quarta-feira, 8 de julho de 2026

.: Com primeiro romance, Bethânia Pires Amaro é confirmada na Flip


Foto da autora: Divulgação/ Lorena Vinturini e capas dos livros

A escritora Bethânia Pires Amaro é uma das convidadas da programação oficial da Festa Literária Internacional de Paraty 2026, que será realizada de 22 a 26 de julho na cidade do sul fluminense. Revelada em 2023 com o livro de contos "O Ninho", publicado pela Editora Record, que venceu os prêmios Jabuti, APCA e Sesc e foi segundo lugar no Prêmio Clarice Lispector da Fundação Biblioteca Nacional, ela agora está lançando seu primeiro romance, "Ressalga", também pela Editora Record.

“Este convite para a programação principal da Flip é, para mim, um imenso reconhecimento ao meu trabalho, que recebo com muito entusiasmo e responsabilidade", disse a autora. “Paraty tem uma energia incrível de celebração das artes e do pensamento crítico, e fico muito feliz por fazer parte desta conversa coletiva, celebrando a força e a diversidade da nossa produção literária nacional”.

Pernambucana criada na Bahia e hoje morando em São Paulo, Bethânia traz no livro uma história forte e emocionante sobre memórias de três gerações de mulheres na Bahia que lutam contra heranças de um tempo que não deveria mais existir. Percorrendo o Recôncavo até Salvador, seguindo os rios da região, a narrativa fala de ancestralidades, escolhas e possibilidades. 

Bethânia Pires Amaro nasceu em Recife, no Pernambuco, em 1988, mas foi criada na Bahia, em Ilhéus e Salvador. Graduada em Direito pela Universidade Federal da Bahia e mestre em Direito do Estado pela Universidade de São Paulo, é escritora, advogada e ministrante de cursos e palestras. "Ressalga" é uma narrativa sobre três gerações de mulheres que atravessam as geografias da Bahia e experimentam a dissolução das fronteiras entre o corpo e o mundo.

Janaína nasce sob o clarão dos fogos-fátuos, no interior do estado. Fascinada pelos olhos azuis da estátua de Nossa Senhora, envolve-se num escândalo que a leva a abandonar a cidade e atravessar o sertão, seguindo o curso dos rios na condição de lavadeira. Ao chegar ao Recôncavo, encontra morada às margens do rio Paraguaçu, numa casa constantemente inundada pelas cheias. A comunhão que estabelece com a água evanesce os contornos entre o cotidiano e a correnteza que arrasta diante do quintal os corpos de animais afogados.

Graça, sua filha, aprende cedo que narrar é também uma forma de sobreviver. Com ossos leves de pássaro e imaginação afiada, ela parte para Salvador na década de 1950, após um casamento arruinado, para trabalhar em “casa de família”. Da curiosidade e do desejo, nascem suas decisões mais audaciosas: transformando o próprio corpo em empreendimento, assume diversas identidades até se converter na Garça Preta, proprietária do cabaré mais renomado da Ladeira da Montanha, transitando pela era de ouro da boemia e pelo rigor dos anos de chumbo.

Flora, a neta, cresce à sombra das histórias da mãe e da avó. Décadas após o evento que levou à ruptura de sua família, ela retorna a Salvador em busca da memória da Mulher de Roxo, tentando decifrar se a lenda urbana que habita o imaginário soteropolitano é, na verdade, o paradeiro final de Graça. O retorno não é apenas geográfico, mas uma tentativa de costurar os fios de uma linhagem que sempre viveu entre a realidade e o mito.

Em "O Ninho", Bethânia Pires Amaro mergulhou em um mosaico de imperfeições e doenças familiares para desvelar esse ninho estranho, disforme, inseguro, destruindo as idealizações que pairam sobre as relações familiares, sobretudo quando se trata de maternidade. Seus quinze contos acompanham personagens femininas que habitam e produzem lares repletos de complexidade. O livro, vencedor dos prêmios Jabuti, APCA e Sesc, já está na quinta edição. Compre os livros de Bethânia Pires Amaro neste link.

.: CineSesc promove mostra gratuita de clássicos e ambientação histórica


Os antigos cinemas de rua que marcaram gerações de paulistanos voltam a ocupar o imaginário da cidade a partir do feriado de 9 de julho, no CineSesc. A iniciativa "Cinemas de Rua: Da Augusta à Cinelândia Paulistana" vai transformar o hall da unidade em um espaço de imersão histórica e afetiva por meio de uma ambientação cenográfica inédita - equipada com letreiros luminosos, pôsteres reinterpretados e um grande mapa iconográfico. Para complementar a homenagem à era de ouro dos cinemas de rua, o CineSesc realiza uma mostra gratuita com clássicos restaurados da cinematografia mundial.

A escolha do CineSesc como palco para esta celebração reforça o valor do próprio espaço. Localizado na Rua Augusta, o cinema inaugurado em 1979 ocupa um endereço historicamente ligado ao circuito exibidor paulistano e preserva a tradição da calçada, do letreiro luminoso e da experiência de assistir a um filme em uma sala de rua. A nova ambientação permite discutir como, apesar de transformações, a cidade pode preservar experiências coletivas.

Ação convida o público a refletir sobre a permanência da experiência coletiva do cinema em meio às transformações da cidade. Programação conta com exibições de clássicos restaurados, como "Este Mundo É Um Teatro", dia 9, às 20h30, “Casablanca”, dia 10, às 20h00, e “Cantando na Chuva”, dia 17, às 20h00, conectando a memória das antigas salas de exibição aos filmes que ajudaram a construir a mística dessas telas urbanas.

Uma viagem no tempo pelo hall do CineSesc
A ambientação inédita idealizada pela equipe do CineSesc, com curadoria e direção de arte de Mauro Amorim e produção executiva de Patrícia Almeida, recriará a atmosfera de encanto das salas que funcionaram entre as décadas de 1940 e 1970 na capital paulista. O projeto oferece um mergulho na paisagem urbana do centro histórico de São Paulo por meio de intervenções visuais e artísticas. Confira os destaques.

