segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

.: “Hamnet: a Vida Antes de Hamlet” não "passa pano" para William Shakespeare


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.

“Hamnet: a Vida Antes de Hamlet” é um filme desconcertante. Não apenas porque se constrói a partir de um vazio histórico, afinal, pouco ou quase nada se sabe sobre o menino que empresta o nome a uma das maiores tragédias da literatura ocidental, mas porque a obra parece desconfiar da própria ideia de redenção pela arte. E isso, em um filme sobre Shakespeare, soa quase como uma heresia. Bem-vinda seja.

Baseado no romance homônimo de Maggie O’Farrell, best-seller internacional e um dos livros mais celebrados da década, publicado no Brasil pela editora Intrínseca, o longa-metragem não tenta competir com a literatura nem traduzi-la de forma ilustrativa. Prefere outra aposta: transformar o luto em experiência sensorial, ainda que isso custe ritmo, conforto e empatia imediata com o espectador.

Desde os primeiros minutos, a narrativa deixa claro que não se trata de um drama de fácil digestão. O ritmo é deliberadamente arrastado, por vezes quase sonolento, como se o filme quisesse impor ao público a experiência física do luto: o tempo que não passa e a espera por algo ruim que parece sempre à espreita. A tristeza é uma atmosfera quase palpável. Tudo é sombrio. Até as crianças carregam uma tensão fúnebre que antecipa a tragédia antes mesmo de ela se anunciar. Nesse ponto, há um mérito pouco comentado: o trabalho com o elenco infantil. As crianças estão muito bem dirigidas, sem afetação nem doçura excessiva. Em especial, Jacobi Jupe, no papel-título, entrega uma atuação rara para sua idade. Não é exagero afirmar que se trata de uma interpretação digna de atenção nas categorias de coadjuvante.

Ao centrar a narrativa em Agnes, vivida por Jessie Buckley, o longa-metragem faz uma escolha ética e estética decisiva. É ela quem permanece, quem sente, quem paga integralmente a conta emocional de um casamento marcado pela ausência masculina legitimada pelo trabalho. William Shakespeare surge despido de aura: é pai ausente, marido instável, homem que cobra coragem do filho, mas não a pratica quando a vida exige presença. Quando a dor atinge seu ponto máximo, ele não está. A desculpa é antiga, conhecida e confortável: é preciso trabalhar. O filme não passa pano, e esse é o gesto mais corajoso de "Hamnet". 

A tentativa de associar diretamente a morte de Hamnet à criação de "Hamlet" é tratada com uma ambiguidade precisa. O filme sugere, mas não absolve Shakespeare de jeito nenhum. A obra-prima nasce, sim, da culpa, da perda, do luto mal resolvido, mas isso não apaga a falha humana. Em "Hamnet", a arte não cura. No máximo, sublima. E mesmo essa sublimação soa insuficiente diante do abandono emocional imposto à mulher que atravessa tudo sozinha. O gênio não redime o pai.

Se o roteiro por vezes se estende além do necessário, a fotografia compensa. A relação entre o humano e a natureza  é muito natural: o parto na floresta, as raízes expostas, a terra, as plantas, os corpos infantis e adultos em contato direto com o mundo fora das paredes. Há uma delicadeza visual que contrasta com a dureza da história, e é na natureza que Hamnet encontra respiro.

É também nesse espaço que Jessie Buckley encontra espaço para construir uma atuação de grande impacto. Agnes é mãe, mulher, curandeira, figura quase mítica, mas profundamente concreta na dor. Está em um papel com forte cheiro de Oscar: intenso, físico e emocionalmente exaustivo. Ainda assim, uma edição mais rigorosa poderia ter evitado que o filme escorregasse para a monotonia. Paul Mescal está bem, mas "Hamnet" é, indiscutivelmente, o filme dela. É um longa-metragem que exige paciência e disposição, sem oferecer concessões ao público. Ao recusar o mito do gênio redimido pela obra, o filme escolhe olhar para aquilo que a história costuma apagar: quem ficou, quem sofreu em silêncio, quem nunca teve palco.

Ficha técnica
“Hamnet: A Vida Antes de Hamlet” | “Hamnet”
Gênero: drama histórico. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 2025. Idioma: inglês. Direção: Chloé Zhao. Roteiro: Maggie O’Farrell e Chloé Zhao. Elenco: Jessie Buckley, Paul Mescal. Distribuição no Brasil: Universal Pictures. Duração: 2h05. Cenas pós-créditos: não.

Assista no Cineflix Cinemas mais perto de você
As principais estreias da semana podem ser assistidos na rede Cineflix CinemasPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SANO Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.

Cineflix Miramar | Santos | Sala 2
9 e 10 de janeiro | Sessões legendadas | 16h30
No Miramar Shopping | Rua Euclides da Cunha, 21 - Gonzaga - Santos/SP. Ingressos neste link.

.: #LeituraMiau: "Amores Improváveis", de JC. Sibila


Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas

"Amores Improváveis", de JC. Sibila é uma coletânea de contos que se afirma como um exercício refinado de imaginação literária e sensibilidade narrativa, inserindo-se de maneira consistente no campo do realismo mágico contemporâneo. A obra propõe uma leitura em que o cotidiano é constantemente atravessado pelo insólito, não como ruptura abrupta, mas como parte orgânica da experiência humana. O extraordinário, nesse universo ficcional, não se impõe com estridência; ao contrário, surge com naturalidade, como se sempre tivesse estado ali, à espera de um olhar capaz de reconhecê-lo.

Ao longo do livro, o autor constrói atmosferas narrativas marcadas por um delicado equilíbrio entre estranhamento e familiaridade. Situações aparentemente banais são lentamente contaminadas por acontecimentos improváveis, gestos simbólicos e imagens de forte carga metafórica. Esse deslocamento sutil da realidade não busca o espetáculo do absurdo, mas a criação de um espaço literário em que o leitor é convidado a suspender certezas e aceitar novas formas de sentido. Em Amores Improváveis, o fantástico não serve como fuga, mas como lente de ampliação da realidade emocional e subjetiva.

JC. Sibila apresenta uma linguagem simbólica e metafórica, utilizando-a como ferramenta central de construção narrativa. Cada conto opera como uma espécie de alegoria aberta, permitindo múltiplas camadas de leitura e interpretação. Os símbolos não são fechados nem didáticos; ao contrário, permanecem em estado de tensão, convocando o leitor a participar ativamente do processo de significação. Há, nesses textos, uma clara recusa de respostas prontas, o que confere à obra uma densidade reflexiva rara e instigante.

Embora dialogue com a tradição do realismo mágico latino-americano, o autor não se limita à reverência estética. Sua escrita revela uma apropriação autoral, reinterpretando-o à luz de inquietações contemporâneas e de uma sensibilidade própria. O nonsense, quando aparece, não funciona como mero jogo formal, mas como expressão legítima das contradições do desejo, da memória e da afetividade. O resultado é uma literatura que transita entre o poético e o psíquico, explorando zonas de ambiguidade onde o racional já não dá conta da experiência humana.

Os contos de "Amores Improváveis" sugerem, de maneira recorrente, um mergulho no inconsciente. Personagens são frequentemente confrontados com forças que escapam à lógica convencional, como se o texto encenasse conflitos internos, afetos reprimidos e lembranças fragmentadas sob a forma de acontecimentos mágicos ou inexplicáveis. O improvável, nesse contexto, torna-se não apenas possível, mas necessário: é por meio dele que a obra alcança uma compreensão mais profunda e poética da existência.

