domingo, 18 de agosto de 2019

.: "Homem-Bomba" chega a São Paulo e tem novas apresentações em setembro

Após temporada de sucesso em São Paulo, Luiz Arthur volta para três novas
apresentações do solo "Homem-Bomba" em setembro: uma em Guarulhos e duas
em São Paulo. 
Com texto de Cynthia Paulino, espetáculo é encenado em uma área
de apenas 2m² e tem como livre inspiração o clássico da literatura “O Estranho Caso
de Dr. Jekyll e Mr. Hyde”, de Robert Louis Stevenson. Foto de Guto Muniz
O solo "Homem-Bomba", escrito por Cynthia Paulino e dirigido e protagonizado por Luiz Arthur, ganha três novas apresentações gratuitas nos dias 5, 6 e 7 de setembro, em São Paulo e Guarulhos. A peça da belo-horizontina Companhia Teatro Adulto estreou em 2018 na Mostra Solos e Monólogos do CCBB São Paulo. 

"Homem-Bomba" integra o projeto “Adultos em Cena SP MG” – ao lado do solo "Coisas Boas Acontecem de Repente" – e conta com o patrocínio da Usiminas e apoio do Instituto Usiminas por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais. 

O solo se passa em um mundo desigual, cada vez mais parecido com um grande abatedouro. Nesse lugar horrível, um homem, interpretado por Luiz Arthur, tenta compreender os vários eus que o habitam e, para tal, adota métodos nada convencionais. A ideia é mostrar um personagem provocador, que busca intimamente a desconstrução e a compreensão dos monstros que existem escondidos em todas as pessoas. 

Para discutir essa dualidade do ser humano, a peça busca como referência o romance “O Estranho Caso do Dr. Jekyll e Sr. Hyde”, popularizado como “O Médico e o Monstro”, do autor britânico Robert Louis Stevenson (1850-1894). “O monstro não é alguém distante de nós. É nosso duplo. O monstro nos habita e cabe a cada um saber cuidar, compreender, educar a sua sombra. Vemos no país pessoas que se denominam ‘homens de bem’ e que trazem um discurso completamente sanguinário. De que tipo de ‘bem’ estamos falando? É uma jornada necessária essa, a de enfrentar-se, de compreender que o mal não nos é estranho. Podemos sucumbir se o transformamos em algo distante de nós, porque nós criamos a desordem e o caos que está aí. Se você estuda a história da humanidade sabe disso. O demônio é o próprio homem, o devorador, aquele que dizima seus semelhantes. O discurso contra o diferente é um exemplo disso”, revela Luiz Arthur.

Em cena, esse monstro se materializa em uma figura que se aproxima a um açougueiro. “Esse personagem foi se firmando durante todo o processo de construção da dramaturgia. Mas não podia ser um açougueiro qualquer. Precisava ter o lado do cientista, do médico. E que faz de si sua própria cobaia. Cynthia sugeriu o uso de luvas. Fui para a sala de ensaios, sozinho, e, de repente, vi que precisaria de um cutelo. Queria um instrumento da maldade materializado ali. Uma ameaça velada. Quando a personagem pergunta: ‘e se fossem homens? E se?’ Certamente o cutelo à mostra faz o público encarar a verdade de que tanto foge. O cutelo acaba com a ‘assepsia de supermercado’ que nos protege da verdade: comemos animais que sofreram uma morte horrível, que tiveram uma vida horrível e engolimos toda essa dor”, acrescenta o ator e diretor.

Encenada em uma área de paletes brancos (daqueles usados em açougues) com apenas 2m², a peça investiga a restrição do espaço de atuação, característica marcante na trajetória da companhia, o que viabiliza apresentações tanto em palcos tradicionais como em espaços alternativos. Além da obra de Stevenson, a montagem tem citações de vários escritores, poetas e pensadores, como Aldous Huxley, Shakespeare, Carl Jung, Franz Kafka, HP Lovecraft, Tadeusz Kantor, Augusto dos Anjos, Samuel Beckett, William Blake e Osho. 

Sobre Luiz Arthur
Luiz Arthur é ator, diretor, produtor, professor de teatro e jornalista. É integrante e fundador da Companhia Teatro Adulto (MG). Com “A Morte de DJ em Paris” (1999), venceu os prêmios de melhor ator no 12º Concurso de Monólogos Ana Maria Rego (Teresina) e no III Festival Nacional de Monólogos (Vitória). Venceu os prêmios SESC/SATED-MG e USIMINAS/SINPARC 2003 de melhor ator por “Noites Brancas”, no qual atuou ao lado da atriz Débora Falabella sob a direção de Yara de Novaes, e SESC/SATED e AMPARC/BONSUCESSO 1996 por “O Beijo no Asfalto”, com direção de Wilson Oliveira. Produziu e atuou em “Fala Comigo Como a Chuva”, eleito pela crítica nacional como o melhor espetáculo do Fringe no Festival de Curitiba 2009, dirigido por Cynthia Paulino. “Homem-Bomba” é seu segundo solo.

Atuou na novela “Fascinação” (1998), no SBT. Na TV Globo, participou de “Belíssima” (2005), “JK” (2006), “Caminho das Índias” (2009), “Passione” (2010) e “Rocky Story” (2017). É coordenador e professor de interpretação da Escola de Teatro PUC Minas.

Sobre a Cia. Teatro Adulto
A Companhia Teatro Adulto cria e produz espetáculos desde 1996. Destacam-se: “A Morte de DJ em Paris” (1999), “A Falecida” (2004), “Fala Comigo Como a Chuva” (2008), “A Última Canção de Amor Deste Pequeno Universo” (2010), “Entre Nebulosas e Girassóis” (2013), “Coisas Boas Acontecem de Repente” (2016), “Horror Vacui Hamlet” (2016) e “Homem-Bomba” (2018).

Sinopse
Em um mundo desigual, cada vez mais parecido com um grande abatedouro, um homem quer compreender os vários eus que o habitam e utiliza, para realizar o seu intento, métodos nada convencionais. Texto de Cynthia Paulino, livremente inspirado no clássico “O Médico e o Monstro”, título original “O Estranho Caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde”, de Robert Louis Stevenson.

