sábado, 17 de janeiro de 2026

.: Entrevista com Samir Murad: ator leva o passado ao limite do palco


Em cartaz na Arena B3, o solo de Samir Murad confronta imigração, memória e saúde mental sem concessões. Foto: divulgação

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.

Samir Murad entra em cena sozinho e não pede empatia antecipada. Em “O Cachorro Que Se Recusou a Morrer”, em cartaz no Teatro da Arena B3, neste final de semana, dias 17 e 18 de janeiro, com sessões às 14h30 e 17h00, o ator não transforma a própria história em confissão nem usa a memória como ornamento. O que se vê é um trabalho de risco: lidar com imigração, herança familiar, saúde mental e pertencimento sem o conforto da explicação fácil ou da catarse fabricada. 

Entre humor seco e drama frontal, Murad constrói um solo que recusa tanto a reverência quanto a autopiedade. Em entrevista exclusiva para o portal Resenhando.com, ele fala sobre caos criativo, genealogia, urgência, dublagem, corpo, e sobre por que o teatro ainda é o lugar onde certas histórias podem ser ditas sem se tornarem espetáculos de si mesmas.

Resenhando.com - Ao transformar lembranças familiares em cena, você sente que está organizando o passado ou aceitando, finalmente, o seu caos? O que o teatro permite fazer que a memória, sozinha, não dá conta?
Samir Murad - Creio que a aceitação do caos provocado pelas lembranças, é fundamental para um verdadeiro processo criativo, principalmente quando se lida com as memórias reais de uma vida. No caso desse trabalho onde sou criador da escritura literária e cênica, a memória se potencializa. Como sou essencialmente um ator, essa memória se torna carne e osso ou seja, quando escrevo, aquele texto já tem um endereço certo: a Cena. E sim. Creio que o Teatro mais do que qualquer outro veículo, possibilita esse recurso de dividir a palavra e o ato que é intimo, com uma infinidade de outros universos pessoais


Resenhando.com - O espetáculo fala de imigração e pertencimento, mas também de saúde mental. Há algo de adoecido na própria ideia de “origem”, quando ela passa a nos definir demais?

Samir Murad - Acho que qualquer definição que rotule ou categorize o ser-humano pode incorrer em erros graves. Tipo “eu sou assim porque sou de origem tal...”, sem a possibilidade de ressignificação da própria origem”. Estamos em um momento que se fala muito de questões que procuram ligar as pessoas e povos às suas origens ancestrais, tendo o sangue e a terra como principais referências e penso que, esse resgate de identidade,faz sentido nos tempos atuais e eu mesmo faço isso nesse trabalho. Quando vemos segmentos étnicos como índios, negros, só para citar dois, se embebedando e se drogando para aguentar o desvio forçado que tiveram de suas origens, aí sim podemos ver a doença mental se instalando. Quando falo de uma irmã que teve um surto esquizofrênico que, por uma sensibilidade mal direcionada, não suportou a “ barra” de uma criação excessivamente pesada, acho que estou falando de muitas famílias que tem um doente mental em casa e muitas vezes nem sabem ou não dão a devida atenção. Assim não acho a ideia de busca da “origem” em si, adoecida. Qualquer busca verdadeira envolve uma abertura de visão ou uma reflexão sobre o objeto no qual se debruça e isso a meu ver já é válido.


Resenhando.com - O humor aparece no espetáculo quase como um desvio estratégico. Você ri para sobreviver às histórias que conta ou para impedir que elas se tornem insuportavelmente solenes?

Samir Murad - Gostei do quase. Na verdade, eu não usaria um desvio estratégico somente para não cansar o espectador ou pesar demais a mão. A minha sobrevivência se dá no ato de decidir fazer Teatro para poder fazer esse trabalho com todas as suas assumidas variações de humor, inclusive com uma absoluta solenidade em algumas passagens. Mas por incrível que pareça, há muito humor em algumas situações que narro e meu pai mesmo, era um contador de histórias muito engraçado, com uma picardia que se estende a outros membros de minha família. Naturalmente não estou falando de um humor fácil ou apelativo mas de uma forma de perceber a Vida, ligeiramente colorida pela ironia ou também de uma seriedade excessiva que acaba ficando cômica. Além disso eu queria alguns traços de humor , embora não me ache propriamente um comediante, para prestar homenagem a personagens de minha infância como Chaplin e Ronald Golias e me permiti esse exercício.


Resenhando.com - Filho de imigrantes libaneses, você carrega uma herança cultural muito marcada. Em que momento essa herança deixou de ser um legado e passou a ser uma cobrança?
Samir Murad - Pode-se dizer que a cobrança estava nas entrelinhas, em relação à aspectos morais, relacionais e de conduta, principalmente durante a minha infância. Como eu fui temporão, já peguei uma pai mais velho e cansado que acho, afrouxou um pouco a corda. Havia uma preocupação até maior dos irmãos para que eu seguisse alguma carreira rentosa de preferência ligada ao comércio que é uma tradição libanesa. A adolescência para variar foi bem difícil. Quando já no vestibular decidi ser artista e que fique claro, meu pai nunca me impediu disso, acho que transformei meu legado dramático em Teatro e pude pensar e sentir minha história através das lentes da Arte


Resenhando.com - A encenação aposta em projeções, trilha original e uma atuação descrita como visceral. O corpo, para você, ainda é um território confiável para contar histórias — ou também é um campo de conflito?
Samir Murad - Acho que o corpo é o principal instrumento para um ator. Confiável numa medida pessoal em que cada ator o valoriza e também é um campo de conflitos. A meu ver esses conflitos são extremamente poderosos e criativos e quanto mais controle você tem do seu corpo mais você pode experimentar um descontrole e contar uma história de diferentes maneiras. Para mim o conflito subjaz na existência do ator e na sua necessidade de estar em cena. Esse é o grande conflito: “por que eu tenho que entrar em cena e contar uma história? Como posso fazer isso da melhor forma possível?” Olha aí o conflito.


Resenhando.com - Depois de décadas atuando, dublando, ensinando e dirigindo, você retorna a um trabalho profundamente autobiográfico. Isso é um gesto de coragem tardia ou de urgência absoluta?

Samir Murad - Aí que está. Eu não retornei. Eu continuei. Esse trabalho é o coroamento de uma quadrilogia que se iniciou em 2000 com meu primeiro solo. Todos esses trabalhos solos falam de genealogia, pertencimento, ancestralidade e saúde mental entre outros temas comuns. Sem eles O Cachorro... não existiria. O ineditismo desse, é que me debrucei sobre minhas próprias lembranças , mas todos os outros trazem elementos que mesclam as trajetórias das personagens com elementos da minha história. Todos são afinados com minha pesquisa que tem Antonin Artaud como principal referência ética e estética. Acho que a coragem tardia veio na verdade com meu primeiro solo que aliás, só tornou-se um solo por uma sequência de coincidências e que foi o trabalho que mais deu certo em minha vida, um divisor de águas. Ele nasceu com uma urgência absoluta assim como os outros, inclusive esse último. Acho que essa urgência eu trago comigo, ainda e que acredito seja uma mistura do espirito artaudiano que me habita com o desespero árabe e que se estende as outras atividades que você cita na pergunta. Podem rir.


