Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.
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sexta-feira, 3 de julho de 2026
.: Jornalista escreve crônicas sobre a luta contra o alcoolismo
Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.
quinta-feira, 2 de julho de 2026
.: Julianne Trevisol volta ao teatro em comédia sobre relações afetivas
Comédia francesa "Uma Semana, Nada Mais" estreia nova temporada no Teatro Nair Bello com Julianne Trevisol, Leandro Luna e Beto Schultz. Versão brasileira tem direção de João Fonseca e desnuda as contradições das relações afetivas contemporâneas. Foto: Caio Gallucci
Após vencer o "MasterChef Celebridades", a atriz Julianne Trevisol retorna aos palcos na comédia francesa "Uma Semana, Nada Mais", espetáculo que aborda inseguranças, conflitos e as dificuldades de comunicação nos relacionamentos amorosos contemporâneos. A atriz divide a cena com Leandro Luna e Beto Schultz na versão brasileira do texto do francês Clément Michel, fenômeno de público na América Latina, com mais de 400 mil espectadores em países como Argentina, Uruguai e Chile. A direção é de João Fonseca e a adaptação de Priscilla Squeff. Sucesso de público na América Latina, o espetáculo estreia nova temporada no Teatro Nair Bello, em São Paulo, no dia 24 de julho, onde permanece em cartaz até 16 de agosto. As sessões acontecem as sextas e sábados, às 20h00, e domingos, às 18h00.
Serviço
Espetáculo "Uma Semana, Nada Mais"
.: Letterboxd dos musicais, Musical Cast Database preserva a memória do gênero
À frente do podcast Musical Cast há 11 anos, Rafael Nogueira criou uma plataforma que promete mudar a maneira como as pessoas assistem aos musicais brasileiros. Foto: divulgação
A proposta é simples e ambiciosa ao mesmo tempo: reunir em um só endereço a memória de um gênero que movimenta plateias há décadas, mas cujo registro ainda vive espalhado - quando não se perde de vez. As informações são pesquisadas em programas físicos e digitais, matérias de jornais e revistas, sites especializados em musicais e, às vezes, até na lembrança de quem estava lá, já que muitos desses registros não são mais encontrados.
O MCDb é um desdobramento natural do Musical Cast, podcast dedicado ao teatro musical brasileiro no ar desde 2015. Depois de anos conversando sobre o gênero, a iniciativa agora oferece à comunidade uma ferramenta para registrar e celebrar essas produções de forma permanente e organizada.
Por que documentar o teatro musical brasileiro
O que a plataforma oferece
Sobre o Musical Cast
.: Espetáculo "As Bondosas" estreia em São Paulo após temporadas de sucesso
No palco, dirigidos por Tom Pires, Gerson Lobo, Leandro Mariz e Sidcley Batista interpretam três mulheres, representando arquétipos femininos, numa encenação contemporânea que privilegia o humor. Foto: Janderson Pires
Espetáculo teatral de artistas pernambucanos residentes em São Paulo e no Rio de Janeiro, “As Bondosas” estreia em São Paulo nesta sexta-feira, dia 3 de julho, no Galpão do Folias. Após temporadas de sucesso no Rio e apresentações em festivais pelo país, com mais de 12 mil espectadores, a montagem premiada conquistou seu espaço como uma das criações mais originais do teatro cômico. A comédia dramática do autor maranhense Ueliton Rocon traz à cena o encontro de três carpideiras - mulheres pagas para chorar em velórios -, Astúcia, Angústia e Prudência, já cansadas do penoso ofício de velar mortos.
Elas recebem a missão de velar o corpo da filha mais jovem de uma tradicional família aristocrática, falecida em circunstâncias misteriosas. O que deveria ser um velório solene rapidamente se transforma em uma sequência de situações inusitadas e hilárias. À medida que observam o comportamento nada convencional dos membros da família - incluindo a própria falecida - as três figuras se veem envolvidas em uma trama repleta de segredos, revelações surpreendentes.
Entre confissões inesperadas e acontecimentos cada vez mais absurdos, as carpideiras acabam expondo suas próprias verdades. "As Bondosas" é uma sátira afiada sobre a busca pela verdade, os costumes sociais e as contradições do comportamento humano, conduzida por personagens inesquecíveis de estética irreverente e intrinsecamente humorada da cultura nordestina. Três homens interpretam três mulheres, representando arquétipos femininos, numa encenação contemporânea que privilegia o humor pela natural comicidade do texto referenciado no interior do Nordeste.
