quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

.: Adélia Prado enfrenta o tempo e a morte em "Miserere"


Reunião de poemas escritos na maturidade, "Miserere", oitavo livro de poesia de Adélia Prado, publicado originalmente em 2013, marca o retorno da autora aos temas que sempre estruturaram sua obra, agora atravessados por uma consciência ainda mais aguda da finitude. Ainda que permeado por leveza e humor, o livro se apresenta como um “pedido de socorro” - expressão que atravessa seus versos — diante do tempo que passa, dos pecados, dos males terrenos e das inquietações da alma. Trata-se de uma reflexão de vida inteira sobre o cotidiano, a intimidade e a experiência espiritual, na qual a relação com o sagrado se espalha por todos os gestos da existência, do rigor do fazer poético à mais prosaica receita culinária.

Dividido em quatro seções - “Sarau”, “Miserere”, “Pomar” e “Aluvião” -, o livro revela uma poesia cada vez mais econômica, marcada pela capacidade rara de dizer muito com pouco. A concisão, que sempre foi uma marca de Adélia, aqui se intensifica sem perder densidade emocional. Em poemas como “Uma pergunta”, a poeta traduz com precisão sentimentos complexos e dolorosos que pais e mães experimentam em algum momento da vida: “Vede como nossos filhos nos olham, / como nos lançam em rosto / uma conta que ignorávamos. / Não cariciosos, convertem em pura dor / a paixão que os gerou”. É nesse gesto de transformar experiências íntimas em matéria universal que Miserere encontra sua força mais duradoura.

Mesmo ao abordar a iminência da doença e da morte, Adélia Prado preserva um olhar bem-humorado e humano, capaz de arrancar da bruma onírica uma cena de graça inesperada. Em “Distrações no velório”, a poeta escreve: “Deus, tem piedade de mim. / Peço porque estou viva / e sou louca por açúcar”. O verso, aparentemente simples, condensa fé, fragilidade e desejo em uma única respiração poética, reafirmando a singularidade de uma escrita que nunca separa o corpo do espírito.

Livro após livro, a sensibilidade de Adélia Prado segue transformando o corriqueiro em matéria poética e espiritual. Dos tomates da feira ao quarto de costura, Miserere fala diretamente ao coração do leitor ao lembrá-lo de que o divino não está apartado da vida cotidiana, mas completamente imerso nela. A maturidade, aqui, não significa apaziguamento, e sim aprofundamento: a poesia continua sendo, para Adélia, forma de oração, de resistência e de escuta radical do mundo.

As novas edições chegam às livrarias com projetos gráficos renovados, trazendo capas assinadas pelo premiado designer Leonardo Iaccarino a partir de obras do artista plástico Pedro Meyer. O cuidado estético dialoga com a permanência e a atualidade de uma obra que, mesmo escrita sob o signo da maturidade, permanece pulsante e inquieta. Aos 90 anos, Adélia Prado é reconhecida como uma das maiores escritoras brasileiras de todos os tempos, vencedora de prêmios como Camões, Machado de Assis, Griffin, Jabuti e Biblioteca Nacional. Em 2014, foi condecorada pelo Governo Brasileiro com a Ordem do Mérito Cultural.

Em recente entrevista ao podcast Casa do Livro, Adélia falou sobre sua relação com o mistério, elemento central de sua escrita: “Acho que eu vivo de mistérios, dou graças a Deus pelos mistérios existirem, desde o mistério da Santíssima Trindade ao mistério da encarnação de Deus, até a física quântica. Dá uma energia, esse mundo desconhecido, que eu não sei como é, o além, o depois disso”. Ao refletir sobre o passar do tempo e as mudanças no modo de fazer poesia, foi ainda mais reveladora: “Por dentro, ainda tenho as mesmas curiosidades, as mesmas dificuldades, os mesmos sofrimentos, as mesmas perguntas de quando eu tinha 18”.

Declarações como essas ajudam a compreender Miserere não como um livro de encerramento, mas como um gesto de continuidade. Um livro em que Adélia Prado reafirma, com humildade e rigor, que a poesia — assim como a fé — nasce da dúvida, do espanto e da vida comum. Compre o livro "Miserere", de Adélia Prado, neste link.


Sobre a autora
Adélia Luzia Prado de Freitas nasceu em 13 de dezembro de 1935, em Divinópolis, Minas Gerais, cidade onde vive até hoje e que se tornou cenário recorrente de sua obra. Começou a escrever versos aos 15 anos, após a morte da mãe, experiência que marcaria profundamente sua relação com a palavra e com o sagrado. Formou-se no Magistério em 1953 e iniciou a carreira como professora em 1955. Em 1958, casou-se com José Assunção de Freitas, com quem teve cinco filhos.

Antes do nascimento da filha caçula, Adélia e o marido ingressaram no curso de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Divinópolis, formando-se em 1973, um ano após a morte do pai da escritora. Poucos anos depois, enviou seus poemas ao crítico e escritor Affonso Romano de Sant’Anna, que os submeteu à leitura de Carlos Drummond de Andrade. Impressionado, Drummond classificou os textos como “fenomenais” e recomendou sua publicação ao editor Pedro Paulo de Sena Madureira, da Editora Imago.

O resultado foi o lançamento de "Bagagem", em 1976, no Rio de Janeiro, em um evento que reuniu nomes como Antônio Houaiss, Rachel Jardim, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Affonso Romano de Sant’Anna e Nélida Piñon. Desde então, a obra de Adélia Prado consolidou-se como um dos pilares da literatura brasileira contemporânea, abrangendo poesia, contos, romances, livros infantis e teatro - sempre marcada por uma escrita que une o sagrado e o profano, o cotidiano e o absoluto, o riso e a dor. Compre os livros de Adélia Prado neste link.


.: The Cavern Club São Paulo apresenta Blitz com show da turnê "Agora É a Hora"


Uma celebração vibrante da banda que ajudou a moldar o rock brasileiro e segue mobilizando plateias por onde passa. Foto: divulgação

A Blitz, um dos grupos mais influentes e carismáticos da música brasileira, chega a São Paulo para uma apresentação especial no The Cavern Club São Paulo, no dia 30 de janeiro, com a turnê “Blitz, Agora É a Hora”. O show reúne energia, teatralidade e um repertório que atravessa gerações, reafirmando o papel da banda como referência criativa e artística desde os anos 1980 até os dias atuais.
 
Reconhecida por seu estilo singular e por uma linguagem que uniu música, humor e performance cênica, a Blitz construiu uma identidade própria dentro do cenário nacional. Seu “caldeirão sonoro”, que mistura rock, funk, reggae, samba, soul e blues, permanece atual, envolvente e capaz de dialogar com públicos diversos, mantendo viva a essência criativa que marcou o surgimento do Rock Brasil.
 
A formação atual conta com Evandro Mesquita (vocal, guitarra e gaita), Billy Forghieri (vocal e teclados), Juba (bateria e vocal), Sara Rosemback (baixo e vocal), Guilherme Schwab (guitarra), Andréa Coutinho (backing vocal), Nicole Cyrne (backing vocal) e Mafram do Maracanã (percussão e vocal). Os ingressos estão à venda em ticketmaster.com.br
 
Com origem no grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone, a Blitz nasceu sob a lona do Circo Voador, no Arpoador, e rapidamente se transformou em um fenômeno da indústria fonográfica. Em apenas três meses, conquistou o país e alcançou números históricos: o compacto “Você Não Soube Me Amar” ultrapassou 1,5 milhão de cópias vendidas, seguido pelo LP “As Aventuras da Blitz”, que consolidou definitivamente o grupo no topo da música brasileira.
 
