e permanece em cartaz até o dia 26 de abril no Teatro Antunes Filho, no Sesc Vila Mariana. O texto propõe uma releitura feminina do clássico do cinema "Doze Homens e Uma Sentença" (1957 - direção de Sidney Lumet), estrelado por Henry Fonda. Mantém-se a estrutura do júri encarregado de decidir o destino de uma acusada, mas aqui o centro da cena é ocupado por mulheres, deslocando o eixo de poder e perspectiva.

A direção é de Johana Albuquerque - diretora, pesquisadora e atriz, fundadora da Cia. Bendita Trupe - que propõe um encontro entre diferentes gerações da cena teatral paulistana. No elenco, artistas com trajetórias consolidadas e vozes mais recentes compartilham o espaço cênico: Aysha Nascimento, Nilcéia Vicente, Ester Laccava, Fernanda D'Umbra, Daniel Alvim, Vera Bonilha, Pedro Birenbaum, Cris Lozano, Maria Bia, Thais Dias, Claudia Missura, Agnes Zuliani, Jefferson Matias, Sofia Botelho, Cris Rocha, Raul Vicente e Clodd Dias.

Em "O Céu Fora Daquela Janela", Lucy Kirkwood ambienta a ação no interior da Inglaterra, em 1759. Doze matronas são convocadas como um “júri emergencial” para determinar se Sally Poppy, condenada por participação no assassinato de uma criança, está grávida. A decisão é crucial: caso a gestação seja confirmada, a execução por enforcamento será substituída por prisão perpétua.

Nesse tribunal improvisado, confrontam-se forças estruturantes da época: ciência e superstição, autoridade médica masculina e saberes ancestrais femininos, justiça institucional e pressão popular. Ao tensionar esses campos, a autora expõe as fissuras de um sistema jurídico conduzido por homens e atravessado por interesses, crenças e disputas de poder.

“A dramaturgia se amplia na percepção de que esta é a história não escrita da experiência materna feminina. Contada com uma estimulante franqueza fraternal, 13 mulheres diversas formam um espectro deslumbrante, furioso e conflitante de humanidade e feminilidade, diante de uma estrutura jurídica que só trabalha para humilhar e massacrar a grande experiência do matriarcado”, comenta a diretora.

"The Welkin", texto original de Lucy Kirkwood, estreou em Londres em 2020, mas sua temporada inicial foi interrompida pela pandemia. Desde então, recebeu montagens em diferentes países, como Coreia do Sul, Eslovênia e Irlanda, entre outros. Na versão brasileira, o dramaturgo-guia Cacá Toledo adotou um letramento feminista como eixo da tradução, priorizando escolhas no feminino - como “coberta” em vez de “cobertor” - em consonância com a centralidade das personagens mulheres. Ao mesmo tempo, os nomes próprios foram adaptados para formas mais usuais em português, buscando maior fluidez e aproximação com o público.

"O Céu Fora Daquela Janela" pode parecer apenas uma peça de julgamento. Mas existem muitas camadas que respiram nesta trama, que atravessam não somente o drama histórico, mas também a peça de suspense, a comédia, o ativismo, o simbolismo, o macabro e a tragédia.

Numa enorme cela, fria e escura, doze mulheres moradoras de uma mesma pequena cidade do interior são reunidas por horas a fio - sem comida, bebida, calor e luz. Este “júri emergencial” mistura mulheres generosas e cheias de sabedorias a outras, egoístas e preconceituosas, numa conversa sincera e nem sempre agradável sobre o que é ser mulher nos dias de hoje. “A trama percorre caminhos inusitados e simbólicos, trazendo além das conversas e embates entre essas mulheres tão diversas, relatos fantásticos e mágicos, ligados aos fetiches e fantasias femininas, como também, sua conexão com os elementos da natureza (a água, o fogo, as ervas, os aromas, as curas)”, acrescenta Albuquerque.

Já que a autora sinalizou ser crucial “que o grupo reflita a população do lugar em que a peça está sendo encenada e não a do Leste inglês dos anos 1750”, a teatralidade, característica peculiar da Bendita Trupe se une agora a potência do teatro negro, a presença de integrantes de outros relevantes grupos de teatro de São Paulo, além de também dar visibilidade ao corpo trans, revelando a preocupação da cia. de expressar, em cena, a diversidade presente em nosso país.

"O Céu Fora Daquela Janela" também segue uma abordagem mais corporal e menos psicológica. “Nossos espetáculos sempre são meio coreografados, porque é muito importante que as ações se tornem expressivas através do corpo”, comenta a encenadora.

O cenário de Simone Mina é quase uma instalação. Há uma cela que é como um espaço laboratorial, com estantes cheias de objetos translúcidos que contém líquidos, em uma referência à gestação e ao útero. Ao mesmo tempo, uma série de cadeiras suspensas fazem alusão ao enforcamento - estas são manipuladas constantemente para criar diferentes ambientes.

Os figurinos de Silvana Marcondes surgem a partir das referências históricas de roupas dos anos 1750/1780, com tangenciamentos à nossa atualidade urbana do século XXI. Trajes, modelagens e volumes daquele período serão mesclados com peças, acessórios e detalhes de vestes contemporâneas como calças, cintos, tecidos e calçados.

A composição musical de Pedro Birenbaum rompe fronteiras temporais e estilísticas ao reunir ópera clássica, música circense, disco music, funk, punk, dance e cantos de lavadeiras. Essa diversidade não é aleatória: cada linguagem musical dialoga com diferentes momentos históricos e simbólicos da condição feminina, revelando camadas de opressão, trabalho, festa, rebeldia e transformação. A proposta é traduzir musicalmente a evolução - e a resistência - das mulheres desde o século XVIII até a contemporaneidade. As projeções em mapping e videografismos de Ana Lopes, os vídeos de Peterson Almeida e a Iluminação de Wagner Pinto, ampliam a dimensão simbólica da cena, estimulando a imaginação do espectador.


Sinopse
Ambientado no interior da Inglaterra em 1759, o espetáculo é disparado a partir do julgamento de um crime hediondo em que um júri, formado exclusivamente por mulheres, coloca treze figuras, de origens e realidades diversas, dialogando sobre questões importantes do universo feminino: o olhar e o sentir da mulher sobre o seu próprio corpo, as dificuldades diante do universo do patriarcado, abuso, gravidez, maternidade, abandono, paixão, rejeição e sororidade.


