Thiago Sobral é escritor. Também publica semanalmente no Substack. É autor do livro "O Pai, a Faca e o Beijo", publicado pela Editora Patuá.
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quinta-feira, 8 de outubro de 2026
.: Se fosse antes do Pix… …todo mundo tinha, eu até achava no chão
Thiago Sobral é escritor. Também publica semanalmente no Substack. É autor do livro "O Pai, a Faca e o Beijo", publicado pela Editora Patuá.
.: "Um Espírito Baixou em Mim" junta Steve Martin e Lily Tomlin no mesmo corpo
Comédia de Carl Reiner transforma uma tentativa de transferência de alma em um duelo físico entre dois personagens incompatíveis e marca a última parceria do diretor com Steve Martin
Ficha técnica
Gênero: comédia e fantasia. Duração: 93 minutos. Classificação indicativa no Brasil: 14 anos. Ano de produção: 1984. Data de lançamento: 21 de setembro de 1984 nos Estados Unidos. Idioma: inglês. Direção:Carl Reiner. Roteiro: Phil Alden Robinson e Henry Olek, baseado no romance "Me Two", de Edwin Davis. Elenco: Steve Martin, Lily Tomlin, Victoria Tennant, Madolyn Smith Osborne, Richard Libertini, Dana Elcar, Jason Bernard, Selma Diamond, Eric Christmas, Gailard Sartain, Neva Patterson, Michael Ensign e Peggy Feury. Distribuição no Brasil: Belas Artes à La Carte. Cenas pós-créditos: não há cena pós-créditos, porém há uma sequência musical durante os créditos finais. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.
quarta-feira, 7 de outubro de 2026
.: “As Cores do Tempo” recupera uma história de família para aproximar 1895 de 2025
Filme de Cédric Klapisch chega à Reserva Imovision depois de passagem pelos cinemas brasileiros e pelo 2º Festival de Cinema Europeu Imovision
Gênero: comédia dramática, drama e romance. Duração: 124 minutos. Classificação indicativa: 14 anos - contém conteúdo sexual, drogas e nudez. Ano de produção: 2025. Data de lançamento no Brasil: 30 de julho de 2026 nos cinemas. Idioma: francês. Direção: Cédric Klapisch. Roteiro: Cédric Klapisch e Santiago Amigorena. Elenco: Suzanne Lindon, Abraham Wapler, Vincent Macaigne, Julia Piaton, Zinedine Soualem, Paul Kircher, Vassili Schneider, Sara Giraudeau, Cécile de France, Olivier Gourmet, Claire Pommet (Pomme), Fred Testot, François Berléand, Philippine Leroy-Beaulieu, entre outros. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.
Assine a Reserva Imovision, a maior plataforma de filmes independentes da América Latina
A equipe do portal Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. Você pode assinar a plataforma de streaming Reserva Imovision neste link.
.: Drama "Julgamento em Nuremberg”: a Justiça como instrumento de um regime
Com Spencer Tracy, Burt Lancaster, Richard Widmark, Marlene Dietrich, Montgomery Clift e Maximilian Schell, clássico de Stanley Kramer revisita o julgamento de magistrados nazistas e coloca a própria ideia de Justiça no banco dos réus
Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.
O streaming Belas Artes À La Carte recebe “Julgamento em Nuremberg”, clássico dirigido por Stanley Kramer em 1961, um dos grandes dramas judiciais do cinema americano e uma produção que reuniu Spencer Tracy, Burt Lancaster, Richard Widmark, Marlene Dietrich, Montgomery Clift, Maximilian Schell e Judy Garland. Inspirado no chamado “Julgamento dos Juízes”, realizado em Nuremberg depois da Segunda Guerra Mundial, o filme desloca a atenção dos grandes líderes nazistas para homens que ajudaram a transformar a Justiça alemã em instrumento de perseguição. A questão que move a narrativa continua incômoda: o que acontece quando a lei passa a servir ao poder em vez de proteger o indivíduo?
Na trama, o juiz americano Dan Haywood, interpretado por Spencer Tracy, chega à Alemanha ocupada para presidir o julgamento de quatro magistrados acusados de colaborar com o regime nazista. O processo coloca frente a frente o promotor Tad Lawson, vivido por Richard Widmark, e o advogado de defesa Hans Rolfe, papel de Maximilian Schell, enquanto depoimentos e provas revelam como decisões tomadas dentro dos tribunais contribuíram para legitimar esterilizações, perseguições raciais e assassinatos. O filme se passa em 1948, um ano depois do julgamento histórico que serviu de base ao roteiro, alteração feita por Abby Mann para incorporar ao drama o clima da Guerra Fria e a crescente pressão política por uma reaproximação com a Alemanha.
