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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

.: Música: Barbara Rocha apresenta material autoral em turnê intimista


Por
Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

A cantora e compositora mineira Barbara Rocha apresenta, em seu canal oficial no YouTube, um vídeo especial com os bastidores da turnê “Me and My Old Guitar” - projeto que nasceu de uma relação essencial entre artista, música e violão e ganhou as estradas de Minas Gerais em uma circulação marcada pela proximidade com o público, pela música autoral e pela troca de experiências.

O registro revela momentos que aconteceram antes, durante e depois das apresentações, mostrando um pouco da rotina da artista, os encontros com diferentes públicos e a construção de um projeto que resgata a essência de Barbara: voz, violão e canções que carregam histórias pessoais e sentimentos universais. E como dizia aquela canção de Milton Nascimento e Fernando Brandt, todo artista tem que ir aonde o povo está.

A proposta de “Me and My Old Guitar” surgiu a partir de uma lembrança afetiva. Antes dos palcos, das bandas e de toda a estrutura de um show, havia apenas Barbara, seu violão e o sonho de fazer música. O formato intimista representa justamente esse retorno às origens, aproximando a artista do público de maneira espontânea e permitindo que as canções sejam apresentadas em sua forma mais essencial.

Durante a turnê, Barbara realizou cinco apresentações em diferentes espaços e cidades mineiras: Associação Cultural Boi da Manta, em Sete Lagoas; CEU das Artes, em Sete Lagoas; Praça da Liberdade, em Belo Horizonte; Passarela do Empreendedor, em Corinto; e o encerramento na Serra de Santa Helena, em Sete Lagoas.

O público teve a oportunidade de conhecer melhor o processo criativo da cantora, ouvir suas histórias e compreender as experiências que deram origem às músicas. O projeto também promoveu atividades formativas, com oficinas como “Primeiros Passos na Composição” e “Produção Musical: tudo o que ocê precisa saber antes de começar”, realizadas no CEU das Artes, em Sete Lagoas, além de ações em Corinto e Belo Horizonte.

Com um repertório autoral de pop rock internacional cantado em inglês, Barbara Rocha também utiliza sua música como instrumento de conexão entre culturas. Além de cantora e compositora, ela é professora de inglês e acredita que o idioma pode ser uma ponte - e não uma barreira - para quem deseja conhecer novas culturas, ampliar horizontes e se comunicar com o mundo.

Essa característica faz parte da identidade artística de Barbara, que transita por referências internacionais sem abrir mão de sua origem brasileira. O resultado é um trabalho que dialoga com diferentes gerações e aproxima o público de sonoridades do pop rock internacional por meio de uma perspectiva autoral.

Suas músicas abordam temas como amor, perda, luto, esperança e relações humanas, criando uma identificação direta com quem acompanha seu trabalho. No formato voz e violão, essas histórias ganham ainda mais força e intimidade.

A experiência também reforçou a importância da Economia Criativa, movimentando profissionais ligados à produção cultural e criando oportunidades para novos encontros, parcerias e projetos.Ela pretende dar sequência a turnê acústica em paralelo ao projeto com acompanhamento de banda;

Bastidores da turnê

"Get Loud"

.: Com “World Ablaze”, Luiza Girardello estreia em disco autoral


Por
Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

A cantora e compositora Luiza Girardello apresenta seu primeiro álbum, “World Ablaze”, já disponível em todas as principais plataformas digitais. O trabalho reúne nove faixas autorais que transitam por MPB, jazz, bossa nova, baião, rock e referências ao metal progressivo, refletindo a liberdade artística e as diferentes experiências vividas ao longo de sua trajetória.

Lançado pela ZA Music, com distribuição da Musikorama, o álbum tem produção de Luiza Girardello em parceria com o baterista, arranjador e coprodutor João Vitor Costa Dias. A gravação valoriza a sonoridade orgânica e espontânea, com os músicos tocando juntos em estúdio.

Como parte desse novo momento, Luiza também lançou o videoclipe de “Drunk On You”, disponível em seu canal no YouTube. Dirigido pelo cineasta Felipe Brêtas, com direção artística de Zabelê Gomes, o clipe utiliza a metáfora da bebida e da ressaca para abordar a dependência emocional e relacionamentos que ultrapassam os limites do saudável.

Se você puvir o trabalho de Luiza, encontrará dificuldade para classificá-lo em tipo de segmento musical. Podemos dizer que ela está próxima do jazz, porém também mostra elementos da nossa MPB. E aparenta não estar preocupada em seguir um estilo musical específico. Mas sim em mostrar a sua identidade musical moldada pelas suas influencias musicais. Trata-se de um trabalho interessante que merece ser conferido.

"Drunk On You"

"Heart Shaped Box"

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

.: Grupo Equale canta a obra de Aldir Blanc no álbum “Salve, Aldir!”


Por
Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Fotos: divulgação

Formado em 1990, o Equale é um importante grupo vocal carioca que reverencia a MPB com trabalhos interessantes, conhecidos pela originalidade nas performances e pelos arranjos personalizados em mais de três décadas de carreira. O álbum “Salve, Aldir!”, que a Biscoito Fino acaba de lançar, se juntará a outros tributos fonográficos do grupo a compositores brasileiros, mote de uma discografia que inclui os álbuns "Expresso Gil" (2000), "Equale Canta Milton Nascimento - Um Gosto de Sol" (2004) e "Na Praia de Caymmi" (2017) - este último, vencedor do Prêmio da Música Brasileira de 2018 como melhor grupo de MPB. 

Dessa vez, o Equale dá vozes ao cancioneiro do compositor Aldir Blanc (1946 - 2020), que completaria 80 anos em 2026. Nesta homenagem, o grupo rebobina parcerias não tão óbvias, com compositores como Djavan, Cristovão Bastos, Sueli Costa, Moacyr Luz e Maurício Tapajós, além de alguns clássicos  com João Bosco e Guinga, dois dos principais parceiros do bardo carioca.  

Com direção musical e regência do maestro André Protásio, produção musical do mesmo, em parceria com Flavio Mendes e Tom Andrade, o álbum conta com as participações especiais de Guinga, Ilessi, Marcos Sacramento e Cristóvão Bastos. A produção executiva do álbum é de Letícia Dias e da TAPA - Tom Andrade Produções Artísticas.

"Nação"

"Querelas do Brasil"

"Voisa Feita"

.: Há 92 anos, nascia Sylvia Telles, a voz da Bossa Nova


Por
Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Fotos: divulgação

Há 92 anos, nascia no Rio de Janeiro a cantora Sylvia Telles, a voz que serviu como a imagem da Bossa Nova. Com personalidade forte e cativante, ela acabou influenciando várias outras canypras com sua interpretação peculiar e moderna. Sempre a frente de seu tempo. Sylvia D´Atri Telles nasceu em uma família que tinha a música sempre próxima. Embora fosse atraída inicialmente pela dança (ballet clássico) eLa acabou se descobrindo como intérptrete estimulada pelo seu irmão mais velgo, Mario Telles, que tinha discos e já atuava na música.

O compositor Anibal Augusto Sardinha, conhecido como Garoto, ajudou ela a encontrar trabalho no início da carreira. E foi nessa época também que conheceu um músico baiano com quem teve um breve namoro: João Gilberto. Sylvinha, como wea apelidada pelos amigos, fez sucesso com a canção "Amendoim Torradinho" no ano de 1955. Essa  gravação foi determinante para a sua entrada no mercado fonográfico  e dos shows ao vivo. Nesse mesmo ano casa-se com José Candido de Mello Mattos, o Candinho, com quem teve a primeira e única filha, Cláudia Telles, que mais tarde se tornaria também cantora.

