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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

.: Benito de Paula canta seus sucessos pelo Brasil com o filho, Rodrigo Vellozo


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: Murilo Alvesso

O público amante da boa música será presenteado com um encontro raro. Benito di Paula, um dos nomes mais marcantes da música popular brasileira, sobe ao palco ao lado de seu filho, o cantor e pianista Rodrigo Vellozo, para o espetáculo “A Dois Pianos”, que acontece pelo Brasil. As apresentações inauguram as comemorações pelos 85 anos de vida de Benito, que serão celebrados em novembro de 2026. 

 Radicado em São Paulo, onde fixou moradia e formou família, Benito desenvolveu uma trajetória singular que o consagrou como grande símbolo do samba paulista. Entre as décadas de 1970 e 1980, alcançou enorme projeção popular, somando 50 milhões de discos vendidos - marca que o coloca entre os cinco maiores vendedores de discos do Brasil. Sua obra ultrapassou fronteiras: além do sucesso nacional, Benito gravou em idiomas como espanhol, francês, italiano, finlandês e alemão, com 4 milhões de discos vendidos na Europa. Ao longo da carreira, lançou mais de 35 álbuns, muitos deles relançados em CD devido ao êxito contínuo junto ao público.

 A apresentação celebra o legado do samba paulista e tem como eixo central a obra do próprio Benito - artista recentemente homenageado no enredo da escola de samba Águia de Ouro no Carnaval de 2025, reafirmando sua importância para a cultura brasileira. Com arranjos especialmente concebidos para o diálogo entre os dois pianos, o repertório revisita clássicos como “Retalhos de Cetim”, “Charlie Brown” e “Mulher Brasileira”, agora ressignificados pela cumplicidade artística entre pai e filho.

Sua discografia extensa passou a ser notada a partir de 1974, com o disco Um Novo Samba, que continha canções autorais que se tornaram verdadeiros clássicos de nossa música. Desde a faixa de abertura (Se Não For Amor), passando por outras como Retalhos de Cetim, Que Beleza e Certeza de Você Voltar, todas mostraram a força da obra de Benito de Paula para o público. Com mais de 35 álbuns lançados, parte significativa de sua obra foi relançada em CD, comprovando seu imenso sucesso. O show "A Dois Pianos" tem apresentações previstas para 27 de março em Aracaju, 28 de março em Maceió e 3 de abril em São Paulo. E deve seguir por mais cidades do país.

"Charlie Brown"

 "Retalhos de Cetim"

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

.: Nação Zumbi em concerto sinfônico pelos 30 anos do disco "Afrociberdelia"


Grupo pernambucano, expoente do movimento Manguebeat, faz apresentação especial com a Orquestra Experimental de Repertório do Municipal de São Paulo. O programa conta com as músicas do disco "Afrociberdelia", reimaginadas para orquestra. 
Foto: André Almeida/Divulgação


Em fevereiro, o Theatro Municipal de São Paulo segue com sua programação dedicada a encontros inéditos entre diferentes linguagens musicais. Nos dias 2 e 3, de fevereiro às 20h00, a Sala de Espetáculos recebe "Nação Zumbi Sinfônico - Afrociberdelia 30 Anos", concerto especial que celebra três décadas de “Afrociberdelia” (1996), segundo disco da Nação Zumbi da formação com Chico Science e produzido pelo paulistano Eduardo Bidlovski (BID), um álbum histórico e marco do movimento manguebeat. Os ingressos variam de R$30 a R$140 (inteira), classificação livre para todos os públicos, duração de 75 minutos.

Uma das bandas mais celebradas da música brasileira, a Nação Zumbi surgiu no início dos anos 1990, no Recife, então sob o nome Chico Science & Nação Zumbi, e inaugurou a cena Mangue com uma sonoridade que mescla funk, rock, maracatu, embolada, e psicodelia, sendo reconhecida como uma das contribuições mais importantes para a modernização da música brasileira, ao lado da Bossa Nova e do Tropicalismo.

O projeto promove um encontro inédito entre a banda e a Orquestra Experimental de Repertório, sob regência de Wagner Polistchuk, com orquestrações assinadas pelo pernambucano Mateus Alves, em uma criação concebida especialmente para o palco do Municipal. No palco, Jorge Du Peixe (vocal) lidera a Nação Zumbi ao lado de Dengue (baixo), Toca Ogan (percussão), Marcos Matias e Da Lua (tambores), Tom Rocha (bateria) e Neilton Carvalho (guitarra).

No repertório, a banda toca o disco na íntegra e apresenta versões orquestrais de faixas como Mateus Enter, Etnia, Manguetown, Maracatu Atômico e outras. No Carnaval 2026, a Nação Zumbi será homenageada pela Acadêmicos da Grande Rio no desfile da escola na Marquês da Sapucaí, no Rio de Janeiro, com o enredo "A Nação do Mangue", dedicado ao movimento Manguebeat. O Manguebeat foi um movimento de contracultura surgido em Recife no início dos anos 1990, liderado por Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A. Misturou ritmos regionais (maracatu, coco) com rock, hip-hop e música eletrônica, com o objetivo de valorizar a cultura local e criticar a desigualdade social. 


Serviço
Nação Zumbi Sinfônico - "Afrociberdelia 30 Anos"
Sala de Espetáculos do Theatro Municipal 
Dias 2 e 3 de fevereiro, às 20h00
Nação Zumbi: Jorge Du Peixe, vocal; Dengue, baixo; Toca Ogan, percussão; Marcos Matias e Da Lua, tambores; Tom Rocha, bateria; Neilton Carvalho, guitarra; Mateus Alves, orquestração.
Orquestra Experimental de Repertório: Wagner Polistchuk, regência
Ingressos de R$ 30,00 a R$ 140,00 (inteira)
Duração de 75 minutos
Classificação: livre para todos os públicos — sem conteúdos potencialmente prejudiciais para qualquer faixa etária

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

.: HBO anuncia série documental que promete bastidores do fenômeno Rouge


Dirigida por Tatiana Issa que também assina a produção executiva ao lado de Guto Barra. a produção reúne as integrantes Aline Wirley, Fantine Thó, Karin Hils e Lu Andrade para compartilharem, pela primeira vez, sua própria versão da história. Foto: Kelly Fuzaro 

A HBO acaba de anunciar a produção de uma nova série documental que vai revisitar, de forma inédita, a trajetória do grupo Rouge, um dos maiores fenômenos musicais dos anos 2000, que marcou gerações e continua sendo lembrado por fãs mais de duas décadas depois. A série está em fase de gravação e ainda não tem data de lançamento prevista.  

Dirigida por Tatiana Issa que também assina a produção executiva ao lado de Guto Barra. a produção reúne as integrantes Aline Wirley, Fantine Thó, Karin Hils e Lu Andrade para compartilharem, pela primeira vez, sua própria versão da história. Li Martins ficou de fora da reunião, segundo a HBO, todas as integrantes do Rouge foram convidadas a integrar o projeto. Da audição para o reality show "Popstars" (SBT, 2002) ao estrelato, passando pelo rompimento e pelas carreiras individuais, a série promete revelar memórias, afetos e bastidores nunca antes contados. 

O grupo foi formado em 2002 em parceria com a Sony Music, em um momento em que a indústria fonográfica mundial era dominada por grupos de jovens talentos como Spice Girls, Destiny’s Child, Backstreet Boys e N’Sync. No Brasil, o Rouge se tornou um marco: vendeu cerca de 6 milhões de cópias, conquistou três discos de ouro, três de platina e um de platina dupla pela Pro-Música Brasil.  

Ao longo da trajetória, o grupo lotou turnês, estrelou campanhas publicitárias, participou de produções audiovisuais e lançou uma linha de produtos licenciados. Em 2006, a banda chegou ao fim em meio a polêmicas e desentendimentos. Agora, quase 20 anos depois, são as próprias artistas que retomam a narrativa, revelando dores, aprendizados e vitórias.  

A série documental é uma coprodução da Producing Partners com a Warner Bros. Discovery. A série é dirigida por Tatiana Issa que também assina a produção executiva ao lado de Guto Barra. Por parte da Warner Bros. Discovery a supervisão é de Mariano César, Sergio Nakasone, Adriana Cechetti e Marina Pedral. 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

.: Com single "Bruxa" lançado, Banda Gatos Feios prepara o primeiro álbum


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: Pri Nakano

A banda paulista Gatos Feios lançou recentemente o single “Bruxa”, já disponível em todas as plataformas digitais. A faixa carrega uma atmosfera sombria que remete às trilhas sonoras de séries dos anos 80 e 90, combinando mistério, desejo e intensidade com uma pegada visceral de punk rock. E integra o primeiro álbum da banda que está em fase de finalização.