Resenhando.com - A dublagem ocupou mais de 20 anos da sua vida. Que vozes alheias ficaram em você - e quais delas precisaram ser silenciadas para que essa voz autoral emergisse?

Samir Murad - Não percebo dessa forma excludente, de precisar silenciar vozes para que voz autoral emerja. Essa voz existe desde que escrevia músicas e poemas na adolescência e foi aparecendo como uma extensão de meu trabalho de ator, quando comecei a escrever meus textos. A dublagem surgiu como um veículo a mais para ampliar minhas possibilidades de atuação. Já fiz teatro, televisão e dublagem ao mesmo tempo e tudo tinha a sua importância, a sua própria voz. Sempre procurei imprimir em qualquer veículo, um alinhamento artístico coerente com o que me constitui. Hoje me dedico cada vez mais às minhas construções autorais, que me dão maior autonomia sobre o processo, mas a possibilidade de participar de projetos alheios será sempre bem-vinda. As vozes da dublagem assim como os personagens de novelas e peças que fiz e que não faço mais, hibernam em um cantinho aconchegado do meu coração.


Resenhando.com - O espetáculo se constrói como um encontro íntimo com o público. Você teme que essa intimidade seja confundida com exposição, ou acredita que o teatro ainda é o último lugar possível para esse risco?

Samir Murad - Acho que você já respondeu. Sim, o Teatro ocupa esse lugar para mim, seja atuando em uma peça de minha autoria ou não. A intimidade do ator em cena em um solo só será confundida com exposição se ele e(ou) a encenação assim o desejar e aí ao meu ver o fenômeno teatral não acontece e tanto faz ser um solo ou não. Em "O Cachorro..." eu estou só em cena e falo um texto escrito por mim sobre a minha família. Isso por si só poderia constituir-seem uma obra com tintas excessivamente auto referentes. O fato é que existem muitos espetáculos que seguem essa linha ou seja, não existe nada de inédito no meu trabalho desse ponto de vista. Acredito que o diferencial esteja em como as formas e conteúdos apresentados por cada um desses espetáculos chega até o querido espectador de Teatro.


Resenhando.com - Em um país que frequentemente romantiza a imigração e ignora os traumas desse ato, que tipo de desconforto você espera provocar em quem assiste?

Samir Murad - O espetáculo tem algumas divisões como digamos, uma pequena sinfonia e os momentos mais dramáticos compõem apenas uma parte dele. Por isso chamo a peça de drama bem humorado. Nas temporadas que fizemos o que percebi, é que há um envolvimento maior do espectador nas partes mais dramáticas. Não sei muito bem porque mas atribuo isso à empatia provocada pelas situações talvez comuns a muitos, como já ouvi de espectadores ao vivo e em depoimentos gravados. O riso, a farsa divertem e afastam, o drama aproxima. Acho que é isso. O fato é que o drama da imigração é um problema atual e mundial e algumas imagens realmente podem tocar o coração do espectador. O desconforto que pode surgir, advém da crueza das situações que são denunciadas onde o imigrante é visto sem véus, como uma pessoa que teve que abandonar sua terra natal para tentar a vida numa terra desconhecida. Isso por si só já e cruel.


Resenhando.com - Depois de transformar memórias familiares em cena, o que sobra quando as luzes se apagam: alívio, esgotamento ou a sensação de que ainda há histórias que se recusam a descansar?
Samir Murad - Linda pergunta. Olha, há uma sensação muito grande de missão cumprida. Um esgotamento gostoso. Boa parte desses textos foram retirados de uma autobiografia que comecei a escrever e foram adaptados para o Teatro. Essa outra obra, aí sim literária, naturalmente traz muitas outras histórias entrelaçadas como essa e se propõem um dia a virar um livro. Então claro, essas histórias se recusam a descansar e sem dúvida existe uma urgência em termina-las. No entanto, o cansaço da vida tem me ensinado a não correr mas a viver caminhando junto com a Arte. Muito obrigado por essa linda entrevista. Espero todos lá!


Ficha técnica
Espetáculo "O Cachorro Que Se Recusou A Morrer"

Criação, texto e atuação: Samir Murad
Direção: Delson Antunes e Samir Murad
Cenografia: José Dias
Figurino e Adereços: Karlla de Luca
Desenho de Luz: Thales Coutinho
Trilha Sonora: André Poyart e Samir Murad
Direção de Movimento: Samir Murad
Videocenário: Mayara Ferreira
Assistente de Direção: Gedivan de Albuquerque
Programação Visual: Fernando Alax
Fotos: Fernando Valle
Direção de produção: Fernando Alax
Produção executiva: Wagner Uchoa
Operação audiovisual: Marco Agrippa
Operação de luz: Chico Hashi
Realização: Cia Teatral Cambaleei, mas não caí... 


Serviço
"O Cachorro Que Se Recusou A Morrer"

Dias 17 e 18 de janeiro, sábado e domingo, sessões às 14h30 e 17h00
Arena B3 - Centro Histórico de São Paulo
Duração: 70 minutos
Classificação: L=livre
Ingressos: https://bileto.sympla.com.br/event/114363/d/355043/s/2395277?

 
Sobre a B3

A B3, a bolsa do Brasil, tem o compromisso de apoiar a democratização do acesso à cultura, por meio de parcerias e patrocínios que facilitem o acesso da sociedade a esses espaços. Em 2023, a bolsa do Brasil apoiou 25 projetos, e possibilitou que mais de 95 mil pessoas acessassem os 7 museus patrocinados por meio do oferecimento também de dias de gratuidade. Dentre as instituições apoiadas estão o MASP, a Pinacoteca de São Paulo, o MIS, o Museu Judaico e MUB3, na capital paulista, o Instituto Inhotim, localizado em Minas Gerais, e o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Além das gratuidades, a bolsa do Brasil patrocina ainda uma série de iniciativas culturais, como musicais, eventos e exposições.


Sobre a Aventura

Fundada em 2008, e liderada por Aniela Jordan, diretora artística e produção e geral, Luiz Calainho, diretor de marketing e negócios, e por Giulia Jordan, diretora geral de venues, a Aventura é referência na produção de espetáculos de altíssima qualidade, que tornou o mercado de teatro musical um dos principais segmentos da economia criativa no Brasil. A empresa se estabeleceu como uma grande aliada da multiplicidade artística, fundamental para o desenvolvimento social, econômico e cultural. A sua missão é transformar grandes ideias em realidade, criando fortes conexões entre marcas e projetos. São mais de 40 produções, de espetáculos inéditos e de versões da Broadway, como “Elis, a musical”, “A Noviça Rebelde”, “Sete”, “O Mágico de Oz”, “SamBRA”, “Chacrinha, o musical”, “Romeu & Julieta, ao som de Marisa Monte”, “Merlin e Arthur, um sonho de liberdade” e o infantil “Zaquim”. Em 2022, a produtora inovou com o primeiro musical em formato de série do país, o “Vozes Negras – A Força do Canto Feminino”, e com o musical “Seu Neyla”, apresentado em dois palcos com o uso da internet para criar uma experiência diferenciada no espectador, além de estrear uma parceria com a Disney - Pixar com o espetáculo “Pixar in Concert”. Com o objetivo de democratizar o acesso à cultura, criou a Cia Stone de Teatro, projeto de teatro itinerante no interior do Brasil e é a responsável pela produção da Cia de Ballet Dallal Achcar. Ao todo, foram mais de 3,8 mil apresentações e cerca de 4,5 milhões de espectadores, mais de 16 mil empregos diretos e indiretos gerados, números que não param de crescer. 

