domingo, 20 de setembro de 2026

.: Teatro em SP: "Os Nós Desafinados Sempre Tocam Uma Nova Melodia"


Espetáculo premiado de Lucca Marques e Rafael Salmona reúne amor, luto, saúde mental, masculinidade e vulnerabilidade emocional ao colocar dois homens diante das lembranças de uma relação marcada por afeto, violência e culpa. Foto: Arthur Romão

O espetáculo "Os Nós Desafinados Sempre Tocam Uma Nova Melodia", de Lucca Marques e Rafael Salmona, com direção de Áurea Liz, chega a São Paulo para uma curta temporada no Espaço Cia da Revista, de 1º a 11 de outubro. A montagem acompanha dois homens que se reencontram à beira de uma ponte depois de anos afastados e revisitam uma relação marcada por afeto, violência, culpa e sentimentos que ficaram pelo caminho. Com dramaturgia poética e fragmentada, a peça investiga os mecanismos da memória e as marcas deixadas por experiências que permaneceram sem elaboração. João e Felipe transitam entre gravações, lembranças e melodias enquanto tentam compreender o que viveram juntos e as versões que construíram de si mesmos e um do outro.

A montagem estreou no Festival Internacional de Teatro do Atlântico, em Cabo Verde, e passou por Portugal e Espanha, onde ganhou também uma versão em língua espanhola. A estreia nacional aconteceu em Brasília, em janeiro de 2026. Em setembro, o espetáculo participou do FESTEI – Festival Nacional de Teatro de Ibiúna, realizado entre os dias 3 e 7, e voltou para casa com três prêmios: melhor cenografia, melhor dramaturgia e melhor ator, para Rafael Salmona.

No festival, "Os Nós Desafinados Sempre Tocam Uma Nova Melodia" recebeu ainda indicações em oito categorias: melhor cenografia, melhor sonoridade, melhor iluminação, melhor dramaturgia, melhor direção, melhor ator para Lucca Marques, melhor ator para Rafael Salmona e melhor espetáculo. Na encenação, música, palavra e movimento aproximam presente e passado, realidade e lembrança. A estrutura fragmentada acompanha uma memória que não se apresenta de maneira linear: recordações se sobrepõem, versões entram em conflito e acontecimentos aparentemente encerrados reaparecem sob outras perspectivas.

A pergunta que atravessa a montagem está relacionada ao que fazemos com as experiências que continuam reverberando depois que uma relação chega ao fim. “Quando uma melodia se rompe, é possível simplesmente seguir adiante ou levamos para as relações seguintes os ecos daquilo que nunca conseguimos escutar?", questionam os dramaturgos Lucca Marques e Rafael Salmona, que também estão em cena. A trajetória da montagem ganhou ainda uma extensão literária. A dramaturgia foi publicada em edição bilíngue português-espanhol pela editora Giostri. Compre o livro "Os Nós Desafinados Sempre Tocam Uma Nova Melodia" neste link.


Ficha técnica
Espetáculo "Os Nós Desafinados Sempre Tocam Uma Nova Melodia"
Direção: Áurea Liz
Dramaturgia e atuação: Lucca Marques e Rafael Salmona
Concepção de luz: Caio Maciel
Operação de luz: Caio Maciel
Cenotécnica: Artur Ribeiro
Trilha sonora original: Andrei Machado, Fábio Gesteira e Lucca Marques
Colaboração artística: Irina Buss e Vinícius Ávlis
Produção: Casa dos Quatro e Coletivo Levante
Produtor local: Ricardo Corrêa

Serviço
Espetáculo "Os Nós Desafinados Sempre Tocam Uma Nova Melodia"
Temporada: 1º a 11 de outubro de 2026. 1º de outubro, quinta, às 20h00; 2 e 9 de outubro, sextas, às 20h00; 3 e 10 de outubro, sábados, às 20h00; e 11 de outubro, domingo, às 19h00.
Local: Espaço Cia da Revista (Alameda Nothmann, 1135 - Campos Elíseos / São Paulo) 
Ingressos: R$ 90,00 (inteira) e R$ 45,00 (meia-entrada), à venda pela Sympla.
Duração: 70 minutos
Classificação indicativa: 14 anos

.: Johnny Massaro leva “A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão” ao palco


Espetáculo inspirado no best-seller de Ana Suy conduz o público por uma visita bem-humorada ao coração humano, entre desejos amorosos, términos e a solidão que acompanha a vida. 
Foto: Hudson Rennan

Com mais de 500 mil exemplares vendidos, o livro “A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão”, da psicanalista e escritora Ana Suy, chega ao teatro pelas mãos de Johnny Massaro, que idealiza e protagoniza a montagem. O espetáculo estreia no Auditório do Sesc Pinheiros, onde permanece em cartaz de 24 de setembro a 31 de outubro, com produção artística de Pablo Sanábio, dramaturgia de Júlia Portes e direção de Helena Varvaki.

A adaptação parte de uma obra psicanalítica que não nasceu com personagens ou uma narrativa dramática convencional. No palco, esse material ganha corpo por meio de um guia turístico que conduz o público por uma espécie de passeio pelo coração humano. Entre a expectativa pelo encontro com a pessoa amada e os sentimentos que aparecem quando uma relação chega ao fim, o personagem transforma a visita em uma experiência existencial, afetiva e bem-humorada.

A ideia surgiu para Johnny Massaro há cerca de três anos, quando ele encontrou o livro em meio a um período complicado de um relacionamento. “Exigem de nós, e a gente exige de nós mesmos, que saibamos agir no exercício do amor, quando, na verdade, não é algo para o qual fomos educados. É como Ana diz: ‘É porque alguém, em algum momento, nos amou, mesmo que tenha nos amado mal, que a gente aprende a amar’. Eu me via falhando e repetindo os mesmos erros de relação em relação, geralmente culpando o outro pela falta de consciência dos meus próprios padrões e desejos. Estava cansado e curioso. A consciência de que eu precisava aprender de alguma forma aquelas informações do livro foi muito intensa e pareceu inevitável levá-lo ao palco”, revela.

A própria autora acompanhou o processo com entusiasmo. Para Ana Suy, a adaptação provocou uma sensação curiosa de reconhecimento diante de algo que, ao mesmo tempo, se apresentava de maneira nova. “Foi um susto delicioso ver a interpretação do Johnny na adaptação do meu livro! Senti um misto de estranheza e de reconhecimento, se aproximando muito do que Freud chamou de ‘infamiliar'. Para ele, o infamiliar contempla o familiar e foi isso que vivi. Trata-se de um texto emocionante, bastante original... ao mesmo tempo em que reconheço minhas ideias, palavras e a centralidade da minha tese em "a gente mira no amor e acerta na solidão". Só uma equipe muito talentosa e com muito cuidado (que talvez seja um bom nome para o que surge quando somamos amor e solidão) poderia construir uma peça tão bonita!”

