domingo, 11 de janeiro de 2026

.: "Ney Matogrosso - Homem com H" volta em cartaz no Teatro Porto


Com Renan Mattos no papel-título, a peça tem temporada estendida e volta ao cartaz a partir de 30 de janeiro de 2026. Foto: Adriano Doria

O Teatro Porto abre a temporada 2026 com o retorno do musical "Ney Matogrosso - Homem com H", visto por mais de 86 mil pessoas. A peça tem temporada estendida e volta ao cartaz a partir de 30 de janeiro de 2026. O espetáculo tem texto de Marilia Toledo e Emílio Boechat, vencedores do Prêmio Bibi Ferreira por este trabalho. Marilia também divide a direção da peça com Fernanda Chamma, enquanto a direção musical é assinada por Daniel Rocha. No palco, o camaleônico Ney Matogrosso é interpretado por Renan Mattos (que venceu os prêmios Bibi Ferreira e DID 2022, além de ter sido indicado ao APCA) - que é acompanhado por mais 16 atores e banda ao vivo composta por seis músicos. Leia a crítica da temporada anterior neste link: "Homem com H" reza o evangelho segundo Ney Matogrosso.

A criação do espetáculo nasceu de uma aproximação direta com Ney Matogrosso. Segundo Marilia Toledo, a montagem surgiu depois que seus sócios, Marcio Fraccaroli e Sandi Adamiu, adquiriram os direitos para um longa-metragem sobre o cantor. “Eu logo pedi para que eles também adquirissem os direitos para levar a história para o teatro. Tivemos um almoço com o Ney, quando pudemos compartilhar com ele nossa visão sobre esse musical”, revela. “Ney é um artista único, com uma visão cênica impressionante. Ele cuida de todas as etapas de sua performance. Além da escolha de repertório e banda, pensa no figurino, na iluminação, na direção geral.  E, quando está em cena, transforma-se em diferentes personagens. Ele nunca estudou dança e, quando o assistimos, parece que nasceu sabendo dançar. Mas ele jamais se coreografa. É sempre um movimento livre”, admira-se. 

Já para Renan Mattos é extremamente desafiador interpretar uma figura tão importante para a nossa cultura. “O Ney é um ser camaleônico, tem um lado íntimo reservado, mas ao mesmo tempo é catártico no palco e apresenta um leque de personas a cada música. Cada uma dessas personas tem algo de místico, de misterioso, de selvagem, um ser ‘híbrido’ como definido por muitos, indecifrável. Então eu não me sinto interpretando o Ney e sim pedindo licença e pegando emprestado tudo aquilo que ele transformou na música e na vida das pessoas, todos os caminhos que ele abriu para pessoas e artistas como eu e isso é muito significativo”.

O musical apresenta ao público essa figura tão importante para a nossa cultura, “algo obrigatório para qualquer brasileiro”, como considera Toledo. “A discografia de Ney Matogrosso passeia pelos compositores mais importantes do nosso país, o que reflete a nossa história. E sua história de vida é extremamente interessante. Ele sempre foi um homem absolutamente autêntico. Experimentou e ousou como nenhum outro artista, enfrentando os militares de peito aberto e nu, literalmente”.


A montagem
"Ney Matogrosso - Homem com H" explora momentos e canções marcantes na trajetória do cantor sem seguir uma ordem cronológica. A história começa em um show do Secos & Molhados, em plena ditadura militar, quando uma pessoa da plateia o xinga de “viado”. Essa cena se funde com momentos da infância e adolescência do artista. E, dessa forma, outros episódios vão se encadeando na cena.

Para contar essa história, Marilia Toledo e Emilio Boechat mergulharam nas três biografias já publicadas sobre Ney Matogrosso, além de matérias jornalísticas, vídeos e o próprio artista. “Com a ajuda do próprio Ney, tentamos ser fiéis aos fatos mais importantes de sua vida privada e profissional, mas com a liberdade lúdica que o teatro pede”, revela a diretora.

Em relação às canções do homenageado, o musical também não segue uma cronologia – exceto naqueles momentos em que a dramaturgia precisa ser mais fiel à realidade. As músicas vão sendo encaixadas no contexto de cada cena e as letras acabam estabelecendo um diálogo interessante com a vida de Ney Matogrosso.  

Quanto à encenação, as diretoras apostam em um ensemble potente, que apoia o protagonista do começo ao fim – e praticamente sem sair de cena. As trocas de figurinos e até maquiagens, inclusive, são feitas na frente do público, brincando com as ideias de oculto e explícito o tempo todo. 

Além da própria trajetória do homenageado, o musical discute um tema cada vez mais relevante para a realidade brasileira: a liberdade. “Principalmente, a liberdade de ser quem se é, a qualquer custo. Ney combateu a ditadura não com palavras, mas com sua atitude cênica, entrando maquiado e praticamente nu no palco e na televisão, na época de maior censura que o país já viveu. As ambiguidades que ele sempre trouxe para o público foram pauta na década de 70 e permanecem em pauta até os dias de hoje. Ele também sempre foi adepto do amor livre e deixou clara a sua bissexualidade desde o início”, destaca Toledo.

Outro aspecto que tem bastante importância na montagem são os icônicos e provocantes figurinos de Ney Matogrosso. A diretora conta que a figurinista Michelly X fez uma intensa pesquisa dos trajes originais usados pelo artista-camaleão para poder reproduzi-los com bastante fidelidade. “Para a direção musical, demos total liberdade a Daniel Rocha na concepção musical e sonora. Ele tem uma inteligência profunda na arte de contar histórias por meio de seus arranjos e escolhas de instrumentos e vozes para cada momento da trama”


Sinopse
A peça mostra momentos marcantes da vida e carreira de Ney Matogrosso, costurando episódios da infância, juventude e explosão artística. Sem seguir uma ordem cronológica, a narrativa mistura fatos reais, imagens poéticas, que dialogam com sua trajetória.


