sexta-feira, 3 de julho de 2026

.: Edição especial comemora os 70 anos do clássico "Grande Sertão: Veredas"


Publicado originalmente em 1956, "Grande Sertão: Veredas", de João Guimarães Rosa, revolucionou o cânone brasileiro e segue despertando o interesse de renovadas gerações de leitores. Exatamente 70 anos depois da primeira publicação, a edição especial comemorativa do romance chega às livrarias em 16 de julho. Esta edição especial, com novo projeto gráfico e capa elaborada a partir de uma obra da artista mineira Sonia Gomes, traz um ensaio inédito do pesquisador Érico Melo sobre os caminhos dos rascunhos até a forma final do romance.

O volume conta também com depoimentos inéditos de leitores ilustres que foram fortemente influenciados pela obra: Mia Couto, Alison Entrekin, Caetano W. Galindo, Eduardo Giannetti, Milton Hatoum, Bia Lessa, Ana Martins Marques, Geovani Martins, Amara Moira, Silviano Santiago, Heloisa Murgel Starling e Itamar Vieira Junior. Compre a edição especial de 70 anos de "Grande Sertão: Veredas", de João Guimarães Rosa, neste link.


Mais comemorações ao longo dos próximos meses
A celebração dos 70 anos de "Grande Sertão: Veredas" na Companhia das Letras inclui ainda o lançamento do audiolivro inédito narrado pelo ator Caio Blat, com trilha sonora e entradas de viola de Ivan Vilela, já disponível nas principais plataformas de áudio. Em agosto, será realizado, em parceria com o Museu da Língua Portuguesa, um ciclo de debates sobre o livro.

Uma biografia de João Guimarães Rosa escrita por Gustavo de Castro, poeta, escritor e professor da Universidade de Brasília (UnB), também deve ser publicada no fim do ano. O livro narra em detalhes a vida do escritor, médico e diplomata que viria a se tornar um dos nomes mais fascinantes da literatura brasileira.

Nas redes sociais, a editora prepara uma série de com depoimentos de autores e especialistas contemporâneos, como Érico Melo, Caetano W. Galindo, Alison Entrekin e Bruna Kalil Othero. Haverá também um episódio especial do podcast Rádio Companhia, além de um zine comemorativo na campanha “Literatura Brasileira Viva”. 


Sobre o autor
João Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo (MG) em 1908 e morreu no Rio de Janeiro, em 1967. Diplomata e médico, estreou na literatura com o volume de poemas "Magma", em 1936. Autor de "Sagarana" e "Corpo de Baile", é um dos escritores mais aclamados da língua portuguesa. Compre a edição especial de 70 anos de "Grande Sertão: Veredas", de João Guimarães Rosa, neste link.

.: Escritora lusitana Lídia Jorge conquista o Prêmio Camões de Literatura 2026


Premiação é a mais importante da língua portuguesa. Autora receberá 100 mil euros. Foto: Luisa Ferreira

A escritora portuguesa Lídia Jorge conquistou o Prêmio Camões de Literatura 2026. O resultado foi anunciado no início da tarde da última quinta-feira, dia 2 de julho, após a reunião virtual do júri. A autora receberá premiação no valor de 100 mil euros - concedida por meio de subsídio da Fundação Biblioteca Nacional (FBN/ MinC) e do Governo de Portugal - além de um diploma assinado pelos chefes de estado do Brasil e de Portugal. Lídia Jorge é uma das escritoras mais proeminentes da literatura portuguesa contemporânea, com uma obra reconhecida pela análise profunda da história recente de seu país, pela reflexão social e pela defesa dos direitos humanos e das mulheres.

“Desde ‘O Dia dos Prodígios’, de 1979, o diversificado conjunto da obra de Lídia Jorge contribui para enriquecer o património literário e cívico-cultural da língua portuguesa, trazendo experiências do último período da guerra colonial. ‘A Costa dos Murmúrios’, de 1988, é um marco importante na sua obra, uma vez que destaca a sua experiência de vida em Moçambique e desconstrói as versões da guerra colonial sob a perspetiva de uma mulher. Um dos seus últimos romances — ‘Misericórdia’, de 2022 — trata a velhice, a urgência da vida, a resistência ao fim. A sua escrita, marcada por uma prosa poética densa, aborda o passado ditatorial de Portugal, a condição feminina, o impacto das transformações históricas na vida quotidiana, o significado das revoluções, a emigração, as tensões entre a sociedade moderna e pós-moderna, os conflitos entre gerações, as ruturas familiares, com um estilo literário de forte carga lírica e foco na memória coletiva. Por todos estes motivos, o júri considerou, unanimemente, Lídia Jorge merecedora do Prémio Camões 2026”, diz a ata do júri.

Os jurados nesta edição foram o professor José Carlos Seabra Pereira (Universidade de Coimbra – Portugal); a professora, poeta e ensaísta Ana Mafalda Leite (Universidade de Lisboa – Portugal); a professora e pesquisadora Lucia Santaella (PUC-SP, Brasil); o professor, jornalista, historiador e doutor em Letras, José Ribamar Bessa Freire (Brasil); e o escritor e crítico literário Lopito Feijó, (Angola); a escritora, poeta, professora universitária e pesquisadora Odete Semedo (Guiné-Bissau).

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, falou sobre a premiação da escritora portuguesa: “A escolha de Lídia Jorge para o Prêmio Camões de Literatura 2026 celebra uma das grandes vozes da literatura em língua portuguesa, cuja obra reafirma o poder da escrita para preservar memórias, ampliar horizontes e promover reflexões sobre a condição humana. O Prêmio Camões simboliza a riqueza da nossa língua comum e o compromisso permanente do Brasil e dos países lusófonos com a valorização da cultura, da literatura e do diálogo entre os povos. Celebrar Lídia Jorge é também reconhecer a força transformadora da palavra e da criação artística na construção de sociedades mais democráticas, diversas e humanas”, afirmou.

