Clássico italiano de 1971 antecipa o slasher, coleciona mortes criativas e deixa "Sexta-Feira 13" com uma dívida considerável
Loja do Resenhando.com traz novos livros para venda no Shopee
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quinta-feira, 10 de setembro de 2026
.: "Banho de Sangue" transforma disputa por herança em carnificina à moda de Mario Bava
Clássico italiano de 1971 antecipa o slasher, coleciona mortes criativas e deixa "Sexta-Feira 13" com uma dívida considerável
.: Adriana Calcanhotto em "Saga Lusa", livro que comemora 18 anos da Cogobó
Relato bem-humorado da cantora sobre os percalços da turnê portuguesa de "Maré" ganha nova edição pela Cobogó
Para comemorar 18 anos de atividade, a Cobogó volta ao ponto de partida de seu catálogo e relança "Saga Lusa - O Relato de Uma Viagem", de Adriana Calcanhotto. Publicado originalmente em 2008, o livro ganha uma segunda edição com apresentação da própria autora e novo texto de orelha assinado pelo poeta Eucanaã Ferraz. Com humor afiado e uma boa dose de ironia, Adriana transforma os acontecimentos de uma turnê portuguesa em matéria-prima para uma narrativa tão divertida quanto improvável. A viagem aconteceu entre maio e junho de 2008, durante a temporada de shows do disco "Maré". O que deveria seguir o roteiro habitual de uma excursão musical acaba descambando para uma sucessão de situações pouco recomendáveis para quem deseja manter a agenda em ordem. Com capa de Felipe Kaizer, adaptada por Mari Taboada, o livro comemora os 18 anos da Editora Cogobó, que abriu o catálogo com este livro.
.: Editora Fósforo assume edição da obra de Raduan Nassar com textos inéditos
Editora prepara novos lançamentos, textos inéditos, audiolivros e projetos de formação sobre o escritor vencedor do Prêmio Camões
A Editora Fósforo anuncia que, a partir de 2027, passa a publicar a obra de Raduan Nassar, vencedor do Prêmio Camões e autor de "Lavoura Arcaica", "Um Copo de Cólera" e "Menina a Caminho". Os três títulos estão entre os mais cultuados da literatura brasileira e chegam a uma nova etapa editorial sob o comando da jovem editora. Para acompanhar o projeto, a Fósforo criou um conselho editorial formado pela crítica e curadora Rita Palmeira, pelo professor e editor Augusto Massi, pelo editor e escritor Estevão Azevedo, autor de "O Corpo Erótico das Palavras: um Estudo da Obra de Raduan Nassar", e por Messias Barboza, assessor de Nassar.
“É com honra e alegria que assumimos a tarefa de abrir um novo ciclo editorial para a obra de Nassar. O desafio da empreitada está à altura da grandeza de sua literatura e do trabalho extraordinário realizado pela Companhia das Letras ao longo de décadas, tanto no Brasil quanto no exterior”, afirma Rita Mattar, sócia da Fósforo.
Sobre a dimensão da produção literária de Nassar, Augusto Massi afirma: “Raduan representa um ponto de virada, criativo e crítico, comparável ao impacto das formas narrativas de Guimarães Rosa e Clarice Lispector. Ele inventou uma linguagem própria cujo princípio formal é colocar o conflito no centro de suas narrativas. Em contraponto à brevidade da obra, sua prosa não para de crescer em importância, revelando um grau de extrema atualidade estética, histórica e política”.
Audiovisual
O cineasta Luiz Fernando Carvalho, responsável pela adaptação cinematográfica de "Lavoura Arcaica", ficará à frente dos desdobramentos audiovisuais da obra. Carvalho também trabalha na adaptação de "As Três Batalhas", texto inédito de Nassar. “Raduan Nassar é um universo, um poeta à frente de seu tempo. Os desdobramentos de sua pequena grande lavra são fundamentais. Sem falar que trata-se de um autor ainda não plenamente descoberto, possuindo material inédito que precisa ganhar visualidade”, afirma o cineasta.
