terça-feira, 1 de setembro de 2026

.: Musical "Percy Jackson - O Ladrão de Raios" promete superprodução


Musical inspirado na obra de Rick Riordan estreia em outubro, em São Paulo, com centauro animatrônico, 60 figurinos, 3 toneladas de cenário e elenco que reúne João Lucas, Marianna Alexandre, Fernando Caruso e Caio Paduan

Prepare os deuses, os semideuses e principalmente os fãs de Percy Jackson. O universo criado pelo escritor Rick Riordan ganha a primeira montagem autorizada na América Latina com "Percy Jackson - O Ladrão de Raios: O Musical", que estreia no dia 10 de outubro, no Teatro Liberdade, em São Paulo. Sucesso nos palcos da Broadway e do West End, o espetáculo combina mitologia grega, humor, rock e aventura para contar a história de Percy, adolescente que descobre ser filho de Poseidon e, de quebra, recebe a pequena tarefa de impedir uma guerra entre os deuses do Olimpo. Nada muito complicado para quem ainda está tentando sobreviver à adolescência. 

O elenco brasileiro reúne João Lucas como Percy Jackson, Marianna Alexandre no papel de Annabeth Chase, Fernando Caruso como Sr. D e Caio Paduan interpretando Poseidon. A direção-geral é de Daniel Salve e a direção musical, de Rafael Marão. A versão brasileira chega pelas mãos da Lab Cultural, responsável pela adaptação e pela montagem oficial em português. A produção promete números robustos: são mais de três toneladas de cenário, 18 atores em cena, 60 figurinos e 15 perucas. E a mitologia ganha reforço tecnológico. Entre as atrações estão um centauro animatrônico criado e operado ao vivo, efeitos de ilusionismo desenvolvidos especialmente para a montagem e um sistema de projeção com 60 mil lumens de potência visual.

A história de Percy Jackson já conquistou leitores, espectadores e uma legião de fãs ao redor do mundo. A franquia também ganhou novo fôlego com a série do Disney+, cuja segunda temporada estreou no fim de 2025. O Brasil, por sua vez, ocupa a segunda posição entre as maiores bases de fãs da saga. Nos palcos, a aventura começou nos Estados Unidos em 2014, em uma produção off-Broadway. Em 2017, o musical chegou à Broadway, recebeu elogios da crítica e foi indicado ao Drama Desk Award. Em 2024, a produção desembarcou no West End, em Londres, onde também conquistou a crítica e passou a integrar uma turnê internacional.

Adaptado do best-seller de Rick Riordan por Joe Tracz, roteirista de Be More Chill, o musical conta ainda com uma trilha de rock assinada por Rob Rokicki. O resultado coloca deuses, monstros e adolescentes em uma mesma equação — combinação que, convenhamos, dificilmente poderia terminar em paz. "Poucas histórias conseguem unir de forma tão poderosa o imaginário dos livros, a emoção das telas e a energia do palco. Percy Jackson faz isso com verdade e sensibilidade — despertando o desejo por conhecimento, imaginação e pertencimento. Ver essa jornada chegar aos palcos brasileiros é celebrar o poder da arte de emocionar, formar e conectar gerações", afirma José Toro, CEO da Lab Cultural.

Com direção-geral de Daniel Salve, "Percy Jackson - O Ladrão de Raios: O Musical" chega a São Paulo apresentado pelo Ministério da Cultura e pela Bradesco Seguros, com patrocínio master da farmacêutica EMS, apoio da BOSCH e Rio Branco, GOL como companhia aérea oficial e Apê Smart como hotelaria oficial. A produção também conta com apoio de mídia de Omelete, Terra, Uol, Cena Musical, ASR Mídia, Zanzar e Editora Intrínseca. Compre os livros de Rick Riordan neste link.


Serviço
"Percy Jackson - O Ladrão de Raios: O Musical"
Local: Teatro Liberdade
Rua São Joaquim, nº 129 - Liberdade - São Paulo
Abertura da casa: 1 hora antes do início do evento
Data: a partir de 10 de outubro de 2026
Duração: 2 horas
Classificação: livre
Ingressos on-line pelo site oficial de vendas. Ingressos físicos na bilheteria do Teatro Liberdade serão vendidos de terça a sábado, das 13h00 às 19h00. Domingos e feriados, apenas em dias de espetáculo, das 13h00 até o início da apresentação. Em dias de espetáculos, a bilheteria permanece aberta até o início da apresentação.

.: No teatro J. Safra, "Os Perrengues do Mallandro" leva histórias inéditas


Sérgio Mallandro revisita situações inusitadas da carreira e do cotidiano em espetáculo de stand-up que acontece no dia 12 de setembro, em São Paulo

Sérgio Mallandro sabe que uma boa história, quando cai nas mãos certas, pode virar gargalhada. Em "Os Perrengues do Mallandro", o humorista reúne relatos inéditos e situações curiosas da própria trajetória para transformar carreira, cotidiano e alguns perrengues em matéria-prima para o humor. Conhecido por bordões que atravessaram gerações, ele chega ao Teatro J. Safra disposto a mostrar que ainda tem muita história para contar. E quem conhece o personagem sabe: provavelmente alguma delas envolve uma pegadinha.

A popularidade do humorista ganhou força nos anos 1980, quando ele integrou o elenco de "Show de Calouros". Depois, assumiu o comando de programas infantis que fizeram história, entre eles "Oradukapeta", atração que apresentou o impagável quadro "Porta dos Desesperados". No cinema, Sérgio Mallandro também deixou sua marca. Ele estrelou "Lua de Cristal" (1990), ao lado de Xuxa Meneghel, e "Inspetor Faustão e o Mallandro" (1991). A trajetória inclui ainda as famosas pegadinhas e um estilo acelerado que se tornou sua assinatura.

Agora, nos palcos, o humorista conversa com uma nova geração por meio do stand-up comedy e também do trabalho como podcaster. Em "Os Perrengues do Mallandro", ele revisita episódios da carreira e do dia a dia para compartilhar com o público os bastidores geralmente bem-humorados de uma vida dedicada ao entretenimento.