.: Teatro: "Flashdance" abre audições para montagem brasileira do musical

Clássico absoluto do cinema dos anos 1980, "Flashdance" ganhou o mundo a partir do filme lançado em 1983, que se tornou um fenômeno da cultura pop. O sucesso nas telas deu origem à adaptação para os palcos, que desde então vem conquistando plateias em diferentes países e agora chega ao Brasil em uma nova montagem que estreia em São Paulo, com temporada prevista para abril e maio de 2026. A montagem brasileira tem direção geral de Ricardo Marques, com direção associada de Igor Pushinov, direção musical de Paulo Nogueira e coreografias de Tutu Morasi.

Inspirado na história da jovem operária que sonha em se tornar bailarina profissional, o musical preserva a energia, o romantismo e as músicas que marcaram gerações. O filme venceu o Oscar de Melhor Canção Original com “Flashdance… What a Feeling” e consolidou seu lugar na história do entretenimento. Nos palcos, "Flashdance - O Musical" já foi encenado com sucesso em países como Reino Unido e Estados Unidos, reafirmando a força da obra também no teatro musical. A produção brasileira, realizada pela 4ACT Entretenimento, busca atores, cantores e bailarinos com forte presença cênica, versatilidade e energia.

Os interessados devem enviar currículo atualizado, foto recente (rosto e corpo inteiro) e link com vídeo cantando uma música dos anos 80 para flashdance@4act.art.br, até o dia 22 de janeiro de 2026. Mais informações na página oficial do musical: @flashdancebrasil_

.: “Show dos Becker” revela o circo como arte do encontro e da precisão


Cada artista revela sua especialidade sem perder o espírito de conjunto, criando um espetáculo dinâmico, acessível e envolvente para todas as idades. Foto: divulgação

Quatro artistas em cena transformam o picadeiro em território de invenção, humor e destreza. Em “Show dos Becker”, malabaristas e palhaços do Grupo Irmãos Becker apresentam números coletivos e solos que dialogam com a tradição circense e a linguagem do circo contemporâneo, sempre com leveza e precisão técnica. A apresentação será no próximo domingo, dia 18 de janeiro, às 17h30, na área de convivência do Sesc Santos.

Chapéus que ganham vida, monociclo em permanente desafio ao equilíbrio, objetos que parecem desafiar a gravidade e o delicado malabarismo de contato com bola de acrílico compõem uma sequência de números que se encadeiam com criatividade, ritmo e humor. Cada artista revela sua especialidade sem perder o espírito de conjunto, criando um espetáculo dinâmico, acessível e envolvente para todas as idades.

O encerramento surpreende: uma coreografia de arrumação do picadeiro transforma o gesto cotidiano em poesia visual, culminando em uma impressionante demonstração de malabarismo coletivo, que reafirma o virtuosismo e a sintonia do grupo.


Ficha técnica
Espetáculo circense "Show dos Becker"
Direção: Grupo Irmãos Becker
Concepção: Cristina Becker
Trilha sonora: Domingo Duclo
Figurino: As Mariposas
Iluminação: Marcos Diglio
Produção: Os Meninos da Cris
Coordenação artística: Thainá Souza
Elenco: André Becker, Chino Mario, Thiago Cintra, Alexandre Lavorini, Eduardo Amaral

Serviço
Espetáculo circense "Show dos Becker"
Data: 18 de janeiro (domingo)
Horário: 17h30
Local: Convivência
Entrada: gratuita
Classificação: livre
Duração: 50 minutos

Venda de ingressos
As vendas de ingressos para os shows e espetáculos da semana seguinte (segunda a domingo) começa na semana anterior às atividades, em dois lotes: on-line pelo aplicativo Credencial Sesc SP e portal do Sesc São Paulo: às terças-feiras, a partir das 17h00. Presencialmente, nas bilheterias das unidades: às quartas-feiras, a partir das 17h00.

Bilheteria Sesc Santos - Funcionamento
Terça a sexta, das 9h às 21h30 | Sábados e domingos, 10h às 18h30   

Sesc Santos
Rua Conselheiro Ribas, 136 - Aparecida / Santos
Telefone: (13) 3278-9800        
Site do Sesc Santos
Instagram e Facebook: @sescsantos

.: "Alice no País das Maravilhas" é atração no Festival de Férias do Teatro Uol


Unindo tecnologia e arte, o espetáculo inova ao utilizar projeções em 3D com óculos de lentes azul e vermelha e músicas originais, que ampliam o universo lúdico e aproximam a magia da cena. Foto: Ronaldo Gutierrez


Até dia 1º de fevereiro, o Teatro Uol, em São Paulo, recebe sete clássicos infantis que atravessam gerações e seguem vivos no repertório afetivo de muita gente. Dentro da programação do 42º Festival de Férias do Teatro Uol, aos sábados de domingos, às 14h30, será apresentado o espetáculo infantil "Alice no País das Maravilhas". 

Escrito e dirigido por Leandro Mariz, apresenta a jornada de uma garota sonhadora em busca de um mundo de aventuras e descobertas, onde tudo pode acontecer. Misturando fantasia, humor e personagens icônicos, a peça celebra a força da imaginação e mostra como crescer também pode ser aprender a olhar de modo diferente para o mundo.

Unindo tecnologia e arte, o espetáculo inova ao utilizar projeções em 3D com óculos de lentes azul e vermelha e músicas originais, que ampliam o universo lúdico e aproximam a magia da cena. Elenco:  Roberta Scatola, Titzi Oliveira, Aurélio Lima e Lucas Morais. Texto e direção: Leandro Mariz. Realização: Morada da Cultura. Até dia 1° de fevereiro, sábados e domingos, às 14h30. Duração: 60 minutos. Classificação: livre - indicação: a partir de três anos.

Sobre o Festival de Férias do Teatro Uol
Graças a uma curadoria rigorosa e consistente desde a primeira edição, o Festival de Férias do Teatro Uol, que em 2026 completa 25 anos de atividade, consolidou-se como o mais longevo de São Paulo. Localizado no Shopping Pátio Higienópolis, o Teatro Uol oferece uma experiência completa, reunindo conforto, segurança e fácil acesso, criando um cenário ideal para um programa de férias completo: entrar na sala, desligar o celular, se encantar com as histórias e sair com a cabeça cheia de arte e imaginação.


Serviço
Festival de Férias do Teatro Uol
De 5 de janeiro a 1º de fevereiro
Ingressos: R$ 100,00 (inteira) | R$ 50,00 (meia-entrada)
Televendas: (11) / 3823-2423 / 3823-2737 / 3823-2323
Vendas on-linewww.teatrouol.com.br
Horário de funcionamento da bilheteria em janeiro: segundas e terças, das 14h00 às 16h00, quartas, quintas e sextas das 14h00 às 20h00, sábados, das 13h00 às 22h00, e domingos, das 13h00 às 20h00. Não aceita cheques. Aceita os cartões de crédito: todos da Mastercard, Redecard, Visa, Visa Electron e Amex.  Estudantes e pessoas com 60 anos ou mais têm os descontos legais. Clube Uol e Clube Folha têm 50% desconto.


