quarta-feira, 19 de agosto de 2026

.: Glória Menezes deixa seis décadas de história na dramaturgia brasileira


Atriz, que participou dos primeiros anos da televisão no país, construiu a carreira de sucesso no teatro, no cinema e em novelas como “Irmãos Coragem” e “Rainha da Sucata”. Foto: Globo/ Fábio Rocha


Um dos nomes mais importantes da dramaturgia brasileira, a atriz Glória Menezes morreu na tarde desta terça-feira, 18 de agosto, aos 91 anos, na casa dela, no Rio de Janeiro. Ela dedicou mais de seis décadas ao teatro, ao cinema e à televisão. Segundo a família, a atriz morreu de causas naturais. Nascida em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 19 de outubro de 1934, Nilcedes Soares de Magalhães adotou Glória Menezes como nome artístico. Filha de Nilo e Mercedes, teve o nome de batismo formado a partir da combinação dos nomes dos pais. Ainda criança, mudou-se para São Paulo, onde iniciou a formação artística e encontrou no teatro o caminho para a profissão.

Em 1959, recebeu o prêmio de Atriz Revelação em um festival de teatro amador promovido pelo diretor Antunes Filho. No mesmo ano, estreou na televisão em “Um Lugar ao Sol”, novela da TV Tupi. A produção também marcou o encontro profissional com uma geração de atores que ajudaria a consolidar a teledramaturgia brasileira. No cinema, Glória Menezes estreou em “O Pagador de Promessas”, dirigido por Anselmo Duarte. O filme, lançado em 1962, venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes e recebeu indicação ao Oscar de Melhor Filme Internacional. A atriz também participou de produções como “Independência ou Morte” e “Se Eu Fosse Você”.

Foi na televisão, porém, que o nome dela ganhou projeção nacional. Em 1963, na TV Excelsior, Glória Menezes e Tarcísio Meira protagonizaram “2-5499 Ocupado”, considerada a primeira novela diária da televisão brasileira. A parceria profissional dos dois acompanharia boa parte da carreira de ambos. Glória e Tarcísio se casaram e permaneceram juntos por 59 anos. Em 1967, os dois foram contratados pela TV Globo e protagonizaram “Sangue e Areia”, de Janete Clair. A parceria seria retomada em outras produções, entre elas “Rosa Rebelde”, “Irmãos Coragem”, “O Homem que Deve Morrer” e “O Semideus”. Também trabalharam juntos em “Cavalo de Aço”, “O Grito” e “Espelho Mágico”.

Em “Irmãos Coragem”, exibida em 1970, Glória interpretou Lara, personagem que se tornou um dos destaques de sua trajetória. A atriz ainda participou de novelas como “Jogo da Vida”, “Guerra dos Sexos”, “Corpo a Corpo” e “Brega e Chique”. Em 1988, voltou a dividir um trabalho com Tarcísio Meira em “Tarcísio & Glória”, série criada por Daniel Filho, Euclydes Marinho e Antonio Calmon. Além de atuarem, os dois também participaram da produção do programa.

Um dos personagens mais populares da carreira veio em 1990. Em “Rainha da Sucata”, Glória viveu Laurinha Figueiroa, socialite falida que se tornou uma das vilãs mais lembradas da televisão brasileira. A personagem também marcou a primeira vez em que a atriz interpretou uma grande vilã em uma novela. Nos anos seguintes, vieram trabalhos em “Deus nos Acuda”, “A Próxima Vítima”, “Torre de Babel”, “O Beijo do Vampiro”, “Senhora do Destino”, “Páginas da Vida” e “A Favorita”.

Em “O Beijo do Vampiro”, interpretou Zoroastra. Em “Senhora do Destino”, viveu a Baronesa Laura de Toledo Guimarães. Já em “A Favorita”, deu vida a Irene Fontini. A última novela da atriz foi “Totalmente Demais”, exibida em 2015, na qual interpretou Stelinha Alcântara. A carreira de Glória Menezes também foi marcada por personagens no teatro. Entre os trabalhos estão “Tudo Bem no Ano Que Vem”, que permaneceu em cartaz de 1976 a 1981, “Navalha na Carne”, “Jornada de um Poema” e “Ensina-me a Viver”, espetáculo que ficou em cartaz entre 2008 e 2016.

Por “Jornada de um Poema”, recebeu indicação ao Prêmio Shell de Melhor Atriz e o Prêmio Governador do Estado. O trabalho também deu início a uma sequência de três vitórias no Prêmio Qualidade Brasil na categoria de Melhor Atriz Teatral – Drama. Posteriormente, recebeu o mesmo reconhecimento por “Ricardo III”, em 2006, e “Ensina-me a Viver”, em 2008. 

Glória Menezes acumulou ainda importantes prêmios ao longo da carreira. Recebeu o Prêmio APCA de Atriz Revelação do Teatro em 1960 e o Troféu Imprensa de Revelação Feminina na TV em 1959. Ao longo dos anos, foi indicada diversas vezes ao Troféu Imprensa e venceu como Melhor Atriz por “Teleteatro da Tupi”, “2-5499 Ocupado” e “Deus nos Acuda”. Em 2004, recebeu o Troféu Mário Lago pelo conjunto de sua obra na televisão. No ano seguinte, foi homenageada no Festival de Cinema de Gramado com o Troféu Oscarito, ao lado de Tarcísio Meira, pelo conjunto da contribuição do casal à arte brasileira.

Na vida pessoal, além do casamento de 59 anos com Tarcísio Meira, Glória Menezes era mãe de Tarcísio Filho, do relacionamento com o ator, e de João Paulo e Maria Amélia, de seu primeiro casamento. Deixou ainda netos e bisnetos. Tarcísio Meira morreu em agosto de 2021. Quatro anos depois, Glória Menezes também se despede, encerrando uma trajetória que acompanhou praticamente toda a história da televisão brasileira.

Poucos dias antes da morte dela, em 12 de agosto, a atriz havia sido homenageada com uma estrela na Calçada da Fama dos Estúdios Globo, em reconhecimento ao legado construído na dramaturgia. Na cerimônia, foi representada pelo filho Tarcísio Filho. Glória Menezes deixa uma carreira construída em diferentes palcos e estúdios e personagens que permanecem na memória do público. De “Um Lugar ao Sol”, em 1959, a “Totalmente Demais”, em 2015, atravessou gerações de espectadores e ajudou a formar a própria história da dramaturgia brasileira.

.: Baseado no livro de Colleen Hoover, "Verity" chega aos cinemas brasileiros


Adaptação do best-seller de Colleen Hoover reúne Dakota Johnson, Anne Hathaway e Josh Hartnett em thriller psicológico marcado por segredos, desejo e obsessão


A Sony Pictures apresentou o primeiro trailer de "Verity", adaptação cinematográfica do thriller psicológico homônimo escrito por Colleen Hoover. O longa-metragem tem estreia prevista nos cinemas brasileiros para 1º de outubro. A prévia aposta em uma atmosfera carregada de suspense, desejo e desconfiança, apresentando a relação cada vez mais inquietante entre os personagens interpretados por Dakota Johnson, Anne Hathaway e Josh Hartnett. 

