quarta-feira, 22 de julho de 2026

.: Angela Chaves lança na Flip livro que transforma monumentos do Rio


Criadora da série "Pedaço de Mim", da Netflix, e autora de novelas como "Éramos Seis" e "Os Dias Eram Assim", escritora apresenta "Histórias de Ferro e Pedra", coletânea que convida leitores a redescobrir a cidade pela imaginação


Depois de uma trajetória dedicada à televisão, ao streaming e à literatura, a roteirista Angela Chaves leva sua imaginação às ruas do Rio de Janeiro. Durante a Flip - Festa Literária Internacional de Paraty 2026, a escritora lança "Histórias de Ferro e Pedra", pela Editora Mondru, coletânea de sete contos que transforma estátuas, chafarizes, praças e monumentos cariocas em protagonistas de narrativas fantásticas. O livro será apresentado no dia 24 de julho, às 18h30, no Auditório Areal, durante a mesa "Grades, Praças, Gargalhadas, o indivíduo contra o mundo", ao lado dos escritores Celso Tadhei e Murilo Veludo Ferreira.

Mestra em Literatura Brasileira, Angela escreveu inúmeros programas para televisão e foi autora e colaboradora de séries e novelas como "Éramos Seis", "Os Dias Eram Assim" e "Maysa - Quando Fala o Coração". Mais recentemente, criou e escreveu a série "Pedaço de Mim", da Netflix, e assina a adaptação do romance "Véspera", de Carla Madeira, para a HBO Max. Ao longo da carreira, foi indicada ao Emmy por Maysa. Em 2025, recebeu o prêmio da APCA de Melhor Novela por Pedaço de Mim e também foi indicada ao Rose d'Or Latinos e ao Prêmio ABRA de Roteiro pela mesma obra, que figurou entre as dez séries de língua não inglesa mais assistidas da Netflix no mundo.

Em "Histórias de Ferro e Pedra", Angela parte de uma pergunta simples: e se os monumentos observassem a vida das pessoas? A partir dessa premissa, cria um universo em que esculturas, calçadas, fontes e estátuas escondem desejos, ressentimentos, lembranças e sonhos. Inspirados em monumentos e espaços públicos do Rio de Janeiro, os contos convidam o leitor a observar a cidade como um exercício da imaginação.

A ideia do livro nasceu de um episódio real envolvendo a estátua Inverno, instalada no Passeio Público do Rio de Janeiro. A escultura desapareceu por um período, reapareceu em outro local e depois voltou ao parque, despertando a curiosidade da autora. "Esse livro começou com o encanto pela estátua Inverno e sua história real, quando esteve desaparecida do Passeio Público e apareceu em outro lugar. Depois voltou ao Passeio Público. Isso motivou minha imaginação", conta Angela. A partir desse primeiro impulso, desenvolvido durante um curso de leitura e escrita com Rona Hanning, surgiram os demais contos da coletânea.

Cada conto constrói um pequeno universo fantástico inspirado em um patrimônio real da cidade. A estátua Inverno, moldada em ferro e estanho, sonha com alguém capaz de compreender sua solidão. A deusa Tétis, no Jardim Botânico, observa discretamente os amores humanos. Duas esculturas de leões disputam protagonismo no Largo dos Leões. Uma lagartixa aventureira desafia a imobilidade de Santa Genoveva. As pedras portuguesas de Vila Isabel transformam relações amorosas em partituras melancólicas. Personagens inusitados também habitam o Cemitério São João Batista e o Colégio Orsina da Fonseca.

Ao final de cada narrativa, notas históricas apresentam a origem, a localização e a história dos monumentos que inspiraram a ficção, aproximando fantasia e realidade. Para a autora, a principal proposta da obra é provocar um novo olhar sobre aquilo que faz parte da rotina. "Com este livro, procura-se acordar contadores. Da próxima vez que passar por uma figura de ferro ou pedra, no Rio de Janeiro ou em qualquer lugar do planeta, o convite é olhar o mundo como exercício da imaginação." A orelha da obra é assinada pela escritora Luize Valente, que destaca o caráter poético, memorialístico e lúdico da coletânea.


Sobre a autora
Angela Chaves nasceu no Rio de Janeiro, cresceu na zona norte da cidade e atualmente divide seu tempo entre a zona sul carioca e o sertão do Nordeste. É formada em Letras, mestre em Literatura Brasileira (1993) e atuou como roteirista da Globo entre 1995 e 2021. Atualmente está à frente da produtora Palavra Chave, dedicada ao mercado audiovisual.

Tem cinco livros infantis e infantojuvenis publicados e escreveu séries, novelas e minisséries para a televisão. Entre seus trabalhos estão "Éramos Seis", "Os Dias Eram Assim" e "Maysa - Quando Fala o Coração". Criou e escreveu a série "Pedaço de Mim," da Netflix, e assina a adaptação do romance "Véspera", de Carla Madeira, para a HBO Max.

Foi indicada ao Emmy por "Maysa - Quando Fala o Coração". Em 2025, recebeu o prêmio da APCA de Melhor Novela por "Pedaço de Mim" e também foi indicada ao Rose d'Or Latinos e ao Prêmio ABRA de Roteiro pela mesma obra, que figurou entre as dez séries de língua não inglesa mais assistidas da Netflix no mundo. Nas redes, é @angelachaves66.


Serviço - Flip 2026
Lançamento do livro "Histórias de Ferro e Pedra" (Editora Mondru)
Mesa: "Grades, Praças, Gargalhadas, o indivíduo contra o mundo" – com Angela Chaves, Celso Tadhei e Murilo Veludo Ferreira
Data: sexta-feira, dia 24 de julho de 2026, às 18h30
Local: Auditório Areal, Festa Literária Internacional de Paraty (Flip)
Sessão de autógrafos no estande da Mondru: data e horário a confirmar

.: "Pergunte Alguma Coisa", com Daphne Bozaski e Gabriela Medvedovsky, juntas


Com direção de Guilherme Gobbi, texto inédito de Gustavo Pinheiro foi escrito especialmente para as duas atrizes. Foto: Brunno Rangel


Um atraso. Uma mentira. Um encontro inesperado. Este é o ponto de partida da peça "Pergunte Alguma Coisa", que reúne no palco, pela primeira vez, duas das mais queridas jovens atrizes do Brasil: Gabriela Medvedovsky e Daphne Bozaski. A amizade e parceria das duas vem de longe, quando protagonizaram a novela “Malhação - Viva a Diferença” (2017), o spin off “As Five” (2020) e, mais recentemente, na novela das nove “Três Graças” (2026). Com direção de Guilherme Gobbi, a estreia será no dia 6 de agosto, no Teatro Tucarena, em São Paulo.

 Agora, as atrizes têm um primeiro encontro marcado nos palcos. Escrita especialmente para Daphne e Gabriela por Gustavo Pinheiro - autor de “Dois de Nós”, com Antonio Fagundes e Christiane Torloni, “A Lista”, com Lilia Cabral e “A Tropa”, com Otavio Augusto -, “Pergunte Alguma Coisa” discute e explora uma das questões mais recorrentes nos dias de hoje: quais são os limites entre o que é humano e o que é criado pela tecnologia? Ao longo da temporada, Gabriela e Daphne se revezam nas personagens em diferentes dias, fazendo com que o público nunca saiba quem estará interpretando qual papel.

“Temos visto, cada vez mais, recursos digitais e tecnológicos invadindo áreas que até então eram essencialmente humanas. Todo dia há alguma matéria no jornal falando sobre isso, jovens que fazem terapia com ChatGPT, pessoas se casando com inteligência artificial... as fronteiras entre verdade e mentira parecem cada vez mais borradas e o espetáculo, com duas excelentes atrizes, me parece uma oportunidade preciosa de discutirmos – e rirmos! – disso tudo, com inteligência e acidez”, explica o autor.

Gabriela concorda que a inteligência artificial está rompendo as barreiras da realidade. “Já não se pode confiar no que se vê. Vivemos um tempo de constante dúvida: o que é de fato real? A peça propõe aprofundar a reflexão do tempo em que vivemos, das relações que construímos, das verdades que acreditamos. Como atriz, me interessa trazer para pauta discussões como estas e que envolvam o público, para que a conversa comece no palco e siga reverberando fora dele”, diz Gabriela.

