sexta-feira, 1 de maio de 2026

.: Pré-estreia de "Fraternura": novo filme sobre Frei Betto que trata de afetos, amizades e acolhimento familiar


"Fraternura" é o terceiro documentário da tetralogia que a Mirar Lejos está produzindo em parceria com a Secretaria do Audiovisual/Ministério da Cultura, sobre o legado plural do frei dominicano. Foto: Luís Monteiro


A produtora brasileira Mirar Lejos apresenta "Fraternura", filme que lança um olhar sensível e pessoal à trajetória de Frei Betto. Revisita suas memórias da adolescência em Belo Horizonte, os laços afetivos com a família e amigos, e revela as marcas profundas deixadas pelo período em que esteve preso durante a ditadura militar. O filme surpreende com imagens raras e depoimentos emocionantes de familiares a amigos. A pré-estreia, em São Paulo, com a presença de Frei Betto e dos diretores, acontece no dia 5 de maio, no Cine Marquise, da Av. Paulista, às 19h00, com entrada gratuita sujeita à lotação da sala.

"Fraternura" é o terceiro documentário da tetralogia que a Mirar Lejos está produzindo em parceria com a Secretaria do Audiovisual/Ministério da Cultura, sobre o legado plural do frei dominicano. O projeto dos quatro documentários temáticos tem direção de Evanize Sydow e Américo Freire, que são biógrafos de Frei Betto. O primeiro, lançado em abril de 2024, “A Cabeça Pensa Onde os Pés Pisam”, disponível nas plataformas da produtora, trata da trajetória do frade como educador popular e foi destaque em festivais como o Festival Internacional Del Nuevo Cine Latinoamericano, em Cuba, e na Mostra de Cinema de Ouro Preto.

O segundo documentário, “Múltiplos: os Percursos Literários de Frei Betto”, mergulha na vasta produção do autor, revelando sua força como escritor. Entre memórias, ensaios, literatura infantojuvenil, contos e romances, o filme destaca a riqueza de sua obra e o reconhecimento da crítica, que consagra Frei Betto como uma das vozes mais relevantes da literatura brasileira contemporânea. E por fim, o quarto documentário a ser lançado será o “Cartas da Prisão”, baseado no período em que o frei dominicano foi preso pela ditadura militar com outros frades. Além da tetralogia, a Mirar Lejos também prepara o longa-metragem Betto, com o ator Enrique Díaz como protagonista, e que será gravado em Cuba.


Frei Betto
Escritor, teólogo e ativista brasileiro, Frei Betto desempenha papel significativo na política e na sociedade do país. Na sua trajetória, muitas vezes desafiadora das estruturas de poder opressivas, como foi na ditadura militar brasileira, entre 1964 e 1985, são marcantes a conexão com comunidades populares e movimentos sociais, além da interlocução entre a Igreja Católica e o Estado.


Mirar Lejos
Produtora brasileira que atua nos campos da cultura, direitos humanos e comunicação. A Mirar Lejos conta com uma equipe de profissionais experientes em projetos relacionados ao patrimônio cultural, preservação da memória, e defesa dos direitos humanos, com conhecimento e experiência no desenvolvimento de conteúdos audiovisuais, digitais, artísticos e culturais. Reúne uma ampla rede de colaboradores, incluindo pesquisadores, jornalistas, produtores, roteiristas, editores e diretores.


Serviço
Pré-estreia de "Fraternura: Frei Betto"
Data: terça-feira, dia 5 de maio, às 19h00
Local: Cine Marquise – Av. Paulista, 2073 – São Paulo / SP
Grátis - entrada sujeita à lotação da sala

.: García Márquez de volta ao começo em "Viagem à Semente"


Ao visitar a antiga casa de seus avós, Gabriel García Márquez compreendeu a chave para sua literatura: voltar ao lugar onde tudo começou. Na mais recente edição de "Gabriel García Márquez: Viagem à Semente", com novo projeto gráfico e trechos extras, Dasso Saldívar narra com detalhes a trajetória do maior escritor colombiano de todos os tempos. O livro marca o início das comemorações do centenário de nascimento de Gabo, em 2027.  A tradução é de Eric Nepomuceno.

Considerado o mestre do realismo mágico latino-americano, Gabriel García Márquez, Prêmio Nobel de Literatura, é um dos autores mais importantes do século XX. Só no Brasil, já vendeu quase 3 milhões de livros. Suas obras foram adaptadas para filmes e minisséries. "Cem Anos de Solidão" ganhou uma megaprodução recente da Netflix. 