Ficha técnica
Musical "Ney Matogrosso - Homem com H"
Texto: Marilia Toledo e Emílio Boechat. Direção: Fernanda Chamma e Marilia Toledo. Coreografia: Fernanda Chamma. Direção Musical: Daniel Rocha. Cenografia: Carmem Guerra. Figurinos: Michelly X. Visagismo: Edgar Cardoso. Desenho de som: Eduardo Pinheiro. Desenho de luz: Fran Barros & Tulio Pezzoni. Preparação vocal: Andréia Vitfer. Realização: Paris Cultural. Patrocínio: Porto Seguro. Produção geral: Paris Cultural. Elenco: Renan Mattos (Ney), Bruno Boer (Ney Cover), Bruno Narchi (Cazuza), Vinícius Loyola e Nando Motta (João Ricardo, Nilton Travesso e Luís Fernando Guimarães), Giselle Lima (Beíta, Renate Beija-Flor e Sandra Pera), Hellen de Castro (Rita Lee, Sylvia Orthof, Gilda e Yara Neiva), Enrico Verta (Gerson Conrad, Eugênio, André Midani e Frejat), Abner Debret (Vicente Pereira e Vitor Martins), Maria Clara Manesco (Luli, Lidoka e Fã), Tatiana Toyota (Elvira, Rosinha de Valença) Léo Rommano (Titinho, Moracy do Val e Arthur Moreira Lima), Ju Romano (Lena, Regina Chaves), Lucas Colombo (Marco de Maria), Maurício Reducino (Ensemble), Murilo Armacolo (Ney jovem e Mazzola), Valffred Souza (Ensemble), Vitor Vieira (Matogrosso e Guilherme Araújo) e Oscar Fabião (Dódi e Grey). Banda: Teclado 1 e Regência - Rodrigo Bartsch. Teclado 2 e sub de Regência - Renan Achar. Bateria e percussão - Kiko Andrioli. Trombone, Trompete, Flugel - Renato Farias. Baixo Elétrico, acústico e violão - Eduardo Brasil. Reed (Sax Tenor, Clarinete, Clarone, Flauta) - Tico Marcio.

Serviço
Musical "Ney Matogrosso - Homem com H"
Temporada: de 30 de janeiro a 29 de março de 2026.
Sessões: Sextas e sábados às 20h e domingos às 17h.
Duração do espetáculo: 3h00 (com 15 minutos de intervalo)
Não haverá sessões no feriado de Carnaval.

Teatro Porto 
Al. Barão de Piracicaba, 740 - Campos Elíseos / São Paulo.
Telefone (11) 3366.8700

Bilheteria 
Aberta somente nos dias de espetáculo, duas horas antes da atração. 
Clientes Porto Bank mais acompanhante têm 50% de desconto.
Clientes Porto mais acompanhante têm 30% de desconto.
Capacidade: 484 lugares.
Formas de pagamento: Cartão de crédito e débito (Visa, Mastercard, Elo e Diners).
Acessibilidade: 10 lugares para cadeirantes e 5 cadeiras para obesos.
Estacionamento no local: Gratuito para clientes do Teatro Porto.


O Teatro Porto oferece a seus clientes uma van gratuita partindo da Estação da Luz em direção ao prédio do teatro. O local de partida é na saída da estação, na Rua José Paulino/Praça da Luz. No trajeto de volta, a circulação é de até 30 minutos após o término da apresentação. E possui estacionamento gratuito para clientes do teatro.

.: O "Coração Acelerado" de Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento


Duas autoras, uma novela musical e o sertanejo como linguagem dramática para falar de amor, ambição e protagonismo feminino. Foto: Globo/ Léo Rosario

Toda canção sertaneja carrega um enredo pronto: amores atravessados, promessas quebradas, coragem feminina e aquela emoção que pede refrão alto. "Coração Acelerado", nova novela das sete da TV Globo, surge exatamente desse cruzamento: quando a música popular encontra o melodrama clássico da telenovela e resolve falar de mulheres que querem soltar a própria voz. Pela primeira vez escrevendo juntas uma novela, Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento transformam o universo do sertanejo - e, sobretudo, do feminejo - em território narrativo, afetivo e até político. 

Além de hits, palcos ou bastidores, a novela tratará sobre ambição, redes sociais, contratos sufocantes, heranças familiares e o direito de sonhar sem baixar a cabeça para ninguém. Nesta entrevista, as autoras falam de pesquisa, parceria, humor, música como motor dramático e da aposta em uma história popular que acelera o coração sem abrir mão de inteligência, afeto e conflito.


Como vocês definem a trama de "Coração Acelerado"?
Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento - Nossa história é uma comédia romântica musical, com protagonismo feminino no universo da música sertaneja, que fala de amor, de sonhos e conquistas.

 
De quem foi a ideia desta trama e como vocês se dividem nesta escrita? 
Izabel de Oliveira - Eu tinha vontade de falar sobre o universo sertanejo, sobretudo o feminejo, e levei a ideia para a Globo. Quando o projeto foi aprovado, pedi alguém para embarcar comigo nesta construção e foi então que convidamos a Maria Helena. A partir do argumento inicial, elaboramos a sinopse juntas e nos dividimos na escrita da trama. De modo geral, eu estruturo as escaletas e a Maria Helena desenvolve as cenas, mas trocamos ao longo de todo o processo, nos complementando nas ideias. E temos ainda um time de roteiristas, com Daisy Chaves, Dino Cantelli, Flavia Bessone, Fabrício Santiago e Isabel Muniz, que trabalham conosco e contribuem muito na construção da nossa história.

 
O que inspirou vocês a contar essa história?
Izabel de Oliveira - A ideia de contar uma história ambientada no universo sertanejo veio da minha paixão pela história popular e por eu identificar no sertanejo, dentro do universo da música, o que há de mais parecido com um roteiro de novela. As letras das músicas sertanejas contam uma história! Elas falam de amor, dos sentimentos, de sonhos e têm um apelo popular que comunica imediatamente com o público. Eu tenho uma fascinação por isso. Então, veio o desejo de escrever uma novela musical com a temática sertaneja. E isso aconteceu quando o feminejo estava estourando, com mulheres talentosas e potentes que estavam buscando seus espaços.
Maria Helena Nascimento - Além da riqueza dos elementos de melodrama na letra sertaneja que nos inspirou, nós duas temos no histórico novelas musicais, eu com "Rock Story", e Izabel com "Cheias de Charme". É uma temática que gostamos. Como espectadora, sempre me encanto com projetos que envolvam música.
 

Como foi o processo de pesquisa para escrever essa história?
Izabel de Oliveira e
 Maria Helena Nascimento - Estamos mergulhadas nesse universo com apoio de diferentes áreas. O departamento de Pesquisa e Desenvolvimento Artístico da Globo promoveu um ciclo de conversas em que pudemos trocar com diversos cantores do sertanejo, fizemos uma pesquisa intensa em Goiânia e estamos contando com um suporte muito grande da TV Anhanguera, afiliada da região. E isso será um processo contínuo, que nos acompanhará até o fim da novela.


A novela traz uma história que aborda o feminejo e a força feminina. Como isso será mostrado? Que assuntos da atualidade são abordados na trama?
Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento - Contaremos a história da Agrado (Isadora Cruz), uma jovem que sonha com a carreira de cantora e batalha por isso em um universo em que a presença masculina é muito forte. As pessoas se interessam pelas composições da Agrado, mas sempre querem mudar algo, e isso a deixa indignada. Agrado não abaixa a cabeça, ela tem orgulho e acredita no seu talento. É uma mulher forte, dona de si. O público verá também a trajetória da Eduarda (Gabz), que, assim como Agrado, sonha com a carreira de cantora, mas lhe oferecem poucas oportunidades. Ela lutará muito por sua carreira. Teremos ainda as personagens Zilá (Leandra Leal) e Janete (Letícia Spiller), duas mulheres fortes e empreendedoras. Mostrar a batalha dessas mulheres será inspirador. Outra pauta que traremos é sobre a relação das pessoas com as redes sociais. A história se inicia com a repercussão de um post feito pelo astro sertanejo João Raul (Filipe Bragança). E temos a personagem Naiane (Isabelle Drummond), uma influenciadora digital. Vamos discutir sobre as relações digitais, a superexposição nas redes e o impacto disso na vida dessas pessoas.
 

