quinta-feira, 14 de maio de 2026

.: Com direção de Isabel Teixeira, Cia. Mungunzá apresenta "Elã" na Funarte


Por conta da demolição sem comunicado prévio do Teatro de Contêiner, o Complexo Cultural Funarte acolheu os espetáculos que o grupo faria em sua sede nesta mesma época. Foto: Roberto Setton


Depois de ter sido despejada de seu Teatro de Contêiner em janeiro de 2026, a Cia. Mungunzá trabalha para reconstruir o espaço cultural em um terreno cedido pela Prefeitura de São Paulo. Durante esse processo, o Complexo Cultural Funarte acolhe ações que já estavam contratadas para acontecer. Dentro da programação de maio estão apresentações gratuitas de "Elã", em cartaz até  24 de maio, na sexta às 19h30, sábados e domingos, às 16h00 (sessão extra acontece na quinta-feira, dia 21 de maio, às 19h30).

Em retrospectiva a esse difícil processo de mudança, Léo Akio e Marcos Felipe, artistas do grupo, comentam: “2025 foi um ano caótico. De um lado, enfrentamos pressão e violência para a saída do Teatro de Contêiner; de outro, celebramos a criação e a estreia de um novo espetáculo. Encerramos o ano esgotados, mas íntegros: nosso novo trabalho foi um sucesso e fizemos de tudo para que a mudança do Teatro de Contêiner acontecesse de forma digna e justa, respeitando nossos compromisso, nossa história e reafirmando um projeto de cidade mais humana e inclusiva”

Ainda sobre a nova sede, Léo acrescenta: “Estamos buscando diálogo e uma posição formal da Prefeitura sobre o terreno ofertado na Rua Helvetia 807, mas ainda sem sucesso”. Marcos completa: “Não temos a opção de parar. Até que a transferência do Teatro de Contêiner seja concluída, vamos transferir a programação contratada para outros espaços”


Sobre Elã
Com direção de Isabel Teixeira, "Elã" é o trabalho mais recente da companhia. A partir do “Livro de Linhas”, o espetáculo é uma trama permeada por oito histórias criadas por atores-escritores que se passam em diferentes tempos e espaços. Todas as histórias se cruzam de maneira sobreposta e cabe ao público escolher seu ângulo e montar a sua teia narrativa.

Entre essas histórias, estão: um andarilho, dentro de um jogo de videogame, através dos diferentes tempos da linha da sua vida, tenta se livrar de uma herança ancestral deixada pelo seu pai // Um ator - vendedor de morangos - que tenta convencer uma renomada diretora a dirigir seu próximo espetáculo, incluindo sua mãe no elenco // A mãe que entra no espetáculo dirigido pelo filho e, cena após cena, vai se libertando do papel que lhe foi imposto // Uma mulher, após construir uma família de alta performance, decide matar a  família para realizar seu sonho de ser cantora de boate, honrando sua avó, vítima da Guerra Civil Espanhola // Uma mãe, enquanto enfrenta o luto e cria os filhos, reacende a sexualidade reprimida em suas ancestrais, através de uma retomada do poder feminino // Um homem descobre, na morte, o maior empreendimento capitalista de todos os tempos: a empresa “Animador de Velórios” // Uma mulher, convencida de ser uma aranha tecendo o destino do mundo, tenta impedir uma explosão, voltando no tempo e manipulando cada passo dos envolvidos // Um homem-bomba, ao se explodir, deixa pistas para sua filha, guiando-a por um outro olhar sobre o mundo.


Sobre a Cia Mungunzá
A Cia. Mungunzá é uma das companhias mais inovadoras do cenário teatral brasileiro. Criada em 2008, o grupo desenvolve uma pesquisa cênica continuada, alinhando arte, cultura e vida, construindo uma narrativa e uma linguagem autoral, com montagens de peças com grande poder de comunicação com o público.

A Mungunzá firmou-se como grupo que trabalha com diretoras e diretores convidados, fator que ajuda a manter os processos cênicos vívidos. Na sua pesquisa busca a polifonia e o hibridismo das linguagens artísticas, propondo a encenação como dramaturgia e o ato performático como atuação. Fomenta o fazer artístico como prática política e social.

O grupo expande suas fronteiras ao criar, em 2017, o Teatro de Contêiner Mungunzá, uma ocupação artística que se tornou sede da companhia e um dos espaços culturais independentes mais importantes do país. Reconhecido por sua programação e por uma gestão cultural de forte impacto em contextos de extrema vulnerabilidade social, o espaço também se destaca por sua arquitetura sustentável, transformadora e comunitária. Em 2025, o teatro sofreu um despejo e, atualmente, sua reconstrução segue em meio a um processo de disputa política.

Ficha Técnica
Direção geral: Isabel Teixeira | Assistência de direção e preparação de elenco: Lucas Brandão | Elenco criador: Dilma Correa (convidada), Léo Akio, Lucas Bêda, Marcos Felipe, Pedro das Oliveiras, Sandra Modesto, Verônica Gentilin, Virginia Iglesias | Participação especial: Miranda Caltabiano Bannai e Gregório Modesto de Oliveira | Dramaturgia a partir da Escrita na Cena®: elenco criador e direção | Direção de movimento: Castilho | Direção musical: Dani Nega e Isabel Teixeira | Produção musical: Dani Nega | Arranjos, colaboração e preparação musical: Flávio Rubens e Renato Spinosa |  Gravação sax, guitarra, harpa e violão: Gabriel Moreira | Composições originais: Jonathan Silva | Música de saída “O romance, o sorriso e a flor”: Renato Teixeira | Operadora e técnica de som: Paloma Dantas | Operador de microfones: Samuel Gambini | Desenho de Som: Bruno Castro e Paloma Dantas | Desenho de Luz: Wagner Freire | Adaptação de Luz: Eduardo Estefano, Pedro das Oliveiras e Wagner Freire | Operação de Luz e Vídeo: Eduardo Estefano e Lucas Brandão | Cenografia: Isabel Teixeira, Lucas Bêda e elenco criador | Cenotécnicos: Fábio Lima e Zé Valdir Albuquerque | Vídeos: Pedro das Oliveiras | Figurinos: Joana Porto e Rogério Romualdo | Costura ciclorama: Coletivo Tem Sentimento | Visagismo: Fabia Mirassos | Auxiliar de visagismo e contrarregra: Isabelle Iglesias | Instrutor de escalada: Luciano Iglesias | Fotos divulgação: Roberto Setton | Registro audiovisual: Bruno Rico | Assessoria de imprensa: Pombo Correio | Identidade visual: Isabel Teixeira e Léo Akio | Design gráfico: Léo Akio | Produção: Tati Caltabiano | Produtor associado: Gustavo Sanna - Complementar Produções | Apoio: Funarte.


Funarte acolhe programação do Teatro de Contêiner - Ocupação Mungunzá
Até dia 24 de maio
Ingressos: grátis, devem ser reservados em https://www.sympla.com.br/produtor/teatrodeconteiner
Sextas-feiras, às 19h30, sábados e domingos, às 16h00. Sessão extra acontece na quinta-feira, dia 21/05 às 19h30. Duração: 120 minutos . Classificação: 16 anos.

.:"Você É Mais Que Seu Trabalho" desafia a cultura da performance


O autor e coach Vicente Ferrio apresenta um guia para reconstruir a relação com a carreira sem abrir mão da identidade e do bem-estar. 