Ficha técnica
Espetáculo  “O Céu Fora Daquela Janela”
Texto: Lucy Kirkwood
Tradução e Dramatur_Guia: Cacá Toledo
Direção: Johana Albuquerque
Elenco: Aysha Nascimento, Nilcéia Vicente, Cris Lozano, Vera Bonilha, Ester Laccava, Fernanda D’Umbra, Daniel Alvim, Pedro Birenbaum, Maria Bia, Thaís Dias, Cláudia Missura, Clodd Dias, Agnes Zuliani, Sofia Botelho, Cris Rocha, Jefferson Matias e Raul Vicente
Cenário: Simone Mina
Figurinos: Silvana Marcondes
Direção Musical e Músico em cena (piano): Pedro Birenbaum
Iluminação: Wagner Pinto
Videografismos e Mapping: Ana Lopes
Vídeos: Peterson Almeida
Adereços: Julio Dojcar
Visagismo: Leopoldo Pacheco
Orientação Corporal: Renata Melo
Preparação Vocal: Sonia Goussinsky
Design Gráfico: Werner Schulz
Assessoria de Imprensa: Canal Aberto - Márcia Marques, Daniele Valério e Carina Bordalo
Fotos de Divulgação: Alê Catan
Mídias Sociais - Valio Comunicação
Produção Executiva: Marcelo Leão e Iza Marie Miceli
Administração e Direção de Produção: Stella Marini
Coordenação Geral: Johana Albuquerque
Produção: Bendita Trupe
Realização: Sesc São Paulo


Serviço

Espetáculo  “O Céu Fora Daquela Janela”
De 21 de março a 26 de abril de 2026
Quintas a sábados, às 20h00. Domingos e feriados, às 18h00. Dia 22 de março, sessão às 15h00.
Sesc Vila Mariana - Rua Pelotas, 141, Vila Mariana, São Paulo, SP (Metrô Ana Rosa)
Ingressos disponíveis no aplicativo Credencial Sesc SP a partir do dia 10 de março às 17h00 e nas bilheterias do Sesc em todo o Estado a partir do dia 11 de março às 17h00
R$ 21,00 (credencial plena); R$ 35,00 (estudante, servidor de escola pública, idosos, aposentados e pessoas com deficiência) e R$ 70,00 (inteira).
Estacionamento: 125 vagas - R$ 8,00 a primeira hora + R$ 3,00 a hora adicional (Credencial Plena: trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes). R$ 17 a primeira hora + R$ 4,00 a hora adicional (outros). Paraciclo: 16 vagas - gratuito (obs.: é necessário a utilização de travas de seguranças). Informações: 5080-3000  
Duração: 150 minutos | Classificação: 14 anos | Capacidade: 620 lugares

.: Maurício Nunes lança o livro "Roteiros Extraordinários" sobre 50 destinos


De castelos assombrados à fábricas de chocolates na Suíça: livro reúne histórias curiosas e inesperadas de mais de 50 destinos pelo mundo


Nem toda viagem acontece como o planejado - e, muitas vezes, é justamente aí que surgem as melhores histórias. No livro “Roteiros Extraordinários - O Diário de Bordo de Um Viajante Sem Filtro”, o escritor e jornalista Maurício Nunes transforma experiências reais vividas em mais de cinquenta destinos ao redor do mundo em uma coleção de relatos curiosos, divertidos e surpreendentes.

Distante do formato tradicional dos guias turísticos, a obra funciona como um mosaico de aventuras e encontros inesperados. Ao longo das páginas, o leitor percorre lugares tão distintos quanto o Hotel do filme “O Iluminado”, as cidades fantasmas do Velho Oeste americano, uma road trip pela história do blues em Mississippi, além de destinos europeus marcados por arte, história, curiosidades e tradições seculares.

Em cada capítulo, o autor observa hábitos locais, detalhes culturais e personagens encontrados pelo caminho, compondo um retrato vivo de diferentes cidades e sociedades. Entre as situações narradas estão experiências tão inusitadas quanto passar a noite em um container adaptado, provar carne de urso ou um encontro inesperado com Al Pacino em Barcelona.

O livro integra um projeto cultural realizado com recursos da Lei Rouanet, com patrocínio da rede portuguesa Pestana Hotel Group, que viabilizou a produção editorial da obra e sua circulação cultural. Como parte das atividades do projeto, o autor fará palestras e bate-papos em escolas e faculdades, além de um encontro com leitores no dia 26 de março, às 19h00, na Livraria Drummond, no Conjunto Nacional, em São Paulo. Compre o livro "Roteiros Extraordinários", de Maurício Nunes, neste link.


Sobre o autor
O jornalista e escritor Maurício Nunes é autor de diversos livros e possui trajetória consolidada na imprensa cultural brasileira, com trabalhos publicados em veículos como Top Magazine, Rolling Stone, o jornal Tribuna e a revista Viagens S/A, onde atua como jornalista especializado em turismo. Entre suas obras de maior destaque está “Playcenter - O Lugar Onde Tudo Acontecia”, livro oficial que conta a história do tradicional parque de diversões paulistano que marcou gerações durante 39 anos. A obra recebeu prefácio de Mauricio de Sousa.

Outro título importante é “Árvore dos Sonhos”, considerada a mais completa biografia publicada no Brasil sobre Walt Disney. O livro conta com prefácio de Kaye Malins, fundadora e presidente do Museu Disney nos Estados Unidos da América. Nunes também é autor do infantil “ABC do Rock” e do aclamado romance “O Mistério do Monte Saint-Michel”. Ao longo de sua carreira literária, suas obras também receberam prefácios de outras personalidades como Mario Prata e Jairo Bouer, entre outros nomes da comunicação. Compre os livros de Maurício Nunes neste link.

sexta-feira, 13 de março de 2026

.: Livro de Gisèle Pelicot revela caso que chocou a França e mobilizou o mundo


A história de Gisèle Pelicot tornou-se, nos últimos anos, um dos relatos mais contundentes sobre violência de gênero e sobre a força de quem decide transformar dor em denúncia. A trajetória dela, marcada por uma revelação devastadora e por uma coragem incomum diante da exposição pública, ultrapassou os limites da experiência individual para se converter em símbolo internacional da luta contra a violência sexual e pela dignidade das mulheres. Agora ela conta a história do que passou no livro "Um Hino à Vida: A Vergonha Precisa Mudar de Lado", publicado no Brasil pela Companhia das Letras, com tradução de Julia da Rosa Simões.

Em 2020, quando tinha 68 anos, a francesa foi chamada a comparecer a uma delegacia acompanhando o marido, Dominique Pelicot, que havia sido flagrado filmando mulheres por baixo da saia em um supermercado. O episódio parecia, à primeira vista, um caso de voyeurismo - grave, mas restrito. No entanto, durante a investigação, a polícia encontrou algo muito mais perturbador. Em computadores e dispositivos eletrônicos pertencentes ao marido, havia um vasto acervo de fotografias e vídeos que documentavam estupros cometidos por ele e por outros homens contra uma mulher inconsciente.