O presidente da FBN, Marco Lucchesi, também comentou o resultado: “A escritora Lídia Jorge merece todo reconhecimento. Ela vive no coração do presente. Aponta para todas as contradições, dentro de uma perspectiva em que a política e a poética mostram-se inseparáveis, muito embora prevaleça, do começo ao fim, a altitude textual, a dinâmica profunda da língua literária. Seu profundo conhecimento da África, sobretudo de Moçambique, de Portugal e dos países língua portuguesa empresta grande riqueza ao conjunto da obra. Lídia Jorge possui uma consciência vigilante, crítica diante de um passado colonial e de todas as práticas de injustiça, na defesa de um largo estatuto de emancipação. Uma obra vasta, de extrema riqueza de abordagem e de gêneros literários. É uma das glórias da língua portuguesa”.


Lídia Jorge
Nascida em Boliqueime, Algarve (Portugal), em 18 de junho de 1946, Lídia Jorge é graduada em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa. No início dos anos 70, durante a Guerra Colonial Portuguesa, viveu em Angola e Moçambique - experiência que marcou sua produção literária. Seu primeiro romance, “O Dia dos Prodígios” (1980), inaugurou uma nova fase na literatura portuguesa ao romper com o realismo tradicional e com o tom documental, dominante à época. Suas obras estão traduzidas em diversos idiomas e já receberam prêmios como Prémio Pessoa, Médicis Étranger e Prémio Estatal Austríaco de Literatura Europeia. Entre suas principais obras estão, ainda, “A Costa dos Murmúrios (1988)”, “O Vale da Paixão (1998)” e “Misericórdia (2022)”.


Prêmio Camões
O Prêmio Camões é o mais importante da língua portuguesa. Instituído em 1988 pelos Governos do Brasil e de Portugal, tem como objetivo estreitar os laços culturais entre as nações que integram a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e enriquecer o património literário e cultural da língua portuguesa. Com o nome do maior escritor da história da língua portuguesa - o poeta português Luís Vaz de Camões - o prêmio é atribuído aos autores, pelo conjunto da obra, que contribuíram para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural da língua portuguesa. A primeira edição ocorreu em 1989.

O Ministério da Cultura português organiza a premiação pela parte portuguesa, cabendo à Fundação Biblioteca Nacional a organização pela parte brasileira. Em todas as edições do prêmio, o júri é composto por dois portugueses, dois brasileiros e dois representantes das demais nações da CPLP - Angola, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Moçambique, Timor Leste e São Tomé e Príncipe. O mandato para os jurados é de dois anos.

O diploma entregue aos laureados contém o nome de todos os países lusófonos e é assinado pelos chefes de estado do Brasil e de Portugal. Entre os 36 vencedores encontram-se autores de cinco países lusófonos (Brasil, Portugal, Moçambique, Angola e Cabo Verde). Confira todos os vencedores do Prémio Camões, por ordem cronológica:

Miguel Torga (Portugal), João Cabral de Mello Neto (Brasil), José Craveirinha (Moçambique), Vergílio Ferreira (Portugal), Rachel de Queiroz (Brasil), Jorge Amado (Brasil), José Saramago (Portugal), Eduardo Lourenço (Portugal), Pepetela (Angola), António Cândido (Brasil), Sophia de Mello Breyner Andresen (Portugal), Autran Dourado (Brasil), Eugénio de Andrade (Portugal), Maria Velho da Costa (Portugal), Rubem Fonseca (Brasil), Agustina Bessa-Luís (Portugal), Lygia Fagundes Telles (Brasil), Luandino Vieira - recusado (Angola), António Lobo Antunes (Portugal), João Ubaldo Ribeiro (Brasil), Arménio Vieira (Cabo Verde), Ferreira Gullar (Brasil), Manuel António Pina (Portugal), Dalton Trevisan (Brasil), Mia Couto (Moçambique), Alberto da Costa e Silva (Brasil), Hélia Correia (Portugal), Radouan Nassar (Brasil), Manuel Alegre (Portugal), Germano Almeida (Cabo Verde), Chico Buarque (Brasil), Vítor de Aguiar e Silva (Portugal), Paulina Chiziane (Moçambique), Silviano Santiago (Brasil), João Barrento (Portugal), Adélia Prado (Brasil), Ana Paula Tavares (Angola), Lídia Jorge (Portugal).

.: Jornalista escreve crônicas sobre a luta contra o alcoolismo


Por
Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

O que acontece quando a rotina de um jornalista é substituída pelo tremor do corpo e o vômito seco todas as manhãs? Escrito durante 110 dias de internação em uma clínica no Rio de Janeiro, "Garrafas ao Mar" é um relato corajoso sobre a fragilidade humana diante do alcoolismo. Em crônicas viscerais e sem autocompaixão, João Paulo Arruda expõe os fragmentos de sua própria queda e narra o processo de reconstrução de uma vida.

Com passagem por importantes redações cariocas, João começou a admitir que precisava de ajuda no início de 2024, quando tinha 48 anos. Andava cambaleante, tinha crises de sonambulismo e sofria apagões em casa ou na rua. Chegou a se internar duas vezes naquele ano, mas enxergava o tratamento apenas como uma etapa a ser cumprida. Recaiu, seu desempenho profissional piorou e foi demitido do jornal onde trabalhava há mais de duas décadas.

"Mergulhei na depressão e na autopiedade. Fiquei um mês deitado na rede da sacada, bebendo desesperadamente. A essa altura, eu já era conhecido como o bêbado do bairro", relembra, até ser levado por um amigo e a namorada a uma nova internação, desta vez encarada com humildade diante do reconhecimento de que estava doente e a morte era iminente. "Hoje, tenho consciência de que serei alcoólatra para o resto da vida. A doença é tão terrível que, mesmo estando bem, às vezes confundo paz com pasmaceira".

Sem poder usar computador, pelas regras da clínica, "Garrafas ao Mar" foi escrito inteiramente à mão, em tempo real, enquanto os fatos se desenrolavam. João preservou o olhar e a sensibilidade de repórter. Ele conta em detalhes sua rotina durante a internação e narra inúmeras histórias suas e da convivência com outros pacientes. Alguns, dependentes de álcool e drogas. Outros, que buscavam se libertar do vício em sexo e em jogos, contingente que vem se multiplicando nos últimos anos.