Outro aspecto relevante da coletânea é sua abordagem dos afetos. O amor, longe de ser tratado de forma idealizada ou romântica, aparece como experiência ambígua, por vezes desconcertante, atravessada por ausências, estranhamentos e desencontros. São amores que desafiam expectativas, normas e certezas — amores que, justamente por sua improbabilidade, revelam verdades íntimas e universais. A escrita de JC. Sibila captura essas experiências com delicadeza, evitando excessos sentimentais e apostando na sugestão, no silêncio e na entrelinha.

Mais do que contar histórias, "Amores Improváveis" constrói um ritmo de leitura que exige entrega e contemplação. O livro se posiciona contra a pressa interpretativa e a lógica do consumo rápido, propondo uma experiência literária mais lenta e reflexiva. Cada conto deixa ressonâncias, perguntas em aberto e imagens persistentes, prolongando-se para além da última página. A leitura se transforma, assim, em um processo de escuta sensível e de disponibilidade ao enigma.

Ao final, a obra se revela como um convite à percepção do invisível que habita o cotidiano. Amores Improváveis sugere que a magia não está nos eventos extraordinários em si, mas na forma como aprendemos a olhar para aquilo que não compreendemos plenamente. Com uma escrita precisa, elegante e profundamente evocativa, JC. Sibila oferece ao leitor um livro que desestabiliza suavemente, provoca reflexão e reafirma o poder da literatura como espaço de mistério, descoberta e ampliação da experiência humana. Aquisição: https://catalogocostelasfelinaseditora.blogspot.com/2025/04/conto-amores-improvaveis-jc-sibila.html

.: "A Baleia" estreia temporada no Teatro Sabesp Frei Caneca


Espetáculo que inspirou o filme vencedor do Oscar com Brendan Fraser, chega ao Teatro Sabesp Frei Caneca com Emílio de Mello dirigido por Luís Artur Nunes, em uma história sobre isolamento, afeto, homofobia e reconciliação familiar. Foto: Ale Catan

Após estrear no Rio de Janeiro e circular por Recife, João Pessoa, Belo Horizonte, Angra dos Reis, Nova Iguaçu, Goiânia e Brasília, "A Baleia" chega a São Paulo para temporada no Teatro Sabesp Frei Caneca, de 23 de janeiro a 1º de março de 2026. A montagem tem direção e tradução de Luís Artur Nunes e tem no elenco Emílio de Mello como Charlie, ao lado de Luisa Thiré, Gabriela Freire, Eduardo Speroni e participação especial de Alice Borges. A obra, que aborda temas como isolamento e reconexão, ganhou ainda mais notoriedade com sua adaptação para o cinema em 2022. O filme, dirigido por Darren Aronofsky e estrelado por Brendan Fraser, rendeu ao ator o Oscar de Melhor Ator em 2023, por sua emocionante interpretação.

A complexidade emocional do protagonista também se revela em sua trajetória íntima: homossexual, ele viveu um relacionamento amoroso marcado por perdas profundas, que influenciaram diretamente seu estado de saúde e isolamento. Essa camada da narrativa, tratada com sensibilidade e profundidade pelo texto de Samuel D. Hunter, confere à peça um olhar atento sobre temas como afeto, intolerância religiosa, sexual e acessíveis, ampliando o alcance da montagem e estabelecendo um diálogo potente com o público LGBTQIA+.

O projeto foi lançado no Brasil com o ator José de Abreu no papel de Charlie, em parceria com Nunes, com quem já havia trabalhado em montagens como o monólogo "Fala, Zé!" e "A Mulher Sem Pecado", de Nelson Rodrigues. Depois de iniciar a circulação nacional do espetáculo, José de Abreu se despediu da montagem para cumprir compromissos já assumidos com uma série para o audiovisual; a temporada paulistana marca a chegada de Emílio de Mello ao personagem, dando continuidade ao percurso da peça nos palcos.

A versão teatral brasileira promete trazer ao palco a mesma intensidade dramática que consagrou a história no teatro e no cinema. “Foi um verdadeiro presente receber esse texto”, afirma o diretor. “Eu já havia gostado muito do filme, mas me apaixonei pelo texto teatral de Samuel D. Hunter. A dramaturgia é de excelência, construída no modo realista, mas com uma estrutura de grande modernidade. ‘A Baleia’ não segue uma linha narrativa tradicional, é uma espécie de narrativa em mosaico, cujos fragmentos se articulam num todo surpreendentemente coerente”.

Luís Artur ressalta ainda os temas abordados: “A peça nos fala de intolerância religiosa, homofobia, culpa, reconexão e empatia, sempre a partir de personagens humanos, complexos e cheios de contradições. É um material encharcado de emoção, e foi impossível não encarar esse desafio. Felizmente, estive cercado de um elenco extraordinário e de uma equipe artística e técnica da mais alta qualidade”.

Para materializar em cena um personagem de quase 300 quilos, a produção desenvolveu um trabalho de caracterização específico, que inclui prótese facial, figurino com enchimento e recursos de climatização, em criação assinada pelo figurinista Carlos Alberto Nunes e pela visagista Mona Magalhães. A ambientação de Charlie é construída pela cenógrafa Bia Junqueira, pela iluminação de Maneco Quinderé e pela trilha sonora de Federico Puppi, que ajudam a aproximar o público de um cotidiano marcado por excesso de peso, mas também por excesso de silêncios e não ditos. 

O espetáculo é apresentado pelo Ministério da Cultura e tem o patrocínio da Caixa Residencial, seguradora que oferece soluções de seguros de moradias. Com o propósito de ampliar o acesso à cultura, a Caixa Residencial tem valorizado a realização de projetos que destacam o impacto social, conectando experiências teatrais a diversos brasileiros, em diferentes regiões do país.  

Samuel D. Hunter é um dramaturgo norte-americano conhecido por obras que exploram temas de isolamento, redenção e fragilidade humana, muitas vezes ambientadas em pequenas cidades dos Estados Unidos. A Baleia (The Whale), uma de suas peças mais aclamadas, estreou em 2012 e recebeu elogios pela sensibilidade com que aborda a história de um professor de inglês recluso e com obesidade severa que tenta se reconectar com sua filha adolescente.

Ficha técnica
Espetáculo "A Baleia". Texto: Samuel D. Hunter. Tradução e Direção: Luís Artur Nunes. Elenco: Luisa Thiré, Gabriela Freire e Eduardo Speroni. Participação especial: Alice Borges. Coordenação Artística: Felipe Heráclito Lima. Cenário: Bia Junqueira. Figurino: Carlos Alberto Nunes. Iluminação: Maneco Quinderé. Trilha Sonora: Federico Puppi. Visagismo:  Mona Magalhaes. Preparação Corporal: Jacyan Castilho. Preparação Vocal: Jane Celeste. Desenho Gráfico: Cadão. Fotografia: Ale Catan. Mídia Social: Lab Cultural. Assessoria de imprensa: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes. Direção de Produção: Alessandra Reis. Coordenação de Produção: Wesley Cardozo. Produção Executiva: Cristina Leite. Lei de Incentivo: Natália Simonete. Produtores Associados: Alessandra Reis e Felipe Heráclito Lima.

Serviço:
Teatro Sabesp Frei Caneca
Temporada: 23 de janeiro até 1º de março 2026
Horário: Sextas e sábados às 20h e domingo às 19h.