O novo projeto editorial pretende ampliar o conjunto de livros disponíveis ao público. Além das obras já conhecidas, a Fósforo prevê a publicação de escritos inéditos e de reuniões de textos que Nassar publicou na imprensa durante mais de cinco décadas de participação no debate público. Também estão previstos livros dedicados à análise da produção do escritor e audiolivros.
“Um novo projeto editorial para Raduan deve, sem jamais abrir mão da coerência e do rigor que ele sempre demonstrou, contribuir para que novos leitores tenham a oportunidade e a sorte de se apaixonar por sua obra”, afirma Estevão Azevedo. Rita Palmeira aponta outra frente de trabalho do conselho editorial: “Além de colaborar com decisões editoriais, o conselho pretende contribuir para a organização do conjunto de documentos, fotos, manuscritos e periódicos que Raduan vem reunindo ao longo de décadas. É uma enorme responsabilidade e sobretudo uma grande honra fazer parte deste conselho".
Novos leitores
Os primeiros lançamentos estão previstos para o primeiro semestre de 2027. A programação inclui ainda cursos online gratuitos sobre a obra de Nassar e clubes de leitura abertos ao público. “Queremos dialogar com novos leitores, mas também com professores e pesquisadores dedicados ao estudo de Nassar", afirma Fernanda Diamant, sócia fundadora da Fósforo.
Augusto Massi acrescenta: “Penso que o fato de Raduan mudar de casa, ser revisitado por uma editora jovem, formada por uma equipe aguerrida, pode retirar a roupagem de clássico e nos trazer de volta o espírito radical de um escritor que sempre cultivou um campo de antagonismos, um Raduan capaz de reconduzir o leitor à cena contemporânea”.
Messias Barboza vê no projeto a possibilidade de apresentar uma dimensão menos conhecida da trajetória pública do escritor. Para ele, a nova edição deverá “apresentar o cidadão Raduan àqueles que não conhecem uma parte significativa de sua atuação na sociedade. A exemplo de sua escrita, que rompeu estilos e paradigmas, sua militância desafiou convenções. Será uma viagem no tempo por jornalismo, meio ambiente, educação e cidadania”.
.: Manual Crônico: Uma dama-da-noite, as mudanças acontecem à revelia
quarta-feira, 9 de setembro de 2026
.: "Um Homem com Uma Câmera" ganha vida com trilha sonora ao vivo no MIS
Clássico de Dziga Vertov será exibido pelo Cinematographo em sessão com acompanhamento do pianista e compositor Anselmo Mancini. Foto: divulgação
O MIS - Museu da Imagem e do Som de São Paulo resgata a experiência das antigas sessões de cinema no dia 13 de setembro, quando o programa Cinematographo apresenta "Um Homem com Uma Câmera", clássico documentário dirigido por Dziga Vertov em 1929. A sessão terá trilha sonora executada ao vivo pelo pianista e compositor Anselmo Mancini, que recriará musicalmente a atmosfera da produção soviética. Considerado um dos grandes documentários da história do cinema, o filme acompanha 24 horas na vida dos moradores de uma cidade grande. Do amanhecer ao anoitecer, um cinegrafista percorre diferentes espaços com a câmera no ombro e registra o movimento urbano, o trabalho, o lazer e a rotina cotidiana.
A proposta de Vertov revolucionou a linguagem documental ao transformar a própria câmera em personagem e explorar possibilidades de montagem, ritmo e enquadramento. Quase um século depois, o filme ganha uma nova camada de experiência no MIS com a música criada e executada ao vivo por Mancini. Os ingressos custam R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia-entrada) e podem ser adquiridos pela plataforma Megapass ou na bilheteria física do MIS.
A programação é uma realização do Ministério da Cultura, Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas de São Paulo, e Museu da Imagem e do Som, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, ProAC e Promac. O MIS tem patrocínio institucional da Livelo, Vivo, Goldman Sachs, Ituran e Goodstorage e apoio institucional das empresas Delboni, EAÍ?! Marketing, Unisys, Volkswagen Caminhões e Ônibus, Unipar, Campari, Colégio Albert Sabin, PWC, Pirelli, Alcaçuz, Telium, Kaspersky, Gabriel e Play Audiovisual.