Serviço
"Os Perrengues do Mallandro", com Sérgio Mallandro
Data: 12 de setembro, sábado, às 20h00
Duração: 80 minutos
Gênero: stand-up comedy
Classificação: 14 anos
Ingressos: a partir de R$ 60
Compras on-line: Teatro J. Safra – ingressos para "Os Perrengues do Mallandro"
Bilheteria: quartas e quintas: das 14h00 às 21h00. Sextas, sábados e domingos: das 14h00 até o horário dos espetáculos
A bilheteria aceita cartões de débito e crédito Amex, Dinners, Elo, Mastercard, Visa e Hipercard. Não aceita cheques.
Telefone: (11) 3611-3042

Teatro J. Safra
Capacidade: 627 lugares
Endereço: Rua Josef Kryss, 318 – Barra Funda – São Paulo (SP)
Telefones: (11) 3611-3042 e (11) 3611-2561
A casa abre duas horas antes de cada espetáculo, com serviço de lounge-bar no saguão do teatro.
Acessibilidade: para pessoas com deficiência física
Estacionamento: Valet Service, no estacionamento próprio do teatro – R$ 30

.: "O Tardio" leva Maurício Melo Júnior à Bienal com viagem pelo Brasil de 1970


Quarto romance do escritor transforma uma busca familiar em uma jornada por memória, contracultura e liberdade durante a ditadura militar


O escritor Maurício Melo Júnior participa da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo com "O Tardio", quarto romance da trajetória dele, publicado pela Editora Rua do Sabão. O autor estará no estande da Martins Fontes, junto à editora, em 4 de setembro, às 18h30, para uma sessão de autógrafos. Ambientado no Brasil dos anos 1970, durante o período mais duro da ditadura militar, o romance acompanha Sérgio, um advogado pernambucano cuja vida previsível sofre uma reviravolta depois da morte de um parente.

O acontecimento faz reaparecer uma história familiar pouco comentada: a de Roberto, irmão mais velho de Sérgio, morto anos antes. O passado que parecia convenientemente arquivado começa a ganhar novas páginas quando Sérgio encontra cartões-postais escritos pelo irmão durante suas viagens. É por meio dessas mensagens que ele decide refazer os caminhos de Roberto. No final dos anos 1970, o personagem havia deixado a casa dos pais e escolhido uma vida distante dos padrões familiares, tornando-se hippie ao lado de Caliandra.

A investigação leva Sérgio por diferentes regiões brasileiras e transforma a procura pelo irmão em uma jornada de descobertas. Conforme passado e presente se aproximam, o protagonista passa a rever escolhas, desejos e certezas que pareciam tão sólidas quanto uma repartição pública numa segunda-feira de manhã. "O Tardio" combina memória familiar e contexto histórico para acompanhar uma geração que buscava novas formas de viver em um país submetido à repressão. A viagem de Sérgio também se transforma numa reflexão sobre liberdade, pertencimento e as consequências das escolhas feitas — ou adiadas. Compre o livro "O Tardio", de Maurício Melo Júnior, neste link.


Sobre o autor
Maurício Melo Júnior
é escritor, jornalista, crítico literário e documentarista. Pernambucano radicado em Brasília, formou-se em Comunicação Social e possui pós-graduação em Economia e Ciência Política. Atuou em veículos como o "Correio Braziliense" e há 25 anos apresenta o programa "Leituras", da TV Senado. Também assina resenhas literárias para o jornal "Rascunho" e é colaborador da revista literária "Pernambuco". É autor de romances, contos, crônicas e livros infantojuvenis. Ao todo, já escreveu 35 livros. Como documentarista, dirigiu mais de 20 filmes e também escreveu para o teatro. Compre os livros de Maurício Melo Júnior neste link.


Serviço
Maurício Melo Júnior na 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Dia 4 de setembro de 2026, sexta-feira, às 18h30
Estande da Martins Fontes, com a Editora Rua do Sabão - F88
Distrito Anhembi - Pavilhão de Exposições
Av. Olavo Fontoura, 1209 - Santana / São Paulo

.: "Dias de Trovão" acelera em sequência com Tom Cruise e Anne Hathaway


Produção que resgata Cole Trickle quase quatro décadas depois do filme de 1990 será dirigida por Jonathan Levine e terá cenas pensadas para IMAX

Quase quatro décadas depois de colocar Tom Cruise atrás do volante de um carro da Nascar, o filme "Dias de Trovão" está pronto para voltar às pistas. A Paramount confirmou oficialmente a sequência do filme de 1990, novamente com Cruise no papel de Cole Trickle e Anne Hathaway como a nova protagonista feminina. A estreia está prevista para 2 de junho de 2028. 

A produção terá direção de Jonathan Levine, responsável por "Meu Namorado é um Zumbi" e "Casal Improvável". Cruise também assume a produção ao lado de Jerry Bruckheimer e Tommy Harper. Bruckheimer, aliás, retorna à franquia décadas depois de participar do primeiro filme e reforça a ligação com a trajetória cinematográfica do astro.

Ainda cercada por mistério, a trama terá Hathaway como uma engenheira e proprietária de uma equipe de corrida. A personagem será uma novidade no universo de Cole, que volta às pistas depois de uma longa pausa. Os detalhes do roteiro permanecem guardados a sete chaves, mas a combinação de um piloto veterano e uma mulher que comanda uma equipe promete mudar a dinâmica da história original.


De volta à velocidade
No filme de 1990, Cruise interpreta Cole Trickle, jovem piloto talentoso, impulsivo e bastante convencido de que nasceu para vencer. Ele recebe a oportunidade de competir na principal categoria da Nascar e passa a contar com a experiência de Harry Hogge, vivido por Robert Duvall, para transformar velocidade e arrogância em habilidade de verdade.

A grande rivalidade acontece com Rowdy Burns, personagem de Michael Rooker. Depois de um grave acidente envolvendo os dois pilotos, Cole precisa lidar com o medo de voltar a correr e encontra apoio na neurocirurgiã Claire Lewicki, interpretada por Nicole Kidman. O romance entre os personagens divide espaço com corridas, egos inflados e uma boa dose de adrenalina.

A história culmina na tradicional Daytona 500, quando Cole precisa provar que amadureceu e enfrentar um novo adversário nas pistas. A fórmula pode até parecer familiar, mas a mistura de automobilismo, romance, rivalidade e o magnetismo de Cruise ajudou "Dias de Trovão" a conquistar seu espaço entre os filmes cult ligados às corridas.


