quarta-feira, 24 de junho de 2026

.: Filme "Um Dia Nossos Segredos Serão Revelados" transforma desejo proibido


Por
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

Poucos filmes recentes abraçaram o romantismo trágico com tamanha convicção quanto "Um Dia Nossos Segredos Serão Revelados". Dirigido pela cineasta alemã Emily Atef, o longa-metragem é um dos mais vistos da  plataforma de streaming Reserva Imovision, carregando a atmosfera de um amor capaz de consumir tudo ao redor, enquanto observa um dos momentos mais decisivos da história contemporânea alemã: os meses que sucederam a queda do Muro de Berlim.

Baseado no romance homônimo da escritora Daniela Krien, o filme transporta o espectador para o verão de 1990, na antiga Alemanha Oriental. O país vive a expectativa da reunificação, mas a transformação política permanece ao fundo. O centro da narrativa é Maria, jovem prestes a completar 19 anos que divide os dias entre a fazenda da família do namorado, Johannes, e as páginas dos livros que devora compulsivamente. Entre eles, "Os Irmãos Karamázov", de Fiódor Dostoiévski, obra cuja presença dialoga diretamente com os conflitos morais e emocionais da protagonista.

Interpretada com impressionante magnetismo por Marlene Burow, Maria encontra no vizinho Henner, vivido por Felix Kramer, um homem marcado pela dureza da vida, pela solidão e por segredos nunca totalmente revelados. O encontro entre os dois desencadeia uma atração imediata, física e emocional, que cresce até assumir contornos obsessivos. Johannes, personagem de Cedric Eich, torna-se o terceiro vértice de uma relação atravessada por culpa, desejo e inevitáveis consequências.

Emily Atef assina a direção e também o roteiro, desenvolvido em parceria com Daniela Krien e Josune Hahnheiser. Conhecida por obras como "Mais que Nunca", a cineasta franco-alemã demonstra novamente interesse por personagens que enfrentam dilemas íntimos em períodos de profundas mudanças. Em "Um Dia Nossos Segredos Serão Revelados", ela constrói uma narrativa sensorial, apoiada em diálogos econômicos e em uma poderosa comunicação visual.

A atuação de Marlene Burow merece atenção especial. A jovem atriz sustenta a narrativa com uma presença ao mesmo tempo delicada e inquieta. O olhar da atriz frequentemente diz mais do que os diálogos. Felix Kramer, por sua vez, entrega um personagem difícil de decifrar, alternando brutalidade, fragilidade e melancolia. 

Os extensos campos da Turíngia, região onde ocorreram as filmagens, transformam-se em reflexo do estado emocional dos personagens. A câmera captura o calor do verão, a poeira das estradas rurais, a vastidão das plantações e os corpos em permanente tensão. O trabalho fotográfico cria um contraste marcante entre a liberdade aparente daquele cenário e os aprisionamentos afetivos vividos por Maria.

Selecionado para a Competição Oficial do Festival Internacional de Cinema de Berlim de 2023, o longa-metragem despertou debates entre crítica e público. Enquanto alguns enxergaram uma vigorosa história de amadurecimento e descoberta sexual, outros questionaram a romantização de uma relação marcada pela diferença de idade e por evidentes desequilíbrios emocionais.

Curiosamente, embora a reunificação alemã seja um dos acontecimentos mais importantes do século XX, Emily Atef evita transformá-la em tema central. O processo histórico surge em pequenos detalhes: novos produtos vindos do Ocidente, mudanças de comportamento, sonhos de prosperidade e incertezas sobre o futuro. 

Entre referências literárias, paisagens de rara beleza e uma história de amor destinada ao conflito, "Um Dia Nossos Segredos Serão Revelados" convida o espectador a percorrer os territórios contraditórios do desejo. O resultado é um retrato íntimo de uma geração que testemunhava o fim de um mundo enquanto tentava compreender os próprios sentimentos.

Ficha técnica
"Um Dia Nossos Segredos Serão Revelados" | "Irgendwann werden wir uns alles erzählen" (título original) | "Um Dia Havemos de Contar Tudo Uns aos Outros" (título em Portugal)
Gênero: drama, romance, histórico. Duração: 129 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 2023. Idioma: alemão. Direção: Emily Atef. Roteiro: Emily Atef, Daniela Krien e Josune Hahnheiser. Elenco: Marlene Burow, Felix Kramer, Cedric Eich, Silke Bodenbender, Florian Panzner, Jördis Triebel, Christian Erdmann, Christine Schorn e Peter Schneider.
Distribuição no Brasil: Imovision. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


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.: "Crime de Amor" transforma romance operário em poderosa crítica social


Entre máquinas barulhentas, corredores de fábrica e apartamentos modestos da Itália industrial dos anos 70, “Crime de Amor”, dirigido por Luigi Comencini e em cartaz na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte, transforma uma história de amor aparentemente simples em algo muito mais devastador. É um filme sobre amor, mas também sobre trabalho, desigualdade, insegurança, além de preconceito e a tentativa de preservar afeto e dignidade em um mundo cada vez mais duro.

Nullo, interpretado por Giuliano Gemma, é um jovem operário do norte da Itália que se apaixona por Carmela, vivida por Stefania Sandrelli, uma trabalhadora siciliana ligada a tradições familiares e religiosas muito fortes. O relacionamento entre os dois surge de forma delicada em meio à rotina pesada da fábrica. Mas aos poucos o filme vai revelando que aquele romance também carrega grandes tensões sociais. 