O palco é ocupado apenas por cinco caixotes que se transformam em vários signos contextualizados. “A direção do Tom Pires, tanto na condução dos atores quanto na encenação, valoriza a riqueza de diálogos que o autor imprime pela situação dramática vivida pelas personagens, evidenciando a semiologia da narrativa”, acrescenta o ator Gerson Lobo.
Um olhar crítico sobre os costumes, satirizando o fingimento das relações humanas através das choradeiras no ato de suas ocupações. Entre confissões inesperadas e acontecimentos cada vez mais absurdos, as carpideiras acabam expondo suas próprias verdades, levando o público a rir da hipocrisia humana e das máscaras que insistem em usar. A peça completa treze anos de existência, executada pela Cia. S.O.S. de Teatro Investigativo e, em São Paulo, realizada pela Capela Alquímica Produções.
Ficha técnica
Espetáculo "As Bondosas"
Texto original: Ueliton Rocon
Direção e pesquisa musical: Tom Pires
Elenco: Gerson Lobo, Leandro Mariz e Sidcley Batista.
Figurino: Leandro Mariz
Cenário: Sidclei Batista
Iluminação: Eduardo Salino
Produção executiva: Gerson Lobo.
Direção de produção: Cia SOS de Teatro Investigativo RJ
Assessoria de imprensa: Adriana Monteiro
Realização: Capela Alquímica Produções
Serviço
Espetáculo "As Bondosas"
Galpão do Folias | Rua Ana Cintra, 213 - Campos Elíseos / São Paulo
Estacionamento - Rua Ana Cintra, 223 ou Rua Ana Cintra, 183.
Telefone: (11) 33612223 / (11) 33332837
A bilheteria abre duas horas antes do espetáculo.
De 3 de julho até 2 de agosto de 2026
Sextas-feiras, às 20h00, sábados, às 18h00 e 20h00, e domingos, às 18h00.
Duração: 60 minutos
Valor - R$ 80,00 (inteira) / R$ 40,00 (meia-entrada)
Classificação indicativa – 14 anos.
Acesso para pessoas com deficiência (PCD)
Ao lado do metrô Santa Cecília.
.: “A Vingança de Uma Mulher” conduz jogo psicológico de desejo e crueldade
Gênero: drama. Duração: 133 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 1990. Idioma: francês. Direção: Jacques Doillon. Roteiro: Jacques Doillon e Jean-François Goyet, com base em “O Eterno Marido”, de Fiódor Dostoiévski. Elenco: Isabelle Huppert, Béatrice Dalle, Jean-Louis Murat, Laurence Côte, Sebastian Roché, David Léotard, Albert Le Prince, Brigitte Marvine, Pierre Amzallag, Jean-Pierre Bamberger. Distribuição no Brasil: não especificada. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.
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.: "4x100: Correndo por Um Sonho" revisita derrota e busca redenção
Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.
Aposta rara do audiovisual brasileiro, o drama esportivo “4x100: Correndo por Um Sonho” chega à plataforma de streaming Reserva Imovision. Dirigido por Tomas Portella, conhecido por transitar entre o cinema comercial e projetos de maior ambição estética, o longa-metragem parte de uma derrota marcante nas Olimpíadas do Rio 2016 para construir uma narrativa sobre rivalidade, culpa e reconstrução coletiva.
A trama acompanha Maria Lúcia (Fernanda de Freitas), atleta que carrega o peso de um erro decisivo na final do revezamento 4x100, e Adriana (Thalita Carauta), que, após o fracasso, abandona as pistas e tenta sobreviver no circuito de lutas de MMA. Anos depois, às vésperas dos Jogos de Tóquio, elas se veem obrigadas a dividir novamente a mesma equipe, dessa vez ao lado de outras corredoras que também lidam com suas próprias frustrações e expectativas.
O roteiro, assinado por um grupo que inclui Carlos Cortez, Caroline Fioratti, Juliana Soares, L.G. Bayão, Mauro Lima e o próprio Portella, costura diferentes conflitos pessoais sem perder de vista o eixo central: o trabalho em equipe como condição para qualquer vitória. O filme aposta em personagens com trajetórias distintas, evitando uma visão homogênea das atletas e abrindo espaço para discussões sobre machismo no esporte, desigualdade de investimento e a forma como a mídia constrói e destrói narrativas de sucesso.