Na história, Lowen Ashleigh (Dakota Johnson) é uma escritora que atravessa dificuldades financeiras e profissionais até receber uma proposta inesperada: assumir a conclusão de uma famosa série literária de Verity Crawford (Anne Hathaway), autora que ficou impossibilitada de continuar o trabalho depois de sofrer um misterioso acidente.

Para realizar a tarefa, Lowen se instala na residência da família Crawford. Durante sua permanência no local, porém, encontra anotações perturbadoras escritas por Verity, nas quais acontecimentos obscuros envolvendo o marido da autora são registrados de maneira íntima e assustadora. À medida que avança na leitura, Lowen passa a questionar os limites entre aquilo que foi inventado e o que realmente aconteceu. A convivência com a família transforma o trabalho literário em uma experiência cada vez mais perigosa, marcada por desejo, manipulação, segredos e obsessão.

O elenco também reúne outros nomes de destaque, entre eles Brady Wagner, Asel Swango, Daniel Echevarria, Ismael Cruz Córdova, Michael Abbott Jr., Tom Galantich e Emily McEnroe. A direção é de Michael Showalter, responsável por Uma Ideia de Você, a partir de roteiro assinado por Nick Antosca, conhecido pela série "The Act". O filme "Verity" chega aos cinemas brasileiros em 1º de outubro, exclusivamente nas telonas. Compre o livro "Verity", de Colleen Hoover, neste link.

.: Crítica: "O Convite" faz convocação claustrofóbica para reavaliar a relação


Cartaz de "O Convite"

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em agosto de 2026


Baseada no filme e peça "Sentimental", do cineasta Cesc Gay, a comédia dramática "O Convite" é uma intrincada armadilha emocional que percorre desentendimentos surpreendentes para permitir que casal reavalie a relação. Ambientado num apartamento bem espaçoso (até que as conversas começam a afunilar os debates), a produção dirigida por Olivia Wilde, apresenta um casal em crise que recebe os vizinhos do andar de cima, o que torna o jantar caótico e totalmente hilário.

De um lado, em meio ao desgaste afetivo e o tédio conjugal, estão os donos do apartamento, Joe (Seth Rogen) e Angela (Olivia Wilde), que "aguardam" a chegada dos visitantes. Numa implicância silenciosa, os dois recebem o casal ardente Pinã (Penélope Cruz) e Hawk (Edward Norton). De fato, Joe fica incomodado com os sons das festas sexuais dos vizinhos e, acaba sendo levado a verbalizar tamanho desagrado.

Em meio a cutucadas provocativas e bastantes claustrofóbicas que vão além das paredes daquele apartamento como cenário, surgem diálogos inteligentes regando o desconforto do casal com a curiosidade e vontade de sair do marasmo que mergulharam. Assim, o público embarca, mesmo que com receio, na tensão e humor bem balanceados de um relacionamento longo.

O filme que transita na contramão do moralismo, tem um roteiro reflexivo e maduro para uma trama conflitante e tão humana a ponto de permitir que o público, por vezes, consiga se identificar com determinados episódios de uma vida a dois. Sem forçar um desfecho, "O Convite" tem seus minutos finais em silêncio, deixando livre a interpretação do público, se ocorreu uma reconciliação ou apenas o término pacífico do casamento. Vale muito a pena conferir!


"O Convite" (The Invite). Gênero: Comédia, drama, romance. Direção: Olivia Wilde. Roteiro: Rashida Jones, Will McCormack e Cesc Gay. Duração: 1h 47 minutos. Classificação Indicativa: 16 anos. Distribuição: Diamond Filmes. Elenco:  Seth Rogen (Joe), Olivia Wilde (Angela), Penélope Cruz (Piña) e Edward Norton (Hawk). Sinopse: Joe e Angela formam um casal preso na rotina e com o relacionamento à beira de um colapso. A dinâmica muda quando eles decidem convidar os enigmáticos vizinhos do andar de cima, Hawk e Piña, para um jantar casual. O que seria uma noite tranquila transforma-se em um encontro repleto de revelações, constrangimentos e discussões sobre intimidade e desejos reprimidos.

Trailer de "O Convite" 





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terça-feira, 18 de agosto de 2026

.: Crônica: um simples adeus para Laura Cardoso e Glória Menezes

Por: Mary Ellen Farias dos Santos

Em agosto de 2026


E num dia 18 de agosto de 2026, amargo por se lamentar a partida da talentosa Laura Cardoso que entregou tanto aos longo de seus 98 anos, morre a atriz Glória Menezes aos 91. Algo que faz lembrar a morte de seu marido, Tarcísio Meira, que faleceu no dia seguinte da morte de Paulo José, também em agosto, mas no dia 12, em 2021.

Com menos de 24 horas de diferença, assim se foram dois grandes nomes do teatro e da televisão brasileira. Agora da ala feminina, tiradas de cena por conta da passagem implacável do tempo. Aos admiradores fica o prazer de sempre poder revisitar personagens inesquecíveis que marcaram e marcarão gerações. 

Uma com um legado de vilãs que botava meda até no Diabo, como por exemplo, a mãe de Ruth e Raquel, a má Dona Isaura de "Mulheres de Areia", a austera Dona Guiomar, de "A Viagem", a beata moralista Doroteia de "Gabriela" ou a rígida matriarca de "Caminho das Índias", Laksmi Ananda. Enquanto que em meio a tantos personagens também icônicos, Glória Menezes se destaca com a vilania inesquecível de Laurinha Figueiroa de "Rainha da Sucata".

Enquanto que com Laura Cardoso eu tive a chance de saber que estive por perto, mas não a vi perfeitamente. Afinal, era a saída de uma peça de teatro, os atores num alvoroço carinhoso e muita gente em torno daquela velhinha. Só descobri com maridão que era ela bem quando perguntamos o que estava causando tamanho fervor que tinha se distanciado bastante. E, claro, Glória Menezes eu ainda tinha esperança de ao menos vê-la numa plateia de teatro. Ainda mais que já tinha visto Tarcísio Meira em "O Camareiro".

Aos admiradores de tamanho talento na atuação, de cada um dos quatro nomes citados, fica a sensação de vazio e perda, mas também a alegria de saber que tivemos o prazer de testemunhar a atuação destes monstros da interpretação (mesmo que pela telinha da televisão ou da telona do cinema). 

.: “Djavan - Dizem que o Amor Atrai” revela histórias por trás da trajetória


Livro de Tiago Ramos e Mattos revisita a infância em Maceió, a descoberta do violão, a censura na ditadura e episódios pouco conhecidos da carreira de um dos grandes nomes da MPB

Celebrando cinco décadas de carreira, Djavan ganha um novo olhar sobre sua trajetória em “Djavan - Dizem que o Amor Atrai”, livro de Tiago Ramos e Mattos, publicado pela editora Trend Editora. A obra mergulha nas memórias, nos afetos e nas experiências que ajudaram a formar a identidade artística de um dos compositores mais marcantes da música popular brasileira. A narrativa começa na infância, em Maceió, e destaca a presença de Dona Virgínia, mãe do artista, na formação de sua personalidade. 

