sexta-feira, 24 de julho de 2026

.: Deep Purple segue no hard rock setentista com o lançamento de "Splat!"


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

A  banda britânica Deep Purple está com material novo na praça. Na contramão da tendência atual do mercado fonográfico,  o veterano grupo apresenta 13 cançoes inéditas no formato de um álbum convencional. E se mantém fiel a sonoridade baseada no hard rock da década de 70. 
Da formação considerada clássica, há três integrantes: Ian Gillan (vocal), Roger Glover (baixo) e Ian Paice  (bateria). Complementam a formação Don Airey (teckados) e Simon McBride. Formação essa, aliás, que mostra um entrosamento incrível nesse novo disco intitulado "Splat!".

O grande acerto nesse álbum foi investir  em um material mais básico, com canções mais curtas e diretas e sempre baseadas no rock dos anos 70. Os riffs de guitarra são marcantes e se por um lado o vocal de Ian Gillan já não consegue alcançar  os antigos agudos, ele se moatra perfeitamente adaptado a sonoridade atual. Há também os tradicionais duelos de solos da guitarra com o órgão Hammond. Don Airey e Simon McBride  são excelentes músicos e conseguem entregar aquilo que o ouvinte fã de hard rock  gosta de ouvir. Nem preciso falar das performances de Ian Paice e Toger Glover, ambos mestres em seus respectivos instrumentos.

Há uma parcela dos críticos na imprensa que defende a aposentadoria da banda. Entretanto, se essa mesma parcela ouvir com atenção esse "Splat!" terá a oportunidade de mudar de opinião. Deixem os veteranos seguirem-na trilha do hard rock enquanto eles se sentirem motivados. Os fãs do grupo agradecerão.


Deep Purple - "Diablo"

Deep Purple - "Guilti Trppin"

Deep Purple - 
"Arrogant Boy"

.: Thiago Vicente lança na Flip livro-carta sobre sobrevivência e recomeço


Em “Sobre.Viver”, Thiago Vicente transforma luto e reabilitação em narrativa autobiográfica escrita à mãe; sessões de autógrafos acontecem nos dias 24 e 25 de julho, no estande da com.tato 

A Flip - Festa Literária Internacional de Paraty recebe este ano um lançamento que promete tocar fundo em quem já enfrentou a dor da perda e a luta para se reerguer. Trata-se de “Sobre.Viver”, do artista visual, escritor e performer Thiago Vicente. O livro, que já está em pré-venda, chega à Flip em edição física e será apresentado ao público em duas sessões de autógrafos: uma no dia 24 de julho, às 16h00, e outra no dia 25, às 13h00, ambas no estande da com.tato, localizado na Casa Escreva, Garota!. Durante toda a festa, a obra estará disponível para compra no mesmo estande.

“Sobre.Viver” é um relato autobiográfico escrito em formato epistolar: cartas endereçadas à mãe do autor, Maria, que faleceu em seus braços durante um grave acidente de carro em janeiro de 2023. Com as duas pernas quebradas e presas nas ferragens, Thiago sobreviveu, mas iniciou uma longa e dolorosa jornada de reabilitação física e emocional. O livro nasceu como uma forma de lidar com o luto e com todas as perdas que se seguiram: a morte da mãe, a do pai dias depois, a do cão de apoio emocional Yuri, a da irmã Rosane, e a perda do Ninho, a casa na roça que ele mesmo construiu com as próprias mãos.

“O livro são cartas que escrevi para minha mãe, depois de sofrer um acidente de carro, quebrar as duas pernas e perdê-la em meus braços. Conto nas cartas como tem sido sobreviver, e voltar a viver mesmo em reabilitação (que já dura mais de três anos) e os aprendizados que tenho tido nesse renascimento”, explica o autor. O processo de escrita, segundo ele, levou cerca de dois anos e foi “doloroso, difícil, com muita alma e lágrimas”, mas também transformador.

A obra é guiada por temas como luto, superação, resiliência, força, amor e autoconhecimento. “Utilizei da escrita para aliviar o peso da história e as dores, físicas e emocionais. E transformar em algo bom, bonito, até mesmo poético - para me curar, e ajudar outras pessoas também”, afirma Thiago. O livro, que ele define como sua “maior herança”, é a materialização de uma busca diária por equilíbrio e paz de espírito.

Nas páginas de “Sobre.Viver”, o leitor acompanha não apenas a sequência dos acontecimentos, mas também as reflexões do autor sobre o silêncio, a solidão e a reconstrução da identidade após um trauma. Thiago fala abertamente sobre a tentativa de suicídio, a depressão profunda, as acusações injustas que recebeu da própria família e o longo processo de fisioterapia e cirurgias, incluindo o uso de um fixador externo (a “gaiola” de Ilizarov) que o acompanhou por meses. A narrativa, no entanto, não se resume à dor: é também um testemunho de como a arte, a escrita e a fé podem ser ferramentas de cura. “Este livro é a minha maior herança: a transformação de muita dor em palavras, amor e afeto. Como gosto de dizer: em cor”, aponta. Compre o livro "Sobre.Viver" neste link.


Sobre o autor

Thiago Vicente é artista visual, escritor, designer e performer. Graduado em Design e Fotografia e mestre em Design e Cultura Visual pelo IADE, em Lisboa (Portugal), sua trajetória atravessa as artes visuais, a literatura e a performance. Autor de livros infantis, desenvolve obras que unem produção editorial e artes visuais com sensibilidade e reflexão. Após o acidente e o longo processo de reabilitação, sua investigação artística passou a explorar com ainda mais profundidade temas como vulnerabilidade, silêncio e reconstrução. Residente em João Pessoa, na Paraíba, cria trabalhos que combinam instalação, performance, escrita e audiovisual. Na escrita livre, encontrou também um gesto de cuidado: uma forma de aliviar a alma e seguir colorindo a vida. Compre os livros de Thiago Vicente neste link.


Serviço | Agenda Flip 2026
Eventos: Sessões de autógrafos de Thiago Vicente com o livro “Sobre.Viver”
Dias 24 e 25 de julho (sexta e sábado, respectivamente)
Horário: no dia 24, às 16h00; no dia 25, às 13h00
Local: Estande da com.tato, na Casa Escreva, Garota! - Flip, Paraty (RJ)
Vendas durante a Flip: O livro estará disponível no estande da com.tato durante toda a festa, pelo valor promocional de R$ 50,00. 