Ficha técnica
Direção, trilha sonora e atuação: Luiz Arthur
Texto: Cynthia Paulino
Cenário: Cynthia Paulino e Luiz Arthur
Coordenação técnica e Iluminação: Marina Arthuzzi
Figurino: Cynthia Paulino
Adereços: Mauro Gelmini
Maquiagem: Linda Paulino
Assistente de produção e designer gráfico: Samara Martuchelli
Fotos: Guto Muniz
Realização: Companhia Teatro Adulto

Serviço
"Homem-Bomba", com direção e atuação de Luiz Arthur
Classificação: 12 anos
Duração: 50 minutos 
Teatro da Biblioteca Monteiro Lobato – Anfiteatro Pedro Dias Gonçalves – Rua João Gonçalves, 439 – Centro - Guarulhos
Apresentação: 5 de setembro, às 20h
Ingresso: grátis, distribuídos meia hora antes da sessão
Informações: (11) 2087-6900
Oficina Cultural Oswald de Andrade – Rua Três Rios, 363 - Bom Retiro
Temporada: 6 e 7 de setembro
Na sexta-feira, às 20h; e no sábado, às 16h
Ingresso: grátis, distribuídos uma hora antes da sessão
Classificação: 12 anos
Duração:  50 minutos 
Informações: (11) 3222-2662

.: Filmes, fotografias, serigrafias e objetos de Man Ray em exposição

"Les Larmes" ("As Lágrimas"), 1932, Crédito ©Man Ray 2015 Trust. Filmes, fotografias, serigrafias e objetos de Man Ray estão na exposição inédita no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo. Além das mais de 250 obras do artista, o público vai conhecer quatro filmes de sua autoria e um sobrer a sua vida

Man Ray, um dos maiores artistas visuais do início do século XX e expoente do movimento surrealista, ganha a exposição inédita “Man Ray em Paris”, apresentada pelo Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo, a partir do dia 21 de agosto. Além das fotografias, dos objetos e das serigrafias, a mostra conta com quatro vídeos assinados pelo multifacetado artista, que também era cineasta, e um que aborda sua carreira. 

Quase 130 anos após seu nascimento, o país recebe 255 obras do artista nunca antes vistas pelo público brasileiro e desenvolvidas durante os anos que viveu em Paris, entre 1921 e 1940, seu período de maior efervescência criativa. Depois do CCBB SP, a mostra segue para a unidade de Belo Horizonte, entre 11 de dezembro e 17 de fevereiro de 2020. A realização é do Centro Cultural Banco do Brasil, com patrocínio do Banco do Brasil e do Ministério da Cidadania.

Os quatro filmes de autoria de Man Ray poderão ser vistos no segundo andar do CCBBSP. São eles: “O Retorno à Razão”/1923 (Return to Reason), “Emak Bakia”/1926 (Emak Bakia), “A Estrela do Mar”/1928 (Star of the Sea/The Starfish) e “Os Mistérios do Castelo do Dado”/1929 (The Mysteries of the Chateau of Dice). Já “Man Ray, Senhor 6 segundos - Filme de Jean-Paul Fargier 1998” será exibido em um espaço reservado no primeiro andar. Abaixo, informações sobre os filmes de sua autoria a partir de texto de Emannuelle l´Ecotais, curadora da mostra, e do próprio Man Ray em sua autobiografia intitulada “Auto-Retrato”, publicada em 1963.

Os Filmes
"A Estrela do Mar"/1928 - "Star of the Sea" (ou "The Starfish") – 
Filme mudo, preto e branco, 15 minutos
Autoria: Man Ray

Man Ray conta, em "Auto-Retrato", que a ideia do filme lhe ocorreu durante uma noite com Robert Desnos. “No fim da refeição, ele começou a falar muito e a recitar poemas de Victor Hugo e de alguns outros poetas que não eram muito admirados pelos surrealistas. Então, tirou do bolso uma folha amarrotada: era um poema que havia escrito naquele dia. Ele o leu com sua voz clara e bem modulada, conferindo-lhe um sentido que não se poderia ter ao lê-lo silenciosamente num livro. [...] O poema de Desnos se assemelhava a um cenário de um filme, composto de 15 ou 20 versos, cada um dos quais apresentando uma imagem clara, destacada, de um lugar ou de um homem e uma mulher. Nenhuma ação dramática, porém todos os elementos necessários a uma possível ação. O poema se chamava “L’Étoile de Mer”, A Estrela do Mar. [...] Minha imaginação tinha sido estimulada pelo vinho durante nosso jantar, mas o poema me emocionou bastante. Eu o visualizei nitidamente como um filme – um filme surrealista”. Man Ray roda o filme em algumas semanas.

"Emak Bakia"/1926 - Emak Bakia
Filme mudo, preto e branco, 16 minutos
Autoria: Man Ray

 Emak Bakia quer dizer, segundo Man Ray, “deixe-me em paz”. É também o nome da casa de veraneio de Arthur Wheeler, que lhe encomenda o filme. Nessa casa, são rodadas algumas de suas cenas, como Man Ray explica em Autorretrato: uma colisão com “um rebanho de carneiros”, “um belo par de pernas dançando o Charleston, a dança da moda, o mar revolto se transformando em céu e o céu, em mar etc.” Emak Bakia é concebido segundo princípios caros ao Surrealismo: automatismo, improvisação, irracionalidade, cenas psicológicas e oníricas, falta de lógica e menosprezo pela dramaturgia. 
Man Ray relata como a ideia do final do filme lhe ocorreu: “Uma visita de meu amigo Jacques Rigaut, o dândi dos Dadás, o bem-apessoado que poderia ter sido uma estrela de cinema se o tivesse desejado, deu-me a ideia de como conclui-lo. Ele estava, como sempre, impecavelmente vestido, como suas roupas bem cortadas, chapéu Homburg escuro, colarinho engomado e gravata com uma estampa discreta. Mandei meu assistente Boiffard comprar uma dúzia de colarinhos rígidos brancos, que pus numa pequena maleta. [...] No ateliê, fiz um close-up das mãos de Rigaut abrindo a maleta, pegando os colarinhos um a um, cortando-os em dois e jogando-os no chão. (Depois, fiz uma impressão reversa dos colarinhos caindo, para que parecessem estar se levantando). Pedi a Rigaut que erguesse a parte externa de seu colarinho, mostrando a gravata em torno de seu pescoço. Ele parecia ainda mais bem vestido do que antes, mais formal. Com isso, sua participação se encerrou. Depois de ele sair, filmei algumas cenas com os colarinhos rasgados revirando, refletidos em espelhos que os deformavam; faziam piruetas e dançavam ritmicamente”.

"O Retorno à Razão"/1923 - "Return to Reason"
Filme mudo, preto e branco, 3 minutos
Autoria: Man Ray

Man Ray conta que, certo dia, Tristan Tzara o procurou para pedir que fizesse para o dia seguinte um filme a ser exibido numa sessão Dadá que aconteceria no teatro Le Coeur à Barbe. A princípio, Man Ray não o aceitou, dizendo que até então só havia feito alguns fragmentos sem interesse, mas Tzara insistiu e inclusive sugeriu que utilizasse a técnica da rayografia. Man Ray relata muito depois, em Autorretrato, como fez esse filme: “Comprei um rolo de filme de trinta metros, fui para minha câmara escura e o cortei em pedaços curtos, alfinetando-os em minha mesa de trabalho. Em alguns pedaços, salpiquei sal e pimenta, como um cozinheiro preparando seu assado, em outros joguei ao acaso alfinetes e tachinhas; então acendi a luz branca por um ou dois segundos, como fizera com minha rayografias. [...] em seguida, apenas grudei os pedaços, acrescentando algumas cenas feitas antes com minha câmera para prolongar a projeção [...]. Cheguei ao teatro poucos minutos antes de as cortinas serem suspensas; entreguei meu filme a Tzara e lhe disse que ele tinha de apresentá-lo, pois não havia títulos, nem legendas”.

