sexta-feira, 4 de setembro de 2026

.: Música: Barbara Rocha apresenta material autoral em turnê intimista


Por
Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

A cantora e compositora mineira Barbara Rocha apresenta, em seu canal oficial no YouTube, um vídeo especial com os bastidores da turnê “Me and My Old Guitar” - projeto que nasceu de uma relação essencial entre artista, música e violão e ganhou as estradas de Minas Gerais em uma circulação marcada pela proximidade com o público, pela música autoral e pela troca de experiências.

O registro revela momentos que aconteceram antes, durante e depois das apresentações, mostrando um pouco da rotina da artista, os encontros com diferentes públicos e a construção de um projeto que resgata a essência de Barbara: voz, violão e canções que carregam histórias pessoais e sentimentos universais. E como dizia aquela canção de Milton Nascimento e Fernando Brandt, todo artista tem que ir aonde o povo está.

A proposta de “Me and My Old Guitar” surgiu a partir de uma lembrança afetiva. Antes dos palcos, das bandas e de toda a estrutura de um show, havia apenas Barbara, seu violão e o sonho de fazer música. O formato intimista representa justamente esse retorno às origens, aproximando a artista do público de maneira espontânea e permitindo que as canções sejam apresentadas em sua forma mais essencial.

Durante a turnê, Barbara realizou cinco apresentações em diferentes espaços e cidades mineiras: Associação Cultural Boi da Manta, em Sete Lagoas; CEU das Artes, em Sete Lagoas; Praça da Liberdade, em Belo Horizonte; Passarela do Empreendedor, em Corinto; e o encerramento na Serra de Santa Helena, em Sete Lagoas.

O público teve a oportunidade de conhecer melhor o processo criativo da cantora, ouvir suas histórias e compreender as experiências que deram origem às músicas. O projeto também promoveu atividades formativas, com oficinas como “Primeiros Passos na Composição” e “Produção Musical: tudo o que ocê precisa saber antes de começar”, realizadas no CEU das Artes, em Sete Lagoas, além de ações em Corinto e Belo Horizonte.

Com um repertório autoral de pop rock internacional cantado em inglês, Barbara Rocha também utiliza sua música como instrumento de conexão entre culturas. Além de cantora e compositora, ela é professora de inglês e acredita que o idioma pode ser uma ponte - e não uma barreira - para quem deseja conhecer novas culturas, ampliar horizontes e se comunicar com o mundo.

Essa característica faz parte da identidade artística de Barbara, que transita por referências internacionais sem abrir mão de sua origem brasileira. O resultado é um trabalho que dialoga com diferentes gerações e aproxima o público de sonoridades do pop rock internacional por meio de uma perspectiva autoral.

Suas músicas abordam temas como amor, perda, luto, esperança e relações humanas, criando uma identificação direta com quem acompanha seu trabalho. No formato voz e violão, essas histórias ganham ainda mais força e intimidade.

A experiência também reforçou a importância da Economia Criativa, movimentando profissionais ligados à produção cultural e criando oportunidades para novos encontros, parcerias e projetos.Ela pretende dar sequência a turnê acústica em paralelo ao projeto com acompanhamento de banda;

Bastidores da turnê

"Get Loud"

.: Com “World Ablaze”, Luiza Girardello estreia em disco autoral


Por
Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

A cantora e compositora Luiza Girardello apresenta seu primeiro álbum, “World Ablaze”, já disponível em todas as principais plataformas digitais. O trabalho reúne nove faixas autorais que transitam por MPB, jazz, bossa nova, baião, rock e referências ao metal progressivo, refletindo a liberdade artística e as diferentes experiências vividas ao longo de sua trajetória.

Lançado pela ZA Music, com distribuição da Musikorama, o álbum tem produção de Luiza Girardello em parceria com o baterista, arranjador e coprodutor João Vitor Costa Dias. A gravação valoriza a sonoridade orgânica e espontânea, com os músicos tocando juntos em estúdio.

Como parte desse novo momento, Luiza também lançou o videoclipe de “Drunk On You”, disponível em seu canal no YouTube. Dirigido pelo cineasta Felipe Brêtas, com direção artística de Zabelê Gomes, o clipe utiliza a metáfora da bebida e da ressaca para abordar a dependência emocional e relacionamentos que ultrapassam os limites do saudável.

Se você puvir o trabalho de Luiza, encontrará dificuldade para classificá-lo em tipo de segmento musical. Podemos dizer que ela está próxima do jazz, porém também mostra elementos da nossa MPB. E aparenta não estar preocupada em seguir um estilo musical específico. Mas sim em mostrar a sua identidade musical moldada pelas suas influencias musicais. Trata-se de um trabalho interessante que merece ser conferido.

"Drunk On You"

"Heart Shaped Box"

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

.: Resenha crítica: "O Sorveteiro" é trash colorido com muito sangue jorrando

Cartaz de "O Sorveteiro"


Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em setembro de 2026


O terror slasher "O Sorveteiro" é o tipo de filme com baixo orçamento que até tem uma boa premissa e tenta apresentar uma história assustadora (dentro das possibilidades). Assim, a aposta no elenco infanto-juvenil para protagonizar uma trama que tinha grande chance de se tornar um clássico do gênero, cai com facilidade, diretamente, no trash de colorido encantador na telona de cinema com muito sangue jorrando.

Sem querer agradar, a produção do diretor Eli Roth ("Cabana do Inferno" e "O Albergue") foca no diálogo com quem aceita a sua proposta despojada e o ritmo de diversão violenta. Numa história de vingança da figura pavorosa de um sorveteiro, o longa que soma 1 hora e 27 minutos de duração, o público que admira o terror tradicional ou busca diversão é levado a Bayleen Bay.

Calma! Não se trata de um flerte com o clássico "Os Pássaros", embora tudo aconteça numa baía e tenha nos seus primeiros minutos um campo aberto com crianças, como acontece em "A Bolha Assassina". A nova produção sanguinolenta traça um caminho próprio entregando um toque do seriado "The Walking Dead" com o toque de filme para TV.

A película que poderia ser apenas um episódio do seriado "American Horror Stories", devidamente aproveitado (considerando a premissa) ou daqueles só servem para retomar o hiato e que ninguém sabe a motivação de ter sido produzido (considerando o filme entregue), apresenta três jovens que não comeram o sorvete amaldiçoado distribuído pelo misterioso sorveteiro, logo tentam impedir que a carnificina acabe com o local idílico.