Mais do que um testemunho sobre a luta contra o alcoolismo, "Garrafas ao Mar" é o registro de alguém que precisou perder o chão para reaprender a caminhar. E pode servir como um espelho para tantas pessoas e famílias devastadas. “Limpo” desde setembro de 2025, João retomou sua carreira de jornalista. "Não escrevi os textos imaginando que publicaria um livro. Foi como se eu estivesse jogando garrafas ao mar, uma forma de reconexão comigo mesmo. Garrafas ao mar já está em pré-venda na Amazon e chega às melhores livrarias do país e com lançamento simultâneo em e-book em mais de 20 plataformas digitais".

.: “O Dragão Chinês”: filme número um de Bruce Lee conquista nova geração


Por
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

“O Dragão Chinês” chega à plataforma de streaming Reserva Imovision e reacende o impacto do primeiro grande papel de Bruce Lee no cinema. Dirigido por Wei Lo e Chia-Hsiang Wu, o longa-metragem de 1971 - conhecido internacionalmente como “The Big Boss” e, em Portugal, como “Big Boss, o Implacável” - acompanha Cheng Chao-an, um jovem que deixa a China rumo à Tailândia para trabalhar em uma fábrica de gelo ao lado dos primos. Antes de partir, ele faz uma promessa à família: não se envolver em brigas. A palavra empenhada, porém, entra em colapso quando colegas começam a desaparecer após confrontarem a administração do local.

A trama se apoia em uma estrutura direta: um homem comum levado ao limite. Durante boa parte do filme, Cheng observa, recua, hesita. A ação demora a explodir e essa espera sustenta a tensão. Quando finalmente entra em cena, Bruce Lee entrega o que viria a se tornar sua marca: golpes secos, precisão coreográfica e uma presença física que domina o quadro. “O Dragão Chinês” apresenta ao mundo um ator que mudaria o cinema de ação poucos anos depois.

Produzido pela Golden Harvest, o longa foi rodado na Tailândia com orçamento modesto, estimado em cerca de 100 mil dólares. O retorno foi imediato: sucesso de bilheteria na Ásia e a consolidação de Bruce Lee como estrela no Oriente. A produção guarda curiosidades de bastidores que atravessam a tela: Lee filmou cenas importantes lesionado, após torcer gravemente o tornozelo, além de enfrentar problemas de saúde durante as gravações. Em outra ocasião, um acidente com vidro resultou em pontos na mão. Ainda assim, seguiu trabalhando e isso se reflete na fisicalidade exausta de seu personagem em momentos-chave.

No elenco, além de Bruce Lee, estão Maria Yi, James Tien e Ying-Chieh Han, com participações de nomes que se tornariam recorrentes no cinema de Hong Kong, como Nora Miao. A narrativa também flerta com um recorte social ao inserir seus personagens em um ambiente de exploração, em que a fábrica de gelo funciona como fachada para o tráfico de drogas. A violência cresce de forma gradual e ganha contornos mais duros no desfecho, o que levou a cortes em versões internacionais à época.

A chegada do filme à Reserva Imovision abre uma programação dedicada à filmografia de Bruce Lee. Todas as quintas-feiras, a plataforma exibe um título da chamada Coleção Bruce Lee, começando por “O Dragão Chinês” e avançando por clássicos como “A Fúria do Dragão”, “O Vôo do Dragão” — dirigido pelo próprio Lee — e os títulos “Jogo da Morte” I e II. Rever “O Dragão Chinês” hoje é acompanhar o início de um percurso que transformaria Bruce Lee em referência global. O filme ainda carrega imperfeições de produção e escolhas narrativas irregulares, mas registra o instante em que o ator encontra sua dimensão diante das câmeras e não recua.


Ficha técnica
“O Dragão Chinês” | “Tang Shan da Xiong” (título original) | “Big Boss, o Implacável” (título em Portugal).
Gênero: ação, drama, policial. Duração: 100 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 1971. Data de lançamento: 23/10/1971. Idioma: mandarim, cantonês. Direção: Wei Lo, Chia-Hsiang Wu. Roteiro: Wei Lo. Elenco: Bruce Lee, Maria Yi, James Tien, Ying-Chieh Han, Nora Miao, Tony Liu, Kun Li. Distribuição no Brasil: Reserva Imovision. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


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.: Teatro: “Reparação” promove reflexões sobre violência, memória e Justiça


Espetáculo inspirado em um caso real combina depoimentos e ficção para refletir sobre violência de gênero, memória e as possibilidades de reparação. Foto: Mariana Chama

De 10 a 26 de julho, o Sesc Belenzinho apresenta o espetáculo “Reparação”, obra inspirada em um caso real ocorrido no interior de São Paulo na década de 1980. A montagem parte de depoimentos de moradores e pessoas ligadas ao episódio, combinando documentos, ficção e drama para refletir sobre as marcas da violência e as possibilidades, ou limites, da reparação.

A narrativa acompanha a trajetória de uma jovem violentada por dois colegas de escola que, após engravidar, é obrigada pela família a deixar a cidade para ter o filho longe dos olhares da comunidade. Seis anos depois, ela retorna com a criança para apresentar o filho ao pai. O reencontro faz emergir memórias e conflitos que atravessam o tempo, conduzindo a história entre a tragédia e a possibilidade de reconstrução. No elenco, Daniel Gonzalez, Fábia Mirassos, Luiz Bertazzo, Marilene Grama, Nilcéia Vicente e Yantó, sobe a direção de Carlos Canhameiro, que também assume a dramaturgia.

A dramaturgia preserva trechos dos depoimentos coletados pelo autor em transcrições fiéis, aproximando o público das vozes que inspiraram a criação da obra. Esses relatos se entrelaçam a cenas ficcionais, ampliando a discussão sobre violência de gênero, memória coletiva e os impactos duradouros de acontecimentos que permanecem inscritos na vida de indivíduos e comunidades.
 