O autor também investiga a relação de Djavan com as próprias raízes, a ancestralidade africana e a natureza, elementos que atravessam sua produção musical e ajudam a compreender a maneira particular como ele transforma sentimentos e observações do cotidiano em canções. Um dos momentos decisivos dessa trajetória aconteceu aos 16 anos, quando Djavan descobriu o violão e deixou para trás o desejo de se tornar jogador de futebol profissional. A mudança de rumo o levaria posteriormente ao Rio de Janeiro e ao início de uma carreira que alcançaria projeção nacional e internacional.

Para construir o perfil do músico, Tiago Ramos e Mattos conversou com familiares de Djavan, entre eles um sobrinho, a esposa dele e uma sobrinha-neta. O pesquisador também revisitou espaços ligados à infância do cantor em Maceió, buscando elementos que ajudassem a ampliar a compreensão sobre suas origens e relações afetivas. O livro ainda recupera histórias que despertam a curiosidade dos fãs. Entre elas estão o verdadeiro significado de “Flor de Lis”, a parceria que quase aconteceu entre Djavan e Michael Jackson, além de músicas censuradas durante a ditadura militar e composições inéditas.

Ao acompanhar cinco décadas de criação, o autor apresenta um Djavan atravessado por conquistas, perdas, preconceitos, paixões, relações familiares, posicionamentos políticos e constantes reinvenções. O resultado é um retrato que aproxima o leitor do homem por trás das canções e mostra como experiências pessoais podem se transformar em matéria-prima para a criação artística. Com pesquisa e relatos de pessoas próximas ao cantor, “Djavan - Dizem que o Amor Atrai” amplia o olhar sobre uma trajetória construída entre música, memória e identidade. A publicação também ajuda a entender como um jovem alagoano que sonhava com o futebol encontrou no violão o caminho para construir um dos repertórios mais reconhecidos da MPB. Compre o livro  “Djavan - Dizem que o Amor Atrai”, de Tiago Ramos e Mattos, neste link.

Sobre o autor
Doutor em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Tiago Ramos e Mattos dedica-se ao estudo de narrativas e à trajetória de grandes personalidades brasileiras. Antes de escrever sobre Djavan, publicou “Silvio Santos vem aí: a biografia-reportagem do ‘patrão’”, livro dedicado à história de um dos principais comunicadores do país. Compre os livros de Tiago Ramos e Mattos neste link.

.: Raul Barretto estreia “Despalhaço” e revisita 44 anos de carreira em SP


Em primeiro solo adulto de sua trajetória, artista reúne teatro, circo, improvisação e audiovisual para refletir sobre tempo, envelhecimento, memória e o futuro da arte

Com 44 anos de carreira dedicados ao teatro e à palhaçaria, Raul Barretto transforma a própria trajetória em matéria-prima para “Despalhaço”, primeiro espetáculo solo adulto dele e também seu primeiro texto de autoria. A montagem estreia no dia 27 de agosto, no Auditório do Sesc Vila Mariana, em São Paulo, e segue em cartaz até 5 de setembro. Barretto assina o texto, a atuação, a criação e a direção do espetáculo, que combina teatro, circo, improvisação, malabares e recursos audiovisuais. 

Próximo dos 70 anos, o artista revisita experiências pessoais e mudanças vividas pela sociedade para colocar em discussão temas como passagem do tempo, envelhecimento, longevidade, memória e a permanência do artista em cena. A montagem integra as comemorações dos 35 anos do Grupo Parlapatões, do qual Barretto faz parte ao lado de Hugo Possolo. O trabalho também chega 15 anos depois de “O Bricabraque”, seu primeiro solo voltado ao público infantil.

A relação do artista com a formação e a difusão teatral também atravessa a criação. Barretto é sócio cofundador do Espaço Parlapatões, que completa 20 anos, e um dos idealizadores da SP Escola de Teatro, onde coordena há 16 anos a Linha de Estudo em Humor. Em “Despalhaço”, essas experiências ganham novas camadas ao colocar em perspectiva o caminho percorrido e as transformações observadas dentro e fora dos palcos. A passagem do tempo aparece como um dos principais motores da dramaturgia, que também lança questões sobre o futuro em uma sociedade marcada pela velocidade e pela fragmentação.

A narrativa se desenvolve em três planos temporais. No passado, Barretto recupera episódios de sua trajetória e de sua relação com o teatro e a palhaçaria. O presente abre espaço para assuntos como desenvolvimento, sustentabilidade, inteligência artificial e o papel social do artista. Já o futuro surge como território de dúvidas, possibilidades e novas formas de pensar a relação entre humanidade e planeta. “O mais urgente é reafirmar a importância de vivermos em comunidade e em harmonia, conseguindo divergir sem transformar o outro em inimigo. O palhaço mostra o ridículo que vivemos e pode nos levar a alguma consciência”, afirma Barretto.

A encenação aposta também no repertório circense do artista. Texto e improvisação dividem espaço com malabares, monociclo, chicote e facas. O cenário de Diego Dac tem um tecido como elemento central, assumindo diferentes funções ao longo da apresentação. Projeções audiovisuais acompanham a encenação e incorporam imagens, vídeos e depoimentos relacionados à trajetória de Barretto.

A pesquisa para a criação percorre diferentes campos do conhecimento e reúne referências como o filósofo Diógenes, os cientistas Marcelo Gleiser e Carl Sagan, estudos sobre a formação das sociedades humanas, povos indígenas, consciência e inteligência. O espetáculo também estabelece diálogos com o trabalho do artista Jaider Esbell, da arqueóloga Niède Guidon e dos pesquisadores Eduardo Neves e Miguel Nicolelis.

O próprio título “Despalhaço” aponta para as transformações vividas pelo artista ao longo da vida e para a maneira como a palhaçaria continua presente nesse percurso. Para Barretto, preservar o olhar do palhaço significa manter viva uma combinação de inocência, crítica e disposição para o encontro. “O palhaço é uma criança eterna. Manter esse olhar, ao mesmo tempo inocente e crítico, é algo que o ser humano não deveria perder. A permanência no palco também nasce dessa busca pelo diálogo e pelo olho no olho”, afirma.

Ficha técnica
Peça teatral “Despalhaço”
 
Texto, atuação e criação: Raul Barretto.
Preparação de ator e direção de cena: Antônio Januzelli
Assistência de direção: Helena Cerello.
Direção de produção: Jessica Rodrigues e Carolina Henriques.
Cenário e adereços: Diego Dac, Luana Miyamoto e Xapiri Ateliê Artístico.
Figurino: Claudia Schapira.
Projeto de som e trilha sonora: Deivison Nunes e Raul Barretto.
Iluminação e técnica de luz: Reynaldo Thomaz.
Projeto multimídia e audiovisual: Deivison Nunes e Raul Barretto.
Colaboração no projeto multimídia e audiovisual: Marcelo Machado.
Técnica de audiovisual: Deivison Nunes.
Provocação artística: Suzana Aragão.
Arte gráfica: Werner Schulz.
Assessoria de imprensa: Adriana Balsanelli.
Realização: Sesc.
Produção geral: Companhia Vadabordo e Rodri Produções.