Estão previstas participações especiais da música sertaneja. Por que trazer estes artistas para a história?
Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento - Gostamos de fazer essa conexão entre realidade e ficção, traz verdade para a história e causa um impacto no público. É divertido ter personagens reais inseridos na trama. E, claro, é uma forma de homenagear esses artistas.
 

O horário das sete propõe histórias com temáticas mais leves e divertidas. O humor estará presente na trama?
Izabel de Oliveira e
 Maria Helena Nascimento - Nossa história é um romance musical com muito humor. Não temos um único núcleo cômico, isso está espalhado nas tramas que envolvem a história, que é leve e bem-humorada. Acontece até mesmo com os vilões ou nas situações mais dramáticas.
 

Como está sendo a parceria com Carlos Araújo? É a primeira novela que fazem juntos? 
Izabel de Oliveira - Trabalhei com Carlos Araújo em "Cheias de Charme". Ele é um diretor muito vibrante, cheio de boas ideias e tem um lado sentimental muito parecido comigo e com a Maria Helena.
Maria Helena Nascimento - O Carlos tem se mostrado muito entusiasmado, e é muito gostoso para a gente ver a forma que ele recebe o nosso trabalho. A troca tem sido muito harmônica.
 

O que o público pode esperar de "Coração Acelerado"?
Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento - Que acelere o coração de todos! Música, romance, relações de famílias intensas, humor e sonoridade.

 
O que vocês querem despertar no público com a história que estão contando?
Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento - A vontade de correr atrás dos seus sonhos. De ter coragem para batalhar por aquilo que acreditam e desejam para suas vidas. E, claro, a emoção que a música provoca.

.: Espetáculo no Sesc Santos, “Tranquilli” convida o público a desacelerar e sonhar


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com
Foto: divulgação

O espetáculo circense “Tranquilli”, da Cia. Teatro C’Art, será apresentado na sexta-feira, 30 de janeiro, às 20h00, no auditório do Sesc Santos. A montagem convida o público a desacelerar e a redescobrir o encantamento do cotidiano a partir de uma abordagem cômica, sensível e profundamente humana. Em cena, o artista brasileiro André Casaca, radicado na Itália, dá vida a um personagem que traduz, por meio do corpo, o desejo universal de liberdade, sonho e imaginação. 

Sem recorrer à palavra, Casaca constrói uma narrativa baseada no teatro físico e na comicidade não-verbal, herdeira direta da tradição do teatro de rua italiano, na qual o gesto, o ritmo e o olhar se tornam os principais motores da comunicação com o público. Em “Tranquilli”, o absurdo surge como ferramenta poética. O personagem joga basquete sozinho e vence a partida, atende a um telefone que nunca tocou, voa com sua bicicleta alada e transforma a guerra em um jogo cênico que envolve diretamente a plateia. 

São pequenas ações que, costuradas com humor e delicadeza, rompem com a lógica do cotidiano frenético e revelam novas possibilidades de existência, convidando o espectador a rir de si mesmo e do mundo ao redor. A vida do personagem acontece inteiramente no corpo, que se afirma como veículo principal de expressão. É nele que se inscrevem as emoções, os conflitos e as fantasias, criando uma linguagem cênica acessível a públicos de todas as idades e culturas. O espetáculo propõe, assim, uma reflexão leve e profunda sobre temas como a rotina, o amor, a infância e a necessidade de imaginar outros modos de viver.

Criada a partir de 15 anos de pesquisa e atuação da Cia. Teatro C’Art, a obra reflete a maturidade artística do grupo, reconhecido internacionalmente por sua atuação no campo do circo contemporâneo e do teatro físico. Ao longo de sua trajetória, a companhia apresentou seus espetáculos em festivais e teatros de países como Itália, Suíça, Alemanha, Palestina, Israel, Turquia, Etiópia, Cabo Verde e Brasil, consolidando uma linguagem própria que atravessa fronteiras culturais.

O Teatro C’Art é vencedor do Prêmio Circus no Festival Mundial da Criatividade, realizado em Sanremo, na Itália, e atua também como Centro Cultural, mantendo biblioteca, videoteca e sala teatral. Entre suas atividades, desenvolve um consistente trabalho pedagógico com crianças, incluindo aquelas com necessidades especiais, reforçando o compromisso social e formativo da companhia. Voltado para todas as idades, “Tranquilli” tem duração de 50 minutos. Os ingressos custam R$ 40,00 (inteira), R$ 20,00 (meia-entrada) e R$ 12,00 (Credencial Plena).


Ficha técnica
Espetáculo circense “Tranquilli”, da Cia. Teatro C’Art

Criação, direção e interpretação: André Casaca
Assistência de direção: Fabrizio Neri e Teresa Bruno
Cenografia: Silvano Costagli
Produção: Teatro C’Art Comic Education Italia
Duração: 50 minutos

Venda de ingressos
As vendas de ingressos para os shows e espetáculos da semana seguinte (segunda a domingo) começa na semana anterior às atividades, em dois lotes: on-line pelo aplicativo Credencial Sesc SP e portal do Sesc São Paulo: às terças-feiras, a partir das 17h00. Presencialmente, nas bilheterias das unidades: às quartas-feiras, a partir das 17h00.

Bilheteria Sesc Santos - Funcionamento
Terça a sexta, das 9h às 21h30 | Sábados e domingos, 10h às 18h30   

Sesc Santos
Rua Conselheiro Ribas, 136 - Aparecida / Santos
Telefone: (13) 3278-9800        
Site do Sesc Santos
Instagram e Facebook: @sescsantos

sábado, 10 de janeiro de 2026

.: Entrevista: Amanda Mirásci transforma a autoconfiança masculina em sátira


Amanda Mirásci usa o humor para desmontar certezas masculinas e iluminar fragilidades coletivas em cena. Foto: Julia Lego

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.

E se a autoconfiança masculina - essa certeza inabalável que dispensa escuta, dúvida e autocrítica - pudesse ser sintetizada em cápsulas? Em "A Autoestima do Homem Hétero", que retorna para duas apresentações no Teatro Arena B3, em São Paulo, neste final de semana, Amanda Mirásci parte dessa provocação para construir uma comédia que ri do óbvio, expõe o cansaço feminino e transforma comportamentos naturalizados em matéria-prima de cena. Criado, escrito e protagonizado pela atriz, o monólogo, indicado ao Prêmio do Humor nas categorias Melhor Texto e Melhor Direção, aposta no riso para falar sobre comportamentos masculinos que há tempos precisam ser modificados. 