Sobre o convidado
Anselmo Mancini é doutor e mestre em audiovisual e bacharel em composição musical pela Universidade de São Paulo (USP). Com mais de 24 anos de trajetória profissional, atua como compositor e pesquisador, reunindo experiência em diferentes áreas relacionadas à música e ao audiovisual. Mancini ministra cursos, oficinas e workshops sobre trilha sonora em instituições como o Centro de Pesquisa e Formação do SESC, as Oficinas Culturais do Estado de São Paulo e a Academia Internacional de Cinema. Também participa como palestrante convidado e integra bancas de trabalhos de conclusão de curso e defesas de mestrado nos departamentos de Música, Audiovisual e Rádio e TV da Escola de Comunicações e Artes da USP (ECA-USP) e da FMU-FIAM-FAAM.
Sobre o Cinematographo
O Cinematographo é um programa mensal do MIS dedicado a recuperar o clima das antigas sessões de cinema, com um detalhe que muda completamente a experiência: músicos convidados criam e executam a trilha sonora ao vivo durante a exibição. A cada edição, filmes de diferentes períodos ganham acompanhamento musical pensado para a sessão, aproximando cinema e música em uma experiência que transforma a relação do público com a obra.
Serviço | Cinematographo – "Um Homem com Uma Câmera"
Domingo, dia 13 de setembro, às 15h00
Auditório MIS (168 lugares)
Ingresso: R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia). Ingressos disponíveis na plataforma Megapass e na bilheteria do MIS
Classificação: 14 anos
.: Alex Solnik leva "O Código 12" à Bienal e reabre o caso da morte de JK
Jornalista e escritor apresenta livro que revisita a morte de Juscelino Kubitschek e reúne documentos, depoimentos e perícia realizada décadas após o acidente. Foto: divulgação
Sobre o autor
.: Filho transforma pai conservador em drag queen para exposição "Querido Pai"
Artista transforma o próprio pai, um homem conservador do interior do Paraná, em drag queen para investigar homofobia, masculinidade, memória e afeto familiar
O que pode acontecer quando um filho gay convida o próprio pai, um homem do campo, de origem humilde e criado em um ambiente conservador, a experimentar o universo drag? Para o artista brasileiro Danilo Zocatelli Cesco, a resposta virou a exposição "Querido Pai", série fotográfica com curadoria de Renato Negrão que coloca a relação entre pai e filho no centro de uma investigação sobre masculinidade, memória, identidade queer e afeto. Radicado em Londres, onde concluiu o mestrado em fotografia pelo Royal College of Art, Zocatelli retorna ao Brasil para apresentar o trabalho na galeria de arte O Jardim, em São Paulo. A abertura acontece no dia 12 de setembro, com curadoria de Renato Negrão e performances das artistas queers PAVUNAGATOPRETO e Anuby Messias.
Nascido em 1989 e criado em Marialva, no Paraná, Danilo cresceu em um ambiente rural no qual a masculinidade também funcionava como uma espécie de código de pertencimento. Jogar futebol, trabalhar na terra, dirigir tratores, frequentar a igreja e participar das atividades da comunidade faziam parte do repertório esperado de um menino. Para ele, essas experiências serviam como lembretes de um universo masculino ao qual sentia não pertencer.
Ao se reconhecer como queer e encontrar na comunidade drag uma possibilidade de expressão e pertencimento, o artista enxergou nessa linguagem uma ponte possível com o pai. Em vez de explicar sua identidade por meio de uma conversa, propôs que o pai experimentasse fisicamente aquele universo. Diante da câmera, aplicou maquiagem em seu rosto e colocou uma grande peruca, criando uma personagem drag a partir do homem que, em sua memória, representava parte das estruturas de masculinidade das quais havia tentado escapar. “Não se trata de uma tentativa de transformar meu pai em outra pessoa, porque eu aprendi a amá-lo e entendê-lo como ele é. Eu só quiz mostrar a ele como pertenço ao mundo e como me sinto”, conta Danilo.
As fotografias nascem de uma carta escrita pelo artista ao pai. Os trechos da correspondência dão nome às imagens e transformam a série em uma narrativa construída a partir de lembranças pessoais. Entre elas estão o medo de decepcionar o pai e a experiência de crescer ouvindo uma palavra usada de maneira pejorativa para se referir a homens gays. Também aparece na carta uma lembrança decisiva. Aos 17 anos, depois que sua mãe contou ao pai que ele havia se assumido gay, Danilo ouviu dele, pela primeira vez, que era amado.