Serviço
Peça teatral “Despalhaço”
Estreia: 27 de agosto de 2026
Temporada: de 27 de agosto a 5 de setembro de 2026
Dias e horário: quinta a sábado, às 20h30
Duração: 70 minutos
Classificação etária: 14 anos
Local: Sesc Vila Mariana – Auditório (Torre A, 1º andar)
Rua Pelotas, 141, Vila Mariana, São Paulo
Capacidade: 130 lugares
Ingressos: R$ 15,00 (credencial plena), R$ 25,00 (meia-entrada) e R$ 50,00 (inteira)
Vendas: sescsp.org.br/programacao/despalhaco
Disponível para compra on-line a partir de 18 de agosto, às 17h00.

.: Laura Cardoso morre aos 98 anos e deixa legado de oito décadas


Em homenagem à atriz, TV Globo exibe o especial "Tributo" nesta terça-feira, 18 de agosto, após "Além do Tempo". Foto: Globo/Matheus Malafaia

Laura Cardoso morreu na noite desta segunda-feira, 17 de agosto, aos 98 anos, na casa dela, em São Paulo. Segundo a família, a atriz morreu de causas naturais. Nascida Laurinda de Jesus Cardoso, ela se tornou uma das figuras mais importantes da dramaturgia brasileira e construiu uma trajetória artística que atravessou oito décadas, passando pelo rádio, televisão, teatro e cinema. A informação sobre a morte da atriz foi divulgada durante a manhã desta terça-feira, dia 18.

Como homenagem à artista, a TV Globo exibe nesta tarde o especial "Tributo", logo após "Além do Tempo", na Edição Especial. Gravado em 2024, o episódio da série documental revisita momentos marcantes da vida e da carreira de Laura, com depoimentos de amigos e colegas, além de lembranças da infância da atriz. Com a mudança na programação, o filme previsto para a "Sessão da Tarde" não será exibido.

A atriz começou a trabalhar ainda adolescente. Aos 15 anos, deu os primeiros passos no rádio, na Rádio Cosmos. O reconhecimento nacional veio em 1952, quando participou do programa "Tribunal do Coração", da recém-inaugurada TV Tupi. Na emissora paulista, trabalhou com diretores como Dionísio Azevedo e Teixeira Filho e permaneceu até o encerramento das atividades, em 1980. Ao longo da carreira, a atriz acumulou mais de uma centena de trabalhos na televisão, entre novelas, séries e especiais. 

Quando chegou à Globo, em 1981, já carregava o status de estrela. A estreia na emissora aconteceu em "Brilhante", de Gilberto Braga, na pele de Alda Sampaio, mãe da protagonista Luiza, interpretada por Vera Fischer. Depois de uma passagem pela TV Bandeirantes, onde participou de "Ninho de Serpente", de Jorge Andrade, e "Renúncia", de Geraldo Vietri, ambas em 1982, Laura voltou à Globo e retomou uma parceria importante de sua trajetória: a colaboração com o autor Walther Negrão. Com textos de Negrão, esteve em três novelas consecutivas: "Pão-Pão, Beijo-Beijo" (1983), como a inesquecível Donana; "Livre para Voar" (1984); e "Fera Radical" (1988).

A década de 1990 trouxe outros personagens marcantes. Laura participou de "Rainha da Sucata" (1990), de Silvio de Abreu, e "Felicidade" (1991), de Manoel Carlos. Em "Mulheres de Areia" (1993), interpretou Isaura Araújo, mãe das gêmeas Ruth e Raquel, vividas por Gloria Pires. No ano seguinte, foi a médium Guiomar, em "A Viagem".

Em 1995, viveu Sinhana, a chamada "mãe Coragem" da segunda versão de "Irmãos Coragem", clássico de Janete Clair dirigido por Luiz Fernando Carvalho. No mesmo ano, interpretou a cigana Soraya em "Explode Coração", de Glória Perez. A parceria com Walther Negrão voltou a render frutos em "Vila Madalena" (1999), novela em que Laura deu vida a Deolinda, uma matriarca italiana. Depois de uma breve passagem pela Record, onde esteve em "Vidas Cruzadas" (2000), de Marcos Lazarini, retornou à Globo em "A Padroeira" (2001), de Walcyr Carrasco. Em "Esperança" (2002), de Benedito Ruy Barbosa, interpretou Madalena, imigrante italiana que sonhava encontrar um marido. A personagem, novamente dirigida por Luiz Fernando Carvalho, estava entre as preferidas da atriz.


Do drama à comédia
Laura Cardoso tinha uma característica que ajudou a torná-la tão admirada: a capacidade de transitar por diferentes gêneros e personagens. Em "Chocolate com Pimenta" (2003), de Walcyr Carrasco, divertiu o público como Carmem, a avó do núcleo caipira. Em "Hoje é Dia de Maria" (2005), sua primeira minissérie na Globo, emprestou a voz à Senhora dos Dois Mundos, avó responsável por narrar histórias para Maria. A produção foi dirigida por Luiz Fernando Carvalho.

A atriz também participou do remake de "O Profeta" (2006), adaptado por Duca Rachid e Thelma Guedes a partir da obra de Ivani Ribeiro; de "Duas Caras" (2007), de Aguinaldo Silva; e de "Caminho das Índias" (2009), de Glória Perez, novela vencedora do Emmy Internacional de Melhor Telenovela, na qual interpretou a matriarca indiana Laksmi Ananda.

Em "Araguaia" (2010), de Walther Negrão, Laura viveu Mariquita, amiga de Antoninha, personagem de Regina Duarte, a quem cabia a criação do filho Fernando Rangel, interpretado por Edson Celulari. Já em 2012, ganhou novamente os holofotes ao interpretar Dorotéia em "Gabriela", releitura assinada por Walcyr Carrasco a partir da obra de Jorge Amado. A personagem, uma beata considerada "o pilar moral de Ilhéus", caiu no gosto do público.

No ano seguinte, Laura foi Veridiana em "Flor do Caribe". Aos 87 anos, em 2014, participou de três produções: o seriado "Segunda Dama" e as novelas "Boogie Oogie" e "Império". Em 2016, voltou a interpretar uma vilã, Dona Sinhá, em "Sol Nascente", de Walther Negrão, Suzana Pires e Júlio Fischer. Em 2017, destacou-se como Caetana em "O Outro Lado do Paraíso", de Walcyr Carrasco. Dois anos depois, reencontrou o autor em "A Dona do Pedaço", na qual interpretou Matilde.


