segunda-feira, 27 de julho de 2026

.: Thiago Martins traz terceira edição do "Quintal Do TG" para SP em agosto


Com formato de roda, evento acontece na Casa Aragon no dia 1º de agosto. Foto: Junior Guedes

O cantor e ator Thiago Martins já tem data marcada para reencontrar o público paulistano. No dia 1º de agosto, ele traz a São Paulo a terceira edição do "Quintal do TG", projeto musical que se estabeleceu como um dos principais momentos de sua carreira na música. O evento acontece na Casa Aragon, espaço localizado na Zona Sul da cidade, com abertura dos portões programada para as 17h.

No repertório, Thiago apresenta as faixas que dão identidade ao seu projeto audiovisual de sucesso, que já conta com várias edições lançadas e milhões de execuções nas plataformas digitais, além de passear por grandes clássicos do pagode que marcaram gerações. A proposta foge do formato de palco tradicional, apostando em uma dinâmica em que o público canta junto do início ao fim, transformando o fim de tarde em uma grande celebração.

Para este reencontro com o público paulista, o evento preparou um time de peso de convidados especiais. Além da cantora Lais Bianchessi, considerada uma das principais vozes femininas da nova geração do pagode romântico, o evento também terá as participações imperdíveis como o cantor Salgadinho, Billy SP e de Lucas Morato, prometendo um verdadeiro encontro de gerações do pagode.

Para garantir que tudo saia exatamente como planejado, o cantor esteve pessoalmente em São Paulo para realizar uma visita técnica no local do evento, acompanhando de perto os preparativos de cenografia e ambientação.

"Fiz questão de conhecer o espaço de perto para acompanhar os preparativos e garantir que o público tenha um dia incrível. Estamos cuidando de cada detalhe para manter a energia e a verdade que o Quintal do TG tem. Não é um show engessado, é uma roda, um lugar para o povo cantar junto, tomar uma cerveja e curtir um pagode bom com os amigos. São Paulo sempre nos recebe com um carinho surreal, e o público pode esperar uma entrega muito bonita da nossa parte", destaca Thiago Martins.

A história do "Quintal do TG" começou a ganhar vida a partir de um planejamento cuidadoso entre Thiago Martins e seu empresário, Neto Mallupy. A ideia central dos dois era construir um projeto robusto que trouxesse a total originalidade e a identidade do artista, permitindo que ele cantasse as músicas que realmente ouve, gosta e que fazem parte de sua trajetória, em um formato onde ficasse completamente à vontade. O pontapé inicial não poderia ter sido em outro lugar: a primeira gravação foi feita diretamente na comunidade do Vidigal, onde Thiago nasceu e cresceu. O que nasceu como um desejo de resgatar as raízes do gênero acabou ganhando o Brasil inteiro, mantendo sempre o propósito de levar a essência e o clima descontraído do cantor por onde passa.

A escolha do horário, no fim de tarde, reforça o conceito de evento que começa à luz do dia e se estende pela noite de forma natural. Após duas edições de sucesso na capital, as vendas para o novo encontro já estão abertas na internet.


Serviço
Evento "Quintal do TG" - 3ª Edição São Paulo
1° de agosto de 2026
Abertura dos portões às 17h00
Local: Casa Aragon
Endereço: Praça Professor Rômulo Ribeiro Pieroni, s/n — Zona Sul, São Paulo - SP

Ingresso: https://www.ingresse.com/quintal-do-tg-01-08/?utm_source=ig&utm_medium=social&utm_content=link_in_bio&fbclid=PAZXh0bgNhZW0CMTEAc3J0YwZhcHBfaWQPOTM2NjE5NzQzMzkyNDU5AAGnfxBXy5qiBJQvAohiX5wCIZ4klhAM7HnbgXIt4_3OS5HrEc7wx8yzSsn7l8A_aem_TDsKu29-hmJRmUhApkiQXA&utm_id=97760_v0_s00_e0_tv3


.: "Pluft, o Fantasminha" ganha grandiosa montagem assinada por Tom Arruda


A avant première acontece no dia 10 de agosto, às 20h, no CCSP, onde segue em temporada gratuita até 9 de outubro. Foto: Pablo Marck



"Pluft, o Fantasminha", escrita por Maria Clara Machado, é a obra mais importante do teatro infantil brasileiro. A história do fantasminha que tem medo de seres humanos chega a São Paulo no dia 14 de agosto, no Centro Cultural São Paulo - Sala Jardel Filho, com temporada gratuita. A direção artística é assinada pelo produtor e diretor Tom Arruda, que se mantém fiel ao texto, mas inova não só na concepção do imaginário da obra, como na avant-première da peça, que terá uma noite de gala para convidados no dia 10 de agosto, às 20h00, no CCSP. Temporada: dias 14, 15, 16, 20, 21, 29 e 30 de agosto, 3, 4, 5 e 6 de setembro e 7, 8 e 9 de outubro, sempre às 15h00. No elenco, Anderson Neves, Carolina Alcântara, Doni Gadêlha, Valdir Santos, Sanvarez, Robson Turok, Flavio Passos, Douglas Britto

O enredo gira em torno do rapto da menina Maribel pelo malvado pirata Perna-de-Pau, que a esconde no sótão de uma velha casa abandonada para forçá-la a revelar a localização de um tesouro escondido. É neste local que vive Pluft com sua mãe - famosa por seus pastéis de vento - e seu Tio Gerúndio, que passa o dia dormindo em um baú. Ao encontrar Maribel, o fantasminha precisará superar o seu pavor de pessoas para ajudá-la a fugir.

A inovadora montagem aposta em uma experiência multissensorial. Arruda cuidou pessoalmente de cada aspecto da produção para envolver o público com sensibilidade e apuro estético. O sótão em que a família de fantasmas vive ganha cores, com cenários e figurinos feitos à mão com tecidos e adereços que remetem às festas populares. A proposta visual integra o fantástico à realidade, unindo recursos tecnológicos, como projeções digitais, ao universo do circo, do teatro de rua e da cultura popular. O elenco multidisciplinar demonstra versatilidade ao dominar técnicas de atuação, música, dança, teatro de animação e circo contemporâneo.

“O resultado é um espetáculo pensado para toda a família: crianças se divertem com o movimento, jovens se identificam com a estética dinâmica, adultos redescobrem a magia atemporal e os mais velhos compartilham com as novas gerações uma história que marcou suas próprias infâncias”, resume a crítica teatral Kyra Piscitelli.


Sobre a autora
Maria Clara Machado (1921–2001) foi uma figura fundamental para a dramaturgia brasileira, sendo considerada a maior autora de teatro infantil do país. Sua trajetória é marcada pela criação de 27 peças infantis, além de diversos textos voltados para o público adulto e livros infantis.

O motor criativo de Maria Clara era sua profunda confiança na inteligência da criança. Ela não escrevia com tom simplista ou infantilizado; pelo contrário, estruturava suas peças com o rigor dramatúrgico de um clássico, comparável ao estilo de Molière. A autora acreditava no teatro como uma ferramenta vital de formação humana e artística, dedicando sua vida não apenas à escrita, mas também à fundação da escola de teatro O Tablado, que se tornou um celeiro de talentos no Brasil.