A história familiar ganhou alcance internacional e levou "Querido Pai" a instituições e festivais dedicados à fotografia contemporânea. A série foi apresentada nos Rencontres d’Arles, na França; na Saatchi Gallery e no Institute of Contemporary Arts (ICA), em Londres; na Embaixada do México em Londres; na Embaixada Britânica em São Francisco; e no PhotoBrussels Festival, na Bélgica. O projeto também foi selecionado para o New Contemporaries, iniciativa britânica que há mais de 70 anos destaca artistas emergentes. Em 2025, integrou ainda a seleção do Dior Photography and Visual Arts Award for Young Talents, apresentado na Luma, em Arles, e posteriormente na Suíça.
A abertura em São Paulo amplia a proposta da exposição com performances de PAVUNAGATOPRETO e Anuby Messias, escolhidas por meio de uma convocatória pública da galeria. Multiartista, cantora, cineasta e performer, Anuby Messias é uma mulher trans e negra criada na periferia de Guarulhos. Seu trabalho reúne audiovisual, música, performance, transgeneridade e negritude. Entre seus projetos está "Ira — A Travesti na Escravidão", que estabelece uma reflexão sobre identidade negra e trans a partir da história de Xica Manicongo, reconhecida como a primeira travesti do Brasil. A participação de PAVUNAGATOPRETO completa a programação da abertura e aproxima "Querido Pai" de uma cena contemporânea de performance que utiliza o corpo como espaço de expressão, provocação e resistência.
Sobre o artista
Nascido em 1989, Danilo Zocatelli Cesco é artista brasileiro radicado em Londres. A prática dele investiga identidade, memória e experiências humanas por meio de storytelling, livros de artista, fotografia sem câmera, vídeo, som e escultura. Os trabalhos dele abordam temas como enfermidade, sistema prisional, crimes de ódio, resiliência queer e reconexões familiares. É mestre em fotografia pelo Royal College of Art (2024) e teve trabalhos apresentados em instituições e exposições no Reino Unido, França, Estados Unidos e outros países.
Serviço
Exposição "Querido Pai", de Danilo Zocatelli
Curador: Renato Negrão
Local: O Jardim, galeria de arte
Endereço: Rua Ilansa, 185, Mooca – São Paulo/SP
Abertura: 12 de setembro, das 15h00 às 20h00
Período de visitação: 12 de setembro a 17 de outubro
Abertura com performances de: Anuby Messias e PAVUNAGATOPRETO
.: Claudia Alexandre leva "Tia Ciata e o Mistério da Foto" à Bienal do Livro
Autora participa de roda de conversa no Salão de Ideias e autografa livro infantil que revisita registros sobre a matriarca do samba; Foto: divulgação / arquivo pessoal
Vencedora do Prêmio Jabuti Acadêmico pelo livro "Exu-Mulher e o Matriarcado Nagô", a jornalista e escritora Claudia Alexandre integra a programação oficial da Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Pesquisadora das tradições de matrizes africanas, ela participa de uma roda de conversa no Salão de Ideias, no dia 12 de setembro, ao lado da sambista e jornalista Lyllian Bragança. O encontro apresenta o livro infantil "Tia Ciata e o Mistério da Foto", com início às 19h30. Antes do bate-papo, às 17h00, Claudia autografa o lançamento no estande da Cortez Editora, na Rua G 26.
Resultado de uma pesquisa iniciada em 2008, "Tia Ciata e o Mistério da Foto" transforma em narrativa lúdica uma investigação sobre lacunas, contradições e registros históricos e fotográficos atribuídos à chamada "mãe do samba". A pesquisa lança um olhar curioso para as imagens que ajudaram a construir a memória de Tia Ciata e para aquilo que ficou de fora delas.