Integrando a Trilogia da Cor Local, ao lado de "Agamenon 12h" e "xs CULPADXS", “Reparação” também investiga a relação entre espaço, cultura e identidade. Nesta montagem, a ação acontece em um salão de beleza típico dos anos 1980, recriado em cena como um ambiente de convivência, confidências e transformação. Mais do que um elemento cenográfico, o espaço torna-se parte da narrativa ao evocar um aspecto marcante da sociabilidade brasileira da época e evidenciar como histórias íntimas se entrelaçam às dinâmicas sociais.
 
Ao longo da trilogia, diferentes espaços cotidianos da periferia brasileira servem como ponto de partida para discutir memória, pertencimento e desigualdades. Em “Reparação”, o salão de beleza revela-se um território simbólico onde passado e presente se encontram, convidando o público a refletir sobre as permanências da violência e os caminhos possíveis para sua elaboração.


Ficha técnica
Espetáculo "Reparação"
Encenação e dramaturgia: Carlos Canhameiro.
Elenco: Daniel Gonzalez, Fábia Mirassos, Luiz Bertazzo, Marilene Grama, Nilcéia Vicente e Yantó
Manicure em cena: Maria França
Cabelo e maquiagem em cena: Rosa De Carlos
Trilha sonora e música ao vivo: Yantó
Cenário: José Valdir Albuquerque e Carlos Canhameiro
Iluminação: Gabriele Souza
Figurinos: Bianca Scorza (Acervo Godê)
Videografia: Vic Von Poser
Técnico de som: Pedro Canales
Técnico de luz: Finnick Fernandes
Técnico de vídeo: Ana Lopes
Cenotécnicos: Cesar Bournier e Marcelo Andrade
Produção: Mariana Pessoa


Serviço
Espetáculo "Reparação”
De 10 a 26 de julho, sexta e sábado às 20h00, domingo 18h30
Valores: R$ 50,00 (inteira), R$ 25,00 (meia-entrada), R$ 15,00 (Credencial Plena - Sesc). 
Ingressos à venda no portal sescsp.org.br e nas bilheterias das unidades Sesc. Limite de dois ingressos por pessoa. 
Local: Sala de Espetáculo I (120 lugares). Classificação: 16 anos. Duração:  90 minutos. 
Sesc Belenzinho |  Rua Padre Adelino, 1000 -  Belenzinho / São Paulo  
Telefone: (11) 2076-9700  
Transporte público   | Metrô Belém (550m) | Estação Tatuapé (1400m) 
Estacionamento  | De terça a sábado, das 9h00 às 21h00. Domingos e feriados, das 9h00 às 18h00.    
Valores | Credenciados plenos do Sesc: R$ 10,00 a primeira hora e R$ 4,00 por hora adicional. Não credenciados no Sesc: R$ 20,00 a primeira hora e R$ 5,00 por hora adicional.   

.: Filme “Uma Janela Suspeita” reabre um thriller subestimado dos anos 1980


Por
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com

“Uma Janela Suspeita” estreia chega à plataforma de streaming Belas Artes À La Carte  e recoloca em circulação um thriller que, à época do lançamento, dividiu a crítica, mas encontrou seu público com o passar dos anos. Dirigido por Curtis Hanson, que mais tarde assinaria “Los Angeles – Cidade Proibida”, o filme adapta o romance "The Witnesses", de Anne Holden, com roteiro do próprio Hanson em parceria com a autora.

A trama acompanha Terry Lambert (Steve Guttenberg), jovem executivo envolvido com Sylvia Wentworth (Isabelle Huppert), esposa de seu chefe. Durante um encontro no apartamento dele, Sylvia presencia, da janela do quarto, um ataque violento contra uma mulher, Denise (Elizabeth McGovern). Para evitar a exposição do caso extraconjugal, ela se cala. Terry decide mentir à polícia e se apresentar como testemunha ocular. O gesto, que pretende proteger, vira armadilha: ao menor sinal de inconsistência, ele passa a ser uma das suspeitas.

Hanson organiza a narrativa com ecos claros do suspense clássico, sobretudo na ideia da testemunha acidental e do homem comum empurrado para uma engrenagem maior do que ele. O espectador acompanha o modo como a mentira compromete cada movimento seguinte. O roteiro introduz Denise como peça decisiva, deslocando a dinâmica do filme e criando um jogo de alianças instável.

Há curiosidades de bastidores que ajudam a entender o resultado. A produção enfrentou mudanças logo na primeira semana de filmagens, com substituição de parte da equipe técnica por decisão do produtor Dino De Laurentiis. Curtis Hanson, por sua vez, insistiu na contratação do diretor de fotografia Gilbert Taylor, conhecido por trabalhos como “Star Wars”, o que contribui para o contraste entre luz e sombra que marca o filme. As locações em Baltimore reforçam essa atmosfera urbana de vigilância constante.

No elenco, Guttenberg foge do registro cômico que o popularizou nos anos 1980 e assume um protagonista acuado, em progressiva perda de controle. Isabelle Huppert, já consagrada no cinema europeu, imprime frieza e ambiguidade à personagem, enquanto Elizabeth McGovern sustenta a virada dramática com firmeza. O trio central garante tensão mesmo quando o roteiro força coincidências ou estica a verossimilhança.

Na recepção inicial, o filme teve avaliações mistas - parte da crítica apontou problemas de lógica na trama -, mas também reconheceu a habilidade de Hanson em manter o interesse por quase duas horas. Comercialmente, o longa recuperou seu orçamento e permaneceu entre os mais vistos nas primeiras semanas de exibição nos Estados Unidos. Hoje, costuma ser revisitado como um passo importante na trajetória do diretor, já interessado em personagens encurralados por escolhas equivocadas. Há ainda uma atualização em curso: um remake chegou a ser desenvolvido pela Blumhouse, com direção de Ben Young.