Sua genialidade era nutrida pelo convívio familiar com a elite intelectual da literatura moderna latino-americana, como Vinícius de Moraes e Pablo Neruda, amigos de seu pai, o escritor Aníbal Machado. Esse ambiente, aliado a uma formação que incluiu estudos em Londres, conferiu à sua obra uma qualidade poética e técnica que atravessa gerações. "Pluft, o Fantasminha", sua obra de maior projeção, foi escrita em apenas uma semana. Curiosamente, o texto foi concebido originalmente com a intenção de ser uma peça para teatro de bonecos.


Sobre o diretor
Tom Arruda possui vasta trajetória no teatro, na produção de programas televisivos e na realização de grandes eventos. Sua atuação diretiva caracteriza-se pelo envolvimento prático e profundo em todas as etapas da encenação. A polivalência de sua prática manifesta-se na participação direta na concepção de figurinos, adereços e cenários, integrando visão artística e execução técnica.

Esta atenção aos detalhes confere às suas produções um caráter autoral. Em Pluft, o Fantasminha, Arruda cuidou pessoalmente de cada aspecto da produção, aplicando esse rigor ao buscar a linguagem necessária para envolver o público com sensibilidade e apuro estético. O resultado desse processo é um espetáculo que convida o espectador a imergir no universo lúdico concebido pelo diretor.


Ficha técnica
Espetáculo "Pluft, o Fantasminha"
Voz em off: Douglas Brito e Guilherme Franco
Costura: Zilda Romualdo e Dorinha
Dramaturgia: Maria Clara Machado
Idealização: WWTom Produtora e TAUN produções artísticas
Direção artística: Tom Arruda
Elenco: Anderson Neves, Carolina Alcântara, Doni Gadêlha, Valdir Santos, Sanvarez, Robson Turok, Flavio Passos, Douglas Britto
Trilha sonora: PC Carvalho
Operação/Técnico de som: Arnaldo D'Avila
Cenografia: Tom Arruda
Fabricação Cenografia: Ocenica Cenografia
Criação e Operador luz: Eltom Ramos
Figurino: Tom Arruda
Criação e confecção de boneco: Pablo Marck
Adereços: Pablo Marck e Tom Arruda
Videografia/Cenotécnicos: Anjoscenicos
Voz em off: Douglas Brito e Guilherme Franco
Costura: Zilda Romualdo e Dorinha
Voz em off: Douglas Brito e Guilherme Franco
Costura: Zilda Romualda e Dorinha
Operação de som: Arnaldo D'Ávila
Designer/Identidade visual: Tadeu Pereira
Fotografia: Pablo Marck
Standin: Guilherme Franco, Pedro Rebeschini e Jadson Sanjes
Mídias sociais e colaboração de textos: Kyra Piscitelli
Assessoria de Imprensa: Flavia Fusco Comunicação e Andrea Duarte
Assessoria Jurídica: Renan Teiji Tsutsui / RTT Advogados
Direção de produção e Coordenação de produção: Taun Produções Artística e WWTom Produtora
Produção executiva: Taun Produções Artística
Assessoria Contábil: Onix Contabilidade
Apoiadores:  3 Corações, Além Da Mídia, Alpha Gráfica, Catarine Hills, Centro Cultural São Paulo, Ce que Sabe, Clinica Integrada, Clinica Vitalite, Dfe Educação, Elas Brihantes, G 12, Gh Marcenaria, Giuliana Flores, H Rosa, Luciane Franco, Luna De Capri, M Camicado, Onix, Pau Brasil, Planetas, Potenza, Prefeitura Municipal de São Paulo, Scarf Me, Thiaguinho Drinks, Van De Velde, Vital Flex


Serviço
Espetáculo "Pluft, o Fantasminha"
Dramaturgia: Maria Clara Machado
Idealização: WWTom Produtora
Direção artística: Tom Arruda
Elenco: Anderson Neves, Carolina Alcântara, Doni Gadêlha, Valdir Santos, Sanvarez, Robson Turok, Flavio Passos e Douglas Britto.
Gênero: infantil
Duração: 60 minutos
Recomendação: livre
Temporada: dias 14, 15, 16, 20, 21, 29 e 30 de agosto, 3, 4, 5 e 6 de setembro e 7, 8 e 9 de outubro, sempre às 15h00.
Ingressos gratuitos: os ingressos estarão disponíveis a partir das 14h00 e serão distribuídos em frente ao teatro, por ordem de chegada, até o limite da capacidade da sala. Não haverá emissão de ingressos pela bilheteria nem pelo site
Centro Cultural São Paulo – Sala Jardel Filho
Rua Vergueiro, 1.000
324 lugares | Acessibilidade | Cafeteria

.: "Antropoceno” estreia no Sesc Santos e transforma a crise climática


A obra traz JùpïRã Transeunte na dramaturgia, Marcos dos Santos na direção musical, Luiz Fernando Almeida na direção de ator e Eleonora Artysenk como preparadora corporal. Foto: divulgação


Lípari, performer e ator, apresenta “Antropoceno”, uma obra teatral dirigida por Douglas Lima. O projeto propõe uma discussão sobre a hipótese científica da era das mudanças irreversíveis nos processos biofísicos do planeta causadas pela humanidade. A obra traz JùpïRã Transeunte na dramaturgia, Marcos dos Santos na direção musical, Luiz Fernando Almeida na direção de ator e Eleonora Artysenk como preparadora corporal. O espetáculo faz sua estreia no Sesc Santos nesta quinta-feira, 30 de julho, às 20h00, integrando o projeto Baixada enCena. Os ingressos estão disponíveis no site e na bilheteria do Sesc.

Reconhecendo que as pautas climáticas necessitam de espaços de disseminação de conhecimento para além da academia, “Antropoceno” promove uma convergência vital entre ciência e arte. O teatro é utilizado como veículo de reflexão sobre o nosso papel como agentes transformadores, desmistificando a visão de que os territórios do Sul Global são apenas agentes propulsores de impactos ambientais e questionando pensamentos considerados complexos, como geopolítica, antropologia, sociologia e geologia, por meio da linguagem teatral.

Ficha técnica
Espetáculo "Antropoceno"

Idealização e atuação: Lípar
Dramaturgia: JùpïRã Transeunte
Direção: Douglas Lima
Direção de ator: Luiz Fernando Almeida
Direção musical: Marcos dos Santos
Preparação corporal: Eleonora Artsynck
Fotos: Cacá Bernardes


Ficha técnica
Espetáculo "Antropoceno"
Quinta-feira, dia 30 de julho, às 20h00.
Sesc Santos | Avenida Conselheiro Ribas, 136 - Santos / SP
Ingressos: R$ 12,00 (credencial plena), R$ 20,00 (meia-entrada) e R$ 40,00 (inteira)

.: "Ulisses", na pioneira tradução de Antônio Houaiss, é relançado


Na véspera do Bloomsday, como é chamado o dia em que se passa a narrativa de "Ulisses", a editora Civilização Brasileira manda para as livrarias o romance monumental de James Joyce, na célebre e pioneira tradução de Antônio Houaiss, recuperando o projeto gráfico original do icônico designer Eugênio Hirsch, com texto de orelha de Augusto de Campos. A edição conta ainda com preparação de texto que recupera a versão aprovada por Houaiss, além de introdução e cronologia.