Existe um choque constante entre o norte industrializado e politizado da Itália e o sul mais conservador e tradicional representado por Carmela. E tudo isso aparece de forma muito natural dentro da relação dos personagens. Ao mesmo tempo, o ambiente de trabalho vai ganhando um peso cada vez maior na narrativa. As condições tóxicas da fábrica começam a afetar diretamente a saúde de Carmela, e o filme passa então a mostrar como aquele amor tenta sobreviver num sistema brutal, desumano e indiferente ao sofrimento dos trabalhadores. 

O mais bonito em “Crime de Amor” é a maneira como Luigi Comencini mistura romance e crítica social sem transformar os personagens em símbolos ou discursos ambulantes. Tudo parece muito vívido e próximo da realidade, e isso torna o impacto emocional ainda mais forte. Apresentado em competição no Festival de Cannes de 1974, o filme reúne dois rostos importantíssimos do cinema italiano daquela época. Giuliano Gemma, conhecido principalmente pelos faroestes italianos, mostra nesse filme um lado muito mais sensível e contido. Já Stefania Sandrelli entrega uma atuação delicada e extremamente emocionante, daquelas que permanecem na memória muito depois do final. 

Ficha técnica
"Crime de Amor" | "Delitto d'amore" (título original) | "Delito de Amor" (título em Portugal)
Gênero: drama, romance. Duração: 108 minutos. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 1974. Idioma: italiano. Direção: Luigi Comencini. Roteiro: Luigi Comencini e Ugo Pirro. Elenco: Giuliano Gemma, Stefania Sandrelli, Brizio Montinaro, Renato Scarpa, Rina Franchetti, Emilio Bonucci, Pippo Starnazza, Walter Valdi, Bruno Cattaneo, Luigi Antonio Guerra e Carla Mancini. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.

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terça-feira, 23 de junho de 2026

.: Crítica: "Toy Story 5" aborda realidade provocando a emoção do público

Cartaz de "Toy Story 5"

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em junho de 2026


Quem poderia imaginar que a história dos brinquedos do pequeno Andy ganhariam tantos capítulos, ou melhor, tantos desdobramentos a ponto de ter cinco sequências? Eis que em junho de 2026 nas telas de cinema está em cartaz "Toy Story 5" presenteando o público com duas cenas pós-créditos. Uma que funciona como complemento do desfecho, enquanto que a última é uma número musical dos brinquedos.

Sem Andy, toda a história acontece em torno da pequena Bonnie, a garotinha que herdou todos os brinquedos do jovem que foi para universidade. Ainda encantada como o universo da imaginação, ela cria situações diversas, mas quando tenta um contato com os irmãos gêmeos da casa vizinha, é tomada pela timidez.

Assim, a vaqueira Jessie segue como a dona do coração da menina que também faz a boneca ser par romântico do astronauta Buzz Lightyear (é bom se preparar para uma invasão massiva do herói, gerando boas sequências e risadas). Sem amigos e muito envergonhada, surge uma tábua de salvação para que Bonnie crie elos com seus amigos: o eletrônico Lilypad, um tablet tecnológico que acaba assumindo o posto de vilã da trama.

Contudo, "Toy Story" mergulha na realidade do isolamento social em que todos se "conhecem" sem se ver e realmente conversar, reforçando o quanto Bonnie continua sem amigas mesmo tendo uma Lilypad e passando por uma festa do pijama com as meninas que nunca lhe deram bola. Em tempo, a cena de Bonnie mostrando o tablet para as "amigas" faz lembrar a de Lilo mostra a Xepa para as garotas em "Lilo & Stitch". Embora sejam situações distintas, o desinteresse das meninas pela garotinha e seu item termina quase que igual.

Desta vez, o foco da trama de "Toy Story" está no isolamento e o medo do abandono, refletido não somente em Bonnie, mas também em Jessie. Aliás, o peso da carga emocional vem também da vaqueira que recorda da primeira dona, a garota Emily. Por obra do destino, a boneca faz um volta ao passado que  agora está alterado e um pouco modernizado. No entanto, tal arco na trama se faz importante para  que Bonnie alcance o maior objetivo: fazer amizade.

Com o vibrante e encantador colorido Disney "Toy Story 5" emociona ao entrelaçar a história de Bonnie e Jessie, resgata Woody e Betty Bop para dar uma forcinha e solucionar um problema, traz o Garfinho agora casando, enquanto insere novos personagens, como por exemplo, o incrivelmente divertido Amigo Rolinho e, com sabedoria faz refletir ao chamar a atenção do público a respeito das conturbadas e distantes relações atuais. Imperdível!


"Toy Story 5" (Toy Story 5). Gênero: Animação, Comédia e Aventura. Direção: Andrew Stanton e McKenna Harris. Roteiro: Andrew Stanton e McKenna Harris. Duração: 1h 40 minutos. Classificação Indicativa: 6 anos. Distribuição: Walt Disney Pictures. Elenco: Woody: Tom Hanks (EUA) / Marco Ribeiro (BR), Buzz Lightyear: Tim Allen (EUA) / Guilherme Briggs (BR), Jessie: Joan Cusack (EUA) / Mabel Cezar (BR), Lilypad (O Tablet - Vilã): Greta Lee (EUA) / Maisa Silva (BR), Amigo Rolinho: Conan O'Brien (EUA) / Rafael Infante (BR). Sinopse: O trabalho de Buzz, Woody, Jessie e do resto da turma fica exponencialmente mais difícil quando eles enfrentam uma nova ameaça na hora da brincadeira.