Ficha técnica
“Uma Janela Suspeita” | “The Bedroom Window” (título original) | “A Janela do Quarto” (título em Portugal)
Gênero: suspense policial, drama. Duração: 112 minutos. Classificação indicativa: 18 anos. Ano de produção: 1987. Data de lançamento: 16 de janeiro de 1987 (EUA). Idioma: inglês. Direção: Curtis Hanson. Roteiro: Curtis Hanson e Anne Holden (baseado no romance "The Witnesses"). Elenco: Steve Guttenberg, Elizabeth McGovern, Isabelle Huppert, Paul Shenar, Carl Lumbly, Wallace Shawn, Frederick Coffin, Brad Greenquist. Distribuição no Brasil: Belas Artes à La Carte. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


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quinta-feira, 2 de julho de 2026

.: Julianne Trevisol volta ao teatro em comédia sobre relações afetivas


Comédia francesa "Uma Semana, Nada Mais" estreia nova temporada no Teatro Nair Bello com Julianne Trevisol, Leandro Luna e Beto Schultz. Versão brasileira tem direção de João Fonseca e desnuda as contradições das relações afetivas contemporâneas. Foto: Caio Gallucci

Após vencer o "MasterChef Celebridades", a atriz Julianne Trevisol retorna aos palcos na comédia francesa "Uma Semana, Nada Mais", espetáculo que aborda inseguranças, conflitos e as dificuldades de comunicação nos relacionamentos amorosos contemporâneos. A atriz divide a cena com Leandro Luna e Beto Schultz na versão brasileira do texto do francês Clément Michel, fenômeno de público na América Latina, com mais de 400 mil espectadores em países como Argentina, Uruguai e Chile. A direção é de João Fonseca e a adaptação de Priscilla Squeff. Sucesso de público na América Latina, o espetáculo estreia nova temporada no Teatro Nair Bello, em São Paulo, no dia 24 de julho, onde permanece em cartaz até 16 de agosto. As sessões acontecem as sextas e sábados, às 20h00, e domingos, às 18h00.

Na trama, Pablo (Leandro Luna) pede ao seu melhor amigo Martín (Beto Schultz) que vá morar com ele e sua namorada Sofía (Julianne Trevisol). O objetivo é claro: desestabilizar a relação para provocar o fim do namoro. O plano se estende por uma semana - tempo suficiente para expor fragilidades, egoísmos e contradições dos três personagens. A convivência forçada serve de pano de fundo para discutir os limites dos relacionamentos afetivos contemporâneos, por meio do humor. A encenação aposta no riso como meio de provocar reflexão sobre o modo como construímos - e desmontamos - nossas relações interpessoais.

Para João Fonseca, que assina a direção, o interesse pela peça veio do modo como a trama se desdobra. “A forma surpreendente e divertida de como vai se desenrolando a história foi o que mais me atraiu”, comenta. Ele destaca ainda a importância do equilíbrio entre comicidade e desconforto. “Trabalhamos o ritmo cômico aproveitando ao máximo as situações propostas, para que o humor surja naturalmente, sem exageros.”

Responsável pela tradução e adaptação do texto, Priscilla Squeff destaca que a versão brasileira partiu da montagem argentina, o que aproximou o ritmo da comédia do nosso repertório cultural. “Tive que localizar algumas referências, atualizando situações para que ressoassem com o público brasileiro sem perder o espírito original da peça. O maior desafio é ajustar o tempo cômico: os contrapontos verbais precisavam funcionar no nosso ritmo”.

Nesse processo, o ponto de partida foi confiar nos personagens. “Eles são humanos, falhos, exagerados e, justamente por isso, engraçados. A ideia é preservar o humor, mas sem se descuidar da camada crítica: a dificuldade de comunicação nos relacionamentos, o medo do confronto, os jogos de poder afetivo. Acredito que o público vai rir de si mesmo, do amigo, do ex, daquele momento constrangedor que todos já viveram ou ouviram falar”.

Para o ator Leandro Luna, o espetáculo levanta questões sobre padrões afetivos e relações sociais. “Todos nós nos encaixamos em um tipo de padrão de relacionamento. A peça apresenta de forma explicita, caraterísticas que se enquadram nesses padrões e nos fazem refletir sobre como estamos nos relacionando nos dias de hoje, em como reagimos ao lidar com os nossos medos e inseguranças, e o quanto conseguimos ser verdadeiros nas nossas relações”.

Já Beto Schultz destaca a importância da confiança. “A reflexão que fica é que a verdade se prova, mais uma vez, peça essencial para qualquer relação, seja ela de amizade, profissional ou amorosa. Muitas vezes tomamos importantes decisões sem pensar e refletir o que pode causar problemas difíceis de resolver”.

João Fonseca também reflete sobre a conexão entre o texto original e o público brasileiro: “A peça traz questões universais a respeito das relações amorosas, de fácil identificação em qualquer lugar do mundo, e por isso seu sucesso. Acredito que o talento e o timing de comédia dos atores brasileiros vai potencializar ainda mais essa comédia”.


Serviço
Espetáculo "Uma Semana, Nada Mais"
De 24 de julho a 16 de agosto - Sessões: Sextas e Sábados às 20h00, e domingos às 18h00.
Sessão com acessibilidade em Libras: 9 de agosto, domingo às 18h00.
Classificação etária: 14 anos
Duração: 75 minutos
Ingressos: R$ 100,00 (inteira) / R$ 50,00 (meia-entrada)
Teatro Nair Bello – Shopping Frei Caneca
R. Frei Caneca, 569 - 401A - Consolação / São Paulo

.: Letterboxd dos musicais, Musical Cast Database preserva a memória do gênero


À frente do podcast Musical Cast há 11 anos, Rafael Nogueira criou uma plataforma que promete mudar a maneira como as pessoas assistem aos musicais brasileiros. Foto: divulgação

Nova plataforma gratuita reúne fichas técnicas e avaliações de musicais nacionais em um só lugar - e nasce como desdobramento do podcast "Musical Cast", no ar desde 2015. No dia 1º de julho de 2026, vai ao ar o MCDb - Musical Cast Database, a primeira plataforma dedicada a catalogar e avaliar musicais brasileiros, idealizada por Rafael Nogueira, o mesmo criador do podcast Musical Cast.

A proposta é simples e ambiciosa ao mesmo tempo: reunir em um só endereço a memória de um gênero que movimenta plateias há décadas, mas cujo registro ainda vive espalhado - quando não se perde de vez. As informações são pesquisadas em programas físicos e digitais, matérias de jornais e revistas, sites especializados em musicais e, às vezes, até na lembrança de quem estava lá, já que muitos desses registros não são mais encontrados.