Pinturas artísticas dos pôsteres: desenvolvidas pela artista Fernanda D’Boer, a série de cinco pinturas sobre papel (no formato clássico de cartazes de 100 × 70 cm) homenageia salas históricas do centro, como o Cine Marabá, Cine Comodoro, Cine Ipiranga, Cine Marrocos e o próprio CineSesc. As artes entrelaçam as fachadas arquitetônicas desses espaços a referências iconográficas de clássicos como Tubarão, La Dolce Vita, Vertigo, Bye Bye Brasil e Laranja Mecânica.

Grande mapa ilustrado: criado pelo estúdio Radiográfico, um painel detalhado guiará o público em uma jornada geográfica e cronológica, conectando os tradicionais cinemas da Rua Augusta à efervescente Cinelândia paulistana. Efeito cromático RGB: uma intervenção visual assinada por Marcos Muzi e Rafael Cotait propõe novos jogos de luzes e cores na recepção do público.

Cenografia nostálgica: o espaço contará ainda com uma fachada cenográfica inspirada nos antigos cinemas da cidade, um letreiro em neon exclusivo, vitrines expositivas com objetos históricos do universo cinematográfico e referências às saudosas bombonieres.

Programação de filmes – Mostra Especial Cinemas de Rua
Conectando a ambientação do hall à magia da projeção na tela grande, o CineSesc exibirá uma seleção especial de filmes de época com sessões gratuitas para o público. A programação vai contar com exibições de cópias restauradas de obras que fazem parte da história da arte cinematográfica.


Quinta-feira, dia 9 de julho, às 20h30 - "Este Mundo É Um Teatro" ("Stage Struck")
Direção: Allan Dwan, EUA, 1925, 70 minutos. 12 anos.

Uma jovem sonha em se tornar uma grande atriz. Quando seu namorado começa a flertar com uma artista de verdade, ela é consumida pelo ciúme e decide enfrentar sua rival. Entrada Gratuita.

Sexta-feira, dia 10 de julho, às 20h00 – "Casablanca"
Direção: Michael Curtiz, EUA, 1942, 102 minutos. 12 anos.
Durante os tensos anos da Segunda Guerra Mundial, o amargurado Rick reencontra um amor do passado em sua movimentada casa noturna na cidade de Casablanca, no Marrocos. Entrada Gratuita.

Sexta-feira, dia 17 de julho, às 20h00 – "Cantando na Chuva" ("Singin' in The Rain")
Direção: Stanley Donen e Gene Kelly, EUA, 1952, 103 minutos. Livre.

Uma das maiores obras-primas do cinema musical acompanha os bastidores de Hollywood e os desafios hilários e complexos enfrentados por uma produtora e seu elenco na transição do cinema mudo para o cinema falado. Entrada gratuita.

Serviço
CineSesc
Exposição Cinemas de Rua - Da Augusta à Cinelândia Paulistana

Início da visitação: dia 9 de julho
Horários: segunda a domingo, das 13h15 às 22h00
Local: Hall | CineSesc - Rua Augusta, 2075 - São Paulo


Mostra de filmes
9 de julho, às 20h30 |
"Este Mundo É Um Teatro"
10 de julho, às 20h00 | "Casablanca"
17 de julho, às 20h00 | "Cantando na Chuva"
Entrada gratuita.Classificação indicativa: livre. 

.: Os novos contos de Mariana Enriquez, que combinam horror e sobrenatural


Nos 12 contos de terror de "Um Lugar Ensolarado para Gente Sombria", que chega às livrarias em junho pela Intrínseca, Mariana Enriquez, cujos textos já foram comparados aos de Franz Kafka, constrói mundos em que o mal está sempre à espreita e os monstros emergem sem aviso nas realidades mais corriqueiras, seja em grandes cidades ou em pequenas vilas remotas.

O conto de abertura, "Meus Mortos Tristes", foi a principal inspiração para a série da Netflix com estreia prevista para 2026. No enredo construído por Mariana, a protagonista conversa com os fantasmas que vagam livremente por um subúrbio de Buenos Aires, entre eles o da mãe, que morreu de uma doença dolorosa, além de outras figuras que refletem a situação de empobrecimento da sociedade argentina. A produção audiovisual também vai contar com personagens e passagens de outros textos da obra. Entre eles, o de uma jornalista que ao investigar o arrepiante caso de uma jovem que desapareceu em um hotel de Los Angeles, acaba confrontando outra lenda local.

Inspirando-se na tradição - de romances góticos a Stephen King e Thomas Ligotti -, Mariana Enriquez explora novas formas de  nos conduzir pelos brilhantes caminhos de sua imaginação. A partir destas e outras referências da literatura mundial, ela transforma histórias com temas perturbadores em narrativas envolventes, como no enredo sobre voluntários de uma ONG que distribuem alimentos em bairros pobres e são perseguidos por crianças com olhos escuros assustadores. Mais uma vez, ela trabalha com maestria as diversas facetas do medo.

Após seu monumental e aclamado romance "Nossa Parte de Noite", a autora retorna aos contos e prova que permanece no auge da carreira como uma figura proeminente e inovadora do gênero do terror, que ela elevou aos mais altos patamares literários. Compre o livro de "Um Lugar Ensolarado para Gente Sombria", de Mariana Enriquez, neste link.


Sobre a autora
Mariana Enriquez
nasceu em Buenos Aires, em 1973. É escritora, jornalista e professora. Pela Intrínseca, publicou as coletâneas de contos "As Coisas que Perdemos no Fogo" e "Os Perigos de Fumar na Cama" e os romances "Este é o Mar" e "Nossa Parte de Noite", que ganhou na Espanha o Premio Herralde de Novela e o Premio de la Crítica 2019. Compre os livros de Mariana Enriquez neste link.

.: Saga familiar resgata um capítulo pouco explorado da história do Brasil


A premiada escritora Anna Mariano entrelaça ficção e acontecimentos históricos para narrar a trajetória de famílias que deixaram o Sul rumo ao Centro-Oeste e ao Norte em busca de novas oportunidades

Ao longo da segunda metade do século XX, milhões de brasileiros deixaram suas casas rumo ao interior do país em um dos maiores movimentos migratórios da história nacional. Essa jornada transformou cidades, impulsionou a agricultura e ajudou a moldar o Brasil contemporâneo, mas permanece pouco retratada na literatura. É esse capítulo da história que a premiada escritora Anna Mariano resgata em "Murmúrios da Terra", romance que entrelaça ficção e realidade em uma emocionante saga familiar sobre coragem, pertencimento e memória. O livro será lançado na sexta-feira, dia 17 de julho, das 17h00 às 20h00, no Instituto Ling, em Porto Alegre.