A carreira da banda se confunde com momentos decisivos da cultura pop nacional. A Blitz ocupou capas das principais revistas do país, lotou ginásios, estádios e palcos emblemáticos como o Canecão, onde quebrou recordes de público, e entrou para a história ao se apresentar no primeiro Rock in Rio, em 1985. Em 1984, foi o primeiro grupo a subir ao palco da Praça da Apoteose, reunindo mais de 60 mil pessoas em um espetáculo memorável.
 
Com reconhecimento também fora do Brasil, a Blitz realizou turnês pelos Estados Unidos, Europa e Japão, manteve presença constante em grandes festivais e, em 2017, recebeu indicação ao Grammy Latino com o álbum “Aventuras 2”. Sua história ganhou registro definitivo no documentário “Blitz – O Filme”, exibido no Festival do Rio e no Canal Curta, além do livro “As Aventuras da Blitz”.
 
Ao longo das décadas, o grupo foi atração dos maiores réveillons do país, participou dos principais festivais nacionais, foi homenageado no Rock in Rio e celebrou os 40 anos do clássico “Você Não Soube Me Amar” em programas de grande alcance da televisão brasileira, reafirmando sua relevância artística e cultural.
 
No palco do The Cavern Club São Paulo, espaço dedicado à história e à celebração da música, a Blitz apresenta um show pulsante, carregado de clássicos, carisma e interação com o público. Uma apresentação que traduz a essência de uma banda que segue influente, criativa e profundamente conectada à memória afetiva do Brasil. Agora é a hora, de viver a Blitz ao vivo, em sua forma mais intensa, celebrando um legado que continua em movimento.
 
Serviço
Blitz - Turnê “Agora é a Hora”
Data: 30 de janeiro de 2026
Local: The Cavern Club São Paulo
Endereço: Shopping Vila Olímpia - Rua Olimpíadas, 360, Vila Olímpia, São Paulo - SP, 04551-000
Horário do Show: 22h30
Classificação: 18 anos. Menores acompanhados somente dos pais ou responsável legal.
*Sujeito a alteração por Decisão Judicial.
 
Bilheteria Oficial – sem taxa de serviço
Shopping Ibirapuera
Endereço: Av. Ibirapuera, 3103 – Indianópolis, São Paulo/SP - Piso Jurupis (subsolo)
Ponto de referência: próximo ao restaurante Frutaria e à Academia Bio Ritmo
Horário de funcionamento:
Terça a sábado: das 10h às 22h
Domingos e feriados: das 14h às 20h
Fechado às segundas-feiras
 
*Cota de ingressos do tipo meia-entrada, limitada a 40% da capacidade, conforme a Lei Federal n.º 12.933/2013. Idosos não fazem parte destes números e não estão submetidos à limitação, por estarem enquadrados na Lei 10.741/2003.
 
Taxa de serviço: 20%
Limite de ingressos por CPF: Clientes podem comprar até 08 ingressos sendo 06 meias-entradas.
Para compras online: Cartões de crédito em até 10 parcelas sendo em até 03x sem juros, demais parcelas com juros e PIX à vista.
Para compras na bilheteria oficial: Cartões de crédito em até 3x sem juros, cartões de débito e dinheiro.
 
Ingressos para PcD:
A compra pode ser feita na bilheteria ou diretamente no site.
Para compras online, selecione o preço “Meia-Entrada” e clique em “Continuar” para ser direcionado ao mapa de assentos. Escolha o assento desejado, existem assentos acessíveis com a informação de “PCD – Área acessível”, clique em continuar para seguir com o processo de compra.
Recomendamos que a compra dos ingressos para a Pessoa com Deficiência e seu acompanhante sejam realizados no mesmo momento e em um mesmo pedido, garantindo que permaneçam juntos no setor durante toda a apresentação. Pessoas com Deficiência e um acompanhante têm direito à meia-entrada.

.: Filarmônica de Pasárgada apresenta o show do álbum "PSSP" no Sesc Belenzinho


No dia 30 de janeiro o Sesc Belenzinho recebe o grupo Filarmônica de Pasárgada. Os ingressos vão de R$ 18 (Credencial Sesc) a R$ 60 (inteira). Banda paulistana faz show do novo álbum PSSP. Foto: Zé Vicente

A Filarmônica de Pasárgada apresenta o show do álbum "PSSP" com 14 canções inspiradas na história da cidade de São Paulo. As faixas do disco abordam diversos aspectos ligados à metrópole paulista, ora de modo mais factual, ora de modo mais onírico, por vezes com ironia e humor: a sua fundação na colina histórica pelos jesuítas no século XVI, a economia do café, a desigualdade social, o drama da Cracolândia, a recorrente crise hídrica, a poluição, o descaso em relação aos rios da cidade, o machismo e o racismo impregnados no desenvolvimento urbano de São Paulo são alguns dos temas que atravessam o álbum. 

As canções foram escritas e arranjadas pelo compositor do grupo, Marcelo Segreto, e contam com participações especiais de Tom Zé, Barbatuques, Trupe Chá de Boldo, Música de Montagem, Mestre Zelão e Escola Mutungo de Capoeira Angola. O projeto gráfico do disco é de Guto Lacaz, as fotomontagens de Zé Vicente, a produção musical de Segreto e o lançamento é pelo selo YB Music em parceria com a Gravadora Experimental da Fatec Tatuí.
 
A Filarmônica de Pasárgada foi formada em 2008 por alunos do curso de música da USP com o objetivo de interpretar as canções de Marcelo Segreto. O grupo possui quatro álbuns lançados: "O Hábito da Força" (2012), "Rádio Lixão" (2014), "Algorritmos" (2016) e "PSSP" (2022). A banda participou do EP Tribunal do Feicebuque (2013) do compositor Tom Zé, juntamente com Emicida, o Terno, Trupe Chá de Boldo e Tatá Aeroplano, e do CD "Vira Lata na Via Láctea" (2014) do mesmo compositor, com Caetano Veloso, Milton Nascimento, Criolo, entre outros. Foi vencedor do 17º Programa Nascente USP, do I Festival da Unicamp e do 41º Festival Nacional da Canção-FENAC e premiado em diversos festivais. 


Serviço
Filarmônica de Pasárgada
Dia 30 de janeiro de 2026. Sexta-feira, 21h00
Local: Teatro (374 lugares)
Valores: R$ 60,00 (inteira); R$ 30,00 (Meia entrada), R$ 18,00 (Credencial Sesc)
Ingressos à venda no portal sescsp.org.br e nas bilheterias das unidades Sesc
Classificação: 12 anos
Duração: 90 minutos
 
Sesc Belenzinho
Rua Padre Adelino, 1000 - Belenzinho / São Paulo
Telefone: (11) 2076-9700
sescsp.org.br/Belenzinho

Estacionamento
De terça a sábado, das 9h às 21h. Domingos e feriados, das 9h00 às 18h00. 
Valores: credenciados plenos do Sesc: R$ 8,00 a primeira hora e R$ 3,00 por hora adicional. Não credenciados no Sesc: R$ 17,00 a primeira hora e R$ 4,00 por hora adicional.