Teatro Uol
Shopping Pátio Higienópolis - Av. Higienópolis, 618, Terraço. Tel.: (11) 3823-2323 
Acesso para cadeirantes- Ar-condicionado- Estacionamento do Shopping: consultar valor pelo tel: 4040-2004- Venda de espetáculos para grupos e escolas: (11) 3661-5896, (11) 99605-3094 – Patrocínio do Teatro UOL: UOL, Folha de S. Paulo, Germed e Interfood.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

.: Crítica: "Marty Supreme" reflete a imaturidade de quem nega a realidade

"Marty Supreme" está em cartaz na Cineflix Cinemas de Santos


Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em janeiro de 2025


O longa dramático, ambientado no mundo esportivo, "Marty Supreme", inspirado no mesatenista Marty Reisman, que viveu diversos episódios curiosos e reais em sua trajetória pessoal e esportiva, apresenta uma história tão cheia de reviravoltas que parece um novelão ao longo de suas 2 horas e 29 minutos de duração. De fato, o longa dirigido por Josh Safdie ("Bom Comportamento" e "Se Eu Tivesse Pernas Eu Te Chutaria") vai além da vivência do esportista, entregando muito o que somente uma produção cinematográfica é capaz de realizar.

O protagonista nitidamente abraçado por Timothée Chalamet até consegue fazer o público torcer por ele, apesar do estilo extravagante, personalidade narcisista e somente ter interesse em ganhar dinheiro com apostas e jogos de exibição. Usando chapéus e roupas coloridas, Marty é um tanto que insuportável por condutas desonestas e absurdas. Seja por negar veementemente a paternidade ou passar a mão no dinheiro de um acidentado e, de quebra, sumir com o animal de estimação o qual combinou levar no veterinário. 

Marty é o tipo de pessoa que transpira problemas e mais problemas, sempre levando a todos ao seu redor para o mesmo abismo, sobrando sempre algo extremamente desagradável. E, claro, com a personalidade de quem não se compromete com nada, além do tênis de mesa, ou ninguém, Marty "leva a vida na flauta" com tamanha naturalidade. Sendo totalmente competente para se esquivar de qualquer responsabilidade elabora planos mirabolantes para conseguir o dinheiro alheio de modo fácil. 

O mentir parece algo familiar e habitual, uma vez que a própria mãe o faz. Perfeitamente doutrinado com mentiras, Marty é o tipo de personagem traiçoeiro, porém Timothée Chalamet entrega tanto a ponto de conquistar o público e, facilmente, mergulha cada um dentro da sala de cinema na trama cheia de ação, conseguindo até com que, hora ou outra, acabemos torcendo por este homem tão errado.

Chalamet dá um show de atuação, interpretando com maestria o jogar do tênis de mesa. Tendo a trilha sonora como complemento perfeito e de excelente seleção, o longa inicia com "Forever Young", da banda Alphaville e termina com um momento emocionante e que representa a virada na chave da mudança de vida daquele que viveu o auge da imaturidade, estando, então, ao som de "Everybody Wants To Rule The World", de Tears For Feavers. De fato, o trecho "Welcome to your life, there's no turning back" (Bem-vindo à sua vida, não há volta) diz tudo e consegue concluir tantos disparates. Excelente filme que tem ainda no elenco Gwyneth Paltrow e Odessa A'Zion!


O Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021. Para acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no GonzagaConsulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN.



"Marty Supreme". (Marty Supreme). Gênero: Biografia, Comédia Dramática, Esporte. Direção: Josh Safdie. Roteiro: Josh Safdie, Ronald Bronstein Elenco Principal: Timothée Chalamet, Gwyneth Paltrow, Odessa A'Zion, Tyler, the Creator, Fran Drescher, Abel Ferrara. Duração: 2h 29min. Sinopse: Baseado na vida de Marty Reisman, um jogador de tênis de mesa. 

Trailer de "Marty Supreme"



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.: Atuação forte de Timothée Chalamet será pedra no sapato de Wagner Moura


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.

Antes superestimado sem mostrar a que veio, Timothée Chalamet finalmente abandona a pose blasé que o acompanhou por anos e assume um papel que exige presença física, risco emocional e fúria em “Marty Supreme”, em cartaz em sessões antecipadas na Rede Cineflix e em cinemas de todo o Brasil. O resultado é uma atuação expansiva, suada, agressiva, rigorosamente construída, a melhor da carreira dele até agora e, sem nenhum exagero, material legítimo de Oscar. Chalamet ocupa a cena, domina o ritmo do filme e impõe um personagem mal-caráter e extremamente carismático que vive no limite da obsessão. Será uma pedra no sapato de Wagner Moura na disputa pelo Oscar

Dirigido por Josh Safdie, em seu primeiro longa solo, o filme rejeita a ideia de cinebiografia ilustrativa e prefere a vibração do mito. Inspirado de forma livre na trajetória do lendário mesatenista Marty Reisman, o roteiro transforma a ascensão esportiva em discussão de tensão social, psicológica e moral. O tênis de mesa aparece como espaço de disputa em que classe, ego, sobrevivência e espetáculo se misturam.

A entrega física de Chalamet é decisiva para essa credibilidade. O ator treinou tênis de mesa por cerca de sete anos, desde 2018, atravessando outras produções de grande escala, levando mesas para sets de filmagem, praticando obsessivamente entre uma cena e outra. Esse investimento aparece na tela de forma nítida. Não há cortes que disfarçam, muito menos dublês que salvam a cena. Cada movimento do ator carrega precisão, cansaço, cálculo e risco. 

Ao longo de duas horas e meia, o filme se sustenta sem desgaste. O tempo não pesa porque as sequências se encadeiam por tensão. A montagem mantém o espectador em estado de alerta, enquanto o protagonista afunda em relações instáveis, alianças interesseiras e conflitos que nunca se resolvem de forma limpa. O elenco de apoio reforça essa instabilidade, com destaque para Odessa A’zion, que interpreta uma mocinha controversa, e Gwyneth Paltrow, em uma atuação corajosa de mulher seca, ambígua, desconfortável, muito distante de personagens conciliadores.

A trilha sonora, repleta de hits dos anos 1980, funciona como escolha estética deliberada, não como erro de época de uma história que se passa mais ou menos na década de 1950. O filme não manipula para forçar uma empatia automática do protagonista, nem oferece uma redenção confortável. É um retrato cru da ambição como motor e veneno, como se fosse um estudo sobre homens que confundem talento com direito e desejo com destino. Nesse terreno instável, Chalamet encontra o espaço ideal para romper com a própria imagem pública e provar, finalmente, do que é capaz quando o cinema exige mais do que beleza e minimalismo.

Ficha técnica
“Marty Supreme” (título original)
Gênero: cinebiografia, drama. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 2025. Idioma: inglês. Direção: Josh Safdie. Roteiro: Josh Safdie e Ronald Bronstein. Elenco: Timothée Chalamet, Gwyneth Paltrow, Odessa A’zion e outros. Distribuição no Brasil: Diamond Films. Duração: 2h29m. Cenas pós-créditos: não.