Como sempre, essa história divertida tende a fazer com que o trabalho de Man Ray seja considerado algo trivial. Ora, nada é fortuito nessa composição animada, que alterna abstração e figuração sob um ritmo sustentado. Man Ray também relata que viu o filme pela primeira vez por ocasião de sua projeção no Le Coeur à Barbe: “O filme parecia uma tempestade de neve, com os flocos voando em todas as direções, em vez de caírem, até que subitamente se tornou um campo de margaridas, como se a neve se tivesse cristalizado em flores. Isso foi sucedido por outra cena de muitos alfinetes se entrecruzando e revolvendo numa dança epilética, e novamente uma tachinha solitária se esforçando desesperadamente para sair da tela. [...] A imagem seguinte era de um torso listrado pela luz. [...] assim que a espiral e a cartela de ovo começaram a girar na tela [...], o filme se partiu”, deflagrando um tumulto no teatro.
Tipicamente um filme de vanguarda, O retorno à razão permanece atual, quando se leva em conta o que Tristan Tzara disse a seu respeito: “Era o momento de fazer alguma coisa contra as inúmeras idiotices que se viam nas telas”.

"Os Mistérios do Castelo do Dado"/1929 - "The Mysteries of the Chateau of Dice"
Filme mudo, preto e branco, 19 minutos
Autoria: Man Ray
https://www.youtube.com/watch?v=V6bSygUuU9o
É Charles de Noailles, grande amante da arte, quem encomenda a Man Ray um filme sobre seu castelo, construído por Robert Mallet-Stevens em Hyères. Ele deseja que Man Ray “faça algumas cenas com as instalações e as coleções de arte de seu castelo [...], bem como mostre seus convidados se divertindo no ginásio e nadando na piscina”A filmagem durou quinze dias e foi feita em janeiro de 1929. Constitui a narrativa cinematográfica mais longa e ambiciosa de Man Ray, mas foi criticada como “divertimento mundano e inútil”. Nota-se nela, de fato, a paixão nascente da burguesia dos anos 1920 pelo esporte. O próprio Noailles não ficou muito contente com o resultado, que julgou “abracadábrico”, e pediu a Man Ray que refizesse o filme, mas este se recusou e abandonou definitivamente.

"Man Ray, Senhor 6 Segundos" - Filme de Jean-Paul Fargier 1998 - 52min
Autoria: Jean-Paul Fargier
Este filme denso e instrutivo segue a prolífica carreira de Man Ray. 

A exposição
Com curadoria de Emmanuelle de l’Ecotais, especialista no trabalho do artista e responsável por seu Catálogo Raisonée, a mostra irá ocupar o CCBB SP e será dividida em duas categorias. A primeira trata da fotografia como um instrumento de reprodução da realidade, focando-se em seus famosos retratos - seu ateliê era uma referência entre a vanguarda intelectual que circulava pela Paris da década de 1920 - , nos ensaios para a grife de Paul Poiret e em fotos para reportagens. 

Já na segunda, outro lado se revela: o da manipulação da fotografia em laboratório com o intuito de criar superposições, solarizações e “rayografias”, um termo criado por Man Ray (do inglês “rayographs”), em alusão a si mesmo. Assim, portanto, ele inventa a fotografia surrealista.

O projeto da exposição prevê, ainda, reproduzir imagens da vida parisiense de Man Ray acompanhado pelos artistas que lhe foram contemporâneos e por sua musa, Kiki de Montparnasse. Além de uma programação de filmes assinados por ele, intervenções como um laboratório fotográfico, com elucidações sobre as técnicas utilizadas em sua obra, marcam a interatividade com o visitante. Ainda fazem parte do evento uma palestra com a curadora Emmanuelle de l’Ecotais no dia 21 de agosto e outra com o fotógrafo Pedro Vasquez sobre as técnicas de fotografia do Man Ray, em data a ser confirmada. A produção executiva é da Artepadilla.

O artista
Emmanuel Radnitsky, mais conhecido pelo pseudônimo Man Ray, foi pintor, fotógrafo, object-maker, escultor e cineasta, tornando-se um dos mais destacados artistas vanguardistas do século XX. Nasceu na Filadélfia, Estados Unidos, em 1890, e na juventude, mudou-se para Nova York. Lá inicia seus estudos no The Social Center Academy of Art. Ainda na década de 1910, conhece Marcel Duchamp e outros artistas que compunham o movimento dadaísta nova-iorquino. 

Em 1921, parte para Paris, cidade que o acolhe por quase 20 anos, até o cerco nazista em 1940. O período em que viveu na capital francesa foi de imensa ebulição cultural, não só para ele, mas para diversos outros artistas que consolidaram o local como um dos maiores centros culturais do mundo, num contexto em que diversas formas de arte floresciam, sobretudo nos anos de 1920. Por lá, Man Ray se insere no movimento surrealista e concilia seu trabalho como fotógrafo de renome entre a intelectualidade francesa com seu lado artístico, que manipulava fotos em laboratório para a produção de obras de arte. 

Durante a Segunda Guerra Mundial, voltou para os Estados Unidos, onde fotografou celebridades de Hollywood e da moda. Regressa à Europa com o fim da guerra e, nos anos seguintes, obteve reconhecimento pela excelência de seu trabalho, conquistando prêmios como a Medalha de Ouro da Bienal de Fotografia de Veneza, em 1961, publicando suas fotos e exibindo sua obra ao grande público. May Ray faleceu em Paris, em novembro de 1976.

A curadora
Emmanuelle de l´Ecotais foi por 17 anos curadora de fotografia no Musée d´Art Moderne de la Ville de Paris desde 2001. Com PhD em História da Arte, é especialista na obra de Man Ray tendo organizado diversas exposições sobre o artista entre elas, “Man Ray, la photographie à Lenvers”, no Centre Pompidou/Grand Palais, em 1999. 