Ingressos
Plateia Baixa – R$ 160 (inteira) / R$ 80 (meia-entrada)
Plateia – R$ 140 (inteira) / R$ 70 (meia-entrada)
Plateia Alta – R$ 120 (inteira) / R$ 60 (meia-entrada)
Plateia Popular – R$ 50 (inteira) / R$ 25 (meia-entrada)
Desconto Caixa Residencial: clientes CAIXA Residencial têm 50% de desconto na compra de até dois (2) ingressos. 
Desconto: Para clientes Caixa Residencial e Vivo Valoriza
Bilheteria: https://uhuu.com

Duração: 100 minutos.
Classificação: 14 anos. Menores de 18 anos, somente poderão entrar acompanhados dos pais ou responsáveis e crianças até 24 meses de idade que ficarem no colo dos pais, não pagam.

.: Entrevista com Carlos Araújo, diretor artístico de "Coração Acelerado"


Diretor artístico fala sobre música como dramaturgia, Goiás como identidade e o sertanejo como narrativa popular em estado bruto. Foto: Globo/ Rodolfo Sanches

Se toda música sertaneja carrega um enredo pronto para virar novela, "Coração Acelerado" entra de botas, refrão na garganta e alma exposta. A nova novela das sete da Globo transforma a lógica do hit em dramaturgia, troca o palco pelo capítulo diário e assume, sem pudor, que ali quem conduz a história são as mulheres, dentro e fora da ficção. Entre amores interrompidos, contratos sufocantes, fé, rivalidades familiares e o peso da fama mediada pelas redes sociais, o sertanejo deixa de ser pano de fundo para se tornar estrutura narrativa, estética e política.

À frente dessa engrenagem está Carlos Araújo, diretor artístico que atravessa décadas da teledramaturgia brasileira e agora se lança ao desafio de equilibrar tradição novelística, linguagem de show e pulsação contemporânea. Nesta entrevista, ele fala sobre a aposta em Goiás como território simbólico, a música como motor dramático, o protagonismo feminino e os riscos e delícias de colocar a novela para cantar em tempo real, no meio do povo, sob luz de palco e aplauso verdadeiro.


O que o público pode esperar de "Coração Acelerado"?
Carlos Araújo -
O público pode esperar uma novela vibrante, solar, que une música, romance e humor em uma história cheia de emoção. "Coração Acelerado" é uma comédia romântica musical que mergulha no universo sertanejo, trazendo a força feminina e os conflitos familiares como pano de fundo.


Vocês estão prevendo participações de nomes consagrados da música, como isso contribui para a trama?
Carlos Araújo -
As participações de artistas consagrados, como Maiara & Maraisa, Naiara Azevedo, Daniel, Michel Teló e Ana Castela, dão autenticidade à narrativa e aproximam ainda mais o público desse universo. Elas não são apenas aparições, ajudam a contar a história e reforçam a conexão entre ficção e realidade, criando momentos únicos na trama. Musicalmente, será um grande presente para o público.


Qual a importância de terem gravado as primeiras cenas da novela em Goiás?
Carlos Araújo - 
Goiás é o coração do sertanejo e traduz a essência da novela. Gravar as primeiras cenas lá foi fundamental para dar verdade à narrativa. Queríamos que o público se reconhecesse nas histórias, e isso só seria possível mergulhando na cultura local. As paisagens do Cerrado, a culinária típica e os cenários icônicos do estado agregam autenticidade e beleza cinematográfica à trama. Essa imersão permitiu criar uma identidade forte com a região e com o povo goiano.
 

Por que escolher gravar cenas de shows de João Raul (Felipe Bragança) em festivais reais? O que isso exigiu em termos de produção?
Carlos Araújo -
Gravar em festivais reais foi uma decisão para levar ao público a energia genuína dos grandes eventos sertanejos. Isso exigiu uma logística complexa: integração com equipes dos shows, captação de som e imagem em ambientes dinâmicos. Um exemplo foi a cena gravada durante um show de Maiara & Maraisa, em Crixás, Goiás, onde o personagem João Raul subiu ao palco para apresentar uma música inédita. Essa escolha trouxe realismo e emoção que seriam impossíveis de reproduzir em estúdio.


O que tem sido mais desafiador na direção desta novela?
Carlos Araújo - 
O maior desafio é equilibrar duas linguagens: a dramaturgia clássica e a estética dos grandes shows. Temos cenas intimistas, carregadas de emoção, e momentos grandiosos, com multidões e música ao vivo. Conciliar isso sem perder ritmo e mantendo qualidade artística é um trabalho minucioso. Além disso, criar uma identidade visual que dialogue com a cultura goiana sem cair em estereótipos tem sido um exercício constante.

Quais são os principais diferenciais de "Coração Acelerado"? O que você destacaria da novela até agora?
Carlos Araújo - 
O grande diferencial é a fusão entre novela e música sertaneja, com uma pegada contemporânea e protagonismo feminino. Destaco também a autenticidade das locações, a força dos personagens femininos e a trilha sonora original, que vai emocionar e embalar o público. É uma obra que celebra a cultura brasileira, conecta gerações e traz temas atuais como redes sociais, fama e empoderamento.

domingo, 11 de janeiro de 2026

.: "Ney Matogrosso - Homem com H" volta em cartaz no Teatro Porto


Com Renan Mattos no papel-título, a peça tem temporada estendida e volta ao cartaz a partir de 30 de janeiro de 2026. Foto: Adriano Doria

O Teatro Porto abre a temporada 2026 com o retorno do musical "Ney Matogrosso - Homem com H", visto por mais de 86 mil pessoas. A peça tem temporada estendida e volta ao cartaz a partir de 30 de janeiro de 2026. O espetáculo tem texto de Marilia Toledo e Emílio Boechat, vencedores do Prêmio Bibi Ferreira por este trabalho. Marilia também divide a direção da peça com Fernanda Chamma, enquanto a direção musical é assinada por Daniel Rocha. No palco, o camaleônico Ney Matogrosso é interpretado por Renan Mattos (que venceu os prêmios Bibi Ferreira e DID 2022, além de ter sido indicado ao APCA) - que é acompanhado por mais 16 atores e banda ao vivo composta por seis músicos. Leia a crítica da temporada anterior neste link: "Homem com H" reza o evangelho segundo Ney Matogrosso.

A criação do espetáculo nasceu de uma aproximação direta com Ney Matogrosso. Segundo Marilia Toledo, a montagem surgiu depois que seus sócios, Marcio Fraccaroli e Sandi Adamiu, adquiriram os direitos para um longa-metragem sobre o cantor. “Eu logo pedi para que eles também adquirissem os direitos para levar a história para o teatro. Tivemos um almoço com o Ney, quando pudemos compartilhar com ele nossa visão sobre esse musical”, revela. “Ney é um artista único, com uma visão cênica impressionante. Ele cuida de todas as etapas de sua performance. Além da escolha de repertório e banda, pensa no figurino, na iluminação, na direção geral.  E, quando está em cena, transforma-se em diferentes personagens. Ele nunca estudou dança e, quando o assistimos, parece que nasceu sabendo dançar. Mas ele jamais se coreografa. É sempre um movimento livre”, admira-se. 