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As principais estreias da semana podem ser assistidos na rede Cineflix CinemasPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SANO Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.

Cineflix Miramar | Santos
De 16 e 17 de janeiro | Sessões legendadas | 21h00
No Miramar Shopping | Rua Euclides da Cunha, 21 - Gonzaga - Santos / São Paulo. Ingressos neste link.

.: Entrevista com Nuno Mindelis, um simpático músico ranzinza


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

Ele se autodenomina um músico ranzinza. Mas está muito longe de ser algo parecido. Angolano radicado no Brasil há anos, Nuno Mindelis desenvolve uma carreira sólida como músico ligado principalmente ao blues, muito embora sua formação musical eclética inclua os medalhões da Gravadora Stax Records e os ícones do hard rock dos anos 60 e 70. E claro, alguns elementos de nossa música popular brasileira. Mindelis conseguiu a proeza de gravar discos com a icônica banda de apoio de um de seus ídolos (Steve Ray Vaughan), a Double Trouble. E chegou a ter seu talento reconhecido com destaque em publicações no Exterior. Em entrevista para o portal Resenhando.com, ele conta um pouco sobre sua trajetória na música e seus planos para o futuro. “O blues precisa ser reinventado, assim como toda forma de arte”.

Resenhando.com - Você é reconhecido como um dos nomes mais marcantes do Blues. Mas sua formação é mais eclética, abrangendo inclusive a soul music da gravadora Stax Records, Fale sobre suas principais influências musicais.
Nuno Mindelis - Antes, quero agradecer pela oportunidade da entrevista. Ouvi absolutamente tudo que se fez em música desde pelo menos os cinco anos, é quando me lembro de mim, até aos 17, em 1975, quando fui exilado de guerra, partindo para o Canadá e depois para o Brasil. Na época, perdi tudo e precisei de mais de década para me recompor, recomeçar. Nesse período, ouvi sempre muita coisa, mas já com outros ouvidos. Não gostava de nada do final dos anos 70: disco, punk etc, e nem dos anos 80. Mas, com o tempo, passei a gostar de algumas coisas. Quando era muito pequeno, ouvia muita música erudita, meus pais ouviam muito, todas as sinfonias de Beethoven, Wagner, Tannhäuser, considero o coro dos peregrinos espetacular, e outros. Lá pelos seis anos ouvi The Shadows e Beatles e ali a coisa mudou de figura. Aquelas guitarras eletrizantes me reviraram as moléculas corpo e do cérebro. Logo depois, aos nove anos, tive a sorte de um cara mais velho me mostrar Otis Redding e era tão criança que me lembro de ter que decifrar aquela massa sonora mais densa. Mas havia algo importante na época: respeito pelos mais velhos. Se alguém mais velho me aconselhava algo, era porque era  para ser decifrado mesmo, nunca desistiria. Conheci tudo de Otis, da gravadora Stax, Booker T & The Mgs é a minha banda de cabeceira. Não gosto do clichê mas encaixa perfeitamente: as primeiras audições da música de Otis Redding eram como o primeiro sexo, pode doer mas você quer mais. Otis, Stax, Booker T & The MGs e todo o cast viraram meu templo. Costumo dizer que a minha vida mudou várias vezes, essa foi a terceira. A primeira, a descoberta da música, a música clássica e canção francesa: Gilbert Bécaud, George Brassens etc, que meu pai ouvia bem. A segunda: Beatles e Shadows e depois veio a, na época, chamada música progressiva: Steppenwolf, Grand Funk Railroad, Led Zeppelin, Deep Purple, The Doors, Pink Floyd etc., todos aqueles derivados do Blues, do Soul, do Country, Folk, Celta, depois o Woodstock que foi algo transcendental. Aos 11, ouvi Big Bill Broonzy e isso levou a ouvir todo o Blues produzido antes e depois no planeta, seja acústico, elétrico etc. O acesso a discos era tão fluido em Luanda como em Londres, vinha direto da fonte e rápido. Eu tinha cerca de 2000 LPs aos 17 anos, edições originais, fora as centenas de singles. Perdi tudo quando me exilei.

Resenhando.com - Em seu canal no YouTube há vários vídeos onde você comenta sobre determinados músicos ou outros assuntos ligados a música. Como foi que surgiu essa ideia?
Nuno Mindelis - Comecei a fazer videos do tipo zoando, ironia sutis, série tipo crimes e castigos. Se você for flagrado tocando Blues como amplificador transistorizado. Pena: dois anos de reclusão + escutar Kenny G e Galvão Bueno por duas horas seguidas com fones irremovíveis. Esse tipo de coisa. Na verdade nos anos 80 eu tinha inventado essa série, quase sem querer, numa revista de música, Cover Guitarra, a convite do editor que era o Regis Tadeu. A turma lembrava disso até hoje, acredita? Viviam me relembrando disso. Então resgatei, meio sem querer, de novo. A galera pirou com esses videos, são tipo shorts, ainda estão no canal, depois passei para videos mais longos ficaram um pouco mais sérios e tal, e um dia perfilei um guitarrista e percebi que a galera engajou um monte, então continuei perfilando guitarristas. Quando acabarem todos os guitarristas da Terra farei parte 2 ou passarei a outra coisa qualquer. Ou já terei morrido (risos).

Resenhando.com - Na sua opinião, o blues pode ser reinventado ou deve permanecer na forma tradicional?
Nuno Mindelis - Deve ser reinventado, como toda a forma de arte, mas não porque seja uma obrigação técnica ou moral ou algo assim. É o próprio artista que normalmente é, ou deveria ser, irrequieto, que sente que precisa desconstruir. Como Miles Davis, o tradicional foi a grande escola dele mas depois ele foi lá e derreteu tudo. Hendrix idem. Picasso, Van Gogh etc. O que me parece é que há 60 anos ninguém, exceto talvez Jeff Beck e um ou outro mais, teve esse ímpeto. Jovens americanos, e não só,  nascem por estes dias e continuam fazendo o que se fazia há 60 anos. É certo que é fundamental que se conheçam muito bem as regras e isso requer ouvir muito e aprender bem todo o tradicional mas é muito importante que se as quebrem depois de bem sabidas. Como dizia Zappa, "Without deviation from the norm progress is not possible" ("Sem desvios da norma, o progresso não é possível"). Vejo um monte de artistas de Blues que conhecem as regras como ninguém e não saem daquilo. 