"O Sorveteiro" é uma super opção quando se considera o longa pelo lado do terrir e trash como um resgate o cinema B raiz dos anos 1980 e o uso de efeitos práticos e humor macabro. Vale destacar que o longa apresenta uma cena pós-créditos. Assista por sua conta e risco!


"O Sorveteiro" (Ice Cream Man). Gênero: TerrorEli Roth. Roteiro: Noah Belson e Eli Roth. Duração: 1h 26 minutos. Classificação Indicativa: 16 anos. Elenco: Eli Roth, Ari Millen, Charlie Zeltzer e Snoop Dogg. Sinopse: Tudo acontece em torno de um misterioso e simpático sorveteiro ambulante. Ele passa a distribuir sorvetes e picolés amaldiçoados para as crianças locais.

Trailer de "O Sorveteiro"



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.: “Leia Perigosamente” desafia o medo e devolve à literatura poder de resistência


Novo livro de Azar Nafisi, autora de “Lendo Lolita em Teerã”, investiga por que regimes autoritários temem tanto os livros e aposta na imaginação como ferramenta de liberdade


Livros podem parecer objetos inofensivos. Cabem numa mochila, numa estante e até debaixo do braço de quem atravessa uma fronteira. Para governos autoritários, porém, algumas páginas podem ser bem mais perigosas do que parecem. É justamente nesse território que a iraniana Azar Nafisi mergulha em “Leia Perigosamente - O Poder Subversivo da Literatura em Tempos Conturbados”, lançamento da Editora Record. A tradução é de Marina Vargas.

Conhecida mundialmente pelo livro “Lendo Lolita em Teerã”, Nafisi retoma a literatura como instrumento de resistência e examina a relação incômoda entre livros, imaginação e poder. O ponto de partida são cartas escritas entre 2019 e 2020 para o pai, morto 12 anos antes. Ao escrever para alguém que já não poderia responder, a autora tenta organizar um mundo que parecia perder o juízo: o primeiro governo de Donald Trump, a pandemia, guerras e transformações políticas.

A experiência pessoal se mistura à trajetória de professora de literatura e cidadã do Irã e dos Estados Unidos, país para onde imigrou. O resultado é uma reflexão que passa pelos livros que Nafisi lecionou e pelos autores que ajudam a compreender os mecanismos de controle, intolerância e desumanização. Para explicar por que ditaduras e regimes fascistas enxergam a literatura como ameaça, a autora convoca nomes como James Baldwin, Zora Neale Hurston, Margaret Atwood e Toni Morrison. São escritores que ajudam a iluminar questões do presente e a lembrar uma ideia que regimes autoritários conhecem muito bem: imaginar outras possibilidades pode ser o primeiro passo para deixar de aceitar a realidade imposta.

De Ray Bradbury, com seus livros queimados em “Fahrenheit 451”, ao fatwa contra Salman Rushdie, Nafisi aproxima ficção e realidade para mostrar como o controle da palavra costuma andar de mãos dadas com o controle das pessoas. Quando se tenta impedir alguém de ler, imaginar e questionar, a censura deixa de mirar apenas páginas. Ela passa a mirar a própria capacidade humana de pensar.

A autora defende a literatura como espaço de diálogo, empatia e humanização até daqueles que enxergamos como inimigos. Para isso, a democracia é fundamental. Afinal, uma sociedade em que todos precisam pensar igual pode até parecer organizada - mas literatura costuma ter alergia a esse tipo de ordem. Com “Leia Perigosamente”, Azar Nafisi recupera a dimensão política da leitura sem transformar o livro em um manual de palavras de ordem. Sua aposta está na imaginação, na memória e na capacidade que grandes obras literárias têm de oferecer companhia quando o mundo parece cada vez menos razoável. É uma defesa apaixonada dos livros em uma época que continua produzindo motivos para desconfiar de quem prefere leitores obedientes. Compre o livro "Leia Perigosamente", de Azar Nasifi, neste link.


O que disseram sobre o livro
“A escrita para seu falecido pai reforça o tom do livro de Nafisi, que se volta para o exemplo do passado corajoso frente ao poder e também para uma tradição de grandes obras da literatura como consolo e guia. Com sensibilidade e inteligência, oferece um novo cânone para as tiranias do presente e as possibilidades distópicas do futuro." – Washington Post

“Uma defesa apaixonada da literatura como caminho para liberdade.” – Boston Globe


Sobre a autora
Azar Nafisi nasceu no Irã e, aos 13 anos, foi estudar na Inglaterra. Nos Estados Unidos, concluiu o doutorado em literatura inglesa pela Universidade de Oklahoma. Em 1979, após a derrubada da ditadura e a criação da República Islâmica do Irã, retornou ao país esperando encontrar um cenário de mudanças políticas. O que encontrou, porém, foi um regime de terror comandado pelos aiatolás. Nafisi permaneceu em Teerã por 18 anos. Entre 1979 e 1981, lecionou literatura inglesa na Universidade de Teerã, de onde foi expulsa por se recusar a usar o véu. Depois, passou pela Universidade Livre Islâmica e pela Universidade Allameh Tabataba'i. 

Autora de seis livros, tornou-se conhecida internacionalmente com “Lendo Lolita em Teerã”, memórias sobre o curso secreto de literatura que ministrou para sete mulheres em Teerã. A obra foi traduzida para 32 idiomas e recebeu, entre outros prêmios, o Prix du Meilleur Livre Étranger. Atualmente, Nafisi vive em Washington, nos Estados Unidos, e já colaborou com veículos como The New York Times, The Washington Post e The Wall Street Journal. Compre os livros de Azar Nafisi neste link.


Conheça também
“Lendo Lolita em Teerã: Memórias de Uma Resistência Literária”
, publicado pela Editora Record, recupera as memórias de Azar Nafisi durante o período em que ministrou secretamente um curso sobre clássicos da literatura para sete mulheres na capital iraniana. No final de 2024, o livro ganhou uma adaptação cinematográfica dirigida por Eran Riklis, disponível em streaming. A obra também foi escolhida para a 7ª edição do Clube do Livro Prioli Karnal, comandado por Gabriela Prioli e Leandro Karnal. A tradução é de Marina Vargas. Compre o livro neste link.