Trailer de "Toy Story 5"




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.: Crônica: apresentação da modalidade filha à distância

Por: Mary Ellen Farias dos Santos

Em junho de 2026


Em tempos de postar a vida na internet fica difícil entender atitudes alheias, principalmente quando se sabe que o outro tem uma pessoa idosa para cuidar. A verdade é que pouco antes da pandemia fui testemunhando uma modalidade um tanto que curiosa, por ser "à distância".

Não abordo aqui o ensino à distância, modalidade de educação mediada por tecnologias em que alunos e professores não precisam estar no mesmo espaço físico ou tempo. Afinal, na época da pandemia, tal forma de estudo foi a única saída para contornar a proibição de aglomeração.

A verdade é que em pleno 2026 testemunho a modalidade filha à distância no seu mais alto grau, tendo no foco uma idosa de 93 anos. De fato, fazer a leitura do "tô nem aí" chega a ser algo assombroso e inimaginável, mesmo acontecendo diante de seus olhos.

Com toda a distância agarrada como desculpa perfeita para a fuga do que se espera de alguém que se diz e se mostra como muito cristão, a devolutiva é de um choroso "eu te amo" para um idoso que segue sem nem mesmo uma visita desta, há mais de um ano. 

De nada adianta enviar áudio com desculpas e choro como resposta para a outra filha que suporta o trato diário sem que a irmã contribua, mesmo com muitos meses de insistentes pedidos de divisão no trato daquela que também é mãe das duas.

Outro ponto assustador de toda a situação é descolamento da realidade em que a mamãe de 93 anos enfrenta. No imaginário e fotos antigas postadas, retratam a seus "amigos virtuais" uma mulher totalmente distinta, inclusive sem dificuldade de locomoção e, claro, independente.

Enquanto cantam louvores e posam para fotos nas redes sociais, ao telefone choram miséria, restando a quem está ao lado da idosa, total indignação diante de tamanho trabalho que resta apenas para uma filha, embora sejam duas. 

Eis a modalidade filha à distância.


.: "Mamma Mia!" reestreia temporada no BTG Pactual Hall após imenso sucesso


Sucesso em dezenas de países e um dos mais conhecidos musicais da Broadway, espetáculo reestreia 18 de junho. Liderado por Claudia Netto, Totia Meireles e Gottsha, elenco dá voz a hits como "Dancing Queen", "Mamma Mia!", "Volez-Vous" e "The Winner Takes it all"

A nova versão brasileira de "Mamma Mia!" estreou em 2023 e comprovou o fenômeno popular deste musical que foi lançado em 1999, em Londres, e se transformou em um dos espetáculos mais bem-sucedidos de todos os tempos, traduzido em 14 idiomas e alcançando 42 milhões de espectadores ao redor do mundo. Criado a partir do cancioneiro repleto de hits do grupo ABBA, o musical teve mais de 100 mil espectadores por aqui e esá em cartaz até dia 12 de julho no BTG Pactual Hall, em São Paulo. 

A montagem é assinada por Charles Möeller & Claudio Botelho, em um projeto que selou o reencontro da dupla com a produtora Aventura, de Aniela Jordan e Luiz Calainho. "‘Mamma Mia!’ é um espetáculo icônico e atemporal. Um musical que emociona e convida a plateia a cantar e dançar conosco", vibra Aniela Jordan.

"Nunca vou esquecer da sensação de catarse que tive quando vi ‘Mamma Mia!’ em Londres, há muitos anos atrás. Estava muito frio lá fora, mas dentro do teatro estava todo mundo naquele calor da Grécia, uma plateia em êxtase, é realmente contagiante", diz Charles Möeller, que ressalta a excelência e a absoluta pertinência do texto do musical.

"Mamma Mia!" se passa em uma ilha grega e conta a história de Sophie, uma jovem que está prestes a casar e convida três ex-pretendentes de sua mãe para o evento, na tentativa de desvendar o mistério que ronda a sua paternidade. É neste clima de romance e comédia em que aparecem as conhecidíssimas cançoes do ABBA, como "Dancing Queen", "Mamma Mia", "The Winner Takes it All", "Money, Money, Money", entre muitas outras.

Formado por mais de 20 artistas, o elenco traz de volta o trio das "dínamos" formado por Claudia Netto (a protagonista Donna, mãe de Sophie), Totia Meireles e Gottsha, que interpretam Tanya e Rose, amigas de uma vida inteira.

 
Serviço
Espetáculo "Mamma Mia!"
Até  dia 12 de julho de 2026
Horários: quintas-feiras. às 20h00, sextas-feiras, às 20h00, sábados, às 16h00 e às 20h00, domingos, às 15h00
Local: BTG Pactual Hall
Endereço: Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722 – Santo Amaro / São Paulo
Ingressos: a partir de R$ 25,00

.: BTG Pactual Hall reúne grandes nomes da comédia brasileira em temporada


Programação reúne teatro, stand-up, improviso, humor de personagens e fenômenos da internet, consolidando o espaço como um dos principais palcos da comédia em São Paulo. Nesta semana, dias 25 e 26, tem o espetáculo "Embrulha pra Viagem", um dos maiores fenômenos do humor brasileiro na internet. No dia 27, o ator e humorista Lucas Salles apresenta "Graças a Deus, Eu Tô Vivo!". Foto: divulgação


O humor será o grande protagonista da programação do BTG Pactual Hall nos meses de junho e julho. Reunindo artistas de diferentes gerações, estilos e linguagens, a Temporada Humor apresenta um panorama da comédia brasileira contemporânea, passando pelo teatro, stand-up comedy, humor de personagens, improvisação e espetáculos que nasceram na internet e conquistaram os palcos de todo o país. 