É nessa distância entre a letra da lei e a responsabilidade de quem a aplica que Stanley Kramer concentra sua força. “Julgamento em Nuremberg” não se limita a reconstruir um episódio histórico. O roteiro de Abby Mann, vencedor do Oscar, pergunta até onde pode ir a obediência de um funcionário do Estado e em que momento seguir uma ordem, uma norma ou uma legislação deixa de ser uma justificativa. A Biblioteca do Congresso, ao incluir o filme no National Film Registry em 2013, destacou justamente essa dimensão: a produção amplia o debate sobre os responsáveis pela administração da Justiça e sobre o dever de preservar direitos humanos mesmo quando eles entram em choque com interesses nacionais.
O elenco transforma esse embate jurídico em matéria dramática de primeira grandeza. Spencer Tracy conduz a história com uma atuação contida como o juiz Haywood, enquanto Maximilian Schell imprime ao advogado Hans Rolfe uma combinação de inteligência, agressividade e convicção. Schell havia interpretado o mesmo personagem na versão televisiva de “Judgment at Nuremberg”, exibida pelo programa “Playhouse 90”, da CBS, em 1959, e acabou permanecendo no papel mesmo depois de Marlon Brando manifestar interesse em assumir a função. A escolha se mostrou decisiva: Schell ganhou o Oscar de Melhor Ator.
Montgomery Clift e Judy Garland aparecem em momentos particularmente dolorosos do julgamento. Clift interpreta Rudolph Petersen, testemunha cuja experiência revela a violência praticada pelo sistema nazista, enquanto Garland vive Irene Hoffmann, personagem que presta um depoimento devastador. O filme ainda reserva a Marlene Dietrich uma presença de enorme força como Madame Bertholt, viúva de um general alemão executado por crimes de guerra. A atriz chegou a ter dificuldades para realizar uma das cenas porque discordava profundamente da ideia defendida por sua personagem sobre a suposta ignorância dos civis alemães em relação às atrocidades cometidas durante a guerra.
Uma das cenas mais lembradas pertence a Spencer Tracy. O discurso final do juiz Haywood dura cerca de 11 minutos e foi filmado em uma única tomada, com câmeras posicionadas simultaneamente para garantir a cobertura necessária. A decisão de Kramer preservou a continuidade da atuação e evitou interromper a concentração do protagonista. O resultado é uma das passagens mais emblemáticas do filme e demonstra por que o trabalho de Tracy permanece no centro da memória de “Julgamento em Nuremberg”.
A produção também incorporou imagens reais dos crimes cometidos nos campos de concentração. A Biblioteca do Congresso chama atenção para os cerca de sete minutos de material documental inseridos no filme, recurso que aproxima a ficção das provas históricas apresentadas dentro do tribunal. Essa combinação entre representação dramática e imagens documentais ajudou a dar ao julgamento uma dimensão particularmente perturbadora para o público de 1961.
A liberdade tomada pelo roteiro em relação aos acontecimentos históricos é considerável. O julgamento real dos juízes ocorreu em 1947 e teve 16 acusados, enquanto Abby Mann condensou a história em quatro réus e combinou características de diferentes figuras históricas. A mudança para 1948 também permitiu que a narrativa incorporasse o golpe comunista na Tchecoslováquia e a tensão crescente entre Estados Unidos e União Soviética. O AFI Catalog registra a origem do projeto no telefilme exibido em 1959 e a posterior adaptação de Mann para o cinema.
Essa dimensão de reconstrução histórica ajuda a compreender por que o filme permanece tão discutido. Bosley Crowther, do “The New York Times”, reconheceu na época a força do trabalho de Kramer e observou que a produção conseguia dizer muito sobre uma questão que continuava a exigir atenção. Décadas depois, o “Los Angeles Times” voltou a destacar o desempenho de Tracy e a maneira como o roteiro de Mann transformava a memória dos crimes nazistas em um conflito moral e jurídico.
“Julgamento em Nuremberg” também carrega uma curiosidade cinematográfica rara: Maximilian Schell venceu o Oscar de Melhor Ator embora apareça apenas como o quinto nome na ordem dos créditos principais. O filme recebeu 11 indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme, Direção, Ator para Spencer Tracy, Ator Coadjuvante para Montgomery Clift e Atriz Coadjuvante para Judy Garland, além de categorias técnicas. As duas estatuetas foram para Schell e Abby Mann.
O reconhecimento institucional veio muitos anos depois. Em 2013, a Biblioteca do Congresso selecionou “Judgment at Nuremberg” para preservação no National Film Registry, que reúne obras consideradas cultural, histórica ou esteticamente significativas para o cinema dos Estados Unidos. A escolha reforça a permanência de um filme que nasceu ligado a um acontecimento específico, mas encontrou no tribunal uma maneira de discutir algo muito maior: a responsabilidade individual quando instituições inteiras decidem obedecer ao poder.