.: Maurício Melo Júnior participa da 24ª Flip para lançar romance "O Tardio"


O escritor, jornalista e apresentador Maurício Melo Júnior participa da 24ª Flip - Festa Literária Internacional de Paraty com seu lançamento de 2026, o romance "O Tardio", publicado pela Editora Rua do Sabão. No sábado, dia 25 de julho, à tarde, Maurício estará na Casa Oásis, ao lado dos escritores Alessandra Cysneiros e Luiz Biajoni, em um encontro com leitores durante a programação literária que movimenta Paraty no período da Flip.

Quarto romance do autor, "O Tardio" tem como pano de fundo o Brasil dos anos 1970 e acompanha a jornada de um homem que deixa sua vida para trás em busca de respostas sobre o irmão que nunca conheceu. Entre memória, liberdade e desencontros, a narrativa percorre diferentes regiões do país e revisita as marcas deixadas pela ditadura, pela contracultura e pelos sonhos de uma geração.

Maurício Melo Júnior é também jornalista, crítico literário e documentarista. Há 25 anos, apresenta o programa Leituras, da TV Senado, o primeiro dedicado à literatura e a conversas com escritores, pesquisadores e nomes do mercado editorial. Ao longo de sua trajetória, publicou 35 livros e dirigiu mais de 20 documentários. Compre o livro "O Tardio", de Maurício Melo Júnior, neste link.

Sinopse de "O Tardio"
O pano de fundo de "O Tardio", quinto romance de Maurício Melo Júnior, é o Brasil dos anos 1970, período mais duro da ditadura militar: o AI-5 em vigor, a tortura como prática de Estado. Em meio a isso, uma geração de jovens escolheu o caminho oposto - a estrada, a contracultura, a busca por paz e liberdade. Mas o que significa liberdade quando tudo ao redor conspira para impedi-la? Será que eles estão dispostos a pagar o preço que for para conquistá-la?

A vida de Sérgio parecia seguir um caminho bastante tradicional. Uma infância e adolescência comuns, marcadas pela forte presença do catolicismo - à época, quase uma regra em todo o país, inclusive em Pernambuco, onde nasceu. Sua família já não possuía o status social de outrora, mas ele conseguiu se formar em Direito. Casou-se. A esposa, professora, dividia-se entre a casa, os estudos e as salas de aula. Tiveram filhas. Tudo dentro do convencional.

No entanto, a perda de um parente próximo fez reaparecer uma figura há muito aprisionada no silêncio familiar: a de Roberto, seu irmão. Anos atrás, a morte de Roberto e suas escolhas de vida sempre foram um tabu acobertado por seus pais e por todos. O caçula Sérgio, que sempre recebera poucas informações a respeito de seu irmão, agora tinha em mãos mais do que imaginara em toda a sua vida. Ainda assim não era suficiente. Ele precisava de mais. Tinha necessidade de descobrir novas peças da história de seu irmão, cuja morte coincidira com a data de seu próprio nascimento. Angustiado, Sérgio deixa tudo para trás e põe o pé na estrada.

A trajetória de Sérgio em busca de respostas é guiada por cartões-postais encontrados na casa de seu tio, logo após seu falecimento. As correspondências foram escritas por seu irmão durante suas andanças e enviadas ao tio ao longo dos anos. Por onde passa, o advogado abandona a gravata, adota a bata indiana e o pano vermelho do artesanato, recolhe informações e vivências que o ajudam a montar o quebra-cabeças da história de Beto. Nesse percurso, Sérgio começa também a questionar suas próprias escolhas, desejos e certezas, colocando à prova tudo o que havia construído, inclusive o casamento e a vida profissional deixados para trás no Recife.

Aos poucos, a figura de Roberto ganha corpo: um rapaz calado e religioso que, no fim dos anos 1970, abandonou a casa dos pais em Palmares e se tornou hippie ao lado de Caliandra. Juntos, os dois percorreram o país em busca de um modo de viver mais livre. O rastro some no interior de Goiás. E é até lá que Sérgio precisa chegar.

O escritor Maurício Melo Júnior nos conduz por essa jornada na qual o protagonista atravessa cidades do Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste do país, refazendo o caminho do irmão. Sua maneira de nos apresentar esse mundo, transforma paisagem em estado de espírito: “o asfalto do sertão é uma cobra negra e rastejante”, “o calor sobe do chão como nuvem”“cada lugar carrega o peso de quem passou por ele”. O Brasil que emerge dessas páginas é místico e distante do modo de vida tradicional. Nessa leitura, fazemos uma travessia ao lado de andarilhos que esperam e buscam a chamada Era de Aquarius.

"O Tardio" é o romance da busca e do desencontro: de um homem que chega sempre depois do tempo, como o irmão que nunca conheceu, como a era que nunca veio. Uma narrativa instigante, densa e profundamente brasileira, em que o passado e o presente se entrelaçam na estrada aberta de um país que ainda busca a sua própria liberdade. 


Sobre o autor
Maurício Melo Júnior é escritor, jornalista, crítico literário e documentarista. Pernambucano radicado em Brasília, formou-se em Comunicação Social, com pós-graduação em Economia e Ciência Política. Atuou em alguns dos principais veículos de comunicação do país, como o Correio Braziliense. Há 25 anos apresenta o programa Leituras, na TV Senado, o primeiro dedicado à literatura brasileira. Assina resenhas literárias para o jornal Rascunho (Curitiba/PR) e é colaborador da revista literária Pernambuco (Companhia Editorial de Pernambuco. Recife/PE). Presidiu o Instituto Casa de Autores, de Brasília, além de ser membro da Associação Nacional dos Escritores. 

É também autor de romances, contos, crônicas e livros infantojuvenis, com destaque para "Não Me Empurre para os Perdidos" e "Sujeito Oculto". Ao todo, já escreveu 35 livros e "O Tardio" é seu quinto romance. É curador da FLIPIRI curador (Festa Literária de Pirenópolis – GO) e da Flipenedo - Festa Literária de Penedo (GO). Como documentarista, dirigiu mais de 20 filmes e escreveu para o teatro, com peças encenadas em diversas regiões do país. Garanta o seu exemplar de "O Tardio", escrito por Maurício Melo Júnior, neste link.