Na obra, Claudia também recupera a dimensão multifacetada de Tia Ciata, destacando sua atuação como rezadeira, musicista e personagem fundamental na história do samba. Entre os episódios revisitados está a criação de "Pelo Telefone", considerado o primeiro samba gravado. A trajetória da autora passa ainda pelo Prêmio Jabuti Acadêmico. Claudia Alexandre venceu a premiação em 2024 com "Exu-Mulher e o Matriarcado Nagô" e voltou a ser reconhecida em 2025, desta vez pela obra coletiva "A Salvação da Pátria Amada". No ano passado, "Exu-Mulher" serviu de inspiração para o enredo que levou a Escola de Samba Pérola Negra ao título em São Paulo.
Serviço
Roda de conversa com Claudia Alexandre e lançamento de "Tia Ciata e o Mistério da Foto"
Sábado, dia 12 de setembro, às 17h00 - Sessão de autógrafos
Estande da Cortez Editora – Rua G 26
19h30 - Roda de conversa
Salão de Ideias - Programação Oficial da Bienal do Livro
Endereço da Bienal: Distrito Anhembi - Av. Olavo Fontoura, 1209 - Santana / São Paulo
.: Nova versão de "Emmanuelle" revisita o erotismo dos anos 1970
"Emmanuelle" leva Noémie Merlant a Hong Kong em uma viagem de negócios marcada por desejo, poder e encontros misteriosos
Ficha técnica
"Emmanuelle" (título original)
Gênero: drama, romance, erótico. Duração: 105 minutos. Classificação indicativa: 18 anos. Ano de produção: 2024. Data de lançamento: 10 de julho de 2025 no Brasil. Idioma: inglês e francês. Direção: Audrey Diwan. Roteiro: Audrey Diwan e Rebecca Zlotowski. Elenco: Noémie Merlant, Naomi Watts, Will Sharpe, Jamie Campbell Bower, Chacha Huang, Anthony Wong, Carole Franck, Isabella Wei, Adam Pak e outros. Distribuição no Brasil: Imovision. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.
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.: "Sid e Nancy: o Amor Mata" transforma o amor punk em sentença de morte
Cultuado desde os anos 1980, filme de Alex Cox chega ao Belas Artes à La Carte com Gary Oldman e Chloe Webb em uma das histórias de amor mais caóticas da história do rock
Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.
Sexo, drogas, brigas, heroína, Sex Pistols e um romance que parecia ter sido escrito por alguém com uma queda preocupante por finais infelizes. "Sid & Nancy: o Amor Mata" retorna ao catálogo brasileiro pela plataforma de streaming Belas Artes À La Carte para revisitar a história de Sid Vicious e Nancy Spungen, casal que virou símbolo do lado mais destrutivo do punk em um retrato cru e perturbador da breve e incendiária trajetória de Sid Vicious e Nancy Spungen.
Dirigido por Alex Cox, o filme acompanha Sid Vicious, baixista dos Sex Pistols interpretado por Gary Oldman, e Nancy Spungen, vivida por Chloe Webb. A trama parte da passagem da banda pelos Estados Unidos, em 1978, e acompanha a deterioração do relacionamento entre os dois, enquanto drogas, violência e dependência passam a ocupar cada vez mais espaço na vida do casal. A produção também traz David Hayman como Malcolm McLaren, Andrew Schofield como Johnny Rotten e uma participação de Courtney Love, em uma de suas primeiras experiências no cinema.
Cox escreveu o roteiro ao lado de Abbe Wool. O diretor já vinha do irreverente "Repo Man" e decidiu tratar Sid e Nancy com uma liberdade que incomodou bastante gente ligada aos Sex Pistols. O próprio Cox explicou, anos depois, que a recepção americana do filme, entendido como uma história de amor trágica, estava mais próxima da intenção original do que a leitura britânica que o classificava simplesmente como um filme sobre o movimento punk.
A produção também ganhou força graças ao trabalho de Gary Oldman. O ator emagreceu para interpretar Sid e incorporou postura, voz e gestos do músico. Uma das curiosidades mais saborosas da produção é que Oldman usou durante as filmagens o colar que pertenceu ao próprio Sid Vicious. A mãe do músico, Anne Beverley, entregou a peça ao ator depois de conhecer a produção. Chloe Webb constrói uma Nancy menos fácil de encaixar na caricatura da groupie problemática. A atriz mergulha na instabilidade da personagem e acompanha a transformação de uma relação amorosa em uma espécie de pacto de autodestruição. O resultado incomoda porque o filme não oferece personagens particularmente fáceis de admirar.