Ficha técnica
“Julgamento em Nuremberg” | “Judgment at Nuremberg” (título original)
Gênero: guerra, histórico e drama jurídico. Duração: 186 minutos. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 1961. Data de lançamento: 14 de dezembro de 1961. Idioma: inglês e alemão. Direção: Stanley Kramer. Roteiro: Abby Mann. Elenco: Spencer Tracy, Burt Lancaster, Richard Widmark, Marlene Dietrich, Montgomery Clift, Maximilian Schell, Judy Garland, William Shatner, Werner Klemperer, Torben Meyer e Martin Brandt. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.
A equipe do portal Resenhando.com acompanha parte da cobertura cinematográfica por meio da Belas Artes À La Carte, plataforma brasileira dedicada ao cinema de arte, clássicos e produções premiadas de diferentes países. Criado pelo grupo responsável pelo tradicional cinema Belas Artes, em São Paulo, em parceria com a Pandora Filmes, o serviço reúne um catálogo com curadoria especializada, incluindo obras raras, títulos restaurados e destaques de festivais internacionais. Para acessar o catálogo completo, conferir os lançamentos semanais e realizar a assinatura, basta acessar o site ou aplicativo da plataforma. Os planos têm valores acessíveis, com opção mensal e anual, além de locação avulsa para títulos específicos. Você pode assinar o Belas Artes À La Carte neste link.
terça-feira, 6 de outubro de 2026
.: Doc “Orlando, Minha Biografia Política” é Virginia Woolf em carta sobre gênero
Filme de Paul B. Preciado chega à Reserva Imovision quase um século depois de Virginia Woolf criar Orlando e reúne 26 pessoas trans e não binárias para reinventar o personagem
Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.
Em 1928, Virginia Woolf publicou “Orlando”, romance em que o personagem principal muda de sexo no decorrer da história e atravessa diferentes épocas sem envelhecer da maneira convencional. Quase um século depois, o filósofo, escritor e ativista trans Paul B. Preciado responde à autora com cinema. Em “Orlando, Minha Biografia Política”, ele escreve uma carta filmada para Woolf e avisa que seu personagem saiu das páginas do livro para ganhar corpo, voz e experiências no mundo contemporâneo.
A produção francesa, que chega à plataforma de streaming Reserva Imovision, foi o primeiro filme dirigido por Preciado e construiu uma trajetória de destaque no circuito internacional de festivais. Em 2023, na Berlinale, recebeu o Teddy Award de Melhor Documentário, o Prêmio Especial do Júri da mostra Encounters, além de outras distinções. No Brasil, também conquistou o Prêmio Félix de Melhor Documentário no Festival do Rio e o Prêmio do Público de Melhor Longa-Metragem Internacional no Festival MixBrasil.
A ideia surgiu de uma proposta da ARTE France, rede pública de televisão e mídia franco-alemã, inicialmente interessada em um documentário sobre a trajetória de Preciado. Ele recusou fazer uma autobiografia convencional e sugeriu uma adaptação de “Orlando: Uma Biografia”, de Virginia Woolf. A brincadeira acabou virando filme. A partir daí, Preciado organiza um teste de elenco e reúne 26 pessoas trans e não binárias, de oito a 70 anos, para interpretar Orlando.
O personagem deixa de pertencer a uma única pessoa e passa a existir em diferentes corpos, idades e experiências. Entre os participantes estão o próprio Preciado, Oscar S. Miller, Janis Sahraoui, Liz Christin, Elios Levy, Victor Marzouk, Kori Ceballos, Vanasay Khamphommala, Ruben Rizza, Julia Postollec, Amir Baylly, Naëlle Dariya, Jenny Bel'Air, Emma Avena, Lillie, Arthur, Eleonore, La Bourette, Noam Iroual, Iris Crosnier e Clara Deshayes.
O resultado mistura documentário, reconstituição, performance, autobiografia e adaptação literária. Em vez de simplesmente ilustrar o romance, Preciado cria uma relação direta entre a experiência de Orlando e as histórias daqueles que o interpretam. Os participantes falam de suas próprias vidas, enquanto também assumem as palavras e situações do personagem criado por Woolf.
É nessa combinação que o filme encontra sua personalidade. A literatura aparece como ponto de partida, mas as experiências contemporâneas modificam o sentido do personagem. As vozes individuais formam uma espécie de Orlando coletivo, capaz de conectar questões de identidade, gênero, corpo, documentação, psiquiatria, memória e reconhecimento social. O filme também recupera imagens e referências históricas relacionadas às experiências de pessoas trans ao longo do século XX. Preciado amplia, assim, a dimensão temporal do romance de Woolf: o Orlando que atravessa os séculos deixa de ser apenas uma invenção literária e passa a funcionar como uma figura capaz de reunir diferentes histórias de transformação.