.: Livro sobre cura coletiva e resistência feminina terá sessão de autógrafos


“Palco dos Que Sofrem”, de Letícia Ávila, investiga as marcas do patriarcado e propõe uma “ustopia” onde a cura e o apoio mútuo são a base de uma nova estrutura social. Foto: divulgação


A escritora e jornalista Letícia Ávila participa da programação paralela da Flip - Festa Literária Internacional de Paraty com uma sessão de autógrafos de seu romance de estreia, "Palco dos Que Sofrem". O encontro acontece neste sábado, dia 25 de julho, às 19h00, na Casa Pagã. O romance mergulha nas vivências de duas gerações de mulheres marcadas pelo autoritarismo masculino a partir da trajetória de busca pela verdade e autodescoberta da personagem Maria Beatrice. Guiada pelos escritos íntimos de sua mãe, encontrados muitos anos após seu falecimento, a jovem viaja até Conceição, cidade natal de sua matriarca, a fim de conhecer o passado de sua família. 

Com prefácio da professora e pesquisadora Priscilla Lima, a obra foi contemplada pelo ProAC/SP e propõe um exercício de imaginação política ao construir a cidade de Conceição como um espaço onde a estrutura social é pautada no feminino. Ao usar o conceito de ustopia, a autora levanta a questão: um mundo liderado por mulheres é perfeito (utopia) ou carrega novos e antigos tipos de sombras e desafios (distopia)? 

“O feminismo me ensinou que, antes de transformar a realidade, precisamos ser capazes de imaginá-la”, complementa. Escrever ficção permitiu a ela criar de um universo onde foi possível testar novas estruturas de poder e analisar como seriam as relações humanas se, de repente, elas passassem a ser fundamentadas no cuidado.

Ao sugerir a importância da cura e do acolhimento coletivo, a obra dialoga com o conceito de dororidade, criado por Vilma Piedade para nomear a irmandade que nasce especificamente da dor compartilhada entre mulheres negras, uma união forjada na intersecção do racismo e do machismo. "O tema central da trama não é a dor pela dor, mas como o fardo se torna mais leve quando compartilhado em uma rede de apoio", reflete Letícia. 

O diário da mãe é um elemento central na narrativa. Ele serve para revelar o passado e, principalmente, a verdadeira voz de Nianca, mãe de Maria Beatrice. Dessa forma, mãe e filha deixam de ser "vítimas" de narrativas impostas por homens (como o pai da protagonista) para se tornarem donas de suas próprias histórias. Segundo ela, o tema central do livro é o rompimento de ciclos. “É preciso investigar o passado para não repetir as mesmas dores no futuro, buscando uma linhagem baseada na verdade e no afeto, e não no silenciamento”, frisa. Compre o livro "Palco dos Que Sofrem" neste link.


Sobre a autora
Letícia Ávila
é escritora, jornalista e feminista. Nascida em Aracaju (SE), cresceu em São Paulo e atualmente vive em Ilhabela (SP). Formada em Jornalismo pela FIAM-FAAM FMU, atua desde 2012 no mercado de cinema e entretenimento, experiência que influencia o ritmo e a construção de suas narrativas. Após concluir o Curso de Formação de Escritores da Casa das Rosas (CLIPE), estreia na literatura com o romance "Palco dos que Sofrem", obra contemplada pelo ProAC PNAB. Em sua escrita, investiga temas como memória, trauma, redes de apoio e protagonismo feminino, entendendo a literatura como um espaço de acolhimento, cura e ressignificação. Compre os livros de Letícia Ávila neste link.


Serviço
Sessão de autógrafos - "Palco dos Que Sofrem"

Data: sábado. dia 25 de julho, às 19h00
Local: Casa Pagã – Rua Dona Geralda, 76 – Centro Histórico, Paraty (Rio de Janeiro)

.: "Crimes do Coração" reúne estrelas e transforma reencontro familiar


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

Três irmãs, um tiro e um passado que não se comporta de jeito nenhum: “Crimes do Coração” chega ao catálogo da plataforma de streaming Belas Artes À La Carte com a energia imprevisível de um encontro familiar que começa mal e termina pior - ou melhor, dependendo do humor de quem assiste. Dirigido por Bruce Beresford e baseado na peça vencedora do Pulitzer de Beth Henley, que assina o roteiro, o filme equilibra ironia e dor com precisão, sem perder o gosto por personagens que falam demais quando deveriam se calar e riem quando o mundo desaba.

A história parte de um gesto extremo: Babe (Sissy Spacek) atira no próprio marido e volta para a casa das irmãs, no Mississippi. Lá, reencontra Lenny (Diane Keaton), que vive à sombra de frustrações silenciosas, e Meg (Jessica Lange), uma aspirante a cantora que retorna de Hollywood carregando derrotas mal resolvidas. Entre confissões atravessadas, memórias incômodas e episódios que beiram o absurdo, o trio expõe as feridas de uma família marcada por tragédias antigas - incluindo o suicídio da mãe, um evento que ainda reverbera nas três. 

Keaton, Lange e Spacek evitam qualquer disputa de protagonismo e constroem uma dinâmica de cumplicidade que sustenta o filme até nos momentos mais irregulares. Spacek venceu o Globo de Ouro e recebeu indicação ao Oscar, repetindo o feito de Tess Harper, indicada como coadjuvante. O roteiro também entrou na disputa da Academia, reforçando a força do texto original de Henley. Nos bastidores, a produção reuniu três atrizes em fases distintas da carreira, o que contribuiu para a tensão criativa em cena. Jessica Lange já era um nome consolidado, Diane Keaton buscava novos rumos após colaborações marcantes nos anos 1970, e Spacek vinha de uma sequência de papéis intensos. O resultado aparece na tela: um jogo de forças que nunca se acomoda. 

Durante as filmagens, Lange estava grávida, o que exigiu ajustes discretos na encenação. Lançado em 1986, o filme teve recepção crítica favorável, ainda que dividida quanto ao tom, que oscila entre a comédia ácida e o melodrama familiar. Há ecos do gótico sulista e de autores como Tennessee Williams, mas com um enquadramento feminino que desloca o eixo das histórias tradicionais. 