Sem perceber, muita gente passou a medir o próprio valor a partir do trabalho. Esse comportamento, que alimenta a crescente onda de esgotamento profissional e de pressão por desempenho, é o ponto de partida de "Você É Mais Que Seu Trabalho", lançamento da Editora Agir, assinado pelo autor, mentor e coach Vicente Ferrio. Na obra, ele analisa como a produtividade, o sucesso e a performance deixaram de ser apenas metas profissionais para se tornarem critérios de identidade. 

Para o autor, essa lógica cria uma armadilha silenciosa: alimenta a sensação constante de insuficiência e reduz a vida a um único eixo, o trabalho. Longe de pregar o desapego profissional, a obra foca em uma relação mais saudável com a carreira. O autor utiliza exemplos práticos e exercícios para demonstrar que o valor de um indivíduo é composto por múltiplas dimensões, e que o desempenho no trabalho é apenas uma delas. Compre o livro "Você É Mais Que Seu Trabalho", de Vicente Ferrio, neste link.


Sobre o autor
Vicente Ferrio (Espanha, 1974) é engenheiro civil, empreendedor, palestrante, mentor e coach certificado. Especialista em liderança, empreendedorismo consciente e gestão de mudanças pelas escolas de negócios de Columbia e Harvard, é autor de diversos livros sobre carreira profissional e criador do site sincronizatutalento.com, cujo blog mobiliza uma comunidade de milhares de leitores. Garanta o seu exemplar de "Você É Mais Que Seu Trabalho", escrito por Vicente Ferrio, neste link.

.: Biblioteca Carolina Maria de Jesus faz 21 anos como símbolo de memória viva


Espaço reúne cerca de 14 mil itens bibliográficos e preserva parte fundamental da produção intelectual, artística e histórica negra brasileira. 
Na imagem, manuscrito Carolina Maria de Jesus. Foto: MAB

Em um país onde parte significativa da produção intelectual negra permaneceu historicamente fora dos grandes centros de preservação e pesquisa, a Biblioteca Carolina Maria de Jesus, do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gestão Associação Museu Afro Brasil – Organização Social de Cultura (AMAB) , consolidou-se, ao longo de 21 anos, como um dos principais espaços dedicados à memória afrodiaspórica no Brasil.

Inaugurada em 13 de maio de 2005, um ano após a fundação do Museu, a biblioteca nasceu com a missão de ampliar e complementar os acervos museológico e arquivístico da instituição, oferecendo suporte às pesquisas internas e externas relacionadas à história, à arte e à cultura afro-brasileira e africana. Batizada em homenagem à escritora, poetisa, cantora e intelectual Carolina Maria de Jesus, uma das vozes mais importantes da literatura brasileira do século XX, a biblioteca carrega o compromisso de preservar e difundir produções intelectuais negras historicamente invisibilizadas pela narrativa oficial do país.

Atualmente, o espaço abriga aproximadamente 14 mil itens bibliográficos, entre livros, catálogos, obras raras e publicações especializadas em arte africana, arte afro-brasileira, religiosidade de matriz africana, sociologia, história do Brasil e literatura negro-brasileira. O acervo reúne ainda publicações fundamentais para a compreensão da arte negra brasileira e africana, muitas delas pouco acessíveis em bibliotecas tradicionais.

Grande parte das obras dialogam diretamente com a Exposição de Longa Duração concebida por Emanoel Araujo, refletindo o pensamento curatorial e a visão intelectual do fundador da instituição. Entre os destaques do acervo estão os catálogos das exposições realizadas pelo Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, considerados registros fundamentais para a compreensão da produção e da curadoria de arte negra no Brasil.

Mais do que preservar livros e documentos, a Biblioteca Carolina Maria de Jesus ajuda a manter vivo o pensamento de Emanoel Araujo, artista, curador e intelectual responsável por construir um dos mais importantes projetos de valorização da cultura afro-brasileira no mundo. A biblioteca preserva também parte desse legado curatorial, permitindo acompanhar, por meio de livros, catálogos e documentos, a construção intelectual do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo.

Ao longo de mais de duas décadas, a Biblioteca Carolina Maria de Jesus consolidou-se como espaço de pesquisa, preservação e valorização da produção intelectual negra. Entre os principais marcos de sua trajetória estão a doação, via comodato, de parte dos manuscritos de Carolina Maria de Jesus; a realização do sarau “Meus Poetas Negros”, idealizado por Oswaldo de Camargo em homenagem póstuma a Emanoel Araujo; e a criação da FLAB – Feira Literária Carolina Maria de Jesus, iniciativa voltada à valorização de editoras independentes e pessoas autoras negras.

A Biblioteca Carolina Maria de Jesus integra ainda a Redarte – Rede de Bibliotecas de Arte do Brasil e recebe pesquisadores, artistas, curadores, estudantes e intelectuais dedicados aos estudos da arte afrodiaspórica no Brasil e no exterior. “A Biblioteca Carolina Maria de Jesus carrega, em sua essência, o legado de Emanoel Araujo e a potência intelectual de Carolina Maria de Jesus. Ao longo de 21 anos, tornou-se um espaço fundamental para pesquisadores, artistas e estudantes interessados em compreender a produção artística, histórica e literária negra no Brasil. Preservar esse acervo é também preservar parte da memória do país”, afirma Jandaraci Araújo, diretora executiva do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo.

Atualmente, o espaço passa por um processo de modernização e conservação do acervo por meio do Edital Fomento CULTSP PNAB nº 29/2024 – Manutenção e Modernização de Bibliotecas. A iniciativa prevê melhorias técnicas, incluindo substituição de estantes e instalação de sistema de segurança do acervo, ampliando as condições de preservação e acesso às obras. “Fazer a gestão deste acervo é mergulhar diariamente na história de diversas áreas do conhecimento que se dedicam a estudar e produzir informações sobre arte afrodiaspórica e sobre a história do nosso país. A criação desta biblioteca reflete toda a genialidade de Emanoel Araujo e carrega seu legado ao ser um espaço democrático de estudo, lazer e reflexão sobre negritudes, artes e literatura”, afirma Janaina França de Melo, bibliotecária do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo.

Ao completar 21 anos, a Biblioteca Carolina Maria de Jesus reafirma-se como um espaço onde os legados de Carolina Maria de Jesus e Emanoel Araujo seguem em permanente diálogo, preservando memórias, difundindo conhecimento e ampliando o acesso às narrativas negras no Brasil.

Sobre o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo
O Museu Afro Brasil Emanoel Araujo é uma instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo administrada pela Associação Museu Afro Brasil – Organização Social de Cultura. Inaugurado em 2004, a partir da coleção particular do seu fundador, Emanoel Araujo (1940-2022), o museu é um espaço de história, memória e arte. Localizado no Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega, dentro do mais famoso parque de São Paulo, o Parque Ibirapuera, o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo conserva, em cerca de 12 mil m², um acervo museológico com mais de 20 mil obras, apresentando diversos aspectos dos universos culturais africanos e afro-brasileiro e abordando temas como religiosidade, arte e história, a partir das contribuições da população negra para a construção da sociedade brasileira e da cultura nacional. O museu exibe parte deste acervo na exposição de longa duração e realiza exposições temporárias.


