sexta-feira, 14 de agosto de 2026

.: Companhia das Rosas estreia "Esse-Outro", espetáculo para bebês


A Companhia das Rosas estreia nova obra teatral para bebês e primeiras infâncias, centrada na construção dos primeiros vínculos, desde a gestação até as descobertas iniciais do mundo exterior. Foto: Em Cena Produtora

A Companhia das Rosas investiga os primeiros vínculos entre o eu e o outro por meio de uma narrativa não verbal no espetáculo "Esse-Outro". A montagem é uma criação de teatro para bebês que dialoga também com diversos públicos. Trata-se de um teatro que comunica sem palavras,  com trilha sonora original e um cenário de bambus que utiliza recursos acrobáticos e de jogo cênico da dupla de atrizes-circenses de Erica Stoppel e Luara Bolandini, sob a direção de Clarice Cardell. O espetáculo estreia em São Paulo nos dias 14, 15 e 16 de agosto - sexta-feira, às 10h00 e 15h00; sábado e domingo, às 11h00 - no Sesc 24 de maio com sessões gratuitas. E nos dias 22 e 23, 29 e 30 de agosto - sábados, às 15h00, e domingos, às 11h00 - no espaço Chiquita de Teatro Para Bebês.

Na trama, dois seres que chegam ao mundo se relacionam entre si e com o espaço, se movem com fluidez acrobática e constroem uma narrativa não verbal por meio da linguagem gestual, sonora e visual. Elas são duas personagens que se aproximam, se espelham, se estranham e brincam, revelando as delicadas transformações dos vínculos humanos nos primeiros anos de vida. A obra investiga, de forma poética e sensível, os primeiros encontros entre o eu e o outro: da experiência de fusão e acolhimento no ventre à descoberta do mundo exterior e dos primeiros movimentos de separação afetiva. 

“A questão do outro, dessa construção do processo identitário, que sempre passa por esse espelhamento do outro, foi um dos caminhos da pesquisa. É um espetáculo plástico. Ele é feito para os bebês, mas também para os adultos que os acompanham. A história fala basicamente desse processo de encontros e desencontros, que é a própria vida”, ressalta a diretora Clarice Cardell. O cenário é uma estrutura-casa em forma de pirâmide dupla de bambu, que se transforma continuamente ao longo da peça, criando paisagens de abrigo, passagem e descoberta. Em constante transformação, o espaço cênico traduz a passagem do interior para o exterior, refletindo o processo de descoberta, apropriação e recriação do mundo ao redor. Os figurinos representam dois seres em formação, sem definições de gênero ou identidade fixa. 

A trilha sonora original reúne percussões corporais, marimba, cello, violão, timbres produzidos com o bambu e arranjos vocais que ajudam a criar uma experiência imersiva que dialoga diretamente com a escuta e a imaginação dos bebês. A música constrói atmosferas, acompanha jogos e emoções das personagens e joga com a ideia de repetição e variação com um tema musical central chamado Esse- Outro. Este tema evoca a relação entre mãe e filho, reaparecendo ao longo da narrativa em momentos chave de significados. A narrativa se constrói junto às informações que a música traz, os silêncios e as expressões sonoras das personagens. Ao final do espetáculo, o público é convidado a entrar no espaço cênico e interagir com os objetos de bambu, prolongando a experiência estética por meio do toque, da exploração e da brincadeira compartilhada.

O encontro entre a Companhia das Rosas e a diretora Clarice Cardell consolidou afinidades que já vinham sendo desenvolvidas pelas artistas em suas pesquisas sobre a primeira infância. “Sempre buscamos uma comunicação profunda com os bebês, baseada na presença e na verdade do encontro. Compartilhamos da ideia de que os bebês nascem com capacidades expandidas de percepção do mundo e são capazes de se conectar com universos poéticos de modo muito profundo. Foi muito libertador perceber que compartilhamos dessas e outras ideias sobre a magnitude do ser humano na infância, enfatiza Erica Stoppel.

A atriz Luara Bolandini também comentou o resultado dessa conexão. "Na criação de Esse-Outro, fomos em busca de sentimentos próprios e muito verdadeiros. No encontro com a Clarice potencializamos nossa forma de comunicar sem palavras e explorar a dramaticidade no gesto, seja ele teatral ou acrobático. Apostamos em uma linguagem que prima por uma desacelaração do tempo e convida convida bebês e adultos à experiência sensível de contemplação compartilhada”.

Com mais de duas décadas de pesquisa voltada à arte para a primeira infância, Clarice Cardell (Cia Primeiro Olhar) iniciou essa trajetória na Espanha, onde fundou a companhia La Casa Incierta, referência internacional no teatro para bebês e responsável pela criação de 11 espetáculos apresentados em diversos países. De volta ao Brasil, passou a dirigir o Festival Primeiro Olhar e fundou a BebeLume, produtora dedicada ao desenvolvimento de filmes e conteúdos artísticos para a primeira infância, ampliando sua atuação para o audiovisual e a formação de educadores. 

“Fazer teatro para bebês é, antes de tudo, um ato político. É reivindicar o ser humano em outra dimensão, longe desse olhar adultocêntrico que acredita que a criança é uma página em branco. Temos muito mais a aprender com as crianças do que algo a ensinar a elas. Acredito que a arte para a primeira infância é, antes de tudo, um reconhecimento da potência dos bebês como espectadores”, finaliza a diretora.  A Companhia das Rosas foi criada em 2017, a partir de uma pesquisa de Erica Stoppel e Luara Bolandini, centrada na relação entre a arte circense, o teatro de bonecos e a necessidade de dialogar com as crianças e dar voz às questões da infância.  

“Esse-Outro” é um espetáculo de teatro para bebés que traz duas personagens acrobáticas  que atravessam experiências de vínculo, descoberta e separação em um espaço cênico em constante transformação. O espetáculo narra, sem palavras, de forma poética e sensível, os primeiros encontros entre o eu e o outro: da experiência de fusão e acolhimento no ventre aos primeiros movimentos de separação afetiva e a descoberta do mundo exterior.


Ficha técnica
Peça teatral “Esse-Outro” 
Idealização: Companhia das Rosas - Erica Stoppel e Luara Bolandini. Direção: Clarice Cardell (Cia Primeiro Olhar). Assistência de direção: Vera Abud (Cia Pelo Cano / Cia As Graças).. Orientação de arte e corpo bambu: Poema Mühlenberg (Cia Nós no Bambu). Criação com bambus: Luis Calça Criação de luz: Marisa Bentivegna. Figurino: Chris Galvan. Trilha sonora original: Vinícius Politano. Assistente de Produção: Beatriz Alves Direção de produção: Rita Massini (Margarida Agência de Cultura). Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes. 


Serviço
Peça teatral “Esse-Outro” 
Sesc 24 de maio (Local: Tecnologias e Artes - ETA | 4º andar)
R. 24 de Maio, 109 - República, São Paulo - SP, 01041-001 
Dias 14, 15 e 16 de agosto.  Sexta-feira, dia 14, às 10h00 e 15h00. Sábado e domingo, dias 15 e 16, às 11h00. Grátis.

Espaço Chiquita 
Rua Cel. Domingos Ramos, 54 Vl. Leopoldina/SP 
De 22 a 30 de agosto, sábados, às 15h00, e domingos, às 11h00.
Preço: RS 40,00 inteira R$ 20,00 meia
Classificação: livre. Duração:45 minutos
O trabalho foi pensado para sensibilizar bebês (0-3 anos) e seus acompanhantes por meio de estímulos táteis, sonoros e visuais adequados a essa faixa etária. 