Já para Renan Mattos é extremamente desafiador interpretar uma figura tão importante para a nossa cultura. “O Ney é um ser camaleônico, tem um lado íntimo reservado, mas ao mesmo tempo é catártico no palco e apresenta um leque de personas a cada música. Cada uma dessas personas tem algo de místico, de misterioso, de selvagem, um ser ‘híbrido’ como definido por muitos, indecifrável. Então eu não me sinto interpretando o Ney e sim pedindo licença e pegando emprestado tudo aquilo que ele transformou na música e na vida das pessoas, todos os caminhos que ele abriu para pessoas e artistas como eu e isso é muito significativo”.

O musical apresenta ao público essa figura tão importante para a nossa cultura, “algo obrigatório para qualquer brasileiro”, como considera Toledo. “A discografia de Ney Matogrosso passeia pelos compositores mais importantes do nosso país, o que reflete a nossa história. E sua história de vida é extremamente interessante. Ele sempre foi um homem absolutamente autêntico. Experimentou e ousou como nenhum outro artista, enfrentando os militares de peito aberto e nu, literalmente”.


A montagem
"Ney Matogrosso - Homem com H" explora momentos e canções marcantes na trajetória do cantor sem seguir uma ordem cronológica. A história começa em um show do Secos & Molhados, em plena ditadura militar, quando uma pessoa da plateia o xinga de “viado”. Essa cena se funde com momentos da infância e adolescência do artista. E, dessa forma, outros episódios vão se encadeando na cena.

Para contar essa história, Marilia Toledo e Emilio Boechat mergulharam nas três biografias já publicadas sobre Ney Matogrosso, além de matérias jornalísticas, vídeos e o próprio artista. “Com a ajuda do próprio Ney, tentamos ser fiéis aos fatos mais importantes de sua vida privada e profissional, mas com a liberdade lúdica que o teatro pede”, revela a diretora.

Em relação às canções do homenageado, o musical também não segue uma cronologia – exceto naqueles momentos em que a dramaturgia precisa ser mais fiel à realidade. As músicas vão sendo encaixadas no contexto de cada cena e as letras acabam estabelecendo um diálogo interessante com a vida de Ney Matogrosso.  

Quanto à encenação, as diretoras apostam em um ensemble potente, que apoia o protagonista do começo ao fim – e praticamente sem sair de cena. As trocas de figurinos e até maquiagens, inclusive, são feitas na frente do público, brincando com as ideias de oculto e explícito o tempo todo. 

Além da própria trajetória do homenageado, o musical discute um tema cada vez mais relevante para a realidade brasileira: a liberdade. “Principalmente, a liberdade de ser quem se é, a qualquer custo. Ney combateu a ditadura não com palavras, mas com sua atitude cênica, entrando maquiado e praticamente nu no palco e na televisão, na época de maior censura que o país já viveu. As ambiguidades que ele sempre trouxe para o público foram pauta na década de 70 e permanecem em pauta até os dias de hoje. Ele também sempre foi adepto do amor livre e deixou clara a sua bissexualidade desde o início”, destaca Toledo.

Outro aspecto que tem bastante importância na montagem são os icônicos e provocantes figurinos de Ney Matogrosso. A diretora conta que a figurinista Michelly X fez uma intensa pesquisa dos trajes originais usados pelo artista-camaleão para poder reproduzi-los com bastante fidelidade. “Para a direção musical, demos total liberdade a Daniel Rocha na concepção musical e sonora. Ele tem uma inteligência profunda na arte de contar histórias por meio de seus arranjos e escolhas de instrumentos e vozes para cada momento da trama”


Sinopse
A peça mostra momentos marcantes da vida e carreira de Ney Matogrosso, costurando episódios da infância, juventude e explosão artística. Sem seguir uma ordem cronológica, a narrativa mistura fatos reais, imagens poéticas, que dialogam com sua trajetória.


Ficha técnica
Musical "Ney Matogrosso - Homem com H"
Texto: Marilia Toledo e Emílio Boechat. Direção: Fernanda Chamma e Marilia Toledo. Coreografia: Fernanda Chamma. Direção Musical: Daniel Rocha. Cenografia: Carmem Guerra. Figurinos: Michelly X. Visagismo: Edgar Cardoso. Desenho de som: Eduardo Pinheiro. Desenho de luz: Fran Barros & Tulio Pezzoni. Preparação vocal: Andréia Vitfer. Realização: Paris Cultural. Patrocínio: Porto Seguro. Produção geral: Paris Cultural. Elenco: Renan Mattos (Ney), Bruno Boer (Ney Cover), Bruno Narchi (Cazuza), Vinícius Loyola e Nando Motta (João Ricardo, Nilton Travesso e Luís Fernando Guimarães), Giselle Lima (Beíta, Renate Beija-Flor e Sandra Pera), Hellen de Castro (Rita Lee, Sylvia Orthof, Gilda e Yara Neiva), Enrico Verta (Gerson Conrad, Eugênio, André Midani e Frejat), Abner Debret (Vicente Pereira e Vitor Martins), Maria Clara Manesco (Luli, Lidoka e Fã), Tatiana Toyota (Elvira, Rosinha de Valença) Léo Rommano (Titinho, Moracy do Val e Arthur Moreira Lima), Ju Romano (Lena, Regina Chaves), Lucas Colombo (Marco de Maria), Maurício Reducino (Ensemble), Murilo Armacolo (Ney jovem e Mazzola), Valffred Souza (Ensemble), Vitor Vieira (Matogrosso e Guilherme Araújo) e Oscar Fabião (Dódi e Grey). Banda: Teclado 1 e Regência - Rodrigo Bartsch. Teclado 2 e sub de Regência - Renan Achar. Bateria e percussão - Kiko Andrioli. Trombone, Trompete, Flugel - Renato Farias. Baixo Elétrico, acústico e violão - Eduardo Brasil. Reed (Sax Tenor, Clarinete, Clarone, Flauta) - Tico Marcio.

Serviço
Musical "Ney Matogrosso - Homem com H"
Temporada: de 30 de janeiro a 29 de março de 2026.
Sessões: Sextas e sábados às 20h e domingos às 17h.
Duração do espetáculo: 3h00 (com 15 minutos de intervalo)
Não haverá sessões no feriado de Carnaval.

Teatro Porto 
Al. Barão de Piracicaba, 740 - Campos Elíseos / São Paulo.
Telefone (11) 3366.8700

Bilheteria 
Aberta somente nos dias de espetáculo, duas horas antes da atração. 
Clientes Porto Bank mais acompanhante têm 50% de desconto.
Clientes Porto mais acompanhante têm 30% de desconto.
Capacidade: 484 lugares.
Formas de pagamento: Cartão de crédito e débito (Visa, Mastercard, Elo e Diners).
Acessibilidade: 10 lugares para cadeirantes e 5 cadeiras para obesos.
Estacionamento no local: Gratuito para clientes do Teatro Porto.


O Teatro Porto oferece a seus clientes uma van gratuita partindo da Estação da Luz em direção ao prédio do teatro. O local de partida é na saída da estação, na Rua José Paulino/Praça da Luz. No trajeto de volta, a circulação é de até 30 minutos após o término da apresentação. E possui estacionamento gratuito para clientes do teatro.