Teatro, cinema e muitos prêmios
A televisão foi apenas uma das frentes de uma carreira gigantesca. Laura Cardoso também construiu uma história de respeito nos palcos e no cinema, acumulando prêmios e homenagens. No teatro, recebeu o Prêmio Shell em 1990 e 1993 pelas atuações em "Vem Buscar-me que Ainda Sou Teu", dirigida por Gabriel Villela, e "Vereda da Salvação", com montagem de Antunes Filho. Também foi reconhecida pela APCA, pelo Grande Otelo e por outras importantes premiações.

No cinema, estreou em 1964, com "O Sol", de Geraldo Vietri, e participou de mais de 20 filmes. Pela atuação como Selma em "Através da Janela", de Tata Amaral, recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cinema Brasileiro de Miami. Em 2001, conquistou o Grande Prêmio Cinema Brasil por "Copacabana", dirigido por Carla Camurati.

Em 2006, foi condecorada com a Ordem do Mérito Cultural, concedida pelo governo brasileiro por sua contribuição ao cinema, ao teatro e à televisão. Em 2021, recebeu o Prêmio Guarani Honorário. Em 2023, foi homenageada com o Troféu Oscarito no Festival de Cinema de Gramado, reconhecimento a uma trajetória fundamental para a história do audiovisual brasileiro.

Em outubro de 2025, Laura Cardoso ganhou uma estrela na Calçada da Fama dos Estúdios Globo, eternizando seu nome entre os grandes artistas que ajudaram a construir a dramaturgia brasileira. Viúva do ator e diretor Fernando Balleroni, Laura Cardoso deixa as filhas Fátima e Fernanda, as netas Claudia e Adriana e o bisneto Fernando. O velório acontece na manhã desta terça-feira, em São Paulo, em cerimônia restrita a familiares e amigos. A partida encerra uma das carreiras mais longevas e respeitadas da cultura brasileira. Laura Cardoso deixa personagens, histórias e uma presença artística que atravessou gerações — da era do rádio à televisão contemporânea.


Sobre "Tributo"
O especial dedicado a Laura Cardoso foi gravado em 2024 e recupera momentos da trajetória da atriz, reunindo depoimentos de colegas e amigos e memórias de sua infância. Exibição: terça-feira, 18 de agosto, após "Além do Tempo" (Edição Especial). Observação: em razão da exibição do especial, o filme programado para a "Sessão da Tarde" não será exibido.

.: "A Paixão de Cristo" volta aos cinemas brasileiros em versão remasterizada


Mais de 20 anos após seu lançamento, filme dirigido por Mel Gibson será exibido novamente nos cinemas em dezembro, como preparação para a chegada da aguardada continuação. Imagem: divulgação

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

"A Paixão de Cristo", produção dirigida por Mel Gibson em 2004, voltará aos cinemas brasileiros em uma versão remasterizada em 4K. O anúncio foi feito nesta quarta-feira pela Heaven Content e pela Paris Filmes por meio das redes sociais. A nova exibição está programada para dezembro de 2026, embora a data específica ainda não tenha sido divulgada pela distribuidora. O relançamento acontece às vésperas da estreia de "A Ressurreição de Cristo: Parte Um", sequência dirigida novamente por Gibson e que dará continuidade à história apresentada no longa de 2004.

Lançado há mais de duas décadas, "A Paixão de Cristo" acompanha as últimas 12 horas que antecedem a crucificação de Jesus. O filme foi rodado com diálogos em aramaico e latim, línguas associadas ao contexto histórico retratado na produção. Realizado com orçamento estimado em US$ 30 milhões, o longa-metragem alcançou US$ 612 milhões em bilheteria mundial e recebeu três indicações ao Oscar: Melhor Maquiagem, Melhor Fotografia e Melhor Trilha Sonora Original. Jim Caviezel interpretou Jesus Cristo, enquanto Monica Bellucci viveu Maria Madalena e Maia Morgenstern deu vida a Maria. O elenco também contou com Francesco De Vito como Pedro e Ivano Marescotti no papel de Pôncio Pilatos.


A continuação
A sequência de "A Paixão de Cristo" foi oficialmente confirmada em 2025. Intitulada "A Ressurreição de Cristo", a produção será dividida em duas partes e levou cerca de sete anos para ser desenvolvida por Mel Gibson, Donal Gibson e Randall Wallace, roteirista de Coração Valente. A história será ambientada no período que envolve as 24 horas da paixão de Jesus e os acontecimentos dos três dias que antecederam sua ressurreição. Detalhes da trama permanecem em sigilo.

Para a continuação, o elenco original foi substituído por novos intérpretes. Jaakko Ohtonen, conhecido por "The Last Kingdom", assumirá o papel de Jesus Cristo. Mariela Garriga será Maria Madalena, Kasia Smutniak interpretará Maria, Pier Luigi Pasino viverá Pedro e Riccardo Scamarcio dará vida a Pôncio Pilatos. Rupert Everett também integra o elenco, em um personagem ainda não revelado. "A Ressurreição de Cristo: Parte Um" tem estreia prevista no Brasil para 6 de maio de 2027. A segunda parte chega aos cinemas em 25 de maio de 2028.

.: Com Marlon Brando, "Sua Excelência, o Embaixador" expõe erros da diplomacia


Drama político de George Englund, lançado em 1963, chega ao Belas Artes à La Carte e recupera uma história sobre poder, nacionalismo e arrogância diplomática

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

O ator Marlon Brando assume o papel de um diplomata americano em "Sua Excelência, o Embaixador", filme de 1963 que chega ao streaming Belas Artes À La Carte e soa absolutamente atual diante das circunstâncias em que o Brasil vem enfrentando diante dos Estados Unidos. Dirigido por George Englund, o filme coloca o astro no centro de uma trama política ambientada em Sarkhan, país fictício do Sudeste Asiático marcado por conflitos internos, disputa ideológica e crescente tensão com os Estados Unidos. 

O roteiro é de Stewart Stern e adapta o romance homônimo publicado em 1958 por William J. Lederer e Eugene Burdick. O livro tornou-se um fenômeno editorial nos Estados Unidos e entrou no debate político da Guerra Fria ao questionar a atuação diplomática americana no sudeste asiático. O impacto da obra literária foi tão grande que John F. Kennedy demonstrou interesse pelo livro e chegou a enviar exemplares a senadores americanos, segundo registros históricos. A criação do Corpo da Paz durante seu governo também costuma ser relacionada ao ambiente político provocado pelo sucesso da publicação.

No elenco, Brando interpreta Harrison MacWhite, enquanto Eiji Okada vive Deong, líder oposicionista local, que já havia alcançado reconhecimento internacional por "Hiroshima, Meu Amor", de Alain Resnais, lançado em 1959. Também fazem parte do filme os atores Sandra Church, Pat Hingle, Arthur Hill, Jocelyn Brando, Reiko Sato e Kukrit Pramoj completam o elenco principal. A história gira em torno de Harrison Carter MacWhite, um intelectual experiente que sobrevive a uma tumultuada sabatina no Senado americano antes de ser nomeado embaixador. Ao chegar a Sarkhan, encontra uma realidade bem diferente daquela imaginada em Washington.

