sexta-feira, 17 de julho de 2026

.: "Foreign Tongues": Rolling Stones desafiam o tempo em novo álbum


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

A cada novo álbum dos Rolling Stones, o público acaba se surpreendendo de forma positiva. Os seus veteranos integrantes recusam solenemente uma eventual aposentadoria e seguem produzindo ótimas canções que mesclam as suas principais influências musicais, entre elas o blues e a música folk americana, além dos pioneiros do rock como Chuck Berry.

Em "Foreign Tongues", que acaba de ser lançado em formato físico e nas plataformas digitais, a fórmula se repete e da muito certo. A exemplo do que ocorreu no disco anterior,  o produtor Andrew Watt manteve intacta a formula dos Stones, sem se preocupar em soar mais contemporâneo. Mick Jagger (vocal ) e Keith Richards (guitarra e backing vocals) assinam a maior parte da autoria das canções, enquanto Ron Wood cumpre seu papel no grupo nos solos e guitarra base.

O disco abre com "Rough And Twisted", um blues rock bem ao estilo dos Stones. E segue  com  a animada  "In The Stars" que tem um forte apelo radiofônico nos riffs e no refrão. Nessas duas faixas o vocal de Jagger esta limpo e impecável,  assim como em todas as demais.Steve Jordan (batéria) e Daryl Jones (baixo) complrmentam a banda. Na faixa "Covered In You" o ex-beatle Paul McCartney participa tocando baixo,  enquanto Steve Winwood participa de várias faixas  tocando teclados. E a banda gravou  um cover de "You Know I'm No Good", de Amy Winehouse, que ficou acima da média. Os Stones não são highlanders do rock. Mas é fato que eles seguem desafiando o tempo. Pelo menos enquanto se sentirem capazes de dar conta do recado. 

"Tough and Twisted"

"In The Stars"

.: "100 Dias" atraca na Flip e terá painel especial com Amyr Klink e convidados especiais


Com mediação de Marcelo Tas, o encontro acontece na Casa da Cultura, no dia 23 de julho, e reúne navegador, diretor e roteiristas para compartilhar os desafios de transformar um dos maiores clássicos da literatura brasileira de aventura de não-ficção em experiência cinematográfica. Na imagem, Filipe Bragança como Amyr Klink em “100 Dias”. Foto: Fabio Braga/ Pivô Audiovisual


Quarenta anos após a histórica travessia que marcou gerações de leitores, a jornada de Amyr Klink ganha um novo capítulo. Durante a Flip - Festa Literária Internacional de Paraty, o navegador, o ator Filipe Bragança, o diretor Carlos Saldanha e as roteiristas Elena Soarez e Thais Tavares participam da mesa “100 Dias - Entre o Livro e o Filme. Os Caminhos para Transformar Um Clássico da Literatura Brasileira em Experiência Cinematográfica”, que abordará o processo de adaptação de "Cem Dias Entre Céu e Mar" para o cinema.

O filme "100 Dias" estreia em 29 de outubro e acompanha a histórica expedição de Amyr Klink pelo Atlântico Sul, realizada sozinho, em um barco a remo. Mais do que retratar uma travessia extraordinária, o longa acompanha a jornada de um homem confrontado por seus medos, limites e inseguranças. O painel durante a Flip propõe uma conversa sobre o processo de adaptação de "Cem Dias Entre Céu e Mar", obra que inspirou o longa-metragem, compartilhando as escolhas narrativas e revelando os bastidores para levar às telas uma das histórias mais marcantes da literatura brasileira contemporânea.

A conversa abordará Amyr Klink revisitando a trajetória que transformou sua expedição pelo Atlântico Sul em um clássico da literatura brasileira, enquanto Carlos, Elena e Thais revelarão os bastidores da adaptação. Ao final, Filipe Bragança se junta ao grupo para compartilhar sua preparação para interpretar Amyr e os desafios de levar às telas um personagem inspirado em uma figura tão emblemática da navegação brasileira.

“100 Dias - Entre o Livro e o Filme. Os caminhos para transformar um clássico da literatura brasileira em experiência cinematográfica” acontecerá no dia 23 de julho, às 17h00, na Casa da Cultura, em Paraty, no Rio de Janeiro. A mediação ficará a cargo de Marcelo Tas, jornalista, apresentador e comunicador reconhecido por sua longa trajetória à frente de entrevistas e debates. Para maiores informações sobre a FLIP, acesse o site oficial do evento.

Além da participação do filme na programação da Flip, a Companhia das Letras aproveita o evento para lançar a nova edição de "Cem Dias Entre Céu e Mar", obra que inspira o longa "100 Dias". Publicado originalmente em 1985, cerca de um ano após a histórica travessia de Amyr Klink a bordo da "lâmpada flutuante" - como o navegador carinhosamente apelidou seu barco -, o livro acompanha, em primeira pessoa, a expedição que transformou seu autor em um dos maiores nomes da literatura de viagem brasileira.

Com o texto revisado e novo projeto gráfico, a edição celebra os 41 anos da publicação e convida uma nova geração de leitores a revisitar a jornada que agora também ganha vida nas telas. Na sexta-feira, 24 de julho, Amyr Klink participará de uma sessão de autógrafos da nova edição, em um encontro com leitores durante a Flip. A sessão será realizada no Bar Atlântico, no Centro Histórico de Paraty, das 17h00 às 19h00, com acesso por ordem de chegada.

.: Espetáculo "Olga" tem curtíssima temporada gratuita no Teatro Paulo Eiró


A Companhia Ensaio Aberto, do Rio de Janeiro, estreia em São Paulo em 25 de julho, com entrada gratuita. Com direção de Luiz Fernando Lobo, a peça relembra a trajetória da militante Olga Benario Prestes. Foto: divulgação


O espetáculo “Olga" será encenado pela primeira vez em São Paulo, no Teatro Paulo Eiró, a partir de 25 de julho. A dramaturgia de Luiz Fernando Lobo parte de pesquisa em arquivos brasileiros, europeus e americanos, em documentos primários.  A Ensaio Aberto reabre arquivos, escava e traz à tona documentos que confrontam a história oficial. “Os documentos, mesmo os aparentemente mais claros, não falam senão quando sabemos interrogá-los”, diz o historiador Marc Bloch. E complementa: “Nunca, em nenhuma ciência, a observação passiva gerou algo de fecundo”.