O MCDb é um desdobramento natural do Musical Cast, podcast dedicado ao teatro musical brasileiro no ar desde 2015. Depois de anos conversando sobre o gênero, a iniciativa agora oferece à comunidade uma ferramenta para registrar e celebrar essas produções de forma permanente e organizada.


Por que documentar o teatro musical brasileiro
O teatro musical brasileiro tem uma história rica, mas frágil. Diferente do cinema, que fica registrado em película, ou da literatura, que sobrevive no livro, o musical é uma arte do instante: existe enquanto está em cartaz e depois se dissolve. Montagens estreiam, cumprem temporada, colecionam plateias emocionadas e saem de cartaz sem que fichas técnicas, elencos, produções e teatros fiquem organizados em qualquer lugar de acesso público.

Quando alguém quer saber quem dirigiu determinado espetáculo, quem assinou a versão brasileira de uma canção ou em que teatro uma montagem estreou, quase sempre esbarra no mesmo problema: a informação não está em lugar nenhum. Ela se dispersa em programas de papel guardados numa gaveta, em posts que somem no feed poucos dias depois e, principalmente, na memória de quem esteve lá. E memória, por mais generosa que seja, se apaga. A cada produção que encerra, a cada artista que segue outro caminho, a cada arquivo pessoal que se perde, um pedaço dessa história corre o risco de desaparecer para sempre.

O MCDb existe para enfrentar essa lacuna. A proposta é simples e ambiciosa ao mesmo tempo: transformar cada montagem em uma página consultável, reunindo elenco, direção, direção musical, produção, versionistas, teatros e ano num só lugar. Ao fazer isso de forma sistemática, a plataforma deixa de ser um acervo solto e passa a ser uma referência central e navegável, capaz de conectar pessoas, produções e trajetórias ao longo do tempo.

Esse trabalho serve a muita gente. Ao público, que ganha um caminho confiável para redescobrir espetáculos e acompanhar os artistas que admira. À imprensa, que passa a ter uma fonte organizada para checar créditos e construir pautas. Aos pesquisadores, que encontram matéria-prima para estudar a evolução do gênero no país. E à própria classe artística, que vê seu trabalho reconhecido e preservado, e não diluído no esquecimento. 


O que a plataforma oferece
Inspirado na lógica de comunidades como o Letterboxd, o MCDb combina arquivo e
experiência social:
● Catálogo de musicais com fichas técnicas completas e busca por título, elenco,
direção, produção e mais.
● Avaliações: o público dá notas de meia a cinco estrelas para cada produção.
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destacar suas montagens favoritas.
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de uma casa dentro do catálogo.
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vendo e avaliando.
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Sobre o Musical Cast
O Musical Cast, criado por Rafael Nogueira, acompanha e comenta o teatro musical brasileiro desde 2015. São 11 anos dedicados a falar sobre musicais nacionais, da Broadway e do West End, unindo análises profundas a uma conversa sempre leve e descontraída.

Reconhecido como o primeiro podcast brasileiro dedicado ao teatro musical, o Musical Cast já ultrapassou a marca de 270 episódios. Ao longo dessa trajetória, se firmou como um espaço onde o público encontra desde a repercussão das grandes estreias até a redescoberta de montagens que marcaram época, sempre com olhar atento aos bastidores, aos elencos e às escolhas artísticas que dão vida a cada espetáculo.

Além de noticiar, o programa se propõe a comentar e contextualizar. Os episódios passeiam por estreias, temporadas, curiosidades e trajetórias de artistas, aproximando quem faz musical de quem ama assistir. Essa combinação de profundidade e leveza é a marca do Musical Cast: um convite para pensar o gênero com seriedade, mas sem perder o prazer e a paixão que movem quem vive o teatro musical. Em mais de uma década no ar, o Musical Cast se consolidou como uma referência para fãs, artistas e profissionais do meio, ajudando a registrar e a celebrar a produção musical brasileira e a manter viva a memória dos musicais brasileiros.

.: Espetáculo "As Bondosas" estreia em São Paulo após temporadas de sucesso


No palco, dirigidos por Tom Pires, Gerson Lobo, Leandro Mariz e Sidcley Batista interpretam três mulheres, representando arquétipos femininos, numa encenação contemporânea que privilegia o humor. 
Foto: Janderson Pires 

Espetáculo teatral de artistas pernambucanos residentes em São Paulo e no Rio de Janeiro, “As Bondosas” estreia em São Paulo nesta sexta-feira, dia 3 de julho, no Galpão do Folias. Após temporadas de sucesso no Rio e apresentações em festivais pelo país, com mais de 12 mil espectadores, a montagem premiada conquistou seu espaço como uma das criações mais originais do teatro cômico. A comédia dramática do autor maranhense Ueliton Rocon traz à cena o encontro de três carpideiras - mulheres pagas para chorar em velórios -, Astúcia, Angústia e Prudência, já cansadas do penoso ofício de velar mortos. 

Elas recebem a missão de velar o corpo da filha mais jovem de uma tradicional família aristocrática, falecida em circunstâncias misteriosas. O que deveria ser um velório solene rapidamente se transforma em uma sequência de situações inusitadas e hilárias. À medida que observam o comportamento nada convencional dos membros da família - incluindo a própria falecida - as três figuras se veem envolvidas em uma trama repleta de segredos, revelações surpreendentes. 

Entre confissões inesperadas e acontecimentos cada vez mais absurdos, as carpideiras acabam expondo suas próprias verdades. "As Bondosas" é uma sátira afiada sobre a busca pela verdade, os costumes sociais e as contradições do comportamento humano, conduzida por personagens inesquecíveis de estética irreverente e intrinsecamente humorada da cultura nordestina. Três homens interpretam três mulheres, representando arquétipos femininos, numa encenação contemporânea que privilegia o humor pela natural comicidade do texto referenciado no interior do Nordeste. 

O palco é ocupado apenas por cinco caixotes que se transformam em vários signos contextualizados. “A direção do Tom Pires, tanto na condução dos atores quanto na encenação, valoriza a riqueza de diálogos que o autor imprime pela situação dramática vivida pelas personagens, evidenciando a semiologia da narrativa”, acrescenta o ator Gerson Lobo. 