.: O "Coração Acelerado" de Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento


Duas autoras, uma novela musical e o sertanejo como linguagem dramática para falar de amor, ambição e protagonismo feminino. Foto: Globo/ Léo Rosario

Toda canção sertaneja carrega um enredo pronto: amores atravessados, promessas quebradas, coragem feminina e aquela emoção que pede refrão alto. "Coração Acelerado", nova novela das sete da TV Globo, surge exatamente desse cruzamento: quando a música popular encontra o melodrama clássico da telenovela e resolve falar de mulheres que querem soltar a própria voz. Pela primeira vez escrevendo juntas uma novela, Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento transformam o universo do sertanejo - e, sobretudo, do feminejo - em território narrativo, afetivo e até político. 

Além de hits, palcos ou bastidores, a novela tratará sobre ambição, redes sociais, contratos sufocantes, heranças familiares e o direito de sonhar sem baixar a cabeça para ninguém. Nesta entrevista, as autoras falam de pesquisa, parceria, humor, música como motor dramático e da aposta em uma história popular que acelera o coração sem abrir mão de inteligência, afeto e conflito.


Como vocês definem a trama de "Coração Acelerado"?
Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento - Nossa história é uma comédia romântica musical, com protagonismo feminino no universo da música sertaneja, que fala de amor, de sonhos e conquistas.

 
De quem foi a ideia desta trama e como vocês se dividem nesta escrita? 
Izabel de Oliveira - Eu tinha vontade de falar sobre o universo sertanejo, sobretudo o feminejo, e levei a ideia para a Globo. Quando o projeto foi aprovado, pedi alguém para embarcar comigo nesta construção e foi então que convidamos a Maria Helena. A partir do argumento inicial, elaboramos a sinopse juntas e nos dividimos na escrita da trama. De modo geral, eu estruturo as escaletas e a Maria Helena desenvolve as cenas, mas trocamos ao longo de todo o processo, nos complementando nas ideias. E temos ainda um time de roteiristas, com Daisy Chaves, Dino Cantelli, Flavia Bessone, Fabrício Santiago e Isabel Muniz, que trabalham conosco e contribuem muito na construção da nossa história.

 
O que inspirou vocês a contar essa história?
Izabel de Oliveira - A ideia de contar uma história ambientada no universo sertanejo veio da minha paixão pela história popular e por eu identificar no sertanejo, dentro do universo da música, o que há de mais parecido com um roteiro de novela. As letras das músicas sertanejas contam uma história! Elas falam de amor, dos sentimentos, de sonhos e têm um apelo popular que comunica imediatamente com o público. Eu tenho uma fascinação por isso. Então, veio o desejo de escrever uma novela musical com a temática sertaneja. E isso aconteceu quando o feminejo estava estourando, com mulheres talentosas e potentes que estavam buscando seus espaços.
Maria Helena Nascimento - Além da riqueza dos elementos de melodrama na letra sertaneja que nos inspirou, nós duas temos no histórico novelas musicais, eu com "Rock Story", e Izabel com "Cheias de Charme". É uma temática que gostamos. Como espectadora, sempre me encanto com projetos que envolvam música.
 

Como foi o processo de pesquisa para escrever essa história?
Izabel de Oliveira e
 Maria Helena Nascimento - Estamos mergulhadas nesse universo com apoio de diferentes áreas. O departamento de Pesquisa e Desenvolvimento Artístico da Globo promoveu um ciclo de conversas em que pudemos trocar com diversos cantores do sertanejo, fizemos uma pesquisa intensa em Goiânia e estamos contando com um suporte muito grande da TV Anhanguera, afiliada da região. E isso será um processo contínuo, que nos acompanhará até o fim da novela.


A novela traz uma história que aborda o feminejo e a força feminina. Como isso será mostrado? Que assuntos da atualidade são abordados na trama?
Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento - Contaremos a história da Agrado (Isadora Cruz), uma jovem que sonha com a carreira de cantora e batalha por isso em um universo em que a presença masculina é muito forte. As pessoas se interessam pelas composições da Agrado, mas sempre querem mudar algo, e isso a deixa indignada. Agrado não abaixa a cabeça, ela tem orgulho e acredita no seu talento. É uma mulher forte, dona de si. O público verá também a trajetória da Eduarda (Gabz), que, assim como Agrado, sonha com a carreira de cantora, mas lhe oferecem poucas oportunidades. Ela lutará muito por sua carreira. Teremos ainda as personagens Zilá (Leandra Leal) e Janete (Letícia Spiller), duas mulheres fortes e empreendedoras. Mostrar a batalha dessas mulheres será inspirador. Outra pauta que traremos é sobre a relação das pessoas com as redes sociais. A história se inicia com a repercussão de um post feito pelo astro sertanejo João Raul (Filipe Bragança). E temos a personagem Naiane (Isabelle Drummond), uma influenciadora digital. Vamos discutir sobre as relações digitais, a superexposição nas redes e o impacto disso na vida dessas pessoas.
 

Estão previstas participações especiais da música sertaneja. Por que trazer estes artistas para a história?
Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento - Gostamos de fazer essa conexão entre realidade e ficção, traz verdade para a história e causa um impacto no público. É divertido ter personagens reais inseridos na trama. E, claro, é uma forma de homenagear esses artistas.
 

O horário das sete propõe histórias com temáticas mais leves e divertidas. O humor estará presente na trama?
Izabel de Oliveira e
 Maria Helena Nascimento - Nossa história é um romance musical com muito humor. Não temos um único núcleo cômico, isso está espalhado nas tramas que envolvem a história, que é leve e bem-humorada. Acontece até mesmo com os vilões ou nas situações mais dramáticas.
 

Como está sendo a parceria com Carlos Araújo? É a primeira novela que fazem juntos? 
Izabel de Oliveira - Trabalhei com Carlos Araújo em "Cheias de Charme". Ele é um diretor muito vibrante, cheio de boas ideias e tem um lado sentimental muito parecido comigo e com a Maria Helena.
Maria Helena Nascimento - O Carlos tem se mostrado muito entusiasmado, e é muito gostoso para a gente ver a forma que ele recebe o nosso trabalho. A troca tem sido muito harmônica.
 

O que o público pode esperar de "Coração Acelerado"?
Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento - Que acelere o coração de todos! Música, romance, relações de famílias intensas, humor e sonoridade.

 
O que vocês querem despertar no público com a história que estão contando?
Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento - A vontade de correr atrás dos seus sonhos. De ter coragem para batalhar por aquilo que acreditam e desejam para suas vidas. E, claro, a emoção que a música provoca.

.: Espetáculo no Sesc Santos, “Tranquilli” convida o público a desacelerar e sonhar


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com
Foto: divulgação

O espetáculo circense “Tranquilli”, da Cia. Teatro C’Art, será apresentado na sexta-feira, 30 de janeiro, às 20h00, no auditório do Sesc Santos. A montagem convida o público a desacelerar e a redescobrir o encantamento do cotidiano a partir de uma abordagem cômica, sensível e profundamente humana. Em cena, o artista brasileiro André Casaca, radicado na Itália, dá vida a um personagem que traduz, por meio do corpo, o desejo universal de liberdade, sonho e imaginação. 

Sem recorrer à palavra, Casaca constrói uma narrativa baseada no teatro físico e na comicidade não-verbal, herdeira direta da tradição do teatro de rua italiano, na qual o gesto, o ritmo e o olhar se tornam os principais motores da comunicação com o público. Em “Tranquilli”, o absurdo surge como ferramenta poética. O personagem joga basquete sozinho e vence a partida, atende a um telefone que nunca tocou, voa com sua bicicleta alada e transforma a guerra em um jogo cênico que envolve diretamente a plateia. 