Serviço
Biblioteca Carolina Maria de Jesus, no Museu Afro Brasil Emanoel Araujo

Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº – Portão 10 – Parque Ibirapuera – São Paulo/SP
Funcionamento da biblioteca: terça a sexta-feira, das 10h00 às 17h00; sábados, das 10h00 às 14h00
Consulta presencial gratuita
Informações: (11) 3320-8900
Catálogo on-line e outras informações: Biblioteca Carolina Maria de Jesus

quarta-feira, 13 de maio de 2026

.: Crítica: "Charuto de Mel" é fuga de aprisionamento feminino nos anos 90

"Charuto de Mel" pode ser assistido no site e aplicativo Reserva IMOVISION

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em maio de 2026


O longa dramático focado em comportamento"Charuto de Mel"dirigido por Kamir Aïnouz, mergulha na naturalização imposta pelo patriarcado, o que, fatalmente, esbarra na falta de liberdade sexual. Assim, os dilemas da jovem Selma (Zoé Adjani), crescem tal qual uma bola de neve, uma vez que ela está numa família argelina tradicional que vive na França dos anos 90. Rebelde para transgredir algumas normas impostas, Selma, metade argelina e outra metade francesa, luta pela liberdade, o que acaba refletindo no modo de a obediente mãe (Amira Casar) tomar decisões, inclusive.

Disponível no site e aplicativo Reserva IMOVISION, a produção de 2020 exibida no Festival de Veneza e na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, permeia tabus de sexualidade e regras patriarcais quando a paixão juvenil entra em pauta. É ao se apaixonar pelo também estudante Julien que brota em Selma a necessidade de transgressão, o que ganha contornos notáveis aos pais.

Na tentativa de encaminhar a filha para um possível casamento com um conhecido e de família endinheirada, os pais a jogam para experimentar o pior de uma vida feminina. Contudo, Selma mantém em silêncio as dores de ser mulher, enquanto amadurece e busca independência. Focando no amadurecimento e comportamento, sem floreios e encantamentos, no excelente  "Charuto de Mel", a história de vida Selma revela aproximação, em certos pontos, com a de qualquer outra mulher. Imperdível!


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A equipe do Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas.

"Charuto de Mel" (Cigare au miel). Gênero: DramaDireção: Kamir Aïnouz. Roteiro: Kamir AïnouzDuração: 1h 40 minutos. Classificação Indicativa: 16 anos (Violência, Conteúdo Sexual, Drogas Lícitas). Distribuição: Imovision. Elenco: Zoé Adjani (Selma)Amira CasarLyès SalemLouis PeresIdir Chender. Sinopse:  história narra a trajetória de Selma, uma jovem argelina de 17 anos que, ao se apaixonar e explorar sua sexualidade, enfrenta as rígidas regras patriarcais de sua família e o crescente fundamentalismo em seu país, buscando sua liberdade.

Trailer de "Charuto de Mel"



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.: Amazon anuncia primeira linha Kindle para leitura e escrita


O Kindle Scribe chega ao Brasil com design ultrafino, ultraleve e 40% mais rápido, além de novos recursos de produtividade com IA, incluindo busca inteligente de anotações. O Kindle Scribe Colorsoft traz uma experiência de escrita em cores fluida, rápida e confortável para os olhos .A tela de 11 polegadas reproduz a sensação de escrever em papel, ideal para anotações em milhões de livros, listas de tarefas e revisão de documentos sem distrações


A Amazon anuncia a chegada da primeira linha Kindle Scribe ao Brasil - a geração do Kindle que une leitura e escrita em um único dispositivo. Os modelos Kindle Scribe e Kindle Scribe Colorsoft estão disponíveis para pré-venda a partir de hoje no país. Com o Kindle Scribe, a experiência é de ler e escrever em papel: texto nítido, com espaço de sobra para fontes maiores, imagens, gráficos e documentos em tamanho real. O dispositivo permite fazer anotações em milhões de livros, adicionar notas a documentos e buscar anotações com tecnologia de IA. 

A linha Kindle Scribe chega ao Brasil pela primeira vez, reimaginada para aumentar a produtividade. Oferece opções com e sem luz frontal e um design renovado que remete ao papel: ultrafino com apenas 5,4 mm de espessura e ultraleve com 400 g. O desempenho é 40% mais rápido para escrita e virada de páginas em comparação com as gerações anteriores, disponíveis apenas fora do Brasil. A tela de 11 polegadas, sem reflexo, tem as mesmas proporções de uma folha de papel — e reproduz a sensação de escrever em uma. É o tamanho ideal para revisar documentos em escala real, natural para fazer anotações e fácil de levar para qualquer lugar.


A linha Kindle Scribe traz inovações significativas em hardware:
  • Luz frontal com LEDs miniaturizados que se encaixam firmemente contra a tela, criando bordas mais estreitas e iluminação uniforme
  • Vidro moldado com textura exclusiva que melhora o atrito da caneta na tela — diferente de tablets convencionais, que costumam parecer escorregadios ou vítreos
  • Tela redesenhada que reduz quase totalmente o efeito de distância entre a ponta da caneta e o traço, simulando a escrita direta no papel
  • Novo chip quad-core, O novo chip quad-core, mais memória e a tecnologia de tela Oxide da Amazon tornam toda a experiência mais ágil, com maior contraste e desempenho rápido tanto em conteúdos coloridos quanto em preto e branco. A tela Oxide utiliza uma camada interna de óxido com formas de onda otimizadas para entregar essa performance.
  • Uma experiência de escrita em cores confortável para os olhos
O Kindle Scribe Colorsoft apresenta o mesmo novo design e oferece uma experiência de escrita em cores fluida e natural. Para criar cores suaves que, diferentemente de uma tela LCD, não agridem os olhos, a Amazon utilizou a tecnologia de tela Colorsoft personalizada, com filtro de cor e guia de luz com LEDs de nitreto que aprimoram as cores sem comprometer os detalhes. Para garantir uma experiência excepcional de escrita em cores, a Amazon desenvolveu um novo mecanismo de renderização que aprimora as cores e assegura que a escrita seja rápida, fluida e totalmente natural. Além disso, o Kindle Scribe Colorsoft oferece semanas de duração de bateria e não possui aplicativos ou notificações — nada que distraia você dos seus pensamentos.

Recursos de produtividade com tecnologia de IA
A nova linha oferece um poderoso caderno de anotações com tecnologia de IA, além de software e ferramentas redesenhados para aumentar a produtividade:
  • Nova tela inicial: agora com Notas Rápidas para facilitar anotações sempre que a inspiração surgir. É possível acessar livros, documentos e anotações recentes com rapidez.
  • Acesso a todos os documentos: com suporte para Google Drive e Microsoft OneDrive, é fácil importar documentos para marcação e exportar PDFs anotados.
  • Busca com tecnologia de IA: pesquise suas notas de forma natural e receba resumos gerados por IA. É possível se aprofundar com perguntas de acompanhamento.
  • Compartilhamento com OneNote: exporte notas como texto convertido ou imagem incorporada para o OneNote, mantendo tudo em um só lugar para continuar editando no laptop.
  • Canetas e marcações coloridas no modelo Colorsoft: escreva, desenhe e faça anotações em uma das 10 cores de caneta ou destaque em uma das 5 cores de marca-texto.
  • Sombreamento: artistas e criadores podem criar gradientes suaves e tons sutis com a nova ferramenta de sombreamento, com mais controle sobre profundidade e riqueza da arte.
  • Espaço de trabalho: organize documentos, cadernos, livros e mais na mesma pasta.
  • Tudo o que os clientes amam no Kindle
O Kindle Scribe é um caderno e um Kindle em um só dispositivo, com acesso à maior loja de e-books do mundo. O dispositivo inclui 3 meses grátis de Kindle Unlimited, além dos recursos de leitura mais recentes. Assim como todos os e-readers Kindle, o novo Kindle Scribe oferece acesso instantâneo à Loja Kindle, que inclui:

Ampla seleção: milhões de títulos disponíveis nas Lojas Kindle em todo o mundo.
Kindle Unlimited: acesso a uma biblioteca cada vez maior de milhões de e-books, leituras curtas e assinaturas de revistas selecionadas.
Leitura gratuita para membros Prime: uma seleção rotativa de milhares de títulos sem custo adicional à assinatura Prime.
Vozes diversas: milhões de escritores autopublicados usam o Kindle Direct Publishing (KDP) para compartilhar suas histórias, oferecendo aos leitores um conjunto robusto e diversificado de vozes.
 