Uma produção que saiu do controle
O primeiro "Dias de Trovão" também ficou conhecido pelo tamanho da operação nos bastidores. As filmagens começaram em 1989 e passaram por diferentes autódromos utilizados pela Nascar. Para conseguir imagens mais realistas, a equipe espalhou câmeras pelas pistas e chegou a colocar carros da produção em corridas reais. Dezenas de veículos foram utilizados e destruídos durante o processo.

Os problemas de produção fizeram o orçamento subir consideravelmente. A estimativa inicial de aproximadamente US$ 35 milhões teria chegado a algo próximo de US$ 60 milhões, em meio a atrasos, refilmagens e mudanças constantes no roteiro. Apesar das críticas pouco entusiasmadas na época, o filme conseguiu uma respeitável carreira comercial. Foram cerca de US$ 157,9 milhões arrecadados mundialmente, diante de um orçamento estimado em US$ 60 milhões. Com o passar dos anos, a produção ganhou status cult, especialmente entre admiradores de automobilismo e fãs de Cruise.


O romance que atravessou as pistas
"Dias de Trovão" ainda tem um capítulo particularmente curioso na história de Hollywood. Foi durante as filmagens que Tom Cruise e Nicole Kidman se conheceram. Os dois começaram um relacionamento, casaram-se em dezembro de 1990 e permaneceram juntos até 2001. Kidman, então no início da carreira internacional, interpretou Claire Lewicki e voltaria a dividir o elenco com Cruise em "Um Sonho Distante" e "De Olhos Bem Fechados". Ou seja: além de acelerar carros, "Dias de Trovão" também colocou em movimento um dos casamentos mais conhecidos de Hollywood nos anos 1990.

A escolha de Anne Hathaway, porém, já provocou uma reação nada discreta. Randy Quaid, que integrou o elenco do filme original, criticou publicamente a escalação da atriz e afirmou que Nicole Kidman seria uma escolha mais adequada para contracenar com Cruise na sequência. Em declaração publicada nas redes sociais, Quaid atacou o perfil político de Hathaway e associou a atriz ao movimento "woke", alegando que ela não corresponderia ao público ligado a "Dias de Trovão" e à Nascar. 

O comentário também defendeu um eventual retorno de Kidman à franquia. A opinião do ator, naturalmente, está longe de representar uma decisão oficial da produção. Hathaway já está confirmada no elenco, enquanto Kidman não foi anunciada para a sequência.


Nostalgia monetizada
A estratégia da Paramount lembra uma receita que já deu muito certo para Tom Cruise. Depois de décadas, "Top Gun: Maverick" mostrou que uma continuação tardia pode transformar nostalgia em fenômeno cinematográfico. Agora, "Dias de Trovão" tenta repetir a dose, trocando os caças por carros de corrida.

A nova produção será filmada para IMAX e também está prevista para formatos como Dolby Cinema e 4DX. A ideia é transformar as corridas em um espetáculo de grande escala e colocar o público novamente ao lado de Cole Trickle, agora diante de uma Nascar bastante diferente daquela que encontrou em 1990.

.: "Teatro em Três Pernas" transforma 40 anos de palco em poesia na Bienal


Marcelo Lazzaratto reúne quatro décadas de teatro em 40 poemas e participa de sessão de autógrafos neste sábado, 5 de setembro, na 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Foto: João Caldas

Quarenta anos de teatro cabem em um livro? Marcelo Lazzaratto decidiu testar a possibilidade e chegou a uma resposta em 40 poemas breves. Ator, diretor, dramaturgo, pesquisador e professor Livre-Docente do Instituto de Artes da Unicamp, ele estreia na poesia com "Teatro em Três Pernas", publicado pela Editora Patuá. A obra será apresentada ao público durante a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, com sessão de autógrafos marcada para sábado, 5 de setembro, às 14h00, no estande K45 da Editora Patuá.

Organizado em cinco atos, o livro transforma em poesia elementos que acompanham a trajetória de Lazzaratto nos palcos: ensaios, bastidores, processos de criação, pesquisa, presença, tempo e percepção. O teatro aparece como matéria-prima, mas a palavra ganha espaço próprio. Fundador e diretor artístico da Cia. Elevador de Teatro Panorâmico e criador do sistema improvisacional Campo de Visão, Lazzaratto leva para os poemas o olhar construído em quatro décadas de convivência com a cena. A síntese também aproxima a obra da tradição do haicai, com atenção ao instante e à força da imagem. 

O resultado é um livro que condensa uma extensa experiência artística em textos curtos, alguns poéticos, outros bem-humorados, mantendo a inquietação característica de quem passou boa parte da vida investigando o que acontece quando um corpo ocupa um palco e uma palavra encontra alguém disposto a ouvi-la. A apresentação de "Teatro em Três Pernas" é assinada por Welington Andrade, editor da Revista Cult e crítico teatral. Ele estará ao lado do autor durante um bate-papo na data do lançamento. Compre o livro "Teatro em Três Pernas", de Marcelo Lazzaratto, neste link.


Sobre o autor
Marcelo Lazzaratto é ator, diretor, dramaturgo, pesquisador e professor Livre-Docente do Instituto de Artes da Unicamp. Fundador e diretor artístico da Cia. Elevador de Teatro Panorâmico, criou o sistema improvisacional Campo de Visão, referência na pesquisa sobre coralidade, alteridade e presença cênica. Ao longo de quatro décadas de carreira, dirigiu e atuou em espetáculos como "O Jardim das Cerejeiras", "Ricardo III", "A Grande Magia", "Tebas", "Ifigênia" e "O Outro Borges". É autor dos livros "Campo de Visão: Exercício e Linguagem Cênica", "Campo de Visão: um Exercício de Alteridade" e "Arqueologia de um Ator. "Teatro em Três Pernas" marca sua estreia na poesia. Compre os livros de Marcelo Lazzaratto neste link.