O choque foi absoluto quando Gisèle percebeu que a mulher registrada nas imagens era ela própria. As provas revelavam que, durante mais de uma década, vinha sendo sedada com medicamentos administrados pelo marido sem o conhecimento dela. Enquanto estava desacordada, ele permitia que outros homens a violentassem, registrando os crimes em vídeo. A descoberta desestruturou completamente a vida que Gisèle acreditava ter construído ao longo de 50 anos de casamento. O homem com quem dividira juventude, o primeiro amor, o pai de seus três filhos e companheiro de toda uma vida havia sido também o responsável por um sistema de violência contínua e planejada.

O caso abriu um longo e doloroso processo judicial que mobilizou a opinião pública na França e em diversos países. Em vez de permanecer no anonimato - um direito garantido a vítimas de crimes sexuais - Gisèle tomou uma decisão que mudaria o rumo da história: escolheu tornar sua identidade pública. Com isso, deslocou o centro do debate. A postura dela afirmava que o peso da vergonha não deveria recair sobre quem sofreu violência, mas sobre quem a cometeu.

A partir desse gesto, Gisèle Pelicot passou a ser reconhecida como um símbolo de resistência e de enfrentamento à cultura que frequentemente silencia vítimas e protege agressores. O testemunho dela provocou discussões profundas sobre consentimento, violência doméstica e as estruturas sociais que ainda sustentam a desigualdade de gênero. Essas reflexões aparecem reunidas no livro "Um Hino à Vida: A Vergonha Precisa Mudar de Lado", no qual a autora narra pela primeira vez a trajetória que atravessa tanto a devastação quanto o processo de reconstrução. 

A obra alterna duas linhas narrativas. De um lado, revisita a infância de Gisèle no interior da França, o encontro dela com Dominique, os anos de casamento, a criação dos filhos e a chegada dos netos - capítulos que compõem a memória de uma vida que imaginava envelhecer em tranquilidade. De outro, acompanha o turbilhão iniciado com a ligação da polícia que revelou os crimes, passando pela preparação para o tribunal, pelo confronto com o passado e pelo longo caminho de elaboração do trauma. A escrita dela aponta para a necessidade de romper o silêncio que frequentemente envolve a violência sexual e busca encorajar outras pessoas que enfrentam situações semelhantes.

Mesmo diante de uma realidade que poderia ter destruído definitivamente sua identidade, o que emerge das páginas é a imagem de uma mulher que reivindica o direito de continuar vivendo. O relato revela alguém que se recusa a ser definida exclusivamente pela violência sofrida e que insiste em preservar, na memória, os fragmentos de vida que existiram antes da tragédia. Compre o livro "Um Hino à Vida: A Vergonha Precisa Mudar de Lado", de Gisèle Pelicot, neste link.

.: "Moscou para Principiantes" chega à Funarte SP com duas apresentações


Com texto e direção de Aline Filócomo, espetáculo inspirado em "As Três Irmãs", de Anton Tchekhov, investiga os sentidos contemporâneos do trabalho a partir da relação entre desejo, criação e memória. Apresentações acontecem nos dias 28 e 29 de março na Sala René Gumiel. Foto: MaGon
 

O espetáculo "Moscou para Principiantes", com texto e direção de Aline Filócomo, faz duas apresentações no Complexo Cultural Funarte SP, na Sala René Gumiel, nos dias 28 de março, às 20h, e 29 de março, às 19h. Inspirada em "As Três Irmãs", de Anton Tchekhov, a montagem investiga os sentidos do trabalho na contemporaneidade a partir da relação entre desejo, criação e sobrevivência no mundo atual.

No palco, as atrizes Natacha Dias, Paula Arruda e Rita Grillo conduzem uma dramaturgia construída a partir da transcrição poética de conversas entre três atrizes em processo de criação e um grupo de mulheres aposentadas. Camadas de ficção e realidade se sobrepõem, evocando as personagens Olga, Macha e Irina, ao mesmo tempo em que revelam memórias, frustrações e projetos de vida das próprias intérpretes.

"Moscou Para Principiantes" marca o início da trajetória da Boneca Russa | Cia de Teatro. Escrita e dirigida por Aline Filócomo, integrante da Cia Hiato, a obra foi contemplada por importantes editais e prêmios:  PROAC Publicação de Textos Inéditos/2019, 12ª Edição do Prêmio Zé Renato, e Difusão e Circulação de Projetos Artísticos Culturais 27/2024. A primeira versão, em formato experimental on-line, foi lançada em 2021. No ano seguinte, o espetáculo estreou presencialmente no TUSP - Teatro da USP, em São Paulo, com temporada entre 13 de agosto e 18 de setembro de 2022, recebendo excelente retorno de público e crítica. 

Em 2025, o projeto circulou pelo interior paulista, com apresentações realizadas em Campinas, Bragança Paulista, Santos, São Caetano do Sul, Bauru e São Carlos. Ao todo, foram realizadas 12 apresentações gratuitas. Em cada cidade, aconteceu uma sessão com tradução simultânea em Libras, além de uma oficina gratuita de Transcrição Poética voltada para mulheres 60+ e um bate-papo mediado aberto ao público.


Uma dramaturgia em camadas
Publicado em outubro de 2020 pela Editora Javali, o texto recorre à transcrição poética de uma série de conversas promovidas em dois núcleos de mulheres: três atrizes em processo de criação e um grupo de aposentadas da terceira idade. Como nas bonecas russas que inspiram o nome da companhia, camadas de ficção e realidade se sobrepõem: em cena, ora vemos Olga, Macha e Irina; ora, três idosas evocando memórias; ora, as próprias atrizes, refletindo sobre seus desejos, frustrações e suas pequenas "moscous" pessoais. 

A linguagem dramatúrgica e cênica opera por tentativas, desvios e falhas,  que também se associam a nossa atual dificuldade de compreensão das alteridades. Espaços de erro e incompletude se instalam como parte do discurso e da forma, propondo uma crítica sensível ao imperativo de produtividade que marca o mundo contemporâneo. “Temos a sensação de que hoje não basta sobreviver do trabalho - é preciso sobreviver ao trabalho. Mas produzir o quê? A partir de quê? Para quem? E o que resta quando isso tudo acaba?”, provoca Aline Filócomo.


Matrioscas, memória e descompasso
As matrioscas - bonecas russas que abrigam camadas sucessivas de figuras - servem de metáfora central à encenação, revelando histórias dentro de histórias, identidades que se multiplicam. Esse jogo é traduzido também na estrutura da peça, que transita entre teatro, cinema e instalação. Os figurinos, feitos de sobreposições, e os dispositivos sonoros e visuais reiteram esse deslocamento constante.

