domingo, 29 de março de 2026

.: Crítica: "Frankenstein" de Guillermo del Toro é deleite visual em trama gótica

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora e criadora do Resenhando.com

Em março de 2026


"Frankensteien" por Guillermo del Toro, baseado no romance de Mary Shelley, é puro deleite visual, desde o cenário ao figurino. Tudo na tela transborda o século XVIII, até mesmo quando há carnificina estampada e fogo consumindo um castelo. Inspirado em ilustrações anatômicas do século XVIII, o visual da criatura utilizou 42 peças moldadas à mão (14 apenas para a cabeça e pescoço) para se adaptar à altura de Jacob Elordi que está praticamente irreconhecível. 

O longa dividido em duas partes, inicia a trama pela ótica do criador egoísta, o Victor Frankenstein cheio de perspectivas e termina com os apontamentos da criatura diante de tudo o que experimentou. Focando então, no drama emocional e na relação pai e filho, com alteração no desfecho do enredo original. Assim, "Frankensteien" é mais uma reinterpretação pessoal do que uma adaptação fiel ao romance gótico de Mary Shelley. 

A produção que recebeu 9 indicações ao Oscar 2026, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator, levou três estatuetas, a de Melhor Figurino (Kate Hawley), Melhor Maquiagem e Penteado (Mike Hill, Jordan Samuel e Cliona Furey) e Melhor Design de Produção (Tamara Deverell e Shane Vieau), o que fez jus ao deslumbre visual que o longa de 2 horas e 30 minutos de duração entrega.

No elenco encabeçado por Oscar Isaac na pele de Victor Frankenstein, Jacob Elordi (A Criatura) e Mia Goth, está o pilar do sucesso do filme de del Toro. Há ainda um traço de humanidade conferida no ser criado de uma loucura incutida desde uma infância perturbada do jovem Victor, seguindo a essência de Mary Shelley ao explorar quem é o "verdadeiro monstro". Imperdível!


"Frankenstein"(Frankenstein). Gênero: terror, fantasia, drama. Direção e roteiro: Guillermo del Toro. Baseado em: Romance de Mary Shelley. Duração: 2 h 30. Distribuição: Netflix. Elenco: Jacob Elordi (A Criatura), Oscar Isaac (Victor Frankenstein), Mia Goth (Elizabeth), Charles Dance, Christoph Waltz. Sinopse: Um cientista brilhante, mas egoísta, traz uma criatura monstruosa à vida em um experimento ousado que, em última análise, leva à ruína tanto do criador quanto de sua trágica criação.

Trailer de "Frankenstein"


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.: Novas apresentações do solo "Na Sala dos Espelhos" com Carolina Manica


Com direção e adaptação de Michelle Ferreira e Maíra de Grandi, monólogo traz aos palcos adaptação do quadrinho homônimo de Liv Strömquist e questiona a tirania da imagem em um mundo dominado pelas redes sociais. Foto: Paulo Vainer 


Em um verdadeiro tratado sobre a aparência e as ilusões do eu, o solo "Na Sala dos Espelhos" reflete sobre como a tirania da imagem vem minando a relação que travamos com nossos corpos e desejos. O trabalho, idealizado e atuado por Carolina Manica, indicada ao prêmio APCA pelo trabalho, estreou em 2025 e agora ganha novas apresentações no Sesc Santana, nos dias 10, 11 e 12 de abril, na sexta e no sábado, às 20h00, e no domingo, às 18h00. 

A direção e adaptação é de Michelle Ferreira e Maíra de Grandi e ainda conta com trilha sonora original composta pela cantora Ava Rocha, que fez sua estreia no Teatro, em colaboração com a compositora Grisa, cenário e figurino de Fábio Namatame e luz de Caetano Vilela. As diretoras indagam sobre o que pode o corpo de uma atriz diante de um ensaio filosófico em quadrinhos, a partir do ensaio “Na Sala Dos Espelhos - A Autoimagem em Transe ou Beleza e Autenticidade como Mercadoria na Era dos Likes e Outras Encenações do Eu”, da sueca Liv Strömquist

O espetáculo irreverente nos faz olhar de outro modo para o espelho e questiona: Por que as fotos que vemos rolar pelo feed das redes sociais podem nos levar a sentimentos de ansiedade, raiva, tristeza e frustração? Quando foi que criamos uma relação voyeurística crônica com nós mesmos? Como, afinal, enxergar a si próprio num mundo dominado pela hiperexposição? 

“Meu primeiro contato com a obra de Liv foi uma experiência reveladora. Fui fisgada pela sua ironia e inteligência. Entre reflexões filosóficas, referências históricas e críticas à cultura da imagem, Liv nos faz questionar o quanto nossa autoestima depende do olhar alheio. E foi assim que decidi levar isso ao palco. Interpretar esta peça tem sido uma jornada. No palco, falo sobre o olhar, a beleza, a cobrança, os padrões e prisões internas — mas fora dele, sou mãe de uma menina que começa a descobrir seu próprio reflexo. E é impossível não pensar em como esse olhar do mundo pesa sobre nós, mulheres, desde cedo. Percebi o quanto herdamos espelhos trincados, distorcidos por expectativas. Hoje tento abrir espaço para um novo reflexo. Talvez essa seja a beleza que queira ensinar à minha filha.”, afirma a  atriz e idealizadora Carolina Manica.