“Olga” é um Teatro Documentário, que tem em Piscator e Peter Weiss seus precursores. A encenação realiza uma nova abertura da história ao apontar as contradições e camuflagens produzidas pela história oficial. Nascida em Munique, em 1908, Olga Benario Prestes militou no movimento comunista desde a adolescência, enfrentando desde cedo a repressão policial. Foi treinada como agente do Comintern (Internacional Comunista) em Moscou e, em missão política, veio ao Brasil nos anos 1930 com Luiz Carlos Prestes. Foi presa em 1936 e deportada com 7 meses de gravidez para a Alemanha de Hitler, por ordem de Getúlio Vargas, colaborador da polícia nazista. Foi assassinada, em 1942, numa câmara de gás do campo de concentração de Bernburg. Sua filha, Anita Leocádia Prestes, sobreviveu graças a uma mobilização internacional. Como diz a própria Anita Prestes: “Sou filha da solidariedade internacional”.

Olga, assim como outros militantes, foi expulsa do país sem nenhum processo legal, violando os princípios do direito internacional. “Contamos para lembrar, para rememorar, para reparar e, sobretudo, para repensar caminhos. Durante muitos anos, repetiu-se à exaustão mentiras. A história oficial, no Brasil, negou aos revolucionários de 1935 qualquer papel relevante. O que era um levante armado, virou Intentona”, diz o diretor Luiz Fernando Lobo.

“Os torturadores de 1935, 1936 e 1937 nunca foram punidos. Vencedores e vencidos tiveram o mesmo tratamento da história: o esquecimento ou a falsificação da realidade. Mas há uma diferença. É o esquecimento que permite a impunidade e consequentemente a perpetuação de crimes abomináveis. Para os torturados, para os presos, para os deportados, para os mortos, só a rememoração dessas derrotas pode reabilitá-los diante da história e evitar, como diz Benjamin, ‘a segunda morte das vítimas do passado’”, diz Lobo.

“O levante de 1935 foi o primeiro levante armado contra os fascistas no mundo. Quase 100 anos depois, assistimos a extrema direita ganhar força em todo mundo. E esse é o papel do teatro documentário: estar à altura da realidade”, defende Tuca Moraes.

Comunista, internacionalista e antifascista, Olga começou a militar com 16 anos. Era uma mulher de grande coragem e inteligência. Aviadora, paraquedista, exímia atiradora, exímia nadadora, amazona. Com 18 anos, entra na clandestinidade por realizar uma ação armada para libertar seu companheiro e mentor político, Otto Braun, de um presídio de segurança máxima. Em 1935, Olga vem para o Brasil como segurança de Luiz Carlos Prestes, o Cavaleiro da Esperança. E em 5 de março de 1936, quando a polícia “estoura” o esconderijo dos dois, já casados, no Méier, ela se coloca na frente de Prestes e o salva de ser morto pela polícia de Getúlio Vargas. Ela foi assassinada, mas sua luta continua até os dias de hoje.

O espetáculo tem dramaturgia e direção de Luiz Fernando Lobo. O elenco é composto pelos atores do núcleo artístico da Companhia Ensaio Aberto. Tuca Moraes interpreta Olga. A equipe artística do espetáculo é encabeçada por J.C. Serroni (cenário), Beth Filipecki e Renaldo Machado (figurino), Cesar de Ramires (iluminação), Felipe Radicetti (direção musical e trilha original) e Aninha Barros (produção executiva).

“Olga” foi apresentado em 30 sessões em agosto e setembro de 2025 no Armazém da Utopia, para onde volta em temporada em agosto e setembro de 2026. Nas apresentações na sede da Companhia Ensaio Aberto, há a triste coincidência de que foi deste porto do Rio de Janeiro que Olga Benario Prestes foi deportada no navio La Coruña para a Alemanha.

Sobre a Companhia Ensaio Aberto
A Companhia Ensaio Aberto nasceu no ano de 1992 com a proposta de retomar o teatro épico no Brasil e fazer dos palcos uma arena de discussão da realidade, resgatando sua vocação crítica e política. Desde que foi fundada pelo diretor Luiz Fernando Lobo e pela atriz Tuca Moraes, a Ensaio Aberto explora a ideia do ensaio como experimento e busca retomar a função social do teatro, transformando a relação palco-plateia.


Ficha técnica
Espetáculo "Olga"
Direção e dramaturgia: Luiz Fernando Lobo
Direção de produção: Tuca Moraes
Cenografia: J.C.Serroni
Figurinos: Beth Filipecki e Renaldo Machado
Iluminação: Cesar de Ramires
Direção musical e trilha original: Felipe Radicetti
Produção executiva: Aninha Barros
Elenco: Tuca Moraes (como Olga), Ana Clara Assunção, Bibi Dulles, Dani Arreguy, Daniel de Mello, Gilberto Miranda, Kyara Zenka, Leonardo Hinckel, Luiz Fernando Lobo, Mateus Pitanga e Rossana Rússia


Serviço
Espetáculo "Olga"
Gratuito
De 25 de julho a 2 de agosto
Local Teatro Paulo Eiró, Av.Adolfo Pinheiro, 765, Santo Amaro, São Paulo
Horário quarta a sábado, às 20h00 | Domingo, às 19h00
Lotação 291 lugares

Ingressos
Retirada de ingressos antecipados por lotes pelo www.sympla.com/armazemdautopia
Abertura da casa uma hora antes do início do espetáculo, com cota de ingressos liberados no dia por ordem de chegada, sujeito a lotação. Agendamento de grupos pelo whatsapp (21) 97976-0046.

Classificação indicativa: 14 anos.
Duração: 70 minutos.
Haverá intérprete de libras nos dias 30 de julho (quinta-feira) e 31 (sexta-feira)
A temporada do espetáculo Olga em São Paulo é patrocinada pela Petrobras, por meio da Lei Rouanet, Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura.
E também tem apoio do Termo de Fomento Transfere.Gov 934254/2022, celebrado entre o Instituto Ensaio Aberto e o Ministério da Cultura e a Fundação Nacional das Artes.