Para Pablo Sanábio, o projeto também nasceu de uma coincidência feliz. Quando recebeu a mensagem de Johnny propondo a montagem, estava justamente lendo o livro de Ana Suy. “Acho muito bonita essa coisa da sincronicidade da vida. Quando o Johnny me escreveu falando da ideia de montar a peça, eu estava justamente lendo o livro. Esse projeto tem ainda um significado especial para mim, porque ele nasce também da nossa amizade. Eu e Johnny temos uma relação de muito afeto, troca e admiração. E falar de amor, para mim, é falar também sobre o amor entre amigos. Sobre essas pessoas que a vida coloca no nosso caminho e que acabam se tornando parte da nossa história”.


Da psicanálise ao teatro
Adaptar um livro de psicanálise para o palco exigiu encontrar uma estrutura dramática capaz de transformar ideias e reflexões em ação teatral. Johnny conta que chegou a apresentar o projeto a diversos dramaturgos e dramaturgas, recebendo respostas semelhantes sobre a dificuldade da empreitada. A solução apareceu durante um trabalho para uma série da Netflix, quando o ator conheceu Júlia Portes, que interpretaria sua esposa em “Emergência Radioativa”. A relação profissional acabou levando a outro encontro: o livro “O céu no meio da cara”, escrito por Júlia e finalista do Prêmio Jabuti.

“O desafio de transpor qualquer livro para o teatro já é imenso. Tratando-se de um livro de psicanálise, a coisa se intensifica. Levamos essa ideia a muitos dramaturgos e dramaturgas, que foram unânimes em dizer que seria impossível. Quando parecia que havíamos esgotado todas as nossas possibilidades, fui fazer uma série na Netflix, ‘Emergência Radioativa’, e fui apresentado à Júlia Portes, que faria minha esposa. Nos demos superbem e, em dado momento, ela me presenteou com seu livro, ‘O Céu no Meio da Cara’, que havia sido finalista no Prêmio Jabuti. Li, amei e, meses depois, fui ver a adaptação do livro para o teatro. Foi quando pensei em convidá-la. É um felicíssimo encontro da Julia com a Ana, da Julia comigo, da gente com a Helena, nossa diretora, e de todas as pessoas que, organicamente, foram se juntando ao processo”, conta Massaro.

Na dramaturgia, Júlia encontrou no ofício do personagem a chave para organizar a adaptação. O guia turístico conhece bem a função que desempenha, mas não necessariamente domina o território que apresenta aos visitantes. A contradição serve como ponto de partida para falar sobre as relações amorosas. “Gosto de pensar a partir de uma personagem e acredito que os hábitos dos personagens guardam segredos sobre eles. Por isso, a profissão exercida pode ser uma boa pista para esse enigma que é escrever uma dramaturgia. Foi assim que surgiu o Guia Turístico. Um guia que não conhece muito bem o lugar que está apresentando, no entanto quer que as pessoas acreditem que ele domina o que está falando. No amor, também é assim: a gente se apaixona e tenta parecer no controle, mas, na verdade, não estamos”.

A personagem também permite ampliar o alcance das ideias presentes no livro. “Faço essa analogia e muitas outras se abrem através da figura do Guia Turístico. O livro, para falar das parcerias amorosas, do amor e da nossa solidão, indissociáveis, fala de várias outras parcerias, também amorosas, mas não necessariamente românticas. A dramaturgia está na intersecção entre o percurso íntimo do Guia Turístico e a descoberta do recorte do livro que nos interessava”, acrescenta.


Um coração no palco
Na encenação de Helena Varvaki, a relação entre experiência pessoal e construção teatral ocupa um lugar central. O personagem conta histórias enquanto também se modifica pela própria experiência de contá-las. A diretora explica que a montagem “investe no processo de escuta de nós mesmos, que fazemos ao narrar algo pessoal. É no processo de contar o vivido que repensamos o viver. Ao escorregar no que se propôs, fazer uma visita guiada ao coração, nosso guia reinventa a si mesmo. Fazemos a passagem entre teoria e criação ficcional”.

Essa visita terá um elemento bastante concreto em cena: o coração. O órgão aparece como instrumento para compreender a anatomia, com suas câmaras e passagens, e também como objeto plástico nas mãos do ator, aproximando a dimensão biológica de uma leitura poética. A direção aposta ainda na proximidade entre ator e plateia. “A atuação parte de um lugar de vulnerabilidade - aquele que todos reconhecemos quando imersos em nosso desejo de amor. Um personagem que guia e é, ao mesmo tempo, guiado pelos espectadores numa troca sensível e atenta, usufruindo e manejando a química particular que, na arte teatral, se estabelece e se renova a cada novo encontro com o público”, adiciona Helena.

Para Johnny Massaro, a montagem marca ainda sua estreia em um monólogo depois de 22 anos de carreira. Ao falar sobre a experiência, ele recupera outra passagem do livro de Ana Suy: "É fato que nascemos e morremos sozinhos, mas entre uma ponta e outra a nossa vida se dá em relação, com várias pessoas. Nada nos livra da solidão, mas certas coisas, como os amigos e o teatro, nos lembram que não estamos, sempre, tão sozinhos”, conclui.


Ficha técnica
Espetáculo “A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão” 
Baseado no best-seller de Ana Suy
Idealização e Atuação: Johnny Massaro
Produtor Artístico: Pablo Sanábio
Dramaturgia: Júlia Portes
Direção: Helena Varvaki
Figurino: Sasha Meneghel
Direção de Produção: Roberta Dias
Uma produção: Johnny Massaro e Pablo Sanábio
Cenografia: Aurora dos Campos
Iluminação: Nina Balbi
Trilha Sonora: Pedro Sodré e Frederico Santiago
Programação visual: Ton Zaransa
Preparação Corporal: Esther Weitsman
Produção Executiva: Camila Sequeira
Fotos: Hudson Rennan
Assistente de direção: Lucas Garbois
Assistente de Cenografia: Rachel Merlino
Controller Financeira: Natália Simonete - Estufa de Ideias


Serviço
Espetáculo “A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão” 
Temporada: 24 de setembro a 31 de outubro de 2026
Sesc Pinheiros - Rua Paes Leme, 195, Pinheiros
Ingressos: R$ 50 (inteira), R$ 25 (meia-entrada) e R$ 15 (credencial plena)
Vendas on-line pelo Sesc São Paulo ou presencialmente na bilheteria de qualquer unidade do Sesc São Paulo
Classificação: 12 anos
Duração: 60 minutos

.: Cármen Lúcia fala sobre democracia e participação no “Sábados Feministas”


Ministra do STF participa de encontro da Academia Mineira de Letras no dia 26 de setembro, em Belo Horizonte, para discutir conquistas e desafios das mulheres na democracia brasileira. Foto: Gustavo Moreno/STF


A presença feminina nos espaços de poder e os caminhos para o fortalecimento da democracia brasileira pautam a próxima edição do “Sábados Feministas”, iniciativa da Academia Mineira de Letras (AML) em parceria com o movimento Quem Ama Não Mata. No dia 26 de setembro, às 10h00, a sede da instituição recebe a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia Antunes Rocha para a conversa “Democracia e mulheres: conquistas e desafios”. A entrada é gratuita e aberta ao público, com os portões sendo abertos às 9h30.