Um olhar crítico sobre os costumes, satirizando o fingimento das relações humanas através das choradeiras no ato de suas ocupações. Entre confissões inesperadas e acontecimentos cada vez mais absurdos, as carpideiras acabam expondo suas próprias verdades, levando o público a rir da hipocrisia humana e das máscaras que insistem em usar. A peça completa treze anos de existência, executada pela Cia. S.O.S. de Teatro Investigativo e, em São Paulo, realizada pela Capela Alquímica Produções. 


Ficha técnica
Espetáculo "As Bondosas"
Texto original: Ueliton Rocon
Direção e pesquisa musical: Tom Pires
Elenco: Gerson Lobo, Leandro Mariz e Sidcley Batista.
Figurino: Leandro Mariz
Cenário: Sidclei Batista
Iluminação: Eduardo Salino
Produção executiva: Gerson Lobo.
Direção de produção: Cia SOS de Teatro Investigativo RJ
Assessoria de imprensa: Adriana Monteiro
Realização: Capela Alquímica Produções


Serviço
Espetáculo "As Bondosas"
Galpão do Folias | Rua Ana Cintra, 213 - Campos Elíseos / São Paulo
Estacionamento - Rua Ana Cintra, 223 ou Rua Ana Cintra, 183.
Telefone: (11) 33612223 / (11) 33332837
A bilheteria abre duas horas antes do espetáculo.
De 3 de julho até 2 de agosto de 2026
Sextas-feiras, às 20h00, sábados, às 18h00 e 20h00, e domingos, às 18h00.
Duração: 60 minutos
Valor - R$ 80,00 (inteira) / R$ 40,00 (meia-entrada)
Classificação indicativa – 14 anos.
Acesso para pessoas com deficiência (PCD)
Ao lado do metrô Santa Cecília.

.: “A Vingança de Uma Mulher” conduz jogo psicológico de desejo e crueldade



Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com

“A Vingança de Uma Mulher” (“La Vengeance d'une femme”), dirigido por Jacques Doillon, está em cartaz na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte. Lançado em 1990 e exibido na seleção oficial do 40º Festival Internacional de Cinema de Berlim, o longa-metragem parte de uma premissa simples e incômoda: uma viúva decide confrontar a amante do marido morto e, nesse encontro, reorganizar sua dor como método. Cécile, vivida por Isabelle Huppert, procura Suzy, interpretada por Béatrice Dalle, em Paris após o suicídio do marido. Convencida de que a amante tem responsabilidade na morte, ela constrói um jogo de aproximação e pressão emocional, em que cada palavra parece calculada para desestabilizar. O filme acompanha esse movimento com rigor, apostando em diálogos longos, olhares que se sustentam além do conforto e uma encenação que privilegia a presença física das atrizes.

O roteiro, assinado por Doillon em parceria com Jean-François Goyet, dialoga com a literatura de Fiódor Dostoiévski, especialmente “O Eterno Marido”, obra que investiga ciúme, ressentimento e obsessão. Essa base literária se traduz em uma narrativa concentrada, quase teatral, em que o conflito se desenrola pelo atrito constante entre as personagens. Isabelle Huppert conduz o filme com precisão e controle, explorando as ambiguidades de uma mulher que alterna acolhimento e agressividade com naturalidade inquietante. Béatrice Dalle responde com uma presença mais instintiva, criando um contraste que sustenta a tensão ao longo das mais de duas horas de duração. O restante do elenco - que inclui Jean-Louis Murat, Laurence Côte e Sebastian Roché - orbita esse confronto central, reforçando a atmosfera de instabilidade.

Outro dado que chama atenção é a forma como Doillon organiza o espaço cênico. Há uma economia de cenários e uma concentração nos corpos e nas vozes, o que aproxima o filme de uma experiência teatral filmada, sem abrir mão de uma mise-en-scène rigorosa. Críticos da época destacaram justamente esse caráter metódico da encenação, em que a vingança se constrói passo a passo, como se cada gesto obedecesse a um plano previamente traçado. Com 133 minutos de duração, “A Vingança de uma Mulher” exige do espectador disposição para acompanhar um ritmo deliberadamente controlado. A recompensa está na densidade das interpretações e na forma como o filme transforma um encontro em campo de guerra. Décadas depois, a obra permanece como um estudo incisivo sobre desejo, culpa e as formas silenciosas de violência que atravessam as relações íntimas.


Ficha técnica
“A Vingança de uma Mulher” | “La Vengeance d'une femme” (título original)
Gênero: drama. Duração: 133 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 1990. Idioma: francês. Direção: Jacques Doillon. Roteiro: Jacques Doillon e Jean-François Goyet, com base em “O Eterno Marido”, de Fiódor Dostoiévski. Elenco: Isabelle Huppert, Béatrice Dalle, Jean-Louis Murat, Laurence Côte, Sebastian Roché, David Léotard, Albert Le Prince, Brigitte Marvine, Pierre Amzallag, Jean-Pierre Bamberger. Distribuição no Brasil: não especificada. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


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A equipe do portal Resenhando.com acompanha parte da cobertura cinematográfica por meio da Belas Artes À La Carte, plataforma brasileira dedicada ao cinema de arte, clássicos e produções premiadas de diferentes países. Criado pelo grupo responsável pelo tradicional cinema Belas Artes, em São Paulo, em parceria com a Pandora Filmes, o serviço reúne um catálogo com curadoria especializada, incluindo obras raras, títulos restaurados e destaques de festivais internacionais. Para acessar o catálogo completo, conferir os lançamentos semanais e realizar a assinatura, basta acessar o site ou aplicativo da plataforma. Os planos têm valores acessíveis, com opção mensal e anual, além de locação avulsa para títulos específicos. Você pode assinar o Belas Artes À La Carte neste link.