Ao longo de dois meses, o público poderá conferir atrações estreladas por nomes como Lucas Salles, Octávio Mendes, Amanda Mirásci, Victor Camejo, Marcelo Laham, Maurício Barros, Willians Mezzacapa e artistas da cena drag nacional, consolidando o BTG Pactual Hall como um dos principais destinos da comédia em São Paulo. 

Fenômeno da internet que conquistou os palcos, nos dias 25 e 26 de junho tem o espetáculo "Embrulha Pra Viagem", estrelado por Marcelo Laham, Maurício Barros e Willians Mezzacapa. Nascido no ambiente digital, o grupo se tornou um dos maiores fenômenos do humor brasileiro na internet, acumulando mais de 1,2 milhão de inscritos no YouTube e mais de 500 milhões de visualizações.  

A versão teatral já passou por mais de 50 cidades brasileiras, soma mais de 90 apresentações e levou cerca de 50 mil espectadores aos teatros do país. No palco, o trio interpreta mais de 20 personagens em um espetáculo marcado por improvisos, trocas rápidas de figurino e personagens que se tornaram conhecidos do grande público.  

Fechando junho com humor e sobrevivência, no dia 27, o ator e humorista Lucas Salles apresenta "Graças a Deus, Eu Tô Vivo!", espetáculo que combina stand-up comedy e narrativa teatral para transformar experiências de quase morte em histórias divertidas e inspiradoras. A montagem propõe uma reflexão leve e bem humorada sobre medo, vulnerabilidade e superação. 

Julho mantém o ritmo e amplia a diversidade da programação .A temporada continua em julho reunindo diferentes estilos de humor e alguns dos personagens mais conhecidos do teatro e da internet. No dia 3 de julho, o ator Octávio Mendes apresenta "Irmã Selma", espetáculo que se tornou um clássico da comédia brasileira. Criada há mais de duas décadas, a irreverente freira reúne em cena diversos personagens interpretados por Mendes e continua conquistando novas gerações de espectadores. 

Nos dias 11 e 12 de julho, a atriz, roteirista e humorista Amanda Mirásci apresenta o espetáculo "A Autoestima do Homem Hétero", um dos fenômenos recentes da cena teatral paulistana. Idealizado, escrito e protagonizado pela artista, com direção de Martha Nowill, o monólogo parte de uma provocação tão absurda quanto familiar: e se fosse possível transformar a inabalável autoconfiança dos homens héteros em uma pílula capaz de ser distribuída às mulheres? 

Misturando stand-up, teatro e observação social, a montagem constrói uma sátira afiada sobre autoestima, relações afetivas e comportamentos masculinos que seguem naturalizados na sociedade. O sucesso de público foi imediato. Inicialmente prevista para encerrar temporada em agosto, a peça ganhou duas prorrogações consecutivas e permaneceu em cartaz até outubro no Teatro Uol, consolidando-se como um dos títulos de maior repercussão da nova dramaturgia cômica brasileira. 

Entre os dias 17 e 19 de julho, o BTG Pactual Hall recebe "Ordinários", espetáculo da premiada Cia. LaMínima, referência nacional na mistura entre teatro físico, comicidade e linguagem circense. A trama acompanha três soldados encarregados de uma missão aparentemente simples: invadir território inimigo para resgatar um superior. O problema é que nenhum deles parece minimamente preparado para a tarefa. Entre um aspirante a herói, um atrapalhado incurável e um covarde que deseja abandonar a missão antes mesmo de começá-la, a guerra se transforma em uma sucessão de situações absurdas e hilárias. 

Criado pelos atores Fernando Paz, Fernando Sampaio e Filipe Bregantim em  parceria com o diretor Álvaro Assad e o dramaturgo Newton Moreno, o espetáculo estreou em 2018 e se tornou um dos trabalhos mais celebrados da companhia. Combinando palhaçaria, pantomima, teatro físico e elementos do circo contemporâneo, a montagem cria um delicado equilíbrio entre humor e reflexão, transformando os horrores da guerra em uma narrativa repleta de poesia, humanidade e crítica social. 

Já no dia 24 de julho, os humoristas Victor Camejo, Rominho Braga e Osmar Campbell apresentam "Em Pé na Rede", espetáculo que reúne alguns dos nomes mais populares da nova geração da comédia nacional e das plataformas digitais. Encerrando a temporada, no dia 25 de julho, o palco recebe "Desculpe o Transtorno", espetáculo protagonizado pelas drag queens Valenttini, Alexia Twister e Thelores, que mistura humor, improvisação, cultura pop e performances para celebrar a diversidade em uma noite de muito entretenimento. 