A opinião é compartilhada por Daphne Bozaski. “Até que ponto nós já estamos totalmente absorvidos pelas facilidades da tecnologia? Será que conseguimos pesquisar numa Barsa? E se um fio romper e ficarmos por muito tempo sem comunicação de internet… Será que conseguimos lidar com nossas vidas cotidianas sem nos expor, sem ter a validação do outro? Me questiono sobre isso! Quando Gustavo e Guilherme Gobbi nos chamaram para esse projeto, pensei: É sobre isso! Esse projeto me instiga, traz de uma maneira bem escrita e com uma boa dose de bom humor, temas que me atravessam. Que oportunidade boa para quem nos assiste, se divertir e se questionar sobre inquietações como essas minhas… Que oportunidade! Criar com esses artistas que tanto admiro. Acredito que a arte, mais principalmente o teatro, tem a grande importância de nos fazer refletir sobre a vida. Quem sabe encontramos juntos caminhos para responder essas minhas perguntas e tantas outras”, afirma.

Para Guilherme Gobbi, que estreia na direção em “Pergunte Alguma Coisa”, a peça oferece a oportunidade de trabalhar com duas atrizes que conhece bem: Gobbi foi o responsável por fazer a escalação das atrizes para o trabalho em “Malhação”. “A inteligência artificial já é uma realidade, e seus desdobramentos nas nossas vidas seguem despertando fascínio e medo. O teatro, para mim, é o lugar ideal para discutir temas urgentes como esse. Sempre admirei a maneira como o Gustavo imprime humor e sofisticação em sua escrita, e estou muito feliz em dirigir um texto seu. Soma-se a isso a alegria de trabalhar com duas atrizes extraordinárias, que acompanho há anos e que atravessam um momento brilhante de suas trajetórias”, explica Gobbi.

O diretor convidou a atriz e diretora Debora Lamm para a interlocução artística da montagem. “Desde que começamos a falar desse projeto, o nome da Debora Lamm me veio imediatamente à cabeça. Nossa afinidade artística vem de longe. Temos um olhar semelhante para o trabalho do ator e para a cena. Ao longo do tempo, fomos cultivando o desejo de nos encontrarmos nos palcos. Quando a ideia dessa peça surgiu, tive a sensação clara de que ele oferecia o terreno ideal para isso. Nossas inquietações convergem diretamente com o universo proposto pelo texto do Gustavo”, explica. A direção de produção de “Pergunte Alguma Coisa” é de Celso Lemos.

 
Ficha técnica
Espetáculo "Pergunte Alguma Coisa"
Elenco: Daphne Bozaski e Gabriela Medvedovsky
Texto: Gustavo Pinheiro
Direção: Guilherme Gobbi
Interlocução artística: Debora Lamm
Assistente de direção: Talita Franceschini
Direção de arte:  Natalia Miyashiro
Figurinos: Luiza Romar
Desenho de luz: Marina Meyer
Desenho de som: Lucas Marcier
Direção de movimento: Fabricio Licursi
Fotógrafo: Brunno Rangel
Programação visual: Vinicius Fadel
Assistente de produção: Will Siqueira
Assessoria de imprensa: Alan Diniz e Pedro Neves
Direção de produção: Celso Lemos
Realização: Musa Produções


Serviço
Espetáculo "Pergunte Alguma Coisa"
Teatro Tucarena - Rua Monte Alegre, 1024 - Perdizes / São Paulo | Telefone: (11) 3670-8455
Temporada: de 6 de agosto a 11 de outubro (quinta a domingo)
Horários: quintas, sextas e sábados, às 20h00, dom às 17h00
Ingressos: R$ 140,00 e R$ 70,00 (meia-entrada)
Vendas: www.sympla.com.br ou na bilheteria de terça a sábado, de 14h00 às 20h00, e domingo, de 14h00 às 18h00
Capacidade: 388 espectadores
Acessibilidade: sim
Duração: 60 minutos
Gênero: comédia
Classificação: 12 anos
Redes Sociais: @perguntealgumacoisa

.: Flip: livro mistura terror, luto e crítica à ditadura em narrativa escatológica


Romance de estreia no terror do jornalista Lucas Limão aborda herança militar, violência política e a dificuldade de se livrar do que nos foi imposto


Com um título que já provoca estranhamento e curiosidade, "Helena Catarina, Não Faz Cocô e Tem Dor de Barriga" chega à 24ª Flip - Festa Literária Internacional de Paraty como uma das apostas mais ousadas da Editora Orlando para 2026. O romance de Lucas Limão - que o autor define como "escatológico, comovente e profundamente humano" - acompanha a jornada de Helena Catarina, filha de um militar de alta patente, que ao se mudar para uma casa próxima ao hospital onde o pai agoniza, descobre que o imóvel é assombrado por espíritos perversos. O castigo deles, no entanto, não é matá-la, mas algo muito mais cruel: impedi-la de fazer cocô. Lucas Limão fará uma sessão de autógrafos no dia 25 de julho, sábado, às 11h, no espaço da editora orlando na Casa Ópera, no Centro Histórico de Paraty.

O que começa como uma tortura intestinal se transforma em uma investigação sobre o passado do pai e os porões mais sombrios da ditadura militar. À medida que os dias passam e a constipação se torna uma tortura insuportável, Helena busca ajuda em uma pombagira. O que começa como uma luta contra os fantasmas da casa logo se transforma em uma investigação sobre o passado do pai. As responsabilidades que ele tentou transmitir à filha e aqueles seres que a atormentam têm uma origem comum. E ela está enterrada nos porões mais sombrios da ditadura militar.

Escrito ao longo de dois anos, o livro nasceu do primeiro processo de luto vivido por Limão na vida adulta - a morte do avô. O autor explica a metáfora que estrutura toda a narrativa: "A dor de estar perdendo um ente querido em uma cama de hospital, vê-lo definhar, é tão solitário quanto um infindável prisão de ventre, as pessoas até entendem o que você está passando, e podem até estar ao seu lado, mas isso não faz você se sentir menos só." A escatologia, para ele, não é gratuita: é a tradução visceral da desumanização vivida por quem acompanha um familiar em estado terminal.

A obra transita entre o terror sobrenatural e o horror real da história brasileira. Ao investigar a casa assombrada, Helena descobre que, durante a ditadura de 64, ali ocorreu um massacre em um terreiro de candomblé - e que seu próprio pai, o Major Tenente Coronel Afonso Catarina, foi o líder da operação. A trama expõe as engrenagens de uma organização golpista dentro das Forças Armadas, os Amarelistas, e coloca a protagonista diante de um dilema cruel: como amar alguém que cometeu atrocidades? "Odiar não te proíbe de amar. E amar não te proíbe de odiar", diz a pombagira que orienta Helena. "Você deve aceitar isso. E deve aceitar que não importa o certo e nem o errado quando se trata de amor e ódio".

O livro também é uma reflexão sobre herança e culpa. Criada dentro dos rigores da caserna, Helena carrega no sangue um passado que não escolheu e que a transformou em algo que ela mesma tem dificuldade de reconhecer. Em uma das cenas mais impactantes, ela confessa aos amigos ter cometido um crime, sob a orientação do pai. "Fico pensando o que teria acontecido se ele tivesse me pedido para não fazer aquilo, o que teria acontecido com a minha vida".

A religiosidade de matriz africana e indígena ocupa um lugar central na narrativa. Helena encontra acolhimento e respostas em uma casa de timbanda, onde uma pombagira a ajuda a expelir não apenas o que seu intestino retém, mas também o peso de uma herança feita de violência. O autor, que se identifica como umbandista, afirma que a obra "traz elementos das religiões de matriz africana e indígena brasileira, e coloca Helena para confrontar os paradigmas militares com os destas religiões". A música também é personagem: canções de Gal Costa, Rita Lee, Belchior, Ave Sangria e Tião Carvalho pontuam a trama e ajudam a construir o estado emocional da protagonista.

"Por trás desse título que é, no mínimo, 'peculiar', há uma história que é, sim, em partes engraçada, mas também comovente, sobre esses sentimentos conflituosos nas relações humanas", escreve Ramon Guilherme Gomes no prefácio. "Lucas tem esse dom de observar e encontrar beleza tanto no banal do cotidiano quanto no fantástico. Além disso, ele possui uma das habilidades que mais anseio: a de ressignificar sentimentos em momentos difíceis para criar algo belo".

Com uma protagonista complexa, o romance se dirige a leitores entre 25 e 35 anos, mas sua potência ultrapassa qualquer recorte etário. É uma história sobre o que herdamos, o que escolhemos carregar e o que, finalmente, conseguimos expelir.


Sobre o autor
Lucas Limão nasceu em São Paulo, capital, e aos 27 anos acumula uma trajetória tão diversa quanto sua escrita. Já foi motorista de uma oficina de tratores, repórter televisivo de um programa sobre a vida no campo, jornalista de economia e assistente de reportagem em um blog de economia. Aos 19 anos publicou seu primeiro livro, infantil, e atualmente trabalha como assessor de imprensa e repórter. Formado em comunicação visual pela Etec Tiquatira, ele se define como alguém que "gosta de dar corda para os doidinhos que vêm puxar papo na rua", hábito que alimenta sua observação do mundo e sua escrita. Não é cristão, mas seu personagem bíblico preferido é Jonas, "pois ele morou dentro de uma baleia".