Ficha técnica
“Crimes do Coração” | “Crimes of the Heart” (título original)
Gênero: comédia dramática. Duração: 1h45. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 1986. Idioma: inglês. Direção: Bruce Beresford. Roteiro: Beth Henley. Elenco: Diane Keaton, Jessica Lange, Sissy Spacek, Sam Shepard, Tess Harper. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.

Assine o Belas Artes À La Carte, o streaming para quem ama cinema de verdade
A equipe do portal Resenhando.com acompanha parte da cobertura cinematográfica por meio da Belas Artes À La Carte, plataforma brasileira dedicada ao cinema de arte, clássicos e produções premiadas de diferentes países. Criado pelo grupo responsável pelo tradicional cinema Belas Artes, em São Paulo, em parceria com a Pandora Filmes, o serviço reúne um catálogo com curadoria especializada, incluindo obras raras, títulos restaurados e destaques de festivais internacionais. Para acessar o catálogo completo, conferir os lançamentos semanais e realizar a assinatura, basta acessar o site ou aplicativo da plataforma. Os planos têm valores acessíveis, com opção mensal e anual, além de locação avulsa para títulos específicos. Você pode assinar o Belas Artes À La Carte neste link.

.: Curta-metragem “Beijo de Sal” expõe amizade e implode certezas masculinas


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

“Beijo de Sal”, curta-metragem dirigido por Fellipe Barbosa, estreia na plataforma de streaming Reserva Imovision como parte da coleção “Pequenas Jornadas - Curtas-Metragens”, que reúne histórias breves e contundentes. Lançado originalmente em 2005, o filme circulou por festivais relevantes - venceu o Curta Cinema (Rio, 2006) e marcou presença em Gramado, Sundance e Clermont-Ferrand -, consolidando o nome do diretor ainda no início da carreira.

Ambientado em uma ilha isolada na Costa Verde do Rio de Janeiro, o filme acompanha Rogério (Rogério Trindade), um quarentão hedonista que vive entre festas e excessos. A rotina muda quando ele recebe o amigo Paulo (Domingos Alcântara), agora comprometido, acompanhado da nova parceira. O encontro, que deveria ser uma celebração de velhos tempos, vira campo de disputa. Rogério tenta resgatar o amigo para uma vida que já não cabe mais, enquanto a presença feminina tensiona uma relação marcada por dependência, ciúme e disputas de território.

O roteiro, assinado pelo próprio Fellipe Barbosa, investe em diálogos diretos e situações que flertam com o desconforto. A dinâmica entre os personagens escancara ambiguidades afetivas, sugerindo camadas que ultrapassam a amizade convencional. Em entrevistas à época, o diretor comentou que relações muito próximas podem carregar zonas de ambiguidade emocional, leitura que o filme sustenta sem didatismo. No elenco, além de Rogério Trindade e Domingos Alcântara, aparecem Suzana Pires, Pollyanna Simões, Mônica Bresser, Juliana Gonçalves, Eduardo Dargains e Bruno Mendes. O conjunto sustenta a atmosfera crua da narrativa, que não suaviza conflitos, nem busca conciliação.

A recepção crítica foi marcada por reações divididas. Parte do público destacou a ousadia temática e a execução técnica, enquanto outros apontaram incômodo com determinadas escolhas visuais - especialmente na cena final, pensada pelo diretor como metáfora de marcação de território. Ainda assim, o filme ganhou fôlego em revisões posteriores, sendo reconhecido pela construção de personagens e pela coragem em tratar de masculinidade, posse e desejo sem fazer nenhuma concessão. Com menos de 20 minutos, “Beijo de Sal” entrega um recorte intenso sobre amizade e transformação. 


“Beijo de Sal”
Gênero: drama, curta-metragem. Duração: 19 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 2005. Idioma: português. Direção e roteiro: Fellipe Barbosa. Elenco: Rogério Trindade, Domingos Alcântara, Suzana Pires, Pollyanna Simões, Mônica Bresser, Juliana Gonçalves, Eduardo Dargains, Bruno Mendes. Distribuição no Brasil: Reserva Imovision. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


Assine a Reserva Imovision, a maior plataforma de filmes independentes da América Latina
A equipe do portal Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. Você pode assinar a plataforma de streaming Reserva Imovision neste link.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

.: Casa cheia com Itamar Vieira Junior no primeiro dia do Sesc na Flip


Itamar Vieira Junior na programação do Sesc na Flip 2026. Foto: divulgação

A programação do Sesc na Flip - Festa Literária Internacional de Paraty começou em grande estilo e com casa lotada nesta quinta-feira, dia 23 de julho. Mais de 300 pessoas assistiram a conferência “70 Anos de Grande Sertão: Veredas”, com o escritor Itamar Vieira Junior. O encontro proporcionou uma reflexão sobre a atualidade e a potência da obra de Guimarães Rosa, em celebração às sete décadas de publicação de um dos maiores clássicos da literatura brasileira.

Nesta sexta-feira, dia 24 de julho, o escritor volta à programação do Sesc em um dos encontros mais aguardados da programação. Às 19h30, ele participa do talk show literário comandado por Tati Bernardi. O papo acontecerá no charmoso casarão do Sesc Santa Rita, localizado em um dos cartões postais da cidade, e promete revelar bastidores da leitura e da escrita em um formato leve, bem-humorado e interativo. O talk show também será transmitido ao vivo no YouTube do Sesc Brasil.


Edição especial comemora os 70 anos do clássico "Grande Sertão: Veredas"

Publicado originalmente em 1956, "Grande Sertão: Veredas", de João Guimarães Rosa, revolucionou o cânone brasileiro e segue despertando o interesse de renovadas gerações de leitores. Exatamente 70 anos depois da primeira publicação, a edição especial comemorativa do romance chega às livrarias em 16 de julho. Esta edição especial, com novo projeto gráfico e capa elaborada a partir de uma obra da artista mineira Sonia Gomes, traz um ensaio inédito do pesquisador Érico Melo sobre os caminhos dos rascunhos até a forma final do romance.