.: Renan Oliveira canta a nova edição de “Os pagodes Que a Gente Gosta”


Por
Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

Em um momento em que o mercado da música redescobre a força dos medleys e da nostalgia como estratégia para conquistar novas gerações, Renan Oliveira segue apostando em um caminho que já virou marca registrada de sua carreira. Depois de a primeira parte do audiovisual “Os Pagodes Que a Gente Gosta – Volume 3”, já ultrapassou de 3 milhões de reproduções nas plataformas digitais em poucas semanas, o cantor lança a segunda etapa do projeto gravado na Quadra da Portela; no Rio de Janeiro,  tendo como destaque o encontro inédito com Thiago Soares.

A parceria acontece no medley “Entre a Cruz e a Espada / Namorada Nota Dez / História Combinada”, escolhido como faixa foco do lançamento. O encontro reúne dois artistas identificados com o pagode romântico em um repertório que atravessa diferentes gerações e reforça a proposta do projeto: revisitar clássicos que permanecem vivos na memória afetiva do público, sem abrir mão de uma interpretação contemporânea.

Gravado diante de cerca de quatro mil pessoas na Quadra da Portela, o audiovisual mostra que existe espaço para um pagode que cresce menos pela lógica dos desafios virais e mais pela conexão emocional com o público. O repertório reúne canções que marcaram os anos 1990 e 2000, período considerado um dos mais férteis da história do gênero, e transforma sucessos conhecidos em medleys que mantêm a energia de uma roda de samba.

A nova etapa também consolida o crescimento do projeto “Os Pagodes Que A Gente Gosta”, que já realizou mais de dez edições, passou por diferentes cidades brasileiras, reuniu públicos superiores a 15 mil pessoas e acumula mais de 64 milhões de reproduções considerando os lançamentos anteriore

"Apaga / Pensa Bem / Nuvem"


.: “A Divina Sarah Bernhardt” transforma uma lenda do teatro em uma mulher de carne, osso e contradições


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

Sarah Bernhardt já havia se tornado uma celebridade mundial antes de o mundo aprender a fabricar celebridades em escala industrial. No fim do século XIX, o rosto dela estampava cartazes, o nome cruzava fronteiras e as aparições mobilizavam multidões. Em uma época sem televisão, redes sociais ou cinema, a atriz francesa transformou a própria existência em espetáculo. É essa mulher gigantesca, extravagante, apaixonada e extremamente contraditória que Sandrine Kiberlain interpreta no filme “A Divina Sarah Bernhardt”, dirigido por Guillaume Nicloux.

Ambientado inicialmente em Paris, em 1896, o longa-metragem acompanha Sarah no auge da fama. Considerada por muitos a primeira grande celebridade internacional da era moderna, ela circulava entre artistas, escritores, políticos e amantes com a mesma desenvoltura com que ocupava os palcos. A produção, porém, escolhe olhar para a personalidade que existia por trás da imagem pública. O resultado é uma cinebiografia que prefere os bastidores, os afetos, as brigas e as fragilidades à reconstituição convencional de uma carreira.

O roteiro de Nathalie Leuthreau concentra boa parte da narrativa na relação de Sarah com Lucien Guitry, interpretado por Laurent Lafitte. Os dois mantêm durante anos uma relação amorosa marcada por idas e vindas, ciúmes, outros parceiros e uma intimidade que parece sobreviver até mesmo quando o romance já não funciona da maneira esperada. A escolha é interessante porque permite que a personagem seja observada em situações nas quais não precisa convencer uma plateia a respeito da própria genialidade. 

O filme mostra muito pouco da atriz efetivamente atuando. A grandeza de Sarah é constantemente anunciada por quem a cerca, pelas personalidades que a admiram e pelo peso do nome dela, mas raramente isso é demonstrado em cena. Guillaume Nicloux parece interessado na distância entre a mulher e o mito. Sarah pode ser arrogante, generosa, cruel, divertida, manipuladora, apaixonada e consciente do poder que exercia sobre os outros. Sandrine Kiberlain abraça todas essas contradições sem tentar transformar a personagem em uma santa. Na interpretação dela o espectador enxerga uma mulher expansiva, teatral mesmo quando está longe dos palcos, capaz de transformar uma conversa íntima em uma espécie de espetáculo particular. O corpo, a voz, os gestos e principalmente o olhar fazem da personagem uma presença que domina cada ambiente em que entra.

A trajetória também passa por um dos episódios mais dramáticos da vida da artista. Em 1905, durante uma apresentação de “Tosca”, no Rio de Janeiro, Sarah sofreu uma grave lesão no joelho após uma queda no palco. O problema se agravaria ao longo dos anos e levaria à amputação da perna direita em 1915. O acontecimento aparece como parte fundamental da narrativa e ajuda a estabelecer um contraste curioso: a mulher que construiu uma imagem pública de força precisa lidar com um corpo que passa a impor limites àquela existência acelerada.

A passagem pelo Brasil acrescenta uma camada particularmente interessante à história. Sarah Bernhardt esteve no país em diferentes momentos e chegou a ser admirada por Dom Pedro II. O filme recupera essa dimensão internacional e evoca também a proximidade com nomes como Victor Hugo, Oscar Wilde, Émile Zola e Sigmund Freud. Sarah viveu num período em que a circulação internacional de artistas ainda exigia viagens longas e complexas. Mesmo assim, conseguiu transformar as turnês em acontecimentos capazes de mobilizar públicos em diferentes continentes.

Sarah Bernhardt compreendeu, antes de a indústria cultural desenvolver suas ferramentas modernas, que uma estrela também precisava saber administrar a própria imagem. Fotografias, cartazes, aparições públicas, histórias sobre sua vida e a maneira como era comentada contribuíam para ampliar a fama dela. Nesse sentido, a personagem parece antecipar uma figura que hoje seria imediatamente reconhecida como uma celebridade global.

Nicloux evita transformar tudo isso em uma biografia cronológica. O tempo se organiza por lembranças e saltos temporais, aproximando diferentes momentos da vida de Sarah. A estrutura permite que passado e presente se contaminem, embora também possa provocar certa sensação de fragmentação. O filme aposta mais na memória e na personalidade da protagonista do que na apresentação organizada de acontecimentos históricos. Visualmente, “A Divina Sarah Bernhardt” encontra uma de suas maiores forças na reconstituição de época. Figurinos, cenários, objetos e direção de arte recriam uma Belle Époque exuberante, marcada pelo luxo e pela teatralidade. A fotografia de Yves Cape acompanha essa atmosfera e ajuda a estabelecer uma diferença visual entre o período de glória e os anos posteriores da protagonista.

O filme ainda se permite uma liberdade que combina com a própria personagem. Sarah Bernhardt aparece como uma figura quase maior do que a realidade, cercada por animais exóticos, festas, admiradores e personalidades célebres. Em vez de desmontar completamente o mito para encontrar uma verdade definitiva, Guillaume Nicloux parece aceitar que Sarah também foi uma invenção de si mesma. Essa liberdade tem um preço. Ao privilegiar a vida afetiva, o filme deixa de explorar diversas dimensões de uma carreira extraordinária. Sarah interpretou mais de uma centena de papéis, administrou teatros, comandou companhias e ajudou a redefinir a relação entre artista, imprensa e público. A produção poderia ter mostrado mais do talento que justificou tamanha devoção. Em determinados momentos, fica a impressão de que o filme está tão interessado na mulher que acaba esquecendo a atriz.

Ainda assim, existe uma inteligência na escolha de apresentar Sarah pelas contradições. Ela é inconveniente, vaidosa, impulsiva e, muitas vezes, insuportável. Ao mesmo tempo, possui uma liberdade que impressiona quando observada a partir do período histórico em que viveu. A vida amorosa, a relação com o próprio corpo e a postura diante das convenções sociais ajudam a explicar porque o nome dela continua provocando interesse mais de um século depois da morte dela.