Com refrão contagiante em inglês e uma letra que aborda estados de feitiço, veneno e maldição, “Bruxa” mergulha em um universo simbólico de magia, perdição e sedução. O resultado é uma verdadeira poção sonora que equilibra energia crua, melodia e personalidade. Formado em 2010, em Caieiras (SP), o grupo surgiu inicialmente revisitando clássicos do rock dos anos 50, com influências que iam de Elvis Presley a Jerry Lee Lewis. Com o tempo, os músicos perceberam que o som ganhava identidade própria e decidiram investir em composições autorais.

A projeção na cena paulista veio rapidamente, especialmente após uma apresentação marcante no tradicional Baile dos Anos 60 de Caieiras, que ampliou a visibilidade do grupo. Em 2011, a banda lançou as faixas “Eu Era Tão Seu Amigo”, “No Bar Todo Mundo é Amigo” e “Jornada Para Te Conquistar”, disponíveis nas plataformas digitais.

Atualmente, a banda finaliza seu primeiro álbum completo, intitulado “Eu Sou Produto”, previsto para lançamento em fevereiro de 2026. O disco contará com dez faixas inéditas e aposta em uma mistura autêntica de Punk Pop, Rockabilly, Jovem Guarda e Rock Nacional, gravadas com Paulo Albino (mesmo produtor de Edu Falaschi) no Estúdio Zero. O novo trabalho promete consolidar o Gatos Feios como uma das apostas do rock independente paulista e ampliar sua circulação pelos palcos do Brasil.

Musicalmente, a banda transita com naturalidade entre o punk rock, o rock alternativo e o rock nacional, equilibrando peso, melodia e letras diretas. As influências vão de nomes internacionais como Green Day, Ramones, The Clash e The Offspring, passando pelo punk brasileiro clássico de Cólera e Inocentes, até referências do rock nacional como Titãs, Legião Urbana, CPM 22, Charlie Brown Jr. e Ira!.

Com letras que refletem o cotidiano, as contradições sociais e emocionais e a exposição excessiva do mundo contemporâneo, o Gatos Feios aposta em um som honesto, sem filtros e carregado de energia de palco. “Bruxa” antecipa uma nova fase criativa da banda, que segue fortalecendo o circuito independente e conectando passado e presente do rock brasileiro com atitude e identidade própria.

"Bruxa"

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

.: Bruno Mars retorna com aguardado quarto álbum solo "The Romantic"


Novo álbum marca o primeiro projeto solo do artista em uma década desde o premiado 24K Magic. Lançamento acontece em 27 de fevereiro

Após dez anos desde seu último projeto solo, Bruno Mars está oficialmente de volta com seu aguardado quarto álbum de estúdio, "The Romantic", que chega a todas as plataformas no dia 27 de fevereiro, via Atlantic Records - com distribuição nacional via Warner Music Brasil. Você já pode garantir na pré-venda o vinil exclusivo da primeira prensagem numerada aqui, enquanto durarem os estoques. O anúncio do álbum também marca a chegada de um novo single do projeto, o dançante "I Just Might".

O novo trabalho chega em um momento de enorme sucesso na carreira de Bruno Mars. Entre os lançamentos recentes estão o single vencedor do Grammy “Die With A Smile”, em parceria com Lady Gaga, que se tornou a música mais rápida da história do Spotify a atingir um bilhão de streams e liderou o Billboard Global 200 por 18 semanas - um recorde. Outro destaque é “APT.”, colaboração com ROSÉ, eleita a música mais ouvida globalmente de 2025 pela Apple Music, além de ter permanecido 19 semanas em primeiro lugar no Billboard Global Excl. U.S. Chart e 12 semanas no topo do Billboard Global 200.

Além de seus impressionantes feitos nas paradas, “APT.” venceu o prêmio de Música do Ano no MTV Video Music Awards 2025 e recebeu três indicações na 68ª edição do Prêmio Grammy, nas categorias Música do Ano, Gravação do Ano e Melhor Performance Pop em Duo ou Grupo.

Bruno Mars segue se consolidando como uma das forças mais influentes da indústria musical. Em janeiro de 2025, tornou-se o primeiro artista da história do Spotify a ultrapassar a marca de 150 milhões de ouvintes mensais, figurando entre os maiores artistas globais da plataforma. Em outubro de 2022, foi o primeiro artista da história dos Estados Unidos a conquistar seis singles com certificação diamante.

Até 2026, Bruno acumulou ao menos sete certificações diamante nos Estados Unidos, com canções como “Just the Way You Are” - atualmente a música mais certificada da história, com 21x Platina - além de “Uptown Funk” (com Mark Ronson), “Grenade”, “That’s What I Like”, “When I Was Your Man”, “Locked Out of Heaven” e “The Lazy Song”. Seu álbum de estreia, Doo-Wops & Hooligans, é o disco de estúdio de um artista solo masculino com maior permanência no Billboard 200, somando mais de 345 semanas no ranking. Ao longo da carreira, Bruno conquistou nove singles em primeiro lugar na Billboard Hot 100 e passou um total de 30 semanas no topo do Global 200 com seus hits lançados entre 2024 e 2025.

Sobre de Bruno Mars em 2026!
 

SOBRE BRUNO MARS

Bruno Mars é um superstar global vencedor de 16 prêmios Grammy, cantor, compositor, multi-instrumentista e produtor, além de um dos artistas mais ouvidos do mundo. Reconhecido por seu talento artístico e performances marcantes, Bruno quebrou diversos recordes ao longo da carreira, incluindo o feito de se tornar o primeiro artista da história a alcançar 150 milhões de ouvintes mensais no Spotify.

Ele também participou de duas das músicas mais rápidas a atingir um bilhão de streams — “Die With A Smile”, com Lady Gaga, e “APT.”, com ROSÉ — além de deter a música mais certificada da história dos Estados Unidos com “Just the Way You Are”, lançada em 2010. Desde o início de sua sequência de sucessos, em 2009, Bruno Mars já vendeu mais de 150 milhões de discos em todo o mundo, consolidando-se como um dos artistas mais vendidos de todos os tempos.

Além da carreira solo, Bruno integra o duo Silk Sonic, ao lado de Anderson Paak. Ele soma 35 hits no Billboard Hot 100, incluindo nove músicas em primeiro lugar, e é vencedor de 16 Prêmios Grammy (incluindo Álbum do Ano por 24K Magic), 14 American Music Awards e sete MTV Video Music Awards. A 24K Magic World Tour está entre as turnês de maior bilheteria da história e figura entre as dez mais lucrativas da década de 2010.



segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

.: "Zona Zen", de Rita Lee e Roberto de Carvalho, relançado em edição especial


Denso e bem paulistano, o álbum chega em LP vermelho marmorizado pela Universal Music Brasil

Por Guilherme Samora, jornalista e estudioso do legado cultural de Rita Lee.
 
No final de 1988, “Zona Zen”, de Rita Lee & Roberto de Carvalho, teve a missão de ser o sucessor do arrasa-quarteirão “Flerte Fatal”, o colorido disco que arrombou as paradas de sucesso e teve uma enorme turnê dedicada a ele. A capa - com fotos em preto e branco - já dava sinais de que os dois trabalhos não seriam parecidos.

O disco, denso, é a cara de São Paulo: da foto da capa, cheia de grafites em um muro da Rua Purpurina, na Vila Madalena, ao som mais urbano e majoritariamente pesado. O grafite é de Mauricio Villaça, que reuniu uma turma da pesada para auxiliá-lo na empreitada. Nas músicas, Rita apresenta a maneira como enxergava a si mesma e o mundo à sua volta, na maior parte das vezes com um olhar bastante afiado e sem festa. Hoje, a Universal Music Brasil relança o álbum em vinil vermelho marmorizado, com artes e encartes originais. 

“Nunca Fui Santa”, música e letra de Rita, vem numa mistura de autodeboche com autoterapia. “Sou nova demais pra velhos comícios / Sou velha demais pra novos vícios”. “Independência e Vida” - outra só de Rita - aparece a seguir, com um olhar um tanto desgostoso para o mundo, mas apontando a saída naquilo que ela sempre prezou: a liberdade. “Dia desses meu chapa/ Sumo do mapa/ Vou pra zaca do lhoraca/ Viver sei lá de quê/ Talvez de brisa”. O palavrão camuflado é um toque especial de quem havia enfrentado a censura durante anos.

O disco é um belo registro da voz de Rita, linda e cristalina. A produção de Roberto é impecável, bela e na medida certa para cada canção. No álbum, ele toca guitarra, violão, teclados e piano, além de fazer a programação da bateria eletrônica. Rita, além da voz e dos vocais, toca autoharp, castanholas e kalimba.