.: Manual Crônico, a volta de Thiago Sobral: Luz balão da noite


Porque o nosso passado se liga diretamente às chamas de uma fogueira.

Thiago Sobral é escritor. Também publica semanalmente no Substack. É autor do livro "O Pai, a Faca e o Beijo", publicado pela Editora Patuá.


Há gravetos e retalhos de madeira jogados ao chão. Há galhos e troncos cortados, fragmentos de uma vida que se esvaiu. E há olhos vivos que contemplam as chamas bruxuleando: fogueira doce, luz balão. Junho e julho já passaram e agora já podemos dizer "que saudade!". Não que o tempo tenha sido assim tão longo, mas ninguém aguenta ficar tanto sem festa. Um vinhozinho quente não faz mal a ninguém, muito menos um bolinho de fubá. E a fogueira?

Ela estava lá, no meio da rua. Troncos grossos, gravetos, madeira, tudo sendo consumido. Poucos olhos a alcançavam, ainda que o calor nos aquecesse a todos. Mas havia olhos que não desgrudavam das chamas. De tempos em tempos, mais lenha era colocada. Sem notar os olhos que a acompanhavam, titia sujava as mãos de cinzas e sentava diante das labaredas, como se buscasse o passado.

Porque o nosso passado se liga diretamente às chamas de uma fogueira. Meu avô nasceu em vinte e três de junho. Chamava-se João por gratidão ao santo homônimo que nasceu um dia depois. Ao longo da vida, ele uniu devoção à comemoração, e construiu fogueiras. A cada ano completado, uns centímetros a mais de labareda. A cada festa celebrada, mais a tradição se firmava. Por isso, titia contemplava a fogueira com olhos d’água.

Por isso, também, comemoramos o São João todos os anos. Dessa vez, foram duas festas. A primeira, de mamãe. Povo reunido, altar, flores, Ave-Marias e boca pra que te quero. O cantochão sanfonado, triangulado e zabumbado se arrastou por toda a noite. Em certo momento, o padre, no meio do salão, convocou os noivos. O casamento mais importante da História se deu, e a frase “se alguém é contra esse casamento, que fale agora ou se cale para sempre” foi dita novamente. E “caminho da roça”. Uma quadrilha improvisada arrebanhou os convidados que, persistentes, se arrastaram no “cestinho de flor / cadeirinha do amor” mais saboroso de todos.

Semanas depois, foi a festa de titia. Rua fechada, mesas e cadeiras no lugar dos carros, e olhos atentos ao vagar do tempo. Mesa repleta, caixa de som ecoando, quadrilha de improviso. As bocas não pararam, ora levando para dentro gostos e texturas, ora exalando vocábulos de um tempo que parece não mais existir. Mamãe e titia juntas se instalaram na infância distante. E, dessa vez, havia o fogo.

Um fogo primordial, que empresta à festa todo o seu colorido e o seu calor. Numa noite fria, as chamas nos lembraram que ainda é possível aquecer e aconchegar. Um fogo de origem, que forja no espírito o gosto pela festa e pela memória. A memória de vovô, que era evocada por titia sentada em sua cadeira, imersa no silêncio contemplativo das chamas que acabara de incitar.

Herança nossa, coletiva, espalhada entre os adultos e as crianças ali presentes. Lembrança de São João, e de vovô João, que nos ensinou o amor pela luz balão, agora, não a do sol, mas a da noite, que foi tecida sob nossos olhos, palavra por palavra, centelha da nossa doce fogueira.

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

.: Crítica de teatro: "Adulto" faz da culpa o melhor espetáculo de todos os tempos


Com dramaturgia de Fran Ferraretto e direção de Lavínia Pannunzio, espetáculo transforma traição, saúde mental, dinheiro e relações afetivas em uma experiência teatral afiada, divertida e incômoda. Foto: Julieta Bacchin

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico cultural, especial para o portal Resenhando.com

Fran Ferraretto já contou em entrevista que uma das personagens dos sonhos dela é Blanche DuBois, de "Um Bonde Chamado Desejo". Em "Adulto" - espetáculo que volta para quatro apresentações gratuitas no Itaú Cultural, em São Paulo, dias 17, 18, 19 e 20 de setembro, de quinta a sábado, às 20h00, e domingo, às 18h00 - ela parece ter criado e escrito para ela mesma a própria Blanche, em uma personagem que lhe caiu como uma luva. 

Em comum com a personagem do clássico de Tennessee Williams está Sara, uma mulher cheia de contradições, desejos, fragilidades, força, culpa e uma capacidade desconcertante de continuar funcionando quando tudo ao redor já deveria ter desabado. Foi no Sesc Santos que assistimos à montagem, e fica difícil sair dela sem pensar nas próprias escolhas - inclusive naquelas em que grande parte do público prefere esquecer.

"Adulto" é daqueles espetáculos em que o espectador ri para, logo depois, perceber que está vendo graça em alguma coisa dolorosamente familiar. O texto de Fran Ferraretto tem essa habilidade, já que ela trata de assuntos espinhosos com leveza, inteligência e uma acidez que chega na hora certa. Não há necessidade de transformar os personagens em exemplos de comportamento ou em vilões de ocasião. Eles erram, mentem, desejam e se arrependem, mas também tentam justificar o injustificável. 

A história acompanha dois casais de amigos envolvidos em uma crise que começa a revelar problemas antigos. João (Iuri Saraiva) e Sara (Fran Ferraretto) enfrentam uma crise conjugal, enquanto a chegada de Vitor (Sidney Santiago Kuanza) e Paula (Jennifer Souza) provoca novas discussões sobre amor, fidelidade, monogamia, maternidade, machismo, dinheiro e saúde mental. A dramaturgia ainda brinca com a própria construção da peça teatral, criando, de maneira mais do que genial, uma segunda camada em que uma das personagens escreve a ficção que o público está assistindo.

Fran sabe escrever personagens que estão longe de qualquer perfeição. Por isso é impossível não reconhecer alguma coisa de si em pelo menos algum desses personagens. O elenco está muito afiado e os atores conseguem ir do humor à intensidade em questão de segundos, sem que nenhuma mudança pareça calculada. Cada personagem possui uma personalidade muito própria, e o quarteto de atores encontra diferentes caminhos para mostrar força, fragilidade, arrogância, medo, culpa e revanchismo.