Magistrada, professora e jurista, Cármen Lúcia integra o STF desde 2006 e foi a segunda mulher a ocupar uma cadeira na Corte. Ao longo da carreira, também presidiu o Supremo Tribunal Federal e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), entre 2016 e 2018. No Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foi eleita em 2009 e comandou a instituição de 2012 a 2013, tornando-se a primeira mulher a presidir o tribunal. Em 2024, voltou ao cargo, permanecendo na presidência até 2026.

A ministra também possui produção na área jurídica e é autora de livros e artigos publicados em revistas especializadas. Entre seus trabalhos está “Pela mão do povo: Voto e democracia no Brasil”, lançado pela Bazar do Tempo em coorganização com Heloisa M. Starling e Nayara Corrêa Henriques Pinto.

O encontro integra os projetos “Academia Mineira de Letras Manutenção e Funcionamento 2026 (CA 2024.3810.0027)”, incluído na Lei Estadual de Incentivo à Cultura, e “Plano Anual Academia Mineira de Letras – AML (PRONAC 256536)”, previsto na Lei Federal de Incentivo à Cultura. A programação conta com patrocínio da CEMIG, a energia da cultura, e do Instituto Unimed-BH, por meio do incentivo fiscal de mais de 5,9 mil médicos cooperados e colaboradores. Minasmáquinas e Esquina Santê apoiam a realização. Compre os livros da ministra Cármen Lúcia  neste link.


Sobre a palestrante
Cármen Lúcia Antunes Rocha é magistrada, professora e jurista. Mestre em Direito Constitucional, tornou-se ministra do Supremo Tribunal Federal em 2006, sendo a segunda mulher a integrar o tribunal na história do país. No Conselho Nacional de Justiça, presidiu a instituição entre 2016 e 2018. No Tribunal Superior Eleitoral, ocupou a presidência pela primeira vez de 2012 a 2013, como a primeira mulher a comandar o tribunal, e retornou ao cargo entre 2024 e 2026. A produção dela inclui livros jurídicos e artigos publicados em revistas especializadas. A publicação mais recente é “Pela Mão do Povo: Voto e Democracia no Brasil”, da Bazar do Tempo, organizada em parceria com Heloisa M. Starling e Nayara Corrêa Henriques Pinto. Compre os livros da ministra Cármen Lúcia  neste link.


Serviço
Sábados Feministas | “Democracia e Mulheres: Conquistas e Desafios”
Com a ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha
Data: 26 de setembro, a partir das 10h00. Portões abertos às 9h30
Local: Academia Mineira de Letras – Rua da Bahia, 1466, Centro / Belo Horizonte
Entrada gratuita

.: Filme "O Império do Desejo" escancara a alma libertária de Carlos Reichenbach


Filme de Carlos Reichenbach chega à Reserva Imovision com mistura de erotismo, humor, política e espírito anárquico, além de uma história marcada pelo confronto com a censura durante a ditadura militar

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

Carlos Reichenbach gostava de misturar coisas que, em mãos menos inquietas, não cabiam no mesmo filme. Em "O Império do Desejo", que chega à plataforma de streaming Reserva Imovision em um momento de redescoberta da obra do diretor, cineasta que se tornou um dos nomes mais particulares da chamada Boca do Lixo paulistana. Ele junta erotismo, chanchada, política, humor, aventura, música e uma galeria de personagens excêntricos para acompanhar Sandra (Meiry Vieira), uma viúva que vai ao litoral recuperar a casa de praia deixada pelo marido, ocupada por grileiros. 

No caminho, ela dá carona a um casal de hippies e, depois de retomar a propriedade com a ajuda do advogado Dr. Carvalho (Benjamin Cattan), convida os dois para cuidar do imóvel. A partir desse encontro, a casa vira ponto de encontro para personagens que se envolvem física e emocionalmente em uma trama que passa pelo desejo, pela liberdade e pela provocação política. Roberto Miranda interpreta Nicolau em um elenco que reúne Márcia Fraga, Orlando Parolini, Aldine Müller, Nádia Destro, Marta Anderson, José Luiz França e outros nomes ligados ao cinema brasileiro daquele período. 

Nascido em Porto Alegre e criado em São Paulo, Carlos Reichenbach estudou na Escola Superior de Cinema São Luiz, onde integrou a segunda turma da instituição e teve entre seus mestres nomes como Roberto Santos, Anatol Rosenfeld, Paulo Emílio Salles Gomes, Mário Chamie, Décio Pignatari e Luiz Sérgio Person. A carreira começou ainda no ambiente da Boca do Lixo, com trabalhos como "As Libertinas" e "Audácia! - A Fúria dos Desejos". 

Depois, Reichenbach construiu uma filmografia que transitou por diferentes gêneros e combinou referências populares e eruditas. "A Ilha dos Prazeres Proibidos", lançado em 1978, já apresentava características que se tornariam recorrentes em seu cinema: alegorias políticas, personagens intelectuais e militantes, ironia, erotismo e uma aproximação entre elementos da cultura popular e referências eruditas. "O Império do Desejo" pertence a essa mesma fase de experimentação.

A estrutura do filme ajuda a entender o método de Reichenbach. A premissa aparentemente simples da viúva que deseja recuperar uma casa de praia abre espaço para uma sucessão de encontros, desejos, conflitos e situações absurdas. A casa deixa de ser apenas cenário e passa a concentrar uma espécie de microcosmo em que diferentes personagens e ideias convivem, enquanto o diretor brinca com convenções do cinema erótico e da comédia popular.

A mistura de gêneros não acontece por acaso. Reichenbach buscava em "O Império do Desejo", que foi realizado na esteira do sucesso comercial de "A Ilha dos Prazeres Proibidos", manipular clichês narrativos, subverter o repertório do cinema erótico e comercial, misturar gêneros e utilizar a música como elemento narrativo. O histórico com a censura acrescenta outra camada à trajetória da produção. A Cinemateca Brasileira registra certificados de censura emitidos em 1980 e 1981, incluindo um certificado do Conselho Superior de Censura. O filme chegou a ser interditado em todo o território nacional sob a acusação de ser subversivo e atentatório à moral e aos bons costumes, antes de ser liberado integralmente pelo recém-criado Conselho Superior de Censura com a classificação de "espetáculo pornográfico".

O próprio Reichenbach explicou, anos depois, a ligação que enxergava entre desejo e política. Em entrevista à Abraccine, o cineasta afirmou que não conseguia separar essas duas dimensões e definiu "O Império do Desejo" como um filme em que a questão do desejo era eminentemente política. Também contou que a produção foi convidada para festivais de cinema anarquista em Melbourne e Lyon.

Essa trajetória internacional não ficou restrita a esses eventos. O International Film Festival Rotterdam apresentou o longa-metragem em 2012, em uma nova cópia em 35 mm, depois de um período em que a obra permaneceu praticamente inacessível e pouco lembrada. O festival também registra a participação de Roberto Miranda, Benjamin Cattan, Márcia Fraga, Meiry Vieira, Orlando Parolini, José Luiz França e Nádia Destro no elenco principal.