Para elas, a obra é uma tese visual sobre a beleza onde as irmãs Kardashian dividem as páginas com Susan Sontag, Zygmunt Bauman, Naomi Wolf, a Bíblia, a madrasta da Branca de Neve e tudo parece fazer muito sentido. Através do seu traço expressivo e pop, ela convida o leitor a brincar de pensar sobre desigualdade de gênero, relações de poder e estruturas sociais, e usa conceitos do feminismo, da ciência política, da psicologia e da filosofia para basear suas análises. 

É tudo muito colorido, ao mesmo tempo que é terrivelmente ácido. Ler qualquer uma das obras de Liv é uma experiência fascinante. Ao final, nos sentimos mais inteligentes e também mais indignados. Mas como traduzir uma obra como essa para os palcos sem perder a sua essência? Por incrível que possa parecer, foi traindo Liv sem pudor que pudemos nos encontrar com ela. Para isso, criamos uma personagem que fosse capaz de atravessar essas questões não de uma maneira intelectual, mas com seu corpo. 

“A mãe da Nina”, a protagonista, é uma mulher que está no climatério enquanto sua filha está entrando na adolescência. Ambas precisam se relacionar com o espelho e com a tirania da imagem enquanto seus corpos vivem uma grande transformação. E o que pode um corpo? No teatro, um corpo pode tudo. Complementam as diretoras. 






Ficha Técnica


Texto Original: Liv Strömquist  


Idealização: Carolina Manica  


Direção e Adaptação: Michelle Ferreira e Maíra De Grandi  


Atuação: Carolina Manica  


Trilha Sonora: Ava Rocha e Grisa  


Direção de Arte (Figurino e Cenário): Fábio Namatame  


Iluminador: Caetano Vilela 


Designer: Julio Dui  


Fotógrafo: Paulo Vainer  


Maquiagem: Thiago Braga  


Operação de Som: Grisa  


Operação de luz: Gabriel Sobreiro  


Direção de Produção: Carolina Manica  


Assistente de Produção: Marcela Horta


Produção: Grilo Azul Filmes  


Sinopse 


Na Sala Dos Espelhos, adaptação do livro homônimo de Liv Strömquist, conta a história de uma mãe que, ao ver sua filha pré-adolescente entrar em crise com a própria aparência, enfrenta o desafio de criar uma menina feminista em um mundo cada vez mais caótico. Para isso, ela convida Nina, sua filha, e o público, a brincar de pensar sobre o mito da beleza que tanto aprisiona meninas e mulheres. 




Serviço


Na Sala Dos Espelhos com Carolina Manica


Apresentações: 10, 11 e 12 de abril de 2026


Na sexta e no sábado, às 20 hs  e no domingo, às 18 hs.


Sesc Santana - Av. Luiz Dumont Villares, 579 - Santana, São Paulo


Ingressos: R$ 60,00 (inteira), R$30,00 (meia-entrada) e R$18,00 (credencial plena)


Vendas online a partir de 31/03 às 17h em centralrelacionamento.sescsp.org.br ou presencialmente a partir de 01/04, às 17h, nas bilheterias de qualquer unidade do Sesc São Paulo


Classificação: 16 anos


Duração: 60 minutos


Acessibilidade: Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

.: Leitura dramática de "O Diabo com Tetas" comemora centenário de Dario Fo em SP


Na próxima quinta-feira, dia 2 de abril, às 20h00, acontece a leitura dramática da comédia "O Diabo com Tetas" de Dario Fo no Teatro Commune. “Este ano comemora-se o centenário de Dario Fo e quisemos homenageá-lo com esse seu texto satírico, político e atual”, comenta Augusto Marin. Participam da leitura: Carlos Capeletti, Fernanda Viacava, Eduardo Silva, Juliano Dip, Natalia Albuk, Fabricio Garelli e outros atores e atrizes. Mediados por Augusto Marin, Armando Liguori Junior e Matheus Melchionna. É grátis.

Escrita em 1997, a peça é uma comédia vibrante baseada na tradição da Commedia dell’Arte. Na trama, um diabo resolve entrar no corpo de um juiz severo e moralista para corrompe-lo, mas acaba entrando no corpo da empregada do juiz, criando mil confusões. "O Diabo com Tetas" é um espelho das crises éticas atuais. Através de confusões hilárias, trocas de corpos e uma linguagem física exuberante, Dario Fo expõe a fragilidade das instituições, a corrupção enraizada e o preconceito social.

Em celebração ao centenário de nascimento de Dario Fo, um dos maiores nomes do teatro mundial, o Teatro Commune apresenta uma leitura dramática de um de seus textos mais provocadores. Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, Dario Fo (1926-2016) construiu uma obra marcada pelo humor ácido, pela crítica política e pela irreverência. Seus textos misturam o popular e o político, o riso e a denúncia, criando um teatro vivo, direto e profundamente questionador.

“O Diabo com Tetas” foi montada em 1997 e é inédita no Brasil. O texto segue essa potência: uma peça que subverte símbolos, desafia convenções e expõe contradições sociais com ironia e intensidade. Uma experiência que provoca, diverte e convida à reflexão. Projeto contemplado pela 41ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo – Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa.