Iuri Saraiva, o nosso Johnny Deep brasileiro devido à versatilidade com que encara cada papel, começa com uma leveza despretensiosa e vai ganhando contornos cada vez mais complexos. É uma atuação que cresce diante do público e chega a um estado de perturbação bastante palatável, porque reconhecível. É aquele sujeito que poderia estar sentado ao lado de qualquer um, tomando uma cerveja e contando uma história que certamente teria outra versão se fosse narrada pela pessoa envolvida.

Sidney Santiago Kuanza tem uma presença que eleva qualquer montagem. Aqui, encontra um material à altura do próprio talento e constrói um personagem que sabe incomodar sem precisar forçar a mão. Jennifer Souza, por sua vez, é uma força da natureza. Pequena fisicamente, fica gigantesca quando entra em cena. O carisma é imediato, mas ela não depende dele: existe domínio de ritmo, precisão e uma capacidade impressionante de sustentar as mudanças da personagem.

Fran Ferraretto completa esse quarteto com uma atuação que confirma uma coisa que já se percebia em trabalhos anteriores: ela entende profundamente as mulheres que escreve. Depois de abordar o relacionamento abusivo para crianças em "A Minicostureira" e discutir desigualdade social no espetáculo infantil "Rua", a dramaturga encontra em "Adulto" um terreno mais complexo para falar sobre relações entre pessoas que deveriam saber melhor o que estão fazendo.

Além disso, Fran merece ser cada vez mais reconhecida como dramaturga. Existe uma inteligência rara no modo dela abordar temas delicados sem tratar o público como criança. Ela sabe onde colocar o dedo na ferida e, principalmente, quando tirá-lo. O resultado é um texto ácido, divertido e emocionalmente desconfortável na medida certa. A direção de Lavínia Pannunzio mantém o espetáculo em movimento e impede que a discussão sobre relacionamentos vire uma sucessão de discursos. A montagem lembra, em alguns momentos, a tensão do cinema em "Closer: Perto Demais", a atmosfera do recente drama "O Convite" e até a maneira como "Flores de Aço" transforma relações pessoais em matéria dramática. São referências que ajudam a localizar a peça, mas "Adulto" tem a própria mensagem.

No fundo, é um espetáculo sobre culpa, seja essa a de trair, a de permanecer, a de desejar, a de mentir, a de não saber amar e a de não conseguir fazer diferente. Também é sobre a tentativa de reparar aquilo que foi quebrado. Porque crescer, em qualquer idade, dói, já que continuar crescendo é uma das poucas obrigações que ninguém consegue terceirizar. A imagem do casaco amarelo, presente do início ao fim do espetáculo, resume isso de maneira especialmente bonita. Depois de ser lavado, ele passa a carregar o cheiro dela. É um detalhe simples, mas poderoso: aquilo que carregava a marca de outra pessoa volta a pertencer a quem o veste. "Adulto" afirma e reafirma que algumas coisas se consertam depois de quebradas. Outras mudam de forma. E algumas, depois de lavadas, finalmente voltam a ter o nosso próprio perfume.


Ficha técnica
Espetáculo "Adulto"
Texto e idealização: Fran Ferraretto. Direção: Lavínia Pannunzio. Elenco: Fran Ferraretto, Iuri Saraiva, Sidney Santiago Kuanza e Jennifer Souza. Desenho de luz: Gabriele Souza. Trilha sonora e operação de som: Rafael Thomazini. Cenário: Mira Andrade. Figurino: Anne Cerutti. Design gráfico: Murilo Thaveira. Fotos: Julieta Bacchin. Visagismo: Louise Helène. Operação de luz: Carol Dourado. Técnico de montagem: Diego França. Assessoria de imprensa: Canal Aberto – Márcia Marques, Daniele Valério e Carina Bordalo. Estratégia digital e social media: Fernanda Pilotto. Direção de produção: Paula Malfatti. Coordenação de produção: FATTO Realizações. Gestão administrativa: Mava Produções. Assessoria jurídica: José Otávio V. de S. Ferreira S.I. Advocacia. Apoio: Oficina de Atores Nilton Travesso e Salão Pier A.


Serviço
Espetáculo "Adulto" no Itaú Cultural
Dias 17, 18, 19 e 20 de setembro, de quinta a sábado, às 20h00, e domingo, às 18h00.
Avenida Paulista, 149 - São Paulo.
Apresentações gratuitas.

.: Dez motivos para ler "O Pai, a Faca e o Beijo", de Thiago Sobral


Romance de estreia de Thiago Sobral mergulha em violência familiar, desejo, fé, racismo, homofobia e culpa para construir uma história em que ninguém é completamente inocente

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico cultural, especial para o portal Resenhando.com

Poucas coisas são tão literárias quanto descobrir que o monstro da história pode ter sido vítima antes de virar monstro e que isso, definitivamente, não resolve o problema. Nessa história, há um pai morto, um filho tentando justificar o injustificável, um amor que poderia ter sido e uma cidade pequena onde todo mundo parece saber da vida alheia antes mesmo de a própria pessoa descobrir. É desse material inflamável que Thiago Sobral constrói "O Pai, a Faca e o Beijo", romance de estreia publicado pela Editora Patuá, que será lançado neste sábado, dia 5 de setembro, às 16h00, na Casa das Culturas de Santos. Domingo, dia 6 de setembro, às 14h00, o lançamento será na Bienal Internacional do Livro, no Estande K45 da Editora Pauá.

Ambientado em Cubatão, no litoral de São Paulo, o livro acompanha Santiago e Davi, o Pirueta, em uma relação marcada por desejo, rejeição, violência e uma quantidade considerável de coisas que poderiam ter sido resolvidas com uma conversa. Ex-seminarista franciscano e professor de Língua Portuguesa, Thiago Sobral leva para a ficção questões ligadas à fé, à moral, à família e às contradições humanas. O resultado é um romance seco, provocador e pouco interessado em oferecer ao leitor aquela sobremesa reconfortante chamada redenção.