Ao interpretar Carina, uma farmacêutica que decide lançar no mercado a “pílula” definitiva da confiança masculina, Amanda cruza experiências pessoais, relatos de mulheres e observações do cotidiano para montar um espelho desconfortável, especialmente para quem nunca se reconheceu como problema. Nesta entrevista exclusiva ao portal Resenhando.com, a atriz fala sobre humor como estratégia, ego em cena, síndrome da impostora e o momento em que a gargalhada deixa de ser defesa e vira pergunta.


Resenhando.com - Amanda, ao transformar experiências pessoais e relatos de amigas em sátira, em que momento você percebeu que o riso podia ser mais subversivo do que o confronto direto?
Amanda Mirásci - Eu sinto que o riso abre portas. O humor cria uma fresta de escuta: ele desarma, aproxima e permite que a pessoa se veja sem se sentir imediatamente atacada. Muitas vezes, rir é o primeiro passo antes de admitir: “isso aqui é comigo”. O riso não anula a crítica. Ele faz de forma mais efetiva, porque entra de forma sorrateira.


Resenhando.com - A personagem Carina cria uma pílula a partir de homens reais. Vocês temem que algum espectador saia do teatro convencido de que foi, sem saber, matéria-prima do medicamento?

Amanda Mirásci - Olha, até hoje todo homem que assistiu ao espetáculo me disse que se reconheceu em pelo menos um personagem. Muitos, com certeza, se viram em vários. Os homens retratados são reais: inspirados no meu pai, no meu namorado, em amigos que eu amo profundamente. Homens maravilhosos, mas que reproduzem comportamentos tão naturalizados que, muitas vezes, nem percebem o quanto algumas atitudes são risíveis. Do cara que foge das tarefas domésticas ao pai que só vê os filhos de quinze em quinze dias, muitos homens saem do teatro com a sensação de que, sim, foram matéria-prima dessa pesquisa.


Resenhando.com - Apresentar um monólogo tão povoado de personagens é também um exercício de controle do ego cênico. O que foi mais difícil: multiplicar identidades ou silenciar excessos?

Amanda Mirásci - Caramba, que pergunta boa. As duas coisas são difíceis, mas percebo que, quando você encontra a identidade de um personagem, os excessos tendem a se ajustar naturalmente. O grande desafio foi diferenciar tantos personagens sem cair no estereótipo vazio. A gente queria que o público se reconhecesse ali: as mulheres, pelas experiências vividas; os homens, por se verem refletidos. Como é humor, existe uma liberdade para carregar nas tintas, mas encontrar o equilíbrio entre o colorido da comédia e a verdade da identificação é um trabalho constante, que eu sigo fazendo a cada apresentação.


Resenhando.com - A peça fala de homens que explicam o óbvio, ocupam espaços e se sentem geniais por existir. Em que ponto isso deixa de ser caricatura e vira quase um documentário de costumes?

Amanda Mirásci - Quando a plateia começa a reagir antes mesmo da piada terminar. Quando escuto, do palco, algumas mulheres dizendo “já vivi isso”, enquanto os homens riem meio sem saber exatamente por quê. Acho que a caricatura vira documento quando ela organiza algo que já está espalhado na vida real. Que é comum a todos. O que parece absurdo no palco, muitas vezes, é apenas a realidade sem filtro.


Resenhando.com - Ao colocar a “síndrome da impostora” em cena, você sentiu que estava expondo uma ferida pessoal ou devolvendo ao público uma dor coletiva demais para ser individual?
Amanda Mirásci - No começo, parecia muito pessoal. Eu vivi a "síndrome da impostora" intensamente durante o processo de escrita do texto que hoje, inclusive, está indicado a um prêmio de humor! Uau! Eu estava morrendo de medo de escrever. Literalmente, tomei uma pílula de autoestima do homem hétero. Mas logo ficou claro que eu não estava sozinha. A síndrome da impostora é quase um idioma comum entre mulheres. É um autoboicote coletivo que, quando compartilhado, gera uma identificação muito potente.


Resenhando.com - O espetáculo convida homens a rirem de si mesmos. Você já presenciou risadas que soaram como defesa, e não como autocrítica?
Amanda Mirásci - Acho que só a própria pessoa, se estiver minimamente em dia com a terapia, consegue saber exatamente de onde vem a risada. Acho que a defesa é natural, especialmente depois de milênios de normalização desses comportamentos. Uma das grandes alegrias que esse espetáculo me trouxe foi perceber que existem homens dispostos a escutar o que as mulheres estão dizendo. Ainda é uma bolha, ainda há um longo caminho pela frente, mas, nessa peça, eles estão convidados a estar junto.


Resenhando.com - Se essa peça fosse montada daqui a vinte anos, o que você gostaria que tivesse envelhecido mal: os comportamentos masculinos ou a necessidade de ainda falar sobre eles?
Amanda Mirásci - Eu gostaria muito que os comportamentos tivessem envelhecido mal. Que causassem constrangimento real. Mas, sendo honesta, acho que ainda teríamos muito o que conversar. Eu brinco que essa peça pode virar tipo Harry Potter: "A Autoestima do Homem Hétero 1, 2, 3… 11". É muita coisa para falar e, principalmente, muita coisa para trocar entre mulheres.


Resenhando.com - Há um risco de o público sair do teatro querendo a pílula em vez da reflexão. O humor pode anestesiar ou, no caso de vocês, ele funciona como um leve desconforto que não passa fácil?
Amanda Mirásci - Não posso dar spoiler, mas, no fim do espetáculo, o público entende que essa pílula pode ser fatal. Então esse risco, propriamente, não existe. O que eu desejo é que as mulheres reconheçam melhor as armadilhas de certos comportamentos masculinos e, ao mesmo tempo, se olhem com mais empoderamento. A peça fala de uma fragilidade masculina escondida atrás de uma superioridade fantasiosa e, assim, celebra todas nós, mulheres, que estamos cada vez mais dispostas a olhar para dentro e para o coletivo.


Resenhando.com - “A Autoestima do Homem Hétero” fala mais sobre reinventar o feminino ou sobre desmontar a confortável fantasia masculina de que tudo já está resolvido?
Amanda Mirásci - Fala dos dois, mas talvez fale ainda mais sobre as mulheres. Sobre parar de pedir licença, parar de buscar validação onde não existe troca e começar a confiar mais na própria experiência. Ao desmontar a fantasia masculina, o espetáculo acaba iluminando o feminino. Não como algo frágil, mas como algo extremamente poderoso.