As três atrizes – Natacha Dias, Paula Arruda e Rita Grillo – conduzem a ação por meio da palavra: falas sobrepostas, lapsos de memória, delays e repetições criam um ritmo fragmentado, em sintonia com o próprio processo de fabulação do espetáculo. A tentativa de traduzir em frases e sentidos o ritmo frenético dos seus pensamentos ocupa espaço e produz movimento na cena.

O espetáculo tangencia poeticamente questões urgentes do contexto político e social brasileiro. Quando a existência se vê cada vez mais associada à capacidade humana de produzir e o tempo se converte em matéria consumível, "Moscou para Principiantes" reivindica o direito à criação, ao desejo e à contemplação.


Sobre Aline Filócomo
Diretora, dramaturga e atriz, graduada em Artes Cênicas pela ECA-USP, e doutoranda em Estética e Poéticas Cênicas pela UNESP. É integrante da Cia Hiato, coletivo que sempre se dedicou a investigar novas dramaturgias e formatos cênicos, construindo uma trajetória de relevância e destaque no cenário teatral brasileiro e internacional. Na companhia, criou e atuou nos oito projetos do seu repertório: Cachorro Morto, Escuro, O Jardim, Ficção, 02 Ficções, Amadores, Odisseia e Litoral. Integrou o elenco do CPT do SESC, coordenado por Antunes Filho, e foi atriz-criadora do Prêt-à-Porter 8. Dirigiu os espetáculos O Desejo do Outro, Cantos de Xícaras, A Última Cena, libolli e m.o.f.o. moscou para principiantes é seu trabalho mais recente, com texto publicado pela Editora Javali.

 
Sinopse
"Moscou para Principiantes" investiga, de uma forma provocativa e bem-humorada, os sentidos contemporâneos do trabalho e sua relação com o desejo e a capacidade de criação de outras realidades possíveis em tempos instáveis. Com procedimentos livremente inspirados nos diálogos de As Três Irmãs, de Anton Tchekhov, a dramaturgia recorre à transcrição poética de uma série de conversas promovidas em dois núcleos de mulheres, três atrizes em processo de criação e um grupo de aposentadas da terceira idade.


Ficha técnica
Direção e Dramaturgia: Aline Filócomo 
Elenco: Natacha Dias, Paula Arruda e Rita Grillo
Produção: Aura Cunha
Produção executiva: Yumi Ogino
Cenário e iluminação: Marisa Bentivegna 
Figurino: Anne Cerutti 
Projeção: Grissel Piguillem
Trilha sonora: Kuki Stolarski
Colaboração: Fabrício Licursi e Mackaylla Maria
Operação de vídeo, luz e som: Cezar Renzi
Programação Visual e Fotos: MaGon
Classificação: dez anos 
Duração: 55 minutos


Serviço
Complexo Cultural Funarte SP | Sala René Gumiel
Endereço - Alameda Nothmann, Nº 1058, Campos Elíseos / São Paulo.
Dia 28 de março, às 20h00. Dia 29 de março, às 19h00.

Ingressos
R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia-entrada)
Retirada pelo Sympla

.: No Dia do Pi, debates simultâneos em São Paulo e no Rio de Janeiro celebram


Às 3 horas e 14 minutos da tarde de 14 de março - representando duplamente os primeiros dígitos do Pi (3,14) -, professores e especialistas se reúnem nas livrarias Bibla (São Paulo) e Janela Laranjeiras (Rio de Janeiro). Na ocasião, a editora Tinta-da-China Brasil lança o livro "Pi: Uma Autobiografia Infinita", obra em que o número narra a história da matemática em primeira pessoa. Escrito pela matemática iraniana Mahsa Allahbakhshi e pelo divulgador científico chileno Andrés Navas, com ilustrações da designer mexicana Verena Rodríguez, o livro percorre a história do número irracional Pi desde as civilizações antigas - egípcios, babilônios, gregos e chineses - até a era dos computadores, que já calcularam trilhões de dígitos do número. No caminho, o curioso narrador encontra personagens como Arquímedes e o indiano Ramanujan, cujos métodos revolucionaram o cálculo do número infinito. A tradução é de Maria Cecilia Brandi, e a capa, de Isadora Bertholdo.

Em 2019, a Unesco escolheu o Dia do Pi como Dia Internacional da Matemática. Ou seja, coube a Pi representar todo o seu universo. Em 2026, o tema oficial da data será “Matemática e Esperança”. A comemoração do Dia do Pi chega ao Brasil com dois debates simultâneos. No próximo sábado, 14 de março, duas livrarias reúnem professores e matemáticos em encontros marcados às 3h14 da tarde, horário que também homenageia os primeiros dígitos do número infinito. Os eventos, promovidos pela Tinta-da-China Brasil, acontecem na livraria Bibla, na Vila Madalena, em São Paulo, e na livraria Janela Laranjeiras, no Rio de Janeiro, e concluem com o lançamento de Pi: uma autobiografia infinita, que traz a história do número contada em primeira pessoa, com humor, leveza e precisão histórica. 


O evento
Todos sabem na ponta da língua pelo menos cinco dos seus infindáveis dígitos: 3,1415… O desejo impossível de conhecer todos eles, ou pelo menos o máximo de casas decimais depois da vírgula, se tornou a obsessão de matemáticos, engenheiros e curiosos em geral. Conhecido dos velhos tempos da sala de aula e dos manuais escolares, volta e meia Pi ressurge de surpresa em pesquisas de tecnologia de ponta, em estudos teóricos e até mesmo na arte. 

Mas pouco sabemos sobre a história completa desse número, talvez o mais famoso de todos eles. Para celebrar a sua importância e o fascínio infinito que proporciona, desde 1988 o Dia do Pi, 14 de março (14/3, ou 3/14, na datação utilizada em inglês), é comemorado em todo o mundo, de formas diferentes — desde chamar os amigos para comer uma torta, palavra que em inglês (“pie”) tem a mesma pronúncia de “Pi”, até debates e eventos em escolas, bares, museus, universidades e livrarias. 

Professores de matemática vão discutir a mística e a ciência por trás do Pi: no Rio, o diretor-geral do IMPA Marcelo Viana, vai conversar com o professor Matheus Freitas, que dá aulas de matemática no colégio Eliezer Max. Em São Paulo, o autor e professor sênior da Faculdade de Educação da USP (Feusp) Nílson José Machado vai conversar com o professor e autor de livros de matemática José Luiz Pastore Mello, professor do Colégio Santa Cruz. 

O livro equilibra episódios históricos, curiosidades biográficas e explicações claras sobre fórmulas universais e aplicações cotidianas - tudo isso em linguagem leve e bem-humorada e em estrutura romanceada.  A obra inclui ainda um capítulo escrito exclusivamente para a edição brasileira, em que Pi e seus “amigos números” chegam ao Brasil para o Congresso Internacional de Matemática (ICM 2018), realizado no Rio de Janeiro. 