"O Império do Desejo" permanece como uma peça curiosa da filmografia de Reichenbach por concentrar características que acompanham seu cinema: personagens marginais, provocação política, erotismo, humor, referências culturais diversas e uma vontade permanente de escapar das fórmulas convencionais. O filme pertence a um período específico do cinema brasileiro, mas conserva uma energia própria, especialmente pela maneira como Carlos Reichenbach transforma as limitações de produção em matéria para a invenção.

O diretor morreu em 2012, aos 67 anos. Ao longo da carreira, escreveu e dirigiu mais de 20 filmes, entre longas-metragens, curtas e episódios de antologias, além de trabalhar como diretor de fotografia, professor, músico, fotógrafo, crítico, ator e ensaísta. A partir de filmes como "Alma Corsária", "Filme Demência", "Garotas do ABC" e "Falsa Loura", sua obra ganhou novas leituras e voltou a despertar interesse entre espectadores e pesquisadores do cinema brasileiro. É cinema de uma época, com as marcas do tempo, mas também um retrato bastante claro da liberdade criativa que Reichenbach perseguia.


Ficha técnica
"O Império do Desejo" (título original)
Gênero: comédia dramática, erótico. Duração: 110 minutos. Classificação indicativa: 18 anos. Ano de produção: 1980. Data de lançamento: 30 de março de 1981, em São Paulo. Idioma: português. Direção: Carlos Reichenbach. Roteiro: Carlos Reichenbach. Elenco: Meiry Vieira, Roberto Miranda, Benjamin Cattan, Márcia Fraga, Orlando Parolini, Aldine Müller, Nádia Destro, Marta Anderson, José Luiz França, Mii Saki, Dino Arino, Genésio de Carvalho, Felipe Donovan, Maristela Moreno e Cavagnole Neto. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


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.: "Plenty" revisita guerra, desencanto e uma mulher incapaz de voltar ao normal


Com Meryl Streep no centro de um drama escrito por David Hare, "Plenty - O Mundo de Uma Mulher" acompanha duas décadas da vida de Susan Traherne, ex-integrante da Resistência Francesa que descobre, depois da Segunda Guerra Mundial, que a paz pode ser muito menos excitante do que imaginava

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

Meryl Streep encara uma das personagens mais desconfortáveis da carreira em "Plenty - O Mundo de uma Mulher", drama dirigido por Fred Schepisi que chega ao catálogo do streaming Belas Artes À La Carte. O filme acompanha Susan Traherne desde mensageira da Resistência Francesa, durante a Segunda Guerra Mundial, até os anos seguintes ao conflito, quando a vida que deveria representar liberdade, estabilidade e prosperidade começa a parecer pequena demais para alguém que se acostumou ao risco.

O roteiro de David Hare, adaptado da própria peça teatral escrita por ele em 1978, percorre quase duas décadas da vida da protagonista. Susan retorna à Inglaterra depois da guerra esperando encontrar um país renovado e uma existência à altura dos ideais pelos quais lutou. O problema é que o cotidiano tem pouco interesse em corresponder às expectativas de quem acabou de sobreviver a uma guerra.

Na França ocupada, Susan viveu uma experiência marcada pelo perigo, pela urgência e por um romance breve com Lazar (Sam Neill), agente britânico que chega de paraquedas para auxiliar a Resistência. O encontro dura pouco, mas permanece na memória dela durante anos. De volta à Inglaterra, Susan passa por empregos, relacionamentos e situações que parecem incapazes de preencher o espaço deixado por aquela juventude vivida em condições extraordinárias.

É nesse período que entram Raymond Brock (Charles Dance), diplomata com quem ela se casa, Alice Park (Tracey Ullman), amiga e companheira de moradia, e Mick (Sting), homem que Susan procura numa tentativa pouco convencional de realizar o desejo de ser mãe. John Gielgud e Ian McKellen completam o elenco principal como figuras ligadas ao universo diplomático que cerca Raymond.

A atuação de Meryl Streep foi bastante observada pela crítica na época do lançamento. Roger Ebert, em crítica publicada no Chicago Sun-Times em setembro de 1985, chamou atenção para a sutileza com que a atriz constrói Susan, uma mulher autodestrutiva, difícil de compreender e ainda mais difícil de acompanhar emocionalmente. Para o crítico, a personagem poderia ter sido reduzida a um conjunto de sintomas, mas Streep consegue lhe dar personalidade e contradições.

O filme também dividiu opiniões. A crítica da revista "The New Yorker", assinada por Pauline Kael, destacou o mal-estar político e emocional presente no texto de David Hare e descreveu Susan como uma personagem marcada pela perda do idealismo juvenil. Já a "Los Angeles Times" enxergou na produção uma investigação sobre o preço cobrado pelo idealismo romântico, elogiando particularmente a interpretação de Streep.

A relação de "Plenty" com o teatro merece atenção. A montagem original da Broadway estreou em 6 de janeiro de 1983, no Plymouth Theatre, e permaneceu em cartaz por 92 apresentações. A peça recebeu indicações ao Tony, incluindo Melhor Peça, Melhor Atriz para Kate Nelligan e Melhor Ator para Edward Herrmann.

Nelligan, aliás, foi a primeira intérprete de Susan Traherne nos palcos de Londres e Nova York. Para o cinema, a personagem passou para Meryl Streep, que já havia construído uma carreira de enorme prestígio e vinha de "A Escolha de Sofia". A troca provocou discussões sobre o que se ganhava e o que se perdia quando uma personagem originalmente associada ao teatro britânico passava a ser interpretada por uma estrela de Hollywood.

A própria estrutura do filme ajuda a explicar algumas das reações tão diferentes. "Plenty" não conta a trajetória de Susan de maneira convencional: a narrativa avança e recua no tempo, acompanhando diferentes momentos de sua vida e colocando suas experiências pessoais ao lado de acontecimentos da história britânica do pós-guerra, incluindo a coroação de Elizabeth II e a Crise de Suez. A crítica da "Time Out" observou que a adaptação cinematográfica desloca o ponto de vista entre personagens, ampliando a dimensão social da peça original.

O título ganha um sentido particularmente irônico quando se considera a passagem da austeridade do pós-guerra para um período de maior prosperidade material. Susan, porém, parece cada vez menos capaz de aproveitar aquilo que deveria representar uma vida confortável. Quanto mais a sociedade avança em direção à estabilidade, maior fica a distância entre o que ela esperava do futuro e aquilo que efetivamente encontra.

O resultado é um filme centrado numa mulher difícil, contraditória e muitas vezes desagradável, mas justamente por isso interessante. Susan não se encaixa facilmente no papel de heroína, vítima ou vilã, e Meryl Streep aceita o desconforto de interpretar alguém cuja inquietação contamina o casamento, as amizades e a própria percepção que ela tem de si mesma.