A relação com Virginia Woolf permanece no centro da proposta. “Orlando” foi publicado em 1928 e acompanha um aristocrata inglês que, depois de viajar à Turquia, acorda transformado em mulher. A personagem continua vivendo ao longo dos séculos, enquanto o romance brinca com identidade, tempo, literatura e convenções sociais. Preciado parte justamente dessa liberdade para construir sua própria leitura do livro.
No filme, a separação entre depoimento e representação também perde importância. Uma pessoa pode falar de sua própria experiência e, no instante seguinte, assumir Orlando. A literatura se mistura à vida cotidiana; referências históricas convivem com situações atuais; a teatralidade divide espaço com relatos pessoais. O dispositivo deixa evidente que a identidade também pode ser narrada, encenada, reinventada e questionada.
Essa escolha aproxima “Orlando, Minha Biografia Política” de uma tradição de cinema ensaístico em que o realizador usa a própria experiência para investigar uma questão coletiva. Preciado, porém, desloca o centro da autobiografia. Sua história está presente, mas Orlando pertence a muitas pessoas. O filme ganha força justamente quando deixa de procurar uma única trajetória capaz de representar todas as outras.
A produção também chama atenção pela maneira como evita transformar uma discussão complexa em um documentário de formato convencional. O humor, a performance e a teatralidade convivem com assuntos como violência, patologização, transição de gênero e reconhecimento legal. A proposta nasceu de Virginia Woolf, mas chega a questões que pertencem diretamente ao presente.
A recepção internacional acompanhou a singularidade do projeto. Além dos prêmios conquistados em Berlim, “Orlando, Minha Biografia Política” passou por festivais como Toronto, Nova York, San Sebastián, Karlovy Vary, IDFA e Festival do Rio. O filme também foi exibido no Festival Varilux de Cinema Francês e entrou no circuito brasileiro em julho de 2024, distribuído pela Filmes do Estação. A provocação continua a mesma: quase cem anos depois de Woolf imaginar um Orlando capaz de mudar de sexo e atravessar os séculos, quantas outras formas esse personagem pode assumir?
“Orlando, Minha Biografia Política” parte de uma personagem literária para discutir pessoas reais. Paul B. Preciado transforma a carta destinada a Virginia Woolf em um filme coletivo, no qual literatura e experiência pessoal se encontram para atualizar uma personagem que continua encontrando novos corpos para existir.
Ficha técnica
“Orlando, Minha Biografia Política” | “Orlando, ma biographie politique” (título original)
Gênero: documentário, docuficção, cinema de arte. Duração: 98 minutos. Classificação indicativa: 14 anos - contém linguagem imprópria, nudez e temas sensíveis. Ano de produção: 2023. Idioma: Francês. Direção e roteiro: Paul B. Preciado Elenco: Paul B. Preciado, Oscar S. Miller, Janis Sahraoui, Liz Christin, Elios Levy, Victor Marzouk, Kori Ceballos, Vanasay Khamphommala, Ruben Rizza, Julia Postollec, Amir Baylly, Naëlle Dariya, Jenny Bel'Air, Emma Avena, Lillie, Arthur, Eleonore, La Bourette, Noam Iroual, Iris Crosnier, Clara Deshayes, Castiel Emery, Tristana Gray Martyr, Le Filip, Miss Drinks, Frédéric Pierrot, Nathan Callot, Pierre et Gilles, Tom Dekel, Virginie Despentes, Rilke & Pompom. Cenas pós-créditos: Não há indicação de cenas pós-créditos. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.
Assine a Reserva Imovision, a maior plataforma de filmes independentes da América Latina
A equipe do portal Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. Você pode assinar a plataforma de streaming Reserva Imovision neste link.
.: Streaming: “Solitário” invade o campo irlandês e faz o medo bater à porta
Drama dirigido por Eamonn Murphy acompanha fazendeiro viúvo cuja rotina muda depois que sua casa é invadida; produção independente foi totalmente financiada pelos próprios realizadores
Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.
Gênero: drama. Duração: 86 minutos. Classificação indicativa: não informada para o lançamento brasileiro. Ano de produção: 2025. Data de lançamento: 11 de julho de 2025, na Irlanda; data de estreia no Brasil no Belas Artes à La Carte não localizada em fonte pública confiável. Idioma: inglês. Direção: Eamonn Murphy. Roteiro: Eamonn Murphy. Elenco: Gerry Herbert, Cailum Carragher, Cate Russell, Emmet Kelly, Frances Blackburn, Gerry Cannon, Leanne Bickerdike, Carl Fitzpatrick, Síofra Brogan, Shane G. Casey e Gordon Forbes. Distribuição no Brasil: Belas Artes à La Carte. Cenas pós-créditos: não informadas. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.