O próprio autor explica que escreveu a história a partir da ideia freudiana de “matar o pai”, explorada em "Totem e Tabu", relacionando a morte do patriarca à busca de liberdade de Santiago. Depois do crime, porém, o personagem percebe que eliminar o pai não significa necessariamente eliminar aquilo que o pai deixou dentro dele. O romance também nasceu de uma provocação que Sobral ouviu em uma conversa, em 2022, quando alguém afirmou que, para o Brasil “ir para frente”, seria preciso “matar o seu pai”. A frase ficou rondando a cabeça do escritor até virar literatura. Em 2025, depois de retomar o projeto, ele pesquisou casos reais de parricídio e conceitos da psicanálise para dar corpo à narrativa. A seguir, dez motivos para colocar "O Pai, a Faca e o Beijo" na lista de próximas leituras. Compre o livro "O Pai, a Faca e o Beijo", de Thiago Sobral, neste link.


1. Romance transforma o conflito entre pai e filho em uma guerra psicológica
Santiago e Severo não travam apenas uma disputa doméstica. O relacionamento entre os dois concentra violência, medo, desejo de aceitação e uma tentativa desesperada de romper com aquilo que o personagem entende como origem de todos os seus problemas. O resultado é uma relação familiar em que cada gesto parece carregar uma conta antiga. Santiago acredita que matar o pai poderá libertá-lo.


2. Um protagonista difícil de defender
Santiago está longe de ser um "mocinho de estimação". Negro e homossexual, ele carrega o peso do racismo e da homofobia, mas também reproduz contra si e contra os outros parte da violência que sofreu. É homossexual e homofóbico, racista e vítima do racismo, desejante e repressivo, amoroso e cruel. Essa coleção de contradições torna o personagem incômodo e difícil de digerir.


3. O livro pergunta se violência sofrida pode justificar violência cometida
Severo acredita estar protegendo o filho. As agressões são apresentadas por ele como uma forma de educação e de prevenção contra sofrimentos futuros. A mãe relativiza. Os irmãos reproduzem comportamentos. Santiago absorve tudo e, depois, despeja parte dessa brutalidade sobre Davi. Thiago Sobral transforma a violência em uma engrenagem familiar. Quem bate acredita corrigir. Quem se omite acredita evitar problemas. Quem sofre pode acabar repetindo o comportamento que aprendeu. A pergunta fica para o leitor: compreender a origem de uma violência significa perdoá-la?


4. Freud explica e entra na história de maneira indireta
A ideia de “matar o pai” percorre o romance como metáfora de libertação. Thiago Sobral, mesmo que de maneira indireta, mergulhou em "Totem e Tabu", de Sigmund Freud, para construir a relação de Santiago com o pai morto e explorar a ideia de ruptura com a figura paterna. O detalhe mais interessante está na falha dessa libertação. Santiago mata o pai, mas não consegue matar aquilo que carrega dentro de si. A faca resolve uma parte do problema. O restante continua andando pela casa. Como resolver essa situação?


5. Cubatão, que já foi a cidade mais poluída do mundo, deixa de ser cenário e ganha personalidade
Localizada no litoral de São Paulo, Cubatão já foi considerada a cidade mais poluída do mundo pela ONU na década de 1980 e ficou conhecida como "Vale da Morte". Na geografia apertada entre a Serra do Mar, rios, mangues e a área industrial, a atmosfera da narrativa é construída. Thiago Sobral relaciona o espaço físico da cidade ao comportamento dos personagens e à sensação de sufocamento experimentada por Santiago. A própria indústria, com calor e fuligem, reforça essa atmosfera. Cubatão também aparece como território do julgamento. Em lugar pequeno, uma vida privada pode durar pouco tempo antes de virar assunto público.


6. A experiência religiosa do autor aparece sem virar catecismo
Thiago Sobral foi seminarista franciscano, e essa formação inevitavelmente deixa marcas na literatura. O romance trabalha com religião, fé, culpa e moralidade, mas não oferece respostas religiosas mastigadas. O padre Jorge, por exemplo, surge como personagem capaz de apresentar outra possibilidade de relação com a fé, enquanto a instituição religiosa aparece cercada pelas próprias limitações. No contexto do livro, a literatura não substitui a religião, mas pode abrir caminhos e possibilidades para o leitor.

7. Desejo, liberdade e um amor possível, desde que disposto
O personagem Davi, o Pirueta, funciona como contraponto ao protagonista. Ligado à dança, à poesia e à expressão artística, ele carrega uma relação diferente com o próprio corpo, com o desejo e com a liberdade. Enquanto Santiago se debate contra aquilo que sente, Davi parece encontrar na arte uma forma de existir. A relação entre os dois, por isso, ganha uma dimensão que ultrapassa o romance amoroso convencional. O beijo do título não é apenas um gesto de afeto. Ele também representa tudo aquilo que Santiago deseja e, ao mesmo tempo, rejeita.


8. Livro aposta na oralidade e na voz própria dos personagens
Thiago Sobral afirma que buscou reproduzir a oralidade típica de famílias cubatenses formadas por migrantes nordestinos, incluindo referências à própria história familiar. Os diálogos carregam insinuações, ironias, desconfianças e lacunas. Essa escolha aproxima o romance da vida cotidiana e evita personagens que parecem ter saído de um manual de literatura e desembarcado diretamente na página.


9. Machado de Assis aparece como influência sem virar fantasia de imitador
A ironia e a recusa de absolver os personagens aproximam o romance "O Pai, a Faca e o Beijo" da tradição machadiana. A referência está no prazer de observar seres humanos cometendo erros enquanto encontram excelentes justificativas para continuar cometendo os mesmos erros. O resultado é uma narrativa que desconfia das versões oficiais de todos aos fatos que vivem, inclusive daquela contada pelo próprio protagonista.


10. Romance se recusa a entregar a catarse que o leitor espera
"O Pai, a Faca e o Beijo" cria expectativas de reconciliação, redenção e libertação, mas não oferece nenhuma garantia de que isso vá acontecer. Thiago Sobral afirma que a literatura depende da cumplicidade do leitor e afirma que uma mesma narrativa pode produzir histórias diferentes a cada leitura. Diferentes leitores podem querer salvar Santiago, condená-lo, compreendê-lo ou simplesmente mandar todo mundo para terapia, uma alternativa que, infelizmente, não parece estar disponível no universo do livro.