Serviço
Sessão de autógrafos | "Teatro em Três Pernas" | Autor: Marcelo Lazzaratto
Dia 5 de setembro de 2026, sábado, às 14h00
28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Estande: K45 – Editora Patuá
Endereço: Distrito Anhembi – Avenida Olavo Fontoura, 1209 – Santana – São Paulo/SP

.: Teatro: “O Convite” ganha montagem brasileira após sucesso no cinema


Peça espanhola que conquistou o público nos palcos e virou filme de sucesso chega ao teatro brasileiro pelas mãos de Marcos Veras e do produtor Carlos Grun. Fotos: divulgação


Do cinema para os palcos brasileiros. Depois de conquistar o público em diferentes versões e ganhar uma adaptação cinematográfica de sucesso, “O Convite” prepara a primeira montagem brasileira da peça espanhola “Los Vecinos de Arriba”. Os direitos da obra foram adquiridos pelo ator Marcos Veras em parceria com o produtor Carlos Grun, que conheceu o texto no início deste ano, durante uma temporada em Portugal com Mateus Solano. Na ocasião, a versão teatral ainda não havia chegado ao cinema.

Meses depois, Veras se apaixonou pela adaptação cinematográfica e procurou o sócio para propor a montagem brasileira. A surpresa veio quando descobriu que Grun já estava em negociação pelos direitos da peça.  A estreia está prevista para abril de 2027, no Rio de Janeiro, com Marcos Veras no elenco. Os demais nomes da montagem serão anunciados em breve. O título da versão brasileira ainda será definido. Uma coisa, porém, já está decidida: depois de passar pelo cinema, “O Convite” vai bater à porta do teatro brasileiro.


“O Convite” transforma jantar entre vizinhos em crise de relacionamento
Joe (Seth Rogen) e Angela (Olivia Wilde) estão naquele estágio do relacionamento em que o casamento parece precisar de uma boa sacudida. A rotina pesa, a relação dá sinais de desgaste e um simples jantar com os vizinhos do andar de cima parece uma boa ideia. Em “O Convite”, dirigido por Olivia Wilde, a chegada de Hawk (Edward Norton) e Piña (Penélope Cruz) transforma uma noite aparentemente civilizada em uma sucessão de revelações, constrangimentos e provocações. 

O casal convidado tem um estilo de vida bem menos convencional do que Joe e Angela imaginavam, e a conversa sobre relacionamentos, desejos e sexualidade rapidamente sai do território seguro do bate-papo entre vizinhos. Com roteiro de Rashida Jones e Will McCormack, o filme aposta em quatro personagens confinados praticamente ao mesmo espaço para fazer a temperatura subir aos poucos. O apartamento vira uma espécie de arena doméstica, onde cada taça, pergunta indiscreta ou comentário inconveniente pode colocar um casamento em xeque.

A estrutura aproxima “O Convite” do teatro, algo especialmente curioso agora que a obra também ganha uma montagem brasileira. Com poucos personagens, um único ambiente predominante e diálogos que conduzem boa parte da ação, o filme deixa os atores no centro da brincadeira. No meio de coquetéis, confissões e uma boa dose de vergonha alheia, a produção encontra espaço para falar sobre aquilo que costuma azedar relações duradouras: rotina, desejo, insegurança, ego e a dificuldade de enxergar o parceiro depois de tantos anos dividindo a mesma vida.

.: "Egoísta" leva mulher negra, viagens e liberdade ao palco da CAIXA Cultural SP


Espetáculo protagonizado por Ana Marlene transforma a história real da cearense Josefa Feitosa em uma conversa sobre maternidade, etarismo e o direito de escolher o próprio caminho

Mochileira, viajante, passageira do mundo. É assim que Josefa Feitosa, ou simplesmente Jô, se apresenta. Aos 64 anos, a cearense de Juazeiro do Norte já passou por mais de 60 países e decidiu fazer da própria vida uma espécie de mapa sem residência fixa. Agora, sua história ganha o palco em "Egoísta", espetáculo idealizado e dirigido por Juracy de Oliveira, com Ana Marlene no papel de Jô. A produção da Peixe-Mulher estreia em São Paulo com temporada de 3 a 13 de setembro, de quinta a domingo, na CAIXA Cultural São Paulo. Depois, segue para a CAIXA Cultural Fortaleza.

A peça parte da trajetória de uma mulher negra que resolveu contrariar o roteiro social reservado à terceira idade. Depois da aposentadoria, Jô colocou a mochila nas costas e saiu pelo mundo. Nada de recolhimento doméstico, rotina engessada ou obrigação de dedicar os dias aos netos. Para ela, a vida continua acontecendo enquanto houver caminho pela frente. "Egoísta" acompanha lembranças da infância, experiências de viagem e episódios da trajetória de Jô, aproximando essas memórias de temas como maternidade e etarismo. A relação com o público também faz parte da proposta, criando um espaço para que a história pessoal da personagem encontre outras experiências.

A montagem ainda oferece atividades complementares durante a temporada paulistana. No dia 5 de setembro, Jô ministra a oficina "A Fantástica Experiência de Viajar Sozinha", voltada para mulheres a partir de 50 anos. A partir da própria experiência como nômade, ela aborda questões práticas das viagens, como utilização de cartão de crédito, comunicação e orientação em diferentes lugares. As sessões dos dias 4 e 11 de setembro terão bate-papo com o público após a apresentação. Já as sessões dos dias 6 e 13 serão acessíveis ao público surdo, com intérprete de Libras.


De assistente social a cidadã do mundo
Jô nasceu em Juazeiro do Norte, é mãe, avó e assistente social por formação. Durante quase três décadas, trabalhou no sistema carcerário cearense, onde se dedicou à defesa dos Direitos Humanos. Também foi uma das responsáveis pela criação de alas exclusivas para pessoas trans no sistema prisional.

Fora do trabalho, criou sozinha três filhos e acompanhou a criação de um neto. A experiência fez com que a própria ideia de liberdade ganhasse contornos particulares. Para algumas mulheres, a maternidade solo também pode assumir a aparência de uma prisão. Depois de se aposentar, Jô decidiu viver como nômade. Passou um ano viajando e, quando retornou, doou tudo o que tinha. Dividiu o patrimônio, organizou a mochila e voltou para a estrada. Desde então, vive onde a mala está.

A tecnologia também entrou no roteiro durante os percursos. Hospedada em hostels e convivendo com viajantes mais jovens, aprendeu a utilizar aparelhos, redes sociais e ferramentas que facilitam a vida de quem não tem endereço fixo. Em troca, compartilhou com os novos amigos outras maneiras de olhar para o mundo. Hoje, suas viagens também podem ser acompanhadas pelas redes sociais, no perfil @joviajando.