O volume conta também com depoimentos inéditos de leitores ilustres que foram fortemente influenciados pela obra: Mia Couto, Alison Entrekin, Caetano W. Galindo, Eduardo Giannetti, Milton Hatoum, Bia Lessa, Ana Martins Marques, Geovani Martins, Amara Moira, Silviano Santiago, Heloisa Murgel Starling e Itamar Vieira Junior. Compre a edição especial de 70 anos de "Grande Sertão: Veredas", de João Guimarães Rosa, neste link.


Mais comemorações ao longo dos próximos meses
A celebração dos 70 anos de "Grande Sertão: Veredas" na Companhia das Letras inclui ainda o lançamento do audiolivro inédito narrado pelo ator Caio Blat, com trilha sonora e entradas de viola de Ivan Vilela, já disponível nas principais plataformas de áudio. Em agosto, será realizado, em parceria com o Museu da Língua Portuguesa, um ciclo de debates sobre o livro.

Uma biografia de João Guimarães Rosa escrita por Gustavo de Castro, poeta, escritor e professor da Universidade de Brasília (UnB), também deve ser publicada no fim do ano. O livro narra em detalhes a vida do escritor, médico e diplomata que viria a se tornar um dos nomes mais fascinantes da literatura brasileira.

Nas redes sociais, a editora prepara uma série de com depoimentos de autores e especialistas contemporâneos, como Érico Melo, Caetano W. Galindo, Alison Entrekin e Bruna Kalil Othero. Haverá também um episódio especial do podcast Rádio Companhia, além de um zine comemorativo na campanha “Literatura Brasileira Viva”. 

.: “Jogo da Morte”: filme inacabado de Bruce Lee revela bastidores incômodos


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

“Jogo da Morte” chega à plataforma de streaming Reserva Imovision carregando um peso que poucos filmes sustentam: a ausência do próprio protagonista. Lançado em 1978, cinco anos após a morte de Bruce Lee, o longa-metragem dirigido por Robert Clouse foi remontado a partir de material incompleto, dublês e decisões que ainda hoje dividem fãs e críticos. Na trama, Billy Lo (Bruce Lee), astro do cinema de artes marciais, recusa a proteção - e o controle - de uma organização criminosa. A resposta vem em forma de atentados. Para sobreviver, ele simula a própria morte e retorna às sombras, disposto a desmontar o esquema por dentro. O enredo do filme, cujo título original é “Game of Death” e em Portugal se chama “O Último Combate de Bruce Lee”, vai direto ao ponto e serve de trilho para sequências de luta que alternam vigor e improviso técnico.

A produção carrega marcas visíveis de uma produção conturbada. Lee havia iniciado o projeto em 1972, com uma ideia mais ambiciosa: um percurso filosófico e físico por uma torre, enfrentando adversários em cada nível - conceito que ficou célebre na sequência final. Com a morte repentina do ator, vítima de edema cerebral em 1973, o projeto foi interrompido. Coube a Clouse - que já havia dirigido o astro em “Operação Dragão” - finalizar o material com um novo roteiro, incorporando dublês, cenas de arquivo e até imagens reais do funeral de Lee.

Essa costura irregular aparece em cena. Em vários momentos, o rosto do protagonista é ocultado ou recriado de forma rudimentar, enquanto o corpo pertence a outro intérprete. Ainda assim, quando Lee de fato surge - especialmente no confronto com o gigante Kareem Abdul-Jabbar - o filme ganha outra atmosfera. São minutos que lembram por que o nome dele marcou a história do cinema. 

Entre as curiosidades que cercam a produção, destaca-se o uso de mais de 30 minutos de material original filmado por Lee, além da participação de nomes próximos ao ator, como Dan Inosanto, seu colaborador nas coreografias. O icônico macacão amarelo com listras pretas, criado para o filme, se tornaria referência pop replicada em obras posteriores. Também chama atenção o fato de a versão final ter abandonado quase completamente a proposta filosófica original do artista, substituída por uma narrativa de vingança mais convencional. Há cortes bruscos, soluções apressadas e escolhas discutíveis. Ainda assim, resiste como documento de um projeto interrompido e de um artista que não chegou ao fim do próprio filme.


Ficha técnica
“Jogo da Morte” | “Game of Death” (título original) | “O Último Combate de Bruce Lee” (título em Portugal)
Gênero: ação / artes marciais. Duração: 94 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 1978. Idioma: inglês e cantonês. Direção e roteiro: Robert Clouse, Bruce Lee. Elenco: Bruce Lee, Colleen Camp, Robert Wall, Gig Young, Dean Jagger, Kareem Abdul-Jabbar. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


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.: "Sentimento Louco": Marília Mendonça ganha primeira exposição sensorial


"Marília Mendonça - Sentimento Louco" convida o público a viver uma experiência imersiva inédita sobre a vida, a obra e o legado da artista a partir do dia 9 de outubro. Vendas de ingressos abrem nesta quinta-feira, dia 23 de julho. Mostra conta com patrocínio de Amazon Music e Amazon Prime, que lançam, no dia 16, um documentário homônimo sobre a vida e obra da cantora sertaneja. Na imagem, o projeto 3D da sala da exposição intitulada "Infiel – Closet", voltada à identidade visual da cantora


A voz que transformou a música sertaneja e marcou uma geração ganha agora uma homenagem à altura de seu legado. Hoje, 22 de julho, dia em que Marília Mendonça completaria 31 anos de idade, o MIS - Museu da Imagem e do Som de São Paulo anuncia, para o dia 9 de outubro, a exposição “Marília Mendonça - Sentimento Louco”, a primeira grande mostra dedicada à trajetória da artista. Realizada em parceria com a Axon Content, a exposição conta com patrocínio de Amazon Music e Amazon Prime, que lançam, no dia 16, um documentário de mesmo nome sobre a vida e obra da cantora sertaneja.

Os ingressos começam a ser vendidos nesta quinta-feira, dia 23 de julho, e podem ser adquiridos pela plataforma Megapass e na bilheteria física do MIS.. A exposição biográfica propõe uma experiência sensorial e imersiva que convida o público a revisitar a história de Marília Mendonça por meio de ambientes inspirados em suas músicas, objetos pessoais, figurinos, registros inéditos, instalações audiovisuais e experiências interativas. Em aproximadamente 1.000 m², distribuídos pelos dois andares do MIS, os visitantes poderão mergulhar na trajetória de uma das artistas mais importantes da música brasileira contemporânea.