Resenhando.com - Você gravou dois discos com os músicos da mítica banda Double Trouble, que acompanhou Steve Ray Vaughan. Fale sobre essa experiência.
Nuno Mindelis - Ajustei com um produtor de Austin, no Texas (Eddie) para fazer um disco para a gravadora Antone’s. Ele tinha ouvido um disco meu e gostado muito. Antone’s é um selo e casa noturna altamente cult, gente como Buddy Guy, Muddy Waters e outros frequentaram e gravaram por ali. Ele me pediu uma fita demo para ter ideia do que eu pensava para o disco novo. Para saber que músicos chamar, se mais  blues negro ou mais rock branco, essas coisas. Entrei no estúdio e gravei baixo, guitarra bateria e piano e mandei para ele o rascunho. Ele tocava aquilo na gravadora durante o dia, no sistema de som geral ,todo o mundo ouvia. Tommy Shannon entrou ali por alguma razão (pegar um cachê ou algo assim) e perguntou o que era. Ele explicou: “é um brasileiro que eu vou produzir, o Nuno etc." e ali o Eddie, falando sério fingindo ser brincando, sabe como é, para não parecer ousadia, perguntou: “quer participar?”. E o Tommy disse: “sim, gostaria”. Ele me ligou exultante, "Hey Beast", tinha saído artigo de capa da Revista Austin Blues “The Southamerican Beast Whos Coming To Your Town, "você não vai acreditar, Tommy vai gravar uma música no seu disco. E obviamente Chris também". Depois gravaram o disco todo. "Texas Bound" gravamos em 95, saiu em 96. Depois, gravei outro em 1999, "Blues On The Outside", saiu acho que já em 2000.


Resenhando.com - Como você avalia o blues na atualidade?
Nuno Mindelis - 
Na real, nem avalio mais. Quase não ouço. É tudo muito igual. E grandes revolucionários como Little Walter, John Lee Hooker, Skip James etc. são cada vez mais raros. Não é saudosismo, havia de fato algo que transcendia ali. Hoje parece meio fabricado em série, especialmente do lado branco. Atenção: não me refiro à habilidade, o pessoal detona pra caramba, são artistas altamente proficientes e habilidosos, músicos de quilate. Mas não saem daquilo, me refiro ao conceito, às suas obras. Qual será o legado? Haverá?

Resenhando.com - Você pretende lançar um novo disco?
Nuno Mindelis - Há duas direções aqui. Do ponto de vista prático, preciso lançar algo mais rapidamente porque os números das plataformas caíram um pouco. Spotify e afins são como redes sociais, se parar de mexer caem os números, acredite. E eu parei de lançar coisa por um tempo. Entre 2022 e 2025 anunciei uma série “um single por mês” (acabou sendo um a cada dois ou três meses na real. Em 2025, só gravei mas não lancei. Então vou ver se lanço uma coletânea com isso tudo mais os inéditos de 2025. Serão cerca de 12 ou 13 faixas até onde vasculhei. Penso em criar algo físico, cassete ou pendrive. Esse negócio de não ser dono do produto não funciona. Nas plataformas, você não é dono de nada, o pessoal que curte quer algo para chamar de seu. LP não penso, porque é caríssimo no Brasil, absurdo, extorsivo. A segunda direção é um trabalho novo que desconstrua o que fiz até agora. Enquanto soar previsível, para mim mesmo, pelo menos, não farei nada. Estou atrás dessa inspiração e desse laboratório mas os videos do Youtube me tomam muito tempo e energia. Mas está na pauta, só preciso conseguir tempo e alguma inspiração. Também gostaria de trabalhar com alguém de nova geração com afinidade com produções eletrônicas mas parece que essa turma foge. No meu tempo, era ao contrário, idolatrávamos os pioneiros e faríamos de tudo para poder colaborar com eles. Vide U2 com BB King, Santana e o álbum "Supernatural", etc. 

Resenhando.com - Como está o plano para shows ao vivo?
Nuno Mindelis - Vou fazer um em Florianópolis e soube que está “sold out” (com ingressos esgotados). Em 2026, não sei bem o que será, uma turnê média em Minas é certeza. Apresentações no Blue Note e no Bourbon Street em São Paulo podem acontecer. 

Vídeo sobre Steve Ray Vaughan

 
"I Know What You Want"

"Stormy Minded Man"

.: Mary Del Priore desmistifica a imagem de Chica da Silva em novo livro


Em "Meu Nome É Francisca - Uma história de Chica da Silva", publicado pela Editora José Olympio, a historiadora Mary Del Priore revisita a trajetória da mulher à frente de seu tempo, desmistificando a imagem polêmica que ficou eternizada pelo audiovisual. Com uma linguagem original que destaca os falares africanos em Minas Gerais no Brasil Colônia, a autora se debruça sobre Francisca desde a infância, e mostra como ela e muitas outras mulheres negras viveram como donas de casa, cuidando dos filhos, dedicadas aos companheiros em relações consensuais que não passavam pela Igreja, e constituindo o segundo grupo mais rico da região.

Neste livro, Mary Del Priore apresenta Francisca sob uma nova luz - não a figura folclórica ou sexualizada, mas a mulher histórica: mãe de 13 filhos, esposa dedicada, piedosa, proprietária de bens, senhora de centenas de escravizados e integrante de irmandades religiosas de elite. Assim como nos perfis anteriores de Tarsila do Amaral, da imperatriz Leopoldina e da filha, Maria da Glória, em Meu nome é Francisca a historiadora Mary Del Priore assume a narração em primeira pessoa, aliando sua vasta leitura crítica ao refinamento de seu estilo literário. 

O resultado é um texto primoroso, em que nos acercamos dos fatos históricos sem perder de vista as emoções que essa personagem icônica nos revela sobre o Brasil Colônia e seus desafios econômicos e morais. Mulher negra nascida escravizada, Chica da Silva foi alforriada e se tornou a mulher mais rica do Brasil. O amor foi o motivo de sua ascensão. Ela se apaixonou pelo seu senhorio e contratador de diamantes da região, João Fernandes de Oliveira, com o qual viveu uma relação amorosa intensa que marcou para sempre a história do Arraial do Tijuco, atual Diamantina, nas Minas Gerais. 

O casamento casamento deles, contudo, nunca pôde ser oficializado, pois as leis racistas da época não permitiam a união entre um branco e uma negra. Vivendo em concubinato, Chica da Silva e João Fernandes tiveram 13 filhos e do companheiro ela herdou toda a fortuna. Em "Meu Nome É Francisca", é possível compreender as complexidades do poder, do dinheiro, da influência e, sobretudo, dos papéis sociais que levaram uma mulher negra à posição de poder incomum para os padrões de sua época. A edição traz ainda um caderno de imagens.

Ao recuperar falares africanos, a autora reconstitui o cotidiano de mulheres negras que, por meio de uniões consensuais, alcançaram mobilidade social e segurança financeira. O livro também destaca um aspecto pouco explorado: o papel surpreendentemente ativo dos pais, atentos ao futuro e à proteção material de suas famílias. Francisca pertenceu ao segundo grupo economicamente mais rico das Minas Gerais coloniais - o das ex-escravizadas. E, como mostra a obra, não houve apenas uma Francisca: foram muitas. Compre o livro "Meu Nome É Francisca - Uma história de Chica da Silva" neste link.

Trecho do livro
“Passada a visita pastoral que o acusou de bigamia, meu senhor resolveu me vender. Vendas eram comuns quando o senhor empobrecia ou morria e seus parentes preferiam se desfazer da escravaria. Ou quando ele tinha dívidas e o cativo entrava como parte do pagamento. Ou, ainda, quando o cativo era doente, desobediente ou fujão. Ou quando o visitador exigia 'lançar fora' de casa a concubina escrava. O valor de cada cativo era determinado por sexo, idade, doenças e lesões. Ruim seria ser vendida para outra casa longe do Tijuco, onde eu conhecia tanta gente. Eu sabia de muitas histórias de escravos que se rebelavam e fugiam quando eram separados de familiares ou amigos. O senhor novo ofereceu bom preço? O senhor velho preferiu ficar com Francisca? Nunca soube os pormenores, mas fui vendida por 800 mil réis e minha vida mudou.”