Serviço | Lançamento de "O Pai, a Faca e o Beijo", de Thiago Sobral

Casa das Culturas de Santos
Sábado, dia 5 de setembro, às 16h00
Rua Sete de Setembro, 49 - Vila Nova / Santos

Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Domingo, dia 6 de setembro, às 14h00
Estande K45 da Editora Pauá

terça-feira, 1 de setembro de 2026

.: Musical "Percy Jackson - O Ladrão de Raios" promete superprodução


Musical inspirado na obra de Rick Riordan estreia em outubro, em São Paulo, com centauro animatrônico, 60 figurinos, 3 toneladas de cenário e elenco que reúne João Lucas, Marianna Alexandre, Fernando Caruso e Caio Paduan

Prepare os deuses, os semideuses e principalmente os fãs de Percy Jackson. O universo criado pelo escritor Rick Riordan ganha a primeira montagem autorizada na América Latina com "Percy Jackson - O Ladrão de Raios: O Musical", que estreia no dia 10 de outubro, no Teatro Liberdade, em São Paulo. Sucesso nos palcos da Broadway e do West End, o espetáculo combina mitologia grega, humor, rock e aventura para contar a história de Percy, adolescente que descobre ser filho de Poseidon e, de quebra, recebe a pequena tarefa de impedir uma guerra entre os deuses do Olimpo. Nada muito complicado para quem ainda está tentando sobreviver à adolescência. 

O elenco brasileiro reúne João Lucas como Percy Jackson, Marianna Alexandre no papel de Annabeth Chase, Fernando Caruso como Sr. D e Caio Paduan interpretando Poseidon. A direção-geral é de Daniel Salve e a direção musical, de Rafael Marão. A versão brasileira chega pelas mãos da Lab Cultural, responsável pela adaptação e pela montagem oficial em português. A produção promete números robustos: são mais de três toneladas de cenário, 18 atores em cena, 60 figurinos e 15 perucas. E a mitologia ganha reforço tecnológico. Entre as atrações estão um centauro animatrônico criado e operado ao vivo, efeitos de ilusionismo desenvolvidos especialmente para a montagem e um sistema de projeção com 60 mil lumens de potência visual.

A história de Percy Jackson já conquistou leitores, espectadores e uma legião de fãs ao redor do mundo. A franquia também ganhou novo fôlego com a série do Disney+, cuja segunda temporada estreou no fim de 2025. O Brasil, por sua vez, ocupa a segunda posição entre as maiores bases de fãs da saga. Nos palcos, a aventura começou nos Estados Unidos em 2014, em uma produção off-Broadway. Em 2017, o musical chegou à Broadway, recebeu elogios da crítica e foi indicado ao Drama Desk Award. Em 2024, a produção desembarcou no West End, em Londres, onde também conquistou a crítica e passou a integrar uma turnê internacional.

Adaptado do best-seller de Rick Riordan por Joe Tracz, roteirista de Be More Chill, o musical conta ainda com uma trilha de rock assinada por Rob Rokicki. O resultado coloca deuses, monstros e adolescentes em uma mesma equação — combinação que, convenhamos, dificilmente poderia terminar em paz. "Poucas histórias conseguem unir de forma tão poderosa o imaginário dos livros, a emoção das telas e a energia do palco. Percy Jackson faz isso com verdade e sensibilidade — despertando o desejo por conhecimento, imaginação e pertencimento. Ver essa jornada chegar aos palcos brasileiros é celebrar o poder da arte de emocionar, formar e conectar gerações", afirma José Toro, CEO da Lab Cultural.

Com direção-geral de Daniel Salve, "Percy Jackson - O Ladrão de Raios: O Musical" chega a São Paulo apresentado pelo Ministério da Cultura e pela Bradesco Seguros, com patrocínio master da farmacêutica EMS, apoio da BOSCH e Rio Branco, GOL como companhia aérea oficial e Apê Smart como hotelaria oficial. A produção também conta com apoio de mídia de Omelete, Terra, Uol, Cena Musical, ASR Mídia, Zanzar e Editora Intrínseca. Compre os livros de Rick Riordan neste link.


Serviço
"Percy Jackson - O Ladrão de Raios: O Musical"
Local: Teatro Liberdade
Rua São Joaquim, nº 129 - Liberdade - São Paulo
Abertura da casa: 1 hora antes do início do evento
Data: a partir de 10 de outubro de 2026
Duração: 2 horas
Classificação: livre
Ingressos on-line pelo site oficial de vendas. Ingressos físicos na bilheteria do Teatro Liberdade serão vendidos de terça a sábado, das 13h00 às 19h00. Domingos e feriados, apenas em dias de espetáculo, das 13h00 até o início da apresentação. Em dias de espetáculos, a bilheteria permanece aberta até o início da apresentação.

.: No teatro J. Safra, "Os Perrengues do Mallandro" leva histórias inéditas


Sérgio Mallandro revisita situações inusitadas da carreira e do cotidiano em espetáculo de stand-up que acontece no dia 12 de setembro, em São Paulo

Sérgio Mallandro sabe que uma boa história, quando cai nas mãos certas, pode virar gargalhada. Em "Os Perrengues do Mallandro", o humorista reúne relatos inéditos e situações curiosas da própria trajetória para transformar carreira, cotidiano e alguns perrengues em matéria-prima para o humor. Conhecido por bordões que atravessaram gerações, ele chega ao Teatro J. Safra disposto a mostrar que ainda tem muita história para contar. E quem conhece o personagem sabe: provavelmente alguma delas envolve uma pegadinha.

A popularidade do humorista ganhou força nos anos 1980, quando ele integrou o elenco de "Show de Calouros". Depois, assumiu o comando de programas infantis que fizeram história, entre eles "Oradukapeta", atração que apresentou o impagável quadro "Porta dos Desesperados". No cinema, Sérgio Mallandro também deixou sua marca. Ele estrelou "Lua de Cristal" (1990), ao lado de Xuxa Meneghel, e "Inspetor Faustão e o Mallandro" (1991). A trajetória inclui ainda as famosas pegadinhas e um estilo acelerado que se tornou sua assinatura.

Agora, nos palcos, o humorista conversa com uma nova geração por meio do stand-up comedy e também do trabalho como podcaster. Em "Os Perrengues do Mallandro", ele revisita episódios da carreira e do dia a dia para compartilhar com o público os bastidores geralmente bem-humorados de uma vida dedicada ao entretenimento.