 Conhecida como a "Rainha da Sofrência", Marília Mendonça revolucionou o sertanejo ao dar protagonismo às mulheres e transformar experiências cotidianas em canções que atravessaram gerações. Sua autenticidade como compositora e intérprete fez com que milhões de pessoas encontrassem em suas letras um espaço de identificação, acolhimento e memória afetiva. Mesmo após sua morte, em 2021, aos 26 anos, sua presença continua viva na cultura brasileira. Com mais de 10 bilhões de reproduções no Spotify, dois Grammy Latino e uma das carreiras mais marcantes da música nacional, Marília consolidou um legado que ultrapassa os números e permanece presente na vida de fãs em todo o país.

 A exposição acompanha diferentes momentos de sua trajetória, desde a infância e os primeiros passos como compositora até a consagração nos palcos, mostrando também os bastidores da carreira, seu processo criativo e a relação construída com milhões de admiradores. Cada espaço da mostra foi concebido a partir de títulos de músicas que marcaram sua carreira. 

Entre os ambientes estão Skyline Marília, instalação que dá início à experiência; "Eu Sei de Cor - Ouro de Mina", dedicado às origens da artista; "A Flor e o Beija-Flor - Quintal da Criação", que revela seu processo criativo; "Esqueça-me Se For Capaz - Quarto", ambiente intimista com memórias pessoais; "Infiel - Closet", voltado à sua identidade visual; "Camarim", que apresenta os bastidores da carreira; "Sentimento Louco - Sala 360º", experiência audiovisual imersiva; "Alô Porteiro - Primeiro DVD", dedicado aos primeiros grandes marcos de sua trajetória; "Show", que recria a energia de suas apresentações ao vivo; "Minha Herança - Universo das Palavras", sobre suas composições; "Fã Clube", homenagem ao vínculo construído com seu público; e "Todos os Cantos", espaço dedicado ao projeto que percorreu o Brasil levando sua música a diferentes cidades.

“Marília Mendonça – Sentimento Louco” celebra uma mulher que transformou sentimentos individuais em experiências coletivas, deu voz a milhões de brasileiros e deixou um legado que continua ecoando através de sua música. A mostra também contará com uma loja oficial, reunindo produtos exclusivos inspirados na trajetória da cantora. Realizada pelo MIS em parceria com a Axon Content, a exposição une pesquisa, narrativa, tecnologia e audiovisual para transformar a visita em uma experiência de emoção e memória. O projeto conta com patrocínio de Amazon Music e Amazon Prime.


Sobre o documentário “Marília Mendonça - Sentimento Louco”
A série documental Original Prime retrata a trajetória de vida e a carreira meteórica de uma das maiores vozes do sertanejo brasileiro e a artista feminina mais ouvida do país. O projeto revisita os passos de uma cantora que marcou uma geração e transformou, para sempre, o cenário da música nacional. Natural de Cristianópolis, Goiás, Marília Mendonça se consagrou como uma das principais representantes do sertanejo, abrindo caminho para outras mulheres no gênero com suas composições marcantes e presença autêntica.

Com acesso exclusivo a arquivos pessoais e depoimentos de amigos, familiares e parceiros de estrada, a produção revela os bastidores de uma carreira construída com verdade, talento e emoção. Marília conquistou uma legião de fãs com seu carisma e seu amor incondicional pela música. Mesmo após sua partida precoce, sua voz segue ecoando por todo o Brasil, reafirmando sua força, sensibilidade e o legado eterno da Rainha da Sofrência. A série é produzida pela Chatrone e Kromaki, e dirigida por Susanna Lira. Valentina Castello Branco, Gabriela Altaf e Fabiana Assis integram o time de roteiristas.

 
Serviço | Exposição “Marília Mendonça - Sentimento Louco”
Período: 9 de outubro de 2026 a 29 de novembro de 2026
Local: Museu da Imagem e do Som (MIS)
Avenida Europa, 158, Jardim Europa – São Paulo
Ingressos: R$ 50,00 (inteira) e R$ 25,00 (meia-entrada), vendidos pela plataforma Megapass e na bilheteria física do MIS
Horários: terças a sextas, das 10h00 às 19h00. Sábados, das 10h00 às 20h00. Domingos e feriados, das 10h00 às 18h00. Permanência até uma hora após o último horário.
A exposição é uma realização Museu da Imagem e do Som, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas de São Paulo, e Axon Content, com patrocínio de Amazon Music e Amazon Prime.
O MIS tem patrocínio institucional da Livelo, Vivo, Goldman Sachs, Ituran e Goodstorage e apoio institucional das empresas Delboni, EAÍ?! Marketing, Unisys, Volkswagen Caminhões e Ônibus, Unipar, Campari, Colégio Albert Sabin, PWC, Telium, Kaspersky, Gabriel e Play Audiovisual, por por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, ProAC e Promac.

.: “Caçador de Assassinos”, o filme que antecipa Hannibal Lecter, retorna


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

O suspense “Caçador de Assassinos” chega ao catálogo da plataforma de streaming Belas Artes À La Carte  com o peso de um clássico que demorou a ser reconhecido. Dirigido e roteirizado por Michael Mann, o longa-metragem de 1986 - originalmente “Manhunter” e exibido em Portugal como “Caçada ao Amanhecer” - antecipa em anos a febre em torno de Hannibal Lecter ao adaptar “Dragão Vermelho”, romance de Thomas Harris.

Na trama, Will Graham (William Petersen) é um ex-agente do FBI que volta à ativa para caçar um serial killer conhecido como “Fada do Dente”. O retorno cobra caro: para entender o criminoso, Graham se aproxima perigosamente de sua lógica, enquanto revisita o trauma de ter capturado - e quase sido destruído por - o psiquiatra canibal Hannibal Lecktor, aqui vivido por Brian Cox em registro contido, distante do espetáculo que viria depois com Anthony Hopkins. Ao lado de Petersen, o elenco reúne Kim Greist, Joan Allen e Dennis Farina, com Tom Noonan compondo um assassino perturbador sem recorrer a caricaturas.