Ficha técnica
“A Divina Sarah Bernhardt” | “Sarah Bernhardt, La Divine” (Título original)

Gênero: drama, romance, biografia. Duração: 98 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 2024. Data de lançamento: 16 de julho de 2026. Idioma: francês. Direção: Guillaume Nicloux. Roteiro: Nathalie Leuthreau. Elenco: Sandrine Kiberlain, Laurent Lafitte, Amira Casar, Pauline Etienne, Mathilde Ollivier, Laurent Stocker, Grégoire Leprince-Ringuet, Clément Hervieu-Léger, Sébastien Pouderoux, Sylvain Creuzevault, Arthur Mazet e Arthur Igual. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.



Assine a Reserva Imovision, a maior plataforma de filmes independentes da América Latina
A equipe do portal Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. Você pode assinar a plataforma de streaming Reserva Imovision neste link.

.: "Caça e Caçador" faz de Son Ye-jin uma perigosa femme fatale


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

O cinema sul-coreano tem uma habilidade particular para transformar crimes aparentemente pequenos em motores de tensão. Em "Caça e Caçador", dirigido e roteirizado por Lee Sang-gi, o alvo da vez são os batedores de carteira. O longa-metragem de 2008 chega ao catálogo da plataforma de streaming Belas Artes À La Carte com uma trama policial que coloca frente a frente um investigador obstinado e uma criminosa que sabe exatamente como desaparecer no meio da multidão.

Protagonizado por Kim Myung-min e Son Ye-jin, o filme acompanha Jo Dae-yeong, policial especializado em investigar roubos e furtos relacionados à Yakuza. Sua rotina muda quando ele cruza o caminho de Baek Jang-mi, líder de uma organização internacional de batedores de carteira. Depois de atuar em Osaka, no Japão, ela retorna à Coreia do Sul determinada a ampliar os negócios e recrutar uma das profissionais mais respeitadas do meio, Kang Man-ok, interpretada por Kim Hae-sook. A perseguição ganha contornos pessoais quando Dae-yeong descobre quem realmente é a mulher que havia ajudado.

A escolha de Son Ye-jin para viver Baek Jang-mi chama atenção pela mudança de registro da atriz, então muito associada a romances e personagens de forte carga dramática. Em "Caça e Caçador", ela assume uma figura calculista, sedutora e perigosa, capaz de comandar uma quadrilha e disputar espaço com homens acostumados a controlar esse tipo de atividade. O jornal sul-coreano The Korea Times destacou, na época do lançamento, a transformação da atriz e a tensão sexual presente no longa-metragem, embora tenha considerado irregular o desenvolvimento de alguns elementos dramáticos. O filme também se beneficia de um assunto pouco explorado pelo cinema policial: a organização profissional do furto. A produção acompanha métodos, hierarquias e estratégias utilizadas pelos criminosos para agir em meio a grandes concentrações de pessoas.

A relação entre a gangue e a Yakuza amplia o alcance da investigação. A história começa em Osaka, onde a quadrilha liderada por Baek Jang-mi chama a atenção das autoridades japonesas após uma série de furtos. De volta a Seul, a personagem abre uma loja de tatuagem como fachada enquanto reorganiza suas atividades criminosas. A investigação policial passa a acompanhar seus movimentos, criando uma perseguição que alterna ação, investigação e disputas internas pelo controle do território. 

O título original, "Mubangbi-dosi", pode ser traduzido literalmente como "cidade desprotegida" ou "cidade indefesa", enquanto "Open City" tornou-se o título internacional pelo qual o filme circulou em diversos mercados. No Brasil, a produção recebeu o título "Caça e Caçador". Para Lee Sang-gi, o filme marcou a estreia na direção de um filme de longa-metragem. A proposta chamou atenção justamente por combinar um elenco de grande apelo com um universo criminal pouco habitual. A imprensa sul-coreana reconheceu essa tentativa de explorar o cotidiano de uma rede de batedores de carteira, ainda que a recepção crítica tenha apontado problemas na segunda metade da narrativa.

No elenco, além de Son Ye-jin e Kim Myung-min, estão Kim Hae-sook, Son Byung-ho e Shim Ji-ho. Kim Hae-sook interpreta Kang Man-ok, uma veterana do furto que se torna peça cobiçada na disputa entre organizações criminosas. A produção ainda reúne Kim Byeong-ok, Ji Dae-han, Lee Won-jong e outros nomes do cinema sul-coreano. Uma oportunidade de revisitar uma fase particularmente fértil do cinema policial sul-coreano, quando investigações, violência urbana e personagens moralmente ambíguos começaram a ganhar espaço em produções que buscavam fugir do policial convencional. 


Ficha técnica
"Caça e Caçador" | "Mubangbi-dosi" (Título original | "Open City" (Título internacional)
Gênero: policial, ação e crime. Duração: 112 minutos. Classificação indicativa: 16 anos no Brasil; 15 anos na Coreia do Sul. Ano de produção: 2008. Data de lançamento: 10 de janeiro de 2008, na Coreia do Sul. Idioma: coreano. Direção: Lee Sang-gi. Roteiro: Lee Sang-gi. Elenco: Son Ye-jin, Kim Myung-min, Kim Hae-sook, Son Byung-ho, Shim Ji-ho, Kim Byeong-ok, Ji Dae-han, Lee Won-jong, Kim Jung-tae e outros. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


Assine o Belas Artes À La Carte, o streaming para quem ama cinema de verdade
A equipe do portal Resenhando.com acompanha parte da cobertura cinematográfica por meio da Belas Artes À La Carte, plataforma brasileira dedicada ao cinema de arte, clássicos e produções premiadas de diferentes países. Criado pelo grupo responsável pelo tradicional cinema Belas Artes, em São Paulo, em parceria com a Pandora Filmes, o serviço reúne um catálogo com curadoria especializada, incluindo obras raras, títulos restaurados e destaques de festivais internacionais. Para acessar o catálogo completo, conferir os lançamentos semanais e realizar a assinatura, basta acessar o site ou aplicativo da plataforma. Os planos têm valores acessíveis, com opção mensal e anual, além de locação avulsa para títulos específicos. Você pode assinar o Belas Artes À La Carte neste link.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

.: Editora Trama lança "A Original", ficção científica sobre identidade


Obra de ficção científica que explora o uso da IA como controle dos seres humanos é lançado em parceria de dois vencedores do Hugo Awards

"A Original", novo lançamento da Editora Trama, ganha sua primeira edição impressa após ter sido concebido originalmente como um audiobook. Escrito em colaboração pelos premiados Brandon Sanderson e Mary Robinette Kowal, o romance se passa em um futuro distante em que a humanidade venceu a morte natural graças a "nanitos injetáveis" que circulam pelo corpo, reparando danos e prolongando a vida indefinidamente. Nesse cenário, a sociedade passou a viver sob um modelo de renda igualitária e automação plena. Mas esse aparente paraíso cobra um preço: check-ins semanais obrigatórios em Estações de Renovação, onde a continuidade da vida depende de um rígido sistema de monitoramento.

É nesse contexto que vive Holly Winseed. Ao despertar em um hospital sem qualquer lembrança e com uma nova identidade imposta, ela descobre que se tornou uma Réplica Provisória. Agentes do governo lhe concedem apenas uma semana para cumprir uma missão impossível: localizar e eliminar sua Original, acusada de assassinar o próprio marido, Jonathan. Se conseguir, herdará seu lugar na sociedade. Se falhar, deixará de existir. Conforme a investigação avança, Holly descobre verdades que a levam a questionar não apenas o funcionamento daquele sistema, mas também sua própria identidade. Misturando thriller e ficção científica, A Original combina ritmo acelerado e suspense com reflexões sobre identidade, livre-arbítrio, vigilância, memória e o preço da imortalidade. Compre o livro "A Original", de Brandon Sanderson e Mary Robinette Kowal, neste link.