A primeira parte foi lançada no fim de 2024 e a segunda parte estará disponível ainda em 2026. “Li seu livro em três noites seguidas porque não consegui largá-lo. É um grande livro, não sei como o fez. Está muito bem escrito e documentado, e gosto dele porque é a biografia que mais se parece comigo”, disse Gabriel García Márquez a Dasso Saldívar. Compre o livro "Gabriel García Márquez: Viagem à Semente", de, Dasso Saldívar, neste link.

 Aos 25 anos, Gabriel García Márquez acompanha a mãe em uma viagem a Aracataca para consumar a venda da antiga casa de seus avós maternos. O jovem, que então dava seus hesitantes primeiros passos na literatura, não poderia imaginar que aquela visita se revelaria, anos depois, como um dos momentos mais decisivos de sua vida de escritor. Naquele vilarejo poeirento onde havia passado a infância, Gabo reencontra as imagens, vozes e atmosferas que haviam moldado sua imaginação.

Em "Gabriel García Márquez: Viagem à Semente", Dasso Saldívar reconstrói a trajetória desse mesmo jovem, que se tornaria o maior escritor colombiano e uma das figuras centrais da literatura do século XX. A biografia não se inicia com seu nascimento, ela vai além ao recuar no tempo para narrar a história de seus avós maternos - talvez os personagens mais decisivos em sua formação - e de seus pais. Ao fazê-lo, ficam para trás os limites do relato individual e se estabelece uma verdadeira saga familiar, marcada por guerras civis, amores censurados, deslocamentos e perdas. É desse legado de conflitos, memórias e afetos que emerge o universo simbólico que, mais tarde, se cristalizaria na ficção de García Márquez.

Ao acompanhar os anos de estudo no liceu e a adoção do jornalismo como ofício, Saldívar ilumina os momentos centrais da formação literária, social e política de Gabo. O texto mergulha em suas leituras formativas - Kafka, Faulkner, Virginia Woolf -, em sua aproximação com o pensamento de esquerda e em sua inserção nos mais diversos círculos intelectuais e afetivos, que foram verdadeiras redes de convivência e amizade, fundamentais tanto para o amadurecimento estético do escritor como para sua sobrevivência em períodos de instabilidade econômica.

Com rigor histórico, sensibilidade crítica e fôlego narrativo, Dasso Saldívar assina uma biografia exemplar. Esta nova edição de Viagem à semente convida o leitor a acompanhar o percurso do menino de Aracataca até sua consolidação como autor de Cem anos de solidão, em uma leitura envolvente e esclarecedora. Longe de pretender esgotar as formas de compreender a vida e a obra de García Márquez, este livro oferece, antes, um caminho de retorno às origens. Como nos ensina Saldívar, só há uma maneira de chegar a Macondo: voltando à semente.  Garanta o seu exemplar do livro "Gabriel García Márquez: Viagem à Semente", de, Dasso Saldívar, neste link.


Sobre o livro
“Leitura cativante. Esta biografia é lida como um romance e como um manual da história da América Latina e da Colômbia.” – Frankfurter Rundschau

“Um trabalho enorme e rigoroso, e Saldívar desempenha minuciosamente todas as etapas da vida deste Prêmio Nobel.” – StadtRevue

“O jornalista, que investiu vinte anos de sua vida neste trabalho, produziu um minucioso estudo que inclui entrevistas, testemunhos, anedotas […] Saldívar relaciona cada paisagem, personagem ou situação com a vida de Gabriel García Márquez. Um trabalho amplo que encantará os fãs do escritor.” – El País


Sobre o autor
Dasso Saldívar nasceu em San Julián, Colômbia, em 1951. Estudou Sociologia e Ciências Políticas na Universidad Complutense de Madrid, cidade onde reside, e atuou como jornalista e escreveu várias críticas literárias para diversos jornais e revistas da Europa e da América. Foi redator de programas culturais da Televisão Espanhola e cofundador da revista Margen. Em 1981, ganhou o Prêmio Jauja de Contos e, em 2002, foi agraciado pelo Ministério da Cultura da China com o Prêmio Nacional de Excelência Literária Estrangeira em Versão Chinesa por "Gabriel García Márquez: Viagem à Semente".

.: "Cláudia Vera Feliz Natal", o novo livro de Mariana Salomão Carrara


Novo romance de uma das mais celebradas escritoras brasileiras de hoje, "Cláudia Vera Feliz Natal", escrito por Mariana Salomão Carrara, chega às livrarias publicado pela Editora Todavia, com capa de Ana Heloisa Santiago. No centro da questão, está a liturgia jurídica que exige o cumprimento de certos protocolos. Um processo, por exemplo, por mais complicado que seja, não deve se estender indefinidamente, ou o juiz responsável deverá justificar sua demora. Às vezes, no entanto, há impasses que desafiam a contagem dos dias e expõem os limites do que pode ser decidido dentro de um rito - e mesmo dentro de um código.