.: Luiz Ayrão celebra 55 anos de carreira em show no Sesc Belenzinho


Compositor de clássicos da música brasileira apresenta repertório que percorre mais de cinco décadas de sucessos, incluindo canções eternizadas por Roberto Carlos e interpretações marcantes de sua carreira. Foto: Luis França

Autor de algumas das canções mais conhecidas da música popular brasileira, Luiz Ayrão sobe ao palco do Sesc Belenzinho no dia 24 de julho para celebrar seus 55 anos de carreira. O show reúne sucessos que marcaram diferentes momentos de sua trajetória como compositor e intérprete, e sua contribuição ao samba e à MPB.

Carioca do bairro do Lins de Vasconcelos, na Zona Norte do Rio de Janeiro, Luiz Ayrão iniciou sua trajetória na música na década de 1960. Seu nome ganhou projeção nacional quando teve composições gravadas por Roberto Carlos, entre elas “Nossa Canção” (1967) e “Ciúme de Você” (1970), obras que se tornaram clássicos da música brasileira.

Como cantor, estreou em festivais no final dos anos 1960 e, ao longo da década seguinte, consolidou sua carreira com sucessos como “Porta Aberta”, homenagem à escola de samba Portela, além de “No Silêncio da Madrugada”, “Bola Dividida”, “Os Amantes”, “Saudades da República”, “Meu Canarinho e Águia na Cabeça”.

Portelense declarado, Luiz Ayrão construiu uma obra que transita entre o samba, o romantismo e a música popular brasileira. Em mais de cinco décadas de carreira, lançou cerca de 40 álbuns no Brasil e na América Latina, vendeu aproximadamente 11 milhões de discos e acumulou 11 Discos de Ouro, oito Discos de Platina e dois Discos de Diamante.

Nos últimos anos, manteve a produção artística ativa. Em “Um Samba de Respeito”, álbum lançado pela Universal Music, reuniu convidados como Zeca Pagodinho, Zeca Baleiro, Xande de Pilares, Alcione, Diogo Nogueira, Péricles, Monarco, Toninho Geraes e Demônios da Garoa em um trabalho dedicado ao samba e às suas vertentes.


Ficha técnica
Teclado: Belmiro de França (Bel)
Cavaquinho: Celsinho do Cavaco
Contrabaixo: Alê Gregório
Violão: Nego SP
Bateria: Márcio Teixeira
Percussão: a definir
Assistente de produção/ Direção: Daniel Amabile
Coordenação de produção/ Representante legal: Jorge Moreira
Fotografia: Luís França
Empresa representante: Orapronobis Produções Culturais


Serviço
Show: Luiz Ayrão

Sexta, 24 de julho, às 20h30
Valores: R$ 60,00 (inteira), R$ 30,00 (meia-entrada), R$ 18,00 (Credencial Plena - Sesc).  
Ingressos à venda no portal sescsp.org.br e nas bilheterias das unidades Sesc.  
Limite de dois ingressos por pessoa.  
Local: Comedoria (1000 lugares). Classificação: 14 anos. Duração:  90 min. 

Sesc Belenzinho  
Rua Padre Adelino, 1000 - Belenzinho / São Paulo
Telefone: (11) 2076-9700  
sescsp.org.br/Belenzinho
Transporte público | Metrô Belém (550m) | Estação Tatuapé (1400m) 
Estacionamento | De terça a sábado, das 9h00 às 21h00. Domingos e feriados, das 9h00 às 18h00.
Valores: credenciados plenos do Sesc: R$ 10,00 a primeira hora e R$ 4,00 por hora adicional. Não credenciados no Sesc: R$ 20,00 a primeira hora e R$ 5,00 por hora adicional.

.: Julio Medem reconstrói a história espanhola e adiciona açúcar em “8 Décadas de Amor”


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

A trajetória de um amor que insiste em sobreviver ao tempo e às agruras de um país move “8 Décadas de Amor”, novo longa de Julio Medem que chega à plataforma de streaming Reserva Imovision. Conhecido por obras como “Lúcia e o Sexo” e “Os Amantes do Círculo Polar”, o cineasta espanhol constrói uma narrativa guiada por coincidências, circularidade e afetos em permanente tensão. Protagonizado por Javier Rey e Ana Rujas, o filme acompanha Octavio e Adela, nascidos em 14 de abril de 1931, marco da proclamação da Segunda República Espanhola.

Embora compartilhem origem temporal e geográfica, pertencem a universos sociais opostos. Ele cresce em um ambiente privilegiado; ela, em uma realidade marcada pela escassez. Ao longo de oito décadas, seus caminhos se cruzam em encontros intensos e desencontros que deixam marcas, enquanto a Espanha atravessa guerra civil, ditadura e redemocratização. Dividido em oito episódios, muitos deles encenados em planos-sequência, o longa-metragem percorre quase um século de história europeia sem abandonar o eixo íntimo dos personagens. A direção de fotografia de Rafael Reparaz aposta em variações de cor e textura para situar cada período, enquanto a trilha de Lucas Vidal sublinha o tom romântico que sustenta a narrativa. No elenco de apoio, nomes como Álvaro Morte, Tamar Novas e Carla Díaz ampliam o mosaico de relações que orbitam o casal central.

Premiado pelo público no Festival de Málaga, “8 Décadas de Amor” revela a ambição de Medem em articular história coletiva e experiência privada. Em entrevistas à imprensa europeia, o diretor destacou o desejo de abordar temas como polarização social, memória e transformação do papel feminino ao longo do século XX. A estrutura fragmentada, com saltos temporais, ecoa essa intenção ao transformar o romance em espécie de fio condutor para atravessar diferentes momentos históricos.