Transporte Público
Metro Belém (550m) | Estação Tatuapé (1400m)

.: “O Diário de Pilar na Amazônia” terá Sessão Especial TEA na Rede Cineflix Cinemas


Nesta sexta-feira, dia 30, às 14h00, a rede Cineflix Cinemas promove uma Sessão Especial TEA com o filme “O Diário de Pilar na Amazônia”, iniciativa voltada a pessoas no espectro autista e suas famílias. A ação integra o projeto de sessões adaptadas da exibidora, com ambiente mais acolhedor, som reduzido, iluminação parcial da sala e liberdade de circulação durante a exibição, garantindo maior conforto sensorial e inclusão no acesso ao cinema.

Baseado na obra homônima da escritora Flávia Lins e Silva, publicada há mais de 25 anos e consagrada na literatura infantil brasileira, o longa-metragem marca a estreia da personagem Pilar em live-action. Dirigido por Duda Vaisman e Rodrigo Van Der Put, o filme aposta numa narrativa de aventura e fantasia que dialoga diretamente com temas como educação ambiental, identidade cultural e responsabilidade social, sem subestimar a inteligência do público jovem.

Na trama, Pilar (Lina Flor) recebe do avô Pedro (Roberto Bomtempo) uma rede mágica que a transporta, ao lado do amigo Breno (Miguel Soares) e do gato Simba, para o coração da Amazônia. Lá, o grupo conhece Maiara (Sophia Ataíde), uma menina ribeirinha separada da família após a destruição de sua comunidade por criminosos ambientais, e Bira (Thúlio Naab). O que começa como uma aventura fantástica se transforma numa missão de enfrentamento às ameaças reais que cercam a floresta.

O elenco adulto reforça o alcance do projeto, com Nanda Costa interpretando a mãe jornalista de Pilar, além de Marcelo Adnet, Emílio Dantas, Rafael Saraiva e Babu Santana, que compõem vilões caricatos, equilibrando humor e crítica social. A presença de elementos do folclore brasileiro, como o Curupira, amplia o diálogo com o imaginário nacional e conecta fantasia e conscientização ambiental de forma acessível e envolvente.

Produzido pela Conspiração Filmes, com coprodução e distribuição da The Walt Disney Company Brasil, o longa foi filmado em locações reais no Pará e no Amazonas, como Alter do Chão, Ilha do Combú e Alto Rio Negro, reforçando a Amazônia não como cenário exótico, mas como personagem viva da narrativa. Com duração de 90 minutos e classificação indicativa livre, o filme tem se destacado como uma opção de entretenimento familiar que alia imaginação, afeto e reflexão.

Ficha técnica
“O Diário de Pilar na Amazônia” (título original)

Gênero: aventura, drama, família. Classificação indicativa: livre. Ano de produção: 2025. Idioma: português. Direção: Duda Vaisman e Rodrigo Van Der Put. Roteiro: João Costa Van Hombeeck e Flávia Lins e Silva. Elenco: Lina Flor, Miguel Soares, Sophia Ataíde, Marcelo Adnet, Emílio Dantas, Babu Santana, Nanda Costa, Roberto Bomtempo. Distribuição no Brasil: The Walt Disney Company Brasil. Duração: 90 minutos. Cenas pós-créditos: não.

Assista no Cineflix Cinemas mais perto de você
As principais estreias da semana podem ser assistidos na rede Cineflix CinemasPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SANO Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.

Cineflix Miramar | Santos | Sala 1
De 29 de janeiro a 4 de fevereiro | Sessões em português | 14h00 e 16h00 
No Miramar Shopping | Rua Euclides da Cunha, 21 - Gonzaga - Santos / São Paulo. Ingressos neste link.

.: Em cartaz no Sesc Digital, documentário "Munch: Amor, Fantasmas e Vampiras" propõe um mergulho no legado de Edvard Munch


Em cartaz no site sesc.digital e no aplicativo Sesc Digital, o documentário "Munch: Amor, Fantasmas e Vampiras", de Michele Mally" propõe um mergulho sensível e informativo no legado de Edvard Munch, ampliando o olhar para além de sua pintura mais famosa, "O Grito", e explorando a complexidade emocional e experimental de sua produção que inicia o gênero do expressionismo nas artes plásticas. A narração é de Ingrid Bolsø Berda. 

Nenhum artista no mundo é mais famoso e, ao mesmo tempo, menos conhecido do que Edvard Munch. Se seu "O Grito" se tornou um ícone de nossa época, o restante de sua obra não é tão famoso. Agora, Oslo, capital da Noruega, marca um ponto de virada em nosso conhecimento sobre o artista: o Museu Munch, inaugurado em outubro de 2021. 

Trata-se de um arranha-céu espetacular projetado para abrigar o imenso legado que o artista deixou para sua cidade: 28.000 obras de arte, incluindo pinturas, gravuras, desenhos, cadernos, esboços, fotografias e seus experimentos com cinema. Esse legado extraordinário nos proporciona uma visão excepcional da mente, das paixões e da arte desse gênio do Norte. Acesse gratuitamente sesc.digital neste link. Ou baixe o aplicativo, disponível para download nas lojas Google Play e App Store.


"Munch: Amor, Fantasmas e Vampiras"
Direção: Michele Mally | Itália | 2025 | 90 minutos | Documentário | 12 anos
Disponível até 20 de março de 2026  


Aplicativo Sesc Digital
Filmes de ficção, documentários, produções originais, shows, mostras e festivais dão vida à nova plataforma de streaming do Sesc São Paulo. Disponível para Apple e Android, o app Sesc Digital é uma ferramenta intuitiva com acesso gratuito a vídeos em até 4K. Compatível com Chromecast e AirPlay, permite ao usuário assistir às obras audiovisuais sem cadastro e gerenciar perfis para toda a família. 


Sesc Digital
  
A presença digital do Sesc São Paulo vem sendo construída desde 1996, sempre pautada pela distribuição diária de informações sobre seus programas, projetos e atividades e marcada pela experimentação. O propósito de expandir o alcance de suas ações socioculturais vem do interesse institucional pela crescente universalização de seu atendimento, incluindo públicos que não têm contato com as ações presenciais oferecidas nas 40 unidades operacionais espalhadas pelo estado. No ar desde 2020, a plataforma Sesc Digital apresenta gratuitamente ao público conteúdos de diversas linguagens artísticas, como teatro, música, literatura, dança, artes visuais, entre outras. Com curadoria do CineSesc, a programação de cinema oferece ao público, filmes premiados, clássicos e contemporâneos, ficções e documentários, produções brasileiras e de várias partes do mundo. Saiba mais em Sesc Digital.

.: Últimos dias: DAN Galeria apresenta coletiva que revisita a formação da arte moderna brasileira


Com curadoria de Maria Alice Milliet, mostra relaciona Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Portinari, Alfredo Volpi e outros nomes essenciais que colaboraram para construção do imaginário visual brasileiro. Na imagem, Emiliano Di Cavalcanti, "O Repouso".  Foto: Dan Galeria/Divulgação


A DAN Galeria apresenta, até 31 de janeiro, "O Brasil dos Modernistas", com curadoria de Maria Alice Milliet. Reunindo cerca de 50 obras de emblemáticas de nomes fundamentais como Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Cícero Dias, Victor Brecheret, Cândido Portinari, Guignard, Alfredo Volpi, Anita Malfatti e outros, a coletiva traça um panorama da arte moderna no país e destaca o papel do movimento que, a partir da década de 1920, redefiniu a linguagem artística nacional e acrescentou ao imaginário coletivo visões atualizadas do imaginário popular brasileiro.