“Livre Outra Vez” é o grande sucesso, com clipe gravado no centrão de São Paulo: na Estação da Luz, nos trens, na escadaria e no topo do Copan… A letra e a voz de Rita tocam profundamente em uma canção que é uma das mais doloridas de toda a sua carreira. Uma curiosidade: a música, de Roberto, foi a primeira versão de “Vírus do Amor” (do disco de 1985, aquele que também tem a capa em preto e branco). Com a mudança de planos, Rita acabou colocando essa nova letra na canção.

Belíssima, a faixa-título é etérea, misteriosa e melancólica, marcada pelas castanholas de Rita e pelos teclados de Roberto. Ao se deparar com a zona do momento presente, Rita, genial, resume: “Saudade do futuro, eu juro”. Uau!

“Cruela Cruel” é uma porrada. “Sou um ninho no estranho / Mundo perigoso, insano / Nexo, yogas e roquebrou / Nunca a vida se mostrou assim tão cruela cruel”, dispara Rita em uma canção completamente desiludida. Curiosamente, as músicas mais pra cima do disco são uma regravação de Wanderléa - a impagável “Sem Endereço” (versão de Rossini Pinto para “Memphis Tennessee”, de Chuck Berry), que ficou perfeita na interpretação de Rita & Roberto — e “Cecy Bom”. A versão de Rita para “C’est si bon”, de Henri Betti e André Hornez, é uma delícia. No disco, é a preferida de Rita, que descreve a canção como “uma homenagem a Brigitte Bardot quando veio ao Brasil”. Outra curiosidade: 21 anos depois, em 2009, ela foi escolhida para a trilha sonora da novela “Caras & Bocas”, da TV Globo.

“Mana Mané” fecha o disco. Música e letra de Rita, fala sobre o verão da lata, quando toneladas de cannabis apareceram flutuando no mar brasileiro, no fim de 1987. O clima mais denso fez com que "Zona Zen" tivesse vendas inferiores às de “Flerte Fatal”. Ainda assim, o álbum foi certificado com Disco de Ouro. Com o relançamento, é uma boa hora para revisitar esse trabalho, uma joia um tanto incompreendida da dupla Rita & Roberto.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

.: Entrevista com Nuno Mindelis, um simpático músico ranzinza


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

Ele se autodenomina um músico ranzinza. Mas está muito longe de ser algo parecido. Angolano radicado no Brasil há anos, Nuno Mindelis desenvolve uma carreira sólida como músico ligado principalmente ao blues, muito embora sua formação musical eclética inclua os medalhões da Gravadora Stax Records e os ícones do hard rock dos anos 60 e 70. E claro, alguns elementos de nossa música popular brasileira. Mindelis conseguiu a proeza de gravar discos com a icônica banda de apoio de um de seus ídolos (Steve Ray Vaughan), a Double Trouble. E chegou a ter seu talento reconhecido com destaque em publicações no Exterior. Em entrevista para o portal Resenhando.com, ele conta um pouco sobre sua trajetória na música e seus planos para o futuro. “O blues precisa ser reinventado, assim como toda forma de arte”.

Resenhando.com - Você é reconhecido como um dos nomes mais marcantes do Blues. Mas sua formação é mais eclética, abrangendo inclusive a soul music da gravadora Stax Records, Fale sobre suas principais influências musicais.
Nuno Mindelis - Antes, quero agradecer pela oportunidade da entrevista. Ouvi absolutamente tudo que se fez em música desde pelo menos os cinco anos, é quando me lembro de mim, até aos 17, em 1975, quando fui exilado de guerra, partindo para o Canadá e depois para o Brasil. Na época, perdi tudo e precisei de mais de década para me recompor, recomeçar. Nesse período, ouvi sempre muita coisa, mas já com outros ouvidos. Não gostava de nada do final dos anos 70: disco, punk etc, e nem dos anos 80. Mas, com o tempo, passei a gostar de algumas coisas. Quando era muito pequeno, ouvia muita música erudita, meus pais ouviam muito, todas as sinfonias de Beethoven, Wagner, Tannhäuser, considero o coro dos peregrinos espetacular, e outros. Lá pelos seis anos ouvi The Shadows e Beatles e ali a coisa mudou de figura. Aquelas guitarras eletrizantes me reviraram as moléculas corpo e do cérebro. Logo depois, aos nove anos, tive a sorte de um cara mais velho me mostrar Otis Redding e era tão criança que me lembro de ter que decifrar aquela massa sonora mais densa. Mas havia algo importante na época: respeito pelos mais velhos. Se alguém mais velho me aconselhava algo, era porque era  para ser decifrado mesmo, nunca desistiria. Conheci tudo de Otis, da gravadora Stax, Booker T & The Mgs é a minha banda de cabeceira. Não gosto do clichê mas encaixa perfeitamente: as primeiras audições da música de Otis Redding eram como o primeiro sexo, pode doer mas você quer mais. Otis, Stax, Booker T & The MGs e todo o cast viraram meu templo. Costumo dizer que a minha vida mudou várias vezes, essa foi a terceira. A primeira, a descoberta da música, a música clássica e canção francesa: Gilbert Bécaud, George Brassens etc, que meu pai ouvia bem. A segunda: Beatles e Shadows e depois veio a, na época, chamada música progressiva: Steppenwolf, Grand Funk Railroad, Led Zeppelin, Deep Purple, The Doors, Pink Floyd etc., todos aqueles derivados do Blues, do Soul, do Country, Folk, Celta, depois o Woodstock que foi algo transcendental. Aos 11, ouvi Big Bill Broonzy e isso levou a ouvir todo o Blues produzido antes e depois no planeta, seja acústico, elétrico etc. O acesso a discos era tão fluido em Luanda como em Londres, vinha direto da fonte e rápido. Eu tinha cerca de 2000 LPs aos 17 anos, edições originais, fora as centenas de singles. Perdi tudo quando me exilei.

Resenhando.com - Em seu canal no YouTube há vários vídeos onde você comenta sobre determinados músicos ou outros assuntos ligados a música. Como foi que surgiu essa ideia?
Nuno Mindelis - Comecei a fazer videos do tipo zoando, ironia sutis, série tipo crimes e castigos. Se você for flagrado tocando Blues como amplificador transistorizado. Pena: dois anos de reclusão + escutar Kenny G e Galvão Bueno por duas horas seguidas com fones irremovíveis. Esse tipo de coisa. Na verdade nos anos 80 eu tinha inventado essa série, quase sem querer, numa revista de música, Cover Guitarra, a convite do editor que era o Regis Tadeu. A turma lembrava disso até hoje, acredita? Viviam me relembrando disso. Então resgatei, meio sem querer, de novo. A galera pirou com esses videos, são tipo shorts, ainda estão no canal, depois passei para videos mais longos ficaram um pouco mais sérios e tal, e um dia perfilei um guitarrista e percebi que a galera engajou um monte, então continuei perfilando guitarristas. Quando acabarem todos os guitarristas da Terra farei parte 2 ou passarei a outra coisa qualquer. Ou já terei morrido (risos).

Resenhando.com - Na sua opinião, o blues pode ser reinventado ou deve permanecer na forma tradicional?
Nuno Mindelis - Deve ser reinventado, como toda a forma de arte, mas não porque seja uma obrigação técnica ou moral ou algo assim. É o próprio artista que normalmente é, ou deveria ser, irrequieto, que sente que precisa desconstruir. Como Miles Davis, o tradicional foi a grande escola dele mas depois ele foi lá e derreteu tudo. Hendrix idem. Picasso, Van Gogh etc. O que me parece é que há 60 anos ninguém, exceto talvez Jeff Beck e um ou outro mais, teve esse ímpeto. Jovens americanos, e não só,  nascem por estes dias e continuam fazendo o que se fazia há 60 anos. É certo que é fundamental que se conheçam muito bem as regras e isso requer ouvir muito e aprender bem todo o tradicional mas é muito importante que se as quebrem depois de bem sabidas. Como dizia Zappa, "Without deviation from the norm progress is not possible" ("Sem desvios da norma, o progresso não é possível"). Vejo um monte de artistas de Blues que conhecem as regras como ninguém e não saem daquilo. 