Preços e disponibilidade
Todos os dispositivos acompanham uma caneta que se conecta magneticamente ao Kindle Scribe - sempre à mão e sem necessidade de carregamento. A Amazon também disponibilizará, a partir de junho, uma nova linha de capas premium em diversas cores (Grafite, Matcha e Figo) e materiais premium (couro e toque acetinado), fechamento magnético e porta-caneta, a partir de R$ 489,00. A caneta e pontas estarão disponíveis para compra separadamente. O Kindle Scribe já está disponível em pré-venda, com opção de parcelamento em até 10 vezes. Confira os modelos:


.: CCCB traz ao Brasil o diretor coreano Jang Kun-jae para masterclass e sessão


Em parceria com a Semana ABC e o Centro Cultural São Paulo, o cineasta participa de dois encontros gratuitos, nos dias 14 e 15 de maio, com debates sobre o cinema independente coreano e a exibição do longa "Porque Eu Odeio a Coreia". Na imagem, cena do filme de Jang Kun-jae


O Centro Cultural Coreano no Brasil (CCCB) promove, em maio, a vinda do diretor sul-coreano Jang Kun-jae ao Brasil para duas atividades gratuitas e abertas ao público em São Paulo. Acompanhado pelo produtor de seus filmes, Youn Hee-young, o cineasta participa, nesta quinta-feira, dia 14 de maio, de uma masterclass na Semana ABC 2026, na Cinemateca Brasileira, e, no dia 15, sexta-feira, de uma sessão especial do longa "Porque Eu Odeio a Coreia" (2023), seguida de bate-papo, no Centro Cultural São Paulo (CCSP).

Reconhecido como uma das vozes mais consistentes do cinema independente sul-coreano contemporâneo, Jang Kun-jae construiu sua trajetória entre a direção e a fotografia. Ele já atuou em mais de 45 produções, dirigiu nove longas-metragens e foi diretor de fotografia em cerca de 30 filmes independentes. Entre seus principais reconhecimentos estão a abertura do Busan International Film Festival de 2023 com Porque eu odeio a Coreia, o Prêmio DGK pelo longa A Midsummer's Fantasia (2014), também em Busan, e o Prêmio Dragões e Tigres no Vancouver International Film Festival por Eighteen (2009). O diretor também passou pela Mostra Internacional de Cinema em São Paulo em 2014, com "Noite em Claro".

A vinda do cineasta ao país amplia o diálogo entre o audiovisual brasileiro e o coreano. "Trazer o Jang Kun-jae ao Brasil é abrir uma porta dupla: a do encontro do público com um cinema coreano que vai além do que circula nos grandes festivais e a do diálogo entre realizadores brasileiros e coreanos sobre como se faz cinema independente hoje. O CCCB acredita que o intercâmbio cultural se constrói também nesses bastidores, na conversa entre quem produz", afirma Cheul Hong Kim, diretor do Centro Cultural Coreano no Brasil.

As atividades realizadas no Brasil formam um percurso complementar: a masterclass na Semana ABC traz o olhar do realizador sobre os processos de produção e formação no cinema coreano contemporâneo, enquanto a sessão no CCSP coloca o público em contato direto com sua obra mais recente.


Masterclass na Semana ABC – 14 de maio, na Cinemateca Brasileira
Na quinta-feira, 14 de maio, das 10h às 12h, o CCCB integra a Mesa 5 da Semana ABC 2026, dedicada ao tema "O Cinema Coreano Hoje: Caminhos de Formação e Consolidação Global". A masterclass do diretor aborda sua trajetória autoral e percorre três eixos: a experiência de formação na KAFA (Korean Academy of Film Arts) e seu impacto na carreira; o ambiente de produção do cinema independente coreano, incluindo processos, orçamentos e métodos de trabalho; e a experiência de coprodução internacional a partir do longa A Midsummer's Fantasia (2014). A Semana ABC 2026, principal evento brasileiro voltado à cinematografia, é realizada pela Associação Brasileira de Cinematografia (ABC) e pela Cinemateca Brasileira entre os dias 13 e 15 de maio, com programação gratuita.


Sessão especial de cinema – 15 de maio, no CCSP
Nesta sexta-feira, 15 de maio, às 19h00, o CCCB e o Centro Cultural São Paulo realizam uma sessão especial com a exibição de "Porque Eu Odeio a Coreia" ("Because I Hate Korea", 2023), seguida de bate-papo com o diretor e o programador da mostra. O drama acompanha Gye-na, jovem que decide deixar a Coreia em busca de felicidade no presente. A partir de uma narrativa intimista, o filme tensiona pertencimento, deslocamento e os dilemas de uma geração que questiona o projeto de vida estabelecido. A sessão é gratuita e os ingressos devem ser retirados na bilheteria do CCSP uma hora antes do início. A programação amplia as iniciativas do CCCB voltadas ao intercâmbio audiovisual entre Brasil e Coreia que, por sua vez, terão desdobramentos na próxima edição da Mostra de Cinema Coreano.

Sobre o CCCB
O Centro Cultural Coreano no Brasil (CCCB) é uma instituição oficial do governo da República da Coreia, vinculada ao Ministério da Cultura, Esportes e Turismo. Integrante da rede global de Centros Culturais Coreanos presente em 30 países, o CCCB está sediado na Avenida Paulista desde 2019. Com a missão de fortalecer as conexões culturais entre Brasil e Coreia, desenvolve uma programação ampla e multidisciplinar que abrange exposições, mostras de cinema, apresentações musicais, festivais temáticos e atividades educativas. Entre os destaques estão os cursos gratuitos de língua coreana, realizados em parceria com o Instituto Rei Sejong, além de cursos de K-pop, dança tradicional, taekwondo e oficinas temáticas. Em 2025, o Centro recebeu mais de 86 mil visitantes em sua sede e atingiu mais de 463 mil pessoas em eventos pelo Brasil.