Ela passou a frequentar as reuniões no apartamento da família de Nara Leão, que se tornou o berlo do movimento musical batizado como Bossa Nova, que conquistaria o mundo nos anos seguintes, Ela logo se identificou com o novo estilo, sendo até apontada como a personificação da Bossa Bova como intérprete. Em 1960 casou-se pela segunda vez com Aloisio de Oliveira, de quem se separaria em 1964.

Infelizmente Sylvinha faleceria no dia 17 de dezembro de 1966, em um acidente automobilistco com seu namorado na época, Horacio de Carvalho, na região de Maricá, no Rio de Janeiro. Tinha apenas 32 anos e uma carreira em crescente ascensão. Meu  contato com a obra de Sylvia Telles aconteceu nos anos 80; no período em que busquei mais informações sobre os músicos e cantores que se destacaram na Bossa Nova. As interpretações de Sylvinha eram bem originais, fazendo com perfeição uma ponte entre a nossa MPB e o universo sofisticado do jazz.

Apesar de ter deixado um legado musical de valor inegável,  a obra fonográfica de Sylvinha Telles  permanece fora de catálogo. Felizmente há vídeos com diversas gravações e trechos de aparições na televisão. E nas platafoirmas de streaming você consegue encontar alguns discos lançados nos anos 50 e 60 pata ouvir. 

Em 2022, foi lançada sua primeira biografia, revelando-a dona de talento e comportamento a frente de seu tempo, símbolo de uma época e criadora de um estilo que permanece vivo e atual. Durante dez anos, o músico e pesquisador Gabriel Gonzaga mergulhou fundo em sua história; colecionou mais de 2500 recortes, reportagens, 200 fotos e cerca de 50 entrevistas que ajudam a contar os detalhes de uma vida intensa.


"Samba Torto"

"Samba de Uma Nota Só"

"Você e Eu"

sábado, 22 de agosto de 2026

.: "Revolver" 60 anos: a arma dos Beatles era a inovação


Por
Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

Há 60 anos os Beatles lançavam o álbum "Revolver", explorando ao máximo os recursos técnicos no estudio de gravação. Mais do que apontar tendencias, o disco consolidou a nova fase da banda, que abandonou os shows ao vivo ´para dedicar seu tempo para trabalhos conceituais e mais elaborados. O som de "Revolver" não se parecia com os trabalhos anteriores. 

A começar que pela primeira vez George Harrison aparecia com três canções de sua autoria ("Taxman", "Love You To" e "I Want To Tell You"). Todas elas aliás são destaques nesse álbum. O detalhe curioso é que em "Taxman", o solo de guitarra foi feito por Paul McCartney e não por George, como ocorria habitualmente.

Na faixa "Eleanor Rigby", McCartney canta acompanhado somente por um octeto de cordas, em um dos momentos mais marcantes do disco. E sola os vocais na bela balada "Here There and Everywhere" e na animada "Got to Get You Into My Life", essa última com arranjo inspirado gravações da Motown e Stax, ícones da soul music nos anos 60. E também se destaca na balada "For No One", que fala do fim da relação dele com sua namorada na época, Jane Asher.

John Lennon apresenta momentos de flerte com o rock psicodélico em "She Said She Said", "I´m Only Sleeping" e "Tomorrow Never Knows". E Ringo sola o vocal em "Yellow Submarine". "Revolver", o álbum, foi o real divisor de águas na carreira musical dos Beatles. E o interessante é que passados 60 anos o trabalho continua relevante na atualidade, comprovando a força dos quatro músicos de Liverpool.

"Taxman"

"Here There and Everywhere"

"Eleanor Rigby"

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

: MPB-4 e Orquestra Petrobras revivem clássicos da nossa música


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Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

.Sob regência do maestro Felipe Prazeres, o concerto que lotou a Grande Sala da Cidade das Artes (RJ), em outubro de 2024, reuniu a Orquestra Petrobras Sinfônica com o grupo MPB4. Meses depois desta apresentação, que celebrou os 60 Anos da MPB, o quarteto e a orquestra voltaram a se encontrar para a gravação do álbum “MPB4 Sinfônico”, realizada na sala de ensaios da Petrobras Sinfônica, na Fundição Progresso, eternizando a parceria e os arranjos criados para o concerto.

A formação atual do MPB4 conta com Aquiles Reis, Miltinho. Dalmo Medeiros e Paulo Malagutti Pauleira. Os dois primeios estão desde o início, nos anos 60. E os outros entraram mais tarde, mantendo sempre a unidade do grupo, bem como a qualidade dos trabslhos desenvolvidos na música.

No repertório, clássicos da música popular brasileira que marcam a trajetória do MPB4, como “Apesar de Você”, “Olê Olá”, “Roda Viva” (as três de Chico Buarque), “Samba do Avião” (Tom Jobim), “Porto” (Dori Caymmi), “Velas Içadas” (Ivan Lins / Vitor Martins) e “O Ronco da Cuíca” (João Bosco / Aldir Blanc), entre outros. Destaque também para a canção Porto, composta por Dori Caymmi para a primeira versão da novela Gabriela, da Rede Globo.

Os arranjos levam as assinaturas de Jaime Alem, Itamar Assiere, Gilson Santos e Paulo Malaguti Pauleira. O álbum “MPB4 Sinfônico” é um daqueles casos de rara beleza da nossa música popular. E ao unir essas canções com o acompanhanento da Orquestra Petrobras, o grupo potencializou  ainda mais a força das canções. Se você gosta da nossa MPB precisa conferir esse trabalho  do MPB4.

"Porto"

"O Cio da Terra"

"Roda Viva"




 

terça-feira, 18 de agosto de 2026

.: “Djavan - Dizem que o Amor Atrai” revela histórias por trás da trajetória


Livro de Tiago Ramos e Mattos revisita a infância em Maceió, a descoberta do violão, a censura na ditadura e episódios pouco conhecidos da carreira de um dos grandes nomes da MPB

Celebrando cinco décadas de carreira, Djavan ganha um novo olhar sobre sua trajetória em “Djavan - Dizem que o Amor Atrai”, livro de Tiago Ramos e Mattos, publicado pela editora Trend Editora. A obra mergulha nas memórias, nos afetos e nas experiências que ajudaram a formar a identidade artística de um dos compositores mais marcantes da música popular brasileira. A narrativa começa na infância, em Maceió, e destaca a presença de Dona Virgínia, mãe do artista, na formação de sua personalidade. 

O autor também investiga a relação de Djavan com as próprias raízes, a ancestralidade africana e a natureza, elementos que atravessam sua produção musical e ajudam a compreender a maneira particular como ele transforma sentimentos e observações do cotidiano em canções. Um dos momentos decisivos dessa trajetória aconteceu aos 16 anos, quando Djavan descobriu o violão e deixou para trás o desejo de se tornar jogador de futebol profissional. A mudança de rumo o levaria posteriormente ao Rio de Janeiro e ao início de uma carreira que alcançaria projeção nacional e internacional.

Para construir o perfil do músico, Tiago Ramos e Mattos conversou com familiares de Djavan, entre eles um sobrinho, a esposa dele e uma sobrinha-neta. O pesquisador também revisitou espaços ligados à infância do cantor em Maceió, buscando elementos que ajudassem a ampliar a compreensão sobre suas origens e relações afetivas. O livro ainda recupera histórias que despertam a curiosidade dos fãs. Entre elas estão o verdadeiro significado de “Flor de Lis”, a parceria que quase aconteceu entre Djavan e Michael Jackson, além de músicas censuradas durante a ditadura militar e composições inéditas.