O Brasil dos modernistas toma como ponto de partida das transformações que marcaram o surgimento da modernidade artística no Brasil, um movimento que se consolidou no confronto entre o conservadorismo cultural e o impulso de renovação de um país em transição. A Semana de Arte Moderna de 1922, é retomada aqui como marco simbólico desse embate: vaiada pelo público, expôs a resistência às novas linguagens e à ruptura com os padrões tradicionais, inaugurando uma produção voltada à atualização estética e à construção de uma identidade artística brasileira.

O percurso curatorial retrata como os primeiros modernistas, em busca de formação e reconhecimento, voltaram-se aos grandes centros artísticos da Europa. Foi a partir dessa experiência que muitos passaram a perceber a força e a originalidade da diversidade cultural brasileira para construção de suas próprias identidades artísticas. “Os nossos modernos não precisaram buscar em lugares exóticos os conteúdos populares ou étnicos que tanto encantavam os europeus. Encontraram em nossas paisagens e costumes os ingredientes para a constituição de uma visualidade de caráter nacional”, afirma a curadora Maria Alice Milliet.

Embora influenciada pelas vanguardas europeias, a arte moderna no Brasil manteve-se fiel à figuração. O contato com o movimento de “retorno à ordem”, no período entre guerras, levou os artistas a explorar linguagens expressionistas, cubistas e, mais tarde, surrealistas, em um processo que definiu as bases estéticas do primeiro modernismo brasileiro.

Dentre os destaques da mostra, está o "Retrato de Judite" (1944), de Alfredo Volpi. Pintado no ano em que o artista se casou com Benedita da Conceição, conhecida como Judite, o trabalho retrata sua esposa nua entre cortinas, de braços abertos, como se apresentasse as pinturas que a cercam. Volpi, que iniciou a carreira decorando fachadas paulistanas, desenvolveu uma linguagem própria, marcada pela geometrização e pelo uso refinado da cor. Seu trabalho simboliza a passagem da pintura figurativa para uma modernidade madura, iluminada e de forte identidade brasileira.

“É inegável que Tarsila, Di Cavalcanti, Cícero Dias, Rego Monteiro, Brecheret, Portinari, Guignard constituíram um corpus iconográfico identificado com o Brasil. Mais que isso, o modernismo acrescentou ao imaginário nacional visões atualizadas da nossa realidade sociocultural. Ou seja, quando pensamos na mulher brasileira, vem à nossa cabeça a sensualidade das morenas pintadas por Di Cavalcanti; a história da conquista do nosso território realiza-se no Monumento às Bandeiras, de Brecheret; nossos mitos são os de Tarsila; nossas praias são as de Pancetti; e as festas populares têm no colorido das bandeirinhas de Volpi sua melhor expressão”, completa Maria Alice Milliet sobre o eixo expositivo.

Ao reunir obras fundamentais do período, a mostra O Brasil dos modernistas destaca a relevância histórica e cultural do movimento que redefiniu os rumos da arte no país. A coletiva reforça o papel dessa geração de artistas na construção de uma identidade visual e reafirma a atualidade de seu legado na formação do que se entende por brasilidade.


Artistas presentes 
Alberto da Veiga Guignard, Alfredo Volpi, Anita Malfatti, Candido Portinari, Cícero Dias, Emiliano Di Cavalcanti, Ernesto De Fiori, Ismael Nery, José Pancetti, Tarsila do Amaral, Vicente do Rego Monteiro e Victor Brecheret.

Sobre a galeria
A Dan Contemporânea surgiu como um departamento de Arte Contemporânea da Dan Galeria. Em 1985, Flávio Cohn, filho do casal fundador, juntou-se à Dan criando o Departamento de Arte Contemporânea, que ele dirige desde então. Assim, foi aberto espaço para muitos artistas contemporâneos tanto brasileiros, como internacionais, fortemente representativos de suas respectivas escolas. Posteriormente, Ulisses Cohn também se associa à galeria, completando o quadro de direção dela.

Nos últimos 20 anos, a galeria exibiu: Macaparana, Sérgio Fingermann, Amélia Toledo, Ascânio MMM, Laura Miranda e artistas internacionais: Sol Lewitt, Antoni Tapies, Jesus Soto, César Paternosto, José Manuel Ballester, Adolfo Estrada, Juan Asensio, Knopp Ferro e Ian Davenport.  Mestres de concreto internacionais também fizeram parte da história da Dan, tais como: Max Bill, Joseph Albers e os britânicos Norman Dilworth, Anthony Hill, Kenneth Martin e Mary Martin. 

A Dan Galeria incluiu mais recentemente em sua seleção, importantes artistas concretos: Francisco Sobrino e François Morellet. O fotógrafo brasileiro Cristiano Mascaro; os artistas José Spaniol, Teodoro Dias, Denise Milan e Gabriel Villas Boas (Brasil); os internacionais, Bob Nugent (EUA), Pascal Dombis (França), Tony Cragg (G. Bretanha), Lab [AU] (Bélgica) e Jong Oh (Coréia), se juntaram ao departamento de Arte Contemporânea da galeria. A Dan Galeria sempre teve por propósito destacar artistas e movimentos brasileiros desde o início da década de 1920 até hoje. Ao mesmo tempo, mantém uma relação próxima com artistas internacionais, uma vez que os movimentos artísticos historicamente se entrelaçam e dialogam entre si sem fronteiras. 


Serviço
Exposição "O Brasil dos Modernistas"

Curadoria: Maria Alice Milliet
Endereço: DAN Galeria – Rua Estados Unidos, 1638 – São Paulo
Período expositivo: até 31 de janeiro de 2026
Horário: das 10h00 às 19h00, de segunda a sexta; das 10h00 às 13h00, aos sábados.
Entrada gratuita
Classificação: livre
Mais informações: dangaleria.com.br

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

.: Marcos Damigo desmonta o mito bandeirante para rir de projeto colonial


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com. Foto: Heloísa Bortz

Entre o mito e a farsa, a história do Brasil sempre foi um território disputado - não apenas por quem a escreveu, mas por quem decidiu o que não poderia ser falado. Ao longo de três décadas de trajetória, Marcos Damigo tem feito do teatro um espaço de fricção entre passado e presente, revisitando narrativas oficiais para expor o grotesco escondido sob o verniz da civilização e do progresso. Ator, autor e diretor, ele transforma pesquisa histórica em jogo cênico, ironia e desconforto, recusando a ideia de que o palco deva apenas ilustrar a história. Antes, ele a interroga.

Em cartaz com "Entre a Cruz e os Canibais", comédia farsesca ambientada na São Paulo de 1599, até dia até dia 15 de fevereiro no Teatro Arthur Azevedo, em São Paulo, Damigo desmonta o mito bandeirante ao revelar o desajuste entre o projeto colonial e a realidade violenta que o sustentou. Em entrevista exclusiva ao portal Resenhando.com, o artista fala sobre humor como estratégia crítica, a permanência de estruturas coloniais no Brasil contemporâneo, o risco do fracasso como método criativo e o papel do teatro na disputa por outras formas de imaginar o passado e, talvez, o futuro.


Resenhando.com - Você começou a vida adulta estudando agropecuária e agronomia. Em que momento o Brasil real - do campo, da terra e da exploração - virou matéria estética e política do seu teatro, e não apenas uma lembrança biográfica?