Filmado com rigor estético e obsessão por luzes frias, arquitetura limpa e trilha eletrônica, o filme cristaliza a assinatura visual de Mann nos anos 1980. A fotografia investe em azuis e neons para espelhar o estado mental dos personagens, enquanto o ritmo aposta na construção de tensão. A recepção inicial foi morna e o desempenho comercial, aquém do esperado - arrecadou cerca de US$ 8,6 milhões nos Estados Unidos -, mas o tempo reposicionou o filme: hoje, ocupa o posto de cult e é frequentemente citado como um dos thrillers mais influentes do período.

Há detalhes de bastidores que ampliam a experiência. Tom Noonan evitava contato com o restante do elenco para preservar o desconforto em cena, decisão apoiada por Mann. Joan Allen passou por treinamento com pessoas cegas para construir Reba com precisão. E a mudança de “Lecter” para “Lecktor” no filme buscou evitar associação com um título anterior pouco conhecido. Curiosamente, a produção também trocou o nome do livro na tela, “Dragão Vermelho”, após o fracasso de “O Ano do Dragão”, temendo rejeição do público ao termo. Décadas depois, “Caçador de Assassinos” permanece como um estudo seco sobre obsessão e método, mais interessado na mente do investigador do que no espetáculo do monstro. 


Ficha técnica
“Caçador de Assassinos” | “Manhunter” (título original) | “Caçada ao Amanhecer” (título em Portugal)
Gênero: policial, suspense. Duração: 1h58. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 1986. Data de lançamento: 15 de agosto de 1986 (EUA). Idioma: Inglês. Direção: Michael Mann. Roteiro: Michael Mann (baseado em “Dragão Vermelho”, de Thomas Harris). Elenco: William Petersen, Kim Greist, Joan Allen, Brian Cox, Dennis Farina, Tom Noonan, Stephen Lang. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


Assine o Belas Artes À La Carte, o streaming para quem ama cinema de verdade
A equipe do portal Resenhando.com acompanha parte da cobertura cinematográfica por meio da Belas Artes À La Carte, plataforma brasileira dedicada ao cinema de arte, clássicos e produções premiadas de diferentes países. Criado pelo grupo responsável pelo tradicional cinema Belas Artes, em São Paulo, em parceria com a Pandora Filmes, o serviço reúne um catálogo com curadoria especializada, incluindo obras raras, títulos restaurados e destaques de festivais internacionais. Para acessar o catálogo completo, conferir os lançamentos semanais e realizar a assinatura, basta acessar o site ou aplicativo da plataforma. Os planos têm valores acessíveis, com opção mensal e anual, além de locação avulsa para títulos específicos. Você pode assinar o Belas Artes À La Carte neste link.

.: Carolina Santos lança o premiado "Bocas Mestiças" na Flip 2026


Vencedor do 2º Prêmio Tato Literário, livro reúne contos escritos ao longo de 12 anos que transformam experiências íntimas em reflexão sobre o Brasil contemporâneo. Foto: divulgação


A Editora Orlando apresenta na 24ª Flip - Feira Literária Internacional de Paraty o lançamento de "Bocas Mestiças", da escritora e socióloga goiana Carolina Santos. Vencedor do 2º Prêmio Tato Literário na categoria Contos, o livro reúne narrativas interligadas que formam um mosaico sobre identidade, ancestralidade e resistência no Brasil. Com uma prosa que transita entre realismo, lirismo e elementos fantásticos, a obra coloca em cena personagens em conflito com as imposições de raça, gênero, classe e família. A autora lança a obra no dia 24 de julho, sexta-feira, às 15h00, em sessão de autógrafo no espaço da editora orlando na Casa Opera, no Centro Histórico de Paraty. Antes, às 14h, no mesmo local, participa da mesa de conversa “Classismo, Racismo e Ascensão Social na Literatura Brasileira”, com os autores Maurício Mendes, Marcelo Nery e Rafael Caneca.

O título já anuncia o que o leitor encontrará: “Bocas mestiças é para quem não tem medo de sujar as mãos de terra, de leite, de sangue e de prazer. É para quem sabe que a guerra nunca terminou. E que a poesia e a literatura, muitas vezes, são as únicas armas que nos restam”. Mulheres, crianças e corpos dissidentes ocupam o centro da cena não como vítimas, mas como forças vivas que dançam, gozam, resistem e reinventam o mundo em meio ao caos.

O percurso de escrita do livro é também uma travessia pessoal e política da autora. “A diferença entre eles é de 12 anos, 3 eleições presidenciais e 3 copas do mundo”, conta Carolina Santos, referindo-se ao intervalo entre o primeiro conto escrito, “Colar Essencial”, e o último, “Sem Carne e Em Chamas”. “Eu comecei com a história de uma mulher jovem e solteira buscando sua revolução erótica e íntima, na defesa de uma solidão prazerosa e terminei com uma mulher que se vê empurrada de forma violenta e até mesmo trágica para uma revolução íntima e política”.

É nesse arco que o livro explora o que as feministas dos anos 1960 já anunciavam: o pessoal é político. A narrativa de abertura, que conduz o leitor das margens do rio Araguaia às periferias de Brasília, é um exemplo contundente dessa costura entre violência histórica e desejo de liberdade. Outros contos mergulham em Brasília como personagem — “cidade construída sobre a terra vermelha do Cerrado, promessa de futuro erguida sobre camadas de memória e violência” — e na boca como símbolo do lugar da palavra e do desejo, onde diferentes heranças se tornam mestiças.

“'Bocas Mestiças 'é um livro sobre corpos em disputa”, resume a autora. “Os contos abordam ancestralidade, raça, gênero, desejo, erotismo, afetos, espiritualidade, memória e território”. Ao lado de narrativas sobre colonialismo, mestiçagem e desigualdades sociais, o livro dedica atenção especial ao erotismo feminino e aos modos pelos quais mulheres e corpos dissidentes reivindicam autonomia sobre seus desejos. “O prazer aparece não como tema secundário, mas como força política, espiritual e transformadora”.

A escrita de Carolina Santos bebe de fontes diversas: Jorge Amado, Clarice Lispector, Guimarães Rosa, Mia Couto, Conceição Evaristo, Gloria Anzaldúa e María Lugones estão entre suas principais referências. “Aprendi com eles que território, linguagem, memória e corpo podem ser inseparáveis”. As epígrafes do livro — um trecho de María Lugones sobre a mestiçagem e outro de Jorge Amado — já anunciam esse diálogo.