Uma história que encontrou o teatro
A transformação da trajetória de Jô em espetáculo começou a partir do encontro dela com Juracy de Oliveira. O diretor conheceu a viajante por intermédio da irmã, que estava se tornando nômade. “Conhecer a Jô foi uma surpresa, a história de vida dela é inacreditável e por ter sido criado em uma família com uma maioria de mulheres, a coragem dela me atravessou, me fez lembrar das mulheres que são referência pra mim. Essa peça parte de um desejo genuíno de homenagear pessoas enquanto estão vivas, ainda que não sejam famosas”, explica Juracy, diretor do projeto.

A história também conquistou Ana Marlene. Com 46 anos de carreira, a atriz, fundadora da Trupe Caba de Chegar - primeiro grupo de teatro de rua de Fortaleza - encontrou em Jô uma personagem capaz de dialogar com sua própria trajetória. "A Jô me inspira. A história dela conta também uma parte da minha: uma mulher negra, que saiu de casa pra viver um sonho, que não teve medo de enfrentar o preconceito, não teve medo de ousar e se aventurar. Mesmo no alto dos seus 50, 60 anos, quando tudo o que a sociedade quer é que você se esconda, ela fez o contrário, apareceu mais ainda e pintou o cabelo de azul", conta a atriz.

"Egoísta" marca o primeiro solo de Ana Marlene, que recebeu indicação ao Prêmio Shell 2024 na categoria Melhor Atriz pela atuação. A produção já passou por mais de dez cidades brasileiras e teve duas temporadas no Rio de Janeiro. A primeira aconteceu em 2024, no Sesc Tijuca, com ingressos esgotados. Em maio de 2026, o espetáculo voltou ao estado e circulou pela capital e pelo interior, passando por seis cidades. Agora, chega a São Paulo com entrada gratuita. Para quem acredita que depois de certa idade o mundo deve ficar pequeno, Jô tem uma resposta prática: basta arrumar a mochila.


Ficha técnica
Espetáculo "Egoísta"
Direção e idealização: Juracy de Oliveira
Concepção dramatúrgica: Juracy de Oliveira e Sara Síntique
Texto: Sara Síntique
Elenco: Ana Marlene
Coordenação de Produção: Luana Caiubi
Coordenação de Comunicação: Renata Monte
Produção: Marisa Bezerra e Rodrigo Ferrera
Maquiagem: Rodrigo Ferrera
Figurino: Cris Rodrigues
Cenário: Li Coelho e Cris Rodrigues
Assistência de Direção: Alda Pessoa
Direção musical: Clau Aniz
Fotos: Matheus Tavares / Karla Brights
Redes sociais: Peixe-Mulher
Design: Lorena Araújo
Iluminação: Tayná Maciel
Realização: Peixe-Mulher

Serviço
"Egoísta"
Datas: 3, 4, 5, 6, 10, 11, 12 e 13 de setembro de 2026
Horário: quinta-feira a sábado, às 19h; domingo, às 18h
Local: CAIXA Cultural São Paulo — Praça da Sé, 111, São Paulo
Ingressos: gratuitos, distribuídos uma hora antes do início de cada apresentação, limitados a um por pessoa.
Duração: 60 minutos
Classificação indicativa: livre


segunda-feira, 31 de agosto de 2026

.: “Banquete Coutinho” devolve a palavra a Eduardo Coutinho e serve cinema puro


Documentário de Josafá Veloso parte de uma entrevista realizada em 2012 para revisitar a obra, as ideias e as inquietações de um dos maiores cineastas brasileiros

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

Eduardo Coutinho tinha talento para conversar e uma alergia saudável à pose de gênio. Em determinado momento de “Banquete Coutinho”, resume a própria existência com a secura bem-humorada de quem dispensava monumentos: “Eu fumo e faço uns filmes”. A frase parece pequena diante de uma filmografia que modificou a maneira de registrar pessoas comuns no cinema brasileiro. Talvez seja esse o charme. Coutinho sabia que uma câmera, uma cadeira e alguém disposto a contar a própria história podiam produzir terremotos.

Dirigido e roteirizado por Josafá Veloso, “Banquete Coutinho” chega à plataforma de streaming da Reserva Imovision, depois de percorrer festivais brasileiros e internacionais. Realizado a partir de um encontro filmado com Coutinho em 2012, dois anos antes da morte do cineasta, o documentário usa aquela conversa como espinha dorsal para passear por sua obra e por algumas obsessões que o acompanharam durante décadas: vida, morte, trabalho, cinema, ética, religião, relações de poder e o curioso território criado entre quem pergunta e quem aceita ser filmado. 

A provocação que move Veloso é boa: teria Eduardo Coutinho passado a carreira inteira realizando, de algum modo, o mesmo filme? A pergunta conduz um percurso que alcança títulos fundamentais como “Cabra Marcado para Morrer”, “Santo Forte”, “Babilônia 2000”, “Edifício Master”, “O Fim e o Princípio” e “Jogo de Cena”. A montagem de Eugenio Puppo e Gustavo Vasconcelos aproxima trechos dessas obras da entrevista de 2012 e permite perceber uma espécie de parentesco entre personagens, métodos e preocupações espalhados pela filmografia. A fotografia do novo material é de Ticão Okada, enquanto Veloso assina também a música.

O próprio Coutinho ocupa o centro da cena, posição curiosa para alguém que construiu boa parte da carreira olhando para os outros. A inversão rende sabor ao filme. O homem que perguntava passa a responder, embora continue escapando das certezas, desconfiando das teorias muito arrumadinhas e tratando o cinema com aquela mistura peculiar de rigor, humor e desencanto. Pela tela passam suas ideias sobre o ofício e fragmentos de uma trajetória que começou longe da imagem consagrada do mestre documentarista.