Sobre a autora
Mary Lucy Murray Del Priore
(Rio de Janeiro/RJ, 1952) é historiadora, professora e escritora. Lecionou nos departamentos de história da Universidade de São Paulo (USP) e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Fez pós-doutorado em ciências sociais na École des Hautes Études, na França. Colabora com dezenas de jornais e revistas nacionais e estrangeiras. Entre outras distinções recebidas, foi vencedora do Prêmio Jabuti – Ciências Humanas, em 1998, por História das mulheres no Brasil (Unesp/Contexto); do Prêmio APCA – Não Ficção, em 2008, por "O Príncipe Maldito" (Objetiva); e do Prêmio Fundação Biblioteca Nacional, em 2009, por "Condessa de Barral" (Objetiva). Desde 2022, é membro da Academia Paulista de Letras. Lançou pela Editora José Olympio os volumes biográficos "Tarsila" (2022) e "Leopoldina" e "Maria da Glória" (2024). Compre os livros de Mary Del Priore neste link.

.: Filósofo Marcelo Perine propõe leitura da felicidade como prática inventiva


Por que somos infelizes? Essa foi a pergunta que levou o filósofo Marcelo Perine a escrever "Felicidade Prisioneira: Ensaio de Filosofia Moral", obra recém-lançada pela PUCPRESS – editora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). O livro se insere no debate contemporâneo sobre ética e moralidade, propondo uma reflexão sofisticada e original sobre o sentido do bem viver, articulando a tradição filosófica às urgências do presente.

“Em poucas palavras, somos infelizes porque podemos fracassar na realização de nossos interesses e na satisfação de nossos legítimos desejos, que consistem, em última análise, em libertar-nos do descontentamento; somos infelizes porque somos e sabemos que somos finitos, contingentes, numa palavra, mortais”. A proposta do autor é compreender a felicidade não como um estado conclusivo, mas como uma prática em constante reinvenção - marcada pela incompletude e pela inventividade. Para desenvolver essa ideia, a obra apresenta-se como um ensaio que reúne dissertações livres e profundas sobre a condição humana, a moralidade e a possibilidade de uma felicidade vivida com consciência.

Perine, professor associado da PUC-SP e referência nacional em Filosofia, revisita criticamente autores clássicos e modernos para construir uma narrativa filosófica que entrelaça razão, liberdade e criação. Com linguagem acessível e rigor filosófico, ele propõe uma “moral viva” que articula a doutrina ética que afirma que a felicidade é o fim supremo da vida humana, alcançado através do exercício da razão e da prática das virtudes – o eudemonismo aristotélico –, a ética do dever kantiana, o imperativo da responsabilidade de Hans Jonas e o “dever de ser feliz” de Eric Weil.

A analogia final com as esculturas inacabadas de Michelangelo é emblemática: a felicidade não se realiza na plenitude, mas na forma que emerge da matéria, no gesto inacabado que revela o sentido. "Contentamento na liberdade" é a expressão que sintetiza a proposta filosófica de Perine, que se contrapõe à concepção utilitarista e performática da felicidade dominante na cultura contemporânea. Compre o livro "Felicidade Prisioneira: Ensaio de Filosofia Moral", de Marcelo Perine, neste link.


Sobre o autor
Marcelo Perine
é professor associado da PUC-SP, com sólida formação acadêmica em Filosofia e Teologia, tendo obtido os títulos de mestre e doutor pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Com ampla atuação na graduação e na pós-graduação, destaca-se pela expressiva produção intelectual, que inclui 89 artigos, 49 capítulos de livros, 18 trabalhos em anais, sete livros autorais e outros sete organizados. Sua contribuição acadêmica também se evidencia na orientação de dezenas de trabalhos em diversos níveis, incluindo mestrado, doutorado e pós-doutorado. Foi coordenador da área de Filosofia da Capes em dois triênios e mantém colaboração internacional com o Institut Eric Weil da Université de Lille, coordenando um acordo de cooperação firmado em 2020. Compre os livros de "Felicidade Prisioneira: Ensaio de Filosofia Moral" neste link.

.: #VivoLendo indica o livro "Canções Ciganas Para Uma Mulher Noturna"


Por 
Vieira Vivo, escritor e ativista cultural.
o poeta é feito de firmamento

A noite desnuda o improvável através da opacidade nebulosa das controvérsias interiores. Canções plangentes repletas de melancólicas melodias e suas íntimas referências complementam-se a versos fortes reveladores de incógnitas, descaminhos e misteriosos desvãos onde o poeta movimenta-se qual espectro de desejos inconcebíveis através de poemas fluídos, quase monólogos, repletos de conjecturas, questionamentos e rupturas ao trivial da realidade cotidiana.

Envolto em uma nebulosa consciência alterada por extrema inventividade poética, no livro "Canções Ciganas Para Uma Mulher Noturna", publicado pela Editora Xará, o escritor Guilherme Andretta Pompermayer constrói um universo noturno, onírico e psicodélico com inúmeras pinceladas de anseios, musicalidade e inquietude onde os versos alimentam-se de suas próprias inquietações e procuras a nos remeter aos poetas beats, ao underground, à literatura das angústias, da solidão noturna e das canções revestidas no mais profundo arcabouço da alma humana onde a anti-realidade utópica de seres mágicos ganham voz e alento: entre imaginação e memória, existe uma divisória?

Em "Canções Ciganas Para Uma Mulher Noturna" ( Editora Xará), Andretta destila sua imagética através de versos sonoros e viajantes envoltos em um diálogo constante consigo mesmo e, ainda, incorpora referências à canções de Tom Waits, Jeff Buckley e Curt Cobain a engrandecer e a expandir a dimensão de sua obra poética, além de nos revelar o caos mental fragmentado em que o livro navega, flutua e nos alimenta. Poesia intensa, atemporal e reveladora para aqueles que nutrem o hábito de se sentirem preenchidos pelos descaminhos aleatórios da poesia personal banhada na marginalidade literária e na estrita e mágica vivência pessoal: é assim que o sabor acre deságua em versos. Compre o livro "Canções Ciganas Para Uma Mulher Noturna", de Guilherme Andretta Pompermayer, neste link.

.: Arena B3 recebe o espetáculo "O Cachorro Que Se Recusou a Morrer"


Montagem de Samir Murad aborda migração, memória e pertencimento a partir de relatos autobiográficos. Foto: divulgação

A Arena B3 recebe, neste final de semana, dias 17 e 18 de janeiro, o espetáculo "O Cachorro Que Se Recusou a Morrer", criação, texto e atuação de Samir Murad. A peça inaugura a programação cultural de 2026 do espaço e convida o público a uma experiência sensível sobre identidade, ancestralidade e memória afetiva. Inspirado em vivências familiares do próprio autor, o espetáculo constrói uma narrativa íntima que atravessa temas como imigração, conflitos culturais, saúde mental e pertencimento. Alternando momentos de drama e humor, a montagem cria uma atmosfera poética e emocional, conduzindo o espectador por lembranças que dialogam com experiências universais.