São pequenas ações que, costuradas com humor e delicadeza, rompem com a lógica do cotidiano frenético e revelam novas possibilidades de existência, convidando o espectador a rir de si mesmo e do mundo ao redor. A vida do personagem acontece inteiramente no corpo, que se afirma como veículo principal de expressão. É nele que se inscrevem as emoções, os conflitos e as fantasias, criando uma linguagem cênica acessível a públicos de todas as idades e culturas. O espetáculo propõe, assim, uma reflexão leve e profunda sobre temas como a rotina, o amor, a infância e a necessidade de imaginar outros modos de viver.

Criada a partir de 15 anos de pesquisa e atuação da Cia. Teatro C’Art, a obra reflete a maturidade artística do grupo, reconhecido internacionalmente por sua atuação no campo do circo contemporâneo e do teatro físico. Ao longo de sua trajetória, a companhia apresentou seus espetáculos em festivais e teatros de países como Itália, Suíça, Alemanha, Palestina, Israel, Turquia, Etiópia, Cabo Verde e Brasil, consolidando uma linguagem própria que atravessa fronteiras culturais.

O Teatro C’Art é vencedor do Prêmio Circus no Festival Mundial da Criatividade, realizado em Sanremo, na Itália, e atua também como Centro Cultural, mantendo biblioteca, videoteca e sala teatral. Entre suas atividades, desenvolve um consistente trabalho pedagógico com crianças, incluindo aquelas com necessidades especiais, reforçando o compromisso social e formativo da companhia. Voltado para todas as idades, “Tranquilli” tem duração de 50 minutos. Os ingressos custam R$ 40,00 (inteira), R$ 20,00 (meia-entrada) e R$ 12,00 (Credencial Plena).


Ficha técnica
Espetáculo circense “Tranquilli”, da Cia. Teatro C’Art

Criação, direção e interpretação: André Casaca
Assistência de direção: Fabrizio Neri e Teresa Bruno
Cenografia: Silvano Costagli
Produção: Teatro C’Art Comic Education Italia
Duração: 50 minutos

Venda de ingressos
As vendas de ingressos para os shows e espetáculos da semana seguinte (segunda a domingo) começa na semana anterior às atividades, em dois lotes: on-line pelo aplicativo Credencial Sesc SP e portal do Sesc São Paulo: às terças-feiras, a partir das 17h00. Presencialmente, nas bilheterias das unidades: às quartas-feiras, a partir das 17h00.

Bilheteria Sesc Santos - Funcionamento
Terça a sexta, das 9h às 21h30 | Sábados e domingos, 10h às 18h30   

Sesc Santos
Rua Conselheiro Ribas, 136 - Aparecida / Santos
Telefone: (13) 3278-9800        
Site do Sesc Santos
Instagram e Facebook: @sescsantos

sábado, 10 de janeiro de 2026

.: Entrevista: Amanda Mirásci transforma a autoconfiança masculina em sátira


Amanda Mirásci usa o humor para desmontar certezas masculinas e iluminar fragilidades coletivas em cena. Foto: Julia Lego

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.

E se a autoconfiança masculina - essa certeza inabalável que dispensa escuta, dúvida e autocrítica - pudesse ser sintetizada em cápsulas? Em "A Autoestima do Homem Hétero", que retorna para duas apresentações no Teatro Arena B3, em São Paulo, neste final de semana, Amanda Mirásci parte dessa provocação para construir uma comédia que ri do óbvio, expõe o cansaço feminino e transforma comportamentos naturalizados em matéria-prima de cena. Criado, escrito e protagonizado pela atriz, o monólogo, indicado ao Prêmio do Humor nas categorias Melhor Texto e Melhor Direção, aposta no riso para falar sobre comportamentos masculinos que há tempos precisam ser modificados. 

Ao interpretar Carina, uma farmacêutica que decide lançar no mercado a “pílula” definitiva da confiança masculina, Amanda cruza experiências pessoais, relatos de mulheres e observações do cotidiano para montar um espelho desconfortável, especialmente para quem nunca se reconheceu como problema. Nesta entrevista exclusiva ao portal Resenhando.com, a atriz fala sobre humor como estratégia, ego em cena, síndrome da impostora e o momento em que a gargalhada deixa de ser defesa e vira pergunta.


Resenhando.com - Amanda, ao transformar experiências pessoais e relatos de amigas em sátira, em que momento você percebeu que o riso podia ser mais subversivo do que o confronto direto?
Amanda Mirásci - Eu sinto que o riso abre portas. O humor cria uma fresta de escuta: ele desarma, aproxima e permite que a pessoa se veja sem se sentir imediatamente atacada. Muitas vezes, rir é o primeiro passo antes de admitir: “isso aqui é comigo”. O riso não anula a crítica. Ele faz de forma mais efetiva, porque entra de forma sorrateira.


Resenhando.com - A personagem Carina cria uma pílula a partir de homens reais. Vocês temem que algum espectador saia do teatro convencido de que foi, sem saber, matéria-prima do medicamento?

Amanda Mirásci - Olha, até hoje todo homem que assistiu ao espetáculo me disse que se reconheceu em pelo menos um personagem. Muitos, com certeza, se viram em vários. Os homens retratados são reais: inspirados no meu pai, no meu namorado, em amigos que eu amo profundamente. Homens maravilhosos, mas que reproduzem comportamentos tão naturalizados que, muitas vezes, nem percebem o quanto algumas atitudes são risíveis. Do cara que foge das tarefas domésticas ao pai que só vê os filhos de quinze em quinze dias, muitos homens saem do teatro com a sensação de que, sim, foram matéria-prima dessa pesquisa.


Resenhando.com - Apresentar um monólogo tão povoado de personagens é também um exercício de controle do ego cênico. O que foi mais difícil: multiplicar identidades ou silenciar excessos?

Amanda Mirásci - Caramba, que pergunta boa. As duas coisas são difíceis, mas percebo que, quando você encontra a identidade de um personagem, os excessos tendem a se ajustar naturalmente. O grande desafio foi diferenciar tantos personagens sem cair no estereótipo vazio. A gente queria que o público se reconhecesse ali: as mulheres, pelas experiências vividas; os homens, por se verem refletidos. Como é humor, existe uma liberdade para carregar nas tintas, mas encontrar o equilíbrio entre o colorido da comédia e a verdade da identificação é um trabalho constante, que eu sigo fazendo a cada apresentação.


Resenhando.com - A peça fala de homens que explicam o óbvio, ocupam espaços e se sentem geniais por existir. Em que ponto isso deixa de ser caricatura e vira quase um documentário de costumes?

Amanda Mirásci - Quando a plateia começa a reagir antes mesmo da piada terminar. Quando escuto, do palco, algumas mulheres dizendo “já vivi isso”, enquanto os homens riem meio sem saber exatamente por quê. Acho que a caricatura vira documento quando ela organiza algo que já está espalhado na vida real. Que é comum a todos. O que parece absurdo no palco, muitas vezes, é apenas a realidade sem filtro.


Resenhando.com - Ao colocar a “síndrome da impostora” em cena, você sentiu que estava expondo uma ferida pessoal ou devolvendo ao público uma dor coletiva demais para ser individual?
Amanda Mirásci - No começo, parecia muito pessoal. Eu vivi a "síndrome da impostora" intensamente durante o processo de escrita do texto que hoje, inclusive, está indicado a um prêmio de humor! Uau! Eu estava morrendo de medo de escrever. Literalmente, tomei uma pílula de autoestima do homem hétero. Mas logo ficou claro que eu não estava sozinha. A síndrome da impostora é quase um idioma comum entre mulheres. É um autoboicote coletivo que, quando compartilhado, gera uma identificação muito potente.