Nos bastidores, a produção reúne nomes ligados à Gullane Filmes, com coprodução da Globo Filmes e Telecine. A ideia original partiu da atriz Roberta Alonso, que também integra o elenco, evidenciando um envolvimento criativo que ultrapassa a atuação. Parte das sequências de competição foi rodada entre São Paulo e Rio de Janeiro, enquanto a etapa final teve cenas captadas em Tóquio, em uma breve janela de gravações que buscou aproximar a ficção do ambiente olímpico.
Um dos episódios mais comentados da produção envolve Thalita Carauta, que relatou ter sofrido lesões durante as filmagens das cenas de corrida, exigindo adaptações e uso de efeitos visuais. O compromisso físico do elenco contribui para a sensação de esforço real que o filme tenta transmitir, especialmente nas sequências de treino e competição. Lançado em 2021, após adiamentos causados pela pandemia de Covid-19, o longa dialoga com um momento em que o esporte voltou ao centro do debate público, impulsionado pela realização das Olimpíadas de Tóquio. A coincidência de calendário reforçou o interesse pela obra, que funciona também como vitrine para histórias pouco exploradas no cinema nacional.
Ficha técnica
“4x100: Correndo por Um Sonho”
Gênero: drama esportivo. Duração: 109 minutos. Classificação indicativa: 10 anos. Ano de produção: 2021. Idioma: português. Direção: Tomas Portella. Roteiro: Carlos Cortez, Caroline Fioratti, Juliana Soares, L.G. Bayão, Mauro Lima e Tomas Portella. Elenco: Thalita Carauta, Fernanda de Freitas, Priscila Steinman, Cintia Rosa, Roberta Alonso, Augusto Madeira, Zezé Motta. Distribuição no Brasil: Imovision. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.
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A equipe do Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. Você pode assinar a plataforma de streaming Reserva Imovision neste link.
.: Espetáculo "Adulto” percorre o Brasil e coloca relações à prova no palco
Com texto de Fran Ferraretto, indicada ao Prêmio APCA, "Adulto" apresenta um drama contemporâneo que confronta relações, segredos e idealizações sobre o amor. A encenação, assinada por Lavínia Pannunzio, acompanha dois casais de amigos que, diante da revelação de um segredo, veem emergir conflitos silenciados por anos. A peça propõe uma reflexão sobre as múltiplas formas de viver os vínculos afetivos, explorando experiências e valores que atravessam os relacionamentos.
Temas como traição, saúde mental, monogamia, machismo, maternidade e dinheiro atravessam a narrativa, estruturada em duas camadas: a ficção em processo de escrita por uma das personagens e a crise conjugal de João e Sara, que se intensifica com a chegada dos amigos Vitor e Paula, cujas visões provocam deslocamentos e tensões sobre os afetos na vida adulta.
Serviço
Turnê do espetáculo "Adulto"
Sesc Piracicaba: 30 de julho, às 20h00
Sesc Santos: 31 de julho, às 20h00
Ficha técnica:
Texto e idealização: Fran Ferraretto
Direção: Lavínia Pannunzio
Elenco: Fran Ferraretto, Iuri Saraiva, Sidney Santiago Kuanza e Jennifer Souza
Desenho de luz: Gabriele Souza
Trilha sonora e operação de som: Rafael Thomazini
Cenário: Mira Andrade
Figurino: Anne Cerutti
Design gráfico: Murilo Thaveira
Fotos: Julieta Bacchin
Visagismo: Louise Helène
Operação de luz: Carol Dourado
Técnico de montagem: Diego França
Assessoria de imprensa: Canal Aberto – Márcia Marques, Daniele Valério e Carina Bordalo
Estratégia digital e social media: Fernanda Pilotto
Direção de produção: Paula Malfatti
Coordenação de produção: FATTO Realizações
Gestão administrativa: Mava Produções
Assessoria jurídica: José Otávio V. de S. Ferreira S.I. Advocacia
Apoio: Oficina de Atores Nilton Travesso e Salão Pier A.
terça-feira, 30 de junho de 2026
.: Crítica: “Caso 137” mira na alienação com vídeos de gatinhos contra crimes
Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com
Em junho de 2026
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segunda-feira, 29 de junho de 2026
.: “O Balão Vermelho” flutua sobre Paris e redefine olhar sobre a infância
Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.