Outras mostras com sua curadoria foram “Alexandre Rodtchenko, la photographie dans lil”(2007), “Bernhard et Anna Blume”, “Polaroïd”, na Maison Européenne de la Photographie (2010), “Linder, Femme-Objet”, no Musée dArt moderne/ARC (2013), “Jean-Philippe Charbonnier, lil de Paris”, no CMP, Paris (2014), “Objectivités, la photographie à Düsseldorf”(2008), “Henri Cartier-Bresson e limaginaire daprès nature”(2009). É autora de diversos ensaios e livros, entre estes “L´esprit Dada” (Editions Assouline,1999), “Man Ray” (Taschen, 2000), “Man Ray Rayographies” (Editions Léo Scheer, 2002) e é membro permanente de comitês de aquisição do Fonds National d´Art Contemporain (2004-2007) e da Maison Européenne de la Photographie (2007-2010). É também parte do júri em artes visuais para jovens talentos de Paris, Prêmios de Fotografia do Royal Monceau Hotel.

A produtora
A Artepadilla é empresa cultural atuante há 30 anos na área de elaboração, organização, produção, coordenação e administração de projetos culturais. Realizou ciclos de exposições no Centro Cultural Light, nas unidades Brasília, Recife e Rio de Janeiro do Centro Cultural Correios, nas unidades Brasília, Curitiba, Fortaleza, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo da CAIXA Cultural, entre outros. Tem grande experiência na área de eventos internacionais, tendo realizado as exposições: Roy Lichtenstein Vida Animada (em parceria com a Roy Lichtenstein Foundation/ New York City) no Instituto Tomie Ohtake/SP, entre outros. Na área de edição de livros de Arte, realizou Manfredo de Souzanetto Paisagem da Obra, Margaret Mee, Jardim Botânico do Rio de Janeiro 1808/2008, Jorge Hue, entre outros, alguns dos projetos através da Lei de Incentivo à Cultura/Lei Rouanet e da Lei Municipal de Incentivo à Cultura.

Serviço:
Exposição Man Ray em Paris
21 de agosto a 28 de outubro
Entrada Gratuita

Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo - CCBB SP
Rua Álvares Penteado, 112 – Centro. São Paulo -SP
(Acesso ao calçadão pela estação São Bento do Metrô)
(11) 3113-3651/3652 | Todos os dias, das 9h às 21h, exceto às terças. Acesso e facilidades para pessoas com deficiência | Ar-condicionado | Cafeteria e Restaurante | Loja. Estacionamento conveniado: edifício Zarvos - Rua da Consolação, 228. Traslado gratuito até o CCBB. No trajeto de volta, a van tem parada na estação República do Metrô. Valor: R$ 14 pelo período de seis horas. É necessário carimbar o ticket na bilheteria do CCBB.

.: Liam Gallagher lança single “One Of Us”, mais uma inédita do novo álbum

Faixa chega junto com anúncio de ingressos esgotados para turnê pelo Reino Unido. Em 2020, 13 cidades da Europa também receberão o show
Uma das maiores lendas do rock mundial, Liam Gallagher, está prestes a lançar o novo álbum “Why Me? Why Not?” e, nesta sexta-feira, dia 16 de agosto, divulga mais um single do projeto. A faixa escolhida é “One Of Us”. Atualmente Liam está em turnê pelos Estados Unidos com a banda The Who e já anunciou tour pelo Reino Unido em novembro, com todos os ingressos esgotados, e por outros países da Europa, em fevereiro de 2020, passando por 13 cidades.

Depois do sucesso esmagador do primeiro álbum solo, “As You Were”, que esteve no TOP 10 de diversos países e marcou shows esgotados ao redor do mundo, Liam Gallagher retorna com um novo disco. “Esse álbum é melhor do que ‘As You Were’. E isso quer dizer muito, já que esse foi épico, não foi?”, comemora Gallagher.

“One Of Us” é o quarto single divulgado por Liam neste ano. “Showcase”, que atualmente atinge a marca de 1,7 milhão de views no YouTube, trouxe de volta o poder dos vocais e guitarras de Gallagher, “The River” e “Once” dão um toque de nostalgia e “One Of Us” traz uma mensagem sobre relações partidas, família, amor e amizade.

Liam Gallagher marcou uma geração com o jeito singular de cantar e atitude única no palco. Gallagher foi uma das figuras mais importantes do movimento Britpop e é um dos ícones da música britânica, tendo sido eleito, em 2010, por uma votação realizada entre os leitores da revista britânica Q, o maior frontman de todos os tempos.


.: Ilan Brenman lança dois livros inéditos sobre famílias e refugiados

Escritor também lança site exclusivo com obras reformuladas, novos projetos gráficos, capas, ilustrações e algumas até com novos títulos

Nesse mês, Ilan Brenman, novo autor exclusivo de obras de literatura infantojuvenil da Editora Moderna, lançará dois livros inéditos: "Famílias" e "Refugiados". Os novos títulos marcarão a inauguração do site do autor (www.bibliotecailanbrenman.com.br), que será organizado em coleções e reunirá gradativamente as mais de 60 obras do escritor, todas reformuladas e com novos projetos gráficos, capas, ilustrações e alguns até com novos títulos.

Em um dos seus títulos inéditos, o livro "Famílias", Ilan Brenman e o ilustrador Guilherme Karsten criam de maneira lúdica um inventário de famílias muito diferentes entre si. Cada uma com suas excentricidades e hábitos - todas à sua maneira, surpreendentes. O modo como o autor e o ilustrador brincam de sobrepor atividades cotidianas a contextos extraordinários, convidam cada família a identificar suas paixões e hábitos, dando charme e humor a obra. 

Os sobrenomes das famílias são irreverentes e as ilustrações são repletas de detalhes inusitados, como "Os Aquasnorkells", uma família que usa snorkells e vive no fundo do mar com criaturas aquáticas, além dos "Rockestones", que possuem um visual e atitudes "Rock'n'roll", e "os Thomaedisons", que são estudiosos, tecnológicos e inventores, entre outras famílias curiosas.

O escritor conta que a obra nasceu após uma situação vivida com sua família. "Minha filha chegou em casa falando da experiência de ter ficado na casa de uma amiga da escola". O relato contava sobre uma jiboia de estimação, uma ida para comprar comida para o bichinho e a imagem de vê-la devorando o petisco comprado. "Minha filha estava deslumbrada com essa família que no lugar de um cachorrinho, gatinho etc., tinha uma jiboia. Aquele relato me fez pensar na quantidade de famílias diferentes que existem no mundo", afirma. A obra "Famílias" trata temas relacionados a vida familiar e social e é indicada para leitores a partir de sete anos.

Já em "Refugiados", Brenman e Guilherme Karsten apresentam um dos temas mais difíceis da história da humanidade. De maneira sensível, o livro mostra situações de famílias em êxodo: o momento da saída de seu lugar de origem, em circunstâncias difíceis, e em seguida sua chegada em um novo lugar. Cada família é recebida com hostilidade e desconfiança pelos habitantes locais. 