Serviço
"Os Perrengues do Mallandro", com Sérgio Mallandro
Data: 12 de setembro, sábado, às 20h00
Duração: 80 minutos
Gênero: stand-up comedy
Classificação: 14 anos
Ingressos: a partir de R$ 60
Compras on-line: Teatro J. Safra – ingressos para "Os Perrengues do Mallandro"
Bilheteria: quartas e quintas: das 14h00 às 21h00. Sextas, sábados e domingos: das 14h00 até o horário dos espetáculos
A bilheteria aceita cartões de débito e crédito Amex, Dinners, Elo, Mastercard, Visa e Hipercard. Não aceita cheques.
Telefone: (11) 3611-3042

Teatro J. Safra
Capacidade: 627 lugares
Endereço: Rua Josef Kryss, 318 – Barra Funda – São Paulo (SP)
Telefones: (11) 3611-3042 e (11) 3611-2561
A casa abre duas horas antes de cada espetáculo, com serviço de lounge-bar no saguão do teatro.
Acessibilidade: para pessoas com deficiência física
Estacionamento: Valet Service, no estacionamento próprio do teatro – R$ 30

.: "O Tardio" leva Maurício Melo Júnior à Bienal com viagem pelo Brasil de 1970


Quarto romance do escritor transforma uma busca familiar em uma jornada por memória, contracultura e liberdade durante a ditadura militar


O escritor Maurício Melo Júnior participa da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo com "O Tardio", quarto romance da trajetória dele, publicado pela Editora Rua do Sabão. O autor estará no estande da Martins Fontes, junto à editora, em 4 de setembro, às 18h30, para uma sessão de autógrafos. Ambientado no Brasil dos anos 1970, durante o período mais duro da ditadura militar, o romance acompanha Sérgio, um advogado pernambucano cuja vida previsível sofre uma reviravolta depois da morte de um parente.

O acontecimento faz reaparecer uma história familiar pouco comentada: a de Roberto, irmão mais velho de Sérgio, morto anos antes. O passado que parecia convenientemente arquivado começa a ganhar novas páginas quando Sérgio encontra cartões-postais escritos pelo irmão durante suas viagens. É por meio dessas mensagens que ele decide refazer os caminhos de Roberto. No final dos anos 1970, o personagem havia deixado a casa dos pais e escolhido uma vida distante dos padrões familiares, tornando-se hippie ao lado de Caliandra.

A investigação leva Sérgio por diferentes regiões brasileiras e transforma a procura pelo irmão em uma jornada de descobertas. Conforme passado e presente se aproximam, o protagonista passa a rever escolhas, desejos e certezas que pareciam tão sólidas quanto uma repartição pública numa segunda-feira de manhã. "O Tardio" combina memória familiar e contexto histórico para acompanhar uma geração que buscava novas formas de viver em um país submetido à repressão. A viagem de Sérgio também se transforma numa reflexão sobre liberdade, pertencimento e as consequências das escolhas feitas — ou adiadas. Compre o livro "O Tardio", de Maurício Melo Júnior, neste link.


Sobre o autor
Maurício Melo Júnior
é escritor, jornalista, crítico literário e documentarista. Pernambucano radicado em Brasília, formou-se em Comunicação Social e possui pós-graduação em Economia e Ciência Política. Atuou em veículos como o "Correio Braziliense" e há 25 anos apresenta o programa "Leituras", da TV Senado. Também assina resenhas literárias para o jornal "Rascunho" e é colaborador da revista literária "Pernambuco". É autor de romances, contos, crônicas e livros infantojuvenis. Ao todo, já escreveu 35 livros. Como documentarista, dirigiu mais de 20 filmes e também escreveu para o teatro. Compre os livros de Maurício Melo Júnior neste link.


Serviço
Maurício Melo Júnior na 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Dia 4 de setembro de 2026, sexta-feira, às 18h30
Estande da Martins Fontes, com a Editora Rua do Sabão - F88
Distrito Anhembi - Pavilhão de Exposições
Av. Olavo Fontoura, 1209 - Santana / São Paulo

.: "Dias de Trovão" acelera em sequência com Tom Cruise e Anne Hathaway


Produção que resgata Cole Trickle quase quatro décadas depois do filme de 1990 será dirigida por Jonathan Levine e terá cenas pensadas para IMAX

Quase quatro décadas depois de colocar Tom Cruise atrás do volante de um carro da Nascar, o filme "Dias de Trovão" está pronto para voltar às pistas. A Paramount confirmou oficialmente a sequência do filme de 1990, novamente com Cruise no papel de Cole Trickle e Anne Hathaway como a nova protagonista feminina. A estreia está prevista para 2 de junho de 2028. 

A produção terá direção de Jonathan Levine, responsável por "Meu Namorado é um Zumbi" e "Casal Improvável". Cruise também assume a produção ao lado de Jerry Bruckheimer e Tommy Harper. Bruckheimer, aliás, retorna à franquia décadas depois de participar do primeiro filme e reforça a ligação com a trajetória cinematográfica do astro.

Ainda cercada por mistério, a trama terá Hathaway como uma engenheira e proprietária de uma equipe de corrida. A personagem será uma novidade no universo de Cole, que volta às pistas depois de uma longa pausa. Os detalhes do roteiro permanecem guardados a sete chaves, mas a combinação de um piloto veterano e uma mulher que comanda uma equipe promete mudar a dinâmica da história original.


De volta à velocidade
No filme de 1990, Cruise interpreta Cole Trickle, jovem piloto talentoso, impulsivo e bastante convencido de que nasceu para vencer. Ele recebe a oportunidade de competir na principal categoria da Nascar e passa a contar com a experiência de Harry Hogge, vivido por Robert Duvall, para transformar velocidade e arrogância em habilidade de verdade.

A grande rivalidade acontece com Rowdy Burns, personagem de Michael Rooker. Depois de um grave acidente envolvendo os dois pilotos, Cole precisa lidar com o medo de voltar a correr e encontra apoio na neurocirurgiã Claire Lewicki, interpretada por Nicole Kidman. O romance entre os personagens divide espaço com corridas, egos inflados e uma boa dose de adrenalina.

A história culmina na tradicional Daytona 500, quando Cole precisa provar que amadureceu e enfrentar um novo adversário nas pistas. A fórmula pode até parecer familiar, mas a mistura de automobilismo, romance, rivalidade e o magnetismo de Cruise ajudou "Dias de Trovão" a conquistar seu espaço entre os filmes cult ligados às corridas.