Ficha técnica
"Plenty - O Mundo de Uma Mulher" | "Plenty" (título original) | "Plenty, Uma História de Mulher" (título em Portugal)
Gênero: drama. Duração: 124 minutos. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 1985. Data de lançamento: 20 de setembro de 1985. Idioma: inglês. Direção: Fred Schepisi. Roteiro: David Hare. Elenco: Meryl Streep, Charles Dance, Tracey Ullman, John Gielgud, Sting, Ian McKellen, Sam Neill, Burt Kwouk e Pik-Sen Lim. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


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.: “Feito Pipa” leva o sertão ao Oscar e provoca o novo cinema brasileiro


Escolhido para representar o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar 2027, filme de Allan Deberton transforma memórias do interior do Ceará em uma história sobre infância, afeto, família, preconceito e pertencimento, depois de conquistar prêmios em Berlim, Cartagena e Gramado


Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

Um menino de quase 12 anos que gosta de futebol. Uma avó que o criou com liberdade e carinho. Um pai com quem a relação está longe de ser simples, uma cidade do sertão cearense e, ao redor de tudo isso, as ruínas de um lugar que desapareceu debaixo d’água. É desse universo que “Feito Pipa”, de Allan Deberton, parte para tentar chegar ao Oscar 2027. Escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para representar o Brasil na disputa por uma vaga na categoria de Melhor Filme Internacional, o filme chega ao posto depois de construir uma trajetória que começou muito antes do anúncio feito em 16 de setembro. 

A produção estreou mundialmente no Festival de Berlim, conquistou o Urso de Cristal de Melhor Filme e o Grande Prêmio do Júri Internacional da mostra Generation Kplus, passou por festivais internacionais e chegou ao Festival de Gramado como uma das produções brasileiras de maior repercussão do ano. Agora, o caminho é outro. “Feito Pipa” ainda precisa passar pela seleção da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas para entrar na lista de indicados ao Oscar. A shortlist será divulgada em dezembro e os indicados, em janeiro de 2027. A cerimônia está marcada para 14 de março.



Um cinema com sotaque próprio
Allan Deberton nasceu em Russas, no interior do Ceará, e construiu uma carreira que passa pelos curtas-metragens, pelos festivais e por histórias ligadas ao lugar de onde veio. Formado em Cinema pela Universidade Federal Fluminense, o diretor teve trabalhos exibidos em mais de 150 festivais nacionais e internacionais, acumulando 76 prêmios, segundo a Academia Brasileira de Cinema. Em 2019, estreou no cinema como diretor de longa-metragem com “Pacarrete”. Ambientado em Russas, o filme acompanha uma bailarina aposentada que decide preparar uma apresentação para presentear a população durante as comemorações dos 200 anos da cidade.

No Festival de Gramado, levou oito Kikitos, incluindo os de Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Roteiro. Sete anos depois, Deberton voltou ao festival com “Feito Pipa”. Voltou com força suficiente para levar novamente Melhor Direção, além dos prêmios de Melhor Atriz para Teca Pereira, Melhor Ator Coadjuvante para Lázaro Ramos e Melhor Filme pelo Júri Popular. Yuri Gomes, intérprete de Gugu, recebeu Menção Honrosa. Se “Pacarrete” já colocava uma cidade do interior no centro da narrativa, “Feito Pipa” amplia essa escolha. Quixadá aparece como cenário e como parte da história. A produção nasceu de memórias da infância vivida por Deberton e pelo roteirista André Araújo em Russas, mas foi filmada em Quixadá. O resultado é um filme profundamente ligado ao Ceará sem precisar transformar a paisagem em cartão-postal.


Um menino, uma avó e uma cidade submersa
Gugu (Yuri Gomes) tem quase 12 anos e vive com a avó Dilma (Teca Pereira). É apaixonado por futebol, dança e pela liberdade que encontrou naquela casa. A chegada do pai, porém, ameaça mudar a rotina e colocar em xeque a relação que construiu com a avó. Como se a família já não tivesse problemas suficientes, Dilma enfrenta uma doença que compromete suas lembranças.

Ao redor deles existe a barragem de Araújo Lima. Depois de um período de seca, o recuo das águas revela as ruínas de uma antiga cidade submersa. Enquanto Gugu tenta lidar com a possibilidade de perder a avó e deixar para trás a vida que conhece, o cenário devolve ao presente aquilo que ficou escondido durante anos. A ideia de memória percorre o filme e está na relação entre Gugu e Dilma, na paisagem e na própria história daquele lugar.


Mais de 600 crianças para encontrar Gugu
Uma das apostas do filme estava na escolha do protagonista. Mais de 600 crianças foram testadas até Yuri Gomes ser escolhido para interpretar Gugu: foi a estreia do jovem ator no cinema. Ao lado dele estão Teca Pereira, Lázaro Ramos, Carlos Francisco e Georgina Castro. A escolha acabou rendendo frutos durante a circulação do filme pelos festivais. 

Em Gramado, Yuri recebeu Menção Honrosa. Teca Pereira levou o prêmio de Melhor Atriz e Lázaro Ramos foi reconhecido como Melhor Ator Coadjuvante. O garoto que precisou passar por uma peneira de mais de 600 candidatos terminou no centro das atenções de um dos principais festivais de cinema do país. Nada mal para uma primeira experiência diante das câmeras.


De Berlim a Gramado
Antes de conquistar os Kikitos, “Feito Pipa” já havia recebido uma apresentação de respeito no circuito internacional. A estreia mundial aconteceu no Festival de Berlim, na mostra Generation Kplus. O filme saiu de lá com dois prêmios: o Urso de Cristal de Melhor Filme, concedido pelo Júri Jovem, e o Grande Prêmio do Júri Internacional.

A produção também passou por Guadalajara e Cartagena das Índias, onde recebeu outros reconhecimentos, incluindo prêmios de atuação para Yuri Gomes e Teca Pereira. Em Berlim, o filme ainda participou da disputa pelo Teddy Award, tradicional premiação dedicada ao cinema queer. A trajetória internacional, portanto, já estava em andamento quando o filme entrou na corrida brasileira pelo Oscar.


15 filmes, muitos Brasis
Quando a Academia Brasileira de Cinema abriu a disputa pelo representante brasileiro no Oscar 2027, “Feito Pipa” estava entre 15 produções de diferentes gerações, regiões e propostas. A lista reunia “100 Dias”, de Carlos Saldanha; “A Conspiração Condor”, de André Sturm; “A Fabulosa Máquina do Tempo”, de Eliza Capai; “A Natureza das Coisas Invisíveis”, de Rafaela Camelo; “Ato Noturno”, de Marcio Reolon e Filipe Matzembacher; “Cinco Tipos de Medo”, de Bruno Bini; “Dolores”, de Maria Clara Escobar e Marcelo Gomes; “Feito Pipa”, de Allan Deberton; “Herança de Narcisa”, de Clarissa Appelt e Daniel Dias; “Nosso Segredo”, de Grace Passô; “O Rei da Internet”, de Fabrício Bittar; “Quando Vira a Esquina”, de Chris Alcazar; “Malês”, de Antonio Pitanga; “Papagaios”, de Douglas Soares; e “Vicentina Pede Desculpas”, de Gabriel Martins.