A população local reage à presença americana, enquanto o país enfrenta uma guerra civil iminente. Para MacWhite, porém, o cenário parece se resumir ao confronto entre Estados Unidos e comunismo. A dificuldade do personagem está em compreender que o sentimento contrário aos americanos também pode representar uma luta por autonomia e identidade nacional. A partir daí, suas decisões provocam consequências cada vez mais graves e colocam em xeque a maneira como Washington enxerga seus aliados e adversários.

A adaptação cinematográfica surgiu de uma experiência do próprio diretor do filme no sudeste asiático. Segundo o catálogo do American Film Institute, Englund e Brando viajaram juntos pela região em um programa de assistência técnica das Nações Unidas. A experiência despertou no diretor o interesse em realizar uma produção sobre a área e acabou levando-o ao romance de Lederer e Burdick. Outro detalhe curioso está em Kukrit Pramoj. Político e intelectual tailandês, ele participou da produção como consultor cultural e interpreta o primeiro-ministro de Sarkhan. Anos depois, em 1975, Pramoj se tornaria primeiro-ministro da Tailândia. O filme ainda teve cenas realizadas em Bangkok, inclusive na Universidade Chulalongkorn.

Sarkhan, a nação inventada pela história, funciona como uma composição de diferentes realidades do sudeste asiático. A escolha permitiu que os autores discutissem a política externa americana sem transformar a trama em um retrato direto de um único país. O próprio filme acompanha o choque entre projetos de desenvolvimento, interesses geopolíticos e as demandas da população local. Na época do lançamento, a recepção foi dividida. O jornal The New York Times reconheceu a força da atuação de Brando e apontou a complexidade do diplomata interpretado pelo ator, embora tenha criticado o rumo que o roteiro toma depois de um início promissor. O filme também teve desempenho modesto nas bilheterias e não recebeu indicação ao Oscar.

No Brasil, o filme foi originalmente lançado como "Quando Irmãos se Defrontam", título registrado em documentos cinematográficos brasileiros da época.  Não deixa de ser um capítulo curioso da filmografia de Brando: um filme político no qual o ator deixa de lado personagens explosivos para interpretar um homem convencido de que conhece a realidade de um país estrangeiro até descobrir que está errado. Com duas horas de duração, "Sua Excelência, o Embaixador" preserva o interesse de uma produção que olha para a política externa americana em plena Guerra Fria e mostra que o modus operandi norte-americano continua o mesmo. 

Ficha técnica
"Sua Excelência, o Embaixador" | "The Ugly American" (título original)
Gênero: drama, thriller político e aventura. Duração: 120 minutos. Classificação indicativa: 14 anos no lançamento brasileiro de 1963. Ano de produção: 1963. Data de lançamento: 2 de abril de 1963 nos Estados Unidos. Idioma: inglês. Direção: George Englund. Roteiro: Stewart Stern, baseado no romance de William J. Lederer e Eugene Burdick. Elenco: Marlon Brando, Eiji Okada, Sandra Church, Pat Hingle, Arthur Hill, Jocelyn Brando, Kukrit Pramoj, Judson Pratt, Reiko Sato, George Shibata, Judson Laire, Philip Ober, Yee Tak Yip, Carl Benton Reid, Simon Scott e Frances Helm. Distribuição no Brasil: Universal. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

.: "Bons Tempos: Yesteryear" chega às livrarias e satiriza mundo das tradwives


Livro de estreia de Caro Claire Burke, que já vendeu cerca de 1,4 milhão de exemplares nos EUA, ganha edição da Rocco e será adaptado para o cinema com Anne Hathaway. Foto: Riley Haakon

O fenômeno editorial americano “Bons Tempos: Yesteryear”, romance de estreia da jornalista Caro Claire Burke, chega oficialmente às livrarias brasileiras nesta segunda-feira, 17 de agosto, pela Editora Rocco. Diante da procura antecipada, a editora decidiu adiantar as vendas em 15 dias e já prepara uma segunda edição. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, exemplares começaram a chegar às livrarias neste fim de semana. O livro é uma sátira sobre tradição, fama, fé e a construção da feminilidade em uma época em que a vida perfeita pode ser cuidadosamente produzida para as redes sociais.

Nos Estados Unidos, o livro alcançou a expressiva marca de aproximadamente 1,4 milhão de cópias vendidas em apenas cinco meses. A obra também conquistou espaço entre os principais rankings literários, incluindo a lista de best-sellers do The New York Times e o BookTok Charts, ranking oficial do TikTok dedicado aos livros. A tradução brasileira é de Anna Castro. Com humor ácido, reviravoltas e uma boa dose de crítica social, Caro Claire Burke mira a cultura das influenciadoras digitais e, especialmente, o movimento tradwife, formado por mulheres que defendem um modelo de vida baseado em papéis tradicionais de gênero. 

A autora coloca essa idealização diante de uma realidade bem mais áspera ao transportar sua protagonista para o ano de 1855. O sucesso chamou a atenção de Hollywood antes mesmo da publicação brasileira. A Amazon MGM Studios adquiriu os direitos para uma adaptação cinematográfica após uma disputa entre estúdios. Anne Hathaway está confirmada como protagonista e também como produtora do filme. Compre o livro “Bons Tempos: Yesteryear”, de Caro Claire Burke, neste link.


Da vida perfeita nas redes sociais ao passado
A protagonista Natalie construiu uma imagem cuidadosamente planejada nas redes sociais. Milhões de seguidores acompanham sua rotina em uma fazenda aparentemente idílica, cercada por filhos, um marido que parece ter saído de um catálogo e uma vida guiada pela fé. Por trás das fotografias perfeitas, porém, existe uma verdadeira operação de bastidores. A casa conta com equipamentos modernos escondidos, a rotina é sustentada por funcionários e até o marido de Natalie participa da encenação de uma vida que parece perfeita. Tudo muda quando ela desperta em 1855.

Sem eletricidade, eletrodomésticos, equipe de produção ou qualquer das facilidades que ajudavam a construir sua persona digital, Natalie precisa enfrentar uma realidade que até então romantizava. Carregar lenha, lavar roupas à mão, lidar com crianças sujas e trabalhar fisicamente fazem parte de uma rotina que pouco combina com as imagens cuidadosamente produzidas para seus seguidores. O marido também mudou. O homem que antes funcionava como um acessório bonito na composição da família perfeita agora é um fazendeiro rústico e muito mais próximo da realidade daquele período.

Enquanto tenta entender o que aconteceu, Natalie começa a levantar hipóteses. Estaria participando de um reality show? Teria viajado no tempo? Seria tudo uma espécie de teste divino? Ou haveria algo ainda mais sombrio por trás daquela experiência? A situação coloca a personagem diante da própria farsa e transforma em pesadelo a vida que ela passou anos vendendo como ideal. Com uma narrativa que combina sátira, suspense e humor, “Bons Tempos: Yesteryear” aborda temas como tradição, fama, fé, feminilidade, exposição nas redes sociais e a construção de identidades cuidadosamente editadas para o público. Garanta o seu exemplar de “Bons Tempos: Yesteryear”, de Caro Claire Burke, neste link.