Há também um componente simbólico evidente na repetição do número oito, que organiza a narrativa e sugere ciclos, retornos e permanências. Essa escolha dialoga com a filmografia do diretor, frequentemente interessada em destinos que se cruzam de forma quase inevitável. Ao mesmo tempo, a dimensão histórica ganha peso ao inserir os personagens em eventos que moldaram a identidade espanhola contemporânea. Com 2h06 de duração, o longa aposta em um ritmo contemplativo, sustentado por reencontros que carregam tanto desejo quanto frustração. Entre escolhas pessoais e imposições externas, Octavio e Adela seguem caminhos distintos - inclusive ao lado de outros parceiros -, mas mantêm um vínculo que resiste às rupturas.

Ficha técnica
“8 Décadas de Amor” | “8” (Título original)
Gênero: drama, romance. Duração: 126 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 2025. Data de lançamento: 11 de junho de 2026. Idioma: espanhol. Direção e roteiro: Julio Medem. Elenco: Javier Rey, Ana Rujas, Álvaro Morte, Tamar Novas, Carla Díaz. Distribuição no Brasil: Imovision. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


Assine a Reserva Imovision, a maior plataforma de filmes independentes da América Latina
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.: Drama coreano “A Guarda Costeira” revisita fronteira e desmonta ilusões de heroísmo


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

A estreia de “A Guarda Costeira” na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte   recoloca em circulação um dos títulos mais incômodos da filmografia de Kim Ki-duk, cineasta sul-coreano que construiu carreira provocando plateias e festivais com narrativas de alta voltagem emocional. Lançado originalmente em 2002, o longa - cujo título original é “Haeanseon” e que em Portugal recebeu o nome de “A Linha da Costa” - acompanha o soldado Kang, integrante de uma unidade da guarda costeira que vigia uma área cercada por arame farpado, na fronteira simbólica entre Coreia do Sul e Coreia do Norte.

Interpretado por Jang Dong-gun, astro popular do cinema coreano nos anos 2000, o personagem é movido por uma obsessão: eliminar um suposto espião e, com isso, conquistar reconhecimento dentro da hierarquia militar. O que se desenha a partir dessa expectativa é um retrato duro sobre paranoia, disciplina e desumanização. Ao lado de Kim Jeong-hak e Park Ji-ah, o elenco sustenta um clima de tensão crescente, em que o erro — inevitável — desencadeia consequências devastadoras.

Kim Ki-duk assina direção e roteiro, imprimindo sua marca autoral em cada decisão estética. O filme nasce, em parte, de sua própria experiência como ex-integrante da Marinha sul-coreana, o que ajuda a explicar o rigor quase documental em algumas sequências e a violência crua que atravessa a narrativa. Durante as filmagens, realizadas em Jeonju e Seul ao longo de pouco mais de um mês, o diretor adotou métodos intensos, com poucos ensaios e estímulo a reações espontâneas do elenco.

Exibido no Festival de Veneza em 2002 e premiado no Festival de Karlovy Vary com o troféu da crítica internacional (FIPRESCI), “A Guarda Costeira” marcou um momento de virada na trajetória de Kim Ki-duk, que deixou de circular apenas em nichos para ocupar espaço mais amplo no circuito europeu. A história, centrada no equívoco fatal de um soldado que confunde um civil com inimigo, dialoga diretamente com o estado permanente de tensão na península coreana, transformando um episódio individual em comentário político de alcance mais amplo. Sem suavizar a brutalidade de seus personagens, o longa confronta o espectador com a lógica interna de um sistema que premia a violência e pune a dúvida.

Ficha técnica
“A Guarda Costeira” | (“Haeanseon” (Título original) | “A Linha da Costa” (Título em Portugal)
Gênero: drama, guerra. Duração: 1h31m. Classificação indicativa: 18 anos. Ano de produção: 2002. Data de lançamento: 22 de novembro de 2002. Idioma: coreano. Direção e roteiro: Kim Ki-duk. Elenco: Jang Dong-gun, Kim Jeong-hak, Park Ji-ah, Yoo Hae-jin, Kim Tae-woo. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.



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quinta-feira, 16 de julho de 2026

.: A nova temporada de "Autobiografia do Vermelho", com Bianca Comparato


Com direção de Daniela Thomas, espetáculo é inspirado no romance de Anne Carson e cria um retrato profundamente comovente de um jovem que se reconcilia com o fantástico acidente de ser quem é. Foto: Matheus José Maria 


Inspirado no romance homônimo de Anne Carson, o espetáculo "Autobiografia do Vermelho", estreou em fevereiro no Sesc Avenida Paulista. E, agora, a peça estrelada pela atriz Bianca Comparato e dirigida por Daniela Thomas, ganha uma nova temporada no Teatro YouTube, dentro da Galeria Magalu no Conjunto Nacional, de 14 de agosto a 27 de setembro, com sessões às sextas e aos sábados, às 20h, e aos domingos, às 18h. A peça é, ao mesmo tempo, um romance e um poema, uma recriação não convencional de um antigo mito grego e um romance de formação totalmente original ambientada no presente, no midwest estadunidense.

Com dramaturgia de Gabi Costa, Daniela Thomas e Bianca Comparato, a encenação conta ainda com a direção de movimento da artista e coreógrafa Malu Avelar e cenário de Daniela Thomas. Lello Bezerra assina a direção musical e a trilha sonora original, que é executada ao vivo pelo próprio músico. A produção é da South. “Encontre o que você ama e deixe isso te matar. Quem disse isso foi Bukowski. E, talvez, seja o que mais me atraiu a fazer a peça. Me lanço nesse abismo de 7 personagens, sem medo de errar. Aprendi com a Carson a errar deliberadamente, ela erra deliberadamente, inventa, engana. Este projeto é para mim maravilhosamente perturbador”, revela Bianca Comparato.

“Já na primeira leitura de Autobiografia do Vermelho, em preparação para dirigir Bianca no audiolivro, fui transportada para o ambiente no qual iniciei minha trajetória no teatro há quase 50 anos: o teatro experimental estadunidense do final dos anos 70, início dos 80, especificamente em Nova York, onde morava então. Lá assisti ou convivi ou trabalhei com artistas de grupos como Mabou Mines, Wooster Group, Living Theater, em teatros como o La Mama, Theater For the New City, Public Theater, e com criadores como Sam Shepard, Laurie Anderson, Richard Foreman, Jeff Weiss, Spalding Grey e por aí vai. Uma potência inventiva de grande impacto, que repercutiu mundo afora, balizou minha imaginação e a quem devo minha formação como artista do teatro”, conta a diretora Daniela Thomas.