Sobre a Orlando
A Editora Orlando, fundada pelos jornalistas Karol Lopes, Marcela Güther e Vincent Sesering (também sócios da agência de comunicação literária com.tato), nasceu para dar voz a escritores independentes com qualidade e profissionalismo. Com o lema “Histórias que desafiam o tempo”, oferece serviços completos de edição, revisão, design e divulgação, além de catálogos organizados em selos específicos: ziguezague (infantil), dobradura (poesia), espiral (ficção) e brecha (não ficção). Mais que publicar livros, aposta em estratégias de visibilidade para conectar autores e leitores. Saiba mais em editoraorlando.com.br e no Instagram @editoraorlando.


Lançamento na Flip: Helena Catarina, não faz cocô e tem dor de barriga, de Lucas Limão
Editora Orlando
Gênero: Terror / Romance
Páginas: 96
Onde: 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip)
Compre o livro no site da editora orlando: https://editoraorlando.com.br/produto/helena-catarina/

.: "2X Virgínia Rosa": cantriz em dois shows diferentes no Teatro BDO Jaraguá


Nos dois encontros, a cantora e atriz revisita seus dois primeiros discos acompanhada pelos músicos Dino Barioni e Swami Jr., respectivamente. Foto: Lee Kyung Kim

Influenciada por diversos ritmos da música brasileira, como samba, forró, maracatu e baião, a cantora e atriz paulistana Virgínia Rosa, que atualmente também brilha na novela "Coração Acelerado" (TV Globo), celebra sua brilhante trajetória e os 30 anos da produtora MESA2 no projeto "2X Virgínia Rosa" em duas noites no Teatro BDO Jaraguá. Em 25 de julho, às 20h00, ela sobe ao palco ao lado de Dino Barioni para apresentar o show A Voz do Coração. Em 26 de julho, às 18h00, convida Swami Jr. para mostrar o repertório de “Vou na Vida”.

Sobre o projeto de revisitar seus primeiros discos, Virgínia Rosa diz: “Sempre tive vontade de participar de um projeto no qual eu pudesse apresentar shows relacionados aos meus trabalhos fonográficos. Em A Voz do Coração, ao lado do excelente músico Dino Barioni, recrio meu segundo CD, gravado ao vivo. E no show Vou na Vida tenho o privilégio de reencontrar o maravilhoso Swami Jr, que produziu o Batuque, meu primeiro disco”.

Mesmo depois de 25 anos de sua estreia, A Voz do Coração é considerado um marco na carreira da cantora e do violonista e arranjador Dino Barioni. O show fez tanto sucesso na época, nos extintos Supremo Musical e Teatro Crowne Plaza, que a gravadora Lua Discos o registrou ao vivo e lançou-o em CD (2001), também muito bem recebido pelo público e crítica. Composições de Gilberto Gil, Lenine, Luiz Gonzaga, Chico César, Celso Fonseca, Luiz Melodia e outros estão nesse surpreendente repertório.

“Estou contente com o convite e a chance de relembrar esse show tão importante para nós. Meu set incluía guitarra, violão, viola caipira e bandolim e lembro que era divertido chegar carregando tudo aquilo. Era ao mesmo tempo um desafio e grande responsabilidade, pois o repertório exigia muito da minha performance e o papel de um acompanhador solo nos instrumentos de corda, sendo a única referência para a cantora e tendo que fazer todo o preenchimento exige muita concentração. Acho que fizemos uma linda parceria e estou animado para reviver isso”, revela Barioni.

Já “Vou na Vida” revisita o disco “Batuque” (1997), o primeiro e muito elogiado trabalho de Virgínia Rosa. O disco teve produção musical do próprio compositor, arranjador e violonista Swami Jr., que a acompanha novamente no palco. A música que deu título ao álbum, inclusive, foi composta pela dupla e acaba de ganhar uma nova versão na voz de Mônica Salmaso.

Virgínia e Swami se conheceram na histórica banda Mexe Com Tudo, que marcou a noite paulistana nos anos 80 e 90 e excursionou pela Europa, onde gravou e lançou um LP. Swami e Virgínia têm enorme cumplicidade musical e recriam neste lindo e emocionante show canções de Lenine, Chico César, Itamar Assumpção, Zé Miguel Wisnik e outros, além de composições do próprio Swami (diretor musical da cantora Omara Portuondo, diva do Buena Vista Social Club).  

“Além de ser uma glória estar ao lado de Virginia Rosa, esse show traz de volta memórias, afetividades de um encontro que nós tivemos no início da carreira dela. Quando lançamos ‘Batuque’, fizemos dezenas de shows juntos. Foi um período muito fértil e lindo, que eu guardo com carinho. É uma emoção e uma redescoberta reencontrá-la no show ‘Vou na Vida’ e ver que ela segue sendo uma artista incrível, surpreendente e muito vigorosa. É um prazer imenso dividir o palco com ela.”, declara Swami.


Sobre a MESA2
Criada em 1996 por Fernando Cardoso e Roberto Monteiro, inicialmente como uma produtora de vídeo, a MESA2 tem se destacado ao longo dessas três décadas por produzir espetáculos de música e peças de teatro, além de cuidar da carreira de grandes talentos dessas artes como a própria Virgínia Rosa, Debora Falabella, Naruna Costa, Lucinha Lins, Ailton Graça e outros tantos artistas.

Sobre Virgínia Rosa
Virgí­nia Rosa
nasceu e cresceu em São Paulo. Na adolescência, ela e seus primos participaram de festivais estudantis com o Grupo Lógica. Nos anos 1980, foi vocalista da banda Isca de Polí­cia, de Itamar Assumpção, e depois do grupo Mexe com Tudo. Ao longo da carreira, cantou forró, samba, choro, maxixe, jazz, reggae, carimbó, funk, blues, balada, baião, maracatu e até música erudita.

Em 1997, lançou seu primeiro CD solo: "Batuque" (foi indicada ao Prêmio Sharp de Cantora Revelação). Vieram depois "A Voz do Coração", "Samba a Dois", "Virgí­nia Rosa e Geraldo Flach - Voz & Piano", "Baita Negão" e "Virgí­nia Rosa Canta Clara" (que deu origem também a um especial de TV), em que a cantora homenageia Clara Nunes, que teve grande influência nas suas escolhas musicais.

Entre os diversos shows da cantora estão "Na Batucada da Vida", "Palavra de Paulista" e "Divina Elizeth", em que presta homenagem à Elizeth Cardoso – conhecida como "A Divina" –, que marcou o nascimento da bossa nova com o lançamento do disco "Canção do Amor Demais", em 1958. No formato voz e piano, Virgínia canta sucessos da cantora como “Barracão”, “Naquela Mesa”, “Canção de Amor” e “Na Cadência do Samba”. No musical "Cartola - O Mundo É Um Moinho (2016/2017), Virgí­nia interpretou Dona Zica ao lado de Flavio Bauraqui (Cartola).

"Palavra de Mulher" - com DVD lançado em 2015 - merece destaque especial. Nele, Virgínia Rosa, Lucinha Lins e Tânia Alves interpretam e cantam, em clima de cabaré, personagens femininas imortalizadas nas canções de Chico Buarque. O espetáculo estreou em 2008 e, desde então, viaja pelo país sempre arrebatando o público.

Mas Virgínia foi além do canto e começou uma carreira de atriz. Fez sua estreia na televisão na novela "Babilônia" (2015) depois atuou em "Pega Pega" (2017) e na versão de 2019 de "Éramos Seis", todas na Rede Globo. Os trabalhos de Virgínia Rosa incluem ainda a série "Rota 66: A Polícia que Mata", inspirada no livro homônimo de Caco Barcellos, disponível no Globoplay. Atualmente, está no ar como Nora, em Coração Acelerado, novela das 19h da TV Globo, que segue sendo exibida até meados de agosto. 