"Na segunda metade do século XX, levando nos ombros apenas esperança e alguns metros de lona preta para se abrigarem, milhões de brasileiros abandonaram suas casas e, na busca por uma nova vida, terminaram por construir um novo país", afirma Anna Mariano. No centro da narrativa estão Cecília e Palmira, duas mulheres fortes e resilientes cujas trajetórias atravessam quatro décadas de mudanças profundas. Enquanto enfrentam perdas, preconceitos e recomeços, seus caminhos se cruzam em um Brasil marcado pelo avanço da fronteira agrícola e pelos movimentos migratórios que levaram milhares de famílias a deixar as colônias do Sul e se lançar às amplitudes então solitárias do Centro-Oeste e do Norte do país.

Ao acompanhar os segredos, os afetos e os conflitos de duas famílias, Anna Mariano também aborda as contradições da ocupação do território brasileiro, marcada pela expansão da fronteira agrícola, pela busca por novas terras e pelos impactos sociais e ambientais desse processo. Entre as transformações retratadas no romance está a expansão da cultura da soja, que impulsionou a ocupação do Centro-Oeste e mudou profundamente a economia brasileira. "A história dessa planta e dos milhões de pessoas que a ela se dedicaram merece ser contada", diz Anna Mariano.

Com sensibilidade e apuro histórico, Anna Mariano transforma um dos maiores movimentos migratórios da história brasileira em uma narrativa profundamente humana, mostrando que a verdadeira herança de uma família não está no que ela acumula, mas nas histórias que escolhe preservar. Compre o livro "Murmúrios da Terra", de Anna Mariano, neste link.

Sobre a autora
Anna Mariano
nasceu em Porto Alegre e passou a infância no interior de São Borja, cidade fronteiriça entre Brasil e Argentina. Formada em Direito pela UFRGS, deixou a advocacia para se dedicar à literatura. É autora premiada de prosa e poesia. "Murmúrios da Terra" é seu primeiro livro publicado pela Globo Livros.

Serviço
Evento de lançamento do livro "Murmúrios da Terra"

Sexta-feira, dia 17 de julho de 2026, das 17h00 às 20h00
Instituto Ling - R. João Caetano, 440 - Três Figueiras / Porto Alegre

.: Seminário sobre Commedia Dell´ Arte, Máscara e Teatro de Dario Fo em SP


De 14 a 20 de julho acontece o Seminário sobre a Commedia Dell´ Arte, a Máscara e o Teatro de Dario Fo no Teatro Commune. Participam Fred Hunzicker, Helô Cardoso, Neyde Veneziano e Wanderley Martins. A mediação é de Augusto Marin. Grátis! Dario Fo, é autor, diretor e ator em mais de cem farsas, comédias, músicas e monólogos como Mistério Bufo, além de ter sido pintor, cenógrafo, figurinista, encenador, militante político e vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 1997. É considerado o autor mais encenado do mundo, depois de Shakespeare! Em março deste ano, comemora-se o centenário de Dario Fo, que morreu em 2016.

O teatro dele combina farsa, comicidade popular, crítica social e invenção cênica. Ele usa a tradição medieval para falar do presente, a ironia e o absurdo como armas contra o poder, a censura, e o medo. Segundo Fo: "O poder teme o riso porque o riso destrói o medo". Em suas peças, o público ri antes de perceber que está sendo levado a refletir sobre desigualdade, violência institucional e manipulação política.

As palestras integram o projeto 20 anos de uma Commune Teatral, realizado com recursos da Edição 41º, da Lei de Fomento ao Teatro da Cidade de Sâo Paulo, tendo a parceria da Fondazione Dario Fo & Franca Rame, da Itália, e o Istituto Italiano di Cultura di San Paolo, na celebração dos 100 anos de Dario Fo. 


"O Teatro de Dario Fo e a Commedia Dell´Arte"
Com Neyde Veneziano     
Dia 14 de julho, terça-feira – das 19h30 às 21h30 – Teatro Commune
Neyde falará de Dario Fo, um dos assuntos importantes que ressalta em suas obras, mas de uma forma cômica e popular. Sua obra continua atual e Neyde explicará, com detalhes, fatos, imagens, vídeos e técnicas do seu teatro que é muito mais que italiano: é universal.
Neyde Veneziano é Professora Doutora e Livre Docente pela ECA/USP. Fez pós Doutorado na Universidade de Bolonha entre 2000-2001. Neyde conviveu com o casal Fo e Rame durante em Milão, onde fez sua pesquisa denominada Rigor e Improviso na obra de Dario Fo. De volta ao Brasil, Neyde publicou seu primeiro livro, resultado de suas investigações, intitulado "A Cena de Dario Fo, o exercício da imaginação." Este é o único livro escrito em portuguesa, sobre Dario Fo.