Uma produção que saiu do controle
O primeiro "Dias de Trovão" também ficou conhecido pelo tamanho da operação nos bastidores. As filmagens começaram em 1989 e passaram por diferentes autódromos utilizados pela Nascar. Para conseguir imagens mais realistas, a equipe espalhou câmeras pelas pistas e chegou a colocar carros da produção em corridas reais. Dezenas de veículos foram utilizados e destruídos durante o processo.

Os problemas de produção fizeram o orçamento subir consideravelmente. A estimativa inicial de aproximadamente US$ 35 milhões teria chegado a algo próximo de US$ 60 milhões, em meio a atrasos, refilmagens e mudanças constantes no roteiro. Apesar das críticas pouco entusiasmadas na época, o filme conseguiu uma respeitável carreira comercial. Foram cerca de US$ 157,9 milhões arrecadados mundialmente, diante de um orçamento estimado em US$ 60 milhões. Com o passar dos anos, a produção ganhou status cult, especialmente entre admiradores de automobilismo e fãs de Cruise.


O romance que atravessou as pistas
"Dias de Trovão" ainda tem um capítulo particularmente curioso na história de Hollywood. Foi durante as filmagens que Tom Cruise e Nicole Kidman se conheceram. Os dois começaram um relacionamento, casaram-se em dezembro de 1990 e permaneceram juntos até 2001. Kidman, então no início da carreira internacional, interpretou Claire Lewicki e voltaria a dividir o elenco com Cruise em "Um Sonho Distante" e "De Olhos Bem Fechados". Ou seja: além de acelerar carros, "Dias de Trovão" também colocou em movimento um dos casamentos mais conhecidos de Hollywood nos anos 1990.

A escolha de Anne Hathaway, porém, já provocou uma reação nada discreta. Randy Quaid, que integrou o elenco do filme original, criticou publicamente a escalação da atriz e afirmou que Nicole Kidman seria uma escolha mais adequada para contracenar com Cruise na sequência. Em declaração publicada nas redes sociais, Quaid atacou o perfil político de Hathaway e associou a atriz ao movimento "woke", alegando que ela não corresponderia ao público ligado a "Dias de Trovão" e à Nascar. 

O comentário também defendeu um eventual retorno de Kidman à franquia. A opinião do ator, naturalmente, está longe de representar uma decisão oficial da produção. Hathaway já está confirmada no elenco, enquanto Kidman não foi anunciada para a sequência.


Nostalgia monetizada
A estratégia da Paramount lembra uma receita que já deu muito certo para Tom Cruise. Depois de décadas, "Top Gun: Maverick" mostrou que uma continuação tardia pode transformar nostalgia em fenômeno cinematográfico. Agora, "Dias de Trovão" tenta repetir a dose, trocando os caças por carros de corrida.

A nova produção será filmada para IMAX e também está prevista para formatos como Dolby Cinema e 4DX. A ideia é transformar as corridas em um espetáculo de grande escala e colocar o público novamente ao lado de Cole Trickle, agora diante de uma Nascar bastante diferente daquela que encontrou em 1990.

.: "Teatro em Três Pernas" transforma 40 anos de palco em poesia na Bienal


Marcelo Lazzaratto reúne quatro décadas de teatro em 40 poemas e participa de sessão de autógrafos neste sábado, 5 de setembro, na 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Foto: João Caldas

Quarenta anos de teatro cabem em um livro? Marcelo Lazzaratto decidiu testar a possibilidade e chegou a uma resposta em 40 poemas breves. Ator, diretor, dramaturgo, pesquisador e professor Livre-Docente do Instituto de Artes da Unicamp, ele estreia na poesia com "Teatro em Três Pernas", publicado pela Editora Patuá. A obra será apresentada ao público durante a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, com sessão de autógrafos marcada para sábado, 5 de setembro, às 14h00, no estande K45 da Editora Patuá.

Organizado em cinco atos, o livro transforma em poesia elementos que acompanham a trajetória de Lazzaratto nos palcos: ensaios, bastidores, processos de criação, pesquisa, presença, tempo e percepção. O teatro aparece como matéria-prima, mas a palavra ganha espaço próprio. Fundador e diretor artístico da Cia. Elevador de Teatro Panorâmico e criador do sistema improvisacional Campo de Visão, Lazzaratto leva para os poemas o olhar construído em quatro décadas de convivência com a cena. A síntese também aproxima a obra da tradição do haicai, com atenção ao instante e à força da imagem. 

O resultado é um livro que condensa uma extensa experiência artística em textos curtos, alguns poéticos, outros bem-humorados, mantendo a inquietação característica de quem passou boa parte da vida investigando o que acontece quando um corpo ocupa um palco e uma palavra encontra alguém disposto a ouvi-la. A apresentação de "Teatro em Três Pernas" é assinada por Welington Andrade, editor da Revista Cult e crítico teatral. Ele estará ao lado do autor durante um bate-papo na data do lançamento. Compre o livro "Teatro em Três Pernas", de Marcelo Lazzaratto, neste link.


Sobre o autor
Marcelo Lazzaratto é ator, diretor, dramaturgo, pesquisador e professor Livre-Docente do Instituto de Artes da Unicamp. Fundador e diretor artístico da Cia. Elevador de Teatro Panorâmico, criou o sistema improvisacional Campo de Visão, referência na pesquisa sobre coralidade, alteridade e presença cênica. Ao longo de quatro décadas de carreira, dirigiu e atuou em espetáculos como "O Jardim das Cerejeiras", "Ricardo III", "A Grande Magia", "Tebas", "Ifigênia" e "O Outro Borges". É autor dos livros "Campo de Visão: Exercício e Linguagem Cênica", "Campo de Visão: um Exercício de Alteridade" e "Arqueologia de um Ator. "Teatro em Três Pernas" marca sua estreia na poesia. Compre os livros de Marcelo Lazzaratto neste link.

Serviço
Sessão de autógrafos | "Teatro em Três Pernas" | Autor: Marcelo Lazzaratto
Dia 5 de setembro de 2026, sábado, às 14h00
28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Estande: K45 – Editora Patuá
Endereço: Distrito Anhembi – Avenida Olavo Fontoura, 1209 – Santana – São Paulo/SP

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