Serviço
Show "2X Virgínia Rosa"

Sábado, dia 25 de julho, às 20h00 - "A Voz do Coração", com Dino Barioni
Domingo, dia 26 de julho, às 18h00 - "Vou na Vida", com Swami Jr.
Ingressos: R$ 120,00 inteira e R$ 60,00 meia-entrada
Promo combo dois shows - R$ 100,00 (cem reais). Obrigatória a apresentação do ingresso do segundo show na entrada do teatro para obtenção do desconto do combo.
Teatro BDO Jaraguá: Rua Martins Fontes, nº 71, Centro (Metrô Anhangabaú),  (11) 2802-7075 @teatrobdojaragua www.teatrobdojaragua.com.br
Bilheteria: a partir das 17h de sextas-feiras ou pelo link: https://bileto.sympla.com.br/event/121534
Capacidade: 260 lugares |  Duração: 75 minutos | Indicação etária: livre |
Estacionamento na entrada principal do Hotel Nacional Inn Jaraguá Estapar com valor reduzido de R$ 30,00 (trinta reais) ao teatro por até 4h, valorizando a experiência “Bar do Clóvis + show + Restaurante W3 do hotel”

.: Livro "Iorubahia" reúne textos raros de Pierre Verger sobre a cultura iorubá


Em parceria, instituto Çarê e Fundação Pierre Verger publicam ensaios escritos pelo etnógrafo entre os anos 1950 e 1980. O livro será lançado em agosto, em Salvador, e em setembro, em São Paulo, com conversas com os pesquisadores Angela Lühning, Angela Fileno e Tiganá Santana


"Iorubahia - Escritos Raros sobre a Cultura Iorubá e as Relações entre Brasil e Golfo do Benim", publicada pelo selo editorial Letra da Cidade e pela Fundação Pierre Verger, reúne 12 textos de Pierre Fatumbi Verger (1902-1996), boa parte inédita em português, produzidos entre o fim dos anos 1950 e o início dos anos 1980. Parceria com a Fundação Pierre Verger, Iorubahia é uma publicação do Instituto Çarê, organização cultural sem fins lucrativos que se dedica a preservar e a fomentar manifestações culturais brasileiras de relevo. O livro nasceu do processamento do acervo da editora soteropolitana Corrupio, adquirido em 2003 pelo Çarê. Com organização de Angela Lühning, tem projeto gráfico de Oga Mendonça e posfácio de Tiganá Santana. 

Para marcar a chegada da publicação, o Instituto Çarê e a Fundação Pierre Verger promovem dois lançamentos públicos. Salvador recebe o primeiro encontro, no dia 8 de agosto, durante a programação da 10ª Flipelô, Festa Literária Internacional do Pelourinho. Em seguida, no dia 16 de setembro, o livro será apresentado em São Paulo, no auditório da Biblioteca Mário de Andrade. Nos dois encontros, os pesquisadores Ângela Lühning, Angela Fileno eTiganá Santana discutem a trajetória de Verger e os temas presentes na obra.

Resultado de pesquisas realizadas entre a África Ocidental, a Bahia e outros territórios da diáspora africana, os ensaios abordam temas que acompanharam Verger ao longo de décadas, como as relações históricas entre o golfo do Benim e o Brasil, a religião dos orixás, o transe, as plantas litúrgicas, o sistema de divinação Ifá e as tradições orais da cultura iorubá.

No período em que escreveu esses textos, Verger viveu entre Salvador e a Nigéria, pesquisou arquivos coloniais europeus e brasileiros, tornou-se doutor em estudos africanos pela Escola Prática de Altos Estudos, em Paris, foi pesquisador associado da Universidade de Ibadan e professor visitante da Universidade de Ilê-Ifé. Também percorreu cidades e vilas do território iorubá para acompanhar rituais e registrar relatos orais de babalaôs.

"Os textos reunidos em Iorubahia representam faces relevantes da trajetória multitemática e multiespacial do pesquisador Verger, que ele manteve em processo de construção constante, além da carreira do fotógrafo já consagrado", afirma Ângela Lühning. A coletânea está organizada em três eixos temáticos. O primeiro, Aspectos históricos das relações transatlânticas, dialoga com a pesquisa que deu origem à tese de doutorado de Verger sobre o tráfico de escravizados entre o golfo do Benim e a Bahia. O segundo, Religião iorubá: fundamentos e diáspora, aborda o papel da religião dos orixás na Nigéria e no Brasil e o fenômeno do transe religioso. Já Cultura, conhecimento e oralidade iorubá reúne reflexões sobre conhecimentos transmitidos oralmente, plantas litúrgicas e o sistema de divinação Ifá.

No posfácio, o pesquisador, curador e multiartista Tiganá Santana destaca a contribuição de Verger para os estudos africanos e afro-brasileiros e observa que sua obra rompe hierarquias entre o conhecimento produzido na África e na diáspora, propondo uma compreensão mais ampla das conexões culturais entre os dois lados do Atlântico. “Verger convoca que se esteja, seriamente, lá (em algum locus existencial do continente africano) e que se redimensione, por conseguinte, o que é nascer/viver cá”. escreve. “Em última análise, que se repense o ‘lá’ e o ‘cá’. Nada é simples em toda essa história; muito menos deve ser a nossa inserção nela, a nossa recepção dela”.

Inaugurada em 1979 por um grupo de mulheres liderado pela fotógrafa Arlete Soares, a editora Corrupio foi criada para editar a obra de Verger. Em quatro décadas, construiu um catálogo dedicado à presença negra na formação da cultura brasileira e às relações históricas entre o Brasil e a África. A aquisição desse acervo pelo Instituto Çarê possibilitou a retomada de manuscritos de Verger e deu origem a Iorubahia.


Sobre o autor
Pierre Fatumbi Verger  (Paris, 1902 – Salvador, 1996) iniciou sua trajetória profissional nos anos 1930, tornando-se conhecido como fotógrafo viajante. Em 1946, fixou residência em Salvador, onde trabalhou inicialmente como repórter fotográfico para a revista O Cruzeiro. Mais tarde, enveredou pela pesquisa documental e de campo nas áreas de antropologia, história, conhecimentos orais e botânica, conforme seu interesse se ampliava para questões históricas e culturais, e as tradições religiosas de matriz africana.

Em viagens constantes à África Ocidental, e em um período de doze anos vivendo na Nigéria, fez um mergulho pessoal na cultura iorubá, tendo sido iniciado como babalaô em 1953. Em 1966, tornou-se doutor em estudos africanos pela École Pratique des Hautes Études (EPHE), em Paris. É autor de obras referenciais para o estudo dos trânsitos culturais atlânticos e da presença iorubá na diáspora, como Orixás. Os deuses iorubás na África e no Novo Mundo e Fluxo e refluxo do tráfico de escravos entre o golfo do Benim e a Bahia de Todos os Santos, dos séculos XVII a XIX.


A organizadora
Ângela Lühning começou a trabalhar com Pierre Verger em 1988, momento da criação da Fundação Pierre Verger, em Salvador, e segue vinculada à instituição, como diretora e coordenadora do Espaço Cultural Pierre Verger. Realizou diversas pesquisas sobre Verger e sua atuação, que resultaram em uma série de artigos e outras publicações. Organizou os livros Pierre Verger: repórter fotográfico (2004) e Verger-Bastide: Dimensões de uma amizade (2002), ambos publicados pela Bertrand Brasil. É professora titular aposentada da Escola de Música da UFBA, tendo atuado na área de etnomusicologia da instituição de 1990 a 2025. Suas pesquisas abordam música, memória, história e oralidade na cultura afro-brasileira, além de experiências de educação social em bairros populares de Salvador.


Os editores
Letra da Cidade (https://institutocare.org.br/nucleos/livros/) é o selo editorial dos institutos Acaia e Çarê, duas organizações sem fins lucrativos sediadas em São Paulo e voltadas a promover a valorização e o acesso à educação e à cultura. Seu catálogo cobre áreas de interesse dos dois institutos, como educação, cultura jovem periférica, música e artes visuais. O Instituto Çarê, centro cultural aberto à cidade, tem como missão salvaguardar e difundir obras que marcaram pontos de inflexão na história da cultura brasileira, promovendo manifestações artísticas relevantes, que passam ao largo do radar do mercado cultural. A Fundação Pierre Verger (https://pierreverger.org) é uma instituição sem fins lucrativos criada em 1988 e sediada na casa onde Pierre Verger viveu, em Engenho Velho de Brotas, Salvador. Tem como missão preservar o acervo e a memória de Verger, além de propor atividades culturais e socioeducativas para a comunidade local.


Lançamentos:
Salvador - BA
Sábado, dia 8 de agosto, às 16h00
Casa do Olodum, Salvador (BA)
10ª Flipelô, Festa Literária Internacional do Pelourinho.
Mesa de lançamento: Ângela Lühning, Angela Fileno, Tiganá Santana e Teté Martinho (mediação).
Entrada: gratuita.

São Paulo - SP
Quarta-feira, dia 16 de setembro, às 19h00
Biblioteca Mário de Andrade (Auditório)
Mesa de lançamento: Ângela Lühning, Angela Fileno, Tiganá Santana e Teté Martinho (mediação).
Gratuita, com retirada de ingressos uma hora antes.