.: "4x100: Correndo por Um Sonho" revisita derrota e busca redenção


Por
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

Aposta rara do audiovisual brasileiro, o drama esportivo “4x100: Correndo por Um Sonho” chega à plataforma de streaming Reserva Imovision. Dirigido por Tomas Portella, conhecido por transitar entre o cinema comercial e projetos de maior ambição estética, o longa-metragem parte de uma derrota marcante nas Olimpíadas do Rio 2016 para construir uma narrativa sobre rivalidade, culpa e reconstrução coletiva.

A trama acompanha Maria Lúcia (Fernanda de Freitas), atleta que carrega o peso de um erro decisivo na final do revezamento 4x100, e Adriana (Thalita Carauta), que, após o fracasso, abandona as pistas e tenta sobreviver no circuito de lutas de MMA. Anos depois, às vésperas dos Jogos de Tóquio, elas se veem obrigadas a dividir novamente a mesma equipe, dessa vez ao lado de outras corredoras que também lidam com suas próprias frustrações e expectativas.

O roteiro, assinado por um grupo que inclui Carlos Cortez, Caroline Fioratti, Juliana Soares, L.G. Bayão, Mauro Lima e o próprio Portella, costura diferentes conflitos pessoais sem perder de vista o eixo central: o trabalho em equipe como condição para qualquer vitória. O filme aposta em personagens com trajetórias distintas, evitando uma visão homogênea das atletas e abrindo espaço para discussões sobre machismo no esporte, desigualdade de investimento e a forma como a mídia constrói e destrói narrativas de sucesso.

Nos bastidores, a produção reúne nomes ligados à Gullane Filmes, com coprodução da Globo Filmes e Telecine. A ideia original partiu da atriz Roberta Alonso, que também integra o elenco, evidenciando um envolvimento criativo que ultrapassa a atuação. Parte das sequências de competição foi rodada entre São Paulo e Rio de Janeiro, enquanto a etapa final teve cenas captadas em Tóquio, em uma breve janela de gravações que buscou aproximar a ficção do ambiente olímpico.

Um dos episódios mais comentados da produção envolve Thalita Carauta, que relatou ter sofrido lesões durante as filmagens das cenas de corrida, exigindo adaptações e uso de efeitos visuais. O compromisso físico do elenco contribui para a sensação de esforço real que o filme tenta transmitir, especialmente nas sequências de treino e competição. Lançado em 2021, após adiamentos causados pela pandemia de Covid-19, o longa dialoga com um momento em que o esporte voltou ao centro do debate público, impulsionado pela realização das Olimpíadas de Tóquio. A coincidência de calendário reforçou o interesse pela obra, que funciona também como vitrine para histórias pouco exploradas no cinema nacional.


Ficha técnica

“4x100: Correndo por Um Sonho”
Gênero: drama esportivo. Duração: 109 minutos. Classificação indicativa: 10 anos. Ano de produção: 2021. Idioma: português. Direção: Tomas Portella. Roteiro: Carlos Cortez, Caroline Fioratti, Juliana Soares, L.G. Bayão, Mauro Lima e Tomas Portella. Elenco: Thalita Carauta, Fernanda de Freitas, Priscila Steinman, Cintia Rosa, Roberta Alonso, Augusto Madeira, Zezé Motta. Distribuição no Brasil: Imovision. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


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.: Espetáculo "Adulto” percorre o Brasil e coloca relações à prova no palco


Com Fran Ferraretto, que assina a dramaturgia, Iuri Saraiva, Sidney Santiago Kuanza e Jennifer Souza, montagem dirigida por Lavínia Pannunzio investiga amor, traição e saúde mental a partir de relações em colapso. Foto: Julieta Bacchin

Considerado um dos destaques do semestre na cena teatral paulistana e indicado aos principais prêmios de teatro, o espetáculo "Adulto" estreou no final do ano passado e integrou a mostra “2025 Em Cena”, organizada pela Prefeitura de São Paulo. Com expressiva recepção de público e crítica, o projeto dá início à turnê nacional, e será apresentado no Sesc Piracicaba, no próximo dia 30, às 20h00, e Sesc Santos, dia 31, às 20h00. Depois, passará por Sorocaba, São Bernardo do Campo e retornará à capital paulista, em apresentações previstas para setembro.

Com texto de Fran Ferraretto, indicada ao Prêmio APCA, "Adulto" apresenta um drama contemporâneo que confronta relações, segredos e idealizações sobre o amor. A encenação, assinada por Lavínia Pannunzio, acompanha dois casais de amigos que, diante da revelação de um segredo, veem emergir conflitos silenciados por anos. A peça propõe uma reflexão sobre as múltiplas formas de viver os vínculos afetivos, explorando experiências e valores que atravessam os relacionamentos.

Temas como traição, saúde mental, monogamia, machismo, maternidade e dinheiro atravessam a narrativa, estruturada em duas camadas: a ficção em processo de escrita por uma das personagens e a crise conjugal de João e Sara, que se intensifica com a chegada dos amigos Vitor e Paula, cujas visões provocam deslocamentos e tensões sobre os afetos na vida adulta.


Serviço
Turnê do espetáculo "Adulto"
Sesc Piracicaba: 30 de julho, às 20h00
Sesc Santos: 31 de julho, às 20h00

Ficha técnica:
Texto e idealização: Fran Ferraretto
Direção: Lavínia Pannunzio
Elenco: Fran Ferraretto, Iuri Saraiva, Sidney Santiago Kuanza e Jennifer Souza
Desenho de luz: Gabriele Souza
Trilha sonora e operação de som: Rafael Thomazini
Cenário: Mira Andrade
Figurino: Anne Cerutti
Design gráfico: Murilo Thaveira
Fotos: Julieta Bacchin
Visagismo: Louise Helène
Operação de luz: Carol Dourado
Técnico de montagem: Diego França
Assessoria de imprensa: Canal Aberto – Márcia Marques, Daniele Valério e Carina Bordalo
Estratégia digital e social media: Fernanda Pilotto
Direção de produção: Paula Malfatti
Coordenação de produção: FATTO Realizações
Gestão administrativa: Mava Produções
Assessoria jurídica: José Otávio V. de S. Ferreira S.I. Advocacia
Apoio: Oficina de Atores Nilton Travesso e Salão Pier A.

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