"Pi: Uma Autobiografia Infinita" chega ao Brasil em um momento de crescimento do mercado de divulgação científica. Marcelo Viana, diretor do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e responsável pela indicação editorial, destaca: “Faltava o relato na primeira pessoa, diretamente da boca do protagonista. É o próprio Pi que nos conta sua vida no ouvido. Uma delícia.” Pela Tinta-da-China Brasil, Viana lançou "Histórias da Matemática" e "A Descoberta dos Números", sucessos de venda. 

A história une rigor teórico à leveza narrativa, trazendo também ilustrações que ajudam a dar vida a conceitos abstratos e personagens importantes. Ao final do volume, um glossário facilita a compreensão dos termos técnicos, tornando a leitura acessível a jovens e adultos com ou sem formação em ciências exatas. Compre o livro "Pi: Uma Autobiografia Infinita" neste link.


Serviço
Rio de Janeiro
Bate-papo com Marcelo Viana e Matheus Freitas
Data: 14/03/2026
Horário: 3:14 da tarde
Local: Livraria Janela Laranjeiras – R. Gen. Glicério, 324. Laranjeiras, Rio de Janeiro (RJ)

São Paulo
Bate-papo com Nílson José Machado e José Luiz Pastore Mello
Data: 14/03/2026
Horário: 3:14 da tarde
Local: Livraria Bibla – Praça Prof.ª Emília Barbosa Lima, 58. Vila Madalena, São Paulo (SP)

.: TV Cultura exibe o premiado longa-metragem "Vermelho Russo" no sábado


A TV Cultura exibe neste sábado, dia 14 de março, às 23h00, o premiado longa-metragem "Vermelho Russo", dirigido por Charly Braun, na faixa CineCult. O filme acompanha duas atrizes brasileiras que se mudam para a Rússia em busca de aperfeiçoamento artístico e acabam enfrentando desafios pessoais e profissionais longe de casa. O elenco reúne Martha Nowill, Maria Manoella, Soraia Chaves, Michel Melamed e Vladimir Poglazov.
 
Coproduzido pelas empresas Muiraquitã Filmes e Waking Up Films, o longa segue Marta e Manu, duas amigas que decidem ir para Moscou estudar o célebre método de atuação criado por Constantin Stanislavski. Na capital russa, elas se envolvem com um diretor de teatro e passam a viver um complexo triângulo amoroso, enquanto lidam com as diferenças culturais e emocionais de viver em outro país.
 
Lançado em 2016, "Vermelho Russo" passou por importantes festivais de cinema no Brasil e no exterior, como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Festival do Rio, onde conquistou o prêmio de Melhor Roteiro. O filme também integrou a programação do Festival do Cinema Brasileiro de Moscou e recebeu Menção Honrosa no Festival Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira, em Portugal. Além disso, foi indicado ao Prêmio Guarani de Cinema Brasileiro na categoria de Melhor Roteiro Adaptado.

.: Crítica musical: com álbum antológico, Fagner também é Bossa Nova


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

Ouvir um trabalho novo de Raimundo Fagner tem sido uma atividade cada vez mais prazeirosa. Agora ele brinda o público com um disco temático recheado de canções antológicas que marcaram o movimento da "Bossa Nova". E acompanhado por ninguém menos do que Roberto Menescal, um dos ícones do movimento musical que marcou definirtivamente o Brasil no mundo.

"Fagner - Bossa Nova", foi lançado nas plataformas de streaming pela gravadora Biscoito Fino com produção, arranjos e violões de Roberto Menescal, idealização do próprio Fagner e direção vocal do experiente produtor José Milton. A capa foi elaborada com inspiração nos lançamentos da antiga gravadora Elenco nos anos 60.

O repertório é um capítulo a parte. Fagner fez questão de incluir canções que marcaram a sua formação musical. Tem "Chega de Saudade", um dos marcos da Bossa Nova, passando por clássicos como "Samba de Verão" (dueto com Marcos Valle), "Teresa da Praia" ( dueto com Zeca Baleiro), "Samba em Preludio" (dueto com Wanda Sá), "Wave", "Águas de Março", "Por Causa de Você", "Rio" e "O Negócio É Amar".

Engana-se quem imagina que interpretar canções em Bossa Nova foi fácil para Fagner. Sem precisar usar seus conhecidos vibratos, ele teve que ajustar sua voz para tons mais graves e adequados para o estilo musical. O acompanhamento de Menescal foi um fator certo para Fagner poder interpretar com desenvoltura as canções clássicas.

O disco é dedicado a Tom Jobim, Vinícius de Morais e Ronaldo Boscoli, este último considerado um padrinho de Fagner, que chegou a levar o cearense para morar em sua casa no início dos anos 70. Naquela época, Boscoli era casado com Elis Regina e Fagner ainda era um aspirante na música. Trata-se de um disco que soa diferente dos seus últimos trabalhos. E que confirma o potencial de Fagner como intérprete. Ele não se intimidou ao cantar canções consagradas da Bossa Nova.

"Chega da Saudade"

"Aguas de Março"

"Samba de Verão"

.: Crítica musical: Banduo lança "Dobras", o primeiro disco


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

O Banduo - formado pelos bandolinistas Maik Oliveira e Rafael Esteves lançou o álbum "Dobras" nas plataformas digitais de música. O lançamento integra o projeto "Banduo - O Bandolim e Suas Texturas", lançado pelo duo, em 2025, no qual exploram as possibilidades sonoras do bandolim.

Com direção musical de Alisson Amador, o álbum apresenta dez faixas inéditas, entre composições próprias e de ouros autores, feitas especialmente para o Banduo. Os arranjos trazem assinaturas de quatro instrumentistas, referências na cena contemporânea - Edmilson Capelupi, Milton Mori, Marcílio Lopes e Alisson Amador, além do próprio Rafael Esteves.

Nesse dueto, o virtuosismo de Maik Oliveira e Rafael Esteves é aplicado às possibilidades do bandolim, mesclando influências do choro com a música instrumental e de câmara (com destaque para J.S. Bach) em busca de sonoridades inovadoras e potentes. O flerte com a música camerística traz uma singularidade muito em virtude da formação inusitada de dois bandolins.

O "Banduo - O Bandolim e Suas Texturas" é um projeto realizado com recursos do edital PNAB 24/2024 de Gravação e Lançamento de Álbum Musical Inédito, com apoio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB); do Programa de Ação Cultural - ProAC, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo; e do Ministério da Cultura e do Governo Federal.