.: "Lady Macbeth: Um Ensaio Sobre o Poder" desloca o olhar de Shakespeare


Espetáculo protagonizado por Aretha Sadick transforma a personagem de William Shakespeare em ponto de partida para discutir poder, raça, desejo, violência e os caminhos percorridos por quem decide conquistar um lugar de comando. Foto: Cacá Bernardes | Bruta Flor Filmes


A atriz Aretha Sadick protagoniza "Lady Macbeth: Um Ensaio Sobre o Poder", espetáculo que revisita uma das personagens mais marcantes de William Shakespeare a partir de uma perspectiva contemporânea. Com direção cênica e de movimento de Tainara Cerqueira e tradução e adaptação de Rodrigo França, a montagem estreia no Sesc Ipiranga nesta sexta-feira, 21 de agosto, e segue em cartaz até 13 de setembro de 2026. A pergunta que conduz a peça é direta: o que uma pessoa está disposta a fazer para chegar ao poder? E, depois de conquistar aquilo que tanto desejou, o que acontece?

Em "Macbeth", tragédia escrita por Shakespeare, a ambição pelo trono desencadeia uma sequência de assassinatos que conduz o casal protagonista à ruína. Lady Macbeth tem papel fundamental nesse percurso. É ela quem transforma a possibilidade anunciada pelas profecias em estratégia e incentiva o marido a ultrapassar o limite entre desejar a coroa e agir para conquistá-la. "Lady Macbeth: Um Ensaio Sobre o Poder" coloca essa mulher no centro da narrativa. A montagem parte de monólogos fundamentais da personagem para investigar os mecanismos da ambição e as relações entre desejo e poder. O texto preserva trechos essenciais da obra original e incorpora reflexões filosóficas e sociológicas propostas por Rodrigo França.

Macbeth não aparece fisicamente em cena. Sua presença surge como um espectro com quem Lady Macbeth estabelece diálogo. A partir da carta enviada pelo marido, ela começa a elaborar o discurso que pretende usar para convencê-lo a assassinar o rei Duncan. As bruxas também ganham outra configuração: são interpretadas pela própria Aretha Sadick e aparecem logo no início da montagem. A dramaturgia está dividida em cinco atos e uma cena final, acompanhando Lady Macbeth desde a preparação do crime até o momento posterior à conquista da coroa.


O poder começa no corpo
A encenação começa em uma situação íntima: Lady Macbeth toma banho. Banheira, espelho e escada formam o espaço em que a personagem constrói, aos poucos, a própria estratégia. A escada acompanha essa transformação e ganha diferentes sentidos ao longo do espetáculo, relacionada à ascensão ao trono e também à presença de Macbeth. O ambiente íntimo se converte gradualmente em espaço de disputa, fazendo com que o percurso da personagem passe pelo desejo, pela estratégia, pelo crime e pela tentativa de sustentar o poder conquistado.

Em uma das passagens mais marcantes, Lady Macbeth modifica a própria aparência diante do público. Aretha Sadick aplica maquiagem branca no rosto e no corpo e coloca uma peruca loira. A transformação estabelece diálogo com a trajetória de Chica da Silva e com as reflexões de Frantz Fanon sobre assimilação e os mecanismos de construção de uma aparência associada à branquitude como estratégia de acesso a espaços de poder.

A presença de uma atriz negra no papel também amplia a leitura da personagem. A ambição de Lady Macbeth passa a dialogar com outra questão: o que significa desejar um lugar de poder em uma estrutura historicamente marcada pela exclusão de determinados corpos? Tainara Cerqueira, cuja pesquisa envolve dança e corpos negros em cena, trabalha a transformação física da personagem em parceria com Aretha. O corpo acompanha as mudanças internas de Lady Macbeth e faz do poder uma experiência concreta, física e teatral.


Figurino acompanha a ascensão
O figurino de Luiz Claudio Silva também participa da transformação. A personagem passa por três momentos principais: começa com uma peça preta de caráter íntimo, passa para um vestido azul quando se prepara para assumir a condição de rainha e chega à alfaiataria depois de conquistar o lugar que perseguia. O azul, historicamente relacionado à realeza e à ideia de "sangue azul", amplia a reflexão sobre a construção cultural da distinção e do poder.

A trilha sonora original de Dani Nega acompanha as diferentes fases da narrativa. Em alguns momentos, conduz os movimentos da atriz; em outros, permanece como uma camada sonora sobre os monólogos. Na iluminação de Carol Gracindo, a montagem aposta em uma lógica cinematográfica, com mudanças sutis e permanências prolongadas em determinados estados de luz. A escolha cria um ritmo próprio para o espetáculo e convida o público a observar as transformações da personagem sem a pressa característica das imagens contemporâneas.

Depois de conquistar a coroa, Lady Macbeth encontra seu principal ponto de virada. Até então, sua trajetória esteve ligada à falta e ao desejo de chegar ao poder. Quando finalmente alcança o objetivo, surge uma nova questão: o que fazer com aquilo que conquistou? A pergunta que acompanha a personagem desde o início retorna transformada. Depois de fazer tudo para chegar ao poder, qual é o preço de permanecer nele?


Sobre Aretha Sadick
Aretha Sadick é atriz e participou, em 2024, das séries "Reencarne" (Rede Globo), "Cidade de Deus" (MAX) e "Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente" (MAX). Foi protagonista dos curtas-metragens "A Lama da Mãe Morta" e "Se Eu Tô Aqui é por Mistério", ambos de 2023. Também atuou na série infantil "A Caverna de Petra" (Canal Futura/Globoplay) e participou das séries "Me Chame de Bruna" (FOX) e "Os Ausentes" (MAX).

No teatro, interpretou Macunaíma em "Ópera Tupi" (2019), foi co-protagonista de "Jorge Para Sempre Verão" (2022), integrou o elenco de "AQUI - elevado a 1 trilhão" (2024) e participou do espetáculo "Avenida Paulista - da Consolação ao Paraíso", dirigido por Felipe Hirsch. Em 2026, protagoniza no cinema os filmes "Baricentro", dirigido por Raphael Gustavo e Rochelle Silva, da É Nois Kita Produções, e "Superketa", com direção de Gustavo Vinagre. Agora, estreia no teatro como protagonista de "Lady Macbeth: Um Ensaio Sobre o Poder".