Seis avançaram para a etapa seguinte: “100 Dias”, “A Fabulosa Máquina do Tempo”, “A Natureza das Coisas Invisíveis”, “Feito Pipa”, “Nosso Segredo” e “Vicentina Pede Desculpas”. Em 16 de setembro, “Feito Pipa” foi escolhido como o representante brasileiro. A comissão de seleção destacou a capacidade da produção de apresentar uma história de alcance universal mantendo uma identidade fortemente brasileira, ligada a uma cidade do interior do Ceará. O filme olha para uma comunidade específica e, ao fazer isso, encontra questões que ultrapassam qualquer fronteira geográfica.

É uma das características que ajudam a aproximar “Feito Pipa” de um movimento maior do cinema brasileiro contemporâneo: histórias locais encontrando espaço em circuitos nacionais e internacionais sem abandonar sua origem. “Feito Pipa” estreia comercialmente em 5 de novembro de 2026, com distribuição da Paris Filmes. Antes disso, participa do Festival do Rio, na mostra Première Brasil: Hors Concours.

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

.: Peter Frampton e os 50 anos de "Frampton Comes Alive"


Por
Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. 

Há 50 anos, o músico britânico Peter Frampton lançava um álbum duplo ao vivo que se tornou o seu maior êxito em termos de vendagem, além do reconhecimento unânime da crítica especializada. O álbum denominado "Frampton Comes Alive" virou uma espécie de referência para a produção  de discos ao vivo na seara do rock. O material foi gravado na maior parte na arena Winterland na turnê de 1975. Dentre os outros locais que foram gravados estão San Rafael na California, Long Island e State University em New York, e uma faixa no estúdio Record Plant, também na California.

Um dos destaques ficou por conta da épica "Do You Feel Like We Do", com uso prolongado do talkbox. Há uma ótima versão de "Jumping Jack Flash" (dos Rolling Stones) e dois singles de enorme sucesso "Show me the Way" e "Baby I Love your Way”. Essas duas faixas tocaram bastante nas rádios e até hoje são executadas. A banda na época contava com John Siomos na bateria, Stanley Sheldon no baixo e Bob Mayo na guitarra base e nos teclados. O álbum ficou posicionado em primeiro lugar nos Estados Unidos, e em sexto no Reino Unido. O single "Show me the Way" ficou em sexto lugar nos Estados Unidos.

O repertório passa pela fase inicial da carreira solo de Frampton, que na época ainda buscava se encontrar no mercado fonográfico, depois de ter tocado na banda Humble Pie com o também britânico Steve Marriott. É incrível notar que após todo esse tempo a sonoridade do disco continua soando atual. De uma certa forma ele mostrou as bases do que nos anos seguintes se chamaria de Arena Rock (ou Rock de Arena), quando as bandas passaram a tocar em locais de grande porte. Atualmente Frampton enfrenta sérios problemas de saúde. E mesmo assim continua na ativa, como um guerreiro incansável.  Ele  lançou o excelente álbum "Carry The Light", no qual mostra toda a sua competência como músico.

"Show Me The Way"

"Baby I Love Your Away"

"Jymping Jack Flash

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

.: Tragédia, narcotráfico e feminismo em contos de Dahlia de la Cerda


Autora de "Cadelas de Aluguel" retorna ao Brasil com histórias de mulheres e jovens marcadas pela violência, pelo desejo e pela luta para decidir os próprios caminhos

Medeia conhece bem a história do amor que termina em tragédia. A personagem de Eurípides matou os próprios filhos para se vingar de Jasão e entrou para a mitologia como uma das figuras mais perturbadoras da literatura ocidental. Nas mãos da escritora mexicana Dahlia de la Cerda, porém, ela ganha novas companhias, uma sacola de açougue e uma receita que mistura ervas, medicamentos e invocações a deusas. O resultado atende pelo curioso título de "Medeia Me Cantou Um Corrido". Segundo livro da autora publicado no Brasil pela DBA Literatura, depois de "Cadelas de Aluguel", a obra reúne contos independentes que se conectam e formam uma espécie de mosaico sobre violência, maternidade, crime organizado, desejo e sobrevivência. A tradução é de Marina Waquil.

No livro, Paulina está grávida e não quer colocar no mundo uma criança sem pai. Perla decidiu não ter filhos porque teme "estragar" o próprio corpo. Jordán foi cooptado pelo crime organizado e desapareceu há meses. Antonia quer fugir da violenta Aztlán para construir uma vida como mãe solo. Reina procura o filho, sem saber se ainda poderá encontrá-lo vivo. No meio dessas histórias aparece Medeia, movida pela combinação explosiva de amor e ódio que acompanha sua trajetória desde a tragédia grega. Aqui, entretanto, ela se torna uma espécie de aliada para mulheres que precisam lidar com relacionamentos abusivos, uma gravidez indesejada ou a procura desesperada por um filho.

O título resume a mistura proposta por Dahlia de la Cerda. Medeia vem da mitologia grega; o corrido é um gênero musical profundamente ligado à cultura popular mexicana. Entre os dois, a escritora constrói uma literatura que cruza referências aparentemente distantes e coloca lado a lado Hello Kitty e Jean-Paul Sartre, uma bolsa da Gucci e um fuzil, mitologia grega e tradição católica. Essa combinação também está no modo como as personagens são construídas. Inseridas em um ambiente marcado pelo narcotráfico mexicano, elas carregam desejos, medos, vaidades e necessidades bastante concretos. A violência está presente, mas as mulheres não são reduzidas ao papel de vítimas ou peças de uma engrenagem criminosa. Elas querem, amam, erram, planejam, se desesperam e, quando possível, tentam encontrar uma saída.

A oralidade é outro elemento fundamental. O universo dos corridos mexicanos contamina a narrativa, dando às histórias um ritmo próprio e aproximando a literatura da tradição popular. A linguagem também serve para aproximar mundos que costumam aparecer separados: o erudito conversa com o popular, a cultura pop se encontra com a filosofia e a religião divide espaço com armas, grifes e referências do cotidiano.

Em "Cadelas de Aluguel", as mulheres partiam para a vingança com as próprias mãos. Em "Medeia Me Cantou Um Corrido", a personagem mitológica ganha uma função quase de madrinha das desesperadas. Ela aparece como possibilidade de amparo para quem quer romper com um relacionamento abusivo, interromper uma gravidez ou encontrar um filho desaparecido. A própria autora ocupa um lugar de presença forte dentro desse universo. Seu feminismo é frontal, sua escrita não economiza no desconforto e suas personagens vivem em uma sociedade na qual as escolhas femininas frequentemente vêm acompanhadas de consequências violentas.  Compre o romance "Medeia Me Cantou Um Corrido", escrito por Dahlia de la Cerda, neste link.


Sobre a autora
Dahlia de la Cerda (1985) é escritora e ativista mexicana. É cofundadora e codiretora do Morras Help Morras, coletivo feminista voltado à segurança reprodutiva de mulheres periféricas. É autora de "Cadelas de aluguel" (DBA Literatura, 2025), "Medeia me cantou um corrido" (DBA Literatura, 2026) e "Desde los zulos" (2023). Compre os livros de Dahlia de la Cerda neste link.