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segunda-feira, 5 de outubro de 2026
.: Musical “A Igreja do Diabo” volta com humor, música e boa dose de pecado
Musical inspirado em Machado de Assis retoma a temporada em São Paulo e coloca virtude, vício e hipocrisia no palco em uma comédia pop dirigida por Guilherme Gila. Foto: Pedro Veras
Machado, pecado e música pop
Um musical premiado
Serviço
.: “Grande Sertão: Veredas” revela as faces de Diadorim nas telas e no palco
De Bruna Lombardi a Luiza Lemmertz e Luisa Arraes, as intérpretes de Diadorim encontram maneiras distintas de representar uma das personagens mais complexas de João Guimarães Rosa
Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.
Poucas personagens de “Grande Sertão: Veredas” carregam tantos segredos quanto Diadorim. Companheiro de jagunçagem, amigo de infância e grande amor de Riobaldo, ela atravessa praticamente toda a narrativa escondendo a própria identidade. Para quem lê o romance, a personagem já representa um desafio. Para quem precisa colocá-la em cena, a dificuldade ganha corpo, voz, gesto, figurino e olhar. Ao longo das adaptações da obra de João Guimarães Rosa, diferentes atrizes encontraram suas próprias maneiras de lidar com essa personagem.
Sônia Clara foi Diadorim no primeiro filme, lançado em 1965. Bruna Lombardi assumiu o papel na minissérie da TV Globo de 1985. Décadas depois, Luiza Lemmertz viveu a personagem na montagem teatral e no filme de Bia Lessa, enquanto Luisa Arraes interpretou a personagem no filme de Guel Arraes, lançado em 2024. São interpretações separadas por décadas, linguagens e propostas estéticas. Em comum, todas precisam enfrentar uma personagem cuja identidade permanece deliberadamente em suspensão durante boa parte da história.
Bruna Lombardi encontra Reinaldo
Em 1985, Bruna Lombardi recebeu de Walter Avancini a tarefa de interpretar Diadorim na minissérie de 25 capítulos da TV Globo. Tony Ramos vivia Riobaldo, enquanto Tarcísio Meira e José Dumont interpretavam Hermógenes e Zé Bebelo. A produção foi gravada em locações do sertão mineiro e apostou em uma estrutura grandiosa para levar o romance à televisão. A personagem aparecia principalmente como Reinaldo, nome pelo qual era conhecida entre os jagunços. Diadorim era o nome pelo qual Riobaldo a conhecia, numa relação marcada pela amizade, pela cumplicidade e por um sentimento que o próprio narrador demorava a compreender.
A escolha de Bruna Lombardi também contrariava, de certa maneira, a imagem que a atriz tinha naquele momento. Em entrevista concedida anos depois, ela contou que ficou surpresa com o convite de Avancini e que não compreendia inicialmente o que o diretor havia enxergado nela para o papel. A experiência acabou sendo muito mais profunda do que uma composição de personagem.
Bruna contou que a equipe viveu no sertão durante as gravações e que Avancini buscava um realismo intenso. Para a atriz, permanecer naquele ambiente, sem os confortos habituais, ajudou a compreender Diadorim e o universo de Rosa. Ela definiu aquela experiência como uma “grande viagem da alma”. O resultado entrou para a memória da televisão brasileira. A cena em que Riobaldo descobre a verdadeira identidade de Diadorim, depois da morte da personagem, permanece entre os momentos mais marcantes da minissérie.
Uma personagem que precisava esconder até o corpo
Interpretar Diadorim exige lidar com uma particularidade que vai além do figurino masculino. A personagem precisa convencer os outros personagens e, em boa medida, o próprio leitor, de que é um jagunço. Isso significa construir uma presença que não revele imediatamente o segredo guardado por ela. A questão ganha outra dimensão quando se considera a relação com Riobaldo. O afeto existe, mas não encontra uma forma simples de ser nomeado.
Riobaldo sente desejo, admiração, amizade e amor por alguém que acredita ser um homem. Diadorim, por sua vez, também vive uma relação afetiva marcada por limites, códigos de honra e pela necessidade de manter a própria identidade escondida. Por isso, cada intérprete precisa trabalhar com aquilo que a personagem mostra e com aquilo que precisa esconder. Na televisão de 1985, essa tensão ganhou a dimensão de uma narrativa seriada. O público acompanhava durante 25 capítulos a convivência entre Riobaldo e Reinaldo/Diadorim até chegar à revelação final. No palco, a experiência seria outra.
Luiza Lemmertz encontra a Diadorim de Bia Lessa
Em 2017, Bia Lessa levou Guimarães Rosa ao teatro em uma montagem que misturava encenação, instalação, música e artes visuais. Caio Blat interpretava Riobaldo, enquanto Luiza Lemmertz assumia Diadorim. Luisa Arraes também fazia parte do elenco. A montagem colocava os espectadores em arquibancadas e trabalhava com uma estrutura espacial que fazia do próprio ambiente parte da narrativa. A música de Egberto Gismonti e a cenografia colaboravam para construir uma experiência que não pretendia simplesmente reproduzir o sertão descrito no livro.