Ficha técnica
Espetáculo "A Autoestima do Homem Hétero"
Idealização, texto e atuação: Amanda Mirásci
Direção: Martha Nowill
Colaboração dramatúrgica: Bruna Trindade e Martha Nowill
Assistência de direção: Iuri Saraiva
Direção de movimento: Julianne Trevisol
Direção de arte: Luiza Mitidieri
Visagismo: Isabella Oliveira
Trilha sonora: Aline Meyer
Luz: Júnior Docini
Preparação vocal: Verônica Machado
Direção de Produção: Marlene Salgado
Design gráfico: Harú Estúdio Criativo
Fotos: Julia Lego
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Produção associada: Amanda Mirásci e Marlene Salgado
Realização: Arrakasta Produções Artísticas

Serviço
Espetáculo "A Autoestima do Homem Hétero"
Dias 10 e 11 de janeiro – Sábado e domingo, 14h30 e 17h00
Classificação: 14 anos
Duração: 70 minutos
Ingressos: https://bileto.sympla.com.br/event/114190/d/354261/s/2389064?
Classificação indicativa: 14 anos
Duração: 60 minutos

.: A (i)legitimidade da linguagem neutra e os gêneros sexuais


Por Helder Bentes,  escritor e professor. 

A linguagem existe para atender às nossas demandas de comunicação. Com os avanços nos estudos de gênero, a “linguagem neutra” surge, como o próprio nome sugere, para “neutralizar” a marcação do gênero em português. A lógica é a seguinte: se hoje não temos mais exclusivamente a dicotomia macho/fêmea, para contemplar as noções de cisgênero, transgênero e não-binário, cria-se um novo paradigma flexional de nomes portugueses. Mas, antes de o falante da língua portuguesa aderir a essa tentativa de parecer moderninho, é preciso entender o seguinte:

1. As noções de gênero masculino e feminino em português não são sexuais. São meramente gramaticais. Surgiram em função da classificação sexual dicotômica tradicional? Não. Esse critério regula a aplicação geral dos marcadores (-a para o feminino / -o para o masculino), marcando também a distinção de gênero sexual, mas não exclusivamente, porque há inúmeras palavras no português que designam coisas que não têm sexo. 

2. É preciso, pois, entender que masculino e feminino, como gêneros gramaticais, referem-se às mudanças possíveis na configuração formal das palavras e vocábulos da língua, reguláveis por critérios estritamente linguísticos. As variações na identidade de gênero sexual não são gramaticais, nem lhe correspondem. 

3. As palavras são uniformes ou biformes quanto ao gênero e isso varia de uma língua para outra. Há palavras que, em português, são masculinas. Mas seu correspondente noutra língua é feminino e vice-versa. Tem também o fato de que, as mudanças de gênero gramatical alteram também o significado da palavra. “O rádio”, por exemplo, é o aparelho receptor do sinal “da rádio” que é a estação transmissora. A neutralização dos marcadores gramaticais de gênero não altera o significado dos diversos gêneros sexuais. Isso é uma forçação de barra arquetípica de modernice afetada. 

4. Nem sempre a distinção gramatical de gênero é marcada por -a no feminino ou -o no masculino. Essa marcação pode ser feita por mudanças no radical da palavra (substantivos heterônimos), pelo contexto morfossintático (substantivos comuns de dois gêneros) ou por um morfema zero, que marca justamente a ausência de um dos marcadores, para designar o gênero da palavra, como ocorre, por exemplo, em órfão/órfã, cuja forma feminina se obtém pela supressão do -o que marca a forma masculina. Para entender melhor a distinção entre o gramatical e o sexual, basta pensar, por exemplo, que segundo as noções de transexualidade, uma mulher trans não se define por “zero pênis”. Ela pode morrer com o pênis, que tradicionalmente marca o gênero sexual masculino, mas não vai por isso deixar de ser do gênero sexual feminino, salvaguardadas as características da transexualidade, haja vista a ciência ter descoberto que o sexo humano é neural, não necessariamente morfológico. 

5. Na língua portuguesa, por exemplo, além dos substantivos masculinos ou femininos (biformes), nós temos também os substantivos uniformes que designam seres vivos não humanos, como vegetais e frutas que nascem desses vegetais, além de alguns animais que, por serem animais, têm sexo. Mas a palavra que os designa não segue as variações sexuais. Onça, borboleta, foca, por exemplo, são palavras sempre femininas, não importando se estamos nos referindo, por exemplo, à onça macho ou à onça fêmea. Idem para jacaré e tigre, que são sempre masculinos. Se quisermos especificar o sexo do animal, precisamos apelar para os adjetivos sexuais tradicionais “macho” ou “fêmea”. Idem para os substantivos uniformes quanto ao gênero e que designam pessoas (sobrecomuns): criança, pessoa, criatura, por exemplo, são sempre femininos. Cônjuge é sempre masculino. Caso se queira especificar o gênero sexual, empregam-se locuções adjetivas: pessoa “do sexo masculino”, cônjuge “do sexo feminino”. 

No âmbito dos estudos de gênero sexual humano, os relatores das pesquisas já fizeram isso, ao criarem os adjetivos “cisgênero”, “transgênero”, “binário” ou “não-binário”. Isso basta para atender às demandas da comunicação. Não precisa avacalhar todo um conjunto de regras gramaticais que existem antes para manter a eficiência da língua como sistema de comunicação, num mundo diverso, não exclusivamente para satisfazer as demandas subjetivas da comunidade LGBTQIAPN+. 

É por essas e outras viagens que nosso movimento encontra resistência da hegemonia heteronormativa. Aprendam a lutar. Não vai ser obrigando os héteros a neutralizarem a linguagem que nós vamos promover nossa inclusão. Eu particularmente acho que quem pensa que sim, deve fazer psicoterapia, além de estudar português. Óbvio!

.: "Roda Viva" entrevista a atriz Ingrid Guimarães nesta segunda-feira


Ingrid Guimarães estará no centro do "Roda Viva" para falar de humor, afeto e protagonismo feminino, às vésperas da estreia do filme "Minha Melhor Amiga". Foto: Nadja Kouchi / Acervo TV Cultura

Nesta segunda-feira, 12 de janeiro, o programa "Roda Viva" recebe a atriz e humorista Ingrid Guimarães para uma entrevista que revisita momentos decisivos de sua trajetória artística e pessoal. Prestes a estrear nos cinemas com o longa-metragem "Minha Melhor Amiga", no qual atua ao lado de Mônica Martinelli, a artista fala sobre carreira, escolhas criativas e a presença determinante das mulheres em sua vida - dentro e fora de cena.

Gravado em dezembro de 2025, o programa inédito propõe um mergulho na construção de uma das carreiras mais populares e consistentes do humor brasileiro contemporâneo. Ao longo da conversa, Ingrid reflete sobre o protagonismo feminino, os desafios da comédia em um país marcado por contradições sociais e políticas, além das transformações do mercado audiovisual e da relação direta com o público.

A bancada de entrevistadores reúne nomes de peso do jornalismo cultural: Priscilla Geremias, editora da Marie Claire Brasil; Ubiratan Brasil, jornalista cultural; Mariliz Pereira Jorge, colunista da Folha de S.Paulo e do Meio; Talita Duvanel, repórter de Cultura do O Globo; e Danilo Casaletti, repórter de Cultura do Estadão. 