.: "Obra-prima" transforma o sumiço de uma escultura em mistério literário


Juan Tallón parte de um caso real no Museu Reina Sofía para investigar, pela ficção, os limites entre arte, memória, original e cópia

Uma escultura de 38 toneladas desaparece e ninguém sabe onde foi parar. Não há corpo, pista convincente ou explicação capaz de fazer o absurdo parecer razoável. O cenário parece inventado por algum escritor especialmente empenhado em testar a credulidade do leitor, só que aconteceu de verdade. É a partir desse episódio que o escritor espanhol Juan Tallón constrói "Obra-prima", lançamento da Editora Nós. O livro acompanha o curioso desaparecimento de "Equal-Parallel/Guernica-Bengasi", monumental escultura do artista estadunidense Richard Serra, e usa o caso para levantar perguntas incômodas sobre o próprio conceito de obra de arte. Vencedor dos prêmios Rodolfo Walsh e Euskadi de Plata, "Obra-prima" chega ao Brasil com tradução de Joca Reiners Terron. 

A escultura havia sido encomendada especialmente para a inauguração do Museu Reina Sofía, em Madri. Depois de ser retirada de exibição, foi armazenada por uma empresa terceirizada. Anos mais tarde, quando surgiu a intenção de colocá-la novamente em exposição, veio a pequena questão - pequena apenas no tamanho da frase: ninguém fazia ideia de onde estavam os quatro enormes blocos de aço.

A empresa responsável pelo armazenamento havia falido e desaparecido, deixando para trás pouquíssimos rastros. O problema é que não se tratava de um quadro escondido atrás de outro, de uma pequena peça extraviada ou de algum objeto capaz de desaparecer discretamente numa mudança. Eram quatro blocos de aço que, juntos, pesavam 38 toneladas. O escândalo ganhou proporções internacionais. Diante do desaparecimento, Richard Serra aceitou produzir uma réplica da escultura, que permanece exposta no museu de Madri. 

O desaparecimento passa a provocar questões sobre autoria, identidade, forma, conteúdo, memória e valor artístico. A réplica pode ocupar o lugar do original? As duas obras podem coexistir como se fossem uma só? E se ninguém encontrar a peça desaparecida, ela continua sendo a mesma obra que existia antes? Em ritmo de thriller, "Obra-prima" reúne dezenas de vozes envolvidas no caso. Funcionários do museu, investigadores, autoridades e o próprio Richard Serra aparecem como narradores e testemunhas de um acontecimento que parece crescer a cada depoimento.

A estrutura remete à segunda parte de "Os Detetives Selvagens", de Roberto Bolaño, em que diferentes relatos vão compondo um mosaico narrativo. Tallón utiliza procedimento semelhante para reconstruir um mistério no qual falta justamente aquilo que normalmente encerraria uma investigação: uma prova definitiva. O resultado é uma história em que a investigação avança sem necessariamente aproximar o leitor de uma solução. Quanto mais vozes surgem, mais possibilidades aparecem. A escultura continua desaparecida, e o mistério ganha vida própria. Compre o romance "Obra-prima", de Juan Tallón, neste link.


Sobre o autor
Juan Tallón
nasceu em Vilardevós, na Galícia, em 1975. Formado em Filosofia, atua nas áreas jornalística e ficcional. Ao longo de sua trajetória, escreveu tanto em galego quanto em espanhol. Entre seus trabalhos de destaque estão "Rewind" e "Obra-prima". No Brasil, publicou "Fim de Poema", lançado em 2023. Compre os livros de Juan Tallón neste link.

.: "Elefante" mistura luto e fantasia para falar de infâncias interrompidas


No livro de Josué Souza, a imaginação de um menino de sete anos encontra ancestralidade, afeto e dor para preservar a memória de crianças vítimas da violência. Foto: divulgação


O que acontece quando a imaginação de uma criança encontra uma ausência grande demais para caber em palavras? Em "Elefante", livro infantojuvenil de Josué Souza publicado pela Editora Patuá, fantasia, realismo mágico e ancestralidade se encontram para tratar de pertencimento, luto, esperança e memória - assuntos difíceis, mas apresentados a partir do olhar de uma criança. No livro, Gugu tem sete anos, imaginação de sobra e um companheiro de aventuras bastante particular: POC, um elefantinho que vive naquele território em que realidade e fantasia se misturam. Com o incentivo dos pais, Guilherme e Joshua, o menino percorre uma floresta mágica enquanto o leitor vai percebendo as marcas deixadas por uma ausência dentro da família.

A origem da história está em uma inquietação dolorosa do autor diante de casos reais de crianças e adolescentes mortos em situações de violência. Entre eles estão João Pedro Mattos Pinto e Miguel Otávio Santana da Silva. Josué Souza recorre à literatura para olhar para essas infâncias interrompidas e pensar sobre aquilo que permanece quando uma vida é brutalmente retirada de cena. 

Para crianças, a aventura e a fantasia abrem as portas da história. Para jovens e adultos, surgem outras leituras sobre perda, violência, racismo, memória e a maneira como uma família tenta conviver com aquilo que ficou. "Elefante" surge de um assunto espinhoso, mas encontra na literatura uma maneira de falar sobre vida, afeto e permanência. A fantasia oferece a Gugu um espaço para elaborar aquilo que a realidade tornou difícil de compreender, enquanto a memória impede que determinadas histórias desapareçam junto com quem partiu.

Ao transformar experiências marcadas pela violência em literatura, Josué Souza coloca a imaginação infantil diante de uma realidade incômoda. E talvez esteja justamente aí uma das forças do livro: permitir que a fantasia seja também um lugar de lembrança, acolhimento e resistência. Compre o livro "Elefante", de Josué Souza, neste link.


Sobre o autor
Josué Souza Tourinho Junior
é acadêmico de Letras Português/Inglês na Universidade de São Paulo (USP). Tem quatro livros publicados. Sua produção literária explora temas como memória, infância, imaginação, amor, perda e permanência, construindo narrativas que dialogam com crianças, jovens e adultos.  Compre os livros de Josué Souza neste link.

.: Sem estrear, série "Harry Potter" ganha novos personagens na 2.ª temporada


HBO anuncia Rafe Spall, Molly Hewitt-Richards e Jasper Ambrose no elenco da nova fase da série, que já está em produção. Fotos: divulgação


A magia de Hogwarts vai ganhar novos rostos na segunda temporada de "Harry Potter". A HBO anunciou Rafe Spall como Arthur Weasley, Molly Hewitt-Richards como Murta que Geme e Jasper Ambrose como Colin Creevey. Os três atores passam a integrar o elenco da série original, que já está em produção. Para quem conhece a história, Arthur Weasley dispensa apresentações: pai de Rony, patriarca de uma das famílias mais queridas do universo bruxo e sujeito que nutre uma curiosidade quase infantil pelo mundo dos trouxas. Murta que Geme, por sua vez, segue fiel ao posto de fantasma mais inconveniente — e talvez mais dramático — dos corredores de Hogwarts. Já Colin Creevey chega com sua inseparável máquina fotográfica e aquela empolgação de fã diante do próprio ídolo.