“Passando as páginas do livro, fui descobrindo que o monstro alado Gerião (aquele morto pelo herói Hercules, no seu décimo trabalho, no mito clássico) que eu antecipava habitar a paisagem grega era, nessa versão, um jovem americano esquisito e solitário, vivendo na exata geografia dos meus heróis experimentais de Nova York.(...) Essa descoberta fez com que eu abraçasse a ideia de transformar o livro em um espetáculo que fosse tributário dessa cultura de teatro que me formou e por quem tenho uma admiração imensa”, conclui Thomas. Compre os livros de Anne Carson neste link.


Sinopse de "Autobiografia do Vermelho"
Gerião é o personagem principal da Gerioneida, um poema lírico narrativo escrito por volta de 650 A.C pelo poeta grego Estesícoro, cujos poucos fragmentos foram encontrados somente em 1967, no Egito. A peça conta a sua história misturando fragmentos da peça original grega com criações de Anne Carson e intervenções de Bianca e de Daniela. Gerião, um menino que também é um monstro vermelho alado, revela o terreno vulcânico de sua alma frágil e atormentada em uma autobiografia que ele começa a escrever aos cinco anos de idade. 

À medida em que cresce, Gerião escapa de seu irmão abusivo e de sua mãe afetuosa, mas ineficaz, encontrando consolo na construção da sua autobiografia e nos braços de um jovem chamado Hércules, um andarilho que abandona Gerião no auge da paixão. Anos depois, quando Hércules reaparece, Gerião confronta novamente a dor de seu desejo e embarca em uma jornada por terrenos vulcânicos. A paixão obsessiva por Hércules leva Gerião até seu destino inevitável. Ora excêntrica, ora assombrosa, erudita e acessível, ricamente complexa e enganosamente simples, Autobiografia do Vermelho é um retrato profundamente comovente de um jovem  que se reconcilia com o fantástico acidente de ser quem é. Compre o livro "Autobiografia do Vermelho", de Anne Carson, neste link."


Mais sobre o livro e peça
A obra de Anne Carson, Autobiografia do vermelho, foi destaque no New York Times como “Livro notável do ano” e  finalista do National Book Critics Circle Award. Anne Carson também foi a primeira mulher a ganhar o TS Eliot Prize.

O que acontece com a mitologia clássica, que ainda ecoa no mundo contemporâneo nas formas atuais de pensar, viver e sentir, quando colocamos no centro da narrativa o que antes era periférico a ela? É essa pergunta que a autora nos faz em "Autobiografia do Vermelho". Se assim como Carson fez valer em sua maneira de contar essa história o monstro, é a partir de uma ética da monstruosidade - que faz conviver tudo que é estranho entre si - que percorreu o processo de criação do espetáculo. Tudo aquilo que está à margem, que não é aceito pelo mainstream, os queers, os “diferentes”, os que estão fora do padrão heteronormativo.

A obra é uma reinterpretação contemporânea do mito de Gerião, o monstro vermelho da mitologia grega, apresentando-o como um jovem sensível e introspectivo. Desde os cinco anos, Gerião enfrenta desafios relacionados à sua aparência monstruosa, com asas vermelhas, que é apresentado de maneira mais humana e introspectiva do que o mito original. Ele busca autocompreensão e amor, especialmente através de sua relação com Hércules.

A história mistura elementos de ficção e poesia, explorando questões de identidade, amor, desejo, e a busca pela aceitação. Gerião é retratado como um jovem isolado, que se vê marcado tanto por sua aparência quanto por seu destino trágico. Ele tem uma relação complexa com Hércules, o herói que deve matá-lo, mas a história se concentra também no desenvolvimento emocional e psicológico de Gerião.

Hércules, que inicialmente é visto como o herói que o mataria, passa também por uma transformação emocional. A morte de Gerião no contexto da obra não é apenas física, mas também simbólica, representando um encontro com o próprio destino e a aceitação de seu ser. Sem se ater a um fechamento “clássico” de um romance, mas mantendo uma reflexão sobre a morte, identidade e a verdade interna. A obra é profunda e aberta a múltiplas interpretações, convidando o espectador a questionar as fronteiras entre mito, realidade e a construção de futuros possíveis.

O espetáculo expressa a pluralidade e diversidade em sua composição de artistas e técnicos da ficha técnica. A equipe é formada majoritariamente por mulheres e também é válido reafirmar que os lugares de protagonismo do projeto são ocupados por mulheres ou pessoas não-brancas e LGBTQI+.

Ficha técnica
Espetáculo "Autobiografia do Vermelho"
Direção: Daniela Thomas
Elenco: Bianca Comparato
Direção de produção: Fabiana Comparato
Dramaturgia: Gabi Costa, Bianca Comparato e Daniela Thomas
Cenografia: Daniela Thomas
Direção musical, composição e execução: Lello Bezerra
Direção de movimento e preparação corporal: Malu Avelar
Desenho de luz e operação: Sarah Salgado
Desenho de projeções: Henrique Martins
Figurino: Verônica Julian
Direção vocal: Leila Mendes
Visagismo: Walter Leal
Contrarregra: Luiz Carlos Ferreira
Operação de vídeo: Laura de Lago
Operação de som: Gabriel Edé
Operação de luz: Nicolas Manfredini
Assistente de produção: Gabriel Cillo
Coordenação executiva e financeira: Camilia Cillo
Designer gráfico: Henrique Martins
Fotos: João Kopv
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Produção: South
Produção associada: 3C Produções
Produção associada: Ipa films e Flagcx
Apoio: Grupo Map
Produtores Executivos SOUTH: Bianca Comparato, Roberto Martini e Yana Chang
Equipe South: Pietra Veiga e Julia Faria
Assessoria: MCS Law
Produtora associada: Mariana Beltrão
Produtor executivo: Arlindo Hartz
Produtora de figurino: Lia Damasceno
Produção: Corpo Rastreado
Produtora: Gabi Gonçalves
Colaboração na direção de movimento: Renata Melo
Assistência: Mariana Faloppa
Equipe Corpo Rastreado: Gisely Alves, Tamara Andrade, Graciane Diniz
Apoio: Editora 34, Paradigm Agency, MAP, CASA LÍQUIDA, PMX, Supersônica.