Serviço
Temporada Humor - BTG Pactual Hall
Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722 - Santo Amaro / São Paulo
Ingressos: https://site.bileto.sympla.com.br/btgpactualhall/ 

Junho
"Embrulha Pra Viagem"

Dias 25 e 26 de junho  

"Graças a Deus, Eu Tô Vivo!", com Lucas Salles
Dia 27 de junho  


Julho
"Irmã Selma", com Octávio Mendes
Dia 3 de julho  

"A Autoestima do Homem Hétero", com Amanda Mirásci 
Dia 11 e 12 de julho  

"Ordinários", com Cia. LaMínima 
Dias 17 a 19 de julho  

"Em Pé na Rede"
Dia 24 de julho  

"Desculpe o Transtorno"
Dia 25 de julho 

segunda-feira, 22 de junho de 2026

.: Clássico, "O Império dos Sentidos" reacende debate sobre sexo e poder


Por
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

Entre os filmes mais vistos da plataforma de streaming Reserva Imovision, o drama erótico “O Império dos Sentidos” ainda testa os limites do olhar. Lançado originalmente em 1976, o filme dirigido por Nagisa Ôshima volta vem sendo redescoberto pela nova geração e confirma a vocação de colocar os espectadores em um lugar incômodo. Ambientado no Japão de 1936, o longa-metragem acompanha Sada Abe (Eiko Matsuda), ex-prostituta que passa a trabalhar como empregada na hospedaria de Kichizō Ishida (Tatsuya Fuji). A relação entre os dois cresce rápido, alimentada por desejo, posse e um impulso que não encontra freio. O que poderia ser apenas mais uma história de paixão se transforma em um mergulho radical na obsessão, conduzido até um desfecho que a própria história real já havia tornado célebre.

Ôshima, figura central da nouvelle vague japonesa, concebeu o projeto em parceria com o produtor francês Anatole Dauman, conhecido por trabalhos com Alain Resnais e Jean-Luc Godard. A coprodução entre Japão e França foi a saída encontrada para contornar a censura japonesa, que à época impunha cortes severos à representação do corpo e da sexualidade. Filmado no Japão e finalizado na França, o longa chegou ao público sem fazer nenhum tipo de concessão, o que explica tanto a notoriedade do filme quanto a série de proibições que a produção enfrentou ao redor do mundo.

A repercussão em Cannes, em 1976, dá a medida do impacto. A procura foi tamanha que o festival organizou sessões extras para dar conta do público. A curiosidade vinha acompanhada de escândalo: tratava-se de um filme com cenas de sexo explícito integradas à narrativa, algo raro no circuito de prestígio. Nos anos seguintes, “O Império dos Sentidos” seria banido em diversos países, enquanto outros o liberariam pouco depois, já sem cortes. No Japão, o próprio Ôshima enfrentou um processo judicial, encerrado apenas em 1982, com a absolvição dele.

O roteiro, também assinado por Ôshima, parte de depoimentos reais de Sada Abe, registrados pela polícia, e de relatos que circularam após o crime. A escolha dá ao filme uma base documental que contrasta com a encenação rigorosa. Cada gesto, cada repetição, cada deslocamento entre os corpos é pensado como parte de uma construção dramática que dispensa ornamentos. O diretor elimina distrações e concentra a ação em poucos espaços, criando um clima de confinamento que acompanha a escalada da relação.

Eiko Matsuda, vinda do teatro experimental, sustenta o filme com uma presença que oscila entre fragilidade e domínio. A personagem dela conduz o ritmo da relação, deslocando o eixo tradicional do olhar no cinema erótico. Tatsuya Fuji, por sua vez, compõe um parceiro que se entrega por completo, num jogo que se intensifica a cada cena. O que se vê é a insistência de um desejo levado até as últimas consequências.

A fotografia e o uso das cores dialogam com tradições visuais japonesas, especialmente o teatro kabuki. Tons de vermelho atravessam figurinos e objetos, marcando o ambiente e sugerindo uma tensão constante. Cada elemento parece colocado para amplificar o que está em cena. Reduzir “O Império dos Sentidos” a rótulos simplistas empobrece a experiência. O filme se constrói como um estudo sobre controle, entrega e destruição, articulando corpo e poder de maneira direta e que ainda desafia convenções e incomoda expectativas.

Quase cinquenta anos depois, a obra mantém sua capacidade de dividir plateias. Há quem veja ali um marco do cinema moderno; há quem rejeite o filme pela forma como expõe seus personagens. Entre uma reação e outra, permanece um trabalho que insiste em ser visto, discutido e reavaliado — e que, ao reaparecer em circuito, reafirma a força de um cinema que não se acomoda.

Ficha técnica
“O Império dos Sentidos” | “Ai no Korîda” (título original)
Gênero: drama erótico. Duração: 109 minutos. Classificação indicativa: 18 anos. Ano de produção: 1976. Idioma: Japonês. Direção: Nagisa Ôshima. Roteiro: Nagisa Ôshima. Elenco: Eiko Matsuda, Tatsuya Fuji, Aoi Nakajima, Yasuko Matsui, Meika Seri, Taiji Tonoyama. Distribuição no Brasil: Imovision (catálogo e relançamentos). Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


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.: Suspense de 1956, "A Sombra" retorna para provocar novas leituras


Por
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com

Produzido durante o chamado “degelo” político na Polônia, quando a censura afrouxava discretamente, “A Sombra” encontrou terreno para lidar com temas delicados. O filme chega à plataforma de streaming Belas Artes À La Carte como um título que precisa ser redescoberto. Dirigido por Jerzy Kawalerowicz e escrito por Aleksander Ścibor-Rylski, o longa-metragem polonês de 1956 parte de um corpo lançado de um trem para construir um enigma difícil de ser decifrado. A investigação conduzida por policiais, agentes de segurança e um legista se fragmenta em três versões, situadas em momentos distintos: a Segunda Guerra Mundial, o imediato pós-guerra e a Polônia dos anos 1950. O filme, que tem no elenco os atores Zygmunt Kęstowicz, Adolf Chronicki e Tadeusz Jurasz, organiza o suspense a partir de relatos que se contradizem e se contaminam. Cada depoimento desloca o espectador, que passa a lidar com identidades instáveis e intenções ambíguas. 