Ao acompanhar cinco décadas de criação, o autor apresenta um Djavan atravessado por conquistas, perdas, preconceitos, paixões, relações familiares, posicionamentos políticos e constantes reinvenções. O resultado é um retrato que aproxima o leitor do homem por trás das canções e mostra como experiências pessoais podem se transformar em matéria-prima para a criação artística. Com pesquisa e relatos de pessoas próximas ao cantor, “Djavan - Dizem que o Amor Atrai” amplia o olhar sobre uma trajetória construída entre música, memória e identidade. A publicação também ajuda a entender como um jovem alagoano que sonhava com o futebol encontrou no violão o caminho para construir um dos repertórios mais reconhecidos da MPB. Compre o livro  “Djavan - Dizem que o Amor Atrai”, de Tiago Ramos e Mattos, neste link.

Sobre o autor
Doutor em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Tiago Ramos e Mattos dedica-se ao estudo de narrativas e à trajetória de grandes personalidades brasileiras. Antes de escrever sobre Djavan, publicou “Silvio Santos vem aí: a biografia-reportagem do ‘patrão’”, livro dedicado à história de um dos principais comunicadores do país. Compre os livros de Tiago Ramos e Mattos neste link.

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

.: Renan Oliveira canta a nova edição de “Os pagodes Que a Gente Gosta”


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Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

Em um momento em que o mercado da música redescobre a força dos medleys e da nostalgia como estratégia para conquistar novas gerações, Renan Oliveira segue apostando em um caminho que já virou marca registrada de sua carreira. Depois de a primeira parte do audiovisual “Os Pagodes Que a Gente Gosta – Volume 3”, já ultrapassou de 3 milhões de reproduções nas plataformas digitais em poucas semanas, o cantor lança a segunda etapa do projeto gravado na Quadra da Portela; no Rio de Janeiro,  tendo como destaque o encontro inédito com Thiago Soares.

A parceria acontece no medley “Entre a Cruz e a Espada / Namorada Nota Dez / História Combinada”, escolhido como faixa foco do lançamento. O encontro reúne dois artistas identificados com o pagode romântico em um repertório que atravessa diferentes gerações e reforça a proposta do projeto: revisitar clássicos que permanecem vivos na memória afetiva do público, sem abrir mão de uma interpretação contemporânea.

Gravado diante de cerca de quatro mil pessoas na Quadra da Portela, o audiovisual mostra que existe espaço para um pagode que cresce menos pela lógica dos desafios virais e mais pela conexão emocional com o público. O repertório reúne canções que marcaram os anos 1990 e 2000, período considerado um dos mais férteis da história do gênero, e transforma sucessos conhecidos em medleys que mantêm a energia de uma roda de samba.

A nova etapa também consolida o crescimento do projeto “Os Pagodes Que A Gente Gosta”, que já realizou mais de dez edições, passou por diferentes cidades brasileiras, reuniu públicos superiores a 15 mil pessoas e acumula mais de 64 milhões de reproduções considerando os lançamentos anteriore

"Apaga / Pensa Bem / Nuvem"


sábado, 8 de agosto de 2026

.: Globoplay lança último episódio da série "Meu Nome É Preta"


Capítulo final chega ao streaming neste sábado, dia 8 de agosto, destacando a transparência da artista diante do câncer e seus grandes amores. Foto: divulgação

No dia em que Preta Gil celebraria seu aniversário, neste sábado, 8 de agosto, o Globoplay lança o quarto e último episódio da série "Meu Nome É Preta", produzida pela Conspiração. O capítulo de encerramento da produção coloca o Carnaval como a grande paixão e o fio condutor da vida da artista: desde as memórias das fantasias de infância até a criação do lendário "Bloco da Preta", onde arrastou multidões de apaixonados pelo Rio de Janeiro.

O episódio percorre momentos de grande sensibilidade da vida de Preta Gil, como o fim de seu casamento e o diagnóstico de câncer em 2023. Diante da doença, que interrompeu a folia, a cantora fez questão de transformar o tratamento em um ato público de coragem, fé e transparência, e contou com uma inabalável rede de apoio formada por sua família e amigos inseparáveis. "Talvez por isso que o mais normal que aconteceu foi a gente estar com ela nos últimos três anos de vida dela. Para além de ser uma artista, acho que ela gostaria de ser lembrada pela mulher que ela foi, absolutamente transparente pra todo mundo", reflete Gominho.

A série traz à tona ainda a última paixão vivida por Preta, acompanhada pelo depoimento do cantor Kanalha, que relembra a generosidade e o aprendizado da troca entre os dois: "Tudo foi vivido muito intensamente, a gente curtiu muitos momentos juntos, muita coisa boa. Ela sempre queria me ver prosperando, sempre queria me ver avançando".

Entre as memórias da família e dos amigos mais íntimos, o capítulo conta com depoimentos de amigos como Ivete Sangalo, Carolina Dieckmmann, Regina Casé, Thiaguinho, Gominho, Hugo Gloss, além do filho Francisco Gil, que desabafa sobre a saudade constante da mãe: "Não tenho nem mais como falar o que mais sinto falta. Penso nela o tempo todo, não tem um minuto que não venha ela na minha cabeça. Sinto falta de estar perto dos amigos dela que estavam o tempo todo com ela. Porque estar com minha mãe muitas vezes era isso, era estar na bagunça".

A diretora da série, Mini Kerti, reforça como a superação das dores e a construção dessa teia de amor se tornou o pilar central do documentário: "A Preta tem uma história muito rica de pessoas, de assuntos, de música, de alegrias e de dramas. E aí, depois de tudo isso, uma doença terrível, da qual ela fez questão de falar abertamente, desmistificando a morte. Pra mim, contar a história dela é um grande desafio e uma enorme alegria. Porque é, acima de tudo, uma história de afetos".

Para fechar a série documental, o quarto episódio celebra as homenagens que eternizaram o legado de Preta Gil nos Carnavais do Rio e de Salvador. O cantor Gilberto Gil encerra a obra definindo a essência e a ideologia de vida deixada por sua filha: "Tudo que ela foi, ela foi. Ela foi ela. A gente seguiu, a gente acompanhou, a gente amou, a gente apreciou, a gente admirou, a gente aplaudiu, se emocionou com tudo aquilo. Fica a saudade no sentido mais melancólico da palavra, mas fica também essa alegria que era quase que ideológica dela. Ela era uma ideóloga da alegria".

A série "Meu Nome É Preta" tem direção de Mini Kerti, produção de Carolina Jabor, Luísa Barbosa e Renata Brandão, roteiro de Victor Nascimento e produção associada de Flora Gil. O quarto e último episódio da produção estará disponível para assinantes do Globoplay a partir deste sábado, dia 8 de agosto.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

.: Rodrigo Vellozo idealiza álbum que revisita a obra de Benito Di Paula


Por
Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

Poucos artistas conseguiram construir uma obra tão popular e, ao mesmo tempo, tão singular quanto Benito Di Paula. Entre o samba, a canção romântica, a influência jazzística do piano e uma escrita profundamente brasileira, Benito criou um universo musical próprio que atravessa gerações há mais de sete décadas. Agora, ao completar 85 anos de vida e 55 anos de carreira, sua obra ganha uma nova leitura através de "Benito Di Paula - Rodrigo Vellozo convida Rodrigo Campos, Thiago França e Fumaça", álbum homônimo idealizado por seu filho, o cantor, compositor e pianista Rodrigo Vellozo lançado pela ADA/Companhia de Discos do Brasil.

 Ao lado de Rodrigo Campos, Thiago França e Fumaça - artistas da cena contemporânea brasileira - Rodrigo Vellozo revisita canções marcantes do repertório de Benito sem recorrer à nostalgia. O álbum propõe um diálogo entre tradição e invenção, revelando a força e a modernidade de composições que continuam profundamente conectadas ao presente.