.: Experiência imersiva de "Sou Luna: De Volta À Pista" no Parque Villa Lobos


Ativação inspirada no universo da série une patinação, música, criatividade e experiências instagramáveis para conectar os fãs na estreia dessa quarta temporada. Fotos: divulgação


O universo vibrante de "Sou Luna: De Volta à Pista" ganhou vida em uma experiência inédita que está acontecendo em São Paulo, no Parque Villa-Lobos. Inspirada no mundo do Disney Channel, a ativação convida o público a mergulhar no universo da série por meio de uma jornada imersiva que reúne patinação, moda, música e criatividade em um ambiente totalmente tematizado.

A ativação teve início neste final de semana nos dias 18, 19 e ainda vai acontecer nos dias 25 e 26 de julho, disponível das 10h00 às 18h00, é uma experiência criada para transportar fãs de todas as idades ao universo da quarta temporada da série, que fica disponível na íntegra no Disney+ a partir do dia 24 de julho, celebrando os elementos que marcaram a série e conquistaram uma geração. Já para a patinação, são para crianças de 6 a 12 anos.

O grande destaque da ativação é uma pista de patinação inspirada no icônico Jam & Roller, onde os participantes poderão viver momentos que remetem diretamente ao universo da produção. Além disso, o espaço contará com uma oficina criativa para personalização de acessórios, permitindo que cada visitante leve para casa uma lembrança exclusiva da experiência, além de cenários instagramáveis desenvolvidos especialmente para fotos e compartilhamentos nas redes sociais.

Pensada para proporcionar uma experiência inesquecível, a ativação se inicia no controle de acesso do check-in, onde os visitantes seguirão para o espaço de retirada dos patins, onde também poderão guardar seus pertences antes de acessar a pista. Uma área de apoio com bancos está disponível para oferecer mais conforto no momento de calçar e retirar os patins, tornando a experiência ainda mais prática para os participantes.

A quarta temporada de "Sou Luna: De Volta à Pista" se passa após um misterioso acidente que afastou a protagonista das pistas, então Luna retorna ao seu querido Jam & Roller, o lugar que a viu crescer e se tornar uma patinadora reconhecida. Voltar a calçar os patins não será fácil, ainda mais quando o plano de um vilão desconhecido começar a dificultar seu caminho. 

Entre músicas inéditas e clássicos inesquecíveis, aventuras, reencontros com amigos e antigas feridas que voltam a se abrir, Luna terá que enfrentar traições, obstáculos e um dilema amoroso ao se ver dividida entre amores do passado. Nesta nova aventura, Luna lutará para deixar para trás o que a machucou e compreender que as histórias que contamos a nós mesmos podem mudar nosso destino. E, com a ajuda de seus patins, ela fará de tudo para voltar a sentir aquelas “asas nos pés” de que tanto sentiu falta.

A experiência é gratuita, por ordem de chegada, e acontecerá no Parque Villa-Lobos, em São Paulo, nos dias 18, 19, 25 e 26 de julho, das 10h00 às 18h00. A ativação ainda ficará disponíveis nos dias 25 e 26 de julho, das 10h00 às 18h00, no Parque Villa-Lobos, em São Paulo.

terça-feira, 21 de julho de 2026

.: Rafael Caneca transforma episódio da história brasileira em romance


Em entrevista, autor de "Não Volte Sem Ele" fala sobre construção narrativa, influências literárias e as escolhas que moldam sua estreia no romance; Foto: arquivo pessoal


Em “Não Volte Sem Ele”, o escritor cearense Rafael Caneca estreia no romance ao transformar um episódio pouco conhecido da história brasileira em matéria literária. Ambientada no Ceará da década de 1930, a obra parte da existência dos chamados campos de concentração criados durante a seca de 1932 para construir uma narrativa que investiga não apenas a violência histórica, mas também os modos como a literatura pode representar o trauma, o silêncio e a experiência humana em situações extremas.

A obra acompanha Tomás, jovem sertanejo enviado pelo pai em busca do irmão desaparecido, em uma travessia marcada por fome, deslocamento forçado e confinamento. Ao longo do percurso, o romance revela como essas estruturas funcionavam como mecanismo de contenção e segregação, transformando a experiência individual do personagem em expressão de uma lógica mais ampla de exclusão social.

Os temas centrais do livro atravessam tanto o plano histórico quanto o simbólico: memória e apagamento, violência de Estado, política de exclusão, seca e deslocamento, além da relação entre fé, esperança e sobrevivência em contextos extremos. Ao tensionar esses elementos, o romance questiona a ideia de que a esperança sustenta a travessia.

Nascido e residente em Fortaleza, Rafael Caneca é escritor, assessor jurídico e integrante do Coletivo Delirantes. Influenciado por autores como Machado de Assis, Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz e José Saramago, desenvolve uma escrita interessada em aproximar conflitos sociais de experiências íntimas, investigando como as estruturas históricas e políticas atravessam a vida cotidiana de seus personagens. “Não Volte Sem Ele” marca sua estreia na narrativa longa e sinaliza um projeto literário voltado à ficção histórica e às formas contemporâneas de exclusão e violência.

Nesta entrevista, Rafael Caneca comenta o processo de transformação da pesquisa histórica em romance, discute suas escolhas narrativas e analisa como literatura, memória e imaginação podem dialogar para lançar novos olhares sobre histórias que permanecem à margem da memória oficial. Compre o livro "Não Volte Sem Ele", de Rafael Caneca, neste link.


Em “Não Volte Sem Ele”, você parte de um episódio histórico para construir uma narrativa ficcional. Em que momento essa investigação deixou de ser apenas pesquisa e se transformou em literatura?
Rafael Caneca A história já nasceu como ficção. Ela surgiu a partir de um projeto de livro de contos do Coletivo Delirantes, um coletivo de escritores de Fortaleza de que faço parte desde a sua criação. Durante um tempo, tive que me afastar do grupo; ao retornar, eles estavam produzindo uma coletânea de contos - ficcionais - sobre eventos históricos e ferrovias que ligavam o estado do Ceará de norte a sul. Como o livro estava em andamento, muitos dos temas que eles mesmos pensaram já haviam sido escolhidos, e um dos que ainda estava livre relacionava a ferrovia de Senador Pompeu, a seca de 1932 e os campos de concentração - de que eu tinha bem pouco conhecimento na época. Como eu sempre gostei de ler ficções históricas, de preferência sobre lugares não tão conhecidos, nem li as outras opções: essa chamou a minha atenção logo de cara. O conto foi escrito, mas eu achei que a história pedia mais: foi então que decidi transformá-lo em uma narrativa mais longa – foi aí que o romance nasceu.


O romance acompanha a travessia de Tomás em busca do irmão desaparecido. Como você construiu esse eixo narrativo sem recorrer à estrutura clássica da jornada de superação?
Rafael Caneca Eu comecei a escrever a história com algumas ideias já em mente. Claro que não tinha tudo escrito na cabeça – a história vai se desenvolvendo à medida que você senta e escreve, e muita coisa acaba mudando –, mas um dos aspectos que eu tinha decidido, antes mesmo de começar, era que eu não iria escrever uma jornada do herói. Nada contra quem goste, mas não é meu estilo – de escrita nem de leitura. Além disso, essa resolução tem tudo a ver com o espírito da obra que eu queria escrever, com a ideia que eu queria transpor para o papel.


Sua escrita aposta em um estilo direto, com poucas digressões, mesmo ao lidar com temas densos. Como essa escolha formal dialoga com a experiência de violência e escassez vivida pelo protagonista?
Rafael Caneca Procurei usar uma linguagem que refletisse o cenário: aridez e escassez no ambiente, aridez e escassez na escrita. A luta fundamental era pela sobrevivência na busca pelo irmão desaparecido, e no sertão, muitas vezes, a resistência era sinônimo de calar. Falar pouco para economizar até mesmo as palavras.


A narrativa é majoritariamente linear, mas atravessada por memórias e momentos de delírio. Como você trabalhou esses deslocamentos para aprofundar a interioridade do personagem?
Rafael Caneca Meu desejo, como escritor, sempre foi contar uma história. Sem maiores complicações, sem grandes rebuscamentos, apenas contar uma história. Isso resultou na minha escolha pela linearidade. Acontece que ninguém é 100% linear ao contar uma história, e por conta disso eu achei por bem inserir algumas digressões ao longo da narrativa – em momentos que considerei chave durante a escrita (e, consequentemente, durante a leitura). Os momentos de delírio estão demarcados no livro, e também trazem pontos importantes na narrativa.