Antes de “Cabra Marcado para Morrer” se tornar um marco, Coutinho experimentou a ficção, trabalhou como roteirista, integrou o “Globo Repórter” e passou anos construindo uma linguagem documental baseada no encontro, no conflito e na singularidade de cada pessoa diante da câmera. “Cabra Marcado para Morrer”, iniciado como ficção em 1964 e interrompido após o golpe militar, seria retomado anos depois sob outra forma, misturando o material antigo ao reencontro com seus participantes. Lançado em 1984, recebeu, entre outros prêmios, o Fipresci no Festival de Berlim e tornou-se peça central de sua carreira.

Veloso ainda recupera uma curiosidade quase arqueológica: “Le Téléphone”, curta de 1959 realizado por Coutinho durante seus estudos no Institut des Hautes Études Cinématographiques, o IDHEC, na França. Esse retorno às primeiras experiências ajuda a desmontar a impressão de que o cineasta nasceu pronto, barba branca, cigarro na mão e perguntas afiadas. Houve ficção, televisão, roteiros para outros diretores, tropeços, mudanças de rota e muito trabalho antes da fase que consolidaria títulos como “Santo Forte”, “Edifício Master” e “Jogo de Cena”.

“Banquete Coutinho” foi o primeiro filme dirigido por Josafá Veloso, historiador formado pela USP, mestre pela Universidade Federal Fluminense e com estudos de documentário na Escuela Internacional de Cine y Televisión de San Antonio de los Baños, em Cuba. A estreia ocorreu em 2019, na abertura da oitava edição do Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba. Depois, o documentário passou pela Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, Festival do Rio, Doclisboa, Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano, CineOP, Cinecipó e forumdoc.bh, entre outros eventos.

A força da proposta aparece quando Coutinho simplesmente fala. A ironia seca, a inteligência quase impaciente e a capacidade de desmontar solenidades continuam vivas na gravação. Veloso dispõe esse material ao lado dos filmes e deixa que uma obra converse com outra. O resultado também sugere algo delicioso: talvez a pergunta sobre Coutinho ter realizado repetidamente “o mesmo filme” diga bastante sobre a coerência de um artista que passou décadas interessado no ser humano quando ele deixa de caber no estereótipo. O título “Banquete Coutinho” cai bem. Há muita coisa na mesa: memória, política, ética, religião, fracasso, vaidade, morte, trabalho e cinema. No centro dela está um sujeito que preferia conversar com gente a fabricar estátuas de si próprio. Para alguém que dizia fumar e fazer uns filmes, Eduardo Coutinho deixou uma tremenda quantidade de assunto.


Ficha técnica
“Banquete Coutinho” (título original) | “A Treat of Coutinho” (título internacional)
Gênero: documentário. Duração: 74 minutos. Classificação indicativa: 12 anos. Ano de produção: 2019. Data de lançamento: 5 de junho de 2019, no Brasil. Idioma: português. Direção e roteiro: Josafá Veloso. Elenco: Eduardo Coutinho. Produção: Eugenio Puppo. Direção de fotografia: Ticão Okada. Montagem: Eugenio Puppo e Gustavo Vasconcelos. Música: Josafá Veloso. Produção: Heco Produções. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


Assine a Reserva Imovision, a maior plataforma de filmes independentes da América Latina
A equipe do portal Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. Você pode assinar a plataforma de streaming Reserva Imovision neste link.

.: "Aventura de Férias" embaralha férias, memória e família sob o sol da Sardenha


Filme de Sophie Letourneur, destaque do Festival do Rio, acompanha viagem de uma família francesa pela Sardenha e chega ao Brasil pelo Belas Artes à La Carte

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

Destaque na programação do Festival do Rio 2025, "Aventura de Férias" chega ao Brasil pelo streaming Belas Artes À La Carte com uma proposta que parece simples até a família colocar o pé na estrada: passar as férias de verão na Sardenha. O problema é que férias em família raramente obedecem ao roteiro imaginado antes de fechar as malas. Dirigido por Sophie Letourneur, o filme acompanha Claudine, uma menina que está prestes a completar 11 anos e decide registrar as histórias da viagem enquanto percorre a ilha italiana de carro com a mãe, Sophie, o padrasto, Jean-Philippe, e o irmão caçula, Raoul, de três anos. Entre passeios, refeições, pequenas descobertas, discussões e as inevitáveis trapalhadas provocadas por uma criança que parece ter energia para abastecer uma cidade inteira, a viagem vai ganhando contornos muito menos turísticos.

Selecionado para a mostra Panorama Mundial do Festival do Rio, "Aventura de Férias" chamou atenção pela maneira como transforma o cotidiano familiar em matéria cinematográfica. O filme acompanha situações aparentemente banais e encontra nelas humor, desconforto, ternura e uma certa melancolia. A proposta está longe da comédia familiar convencional, aquela em que cada confusão precisa desembocar em uma lição edificante antes dos créditos finais. Nesse filme, a família pode discutir, perder a paciência, rir, irritar e continuar junta. Como acontece na vida real, para desespero de quem esperava uma viagem perfeitamente organizada.

A estrutura do filme tem uma particularidade saborosa: as conversas familiares são fundamentais para a construção da narrativa. Letourneur utiliza gravações realizadas durante viagens feitas em 2016 como matéria-prima para o projeto. Segundo informações divulgadas sobre a produção, ela registrou aquelas conversas sem saber exatamente, naquele momento, qual seria o destino do material. Anos depois, as gravações passaram a alimentar a escrita do filme.

O resultado cria uma curiosa mistura de ficção e experiência pessoal. As falas carregam uma naturalidade desconcertante, enquanto a encenação organiza aquilo que poderia parecer apenas um amontoado de lembranças de férias. A própria diretora já havia trabalhado com procedimento semelhante em "Voyages en Italie", de 2023, primeiro filme de uma trilogia dedicada aos relacionamentos e às viagens pela Itália. "A Aventura" é o segundo capítulo desse projeto.

E o título não é por acaso. "Aventura de Férias" faz uma referência direta a "L'Avventura", clássico de Michelangelo Antonioni lançado em 1960. A brincadeira já havia aparecido no filme anterior de Letourneur, "Voyages en Italie", uma alusão evidente a "Viagem à Itália", de Roberto Rossellini. O cinema italiano, portanto, está no retrovisor, embora a família de Letourneur esteja ocupada demais tentando sobreviver às férias para prestar muita atenção à cinefilia.