Nesse espaço, Luiza Lemmertz encontrou uma Diadorim que precisava existir diante do público sem depender dos recursos de uma produção televisiva. O gesto, a voz, o corpo e a relação com Riobaldo ganhavam outra importância. A experiência com a personagem, porém, não terminaria no palco. Em “O Diabo na Rua no Meio do Redemunho”, filme de Bia Lessa inspirado em “Grande Sertão: Veredas”, Luiza Lemmertz voltou a interpretar Diadorim. A montagem teatral também tem outra particularidade interessante: Luisa Arraes estava no mesmo elenco e, anos depois, interpretaria a personagem em uma adaptação diferente, desta vez no cinema, no “Grande Sertão” de Guel Arraes.
Luisa Arraes vive outra Diadorim
No filme “Grande Sertão”, dirigido por Guel Arraes e lançado em 2024, Luisa Arraes assumiu novamente a personagem. Só que o sertão de Guimarães Rosa já não estava ali da mesma maneira. A produção deslocou a história para uma comunidade periférica urbana, cercada por muros e atravessada por conflitos entre organizações criminosas e forças policiais. Riobaldo continuou sendo interpretado por Caio Blat, que também já havia vivido o personagem na montagem de Bia Lessa. Essa mudança de território altera também a maneira como Diadorim pode ser percebida.
A personagem continua ligada a Riobaldo por uma relação de amizade, desejo e amor. Continua sendo alguém cuja identidade é protegida por um segredo. Continua inserida em uma estrutura de violência e disputa de poder. O que muda é o mundo ao redor dela. Luisa Arraes, portanto, não recebeu apenas a tarefa de interpretar novamente uma personagem conhecida. Precisou encontrar Diadorim dentro de uma adaptação que alterava profundamente o espaço, o tempo e a organização da história.
A mesma atriz, duas experiências
A presença de Luisa Arraes em "O Diabo na Rua no Meio do Redemunho", de Bia Lessa, e em "Grande Sertão", de Guel Arraes, cria uma ponte curiosa entre duas leituras cinematográficas do universo de João Guimarães Rosa. No filme de Bia Lessa, a atriz interpreta Nhorinhá e também Riobaldo jovem, enquanto Luiza Lemmertz assume Diadorim e Caio Blat vive Riobaldo adulto.
Em "Grande Sertão", de Guel Arraes, Luisa Arraes ganha outro papel central: é Diadorim, novamente ao lado de Caio Blat, que interpreta Riobaldo. A mudança de personagem acompanha uma transformação radical na proposta de adaptação. O filme de Guel Arraes desloca a história para um Brasil urbano contemporâneo, no qual a guerra entre jagunços encontra correspondência na violência das grandes cidades.
As duas produções partem de "Grande Sertão: Veredas", mas seguem caminhos próprios. A partir de Bia Lessa, a relação com a obra de Rosa passa pela experiência cênica e pela construção visual de um universo particular. No longa-metragem de Guel Arraes, o romance ganha uma leitura cinematográfica contemporânea, com os conflitos de Riobaldo e Diadorim inseridos em outro território e em outra realidade brasileira. Para Luisa Arraes, o percurso ainda guarda uma particularidade: ela passa de Nhorinhá e do jovem Riobaldo a Diadorim, assumindo diferentes lugares dentro da mesma obra.
Diadorim não termina na revelação
O maior risco ao interpretar Diadorim seja reduzir a personagem ao segredo da identidade dela. A revelação final é fundamental para a narrativa, mas ela não explica sozinha quem é Diadorim. Antes disso, a personagem já demonstrou coragem, lealdade, habilidade para a guerra, capacidade de liderança, dureza e afeto. A identidade escondida interfere em sua trajetória, mas não esgota a personalidade dela, forjando uma complexidade que permite interpretações diferentes.
Na televisão, Bruna Lombardi construiu uma Diadorim marcada pela convivência prolongada com Riobaldo e pela dimensão épica da minissérie. No palco e no filme de Bia Lessa, Luiza Lemmertz encontrou uma personagem inserida numa experiência cênica de grande intensidade física. No filme de Guel Arraes, Luisa Arraes participou de uma releitura que deslocou o universo rosiano para outro Brasil. Nenhuma dessas Diadorins precisa apagar a anterior, já que cada uma pertence ao seu tempo.
Bruna Lombardi também escreveu sobre essa experiência
A relação de Bruna Lombardi com Diadorim não terminou quando as gravações de 1985 chegaram ao fim. Em “Diário do Grande Sertão”, publicado pela Autêntica, a atriz recuperou anotações feitas durante os bastidores da produção. O livro apresenta a experiência de filmar a minissérie, acompanhada de fotografias, desenhos e materiais que ajudam a reconstruir aquele período.