Marcos Damigo - Desde sempre, na verdade. Quando fazia agronomia, participava do movimento estudantil e tive muita convivência com a MST. O primeiro texto que eu escrevi nesse viés de história do Brasil no teatro foi sobre a Guerra de Canudos, eu tinha lido “Os Sertões” do Euclides da Cunha com 16, 17 anos, e foi um livro que me impactou muito. Então, quando abandonei a agronomia e caí no teatro, trouxe essas vivências e interesses pro meu fazer artístico. Essa questão da disputa pela terra e de histórias do Brasil ainda dizem muito pra gente - e da gente - são emblemáticas de estruturas que ainda permanecem hoje no Brasil, e elas estão presentes no meu trabalho desde o começo. Um certo idealismo que germinou em mim quando era mais jovem forjou o artista que eu me tornei.


Resenhando.com - Em "Entre a Cruz e os Canibais", o riso nasce do grotesco. Você acredita que hoje o humor é mais eficaz do que o drama para desmontar mitos nacionais, ou ele corre o risco de anestesiar a violência histórica que denuncia?
Marcos Damigo - O humor e o drama têm, cada um, sua força. O drama opera mais pela identificação, talvez, e a comédia pressupõe um distanciamento crítico. E eu fui me inspirar numa tradição de comédia popular pra escrever esse texto, desde Aristófanes, que criticava os poderosos da Grécia, mas passando também pelos nossos grandes brasileiros, como Martins Pena e Artur Azevedo, por exemplo. O Dario Fo também faz isso muito bem na “Descoberta das Américas”, por exemplo. Nesse caso, de “Entre a Cruz e os Canibais”, operamos no desmonte de uma certa ideia bem sedimentada no nosso imaginário, que é o bandeirante como esse desbravador, destemido, que vai gerar essa cidade-trabalho. Não à toa, quando o mito bandeirante é forjado, na passagem do século 19 para o 20, quando os barões do café investem na construção dessa imagem dos bandeirantes como heróis e de São Paulo como locomotiva do Brasil, é também quando a cidade tem a sua explosão populacional. De uma certa maneira, a construção do mito bandeirante foi muito bem sucedida, né? E eu acho que através do riso e da farsa, e de desmontar e mostrar o absurdo disso, a gente consiga talvez abrir espaço para se pensar outros modos de vida e outros modelos de cidade.


Resenhando.com - O bandeirante já foi herói, vilão, estátua e nome de avenida. O que mais assusta você nessa figura: o passado que ela representa ou a facilidade com que ainda é celebrada no presente?
Marcos Damigo - As duas coisas estão intimamente conectadas: o passado que ele representa, na maneira como esse mito bandeirante foi construído, justifica e fundamenta a celebração dele no presente, na forma das estátuas, das estradas, do Palácio do Governo. É realmente assustador pensar que a gente não está conseguindo se libertar de um paradigma cujo fracasso está cada vez mais evidente, porque ninguém aguenta mais, essa é a verdade, a gente está cada vez mais precarizado, trabalhando cada vez mais, ganhando cada vez menos, tudo em nome desse desenvolvimento desenfreado, e esse paradigma está ancorado nessa imagem dos bandeirantes.


Resenhando.com - Seus trabalhos com Machado de Assis dialogam com ironia, ambiguidade e corrosão moral. Ao olhar para o Brasil colonial, você se sentiu mais próximo de Machado ou de um cronista indignado dos dias de hoje?
Marcos Damigo - Eu sinto que hoje a gente está mais literal, talvez, né? Os discursos estão mais explícitos e nós, como artistas, estamos sendo convocados a nos posicionar de uma maneira mais explícita, para que não haja dúvida do nosso posicionamento e a gente não sofra cancelamentos e tal. O Machado é um pouco o oposto disso, né? Ele vivia, como homem negro, numa sociedade escravista, e alçou uma posição entre uma elite branca e letrada. Então, ele precisava da ironia como arma, que é justamente esse mecanismo de dizer sem dizer. Ele foi desenvolvendo isso como ferramenta, e isso é um dos elementos que o torna genial. Então, de uma certa maneira, nesse equilíbrio precário entre uma posição e outra, eu acho que eu me sinto mais próximo do Machado.


Resenhando.com - Você afirma ter pedido aos atores que “destruíssem” o seu texto. O que mais interessa a você hoje: o controle autoral ou o risco do fracasso em cena?

Marcos Damigo - Eu não tenho nenhum apego ao meu texto, de verdade, eu acho que essa questão do controle autoral é uma armadilha, porque o texto precisa estar a serviço da cena, e não da vaidade do autor. E quando eu escrevo essas peças de conteúdo histórico, tem uma pesquisa prévia muito grande, então é natural que o texto fique um pouco “gordo”, com excesso de referências e tal. E aí é na cena, no ensaio com os atores, que as coisas vão ser testadas, e o que funciona fica, o que não funciona naturalmente cai. O próprio processo começa a se autogerir nesse sentido, e o trabalho do diretor passa a ser muito mais de abrir uma escuta para o que a cena pede do que exatamente impor um ponto de vista. Mas eu gosto de fazer essa dupla comigo mesmo, na dramaturgia e na direção, porque essas escolhas são fundamentadas na pesquisa que eu já fiz. No caso de “Entre a Cruz e os Canibais”, o “destruir o texto” que eu pedi para os atores no começo do processo era justamente nesse sentido de pegar aquilo que eu tinha estruturado através de uma pesquisa e colocar a serviço de uma cena que explicitasse o grotesco das situações.


Resenhando.com - Ao tratar personagens históricos como “tipos”, você rejeita a reconstituição fiel. Em tempos de disputas por narrativas históricas, o teatro deve disputar a verdade ou assumir a mentira como estratégia crítica?
Marcos Damigo - 
Hoje existe uma disputa sobre narrativas, a gente vê isso muito explicitamente na questão da ditadura empresarial-militar que existiu no Brasil, é importante usar essa denominação, que algumas pessoas ainda insistem em chamar de “revolução”. O que a peça faz, na verdade, é mais do que disputar a verdade: é revelar, pelas contradições, a farsa do projeto Moderno. Porque, de uma certa maneira, se a gente parar para pensar, toda a história é uma grande farsa, pelo menos da maneira como a gente conta sem pensar muito no que está dizendo. Se você pensar no Brasil colonial, bem no começo, ali, século 16, costumamos dizer “ah, o Brasil era colônia de Portugal”. Mas, na verdade, o que Portugal conseguiu ocupar eram pontinhos muito isolados de um imenso território. Ou mesmo o Tratado de Tordesilhas, que todo mundo aprende da escola: então quer dizer que um Papa, lá na época, reúne o rei de Portugal e o rei da Espanha, e fala “Vamos traçar uma linha nesse pedaço do mundo aqui e esse lado fica para você e esse outro fica para você”. Não é meio absurdo? Claro que esses absurdos foram se sedimentando no nosso imaginário e criando o mundo da maneira como ele é hoje. Mas a comédia tem essa função de revelar a farsa e talvez abrir possibilidades para outras formas de pensar o mundo.


Resenhando.com - Sua trajetória transita entre teatro, televisão, cinema e audiolivros. O que muda - ética e artisticamente - quando sua voz serve à ficção, à história oficial ou à memória traumática, como em "Última Parada: Auschwitz"?

Marcos Damigo - O que muda, principalmente, é que no teatro, especialmente nesses projetos que eu idealizo e que construo do zero, eu tenho uma autonomia maior para determinar os modos como essa obra vai operar com as questões. Quando eu estou a serviço de um outro produto, seja na televisão, no cinema ou mesmo no audiolivro, eu tento emprestar a minha sensibilidade e a minha visão de mundo para esses trabalhos, e isso obviamente é um importante na maneira como eu sou visto como artista e até do porquê eu sou contratado para esses trabalhos. Mas eu tenho muito menos autonomia, obviamente. Então quando eu pego um livro como esse que você mencionou, “Última Parada: Auschwitz”, eu fico muito feliz porque é um livro importante para entender o que aconteceu num momento tenebroso da história da humanidade.