A comparação com Antonioni, porém, serve mais como provocação cinéfila do que como indicação de que os filmes tenham propostas semelhantes. O clássico de 1960 é uma obra fundamental do cinema moderno, enquanto a produção de Letourneur mergulha no cotidiano, nas relações familiares e na memória. A ligação está principalmente no título e no desejo de transformar uma viagem em uma experiência de observação.

"Aventura de Férias" também carrega uma trajetória internacional respeitável. O filme abriu a programação da ACID no Festival de Cannes 2025, uma das importantes seções paralelas dedicadas ao cinema independente. Depois, passou por outros festivais, entre eles o Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro. A imprensa francesa destacou a combinação entre humor, intimidade e situações corriqueiras. O jornal "Le Monde" chamou atenção para a maneira como Letourneur transforma episódios triviais - refeições, passeios, praias, caprichos infantis e pequenas tensões - em material para refletir sobre a passagem do tempo e as transformações dentro de uma família.

Claudine observa tudo com a curiosidade de quem ainda está descobrindo os adultos e suas contradições. Ao registrar as conversas da família, ela transforma a viagem em memória antes mesmo de ela terminar. É como se a menina soubesse que aquelas pequenas confusões, que naquele momento parecem intermináveis, um dia serão as histórias que todos vão querer lembrar.

Com humor agridoce, uma dose generosa de desconforto e um olhar bastante particular para a vida cotidiana, Sophie Letourneur faz de "Aventura de Férias" uma viagem que interessa menos pelo destino turístico do que pelas pessoas dentro do carro. A Sardenha está lá, bonita como cartão-postal. A família, felizmente, trata de estragar um pouco a fotografia.


Ficha técnica
"Aventura de Férias" | "L'Aventura" (título original)
Gênero: comédia dramática. Duração: 1h40min. Classificação indicativa: 12 anos. Ano de produção: 2025. Data de lançamento: 2 de julho de 2025, na França; 2 de julho de 2026, em Portugal. Idioma: francês. Direção: Sophie Letourneur. Roteiro: Sophie Letourneur e Laetitia Goffi. Elenco: Sophie Letourneur, Philippe Katerine, Bérénice Vernet e Esteban Melero. Fotografia: Jonathan Ricquebourg. Montagem: Sophie Letourneur. Música: Laure Arto e Carole Verner. Produção: Sophie Letourneur, Tristan Vaslot, Thomas Verhaeghe e Mathieu Verhaeghe. Produtoras: Tourne Films, Atelier de Production e Sacré Vendredi Productions. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


Assine o Belas Artes À La Carte, o streaming para quem ama cinema de verdade
A equipe do portal Resenhando.com acompanha parte da cobertura cinematográfica por meio da Belas Artes À La Carte, plataforma brasileira dedicada ao cinema de arte, clássicos e produções premiadas de diferentes países. Criado pelo grupo responsável pelo tradicional cinema Belas Artes, em São Paulo, em parceria com a Pandora Filmes, o serviço reúne um catálogo com curadoria especializada, incluindo obras raras, títulos restaurados e destaques de festivais internacionais. Para acessar o catálogo completo, conferir os lançamentos semanais e realizar a assinatura, basta acessar o site ou aplicativo da plataforma. Os planos têm valores acessíveis, com opção mensal e anual, além de locação avulsa para títulos específicos. Você pode assinar o Belas Artes À La Carte neste link.

domingo, 30 de agosto de 2026

.: Romance "Me Chame pelo Seu Nome" ganha versão em graphic novel


Adaptação ilustrada por Sarah Maxwell revisita o romance de André Aciman quase duas décadas depois da publicação do livro que conquistou leitores e chegou aos cinemas

Quase vinte anos depois de chegar às livrarias e conquistar uma legião de leitores, "Me Chame pelo Seu Nome", escrito por André Aciman, ganha uma nova forma de ser lido. A Editora Planeta lança no Brasil a adaptação em graphic novel do romance que se tornou um clássico contemporâneo e inspirou o premiado filme homônimo. Agora em quadrinhos, a história de Elio e Oliver preserva a intensidade emocional e a atmosfera do romance original, enquanto ganha uma narrativa visual capaz de aproximar a obra de novos leitores. As ilustrações de Sarah Maxwell dão rosto, movimento e textura àquele verão italiano que, convenhamos, já tinha ingredientes suficientes para causar estragos no coração de qualquer leitor.

Na Riviera Italiana, Elio recebe Oliver, hóspede de seu pai. O americano chega com uma boa dose de arrogância, camisas esvoaçantes e comentários irônicos, fazendo Elio acreditar que a convivência entre os dois será uma receita para a antipatia. Só que o verão tem seus próprios planos. Com o passar dos dias, a convivência transforma a implicância inicial em amizade. Elio e Oliver caminham por ruas arborizadas, compartilham almoços sob o sol e disputam partidas de tênis. Aos poucos, Elio passa a reparar em coisas que talvez preferisse ignorar: quer fazer Oliver rir, observa seus gestos e se deixa fascinar pelo brilho de sua pele à beira da piscina.

O que parecia amizade começa a ganhar outra dimensão. Durante as semanas daquele verão, a ligação entre os dois se intensifica até se transformar em uma experiência de intimidade profunda e rara, capaz de deixar marcas muito depois de as férias terminarem. A adaptação mantém o universo criado por Aciman e encontra nas imagens uma maneira própria de explorar os personagens e a atmosfera da narrativa. Para quem já conhece a história, a graphic novel oferece uma nova visita à Itália de Elio e Oliver. Para quem chega agora, fica o convite para descobrir por que aquele verão continua despertando suspiros quase duas décadas depois.

"'Me Chame pelo Seu Nome' começou como uma simples fantasia sobre estar em uma vila italiana com vista para o mar. Eu não fazia ideia de que esse devaneio se transformaria em uma história, muito menos em um romance. Enquanto escrevia, acabei me apaixonando por Elio e Oliver. Sarah dá vida a esses personagens e ao universo deles de uma forma totalmente nova, e o resultado é incrível. Estou muito feliz por trabalharmos juntos para que ainda mais leitores possam descobrir 'Me Chame pelo Seu Nome' nesta belíssima graphic novel”, comenta o autor André Aciman.