Ficha técnica
"O Diabo com Tetas", de Dario Fo

Tradução: Danilo Alba e Augusto Marin
Direção geral: Augusto Marin
Diretor: Armando Liguori Junior
Assistente de direção: Matheus Melchionna
Elenco: Fernanda Viacava e Eduardo Silva (Artistas Convidados), Augusto Marin, Armando Liguori Junior, Natalia Albuk, Carlos Capeletti, Fabrício Garelli, Juliano Dip, Isabela Prado, Mariana Blanski e Fabio Godinho.
Músicos: Paulo Dantas e Pedro Mendes
Cenários: Maria Zuquim e João Garcia Miguel
Imagens e desenhos: João Garcia Miguel
Figurinos: Maria Zuquim e Carla Bariquelli
Diretor musical: Sérvulo Augusto
Máscaras: Helo Cardoso
Coreografias: Valéria Franco
Assessoria de imprensa: Miriam Bemelmans
Diretora de produção e administração: Luciane Ortiz
Realização: Commune


Serviço
Leitura dramática de "O Diabo com Tetas", de Dario Fo
Dia 2 de abril, quinta-feira, às 20h00
Teatro Commune @teatrocommune
Rua da Consolação, 1218, Consolação / São Paulo
Telefone: (11) 97665 2205
Próximo ao Metrô Higienópolis-Mackenzie
Capacidade: 98 lugares + 1 Cadeirante e 1 obeso
Ingressos pelo Sympla https://www.sympla.com.br/evento/o-diabo-com-tetas---texto-dario-fo-leitura-dramatica/3360951
Grátis

.: Peça "Homem Que É Homem Não Chora" faz estreia no Teatro Bibi Ferreira


Na montagem, os atores Felipe Damazzo e Homar Rabah, dialogam em um jogo de palavras nem um pouco delicadas sobre suas orientações sexuais e olhares em relação à vida. Foto: divulgação


A Splendore Produções e Eventos anuncia a apresentação da  montagem do texto “Homem Que É Homem Não Chora”, escrito por Alex Giostri e Sérgio Savian, com direção de Rogério Fabiano e produção de Gerardo Franco. A peça com estreia anunciada para o dia 09 de abril, no Teatro Bibi Ferreira, destaca no elenco as presenças dos atores Felipe Damazzo (Ivan) e Homar Rabah (Clóvis).

A peça apresenta de modo bastante divertido, através da linguagem da comédia, questões da masculinidade e da homofobia, este último muito discutido em tempos contemporâneos. O espetáculo tem como diferencial uma abordagem psicológica dos dramas, carências e incertezas que cercam as personalidades distintas destes dois personagens no mundo atual. 

“O que mais me interessa, neste texto, é a palavra, o sentimento, os objetivos e sentimentos dos personagens... São viscerais e ao mesmo tempo, tentam se esconder, se defender, por insegurança e baixa auto-estima. O texto apresenta e disseca, as camadas dos sentimentos de cada personagem. Aos poucos, ambos vão se revelando, se abrindo e se revelando.E é tão bom olhar pelo buraco da fechadura e se identificar com o que é visto! Nesta peça, o público vai rir, se emocionar e se identificar. Vale conferir.. e além disso, o final é surpreendente!”, destaca o diretor Rogério Fabiano.

Ele completa: “Esta peça é um espetáculo de identificação, onde os sentimentos e os desejos são sofridos pelos preconceitos. E os autores, conseguem, através da trama, e dos personagens, mostrar que desejo, fetiche, prazer e ultrapassar todos os limites da estima, da aceitação e do medo da rejeição e dos gatilhos e trás todos os medos, a flor da pele. Após assistir essa peça, o espectador sai modificado e cheio de coragem pra ser feliz”, finaliza.

Convidado pelo diretor da peça para elencar a montagem, o ator Felipe Damazzo, pontua que o texto traz personagens viscerais, com certa densidade dramática e um pouco de alívio cômico. “Desde o primeiro contato que tive com o texto, vi a potência que o Ivan trazia à história e a importância para o público em conhecê-lo, e entender quem é este cara e o porquê ele está ali. Trata-se de um personagem complexo, profundo, com traumas, amores e peculiaridades, que o torna único. Ele traz dores que eu também carrego. Isso me fez aceitar logo de cara este trabalho”, comenta o ator. “A preparação está incrível e mágica. A cada dia, descobrimos uma nova camada do Ivan e da relação dele para com o Clóvis. A sintonia e relação que criei com meu colega de cena tem sido muito importante e necessária para deixar o espetáculo intenso e com gostinho de quero mais”, completa Damazzo.

“O Clóvis é um personagem que está e sempre esteve presente na nossa realidade. Todo mundo conhece alguém como ele, o cara machão, conservador, que não sabe lidar com os próprios sentimentos e que não suporta nem a ideia de ter amigos gays, mas que no fundo, talvez possa esconder um desejo reprimido. Será? Essa é a grande dúvida que fica no ar, e que cada um poderá tirar sua própria conclusão”, brinca o ator Homar Rabah que confirma um intenso processo preparativo para seu personagem. “Existem novas descobertas a cada dia. O universo do teatro é mágico justamente por nos dar a oportunidade de nos redescobrirmos e nos reinventarmos a todo instante”, finaliza Homar. 

"Homem Que É Homem Não Chora" é uma história ambientada no banheiro de um aeroporto. Conta a história de dois homens que, devido um apagão em um aeroporto ficam presos no banheiro por várias horas e se enfrentam em um jogo de palavras nem um pouco delicadas sobre suas orientações sexuais e olhares em relação à vida. Nesta convivência forçada descobrem nuances de suas personalidades e enfrentam os dilemas da aceitação do outro. 