Resenhando.com - Você gravou dois discos com os músicos da mítica banda Double Trouble, que acompanhou Steve Ray Vaughan. Fale sobre essa experiência.
Nuno Mindelis - Ajustei com um produtor de Austin, no Texas (Eddie) para fazer um disco para a gravadora Antone’s. Ele tinha ouvido um disco meu e gostado muito. Antone’s é um selo e casa noturna altamente cult, gente como Buddy Guy, Muddy Waters e outros frequentaram e gravaram por ali. Ele me pediu uma fita demo para ter ideia do que eu pensava para o disco novo. Para saber que músicos chamar, se mais  blues negro ou mais rock branco, essas coisas. Entrei no estúdio e gravei baixo, guitarra bateria e piano e mandei para ele o rascunho. Ele tocava aquilo na gravadora durante o dia, no sistema de som geral ,todo o mundo ouvia. Tommy Shannon entrou ali por alguma razão (pegar um cachê ou algo assim) e perguntou o que era. Ele explicou: “é um brasileiro que eu vou produzir, o Nuno etc." e ali o Eddie, falando sério fingindo ser brincando, sabe como é, para não parecer ousadia, perguntou: “quer participar?”. E o Tommy disse: “sim, gostaria”. Ele me ligou exultante, "Hey Beast", tinha saído artigo de capa da Revista Austin Blues “The Southamerican Beast Whos Coming To Your Town, "você não vai acreditar, Tommy vai gravar uma música no seu disco. E obviamente Chris também". Depois gravaram o disco todo. "Texas Bound" gravamos em 95, saiu em 96. Depois, gravei outro em 1999, "Blues On The Outside", saiu acho que já em 2000.


Resenhando.com - Como você avalia o blues na atualidade?
Nuno Mindelis - 
Na real, nem avalio mais. Quase não ouço. É tudo muito igual. E grandes revolucionários como Little Walter, John Lee Hooker, Skip James etc. são cada vez mais raros. Não é saudosismo, havia de fato algo que transcendia ali. Hoje parece meio fabricado em série, especialmente do lado branco. Atenção: não me refiro à habilidade, o pessoal detona pra caramba, são artistas altamente proficientes e habilidosos, músicos de quilate. Mas não saem daquilo, me refiro ao conceito, às suas obras. Qual será o legado? Haverá?

Resenhando.com - Você pretende lançar um novo disco?
Nuno Mindelis - Há duas direções aqui. Do ponto de vista prático, preciso lançar algo mais rapidamente porque os números das plataformas caíram um pouco. Spotify e afins são como redes sociais, se parar de mexer caem os números, acredite. E eu parei de lançar coisa por um tempo. Entre 2022 e 2025 anunciei uma série “um single por mês” (acabou sendo um a cada dois ou três meses na real. Em 2025, só gravei mas não lancei. Então vou ver se lanço uma coletânea com isso tudo mais os inéditos de 2025. Serão cerca de 12 ou 13 faixas até onde vasculhei. Penso em criar algo físico, cassete ou pendrive. Esse negócio de não ser dono do produto não funciona. Nas plataformas, você não é dono de nada, o pessoal que curte quer algo para chamar de seu. LP não penso, porque é caríssimo no Brasil, absurdo, extorsivo. A segunda direção é um trabalho novo que desconstrua o que fiz até agora. Enquanto soar previsível, para mim mesmo, pelo menos, não farei nada. Estou atrás dessa inspiração e desse laboratório mas os videos do Youtube me tomam muito tempo e energia. Mas está na pauta, só preciso conseguir tempo e alguma inspiração. Também gostaria de trabalhar com alguém de nova geração com afinidade com produções eletrônicas mas parece que essa turma foge. No meu tempo, era ao contrário, idolatrávamos os pioneiros e faríamos de tudo para poder colaborar com eles. Vide U2 com BB King, Santana e o álbum "Supernatural", etc. 

Resenhando.com - Como está o plano para shows ao vivo?
Nuno Mindelis - Vou fazer um em Florianópolis e soube que está “sold out” (com ingressos esgotados). Em 2026, não sei bem o que será, uma turnê média em Minas é certeza. Apresentações no Blue Note e no Bourbon Street em São Paulo podem acontecer. 

Vídeo sobre Steve Ray Vaughan

 
"I Know What You Want"

"Stormy Minded Man"

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

.: Kleiton & Kledir se apresentam no The Cavern Club São Paulo neste sábado


Ícones da música gaúcha e nomes fundamentais da MPB celebram mais de 40 anos de carreira em apresentação intimista, repleta de clássicos e memória afetiva. Foto: Rodrigo Lopes
 
Poucos artistas conseguiram transformar memória, identidade regional e canção popular em um legado tão duradouro quanto Kleiton & Kledir. Neste sábado, dia 17 de janeiro, a dupla sobe ao palco do The Cavern Club São Paulo para apresentar "Histórias e Canções", um show intimista que revisita mais de 40 anos de uma trajetória essencial para a música brasileira. Os ingressos estão à venda em ticketmaster.com.br.
 
Em clima intimista e descontraído, o show propõe uma experiência próxima e emocional: dois irmãos, apenas com seus instrumentos, revisitando grandes sucessos em versões acústicas e compartilhando histórias divertidas e marcantes que atravessam gerações. No repertório, clássicos como “Deu Pra Ti”, “Vira Virou”, “Paixão”, “Maria Fumaça”, entre outros temas que se tornaram parte do imaginário musical brasileiro.
 
Com um estilo inovador, melodias sofisticadas e o inconfundível sotaque gaúcho, Kleiton & Kledir são referências centrais para compreender a música popular produzida no Brasil contemporâneo. Desde os anos 1970, a dupla construiu uma obra autoral sólida, sensível e universal, capaz de dialogar com o pop, o folk, a MPB e a música regional sem jamais perder identidade.
 
Ao longo da carreira, gravaram mais de 20 discos no Brasil e no exterior, com passagens por Los Angeles, Nova York, Lisboa, Paris, Miami e Buenos Aires, e realizaram turnês de sucesso pelos Estados Unidos, Europa, Oriente Médio e América Latina. Suas composições foram eternizadas nas vozes de grandes nomes da música brasileira e internacional, consolidando sua relevância artística muito além das fronteiras do país.
 
O reconhecimento institucional acompanha a importância cultural da dupla: Kleiton & Kledir receberam o título de Embaixadores Culturais do Rio Grande do Sul, a Medalha do Mérito Farroupilha e venceram por duas vezes o troféu de Melhor Álbum no Prêmio da Música Brasileira. No palco do The Cavern Club São Paulo, espaço que celebra a história da música, Kleiton & Kledir reafirmam seu lugar como patrimônio vivo da canção brasileira, em um espetáculo que une memória, afeto, humor e excelência musical. Uma apresentação imperdível para fãs de longa data e para novas gerações que desejam compreender, sentir e celebrar a força da música nacional.
 
São Paulo é a primeira cidade do mundo a receber uma unidade internacional do lendário The Cavern Club, de Liverpool, berço dos Beatles e um dos espaços mais emblemáticos da história da música. Com 1.100 m² dedicados à música, à gastronomia e à cultura, o endereço no Shopping Vila Olímpia se consolida como um dos maiores projetos de entretenimento da América Latina e um novo ponto de interesse no circuito gastronômico e cultural da capital paulista.
 
Serviço São Paulo
Kleiton & Kledir - "Histórias e Canções"
Data: 17 de janeiro de 2026
Local: The Cavern Club São Paulo
Endereço: Shopping Vila Olímpia - Rua Olimpíadas, 360, Vila Olímpia, São Paulo - SP, 04551-000
Horário do Show: 22h30
Classificação: 18 anos. Menores acompanhados somente dos pais ou responsável legal.
*Sujeito a alteração por Decisão Judicial.

Valores:
Frontstage: A partir de R$ 225,00 + R$ 45,00
Vip Lateral: A partir de R$ 190,00 + R$ 38,00
Vip A: A partir de R$ 190,00 + R$ 38,00
Premium Extra: A partir de R$ 150,00 + R$ 30,00
Mesas Bar: A partir de R$ 115,00 + R$ 23,00
Banquetas Bar: A partir de R$ 200,00 + R$ 40,00
Camarote 1: A partir de R$ 120,00 + R$ 24,00

Bilheteria Oficial – sem taxa de serviço
Shopping Ibirapuera
Endereço: Av. Ibirapuera, 3103 – Indianópolis, São Paulo/SP - Piso Jurupis (subsolo)
Ponto de referência: próximo ao restaurante Frutaria e à Academia Bio Ritmo
Horário de funcionamento:
Terça a sábado: das 10h00 às 22h00
Domingos e feriados: das 14h00 às 20h00
Fechado às segundas-feiras
*Cota de ingressos do tipo meia-entrada, limitada a 40% da capacidade, conforme a Lei Federal n.º 12.933/2013. Idosos não fazem parte destes números e não estão submetidos à limitação, por estarem enquadrados na Lei 10.741/2003.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

.: George Martin, o centenário do quinto Beatle


Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

Há 100 anos, nascia na Inglaterra um dos maiores produtores musicais da história da música popular de todos os tempos. Sir George Martin era considerado o quinto integrante dos Beatles. O cara por trás da produção de discos antológicos lançados nos anos 60 e também na década seguinte com diversos artistas.