As cinco primeiras faixas de "Benito Di Paula - Rodrigo Vellozo convida Rodrigo Campos, Thiago França e Fumaça" funcionam como um verdadeiro primeiro ato do álbum e estabelecem uma conexão direta com um momento histórico da trajetória de Benito Di Paula. “Maria Baiana Maria”, “Tudo Está no Seu Lugar”, “Do Jeito Que a Vida Quer”, “Tudo Está Mudado” e “Meu Maior Afeto” reproduzem a sequência de abertura do disco lançado por Benito em 1976 pela Copacabana.

 Ao revisitar esse repertório na mesma ordem concebida originalmente, Rodrigo Vellozo e seus parceiros prestam homenagem não apenas às canções, mas também à arquitetura artística de um dos discos mais importantes da carreira do compositor. A escolha reforça o diálogo entre passado e presente que norteia todo o projeto, revelando a permanência e a atualidade de uma obra que segue emocionando e inspirando novas gerações. O disco tem outros momentos interessantes, que mostram a força do trabalho de Benito. Que por sinal merece ser reverenciado como um dos compositores mais singulares de nossa MPB.

"Tudo Está no Seu Lugar"

"Maria Baiana Maria"

"Violão Não Se Empresta a Ninguém"

sexta-feira, 31 de julho de 2026

.: O Baú da Hora Fértil": documentário inédito desvenda história dos Tribalistas


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Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

O documentário inédito "Tribalistas - O Baú da Hora Fértil", dirigido por Dora Jobim, faz pré-estreia para convidados no 4º Curta! Festival, dia 3 de agosto.  O longa mergulha na história do grupo formado por Marisa Monte, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes, revelando bastidores dos álbuns homônimos e do processo criativo do trio.


A obra, viabilizada em parceria com o Curta!, chegará ao canal com exclusividade no primeiro semestre de 27. Antes, no entanto, participa de festivais nacionais e internacionais. A produção é da Phonomotor, Kappamakki e Estúdio Morro Dois Irmãos.


Além da pré-estreia, o 4º Curta! Festival realiza na terça, 4, e quarta, 5, atividades presenciais gratuitas abertas ao público com retirada de senhas no Sympla neste link. Serão realizadas masterclasses com o cineasta Jorge Furtado e com o pesquisador de imagens Antônio Venâncio; sessões ‘Sala de Montagem’, com exibição de trechos exclusivos e bate-papo com profissionais das equipes dos longas “Dos à Deux”, de Roberto Bomtempo, “Aqueles Olhos de Carvão Acesso”, de Isabella Poppe, e “Gonzaguinha, da Maior Liberdade”, de Susanna Lira; além de um debate sobre “As Novas Fronteiras da Pós-Produção” reúne os profissionais Marcelo Pedrazzi e Thiago Anjos.


As atividades marcam a última etapa do evento, iniciado com exibição e votação de cerca de 170 produções de ficção e documental, entre filmes e episódios de séries. Os vencedores serão conhecidos na sexta, 7, em evento com transmissão ao vivo pelo youtube do canal: https://www.youtube.com/@canalcurta/streams.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

.: Ivan Lins lança álbum dedicado ao samba com grandes parcerias


"Sambadouro" traz composições da carreira do músico carioca com arranjos tradicionais do samba, além de uma faixa inédita. Na imagem, capa do álbum. Projeto gráfico: Alexandre Amaral

"Sambadouro", novo álbum de Ivan Lins lançado pelo Selo Sesc, retoma as raízes de um dos maiores nomes da música brasileira, trazendo composições consagradas do músico, além de canções menos conhecidas do público, com arranjos tradicionais de samba. O álbum chega às principais plataformas de áudio em 24/7, sexta-feira. Além da versão digital, o álbum chega também em versão física nas Lojas Sesc. O Sesc Pinheiros recebe os shows de lançamento do disco nos dias 29 e 30 de agosto.

Uma das preciosidades de Sambadouro são as participações de peso do álbum: Zeca Pagodinho, Xande de Pilares, Mart’nália, Péricles, Ferrugem e Diogo Nogueira nas vozes, Carlinhos 7 Cordas, Paulão 7 Cordas e Rafael dos Anjos nos arranjos, além de Hamilton de Holanda no bandolim. “Quando eu decido fazer um disco só de samba, estou realizando um sonho que eu sempre carreguei durante muitos anos. Tô quase morrendo do coração aqui porque eu tô ouvindo a minha música de uma maneira que eu, pessoalmente, não me sentiria capaz de fazer exatamente dessa forma”, declara Ivan.

"Sambadouro" surge como um álbum que preza pela criação coletiva e realiza o sonho de Ivan de prestar uma homenagem ao samba, reafirmando o amor pela música de um dos grandes mestres da Música Popular Brasileira, que completou 80 anos em 2025. “O samba sempre conviveu comigo, e ele foi entrando devagar porque eu já vinha com outras influências. Eu sempre gostei muito de tudo quanto é tipo de música. Isso é um dom que eu recebi. E o samba cada vez foi se incorporando mais. Foi me levando a esse amor pelas nossas raízes, pelo meu próprio país. O samba me ajudou a amar mais o meu país”.
 
"Sambadouro" abre com "Nosso Samba Já É Um País", canção de 2014 presente no álbum "América, Brasil". "Diplomação", canção de 2001 de "Basta Um Tambor Bater" traz Zeca Pagodinho em parceria com Ivan, seguida de "Prece ao Samba", de 2006. Xande de Pilares empresta sua voz a "Saravá, Saravá", canção de 2004 comporta em parceria com Martinho da Vila. Em "É de Deus", de 1995, do disco "Anjo de Mim", precede "Porta Entreaberta", de "Cantando Histórias", lançado em 2004 e que em "Sambadouro" Ivan vem acompanhado de Diogo Nogueira. Ambas de 1974, presentes em "Modo Livre", o disco segue com "Não Tem Perdão" e "Deixa Eu Dizer", esta com participação de Ferrugem. Entre elas, homônima ao álbum, "Sambadouro", de 1993, presente em "Coisas de Brasil". Ivan Lins e Hamilton de Holanda trazem "Parei Contigo", novamente de "Contando Histórias", seguida da parceira com Mart'nália com "Sou Eu", canção de 1990 de "A Doce Presença de Ivan Lins". Fechando o disco, Ivan Lins entoa "Maravilhado", faixa inédita que condiz com a sensação da realização do disco.
 
“O samba significa, para mim, uma identidade. Inclusive uma identidade citadina. É uma identidade urbana no Brasil. Desde que eu me senti capaz de entender e compreender música, eu escuto samba”, completa Ivan. A capa do álbum foi inspirada na única foto da casa de Tia Ciata, local que teve papel central para o samba enquanto gênero e na sua relação com o carnaval e que foi frequentado por figuras como João da Baiana, Pixinguinha, Hilário Jovino e Sinhô, hoje demolido. A foto pertence ao Arquivo Geral do Rio de Janeiro.
 
Reconhecido internacionalmente, Ivan Lins construiu uma carreira que atravessa mais de cinco décadas, com mais de 20 álbuns autorais, e canções suas gravadas por importantes nomes da música nacional e internacional como Elis Regina, Gonzaguinha, Sting e Barbara Streisand. Vencedor por cinco vezes do Grammy Latino, o artista recebeu o último deles em 2025 com o Prêmio à Excelência Musical, um reconhecimento à sua produção e à sua relevância na música, que é corroborada agora com Sambadouro.
 