A relação entre fé, esperança e sobrevivência aparece tensionada ao longo do livro. Como você traduziu narrativamente essa insuficiência da esperança diante da tragédia?
Rafael Caneca Eu busquei mostrar a esperança mais como mecanismo de sobrevivência do que como solução real. As personagens (principalmente o protagonista) rezam, fazem promessas e se agarram à ideia de que as coisas vão melhorar, mas a violência, a fome, o abandono e o descaso continuam avançando. A narrativa busca a todo momento ressaltar um choque constante entre a fé e a realidade material. Também me interessava trabalhar a ambiguidade da religião nesses contextos: ela consola e dá força, mas às vezes também produz resignação. Ou seja: em certos momentos, a esperança impede o desespero; em outros, impede a reação. Eu quis então mostrar justamente essa insuficiência da esperança diante de uma tragédia concreta e estrutural.


O romance lida com o silêncio e o apagamento histórico, mas também com silêncios íntimos dos personagens. Como você equilibrou essas duas dimensões na construção narrativa?
Rafael Caneca Quis aproximar o silêncio histórico do silêncio íntimo das personagens. O apagamento dos campos pelo Estado acaba se refletindo na dificuldade que os personagens têm de falar sobre o trauma, a violência e a culpa. Narrativamente, optei por fazer isso aparecer em memórias fragmentadas, diálogos interrompidos e palavras que permanecem não ditas. O silêncio funciona tanto como marca do trauma individual quanto como consequência de um apagamento coletivo.


Sua obra dialoga com tradições do romance social brasileiro, especialmente com autores como Graciliano Ramos. Em que medida essa influência se manifesta na sua escrita?
Rafael Caneca Ela aparece principalmente na tentativa de construir uma escrita mais seca, direta e humana, sem romantizar a miséria ou transformar o sofrimento em espetáculo. Graciliano Ramos me interessa muito pela forma como ele expõe a violência social a partir da vida cotidiana e dos conflitos internos dos personagens. Também existe uma preocupação em mostrar como estruturas de poder moldam subjetividades e relações humanas (no caso do meu romance, essas estruturas envolvem fome, Estado e desigualdade). “Vidas secas” foi uma grande referência não só para a escrita desse livro, mas na minha vida.


Ao mesmo tempo, há uma dimensão mais alegórica e reflexiva que remete a José Saramago. Como essas referências distintas convivem no seu processo criativo?
Rafael Caneca Acho que quando a gente tem referências dessa qualidade (Graciliano e Saramago, mas também Machado e Rachel), não custa nada usá-las, né? Aliás, é até feio fugir delas! Claro que não se trata de mera cópia, mas de inspiração. Utilizá-las é mais do que um tributo, mas se trata de aproveitar aquilo que convém à história que você quer contar.


O livro evita oferecer consolo ou resolução clara para o leitor. Essa recusa de fechamento foi uma escolha consciente desde o início?
Rafael Caneca Sim! Essa foi uma das ideias que já estava na minha mente quando comecei a escrever a história. Claro que outras opções de finais apareceram ao longo da escrita, mas, na essência, a ideia sempre foi essa.


O personagem Tomás atravessa um espaço físico hostil, mas também um território simbólico marcado pela perda e pela ausência. Como você construiu essa relação entre espaço e subjetividade?
Rafael Caneca Meu objetivo foi fazer com que o espaço não funcionasse apenas como cenário, mas como extensão emocional do próprio Tomás. A seca, os deslocamentos, os campos e as paisagens degradadas refletem o estado interno dele: a sensação constante de perda, desenraizamento e vazio.


Como romance de estreia, o que “Não volte sem ele” revela sobre o seu projeto literário daqui para frente?
Rafael Caneca Acho que o romance revela o que comentei na primeira resposta: meu interesse por ficções históricas. Mas, para mim, essas ficções devem guardar uma característica fundamental, que é a de dialogar com problemas ainda presentes. Me interessa olhar para episódios do passado não como algo encerrado, mas como estruturas que continuam se repetindo de outras formas. Além disso, acredito que meu projeto literário passa por explorar a relação, muitas vezes violenta e injusta, entre o Estado e as populações mais vulneráveis, as desigualdades sociais, a violência, os apagamentos históricos e a forma como tudo isso se relaciona com a vida íntima das pessoas. A mim, não me interessa uma literatura meramente de tese, mas uma em que os conflitos sociais tenham peso real sobre os personagens.

.: "Compactos", coleção de bolso com curadoria, será lançada na Flip


Em edições leves e integrais, nova linha reúne títulos de ficção e não ficção, clássicos e contemporâneos que atravessam o tempo, com previsão de lançamento de obras inéditas 

O Grupo Editorial Record anuncia o lançamento de "Compactos", a sua mais nova coleção de livros de bolso desenhada para acompanhar os leitores em qualquer lugar. A partir de uma curadoria atenta, a linha reúne romances marcantes e ensaios fundamentais de grandes autores nacionais e internacionais. A proposta é oferecer edições leves, integrais e de alta qualidade, feitas para quem busca livros especiais, profundos e perenes. 

A coleção, que será apresentada em primeira mão na Flip - Festa Literária Internacional de Paraty, traz de volta ao público títulos de ficção e não ficção que já faziam parte do catálogo da Record, agora repaginados em um formato prático, ideal para a leitura em movimento - seja no metrô, no parque ou em viagens. São obras clássicas e contemporâneas selecionadas justamente por sua capacidade de fazer perguntas que continuam atuais e de permanecer vivas na mente dos leitores por muito tempo. Os primeiros livros são: "Memórias do Subsolo", de Fiódor Dostoiévski, "Não Contem com o Fim do Livro",  de Umberto Eco e Jean-Claude Carrière, "A Peste", de Albert Camus, e "A Família Medeiros", de Júlia Lopes de Almeida.

Livros que merecem replay: essa é a essência da coleção "Compactos"
Além de revisitar títulos essenciais, o projeto está em contínua expansão, com a previsão de lançamentos inéditos no país para os próximos volumes.  O cuidado com a coleção se estende também à identidade visual. Cada volume dos Compactos conta com um projeto gráfico exclusivo e capas assinadas por diferentes ilustradores. O conceito une a personalidade própria de cada obra a uma harmonia estética que valoriza a estante, despertando o desejo de colecionar histórias. 


Os primeiros títulos da coleção
"Memórias do Subsolo", de Fiódor Dostoiévski: o romance clássico que inaugurou uma nova forma de explorar as contradições da mente humana e apresentou ao mundo um dos mais marcantes e complexos anti-heróis da literatura mundial. Ilustração de capa de Hana Luzia. Compre o livro neste link.

"Não Contem com o Fim do Livro", de Umberto Eco e Jean-Claude Carrière: uma conversa brilhante, espirituosa e divertida entre dois grandes intelectuais sobre a história dos livros, a importância da leitura e as razões pelas quais o objeto impresso permanece indispensável. Ilustração de capa de Dedé Laurentino. Compre o livro neste link.

"A Peste", de Albert Camus: muito além do relato sobre uma epidemia isolada, a obra-prima de Camus oferece uma reflexão poderosa sobre a coragem, a responsabilidade coletiva e a solidariedade humana diante das maiores crises. Ilustração de capa de Deco Farkas. Compre o livro neste link.

"A Família Medeiros", de Júlia Lopes de Almeida: Um clássico indispensável da literatura brasileira que retrata com precisão a sociedade às vésperas da abolição da escravatura, revelando toda a força narrativa e a atualidade de Júlia Lopes de Almeida. Ilustração de capa de Belisa Bagiani. Compre o livro neste link. Os primeiros volumes da coleção Compactos poderão ser encontrados em breve nas principais livrarias de todo o país e nas lojas online.

.: Rafael Mininel mostra como a fantasia pode revelar os perigos do controle


Em "Crônicas das Brumas Densas" o escritor Rafael Mininel utiliza a fantasia sombria para refletir sobre temas como autoritarismo, violência de Estado, manipulação da memória e responsabilidade moral. Foto: divulgação

"Controlar narrativas pode ser tão poderoso quanto controlar exércitos", analisa escritor Rafael Mininel. Autor de "Crônicas das Brumas Densas" explica como construiu um universo que dialoga com a realidade e reflete sobre como a fantasia sombria pode revelar o autoritarismo. Inspirado por acontecimentos históricos, o escritor Rafael Mininel utiliza a fantasia sombria na obra "Crônicas das Brumas Densas" para discutir temas que ultrapassam a ficção, como autoritarismo, violência de Estado, manipulação da memória e responsabilidade moral. Na entrevista abaixo, o autor explica como construiu uma narrativa épica que convida o leitor a refletir sobre os limites da obediência, o poder das escolhas individuais e os mecanismos que sustentam regimes de opressão. Compre o livro "Crônicas das Brumas Densas" neste link.