Sir George Henry Martin foi produtor musical, arranjador, compositor, engenheiro sonoro, músico e maestro britânico. Ele é considerado um dos maiores produtores musicais de todos os tempos, com trinta canções chegando ao primeiro lugar das paradas no Reino Unido e 23 nos Estados Unidos.

De acordo com informações do portal Beatles Brasil, Martin estudou na Guildhall School of Music and Drama entre 1947 e 1950, estudando piano e oboé, sendo influenciado por uma grande variedade de estilos musicais. Após se formar, ele trabalhou no departamento de música clássica da BBC, entrando na EMI em 1950. Martin produziu canções cômicas no início da década de 1950, trabalhando com pessoas como Peter Sellers e Spike Milligan.

Ele foi o cara que ajudou a moldar o som desenvolvido pelos Beatles. Era o cara certo na hora certa para os quatro jovens de Liverpool . Chegou inclusive a tocar em algumas produções, como no álbum "Rubber Soul", que na faixa "In My Life" conta com um breve solo de piano executado por Martin.

A gravação de "Strawberry Fields Forever" e "Penny Lane", lançados como single, somados com a produção do álbum "Seargent Pepper´s Lonely Hearts Club Band" na segunda metade dos anos 60 ajudaram a escrever um novo capítulo na história do rock. Além dos Beatles, Martin trabalhou com outros artistas na década seguinte, como o grupo vocal América e o icônico guitarrista britânico Jeff Beck, produzindo álbuns marcantes nos anos 70 para ambos.

Martin esteve no Brasil nos anos 90, a convite do produtor Marcelo Fróes. Em uma dessas ocasiões se encontrou com o músico Tom Jobim, promovendo um encontro de gigantes da nossa música popular. Em 1998 produziu e gravou o álbum "In My Life", composto basicamente por versões de clássicos dos Beatles, cantados por vários artistas convidados, como Celine Dion, Phil Collins, Bobby McFerrin, Jeff Beck, além dos atores Sean Connery, Jim Carrey, Goldie Hawn e Robin Willians, entre outros.

O portal Beatles Brasil informa que, em uma carreira de seis décadas, Martin trabalhou em cinema, televisão e espetáculos ao vivo. Ele também teve vários cargos executivos em companhias midiáticas e contribuiu para várias de causas beneficentes, incluindo seu trabalho para o "The Prince’s Trust" em prol da Ilha de Montserrat. Como reconhecimento de suas contribuições para a música e cultura popular, ele recebeu um Knight Bachelor, condecoração dada pelo Reino Unido em 1996. Faleceu no dia 8 de março de 2016, aos 90 anos, na Inglaterra.

"I Am The Walrus" - com Jim Carrey

 "Here There ans Everywhere" - com Celine Dion

"A Hard Days Night" - George Martin e Orchestra

domingo, 4 de janeiro de 2026

.: “Nossas Canções”: Roupa Nova lança EP com seis faixas inéditas


Disponível nas principais plataformas digitais, o novo trabalho reúne composições individuais dos integrantes da banda

Roupa Nova apresenta ao público o EP “Nossas Canções”, lançado na última quinta-feira, 2 de janeiro, reunindo seis músicas inéditas que reafirmam a longevidade e a coesão artística do grupo. O lançamento coincide com a data de embarque da banda para o terceiro cruzeiro temático Roupa Nova, tradicional encontro com os fãs em alto-mar.

As faixas foram compostas individualmente por Cleberson Horsth, Kiko, Nando, Serginho Herval, Ricardo Feghali e Fábio Nestares, revelando diferentes olhares sobre temas recorrentes na trajetória do grupo, como amor, saudade, despedida e afeto. Apesar das assinaturas distintas, o EP mantém a identidade sonora que consagrou o Roupa Nova ao longo de 45 anos de carreira.

O primeiro single, “Teu Olhar”, de Serginho Herval, fala de um encontro transformador e da força simbólica de um amor que nasce de maneira simples, mas profunda. Em “O Recado”, Nando presta uma homenagem delicada ao vocalista Paulinho, abordando a despedida com serenidade e afeto, sem recorrer ao tom melodramático. Já “Ingratidão”, composta por Ricardo Feghali, expõe o desgaste emocional de uma relação marcada pela falta de reconhecimento.

A sequência do EP traz “O Amor é Sempre Assim”, de Cleberson Horsth, que aborda a ausência e a possibilidade de reconciliação, seguida por “Uma Paixão”, em que Kiko retrata o momento em que o sentimento deixa de ser dúvida e passa a ser certeza. Encerrando o repertório, “Coisas da Alma”, de Fábio Nestares, valoriza o amor cotidiano, construído nos gestos simples e na convivência. O EP já está disponível nas principais plataformas de streaming, em lançamento pela ONErpm.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

.: Lenine: novo álbum marca um manifesto de liberdade


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: dibulgação

Com a urgência de quem transforma criação em gesto de liberdade, Lenine volta à cena com o álbum “Eita”, reafirmando sua autonomia artística e o vínculo visceral com o Nordeste. Após dez anos sem lançar um disco de estúdio, o artista retorna com uma obra que exalta a força criadora de suas origens e consolida sua posição de referência na música brasileira.

Disponível nas plataformas de streaming, o projeto vem acompanhado de um audiovisual em média-metragem, no YouTube, que amplia o universo sensorial das canções e reafirma a habilidade de Lenine de transformar som em imagem – desta vez, assumindo também o papel de intérprete visual da própria obra.

O disco é também uma celebração com seus parceiros e com seu coletivo sonoro. São 11 faixas inéditas que cruzam o contemporâneo e a tradição, com arranjos de artistas como Carlos Malta, Henrique Albino e Martin Fondse, sob direção artística do próprio Lenine e produção musical de Bruno Giorgi.

“Eita”, expressão popular que pode ser espanto, encanto ou celebração, dá nome a uma obra em que tudo parte da primeira pessoa. É o disco mais pessoal de Lenine; um trabalho de domínio total sobre criação, gravação, som e imagem. “Empoderei-me de todos os meios, todos os caminhos, todas as etapas”, pontua o artista, que assina cada camada do processo, em uma afirmação de independência e liberdade criativa.

O álbum é também uma grande homenagem ao Nordeste, território de origem e imaginação de Lenine, que ressoa em cada batida, palavra e silêncio. Não à toa, é dedicado a Dominguinhos, Hermeto Pascoal, Letieres Leite e Naná Vasconcelos. O disco reúne jovens compositores, como Carlos Posada e Gabriel Ventura; além de nomes  consagrados (Arnaldo Antunes, Dudu Falcão, João Cavalcanti, Lula Queiroga e Siba), e homenageia o Terreiro Xambá com a força ancestral da família Bongar, que traz seus toques, loas e danças.

As participações de Maria Bethânia (“Foto de Família”, de Lenine e João Cavalcanti), Maria Gadú (“O Rumo do Fogo”, de Lenine e Lula Queiroga), Siba (“Malassombro”, de Lenine e Siba) e Gabriel Ventura (“Beira”, de Lenine e Gabriel Ventura) completam o encontro. Mais do que um disco, “Eita” é uma tomada de domínio, um gesto de liberdade e uma celebração da criação como forma de existir. Uma obra que transcende fronteiras e espelha as complexidades, afetos e possibilidades do Brasil contemporâneo. Um projeto que anuncia, com poesia e verdade, que um dos maiores criadores da música brasileira traz boas novas.


"Eita!"

"Meu Xamego"

"Confia em Mim"

sábado, 27 de dezembro de 2025

.: Miúcha: a Voz da Bossa Nova" revela a intimidade da artista


Com seus timbres e tons inconfundíveis, ela se tornou um dos grandes nomes da música brasileira e, com suas atitudes, uma referência para uma geração de mulheres. A intimidade e a trajetória de uma das principais vozes da cultura nacional são apresentadas no documentário "Miúcha: A Voz da Bossa Nova", exibido no Curta!. Viabilizado pelo Curta! através do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), o filme é dirigido por Liliane Mutti, que relata a vida de Miúcha a partir de um rico acervo de imagens composto por imagens familiares e registros de áudio em fita cassete. A leitura de suas cartas e diários é feita pela sobrinha, Silvia Buarque.
 
O documentário é uma exposição carinhosa da vida de Miúcha. A viagem começa a partir de sua infância num lar boêmio recheado de encontros artísticos e intelectuais. Crescendo com referências que iam de Simone de Beauvoir a Billie Holiday, passando pelo amigo da família Vinicius de Moraes, deu asas a seu jeito inquieto e ousado e partiu para explorar, e encantar, o mundo, com um violão a tiracolo. Com imagens gravadas por Miúcha, o documentário mostra como ela se encantou pela Bossa Nova, relembrando o impacto daquele novo estilo musical que a deixava por horas a fio escutando os álbuns, e revela os primeiros encontros com João Gilberto. 