Resenhando.com - Em "Entre a Cruz e os Canibais", o progresso nasce junto da barbárie. Você diria que São Paulo ainda vive sob essa mesma lógica colonial, apenas com nomes mais sofisticados?
Marcos Damigo - Desde a minha última peça, “Babilônia Tropical”, que estreou no CCBB BH em 2023, eu tive essa percepção muito evidente desse casamento entre “progresso” e “barbárie”. E cada vez mais vivemos essa distopia, essa dissociação entre o modo como as coisas realmente são e o que elas parecem ser. Então acredito que sim, tanto que eu cheguei a escrever uma frase, falando de “Entre a Cruz e os Canibais”, que é: “revelar o grotesco escondido sob o verniz de modernidade que mascara até hoje interesses abjetos”. E é isso, né? A gente hoje, por exemplo, vive uma situação de exploração absurda, mas através de uma captura do nosso desejo, por algo que alguns autores chamam de “servidão voluntária”. A gente não precisa mais ser obrigado a trabalhar porque a gente mesmo se obriga, a gente quer poder consumir, usufruir de uma vida confortável, e tudo certo, é legítimo, claro, mas isso mascara a violência e o absurdo da situação como um todo. Ainda mais no Brasil, que é um dos países com maior concentração de renda do mundo.


Resenhando.com - Depois de tantos anos revisitando a história do Brasil em cena, o que mais o incomoda: o que ainda não foi contado ou o que já foi contado demais, sempre do mesmo jeito?

Marcos Damigo - Essas duas questões andam juntas, porque o que a gente escolhe contar e a maneira como a gente escolhe contar diz muito de quem nós, coletivamente como sociedade, nos tornamos. Por exemplo, em “Leopoldina, Independência e Morte”, peça que eu escrevi sobre a imperatriz Leopoldina, questionando a maneira como a vida dela era contada, colocando ela só num lugar de mulher traída e abandonada, mãe… Isso mascarava a importância política que ela teve, porque não era interessante, numa sociedade patriarcal, que uma mulher fosse retratada tendo a importância e inteligência que ela teve naquela época. Então recontar histórias, que nos acostumamos a contar de um certo modo, de outros modos, é o que me move nessa pesquisa com a história do Brasil no teatro.


Resenhando.com - Se o espetáculo "Entre a Cruz e os Canibais" fosse visto daqui a 50 anos, o que você gostaria que o público entendesse sobre nós: que finalmente aprendemos com o passado ou que seguimos rindo para não encarar a realidade?
Marcos Damigo - É interessante pensarmos um pouco nesse paralelo entre o tempo atual e o tempo da história que é retratada em “Entre a Cruz e os Canibais”, porque foram ambos tempos de grandes transformações. Ali, a gente estava nas navegações, a Europa descobrindo outros continentes, povos, culturas, cobiçando muito também essas riquezas e se transformando a partir de tudo isso que eles foram encontrando. Porque é uma via de mão dupla, sempre. E muitas vezes nos acostumamos a pensar a colonização como uma sociedade impondo seus valores sobre outra. Mas o inverso também ocorre, embora seja silenciado, obviamente. E hoje a gente está vivendo essa revolução digital, também um mundo em grande transformação. Então é difícil imaginar como é que o espetáculo seria visto daqui a cinquenta anos. Sendo muito otimista, eu espero que a gente tenha superado questões urgentes, que têm a ver com as crises climáticas, as crises democráticas do mundo. Para que a gente pudesse olhar para essa peça pensando “nossa, que loucura que era naquele tempo!”, e não se identificasse tanto com as questões que ela suscita.

.: "Solte os Cachorros", estreia de Adélia Prado na prosa, volta às livrarias


"Solte os Cachorros",
livro que marca a estreia de Adélia Prado na prosa e no qual a poeta mineira se apresenta como uma narradora feroz, consciente de sua voz e sem receio de se impor para retratar a vida das mulheres de sua geração, volta às livrarias pela Editora Record. Quase 50 anos após a publicação original, o livro permanece surpreendentemente atual, não apenas pelos temas que aborda, mas pela liberdade com que Adélia encara o corpo, a fé, o desejo e o tempo.

A nova edição traz capa assinada pelo premiado designer Leonardo Iaccarino, a partir de obras do artista plástico Pedro Meyer, reforçando o diálogo entre literatura e artes visuais e atualizando o livro para novos leitores. A narrativa que dá título ao livro apresenta uma mulher “na metade da vida”, figura central na obra de Adélia. Amparada pela experiência, ela observa o mundo com alguma contundência, mas sempre com afeto. A voz da personagem se alterna conforme o assunto - ora reflexiva, ora divertida, ora desesperada ou esperançosa - compondo um retrato complexo e profundamente humano da mulher madura.

Na segunda parte do livro, em um exercício de concisão que denuncia a origem poética da autora, Adélia flerta com o miniconto. São narrativas enxutas, de linguagem coloquial e ritmo preciso, que expõem a beleza e a musicalidade do português falado, transformado em matéria literária de alta voltagem. "Solte os Cachorros" é, assim, uma celebração de uma língua inventada por Adélia Prado - ao mesmo tempo doméstica e metafísica - e do universo que ela criou para retratar a mulher de meia-idade, que, apesar do mundo, do tempo e das interdições, não desistirá de desejar.

Aos 90 anos, Adélia Prado segue reconhecida como uma das maiores escritoras brasileiras de todos os tempos, vencedora de prêmios como Camões, Machado de Assis, Griffin, Jabuti e Biblioteca Nacional. Em 2014, foi condecorada pelo Governo Brasileiro com a Ordem do Mérito Cultural, coroando uma trajetória que uniu rigor literário, espiritualidade e profunda escuta do cotidiano.

Em recente entrevista ao podcast Casa do Livro, Adélia falou sobre sua relação com o mistério, elemento central da obra dela. “Eu vivo de mistérios, dou graças a Deus pelos mistérios existirem, desde o mistério da Santíssima Trindade ao mistério da encarnação de Deus, até a física quântica. Dá uma energia, esse mundo desconhecido, que eu não sei como é, o além, o depois disso”, afirmou. Ao refletir sobre o passar do tempo e as transformações no modo de escrever, foi ainda mais contundente: “Por dentro, ainda tenho as mesmas curiosidades, as mesmas dificuldades, os mesmos sofrimentos, as mesmas perguntas de quando eu tinha 18”. Compre o livro "Solte os Cachorros", de Adélia Prado, neste link.


Sobre a autora
Adélia Luzia Prado de Freitas nasceu em 13 de dezembro de 1935, em Divinópolis, Minas Gerais, cidade onde vive até hoje e que se tornou cenário recorrente de sua obra. Começou a escrever versos aos 15 anos, após a morte da mãe, experiência que marcaria profundamente sua relação com a palavra e com o sagrado. Formou-se no Magistério em 1953 e iniciou a carreira como professora em 1955. Em 1958, casou-se com José Assunção de Freitas, com quem teve cinco filhos.