A estrutura lembra o jogo de perspectivas popularizado por “Rashomon”, de Akira Kurosawa, mas Kawalerowicz prefere expandir o dispositivo: em vez de revisitar um único acontecimento, ele costura histórias que ecoam entre si, criando uma espécie de mosaico moral. A pergunta sobre quem foi o homem morto se transforma, aos poucos, em outra: o que define alguém em um cenário de vigilância, medo e lealdades frágeis? A câmera de Jerzy Lipman aposta em enquadramentos fechados e ângulos baixos, valorizando rostos tensos e ambientes carregados. O filme avança com movimento, perseguições e sequências envolvendo trens que imprimem ritmo e risco. Em algumas dessas cenas, os próprios atores dispensaram dublês.

Críticos da época reagiram com desconfiança ao retrato de um mundo povoado por agentes secretos e inimigos invisíveis, leitura que dialogava com o imaginário do stalinismo. O filme, no entanto, segue por outra via e expõe a fragilidade das certezas: heroísmo e traição mudam conforme o ponto de vista. Exibido no Festival de Cannes de 1956, o longa-metragem integra o movimento conhecido como Polish Film School, responsável por renovar a linguagem cinematográfica no país ao abordar as consequências da guerra com maior liberdade estética e densidade moral. Kawalerowicz, que mais tarde assinaria obras como “Madre Joana dos Anjos” e “Faraó”, já demonstrava aqui um domínio formal que chamaria atenção fora da Polônia, ainda que a filmografia dele permaneça menos difundida do que merece.


Ficha técnica
“A Sombra” | "Cień" (título original)
Gênero: drama, ação, suspense. Duração: 98 minutos. Classificação indicativa: não informada.
Ano de produção: 1956. Idioma: polonês. Direção: Jerzy Kawalerowicz. Roteiro: Aleksander Ścibor-Rylski. Elenco: Zygmunt Kęstowicz, Adolf Chronicki, Tadeusz Jurasz, Emil Karewicz, Ignacy Machowski, Bolesław Płotnicki, Bohdan Ejmont, Marian Łącz, Halina Przybylska, entre outros.
Distribuição no Brasil: não informada. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.

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domingo, 21 de junho de 2026

.: Mostra “Brasil em Todas" promove no MIS Experience uma imersão nas Copas


Mostra interativa faz um mergulho na participação da seleção brasileira na história das Copas. Público contará ainda com transmissão ao vivo dos principais jogos do torneio. Foto: Lucas Mello

O MIS Experience, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, entra na torcida para a seleção brasileira de futebol conquistar o hexa, com a exposição interativa “Brasil em Todas”. Até dia 2 de agosto, o público fará uma verdadeira imersão na história da “seleção canarinho” nas Copas do Mundo. O Brasil é o maior campeão do torneio, com cinco títulos, além de ser o único país a participar de todas as 23 edições. Com um estilo único de jogo, as equipes brasileiras sempre apresentaram grandes jogadores e protagonizaram situações que marcaram para sempre a história do esporte, consagrando a nação como o “país do futebol”.

Para mergulhar ainda mais na participação brasileira nas Copas do Mundo, o MIS Experience convida o público a vivenciar o futebol de maneira inédita, interativa, divertida e inovadora. O percurso de “Brasil em Todas” apresentará aos visitantes as diferentes realidades do consumo e da prática do futebol ao longo dos anos – com base em hábitos de época, na tecnologia disponível e na realidade de cada participação da seleção nacional. A mostra propõe a interação e a participação do público em diferentes níveis, do ambiente analógico ao digital, a partir de acervos raros e conteúdos exclusivos, com a inclusão de mecânicas especiais relacionadas a cada Copa do Mundo FIFA vencida pelo Brasil (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002).


Acervo raro
O conteúdo de acervo histórico da exposição irá atrair tanto fãs de futebol quanto o público geral. Artigos raros do Museu Seleção Brasileira, da CBF, estarão expostos pela primeira vez em conjunto fora da instituição. Eles incluem registros do surgimento da seleção, em 1914; objetos originais relativos à participação do Brasil em todos os torneios desde 1930, incluindo o troféu de segundo lugar da Copa de 1950; estátua em tamanho real de Pelé e estátua em tamanho real de Zagallo (nunca exibida ao público)

Além disso, um espaço dedicado à imprensa traz acervos raros de mídia escrita e fotografia desde 1930, com recortes de jornais e revistas, incluindo veículos já extintos, com notícias e curiosidades sobre a Copa do Mundo ao longo dos anos. Em outra sala dedicada ao rádio, os visitantes terão à disposição fones de ouvido para escutar narrações de jogos históricos em diferentes épocas desde 1950. Já a sala de projeção trará um filme em curta-metragem sobre a participação de Pelé nas seleções que disputaram as Copas de 1958, 1962, 1966 e 1970.

Outros destaques da mostra incluem uma videoinstalação apresentando a evolução das escalações da seleção ao longo dos anos, com destaque para os clubes de origem de cada atleta; e caricaturas exclusivas de craques de todos os tempos, em grande formato, criadas pelo cartunista Mario Alberto.