Faixas 

1 – "Nosso Samba Já É Um País" (Ivan Lins e Vitor Martins)
2 – "Diplomação" (Ivan Lins e Celso Viáfora) part. Zeca Pagodinho 
3 – "Prece ao Samba" (Ivan Lins e Nei Lopes)
4 – "Saravá, Saravá" (Ivan Lins e Martinho da Vila) part. Xande de Pilares 
5 – "É de Deus" (Ivan Lins e Vitor Martins)
6 – "Porta Entreaberta" (Ivan Lins e Paulo Cesar Pinheiro) part. Diogo Nogueira 
7 – "Não Tem Perdão" (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza) part. Péricles 
8 – "Sambadouro" (Ivan Lins e Vitor Martins)
9 – "Deixa Eu Dizer" (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza) part. Ferrugem 
10 – "Parei Contigo" (Ivan Lins e Paulo Cesar Pinheiro) part. Hamilton de Holanda 
11 – "Sou Eu" (Ivan Lins e Chico Buarque) part. Mart’nália 
12 – "Maravilhado" (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza)

.: Clássico, “Coisas”, de Moacir Santos, é relançado no mês do centenário


Um dos maiores músicos do Brasil, Moacir Santos teria completado 100 anos dia 26 de julho, mesmo mês que a Polysom repõe em estoque o clássico absoluto, “Coisas” (1965). Primeiro álbum do compositor, maestro e professor pernambucano, “Coisas” apresentava a inovadora música de Santos, que trazia elementos do jazz, ritmos afrobrasileiros e música erudita.

Cultuado tanto no Brasil como no exterior, “Coisas” foi considerado um dos 100 maiores discos de jazz pelo crítico americano Ben Ratliff no livro “The New York Times Essential Library: Jazz: A Critic's Guide to the 100 Most Important Recordings”. A edição de “Coisas” em LP, pela Polysom, foi lançada em 2013 dentro da coleção “Clássicos em Vinil” e continua em catálogo até hoje, tendo sempre alta procura.

.: "Memórias Póstumas", novo álbum de Jão, mostra evolução e profundidade


Por Pedro Só, jornalista e crítico musical. Foto: Hugo Comte

"Memórias Póstumas", novo álbum de Jão, mostra evolução e profundidade de um ídolo pop de primeiro time. Este quinto álbum é um disco de expansão e avanço. Um grande passo, um salto, um grand jeté de um artista cada vez mais original. Perto de celebrar dez anos de sua estreia fonográfica (com o single “Dança Pra Mim”, que remonta a novembro de 2016), Jão chega ao quinto álbum de estúdio com assinatura própria e graciosa caligrafia lapidada, sem pedir licença a ninguém no mais alto patamar do que pode se chamar de pop adulto brasileiro.

“Memórias Póstumas” é pop com transcendência e transitoriedade, feito pelas regras da arte, território onde o confessional pode brincar de esconde-esconde com o eu lírico, deslocando pontos de vista, confundindo e, claro, encantando. Foi composto e inspirado num período de interrupção dos shows e recolhimento da vida digital de Jão, marcado pela perda de seu pai — que está presente na primeira faixa, “Catedral” (que reflete sobre a morte a partir de sua partida) e em outros pontos do disco. “É algo que ainda não processei e acho difícil que aconteça, porque meu pai ainda é muito presente. E as pessoas sempre têm receio de falar sobre ele comigo, mas elas não sabem que eu adoro falar sobre ele, mantê-lo vivo.”

Esgotados os quatro elementos (terra, ar, água e fogo) associadas conceitualmente aos álbuns passados, o novo trabalho é, como o próprio Jão define, “uma história com começo, mas sem fim”. Mais complexa, mais aberta a interpretações. O artista mudou as faixas até o último segundo antes da entrega. “Memórias Póstumas” não foi escrito de maneira linear. “Eu fiz as pazes com isso. São vários caquinhos, sentimentos que você ainda não sabe o nome e um monte de vômitos de palavras que você vai remontando e que, quando você se afasta, revelam a figura toda. A ordem deste disco está pautada em não achar uma solução para a maior pergunta dele”, comenta.

Ao apresentar a lista de faixas do álbum nas redes sociais, ele as definiu como “músicas sobre a vida, nem sempre como ela é”.  O título remete a “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, clássico de Machado de Assis (1839-1908) —- a famosa dedicatória do romance, “ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver”, aparece elipticamente nos versos da última faixa, a gótico-romântica - no sentido literário e no temático também - “Memórias Póstumas” (“tente não ser o primeiro a roer as frias carnes do meu corpo passageiro”).

“Neste disco, a vida e a literatura são a mesma coisa. Quando comecei a escrever, eu precisava usar as palavras para dar novos significados às coisas”, diz Jão. Ele cita “Memórias Crônicas e Declarações de Amor”, de Marisa Monte, “MTV Acústico”, do Kid Abelha, e “Ray of Light”, de Madonna, entre as inspirações musicais desse período de composições ultrafértil, apesar de ser o que ele cita como “o mais sem método” entre todos os seus discos.

“Tudo começou com frases e pela forma como eu estava quase vomitando elas, blocos e blocos de notas, com frases soltas como ‘já construí todos os cenários, e se não for com você?’ (em ‘O Arquiteto’). Algumas muito boas e outras péssimas. Foi um fluxo muito grande de pensamentos, que em outros discos, eu teria me censurado e pensado no que seria ‘perfeito’.  Mas combinamos que neste álbum seria diferente, escreveríamos o quanto quiséssemos, e quando estivéssemos mais centrados, iríamos editar e polir com muita delicadeza. Na nossa última conta, foram 68 músicas, que viraram 14”.

Jão é autor de 13 das 14 canções do álbum, oito em parceria com Pedro Tófani, seu namorado e diretor criativo de seus shows. Pedro escreveu sozinho a belíssima “João”, com um texto sobre casal em idas e vindas, contemplando separação, que remete a mestres da cartografia sentimental popular brasileira (Roberto e Erasmo Carlos, Altay Veloso). “Contar pras famílias e descartar os nomes que pensamos para os nossos filhos: Maria, Francisco e o seu, que é o meu favorito”, canta Jão.

Ele assina a produção de todas as faixas, dividindo a maioria delas com Zebu, o produtor e músico paulista Guilherme Santos Pereira, com quem trabalha direto desde “Pirata”, e duas (“Catedral” e “Eu Sempre Volto”) com Janluska e Gabriel Duarte, responsáveis por trabalhos de Marina Sena e Anavitória. “Eu e Zebu gostamos muito de esmiuçar as coisas, procurar aquele timbre que ninguém vai prestar atenção, mas que é o nosso favorito. Ele já se acostumou com a dinâmica que temos, eu e Pedro (Tófani) compondo juntos, que é confusa, então é sempre muito confortável estar com ele”, comenta Jão. O time mais presente no estúdio ganhou uma nova adição, Érica Silva, tocando baixo e violão em várias faixas (também autora do arranjo de cordas de “Eu Sempre Volto”). “Eu sempre fico muito nervoso pra trabalhar com pessoas que não conheço, porque sou um pouco específico e acho que bastante irritante também. Mas fiquei surpreso com a genialidade musical dela, às vezes eu queria que ela ficasse tocando os dois mil instrumentos que ela sabe tocar”, elogia Jão.

Um destaque nos arranjos é a presença de flautas, tocadas por Audryn Souza, trazendo delicadeza e um toque barroco diferenciado a momentos diversos. Jão explica: “Este é um álbum muito cotidiano, de ver a beleza nos detalhes do dia a dia, e eu queria um instrumento que fosse muito singelo e brasileiro para representar isso. A flauta está no disco quase como uma mensageira, em ‘Por Você’, ‘Aurora’, ‘Literatura’”.