A decadência aparece em primeiro plano, com o uso de drogas e a dependência tratados de maneira bastante dura. O filme também carregou uma velha briga com John Lydon, o Johnny Rotten dos Sex Pistols. O vocalista atacou publicamente a produção e reclamou da ausência de sua versão dos acontecimentos durante o processo de realização. Em entrevista ao The Guardian, anos depois, Lydon continuava classificando o filme de forma bastante pouco diplomática.
O incômodo faz algum sentido: Cox nunca pretendeu fazer uma reconstituição histórica convencional. A própria produção assumiu uma abordagem estilizada, misturando acontecimentos reais, memória e imaginação cinematográfica. O diretor chegou a admitir posteriormente que gostaria de ter tornado o final mais duro, deixando ainda mais evidente a dimensão trágica do desperdício das vidas de Sid e Nancy.
A trilha sonora ajuda a explicar por que o filme ganhou vida própria dentro da cultura punk. Joe Strummer, do The Clash, compôs "Love Kills", canção que acabou batizando a produção em diferentes materiais internacionais. A trilha ainda reúne The Pogues, John Cale, Steve Jones, Circle Jerks, Pray for Rain e o próprio Gary Oldman cantando "My Way". Outro detalhe curioso envolve Courtney Love. "Sid e Nancy" marcou uma de suas primeiras experiências no cinema, anos antes de ela conquistar reconhecimento como atriz por "O Povo contra Larry Flynt". No filme de Cox, ela aparece em um papel secundário, quando ainda era uma figura distante da celebridade cinematográfica que viria a se tornar.
A produção não foi um fenômeno comercial. Feita com orçamento estimado em US$ 4 milhões, arrecadou cerca de US$ 2,85 milhões mundialmente. A matemática, portanto, não ajudou. O tempo, entretanto, resolveu ser mais generoso: "Sid e Nancy" ganhou status de clássico cult e passou a ser lembrado como uma das cinebiografias musicais mais particulares dos anos 1980. A recepção crítica também ajudou a preservar o filme.
Ficha Técnica
"Sid e Nancy: o Amor Mata" | "Sid and Nancy" (título original)
Gênero: drama biográfico, musical e romance. Duração: 112 minutos. Classificação indicativa: 18 anos. Ano de produção: 1986. Data de lançamento: 7 de agosto de 1987 (Brasil). Idioma: inglês. Direção: Alex Cox. Roteiro: Alex Cox e Abbe Wool. Elenco: Gary Oldman, Chloe Webb, David Hayman, Andrew Schofield, Perry Benson, Tony London e Courtney Love. Distribuição no Brasil: Belas Artes à La Carte. Cenas pós-créditos: não há cena pós-créditos propriamente dita. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.
terça-feira, 8 de setembro de 2026
.: Prêmio Sesc de Literatura anuncia vencedores da edição 2026
Mariana do Nascimento Ramos, Anacã Agra e Guilherme de Miranda Ramos tiveram seus livros selecionados nas categorias Romance, Conto e Poesia; edição recebeu 2.969 inscrições. Na imagem, os autores vencedores: Mariana do Nascimento Ramos; Anacã Agra; Guilherme de Miranda Ramos
O Prêmio Sesc de Literatura anunciou as obras vencedoras da edição 2026: na categoria romance o ganhador foi “A Vontade das Coisas Mortas”, do Distrito Federal, escrito por Mariana do Nascimento Ramos; em Conto o livro “A Replicação do Sangue”, da Paraíba, de autoria de Anacã Agra; e em poesia “Geografia do Desconforto”, de Alagoas, por Guilherme de Miranda Ramos. Neste ano, o prêmio bateu recorde histórico de inscrições com 2.969 obras, sendo 1.203 de poesia, 960 romances e 806 livros de contos. As obras foram selecionadas por especialistas convidados para cada categoria.