Além da gravação do álbum, o Banduo vem realizando circulação com sete apresentações: dois concertos didáticos e cinco shows (pré-lançamento e lançamento). Os concertos didáticos, realizados em polos do Projeto Guri, têm o objetivo de compartilhar com os alunos o processo criativo, a preparação do disco, a criação dos arranjos e a construção do repertório, além de abordar o bandolim e sua história.

"Valsa Evocativa"

"Leonor"

"Joropo"

quinta-feira, 12 de março de 2026

.: “O Testamento de Ann Lee” mergulha na fé radical e provoca o espectador


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.

“O Testamento de Ann Lee” chega à Rede Cineflix e aos cinemas de todo o Brasil como uma experiência cinematográfica que flerta com o transe espiritual. Dirigido pela cineasta norueguesa Mona Fastvold, que também assina o roteiro ao lado de Brady Corbet, o longa transforma a história da fundadora do movimento religioso Shaker em um híbrido de drama histórico e musical místico. No centro da narrativa está Amanda Seyfried, cuja interpretação da líder religiosa inglesa foi amplamente celebrada pela crítica internacional e apontada como uma das performances mais marcantes da carreira dela.

Ambientado no século XVIII, o filme acompanha a trajetória de Ann Lee, nascida em Manchester em 1736, que cresceu em meio à pobreza e a uma relação conflituosa com a sexualidade - experiência que moldaria a visão espiritual dela e a defesa da abstinência. A partir de encontros com grupos religiosos dissidentes, Lee passa a liderar um movimento que combina confissão pública, dança, cânticos e estados de êxtase coletivo, prática que daria origem aos chamados “Shaking Quakers”, ou simplesmente Shakers. Os seguidores dela passaram a vê-la como uma figura messiânica e, em alguns círculos, como a encarnação feminina de Cristo.

Fastvold constrói esse percurso como uma espécie de ópera espiritual. O filme incorpora mais de uma dezena de hinos tradicionais dos Shakers, recriados em números coreografados pela artista Celia Rowlson-Hall, enquanto a trilha sonora original fica a cargo do compositor Daniel Blumberg, vencedor do Oscar por “The Brutalist”. Em vez de tratar a fé apenas como tema histórico, o longa-metragem tenta traduzir cinematograficamente o fervor religioso, aproximando canto, dança e narrativa dramática.

Além de Seyfried, o elenco reúne nomes como Thomasin McKenzie, Lewis Pullman, Tim Blake Nelson, Christopher Abbott, Stacy Martin, Matthew Beard e Scott Handy. A produção, estimada em cerca de 10 milhões de dólares, estreou mundialmente na competição oficial do Festival de Veneza de 2025, onde disputou o Leão de Ouro. Desde então, o filme tem dividido espectadores entre o fascínio e o estranhamento, uma reação que parece coerente com a própria natureza radical da protagonista.

Parte da curiosidade em torno do projeto surgiu das escolhas ousadas de produção. Algumas sequências musicais foram gravadas ao vivo no set, reunindo dezenas de cantores para recriar a sensação de rituais religiosos coletivos. Em entrevistas, Seyfried revelou ainda detalhes curiosos das filmagens - incluindo o uso de próteses para cenas que exigiam nudez - evidenciando o grau de preparação e imersão exigido pelo papel.

Entre o fervor religioso e a ambição estética, “O Testamento de Ann Lee” parece interessado em algo mais amplo: investigar como a fé pode ser tanto um gesto de libertação quanto uma força capaz de reorganizar comunidades inteiras. Ao transformar essa história real em espetáculo musical, Fastvold cria um filme que oscila entre o sagrado e o teatral.


Ficha técnica
“O Testamento de Ann Lee” | “The Testament of Ann Lee” (Título original)

Gênero: drama histórico, musical, biografia
Classificação indicativa: 14 anos
Ano de produção: 2025
Idioma: inglês
Direção: Mona Fastvold
Roteiro: Mona Fastvold e Brady Corbet
Elenco: Amanda Seyfried, Thomasin McKenzie, Lewis Pullman, Tim Blake Nelson, Christopher Abbott, Stacy Martin, Matthew Beard, Scott Handy, Viola Prettejohn, Jamie Bogyo, David Cale
Distribuição no Brasil: Searchlight Pictures
Duração: 137 minutos
Cenas pós-créditos: não

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As principais estreias da semana podem ser assistidas na rede Cineflix CinemasPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SANO Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.

Cineflix Miramar | Santos | Sala 2
De 12 da 18 de março | Sessões legendadas | 18h00 e 20h50 
No Miramar Shopping | Rua Euclides da Cunha, 21 - Gonzaga - Santos / São Paulo. Ingressos neste link.

.: “A Pequena Amélie” transforma a infância em filosofia animada


Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com. Foto: divulgação

Mais do que uma narrativa infantil, a animação francesa “A Pequena Amélie” propõe uma experiência sensorial que atravessa gerações. Crianças podem reconhecer o frescor da descoberta; adultos, por sua vez, podem encontrar algo ainda mais raro: a memória do momento em que aprenderam a olhar para o mundo pela primeira vez. O filme chega à Rede Cineflix e aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, dia 12 de março, depois de uma trajetória de destaque em festivais internacionais e na temporada de premiações, e trata da descoberta do mundo como uma aventura íntima e silenciosa.

Indicada ao Oscar de Melhor Animação e também ao Globo de Ouro na mesma categoria, a produção estreia no Brasil com distribuição da Mares Filmes e da Alpha Filmes, apostando numa narrativa sensível que transforma as primeiras experiências da vida em matéria poética. A animação traz vozes originais de Loïse Charpentier, Victoria Grobois e Yumi Fujimori, enquanto a versão brasileira conta com Beta Cinalli, Danilo Diniz e Mônica Toniolo, entre outros nomes, sob direção de dublagem de Renato Marcio. 

Dirigido por Maïlys Vallade e Liane-Cho Han Jin Kuang, o longa-metragem é uma adaptação do romance autobiográfico “Métaphysique des Tubes”, da escritora belga Amélie Nothomb. A obra literária, publicada em 2000, inspirou um filme que observa o mundo pelos olhos de uma criança - mais precisamente entre o primeiro e o terceiro ano de vida da protagonista. Nascida no Japão em uma família belga expatriada, Amélie vive os primeiros anos cercada por um ambiente que mistura encantamento, estranhamento cultural e descobertas afetivas. O vínculo com a governanta Nishio-san, figura central em sua formação emocional, conduz a menina por um universo feito de pequenas epifanias, onde natureza, linguagem e memória passam a ganhar significado.

Com 78 minutos, o filme aposta em um estilo visual delicado e autoral, explorando cores suaves e uma narrativa que privilegia sensações, lembranças e pequenos rituais da infância. A proposta dialoga com a própria origem do projeto: o livro de Nothomb revisita suas memórias de infância no Japão, país onde a autora viveu durante os primeiros anos de vida.