Valek inicia a história como um soldado moldado para obedecer cegamente ao Império, até que um único episódio transforma completamente sua visão de mundo. O que despertou em você o desejo de contar uma história sobre o momento em que alguém decide romper com um sistema do qual sempre fez parte?
Rafael Mininel - A origem de Valek está em um episódio real da Guerra da Iugoslávia. Ao estudar o massacre de Srebrenica, fiquei inquieto com uma pergunta: o que acontece quando um soldado percebe que a ordem recebida destrói a própria humanidade? Quis explorar esse instante em que obedecer deixa de ser uma virtude e passa a exigir uma escolha moral. A fantasia me permitiu ampliar essa reflexão sem perder sua dimensão humana.


Embora seja uma fantasia sombria, o livro aborda temas muito atuais, como autoritarismo, violência de Estado, perseguição e apagamento da memória. De que forma você equilibrou a criação de um universo fantástico com reflexões sobre questões tão presentes na realidade?
Rafael Mininel - Nunca enxerguei a fantasia como fuga da realidade, mas como outra maneira de observá-la. O universo de Crônicas das Brumas Densas nasceu para discutir mecanismos de poder que atravessam diferentes épocas. Quando retiramos nomes e datas, permanecem as perguntas essenciais: como o autoritarismo se instala, por que pessoas comuns participam dele e qual é o preço de resistir?

O universo de Crônicas das Brumas Densas é marcado por figuras como o Arquivista Sombrio e a Primeira Voz, que tornam a memória e a linguagem elementos centrais da narrativa. Como surgiu essa mitologia própria e qual é o papel simbólico dessas entidades na história?
Rafael Mininel - Sempre me fascinou a ideia de que controlar narrativas pode ser tão poderoso quanto controlar exércitos. O Arquivista Sombrio representa esse perigo: ele se alimenta de versões conflitantes da realidade, dialogando inclusive com fenômenos contemporâneos, como a desinformação e as fakes news. Já a Primeira Voz simboliza a linguagem em seu estado original, anterior à manipulação, lembrando que preservar a memória também é preservar a verdade.


Com cerca de mil páginas, capítulos curtos e um grande número de personagens, o romance apresenta uma construção bastante ambiciosa. Como foi o processo de desenvolvimento desse mundo e quais foram os maiores desafios para manter a narrativa envolvente do início ao fim?
Rafael Mininel - O maior desafio foi equilibrar a escala épica com a experiência humana de cada personagem. Optei por capítulos curtos para manter o ritmo e permitir que diferentes histórias se cruzassem sem perder fluidez. Sempre procurei lembrar que, por maior que fosse o universo, o leitor continuaria acompanhando pessoas, não mapas ou cronologias.


Você transita por gêneros como fantasia sombria, terror psicológico e ficção especulativa, sempre explorando conflitos existenciais. O que espera que os leitores levem consigo após acompanhar a jornada de Valek e mergulhar nas brumas desse universo?
Rafael Mininel - Espero que o leitor termine o livro refletindo sobre a responsabilidade das próprias escolhas. O sacrifício de Led resume essa ideia: ele salva o mundo ao custo de ser completamente apagado da existência. Ninguém naquele universo lembra que ele viveu, mas o leitor lembra. Se essa memória permanecer depois da última página, então sua história continua existindo justamente onde ela mais importa.

Sobre o autor
Rafael Mininel é autor de narrativas intensas, existenciais e psicológicas que desafiam as categorias literárias tradicionais. Atravessando gêneros como fantasia sombria, terror psicológico e ficção especulativa, ele já publicou as obras “Crônicas das Brumas Densas”, “Geografia do Não”, “Exemplar de Segunda Mão” e “Quase Tudo que Eu Imaginei”. Além disso, tem contos em diferentes coletâneas e lançará os livros “Depois do Silêncio”, “A Torre que Sangra” e “Memórias Ressurgem”. Formado em Letras pela Universidade Federal de Uberlândia, graduado em Gestão de Negócios pelo Centro Universitário Moura Lacerda e com MBA em Finanças pela Edgard Abreu, o autor também trabalha como bancário. Compre os livros de Rafael Mininel neste link.

.: Atriz Helena Ignez é homenageada por mostra da série Ocupação Itaú Cultural


Exposição celebra a artista em primeira pessoa e destaca sua trajetória no teatro e no cinema com materiais raros, filmes restaurados e programação especial. Aos 87 anos, Helena Ignez segue em plena efervescência, produzindo e atuando nos palcos e sets de filmagens. 
Foto: Fabrício Tadeu / Acervo Andre Sampaio

 
Era o ano 1956 quando Helena Ignez ingressou na Escola de Teatro da Bahia, em Salvador, cidade onde havia nascido em 1939. Começava ali a trajetória de uma das mais importantes atrizes e diretoras do cinema e do teatro brasileiros, cuja vida e obra são marcadas pela liberdade comportamental e artística. Nesta quarta-feira, dia 22 de julho, o Itaú Cultural inaugura mostra da série Ocupação dedicada a ela. Primeira cineasta mulher a receber esta homenagem, a exposição privilegia a voz de Helena, sua liberdade criativa e sua potência em cena, sempre em intensa atividade artística. A mostra permanece em cartaz até 18 de outubro

 Ocupação Helena Ignez rompe o modelo cronológico-biográfico tradicional para construir uma narrativa em primeira pessoa, guiada pela voz da artista e diretora, seu corpo em ação e sua prática artística radicalmente livre. No período em que estiver em cartaz, o público ainda poderá acompanhar uma retrospectiva com 23 filmes na plataforma Itaú Cultural Play, de obras dirigidas, estreladas ou relacionadas a Helena. Com produção da Itaú Cultural Play e direção de Helena e Guerreiro Lopes, está sendo finalizado o curta-metragem Des-criação – a mulher cabeça, para disponibilização na plataforma e no espaço expositivo.

Ainda, o teatro do IC apresentará a peça "Savannah Bay", montada sobre o texto homônimo de Marguerite Duras em 1999 e em 2001, com direção de Rogério Sganzerla, Helena no papel de Madeleine, uma atriz que perdeu a filha afogada na baía de Savannah e enfrenta problemas de memória, e Djin Sganzerla como sua neta. Ocupação Helena Ignez também conta com uma publicação digital e um site com conteúdos exclusivos (itaucultural.org.br/ocupação).

“Helena atravessa a história do cinema e do teatro modernos no Brasil, passando pelos períodos centrais do Cinema Novo, da Belair e da experimentação radical”, observa Galiana Brasil, gerente de Curadorias e Programação Artística. “Ela é uma pessoa em constante reinvenção e, aos 87 anos, segue nessa trilha, firme e altamente criativa”, completa. O núcleo que Galiana gerencia assina a concepção, realização e curadoria da mostra, com consultoria da atriz Djin Sganzerla, e projeto expográfico de Renata Mota.

Partindo dessa premissa, a linha curatorial abraça a ideia de Helena ser uma atriz antimusa para jogar foco em sua produção, vitalidade e potência criativas. De forma transversal, a mostra reúne materiais históricos, registros inéditos, fotos, vídeos, documentos, instalações e trabalhos recentes da artista. Assim, o caminho percorrido vai do cinema, teatro e direção à formação, encontros e experiências políticas, espirituais e humanas da artista.

A sua trajetória como cineasta e no teatro ganham destaque, revelando um percurso menos conhecido do grande público. Como ela mesma diz, a importância do teatro é absoluta, porém sua trajetória como atriz e mais tarde como diretora ainda é pouco conhecida. Fotos, programas, matérias de jornais – o eu inclui uma crítica do jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues, e documentos de processo de trabalho de Helena, compõem esse espaço.

Vale lembrar que, recentemente, em São Paulo, a atriz integrou o elenco de Fim de Partida, clássico de Samuel Beckett, dirigido por Rodrigo Portella, ao lado de Marco Nanini, Guilherme Weber e Ary França. A temporada segue para Fortaleza em julho. Como diretora, seu mais recente longa-metragem é A Alegria é a Prova dos Nove, de 2023.

A exposição
O percurso pela Ocupação começa com uma experiência imersiva, com áudio da própria Helena conduzindo o público e uma projeção central de trechos marcantes de suas atuações, evidenciando o corpo como linguagem e a ação como gesto político.

A mostra dedica um eixo especial à perspectiva da antimusa, com um conjunto impactante de manchetes históricas, imagens e vídeos. A Mulher de Todos ocupa lugar central na exposição, com a exibição do filme em cópia restaurada, o seu cartaz histórico e registros da personagem que ela encarnou: a irreverente Ângela Carne e Osso, ninfomaníaca que faz dos homens de gato-e-sapato, considerada uma interpretação revolucionária no cinema brasileiro por subverter papéis de gênero em plena ditadura.