“Posso dizer que fui uma das pessoas que foram absolutamente seduzidas pela Bossa Nova, por aquele som. Parece que, de repente, o cinema em branco e preto ficou colorido”, narra em seu diário. Com gravações do casamento de João Gilberto e Miúcha, com direito a dança ao lado de Sérgio Buarque de Hollanda, a obra refaz o conturbado relacionamento dos dois. Cenas de ensaios e da vida cotidiana em Paris, México e Nova York, e ao lado da filha Bebel, ilustram a mudança nos sentimentos da cantora. Da idolatria e da paixão, o casamento se torna uma prisão alimentada por insegurança e distanciamento, com João desdenhando de seu talento musical e sem dar o devido crédito a sua voz e contribuição em álbuns marcantes.
 
"Não dá para curtir essa posição que João me bota de tomadora de conta, de resolvedora de todos os problemas. E ele consegue virar as coisas de modo que eu seja a culpada de tudo. Estou ficando tão deprimida e cansada como se tivesse 200 anos", lamenta. Após o fim do casamento, era preciso retomar a liberdade e o sorriso. Os inéditos bastidores da gravação de canções ícones da música brasileira, como “Pela Luz dos Olhos Teus”, e de trabalhos ao lado do irmão Chico Buarque e Tom Jobim, mostram a força, a independência e o talento de Miúcha. Sempre em movimento e sempre corajosa, ela começa a trilhar sua carreira solo, expande seu leque e sua voz para novas experiências e ritmos, firmando sua voz como símbolo da cultura nacional e sua postura como um símbolo da mulher da nova geração.
 
“Estou de cabeça viradíssima. Já pensou a society feminista. Aliás, no finzinho dos livros, na hora de apresentar soluções, todo mundo acaba lutando por um tipo qualquer de comunidade, inclusive para acabar com a neurose de família. Pra mim seria o máximo, pois sou, decididamente, um bicho social”, avalia em carta. “Miúcha: A Voz da Bossa Nova” é uma produção da FILMZ. O filme pode ser visto no CurtaOn – Clube de Documentários, disponível no Prime Video Channels, da Amazon, na Claro TV+ e no site oficial da plataforma (CurtaOn.com.br). A exibição é no dia temático Segundas da Música, 29 de dezembro, às 22h.
 

Sensível, o premiado ‘Incompatível com a Vida’ faz um retrato doloroso da maternidade
 O Curta! exibe o premiado documentário “Incompatível Com a Vida”, de Eliza Capai. Vencedor do Prêmio de Melhor Documentário concedido pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Cinema) e do “É Tudo Verdade”, ambos em 2023, a produção chegou a ser qualificada para o Oscar 2024 e integrou a programação de vários festivais, entre eles o Hollywood Brazilian Film Festival, em Los Angeles, e o Festival do Rio de 2023.
 
O filme parte do luto da diretora - que registrou a interrupção de sua gravidez após diagnóstico de “malformação fetal incompatível com a vida” - para a potência da coletividade: aquela história não era apenas dela, mas sim de várias mulheres brasileiras. Alana, Laís, Isabela, Priscila, Shuane e Tainah são personagens que relembram suas trajetórias, dando voz e imagem ao que geralmente é apenas estatística. Elas partem da felicidade diante da descoberta da gravidez, recordam a imensa tristeza diante da notícia de malformação fetal e trazem à tona a agonizante busca por um desfecho mais respeitoso para elas e seus bebês.
 
Por morar em Portugal, Eliza pôde interromper sua gravidez legalmente, mas as entrevistadas contam que encontraram grandes dificuldades para tanto, ainda que seus bebês tenham tido diagnósticos semelhantes aos da cineasta. Da dor delas vem a força para discutir sobre políticas públicas relacionadas à legalização do aborto no Brasil, que hoje é negado ou dificultado até em casos em que o feto não tem condições de vingar.
 
Com muita sensibilidade, o filme faz um retrato doloroso do panorama da obstetrícia no país quando se trata de situações de perda e luto. A diretora traz à baila tabus e humaniza mulheres, muitas vezes vistas como vilãs apenas por quererem um tratamento respeitoso em um momento de tanta vulnerabilidade e sofrimento. “Quando recebi o diagnóstico de ‘malformação fetal incompatível com a vida’ e senti a urgência de debater esse tema em filme, o Curta! - com quem estávamos iniciando um documentário sobre o amor - aceitou a aventura de mudarmos radicalmente nossa abordagem. Se não fosse essa abertura do canal para o que é o documentário de fato - algo vivo, que se transforma independentemente dos desejos do realizador ou da produção -, esse filme não existiria. Quando ‘Incompatível com a vida’ ganhou o Festival É Tudo Verdade senti que essa mudança radical de abordagem, para além de um processo de cura meu, era importante enquanto audiovisual e que havíamos acertado. E saber que o filme chega para a audiência do Curta!, me enche de alegria”, conta Eliza Capai.
 
“Incompatível Com a Vida” é uma produção da tva2.doc viabilizada pelo Curta! através do FSA. Também está disponível no CurtaOn – Clube de Documentários, disponível no Prime Video Channels – da Amazon –, na ClaroTV+ e no site oficial do streaming (CurtaOn.com.br). A exibição é no dia temático Sextas de História & Sociedade, 02 de janeiro, às 22h.

 
Segundas da Música – 29/12
22h00 - “Miúcha - A Voz da Bossa Nova” (Documentário)
A perspectiva feminista sobre a história da Bossa Nova, contada através de filmes caseiros de 16mm, diários, cartas e gravações musicais pessoais de Miúcha e João Gilberto. O filme cobre o período de 20 anos, de 1962 a 1982, a luta de Miúcha para se tornar cantora e seu turbulento casamento com João Gilberto. Direção: Liliane Mutti Duração: 98min Classificação: 12 anos Horários Alternativos: dia 30 de dezembro, às 02h e às 16h; dia 31 de dezembro, às 10h; dia 03 de janeiro, às 15h15; dia 04 de janeiro, às 21h15


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#MiuchaAVozDaBossaNova #CanalCurta #LilianeMutti #Miucha #BossaNova

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

.: “Libido da Alma”: Guilherme Arantes lança o primeiro single de novo álbum


Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: Leo Aversa 

Chega às plataformas de música o single “Libido da Alma”, primeira amostra de "Interdimensional", o novo álbum de Guilherme Arantes. Gravada em seu estúdio na Espanha, a faixa retoma as referências musicais que marcaram a virada dos anos 1970 para os 1980, representadas no Brasil por nomes como Lincoln Olivetti e Robson Jorge, entre outros.

Esse universo é absolutamente familiar ao próprio Guilherme Arantes, que misturou soul e funk em peças de seu repertório que se tornaram clássicos da música brasileira, como “Aprendendo a Jogar” (lançado por Elis Regina), “Fio da Navalha" (tema da novela “Partido Alto”) e “Pedacinhos”, balada black-bossa que virou um dos grandes sucessos da carreira do cantor e compositor paulistano.

Com letra que celebra a possibilidade de ser feliz sozinho, “Libido da Alma” dá um passo adiante nessa brasilidade black. A gravação ressalta a melodia e o vocal aponta para o canto de João Gilberto, em emissão minimalista e delicada. O instrumental traz o swing das guitarras de Alexandre Blanc em diálogo com as percussões latinas e a bateria precisa de Gabriel Martini.

O arranjo combina timbres clássicos e contemporâneos, incluindo string machines reminiscentes de um Elka Rhapsody de 1974, órgão Hammond C3, Clavinet D3 Honner com wah wah, Rhodes Mark V, além do piano Yamaha CP70 com flanger Mutron, marca registrada do pop de Guilherme Arantes. Há ainda inserções em reverse áudio, típicas da era das fitas de gravação, e um coro de vozes rigorosamente soul, reforçando o caráter vintage e radiofônico da faixa. O baixo suingado com slaps é assinado por Milton Pellegrin, da banda de Ed Motta.

O single foi mixado por Sylvia Massy (Oregon) e masterizado por Felipe Tichauer. A capa foi criada por Guilherme Arantes a partir de uma foto de Márcia Arantes. Interdimensional, o álbum completo, tem lançamento marcado para o dia 15 de janeiro de 2026.