A série acompanha Harry Potter desde o aniversário de 11 anos, quando uma carta de admissão para a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts muda completamente sua vida. Até então, ele vive sob os cuidados dos tios, Petúnia e Válter Dursley, acreditando que sua existência pouco tem de extraordinária. A descoberta do universo mágico abre espaço para amizades, aventuras e, claro, perigos cada vez maiores ligados ao passado do garoto. Dominic McLaughlin interpreta Harry Potter, enquanto Arabella Stanton vive Hermione Granger e Alastair Stout dá vida a Ron Weasley. O elenco conta ainda com John Lithgow como Alvo Dumbledore, Janet McTeer como Minerva McGonagall, Paapa Essiedu como Severo Snape e Nick Frost como Rúbeo Hagrid.

A segunda temporada também terá Kit Harington como Gilderoy Lockhart, Bonnie Hill como Gina Weasley, Lenny Rush como Dobby e Billy Barratt como Tom Riddle. Baseada na série de livros de J.K. Rowling, "Harry Potter" tem roteiro e produção executiva de Francesca Gardiner. Mark Mylod é produtor executivo e também dirige diversos episódios da série. A produção executiva reúne ainda J.K. Rowling, Neil Blair e Ruth Kenley-Letts, da Brontë Film and TV, além de David Heyman, da Heyday Films. A série é produzida pela HBO em associação com a Brontë Film and TV e a Warner Bros. Television. Compre os produtos de Harry Potter neste link.

.: “Um Sonho de Domingo” traz família e arte sob o sol de Bertrand Tavernier


Filme de Bertrand Tavernier acompanha um domingo de verão de 1912 e transforma uma reunião familiar aparentemente tranquila em um delicado acerto de contas com o tempo, as escolhas e aquilo que ficou pelo caminho


Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

Um domingo de verão pode parecer o cenário perfeito para uma reunião familiar: comida, conversa, crianças correndo pelo jardim e aquela coleção de pequenas implicâncias que só parentes sabem produzir com tanta eficiência. Em “Um Sonho de Domingo”, que estreia na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte, o diretor Bertrand Tavernier pega esse material aparentemente banal e encontra nele uma história sobre envelhecimento, arte, frustrações e escolhas que continuam incomodando mesmo quando já não há muito tempo para corrigi-las.

O filme francês de 1984 acompanha Monsieur Ladmiral (Louis Ducreux), um pintor aposentado que vive no campo desde a morte da esposa. Como acontece praticamente todos os domingos, ele recebe o filho Gonzague (Michel Aumont), a nora Marie-Thérèse (Geneviève Mnich) e os três netos. A rotina, cuidadosamente conhecida por todos, ganha outra temperatura quando chega Irène (Sabine Azéma), filha do pintor e mulher independente, inquieta e pouco afeita às convenções familiares.

A presença de Irène mexe com o pai porque ela representa uma possibilidade de vida que ele próprio deixou escapar. Ladmiral alcançou reconhecimento como artista, mas começa a olhar para a própria trajetória com certa desconfiança. Enquanto conversa com a filha sobre pintura, percebe que talvez tenha sido conservador demais justamente no campo em que poderia ter arriscado mais. Tavernier constrói o filme a partir desses pequenos deslocamentos. Não há necessidade de grandes acontecimentos para que as relações familiares revelem suas rachaduras. Um comentário, uma lembrança, uma caminhada ou uma conversa aparentemente despretensiosa carregam aquilo que os personagens nem sempre conseguem dizer diretamente.

A história se passa em 1912, às vésperas da Primeira Guerra Mundial, mas o filme não se entrega ao peso histórico do período. A atenção está concentrada naquela casa, no jardim, nos personagens e na passagem das horas. A câmera de Bruno de Keyzer explora a luminosidade do interior francês e cria imagens que remetem à pintura impressionista, reforçando a ligação entre a forma do filme e o universo artístico de Ladmiral. A trilha sonora segue o mesmo caminho de delicadeza. A produção utiliza peças de música de câmara de Gabriel Fauré, ao lado de trabalhos associados a Louis Ducreux e Marc Perrone, criando uma atmosfera íntima para aquela reunião familiar.

“Um Sonho de Domingo” adapta o romance “Monsieur Ladmiral va Bientôt Mourir”, publicado por Pierre Bost em 1945. O roteiro foi escrito por Bertrand Tavernier e a filha dele, Colo Tavernier. A adaptação preserva a estrutura concentrada da obra literária e acompanha os personagens durante poucas horas, deixando que passado e presente se encontrem nas conversas e nas lembranças. Louis Ducreux, conhecido também pela atuação no teatro e pelo trabalho como compositor e dramaturgo, encontra em Monsieur Ladmiral um personagem de poucas explosões e muitas contradições. Sabine Azéma, por sua vez, injeta energia na produção como Irène, personagem que chega carregando uma liberdade que incomoda o irmão e fascina o pai.

A recepção crítica ajudou a transformar “Um Sonho de Domingo” em uma das obras mais lembradas da filmografia de Tavernier. O filme competiu pela Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1984 e o diretor recebeu o prêmio de Melhor Direção. No César, a produção levou os prêmios de Melhor Atriz, para Sabine Azéma, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Fotografia, de Bruno de Keyzer.

A própria estrutura do filme pode dividir opiniões. Para alguns espectadores, o ritmo contemplativo e a ausência de grandes reviravoltas fazem parte de seu encanto; para outros, a mesma característica pode exigir uma dose extra de paciência.  Esse contraste combina com a proposta de Tavernier. “Um Sonho de Domingo” observa uma família durante um único dia e deixa que as pequenas tensões façam o trabalho pesado. O pai olha para os filhos e, ao mesmo tempo, parece enxergar versões diferentes de si próprio. Gonzague representa a vida organizada, previsível e socialmente aprovada. Irène chega com independência, desejo e uma certa desordem atributos que o pai admira e talvez inveje um pouco.

O filme sabe encontrar drama onde a vida costuma escondê-lo: nas visitas que se repetem, nas escolhas que parecem definitivas, nas conversas que chegam tarde e naquela incômoda sensação de que algumas possibilidades ficaram para trás. Tavernier filma tudo isso com elegância, humor discreto e uma melancolia que nunca precisa levantar a voz.


Ficha técnica
“Um Sonho de Domingo” | “Un Dimanche à la Campagne” (título original) | “Um Domingo no Campo” (título em Portugal) | “A Sunday in the Country” (título internacional).
Gênero: drama. Duração: 90 minutos. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 1984. Data de lançamento: 11 de abril de 1984, na França. Idioma: francês. Direção: Bertrand Tavernier. Roteiro: Bertrand Tavernier e Colo Tavernier, baseado no romance “Monsieur Ladmiral va bientôt mourir”, de Pierre Bost. Elenco: Louis Ducreux, Michel Aumont, Sabine Azéma, Geneviève Mnich, Monique Chaumette, Thomas Duval, Quentin Ogier e Katia Wostrikoff. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


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