Resenhando.com - O espetáculo convida homens a rirem de si mesmos. Você já presenciou risadas que soaram como defesa, e não como autocrítica?
Amanda Mirásci - Acho que só a própria pessoa, se estiver minimamente em dia com a terapia, consegue saber exatamente de onde vem a risada. Acho que a defesa é natural, especialmente depois de milênios de normalização desses comportamentos. Uma das grandes alegrias que esse espetáculo me trouxe foi perceber que existem homens dispostos a escutar o que as mulheres estão dizendo. Ainda é uma bolha, ainda há um longo caminho pela frente, mas, nessa peça, eles estão convidados a estar junto.


Resenhando.com - Se essa peça fosse montada daqui a vinte anos, o que você gostaria que tivesse envelhecido mal: os comportamentos masculinos ou a necessidade de ainda falar sobre eles?
Amanda Mirásci - Eu gostaria muito que os comportamentos tivessem envelhecido mal. Que causassem constrangimento real. Mas, sendo honesta, acho que ainda teríamos muito o que conversar. Eu brinco que essa peça pode virar tipo Harry Potter: "A Autoestima do Homem Hétero 1, 2, 3… 11". É muita coisa para falar e, principalmente, muita coisa para trocar entre mulheres.


Resenhando.com - Há um risco de o público sair do teatro querendo a pílula em vez da reflexão. O humor pode anestesiar ou, no caso de vocês, ele funciona como um leve desconforto que não passa fácil?
Amanda Mirásci - Não posso dar spoiler, mas, no fim do espetáculo, o público entende que essa pílula pode ser fatal. Então esse risco, propriamente, não existe. O que eu desejo é que as mulheres reconheçam melhor as armadilhas de certos comportamentos masculinos e, ao mesmo tempo, se olhem com mais empoderamento. A peça fala de uma fragilidade masculina escondida atrás de uma superioridade fantasiosa e, assim, celebra todas nós, mulheres, que estamos cada vez mais dispostas a olhar para dentro e para o coletivo.


Resenhando.com - “A Autoestima do Homem Hétero” fala mais sobre reinventar o feminino ou sobre desmontar a confortável fantasia masculina de que tudo já está resolvido?
Amanda Mirásci - Fala dos dois, mas talvez fale ainda mais sobre as mulheres. Sobre parar de pedir licença, parar de buscar validação onde não existe troca e começar a confiar mais na própria experiência. Ao desmontar a fantasia masculina, o espetáculo acaba iluminando o feminino. Não como algo frágil, mas como algo extremamente poderoso.


Sobre a Arena B3
Situada no Centro Histórico de São Paulo, a Arena B3 ocupa um dos prédios centenários da bolsa, antes palco dos tradicionais pregões viva-voz, e hoje se transforma em um ponto de encontro cultural com programação acessível aos finais de semana. A curadoria é assinada pela Aventura, produtora de espaços como a EcoVilla Ri Happy, Teatro YouTube, BTG Pactual Hall, Teatro Riachuelo Rio e Teatro TotalEnergies, além de musicais como "Hair", "A Noviça Rebelde", "Elis, o Musical", "Mamma Mia!" e "O Jovem Frankenstein".

Ficha técnica
Espetáculo "A Autoestima do Homem Hétero"
Idealização, texto e atuação: Amanda Mirásci
Direção: Martha Nowill
Colaboração dramatúrgica: Bruna Trindade e Martha Nowill
Assistência de direção: Iuri Saraiva
Direção de movimento: Julianne Trevisol
Direção de arte: Luiza Mitidieri
Visagismo: Isabella Oliveira
Trilha sonora: Aline Meyer
Luz: Júnior Docini
Preparação vocal: Verônica Machado
Direção de Produção: Marlene Salgado
Design gráfico: Harú Estúdio Criativo
Fotos: Julia Lego
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Produção associada: Amanda Mirásci e Marlene Salgado
Realização: Arrakasta Produções Artísticas

Serviço
Espetáculo "A Autoestima do Homem Hétero"
Dias 10 e 11 de janeiro – Sábado e domingo, 14h30 e 17h00
Classificação: 14 anos
Duração: 70 minutos
Ingressos: https://bileto.sympla.com.br/event/114190/d/354261/s/2389064?
Classificação indicativa: 14 anos
Duração: 60 minutos

.: A (i)legitimidade da linguagem neutra e os gêneros sexuais


Por Helder Bentes,  escritor e professor. 

A linguagem existe para atender às nossas demandas de comunicação. Com os avanços nos estudos de gênero, a “linguagem neutra” surge, como o próprio nome sugere, para “neutralizar” a marcação do gênero em português. A lógica é a seguinte: se hoje não temos mais exclusivamente a dicotomia macho/fêmea, para contemplar as noções de cisgênero, transgênero e não-binário, cria-se um novo paradigma flexional de nomes portugueses. Mas, antes de o falante da língua portuguesa aderir a essa tentativa de parecer moderninho, é preciso entender o seguinte:

1. As noções de gênero masculino e feminino em português não são sexuais. São meramente gramaticais. Surgiram em função da classificação sexual dicotômica tradicional? Não. Esse critério regula a aplicação geral dos marcadores (-a para o feminino / -o para o masculino), marcando também a distinção de gênero sexual, mas não exclusivamente, porque há inúmeras palavras no português que designam coisas que não têm sexo. 

2. É preciso, pois, entender que masculino e feminino, como gêneros gramaticais, referem-se às mudanças possíveis na configuração formal das palavras e vocábulos da língua, reguláveis por critérios estritamente linguísticos. As variações na identidade de gênero sexual não são gramaticais, nem lhe correspondem. 

3. As palavras são uniformes ou biformes quanto ao gênero e isso varia de uma língua para outra. Há palavras que, em português, são masculinas. Mas seu correspondente noutra língua é feminino e vice-versa. Tem também o fato de que, as mudanças de gênero gramatical alteram também o significado da palavra. “O rádio”, por exemplo, é o aparelho receptor do sinal “da rádio” que é a estação transmissora. A neutralização dos marcadores gramaticais de gênero não altera o significado dos diversos gêneros sexuais. Isso é uma forçação de barra arquetípica de modernice afetada. 

4. Nem sempre a distinção gramatical de gênero é marcada por -a no feminino ou -o no masculino. Essa marcação pode ser feita por mudanças no radical da palavra (substantivos heterônimos), pelo contexto morfossintático (substantivos comuns de dois gêneros) ou por um morfema zero, que marca justamente a ausência de um dos marcadores, para designar o gênero da palavra, como ocorre, por exemplo, em órfão/órfã, cuja forma feminina se obtém pela supressão do -o que marca a forma masculina. Para entender melhor a distinção entre o gramatical e o sexual, basta pensar, por exemplo, que segundo as noções de transexualidade, uma mulher trans não se define por “zero pênis”. Ela pode morrer com o pênis, que tradicionalmente marca o gênero sexual masculino, mas não vai por isso deixar de ser do gênero sexual feminino, salvaguardadas as características da transexualidade, haja vista a ciência ter descoberto que o sexo humano é neural, não necessariamente morfológico. 