“Chegar a 23ª edição com recorde de inscrições é um reconhecimento da força que o Prêmio Sesc de Literatura conquistou ao longo de sua trajetória. Os trabalhos recebidos este ano mostram que há uma produção literária diversa, potente e interessada em encontrar novos caminhos para contar as histórias do nosso país. Mais do que revelar novos autores, o prêmio reafirma o compromisso do Sesc com a literatura brasileira, criando oportunidades para que essas vozes sejam publicadas, circulem e cheguem a leitores de diferentes lugares”, afirma Diana dos Santos Abreu, Diretora de Saúde, Cultura, Lazer e Assistência do Departamento Nacional do Sesc.
Criado para incentivar novos talentos da literatura nacional, o Prêmio Sesc de Literatura é voltado exclusivamente a autores inéditos, ou seja, aqueles que nunca tiveram livros publicados na categoria para a qual concorrem. Os vencedores têm seus livros publicados pela Editora Senac Rio e recebem uma premiação em dinheiro no valor de R$ 30 mil. Além disso, circulam pelo país em uma programação composta por eventos como clubes de leitores, bate-papos com o público e eventos de literários.
Romance
Vencedora na categoria Romance, Mariana do Nascimento Ramos, carioca de 45 anos que mora em Brasília, é a autora de “A Vontade das Coisas Mortas”. Escritora, professora e servidora pública, Mariana é formada em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde também concluiu mestrado em Ciência da Literatura. Atuou como professora de Literatura Brasileira na Argentina, na Costa Rica e na China.
“A Vontade das Coisas Mortas” conta a história de Bruna, professora de literatura de uma pequena cidade do interior que tenta reconstruir a própria vida depois de sobreviver a um massacre escolar. Entre sessões de terapia, o retorno ao trabalho, relações familiares e lembranças do passado, a personagem enfrenta o luto, a culpa e o trauma. A narrativa alterna presente e passado e aborda temas como memória, morte, solidão e as marcas deixadas por tragédias em pessoas e lugares. “Esse foi o primeiro romance que eu escrevi. O livro foi inspirado no caso de Suzano, em São Paulo, e tentei trazer intimidade de um lugar difícil, que é a violência. Procurei falar com lirismo e ternura, tratando a violência de forma silenciosa e que se entranha nas relações e nas coisas. Estou ansiosa para ver qual vai ser a percepção do público sobre a história”, conta.
Conto
Na categoria Conto, o escritor é o paraibano Anacã Agra, de 48 anos, com “A Replicação do Sangue”. Formado em Letras, com mestrado e doutorado em Literatura, Anacã é professor na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), onde ministra, desde 2017, um curso de criação literária. A literatura e a escrita estão presentes na vida dele desde a infância, com influência do pai, que também foi professor de literatura, letras e escritor. “Segundo meu pai conta, escrevi meu primeiro conto aos 13 anos e não parei mais”. Escritor de romances, contos, poemas e roteiros cinematográficos, Anacã publicou de forma independente os romances “A Face Interna da Carne”, “O Circo da Galileia”, “Amadis de Riorraso” e “Éramos Eternos”.
“A Replicação do Sangue” reúne contos marcados por tragédias humanas, violência, culpa, desejo e ironias do destino. As histórias colocam personagens comuns diante de situações extremas e exploram dramas familiares, paixões frustradas, vinganças, acidentes, crimes e encontros marcados pelo acaso. “Uma semana antes de receber a notícia do prêmio eu pensei em desistir de publicar. Faz mais de 30 anos que eu produzo e ainda não havia conseguido um ‘sim’. Agora eu não desisto mais”. Anacã diz que os contos que compõem o livro foram escritos ao longo do tempo, inicialmente sem a intenção de formar uma obra única. Posteriormente, o autor identificou aproximações temáticas entre os textos e os reuniu. “Parte das histórias tem origem em experiências próprias ou de pessoas próximas, enquanto outras nasceram de notícias, filmes e outras referências”, ele explica.