Permitindo assim, um momento de reflexão sobre a forma como encaram a vida e seus próprios relacionamentos familiares e sociais, sob as duas perspectivas masculinas, a heterossexual e a homossexual nas suas semelhanças e divergências. Nesse período em que estão presos neste banheiro, a sensação de claustrofobia chega ao limite por meio de duras agressões verbais onde revelam seus medos e recalques. A partir de uma ação mal interpretada, vêm à tona todos os preconceitos e intolerâncias gerando uma batalha de personalidades. “Homem Que é Homem Não Chora” foi escrita há cerca de 20 anos, mas ainda traz questões sociais que perduram, o que faz a obra ser muito necessária nos dias atuais.


Ficha técnica
Espetáculo "Homem Que É Homem Não Chora"
Autor: Alex Giostri e Sérgio Savian
Direção geral:Rogério Fabiano
Iluminação: Rogério Fabiano
Direção de arte: Gerardo Franco e Rogério Fabiano
Trilha sonora: Gerardo Franco 
Direção de movimento: Murilo Inforsato
Assessoria de imprensa: Davi Brandão
Editora: Giostri Editora
Designer e web marketing: João Lucas Lopes
Gestor de tráfego: Marquinhos AT 
Direção de produção: Gerardo Franco
Realização: Splendore Produções e Eventos


Serviço
Espetáculo "Homem Que É Homem Não Chora"
Teatro Bibi Ferreira (Avenida Brigadeiro Luís Antônio, 931 - Bela Vista / São Paulo)
Estreia: 9 de abril, às 21h00
Apresentações: dia 9, 16 e 30 de abril, e 7, 14, 21 e 28 de maio, às quintas-feiras, às 21h00
Faixa etária: 18 anos
Gênero: drama / comédia
Ingressos: R$ 60,00 a R$ 120,00

 

sábado, 28 de março de 2026

.: "O Nazista e o Psiquiatra", o livro que inspirou o filme "Nuremberg"


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.

Publicado por Jack El-Hai, o romance "O Nazista e o Psiquiatra", que inspirou o filme "Nuremberg", em cartaz na Rede Cineflix e em cinemas de todo oBrasil, mergulha em um dos episódios mais inquietantes do pós-guerra: o encontro entre o alto escalão do regime nazista e a tentativa científica de compreender a mente por trás de crimes que desafiam qualquer noção de humanidade. Inspirado nos bastidores dos julgamentos de Nuremberg, o livro publicado pela Editora Planeta articula história e psicologia para investigar uma pergunta incômoda: o mal é uma exceção ou uma possibilidade latente em todos nós?

Preso em 1945, ao final da Segunda Guerra Mundial, Hermann Göring foi conduzido a um centro de detenção sob controle norte-americano, em Luxemburgo. Mesmo diante da derrota, mantinha traços de ostentação e controle: carregava dezenas de malas com objetos que iam de medalhas e pedras preciosas a itens pessoais triviais, como roupas íntimas e uma bolsa de água quente. Entre esses pertences, escondia um segredo fatal - cápsulas de cianeto de potássio, guardadas em frascos de latão dentro de uma simples lata de café. O detalhe não é apenas curioso: antecipa o desfecho trágico e revela uma mente que jamais abriu mão da própria autonomia, nem mesmo diante da iminência do julgamento.

Ao seu redor, reunia-se uma galeria sombria de figuras centrais do nazismo: Karl Dönitz, Wilhelm Keitel, Alfred Jodl, Robert Ley, Hans Frank e Julius Streicher, entre outros. Cinquenta e dois prisioneiros compunham aquele microcosmo do horror recente, homens que haviam ocupado posições de poder e agora aguardavam julgamento por crimes contra a humanidade. Ainda assim, entre todos, Göring se destacava: articulado, carismático e perigosamente convincente, exercia influência até mesmo no cativeiro.

É nesse cenário que entra Douglas McGlashan Kelley, capitão do Exército dos Estados Unidos encarregado de avaliar a sanidade dos réus para que pudessem ser julgados. Ambicioso e intelectualmente instigado pelo desafio, Kelley enxergou ali uma oportunidade única: investigar se aqueles homens eram monstros fora da curva ou expressões extremas de traços humanos comuns. A missão dele, no entanto, rapidamente ultrapassa os limites da observação clínica e adentra um território ético delicado.

A convivência diária com os prisioneiros dá origem a uma relação tão fascinante quanto perturbadora. Kelley não apenas entrevista e aplica testes: ele escuta, dialoga, observa gestos, hesitações e estratégias discursivas. Aos poucos, percebe-se envolvido por uma proximidade que desafia sua própria objetividade. Contra todas as expectativas, passa a compreender e, em certa medida, a se afeiçoar a alguns daqueles homens. Nenhum deles, porém, o intriga tanto quanto Göring, cuja inteligência e habilidade retórica tensionam constantemente a linha entre lucidez e manipulação.