"Libido da Alma"


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#LibidoDaAlma #Interdimensional #GuilhermeArantes #LuizGomesOtero #musica

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

.: Thiago Garcia é o vencedor do "The Voice Brasil 2025"



Thiago Leifert confirmou ainda nova temporada do reality musical no Disney+ e no SBT em 2026. Foto: Ricardo Bufolin/Formata

A grande voz do Brasil já tem nome. Na noite da última segunda-feira, dia 22 de dezembro, Thiago Garcia, do time Mumuzinho, foi consagrado vencedor do "The Voice Brasil 2025", após final exibida ao vivo no Disney+ e no SBT. Com performance marcante, interpretando "Se Eu Não Te Amasse Tanto Assim", canção eternizada na voz de Ivete Sangalo, Thiago conquistou o público e garantiu o maior número de votos na decisão popular.

A final reuniu no palco os representantes dos times de Duda Beat, Matheus & Kauan, Péricles e Mumuzinho, que se apresentaram individualmente, evidenciando identidade artística e a evolução ao longo da competição. Na primeira etapa da noite, os técnicos escolheram apenas um integrante de seus times para avançar à disputa final.

Bell Éter foi escolhida por Duda Beat em uma disputa emocionante com Lara Vieira. Já no Time Matheus & Kauan, Jade Sales levou a melhor após um duelo intenso contra André & Luiz Otávio. Pelo Time Péricles, Jamah avançou à final no embate acirrado com Thales César. No Time Mumuzinho, Thiago Garcia garantiu sua vaga em uma disputa intensa com Gabriel Lima. 

Com os quatro finalistas definidos, a decisão ficou exclusivamente nas mãos do público. Após novas apresentações, a votação popular consagrou Thiago Garcia como campeão da temporada 2025. Com o sucesso da temporada, antes mesmo de anunciar o vencedor, Tiago Leifert confirmou no palco do programa que o "The Voice Brasil" terá uma nova temporada em 2026, com exibição no Disney+ e no SBT.

Antes do anúncio do resultado, o público acompanhou o +Voice, conteúdo exclusivo do Disney+, exibido às 22h30, com bastidores e entrevistas que antecederam o momento decisivo do reality. O "The Voice Brasil 2025" chega ao fim após uma temporada marcada por grandes performances, forte engajamento do público e a revelação de novos talentos, reafirmando o programa como uma das principais vitrines da música brasileira.

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#ThiagoGarcia #TheVoice #TheVoiceBrasil #TheVoiceBrasil2025

sábado, 20 de dezembro de 2025

.: Alfredo Del Penho e Pedro Paulo Malta: dois bicudos musicais


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: Isabela Espindola

Vinte e um anos depois do lançamento do álbum “Dois Bicudos”, fruto da parceria da gravadora Acari Records com a Biscoito Fino, Alfredo Del-Penho e Pedro Paulo Malta apresentam ao público “Bicudos Dois”, álbum que retoma e atualiza a tradição das duplas vocais no samba brasileiro. O reencontro celebra a parceria que, em 2004, rendeu um dos discos de samba mais elogiados da época - indicado ao Prêmio da Música Brasileira e eleito um dos 10 melhores do ano pelo jornal O Globo. 

O novo álbum, que já está nas plataformas digitais pela Biscoito Fino, amplia essa trajetória, revisitando a linguagem do dueto vocal e trazendo uma sonoridade contemporânea, sem perder o diálogo com a história do gênero. Com direção musical e arranjos de Paulo Aragão, Bicudos Dois reafirma a vitalidade do samba tradicional e apresenta ao público um repertório que combina canções inéditas e pérolas das décadas de 1930 e 1940. 

O disco percorre o universo das grandes duplas do rádio - como Francisco Alves e Mário Reis, Joel e Gaúcho, Ciro Monteiro e Dilermando Pinheiro - e homenageia compositores fundamentais, entre eles Wilson Baptista, Lamartine Babo e Ismael Silva. Humor, lirismo, crônicas do cotidiano e refinamento melódico aparecem como marcas desse repertório que atravessa gerações. Mais do que um resgate histórico, "Bicudos Dois" propõe uma escuta renovada para essa tradição, trazendo novas interpretações, novos contornos vocais e uma estrutura musical que aproxima o passado da sensibilidade atual. 

"Bicudos Dois" é, ao mesmo tempo, um tributo e uma renovação. Um disco que celebra vinte anos de história, mas que se volta ao presente para mostrar a força e a beleza do samba interpretado em dupla: um patrimônio artístico que segue vivo, pulsante e indispensável na cultura brasileira.

"Seja Breve"

"Desafio do Malandro"

"É Preciso Discutir"

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

.: Mental Trigger lança álbum de estreia e se firma como nova força do metal


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

A banda paulistana Mental Trigger lançou em todas as plataformas digitais o seu primeiro álbum auto-intitulado. Um trabalho que reúne intensidade emocional, peso sonoro e uma entrega artística que consolida o grupo como uma das novas promessas da cena metal nacional.

Formada em 2024 na cena de São Paulo, a Mental Trigger surge com o propósito de dar voz às emoções mais viscerais e profundas. O grupo canaliza a energia crua do metalcore em cada nota, verso e grito, incorporando ainda influências de deathcore, new metal, djent e groove metal para criar uma sonoridade interessante.

A banda é integrada por Luis Bom Angelo (vocal), João Pedro Surian (bateria), Gustavo Aliberti (guitarra), Luiz Barreto (guitarra) e Raphael Esteves (baixo) que carregam em seus DNAs a força da inovação e intensidade emocional que marcam o metal contemporâneo.

Com oito faixas autorais e uma faixa bônus especial - um cover poderoso de “Perry Mason”, de Ozzy Osbourne - o álbum presta homenagem ao ícone do metal, falecido em julho deste ano, revisitando sua obra com respeito, agressividade e identidade própria. Produzido por Ryu Morita, o álbum foi gravado na capital paulista, foi mixado por João Felipe Favaro e masterizado por João Pedro Surian. A identidade visual do projeto ganha vida pelas mãos de Gustavo Aliberti, que assina a arte de capa. 

Mental Trigger - "Where Angels Sin"


sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

.: Moacir Luz e os 20 anos do Samba do Trabalhador


Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: Léo Aversa

O Samba do Trabalhador, roda que surgiu em maio de 2005 no Renascença Clube, em Andaraí, no Rio de Janeoro, transformou-se em referência em todo o Brasil. Ao completar 20 anos, chega às plataformas o novo álbum “Moacyr Luz e Samba do Trabalhador, 20 Anos", que a gravadora Biscoito Fino disponibilizou nas plataformas de música.

O álbum apresenta novas parcerias de Moacyr Luz com compositores como Dunga, Pedro Luís e Xande de Pilares. Alguns clássicos de Moacyr foram revisitados pelos integrantes da roda, como "Vila Isabel", cantada por Mingo Silva (parceria de Moacyr com Martinho da Vila); "Tudo o que Vivi", cantada por Gabriel Cavalcante (parceria de Moacyr e Wilson das Neves), e "Cachaça, Árvore e Bandeira", samba de Moacyr com Aldir Blanc, interpretado por Alexandre Marmita.

O novo projeto conta ainda com composições inéditas dos próprios integrantes do Samba do Trabalhador.  "Vai Clarear" fala de esperança e retrata muito bem o momento atual de Moacyr Luz. Uma parceria de Moacyr Luz com Alexandre Marmita, Mingo Silva e Nego Álvaro. "Caboclo pára-raios", interpretada por Mingo Silva, é um samba do Mingo com Anderson Baiaco, que conta a história de um sujeito "carregado" de energia ruim. "Roda de Partido", interpretada por Gabriel Cavalcante, é uma parceria do próprio Gabriel com Roberto Didio, que homenageia os grandes partideiros da história. Já "Vou tentando", interpretada por Alexandre Marmita, é uma parceria do próprio Marmita com Moacyr Luz, que fala sobre a persistência nas dificuldades do dia a dia do músico.

A cantora e compositora Joyce Moreno participa do álbum em uma das faixas inéditas, "Eu Fiz um Samba pra Bahia", parceria de Moacyr com Sereno, do grupo Fundo de Quintal.  O samba dolente "Água Santa", parceria inédita de Moacyr com Pedro Luís, foi gravado pelos dois parceiros e conta com a participação da icônica gaita do maestro Rildo Hora. A cantora Marina Iris surge nos vocais de “Dezesseis", inédita de Moacyr Luz e Aldir Blanc. Falando em Aldir, Moacyr gravou "Mitos Cariocas", outra parceria dos dois, em homenagem ao saudoso cartunista Lan.

Os arranjos são de Leandro Pereira, violonista que sempre esteve por perto, e que conseguiu, com perfeição, transpor para o estúdio o clima descontraído das célebres rodas do Renascença Clube. Moacyr Luz e Samba do Trabalhador é um disco entre amigos, para exaltar a obra de Moacyr Luz, dar espaço ao novo, e retratar com maestria a trajetória de 20 anos do grupo. Se você curte o samba de qualidade, vale a pena conferir.