Experiências tecnológicas
Nas áreas interativas da exposição, o público terá à disposição seis jogos diferentes customizados em telas gigantes de alta definição, incluindo comandos por voz, toque e movimento. As experiências incluem desde quizzes de conhecimentos sobre a Copa até jogos nos quais os visitantes terão a experiência de estar em um campo de futebol.


Bar do Hexa
Para completar o passeio, os visitantes poderão assistir aos principais jogos da Copa do Mundo no Bar do Hexa, espaço que contará com painel de LED de 5m e café com diversas opções de comidas e bebidas (incluindo alcoólicas). As exibições no Bar do Hexa são abertas mesmo para quem não for visitante da exposição, e os ingressos gratuitos devem ser retirados com uma hora de antecedência na bilheteria física do MIS Experience.


Serviço | Exposição “Brasil em Todas”
Até dia 2 de agosto de 2026
Ingresso: de quarta a domingo: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia-entrada); terças: gratuitas (mediante retirada de ingresso na bilheteria); crianças até 10 anos não pagam.
Horário: das 10h00 às 19h00.
MIS Experience: Rua Cenno Sbrighi, 250, Água Branca/São Paulo.

.: Rita von Hunty lança o livro "Formas de Narrar Um Corpo" no Sesc 24 de Maio


Ao lado de Andreone Medrado, artista apresenta obra que articula sociologia, psicanálise e política para refletir sobre representações do corpo e produção de conhecimento. Na foto, Rita von Hunty e Andreone Medrado. Fotos: divulgação


A atriz, professora e crítica cultural Rita von Hunty lança seu primeiro livro, "Formas de Narrar Um Corpo", no Sesc 24 de Maio, na próxima quinta-feira, dia 25 de junho, às 19h00, no Teatro. O encontro acontece gratuitamente em formato de bate-papo com participação de Andreone Medrado e propõe ao público uma reflexão acessível sobre como os corpos são representados e quem tem espaço para produzir conhecimento. 

Na obra, Rita von Hunty reúne referências da sociologia, psicanálise, literatura e política para discutir de que maneira certos corpos são narrados, autorizados ou interditados. Ao abordar gênero e sexualidade como construções de relações de poder, a autora questiona teorias que se apresentam como universais e evidencia seus recortes históricos, sociais e ideológicos evidenciando aquilo que foi naturalizado como neutro. 

Com uma abordagem didática e crítica, o livro articula experiência, teoria e o desejo de transformação, convidando leitoras e leitores a reconhecer os mecanismos que os constituem - e, a partir disso, se posicionarem como sujeitos ativos de suas próprias trajetórias. "Formas de Narrar Um Corpo" inaugura a Coleção Reticências, da Editora Planeta, que reúne vozes diversas para pensar questões contemporâneas a partir de encontros e entrevistas gravadas, que convidam o leitor a acompanhar o pensamento em construção. Compre o livro"Formas de Narrar Um Corpo", de Rita von Hunty, neste link.


Sobre as participantes 
Rita von Hunty
é atriz, crítica cultural, professora e educadora popular, com atuação em universidades, escolas e movimentos sociais no Brasil e no exterior. Colaborou com mais de 25 livros, sendo dois deles finalistas do Prêmio Jabuti Acadêmico em 2025.

Andreone Medrado é psicóloga, bióloga, pesquisadora, escritora, artista e fotógrafa. Fundadora do coletivo Escuta Preta no Instituto de Psicologia da USP, atualmente é coordenadora geral do Núcleo de Consciência Negra da universidade. É coautora de Não Monogamia: trânsitos entre raça, gênero & sexualidade e autora de Ensaios sobre o Colonialismo – higienização, corpos, fé e subjetividades em disputa.


Serviço
Lançamento do livro "Formas de Narrar Um Corpo" 

Com Rita von Hunty e Andreone Medrado
Datas: 25 de junho, quinta-feira, às 19h00
Local: Teatro do Sesc 24 de Maio – Rua 24 de Maio, 109, República / São Paulo
Classificação: 14 anos
Ingressos: grátis com retirada uma hora antes no local
Duração: 150 minutos
Mais informações: no site sescsp.org.br/24demaio
Serviço de van: transporte gratuito até as estações de metrô República e Anhangabaú. Saídas da portaria a cada 30 minutos, de terça a sábado, das 20h00 às 23h00, e aos domingos e feriados, das 18h00 às 21h00.

.: "Mother’s Baby” questiona instinto materno e desmonta idealizações


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

“Mother’s Baby” estreia na plataforma de streaming Reserva Imovision apostando em um desconforto que não se dissipa quando o filme termina. Dirigido e coescrito pela austríaca Johanna Moder, o longa-metragem parte de um terreno conhecido - o desejo pela maternidade - para deslocá-lo a um território inquietante, em que o afeto e o estranhamento convivem sem qualquer garantia de reconciliação. Na trama, Julia (Marie Leuenberger), uma maestrina de 40 anos no auge da carreira, decide interromper a rotina profissional ao lado do parceiro Georg (Hans Löw) para realizar o sonho de ter um filho. 

A gravidez vem após um procedimento conduzido pelo enigmático Dr. Vilfort (Claes Bang), especialista em fertilidade que promete resultados com uma segurança quase clínica demais para ser confortável. O parto, porém, rompe qualquer expectativa de controle: o bebê é retirado às pressas, sem explicações claras, e devolvido à mãe já sob o peso de uma dúvida corrosiva.