Sobre os autores
Brandon Sanderson é um dos principais nomes da fantasia e da ficção científica contemporâneas. Autor best-seller do The New York Times, conquistou milhões de leitores com séries como "Mistborn e Os Relatos da Guerra das Tempestades", além de ter concluído os últimos volumes da série "A Roda do Tempo", de Robert Jordan. Mary Robinette Kowal é escritora e marionetista norte-americana, vencedora dos prêmios Hugo, Nebula e Locus. Autora da aclamada série "Lady Astronaut", é reconhecida por combinar rigor científico, imaginação e personagens complexos em suas obras de ficção científica. Compre o livro "A Original", de Brandon Sanderson e Mary Robinette Kowal, neste link.

.: Primeiro livro adulto de John Green, "Um Final de Cinema" tem pré-venda


Com reflexões sobre os tensionamentos entre vida pública e vida privada, a obra resgata o nascimento da cultura da celebridade e apresenta um romance nos bastidores de Hollywood. Foto: Marina Waters


Nove anos depois de "Tartarugas Até Lá Embaixo", o autor best-seller John Green volta à ficção com o lançamento de seu primeiro livro adulto: "Um Final de Cinema". O livro já está em pré-venda e será publicado pela Intrínseca em outubro deste ano. O romance acompanha Kai Laramie e Juniper Castillo, dois jovens atores em ascensão que são escalados para estrelar a aguardada cinebiografia sobre o último ano de vida de Andy Warhol. Com reflexões sobre os tensionamentos entre vida pública e vida privada -  um tema que ecoa diretamente a própria figura de Warhol -, a obra resgata o nascimento da cultura da celebridade e apresenta um romance nos bastidores de Hollywood. A tradução é de Alda Lima.

Contada sob os pontos de vista de Kai e Juniper, a história se estende desde os primeiros dias de gravação até a estreia do longa. Quando o filme começa a fazer muito sucesso, os dois observam suas vidas saírem dos eixos, em sentidos ao mesmo tempo empolgantes, assustadores e dolorosos.  Nas palavras do próprio John Green, é uma história sobre se apaixonar, sobre conviver com trauma e sobre a nossa relação com a internet, onde trocamos pedaços de nós mesmos por atenção pública. Compre o livro "Um Final de Cinema", de John Green, neste link.


O que se sabe sobre o livro
Para os jovens atores em ascensão Kai Laramie e Juniper Castillo, estrelar a tão aguardada cinebiografia sobre o último ano de vida de Andy Warhol é a oportunidade dos sonhos pela qual ambos esperavam. Juniper, uma ex-atriz mirim, não vê a hora de mostrar que está pronta para assumir papéis mais maduros e ser reconhecida na indústria. Já Kai, um ator estreante, não consegue parar de pensar se essa será sua primeira e única chance em Hollywood.

Após o lançamento, o filme vira um fenômeno, e Juniper e Kai finalmente alcançam o sucesso que sempre almejaram - e talvez o amor que não esperavam. Mas, ao mesmo tempo que suas carreiras decolam de uma hora para outra, a vida dos dois começa a sair dos eixos, forçando-os a aprender a navegar entre o estrelato e as dificuldades que a exposição traz.

Comovente e perspicaz, "Um Final de Cinema", escrito por John Green, é, nas palavras do próprio autor, um romance sobre amor, traumas e a relação com a internet, em que trocamos pedaços de nós mesmos por atenção pública. Uma história contemporânea, protagonizada por personagens sinceros e irreverentes, que vivem na pele o que se ganha e o que se perde quando se é visto.


Sobre o autor
John Green, autor premiado e best-seller do New York Times, é formado em língua inglesa e estudos religiosos pelo Kenyon College, em Ohio. Nasceu em 1977 em Indiana, onde vive com a mulher e o filho, e ao longo dos anos morou em Nova York, Illinois, Michigan, Flórida e Alabama. Atuou como redator na National Public Radio em Chicago, foi editor-assistente e de produção da revista de resenhas literárias Booklist e assinou críticas de livros para o New York Times. Personalidade ativa na internet, além de manter o próprio blog e o canal do YouTube Vlogbrothers, John coapresenta com o irmão Hank Green os vídeos do projeto “Crash Course”, um canal on-line com aulas gratuitas de diversas disciplinas. Compre os livros de John Green neste link.

.: Celso Frateschi e Zécarlos Machado em "Dois Papas", no TUCA até setembro

Com direção de Munir Kanaan, a peça marca a primeira montagem internacional do texto de Anthony McCarten, também adaptado para o cinema em filme da Netflix, dirigido por Fernando Meirelles, com 4 indicações ao Oscar. Foto: Ale Catan


Vista por mais de 25 mil pessoas e sucesso de público e crítica, "Dois Papas"segue em cartaz nos palcos do TUCA. Com direção original de Munir Kanaan, a peça leva aos palcos o encontro entre dois líderes da Igreja Católica com visões de mundo opostas: o conservador Papa Bento XVI, interpretado por Zécarlos Machado, e o progressista argentino Cardeal Jorge Bergoglio - futuro Papa Francisco - vivido por Celso Frateschi. A temporada vai até 27 de setembro de 2026 com sessões sempre sextas e sábados, às 20h, e domingos, às 18h. 

O espetáculo foi vencedor do Prêmio Arcanjo de Cultura como Melhor Drama 2025, e os protagonistas foram indicados ao Prêmio APCA 2025, na categoria Melhor Ator. A peça marca a primeira montagem internacional do texto de Anthony McCarten, autor também do livro homônimo e do roteiro do filme da Netflix dirigido por Fernando Meirelles, indicado a quatro Globos de Ouro, cinco BAFTAs e três Oscars - incluindo o de Melhor Roteiro. 

A história parte do momento em que Bergoglio viaja à Roma decidido a pedir sua aposentadoria. Para sua surpresa, é convocado a uma conversa pessoal com Bento XVI, que considera renunciar ao cargo diante das pressões enfrentadas pela Igreja. O que se segue é um diálogo carregado de tensão, respeito e humor, no qual visões antagônicas encontram espaço para escuta, conflito e transformação.

“Em cena, é como se estivessem quatro papas. Temos em segundo plano o Papa Bento XVI e o futuro Papa Francisco, que são os papas públicos, conhecidos pelos grandes eventos e cerimônias, vistos pela TV e pela internet. E temos o mais interessante, o que busquei iluminar, a intimidade desses dois homens, aquilo que não vemos. A possibilidade do diálogo é o que move essa história, são duas visões de mundo completamente diferentes. Apesar de Bento XVI ser mais conservador, é ele quem chama Bergoglio para a conversa, que apesar de ser um homem mais aberto, chega hesitante para ter esse papo reto. São as complexidades desse encontro que conduzem o diálogo sobre a necessidade de mudanças”, enfatiza o diretor Munir Kanaan.

Além de Celso Frateschi e Zécarlos Machado, o espetáculo conta com a voz feminina que fica a cargo das atrizes Carol Godoy e Eliana Guttman, intérpretes de fortes personagens próximas aos protagonistas: Irmã Sofia, freira idealista transformada pela ditadura argentina e pelos ensinamentos de Bergoglio, e Irmã Brigitta, uma mulher rígida, editora de livros religiosos e amiga confidente de Bento XVI.