Joyce foi um dos maiores escritores do século XX, síntese do modernismo literário e de novas concepções de literatura. Considerada a obra-prima do escritor irlandês, "Ulisses" é uma reimaginação moderna da estrutura da "Odisseia" de Homero. O romance "Ulisses" acompanha algumas horas da vida do corretor de anúncios Leopold Bloom, ao longo do dia 16 de junho de 1904 e da madrugada seguinte: ele sai de casa pela manhã e retorna à noite na companhia de Stephen Dedalus. Em casa, sua esposa, a cantora Molly Bloom, já está deitada – após ter passado a tarde com o amante. Publicado em 1922, o livro foi divisor de águas na literatura. Por sua grande inovação, horrorizou e encantou leitores e críticos. Para T. S. Eliot“Joyce está seguindo um método que outros devem buscar depois dele”.

O intelectual Antônio Houaiss encarou o desafio de traduzir "Ulisses" para o português brasileiro em menos de um ano. O trabalho exigia não apenas conhecimento técnico, mas grande sensibilidade para as possibilidades do idioma. Sua tradução inaugurou no país a tradição de leitura e estudo de Ulisses, mantendo-se como referência quase cinquenta anos depois. Vitor Alevato do Amaral, um dos maiores especialistas em James Joyce no Brasil, estabeleceu o texto desta edição e organizou conteúdo para contextualizar o romance e sua segunda edição, revista por Antônio Houaiss e editada por Ênio Silveira. Compre o livro "Ulisses", de James Joyce, neste link.


O que disseram sobre o livro
“É indispensável conhecer essa obra para consciencializar suas conquistas e poder seguir à frente, no caminho do novo. Um escritor atual que não tenha lido Joyce, é mais ou menos como um físico que ignore Einstein ou um sociólogo que não tenha tomado conhecimento de Marx.” Augusto de Campos


Sobre o autor
James Joyce (Irlanda, 1882 – Suíça, 1941) é amplamente considerado um dos maiores escritores do século XX. Embora o romancista tenha vivido boa parte de sua vida expatriado de sua terra natal, sua identidade irlandesa foi essencial para a construção da ambientação e da temática de sua obra. Dos seus maiores títulos, a odisseia moderna Ulisses é publicada pela Editora Civilização Brasileira. Compre os livros de James Joyce neste link.

domingo, 26 de julho de 2026

.: Entrevista: Thiago Sobral, o homem que ousou matar o pai na ficção


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

No romance de estreia "O Pai, a Faca e o Beijo", escrito por Thiago Sobral, a conversa começa depois do que não tem volta: um filho diante do corpo do pai, tentando organizar a própria versão enquanto empurra todo o resto para fora do quadro. Não há espaço para testemunha, só para a fala que é despejada ali. A cidade observa de perto, como sempre, e o silêncio pesa mais do que qualquer grito.

O romance lançado pela Editora Patuá avança em cima de cortes secos, pistas falsas, desvios  e o leitor fica ali, insistindo, mesmo quando já entendeu o terreno em que está pisando. Ex-seminarista, professor, escritor estreante pela Patuá, o autor prefere o atrito à acomodação. Nesta entrevista exclusiva ao portal Resenhando.com, ele fala de desconfiança, linguagem, fé sem amparo e personagens que não buscam aprovação dos leitores, o que torna tudo mais interessante. Compre o livro "O Pai, a Faca e o Beijo", escrito por Thiago Sobral, neste link.


Resenhando.com - Seu romance parece sabotar o leitor o tempo todo: quando ele pensa que encontrou um afeto, ou quando espera redenção, você oferece outra coisa. Escrever, para você, é um gesto de desconfiança?
Thiago Sobral - Acredito, em partes, que sim. Desconfiança das verdades estabelecidas, das certezas inquebrantáveis. No caso de “O Pai, a Faca e o Beijo”, o leitor talvez pense que, por tratar da relação entre pai e filho, encontre alguma esperança ou possibilidade de redenção, como em tantas outras histórias que se constroem em torno disso, como a parábola do Filho Pródigo, por exemplo. Mas, na história de Santiago e Severo, temos um filho que sofreu muito com as várias violências praticadas pelo pai. Por conta disso, ele não consegue mais olhar para o lado, dialogar com as diferenças e que, por isso, busca, de todas as formas, justificar o parricídio que acabou de cometer. Nessa tentativa, ele conta a sua versão dos fatos. Versão essa que não deixa espaço para a interferência das outras personagens. Todas as possibilidades de construir um novo olhar, de se abrir a novos sentimentos e experimentar novos afetos são sumariamente ignoradas. A pergunta que surge é: Santiago age assim porque é fruto de tudo isso, ou porque escolhe se fechar a qualquer possibilidade de agir e ser diferente?


Resenhando.com - Santiago é um personagem que concentra contradições quase insuportáveis, já que encarna aquilo que combate. Em algum momento você temeu que ele se tornasse tão intragável a ponto de o público não torcer por ele?
Thiago Sobral - Eu quis construir um personagem que, de cara, fosse identificado como vítima e que, ao longo da história, oferecesse elementos capazes de justificar o seu crime e assim ganhasse a confiança do leitor. Justamente por isso, penso que, por mais que sinta vontade de abandoná-lo em seu próprio ódio e condená-lo pelo seu ato, o leitor ainda torce por ele, deseja que supere tudo aquilo e encontre o seu caminho. As possibilidades existem, alguns personagens tentam fazê-lo enxerga-las. E é por isso que o leitor, talvez, deseje, até o final, que tudo acabe bem.


Resenhando.com - No seu livro, a violência aparece como forma de cuidado, omissão e até desejo. Você diria que a forma mais cruel de agressão é aquela que consegue se disfarçar de amor?
Thiago Sobral - Ah, sem dúvida. Quase sempre, nas relações humanas das quais se espera o cuidado, a violência é justificada por quem a pratica. As surras, as palavras pesadas, as ofensas, os puxões de orelha são sempre dados na tentativa de se evitar que algo ruim aconteça. No caso do Severo, ele esperava livrar o filho de certos sofrimentos e, principalmente, de julgamentos morais. Ioiô, a mãe, tenta convencer o filho de que aquele é o jeito do pai e que, uma hora ele vai mudar. Os irmãos homens de Santiago reproduzem aquilo que veem em seu dia a dia. E o próprio Santi reproduz essa violência com seu amigo Davi, seja no ato sexual em si, seja com as palavras que dirige a ele em cada tentativa de afeto recebido. No fim, a violência aparece como parte natural da vida daquela família e como substituta do diálogo, que nunca acontece por completo, porque não são capazes de se abrir à experiência com o outro, ao universo do próximo. Cada um se fecha em suas próprias verdades. E quando não se dialoga, o que resta é a tentativa de impor ao outro as suas próprias convicções; e, por não haver palavra trocada, restam puxões de cabelo, tapas, socos e xingamentos.