A religiosidade está presente não só nas letras, mas também em referências musicais do álbum. “Eu sempre fui uma pessoa muito espiritual, desde criança. E apesar de ter estudado a vida toda em uma escola franciscana e ter crescido com esses símbolos católicos, já passeei por muitas religiões. Não sei em busca de quê, sinceramente. Mas tem algo dentro de mim que tem fome pelo inexplicado, pelo oculto… e esses símbolos são marcados quase como uma programação dentro de uma criança do interior de São Paulo. A austeridade das figuras cristãs, da culpa, da obediência. Tudo isso tem muito a ver com uma relação pai e filho. E acho que a música foi a coisa que mais se aproximou desse sentimento que eu busco tanto”.

Jão também usou áudios dos pais e amigos, registrados no fim da última turnê. “Eu queria guardar isso em música. Pra que meus filhos entendam, conheçam a voz dele. E como a gente se fala de forma quase musical, foi bem natural encaixar isso nas músicas”. Na épica “O Amor”, Jão e Zebu dividem os créditos com o veterano Marco Mazzola, produtor de clássicos da MPB, de Raul Seixas e Rita Lee, que agregou à ficha técnica o legendário Rick Ferreira, fiel escudeiro de Raul Seixas, no violão de cordas de aço, e o baixista Paulo César Barros, fundador de Renato & Seus Blue Caps, mais de seis décadas de serviços prestados à música brasileira. 

“Quando eu, Zebu e Pedro convidamos o Mazzola, era justamente pela admiração de toda a carreira dele e como os músicos que rondam o seu ecossistema são fodas. Fico muito honrado por eles terem feito parte deste disco.” O arranjo épico tem espaço ainda para o brilho do coral de vozes e a seção de metais, com destaque para Diogo Mandu Duarte no trompete e no flugelhorn, emoldurando versos marcantes como “eu acho horrível e bonito que o amor não escolhe pra onde vai”.

“Memórias Póstumas” é o primeiro álbum que há mais de uma faixa escrita e produzida exclusivamente por Jão. Também é o primeiro álbum em que há uma faixa, “João”, onde ele não assina a letra — mas produz e toca todas as “teclas”. Confortável ocupando esse lugar, ele lamenta por demorar muito no processo. “É algo que eu gostaria de ter mais tempo para explorar. Adoro ser o dono das minhas coisas, sempre quero comemorar e sofrer por decisões que foram minhas, e não de outras pessoas. E esta faixa só existe porque foi feita pelo Pedro, que é a pessoa que divide a vida comigo, então meu ego deixou acontecer”.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

.: Deep Purple segue no hard rock setentista com o lançamento de "Splat!"


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

A  banda britânica Deep Purple está com material novo na praça. Na contramão da tendência atual do mercado fonográfico,  o veterano grupo apresenta 13 cançoes inéditas no formato de um álbum convencional. E se mantém fiel a sonoridade baseada no hard rock da década de 70. 
Da formação considerada clássica, há três integrantes: Ian Gillan (vocal), Roger Glover (baixo) e Ian Paice  (bateria). Complementam a formação Don Airey (teckados) e Simon McBride. Formação essa, aliás, que mostra um entrosamento incrível nesse novo disco intitulado "Splat!".

O grande acerto nesse álbum foi investir  em um material mais básico, com canções mais curtas e diretas e sempre baseadas no rock dos anos 70. Os riffs de guitarra são marcantes e se por um lado o vocal de Ian Gillan já não consegue alcançar  os antigos agudos, ele se moatra perfeitamente adaptado a sonoridade atual. Há também os tradicionais duelos de solos da guitarra com o órgão Hammond. Don Airey e Simon McBride  são excelentes músicos e conseguem entregar aquilo que o ouvinte fã de hard rock  gosta de ouvir. Nem preciso falar das performances de Ian Paice e Toger Glover, ambos mestres em seus respectivos instrumentos.

Há uma parcela dos críticos na imprensa que defende a aposentadoria da banda. Entretanto, se essa mesma parcela ouvir com atenção esse "Splat!" terá a oportunidade de mudar de opinião. Deixem os veteranos seguirem-na trilha do hard rock enquanto eles se sentirem motivados. Os fãs do grupo agradecerão.


Deep Purple - "Diablo"

Deep Purple - "Guilti Trppin"

Deep Purple - 
"Arrogant Boy"

quinta-feira, 23 de julho de 2026

.: "Sentimento Louco": Marília Mendonça ganha primeira exposição sensorial


"Marília Mendonça - Sentimento Louco" convida o público a viver uma experiência imersiva inédita sobre a vida, a obra e o legado da artista a partir do dia 9 de outubro. Vendas de ingressos abrem nesta quinta-feira, dia 23 de julho. Mostra conta com patrocínio de Amazon Music e Amazon Prime, que lançam, no dia 16, um documentário homônimo sobre a vida e obra da cantora sertaneja. Na imagem, o projeto 3D da sala da exposição intitulada "Infiel – Closet", voltada à identidade visual da cantora


A voz que transformou a música sertaneja e marcou uma geração ganha agora uma homenagem à altura de seu legado. Hoje, 22 de julho, dia em que Marília Mendonça completaria 31 anos de idade, o MIS - Museu da Imagem e do Som de São Paulo anuncia, para o dia 9 de outubro, a exposição “Marília Mendonça - Sentimento Louco”, a primeira grande mostra dedicada à trajetória da artista. Realizada em parceria com a Axon Content, a exposição conta com patrocínio de Amazon Music e Amazon Prime, que lançam, no dia 16, um documentário de mesmo nome sobre a vida e obra da cantora sertaneja.

Os ingressos começam a ser vendidos nesta quinta-feira, dia 23 de julho, e podem ser adquiridos pela plataforma Megapass e na bilheteria física do MIS.. A exposição biográfica propõe uma experiência sensorial e imersiva que convida o público a revisitar a história de Marília Mendonça por meio de ambientes inspirados em suas músicas, objetos pessoais, figurinos, registros inéditos, instalações audiovisuais e experiências interativas. Em aproximadamente 1.000 m², distribuídos pelos dois andares do MIS, os visitantes poderão mergulhar na trajetória de uma das artistas mais importantes da música brasileira contemporânea.

 Conhecida como a "Rainha da Sofrência", Marília Mendonça revolucionou o sertanejo ao dar protagonismo às mulheres e transformar experiências cotidianas em canções que atravessaram gerações. Sua autenticidade como compositora e intérprete fez com que milhões de pessoas encontrassem em suas letras um espaço de identificação, acolhimento e memória afetiva. Mesmo após sua morte, em 2021, aos 26 anos, sua presença continua viva na cultura brasileira. Com mais de 10 bilhões de reproduções no Spotify, dois Grammy Latino e uma das carreiras mais marcantes da música nacional, Marília consolidou um legado que ultrapassa os números e permanece presente na vida de fãs em todo o país.

 A exposição acompanha diferentes momentos de sua trajetória, desde a infância e os primeiros passos como compositora até a consagração nos palcos, mostrando também os bastidores da carreira, seu processo criativo e a relação construída com milhões de admiradores. Cada espaço da mostra foi concebido a partir de títulos de músicas que marcaram sua carreira. 

Entre os ambientes estão Skyline Marília, instalação que dá início à experiência; "Eu Sei de Cor - Ouro de Mina", dedicado às origens da artista; "A Flor e o Beija-Flor - Quintal da Criação", que revela seu processo criativo; "Esqueça-me Se For Capaz - Quarto", ambiente intimista com memórias pessoais; "Infiel - Closet", voltado à sua identidade visual; "Camarim", que apresenta os bastidores da carreira; "Sentimento Louco - Sala 360º", experiência audiovisual imersiva; "Alô Porteiro - Primeiro DVD", dedicado aos primeiros grandes marcos de sua trajetória; "Show", que recria a energia de suas apresentações ao vivo; "Minha Herança - Universo das Palavras", sobre suas composições; "Fã Clube", homenagem ao vínculo construído com seu público; e "Todos os Cantos", espaço dedicado ao projeto que percorreu o Brasil levando sua música a diferentes cidades.