A medida em que as histórias acontecem o autor mostra que os povos são duros em relação aos refugiados recém-chegados e, que, muitas vezes se tornam, gerações depois, aqueles que se veem obrigados a emigrar em situação vulnerável. Por meio de seu olhar, Ilan traz argumentos para compreender e acolher o outro. O autor explica que "a história dos refugiados é um pouco da história de cada família viva nos dias atuais, em algum momento e pelos mais diversos motivos, tivemos que abandonar nosso lar para procurar um novo começo".

Com referências sobre educação em direitos humanos, relações étnico-raciais e diversidade cultural, o livro Refugiados é indicado para leitores a partir de nove anos. "Famílias" e "Refugiados", e mais alguns títulos estarão no catálogo do autor e poderão ser vistos por meio do link www.bibliotecailanbrenman.com.br.

Ilan Brenman e Editora Moderna
Em 2019, Ilan se juntou ao time de autores exclusivos da Editora Moderna. Hoje, estão no time da Moderna e Salamandra Ruth Rocha, Pedro Bandeira, Eva Furnari e Walcyr Carrasco. A obra completa desses grandes autores possui bibliotecas próprias as quais adotaram seus nomes, e reúnem incríveis histórias e best-sellers.

O autor 
Ilan Brenman tem um amor profundo pelas mais diversas narrativas. Esse afeto está ligado diretamente à origem do autor, pois ele é israelense, naturalizado brasileiro, filho de argentinos, neto de poloneses e russos. Psicólogo de formação, Ilan é mestre e doutor pela Faculdade de Educação da USP, já ministrou centenas de cursos e palestras pelo país afora, sempre discutindo a importância das histórias lidas e contadas oralmente na vida de bebês, crianças, jovens e adultos.

.: 31º Troféu HQMIX comemora 150 anos do primeiro quadrinho brasileiro

Neste ano, a estatueta será do personagem "Nhô Quim", criação de "Angelo Agostini" publicada em 30 de janeiro de 1869, no semanário "Vida Fluminense"

A 31ª edição do Troféu HQMIX vai comemorar os 150 anos da publicação do primeiro quadrinho brasileiro. A coordenação do evento apresenta a escultura da estatueta, baseada no personagem "Nhô Quim", do autor Angelo Agostini, para ser o troféu deste ano. A escultura foi confeccionada no processo 3D pelo artista plástico Itamar Braga, com a reprodução do artista Wilson Iguti. 

Já, o escolhido como o Grande Mestre dos Quadrinhos, desta edição, é Carlos Edgard Herrero, que trouxe grande contribuição para toda a área das HQs no Brasil.

O Brasil é um dos pioneiros na publicação de quadrinhos na era Gutemberg. Muito antes do que os americanos dizem ser o início dos quadrinhos no mundo, com a publicação do personagem "Yellow Kid", de "Richard Felton Outcault", no jornal "New York World", em 1895. Na verdade, "Angelo Agostini", italiano radicado no Brasil, foi personagem importante da época, como ativista pelo movimento republicano e antiescravagista. Considerado o maior artista gráfico do segundo reinado, começou a publicar quadrinizações antes dessa data, em "O Cabrião", em São Paulo. Mas, foi na primeira graphic novel do mundo, "As aventuras de Nhô Quim", que criou personagem fixo e com capítulos semanais, publicados na revista "Vida Fluminense". 

Baseado nas pesquisas realizadas pela "Associação dos Caricaturistas e Quadrinhistas de São Paulo", fundada à época pelo cartunista JAL e o editor Gualberto Costa, em 1984, foi criado o "Dia do Quadrinho Brasileiro", na data de 30 de janeiro e comemorada em todo o País desde então.

Carlos Edgard Herrero será o homenageado como Grande Mestre
Herrero, paulistano, corintiano roxo, nasceu em 2 de agosto de 1944. Estudou na Escola de Belas Artes e desenhou cerca de quatro mil páginas de quadrinhos Disney para a Editora Abril. Criou o visual de diversos alter egos do personagem Peninha, como o herói Morcego Vermelho e o caubói Pena Kid. Também colaborou com a revista Crás! e desenhou HQs de suspense, terror, ficção científica e faroeste, além de escrever e ilustrar livros infantis.
Ele tem uma agência de publicidade e, em janeiro de 2015, foi premiado com o Prêmio Angelo Agostini, na categoria Mestre do Quadrinho Nacional.  

Concorrentes aos Troféus de Projeto Editorial e Projeto Gráfico
Duas categorias com grande concorrência pela qualidade gráfica e pela qualidade editorial estão concorrendo a duas premiações. O resultado desses e de todos os outros itens da premiação serão divulgados dias antes do evento que acontecerá em 15 de setembro de 2019, às 17h30, na comedoria do SESC Pompeia, com apresentação de Serginho Groisman.

Projeto editorial
1. "A Arte de Charlie Chan Hock Chye" (Pipoca & Nanquim)
2. "A Zika #5" (Independente)
3. "Estórias Tristes e Piadas Ruins" (Independente)
4. "Frankenstein 200" (Clepsidra)
5. "Imaginário Coletivo" (Darkside)
6. "Isto Não É Um Assassino" (SESI-SP)
7. "Luto" (Peba)
8. "Paraíso Perdido" (Darkside)
9. "QP" (Lote 42)
10. "Refugiados – Última Fronteira" (Darkside)
11. "Teatro do Pavor" (Skript)
12. "Todos os Santos" (Veneta)
13. "Estórias Tristes e Piadas Ruins" (Independente)

Projeto gráfico
1. "5 Por Infinito" (Pipoca & Nanquim)
2. "Ayako" (Veneta)
3. "Billy Soco Vol. 2" (Independente)
4. "Box Noites de Trevas – Metal X Sepultura" (Panini)
5. "Imaginário Coletivo" (Darkside)
6. "O Perfeito Estranho" (Veneta)
7. "Partir" (Independente)
8. "Projeto Corsários – Os Senhores do Novo Mundo" (Independente)
9. "Smoking Mata" (Independente)
10. "Tekon Kinkreet" (Devir)
11. "Uma Dobra no Tempo" (Darkside)
12. "Uzumaki" (Devir)

Sobre o Troféu HQMIX
O Troféu HQMIX foi criado em 1988, pela dupla JAL e Gualberto Costa, no programa TV MIX, da TV Gazeta. O prêmio logo foi apadrinhado pelo então apresentador do programa, Serginho Groisman. A votação nacional é feita pela categoria dos desenhistas de HQs e Humor Gráfico, por meio da Associação dos Cartunistas do Brasil (ACB) e do Instituto Memorial das Artes Gráficas do Brasil (IMAG).

sábado, 17 de agosto de 2019

.: "Arco de Fogo": entrevista com João Carlos Borda e Edson Sousa

Por Letícia Santiago, em agosto de 2019.