"A História da Máscara Teatral Cômica e da Commedia Dell´Arte"
Com Helô Cardoso e Wanderley Martins
15 de julho, quinta-feira, das 19h30min às 21h30min – Teatro Commune
O encontro será uma viagem pela evolução da máscara teatral, desde o seu nascimento, suas transformações estéticas e sua permanência na cena atual, com a exibição de imagens de máscaras Gregas, Atelanas, de Commedia Dell´ Arte, brasileiras e do teatro contemporâneo. E sobre o processo de Confecção da Máscara, Moldes e Materiais. No teatro grego, se usava máscaras tanto na tragédia quanto na comédia. Com a expansão romana, a tradição grega foi adaptada nas Farsas Atelanas. Eram espetáculos populares, improvisados e irreverentes, com tipos, como: o velho avarento, o tolo, o fanfarrão, o glutão e o corcunda. No século XVI, surge a Commedia Dell' Arte, na Itália, que desenvolveu personagens fixos, cada qual identificado por uma máscara, que deixava de representar apenas um rosto para tornar-se uma verdadeira dramaturgia corporal: cada máscara exigia um corpo, um ritmo e uma voz específicos. Helô e Wanderley farão uma ponte com as máscaras brasileiras, que nascem do encontro entre culturas indígenas, africanas e europeias. Do Cavalo-Marinho, Bumba Meu Boi, a Folia de Reis e os "Clóvis" do carnaval carioca, máscaras que misturam comicidade, religiosidade e crítica social. Elas representam animais, figuras fantásticas, soldados, diabos e personagens caricatos, preservando uma tradição popular em que rir também significa questionar a ordem estabelecida.
Helô Cardoso, é artista visual, mascareira, cenógrafa e figurinista. Docente do Instituto de Artes da Unicamp, desde 1986, ministra disciplinas, como a de Criação e Confecção de Mascaras no Teatro e outras. Fez cursos de máscaras e escultura com Donato Sartori (Centro Maschere e Strutture Gestual, Itáliai e mascareiros na França, Bali - Indonésia, “Masks of Transformation” (Illinois – EUA). Participou de várias exposições, performances, congressos e festivais nacionais e internacionais. Recebeu prêmios e indicações em cenografia, figurino e artes gráficas. Participa das Quadrienais de Praga, desde 1995, representando o Departamento de Artes Cênicas e orientando alunos.
Wanderley Martins é professor do Departamento de Artes Cênicas do Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas. Graduado em Artes Cênicas pela Universidade de São Paulo, possui ampla trajetória como diretor teatral, pesquisador e docente, sendo uma referência no ensino das artes cênicas no Brasil. Sua atuação concentra-se nas áreas de teatro, dramaturgia brasileira, encenação, direção musical e formação do ator. Participou dos Grupos de Teatro Mambembe, Pessoal do Victor, Teatro Paideia, Teatro Ventoforte e Teatro do Incêndio. É diretor cultural da ADUNICAMP.


"A Commedia Dell´ Arte e a Arte do Ator"
Com Fred Hunzicker
20 de julho, segunda-feira, das 19h30 às 21h30 – Teatro Commune
A Commedia dell'Arte revolucionou a história do teatro ao colocar o ator no centro da criação cênica. Diferentemente do teatro baseado em textos fixos, seus artistas trabalhavam a partir de roteiros, improvisando diálogos e situações diante do público. Para isso, desenvolviam uma técnica refinada de interpretação, que reunia domínio do corpo, da voz, da máscara, da música, da acrobacia e do tempo cômico. Mais do que decorar falas, o ator aprendia a escutar o público, responder ao inesperado e transformar cada espetáculo em um acontecimento único. A improvisação não era fruto do acaso, mas de uma técnica rigorosa construída ao longo de anos de treinamento. Essa tradição atravessou os séculos e influenciou profundamente o teatro moderno. Mestres como Jacques Lecoq, Dario Fo e Ariane Mnouchkine retomaram seus princípios para reafirmar a centralidade do ator como criador da cena. Fred fará algumas ligações entre a Commedia Dell´ Arte e manifestações e festas populares brasileiras, como Cavalo Marinho, Frevo, Bumba Meu Boi e Carnaval. Estudar a Commedia dell'Arte é compreender que o teatro acontece, antes de tudo, no encontro entre o ator e o espectador. É reconhecer que a técnica só ganha sentido quando está a serviço da imaginação, do jogo, da escuta e da presença. Em um tempo marcado pela velocidade e pelas tecnologias, a Commedia continua nos lembrando que a essência do teatro permanece a mesma: um ser humano diante de outro, compartilhando histórias por meio do corpo, da voz e da arte de representar.
Fred Hunzicker, é professor do departamento de Artes Cênicas da UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto, MG). Graduou-se em Artes Cênicas pela Unicamp em 1997 e fez mestrado pela Universidade Estadual de Campinas em 2004. Ingressou na UFOP em 2006 no DEART. Doutor em Artes da Cena pela UNICAMP em 2015, defendo a tese de doutorado em ARTES DA CENA: A Academia Dell´arte - Uma análise histórica e artística sobre o fenômeno da Commedia Dell´Arte na Europa com reverberações no Brasil". Vários trabalhos artísticos como direção e interpretação na área teatral e circense. Ganhou o prêmio CIRCULA MINAS em 2016.


Uma Commune Teatral
O grupo, fundado em 2003, desenvolve pesquisa, produção, formação e intercambio teatral, tendo recebido diversos prêmios e se apresentado em Portugal e na Argentina. No repertório: Ubu Rei, de Alfred Jarry, com Esther Góes, Na Cama com Molière, baseado em O Doente Imaginário, e Otelo, de Shakespeare, ambos com direção de John Mowat, Anti Comics, uma paródia dos Super Heróis, de Sonia Daniel (coprodução internacional com apoio do IBERESCENA). Em 2014, foi declarada Patrimonio Cultural do Município de São Paulo, pelo CONPRESP. Desde 2006, é Ponto de Cultura com o Projeto Teatro Cidadão, que já formou mais de 2.000 jovens através de oficinas e da montagem de espetáculos. O Teatro Commune, sede do grupo, conta com 100 lugares, equipamento de luz e som, ar condicionado, acessibilidade, café, galeria de exposições e está aberto para quem quiser fazer peças, shows, stand-ups, ensaios, cursos e eventos corporativos.


Serviço
Seminário sobre a Commedia Dell´ Arte, a Máscara e o Teatro de Dario Fo
14 a 20 de julho, sempre das 19h30 às 21h30
Mediação de Augusto Marin

Dia 14, terça-feira - O Teatro de Dario Fo e a Commedia Dell´Arte com Neyde Veneziano

Dia 15, quinta-feira - A História da Máscara Teatral Cômica e da Commedia Dell´Arte com Helô Cardoso e Wanderley Martins

Dia 20, segunda-feira - A Commedia Dell´ Arte e a Arte do Ator com Fred Hunzicker

Teatro Commune | Rua da Consolação, 1218, Consolação, 01302-001, São Paulo/SP | Instagram @teatrocomunne

Próximo ao Metrô Higienópolis-Mackenzie

Capacidade: 98 lugares + 1 Cadeirante e 1 obeso

Inscrições: https://forms.gle/MWrwkZbyNh9WTevK6

Grátis.