“Marília Mendonça – Sentimento Louco” celebra uma mulher que transformou sentimentos individuais em experiências coletivas, deu voz a milhões de brasileiros e deixou um legado que continua ecoando através de sua música. A mostra também contará com uma loja oficial, reunindo produtos exclusivos inspirados na trajetória da cantora. Realizada pelo MIS em parceria com a Axon Content, a exposição une pesquisa, narrativa, tecnologia e audiovisual para transformar a visita em uma experiência de emoção e memória. O projeto conta com patrocínio de Amazon Music e Amazon Prime.


Sobre o documentário “Marília Mendonça - Sentimento Louco”
A série documental Original Prime retrata a trajetória de vida e a carreira meteórica de uma das maiores vozes do sertanejo brasileiro e a artista feminina mais ouvida do país. O projeto revisita os passos de uma cantora que marcou uma geração e transformou, para sempre, o cenário da música nacional. Natural de Cristianópolis, Goiás, Marília Mendonça se consagrou como uma das principais representantes do sertanejo, abrindo caminho para outras mulheres no gênero com suas composições marcantes e presença autêntica.

Com acesso exclusivo a arquivos pessoais e depoimentos de amigos, familiares e parceiros de estrada, a produção revela os bastidores de uma carreira construída com verdade, talento e emoção. Marília conquistou uma legião de fãs com seu carisma e seu amor incondicional pela música. Mesmo após sua partida precoce, sua voz segue ecoando por todo o Brasil, reafirmando sua força, sensibilidade e o legado eterno da Rainha da Sofrência. A série é produzida pela Chatrone e Kromaki, e dirigida por Susanna Lira. Valentina Castello Branco, Gabriela Altaf e Fabiana Assis integram o time de roteiristas.

 
Serviço | Exposição “Marília Mendonça - Sentimento Louco”
Período: 9 de outubro de 2026 a 29 de novembro de 2026
Local: Museu da Imagem e do Som (MIS)
Avenida Europa, 158, Jardim Europa – São Paulo
Ingressos: R$ 50,00 (inteira) e R$ 25,00 (meia-entrada), vendidos pela plataforma Megapass e na bilheteria física do MIS
Horários: terças a sextas, das 10h00 às 19h00. Sábados, das 10h00 às 20h00. Domingos e feriados, das 10h00 às 18h00. Permanência até uma hora após o último horário.
A exposição é uma realização Museu da Imagem e do Som, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas de São Paulo, e Axon Content, com patrocínio de Amazon Music e Amazon Prime.
O MIS tem patrocínio institucional da Livelo, Vivo, Goldman Sachs, Ituran e Goodstorage e apoio institucional das empresas Delboni, EAÍ?! Marketing, Unisys, Volkswagen Caminhões e Ônibus, Unipar, Campari, Colégio Albert Sabin, PWC, Telium, Kaspersky, Gabriel e Play Audiovisual, por por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, ProAC e Promac.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

.: “Preta Gil nunca teve medo”, destaca Mini Kerti em "Meu Nome É Preta"


Produzida pela Conspiração, série de quatro episódios se aprofunda em momentos íntimos da trajetória da artista, com depoimentos inéditos de familiares e amigos. Imagem: divulgação


Conhecida pela irreverência, amor escancarado pelos amigos e a coragem de viver sem filtros, a cantora Preta Gil fez da vida uma celebração de afeto e liberdade. Um ano após o falecimento dela, o público poderá revisitar sua trajetória a partir desta segunda-feira, dia 20 de julho, com a estreia da série "Meu Nome É Preta", original do Globoplay. Dividida em quatro episódios, a produção reconstrói a história da artista a partir do olhar daqueles que compartilharam sua vida, compondo um mosaico afetivo sobre seu legado. Produzida pela Conspiração e dirigida por Mini Kerti, a obra terá o primeiro episódio disponível e aberto para todo o público, incluindo não assinantes do streaming

Para dar forma a essa narrativa, a produção resgata registros históricos e familiares raros, incluindo filmes inéditos em Super 8 de sua infância na Bahia, a vivência de Gilberto Gil e Sandra Gadelha, e imagens comoventes do seu irmão Pedro Gil, falecido em 1990. Em contraste com essa atmosfera íntima, os arquivos de mídia dos anos 2000 relembram os embates públicos enfrentados pela cantora, evidenciando seu pioneirismo ao pautar discussões sobre corpo, orientação sexual e diversidade quando esses temas ainda eram tabus. “Fizemos um recorte que narra sua vida a partir dos acontecimentos marcantes que mudaram seu rumo: a morte do irmão mais velho ainda na adolescência, o primeiro disco em que posou nua na capa, a criação da Noite Preta, depois o Bloco da Preta”, descreve a diretora Mini Kerti. 

Com depoimentos inéditos que se transformam em verdadeiras cartas de amor, a obra conta com a participação especial de amigos, como Carolina Dieckmmann, Regina Casé, Duh Marinho, Gominho, Ivete Sangalo, Hugo Gloss, Alice Carvalho e Ana Carolina, bem como de familiares, entre eles, Gilberto Gil, Sandra Gadelha, Fran Gil, Flora Gil, Bela Gil, Otávio Muller e Davi Moraes, que revelam momentos importantes da jornada de Preta. A presença marcante da artista se reflete na própria estrutura da série, que coloca Preta Gil como narradora de sua história, num “diálogo” com os amigos e parentes, guiando o público por meio de um extenso trabalho de pesquisa que recupera entrevistas concedidas por ela ao longo de toda a vida. O vasto material de arquivo aborda desde o seu nascimento, passando pela maternidade, sua atuação pioneira como empresária, até sua forte ligação com o Carnaval.

 Segundo a diretora Mini Kerti, a produção evidencia a personalidade monumental de Preta, mas sem perder a sensibilidade dos bastidores. “A série mostra que Preta Gil nunca teve medo de revelar a sua essência para o mundo. Ela se conectava de forma generosa com as pessoas e se expunha impiedosamente. Ela não criava pautas, ela era a própria pauta”, pontua.

 A produtora Luísa Barbosa complementa: “O que mais surpreende ao mergulhar na história de Preta Gil é a coerência radical entre a pessoa pública e a privada. Fica claro que aquela personalidade expansiva, generosa e sem filtros que o público via era exatamente quem ela era na intimidade. Contar sua história é reconhecer a força de quem escolheu viver com autenticidade, mesmo sob julgamento constante, e evidenciar o impacto real que isso teve na cultura e no imaginário coletivo”.

A preservação dessa memória e legado estende-se para além do streaming, integrando o projeto "Quanto Mais Preta Melhor" uma homenagem da Globo à trajetória e à força da artista. No dia 20 de julho, mesma data de estreia da série do Globoplay, a TV Globo exibe o filme documental "Preta - Eu Não Ando Só". O projeto nasceu de um pedido da própria Preta Gil e é focado em sua luta contra o câncer, construído com imagens de celular gravadas por ela mesma e por sua rede de apoio durante o tratamento. O filme tem direção artística de Monica Almeida, direção de Sandra Kogut, roteiro de Renato Terra, produção executiva de Fernanda Neves e produção de Elaine Sá. 