O programa conta ainda com os comentários gráficos do cartunista Luciano Veronezi, que acompanha a entrevista com ilustrações ao vivo. O "Roda Viva" vai ao ar a partir das 22h00, na TV Cultura, com transmissão simultânea pelo site oficial da emissora, pelo aplicativo Cultura Play e pelas redes sociais - YouTube, X, TikTok e Facebook.

.: TV Cultura exibe animação nacional de ficção científica neste domingo


Neste domingo, dia 11 de janeiro, a TV Cultura apresenta o filme de animação nacional "As Aventuras de Fujiwara Manchester", a partir das 16h00. Dirigido e roteirizado por Alê Camargo, o longa transporta o público para o século 27, em uma jornada repleta de ação, humor e ficção científica. A trama acompanha o aventureiro espacial Fujiwara Manchester (“Fuji”), seus amigos Lydia e Kawi, e sua impetuosa nave Cara de Cavalo na missão de recuperar uma joia antiga capaz de provocar a destruição da galáxia.

Para cumprir o desafio, Fuji terá de enfrentar um terrível inimigo e, ao mesmo tempo, escapar de uma esquadra de naves do governo, que também ambiciona o poderoso artefato. Com direção de arte de Camila Carrossine, o longa é uma produção da UM Filmes e Buba Filmes, com produção executiva de Arnaldo e Julia Galvão.

.: "O Amor É Fodido", de Portugal, abre a Mostra Gargalhão no Teatro Commune


Neste sábado, 10 de janeiro, às 20h00, o Teatro Commune, em São Paulo, abre oficialmente a 1ª Mostra Gargalhão de Teatro Cômico e Máscaras com o espetáculo “O Amor É Fodido”, da Cia. João Garcia Miguel, de Portugal. A montagem inaugura a programação com uma obra intensa, provocadora e profundamente humana, que transita entre o riso e o desconcerto, a poesia e o absurdo, inspirada no universo literário de Miguel Esteves Cardoso e interpretada pelo ator João Garcia Miguel.

Em cena, o amor aparece sem idealizações: torto, insistente, contraditório. A peça propõe uma espécie de "Romeu e Julieta" contemporâneo, em que os amantes se enganam, tropeçam, “morrem” simbolicamente para o amor - e, ainda assim, seguem vivos. Há, nessa travessia, uma resistência quase teimosa: o desejo de continuar, de recomeçar o que ainda nem chegou a começar. Amar dá trabalho, cansa, confunde, mas persiste até o fim. Entre dores e alegrias, a montagem aposta no riso como ferramenta de sobrevivência e lucidez diante da vida.

“O Amor É Fodido” dialoga com um imaginário afetivo coletivo. Publicado nos anos 1980, o livro de Miguel Esteves Cardoso tornou-se um retrato de época e de um tipo humano reconhecível - alguém que todos fomos ou ainda somos em alguma medida. O espetáculo questiona: por que contar essa história novamente? Por que vesti-la outra vez? A resposta está na própria natureza do amor, que, como a roupa, não pode ser usada apenas uma vez - nem repetida mecanicamente. Há algo de inquietante tanto no excesso quanto na repetição. Amar é insistir, errar de novo, experimentar outra dose, mesmo sabendo dos riscos.

Com humor físico, presença cênica intensa e uma dramaturgia que flerta com a confissão, o espetáculo transforma fragilidade em força e vulnerabilidade em discurso cômico. A montagem reforça o espírito da Mostra Gargalhão, dedicada ao teatro cômico, às máscaras e à potência do encontro entre palco e plateia, celebrando o riso como gesto político, sensível e coletivo. 

A 1ª Mostra Gargalhão de Teatro Cômico e Máscaras acontece de 10 a 25 de janeiro de 2026, reunindo 10 espetáculos em uma programação diversa e provocadora. O projeto foi contemplado pela XXª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa, reafirmando o compromisso com a circulação de obras que investigam a linguagem teatral e o humor como forma de pensamento.

"O Amor É Fodido"



.: Wescritor reconstrói a identidade caiçara no show “Original Kaysara”


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com
Foto: divulgação

Dentro da programação do Projeto Bússola, o Sesc Santos dá início, em 2026, a uma nova temporada dedicada à valorização de músicos da Baixada Santista, no litoral paulista, com foco em criações autorais e na diversidade de vozes que compõem a cena cultural da região. A proposta do projeto é ampliar espaços de escuta, circulação e reconhecimento para artistas que constroem seus trabalhos a partir de experiências territoriais, identitárias e contemporâneas.

Na quarta-feira, 28 de janeiro, às 20h00, na comedoria do Sesc Santos, o multiartista Wescritor apresenta o show “Original Kaysara”, espetáculo que também marca o lançamento de seu novo trabalho autoral. A apresentação propõe uma travessia poética e musical que revisita, tensiona e reconstrói a ideia do que é ser caiçara, a partir de uma perspectiva indígena, urbana e atual.

Em cena, Wescritor articula poesias à capela, cantos tradicionais do povo Tupinambá e a força do RAP - Ritmo, Ancestralidade y Poesia, criando uma sonoridade híbrida que dialoga com diferentes tempos e linguagens. Os ritmos variados se encontram com a leveza e a musicalidade caiçara, característica da Baixada Santista, resultando em canções que abordam temas como vida, amor, pertencimento, território e resistência cultural. A performance convida o público a refletir sobre memória, ancestralidade e futuro, ao mesmo tempo em que celebra a potência criativa dos povos originários em diálogo com as linguagens urbanas.

Wescritor é um multiartista indígena, jovem liderança, rapper, ator, poeta, diretor artístico e compositor. Indígena do Povo Tupinambá de Olivença, nasceu e foi criado no Parque São Vicente, em São Vicente, no litoral de São Paulo, território que atravessa e inspira diretamente sua produção artística. A apresentação é gratuita, com classificação indicativa a partir de 12 anos.

Ficha técnica 
Show "Original Kaysara"

Artista principal: Wescritor 
Backing vocal: Haard 
Musicista/violão: Matheus D'art
DJ: Delapaz 
Produtora executiva: Michelle Lima
Diretor executivo: Walla Tupi

Venda de ingressos
As vendas de ingressos para os shows e espetáculos da semana seguinte (segunda a domingo) começa na semana anterior às atividades, em dois lotes: on-line pelo aplicativo Credencial Sesc SP e portal do Sesc São Paulo: às terças-feiras, a partir das 17h00. Presencialmente, nas bilheterias das unidades: às quartas-feiras, a partir das 17h00.