Entrevista com os autores do livro "Arco de Fogo: Um Relato Sobre Uma das Maiores Operações Policiais em Região Amazônica". João Carlos Borda à esquerda e Edson Geraldo de Souza à direita. Foto: Andrea Ferreira

“Uma guerra quase invisível no coração da Amazônia” é o subtítulo que chama a atenção para o livro "Arco de Fogo", escrito pelo jornalista João Carlos Borda e o delegado Edson Geraldo de Souza. A história retrata a rotina vivida pelo doutor Edson e equipes policiais durante uma missão nas regiões de Floresta Amazônica com ênfase no desmatamento ilegal em regiões como Santarém, é um romance policial de ficção, porém envolvendo o leitor em fotos e documentos reais da missão e cativando-o em momentos de suspense, ação e muita emoção.

A obra trata o tema de fiscalização madeireira e políticas ambientais conscientizando o leitor e fazendo-o refletir sobre esquemas ilegais na floresta, entretendo com um roteiro cativante do começo ao fim. Tivemos a oportunidade de conversar com os autores sobre o livro, a experiência e o que eles esperam com a publicação deste exemplar denunciando as tentativas de contenção de crimes ao meio ambiente. O livro "Arco de Fogo" já está disponível nas livrarias brasileiras e em formato eBook. Os autores da obra estarão na Bienal do Livro, no próximo dia 31, às 18h, recebendo os leitores para bate-papo e autógrafos.

RESENHANDO: O nome do livro, “Arco de Fogo”, faz referência à operação policial ocorrida na Amazônia e vivenciada pelo Dr. Edson Geraldo de Souza. O que a operação e o livro significaram para vocês?
EDSON GERALDO DE SOUZA - O nome "Arco de Fogo" se refere a uma operação que foi mantida por anos pela Polícia Federal, por meio de uma força tarefa composta também por Ibama e Força Nacional. Havia bases estrategicamente localizadas em áreas identificadas como de alto risco para o meio ambiente, especialmente no chamado arco do desmatamento, que é uma região onde a Amazônia sofre maior ação predadora. Trabalhar na operação foi uma experiência intensa e diferente de tudo o que já havia feito, fornecendo uma visão completamente diferente do que seja Lei, Estado e visão social sobre prioridade. Escrever o livro, em conjunto com o João Carlos Borda, foi, ao mesmo tempo, um exercício literário e uma realização pessoal.
JOÃO CARLOS BORDA - Significam um limite estratégico e geográfico da Polícia Federal para combater os crimes ambientais na Amazônia. Mas, a título de conscientização, representa uma alavanca para remodelar as nossas concepções sobre a fragilidade de um sistema ambiental, frequentemente ameaçado.

RESENHANDO: Há algum acontecimento específico que não esteja no livro ou toda a experiência está relatada ali?
E.G.S. - Quando traçamos o que queríamos escrever sobre os fatos, decidimos que queríamos uma literatura policial ágil, dinâmica e objetiva. Um livro que fosse a essência, condensado para ser rápido e visual, dispensando qualquer elemento, descrição ou fato que não estivesse diretamente ligado à narrativa. Então, o essencial ao enredo está lá. Poderíamos escrever um livro de mil páginas, mas, neste caso, teríamos falhado no objetivo de apresentar uma obra literária revestida de linguagem dinâmica e leitura rápida. Não dá tempo do leitor respirar, não pode perder a atenção, o foco. Se o fizer, terá que voltar algumas páginas para ler de novo.
J.C.B - O que havíamos planejado está contemplado. É claro que, além da objetividade no relato dos fatos, prepondera também uma subjetividade literária que, em muitos casos, julgo, ganha densidade por conta da leitura pessoal de cada um.

RESENHANDO: Além da experiência pessoal dos policiais federais envolvidos na operação, houve alguma outra inspiração para que o livro fosse publicado?
E.G.S. -   Sou fã de literatura, cinema e música - acredite, o livro tem trilha sonora composta especialmente para ele - e pensamos em misturar um pouco de tudo: linguagem visual, enredo consistente, ausência de ordem cronológica linear, diálogos fortes e constantes. Com inspiração em Giuseppe Tornatore, Tarantino, Guy Ritchie, Javier Moro, Henry Charriere e muito indie rock, entregamos a obra Arco de Fogo aos leitores.
J.C.B - Quando a criação e a tinta entram em convergência, ou seja, quando damos forma a ideia, transformando fatos em literatura, somos impelidos a construir um mundo. O Dr. Edson viveu a realidade, esteve à frente de tudo, e captou com os olhos e o coração o que hoje o leitor assiste como se estivesse diante de uma tela do cinema.

RESENHANDO: Qual mensagem vocês esperam que os leitores possam receber desta obra?
E.G.S. - O prazer da leitura, uma história inspirada em fatos reais, muita adrenalina e a consciência de como as coisas realmente são no coração da Amazônia.
J.C.B - A consciência de preservação não brota do simples convite ao ativismo. A gente só preserva, aquilo que conhece. Espero que o livro abra essa janela e através dela conduza o leitor a essa prática de luta pela preservação da Amazônia.

RESENHANDO: Na capa do livro, por que vocês denominam a operação como “uma guerra quase invisível”?
E.G.S. - Desde há muito se fala em desmatamento, em perda de espaços cada vez maiores de vegetação nativa, em áreas correspondentes a tantos campos de futebol a menos, em destruição do habitat natural de inúmeras espécies, em extinção de espécies e, parece-me, que isso se tornou normal, aceitável, acadêmico, técnico, distante das conversas cotidianas. Preservação e sustentabilidade se tornaram, para a maioria, palavras atreladas a marketing institucional de empresas. Não me parece algo que esteja ocorrendo de verdade. Todos sabem que há uma luta pela preservação, mas que luta é essa, onde ocorre, como ocorre? É quase como se não ocorresse, não existisse, "quase invisível". Se não fosse o livro você teria conhecimento que houve uma operação denominada "Arco de Fogo"?
J.C.B - Está nos labirintos da compreensão da grandeza da Amazônia e nos conflitos de quem luta contra os crimes ambientais, como o faz a Polícia Federal, a invisibilidade da imensidão da selva e a sua complexa leniência para se manter em pé. Nem sempre o que os olhos não captam é inexiste. Pelo contrário.

RESENHANDO: Como identificar o real e o fictício no livro?
E.G.S. - A história está romanceada por inteira, mas fortemente inspirada em fatos. O que é real e o que é ficção na obra deixamos para o leitor descobrir. Há referência a datas, locais e fotos. O leitor terá em mãos um livro que pode ser usado como referência, fonte de informação ou apenas uma obra escrita com muito esmero para divertir toda sorte de fã de literatura, com ação, emoção, suspense e alguma dose de humor autêntico.
J.C.B - O Dr. Edson conseguiu, com maestria, criar essa atmosfera envolvente que faz o leitor andar sobre uma corda bamba, pela qual transitam, de forma simultânea, o real e o quase real.