Serviço
Masterclass com Jang Kun-jae – Semana ABC 2026 
Realização: Associação Brasileira de Cinematografia (ABC) e Cinemateca Brasileira
Apoio: Centro Cultural Coreano no Brasil
Quinta-feira, dia 14 de maio, das 10h00 às 12h00
Local: Cinemateca Brasileira – Largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Clementino, São Paulo/SP
Entrada: gratuita, mediante credenciamento prévio Credenciamento: Link

Sessão Especial de Cinema Coreano - "Porque Eu Odeio a Coreia"
Realização: Centro Cultural Coreano no Brasil
Parceria: Centro Cultural São Paulo (CCSP)
Data: sexta-feira, dia 15 de maio de 2026, às 19h00
Centro Cultural São Paulo – Rua Vergueiro, 1.000, Liberdade, São Paulo/SP
Faixa etária: livre
Entrada: gratuita
Retirada de ingressos: na bilheteria uma hora antes da sessão
Dúvidas: contato@kccbrazil.com.br

.: Drama de casal que incendiou cinema francês estreia na Reserva Imovision


Por
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com. Foto: David Koskas/Autoral Filmes

Destaque na programação do Festival de Cinema Francês do Brasil do ano passado, o drama “Eu, Que Te Amei” (“Moi qui t’aimais”) estreia na plataforma de streaming Reserva Imovision, nesta quinta-feira, dia 14 de maio. Dirigido por Diane Kurys, o longa-metragem revisita a intensa e muitas vezes conturbada história de um dos casais mais emblemáticos da cultura francesa: Yves Montand e Simone Signoret. Ele, astro de alcance internacional; ela, uma das maiores intérpretes do cinema europeu. Interpretados por Roschdy Zem e Marina Foïs, Montand e Signoret voltam à vida em performances que capturam o brilho, as fraturas, a lealdade e os conflitos que marcaram décadas de parceria, incluindo a célebre e dolorosa traição de Montand com Marilyn Monroe.

Apresentado na seção Cannes Classics do Festival de Cannes 2025, o filme marca o retorno de Diane Kurys ao evento após quase quatro décadas - a última participação na mostra havia ocorrido em 1987. O roteiro, assinado por Kurys ao lado de Martine Moriconi e Sacha Sperling, levou cerca de cinco anos de investigação, mergulhando em arquivos, memórias e registros históricos. Produzido pela New Light Films, o título chega ao Brasil pela distribuidora Autoral Filmes, acompanhando a nova fase do festival no país.

No centro da narrativa está o retrato de um amor real, movido por cumplicidade e desgaste, entre duas figuras que ajudaram a moldar o imaginário do cinema francês. Simone Signoret foi a primeira atriz da França a conquistar o Oscar de Melhor Atriz, por “Almas em Leilão”, em 1960. Casada com Montand entre 1951 e 1985, ela enfrentou escândalos e turbulências sem assumir o papel de vítima - e ambos, apesar dos abalos, sempre se reconheceram como parte fundamental um do outro. 

Ficha técnica do filme
“Eu, Que Te Amei” | “Moi qui t’aimais” (título original)
Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 2025. Idioma: francês. Direção: Diane Kurys. Roteiro: Diane Kurys, Martine Moriconi e Sacha Sperling. Elenco: Roschdy Zem (Yves Montand), Marina Foïs (Simone Signoret), Thierry de Peretti, entre outros. Distribuição no Brasil: Autoral Filmes. Duração: 1h58m. Cenas pós-créditos: não. 

Assine a Reserva Imovision, o streaming que respeita a sua inteligência
A equipe do Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas.

.: Café Filosófico CPFL: Marcelino Freire debate o papel do sonho e da literatura


Segunda gravação do módulo que reflete sobre o papel do descanso e da imaginação na vida contemporânea será com o escritor Marcelino Freire, que propõe reflexão sobre relações entre literatura, sonho e a reinvenção do humano. Foto: Denis Maerlant


E se sonhar fosse também uma forma de reinventar o mundo? É a partir dessa provocação que o Café Filosófico CPFL recebe, nesta quinta-feira, dia 14 de maio, às 19h00, o escritor Marcelino Freire. No encontro, ele conduz uma reflexão sobre as relações entre literatura, sonho e a reinvenção do humano. A gravação será transmitida ao vivo pelo YouTube e contará com público presencial na sede do Instituto CPFL, em Campinas, com entrada gratuita.

Depois de uma abertura que recolocou o sonho e o sono no centro do cuidado, não apenas como funções biológicas, mas como dimensões essenciais da experiência humana, o módulo avança agora para a força da palavra literária. É nesse território que criação, memória e transformação se entrelaçam, revelando a imaginação como uma forma ativa de existir e resistir.

Na palestra “Quando o Mundo Volta a Respirar: Literatura, Sonho e a Reinvenção do Humano”, Marcelino Freire atravessa diferentes campos, como a neurociência, a antropologia e a própria literatura para explorar como o sonho participa da construção de memórias, da elaboração das experiências e da abertura de futuros possíveis. 

Ao mesmo tempo, o encontro lança luz sobre práticas simbólicas e narrativas presentes em diversas culturas, entendidas como formas ancestrais de encantamento e de reorganização da vida.“Sonhar não é apenas uma experiência individual. É um processo que reorganiza a memória, regula emoções e, junto aos rituais, sustenta formas coletivas de produzir sentido e imaginar o futuro”, afirma Freire.


Sobre o palestrante
Marcelino Freire, escritor brasileiro, é autor de obras marcantes da literatura contemporânea, como Contos Negreiros, vencedor do Prêmio Jabuti. Com uma trajetória ligada à experimentação literária e à valorização da oralidade, também idealizou projetos como a “Coleção 5 Minutinhos”. Sua produção articula linguagem, crítica social e invenção estética, consolidando-o como uma das vozes mais expressivas da literatura brasileira atual.


Ambiente inspirador de troca e aprendizado
O Café Filosófico CPFL traz uma nova identidade visual e artística, incluindo cenário, para acompanhar a renovação do formato, que passa a ter a nova apresentadora, Tainá Müller, interagindo com os convidados e a plateia. O espaço do Café, na sede do Instituto CPFL, em Campinas, oferece uma atmosfera convidativa e aconchegante, onde cada detalhe é pensado para proporcionar uma experiência prazerosa. É possível tirar fotos em todos os lugares, incluindo o novo cenário. 

O local possui climatização e é acessível a pessoas com deficiência, além de contar com intérpretes de Libras para garantir a participação de todos. Há, ainda, um serviço de alimentação com cardápio de comidas e bebidas para consumo no local. Após a gravação e exibição ao vivo, as palestras ganham uma versão editada que é exibida na TV Cultura, aos domingos, às 20h00 (com reprises às quartas, à 1h00) e, posteriormente, disponibilizadas no YouTube. Os episódios transmitidos pela TV não correspondem necessariamente às gravações feitas durante a semana.


Serviço
Gravação Café Filosófico CPFL, com Marcelino Freire, escritor
Dia 14 de maio, quinta-feira, às 19h00
Instituto CPFL - Rua Jorge Figueiredo Corrêa, 1632 - Chácara Primavera, Campinas/SP
Entrada: gratuita, por ordem de chegada, a partir das 18h00
Participação on-line: canal do Café no YouTube

.: Naji Ayoub em mostra que transforma a pintura em experiência sensorial


Curadoria da exposição destaca que o trabalho de Naji Ayoub se constrói a partir de uma lógica aberta e em constante transformação. Foto: divulgação

A Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos, no litoral de São Paulo, recebe, de 15 de maio a 28 de junho, a exposição “Naji Ayoub e o Campo Vivo da Pintura”, dentro da programação da 4ª edição do "Arte na Pinacoteca". A mostra reúne obras recentes do artista e propõe ao público uma imersão na pintura como processo, marcada pela relação entre gesto, matéria e cor. A exposição integra a programação da 4ª edição do "Arte na Pinacoteca", uma ação cultural realizada pelo Ministério da Cultura com patrocínio da Ecovias, Instituto Rumo, Rumo, Brasil Terminal Portuário, MSC, Medlog e G. Pierotti. A iniciativa da Fundação Pinacoteca Benedito Calixto tem direção executiva de Leila Gazzaneo e produção executiva de Fábio Luiz Salgado.