.: “Dias Felizes”, de Samuel Beckett, em montagem da Armazém Cia. de Teatro


Entre ironia, desespero e beleza, a montagem de “Dias Felizes” pela Armazém Companhia de Teatro propõe uma experiência cênica intensa sobre o tempo, a memória e a persistência humana. Foto: Mauro Kury

“Dias Felizes”, de Samuel Beckett, retorna aos palcos pela Armazém Companhia de Teatro, explorando, com ironia mordaz, o frágil equilíbrio entre o contentamento e o desespero. Neste clássico do século XX, a condição humana é exposta com brutalidade e sarcasmo, revelando como nos agarramos a rituais e memórias para suportar a passagem do tempo. 

Sob a direção de Paulo de Moraes - vencedor em 2024 do Prêmio APTR de Melhor Direção por “Brás Cubas” -, a montagem ressignifica a jornada de Winnie (Patrícia Selonk – vencedora dos prêmios Shell, Mambembe e APTR), explorando a fina camada que separa o otimismo da resignação. A temporada de estreia em São Paulo será no Sesc Pompeia, até dia 19 de julho. No elenco, Patrícia Selonk como Winnie e Felipe Bustamante, Isabel Pacheco e Jopa Moraes revezando em dias alternados a personagem Willie.

Enterrada até a cintura - e depois até o pescoço - Winnie encontra em seus pequenos rituais a última linha de defesa contra o colapso. Entre o sino estridente que pontua seu dia como um despertador sem trégua e o sol impiedoso que derrete qualquer noção de tempo, ela se apega ao conteúdo de sua bolsa espaçosa: uma escova de dentes, um batom, um espelho - e, mais ameaçadoramente, um revólver. Willie, seu companheiro enigmático e silencioso, é interpretado em dias alternados por Felipe Bustamante, Isabel Pacheco e Jopa Moraes. Na concepção da Armazém, Willie não é apenas um espectador passivo da decadência de Winnie, mas um parceiro de cena improvável – ora cúmplice silencioso, ora um lembrete incômodo de que até a solidão pode ter companhia.

Beckett definiu Winnie como “um pássaro com óleo em suas penas”, uma criatura do ar condenada a uma existência terrestre. Sua luta não é apenas pessoal, mas também coletiva. Se, no passado, a paisagem desolada da peça remetia à catástrofe nuclear, hoje ela ressoa com a paisagem ressecada do aquecimento global. A crise existencial do eu se funde à crise da espécie – e talvez do planeta. (Paulo de Moraes)

Na montagem, o humor ácido de Beckett ganha relevo, revelando-se nas repetições obstinadas de Winnie, em seu otimismo inabalável diante do absurdo e na própria mecânica implacável do tempo. Entre o riso e a ruína, a peça constrói um jogo cruel e fascinante, onde cada palavra dita ressoa como um eco entre a esperança e o delírio.


Sobre a estética da montagem da Armazém, por Paulo de Moraes
"Dias Felizes" é uma peça sobre a insistência. E nosso cenário tenta tornar visível essa insistência: o deserto como palco, o horror como textura, a luz como testemunha. Na nossa montagem, a beleza não surge apesar do horror - ela nasce dele. O cenário parte desse princípio. A superfície inclinada, instável, quase desumana, não representa apenas a terra que engole Winnie: ela é um corpo estranho, áspero, um terreno que recusa qualquer promessa de conforto. Ainda assim, é ali, nesse espaço de ruína e desamparo, que procuramos um tipo raro de beleza - aquela que não suaviza o abismo, mas o revela.

A luz de uma espécie de sol impossível, é mais testemunha que outra coisa. não vem iluminar para proteger; ilumina para expor. É uma beleza que queima. Um brilho que denuncia a imobilidade, que embala com violência, que transforma a rotina de Winnie em uma espécie de ritual trágico. Ao mesmo tempo, essa luz cria uma poética própria: uma paisagem onde o horror ganha contornos nítidos e, paradoxalmente, delicados. É a beleza do inevitável, que existe quando a vida continua apesar de tudo.

Outro ponto fundamental, é que houve uma preocupação em nossa montagem de usar um procedimento que o próprio Beckett usou, quando fez sua versão em francês do texto originalmente escrito por ele em inglês. Como Beckett faz no texto diversas citações a autores e textos, quando traduziu sua obra para o francês, Beckett trocou as citações para autores e obras relacionadas à língua francesa. Da mesma forma, na tradução de Jopa Moraes, as citações foram substituídas por autores e obras da literatura em língua portuguesa. Mantém a essência beckettiana, mas aproxima um pouco mais o espectador brasileiro do universo da peça.


Ficha técnica
Espetáculo "Dias Felizes", de Samuel Beckett
Direção: Paulo de Moraes
Elenco: Patrícia Selonk como Winnie e Felipe Bustamante, Isabel Pacheco e Jopa Moraes revezando em dias alternados a personagem Willie.
Tradução: Jopa Moraes
Iluminação: Maneco Quinderé
Cenografia: Carla Berri e Paulo de Moraes
Figurinos: Carol Lobato
Música original: Ricco Viana
Designer gráfico: Jopa Moraes
Fotografias: João Gabriel Monteiro
Assessoria de imprensa: Ney Motta
Pedras cenográficas: Alex Grilli
Efeito sombrinha: Paulo Denizot
Videografismo: João Gabriel Monteiro e Paulo de Moraes
Assessoria para videografismo: Rico Vilarouca
Colaboração artística: Lorena Lima
Assistente de produção: Lorena Lima e Malu Selonk                                           
Produção São Paulo: Pedro Freitas | Périplo                       
Produção: Armazém Companhia de Teatro