No Globoplay, os episódios de "Meu Nome É Preta" terão publicação semanal, chegando ao streaming às segundas-feiras. O quarto e último episódio será lançado em uma data especial: no sábado, dia 8 de agosto, celebrando a efeméride de aniversário de Preta Gil. A série Original tem direção de Mini Kerti, produção de Carolina Jabor, Luísa Barbosa e Renata Brandão, roteiro de Victor Nascimento e produção associada de Flora Gil. O primeiro episódio estará disponível também para não assinantes. Confira a entrevista com a diretora Mini Kerti e com a produtora Luísa Barbosa.

 
Que significado tem, para você, contar a história de uma mulher como a Preta Gil?
Mini Kerti -
Eu chorei vários dias, nas filmagens e na ilha de edição. Preta foi muito ela mesma, sob milhares de holofotes e, muitas vezes, incompreendida, o que não é nada simples. Mas mesmo assim foi construindo uma rede enorme de afetos. Pra mim, contar a história dela é um grande desafio e uma enorme alegria. 

 
Como a trilha sonora foi pensada para dialogar com a história de Preta?
Luísa Barbosa -
A trilha sonora segue esse retrato íntimo e histórico, começando nas referências formativas de Preta, como os Doces Bárbaros e o rock anos 80 da sua prima Marina Lima, até chegar na própria carreira de Preta, marcada pela mistura de gêneros como axé, funk, MPB e pop. 

 
O que mais surpreendeu ao mergulhar na história da Preta durante o processo da série?
Mini Kerti -
A liberdade. Preta era livre e profundamente fiel a si mesma, sem medidas.

 
Quais critérios orientaram a escolha dos amigos e pessoas próximas que aparecem na série?
Luísa Barbosa -
Adotamos dois critérios centrais: reunir pessoas que ajudassem a cobrir diferentes momentos da linha do tempo de sua vida e, ao mesmo tempo, que representassem as muitas facetas que ela assumiu: filha, irmã, mãe, avó, amiga, empreendedora, influenciadora, ativista e cantora. 

 
Preta Gil sempre foi uma voz ativa em diferentes temas da atualidade. Como esses pilares foram abordados na narrativa da série?
Mini Kerti -
Esses temas diversos aparecem por meio da própria história de vida da Preta, com suas palavras, atitudes e pensamentos. De maneira clara, pessoal e íntima.

 
Que novas perspectivas a obra traz sobre sua história e legado?
Luísa Barbosa -
Ao colocar a própria Preta como narradora de sua história, a série revela suas contradições, fragilidades e afetos, oferecendo um retrato muito mais humano, profundo e complexo de sua biografia.

sexta-feira, 17 de julho de 2026

.: "Foreign Tongues": Rolling Stones desafiam o tempo em novo álbum


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

A cada novo álbum dos Rolling Stones, o público acaba se surpreendendo de forma positiva. Os seus veteranos integrantes recusam solenemente uma eventual aposentadoria e seguem produzindo ótimas canções que mesclam as suas principais influências musicais, entre elas o blues e a música folk americana, além dos pioneiros do rock como Chuck Berry.

Em "Foreign Tongues", que acaba de ser lançado em formato físico e nas plataformas digitais, a fórmula se repete e da muito certo. A exemplo do que ocorreu no disco anterior,  o produtor Andrew Watt manteve intacta a formula dos Stones, sem se preocupar em soar mais contemporâneo. Mick Jagger (vocal ) e Keith Richards (guitarra e backing vocals) assinam a maior parte da autoria das canções, enquanto Ron Wood cumpre seu papel no grupo nos solos e guitarra base.

O disco abre com "Rough And Twisted", um blues rock bem ao estilo dos Stones. E segue  com  a animada  "In The Stars" que tem um forte apelo radiofônico nos riffs e no refrão. Nessas duas faixas o vocal de Jagger esta limpo e impecável,  assim como em todas as demais.Steve Jordan (batéria) e Daryl Jones (baixo) complrmentam a banda. Na faixa "Covered In You" o ex-beatle Paul McCartney participa tocando baixo,  enquanto Steve Winwood participa de várias faixas  tocando teclados. E a banda gravou  um cover de "You Know I'm No Good", de Amy Winehouse, que ficou acima da média. Os Stones não são highlanders do rock. Mas é fato que eles seguem desafiando o tempo. Pelo menos enquanto se sentirem capazes de dar conta do recado. 

"Tough and Twisted"

"In The Stars"

sexta-feira, 10 de julho de 2026

.: Crítica musical: Alceu Valença, 80 anos de genialidade musical


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

Um dos nomes mais importantes da nossa MPB, o pernambucano Alceu Valença completou 80 anos mantendo a mesma disposição para produzir verdadeiras pérolas musicais com aquele tempero nordestino inconfundível e irresistível.

Alceu é um talento multifacetado. Além da música teve passagens marcantes no cinema e até na literatura com um livro de poesias, Mas foi na música que ele se tornou conhecido, mesclando as influências  musicais de Luiz Gonzaga e de Jackson do Pandeiro com outras que ele ouvia nas rádios.

Seu primeiro disco foi gravado em parceria com o igualmente genial Geraldo Azevedo em 1973. No ano seguinte lança o disco Molhado de Suor, frequentemente apontado como um de seus melhores trabalhos. E desde então não parou mais.

Basta um breve olhar em sua discografia para perceber a riqueza de sua obra. Álbuns como o "Espelho Cristalino" (1975), "Coração Bobo" (1980), "Cavalo de Pau" (1982). "Anjo Avesso" (1983) e "Mágico" (1985), só pra citar alguns exemplos, reúnem uma coleção de canções antológicas, algumas até se tornaram hits nas rádios, como a irresistível Tropicana.

A genialidade de Alceu se explica pelo fato de ele se manter autèntico, sem se render para concessões comerciais impostas pelas grandes gravadoras. E essa postura só comprovou que sua obra sempre teve o apelo popular. Basta ver seus shows sempre com grande presença de público.

Para nossa felicidade, Alceu segue em pela atividade comemorando merecidamente os seus 80 anos. E tomo emprestado os versos da canção Sete Desejos: E agora penso que a estrada/Da vida, tem ida e volta/Ninguém foge do destino/Esse trem que nos transporta.

"Estação da Luz"

"Sete Desejos"

"Coração Bobo"

.: “Tomo Controle Contigo”, novidade: Suzy McCalley lança novo single


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

A cantora brasileiro-americana Suzy McCalley está lançando um novo single. Bebendo na fonte das músicas brasileira e americana, Suzy está lançando a música “Tomo Controle Contigo”, pela Ada Brasil Music em todas as plataformas musicais. “A inspiração para essa música é o posicionamento da mulher no momento do flerte, da atração. Ela está entrando num clube, há aquele momento de tensão sexual, e no final é a mulher que escolhe o parceiro”, conta Suzy.

O single faz parte de um projeto chamado “Amor e Atitude”, que terá outras músicas lançadas ao longo do ano. No caso de “Tomo Controle Contigo”, a vocação de Suzy para extrapolar fronteiras aparece também numa batida meio caribenha, fruto da troca de experiências com o produtor Carlos Yael, vencedor de cinco Grammys.

Suzy nasceu no Brasil, filha de mãe brasileira e pai americano, ambos músicos. Mudou-se para os Estados Unidos aos 9 anos e mora lá até hoje, mas está sempre no Brasil e nos últimos três anos intensificou sua imersão musical, visitando Minas Gerais e o Nordeste, sempre em busca de novas influências e conhecimentos.  

Nos Estados Unidos, Suzy tornou-se uma espécie de embaixadora da cultura brasileira. Além de se apresentar com sua banda, realiza eventos que incluem, além de música, dança e gastronomia brasileiras. “É incrível compartilhar a cultura brasileira. Principalmente onde moro agora, na Carolina do Norte, onde as pessoas normalmente só conhecem “Garota de Ipanema” e uma ou outra música brasileira”,  concluiu.

"Tomo Contro Contigo"

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