A curadoria destaca que o trabalho de Naji Ayoub se constrói a partir de uma lógica aberta e em constante transformação. “O ‘campo vivo’ da pintura de Naji Ayoub não se define por um estilo fixo, mas por uma condição de abertura, em que cada obra se apresenta como um estado transitório, em equilíbrio instável entre forças distintas”, afirmam os curadores Carlos Zibel e Antonio Carlos Cavalcanti Filho.

Ao longo da exposição, o visitante é convidado a perceber a pintura para além da imagem finalizada. As telas evidenciam camadas, densidades e vazios que coexistem, criando uma dinâmica visual que oscila entre intensidade cromática e contenção. Essa tensão entre opostos é central na linguagem do artista, que desenvolve uma pesquisa contínua sobre os limites entre presença e ausência na superfície pictórica.

A obra de Ayoub também se aproxima de uma dimensão tátil e processual, em que a pintura assume características quase escultóricas. A superfície deixa de ser apenas suporte para tornar-se um corpo em transformação, onde o gesto é registrado como experiência sensível. O resultado são composições que revelam ritmo, pausa e variação, aproximando a pintura de uma experiência musical. 

Com trajetória iniciada ainda na década de 1960, o artista construiu um percurso que atravessa diferentes contextos culturais, incluindo formação na Europa e estudos em São Paulo sob orientação de Fernando Stickel. Ao longo dos anos, participou de exposições em instituições e galerias relevantes no Brasil e no exterior, consolidando uma produção marcada pela investigação da cor e da estrutura pictórica.

O "Arte na Pinacoteca" chega à sua 4ª edição consolidado como uma das principais iniciativas culturais da região. “A primeira exposição, 'Santos 480 Anos - Berço do Brasil Moderno, foi um sucesso de visitação, o que reforça o interesse do público por uma programação cultural de qualidade e acessível”, destaca Leila Gazzaneo, diretora executiva.

As exposições integram o plano anual da Fundação Pinacoteca Benedicto Calixto, que promove uma programação contínua de ações culturais gratuitas, incluindo mostras, cursos, oficinas, concertos e atividades educativas, reforçando o papel da instituição como um dos principais polos culturais da Baixada Santista.


Serviço
Exposição "Naji Ayoub e o Campo Vivo da Pintura" 
Pinacoteca Benedicto Calixto - Av. Bartolomeu de Gusmão, 15 - Boqueirão, Santos/SP. Período: 15 de maio a 28 de junho de 2026. De terça-feira a domingo, das 9h00 às 18h00. Entrada gratuita. Informações: (13) 3288-2260 | WhatsApp: (13) 9 9171-4553 | Instagram: @pinacotecabenedictocalixto

terça-feira, 12 de maio de 2026

.: Estopô Balaio estreia “Reset América Latina” no Sesc Belenzinho


Inédito, o trabalho transforma um cruzeiro de luxo em alegoria da formação latino-americana. A montagem investiga colonialidade, identidade e pertencimento a partir da metáfora da travessia. Foto: Cassandra Mello

O Coletivo Estopô Balaio estreia no dia 14 de maio, no Sesc Belenzinho, o espetáculo "Reset América Latina, terceiro e último trabalho da Trilogia da Amnésia, iniciada com Reset Nordeste (2020) e seguida por Reset Brasil (2023). A temporada segue até 28 de junho, com sessões de sexta à domingo. Premiado ao Shell na categoria Inovação por “A Cidade dos Rios Invisíveis” em 2020, conhecido por suas criações em ruas, praças e trens da CPTM, o grupo da zona leste de São Paulo realiza, agora, um movimento inédito: ocupar um espaço fechado. Entre os nove espetáculos de sua trajetória, apenas um havia sido concebido para palco. A decisão marca uma inflexão estética e estratégica na história do coletivo.

“Estamos trocando de pele em todos os sentidos”, afirma a diretora e atriz Ana Carolina Marinho. “A trilogia é um mergulho para dentro. Investigamos o que esquecemos de lembrar quando inventamos identidades que nos homogeneizam. O nordestino, o brasileiro e agora o latino-americano são construções que encobrem camadas étnicas, raciais e territoriais muito mais complexas”.

A mudança de linguagem dialoga também com o contexto das políticas culturais atuais. Diante de dificuldades crescentes de circulação e financiamento para trabalhos itinerantes, o grupo opta por experimentar um formato que dialogue com os mecanismos institucionais vigentes, sem abrir mão de sua perspectiva crítica. Ao mesmo tempo, o coletivo prepara a inauguração de sua nova sede no Jardim Romano, também na zona leste, instalada em um antigo salão religioso que está sendo transformado em teatro. A abertura está prevista para julho, logo após o encerramento da temporada no Sesc.


Um cruzeiro chamado “Sangue Latino”
Em cena, Reset América Latina se inicia dentro de um cruzeiro de luxo - metáfora do próprio teatro. Um “não-lugar” em águas internacionais, onde passageiros embarcam para viver uma experiência de consumo cultural e identitário.

O primeiro ato assume a forma de um musical: canções populares do imaginário brasileiro conduzem um espetáculo que revisita simbolicamente as grandes navegações e o projeto colonial. Aos poucos, surgem fissuras. Conflitos de classe, raça e pertencimento atravessam dois núcleos de personagens: um casal em ascensão social e um grupo de amigos que ganha uma viagem premiada.

“O cruzeiro atravessa o Atlântico como uma espiral do tempo”, explica o dramaturgo e ator Juão Nyn. “Caravelas, navios negreiros - tudo ecoa nesse percurso. A ideia é questionar essas identidades criadas pelos invasores da terra e perguntar: o que somos antes de sermos latino-americanos?”

No segundo ato, o espetáculo desloca o olhar para os bastidores da embarcação - cozinha, limpeza e maquinário. Trabalhadores exaustos, ainda que financeiramente recompensados, confrontam a sensação de esvaziamento e saque simbólico. Uma disputa em torno de um prato - a “língua” servida aos passageiros - torna-se alegoria da violência histórica sobre território, cultura e linguagem.

Já o terceiro momento rompe com a narrativa realista e avança para uma dimensão imagética e pós-dramática. A figura da cobra - demonizada na tradição cristã e reverenciada em diversas cosmologias indígenas - torna-se eixo simbólico da transformação. Trocar de pele, aqui, é abandonar camadas coloniais para acessar outras temporalidades e cosmovisões.


Ancestralidade crítica
A Trilogia da Amnésia parte da provocação: o que apagamos quando adotamos identidades nacionais ou regionais como essência? Se o conceito de Nordeste tem menos de um século e o de América Latina nasce de projetos coloniais, que histórias anteriores ficam soterradas?

O grupo propõe o que chama de “ancestralidade crítica”: reconhecer que toda identidade é atravessada por disputas e que honrar o passado pode implicar também trair legados violentos. A discussão inclui a branquitude latino-americana e suas estratégias de pertencimento simbólico, tensionando a ideia de uma experiência homogênea no continente.


Elenco e criação coletiva
Pela primeira vez, o Estopô inicia um processo tendo todo o elenco fixo do grupo em cena — Ana Carolina Marinho, Juão Nyn, Dandara Azevedo, Kelly Andrade e Dunstin Farias — acompanhados por quatro intérpretes convidados. Integrantes que não atuam assumem funções de produção, figurino e secretariado.