Serviço
"Dias Felizes", de Samuel Beckett
Direção: Paulo de Moraes
Elenco: Patrícia Selonk como Winnie e Felipe Bustamante, Isabel Pacheco e Jopa Moraes revezando em dias alternados a personagem Willie.
Local: Sesc Pompeia – Rua Cléia, 93, Pompéia, São Paulo
Temporada até dia 19 de julho de 2026
Horários: quintas-feiras, às 20h00, sextas, às 16h00 e 20h00, sábados, às 20h00, e domingos, às 18h00.
Valor dos ingressos: R$ 70,00 (inteira) / R$ 35,00 (meia-entrada) / R$ 21,00 (credencial plena)
Classificação: 14 anos
Duração: 80 minutos

terça-feira, 7 de julho de 2026

.: Livro revisita o impacto de "Pau Brasil" cem anos após a revolução modernista


Publicação organizada pela pesquisadora Gênese Andrade reúne fac-símile da primeira edição, manuscritos, textos críticos e documentos que reconstituem a recepção do livro e do manifesto no calor da década de 1920


Há cem anos, Oswald de Andrade transformava o nome de uma árvore marcada pela exploração colonial em símbolo de ruptura estética e invenção cultural. É desse gesto fundador do modernismo brasileiro que parte "Pau Brasil 100 Anos: O Manifesto e o Livro no Calor da Hora", obra organizada por Gênese Andrade e lançada pela Editora Unesp, que revisita a criação, a circulação e as polêmicas em torno de "Pau Brasil", publicado originalmente em 1925.

Além de recuperar os poemas do livro, a publicação recompõe o ambiente intelectual e artístico que cercou o projeto oswaldiano. O volume reúne a reprodução fac-similar da primeira edição da obra, o “Manifesto da Poesia Pau Brasil”, manuscritos dos poemas, esboços das ilustrações e da capa de Tarsila do Amaral, além de dezenas de textos críticos, cartas, notas sociais e documentos da época que permitem acompanhar a recepção imediata do livro entre admiradores e detratores.

 “A poesia «pau-brasil» é o ovo de Colombo — esse ovo, como dizia um inventor meu amigo, em que ninguém acreditava e acabou enriquecendo o genovez”, escreveu Paulo Prado, no prefácio do livro, apontando que Oswald, em seu projeto estético, defende uma poesia capaz de redescobrir o Brasil a partir de sua própria linguagem e de sua própria experiência histórica. A proposta de “poesia para exportação”, formulada pelo autor, desencadeou intensos debates estéticos e ideológicos, transformando "Pau Brasil" em um dos principais marcos do modernismo brasileiro.

Ao recuperar textos publicados entre 1924 e 1927 em jornais e revistas de diferentes cidades brasileiras, a obra organizada por Gênese Andrade evidencia a dimensão pública dessas disputas. Críticos, escritores e intelectuais como Tristão de Athayde, Menotti Del Picchia, Carlos Drummond de Andrade e Mário Graciotti participaram de um embate que extrapolava a literatura e colocava em jogo diferentes projetos de cultura nacional.

Entre manuscritos, correspondências e registros de circulação do livro, "Pau Brasil 100 Anos" também ilumina os bastidores da construção modernista, revelando o entusiasmo de Oswald de Andrade diante da repercussão da obra. “Os jorná só fala de 'Pau Brasil'. As moça também”, escreveu o autor em uma das cartas reproduzidas no volume.

“Considerado um marco da poesia brasileira e das artes gráficas e visuais do século XX, esta publicação evidencia que temos em 'Pau Brasil' versos como brasa dormida, e Oswald continua sendo ‘com pontaços de exagero, com perfídias líricas, com enorme e suntuoso talento – um grande, um sonhador, um destemido caudilho do pensamento estético no Brasil’”, anota Gênese. Compre o livro "Pau Brasil 100 Anos: O Manifesto e o Livro no Calor da Hora" neste link.


Sobre a organizadora
Gênese Andrade é professora universitária, pesquisadora independente e tradutora. Autora de "Pagu/ Oswald/ Segall" (Museu Lasar Segall; Imprensa Oficial, 2009) e "Vicente do Rego Monteiro" (Publifolha, 2013), entre outros. Organizadora de "Feira das Sextas" (Globo, 2004), "Arte do Centenário e Outros Escritos" (Editora Unesp, 2022), "El Arte del Centenario y Otros Escritos" (Eudeba, 2024), de Oswald de Andrade; "Modernismos 1922-2022" (Companhia das Letras, 2022); "Correspondência Mário de Andrade & Oswald de Andrade" (IEB-USP; Edusp, 2023); "1923: Os Modernistas Brasileiros em Paris" (Editora Unesp, 2024). Garanta o seu exemplar de "Pau Brasil 100 Anos: O Manifesto e o Livro no Calor da Hora" neste link.

.: Uma girafa, um pelicano e um sonho: a fantasia irresistível de Roald Dahl


Com as premiadas ilustrações de Quentin Blake, o livro "A Girafa, o Pelicano e Eu", de Roald Dahl, lançado pela Editora Galera Junior, é uma história divertida reforça o poder da amizade e nunca desistir de seus projetos. O grande sonho do querido Billy é ser dono da loja de doces abandonada A Bomboneria, que fica perto de sua casa. Mas o lugar, que já teve seus anos de glória, agora está abandonado. A tradução é de Paula Di Carvalho.

Tudo muda com a chegada de moradores inusitados: a Girafa, o Pelicano e o Macaco. Juntos, os animais compõem a Empresa de Limpeza de Janelas Sem Escadas, e logo os três se tornam os melhores amigos de Billy. E então, quando surge uma oferta de trabalho irrecusável, o quarteto aceita o desafio na hora: limpar as 677 janelas da mansão do homem mais rico do país. O patrão só não imaginava que a Empresa de Limpeza de Janelas Sem Escadas tivesse um jeitinho especial para deixar tudo bem limpinho. Compre o livro "A Girafa, o Pelicano e Eu" neste link.


Sobre o autor
Roald Dahl foi espião, piloto de caça, historiador do chocolate e inventor médico. Também foi autor de "A Fantástica Fábrica de Chocolate", "Matilda", "O BGA: O Bom Gigante Amigo" e muitas outras histórias incríveis.