Resenhando.com - Severo, o pai opressor, parece agir movido por uma lógica interna que, para ele, faz sentido. O que mais interessava a você ao construí-lo: denunciar a violência ou revelar o quanto ela pode ser racionalizada por quem a pratica?
Thiago Sobral - Na cabeça do Severo, aquela era a melhor forma de educar o filho. Não eram atitudes inconscientes ou impulsivas. Ele queria livrar Santiago de coisas que ele mesmo julgava conhecer bem. E é muito comum nos depararmos com pessoas que pensam assim. Em minha trajetória como professor, já me deparei com pais que pensam e agem dessa forma. Quantas e quantas vezes não já ouvimos a frase: “Isso é falta de surra!”? Ou “Dou uns tapas que aí vira homem rapidinho!”? Então, a violência, nesses casos, é racionalizada, revela-se como um método e é quase institucionalizada. Quanta polêmica não foi feita na época em que se debateu a “Lei da Palmada”? Muita gente pensa que é um direito dos pais corrigirem os filhos com violência, quando julgarem necessário. Tivemos um caso recente no Paraná, de um pai que chutou a filha de três anos. Então, além de denunciar a violência sofrida por muitos filhos, eu quis, sobretudo, mostrar que ela não é mero fruto do acaso. Antes, faz parte de uma estrutura, de um arranjo social muito antigo e que está aos poucos sendo questionado e combatido. Mas ainda é preciso que se faça muito mais nesse campo. Para tornar a reflexão ainda mais complexa, o livro quer propor mais uma reflexão: as violências sofridas por Santiago justificam o crime que ele cometeu?
 

Resenhando.com - A cidade de Cubatão não aparece apenas como cenário, mas como uma espécie de personagem que vigia, regula e rotula. Até que ponto a geografia, na sua escrita, é responsável pelo fracasso das relações?
Thiago Sobral - O espaço que se habita sempre exerce alguma influência sobre nós. O Determinismo, de Hippolyte Taine, ofereceu algumas ferramentas aos escritores naturalistas e estas exercem alguma influência sobre a minha literatura, embora não haja, de minha parte, uma adesão plena a esse pensamento. Mas todo cubatense compartilha, de alguma forma, um instinto bisbilhoteiro e comentador dos fatos cotidianos. Nossa geografia, espremida pela Serra do Mar, e bairros entrecortados por rios e mangues, nos aglutina de tal maneira, que, muitas vezes, temos a sensação de conhecer e saber alguma coisa sobre todo mundo. Além disso, temos as fábricas que ocupam parte significativa desse território, lançam muita fuligem no ar e esquentam a atmosfera, de modo que tudo parece sempre muito abafado. Morar em Cubatão é sufocante em boa parte do ano. E boa parte da vida, dos desejos e da personalidade de Santiago é também sufocada por ele em mesmo e pela vizinhança. Talvez por isso, a despeito da riqueza que a cidade arrecada com os impostos, seja, ainda hoje, um lugar que precisa se desenvolver e superar alguns fracassos do passado que insistem em nos marcar até os dias atuais.
 

Resenhando.com - Sua experiência como ex-seminarista aparece, de alguma maneira, no romance. Mas a fé que aparece ali não dá o conforto que as pessoas esperam de um ex-religioso. A literatura, para você, substitui a religião ou continua sendo uma forma de oração, ainda que sem resposta?
Thiago Sobral - Vejo a religião como uma institucionalização da fé. Por isso, não. A literatura não substitui a religião, embora muitos a coloquem num altar sacrossanto inalcançável. Gostei dessa ideia de ser uma forma de oração, sobretudo porque me faz pensar na experiência que orar proporciona ao que crê. É um ato de elevar o pensamento, vocalizar sentimentos e expressar desejos. A oração é a via-expressa utilizada por aquele que crê para se aproximar do Mistério Absoluto, do Totalmente Outro. Justamente por isso, nela não se encontra certeza, apenas se confia. A literatura também não nos dá certezas, antes, apresenta-nos caminhos, mostra possibilidades e, inclusive, nos permite viver aquilo que não cabe em uma única existência, podendo nos dar um gostinho de vida eterna. No livro, a religião surge como forma de opressão e de aprisionamento. Ainda que o personagem padre Jorge tente mostrar uma outra religião, aquela que se mantém fiel à “Inspiração da Boa Nova”, a que se sobrepõe é a “Instituição” religiosa. Essa coloca algemas no sacerdote, um peso sobre Severo e uma falsa convicção em Santiago. O que surge como outra possibilidade é o espírito artístico de Davi, o Pirueta, que, com sua dança e seus versos, nos deixa uma carta que se mostra quase como uma litania a Santi e um louvor ao amor e à vida.


Resenhando.com - Há ecos claros de Machado de Assis na sua ironia e no modo como você recusa absolver seus personagens. O que interessa mais a você nos diálogos que você escreve e nas tramas que constrói?
Thiago Sobral - Ao construir um personagem, é fundamental que ele tenha voz própria e que essa voz revele muito mais do que as palavras que ele diz. “O Pai, a Faca e o Beijo” é um livro que se constrói pelo que não é dito, mas que está ali; por aquilo que poderia ter sido, mas não foi. Assim, os diálogos pretendem revelar as intenções e a psicologia de cada personagem. Também busquei retratar a oralidade típica de muitas famílias cubatenses, que são formadas por migrantes nordestinos, como ocorre com a minha própria família. Para além disso, há lacunas frequentes nos diálogos entre Severo e Santiago, há insinuações, desconfianças, covardias e ironias que vão permeando as palavras ditas e não ditas. Os capítulos em que Santiago conversa diretamente com o cadáver do pai são carregados de sinceridade, ainda que esta seja calcada numa certa ilusão. Ao longo de praticamente toda a história, a forma como as falas do pai é apresentada traz quase que uma chave de leitura para todo o romance, mas que deixo para o leitor interpretar e decidir.


Resenhando.com - Em vários momentos, o leitor se vê torcendo pelo impossível, numa espécie de tentativa de salvar alguém que não está disposto a ser salvo. Você acredita que a literatura ainda pode operar algum tipo de redenção ou isso já é uma ilusão que o seu livro desmonta?
Thiago Sobral - A literatura, por si só, não opera nada. Ao mesmo tempo, a literatura pode tudo, desde que o leitor se coloque como cúmplice do que lê. Uma história só funciona realmente quando um pacto tácito e secreto é selado entre o narrador e o leitor. Feito isso, uma nova história nasce a cada leitura que se conclui de uma mesma narrativa. E é justamente essa nova história que pode operar tudo, seja uma redenção ou uma condenação. Meu livro pode levar a crer que não há redenção, mas isso ocorre por que as chances foram esgotadas, ou por que aquele que poderia redimir se recusou a olhar para os lados e enxergar outras possibilidades? Por fim, resta-nos pensar em quantas vezes não somos nós mesmos os culpados pelos fracassos e assassinatos metafóricos que cometemos ao longo da vida.


Resenhando.com - A ideia freudiana de “matar o pai” aparece como um gesto simbólico de liberdade. No seu romance, essa ruptura parece sempre incompleta. Existe liberdade possível sem destruição total?
Thiago Sobral - Essa é uma questão interessante, porque ela alcança o cerne do romance. Para escrever essa história, mergulhei no pensamento de Freud a partir dos escritos de “Totem e Tabu”. Essa ideia de matar o pai tirano para ocupar o seu lugar e assim gozar da liberdade e dos privilégios que tal posição lhe daria aparece frequentemente na conversa de Santiago com o pai defunto. Santi acredita piamente que todos os seus problemas decorrem de sua relação com o pai: o medo de que ele tenha certeza de sua orientação sexual, as surras que levou na infância e adolescência, a pele negra que ele tanto odeia e da qual se envergonha. Tudo isso forma a “herança maldita” à qual ele se refere ao longo da história e que alimenta seu discurso de ódio e preconceito contra os irmãos e contra si mesmo e que, inconscientemente, recai sobre Davi. Apesar de tudo isso, ele vai levando a vida, até que uma descoberta torna tudo insuportável para ele. É nesse momento em que seu complexo de Édipo invertido não superado se torna latente que ele passa a acreditar que o assassinato do pai será a via para a sua libertação. Porém, ao cometer o crime, se dá conta de que as coisas não são bem assim e tenta se convencer do contrário. No fim, ele destrói muita coisa, mas não destrói o principal, que está dentro de si mesmo. Por fim, não sei se é preciso destruição total para se alcançar a liberdade. Sei apenas que precisamos soltar a mão de certas coisas para que possamos ser aquilo que a nossa natureza pede de nós mesmos.
 