A repercussão internacional ajudou a consolidar a obra como uma das animações mais comentadas do circuito recente. “A Pequena Amélie” estreou mundialmente no Festival de Cannes de 2025 e circulou por eventos como o Festival Internacional de Cinema de Toronto e o Festival de Annecy, onde conquistou o Prêmio do Público. O filme também acumulou sete indicações ao Annie Awards - considerado o “Oscar da Animação” - e recebeu elogios da crítica especializada, alcançando índices de aprovação próximos de 98% em agregadores de avaliação.

Em tempos em que grandes estúdios dominam o mercado com produções de alto orçamento, a animação franco-japonesa aposta em outra direção: prefere a contemplação e a introspecção, convidando o público a revisitar o instante em que tudo ainda estava sendo descoberto - a linguagem, os afetos, o medo e o encanto diante do mundo. E, nesse processo, construir uma pequena filosofia da infância, em que cada detalhe cotidiano pode ganhar uma dimensão existencial.

Ficha técnica
“A Pequena Amélie” | “Amélie et la Métaphysique des Tubes” (título original) | “A Pequena Amélie ou a Personagem da Chuva” (título em Portugal)
Gênero: animação, aventura
Classificação indicativa: 6 anos
Ano de produção: 2025
Idioma: francês / japonês
Direção: Maïlys Vallade, Liane-Cho Han Jin Kuang
Roteiro: Amélie Nothomb, Liane-Cho Han Jin Kuang, Aude Py
Elenco (vozes originais): Loïse Charpentier, Victoria Grobois, Yumi Fujimori
Distribuição no Brasil: Mares Filmes e Alpha Filmes
Duração: 78 minutos
Cenas pós-créditos: não.

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Cineflix Miramar | Santos | Sala 1
De 12 da 18 de março | Sessões dubladas | 14h05 
De 12 da 17 de março | Sessões legendadas | 18h30 
No Miramar Shopping | Rua Euclides da Cunha, 21 - Gonzaga - Santos / São Paulo. Ingressos neste link.

.: Musical “Prazer, Zezé!” estreia no Sesc 14 Bis e revisita trajetória de Zezé Motta


O musical entra em cartaz dia 20 de março e percorre seis décadas da carreira de Zezé Motta, da juventude ao protagonismo histórico no cinema, na televisão, na música, no teatro e no ativismo cultural. Na imagem, Larissa Noel como Zezé Motta. Foto: Priscila Prade / Divulgação


Zezé Motta é uma referência central da cultura brasileira contemporânea. Mais do que atriz e cantora, é uma artista que ajudou a abrir caminhos e a ampliar possibilidades de existência para mulheres negras nas artes do país. Sua trajetória foi construída em diálogo permanente com seu tempo, enfrentando limites impostos pelo mercado e pelo imaginário social; transformando presença em linguagem; voz em afirmação e corpo em cena. Essa história ganha forma em “Prazer, Zezé! O Musical”, uma produção da Gávea Filmes que estreia em 20 de março no Teatro Raul Cortez, Sesc 14 Bis, em São Paulo, e fica em cartaz de quinta a domingo, até o dia 21 de abril de 2026.

E ninguém melhor para falar sobre o musical do que a homenageada Zezé Motta: “Olhar para trás e me ver ali, no palco, com a minha própria história sendo contada, é uma emoção difícil de explicar. Estou com 81 anos, viva, lúcida, trabalhando, podendo assistir à minha trajetória ganhar voz, corpo e cena… é um presente. Eu venho de um tempo em que nada foi fácil, cada passo que eu dei foi uma conquista, resistência, amor pela arte. Então me sentar na plateia e perceber que aquela menina cheia de sonhos atravessou décadas e continua aqui, pulsando, é uma sensação de vitória e gratidão profunda. É como se a vida estivesse me aplaudindo de volta.”

“O ponto de partida foi pensar que a trajetória da Zezé não cabe em um retrato confortável. A história dela é a de uma artista que precisou disputar cada espaço em um país que sempre naturalizou a exclusão de corpos negros dos lugares de protagonismo. O musical nasce deste embate entre desejo, talento e estruturas que tentam limitar quem pode ocupar o centro da cena”, afirma a diretora artística Débora Dubois.

A montagem percorre seis décadas de atuação pública e criação artística. Da juventude em Campos dos Goytacazes, no interior do Rio de Janeiro, à formação no Teatro Escola Tablado. Do impacto de “Roda Viva”, sob direção de Zé Celso, à projeção nacional com “Xica da Silva”, no cinema de Cacá Diegues. Da consagração popular como cantora e atriz à construção de uma identidade que nunca se moldou ao olhar alheio. Não se trata de uma narrativa linear. O texto articula episódios, embates, conquistas, quedas e retomadas, compondo o retrato de uma mulher que precisou abrir espaço onde não havia lugar garantido.

O elenco reúne 11 intérpretes, acompanhados por uma banda de oito músicos, integrando música e teatro ao vivo. Em cena, Larissa Noel interpreta Zezé Motta em diferentes fases da vida. "Desde que comecei o processo de estudo ouço palavras como: ousadia, potência, entidade, força, carisma, alegria, leveza  para definir Zezé em cena e fora dela. Os relatos são sempre muito intensos, calorosos e afetuosos, quando se fala dela e das relações que as pessoas tiveram com ela. Então, conseguir imprimir tamanha grandeza, é um desafio. Mas um desafio muito delicioso, justamente pela fluidez e alegria que ela transmite. Estar em cena representando a Zezé me estimula, faz ter vontade de viver cada vez mais fazendo arte”, afirma Larissa.

E a história de Zezé é recheada de encontros marcantes e significativos. Desde o seu namoro e amizade com Antônio Pitanga, vivido na peça por Hipólyto que também interpreta Luiz Melodia. “Estar fazendo esses dois personagens é uma honra. Dois artistas negros com muita personalidade. Foram duas pessoas muito importantes na vida da Zezé”, avalia Hipólito. Sua parceria com os diretores Augusto Boal, que a levou para Nova York, onde a artista assumiu seu cabelo afro, e com Zé Celso, vividos ambos por Adriano Tunes, também estão em cena. "Eles foram os 'olhos' que enxergaram o potencial da Zezé antes mesmo dela se dar conta da própria magnitude. Eles a ajudaram a transformar talento bruto em manifesto vivo. Interpretar Augusto Boal e Zé Celso no mesmo espetáculo é um exercício de esquizofrenia criativa deliciosa. São os dois pilares do nosso teatro: de um lado, a estrutura e a consciência social do Boal; do outro, a liberdade dionisíaca e a catarse do Zé”, conceitua Adriano.