Sobre o ilustrador
Quentin Blake ilustrou mais de 300 livros e foi o ilustrador favorito de Roald Dahl. Em 1980, ele ganhou o prestigioso Kate Greenway Medal. E, em 1999, tornou-se a primeira pessoa a receber o Children’s Laureate, tendo sido também, em 2013, nomeado cavaleiro pelos seus trabalhos como ilustrador.

.: Dia Mundial do Rock: livro conta histórias que marcaram o rock brasileiro


Fabricio Mazocco, jornalista e pesquisador, está lançando livro inédito que reúne 50 histórias marcantes do rock brasileiro em mais de sete décadas

13 de julho é comemorado o Dia Mundial do Rock no Brasil, outros países fazem a celebração em datas diferentes). Mas o que aconteceu no 13 de julho no nosso país para tal comemoração? Nada. Se tivéssemos uma data para marcar o Dia do Rock Brasileiro, poderia ser 24 de outubro, quando, no ano de 1955, Nora Ney gravou o primeiro rock no Brasil, uma versão em inglês de "Rock Around The Clock". Mas também tem o 30 de janeiro de 1957, quando Cauby Peixoto gravou o primeiro rock composto no Brasil, o "Rock'n'Roll em Copacabana". 

Poderia ser 11 de janeiro, data que marcou o início da primeira edição do Hollywood Rock no Brasil, em 1975, e do Rock in Ruio, de 1985. Todos esses fatos estão no  livro "Esse Tal de Rock'n'Roll - 50 Histórias Essenciais do Rock Brasileiro", do jornalista e pesquisador Fabricio Mazocco e publicado pela Editora Máquina de Livros, que está sendo lançado e que traz uma abordagem inédita ao trazer as histórias em formato de contos e causos (mas todos bem reais).

Fabricio Mazocco, que pesquisa o rock brasileiro e é um dos autores da biografia do ex-guitarrista dos Engenheiros do Hawaii, Augusto Licks, inicialmente identificou quase 500 histórias que poderiam entrar no livro. Para selecionar 50, usou como metodologia a abordagem que transita por todas as décadas, com maior número de artistas e bandas, além de "instituições" e eventos, como o Circo Voador, a Rádio "Maldita" Fluminense, o Teatro Lira Paulistana, o Festival Unificado de Porto Alegre, o Rock in Rio, o Festival de Iacanga, a MTV Brasil, entre tantos outros.  O livro inova ao permitir que o leitor possa ler os capítulos de forma aleatória, como também seguir a ordem cronológica da publicação.

As histórias vão desde a quase demissão de Celly Campello antes do sucesso de "Estúpido Cupido", passando pela Marcha Contra a Guitarra, a expulsão da Rita Lee dos Mutantes por não se "enquadrar" no novo som dos Mutantes, a deportação de Tim Maia, a comunidade dos Novos Baianos, a puxada de tapete no Ritchie, o punk paulistano e de Brasília, o estouro da Blitz,as prisões de Arnaldo Antunes, Lobão e Planet Hemp, a capa da revista que abalou Cazuza, a confusão do show da Legião Urbana, a pandeirada que rolou no Kid Abelha, o Sepultura gravando com os Xavantes, o acidente de Herbert Vianna, o Manifesto Manguebeat, a morte de Chorão, o suicídio de Champignon, até os reencontros dos Titãs, do Barão Vermelho e do Kid Abelha. Também estão lá os mitos e lendas do nosso rock desvendados: é verdade mesmo que Raul Seixas encontrou John Lennon? Serguei teve um caso com Janis Joplin? No livro estão as respostas. O livro está disponível na Amazon e em livrarias e também no formato e-book. Compre neste link.

.: "O Gabinete de Maravilhas do Seu Lé" traz apresentações gratuitas para SP


Uma carroça cenográfica puxada por uma bicicleta, operada por um único artista, transforma o espaço público em um palco de curiosidades, ilusões e descobertas científicas. Foto: Paulo Rapoport

Diretamente do imaginário dos antigos Gabinetes de Curiosidades do século XVI e do realismo mágico da literatura, chega às ruas "O Gabinete de Maravilhas do Seu Lé", projeto contemplado pelo Edital Fomento CultSP PNAB Nº 34/2024. Conduzido e operado de forma solo pelo carismático artista Seu Lé, interpretado pelo ator Marcelo Zurawski, este microcirco ambulante acoplado a uma bicicleta viaja pelo espaço e pelo tempo para encantar públicos de todas as idades. As apresentações gratuitas acontecem dia 19 de julho, às 14h00, na Biblioteca de São Paulo, dia 25 de julho, às 16h00, no Parque da Luz, e dia 26 de julho, às 14h00, na Biblioteca Parque Villa-Lobos.

Misturando as linguagens clássicas do circo de rua e do teatro de variedades com o fascinante universo da física e da acústica, o espetáculo apresenta números interativos construídos com aparelhos completamente inusitados. No picadeiro itinerante do Seu Lé, a ciência não é uma matéria de laboratório, mas sim poesia em movimento que ganha vida através da participação ativa dos espectadores.

Nesta temporada de estreia, Seu Lé desafia a lógica dos sentidos e convida o público a interagir diretamente com três invenções extraordinárias. Há o Harmonógrafo: um aparato mecânico que traduz som em imagem, permitindo que a plateia veja a representação gráfica de frequências acústicas desenhadas bem diante dos seus olhos. A Cenoura Sonora: Uma demonstração lúdica de engenhosidade onde uma cenoura comum de feira é escavada ao vivo e transformada em um clarinete perfeitamente afinado e funcional. A Cadeira do Momento Angular: Uma experiência física e sensorial na qual os espectadores são convidados a sentar e sentir no próprio corpo os efeitos invisíveis da conservação do movimento através de um eixo giratório.

Inspirado no lendário cigano Melquíades - personagem de "Cem Anos de Solidão", de Gabriel García Márquez, que maravilhava a isolada Macondo com imãs, gelo e telescópios -, o espetáculo resgata o papel histórico do circo como o grande difusor das novidades do mundo, democratizando o acesso à cultura e estimulando o pensamento crítico através do riso, do deslumbramento e da curiosidade.