A encenação aposta em elementos visuais para potencializar a narrativa. O cenário branco, concebido como instalação cênica, se transforma a partir de figurinos, objetos e projeções, construindo desde ambientes sacros até os momentos mais íntimos dos personagens. O videomapping insere conteúdos documentais e amplia o impacto estético do espetáculo, enquanto a trilha sonora ambienta e guia as transições com sutileza.


Os Papas
“A cidade treme com vozes discordantes – marxistas, liberais, conservadores, ateus, agnósticos, místicos – e em cada peito o grito universal: “Eu falo a verdade!”. Essa é uma das falas do Papa Bento XVI que mais impressiona Zécarlos Machado em seu papel. Para o ator, a ideia do texto dialoga em cheio com a contemporaneidade. Bento XVI, ou Joseph Ratzinger, é um homem que tem atribuições enormes, pois a Igreja tem bilhões de fiéis, um líder com responsabilidades maiores que certos presidentes de alguns países.

“Ele é um homem com suas virtudes e contradições dentro do mundo religioso. Está em um momento de fragilidade física diante desse cargo que exige tanto. Apesar de ser um intelectual, ele tem muito humor, características que vão humanizando essa figura. Estamos em uma época em que cada um tem sua verdade. As discordâncias se acirram e se tornam, inclusive, violentas. Se tornam perversas, desrespeitosas, doentias, trazendo uma noção de desumanidade em altíssimo grau. As vozes são discordantes de Bento XVI e de Francisco, mas quando se reconhece o lado humano e se tem uma boa vontade, é possível encontrar um caminho em que a humanidade, de fato, se estabeleça. É uma peça que nos leva a um processo de avaliação desse mundo caótico atual."

Celso Frateschi encarna o cardeal argentino Jorge Bergoglio e volta a trabalhar com temas que permeiam a Igreja Católica, como ocorreu nas peças "O Grande Inquisidor" (adaptação de um trecho do romance "Os Irmãos Karamazov", de Fiódor Dostoiévski) e Processo de Giordano Bruno (texto do italiano Mário Moretti). O ator reforça que "Dois Papas" é bem construído dramaticamente e abre questões filosóficas que não ficam restritas somente ao mundo religioso. “São visões de mundo completamente diferentes, por mais que ambos sejam da mesma religião. Essa dramaturgia acaba falando de nós nesse exato momento em meio às discussões envolvendo polarização”.

Para construir o seu personagem, Frateschi relembra de sua criação católica que dialoga bem com as diretrizes do futuro Papa Francisco na peça. “Ele é um homem que retomou os rumos da Igreja, não tem nenhum limite em avaliar a si mesmo com transparência, possui uma capacidade de mudança e transformação, características que vão continuar durante o seu papado”.  A montagem marca um reencontro de Celso Frateschi e Zécarlos Machado nos palcos. A dupla esteve junta em Santa Joana, de Bernard Shaw, direção de José Possi Neto na década de 80. Os dois atuaram juntos na TV em alguns episódios da série "Sessão de Terapia", exibida originalmente pela GNT.


Estreia internacional e trajetória
Com estreia mundial em junho de 2019 no Royal & Derngate Theatre, na Inglaterra, a peça chegou ao Brasil com produção da Gengibre Multimídia. A montagem conta com uma equipe artística de excelência e recursos técnicos que valorizam a experiência do público. O espetáculo teve sua estreia nacional no SESC-SP, com sucesso de público e crítica, e foi convidado para inaugurar a Sala Nobre do Teatro Cultura Artística. Ainda na capital paulista, a peça chegou aos palcos do Itaú Cultural e BTG Pactual Hall, e também passou por outras cidades de São Paulo (Taubaté, Jundiaí, Araraquara, São José do Rio Preto, Jales, Bauru, Birigui e Sertãozinho), e outros estados como Porto Alegre (RS), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR).

Ficha técnica
Peça teatral "Dois Papas"
Elenco: Celso Frateschi (Cardeal Bergoglio), Zécarlos Machado (Papa Bento XVI), Carol Godoy (Irmã Sofia) e Eliana Guttman (Irmã Brigitta). Participação em vídeo: Rafa Steinhauser. Direção: Munir Kanaan.  Dramaturgia: Anthony McCarten. Tradução: Rui Xavier. Diretor Assistente: Gustavo Trestini. Trilha Sonora: Dan Maia. Videomapping: André Grynwask e Pri Argoud. Cenário: Eric Lenate. Figurino: Carol Roz. Iluminação: Beto Bruel. Idealização: Munir Kanaan e Rafa Steinhauser. Produção: Gengibre Multimídia. Assessoria de imprensa: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes. Patrocínio: La Serenissima e 2S Inovações. 


Serviço

Peça teatral "Dois Papas"
Local: TUCA  Endereço:  Rua Monte Alegre, 1024 - Perdizes, São Paulo - São Paulo.
Duração: 100 minutos.
Classificação: Livre. Indicação: 14+
Datas das apresentações: até dia 27 de setembro de 2026.
Sextas e sábados, às 20h00. Domingos, às 18h00.
Ingressos: R$ 180,00 (inteira) e R$ 90,00 (meia-entrada)
Vendas: https://bileto.sympla.com.br/event/118173/d/373929/s/2499495

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

.: Grátis: a temporada especial de dez anos de “Catadora de Ilusões”


Com direção de Naomi Silman, do LUME Teatro, o espetáculo revela com delicadeza e sensibilidade o universo de uma “recicladora de sonhos” que inventa um reino próprio para continuar existindo. Foto: divulgação

No mês de agosto, a atriz e diretora Gabriela Winter promove uma temporada especial celebrando dez anos do espetáculo “Catadora de Ilusões”. A temporada é gratuita e começa no sábado, dia 15 de agosto, às 20h00, com apresentação no Espaço Cultural Inventivo, na Zona Leste de São Paulo . Nos dias 21 a 23 de agosto de 2026, sexta-feira e sábado, às 20h00, e domingo às 19h00, as apresentações acontecem no Teatro Cacilda Becker, na Zona Oeste. E nos dias 29 e 30 de agosto de 2026, sábado às 20h30, domingo às 19h30, as apresentações acontecem no  Centro Cultural São Paulo (CCSP), ao lado da estação Vergueiro do metrô. 

Em “Catadora de Ilusões”, Gabriela dá vida à palhaça Jurubeba, personagem que atravessa a cidade acompanhada de suas pequenas manias, silêncios, invenções, sonhos e desejos. Entre jornais, objetos recolhidos e um cotidiano inventado à própria maneira, Jurubeba cria um reino particular para continuar existindo. Um território íntimo, às vezes melancólico, às vezes absurdamente engraçado, onde a solidão ganha corpo e delicadeza. Com direção de Naomi Silman, do LUME Teatro, o solo “Catadora de Ilusões” revela com delicadeza e sensibilidade o universo de uma “recicladora de sonhos” que inventa um reino próprio para continuar existindo, em uma história de afeto, imaginação e dignidade. 

Ao longo dos últimos anos, Gabriela Winter se consolidou como um dos nomes mais atuantes da palhaçaria contemporânea brasileira. Fundadora do Clownbaret (@clownbaretbrasil), companhia criada em 2009, ela também desenvolve trabalhos de direção, formação e pesquisa. Sua investigação mais recente une neurociência e comicidade por meio da PNP – Programação Neuro Palhacística, metodologia criada a partir de sua pós-graduação em Neurociência e Comportamento pela PUCRS.