O que Jack El-Hai constrói, com base em documentos inéditos e registros médicos, não é apenas uma narrativa histórica, mas um estudo inquietante sobre os limites da empatia. O livro expõe o risco de se aproximar demais do objeto de análise, sobretudo quando esse objeto é o próprio mal em forma humana. Ao iluminar essa relação ambígua entre médico e paciente, ciência e fascínio, razão e sedução, a obra convida o leitor a encarar uma hipótese desconfortável: a de que a crueldade não pertence apenas aos outros: pode ser compreendida, racionalizada e, em certos contextos, até normalizada. Com isso, o livro propõe uma reflexão urgente sobre responsabilidade, consciência e os mecanismos psicológicos que permitem que indivíduos comuns participem de sistemas extraordinariamente violentos. Compre o livro "O Nazista e o Psiquiatra", de Jack El-Hai, neste link.


Ficha técnica
"Nuremberg" (título original)
Gênero: drama histórico, thriller psicológico.
Duração: 2h28min.
Classificação indicativa: 16 anos.
Ano de produção: 2026.
Idioma: inglês.
Direção: James Vanderbilt.
Roteiro: James Vanderbilt e Jack El-Hai.
Elenco: Russell Crowe, Rami Malek, Michael Shannon, Richard E. Grant.
Distribuição no Brasil: Diamond Filmes.
Cenas pós-créditos: não.

Assista no Cineflix Cinemas mais perto de você
As principais estreias da semana podem ser assistidas na rede Cineflix CinemasPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SANO Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.

"Nuremberg" no Cineflix Miramar | Santos | Sala 4
Até dia 1° de abril | Sessões no idioma original | 14h00, 17h00 e 20h00 
No Miramar Shopping | Rua Euclides da Cunha, 21 - Gonzaga - Santos / São Paulo 
Ingressos neste link

.: Claudya integra concerto "Entre o Céu e o Som" no dia 5 de abril


A cantora Claudya é uma das vozes confirmadas no concerto “Entre o Céu e o Som – Harmonia Transcendental”, que acontece no dia 5 de abril de 2026, no Centro Cultural São Paulo. Com uma trajetória sólida e reconhecida na música brasileira, que ultrapassa seis décadas, a artista participa do espetáculo como convidada especial em um encontro que propõe uma experiência sensorial entre arte, espiritualidade e universo.

O evento tem como eixo central a celebração dos 20 anos da Missão Centenário, marco histórico que levou o primeiro astronauta brasileiro, Marcos Pontes, ao espaço em 2006. A partir dessa referência, o concerto constrói uma narrativa artística que traduz, em linguagem musical, a dimensão simbólica da conquista: a expansão dos limites humanos e a conexão entre ciência, cultura e transcendência.
 

Encontro de gerações e grandes nomes da música
O espetáculo reúne artistas consagrados e novos talentos em um mesmo palco. Além de Claudya, participam o pianista e compositor Adylson Godoy, o cantor José Luiz Mazziotti e a soprano Maria Clara Mascellani. A apresentação é conduzida pela Orquestra Pop Arte Viva, sob regência do maestro Amilson Godoy, e conta ainda com a participação de coral, ampliando a densidade musical e emocional do espetáculo.
 

Repertório e conexão com o público
Reconhecida por sua potência vocal e interpretação marcante, Claudya leva ao palco sua experiência acumulada ao longo de mais de 60 anos de carreira — um percurso que a consolidou como uma das vozes expressivas da música brasileira. Sem caráter comemorativo específico dentro deste concerto, sua participação reforça o diálogo entre tradição e contemporaneidade proposto pelo evento. Entre as canções, destaca-se “Deixa eu Dizer”, música recente que vem conquistando diferentes gerações e reafirma a capacidade da artista de se manter atual e conectada com novos públicos.
 

A música como linguagem do infinito
“Entre o Céu e o Som – Harmonia Transcendental” integra as ações da União Paulista de Artistas Sêniores e propõe uma imersão artística que vai além do formato tradicional de concerto. Ao unir orquestra, vozes e elementos simbólicos, o espetáculo convida o público a uma jornada que atravessa o tempo, a memória e o espaço. Nesse contexto, a presença de Claudya representa a força da expressão humana dentro de uma proposta que aponta para o universal — uma voz que traduz emoção em meio à grandiosidade do tema central.


Serviço para imprensa
"Entre o Céu e o Som - Harmonia Transcendental"
Domingo, dia 5 de abril, às 18h00
Local: Centro Cultural São Paulo
Rua Vergueiro, 1000 - entre as estações Vergueiro e Paraíso do Metrô
Entrada gratuita (retirada de ingressos na bilheteria com 30 minutos de antecedência)

.: Série documental "Carlinhos Brown em Meia Lua Inteira" estreia dia 14


Produção original nacional em quatro episódios retrata a vida e a obra de um dos artistas mais influentes da música brasileira, com depoimentos exclusivos de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Marisa Monte, Daniela Mercury e Arnaldo Antunes, entre outros. Foto: divulgação


A HBO estreia no dia 14 de abril sua nova série documental nacional, "Carlinhos Brown Em Meia Lua Inteira". Composta por quatro episódios de 60 minutos, a produção terá o lançamento de um novo capítulo toda terça-feira, às 21h00, no canal e na HBO Max. Produzida pela Giros Filmes, com coprodução de Candyall Music, a série mergulha na vida e na obra de Carlinhos Brown, cuja carreira ajudou a tornar a cultura da Bahia um fenômeno global e a transformar a comunidade onde cresceu. 