A publicação ganha importância especial dentro das comemorações dos 70 anos de “Grande Sertão: Veredas”, porque permite olhar para a adaptação de 1985 também pelo ponto de vista de quem esteve dentro dela. Bruna não retorna apenas à personagem, mas também ao sertão, à equipe, às filmagens e à experiência de conviver diariamente com um universo que, até então, existia principalmente nas páginas de Guimarães Rosa. É uma espécie de segunda travessia: primeiro, a atriz atravessou o sertão para interpretar Diadorim; décadas depois, voltou àquela experiência pela memória e pela escrita.
Uma personagem que continua mudando
Diadorim sobrevive às adaptações porque não depende de uma única aparência. Sônia Clara, Bruna Lombardi, Luiza Lemmertz e Luisa Arraes encontraram diferentes caminhos para chegar à personagem. A cada nova versão, muda o cenário, muda a linguagem, muda a época e mudam as ferramentas disponíveis para representar aquele universo.
O que permanece é a personagem criada por Guimarães Rosa: alguém que escolheu viver sob uma identidade masculina para escapar do destino reservado às mulheres de seu tempo e que construiu com Riobaldo uma relação que desafia classificações simples. A própria apresentação da personagem na minissérie de 1985 a descrevia como uma mulher que se disfarçava de homem para escapar da condição feminina no sertão. Ela não se entrega inteira de uma vez: nem ao leitor, nem a Riobaldo, nem ao público que a vê no palco ou na tela. Setenta anos depois, ainda existem novas maneiras de olhar para ela.
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.: "Horror Expo Brasil" reúne astros do terror e experiências imersivas em SP
Mark Pellegrino, Eileen Dietz, Douglas Tait e Chris Fehn estão entre os convidados da quinta edição, que acontece nos dias 17 e 18 de outubro, no Expo Barra Funda
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"Baile dos Condenados" fecha cada noite com clima vampiresco
Serviço
.: De Ryûsuke Hamaguchi, “O Mal Não Existe” confronta natureza e ganância
Vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Veneza, drama japonês acompanha comunidade rural ameaçada pela instalação de um empreendimento de glamping e chega à Reserva Imovision
Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.
Ryûsuke Hamaguchi troca a atmosfera urbana de seus trabalhos anteriores por uma comunidade rural japonesa em “O Mal Não Existe”, filme que chega ao streaming Reserva Imovision e coloca natureza, interesses econômicos e relações humanas em rota de colisão. Vencedor do Grande Prêmio do Júri, o Leão de Prata, no Festival de Veneza de 2023, o longa-metragem confirma a disposição do cineasta de seguir por caminhos bem diferentes depois do reconhecimento internacional de “Drive My Car”.
A história acompanha Takumi (Hitoshi Omika), pai de Hana (Ryo Nishikawa), uma menina de oito anos. Os dois vivem em Mizubiki, uma pequena vila cercada por florestas, onde o cotidiano segue um ritmo distante da pressa das grandes cidades. Takumi trabalha em diferentes serviços para os moradores e conhece profundamente a região, enquanto Hana circula pela mata e aprende com o pai a reconhecer árvores, animais e caminhos.
A rotina começa a sofrer pressão quando uma empresa apresenta aos moradores um projeto de glamping, modalidade que combina a experiência de acampamento com estrutura e conforto de hospedagem. A proposta pretende atrair visitantes interessados em uma temporada de contato com a natureza, mas esbarra em questões muito concretas: abastecimento de água, tratamento de esgoto, segurança e impacto sobre o ecossistema.
A reunião entre os representantes da empresa e os moradores é uma das passagens centrais do filme. Takahashi (Ryûji Kosaka) e Mayuzumi (Ayaka Shibutani) chegam à vila para apresentar o projeto e ouvir a comunidade, mas logo percebem que conhecem pouco sobre o lugar onde pretendem instalar o empreendimento. A conversa, conduzida com aparente cordialidade, ganha contornos cada vez mais incômodos à medida que os moradores apontam problemas que deveriam ter sido considerados antes da apresentação.
Hamaguchi não transforma os representantes da empresa em vilões simplórios. Depois da reunião, o roteiro acompanha Takahashi e Mayuzumi em momentos mais pessoais, especialmente durante uma viagem de carro, quando os dois falam sobre trabalho, relacionamentos e suas próprias insatisfações. A mudança de perspectiva ajuda a embaralhar a divisão entre bons e maus e dá ao conflito uma dimensão mais humana.