Outras duas personalidades, só que dessa vez femininas, também muito marcante na vida da artista foram Marieta Severo e Marília Pera. Sua amizade com Mariela Severo,  interpretada no musical por Luciana Ramanzini, vem do tempo em que moravam no mesmo prédio onde o tio de Zezé era porteiro e depois o reencontro das duas na peça “Roda Viva”. “Marieta e Zezé trazem em sua amizade, uma memória afetiva que vem marcada da infância. Ambas representam trajetórias de afirmação feminina no teatro e na televisão brasileira”, diz Luciana.

Já Marília foi responsável pelo nome artístico de Zezé e  abriu várias portas para ela. "Marília foi muito amiga de Zezé e vejo que foi grande incentivadora da carreira dela. Viveram uma amizade bastante longa e sincera. E isso aparece no espetáculo”, diz Luciana Carnieli, que interpreta a atriz no espetáculo.

Toda essa história é costurada pela trilha sonora que inclui canções associadas à trajetória da protagonista e ao período histórico retratado, como “Senhora Liberdade”, “Tigresa” e “Muito Prazer, Zezé”. A direção musical é de Cláudia Elizeu, responsável por dar nova roupagem á sucessos icônicos. "O desafio foi equilibrar respeito à memória que o público já traz dessas canções com a necessidade de ressignificá-las dentro da cena.  Trabalhamos timbres, respirações, silêncios e dinâmicas para que cada canção surgisse como extensão do gesto e da palavra, revelando novos sentidos sem perder sua essência”, analisa Claudia.

A direção de arte de Billy Castilho estabelece a conexão entre a linguagem teatral e as novas tecnologias, criando um backstage onde se conta a carreira e a vida  da artista Zezé Motta desde o DNA e sua africanidade  até os dias atuais onde Zezé Motta conquistou o espaço nas novas linguagens tecnológicas e continua à frente do seu tempo como a minha artista  brasileira mais completa. "Meu desafio para criar a direção de arte e a cenografia teve a parceria  criativa com a diretora Débora Dubois que foi fundamental  junto ao texto perfeito e amoroso do autor Toni Brandão. Chegamos na linguagem criativa sobre os 'bastidores' da vida da artista Zezé Motta. A partir daí condensei toda a linguagem em um backstage teatral, onde tudo está em cena, pensando em uma paleta de cores preto e ferrugem que envolve o teatro com ferro e tecnologia, o expectador vai ter sensação de estar dentro da coxia teatral , dialogando com a movimentação dos atores, trocas de perucas e figurinos sugerido pela direção”, explica Billy.

O figurino de Lena Santana, o desenho de luz de Wagner Pinto e a coreografia de Tainara Cerqueira e Priscila Borges reforçam a narrativa significativa da vida de Zezé. Uma mulher negra, com uma trajetória de superação e sucesso, que também representa a história da dança negra brasileira. "Zezé com seu corpo e sua expressão artística, conta a história da arte negra no Brasil, e a dança faz parte desse contexto. Ao coreografar, pensei em respeitar essa história, valorizar o elenco que tenho e, sobretudo, exaltar Zezé Motta, homenageando sua linhagem ancestral. Gosto muito da cena de Oxum, porque é nela que ela revela ao público toda a base que a sustentou até aqui”, diz Tainara.

Com idealização e dramaturgia de Toni Brandão, direção artística de Débora Dubois e produção artística de Bianca de Felippes, “Prazer, Zezé! O Musical” afasta-se da lógica da celebração protocolar. O espetáculo propõe um olhar crítico sobre a trajetória de uma mulher negra que construiu relevância artística em um campo cultural atravessado por desigualdades estruturais. Poder, racismo, desejo, contradição e permanência estruturam a encenação.

“São 60 anos de uma estrutura que nunca parou. A vida de Zezé daria um espetáculo de 18 horas. Hoje, uma mulher de quase 82 anos, com quase 1 milhão de seguidores, que aos 75 posou nua e é uma excelente influenciadora digital. O que mais me surpreende na trajetória dela é o poder de transformação, ela sempre foi capaz de seguir adiante, com pouca reclamação, sem submissão. Zezé acha o lugar de ser quem ela é sem mudar, transformando o mundo ao seu redor para ela ser que ela quer ser”, define Toni.

“Prazer, Zezé! O Musical”, produção da Gávea Filmes, é realizado pelo Ministério da Cultura e Sesc São Paulo, com patrocínio do Bradesco Seguros, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.


Ficha técnica
“Prazer, Zezé! O Musical”
Idealização e dramaturgia: Toni Brandão
Direção artística: Débora Dubois
Direção musical: Cláudia Elizeu
Direção de arte: Billy Castilho
Figurinos: Lena Santana
Desenho de Luz: Wagner Pinto
Coreografia / Assistente de direção: Tainara Cerqueira e Priscila Borges
Produção de elenco: Giselle Lima
Produção artística: Bianca De Felippes
Produção: Gávea Filmes
Apresentado por: Bradesco Seguros
Realização: Sesc São Paulo e Ministério da Cultura
Elenco: Larissa Noel como Zezé Motta, Anastácia Lia, Arthur Berges, Adriano Tunes, Fernando Rubro, Luciana Ramanzini, Luciana Carnieli, Hipólyto, Maria Antônia Ibraim, Moara Sacchi, William Sancar
Banda: Dan Motta - Maestro/Teclado, Ana Maga - Percussão 1, César Roversi - Sax, Flauta e Clarinete, Gabi Gonzalez - Guitarra, Juliana Silva - Trompete, Karol Preta - Bateria, Priscila Borges - Percussão 2, Rafael Gomes - Contrabaixo

Serviço
“Prazer, Zezé! O Musical”
Sesc 14 Bis – Teatro Raul Cortez
Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – 2º andar – Bela Vista, São Paulo
Próximo ao Metrô Trianon-Masp (Linha 2 - Verde)
Telefone: (11) 3016-7700
Temporada
De 20 de março a 21 de abril de 2026
Horários: quintas, às 15h00 e 20h00, sextas e sábados, às 20h00, domingos e feriados, às 18h00
Dia 1° de abril, quarta 20h00
Dia 21 de abril, terça 20h00
Não haverá sessão dia 3 de abril
Sessões com tradução em Libras: 9 a 12 de abril, quinta-feira, às 15h00 e 20h00, sexta e sábado, às 20h00, domingo, às 18h00. Sessões com audiodescrição: 11 de abril, às 20h00; 12 de abril, às 18h00
Classificação 12 anos
Ingressos: R$ 70,00 (inteira); R$ 35,00 (meia-entrada) e R$ 21,00 (credencial plena)

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