Ficha técnica
Gênero: comédia, fantasia. Duração: 34 minutos. Classificação indicativa: livre. Ano de produção: 1956. Idioma: francês. Direção e roteiro: Albert Lamorisse. Elenco: Pascal Lamorisse, Sabine Lamorisse, Georges Sellier, Vladimir Popov, Paul Perey, Renée Marion, Michel Pezin. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.
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domingo, 28 de junho de 2026
.: “O Rei Pasmado e a Rainha Nua” transforma desejo em crise de Estado
Imagine a corte espanhola do século XVII entrando em estado de choque simplesmente porque o rei teve um desejo considerado escandaloso: ver a própria esposa nua. É a partir dessa premissa deliciosamente absurda que "O Rei Pasmado e a Rainha Nua" (1991), em cartaz na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte, dirigido por Imanol Uribe, constrói uma das sátiras mais divertidas e inteligentes do cinema espanhol dos anos 90.
Depois de passar uma noite com uma prostituta, o jovem rei percebe que nunca viu o corpo da rainha — e decide corrigir isso imediatamente. O problema é que um pedido tão simples acaba provocando um verdadeiro terremoto moral dentro da corte. Padres, nobres, conselheiros e autoridades religiosas começam a discutir a situação como se o destino do reino dependesse daquilo. E é justamente aí que o filme fica ótimo. Quanto mais séria a reação das figuras de poder, mais engraçada se torna a situação. O roteiro transforma o espanto do rei diante da nudez em uma grande ironia sobre repressão, hipocrisia religiosa e controle dos desejos. Tudo isso sem perder o tom leve e bem-humorado.
Baseado no romance "Crónica del Rey Pasmado", de Gonzalo Torrente Ballester, o filme brinca o tempo inteiro com a distância entre aparência e desejo dentro daquela sociedade rígida e cheia de protocolos. Visualmente, também chama muita atenção. Os figurinos, os interiores do palácio e toda a recriação da Espanha do século XVII ajudam a dar ainda mais charme para essa mistura de comédia histórica e crítica de costumes. E o elenco parece se divertir bastante com a proposta. Destaque especial para Fernando Fernán Gómez, que conquistou o Goya de Melhor Ator Coadjuvante pelo filme. Aliás, "O Rei Pasmado e a Rainha Nua" saiu da cerimônia do Prêmio Goya 1992 com oito estatuetas, incluindo Melhor Filme e Melhor Direção.
Mas talvez o mais interessante seja perceber como a história continua atual. No fundo, o filme fala sobre sociedades que transformam algo simples e natural em escândalo coletivo. Uma dica de fim de semana perfeita para quem gosta de comédias inteligentes, sátiras históricas e filmes que usam humor para cutucar estruturas de poder sem nunca perder a elegância. O inverno chegou, todo mundo já andando encapotado... será mesmo que a rainha vai ficar peladona?
Ficha técnica
“O Rei Pasmado e a Rainha Nua” | “El rey pasmado” (título original) | “O Rei Pasmado” (título em Portugal)
Gênero: comédia, histórico, sátira. Duração: 104 minutos. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 1991. Idioma: espanhol. Direção: Imanol Uribe. Roteiro: Imanol Uribe, Joaquín Oristrell e Rafael Azcona (baseado na obra de Gonzalo Torrente Ballester). Elenco: Fernando Fernán Gómez, María Barranco, Laura del Sol, Juan Diego, Gabriela Toscano. Distribuição no Brasil: Disponível em Belas Artes À La Carte. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.
sexta-feira, 26 de junho de 2026
.: Música: Prime Vídeo disponibiliza documentário de Paul McCartney
Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.
O streaming Amazon Prime Video disponibilizou para os assinantes o documentário "Man On The Run" que narra a trajetória do ex-beatle Paul McCartney no período p´pós-Beatles e a criação da banda Wings, até chegar na sua atual carreira solo. O documentário é narrado por McCartney. Mas está longe de ser uma produção tipo chapa branca. Nele são mostrados não só os pontos positivos como também as mancadas homéricas, como a sua prisão em 1980 no Japão por porte de entorpecente.
Ainda que mostre de uma forma superficial, a produção acaba conseguindo mostrarcomo o músico superou a desconfiança inicial da mídia sobre o seu trabalho na época. O Wings teve várias formações. permanecendo o aeu nucleo com McCartney. Linda Eastman e Denny Lane. E deixou gravados álbuns antológicos, como o Band on the Run, de 1973 E Venus And Mars, de 1975.