Moder conduz o espectador por uma narrativa que se alimenta da instabilidade emocional da protagonista. Julia não reconhece o filho, mas não há histeria, nem gestos grandiosos. O que se instala é um distanciamento seco, persistente, que contamina o ambiente doméstico e fragiliza o casamento. A partir daí, o filme tensiona a percepção da realidade: há um erro concreto ou tudo se organiza dentro de uma experiência psíquica em colapso?

Exibido na competição oficial do Festival de Berlim, onde disputou o Urso de Ouro, o longa-metragem se insere em uma linhagem recente de filmes dirigidos por mulheres que encaram a maternidade sem idealizações. A própria Moder descreveu o projeto como um acerto de contas pessoal, interessado em desmontar a promessa de plenitude associada ao nascimento de um filho. Em entrevistas à imprensa europeia, a diretora afirmou que buscou deliberadamente o suspense como forma de traduzir a insegurança e o deslocamento vividos por muitas mulheres nesse período.

Marie Leuenberger segura o filme com uma atuação que aposta no mínimo. A personagem dela fala pouco, mas o incômodo aparece no jeito de olhar, no corpo que parece sempre um passo atrás, como se ela estivesse tentando ocupar um lugar que já não reconhece como seu. Claes Bang faz do médico uma presença que impõe respeito e estranha ao mesmo tempo, daqueles que parecem saber demais e explicar de menos. Já Hans Löw constrói um marido dividido: tenta estar por perto, mas nunca alcança de fato o que se passa com a mulher ao lado.

Filmado em Viena, Zurique e Hamburgo, com fotografia de Robert Oberrainer, o longa-metragem também chama atenção pela atmosfera controlada que contrasta com a crescente desordem interna da protagonista. A trilha de Diego Ramos Rodríguez acompanha esse deslocamento sem recorrer a excessos, reforçando a sensação de que algo está fora do lugar, ainda que ninguém consiga apontar exatamente o quê. O filme prefere deixar o espectador diante de um impasse que ecoa para além da tela: até que ponto a maternidade é instinto, construção ou imposição? E o que acontece quando esse vínculo não se estabelece como esperado? 


Ficha técnica
“Mother’s Baby” | "Bebê da Mamãe" (título em Portugal)
Gênero: drama, suspense. Duração: 99 minutos. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 2025. Idioma: alemão. Direção: Johanna Moder. Roteiro: Johanna Moder, Arne Kohlweyer. Elenco: Marie Leuenberger, Hans Löw, Claes Bang, Julia Franz Richter. Distribuição no Brasil: Autoral Filmes. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


Assine a Reserva Imovision, o streaming que respeita a sua inteligência
A equipe do Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. 
Você pode assinar a plataforma de streaming Reserva Imovision neste link.


Leia+

.: Messi inspira nova geração de leitores durante a Copa do Mundo


Livro sobre a trajetória de Lionel Messi ganha destaque durante o Mundial de 2026 e convida crianças e jovens a conhecerem a história de um dos maiores jogadores de todos os tempos

Enquanto a Copa do Mundo de 2026 movimenta milhões de torcedores, a Editora Catapulta convida os fãs do esporte a conhecerem mais sobre a trajetória de Lionel Messi, um dos maiores nomes da história do futebol. O destaque da coleção é o livro "Messi: A Jornada de Um Campeão", que apresenta a inspiradora trajetória do craque argentino, desde sua infância em Rosário até a conquista da Copa do Mundo e sua consagração como um dos maiores jogadores de todos os tempos.

A obra convida os leitores a conhecerem os desafios, as conquistas e a determinação que marcaram a carreira de Messi, mostrando que talento, dedicação e perseverança são ingredientes fundamentais para alcançar grandes sonhos. Em meio à disputa de mais uma Copa do Mundo aos 39 anos, o argentino segue sendo uma das figuras mais admiradas e acompanhadas do futebol mundial, despertando o interesse de novas gerações de torcedores. O livro surge como uma oportunidade para fãs de todas as idades mergulharem em sua história dentro e fora dos gramados, conhecendo os momentos que transformaram o garoto de Rosário em uma lenda do esporte.

Complementando a coleção, a Catapulta também apresenta o lançamento "Os Países da Copa do Mundo", uma obra interativa que leva crianças e famílias a uma viagem pelos países participantes do Mundial de 2026. O livro reúne curiosidades sobre as seleções, informações culturais, cidades-sede e mais de 100 figurinhas coloridas para colecionar. Outro destaque é o lançamento da coleção Abremente Grandes Estrelas, que homenageia dois gigantes do futebol mundial: "Messi Campeão" e "O Rei Pelé". Os títulos combinam curiosidades, desafios e atividades que estimulam o aprendizado enquanto celebram a trajetória de atletas que marcaram gerações.

“A Copa do Mundo desperta emoção, memória afetiva e interesse genuíno pelas histórias que moldaram o futebol. Nossa proposta é oferecer aos leitores uma experiência cultural que vai além dos jogos, conectando esporte, conhecimento e diversão”, afirma Evandro Silva, Gerente Geral da Editora Catapulta. Ao reunir biografias inspiradoras, atividades educativas e conteúdos interativos, a Editora Catapulta transforma a paixão pelo futebol em uma experiência de leitura envolvente, reforçando o legado de grandes ídolos como Messi e incentivando o aprendizado por meio do esporte. Compre "Messi: A Jornada de Um Campeão" neste link.

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