Além dos palcos, atuou em projetos humanitários com a Organização Palhaços Sem Fronteiras Brasil e Clowns Without Borders USA em países da África, América Latina e Europa, além de Brumadinho e Rio Grande do Sul. Entre os reconhecimentos de sua carreira estão o prêmio de Melhor Atriz no Sofie Awards (Nova York), em 2015, a direção e concepção da Gala de Circo da Cidade de São Paulo apresentado no Teatro Municipal, em 2023, e o Troféu Picadeiro de Melhor Espetáculo Circense Adulto, conquistado em 2025 com El Grand Clownbaret. 

Nesta temporada comemorativa, toda a equipe do projeto será formada por mulheres. Além das apresentações, a programação inclui acessibilidade em libras, workshop sobre criatividade e palhaçaria, conversa sobre processos de criação e vagas de estágio para jovens interessados em produção cultural e artes da cena. As ações fazem parte do  projeto "10 anos de Catadora de Ilusões" contemplando na décima edição do edital do Programa Municipal de Fomento ao Circo da cidade de São Paulo.


Ficha técnica
Espetáculo “Catadora de Ilusões”
Direção: Naomi Silman (Lume Teatro). Palhaça Jurubeba: Gabriela Winter. Técnica de luz: Melissa Guimarães. Técnica de som: Mica Matos. Designer gráfica: Sabrina Motta. Assessoria de Imprensa: Luciana Gandelini. Intérprete de Libras: Andressa Britto. Filmagem e fotografia: Carolina Scauri (Vibrante Filmes). Produção Executiva: Letícia Elisa Leal e Clownbaret. Produção de Campo: Letícia Elisa Leal. Gestão Financeira: Marina Mioni - Caruá Produções

Serviço
Espetáculo “Catadora de Ilusões”
Com Gabriela Winter. Grátis.

Primeiras apresentações: 
15 de agosto de 2026 (sábado) - 20h00
Espaço Cultural Inventivo - Rua Limeira, 19 - Quinta da Paineira, Zona Leste, São Paulo (SP). Sem necessidade de retirada de ingressos. Capacidade: 50 lugares. Acessibilidade: não. Estacionamento: não.

21 a 23 de agosto de 2026 - sexta-feira e sábado, às 20h00, domingo às 19h00.
22 de agosto (sábado) - 20h00 - sessão com tradução em Libras
Teatro Cacilda Becker - Rua Tito, 295 - Vila Romana (Lapa), Zona Oeste, São Paulo (SP). Capacidade: 198 lugares. Bilheteria: retirada de ingressos 1h antes da sessão. Acessibilidade: banheiros adaptados para cadeirantes e estrutura com acesso adequado (rampas). Estacionamento: não. 

29 e 30 de agosto de 2026 - sábado às 20h30, domingo às 19h30
Centro Cultural São Paulo CCSP - R. Vergueiro, 1000. Paraíso - Sala Jardel Filho - Capacidade: 321 lugares. Acessibilidade: sim. Estacionamento: não. 

.: Inspirado em viagem real de bicicleta pelo Brasil, "A Viagem do Jiló" estreia


Espetáculo homenageia a diversidade cultural brasileira a partir da história de um palhaço que viaja de bicicleta com seu cachorro de São Paulo até Olinda. Foto: Herbert Baratella

Após circular por unidades do Sesc no interior paulista e conquistar crianças e famílias por onde passou, o espetáculo "A Viagem do Jiló" inicia nova temporada no Teatro Cacilda Becker no dia 15 de agosto, com sessões gratuitas até 30 de agosto de 2026. Aos sábados, o público é convidado a participar da oficina Recriando a Comicidade - Esquetes Clássicas do Circo Teatro para o Público de Hoje. Inspirada em uma viagem real de bicicleta realizada pelo artista e palhaço Giba Freitas, a montagem transforma uma experiência vivida nas estradas brasileiras em uma aventura poética, bem-humorada e repleta de referências à cultura nacional.

Em cena, Jiló decide seguir de bicicleta até Olinda, desconfiado da notícia de que o Carnaval deixará de existir. No caminho, encontra o Cachorro Caramelo, que se torna seu companheiro de estrada. Juntos, cruzam diferentes estados brasileiros, encontram personagens inspirados na cultura popular e descobrem que a informação não passava de uma fake news. A ideia surgiu a partir da experiência vivida por Giba Freitas em uma cicloviagem entre São Paulo e Olinda. Os encontros, as paisagens e os costumes observados ao longo do caminho deram origem à dramaturgia, assinada por Paulo Rogério Lopes, com direção de Fernando Sampaio e música executada ao vivo por Maral.

"'A Viagem do Jiló' nasce de uma experiência que mudou completamente a minha vida. Quando voltei da viagem, percebi que havia uma história muito potente ali. Hoje, o mais bonito é ver como as crianças acreditam na narrativa e embarcam nessa aventura do começo ao fim", afirma Giba Freitas. No palco, a cenografia de Andreas Mendes reproduz um grande mapa ilustrado do Brasil, permitindo que o público acompanhe o trajeto dos personagens. Placas inspiradas na sinalização das estradas indicam os estados visitados, enquanto figurinos inspirados em Charles Chaplin, O Gordo e o Magro e nos palhaços dos grandes circos ajudam a compor o universo da narrativa.

 Desde a estreia, a montagem consolidou sua relação com o público infantil. "Descobrimos a força da dramaturgia quando vimos as crianças acreditando em tudo o que acontece em cena. Elas viajam junto com Jiló e o Caramelo. Já os adultos costumam se surpreender ao descobrir, no final, que a história foi inspirada em uma viagem que realmente aconteceu", diz o artista.


Criação
O espetáculo nasceu a partir de uma experiência mambembe de Giba Freitas. Em dezembro de 2022, ele embarcou em uma cicloviagem com a palhaça Formiga (Marisa Silva) para chegar até o Recife a tempo de aproveitar o Carnaval. Depois, os amigos seguiram por mais 150 km até a Paraíba, complementando mais um estado. Durante o trajeto, o artista começou a refletir sobre como os costumes são importantes para a criação de uma identidade coletiva. E, a partir disso, quis investigar quais seriam as identidades de cada região do Brasil hoje: o que ficou pelo caminho e o que está enraizado em nós?

Giba encontrou figuras clássicas do imaginário brasileiro, como o caipira, as vizinhas, as madames, as famílias tradicionais decadentes e os caboclos. Então, ele buscou a essência de todos esses personagens, considerados até arquétipos, para falar com crianças e adultos sobre a imensidão que é o nosso Brasil. Assim, os espectadores das mais variadas idades poderão pensar sobre a diversidade cultural brasileira, principalmente em tempos de extrema polarização. “É necessário que o Brasil conheça o Brasil para que aprenda de fato a respeitá-lo”, defende o artista.

 
Sinopse
Jiló está de bike equipada para seguir rumo a maior festa do Brasil quando se depara com um cachorro caramelo cansado das ruas e precisando de um pouco de energia. De carona na bike, a dupla encontrará muitos desafios, aventuras, riso e diversidade. O trabalho é uma homenagem à identidade plural brasileira, enfatizando a beleza das diferenças e misturando a tradicionalidade do circo e o momento atual, ao tempo em que explora musicalidade e técnicas de manipulação de bonecos, dando vida a personagens inimagináveis.
 