Resenhando.com - “O Pai, a Faca e o Beijo” termina sem oferecer catarse. Em um mercado editorial que muitas vezes aposta no conforto, você escolheu o incômodo. Escrever hoje é, para você, também uma forma de contrariar expectativas, um ato de indisciplina?
Thiago Sobral - Escrever exige, antes de tudo, constância e disciplina. Penso que justamente isso, constância e disciplina, seja uma forma eficaz de contrariar expectativas e fugir da “disciplina” adotada por muitos e, portanto uma “indisciplina” contemporânea. Esse paradoxo, acredito, perpassa o dia a dia de todo escritor, porque precisamos, muitas vezes, nos refugiarmos numa outra lógica, fora do tempo e do espaço que se constroem hoje. É como se a matéria de nossa dedicação (a palavra) precise ser buscada em lugares pouco frequentados. Não quero com isso dizer que o ofício do escritor seja algo elevado, superior. Muito pelo contrário. A palavra está na “vida ao rés do chão”, como disse o mestre Antônio Candido. Embora ele tenha usado essa expressão para se referir à crônica, penso que todo escritor precisa sentir a poeira da terra, “lamber o chão” para penetrar surdamente no reino das palavras e trazer à vida uma nova história. E isso é encarado como algo natural, ossos do ofício, pois não há nada de extraordinário na literatura. Ao mesmo tempo, ela é uma ação sublime capaz de dar ao leitor novas lentes para ver e decifrar o mundo.

sábado, 25 de julho de 2026

.: "Ontem Vi Meu Pai Chorar", o livro infantil de Luiza Romão


A primeira obra infantil da premiada autora conta com imagens criadas por Silvia Nastari, diretora de arte da editora Quelônio. Ilustrações digitais e elementos fotográficos se combinam em colagens originais. Foto: Duda Portella

"Ontem Vi Meu Pai Chorar" é o primeiro livro infantil da premiada escritora Luiza Romão. Publicada pela Editora Quelônio, a obra mergulha em memórias do futebol dos anos 1970. Na história, Gigi vê o pai chorando durante uma partida ouvida pelo rádio e decide investigar o que é esse tal de futebol que faz os homens se emocionarem. Com ilustrações e colagens de Silvia Nastari, o livro se inspira em documentos, cenários, fotografias e jornais da época.

O livro continua a parceria entre Luiza Romão e a Editora Quelônio, iniciada em 2022 com o livro de poemas detetivescos "Nadine". Já a nova publicação aborda vínculos familiares, o espaço escolar e o acesso de meninas e mulheres ao esporte. Indicado para crianças a partir de cinco anos em leitura compartilhada com um adulto, o livro também convida  leitores iniciantes do Ensino Fundamental. Apaixonada por futebol, Luiza Romão cresceu assistindo a jogos no Estádio Santa Cruz, em sua cidade natal, Ribeirão Preto. Depois de se mudar para São Paulo, passou a frequentar as arquibancadas do Palmeiras, seu time do coração. A vivência nos estádios foi fundamental para construir a história de Gigi: 

“No começo, a Gigi se espanta ao ver o pai aos prantos e tenta descobrir o que aconteceu. Não é muito fácil. Toda vez que ela tenta encontrar respostas, alguém diz que futebol 'não é assunto de menina'. Além disso, o livro também discute como nossa sociedade, desde muito cedo, ensina os homens a reprimir suas emoções. Isto está presente nas famílias, nas rodas de amigos, nos espaços de formação. Neste contexto tão enrijecido, o futebol se torna um dos poucos momentos em que é permitido chorar, se abraçar, gritar, etc. Assim, convidamos as leitoras e leitores a pensarem o quanto o futebol é ‘assunto de menina’ e como o choro não deve ser um tabu”, conta a autora.

Deste modo, o esporte fortalece o vínculo entre pai e filha e entre Gigi e outras meninas, agregando novos olhares para a masculinidade e as trocas afetivas na infância. Além disso, a obra traz à tona um fato histórico importante: a proibição do futebol de mulheres por quase quarenta anos no Brasil. Neste sentido, a orelha de Ontem Vi Meu Pai Chorar foi escrita por Aira Bonfim, historiadora, ativista e especialista na história social do futebol feminino brasileiro.

Outros trabalhos de Luiza também reforçam seu amor pelo esporte, como a co-curadoria da exposição "¡Cancha Brava! Futebol Sudamericano en Disputa", realizada pelo Museu do Futebol em 2025; a orelha de Rostos cobertos, corações à mostra: futebol, autonomia e luta zapatista (Editora Autonomia Literária); o prefácio da antologia de crônicas do Museu do Futebol (2024); e a publicação de textos sobre o esporte nas revistas Tinta Libre (Espanha), Revista E (SESC) e Quatro Cinco Um. Além disso, Romão desenvolve doutorado sobre futebol, voz e literatura latinoamericana na Universidade de São Paulo, com apresentações em importantes congressos da área. Na agenda da autora também consta participação na Feira do Livro do Pacaembu com uma mesa sobre as dimensões afetivas do futebol e a participação feminina no jogo tanto dentro das quatro linhas como na torcida e na literatura. Compre o livro "Ontem Vi Meu Pai Chorar" neste link.

Sobre Luiza Romão
Nascida em Ribeirão Preto, em São Paulo, em 1992, Luiza Romão é poeta, atriz e pesquisadora. É aautora de "Também Guardamos Pedras Aqui" (vencedor do Prêmio Jabuti 2022 nas categorias Melhor Livro de Poesia e Livro do Ano), "Sangria" e "Nadine". É bacharela em Artes Cênicas e mestra em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo, onde atualmente cursa doutorado. Investigou as relações entre literatura e performance no universo do poetry slam, e hoje, pesquisa voz e futebol na literatura latino-americana. 

Os trabalhos dela já circularam por importantes festivais no Brasil e no exterior, com apresentações na Argentina, Alemanha, Cuba, China, Espanha, Portugal, Suíça, Grécia, Holanda, México, Costa Rica, França e Uruguai, entre outros países. Além de sua atuação artística e acadêmica, também trabalha como curadora, co-assinando exposições como Gira da Poesia: 15 anos de slam no Brasil , realizada no Museu de Arte do Rio e no Instituto Tomie Ohtake, e "¡Cancha Brava! Futebol Sudamericano en Disputa", no Museu do Futebol. "Ontem Vi Meu Pai Chorar" é seu primeiro livro infantil. Compre os livros de Luiza Romão neste link.