Antes do nascimento da filha caçula, Adélia e o marido ingressaram no curso de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Divinópolis, formando-se em 1973, um ano após a morte do pai da escritora. Poucos anos depois, enviou seus poemas ao crítico e escritor Affonso Romano de Sant’Anna, que os submeteu à leitura de Carlos Drummond de Andrade. Impressionado, Drummond classificou os textos como “fenomenais” e recomendou sua publicação ao editor Pedro Paulo de Sena Madureira, da Editora Imago.

O resultado foi o lançamento de "Bagagem", em 1976, no Rio de Janeiro, em um evento que reuniu nomes como Antônio Houaiss, Rachel Jardim, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Affonso Romano de Sant’Anna e Nélida Piñon. Desde então, a obra de Adélia Prado consolidou-se como um dos pilares da literatura brasileira contemporânea, abrangendo poesia, contos, romances, livros infantis e teatro - sempre marcada por uma escrita que une o sagrado e o profano, o cotidiano e o absoluto, o riso e a dor. Compre os livros de Adélia Prado neste link.



.: Zé Manoel estreia “Do Sambalanço ao Pagode 90” no Sesc Pinheiros


Show tem participações de Eliana Pittman, Evandro Okàn e Thalma de Freitas. Foto: Kelvin Andrad

O cantor, compositor e pianista Zé Manoel estreia no dia 1º de fevereiro de 2026, domingo, às 18h00, no Sesc Pinheiros - Teatro Paulo Autran, o show “Do Sambalanço ao Pagode 90”, novo espetáculo que propõe uma viagem musical e dançante pela história do samba brasileiro. A apresentação contará com participações especiais de Eliana Pittman, Evandro Okàn e Thalma de Freitas

Resultado de um projeto de pesquisa idealizado pelo próprio artista, o show constrói uma linha do tempo sonora que parte do samba-jazz e do sambalanço dos anos 1960, atravessa a ginga do samba-rock - com referências ao lendário Trio Mocotó - e desemboca na estética afetiva e popular do pagode dos anos 1990. O repertório dialoga com sucessos e matrizes que marcaram gerações, evocando nomes como Raça Negra e Só Pra Contrariar, entre outros.

Com arranjos inovadores, performance carismática e uma banda que exala groove, Zé Manoel revisita clássicos do samba e os reconecta com a brasilidade contemporânea. O resultado é um show dançante, cheio de balanço e emocional, em que o diálogo entre samba e jazz amplia as possibilidades rítmicas e afetivas do repertório.

Além da estreia deste novo espetáculo, o artista vive um momento de grande projeção na carreira. Seu álbum mais recente, Coral (2023), considerado um marco estético e político de sua discografia, reúne colaborações com Luedji Luna, Liniker e Alessandra Leão, reafirmando Zé Manoel como uma das vozes mais relevantes da música brasileira contemporânea. Paralelamente, Zé Manoel está em turnê ao lado do pianista Amaro Freitas, com um espetáculo dedicado ao universo do Clube da Esquina, revisitando obras fundamentais do cancioneiro nacional em novas leituras para piano e voz.


Sobre Zé Manoel
José Manoel de Carvalho Neto, conhecido artisticamente como Zé Manoel, nasceu em Petrolina, Pernambuco. Desde cedo, demonstrou talento e paixão pela música, o que o levou a estudar na Universidade Federal de Pernambuco. Sua carreira começou a ganhar destaque com o lançamento de seu disco de estreia, "Zé Manoel", em 2012, seguido por "Canção e Silêncio" em 2015, e “Delírio de um Romance a Céu Aberto”, em 2016, sendo este, vencedor do Prêmio da Música Brasileira na categoria Projeto Especial. Aclamado pela crítica, Zé Manoel rapidamente se estabeleceu como um dos grandes nomes da nova MPB.

Em 2021, seu álbum "Do Meu Coração Nu" foi indicado ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Popular Brasileira. Zé Manoel é conhecido por suas composições sutis e profundas, influenciadas pelas águas do rio São Francisco e pela rica cultura nordestina. Ao longo de sua carreira, ele colaborou com renomados artistas brasileiros como Alaíde Costa, Adriana Calcanhoto, Maria Bethânia, Ná Ozzeti, Jussara Marçal, Elba Ramalho, Fafá de Belém, Ana Carolina e Vanessa da Mata. Atualmente está em turnê por todo o Brasil com o show “Amaro Freitas e Zé Manoel interpretam Clube da Esquina”, ao lado do pianista Amaro Freitas.

Zé Manoel continua a inovar e evoluir em sua música, sempre buscando novas formas de expressar suas experiências e emoções. Seu trabalho é uma fusão de tradição e modernidade, resultando em uma sonoridade única e cativante que ressoa profundamente com o público.


Serviço
Estreia do show “Do Sambalanço ao Pagode 90”

Sesc Pinheiros - Teatro Paulo Autran 
Dia 1º de fevereiro, domingo, às 18h00
Classificação Indicativa: 12 anos
Duração: 90 minutos
Ingressos: R$ 18 ,00(credencial plena), R$ 30,00 (meia-entrada), R$ 60,00 (inteira)


Sesc Pinheiros  

Rua Paes Leme, 195, Pinheiros / São Paulo
Horário de funcionamento: Terça a sexta: 10h às 22h. Sábados: 10h às 21h. Domingos e feriados: 10h às 18h30
Estacionamento com manobrista


Como chegar de transporte público
São 350 metros a pé da Estação Faria Lima (metrô | linha amarela), 350m a pé da Estação Pinheiros (CPTM | Linha Esmeralda) e do Terminal Municipal Pinheiros (ônibus). Acessibilidade: a unidade possui rampas de acesso e elevadores, além de banheiros e vestiários adaptados para pessoas com mobilidade reduzida. Também conta com espaços reservados para cadeirantes.

.: Nação Zumbi em concerto sinfônico pelos 30 anos do disco "Afrociberdelia"


Grupo pernambucano, expoente do movimento Manguebeat, faz apresentação especial com a Orquestra Experimental de Repertório do Municipal de São Paulo. O programa conta com as músicas do disco "Afrociberdelia", reimaginadas para orquestra. 
Foto: André Almeida/Divulgação


Em fevereiro, o Theatro Municipal de São Paulo segue com sua programação dedicada a encontros inéditos entre diferentes linguagens musicais. Nos dias 2 e 3, de fevereiro às 20h00, a Sala de Espetáculos recebe "Nação Zumbi Sinfônico - Afrociberdelia 30 Anos", concerto especial que celebra três décadas de “Afrociberdelia” (1996), segundo disco da Nação Zumbi da formação com Chico Science e produzido pelo paulistano Eduardo Bidlovski (BID), um álbum histórico e marco do movimento manguebeat. Os ingressos variam de R$30 a R$140 (inteira), classificação livre para todos os públicos, duração de 75 minutos.

Uma das bandas mais celebradas da música brasileira, a Nação Zumbi surgiu no início dos anos 1990, no Recife, então sob o nome Chico Science & Nação Zumbi, e inaugurou a cena Mangue com uma sonoridade que mescla funk, rock, maracatu, embolada, e psicodelia, sendo reconhecida como uma das contribuições mais importantes para a modernização da música brasileira, ao lado da Bossa Nova e do Tropicalismo.

O projeto promove um encontro inédito entre a banda e a Orquestra Experimental de Repertório, sob regência de Wagner Polistchuk, com orquestrações assinadas pelo pernambucano Mateus Alves, em uma criação concebida especialmente para o palco do Municipal. No palco, Jorge Du Peixe (vocal) lidera a Nação Zumbi ao lado de Dengue (baixo), Toca Ogan (percussão), Marcos Matias e Da Lua (tambores), Tom Rocha (bateria) e Neilton Carvalho (guitarra).