O diretor já havia demonstrado interesse por personagens que se revelam por meio das conversas, dos gestos e daquilo que deixam de dizer. Em “O Mal Não Existe”, porém, a natureza ocupa um espaço muito maior. A floresta aparece desde os primeiros minutos, acompanhada pela trilha de Eiko Ishibashi, e o filme dedica tempo ao cotidiano de Takumi, aos trabalhos manuais e aos caminhos percorridos por ele e pela filha.
A parceria entre Hamaguchi e Ishibashi começou antes do longa-metragem. A compositora, responsável pela trilha de “Drive My Car”, havia convidado o cineasta para criar imagens que acompanhassem uma apresentação musical ao vivo. O resultado foi “Gift”, projeto inicialmente concebido sem diálogos. Hamaguchi percebeu naquele material a possibilidade de desenvolver uma história e transformou a ideia em “O Mal Não Existe”.
A relação entre os dois projetos é fundamental para compreender a particularidade do filme. A música de Ishibashi não funciona simplesmente como acompanhamento das imagens: ela participa da construção do clima, alternando momentos de serenidade e inquietação. O próprio percurso visual também preserva algo da experiência contemplativa que estava na origem de “Gift”.
A escolha de Hitoshi Omika para interpretar Takumi tem uma história curiosa. Segundo Hamaguchi contou ao Los Angeles Times, o diretor conheceu o ator durante a busca por locações rurais para “Gift”. Omika dirigia o carro que levava Hamaguchi pelas regiões pesquisadas e acabou chamando a atenção do cineasta. Quando recebeu o convite para atuar, Omika inicialmente ficou surpreso.
Outro detalhe pouco convencional está no figurino. Omika usou as próprias roupas durante as filmagens. Hamaguchi também explicou que imaginou Takumi com uma personalidade mais próxima de personagens interpretados por Clint Eastwood ou Charles Bronson, mas percebeu que a suavidade do ator acrescentava outra camada ao protagonista. A produção foi construída a partir de uma pesquisa do diretor por diferentes vilas japonesas. Mizubiki é uma localidade fictícia, composta por características de vários lugares visitados por Hamaguchi durante o desenvolvimento do roteiro. A equipe também filmou em áreas próximas às fronteiras das províncias de Yamanashi e Nagano.
A ameaça representada pelo empreendimento não está limitada à chegada de turistas. O projeto evidencia uma maneira de enxergar a natureza como produto, algo que pode ser organizado, vendido e consumido. A comunidade, por sua vez, conhece o território de outra maneira: a água, a floresta e os animais fazem parte da própria sobrevivência dos moradores.
É nessa diferença de percepção que Hamaguchi encontra o conflito central. A empresa quer acelerar o projeto para aproveitar subsídios ligados ao período da pandemia, enquanto os moradores observam consequências que não cabem em uma planilha financeira. A situação aproxima o filme de questões contemporâneas sobre desenvolvimento, turismo e exploração ambiental, sem abandonar o interesse do diretor pelo comportamento humano.
A narrativa reserva uma mudança radical para os minutos finais. Depois de acompanhar durante boa parte da projeção a rotina de Takumi, os moradores e o conflito provocado pelo empreendimento, o filme encaminha a história para uma situação de violência e ambiguidade. A conclusão pode causar estranhamento porque Hamaguchi não fecha todas as possibilidades de interpretação. A floresta, a presença de um cervo ferido, o desaparecimento de Hana e a reação de Takumi colocam em primeiro plano uma relação entre instinto, proteção e violência. O que parecia ser uma discussão sobre um empreendimento turístico ganha uma dimensão muito mais sombria.
Ficha técnica
“O Mal Não Existe” | “Aku wa sonzai shinai” (título original) | “O Mal Não Está Aqui” (título em Portugal)
Gênero: drama. Duração: 106 minutos. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 2023. Data de lançamento no Brasil: 1º de outubro de 2026, na Reserva Imovision. Idioma: japonês. Direção: Ryûsuke Hamaguchi. Roteiro: Ryûsuke Hamaguchi e Eiko Ishibashi. Elenco: Hitoshi Omika, Ryo Nishikawa, Ryûji Kosaka, Ayaka Shibutani, Hazuki Kikuchi e Hiroyuki Miura. Distribuição no Brasil: Imovision. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.
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Gênero: drama histórico, biografia. Duração: 114 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 2004. Data de lançamento: 18 de novembro de 2005 no Reino Unido; no Brasil, 7 de julho de 2006. Idioma: inglês. Direção: Laurence Dunmore. Roteiro: Stephen Jeffreys. Elenco: Johnny Depp, Samantha Morton, John Malkovich, Rosamund Pike, Tom Hollander, Richard Coyle, Rupert Friend, Kelly Reilly, Jack Davenport, Francesca Annis, Paul Ritter, Stanley Townsend e Johnny Vegas. Distribuição no Brasil: a confirmar para o lançamento na plataforma Belas Artes à La Carte. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.