Ao longo dos episódios, "Carlinhos Brown Em Meia Lua Inteira" investiga as origens do músico, educador e empreendedor social no Candeal, em Salvador, e sua profunda conexão com a ancestralidade afro-brasileira que moldou sua identidade artística. A série documental reúne ainda depoimentos de grandes nomes da música e cultura brasileira, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Marisa Monte, Daniela Mercury, Margareth Menezes, Arnaldo Antunes, Bell Marques, Luiz Caldas, Lan Lanh, Márcio Victor, Sarajane, Marieta Severo e Deborah Colker, que ajudam a construir um retrato afetivo e multifacetado de Brown. 

Conduzida pelo próprio artista, a produção combina materiais de arquivo, bastidores e cenas exclusivas captadas especialmente para o projeto, além de momentos íntimos que revelam novas camadas de sua história - incluindo um encontro musical inédito com todos os seus oito filhos. A série também destaca sua atuação social na comunidade do Candeal, onde iniciativas lideradas por Brown ajudaram a transformar a realidade local por meio da arte, da educação e da cultura. 

Reconhecido como um dos protagonistas das revoluções sonoras da música brasileira contemporânea, Carlinhos Brown impulsionou movimentos como o Axé Music e o Samba Reggae e fundou a Timbalada, grupo que reinventou a estética percussiva nos anos 1990. Na série documental, esse legado musical e cultural ganha destaque, enquanto a produção revisita suas criações, parcerias e momentos marcantes para revelar o alcance de sua obra dentro e fora do Brasil. Autor de centenas de canções e parceiro de artistas de diferentes gerações, Brown também se tornou o primeiro músico brasileiro a integrar a Academia do Oscar, ampliando o reconhecimento internacional da música brasileira. 

"Carlinhos Brown Em Meia Lua Inteira" é uma série documental coproduzida pela Warner Bros. Discovery, Giros Filmes e Candyall Music com direção geral de Bianca Lenti e Belisario Franca e produzida por Mauricio Magalhães, Bianca Lenti, Belisario Franca e Beatriz Petrini. Pelo lado da Warner Bros. Discovery, assinam a produção Sergio Nakasone, Adriana Cechetti e Luciana Soligo.

.: TV Cultura exibe "Mar de Dentro" com Monica Iozzi e Zé Carlos Machado


Filme premiado internacionalmente traz história sensível sobre maternidade, às 23h00, na Faixa Cinecult. Foto: divulgação

Neste sábado, dia 28 de março, a TV Cultura leva ao ar o filme inédito "Mar de Dentro", dirigido por Dainara Toffoli e produzido por Eliane Ferreira e Pablo Iraola. A exibição acontece às 23h00, na faixa Cinecult. Com Monica Iozzi, Zé Carlos Machado, Rafael Losso, Gilda Nomacce e Magali Biff no elenco, o longa acompanha a trajetória de uma mulher bem-sucedida e focada na carreira que vê sua rotina se transformar ao descobrir uma gravidez inesperada. Mesmo sem nunca ter considerado a maternidade, ela se depara com os desafios, dúvidas e aprendizados que surgem com a chegada do bebê.
 
Premiado e exibido em importantes festivais internacionais, como o Cine Las Américas 2020, o Los Angeles Brazilian Film Festival 2020, a Mostra de São Paulo 2021, o Women’s Film Festival San Diego 2020 e o Through Women’s Eyes IFF 2021, o filme também foi indicado a cinco categorias no Festival SESC Melhores do Ano (atriz, direção, filme, fotografia e roteiro). Com um olhar íntimo e sensível, "Mar de Dentro" propõe um mergulho no processo de transformação da protagonista diante da maternidade.

sexta-feira, 27 de março de 2026

.: Thiago Sobral: ex-seminarista encena, na ficção, o gesto de “matar o pai”


Thiago Sobral já foi seminarista e estreia na literatura com um romance polêmico que tem como pano de fundo a homossexualidade e teoria de Freud em "matar o próprio pai" para alcançar a liberdade. Foto: divulgação 


O romance “O Pai, a Faca e o Beijo”, de Thiago Sobral, será lançado no sábado, dia 11 de abril, a partir das 18h00, no Mangue Steak e Pub, em Cubatão, no litoral de São Paulo, marcando a estreia do autor pela Editora Patuá. Ex-seminarista com passagem ativa pela Igreja Católica, Sobral apresenta um livro que articula fé, violência e desejo ao colocar a homossexualidade no centro de uma história atravessada por conflitos familiares e repressão social, que se aproxima da noção formulada por Sigmund Freud sobre a necessidade simbólica de “matar o pai” como etapa de ruptura e construção da autonomia psíquica.

Ao colocar um autor com trajetória religiosa escrevendo sobre desejo, violência e identidade, o livro aposta na ousadia e se insere em um campo de debate que ultrapassa a literatura, ao tocar diretamente em questões sociais ainda marcadas pela repressão. A trama se passa em Cubatão e acompanha Santiago e Davi, o “Pirueta”, em uma relação atravessada por ruídos, omissões e agressividades que se disfarçam de cuidado.

O que poderia sugerir um romance amoroso convencional rapidamente se desarma. No lugar da previsibilidade, o autor constrói um campo de conflito contínuo, em que cada gesto falha e cada tentativa de aproximação amplia o abismo entre os personagens. O pai, Severo, acredita proteger o filho, mas sustenta uma dinâmica de opressão que atravessa toda a narrativa. Santiago é o tipo de protagonista que desafia qualquer leitura confortável. Contraditório ao extremo, ele encarna a violência que sofre e reproduz. O personagem oscila entre o desejo e a repulsa, o afeto e a crueldade, construindo uma figura que não tem qualquer chance de redenção.  