Poesia
O vencedor na categoria Poesia é o alagoano Guilherme de Miranda Ramos, 54 anos, com “Geografia do Desconforto”. Escritor, compositor e produtor cultural, Guilherme é autor de livros infantis e de crônicas e possui textos premiados em editais e concursos. Na música, é idealizador do Intermídia Estúdio de Criação e do projeto Quarentemas, além de compor trilhas sonoras para literatura, audiovisual e artes cênicas e produzir singles e álbuns autorais. Guilherme diz que o primeiro contato que teve com a arte foi criança, quando leu um poema em uma revista que sua mãe levou para casa. “Essa poesia me encantou, eu ficava reescrevendo como se o texto fosse meu”. Depois disso, se envolveu com arte na escola e passou a ler tudo, até bula de remédio, ele brinca.
Em “Geografia do Desconforto”, os poemas percorrem três territórios simbólicos: o sangue, o asfalto e o espelho. A primeira parte aborda memórias familiares, heranças afetivas, silêncios entre gerações, perdas e a busca por identidade. Na segunda, o olhar se volta para trabalhadores invisibilizados nas cidades, discutindo desigualdade, precarização, resistência e dignidade. Já a terceira parte mergulha em questões existenciais relacionadas ao corpo, ao tempo, à solidão, à saúde mental e ao sentimento de não pertencimento. Com linguagem simples e imagens marcantes, o livro constrói uma cartografia da memória e da condição humana. “Para esse livro eu saí da minha zona de conforto e experimentei formatos que antes eu não tinha coragem. Estou ansioso para encontrar outros escritores, trocar experiências com essas pessoas e ser fonte de inspiração para que eles não desistam dos seus sonhos, como eu não desisti do meu”.
Os autores vencedores serão apresentados ao público em uma cerimônia com noite de autógrafos no fim do ano. Após a publicação, os livros serão vendidos em livrarias online e físicas por todo país e distribuídos na rede de bibliotecas e escolas do Sesc.
Os jurados em 2026
O júri do Prêmio Sesc de Literatura 2026 reúne nomes de destaque da literatura brasileira. Em Romance, Maria Esther Maciel, escritora, poeta e professora da UFMG, e Itamar Vieira Junior, autor de Torto Arado e vencedor dos prêmios Jabuti, LeYa e Oceanos. Em Conto, participaram Miriam Alves, escritora e importante voz da literatura afro-brasileira contemporânea, e Dau Bastos, escritor, ensaísta e professor da UFRJ. Já o júri de Poesia foi formado por Cida Pedrosa, vencedora do Jabuti por Solo para Vialejo, e Edimilson de Almeida Pereira, poeta, ensaísta e professor da UFJF, vencedor do Oceanos e do Prêmio São Paulo de Literatura.
Sobre o Prêmio Sesc de Literatura
Criado em 2003, o Prêmio Sesc de Literatura já recebeu cerca de 27 mil originais e revelou ao mercado editorial 46 novos autores. O processo de avaliação tem como base o anonimato dos autores, garantindo a lisura do projeto e a liberdade de análise das comissões julgadoras, que fazem a seleção pelo mérito literário, com soberania sobre a decisão final. Os autores devem ser inéditos nas categorias pelas quais concorrem, ou seja, sem obras publicadas na categoria escolhida. Ao longo de sua trajetória, a iniciativa vem contribuindo para a publicação e circulação de novos autores, aproximando suas obras de leitores de diferentes regiões do país.
.: “Sobre Poetas e Heresias” leva poesia, humor e ironia ao Sesc Pinheiros
Espetáculo com Jairo Mattos e direção de Carlo Milani aproxima Fernando Pessoa, Padre Antônio Vieira e outros autores em uma montagem que transforma literatura em jogo cênico. Foto: Adriano Escanhuela
Em cena, Mattos interpreta um bufão contemporâneo que assume a função de mestre de cerimônias e comentarista. Diante do público, ele revisita versos, pensamentos e discursos de diferentes épocas, conduzindo a narrativa com ironia e questionamentos. Sermões e poemas ganham novas possibilidades ao serem transformados em ações cênicas, comentários e situações marcadas pelo humor. A dramaturgia, alinhavada por Aloysio Burtin, coloca lado a lado autores de períodos e contextos distintos para abordar temas como poder, fé, amor e ódio. A palavra ocupa o centro da montagem e serve como ponto de partida para um diálogo entre diferentes vozes da literatura.
Ficha técnica
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