Bilheteria Sesc Santos - Funcionamento
Terça a sexta, das 9h às 21h30 | Sábados e domingos, 10h às 18h30   

Sesc Santos
Rua Conselheiro Ribas, 136 - Aparecida / Santos
Telefone: (13) 3278-9800        
Site do Sesc Santos
Instagram e Facebook: @sescsantos

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

.: Livro "O Expresso de Tóquio", de Seicho Matsumoto, é tema de Clube de Leitura


Para começar o ano e celebrar a 70ª edição do clube, o clássico do romance policial japonês será discutido em encontro on-line e gratuito com a presença do historiador e escritor Júlio Pimentel Pinto


"O Expresso de Tóquio", do escritor japonês Seichō Matsumoto, é o tema do Clube de Leitura Japan House São Paulo + Quatro Cinco Um de janeiro, que acontece na última quinta-feira do mês, 29, às 19h, via Zoom. Neste bate-papo on-line e gratuito que marca a 70ª edição do clube, o público conversa com o professor de história da USP e escritor Júlio Pimentel Pinto. Publicado originalmente em 1958 e lançado no Brasil em 2025 pela Todavia, com tradução de Jefferson José Teixeira, O expresso de Tóquio é um marco do romance policial japonês e consolidou seu autor, Seichō Matsumoto, como um mestre do gênero.

A trama tem início em uma praia gelada na baía de Hakata, na ilha de Kyushu, onde dois corpos são encontrados lado a lado. A motivação parece clara: um pacto suicida entre amantes. Mas, para o inspetor Torigai, algo não se encaixa. Um detalhe mínimo - um horário de trem - lança dúvida sobre a versão oficial e abre caminho para uma investigação que atravessará o Japão de ponta a ponta. Com narrativa meticulosa e crítica social, Matsumoto revolucionou o gênero policial ao afastá-lo dos enigmas de salão e aproximá-lo da realidade contemporânea japonesa.

Os participantes do Clube de Leitura Japan House São Paulo + Quatro Cinco Um têm 30% de desconto na compra do livro pelo site da editora Todavia, por meio do cupom JHSP451JAN26. O cupom fica vigente de 04/01/2026 até 31/01/2026 e é válido para 1 uso único por CPF. Saiba mais e inscreva-se em https://clubedeleitura.japanhousesp.com.br/


Convidado do mês - Júlio Pimentel Pinto é professor no departamento de história da Universidade de São Paulo (USP) e especialista nas relações entre história e ficção. Autor de "Uma Memória do Mundo: ficção, Memória e História em Jorge Luis Borges" (Estação Liberdade, 1998) e "A Pista & A Razão: uma História Fragmentária da Narrativa Policial" (e-galáxia, 2019), sua pesquisa investiga as intersecções entre narrativas históricas e ficcionais, explorando como diferentes gêneros literários dialogam com contextos sociais, políticos e culturais.


Como funciona o Clube de Leitura Japan House São Paulo + Quatro Cinco Um? Desde sua estreia em 2019, o Clube de Leitura Japan House São Paulo + Quatro Cinco Um recebe grandes profissionais da tradução de literatura japonesa no Brasil, além de autores contemporâneos e leitores dessa literatura, para discutir obras de nomes como Haruki Murakami, Sayaka Murata, Yoko Tawada, Banana Yoshimoto e Yoshiharu Tsuge.

Natasha Barzaghi Geenen, diretora cultural da Japan House São Paulo, e Paulo Werneck, editor da revista Quatro Cinco Um, compartilham a curadoria e a mediação dos encontros, que acontecem sempre na última quinta-feira do mês.

O Clube discute livros de autores japoneses traduzidos diretamente para o português, visando uma cobertura multiplataforma desse universo literário — a parceria entre a revista dos livros e a JHSP traz também uma newsletter editorial mensal com os principais lançamentos no Brasil de livros japoneses ou ligados à cultura japonesa.

No site da Japan House São Paulo há uma página exclusiva que reúne todo o conteúdo compartilhado até aqui. Nela, é possível ter acesso a um compilado de informações sobre todos os títulos já abordados e à agenda dos próximos encontros, além de links para inscrição nas newsletters da Japan House e na newsletter de literatura japonesa da Quatro Cinco Um: https://clubedeleitura.japanhousesp.com.br/ 


Serviço 

Data: quinta-feira, 29 de janeiro, às 19h00

Modalidade: on-line e gratuito, via Zoom

Inscrições: https://www.sympla.com.br/evento-online/clube-de-leitura-jhsp-451-o-expresso-de-toquio-janeiro/3249111 

Cupom: Participantes do clube têm 30% de desconto na compra do livro pelo site da editora Todavia, por meio do cupom JHSP451JAN26. O cupom fica vigente de 04/01/2026 a 31/01/2026, válido para 1 uso único por CPF.

Parceria com a Japan House São Paulo

.: Espetáculo “A Autoestima do Homem Hétero” volta para duas apresentações


Mais do que uma sátira, o espetáculo é um convite ao olhar crítico e ao empoderamento feminino, sem excluir os homens da conversa — pelo contrário: provoca todos os públicos a se reconhecerem e refletirem. Foto: Julia Lego


O espetáculo “A Autoestima do Homem Hétero” volta neste final de semana, dias 10 e 11 de janeiro, às 14h30 e às 17h00, no Teatro Arena B3, situado no Centro Histórico de São Paulo. É um espetáculo que promete revolucionar o imaginário coletivo com uma pergunta provocadora: e se fosse possível encapsular a inabalável confiança dos homens héteros e oferecê-la, em forma de pílula, às mulheres? Idealizado, escrito e protagonizado por Amanda Mirásci, com direção de Martha Nowill, o monólogo é uma sátira afiada sobre as relações afetivas, a construção da autoestima e os comportamentos masculinos que a sociedade ainda naturaliza.

No centro da história está Carina, uma farmacêutica que desenvolveu um medicamento revolucionário: a autoestima do homem hétero em cápsulas. Em uma noite decisiva - o lançamento oficial do produto - Carina apresenta ao público os componentes desta fórmula milagrosa, reencenando situações hilárias e dando vida aos homens que serviram de “matéria-prima” para sua criação.

Cada componente do remédio foi inspirado em um “tipo” masculino que Carina encontrou ao longo do caminho: o cara do violão, que nunca perde a chance de se exibir com seu imenso repertório de cinco músicas; o sujeito da caixa de som, que domina a praia como se fosse o DJ residente do mundo; o match do Tinder que, mesmo longe dos padrões de beleza, exige mulheres sem celulite; e tantos outros homens héteros de autoestima inflada que acabaram virando objeto de estudo dessa inusitada pesquisa.

À medida que apresenta os efeitos e os testes da fórmula, Carina também revela suas próprias vulnerabilidades: dilemas familiares, traumas afetivos e a incômoda presença da "síndrome da impostora", que ameaça sabotá-la a cada passo. Para ganhar autoconfiança, ela decide tomar sua própria invenção — que promete revolucionar o mundo. Mas ninguém estava preparado para as consequências… nem ela própria!