Ao redor desse núcleo, personagens secundários reforçam a atmosfera de claustrofobia. A mãe, que se apresenta como sustentação afetiva, revela-se paralisada pela omissão. O padre expõe contradições que desmontam qualquer idealização. O conjunto forma um retrato de relações marcadas por expectativas frustradas e afetos interrompidos.

A experiência de Thiago Sobral como ex-seminarista atravessa o texto sem transformar a fé em conforto. No romance, o autor expõe fissuras, hipocrisias e impasses morais com uma escrita que prefere o corte à ornamentação. Há ecos evidentes de Machado de Assis na construção irônica e no olhar distanciado sobre os personagens, ainda que o romance se sustente por uma voz própria, mais seca e direta.

Ambientado em Cubatão, o livro também incorpora a cidade como elemento narrativo. Além de cenário, a cidade litorânea aparece como algo que condiciona comportamentos, regula relações e amplia o peso do julgamento social. A geografia concreta contribui para a sensação de aprisionamento que atravessa toda a obra. 


Sinopse de "O Pai, a Faca e o Beijo"
No romance “O Pai, a Faca e o Beijo”, Thiago Sobral estreia na ficção com um romance tenso, seco e humano demais. A história de Santiago e Davi, o Pirueta, poderia sugerir um enredo amoroso convencional, mas logo se revela um campo minado de mal-entendidos e violências disfarçadas de cuidado. No centro desse embate, há um pai que acredita proteger o filho enquanto o destrói em uma cidade pequena que vigia, julga e aniquila personalidades. Santiago é um protagonista que ama e agride, deseja e rejeita, sofre e reproduz a mesma brutalidade que o cerca. Com uma formação marcada pela escuta do sagrado, o autor escreve sobre a vida real e expõe hipocrisias e impasses morais com coragem e precisão. Sob ecos de Machado de Assis, é um romance que aposta na liberdade que surge dos confrontos. Um livro incômodo, intenso e necessário.


Sobre o autor
Nasceu em 1987, em Cubatão, no litoral de São Paulo, e vive em Praia Grande. Professor de Língua Portuguesa na escola pública, aprendeu a ler e a escrever tanto na sala de aula quanto fora dela, em meio a livros, alunos e perguntas difíceis. Ex-seminarista franciscano, levou para a literatura o gosto pelo silêncio, pelo tempo interior e pelas contradições humanas, sempre desconfiando de respostas prontas. Leitor atento da tradição literária brasileira e estrangeira, prefere textos que confiam no leitor. Amante de gatos e cachorros, quase sempre mais atentos ao que os humanos deixam passar, encontra no cotidiano e nos gestos mínimos a matéria de sua escrita.


Serviço
Lançamento do livro "O Pai, a Faca e o Beijo"
Sábado, dia 11 de abril, a partir das 18h00
Mangue Steak e Pub - Praça Januário Esteves de Lara Dantas, 216 - Vila Nova - Cubatão/SP



.: Com single "Intermitência", Lia Levin faz alerta na música contra o feminicídio


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural

Depois de um longo trajeto na dança, no teatro e na música, Lia Levin, a cantora e compositora que também é graduada psicóloga pela USP, finalmente amarra todas as linguagens e vivências que acumulou em um videoclipe bastante original. O single intitulado "Intermitência" integrará um futuro EP autoral que flerta com vários estilos musicais da nossa MPB. A artista não se restringe aos rótulos e modismos de cada estilo musical e transita livremente pelos ritmos brasileiros para contar histórias. Neste novo clipe “Intermitência”, o quarto lançado por ela, a multiartista escolheu se valer também do lado atriz para encenar no clipe um relacionamento tóxico.

Para fazer o papel do "homem abusivo” a compositora convidou o Thomás Aquino, que atualmente faz o papel do produtor Ronei Soares na novela Coração Acelerado no canal Globo, e que fez grandes papéis em outras importantes obras do audiovisual brasileiro como os filmes Bacurau e O Agente Secreto, do diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho, e a série Guerreiros do Sol da Globoplay. O clipe não segue a convenção do que seria um clipe de sertanejo, bachata ou brega, ritmos com os quais a faixa Intermitência flerta. Para dirigir esta criação totalmente original, Lia Levin encontrou Felipe Corvello.

Lia Levin já pensa em montaruna banda para tocar em shows ao vivo., E quer abrir espaço para mulheres instrumentistas. “Nada contra homens tocando em bandas. Mas o que percebo é que há pouco espaço para as mulheres nesse segmento., É só uma fotma de ampliar esse espaço para elas”. Em sua formação como intérprete, Lia Levin ouviu Barbra Streisand e Liza Minelli, além de outras cantoras e compositoras femininas como Fátimas Guedes e mais recentemente Marília Mendonça.”O Brasil senmpre teve compositoras mulheres extraordinárias. Mas a mídia de uma forma geral acaba enfocando mais o trabalho dos compositores masculinos. Acho que merecia ter mais espaço para as mulheres nesse segmento da composição”.

Com esse lançamento, Lia pretende conversar com todas as mulheres do Brasil. "Quanto mais as mulheres entenderem o mecanismo e como funciona o abuso, mais poderemos  evitar a violência e o feminicídio. A mulher brasileira precisa ter clareza dos seus direitos e do seu poder para exigir para si mesma respeito e segurança, buscando a rede de apoio correta e os mecanismos da lei. No relacionamento intermitente ou instável, o homem parece estar cuidando e protegendo a mulher em alguns momentos, mas em outros ele a agride totalmente. Isso não é amor. A mulher é quem precisa se esclarecer e proteger a si própria antes de tudo”.