A obra também reflete a trajetória da autora, que entrelaça literatura e ativismo. Formada em Ciências Sociais pela UFG e mestre em Literatura Pós-Colonial e Estudos de Gênero pelas universidades de Bolonha e Granada, Carolina Santos atuou por anos na defesa dos direitos das mulheres “Sinto como se eu estivesse constantemente viajando entre-mundos”, diz sobre uma escrita atravessada pelo Cerrado, pela experiência da mestiçagem e pelo deslocamento entre diferentes geografias e linguagens.


Sobre a autora
Carolina Santos é escritora e socióloga goiana, radicada em Brasília. Mestre em Literatura Pós-Colonial e Estudos de Gênero pelas universidades de Bolonha e Granada, escreve sobre corpo, desejo, memória e ancestralidade. Sua ficção dialoga com os feminismos, a colonialidade e as paisagens do Cerrado brasileiro. É vencedora de prêmios como o Agente Jovem de Cultura (2011), Expressões Culturais Afro-Brasileiras (2012) e o Tato Literário (2025), e foi finalista do Prêmio Sesc de Literatura em 2014.


Sobre a Orlando
A Editora Orlando, fundada pelos jornalistas Karol Lopes, Marcela Güther e Vincent Sesering (também sócios da agência de comunicação literária com.tato), nasceu para dar voz a escritores independentes com qualidade e profissionalismo. Com o lema “Histórias que desafiam o tempo”, oferece serviços completos de edição, revisão, design e divulgação, além de catálogos organizados em selos específicos: ziguezague (infantil), dobradura (poesia), espiral (ficção) e brecha (não ficção). Mais que publicar livros, aposta em estratégias de visibilidade para conectar autores e leitores. Saiba mais em editoraorlando.com.br e no Instagram @editoraorlando.


Lançamento na Flip: "Bocas Mestiças", de Carolina Santos
Data: 24 de julho, sexta-feira
Espaço da Orlando, na Casa Opera, no Centro Histórico de Paraty (RJ)
Horário: 14h00 (roda de conversa) e 15h00 (sessão de autógrafos)

.: Globo Livros na Flip com Valter Hugo Mãe, Rui Couceiro e Vitor Martins


Programação reúne debates com os autores e celebra os lançamentos de O século dos imbecis e Morro da Pena Ventosa

A Globo Livros marca presença na Flip - Festa Literária Internacional de Paraty com uma programação que reúne os escritores Valter Hugo Mãe e Rui Couceiro, publicados pela Biblioteca Azul, além de uma conversa sobre a adaptação cinematográfica de "Quinze Dias", de Vitor Martins, publicado pela Alt. O autor, que estava confirmado no evento, precisou cancelar sua participação por questões de saúde.

Um dos principais nomes da literatura contemporânea em língua portuguesa, Valter Hugo Mãe chega a Paraty para celebrar "O Século dos Imbecis", novo romance dele. Com humor, sátira e elementos de realismo mágico, o livro propõe uma reflexão sobre as contradições humanas. Durante a Flip, o escritor português participa de cinco encontros, ao lado de nomes como Carla Madeira, Alessandra Roscoe, Cris Gazotto, Rui Couceiro, Marcelino Freire e Fernando Rocha.
 
Também pela Biblioteca Azul, Rui Couceiro leva ao evento "Morro da Pena Ventosa", novo livro dele. No romance, o autor português constrói uma narrativa sobre memória, pertencimento e o poder da imaginação. Em Paraty, Couceiro participa de conversas sobre literatura, condição humana e o papel de livrarias e festivais literários na transformação dos territórios.

A programação também celebra a chegada de "Quinze Dias", de Vitor Martins, às telas. Em uma conversa promovida pela FlipZona, Paula Drummond, editora de aquisições responsável pelo livro na Alt/Globo Livros, reúne-se com profissionais da Conspiração Filmes e jovens do coletivo para compartilhar os bastidores do percurso da obra, desde sua publicação até o desenvolvimento do longa-metragem. O filme também será exibido no Cinema da Praça. Confira a programação atualizada:
 

23 de julho | Quinta-feira
10h00 - Casa da Arquitetura
"Quando o Século"
Com Valter Hugo Mãe e Carla Madeira
Endereço: Rua Dona Geralda, 351
 

24 de julho | Sexta-feira
15h00 - Casa de Portugal
"Quando os Livros Transformam Territórios - Livrarias e Festivais Literários"
Com Rui Couceiro, José Luiz Tahan, Pedro Matias e Ricardo Duque
Mediação: Ana Marta Cattani
Endereço: Rua Dona Geralda, 152
 
15h30 - FlipEduca | Mezanino do Cinema da Praça
"Morte e Vida na Literatura - Diálogos com a Escola"
Com Valter Hugo Mãe, Alessandra Roscoe e Cris Gazotto
 
17h00 - Caixa de Histórias
"O Que Nos Torna Humanos"
Com Valter Hugo Mãe e Rui Couceiro
Mediação: Guilherme Amado
Endereço: Rua Dona Geralda, 140
 
17h00 - Central Flipinha
"Quinze Dias que Chegaram Até Aqui"
Com Paula Drummond, Clarisse Goulart e João Abbade
Em diálogo com Chrystine, Naná e Pedro, da FlipZona


25 de julho | Sábado
14h00 - Casa da Arquitetura
"O Futuro Como Biblioteca: Palavras, Utopias e Distopias"
Com Rui Couceiro, Eliana Alves Cruz e Vivien Merciel Suarez
Mediação: Jorge Sobrado
Endereço: Rua Dona Geralda, 351
 
18h30 - Cinema da Praça
Exibição do filme "Quinze Dias"
 
19h00 - Casa Paratodos
"Afinidades Poéticas Transatlânticas"
Com Valter Hugo Mãe e Marcelino Freire
Mediação: Simone Paulino
Endereço: Rua Dr. Samuel Costa, 254
 

26 de julho | Domingo
10h00 - Casa da Arquitetura
"Todos os Séculos para a Cultura"
Com Valter Hugo Mãe e Fernando Rocha
Endereço: Rua Dona Geralda, 351
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