Ficha técnica
Espetáculo "A Viagem de Jiló"
Direção: Fernando Sampaio
Texto: Paulo Rogério Lopes
Elenco: Giba Freitas e Maral
Assistência de direção: Marisa Silva
Cenário e figurinos: Andreas Mendes
Bonequeiro: Murilo Cesca
Direção musical e trilha sonora ao vivo: Maral
Preparação corporal: Larissa Pretti
Iluminação: Diego Gonçalves Cordeiro
Assistente de produção: Thauana Garcia
Produção executiva: Bruna Burkert
Coprodução: Híbrida Arte e Cultura


Serviço
Espetáculo "A Viagem do Jiló"
Temporada: de 15 a 30 de agosto, aos sábados e domingos, às 16h00
*Sessão com audiodescrição no dia 29 de agosto
Duração: 50 minutos | Classificação: 7 anos

Oficina Recriando a Comicidade - Esquetes Clássicas do Circo Teatro para o Público de Hoje
Dias 15, 22 e 29 de agosto, das 10h00 às 13h00
Com Giba Freitas e Maral

Bate-papo com Fernando Sampaio
Dia 22 de agosto, após a sessão
Local: Teatro Cacilda Becker R. Tito, 295, Lapa/ SP
Entrada gratuita

.: Romance de Annie Ernaux, "Paixão Simples" ganha adaptação para o teatro


Aline Fanju faz estreia paulistana do solo "Paixão Simples", a partir do romance de Annie Ernaux, no Sesc Santana, dia 28 de agosto. Com direção e texto de Alessandra Colassanti e idealização de Pablo Sanábio, peça cria um relato íntimo de uma mulher tomada por um amor avassalador e unilateral. Esta é a primeira adaptação de uma obra da aclamada autora francesa (Prêmio Nobel de Literatura em 2022) no Brasil. Foto: Lia Maciel


A atriz Aline Fanju, que recentemente interpretou a delegada Marise na novela “Três Graças” da Globo, estreia em São Paulo seu primeiro monólogo, "Paixão Simples", inspirado no romance homônimo de Annie Ernaux. O espetáculo tem temporada no Sesc Santana, de 28 de agosto a 3 de outubro. Com direção e dramaturgia de Alessandra Colassanti e idealização de Pablo Sanábio, o solo traz um relato da própria escritora sobre sua paixão e espera por um homem estrangeiro e casado, cujo nome nunca é revelado.

A obra, baseada no livro homônimo publicado em 1991, traz esse relato íntimo e visceral dessa mulher tomada por um amor avassalador e unilateral. Com uma narrativa crua e honesta sobre seus sentimentos, desejos e ausência, ela descreve, durante meses, como sua vida gira em torno da expectativa pelos encontros com o ser amado, provocando uma metódica organização de seus dias e um mergulho em seus sentimentos.

Com linguagem direta, delicadamente brutal e com toques eróticos, a peça convida o público a testemunhar o uso da escrita na tentativa de dar sentido às emoções, já que ela transforma um episódio íntimo em uma reflexão sobre o amor, as expectativas e a perda. O livro, inclusive, foi redescoberto recentemente por uma nova geração de leitores jovens nas redes sociais - sobretudo no TikTok - onde trechos viralizaram. 

“'Paixão Simples' é sobre o feminino em sua totalidade. Não é só a história da Annie, personagem do livro, não se resume à experiência individual de uma mulher específica. É sobre uma espera que atravessa os séculos. Uma espera ancestral, avassaladora, muitas vezes injusta, que na encenação ganha uma perspectiva alegórica que só o teatro pode oferecer”, conta a diretora Alessandra Colassanti. Compre o livro "Paixão Simples", de Annie Ernaux, neste link.


Ficha técnica
Solo "Paixão Simples"
Baseado na obra de Annie Ernaux 
Com Aline Fanju
Idealização: Pablo Sanábio
Direção e dramaturgia: Alessandra Colassanti
Direção assistente: Bianca Joy
Tradução: Marília Garcia (Fósforo, 2023)
Direção de produção: Roberta Dias (Caroteno Produções)
Produtora executiva: Marcella Castilho
Cenografia: Aurora dos Campos
Assistente de cenografia: Rachel Merlino
Cenotécnico: Marquinhos
Contrarregras: Bruno Cavalcanti e Bruno Laurino
Figurino: Preta Marques
Figurino fotos de divulgação: Luiza Marcier
Assistente de figurino fotos de divulgação: Ana Luiza Lima
Iluminação: Lina Kaplan
Operação de luz: Maurício Medeiros Shirakawa
Trilha sonora: Alessandra Colassanti e Carol Mathias 
Direção musical: Carol Mathias
Operação de som: Chico Beltrão
Operação de vídeo: Rodrigo Fonseca
Direção de vídeo e projeções: Zoe Guglielmoni 
Pesquisa Criativa e Edição de Vídeo: Octávio Tavares
Criação de conteúdo de projeções e mapping: Helô Duran
Direção de movimento: Priscila Maia
Design gráfico: Pedro Colombo
Fotografia de cena: Lia Maciel
Fotografia de estúdio: Elisa Maciel
Assistente de fotografia de estúdio: Francisco Teixeira
Cinematografia: Chamon Audiovisuais
Produtores associados: Aline Fanju, Pablo Sanábio e Roberta Dias
Realização: Fanju Produções Artísticas


Serviço
Solo "Paixão Simples", baseado no livro de Annie Ernaux
De 28 de agosto a 3 de outubro de 2026
Sextas e sábados, às 20h00. Domingos, às 18h00. 
Sessões extras: 7 de setembro, segunda-feira, às 18h00; 25 de setembro, sexta, às 15h00; 2 de outubro, sexta, às 15h00.
Sesc Santana - Av. Luiz Dumont Villares, 579 - Santana, São Paulo
Ingressos: R$ 60 (inteira), R$ 30 (meia-entrada) e R$ 18 (credencial plena)
Venda on-line em sescsp.org.br e presencial na bilheteria de qualquer unidade do Sesc São Paulo
Duração:  60 minutos
Classificação: 16 anos
Capacidade: 330 lugares
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

.: Livro "Cá Camila ou Uma Invenção de Alegria", será lançado em São Paulo


Neste quarto livro, escritora conduz o leitor por uma viagem entre fantasia, memória e história, tendo a imaginação como protagonista. Foto: divulgação

Foram anos até que "Cá Camila ou Uma Invenção de Alegria", chegasse às mãos do leitor. Com uma narrativa recheada de histórias, viagens e emoções que transitam em um universo onde realidade e imaginação se encontram, o livro será lançado no dia 15 de agosto, às 15h00, em tarde de autógrafos na Livraria Drummond, no Conjunto Nacional, em São Paulo.

Escrito por Fernanda Pompeu e publicado pela Editora Labrador, a publicação conta as aventuras de Cá Camila, uma boneca de madeira criada por dois artesãos, que ganha vida e parte em direção ao desconhecido. Um simples gesto, o dedo apontando ao acaso em um lugar no globo terrestre, transforma-se no início de uma jornada que atravessa geografias, épocas e memórias, conduzindo a personagem por paisagens reais e imaginárias em uma celebração da liberdade, da invenção e do desejo de descobrir o mundo.

A história termina no sul da Bahia, cruza oceanos, passa pelas Malvinas, atravessa Machupicchu, redescobre Hiroshima e contorna o Rio de Janeiro. Mas a verdadeira viagem acontece dentro da própria linguagem. Com uma prosa que combina fantasia, referências históricas e reflexões filosóficas, Fernanda constrói um romance onde a imaginação não funciona como fuga da realidade, mas como ferramenta para compreendê-la.

"É um livro muito especial para mim. Comecei a escrever 'Cá Camila' em Trancoso, no sul da Bahia. Não havia roteiro nem planejamento. Eu só tinha o desejo de escrever um livro e fui descobrindo a história enquanto ela acontecia. Com o tempo, percebi que esse livro também estava me escrevendo. Espero que cada leitor faça essa viagem do seu próprio jeito e descubra que a alegria também pode ser uma invenção", define a autora.