"Intermitência"

"Sensual"

"É Melhor Dançar"


.: "História Pública e Linha do Tempo", de Elcio Rogério Secomandi e Cris Carbone


Por 
Vieira Vivo, escritor e ativista cultural.

Dissertar, defender, justificar.

A arquitetura militar colonial implementada a partir do Século XVI ao XIX em todo o litoral brasileiro, contribuindo grandemente para a formação de uma identidade nacional e para a emancipação de vilas e conjuntos habitacionais característicos, sem maior interferência dos colonizadores portugueses. A partir de materiais improvisados e escassos a engenharia local produziu obras primas em fortes do sistema defensivo colonial que sobrevivem, praticamente intactos, até aos dias atuais e estão enumerados e catalogados neste completo documento histórico.

O material elaborado de "História Pública e Linha do Tempo", pesquisado e escrito por Elcio Rogério Secomandi, publicado pela Navegar Editora, utiliza metodologia científica, pois é parte de documento enviado ao Conselho do Patrimônio Mundial (Unesco), está catalogado pelo IPHAN e representa para a população um grandioso valor documental simbólico e histórico. As belíssimas ilustrações são quadros, óleo sobre tela, a cargo da conceituada artista plástica Cristiane Carbone, membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, realizados a partir de fotos aéreas das dezenove fortalezas abordadas pelo estudo arquitetônico em questão.

O livro complementa-se com textos de Secomandi publicados no jornal A Tribuna de Santos sobre aspectos da cultura litorânea, arquitetura, costumes e personagens peculiares relevantes de nossa história. A contacapa nos brinda com informações adicionais através de seis QR-Code, com o intuito de expandir conhecimentos e informações a todos os interessados em arquitetura colonial, sistema defensivo e monumentos históricos.

quinta-feira, 26 de março de 2026

.: “Velhos Bandidos” torna aposentadoria em plano de assalto e diverte


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.

Aos 96 anos, Fernanda Montenegro volta à cena com “Velhos Bandidos”, comédia de ação que estreia na Rede Cineflix nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, dia 26 de março, apostando no encontro entre gerações, no timing de atores veteranos e na ironia de transformar a velhice em combustível para o crime, o que pode render boas risadas. Dirigido por Claudio Torres, que também assina o roteiro ao lado de Fábio Mendes e Renan Flumian, a comédia surge de um gesto íntimo: “um presente do meu filho para mim”, como definiu a própria Montenegro durante coletiva no Rio de Janeiro, sintetizando o tom afetivo que é um dos pontos altos da produção.

Na trama, Marta e Rodolfo, vividos por Montenegro e Ary Fontoura, são aposentados que decidem planejar um assalto a banco digno de cinema. Para isso, recrutam - ou sequestram, dependendo do ponto de vista - um casal mais jovem, interpretado por Bruna Marquezine e Vladimir Brichta, criando uma dinâmica que alterna choque geracional e cumplicidade criminosa. No encalço do quarteto está o investigador obstinado de Lázaro Ramos, que adiciona tensão a uma narrativa construída para equilibrar humor, ação e comentários discretos sobre envelhecimento, autonomia e desejo.

Com 1h33 de duração e classificação indicativa de 14 anos, o filme reforça uma tendência recente do cinema brasileiro de apostar em elencos de peso para dialogar com o grande público. Produzido pela Conspiração, com coprodução da TV Globo, Claro e Star Original Productions, e distribuição da Paris Filmes, “Velhos Bandidos” chega cercado de expectativas. Além de reunir nomes consagrados e populares, marca mais uma colaboração entre Claudio Torres e a mãe, ampliando uma parceria que já havia se insinuado em trabalhos anteriores, mas nunca com esse protagonismo.

Nos bastidores, o clima descrito pelo elenco ajuda a entender a leveza que o filme promete entregar. Histórias como a tentativa do diretor de reposicionar Fernanda Montenegro em cena - puxando-a discretamente pela calça, segundo relato bem-humorado de Brichta - revelam um set onde reverência e irreverência convivem. Há também o peso histórico desse encontro: Montenegro e Fontoura, parceiros de décadas, contracenam pela primeira vez no cinema, enquanto Marquezine se emociona ao compartilhar cenas com dois pilares da dramaturgia nacional. Resta saber se o público comprará a ideia de que a experiência supera a juventude também no crime. 

Ficha técnica
“Velhos Bandidos”  (título original)

Gênero: comédia, ação, policial.
Duração: 93 minutos.
Classificação indicativa: 14 anos.
Ano de produção: 2026.
Idioma: português.
Direção: Claudio Torres.
Roteiro: Claudio Torres, Fábio Mendes e Renan Flumian.
Elenco: Fernanda Montenegro, Ary Fontoura, Bruna Marquezine, Vladimir Brichta, Lázaro Ramos e outros.
Distribuição no Brasil: Paris Filmes.
Cenas pós-créditos: não.

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As principais estreias da semana podem ser assistidas na rede Cineflix CinemasPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SANO Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.

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De 26 de março a 1° de abril | Sessões no idioma original | 14h00, 17h00 e 20h00 
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