É nesse ponto de tensão que se inicia este romance vigoroso. Um jovem magistrado, em resposta a uma representação por excesso de prazo, precisa prestar contas de sua lentidão em um caso sensível que o acompanha há meses. Aos seus superiores, dirige uma espécie de defesa-autobiografia em que revisita os anos de carreira nas pequenas comarcas de Cláudia, Vera e Feliz Natal, no interior do Mato Grosso.

Entre audiências, despachos e tentativas de conciliação, acumulam-se histórias extravagantes que expõem a afetação e o ridículo de todo um sistema que se quer solene, revelando as fissuras do universo de servidores que orbitam os fóruns, figuras tragicômicas como o próprio juiz, unidas pela contingência do cargo e quase nada mais. E enquanto sela o destino dos outros, o jovem juiz vê o seu lhe escapar. Transferido de cidade em cidade, cercado de relações provisórias e com dificuldade de construir laços duradouros - amigos, companheira, uma família possível -, enfrenta a experiência de ter autoridade sobre tudo, exceto a própria solidão.

Em "Cláudia Vera Feliz Natal", Mariana Salomão Carrara confirma a singularidade de um projeto literário que se reinventa a cada obra. Com arquitetura narrativa ousada e domínio cada vez mais surpreendente da linguagem, a autora transforma o universo jurídico em matéria de ficção de alta voltagem e escancara o desconcerto cômico de quem acredita que a lei pode dar forma ao mundo apenas para descobrir que o


Sobre a autora
Mariana Salomão Carrara nasceu em 1986, em São Paulo. É autora de "Fadas e Copos no
Canto da Casa", "Se Deus Me Chamar Não Vou" e "É Sempre a Hora da Nossa Morte Amém". Com
"Sabor Paciência", publicado pela Baião, estreou na literatura para as infâncias. Pela Todavia, publicou "Não Fossem as Sílabas do Sábado" e "A Árvore Mais Sozinha do Mundo", com os quais venceu as edições de 2023 e 2025 do Prêmio São Paulo de Literatura na categoria Melhor Romance. Garanta o seu exemplar de "Cláudia Vera Feliz Natal", de Mariana Salomão Carrara, neste link.

.: "Trilogia Psicodélica": Ronnie Von e o flerte com o psicodelismo


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

Na segunda metade dos anos 60, Ronnie Von decidiu dar um novo rumo para a carreira. Com forte influência do surrealismo na arte, ele lançou a chamada trilogia psicodélica, que apesar de ter sido um tremendo fracasso comercial na época, passaria a ser redescoberta nas décadas seguintes por uma nova geração de musicoa que entenderam o aspecto visionário dessa fase do cantor.

Ronnie Von já tinha lançado três discos, tendo como pano de fundo o inocente movimento musical da Jovem Guarda. Isso embora ele não fizesse parte daquele grupo que fazia as festas das jovens tardes de domingo; Pelo contrário: ele comandava um outro programa na televisão também com a mesma proposta de atingir o público jovem.

Mas em 1968 ele decidiu fazer o que realmente queria. A união com o produtor Arnaldo Saccomani foi fundamental para que os três discos que seriam  lançados passassem a ter uma sonoridade mais experimental. Bem distante da Jovem Guarda e mais próxima do movimento Tropicália, capitaneado pelos músicos Caetano Veloso e Gilberto Gil e pelo maestro e arranjador Rogério Duprat.

Na primeira faixa  do ´álbum de 1968, intitulado "Ronnie Von", ele declama um trecho de poesia antes de entar na canção "Meu Novo Cantar" (“Doa a quem doer, então eu vou cantar...").  As demais faixas que se sucedem na audição mostram um artista interessado em explorar caminhos diferentes do pop convencional que predominava na época,

Desse disco talvez a faixa mais emblemática seja "Silvia 20 Horas Domingo", que passou a ser venerada pelas novas gerações de músicos. A canção narra um encontro fictício marcado para o final de semana, que na verdade nunca aconteceu de fato.

O segundo disco da trilogia tem um título extenso ("A Misteriosa Luta do Reino de Para Sempre Contra o Império de Nunca Mais")   E já tem duas versões de canções pop internacionais em português ("I Started A Joke" e "My Cherie Amour", dos Bee Gees e de Stevie Wonder). Mas mesmo assim conserva a aura de experimentalismo nas faixas "Regina e o Mar" e "Mares de Areia".