RESENHANDO: Como o Dr. Edson G. de Souza se envolveu na operação Arco de Fogo?
E.G.S. - Fui designado para trabalhar por um período em uma das diversas base da operação, as quais ficam na linha de frente do trabalho da Polícia Federal na luta contra os crimes ambientais e o crime organizado que atua no desmatamento. Não foi uma escolha, e sim o cumprimento de uma ordem da instituição. Mas, não há pontas soltas no livro, está tudo lá, inclusive a ordem e a reação ao recebê-la.

RESENHANDO: Qual a sensação de escrever este romance policial e saber que vivenciou tudo isso?
E.G.S. - Ao escrevermos queríamos que o leitor vivenciasse cada fato, cada experiência, queríamos colocar o leitor dentro da operação, da base, dos fatos. Então, o leitor vai estar em uma experiência 4D, dentro do teatro de operações. O que eu senti, o leitor vai sentir também. Temos certeza disso. Alguns leitores nos relataram adrenalina, palpitação, sonhos com a história.

RESENHANDO: Quais os prejuízos e consequências ocasionados por esse desmatamento ilegal na região?
E.G.S. - Quando falamos de Amazônia, estamos falando de 49% do território nacional, de um bioma que abriga 20% das espécies de animais do planeta. Acredita-se que a Terra tenha 11 biomas. O Brasil tem seis deles terrestres e um marítimo. Um deles é a Amazônia. Estamos falando de uma riqueza biológica que abrange flora e fauna, sem contar a riqueza mineral da região amazônica. Todo e qualquer estrago ali representa um prejuízo patrimonial natural irrecuperável. No romance há passagens específicas sobre isso.
J.C.B - Não é só Amazônia o prejuízo. É para o Brasil e o mundo.

RESENHANDO: Quais suas opiniões sobre as políticas ambientais atuais e o que vocês sugerem de mudança para reverter o quadro de aumento do desmatamento na região amazônica?
E.G.S. - Embora a experiência do Borda quanto ao jornalismo investigativo e denunciativo sobre crimes ambientais e a minha experiência descrita no romance, não queremos - não podemos e tampouco devemos - ser vistos como ativistas, ambientalistas ou especialistas. Há pessoas estudando, trabalhando e dedicando sua vida inteira a essa causa. Nossa visão é de colaboradores, de pessoas comuns que querem levar às pessoas igualmente comuns, distante desse tema, uma visão verdadeira, única e fácil de assimilar. Um romance, uma obra literária divertida, dinâmica, escrita sobre um cenário extraordinariamente verdadeiro. Não é um manual, não é um relato jornalístico. É uma autêntica obra literária, um romance policial. E, com muita autocrítica, é um bom livro.
J.C.B - Eu, particularmente, entendo que este governo jogou uma banana de dinamite bem no coração da Amazônia. Como um Nero dos tempos modernos, o presidente Bolsonaro assiste a selva se transformando em cemitério de carvão.

.: Expulso do PSL, Alexandre Frota estará no "Roda Viva" desta segunda


O deputado federal Alexandre Frota (SP), expulso pelo PSL na última terça-feira, dia 13, estará no centro do "Roda Viva", na segunda-feira, dia 19. O programa da TV Cultura será exibido a partir das 22h, ao vivo, com apresentação de Daniela Lima e desenhos do cartunista Paulo Caruso. A entrevista também poderá ser acompanhada no site da emissora, no Twitter, no Facebook, no YouTube e no aplicativo Cultura Digital.

Eleito com 156 mil votos, Alexandre Frota era filiado ao partido desde abril de 2018. O pedido de sua expulsão foi feito pelo próprio presidente do PSL, o deputado Luciano Bivar (PE). Na reunião realizada em Brasília, estavam presentes o senador Major Olímpio (SP), a deputada Carla Zambelli (PSL-SP), o líder da legenda na Câmara, Delegado Waldir (GO), e outros membros da sigla. A votação foi unânime, com nove integrantes se posicionando a favor da expulsão. O deputado foi enquadrado em artigo do regimento referente a desalinhamento partidário.

De apoiador do governo, nos últimos meses Frota passou a fazer duras críticas ao presidente Jair Bolsonaro, seus filhos e correligionários. Além disso, ele se absteve na votação de 2º turno da reforma da Previdência.

Compõem a bancada de entrevistadores José Alberto Bombig, editor-executivo do jornal O Estado De S. Paulo; Fernando Rodrigues, diretor de redação do jornal digital Poder360; Tatiana Vasconcellos, âncora da rádio CBN; Fábio Zanini, repórter da Folha de S.Paulo; e Carlos Andreazza, editor-executivo do grupo editorial Record, comentarista de política da rádio Jovem Pan e articulista do jornal O Globo.

Deputada Carla Zambelli comenta sobre expulsão
A deputada Carla Zambelli (PSL-SP), fundadora do movimento Nas Ruas, que ganhou notoriedade nas manifestações em favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, participou do programa "Pânico na Rádio", da rádio Jovem Pan, no último dia 16.

Durante a entrevista, a deputada esclareceu sobre um dos assuntos mais comentados da semana, que foi o pedido de expulsão do deputado Alexandre Frota. “Pedi expulsão dele da forma como ele vem agindo. Você pode criticar o fato que é diferente de fazer uma crítica generalizada sem apontar o erro”, diz.

Segundo Zambelli, a expulsão de fato não se deu através do pedido dela, mas pelo fato do deputado se abster no processo da previdência. “Só o Frota perdeu com isso”, afirma. A deputada ironizou dizendo que “agora o Frota está do lado certo no PSDB. Ele quer que o Dória seja presidente em 2022”.

.: Iggy Pop lança clipe para a nova “James Bond”


Iggy Pop lançou o primeiro vídeo do seu próximo álbum "Free", disponível no dia 6 de setembro via Loma Vista Recordings. Dirigido por Simon Taylor, o clipe de “James Bond” foi gravado em Miami, na Sweat Records. "James Bond” é a segunda música do novo álbum a ser lançada, e foi considerada “infecciosa” pela Paste e “uma mudança estilosa e magnética” pela Consequence Of Sound.

Nas palavras do próprio Iggy, “James Bond” conta uma história. “Eu não sei o que ela está tramando exatamente, mas o jogo parece estar virando, e ela está dominando. Bom, por que não? Vou tentar tudo uma vez só”.