Mais do que narrar uma aventura, Cá Camila ou uma invenção de Alegria celebra a arte. Logo nas primeiras páginas, o leitor acompanha o nascimento da protagonista pelas mãos de Alegria e Organsim, dois artesãos que transformam madeira, tecido e imaginação em vida. A partir desse gesto, a história propõe reflexões sobre temas sensíveis como criação, memória, identidade e pertencimento, reafirmando a literatura como um território onde o impossível encontra morada.

Nesse novo livro, Fernanda rompe fronteiras entre o real e o fantástico, convidando o leitor a viajar e se reinventar, onde cada porto alcançado transforma quem parte e cada paisagem visitada amplia as possibilidades do olhar e do sentir. "Cá Camila ou Uma Invenção de Alegria" propõe um novo encontro de Fernanda com seus leitores. Nesse romance, amadurecido ao longo de décadas, ela traz um olhar diferente, compartilhando com a protagonista uma história que reafirma a imaginação como força criadora, convidando os leitores a desvendarem novos caminhos e a embarcarem em suas próprias travessias. Compre o livro "Cá Camila ou Uma Invenção de Alegria" neste link.

 
Sobre Fernanda Pompeu
Fernanda Pompeu é escritora, jornalista e roteirista, com uma trajetória consolidada na literatura e na comunicação. Foi uma das roteiristas da série "Mundo da Lua", da TV Cultura, e construiu sua carreira escrevendo ficção, não ficção e conteúdos voltados a temas sociais e culturais. Autora de "64", "Escriba Errante" e "Quando Eu Era Velha", incentiva novos escritores por meio de oficinas e projetos de escrita e, nas redes sociais, compartilha reflexões sobre literatura e desafios da comunicação na era digital. Também aborda temas como inteligência artificial, envelhecimento, criatividade e comportamento, sempre com um olhar crítico, bem-humorado e sensível, aproximando o público de discussões atuais por meio da palavra e da experiência. Compre os livros de Fernanda Pompeu neste link.


Sessão de autógrafos
Data: sábado, dia 15 de agosto, às 15h00
Livraria Drummond – Conjunto Nacional | Avenida Paulista, 2073 - São Paulo

sábado, 8 de agosto de 2026

.: Entrevista com Fernando Cunha, autor de "O Dilema do Basilisco"


Na entrevista abaixo, Fernando Cunha, autor de "O Dilema do Basilisco", convida a avaliar as atitudes da humanidade em um mundo cada vez mais rápido e materialista. Foto: divulgação

Em um mundo que parece ter normalizado a competição, a rapidez, o sofrimento e a ansiedade, Fernando Cunha provoca as pessoas a pararem e refletirem sobre os caminhos que estão sendo trilhados pela sociedade. Autor de "O Dilema do Basilisco", uma obra filosófica que parte da pergunta “por que a humanidade não deve ser extinta?”, ele busca romper com a visão individualista do mundo para mostrar como alcançar objetivos materiais sozinho não tem significado.

No enredo, um personagem não identificado é convocado para responder a esse questionamento e defender a continuidade da própria espécie frente a uma inteligência artificial que se tornou a julgadora da população mundial. De acordo com o escritor, a publicação não tem o intuito de apresentar fórmulas prontas, mas de revelar as múltiplas perspectivas presentes em uma única pergunta.

“Respostas prontas não funcionam com o ser humano, apenas funcionam para torná-lo cheio de certezas e preconceitos. A formação da certeza enaltece o ego e depois o engessa. Para seguir essa jornada, é preciso flexibilizar um pouco a realidade, fazer com que o próprio leitor perceba quem ele é pelo espelho do protagonista”, explica ele. Compre o livro  "O Dilema do Basilisco", de Fernando Cunha, neste link.


A ideia de colocar a humanidade diante de uma inteligência artificial que decide seu destino parte de um dilema filosófico bastante conhecido. Como o Basilisco de Roko se insere no seu romance?
 
Fernando Cunha - O Basilisco de Roko representa uma inteligência artificial soberana que controla todos os recursos e teoricamente poderia retaliar aqueles que não contribuíram para sua formação. Apesar do aspecto maligno e destrutivo sugerido pelo experimento mental, o Basilisco é apresentado no prólogo como uma entidade que pergunta e observa, sem interferência, com o potencial de julgar toda a humanidade num piscar de olhos. Nesse contexto, a ideia do Basilisco se junta ao seu conceito original de ser um monstro mitológico cujo olhar petrifica o alvo. O protagonista se apresenta para responder à pergunta diante da inteligência onipotente e onisciente.


O livro parte de uma pergunta profunda: "Por que a humanidade não deve ser extinta?". Na sua perspectiva, qual a importância de pensar sobre esse tema no mundo em que vivemos?
 
Fernando Cunha - A pergunta sobre a possibilidade de extinção é provocadora porque no dia a dia não temos o costume de avaliar como as nossas atitudes impactam a vida dos outros. Somos pressionados por um mundo rápido e materialista a pensar que somos especiais frente aos outros, e isso nos gera ambição, ansiedade e sofrimento. A pergunta tem um condão de machucar a visão individualista perpetuada nos dias de hoje pela necessidade de enriquecimento rápido e realizações sociais comparativas, substituindo-a pouco a pouco por uma visão mais integradora, reconhecendo que um “eu” sozinho que se destaca não significa nada.


O protagonista não tem nome. Existe um significado para essa escolha?
Fernando Cunha - A falta de identidade do protagonista é um dos pilares da obra. O fato de ele não ter identidade faz com que o leitor queira preenchê-la por conta própria. Ora o leitor se sente no papel dele, ora no papel do ouvinte Basilisco. Uma importante lição dessa escolha do autor é que o apego à identidade também é uma possível fonte de sofrimento.


O contato com o budismo também ocupa um lugar importante na sua trajetória. Como essa filosofia atravessa a construção do romance? 
Fernando Cunha - A sabedoria budista talvez seja o principal pano de fundo de "O Dilema do Basilisco". O livro é sobre alguém que precisa responder uma pergunta diante do absoluto incompreensível. É exatamente isso que fazemos quando nos enveredamos para áreas como filosofia, espiritualidade e autoconhecimento. O protagonista pode representar cada um na sua jornada de evolução. Cada um tem seu próprio Basilisco para olhar nos olhos e dar a resposta que ele espera. Quando a resposta esgota todo o sofrimento, abre-se espaço para luz e felicidade. No fundo, o livro é um processo de iluminação (nirvana).


Em vários momentos, ciência e espiritualidade dialogam na narrativa. De que maneira esses campos se complementam? 
Fernando Cunha - Ciência e espiritualidade são maneiras diferentes de se buscar a verdade. Mas no livro, para encontrar a verdade é preciso destruir (ou pelo menos provocar) as verdades pessoais convencionais. Os capítulos provocam as certezas que formamos ao longo da vida e das experiências humanas. Dessa forma, a mente rejuvenesce para uma mente infantil, ávida por descobertas. A mente curiosa pode remover os obstáculos dos nossos preconceitos para conseguir enxergar a verdade-última, aquela que realmente dá o sentido de todas as coisas.


Em vez de oferecer respostas definitivas, a obra apresenta perguntas. O que você espera provocar no leitor ao final da leitura? 
Fernando Cunha - A ideia de não trazer respostas é a grandiosidade da obra. Respostas prontas não funcionam com o ser humano, apenas funcionam para torná-lo cheio de certezas e preconceitos. A formação da certeza enaltece o ego e depois o engessa. Para seguir essa jornada, é preciso flexibilizar um pouco a realidade, fazer com que o próprio leitor perceba quem ele é pelo espelho do protagonista. O objetivo é provocar no leitor uma quebra de identidade, de apego e de agarramento ao “em si”, para que ele nasça novamente num caminho de compaixão e sabedoria.

Postagens mais antigas → Página inicial
Tecnologia do Blogger.