.: Clássico de Nelson Rodrigues, "Valsa Nº 6" chega ao Teatro Arena B3


Monólogo estrelado por Luisa Thiré celebra 14 anos de sucesso nos palcos brasileiros e internacionais e ocupa a programação da semana da Arena B3. Foto: divulgação

A programação da semana do Teatro Arena B3 recebe um dos grandes clássicos da dramaturgia brasileira. Nos dias 25 e 26 de julho, a atriz Luisa Thiré apresenta o premiado monólogo "Valsa Nº 6", de Nelson Rodrigues, em uma temporada relâmpago com apenas quatro apresentações. Dirigido por Cláudio Torres Gonzaga, o espetáculo marca os 14 anos da montagem, que desde sua estreia, em 2012, no centenário de nascimento de Nelson Rodrigues, conquistou reconhecimento de público e crítica, além de representar a dramaturgia brasileira em turnês por cidades da Espanha, Portugal e Cabo Verde.

Escrita em 1951, a peça acompanha Sônia, uma adolescente de 15 anos que, entre delírios e fragmentos de memória, reconstrói os acontecimentos que culminaram em seu assassinato. Embalada pela célebre "Valsa Nº 6", de Chopin, a narrativa transforma-se em um thriller psicológico que evidencia temas como violência contra a mulher, machismo estrutural, culpabilização da vítima e desigualdades de gênero — questões que permanecem atuais mais de sete décadas após a criação do texto.

Com elementos característicos da obra de Nelson Rodrigues, como paixão, ciúme, sedução, humor e tragédia, o espetáculo propõe uma reflexão sobre a permanência de estruturas sociais que naturalizam a violência e silenciam as vítimas. A montagem também se destaca pela concepção visual. O cenário, assinado pelo artista plástico Sérgio Marimba, aposta em uma estética não realista, enquanto o figurino criado por Teca Fichinski, premiado pela crítica especializada, torna-se parte essencial da narrativa. O vestido utilizado por Luisa Thiré possui uma saia de aproximadamente 12 metros de tecido, ocupando praticamente todo o palco e simbolizando a prisão da personagem em suas próprias lembranças.

Apaixonada pela obra de Nelson Rodrigues desde a época em que estudava Artes Cênicas na Unirio, Luisa idealizou o projeto e, ao lado de Cláudio Torres Gonzaga, construiu uma montagem que permanece em cartaz há mais de uma década. Após percorrer diversas cidades brasileiras e internacionais, "Valsa Nº 6" chega ao Teatro Arena B3 para uma rara oportunidade de ser assistida pelo público paulistano, em apenas um final de semana.


Serviço
Espetáculo "Valsa Nº 6", de Nelson Rodrigues
Elenco: Luisa Thiré
Direção: Cláudio Torres Gonzaga
Datas: 25 e 26 de julho de 2026
Apresentações: quatro sessões
Local: Teatro Arena B3 – Praça Antônio Prado, 48 – Centro Histórico de São Paulo
Duração: 55 minutos
Classificação indicativa: 14 anos 

.: "Meu Corpo Está Aqui", no Sesc 24 de Maio, com reflexões sobre corpos PCDs


Espetáculo vencedor dos prêmios FITA e APTR e indicado ao Prêmio Shell tem temporada de 23 de julho a 9 de agosto. Foto: Nil Caniné

O Sesc 24 de Maio recebe, de 23 de julho a 9 de agosto, a temporada do espetáculo "Meu Corpo Está Aqui", obra vencedora dos prêmios FITA e APTR e indicada ao Prêmio Shell. Com texto e direção de Julia Spadaccini e Clara Kutner, a montagem aborda afeto, desejo e sexualidade a partir das vivências de artistas com deficiência, tema inédito nos palcos brasileiros. Construído a partir das experiências pessoais do elenco, formado por artistas PCDs, o espetáculo apresenta personagens que falam abertamente sobre seus relacionamentos, seus corpos e seus desejos. A partir de depoimentos ficcionalizados, a obra convida o público a refletir sobre os estigmas, silenciamentos e apagamentos historicamente impostos às pessoas com deficiência.

A dramaturgia, escrita por Julia Spadaccini, também pessoa com deficiência, e Clara Kutner, mistura relatos pessoais e ficção para retratar os encontros entre desejo e afeto, evidenciando tanto as descobertas quanto os obstáculos vividos por corpos frequentemente colocados à margem das representações sociais. No elenco estão Bruno Ramos, artista surdo usuário de Libras; Juliana Caldas, atriz com nanismo, Pedro Fernandes, ator com paralisia cerebral com cognitivo preservado e usuário de cadeira de rodas; e Sara Bentes, artista cega. A direção de produção e coordenação geral do projeto são de Claudia Marques.

Em "Meu Corpo Está Aqui", a ficção surge como ferramenta de aproximação e reconhecimento. Ao evidenciar experiências afetivas e desejos que atravessam todas as pessoas, o espetáculo questiona preconceitos e amplia o debate sobre inclusão, autonomia e diversidade. A montagem propõe um olhar que reconhece as pessoas com deficiência como sujeitos plenos, capazes de viver e narrar suas próprias histórias.

Além da temporada, no dia 1º de agosto, às 18h00, o Sesc 24 de Maio recebe o lançamento do livro "Meu Corpo Está Aqui" e a exibição do documentário homônimo. A programação tem início com um bate-papo de aproximadamente 30 minutos, com a participação das diretoras do espetáculo e autoras do livro, Clara Kutner e Julia Spadaccini, da diretora do documentário, Camila Sokolowski, e do elenco da peça. Na sequência, será exibido o documentário, com 22 minutos, seguido de sessão de autógrafos do livro no foyer do teatro até o horário do espetáculo, às 20h00. Compre o livro do espetáculo "Meu Corpo Está Aqui" neste link.


"Meu Corpo Está Aqui - O Documentário"
No Rio de Janeiro, quatro artistas PCDs, vindos de lugares diversos do Brasil, se reúnem para ensaiar uma peça teatral. Celebram alegria de seguir o caminho artístico, reafirmando no palco a potência de suas vozes e a luta contra o capacitismo. O que acontece quando o afeto e o desejo ocupam o centro do palco através de corpos que a sociedade, historicamente, tentou invisibilizar? Juntos, eles trazem para a cena vivências reais que misturam ficção, depoimentos e poesia visual. 

A diretora Camila Sokolowski acompanhou o grupo desde o dia 1 da chegada ao Rio, passando pelo processo de ensaio, as vivências individuais e pelos impactos dessa experiência na vida de cada um dos participantes.


"Meu Corpo Está Aqui" - Livro
Sucesso no teatro, a peça "Meu Corpo Está Aqui", que aborda a sexualidade das pessoas com deficiência, é lançada em livro pela editora Cobogó. Escrita por Julia Spadaccini e Clara Kutner, a dramaturgia foi construída a partir de experiências pessoais das atrizes e dos atores PCDs que estrelam o espetáculo, posteriormente ficcionalizadas para retratar vivências afetivas e sexuais. Agora publicada em livro, a obra conta com prefácio assinado por Benedita Casé e apresenta um jogo entre as pulsões e os obstáculos encontrados pelas personagens em suas descobertas afetivas e sexuais, tratando abertamente sobre essas experiências em cena.