Além de imagens raras da época, a produção utiliza como trllha sonora as canções clássicas de McCartney, acentuando o clima saudosista. Destaco a gravação de Band on TheRun, que foi realizada na Nigeria com vários problemas técnicos e situações turbulentas. Na prática, o documentário joga uma luz na trajetória vitoriosa do ex-beatle. Comprovando que nem sempre esse caminho foi um mar de rosas. Mas solidifivou o mito e seu talento nato para a música pop mundial.
"Band On The Run"
"My Love"
Trailer de "Man On The Run"
quarta-feira, 24 de junho de 2026
.: Filme "Um Dia Nossos Segredos Serão Revelados" transforma desejo proibido
Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.
Poucos filmes recentes abraçaram o romantismo trágico com tamanha convicção quanto "Um Dia Nossos Segredos Serão Revelados". Dirigido pela cineasta alemã Emily Atef, o longa-metragem é um dos mais vistos da plataforma de streaming Reserva Imovision, carregando a atmosfera de um amor capaz de consumir tudo ao redor, enquanto observa um dos momentos mais decisivos da história contemporânea alemã: os meses que sucederam a queda do Muro de Berlim.
Baseado no romance homônimo da escritora Daniela Krien, o filme transporta o espectador para o verão de 1990, na antiga Alemanha Oriental. O país vive a expectativa da reunificação, mas a transformação política permanece ao fundo. O centro da narrativa é Maria, jovem prestes a completar 19 anos que divide os dias entre a fazenda da família do namorado, Johannes, e as páginas dos livros que devora compulsivamente. Entre eles, "Os Irmãos Karamázov", de Fiódor Dostoiévski, obra cuja presença dialoga diretamente com os conflitos morais e emocionais da protagonista.
Interpretada com impressionante magnetismo por Marlene Burow, Maria encontra no vizinho Henner, vivido por Felix Kramer, um homem marcado pela dureza da vida, pela solidão e por segredos nunca totalmente revelados. O encontro entre os dois desencadeia uma atração imediata, física e emocional, que cresce até assumir contornos obsessivos. Johannes, personagem de Cedric Eich, torna-se o terceiro vértice de uma relação atravessada por culpa, desejo e inevitáveis consequências.
Emily Atef assina a direção e também o roteiro, desenvolvido em parceria com Daniela Krien e Josune Hahnheiser. Conhecida por obras como "Mais que Nunca", a cineasta franco-alemã demonstra novamente interesse por personagens que enfrentam dilemas íntimos em períodos de profundas mudanças. Em "Um Dia Nossos Segredos Serão Revelados", ela constrói uma narrativa sensorial, apoiada em diálogos econômicos e em uma poderosa comunicação visual.
A atuação de Marlene Burow merece atenção especial. A jovem atriz sustenta a narrativa com uma presença ao mesmo tempo delicada e inquieta. O olhar da atriz frequentemente diz mais do que os diálogos. Felix Kramer, por sua vez, entrega um personagem difícil de decifrar, alternando brutalidade, fragilidade e melancolia.
Os extensos campos da Turíngia, região onde ocorreram as filmagens, transformam-se em reflexo do estado emocional dos personagens. A câmera captura o calor do verão, a poeira das estradas rurais, a vastidão das plantações e os corpos em permanente tensão. O trabalho fotográfico cria um contraste marcante entre a liberdade aparente daquele cenário e os aprisionamentos afetivos vividos por Maria.
Selecionado para a Competição Oficial do Festival Internacional de Cinema de Berlim de 2023, o longa-metragem despertou debates entre crítica e público. Enquanto alguns enxergaram uma vigorosa história de amadurecimento e descoberta sexual, outros questionaram a romantização de uma relação marcada pela diferença de idade e por evidentes desequilíbrios emocionais.
Curiosamente, embora a reunificação alemã seja um dos acontecimentos mais importantes do século XX, Emily Atef evita transformá-la em tema central. O processo histórico surge em pequenos detalhes: novos produtos vindos do Ocidente, mudanças de comportamento, sonhos de prosperidade e incertezas sobre o futuro.
Entre referências literárias, paisagens de rara beleza e uma história de amor destinada ao conflito, "Um Dia Nossos Segredos Serão Revelados" convida o espectador a percorrer os territórios contraditórios do desejo. O resultado é um retrato íntimo de uma geração que testemunhava o fim de um mundo enquanto tentava compreender os próprios sentimentos.
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