Ficha técnica
Peça teatral "Lady Macbeth: Um Ensaio Sobre o Poder"
A partir da obra de William Shakespeare
Tradução e adaptação: Rodrigo França
Direção cênica e direção de movimento: Tainara Cerqueira
Assistente de direção: Priscila Borges
Atuação e concepção cenográfica: Aretha Sadick
Trilha sonora original: Dani Nega
Iluminação: Carol Gracindo
Figurino e adereços: Luiz Claudio Silva
Visagista: Rosa Di Carlo
Técnico de luz: Givva
Produção e gestão cultural: Dani Correia, Gabi Correia, Rachel Brumana e Veni Barbosa
Associação: SÙ de Cultura e Educação
Direção de produção: Sadick Produções


Serviço
Peça teatral "Lady Macbeth: Um Ensaio Sobre o Poder"
Sesc Ipiranga | R. Bom Pastor, 822 – Ipiranga / São Paulo
De 21 de agosto a 13 de setembro de 2026
Sextas, às 21h00. Sábados e domingos, às 18h30.
Valores: R$ 50 (inteira) / R$ 25 (meia) / R$ 15 (Credencial Plena)
Compra on-line pelo aplicativo e presencial.
Duração: 60 minutos.
Classificação: 16 anos.

.: Livro traz análise inédita e desmonta o mito do desenvolvimentismo de JK


“Juscelino: Uma Crítica ao Desenvolvimentismo”, de Antônio Claret Jr. e Lucas Berlanza, reexamina as escolhas econômicas e políticas do ex-presidente e provoca uma discussão sobre inflação, endividamento e dependência estatal. Fotos: divulgação  


Às vésperas dos 50 anos da morte de Juscelino Kubitschek, em 22 de agosto, o ex-presidente volta ao centro do debate com uma obra que propõe olhar para seu legado por uma perspectiva menos celebratória. Em “Juscelino: Uma Crítica ao Desenvolvimentismo”, publicado pela LVM Editora, Antônio Claret Jr. e Lucas Berlanza revisitam a trajetória política de JK e colocam em discussão os custos econômicos e institucionais associados ao modelo que marcou seu governo. Conhecido pelo slogan “50 anos em 5”, pela construção de Brasília e pela expansão da indústria automobilística, Juscelino se tornou uma das figuras mais emblemáticas da política brasileira. A imagem de um presidente associado ao crescimento, à modernização e ao otimismo nacional é retomada pelos autores, que ampliam o foco para as consequências de longo prazo de suas escolhas.

Em vez de seguir o caminho de uma biografia convencional, o livro examina o desenvolvimentismo praticado por JK desde suas experiências à frente da Prefeitura de Belo Horizonte e do Governo de Minas Gerais até a Presidência da República. O modelo tinha como pilares a forte participação do Estado, os grandes investimentos públicos e a atração de capital estrangeiro como instrumentos para acelerar a industrialização brasileira. O Plano de Metas concentrou esforços em áreas consideradas estratégicas, como energia, transportes, alimentação, indústria de base e educação. Brasília, incorporada posteriormente ao programa, tornou-se a chamada “meta-síntese” de um governo que pretendia transformar rapidamente a estrutura econômica do país.

Os resultados foram expressivos. A economia brasileira registrou crescimento médio superior a 7% ao ano durante o período, enquanto a indústria avançou e a implantação das montadoras fortaleceu uma cadeia de fornecedores, criou empregos e ampliou a circulação de conhecimento técnico. Para Antônio Claret Jr. e Lucas Berlanza, porém, os avanços precisam ser analisados junto aos efeitos produzidos pelo modelo. A atuação do Estado na definição de setores estratégicos, na concessão de incentivos e na proteção de determinadas atividades teria contribuído para consolidar uma relação de dependência entre empresas e poder público. “Juscelino tinha uma combinação rara de carisma, habilidade política e capacidade de transmitir confiança. Seu governo ficou associado à ideia de que o Brasil estava deixando para trás o atraso e entrando em uma fase de crescimento”, afirmam os autores.

O livro também coloca sob análise o aumento dos gastos públicos, o endividamento externo e a pressão inflacionária durante o período. Dados históricos do CPDOC apontam que a inflação média anual passou de 13,5%, entre 1948 e 1955, para 22,4% durante o governo JK. Parte dos investimentos, segundo a obra, foi viabilizada por operações externas de curto prazo e custo elevado. “Esse modelo produziu resultados importantes, como a expansão da infraestrutura e da indústria. Seria errado ignorar isso. Mas ele também fortaleceu uma cultura de dependência em relação ao Estado, estimulando subsídios, protecionismo e uma relação muito próxima entre poder público e grupos econômicos”, afirma Claret Jr. Compre o livro "Juscelino: Uma Crítica ao Desenvolvimentismo" neste link.


Brasília concentra os contrastes do período
Inaugurada em 21 de abril de 1960, Brasília se transformou no grande símbolo do projeto de modernização de Juscelino. A nova capital representou uma mudança política, arquitetônica e urbanística, além de reforçar a proposta de interiorização do desenvolvimento brasileiro. Ao mesmo tempo, a construção consumiu recursos significativos em um país que ainda enfrentava dificuldades estruturais em setores como educação, saúde e saneamento. Para Lucas Berlanza, a capital sintetiza os ganhos e os dilemas do modelo desenvolvimentista.

“Brasília sintetiza a lógica das grandes obras, da forte presença estatal e do crescimento acelerado, mas com pouca preocupação com os custos fiscais e os efeitos de longo prazo”
, afirma. A leitura proposta pelos autores procura escapar de interpretações simplificadoras. Brasília aparece, assim, como demonstração da capacidade de realização daquele governo e, simultaneamente, como exemplo dos desafios econômicos envolvidos na estratégia adotada.

JK coloca o papel do Estado em discussão
Embora se debruce sobre decisões tomadas entre as décadas de 1940 e 1960, “Juscelino: Uma Crítica ao Desenvolvimentismo” busca estabelecer uma conexão direta com questões que continuam presentes no debate brasileiro: até onde deve ir a atuação do Estado na economia? Como financiar grandes investimentos? De que maneira combinar crescimento, responsabilidade fiscal, produtividade e participação privada?

“A experiência de JK mostra que é possível acelerar a economia por meio do gasto público e da expansão do investimento estatal. A questão é o que acontece depois. Quando esse crescimento vem acompanhado de inflação, endividamento e perda de eficiência, os custos aparecem mais cedo ou mais tarde”, afirmam Claret Jr. e Berlanza. A crítica apresentada no livro se concentra, portanto, na permanência de um modelo que atribui ao Estado a função de conduzir continuamente o crescimento econômico sem levar em conta, segundo os autores, limites fiscais, qualidade dos gastos, produtividade dos projetos e condições para a atuação do setor privado.


Os 50 anos da morte de Juscelino
Juscelino Kubitschek morreu em 22 de agosto de 1976, em um acidente na Rodovia Presidente Dutra. A aproximação do cinquentenário também reacende o debate sobre as circunstâncias de sua morte. Em 2014, a Comissão Nacional da Verdade afirmou não haver elementos materiais que apontassem para um homicídio. Em 2026, porém, um relatório da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos voltou a levantar a possibilidade de atentado.“Caso um dia haja uma conclusão definitiva sobre as circunstâncias da morte de JK, isso certamente terá impacto na compreensão de seus últimos anos e de sua relação com a ditadura militar. Mas não altera o debate sobre o legado político e econômico de seu governo”, afirmam os autores. Garante o seu exemplar de "Juscelino: Uma Crítica ao Desenvolvimentismo" neste link.

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