O espaço dedicado à Belair reúne filmes, fotos, frames, vídeos, materiais de bastidores, trilhas sonoras e textos da época, incluindo documentos em que Helena se posiciona contra a censura. São registros que retratam o período de intensa criação vivido por Helena Ignez ao lado de Rogério Sganzerla e Júlio Bressane, em 1970. Para se ter uma ideia, o grupo realizou seis longas-metragens em poucos meses. A produção foi logo interrompida pela repressão e eles tiveram de partir para o exílio.

Integram esse conjunto materiais de filmes como "Carnaval na Lama", "Copacabana Mon Amour", "Sem Essa Aranha", "Cuidado Madame", "Barão Olavo, o Horrível" e "A Família do Barulho". Este núcleo também incorpora iniciativas de preservação associadas ao projeto, como apoio da Cinemateca Brasileira que contribuiu para a captura fotográfica digital das películas desses títulos, além de "O Bandido da Luz Vermelha", "O Padre e a Moça", "O Grito da Terra" e "A Grande Feira".

 A Ocupação evidencia ainda o trabalho de Helena como diretora, apresentando roteiros, cadernos de processo, vídeos e bastidores de filmes como "A Alegria é a Prova dos Nove" (2023), além de títulos anteriores. Como atriz, a mostra dialoga com sua produção recente, como o longa "Ensaio Sobre o Fracasso" (2020) e sua atuação no teatro em "Fim de Partida", de Samuel Beckett, com direção de Rodrigo Portella, ao lado de Marco Nanini, Guilherme Weber e Ary França.

Um mural com fotos mostra imagens de parcerias de trabalho longevas, como Rogério Sganzerla (1946–2004), Júlio Bressane, Antônio Pitanga, Paulo Vilaça (1939–1991), Cristiano Burlan e Jean-Claude Bernardet (1936–2024); e outros icônicos, como Jô Soares (1938–2022), Maria Gladys, Zé Celso Martinez Corrêa (1937–2023) e Ney Matogrosso.

 

.: "Nascer É Uma Catástrofe" transforma dores invisíveis em reflexão social


Em “Nascer É Uma Catástrofe”, o escritor Vinicius Damasceno coloca o leitor diante de uma pergunta incômoda: quanto de uma trajetória é escolha - e quanto já estava determinado pelas condições de nascimento? Protagonizada por Igor, a narrativa percorre perdas, afetos, conflitos e decisões difíceis em uma realidade urbana na qual oportunidades não são distribuídas de forma igual. Pobreza, abandono, violência e sistema prisional aparecem não como cenário decorativo, mas como forças que atravessam a formação do personagem.

Com linguagem direta e acessível, o romance preserva a identidade cultural dos personagens e evita tanto o julgamento fácil quanto a romantização da miséria. A obra não pretende absolver escolhas, mas ampliar o campo de visão do leitor sobre as circunstâncias que antecedem cada decisão. A história acompanha Igor desde uma infância marcada por escassez e medo até as consequências adultas de escolhas feitas em um território de possibilidades estreitas. O cárcere integra a narrativa como ponto de chegada e também como lugar de revisão: é ali que o personagem tenta compreender o que viveu, o que escolheu e o que lhe foi imposto.

Questões estruturais presentes na sociedade brasileira - pobreza, abandono, ausência de oportunidades, violência cotidiana e encarceramento - aparecem pela experiência humana, sem transformar os personagens em estatísticas. “Durante 20 anos de trabalho voluntário em uma ONG, convivi de perto com realidades sociais duras, muitas vezes invisíveis para grande parte da sociedade. A obra traz uma ficção sobre desigualdade, identidade, pertencimento e o preço humano de nascer à margem”, afirma Vinicius Damasceno.

O romance se interessa pelas contradições: culpa e contexto, responsabilidade e abandono, afeto e brutalidade. Em vez de oferecer respostas simples, provoca questionamentos sobre empatia, responsabilidade social e as consequências de um sistema que frequentemente deixa parte da população fora do quadro. 

Segundo o autor, a ideia surgiu em um dia de terapia, ao revisitar sentimentos, dúvidas, desilusões e inquietações acumuladas ao longo da vida. A criação também foi atravessada por duas décadas de trabalho voluntário e contato direto com realidades sociais frequentemente ignoradas. “Eu não busco explicar a dor dos personagens: eu quero aproximá-la do leitor. Como quem acende uma luz pequena num corredor escuro e pergunta, em silêncio: até quando passarei reto? Até quando a sociedade vai passar reto?”, questiona Vinicius Damasceno. Compre o livro "Nascer É Uma Catástrofe" neste link.


Sobre o autor
Vinicius Damasceno  nasceu em São Paulo, é pai de Clara e do Benício, casado com Vanessa e construiu sua trajetória profissional na tecnologia até ocupar cargos de liderança em gestão de TI. Hoje atua como CIO, prestando consultoria e gestão por meio de sua empresa, a Dunker IT. Mas foi longe das telas - levando comida a pessoas em situação de rua nas madrugadas do centro de São Paulo e como voluntário em visitas a famílias da Vila Brasilândia - que ele aprendeu outra linguagem: a da urgência humana. “Nascer É Uma Catástrofe”, seu primeiro livro, é uma ficção atravessada por memórias e sentimentos. Nasce do atrito entre dois mundos: o da ordem e o do abandono; o da eficiência e o da fome; o das métricas e o das pessoas invisíveis. Na trajetória de Igor, o autor reúne dores, escolhas e destinos muitas vezes decididos antes mesmo do primeiro passo. Mais do que narrar uma história, Vinicius escreve como quem faz um pedido: que o leitor enxergue o que costuma ficar fora do quadro - e saia diferente de como entrou. Compre o livro "Nascer É Uma Catástrofe", de Vinicius Damasceno, neste link. 

.: Thunderbird homenageia Júpiter Maçã em shows gratuitos nos dias 25 e 26


Paulo Zinner e Lee Marcucci participam do show de domingo. Foto: divulgação

Neste mês do rock, o músico e cantor Luiz Thunderbird está numa residência artística no CCSP com “Noites do Thunder”, uma série de shows gratuitos. No próximo final de semana ele sobre ao tradicional palco paulistano tanto sábado, dia 25 de julho, como domingo, dia 26. No sábado, ele apresenta Orchestra Jupiteriana, um tributo psicodélico à genialidade de Flavio Basso, conhecido como Júpiter Maçã (1968/2015), um dos artistas mais inventivos e cultuados da música brasileira. Idealizado por Luiz Thunderbird, que foi parceiro de Júpiter entre 2005 e 2010, o espetáculo recria ao vivo as sonoridades lisérgicas e as paisagens sonoras do universo jupiteriano, com arranjos que mesclam delicadeza, experimentação e intensidade.

O repertório revisita canções como “Miss Lexotan 6mg Garota”, “Querida Superhist X Mr Frog”, “Um Lugar do Caralho”, “Beatle George”, “Síndrome de Pânico” e “Mademoiselle Marchand”, entre outras. O resultado é uma experiência imersiva, que celebra o legado de Júpiter Maçã e reafirma sua influência sobre novas gerações. A banda formada por músicos que conviveram com Júpiter: Luiz Thunderbird (baixo/vocais), Tatá Aeroplano (vocais e efeitos), Daniel Nakamura (guitarra/vocais), Clayton Martin (bateria/efeitos) e Jimmy Pappon (teclados).

O dia 26 o convite é um passeio pelo pelos anos 70 com “História Ilustrada do Rock Br anos 70”. Thunder (voz/guitarra) é acompanhado por Daniel Nakamura (guitarra), Jimmy Pappon (teclado) e nesse show tem como convidados especiais Paulo Zinner (bateria), um dos fundadores da banda Golpe de Estado e Lee Marcucci (baixo), do fundamental Tutti Frutti, que acompanhou Rita Lee, entre outros, nos anos 70. No repertório, “Sangue Latino”, “Metamorfose Ambulante” e outros clássicos do período. O festival “Noite do Thunder” se encerra no dia 1 de agosto com o show da banda Devotos de Nossa Senhora Aparecida, que está completando 40 anos.


Programação
Dia 25 de julho - Orchestra Jupiteriana
Dia 26 de julho - História Ilustrada do Rock Br anos 70
Dia 1° de agosto - Devotos de Nossa Senhora Aparecida 40 anos

 
Serviço
"Noites do Thunder - Orchestra Jupiteriana"
CCSP (rua Vergueiro, 1000)
Dias 24 de julho, sábado, e 25 de julho, domingo
Horário: sábado, às 20h00, e domingo, às 18h00
Entrada gratuita
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