Ficha técnica
Espetáculo "O Gabinete de Maravilhas do Seu Lé"
Concepção, direção e atuação: Marcelo Zurawski
Concepção e projeto da carroça: Silvia Gandolfi
Música original: Sérgio Zurawski
Construção da carroça: Rosane Gruman e Marcelo Zurawski
Desenvolvimento dos instrumentos científicos: Marcelo Zurawski
Contrarregragem: Anderson Siqueira
Projeto contemplado pelo Edital Fomento CultSP PNAB Nº 34/2024 Produção e Apresentação de Número Circense


Serviço
Espetáculo "O Gabinete de Maravilhas do Seu Lé"

Espetáculos gratuitos | Indicação: livre -  recomendado para toda a família
Duração: 50 minutos

Biblioteca de São Paulo
dia 19 de julho, domingo, às 14h00
Parque da Juventude – Av. Cruzeiro do Sul, 2630 - Santana

Parque da Luz
dia 25 de julho, sábado, às 16h00
Praça da Luz, s/n - Bom Retiro

Biblioteca Parque Villa-Lobos
26 de julho, domingo, às 14h00
Av. Queiroz Filho, 1205 - Alto de Pinheiros

.: Novo filme "Entrando Numa Fria" muda nome por causa de Ariana Grande


Em resposta aos fãs, Paramount Pictures muda título de filme com Ariana Grande para "Entrando Numa Grande Fria". Com Robert De Niro e Ben Stiller no elenco, quarto filme da franquia de comédia estreia em 26 novembro nos cinemas

Atendendo ao pedido dos fãs, a Paramount Pictures anunciou a atualização do título oficial da nova comédia com a atriz Ariana Grande no Brasil: “Entrando Numa Fria” vira “Entrando Numa Grande Fria”. A mudança faz referência ao sobrenome da artista, que divide o protagonismo do filme ao lado de Robert De Niro e Ben Stiller. 

Neste novo capítulo da franquia, Henry (Skyler Gisondo), filho de Greg (Ben Stiller) e Pam (Teri Polo), se apaixona por Olivia Jones (Ariana Grande), uma mulher que parece não combinar nada com ele. A sequência ainda conta com Owen Wilson, Beanie Feldstein e Blythe Danner no elenco. 

John Hamburg, que produziu “Entrando Numa Fria Maior Ainda com a Família”, agora assume a direção e o roteiro do quarto longa. O filme é produzido pela Delirious Media e a Particular Pictures. A distribuição é da Paramount Pictures.

.: "O Solitário" revisita o auge físico e dramático de Belmondo


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

"O Solitário" chega ao catálogo da plataforma de streaming Belas Artes À La Carte  resgatando um tipo de cinema policial que fez escola na França dos anos 1980, com ação direta, ruas de Paris como cenário e um protagonista que carrega o peso da própria obstinação. Dirigido por Jacques Deray, o longa-metragem marca mais um encontro do cineasta com Jean-Paul Belmondo, parceria que ajudou a consolidar uma vertente popular e musculosa do thriller europeu.

Na trama, Belmondo interpreta Stan Jalard, policial que vê a vida virar do avesso após a execução de um colega durante uma operação. A partir daí, o que se desenha é uma caçada persistente ao responsável pelo crime, o bandido Charly Schneider (Jean-Pierre Malo), que reaparece anos depois, reacendendo uma busca atravessada por violência, corrupção e desgaste emocional. Michel Beaune completa o elenco principal como o comissário Pezzoli, figura que tensiona ainda mais o ambiente policial.

Com roteiro assinado por Jacques Deray, Simon Michaël e Alphonse Boudard, o filme aposta em uma narrativa linear, sustentada pelo carisma físico de Belmondo e por sequências de ação que dispensam dublês sempre que possível. À época das filmagens, o ator já se aproximava dos 55 anos e mantinha a tradição de realizar suas próprias cenas de risco, o que reforçava sua imagem de herói durão e indomável, uma assinatura que o público reconhecia de imediato.

"O Solitário" também evidencia uma mudança de tom na carreira do ator. Longe da leveza irreverente que marcou sua fase na nouvelle vague, Belmondo surge mais rígido, marcado pelo cansaço e por uma solidão que contamina cada decisão do personagem. Essa transição ajuda a entender por que o filme, mesmo com ambição comercial, carrega um subtexto mais amargo, refletindo um policial que já não acredita tanto nas regras que deveria defender.

Curiosamente, a produção chegou a ser comercializada em alguns países como uma espécie de continuação de "O Profissional" (1981), estratégia de mercado que não encontra respaldo na história. Na França, o desempenho nas bilheteiras ficou abaixo do esperado, indicando um certo desgaste desse tipo de narrativa policial naquele momento. Ainda assim, o longa permanece como registro de uma fase em que Belmondo dominava o cinema de ação europeu com presença e energia raras. Com duração enxuta e ritmo constante, "O Solitário" encontra força no embate entre um homem e aquilo que o mantém em movimento: a necessidade de fazer justiça, mesmo quando tudo ao redor parece já ter perdido o sentido.

Ficha técnica
“O Solitário” | "Le Solitaire" (título original)
Gênero: policial, ação. Duração: 100 minutos. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 1987. Data de lançamento: 18 de março de 1987 (França). Idioma: francês. Direção: Jacques Deray. Roteiro: Jacques Deray, Simon Michaël, Alphonse Boudard. Elenco: Jean-Paul Belmondo, Jean-Pierre Malo, Michel Beaune. Distribuição no Brasil: Belas Artes à La Carte. Cenas pós-créditos: não Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


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A equipe do portal Resenhando.com acompanha parte da cobertura cinematográfica por meio da Belas Artes À La Carte, plataforma brasileira dedicada ao cinema de arte, clássicos e produções premiadas de diferentes países. Criado pelo grupo responsável pelo tradicional cinema Belas Artes, em São Paulo, em parceria com a Pandora Filmes, o serviço reúne um catálogo com curadoria especializada, incluindo obras raras, títulos restaurados e destaques de festivais internacionais. Para acessar o catálogo completo, conferir os lançamentos semanais e realizar a assinatura, basta acessar o site ou aplicativo da plataforma. Os planos têm valores acessíveis, com opção mensal e anual, além de locação avulsa para títulos específicos. Você pode assinar o Belas Artes À La Carte neste link.
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