5. Na língua portuguesa, por exemplo, além dos substantivos masculinos ou femininos (biformes), nós temos também os substantivos uniformes que designam seres vivos não humanos, como vegetais e frutas que nascem desses vegetais, além de alguns animais que, por serem animais, têm sexo. Mas a palavra que os designa não segue as variações sexuais. Onça, borboleta, foca, por exemplo, são palavras sempre femininas, não importando se estamos nos referindo, por exemplo, à onça macho ou à onça fêmea. Idem para jacaré e tigre, que são sempre masculinos. Se quisermos especificar o sexo do animal, precisamos apelar para os adjetivos sexuais tradicionais “macho” ou “fêmea”. Idem para os substantivos uniformes quanto ao gênero e que designam pessoas (sobrecomuns): criança, pessoa, criatura, por exemplo, são sempre femininos. Cônjuge é sempre masculino. Caso se queira especificar o gênero sexual, empregam-se locuções adjetivas: pessoa “do sexo masculino”, cônjuge “do sexo feminino”. 

No âmbito dos estudos de gênero sexual humano, os relatores das pesquisas já fizeram isso, ao criarem os adjetivos “cisgênero”, “transgênero”, “binário” ou “não-binário”. Isso basta para atender às demandas da comunicação. Não precisa avacalhar todo um conjunto de regras gramaticais que existem antes para manter a eficiência da língua como sistema de comunicação, num mundo diverso, não exclusivamente para satisfazer as demandas subjetivas da comunidade LGBTQIAPN+. 

É por essas e outras viagens que nosso movimento encontra resistência da hegemonia heteronormativa. Aprendam a lutar. Não vai ser obrigando os héteros a neutralizarem a linguagem que nós vamos promover nossa inclusão. Eu particularmente acho que quem pensa que sim, deve fazer psicoterapia, além de estudar português. Óbvio!

.: "Roda Viva" entrevista a atriz Ingrid Guimarães nesta segunda-feira


Ingrid Guimarães estará no centro do "Roda Viva" para falar de humor, afeto e protagonismo feminino, às vésperas da estreia do filme "Minha Melhor Amiga". Foto: Nadja Kouchi / Acervo TV Cultura

Nesta segunda-feira, 12 de janeiro, o programa "Roda Viva" recebe a atriz e humorista Ingrid Guimarães para uma entrevista que revisita momentos decisivos de sua trajetória artística e pessoal. Prestes a estrear nos cinemas com o longa-metragem "Minha Melhor Amiga", no qual atua ao lado de Mônica Martinelli, a artista fala sobre carreira, escolhas criativas e a presença determinante das mulheres em sua vida - dentro e fora de cena.

Gravado em dezembro de 2025, o programa inédito propõe um mergulho na construção de uma das carreiras mais populares e consistentes do humor brasileiro contemporâneo. Ao longo da conversa, Ingrid reflete sobre o protagonismo feminino, os desafios da comédia em um país marcado por contradições sociais e políticas, além das transformações do mercado audiovisual e da relação direta com o público.

A bancada de entrevistadores reúne nomes de peso do jornalismo cultural: Priscilla Geremias, editora da Marie Claire Brasil; Ubiratan Brasil, jornalista cultural; Mariliz Pereira Jorge, colunista da Folha de S.Paulo e do Meio; Talita Duvanel, repórter de Cultura do O Globo; e Danilo Casaletti, repórter de Cultura do Estadão. 

O programa conta ainda com os comentários gráficos do cartunista Luciano Veronezi, que acompanha a entrevista com ilustrações ao vivo. O "Roda Viva" vai ao ar a partir das 22h00, na TV Cultura, com transmissão simultânea pelo site oficial da emissora, pelo aplicativo Cultura Play e pelas redes sociais - YouTube, X, TikTok e Facebook.

.: TV Cultura exibe animação nacional de ficção científica neste domingo


Neste domingo, dia 11 de janeiro, a TV Cultura apresenta o filme de animação nacional "As Aventuras de Fujiwara Manchester", a partir das 16h00. Dirigido e roteirizado por Alê Camargo, o longa transporta o público para o século 27, em uma jornada repleta de ação, humor e ficção científica. A trama acompanha o aventureiro espacial Fujiwara Manchester (“Fuji”), seus amigos Lydia e Kawi, e sua impetuosa nave Cara de Cavalo na missão de recuperar uma joia antiga capaz de provocar a destruição da galáxia.

Para cumprir o desafio, Fuji terá de enfrentar um terrível inimigo e, ao mesmo tempo, escapar de uma esquadra de naves do governo, que também ambiciona o poderoso artefato. Com direção de arte de Camila Carrossine, o longa é uma produção da UM Filmes e Buba Filmes, com produção executiva de Arnaldo e Julia Galvão.

.: "O Amor É Fodido", de Portugal, abre a Mostra Gargalhão no Teatro Commune


Neste sábado, 10 de janeiro, às 20h00, o Teatro Commune, em São Paulo, abre oficialmente a 1ª Mostra Gargalhão de Teatro Cômico e Máscaras com o espetáculo “O Amor É Fodido”, da Cia. João Garcia Miguel, de Portugal. A montagem inaugura a programação com uma obra intensa, provocadora e profundamente humana, que transita entre o riso e o desconcerto, a poesia e o absurdo, inspirada no universo literário de Miguel Esteves Cardoso e interpretada pelo ator João Garcia Miguel.

Em cena, o amor aparece sem idealizações: torto, insistente, contraditório. A peça propõe uma espécie de "Romeu e Julieta" contemporâneo, em que os amantes se enganam, tropeçam, “morrem” simbolicamente para o amor - e, ainda assim, seguem vivos. Há, nessa travessia, uma resistência quase teimosa: o desejo de continuar, de recomeçar o que ainda nem chegou a começar. Amar dá trabalho, cansa, confunde, mas persiste até o fim. Entre dores e alegrias, a montagem aposta no riso como ferramenta de sobrevivência e lucidez diante da vida.

“O Amor É Fodido” dialoga com um imaginário afetivo coletivo. Publicado nos anos 1980, o livro de Miguel Esteves Cardoso tornou-se um retrato de época e de um tipo humano reconhecível - alguém que todos fomos ou ainda somos em alguma medida. O espetáculo questiona: por que contar essa história novamente? Por que vesti-la outra vez? A resposta está na própria natureza do amor, que, como a roupa, não pode ser usada apenas uma vez - nem repetida mecanicamente. Há algo de inquietante tanto no excesso quanto na repetição. Amar é insistir, errar de novo, experimentar outra dose, mesmo sabendo dos riscos.

Com humor físico, presença cênica intensa e uma dramaturgia que flerta com a confissão, o espetáculo transforma fragilidade em força e vulnerabilidade em discurso cômico. A montagem reforça o espírito da Mostra Gargalhão, dedicada ao teatro cômico, às máscaras e à potência do encontro entre palco e plateia, celebrando o riso como gesto político, sensível e coletivo. 

A 1ª Mostra Gargalhão de Teatro Cômico e Máscaras acontece de 10 a 25 de janeiro de 2026, reunindo 10 espetáculos em uma programação diversa e provocadora. O projeto foi contemplado pela XXª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa, reafirmando o compromisso com a circulação de obras que investigam a linguagem teatral e o humor como forma de pensamento.

"O Amor É Fodido"



Postagens mais antigas → Página inicial
Tecnologia do Blogger.