No repertório, a banda toca o disco na íntegra e apresenta versões orquestrais de faixas como Mateus Enter, Etnia, Manguetown, Maracatu Atômico e outras. No Carnaval 2026, a Nação Zumbi será homenageada pela Acadêmicos da Grande Rio no desfile da escola na Marquês da Sapucaí, no Rio de Janeiro, com o enredo "A Nação do Mangue", dedicado ao movimento Manguebeat. O Manguebeat foi um movimento de contracultura surgido em Recife no início dos anos 1990, liderado por Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A. Misturou ritmos regionais (maracatu, coco) com rock, hip-hop e música eletrônica, com o objetivo de valorizar a cultura local e criticar a desigualdade social. 


Serviço
Nação Zumbi Sinfônico - "Afrociberdelia 30 Anos"
Sala de Espetáculos do Theatro Municipal 
Dias 2 e 3 de fevereiro, às 20h00
Nação Zumbi: Jorge Du Peixe, vocal; Dengue, baixo; Toca Ogan, percussão; Marcos Matias e Da Lua, tambores; Tom Rocha, bateria; Neilton Carvalho, guitarra; Mateus Alves, orquestração.
Orquestra Experimental de Repertório: Wagner Polistchuk, regência
Ingressos de R$ 30,00 a R$ 140,00 (inteira)
Duração de 75 minutos
Classificação: livre para todos os públicos — sem conteúdos potencialmente prejudiciais para qualquer faixa etária

.: “Song Sung Blue” aposta na música para narrar o valor do "quase" sucesso



Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.

“Song Sung Blue: Um Sonho a Dois” chega à Rede Cineflix e aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, dia 29 de janeiro, apostando na delicadeza de uma história real que percorre a música, a persistência e o amor. Dirigido e roteirizado por Craig Brewer, o longa-metragem se inspira no documentário homônimo de 2008 para acompanhar a vida de Mike e Claire Sardina, um casal de músicos de Milwaukee que jamais alcançou o estrelato global, mas construiu uma existência sustentada pela arte e pelo desejo de permanecer no palco.

Hugh Jackman interpreta Mike, um cantor que sobrevive como imitador de Don Ho até cruzar o caminho de Claire, vivida por Kate Hudson, que se apresenta como Patsy Cline em feiras e eventos locais. O encontro dos dois resulta na criação da Lightning & Thunder, uma banda-tributo a Neil Diamond que conquista fama regional e transforma os protagonistas em pequenas celebridades de Wisconsin. A história, no entanto, nunca se rende ao mito do sucesso absoluto. Brewer prefere observar o que acontece quando o reconhecimento é limitado, quando os sonhos se realizam apenas em parte e quando isso, ainda assim, é suficiente.

A opção narrativa dialoga diretamente com a filmografia do diretor, especialmente com “Ritmo de Um Sonho” (2005), ao recusar a lógica da ascensão meteórica. Em vez disso, “Song Sung Blue: Um Sonho a Dois” constrói uma crônica íntima sobre sobreviver, insistir e dividir a vida com alguém que acredita no mesmo sonho, ainda que o mundo não pare para aplaudir. A câmera privilegia os bastidores emocionais do casal, os silêncios, as frustrações domésticas e, sobretudo, os momentos de comunhão no palco, quando a música funciona como abrigo.

Jackman, com sua formação nos musicais da Broadway, assume novamente o posto de showman carismático, cantando ele próprio as músicas do filme. Ainda assim, é Kate Hudson quem concentra o coração dramático da narrativa. Sua Claire equilibra vulnerabilidade e teimosia, esperança e desgaste, tornando-se o eixo emocional da história. Não por acaso, foi a única atuação do filme a receber reconhecimento na temporada de prêmios internacionais, segundo a imprensa especializada.

O elenco de apoio reforça o tom de humanidade cotidiana, com nomes como Michael Imperioli, Fisher Stevens, Jim Belushi, Ella Anderson, King Princess, Mustafa Shakir e Hudson Hilbert Hensley, compondo uma galeria de personagens que orbitam o casal sem caricatura. Há também curiosidades que ajudam a dimensionar a singularidade da trajetória retratada: em 1995, os verdadeiros Lightning & Thunder chegaram a dividir o palco com Eddie Vedder, do Pearl Jam, em um encontro improvável que o filme recria de forma contida.

Ficha técnica
“Song Sung Blue: Um Sonho a Dois” | "Song Sung Blue" (título original)
Gênero: comédia musical, drama. Classificação indicativa: não recomendado para menores de 14 anos. Ano de produção: 2026. Idioma: inglês. Direção e roteiro: Craig Brewer. Elenco: Hugh Jackman, Kate Hudson, Michael Imperioli, Fisher Stevens, Jim Belushi, Ella Anderson, King Princess, Mustafa Shakir, Hudson Hilbert Hensley. Distribuição no Brasil: Universal Pictures. Duração: 2h13m. Cenas pós-créditos: não.


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29 de janeiro a 4 de fevereiro | Sessões legendadas | Sala 3 | 15h30 e 20h50 
No Miramar Shopping | Rua Euclides da Cunha, 21 - Gonzaga - Santos / São Paulo. Ingressos neste link.

.: Grátis no Rio: Armando Babaioff e Sergio Saboya em conversa sobre teatro


O ator e produtor Armando Babaioff e o diretor de produção Sergio Saboya participam de um bate-papo aberto ao público no Teatro Municipal Carlos Gomes, nesta quinta-feira, dia 29, das 14h00 às 16h00. A conversa é sobre teatro e empreendedorismo cultural, com foco na internacionalização do espetáculo "Tom na Fazenda". Com patrocínio do Ministério da Cultura e da Petrobras, por meio da Lei Rouanet, e apoio do Instituto Guimarães Rosa, "Tom na Fazenda" vem se consolidando como um dos casos mais expressivos de circulação internacional do teatro brasileiro contemporâneo.

Ao longo de nove anos desde a estreia do espetáculo, Babaioff e Saboya compartilham com o público carioca as experiências, desafios, estratégias e aprendizados de uma produção independente criada no Rio de Janeiro, que já soma mais de 600 apresentações e um público superior a 200 mil espectadores em cinco países. 

A trajetória inclui participações em alguns dos mais importantes eventos das artes cênicas no mundo, como o Festival de Edimburgo, no Reino Unido, e o Festival de Avignon, na França. O encontro propõe uma reflexão sobre os caminhos possíveis para a internacionalização das artes, a sustentabilidade da produção teatral e o papel do empreendedorismo cultural no fortalecimento da cena artística brasileira.


Serviço
Bate-papo: “'Tom na Fazenda' e a internacionalização do Teatro Brasileiro”
Participantes: Armando Babaioff e Sergio Saboya
Local: Teatro Municipal Carlos Gomes
Endereço: Praça Tiradentes, s/n, Centro-RJ
Data: quinta-feira, dia 29 de janeiro
Horário: das 14h00 às 16h00
Entrada: gratuita (lotação mediante ordem de chegada)
Público-alvo: artistas, produtores culturais, estudantes de artes, gestores culturais e público interessado em teatro, economia criativa e internacionalização da cultura brasileira.
Este bate-papo é uma ação de democratização de acesso do Pronac 2412588 – Tom na Fazenda | Turnê Brasil, apresentado pelo Ministério da Cultura e Petrobras, por meio da Lei Rouanet – Incentivo a Projetos Culturais. Realização: ABGV Produções, @minc e @govbr.

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