A dramaturgia é assinada por Lara Duarte, com colaboração do coletivo, assistência de direção de Bárbara Freitas e Direção de Eliana Monteiro. A preparação vocal, corporal e direção de movimentos é de Dudu Galvão e produção de Wemerson Nunes. A identidade visual do espetáculo incorpora desenhos produzidos por crianças do Jardim Romano em oficina artística, reforçando o diálogo territorial que marca a trajetória do coletivo. Montado com recursos do ProAC, Reset América Latina tem previsão de 30 apresentações públicas.

Sinopse
O cruzeiro Sangue Latino, um empreendimento de luxo que promete conduzir seus passageiros por uma travessia festiva e musical pelo imaginário Latino Americano, enfrenta uma pane silenciosa por causa de uma maraca na tubulação. A partir desse curto-circuito, diferentes núcleos entram em choque, reunindo cozinha, maquinário, limpeza, saguão e passageiros, e revelando as fissuras que sustentam esse projeto colonial. A narrativa passa a assumir contornos cada vez mais absurdos e melodramáticos, tensionando privilégios, expectativas e os limites da empatia. À medida que identidades se confundem e papéis sociais se deslocam, o espetáculo expõe como os projetos coloniais seguem operando no presente, ao mesmo tempo em que sugere a existência de um plano em curso, uma estratégia em movimento, uma possibilidade de levante indígena.

Marcando a segunda experiência do coletivo na caixa cênica, Reset América Latina desloca para o espaço fechado do teatro uma pesquisa antes realizada em diálogo direto com a cidade, e se pergunta como trazer o território para dentro do cruzeiro, convidando o público a embarcar em uma viagem satírica sobre o que constitui a identidade Latino Americana.


Ficha técnica
Espetáculo "Reset América Latina"
Direção geral: Eliana Monteiro
Diretora assistente: Bárbara Freitas
Idealização e criação: Coletivo Estopô Balaio
Dramaturgia: Lara Duarte com colaboração do Coletivo Estopô Balaio
Textos: Ana Carolina Marinho, Bárbara Freitas, Eliana Monteiro, Dandara Azevedo, Dunstin Farias, Juão Nyn, Keli Andrade, Lara Duarte, Wescritor
Direção de movimentos e preparador corporal: Dudu Galvão
Direção e produção musical: Dani Nega
Criação musical: Coletivo Estopô Balaio e Dani Nega
Produção musical - Show de abertura: Dani Nega e Pipo Pegoraro
Canções originais: elenco
Arranjos de voz: Dudu Galvão
Elenco Estopô Balaio: Ana Carolina Marinho, Dandara Azevedo, Dunstin Farias, Keli Andrade, Juão Nyn
Elenco convidado: Adyel Kariú Kariri, Hayla Cavalcanti, Potira Marinho, Wescritor
Desenho de luz: Guilherme Bonfanti
Operação de luz: Yasmin Ebere
Operação e design de som: André Papi
Videografia: Bianca Turner
Operação de vídeo mapping: Julia Ro, Laura Do Lago E Bianca Turner
Concepção de cenografia: Eliana Monteiro
Assistente de cenografia E Desenho Técnico: José Fernando Bicudo
Cenotécnico: Zé Valdir
Criação e concepção de figurinos: Mara Carvalho
Confecção, Modelagem e costura: Silvana Carvalho
Adereços: Rafa Giz e Zé Valdir
Identidade visual: Daniel Torres
Contrarregras: Lisa Ferreira, Muri Palma, Mauro José e Rafael Alcantara
Montadores: Mauro José, Rafael Alcantara
Assessoria de imprensa: Márcia Marques - Canal Aberto
Secretaria: Lisa Ferreira
Mídias sociais: Jorge Ferreira
Fotografia e câmera: Cassandra Mello
Direção de produção: Wemerson Nunes
Assistente de produção: Muri Palma
Produção : Wn Produções e Bela Filmes Produções
Realização: Coletivo Estopô Balaio e Sesc São Paulo
Acessibilidade: Libras e Audiodescrição (Consulte Datas)
Agradecimentos: Teatro de Contêiner Mungunzá (Cia Mungunzá), Cia Antropofágica (Teatro Pyndorama), Cia Livre (Casa Livre), Cooperativa Paulista de Teatro, Casa Faroffa, Galpão do Folias, Complexo Funarte, Teatro Flávio Império, SP Escola de Teatro, Teatro da Vertigem e aos moradores do Jardim Romano.

Serviço
Espetáculo "Reset América Latina"
Data: 14 de maio a 28 de junho, às sextas e aos sábados, às 20h30, e, aos domingos, às 17h30
Estreia 14 de maio, quinta-feira às 20h30.
Sessões especiais nos dias 16 e 17 de maio, durante a Semana S: retirada de ingressos dia 15/5 a partir das 14h online. Gratuito
Sessões especiais nos dias 23 e 24 de maio, durante a Virada Cultural retirada de ingressos um dia antes a partir das 15h online. Gratuito
Acessibilidade
Interpretação em Libras nos dias: 24/05, 29/05, 06/06, 14/06, 20/06 e 28/06.
Audiodescrição nos dias: 07/06, 12/06 e 21/06.
Local: Sesc Belenzinho - R. Padre Adelino, 1000 - Belenzinho, São Paulo, SP
Ingressos: R$60,00 (inteira); R$30,00 (meia-entrada); R$18,00 (Credencial Plena).
Vendas no portal sescsp.org.br e nas bilheterias das unidades Sesc.
Local: Sala de Espetáculos I (130 lugares). Duração: 120 min. Classificação: A partir de 12 anos.


Sesc Belenzinho
Rua Padre Adelino, 1000. Belenzinho – São Paulo (SP)
Telefone: (11) 2076-9700 | sescsp.org.br/Belenzinho
Estacionamento: De terça a sábado, das 9h às 21h. Domingos e feriados, das 9h às 18h. 
Valores: Credenciados plenos do Sesc: R$8,00 a primeira hora e R$3,00 por hora adicional. Não credenciados no Sesc: R$17,00 a primeira hora e R$4,00 por hora adicional.
Transporte Público: Metrô Belém (550m) | Estação Tatuapé (1400m)

.: Mãe e filha, Lúcia Helena e Isabella Galvão ensinam 5 atitudes essenciais


Lúcia Helena e Isabella Galvão propõem caminho para sustentar uma existência com sentido. Foto: divulgação/Hanoi Editora


Existe uma diferença importante entre passar pela vida e, de fato, vivê-la. E justamente agora, em que quase tudo se torna descartável, inclusive ideias, relações e valores, reaprender a pensar se torna essencial. Não no sentido acadêmico ou distante, mas naquilo que toca diretamente a experiência: como lidamos com o outro, com as frustrações, com o tempo e, principalmente, com nós mesmos.  

No livro "Filosofia com Aroma de Café - Reflexões de Mãe e Filha", publicado pela Hanoi Editora, Lúcia Helena Galvão e Isabella Galvão partem dessa provocação para mostrar que a filosofia não é um exercício abstrato, mas uma prática cotidiana. Ao observar a vida com mais atenção, elas propõem um caminho de consciência que não afasta o indivíduo do mundo, mas o reinsere nele com mais lucidez, profundidade e responsabilidade.