Iggy Pop - “James Bond”


Tracklist de "Free"

1. "Free"
2. "Loves Missing"
3. "Sonali"
4. "James Bond"
5. "Dirty Sanchez"
6. "Glow In The Dark"
7. "Page"
8. "We Are The People"
9. "Do Not Gentle Into That Good Night"
10. "The Dawn"

.: 4ª edição do Prêmio Kindle de Literatura abre inscrições

Autores independentes podem publicar obras inéditas até o dia 15 de outubro para participar

A partir de 15 de agosto estão abertas as inscrições para a 4ª edição do Prêmio Kindle de Literatura. O prêmio é uma parceria entre a Amazon.com.br e a Nova Fronteira para reconhecer o trabalho de autores independentes e já atraiu mais de 4.500 novos livros publicados nas edições anteriores, todos lançados pela ferramenta de autopublicação da Amazon, o Kindle Direct Publishing (KDP). 

O vencedor receberá um prêmio em dinheiro de R$ 30.000,00 e um contrato para a versão impressa do livro pela Editora Nova Fronteira. Nesta edição, os finalistas do Prêmio também concorrerão com finalistas dos outros prêmios literários da Amazon de todo o mundo por uma chance de assinar um contrato de opção de produção audiovisual com a Amazon Prime Video.

Para participar do Prêmio Kindle de Literatura, autores podem publicar suas obras no KDP da Amazon (kdp.amazon.com.br) de 15 de agosto até 15 de outubro de 2019. Os autores devem colocar o termo PremioKindle no campo de palavras-chave durante o processo de publicação e registrar os livros sob a categoria Ficção. Os títulos enviados precisam ser romances originais em português, não publicados anteriormente, à venda exclusivamente na Amazon durante o período da premiação, precisando estar inscritos no programa KDP Select. Os termos e condições do Prêmio Kindle de Literatura podem ser acessados em amazon.com.br/premiokindle.

"Com as inscrições abertas, começamos agora uma competição cultural diferente. É uma disputa salutar, em que todos os participantes poderão desde já oferecer seus livros a leitores em todo o mundo, independente do resultado do prêmio", diz Alexandre Munhoz, Country Manager para Kindle na Amazon do Brasil. "Este ano há a possibilidade de concorrer a mais de um prêmio. Autores que forem finalistas de prêmios literários da Amazon no mundo todo concorrerão também a um contrato de opção com a Amazon Prime Video com adiantamento de US$10.000,00. Este contrato dará a oportunidade do livro ser transformado em uma obra áudio visual produzida pela Amazon e disponibilizada no Prime Video".

O KDP é uma forma simples e gratuita de escritores e editoras publicarem seus livros por conta própria e disponibilizarem para venda a leitores ao redor do mundo. Com a autopublicação pelo KDP, os autores têm total controle do processo, do design da capa até a definição do preço e podem receber até 70% de royalties. Todos os romances inscritos no prêmio são disponibilizados na Loja Kindle, além de estarem disponíveis para assinantes do Kindle Unlimited. Os eBooks Kindle podem ser adquiridos e lidos com o aplicativo gratuito Kindle para computadores, tablets e smartphones Android ou iOS, além de e-readers Kindle.

.: Orkut, aquele das redes sociais, estreia como colunista de blog gay


A partir desta semana, Orkut Buyukkokten, fundador do Orkut, estreia como colunista em um veículo de comunicação brasileiro voltado para o público LGBT+, o GAY.BLOG.BR. Seu primeiro artigo já está no ar: "Os Donos da Razão".

Além de comentarista, o Orkut adora dançar e é conhecido por fazer uma das melhores festas durante a Pride em São Francisco. O Orkut voltou, mesmo que nunca tenha nos deixado. A partir desta semana, o fundador do orkut.com e da rede social hello estreia como colunista no veículo de comunicação brasileiro GAY.BLOG.BR. Depois de desenvolver a plataforma social pioneira do Brasil, que em seu auge teve mais de 300 milhões de usuários, o Orkut prossegue a inspirar pessoas ao redor do mundo a se unirem e fazerem conexões autênticas através de sua experiência.

Seu ativismo pela causa gay nunca foi algo velado, além de estar fortemente envolvido nos Estados Unidos com grandes instituições que visam a igualdade para LGBT+, Orkut Buyukkokten hospeda uma das festas mais disputadas durante a Pride de San Franciso. No Brasil, sua voz agora terá alcance através do GAY.BLOG.BR.

"Estou aqui para dizer que ainda podemos. Podemos encontrar pessoas para conversar e para nos apoiar. Podemos ainda fazer amigos para compartilhar momentos de alegria. Podemos encontrar amor, empatia e comunidade online se realmente quisermos. Podemos preencher o mundo com nosso calor e amor, em vez de nossas inseguranças e incertezas", entusiasma-se Orkut.

Crítico aberto do bullying online, o ávido programador é um dos maiores comentaristas da atualidade sobre os impactos positivos e negativos das mídias sociais. "A tecnologia deveria nos conectar, não nos dividir", completa.

"Colheita Feliz"
Para Vinícius Yamada, editor do GAY.BLOG.BR, empoderar a voz do Orkut no Brasil tem mais a finalidade de conscientizar as pessoas sobre o uso da tecnologia e refletir sobre a igualdade do que despertar o saudosismo popular, ainda que isso aconteça involuntariamente.

"Obviamente que a figura do Orkut remete à situações que vivemos há dez anos, e isso é bom. É importante termos a referência de como éramos. Naquela época, as pessoas 'liam, respondiam e apagavam' comentários no scrap de seus perfis da rede social para preservar a privacidade. Atualmente, há uma competição de quem consegue expor mais a própria intimidade, que frequentemente resulta em pessoas forjando a própria realidade para elas mesmas. Quando pude entrevistar o Orkut pela primeira vez, notei que é um excelente momento para conscientizar sobre o modo de como se lida com a tecnologia. Precisamos ter uma 'Colheita Feliz'", comenta Vinícius.

Sobre o Orkut
Há 15 anos, enquanto trabalhava como engenheiro na Google, fundou pioneira rede social que levava o seu próprio nome. Em outubro de 2008, a plataforma contava com mais de 600 aplicativos para os usuários escolherem, sendo alguns dos mais utilizados o "BuddyPoke" e a "Colheita Feliz". Em 2014, a rede social tinha se tornado uma comunidade com mais de 300 milhões de pessoas. 

O alvo inicial do da plataforma era os Estados Unidos, mas a maioria dos usuários foram do Brasil e da Índia. No Brasil, a rede social teve mais de 30 milhões de usuários. Desde 2016, Orkut gerencia a a rede social hello.com (disponível para iOS e Android), "a primeira rede social construída através de amizades profundas, não 'likes'". É possível seguir o Orkut no Instagram em @orkutb. Participe da nova rede social em www.hello.com.

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