"Sinto-me muito privilegiada por ter adaptado essa história tão bonita para uma graphic novel, permitindo que ainda mais pessoas possam se emocionar e se conectar com ela. Espero que todos que lerem Me chame pelo seu nome sejam transportados de volta àquele verão na Itália e possam se apaixonar por esses personagens, vez após vez", conclui Sarah Maxwell-McNicol. Compre a adaptação em graphic novel do romance "Me Chame pelo Seu Nome" neste link.


Sobre o autor
André Aciman é autor best-seller do The New York Times por "Me Chame pelo Seu Nome", além de diversas obras de ficção e não ficção. Também é editor de The Proust Project e professor de literatura comparada da City University of New York. Vive com a esposa em Manhattan.

Sobre a ilustradora
Sarah Maxwell é uma artista e ilustradora de quadrinhos estadounidense baseada em Londres. Seu portfólio abrange uma ampla variedade de gêneros e estilos. Nas horas vagas, também trabalha como tatuadora. Apaixonada por quadrinhos, flores e tudo que remete ao universo medieval.

.: “Era Uma Vez Minha 1ª Vez” na Bienal do Livro SP com Thalita Rebouças


Autora promove a adaptação cinematográfica de sua obra na Bienal e participa de sessões de autógrafos nos dias 5 e 6 de setembro, no estande da Rocco

Os leitores de Thalita Rebouças que passarem pela Bienal do Livro SP 2026 terão a chance de encontrar a escritora, garantir um autógrafo e, de quebra, saber um pouco mais sobre a adaptação cinematográfica de “Era Uma Vez Minha Primeira Vez”, baseada no livro homônimo da autora. O encontro acontece no estande da editora Rocco em duas oportunidades: no sábado, 5 de setembro, às 15h00, e no domingo, 6, às 17h30. Durante as sessões de autógrafos, serão distribuídos marcadores de livro com QR Code que leva à compra de ingressos para o filme, que chega aos cinemas em 17 de setembro.

Dirigido por Claudia Castro, o filme tem roteiro assinado por Thalita Rebouças e João Paulo Horta e mergulha no universo juvenil com leveza, humor e uma dose generosa de descobertas. Ritos de passagem, amadurecimento, amizade, sexualidade e a velha diferença entre estar com pressa e estar preparado para descobrir aparecem no caminho. No elenco principal estão Castorine, Duda Matte, Leticia Braga e Livia Silva. O quarteto divide a cena com Cauã Martins, Caian Zattar, Cintia Rosa, Pedro Ogata, JP Rufino e Duda Pimenta.

A produção e a distribuição são da Na Paralela Filmes, com codistribuição da A Fábrica, em parceria com a RioFilme, órgão que integra a Secretaria de Cultura da Prefeitura do Rio. A produção conta ainda com coprodução da Warner Bros. Pictures e RioFilme e investimento do BRDE, por meio do Fundo Setorial do Audiovisual e da Ancine. Compre o livro "Era Uma Vez Minha Primeira Vez", de Thalita Rebouças, neste link.


Quatro amigas, quatro descobertas e nenhuma fórmula pronta
Baseado no livro de Thalita Rebouças, o filme “Era Uma Vez Minha 1ª Vez” leva para o cinema as descobertas e os ritos de passagem da juventude de maneira leve, madura e descomplicada. A trama acompanha quatro amigas - Teresa, Clara, Tuca e Patty - enquanto cada uma descobre, à sua maneira, que o despertar da sexualidade não segue manual de instruções. Expectativas, amizade e as diferenças entre pressa e descoberta dão o tom da história. Compre o livro "Era Uma Vez Minha Primeira Vez", de Thalita Rebouças, neste link.

.: Barraco Editorial leva a literatura independente para a Bienal do Livro SP


Editora criada por Wesley Barbosa participa pela segunda vez consecutiva do maior evento literário da América Latina e apresenta "Viela Ensanguentada", "Os Barraquinhos da Favela" e "Ódio ao Poema"

Da venda de livros de mão em mão pelas ruas de São Paulo ao estande de uma das maiores feiras literárias do país. A trajetória da Barraco Editorial ganhou mais um capítulo na Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Criada em 2023 pelo escritor e editor Wesley Barbosa, a editora confirma presença na 28ª edição do evento, que será realizada entre 4 e 13 de setembro de 2026, no Distrito Anhembi. 

Será a segunda participação consecutiva da Barraco Editorial na Bienal, levando ao público uma produção literária que coloca autores independentes e vozes das periferias brasileiras no centro da conversa. A proposta continua a mesma: abrir espaço para uma literatura que conhece a quebrada por dentro e que não precisa de tradução para falar sobre suas próprias experiências.

Entre os destaques está a segunda edição do romance "Viela Ensanguentada", de Wesley Barbosa. O editor também apresenta "Os Barraquinhos da Favela", seu primeiro livro infantil, lançado em julho de 2026 pela Editora Moderna, na Coleção Girassol. A obra tem ilustrações de Tainan Rocha e marca uma nova fase na produção do escritor, agora voltada ao público a partir dos seis anos. Escrito em primeira pessoa, "Os Barraquinhos da Favela" recupera memórias da infância de Wesley, que cresceu em barracos e moradias da periferia. O livro encara as dificuldades da vida na quebrada, incluindo a vulnerabilidade de casas de madeira castigadas e arrancadas pela força do vento, mas também encontra espaço para a imaginação e para as pequenas belezas do cotidiano.

Entre arroz e feijão recém-feitos, janelas quebradas e noites de céu aberto, a infância periférica aparece com suas dores e afetos. As estrelas e o horizonte, afinal, também cabem numa janela que já perdeu o vidro. Outro destaque da Barraco Editorial em 2026 é "Ódio ao Poema", de Vitor Miranda, que estará no estande da editora durante toda a Bienal Internacional do Livro de São Paulo. O título é o oitavo livro do autor e idealizador do Movimento Neomarginal.

Com estrutura e ritmo próximos de um manifesto político e estético, a obra transforma o próprio "Poema" em personagem. Distante do lirismo tradicional, ele ganha corpo e voz para encarar a violência urbana, a desigualdade social e as contradições do presente. Vitor Miranda coloca a literatura diante da realidade brasileira sem a preocupação de deixá-la confortável para quem lê.
Postagens mais antigas → Página inicial
Tecnologia do Blogger.