Serviço
Espetáculo "Autobiografia do Vermelho"
Elenco: Bianca Comparato. Direção: Daniela Thomas. Baseado no romance em verso de Anne Carson
Temporada: 14 de agosto a 27 de setembro de 2026
Às sextas e aos sábados, às 20h, e aos domingos, às 18h
Teatro YouTube - Av. Paulista, 2073 - Bela Vista, São Paulo
Ingressos: R$ 120,00  (inteira) e R$ 60,00 (meia-entrada)
Venda online em https://www.eventim.com.br/artist/autobiografia-do-vermelho/
Bilheteria: Avenida Paulista, 2073 (3º andar), no bairro da Bela Vista, em São Paulo - SP
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida
Duração: 90 minutos 
Classificação indicativa: 16 anos
Capacidade: 160 lugares

.: História de Olga Benário irá virar musical inédito em 2027

Com direção de Tadeu Aguiar, a história de Olga Benário ganhará versão musical inédita em 2027, ano que marca os 85 anos de sua morte em um campo de concentração nazista.. Na  fotografia, Tadeu Aguiar, Fernando Morais e Eduardo Bakr. Crédito: arquivo pessoal


O escritor Fernando Morais e o produtor, autor e diretor Eduardo Bakr voltam a unir forças nos palcos. Os dois estão desenvolvendo a adaptação musical de "Olga", um dos livros mais conhecidos da carreira de Fernando Morais, que ganhará uma montagem inédita produzida pela Estamos Aqui Produções. A direção será de Tadeu Aguiar e a direção musical de Thalyson Rodrigues.

O projeto marca o reencontro de Fernando Morais, Eduardo Bakr e Tadeu Aguiar, que trabalharam juntos em "Chatô e os Diários Associados", musical inspirado na trajetória de Assis Chateaubriand, baseado na obra de Fernando Morais, com adaptação para os palcos assinada por Fernando Morais e Eduardo Bakr e direção de Tadeu Aguiar. Agora, o trio volta a colaborar em um novo espetáculo baseado em uma das mais emblemáticas obras da literatura brasileira contemporânea. Com estreia prevista para o segundo semestre de 2027, a montagem iniciará seu processo de desenvolvimento nos próximos meses.

Publicado originalmente em 1985, "Olga" reconstrói a trajetória de Olga Benário Prestes, militante comunista alemã de origem judaica que se apaixonou por Luís Carlos Prestes e foi deportada, grávida, pelo governo brasileiro para a Alemanha nazista, onde acabou assassinada em um campo de concentração. Considerado um dos maiores sucessos editoriais de Fernando Morais, o livro tornou-se uma referência da literatura biográfica brasileira e permanece como uma de suas obras mais conhecidas.

A história foi adaptada para o cinema em 2004, em filme dirigido por Jayme Monjardim e estrelado por Camila Morgado no papel-título. A produção alcançou grande repercussão de público e crítica, ampliando ainda mais o alcance da obra e apresentando a trajetória de Olga a novas gerações. Agora, após conquistar leitores e espectadores em diferentes formatos, o clássico da literatura biográfica brasileira ganhará sua primeira adaptação para o teatro musical, com estreia prevista para 2027, ano que marca os 85 anos da morte de Olga Benário.

A futura montagem contará com composições originais e arranjos de Laura Visconti, além de letras assinadas por Eduardo Bakr. O projeto reúne novamente profissionais ligados a alguns dos principais sucessos da Estamos Aqui Produções, responsável por musicais como de sucesso como "Quase Normal", "A Cor Púrpura", "Querido Evan Hansen" e "Diana - A Princesa do Povo", que recentemente cumpriu temporadas no Teatro Multiplan, no Rio de Janeiro, e no Teatro Liberdade, em São Paulo. Compre o livro "Olga", de Fernando Moraes, neste link.

.: "Entre Irmãos" retorna a São Paulo em nova configuração cênica no Teatro Vivo


Após o sucesso em 2025, a comédia dramática que investiga os afetos masculinos retorna em uma encenação intimista, convidando o público a vivenciar, com ainda mais proximidade, o confronto visceral entre dois irmãos. Foto: Heloísa Bortz


Um dos espetáculos mais comentados da temporada paulistana de 2025 vai voltar. "Entre Irmãos", a comédia dramática de Otávio Martins, que divide o palco com Fernando Pavão, e direção de Marcos Damigo, retorna aos palcos de São Paulo em nova temporada no Espaço de Convivência do Teatro Vivo. As apresentações acontecem a partir de 24 de julho, às sextas e sábados, às 20h00, e aos domingos às 18h00, com classificação etária de 16 anos e duração de 75 minutos. 

A volta chega com um elemento que muda radicalmente a experiência do espectador: o Espaço de Convivência do Teatro Vivo permite uma configuração cênica de extrema proximidade entre plateia e atores, colocando o público literalmente dentro do velório, como convidado presente no momento mais íntimo e explosivo do reencontro entre os dois irmãos. Se o minimalismo já era a marca da produção, palco nu, sem cenografia, um único foco de luz representando o caixão do pai, agora esse recurso ganha uma dimensão ainda mais visceral. Não há onde se esconder. Nem para os personagens, nem para quem os assiste. 

"Vai ser interessante, inclusive para quem já viu a peça, experimentar essa nova configuração, onde os atores estão no mesmo espaço que os espectadores. A história ganha força com uma experiência assim, mais imersiva.", explica Marcos Damigo. 

Desde a estreia em fevereiro de 2025, no Teatro Colinas de São José dos Campos, com casa cheia, "Entre Irmãos" percorreu o Teatro FAAP em São Paulo e seguiu em turnê por diversas cidades do Brasil ao longo de 2025, acumulando cobertura em veículos como Veja SP, IstoÉ, Terraço Paulistano e R7 Entretenimento. O espetáculo foi recebido como um evento cultural de relevância por tratar, sem moralismo e sem fórmulas fáceis, de um tema profundamente universal: o que acontece com os afetos dentro de uma família quando o silêncio dura mais tempo do que o amor consegue suportar. 