Paradigmas culturais e históricos sobre a sexualidade das pessoas com deficiência são questionados com humor, sem que a urgência e a importância do tema sejam deixadas em segundo plano. O resultado é uma conexão entre cena e público, evidenciando as semelhanças que existem entre todos nós: almas habitando corpos diferentes.

Ficha técnica (espetáculo)
"Meu Corpo Está Aqui", da Fábrica de Eventos
Texto e direção: Julia Spadaccini e Clara Kutner
Elenco: Bruno Ramos, Juliana Caldas, Pedro Fernandes e Sara Bentes
Intérpretes de Libras: Christofer Moreira
Direção de produção: Claudia Marques
Diretor assistente: Michel Blois
Produção: Fabricio Polido
Pesquisa de dramaturgia: Marcia Brasil
Colaboração de texto: Bruno Ramos, Juliana Caldas, Haonê Thinar, Pedro Fernandes e Sara Bentes
Figurino e cenografia: Beli Araujo
Iluminação: Paulo Cesar Medeiros
Direção de movimento: Laura Samy
Música: Luciano Câmara
Visagismo: Cora Marinho
Operador de luz: Leandro Barreto
Operador de som: Carlos Gabriel
Realização: Fábrica de Eventos


Ficha técnica (documentário)
"Meu Corpo Está Aqui - O Documentário"

Gênero: documentário
Direção: Camila Sokolowski
Elenco: Haonê Thinar, Juliana Caldas, Bruno Ramos e Pedro Fernandes.
Produção: Julia Spadaccini
Fotografia: Felipe Marques, Geovane Ferreira e Victor Gautier
Duração: 22 minutos
Realização: Minhoca Filmes, Inova Filmes, Criativa Wip e Fábrica de Eventos


Serviço
Espetáculo "Meu Corpo Está Aqui"
Com Bruno Ramos, Juliana Caldas, Pedro Fernandes e Sara Bentes
Temporada: até dia 9 de agosto de 2026
Quintas, sextas e sábados, às 20h00 (exceto dia 6 de agosto). Domingos e feriados, às 18h00
Sessão extra no dia 8 de agosto, às 17h00.
Acessibilidade: intérprete de Libras em todas as sessões e audiodescrição nos dias 25 de julho, 1° e 8 de agosto.
Teatro do Sesc 24 de Maio – Rua 24 de Maio, 109, República / São Paulo
Classificação: 16 anos
Ingressos: no site sescsp.org.br/24demaio e no aplicativo Credencial Sesc SP e nas bilheterias das unidades - R$ 50,00 (inteira), R$ 25,00 (meia-entrada) e R$ 15,00 (Credencial Sesc)
Duração: 60 minutos


"Meu Corpo Está Aqui": documentário, lançamento do livro e bate-papo
Participantes: Bruno Ramos, Juliana Caldas, Pedro Fernandes e Sara Bentes (elenco do espetáculo), as Clara Kutner e Julia Spadaccini (autoras e diretoras do espetáculo e livro) e Camila Sokolowski (diretora do documentário).
Dia 1° de agosto de 2026, às 18h00
Acessibilidade: Intérprete de Libras e audiodescrição
Classificação: 16 anos
Ingressos: gratuito com retirada de ingressos uma hora antes
Duração: 60 minutos
Serviço de van: transporte gratuito até as estações de metrô República e Anhangabaú. Saídas da portaria a cada 30 minutos, de terça a sábado, das 20h00 às 23h00, e aos domingos e feriados, das 18h00 às 21h00.

.: "Um Amigo Não Imaginário", em cartaz no Sesc Santo Amaro


Com direção e dramaturgia de Talita Cabral, espetáculo é uma história sobre a imaginação, amizade e os laços invisíveis que nos conectam. Foto: Alécio Cezar

A Cia. Navega Jangada fala sobre a importância da imaginação e como as pessoas aprendem a lidar com o intangível no infantojuvenil "Um Amigo Não Imaginário", com direção e texto de Talita Cabral. O espetáculo tem novas apresentações no Sesc Santo Amaro, de 21 de junho a 2 de agosto, aos domingos, às 16h. O trabalho ainda tem composições de Rodrigo Régis e traz no elenco Taynã Marquezone, Lucas Vedovoto e Thiago Ubaldo.

O espetáculo leva ao público a história de um amigo imaginário que, de forma inédita, nunca foi imaginado por uma criança. Em busca de ser real, esse ser singular se vê diante de um desafio: conquistar o imaginário de uma criança e, assim, ganhar vida. Na trama, acompanhamos a jornada de um amigo invisível que, ao longo do tempo, observa o desejo de ser imaginado por uma criança. Porém, o que torna essa história única é que, até então, esse amigo nunca foi "criado" por nenhuma mente infantil. Ele passa a viver a angústia de ser uma figura solitária no mundo da imaginação. Mas, quando um adulto sem perceber, entra em contato com ele, um confronto divertido e poético acontece, revelando a fragilidade e a força da imaginação, e como ela pode conectar mundos aparentemente distantes.

A peça não é apenas uma reflexão sobre a infância e a imaginação, mas também sobre como vemos e interagimos com o invisível e o intangível. A peça desafia as convenções de um mundo racional e adulto, apresentando um convite à redescoberta da capacidade de sonhar e de se conectar com aquilo que não se vê, mas que se sente profundamente. Também propõe uma reflexão divertida sobre a importância da imaginação na vida adulta, mostrando que, mesmo em uma sociedade racional, o imaginário tem seu poder.

A Cia. Navega Jangada de Teatro foi fundada em 2008 em Santo André, mas vinha desenvolvendo suas pesquisas na área do teatro de animação, circo, corporalidade do ator e música desde 2006. Criada por Talita Cabral (diretora e atriz) e Rodrigo Regis (compositor e diretor musical e músico) tem como principal característica em seus trabalhos a música como forma de narrativa. Possui um vasto repertório de espetáculos teatrais, que mesclam teatro de animação, popular, circo e linguagem não verbal. 


Ficha técnica
"Um Amigo Não Imaginário"
Dramaturgia e direção: Talita Cabral
Composições: Rodrigo Régis
Elenco: Taynã Marquezone, Lucas Vedovoto e Thiago Ubaldo
Figurinos: Talita Cabral
Cenário: Palhassada Ateliê e Talita Cabral
Maquiagem: A Cia
Concepção e operação de luz: Junior Docini
Técnico de som: Rodrigo Rossi
Contrarregra: Lui


Serviço
"Um Amigo Não Imaginário", com Cia Navega Jangada
Temporada até dia 2 de agosto de 2026
Aos domingos, às 16h00
Sesc Santo Amaro - R. Amador Bueno, 505 - Santo Amaro / São Paulo
Ingressos: R$ 40,00 (inteira), R$ 20,00 (meia-entrada), R$ 12,00 (credencial plena) e grátis para crianças de até 12 anos não pagam ingressos
Vendas on-line em sescsp.org.br ou presencialmente na bilheteria de qualquer unidade do Sesc São Paulo
Classificação: livre
Duração: 60 minutos
Acessibilidade: teatro acessível a pessoas com mobilidade reduzida

.: “Infantaria” revela violência doméstica em narrativa densa e inquieta


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

O filme “Infantaria” chega à plataforma de streaming Reserva Imovision dentro da Mostra Pequenas Jornadas - Curtas-Metragens, apostando na potência do formato curto para lidar com temas espinhosos. Dirigido e escrito por Laís Santos Araújo, o curta coloca uma festa de aniversário no centro de um território instável: uma casa sem pai, desejos que se acumulam e uma presença inesperada que bagunça qualquer ideia de controle.