“A peça surgiu da minha vida real. Das minhas relações, das histórias das minhas amigas, da minha irmã… Situações que parecem pontuais, mas que, ao serem compartilhadas, revelam um padrão. O cara que explica o que você acabou de dizer, o pai que acha que ‘ajudar’ na criação dos filhos é um favor, o homem que se sente o máximo só por existir”, comenta Amanda Mirásci.

“Apesar do título, 'A Autoestima do Homem Hétero' não é um espetáculo só para mulheres. Os homens estão convidados — de verdade — a rir de si mesmos e, quem sabe, repensar atitudes. Porque se a gente quer mesmo mudar alguma coisa, eles precisam estar nessa conversa também”, conclui Amanda.

A diretora Martha Nowill reforça que incluir os homens no debate é essencial: “O que estamos criando é uma peça muito divertida e agregadora. Não é uma peça agressiva que vai constranger os homens. Muito pelo contrário, vamos fazer eles se enxergarem e falarem sobre si mesmos”.

Em cena, Amanda interpreta sozinha uma série de figuras distintas: “Temos muitos personagens na peça, e a Amanda dá vida a todos eles. O que estamos buscando é, a partir das ferramentas da própria atriz, extrair o que há de mais simbólico em cada construção cênica. Como traduzir isso no corpo dela? Quando é a Amanda e quando é o pensamento do outro? Como fazer com que ela assuma tantas identidades de forma clara, compreensível, sem que se torne uma confusão? Estamos trabalhando esse corpo, essa voz, essa escuta e essa compreensão profunda.”


Sobre Amanda Mirásci
Atriz e dramaturga, foi indicada aos prêmios Cesgranrio e APTR por Uma Vida Boa, de Rafael Primot. Atuou também em Mansa, Inútil a Chuva (Armazém Cia. de Teatro), O Branco dos Seus Olhos, entre outros. No cinema, está em Todo Clichê do Amor. Na TV, integrou elencos de A Lei do Amor, Cara e Coragem e Garota do Momento, da TV Globo, e da série Ringue, do Canal Brasil.


Sobre Martha Nowill
Diretora, atriz e roteirista, Martha Nowill atua no teatro, cinema e televisão desde os 18 anos. É formada em Cinema pela FAAP e Teatro pela Escola Célia Helena. Assina roteiros e colaborações para revistas como Piauí, TPM, Bazaar, Vogue, Carta Capital e Folha de S.Paulo. Seu trabalho mais recente nos palcos é Pagú – Até Onde Chega a Sonda, que também idealizou e protagonizou.


Ficha técnica
Espetáculo "A Autoestima do Homem Hétero"
Idealização, texto e atuação: Amanda Mirásci
Direção: Martha Nowill
Colaboração dramatúrgica: Bruna Trindade e Martha Nowill
Assistência de direção: Iuri Saraiva
Direção de movimento: Julianne Trevisol
Direção de arte: Luiza Mitidieri
Visagismo: Isabella Oliveira
Trilha sonora: Aline Meyer
Luz: Júnior Docini
Preparação vocal: Verônica Machado
Direção de Produção: Marlene Salgado
Design gráfico: Harú Estúdio Criativo
Fotos: Julia Lego
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Produção associada: Amanda Mirásci e Marlene Salgado
Realização: Arrakasta Produções Artísticas

Serviço
Espetáculo "A Autoestima do Homem Hétero"
Dias 10 e 11 de janeiro – Sábado e domingo, 14h30 e 17h00
Classificação: 14 anos
Duração: 70 minutos
Ingressos: https://bileto.sympla.com.br/event/114190/d/354261/s/2389064?
Classificação indicativa: 14 anos
Duração: 60 minutos

.: "A Bela e a Fera" é atração de sexta-feira no Festival de Férias do Teatro Uol


Ao se tornar prisioneira no castelo encantado da Fera, ela descobre que por trás da aparência assustadora, existe um coração sensível e generoso. Foto: divulgação


De 5 de janeiro a 1º de fevereiro, o Teatro Uol, em São Paulo, recebe sete clássicos infantis que atravessam gerações e seguem vivos no repertório afetivo de muita gente. Dentro da programação do 42º Festival de Férias do Teatro Uol, às sextas-feiras, às 16h00, será apresentado o espetáculo "A Bela e a Fera".  No espetáculo, Bela, uma jovem inteligente e sonhadora, troca sua liberdade pela de seu pai. Ao se tornar prisioneira no castelo encantado da Fera, ela descobre que por trás da aparência assustadora, existe um coração sensível e generoso. 

Com a ajuda dos criados encantados do castelo, que também foram vítimas do feitiço, nasce entre os dois um sentimento puro e verdadeiro, capaz de transformar tudo ao redor. Esta emocionante peça celebra o poder do amor, da gentileza e da mudança interior. Elenco: Aline Cuoco, Déborah Menkos, Heliton Oliveira, Marcella Silveira, Marcelo Cortez, Ricardo Aires, Rodrigo Mazzoni e Lalu (Standin). Texto e direção: Heliton Oliveira. Realização: H4 Produções. De 9 a 30 de janeiro, sextas-feiras, 16h00. Duração: 60 minutos. Classificação: livre – indicação: a partir de três anos.


Sobre o Festival de Férias do Teatro Uol
Graças a uma curadoria rigorosa e consistente desde a primeira edição, o Festival de Férias do Teatro Uol, que em 2026 completa 25 anos de atividade, consolidou-se como o mais longevo de São Paulo. Localizado no Shopping Pátio Higienópolis, o Teatro Uol oferece uma experiência completa, reunindo conforto, segurança e fácil acesso, criando um cenário ideal para um programa de férias completo: entrar na sala, desligar o celular, se encantar com as histórias e sair com a cabeça cheia de arte e imaginação.


Serviço
Festival de Férias do Teatro Uol
De 5 de janeiro a 1º de fevereiro
Ingressos: R$ 100,00 (inteira) | R$ 50,00 (meia-entrada)
Televendas: (11) / 3823-2423 / 3823-2737 / 3823-2323
Vendas on-linewww.teatrouol.com.br
Horário de funcionamento da bilheteria em janeiro: segundas e terças, das 14h00 às 16h00, quartas, quintas e sextas das 14h00 às 20h00, sábados, das 13h00 às 22h00, e domingos, das 13h00 às 20h00. Não aceita cheques. Aceita os cartões de crédito: todos da Mastercard, Redecard, Visa, Visa Electron e Amex.  Estudantes e pessoas com 60 anos ou mais têm os descontos legais. Clube Uol e Clube Folha têm 50% desconto.


Teatro Uol
Shopping Pátio Higienópolis - Av. Higienópolis, 618, Terraço. Tel.: (11) 3823-2323 
Acesso para cadeirantes- Ar-condicionado- Estacionamento do Shopping: consultar valor pelo tel: 4040-2004- Venda de espetáculos para grupos e escolas: (11) 3661-5896, (11) 99605-3094 – Patrocínio do Teatro UOL: UOL, Folha de S. Paulo, Germed e Interfood.
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