"Tudo que Eu Vivi"

"Roda de Partido"

"Todo Santo Dia"



quarta-feira, 26 de novembro de 2025

.: “Fruto Proibido”, clássico de Rita Lee, ganha box comemorativo de 50 anos

Em edição limitada, box comemora os 50 anos do “Fruto Proibido” de Rita Lee. Caixa vem com LP, compacto, foto e encarte especial


Por Guilherme Samora, jornalista, editor e estudioso do legado cultural de Rita Lee.


Um dos discos mais importantes da música, “Fruto Proibido”, de Rita Lee & Tutti Frutti, completou 50 anos em 2025. Para celebrar a data, a Universal Music Brasil lança um box de luxo, em edição limitada, que já está em pré-venda na UMusic Store. A caixa vem com o disco em sua arte original, em vinil roxo marmorizado, o raro compacto de 1976, uma foto de Rita na turnê do álbum e um encarte com texto escrito por Guilherme Samora

O álbum marcou a estreia de Rita na Som Livre, depois de uma passagem tumultuada pela Philips, quando teve um projeto inteiro vetado e acabou lançando apenas um LP: “Atrás do Porto Tem Uma Cidade” (1974). Rita fez a direção musical do álbum em uma casa emprestada à beira da represa em Ibiúna, onde morou por alguns meses com os integrantes da banda - e com suas duas cobras - para ensaiar. O inglês Andy Mills, ex-técnico de som de Alice Cooper, também morava com eles e pilotou a produção do disco. A gravação foi realizada no estúdio Eldorado, na rua Major Quedinho, centro de São Paulo.

“Dance, dance, dance / Gaste um tempo comigo / Não, não tenha juízo / Dê-se ao luxo de estar sendo fútil agora” . É assim que Rita abre o disco e convida o público a experimentar seu “Fruto Proibido”. O LP, ousadíssimo e cheio de temas femininos, é um claro recado à turma que repetia para ela que “para fazer rock tem que ter ‘culhão’”. Rita assina todas as composições, metade delas sozinha. E, pela primeira vez, músicas da roqueira em parceria com Paulo Coelho foram gravadas. O blues dolorido “Cartão Postal” é um lado B que virou clássico e está entre os favoritos dos fãs.

“O Toque”, esotérica-cósmica-viajante, traz Rita cantando que “o universo segue o rumo que todos nós escolhemos”. Porém, foi “Esse Tal de Roque Enrow” - e a história de uma mãe falando ao psiquiatra sobre a obsessão da filha com aquele tal de Roque - que conquistou a garotada, as rádios e a TV. A música fez parte da trilha sonora da novela “Bravo!”, da Rede Globo, ao lado de “Agora Só Falta Você” - hit com um claro convite à liberdade, parceria de Rita com Luiz Carlini. Duas de uma vez só!

Boa parte do rock brasileiro, na época, apontava para o progressivo. Rita, livre como sempre, flertava com o glam, com o classic rock, com o blues, com as guitarras, com os violões acústicos e com o minimoog. Inclusive, o sintetizador ganha lugar de destaque na foto da capa de “Fruto Proibido”, com a ruiva bela e esvoaçante na sala de jantar da casa dos pais, na Vila Mariana - tudo em frente à penteadeira da avó, herdada pela mãe e depois por Rita.

A qualidade das composições e da gravação, o brilho da voz de Rita e a rebeldia irreverente da maior roqueira brasileira conseguiram a proeza de colocar o underground na lista dos mais vendidos. “Comer um fruto que é proibido / Você não acha irresistível?”, ecoa Rita, num vocal urgente, desafiador, vivo, impossível de se tentar alcançar. Isso em plena ditadura militar. “Pirataria”, de Rita e Lee Marcucci, baixista da banda e que seguiria com a roqueira por anos, é outra ousadia contra censores, censuras e contra o establishment: “Quem falou que não pode ser? / Não, não, não / Eu não sei por quê / Eu posso tudo, tudo”.

E é em “Luz del Fuego”, a penúltima faixa do disco, que Rita se apresenta, brinca com o que pensam sobre ela e reafirma a mulher que é. Doa a quem doer. Alegre a quem alegrar: “Eu hoje represento a loucura / Mais o que você quiser / Tudo que você vê sair da boca / De uma grande mulher / Porém, louca!”. Dando o tom do começo ao fim, a rebeldia da estrela dos cabelos vermelhos termina o disco da maneira mais impactante possível, com “Ovelha Negra”. O maior hino aos diferentes é também o maior hit do álbum. Chegou ao topo entre as mais tocadas das rádios naquele ano e virou clipe no Fantástico.

Ao experimentar o primeiro grande sucesso de público, Rita segue com o "Tutti Frutti" em turnê, com ingressos esgotados pelo Brasil todo. Com a inesperada repercussão, a gravadora decidiu lançar “Ovelha Negra” em compacto. Rita, então, voltou ao estúdio com o Tutti Frutti para gravar três novas - e geniais - músicas: “Lá Vou Eu”, “Caçador de Aventuras” e “Status”. Hoje raro, o compacto é reeditado pela primeira vez para esse box, com a capa original. E com um detalhe que o torna ainda mais especial: para celebrar a data e manter a qualidade das canções, o compacto vem com dois disquinhos, um vermelho translúcido esfumaçado e outro marfim opaco. O primeiro traz “Lá Vou Eu” no lado 1 e “Caçador de Aventuras” no lado 2. O segundo, “Status” no lado 1 e “Ovelha Negra” no lado 2. Um lançamento à altura do disco que mudaria para sempre o rock brasileiro e coroaria, de vez, a sua estrela maior: Rita Lee.

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

.: Crítica musical: "Who Are You", a despedida de Keith Moon


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

Lançado em 1978, o álbum "Who Are You" marcou o fim da formação original da banda The Who. Foi a última vez que o baterista Keith Moon gravou com a banda em estúdio. Recentemente foi lançada um box set especial do álbum, com uma série de faixas bônus. Em termos de sonoridade, "Who Are You" está abaixo de outros trabalhos feitos anteriormente, como os icônicos "Tommy",  "Who´s Next" e "Quadrophenia". Mas é preciso contextualizar o momento que a banda atravessava para entender isso.

O vocalista Roger Daltrey tinha problemas nas cordas vocais, enquanto que o baixista John Entwistle dava uma atenção maior ao seu trabalho paralelo solo. Por sua vez, o guitarrista Pete Townshend, principal compositor da banda, se sentia cada vez menos estimulado para criar novas composições, enquanto que o baterista Keith Moon era apenas uma sombra do que havia sido no passado.

Mas ainda assim há momentos bem interessantes, como a faixa título, que acabou sendo usada na trilha sonora oficial do seriado  americano CSI, apresentando o som da banda para as novas gerações. Poderia citar ainda "Sister Disco", "Trick Of The Light" e "Had Enough" como exemplos positivos.

Keith Moon faleceria em 7 de setembro de 1978, pouco antes do lançamento do álbum. Tinha apenas 32 anos e acabou tomando uma overdose acidental de medicamentos para controlar o seu vício em bebidas alcoólicas. A morte de Moon encerrou a fase mais criativa da banda, que até prosseguiu adiante com outros bateristas, mas que nem de longe lembravam o toque selvagem do integrante original.

 "Who Are You"

"Sister Disco"

"Trick Of The Light"

.: Quarta edição do Patfest homenageia a banda Leeds


Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

O Patfest chega à sua quarta edição no dia 26 de novembro, reunindo grandes artistas na Audio, em São Paulo, em uma noite marcada por celebrações, reencontros e homenagens. Entre os momentos mais aguardados está o tributo à memória de Renan Paiva - guitarrista, vocalista, compositor e fundador da banda Leeds ao lado de seu irmão Willian Paiva.

Willian subirá ao palco para reviver um dos capítulos mais intensos da trajetória dos irmãos: uma apresentação especial com uma música da Leeds, fazendo vibrar novamente a lendária Gibson Les Paul de Renan - agora como símbolo de uma história de arte, irmandade e sensibilidade.

Idealizado por Andreas Kisser, da banda Sepultura, e familiares, o Patfest nasceu em homenagem a Patrícia Kisser, falecida em 2022 em decorrência de um câncer de cólon. Desde então, o festival se tornou um evento de música, solidariedade e amor, reunindo artistas de diferentes estilos e gerações em apresentações únicas e emocionantes. Toda a renda arrecadada nesta edição será destinada às entidades Heliópolis Compassiva e Favela Compassiva Rocinha e Vidigal, que desenvolvem projetos sociais e humanitários em comunidades vulneráveis do Brasil.

"Nada na Vida É para Sempre (Leeds)"
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