Joana, que completa dez anos, quer menstruar logo. O irmão, Dudu, deseja a volta do pai militar. A adolescente Verbena aparece sem convite e, a partir daí, o clima muda completamente. O que parecia rito de passagem vira algo pesado. A diretora conduz esse encontro com olhar atento para o feminino e para a violência que ronda relações familiares marcadas por ausências e autoridades mal-resolvidas.

No elenco, Ane Oliva se destaca ao lado de Ana Luiza Ferreira Santos, Karolayne Raissa e Francisco Nunes. A câmera de Wilssa Esser captura um Brasil úmido e denso, em que o ambiente participa ativamente da narrativa. A montagem, assinada pela própria diretora, sustenta o desconforto sem recorrer a atalhos, enquanto o desenho de som de Leo Bulhões amplia a tensão.

O curta não passou despercebido no circuito de festivais. Em Alagoas, virou protagonista na Mostra Sururu de Cinema ao conquistar sete prêmios, incluindo Melhor Filme pelo júri oficial e popular, além de reconhecimento técnico e de atuação . Também circulou por eventos como o Cine Ceará, onde rendeu à diretora o Troféu Mucuripe, e garantiu espaço em debates sobre o cinema feito fora do eixo tradicional.

Há um dado que chama atenção: Laís Santos Araújo já vinha acumulando trajetória consistente antes de “Infantaria”. Foi a primeira mulher em Alagoas a vencer um edital de longa-metragem no estado e teve projetos reconhecidos internacionalmente, como o roteiro de “Marina”, que passou por laboratórios e fundos estrangeiros . Esse percurso se reflete na segurança com que ela articula imagens, corpos e conflitos.

Filmado na Barra de São Miguel e finalizado em Maceió, o curta carrega o peso e a beleza de um cinema regional que não se limita ao rótulo. A produção contou com apoio da Lei Aldir Blanc, reforçando o impacto de políticas públicas no fortalecimento do audiovisual local. Em 24 minutos, “Infantaria” não resolve tudo, mas prefere provocar, deixar marcas e sair de cena com ecos difíceis de ignorar.


Ficha técnica
“Infantaria” (título original) 
Gênero: curta-metragem, drama. Duração: 24 minutos. Classificação indicativa: 12 anos. Ano de produção: 2022. Idioma: português. Direção e roteiro: Laís Santos Araújo. Elenco: Ane Oliva, Ana Luiza Ferreira Santos, Karolayne Raissa, Francisco Nunes, José “Zé” Nunes, Renan Ferreira da Silva. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


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A equipe do portal Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. Você pode assinar a plataforma de streaming Reserva Imovision neste link.

.: Clássico “O Ferroviário” reencontra o público no Belas Artes à La Carte


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

“O Ferroviário” chega ao catálogo da plataforma de streaming Belas Artes À La Carte e recoloca em circulação um dos títulos mais marcantes da filmografia de Pietro Germi. Lançado em 1956, em plena ressaca do pós-guerra italiano, o filme acompanha a derrocada íntima de Andrea Marcocci, maquinista respeitado que vê sua estabilidade ruir após um episódio traumático nos trilhos. A narrativa, conduzida pelo olhar do filho caçula, Sandro, observa de perto o desgaste de um homem que perde o chão no trabalho e em casa.

Germi dirige e interpreta o protagonista, gesto ainda incomum no cinema italiano da época. Ao lado de Luisa Della Noce e Sylva Koscina, ele constrói um retrato familiar áspero, atravessado por tensões econômicas, orgulho ferido e vínculos que se desgastam sob pressão. A escolha de um narrador infantil intensifica o impacto dramático: o que se vê não é apenas a queda de um pai, mas a formação de um olhar que tenta compreender o mundo adulto.

Embora dialogue com o neorrealismo, sobretudo na atenção à classe trabalhadora e aos ambientes reais, “O Ferroviário” assume um tom melodramático que o afasta do rigor seco de nomes como De Sica e Rossellini. As cenas filmadas em ferrovias italianas, com apoio de companhias do setor, reforçam a materialidade do cotidiano ferroviário, algo bastante elogiado à época. O filme concorreu à Palma de Ouro em Cannes e teve forte recepção popular, consolidando Germi como um dos diretores centrais do período, antes de migrar para as comédias mordazes que marcariam sua carreira nos anos 1960, como “Divórcio à Italiana”.

A história avança entre conflitos domésticos - o filho desempregado, a filha que engravida cedo, a relação delicada com a esposa - e a lenta corrosão de Andrea, que, afastado do trabalho, mergulha na bebida e na irritação constante. Ainda assim, o filme não se limita à ruína: há espaço para gestos de reconciliação, sobretudo na relação com Sandro, que observa, sofre e, por fim, reage.


Ficha técnica
“O Ferroviário” | “Il Ferroviere” (título original) 

Gênero: drama. Duração: 116 minutos. Classificação indicativa: 12 anos. Ano de produção: 1956. Idioma: Italiano. Direção: Pietro Germi. Roteiro: Pietro Germi, Alfredo Giannetti. Elenco: Pietro Germi, Luisa Della Noce, Sylva Koscina, Saro Urzì, Carlo Giuffrè, Renato Speziali, Edoardo Nevola.
Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.

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sexta-feira, 24 de julho de 2026

.: Deep Purple segue no hard rock setentista com o lançamento de "Splat!"


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

A  banda britânica Deep Purple está com material novo na praça. Na contramão da tendência atual do mercado fonográfico,  o veterano grupo apresenta 13 cançoes inéditas no formato de um álbum convencional. E se mantém fiel a sonoridade baseada no hard rock da década de 70. 
Da formação considerada clássica, há três integrantes: Ian Gillan (vocal), Roger Glover (baixo) e Ian Paice  (bateria). Complementam a formação Don Airey (teckados) e Simon McBride. Formação essa, aliás, que mostra um entrosamento incrível nesse novo disco intitulado "Splat!".

O grande acerto nesse álbum foi investir  em um material mais básico, com canções mais curtas e diretas e sempre baseadas no rock dos anos 70. Os riffs de guitarra são marcantes e se por um lado o vocal de Ian Gillan já não consegue alcançar  os antigos agudos, ele se moatra perfeitamente adaptado a sonoridade atual. Há também os tradicionais duelos de solos da guitarra com o órgão Hammond. Don Airey e Simon McBride  são excelentes músicos e conseguem entregar aquilo que o ouvinte fã de hard rock  gosta de ouvir. Nem preciso falar das performances de Ian Paice e Toger Glover, ambos mestres em seus respectivos instrumentos.

Há uma parcela dos críticos na imprensa que defende a aposentadoria da banda. Entretanto, se essa mesma parcela ouvir com atenção esse "Splat!" terá a oportunidade de mudar de opinião. Deixem os veteranos seguirem-na trilha do hard rock enquanto eles se sentirem motivados. Os fãs do grupo agradecerão.


Deep Purple - "Diablo"

Deep Purple - "Guilti Trppin"

Deep Purple - 
"Arrogant Boy"
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