As autoras propõem algo simples, mas exigente: viver com presença e responsabilidade sobre si mesmo. Como em uma boa conversa, mãe e filha instigam o leitor a sustentar perguntas que, com o tempo, transformam não apenas os pensamentos, mas a própria existência.  Compre o livro "Filosofia com Aroma de Café - Reflexões de Mãe e Filha", de Lúcia Helena e Isabela Galvão, neste link. Confira cinco ideias do livro que funcionam como pontos de inflexão, sugerindo mudanças sutis de perspectiva que, ao longo do tempo, transformam a forma de viver:


1. Não basta acreditar, é preciso reconhecer a verdade em si
Repetir ideias não é o mesmo que compreendê-las. O livro propõe uma virada importante: sair do campo das crenças e caminhar em direção à experiência direta. Quando algo é verdadeiro, ele não se sustenta apenas como discurso, mas se impõe como evidência interna.


2. Viver é sustentar o equilíbrio entre o concreto e o ideal
A vida não se resolve somente na prática ou só no discurso elevado. Existe um exercício constante de equilíbrio entre o que fazemos todos os dias e os valores que escolhemos sustentar. Ser coerente entre esses dois planos é o que dá direção à existência. 


3. A crise pode ser sinal de crescimento, não de fracasso
Nem toda ruptura indica erro. Muitas vezes, ela marca o fim de uma etapa que já não comporta mais quem você se tornou. Encarar a crise como um movimento de ampliação, e não de perda, transforma a relação com o desconforto e com a mudança. 


4. O ser humano se constrói nas relações
A ideia de autonomia absoluta é, em grande parte, uma ilusão. Somos definidos pelos vínculos que criamos, pela capacidade de sair do próprio eixo e considerar o outro. É nesse movimento que a vida ganha densidade, sentido e permanência. 


5. Autoconhecimento exige prática, não apenas intenção
Olhar para dentro não é um evento pontual, mas um exercício contínuo. Questionar motivações, rever atitudes e distinguir o que é essência do que é máscara são processos que exigem disciplina. É nesse trabalho silencioso que se constrói uma vida mais consciente.

.: Teatro: "Frágil" leva ao palco relatos reais sobre ausência paterna


Montagem luso-brasileira dirigida por Diana Herzog integra a Miacena e faz três apresentações gratuitas no Teatro Arthur Azevedo. Foto: Flávia Montenegro


Tema delicado, mas de natureza universal, e que recentemente virou lei no Brasil - punindo o abandono afetivo -, a ausência paterna ganha a cena em "Frágil", espetáculo protagonizado por Inês Oneto, com direção de Diana Herzog. A montagem parte de relatos reais para investigar as marcas que essa falta deixa na vida das pessoas, construindo uma narrativa sensível que mistura depoimentos, memória e criação cênica. A produção luso-brasileira faz únicas apresentações dias 15, 16 e 17 de maio, no Teatro Arthur Azevedo – Sala Multiuso. 

Em parceria com a Miacena - Mostra Internacional de Artes Cênicas para Espaços Não Convencionais, os produtores Dani Angelotti e André Acioli, junto à Mescla Associações e Inês Oneto, trazem a estreia do espetáculo no Brasil, viabilizada pelo programa de apoio à internacionalização da Dgartes através do Ministério, Cultura Juventude e Desporto e com o apoio da Secretaria de Cultura da cidade de São Paulo.

O texto foi escrito por Herzog e Rafaela AmoDeo (também diretora de movimento), e contém relatos de entrevistas e depoimentos coletados durante a pesquisa. A peça utiliza a técnica do teatro verbatim - em que a atriz reproduz, em tempo real, áudios de testemunhos ouvidos por fones - criando um jogo entre escuta e presença. O resultado é um solo que se desdobra em múltiplas vozes, atravessado por emoções como afeto, abandono, raiva e esperança. 

"A escolha pelo verbatim veio da necessidade da Inês de contar outras histórias além da dela. Ao tentar falar de si, a fragilidade do tema a leva a atravessar relatos de outras mulheres, que ecoam afetivamente - são, no fundo, histórias de filhas marcadas pela ausência paterna. O recurso busca preservar ao máximo a fala original, com o cuidado de repetir intenção e palavras com fidelidade. Assim, essas vozes costuram a dramaturgia e fazem emergir múltiplas presenças em cena, mesmo em um solo. É autoficção, mas também teatro documental”, afirma a diretora Diana Herzog.

"Frágil" nasce de uma investigação artística que envolveu diferentes públicos e especialistas, ampliando o olhar sobre o impacto da ausência paterna. Em cena, o vazio se transforma em matéria dramatúrgica: uma falta que ocupa espaços, atravessa silêncios e molda trajetórias. Assumir o solo marcou uma virada para a atriz. “Foi um salto grande, pessoal e artístico. O projeto nasceu para três atores, mas em algum momento entendi que precisava ser um solo, mesmo sendo o meu primeiro. Parte de um lugar íntimo, mas rapidamente percebi que a ausência paterna atravessa muitas vidas. Tornou-se urgente falar sobre isso: não normalizar, não romantizar, não desculpar”, conta Inês Oneto. 

A atriz também destaca a escuta como eixo da criação: “Colocar-me como mediadora dessas vozes foi, acima de tudo, um exercício de escuta. Cada história é única, mas partilha muitos pontos de contato. Em cena, trago essas experiências sem as representar literalmente, abrindo espaço para fragilidade, humor, raiva e ternura. No solo, estamos expostos, mas também livres. O que procuro é criar uma ponte com o público — um espaço de encontro onde cada um possa reconhecer algo de si e olhar para o que muitas vezes fica por dizer”. A equipe criativa reúne ainda Clívia Cohen (direção de arte), Renato Machado (desenho de luz) e Rui Pinho Aires (direção musical), compondo uma encenação que valoriza a presença da atriz e a força dos relatos. Mais do que um espetáculo sobre ausência, "Frágil" propõe um espaço de identificação e reflexão, onde histórias individuais revelam uma experiência compartilhada.

No final da sessão, o público é convidado a integrar o objeto artístico criado em cena, assumindo um papel de cocriação. A cada participação, a obra se transforma e passa a carregar a marca de quem esteve ali, tornando-se um testemunho coletivo. Nenhuma sessão se repete: cada intervenção gera uma composição única, atravessada pela memória e pela presença do público.


Ficha técnica
Espetáculo "Frágil"
Direção: Diana Herzog. Dramaturgia: Diana Herzog e Rafaela AmoDeo. Elenco: Inês Oneto. Direção de Movimento: Diana Herzog e Rafaela AmoDeo. Concepção Cênica e Figurinos: Clívia Cohen. Desenho Musical: Rui Pinho Aires. Desenho de Luz: Renato Machado. Imagem Gráfica: Inês Oneto e Sofia Calvário.Assistente de Produção: Helena Veloso. Produção BR: Cubo Produções. Direção de Produção BR: Dani Angelotti e André Acioli. Realização: Inês Oneto, Mescla Associados e Miacena Conexões. Espetáculo apoiado pela República Portuguesa/DGArtes. Instagram @fragil_peca / @diana.herzog / @rafaelaamodeo / @inesoneto


Serviço
Espetáculo "Frágil" 
Dias 15, 16 e 17 de maio de 2026 - Sexta e sábado, às 21h; domingo, às 18h00.
Teatro Arthur Azevedo – Sala Multiuso
 Av. Paes de Barros, 955, Alto da Mooca, São Paulo
Duração: 60 minutos + 30 minutos de interação
Classificação: 12 anos
Ingressos: gratuitos
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