A combinação de dois atores amplamente reconhecidos pelo público, Fernando Pavão, vencedor do Prêmio Bibi Ferreira de Melhor Ator por Mary Stuart, e Otávio Martins, vencedor do Prêmio Contigo! De Melhor Ator por Sideman, uma direção precisa de Marcos Damigo e o texto de Otávio Martins que equilibra gargalhadas e emoção genuína transformou "Entre Irmãos" em mais do que teatro. Transformou numa conversa que o público leva para casa. 

"Há algo nessa peça que as pessoas reconhecem imediatamente, mesmo que nunca tenham vivido exatamente aquela situação. Todo mundo tem uma história de silêncio com alguém que ama. A gente só coloca isso em cena", diz o ator e dramaturgo Otávio Martins. Fernando Pavão reforça: "Fazer essa peça noite após noite nunca é igual. O público traz a energia do que está vivendo. Nas cidades por onde passamos, as pessoas ficavam na plateia depois do espetáculo sem querer ir embora. Isso diz muita coisa sobre o que 'Entre Irmãos' toca". 

O espetáculo narra o reencontro de dois irmãos no velório do pai após mais de duas décadas de afastamento. O mais velho sacrificou projetos e paixões para cuidar da família. O mais novo, hoje fotojornalista premiado, fugiu em busca de si mesmo pelo mundo. Quando se encontram diante do caixão, os ressentimentos acumulados emergem com força total. Mas uma revelação inesperada do passado obriga os dois a revisitar quem eram, o que sofreram e o que fizeram um ao outro. 

A peça coloca a saúde mental masculina no centro da narrativa: a dificuldade de nomear a dor, a culpa transmitida entre gerações, os mecanismos de defesa que impedem o cuidado emocional. Faz isso sem sermão e sem simplificação, com humor, com inteligência e com uma honestidade que raramente se vê em cena. Em um momento cultural em que o debate sobre masculinidade, herança emocional e vínculos familiares está no coração das conversas públicas, ENTRE IRMÃOS chega a essa nova temporada com ainda mais relevância do que tinha em sua estreia. 


Ficha técnica
Espetáculo "Entre Irmãos"
Texto: Otávio Martins 
Direção: Marcos Damigo
Elenco: Fernando Pavão e Otávio Martins 
Trilha sonora: Ricardo Severo 
Cello: Ana Eliza Colomar 
Iluminação: Beto de Faria 
Foto: Heloísa Bortz
Design gráfico e produção: Patrícia Scótolo
Realização: Engrenagem de Produção  

 

.: Semifinalista do Jabuti Acadêmico: "Guia de Conduta para Mulheres Bravas


Indicada na categoria Divulgação Científica, a obra resgata a história de mulheres silenciadas e inspira os debates que a pesquisadora leva a duas mesas e uma sessão de autógrafos na Casa Opera

A pesquisadora, artista visual e escritora Marina Jerusalinsky é semifinalista do Prêmio Jabuti Acadêmico na categoria Divulgação Científica (Eixo Prêmios Especiais) com "Guia de Conduta para Mulheres Bravas", publicado pela Editora Orlando. Na obra, a autora mergulha na história do "Juízo das Bravas", julgamento que, entre os séculos XIV e XVIII, punia mulheres por falarem de forma considerada "inapropriada" em espaços públicos, e discute como esses mecanismos de controle da fala e do comportamento feminino permanecem presentes na sociedade contemporânea. A autora também integra a programação da Flip 2026 com duas mesas e uma sessão de autógrafos na Casa Opera, no Centro Histórico de Paraty.

Na quinta-feira, dia 23 de julho, às 11h00, Marina participa da mesa "O Corpo e o Planeta como Campo de Batalha: Violência Contra Mulheres, Luto Pela Terra e Libertação", ao lado de Sandra Godinho e Myriam Scotti. No sábado, dia 25 de julho, às 16h00, realiza sessão de autógrafos de Guia de conduta para mulheres bravas e, às 17h00, integra a mesa "A Escrita como Ato Político", com Danilo Heitor e Rafael Caneca.

Em "Guia de Conduta para Mulheres Bravas", Marina Jerusalinsky combina pesquisa histórica, relatos de mulheres contemporâneas e um projeto gráfico ousado para expor como mecanismos históricos de controle sobre a fala feminina ecoam até hoje. O texto da quarta capa é assinado pela escritora, artista visual e designer gráfica Marcela Scheid. A arte da capa e as ilustrações do livro são de Marina Jerusalinsky e Lídia Ganhito, designer gráfica e artista visual.

Com 59 irônicas "lições de conduta", o livro traz experiências reais de mulheres brasileiras e portuguesas, mostrando como expressões misóginas ainda as categorizam. "Essa pesquisa me ajudou a entender as origens das concepções sobre 'a mulher ideal' e como enfrentá-las", diz Marina, que transformou seu doutorado em uma crítica afiada aos estereótipos de gênero.

A autora não poupa referências literárias e históricas para desmontar narrativas que buscam limitar o que mulheres podem ser ou fazer. "O livro adota um posicionamento feminista ao resgatar fatos marginalizados e dar voz às próprias mulheres sobre as palavras que as oprimem", explica. Entre os exemplos do livro, destaca-se a lição "Brava", que satiriza a criminalização da fala feminina: "Uma mulher pode ser considerada brava ao levantar a voz, ser veemente, discordar, ou falar com irritação – atos completamente inconvenientes e condenáveis. Todos esses elementos vão contra a obrigatória docilidade feminina, sem a qual seria muito mais difícil que nos dominassem como convém".

A obra também revela como estereótipos coloniais persistem, especialmente contra as brasileiras em Portugal. Em "Para Brasileiras em Portugal", ela expõe frases ditas por portugueses, como "Vocês vêm para cá para roubar nossos maridos" e "Ao menos servem para cuidar de nós", evidenciando as contradições e a violência dessas acusações. "Essas 'lições' mostram como a linguagem perpetua opressões, mas também como podemos desmontá-las com ironia", reflete a autora. "Compre o livro "Guia de Conduta para Mulheres Bravas" neste link.