A encenação combina atuação visceral, trilha sonora original, projeções e videocenário, ampliando a dimensão sensorial da obra e reforçando o caráter autobiográfico do relato. O resultado é uma peça delicada e potente, que valoriza a escuta e a memória como ferramentas de construção de identidade. As apresentações acontecem na Arena B3, espaço cultural localizado em um prédio histórico da antiga Bolsa de Valores, no Centro de São Paulo. Com sessões aos finais de semana e ingressos acessíveis, o local reafirma sua vocação para democratizar o acesso à cultura e estimular a ocupação artística do Centro Histórico da cidade. A curadoria da programação é assinada pela Aventura, produtora reconhecida nacionalmente por sua atuação no setor cultural e pela realização de espetáculos de relevância no cenário brasileiro.


Ficha técnica
Espetáculo "O Cachorro Que Se Recusou A Morrer"

Criação, texto e atuação: Samir Murad
Direção: Delson Antunes e Samir Murad
Cenografia: José Dias
Figurino e Adereços: Karlla de Luca
Desenho de Luz: Thales Coutinho
Trilha Sonora: André Poyart e Samir Murad
Direção de Movimento: Samir Murad
Videocenário: Mayara Ferreira
Assistente de Direção: Gedivan de Albuquerque
Programação Visual: Fernando Alax
Fotos: Fernando Valle
Direção de produção: Fernando Alax
Produção executiva: Wagner Uchoa
Operação audiovisual: Marco Agrippa
Operação de luz: Chico Hashi
Realização: Cia Teatral Cambaleei, mas não caí... 


Serviço
"O Cachorro Que Se Recusou A Morrer"

Dias 17 e 18 de janeiro, sábado e domingo, sessões às 14h30 e 17h00
Arena B3 - Centro Histórico de São Paulo
Duração: 70 minutos
Classificação: L=livre
Ingressos: https://bileto.sympla.com.br/event/114363/d/355043/s/2395277?

 
Sobre a B3

A B3, a bolsa do Brasil, tem o compromisso de apoiar a democratização do acesso à cultura, por meio de parcerias e patrocínios que facilitem o acesso da sociedade a esses espaços. Em 2023, a bolsa do Brasil apoiou 25 projetos, e possibilitou que mais de 95 mil pessoas acessassem os 7 museus patrocinados por meio do oferecimento também de dias de gratuidade. Dentre as instituições apoiadas estão o MASP, a Pinacoteca de São Paulo, o MIS, o Museu Judaico e MUB3, na capital paulista, o Instituto Inhotim, localizado em Minas Gerais, e o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Além das gratuidades, a bolsa do Brasil patrocina ainda uma série de iniciativas culturais, como musicais, eventos e exposições.


Sobre a Aventura

Fundada em 2008, e liderada por Aniela Jordan, diretora artística e produção e geral, Luiz Calainho, diretor de marketing e negócios, e por Giulia Jordan, diretora geral de venues, a Aventura é referência na produção de espetáculos de altíssima qualidade, que tornou o mercado de teatro musical um dos principais segmentos da economia criativa no Brasil. A empresa se estabeleceu como uma grande aliada da multiplicidade artística, fundamental para o desenvolvimento social, econômico e cultural. A sua missão é transformar grandes ideias em realidade, criando fortes conexões entre marcas e projetos. São mais de 40 produções, de espetáculos inéditos e de versões da Broadway, como “Elis, a musical”, “A Noviça Rebelde”, “Sete”, “O Mágico de Oz”, “SamBRA”, “Chacrinha, o musical”, “Romeu & Julieta, ao som de Marisa Monte”, “Merlin e Arthur, um sonho de liberdade” e o infantil “Zaquim”. Em 2022, a produtora inovou com o primeiro musical em formato de série do país, o “Vozes Negras – A Força do Canto Feminino”, e com o musical “Seu Neyla”, apresentado em dois palcos com o uso da internet para criar uma experiência diferenciada no espectador, além de estrear uma parceria com a Disney - Pixar com o espetáculo “Pixar in Concert”. Com o objetivo de democratizar o acesso à cultura, criou a Cia Stone de Teatro, projeto de teatro itinerante no interior do Brasil e é a responsável pela produção da Cia de Ballet Dallal Achcar. Ao todo, foram mais de 3,8 mil apresentações e cerca de 4,5 milhões de espectadores, mais de 16 mil empregos diretos e indiretos gerados, números que não param de crescer. 

.: “Rei das pegadinhas”, Ítalo Sena em "Duas Conversas" no Teatro J. Safra


Humorista apresenta uma versão renovada do show, resultado de nove meses de intensa preparação. Foto: divulgação

No aguardado espetáculo "Duas Conversas", Ítalo Sena, considerado "o rei das pegadinhas", mergulha em dois lados de sua vida de forma inédita. Após percorrer o Brasil com o “Mostrando Meu Trabalho” , o humorista apresenta uma versão renovada, resultado de nove meses de intensa preparação. Com um cenário digital interativo, Ítalo surpreende a plateia, revelando um espetáculo totalmente envolvente.  O humorista se preparou não apenas mentalmente, mas também corporalmente para essa nova jornada, prometendo um show fora do comum. 

Ele compartilha sua expectativa com os fãs, enfatizando: "É algo que venho me dedicando para entregar o meu melhor. Quero que meu público saia do teatro com a garantia de que foi surpreendido". Brincando com um de seus bordões, Ítalo destaca: "Não se assuste se no show eu perguntar 'O que você pensou na hora?' Tem um cara gravando ali", contou ele com risadas.

Em "Duas Conversas", o texto é todo desenvolvido pelo próprio humorista, e conta com a colaboração criativa de Maurício Meireles. A preparação artística de Diógenes De Lima, a produção de Laura Ithamar, iluminação de Jathyles Miranda e as artes para o cenário virtual assinadas pelo VJ Koala Brito, prometem elevar o espetáculo a um patamar único, garantindo risos e surpresas inesquecíveis. Prepare-se para uma experiência que transcende as expectativas, com Ítalo Sena no comando do seu novo show "Duas Conversas".

Serviço
Ítalo Sena em "Duas Conversas"
Gênero: humor
Recomendação: 16 anos
Duração: 80 minutos
Sábado, dia 17 de janeiro de 2026, às 20h00
Ingressos: entre R$ 30,00 e R$ 100,00
Compras on-line: https://www.eventim.com.br/artist/italo-sena/?affiliate=JSA

Bilheteria
Quartas e quintas-feiras, das 14h00 às 21h00
Sextas, sábados e domingos, das 14h00 até o horário dos espetáculos
Aceita os cartões de débito e crédito: Amex, Dinners, Elo, Mastercard, Visa e Hipercard. Não aceita cheques.
Telefone da bilheteria: (11) 3611-3042
Teatro J. Safra | 627 lugares
Endereço: Rua Josef Kryss, 318 - Barra Funda / São Paulo
Telefone: (11) 3611 3042 e 3611 2561
Abertura da casa: duas horas antes de cada horário de espetáculo, com serviço de lounge-bar no saguão do Teatro.
Acessibilidade para deficiente físico
Estacionamento: Valet Service (Estacionamento próprio do Teatro) - R$ 30,00

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