Sobre a autora
Marina Jerusalinsky é artista visual, pesquisadora e escritora. Semifinalista do Prêmio Jabuti Acadêmico na categoria Divulgação Científica (Eixo Prêmios Especiais), é doutora em Artes pela Universidade de São Paulo, mestra em Artes pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e graduada em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Trabalha com a palavra de modo transdisciplinar há mais de dez anos, em projetos de arte participativa, livros de artista e leitura crítica e revisão de textos. Também é autora do livro "Adjetivo Feminino: Dicionário de Experiências" (Bebel Books, 2022). Compre os livros de Marina Jerusalinsky neste link.


Agenda | Flip 2026
23 de julho (quinta-feira), às 11h
Mesa: O corpo e o planeta como campo de batalha: violência contra mulheres, luto pela terra e libertação

Com Marina Jerusalinsky, Sandra Godinho e Myriam Scotti
Local: Casa Opera, Centro Histórico de Paraty

25 de julho (sábado), às 16h
Sessão de autógrafos de Guia de conduta para mulheres bravas

Local: Casa Opera, Centro Histórico de Paraty

25 de julho (sábado), às 17h
Mesa: A escrita como ato político

Com Marina Jerusalinsky, Danilo Heitor e Rafael Caneca
Local: Casa Opera, Centro Histórico de Paraty

.: "A Divina Sarah Bernhardt" estreia nesta quinta nos cinemas brasileiros


Dirigido por Guillaume Nicloux e estrelado por Sandrine Kiberlain, "A Divina Sarah Bernhardt" chega aos cinemas brasileiros no dia 16 de julho com distribuição da Imovision. Com uma abordagem que une drama histórico e romance, o filme é um mergulho no universo extravagante da famosa atriz francesa do século 19, considerada uma figura visionária e uma lenda do teatro. Ambientada na Paris de 1986, a trama acompanha a primeira celebridade do mundo, Sarah Bernhardt, no auge de sua glória como atriz e uma mulher à frente de seu tempo, sempre desafiando as convenções sociais.

Vencedora do César de Melhor Atriz por "Uma Juíza Sem Juízo", Sandrine Kiberlain dá vida à personalidade irreverente de Bernhardt em um drama biográfico que retrata as paixões, excentricidades e a incansável dedicação ao teatro da figura que ficou conhecida como "A Divina". A partir de dois episódios marcantes na vida da atriz - o jubileu de 1896, organizado por amigos em sua homenagem, e a amputação de sua perna direita em 1915 - o longa explora o relacionamento amoroso de Bernhardt com o ator Lucien Guitry e o encontro com diversas figuras importantes da época, como Alexandre Dumas, Victor Hugo, Sigmund Freud e Émile Zola.

.: “Diamantes” reúne musas de Ferzan Özpetek e recria Roma dos anos 70


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

“Diamantes” chega à plataforma de streaming Belas Artes À La Carte  com a assinatura de Ferzan Özpetek, cineasta turco-italiano que volta a Roma dos anos 1970 para encenar um drama coral embalado por amor, disputas e memórias. No filme, um diretor reúne suas atrizes favoritas para um projeto que, pouco a pouco, ganha forma dentro de um ateliê de figurinos cinematográficos comandado pelas irmãs Alberta e Gabriella Canova, vividas por Luisa Ranieri e Jasmine Trinca.

A história do filme desliza entre realidade e ficção enquanto acompanha o cotidiano de mulheres que sustentam, com talento e urgência, a engrenagem invisível do cinema. Entre máquinas de costura, prazos apertados e pressões de uma grande produção, surgem histórias íntimas marcadas por perdas, amores interrompidos, violência doméstica e dificuldades financeiras. O roteiro, assinado por Özpetek, Elisa Casseri e Carlotta Corradi, aposta no entrelaçamento dessas trajetórias para construir um painel coletivo em que cada personagem encontra espaço para brilhar.

Com Stefano Accorsi, Aurora Giovinazzo, Anna Ferzetti e Vinicio Marchioni no elenco, “Diamantes” chama atenção pela reunião de 18 atrizes italianas de destaque - um feito raro no cinema contemporâneo do país. A imprensa local tratou o longa como um encontro das musas de Özpetek, diretor conhecido por valorizar personagens femininas e dinâmicas familiares intensas. O resultado ecoa o melodrama vibrante que muitos associam ao cinema de Pedro Almodóvar, com cores marcantes, emoções à flor da pele e cenas coletivas carregadas de energia.

A origem do projeto está nas lembranças do próprio diretor, que frequentava oficinas de figurino no início da carreira, nos anos 1980, em Roma. Esse material autobiográfico se traduz na atenção aos detalhes - tecidos, cortes e texturas ganham protagonismo e ajudam a contar histórias que vão além do que se vê em cena. A trilha sonora, assinada por Giuliano Taviani e Carmelo Travia, acompanha esse movimento com sensibilidade.

Sucesso de público na Itália, “Diamantes” ultrapassou 16 milhões de euros em bilheteria e levou mais de 2 milhões de espectadores aos cinemas, tornando-se o maior êxito comercial da carreira de Özpetek, superando títulos consagrados como “A Janela da Frente” e “O Banho Turco”. O filme também marca mais uma colaboração do diretor com a cantora Giorgia, responsável pela canção-tema.

Ficha técnica
“Diamantes” | (“Diamanti” (Título original) 
Gênero: drama, comédia. Duração: 135 minutos. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 2024. Data de lançamento: 19 de dezembro de 2024 (Itália). Idioma: italiano. Direção: Ferzan Özpetek. Roteiro: Ferzan Özpetek, Elisa Casseri, Carlotta Corradi. Elenco: Luisa Ranieri, Jasmine Trinca, Stefano Accorsi, Aurora Giovinazzo, Anna Ferzetti, Vinicio Marchioni, Elena Sofia Ricci, Kasia Smutniak, Vanessa Scalera, entre outros. Distribuição no Brasil: Pandora Filmes. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.



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