Fechando a trilogia psicodélica, é lançado em 1970 o álbum "A Máquina Voadora" também tem algumas faixas com concessões mais comerciais, por imposição da gravadora. Mas é possível notar ecos do psicodelismo na faixa título e em outras como "Baby de Tal" e  "O Verão nos Chama". A faixa título fala sobre uma das paixões de Ronnie Von: a aviação. Ele foi piloto de aviões na juventude.

Em uma entrevista dada ao podcast "Disco Voador", Ronnie Von revelou que esse processo de redescoberta de sua obra o fez sentir vingado. Pois apesar de na época as críticas terem sido bastante negativas, a "Trilogia Psicodélica" ainda continua despertando o interesse de colecionadores e de jovens músicos.

"Silvia 20 Horas Domingo"

"Mares de Areia"

"A Máquina Voadora"

quinta-feira, 30 de abril de 2026

.: Crítica: "O Grande Arco de Paris" retrata frustração de arquiteto

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora e criadora do Resenhando.com

Em abril de 2026


O drama francês "O Grande Arco de Paris" (L'Inconnu de la Grande Arche), exibido no 2º Festival de Cinema Europeu IMOVISION, na Cineflix Cinemas de Santosbaseado no romance de 2016 de Laurence Cossé, começa na seleção de um projeto audacioso do arquiteto dinamarquês, Otto von Spreckelsen. Pouco conhecido, o vencedor do concurso de 1983 organizado pelo presidente François Mitterrand para projetar o Grande Arco de La Défense alinhado ao Louvre e ao Arco do Triunfo, esbarra em sucessivos desafios para a construção do monumento.

Como se não bastassem as dificuldades de complexidade do projeto e a implicância da administração de Mitterrand para erguer tal projeto audacioso, no caminho surgem disputas políticas e a vida pessoal do dinamarquês, a corrosão da relação dele com a esposa gera um conflito capaz de chegar a ficar por um fio. Embora, na vida real, a esposa de Spreckelsen tenha negado a forma como a relação e os conflitos foram retratados na produção, apontando que certas tensões não ocorreram de fato. Para tanto, o longa exibe um alerta a respeito antes de exibir seus 104 minutos de duração.

Intenso, Claes Bang ("O Homem do Norte" e "Drácula") imprime todas as frustrações de Johan Otto von Spreckelsen diante do projeto que seria sua grande realização profissional, além das igrejas que construiu em seu país natal. No entanto, diante de entraves durante o processo de construção do monumento, que jogam no colo dele restrições técnicas que implicam em sinuosos jogos de poder, precisa ponderar reais desejos para a vida. Vale a pena conferir!


A equipe Resenhando.com assiste aos filmes em Santos, no primeiro andar do Miramar ShoppingPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN


"O Grande Arco de Paris" (L'Inconnu de la Grande Arche). Gênero: Drama. Direção: Stéphane Demoustier. Roteiro: Laurence Cossé e Stéphane Demoustier (baseado no romance de mesmo nome de Laurence Cossé, publicado em 2016). Duração: 1h 47min. Distribuição: Imovision. Elenco: Claes Bang como Johan Otto von Spreckelsen (o arquiteto dinamarquês), Sidse Babett Knudsen, Xavier Dolan, Swann Arlaud, Michel Fau. Sinopse: França, 1983. Determinado a deixar sua marca na história, o presidente François Mitterrand lança um ambicioso concurso internacional de arquitetura: erguer o monumental Grande Arco de La Défense, alinhado com o Louvre e o Arco do Triunfo.

Trailer de "O Grande Arco de Paris"




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.: Crônica: o ciclo da vida que esbarra num até logo, por Mary Ellen Farias

Imagem do filme "Michael". Foto: Mary Ellen Farias dos Santos


Por: Mary Ellen Farias dos Santos

Em abril de 2026


A vida é cíclica e grande parte dos quarentões iguais a mim, aprenderam isso com a animação "O Rei Leão", lá em 1994. Eis que em pleno 2026, um até logo doloroso se concretiza hoje. 

Desde quando ouvi um grupo comentando sobre o encerramento, a não aceitação do que a princípio, parecia que aconteceria dia 29 de abril, foi inevitável. Contudo, a colher de chá de mais um dia para conseguir lidar com o amargor da pausa veio como um alento.

Em meio a um atropelo de emoções, o 2º Festival de Cinema Europeu IMOVISION com a exibição de filmes tocantes como "As Cores do Tempo" e "Amiga Silenciosa", que tratam as mudanças ao longo dos séculos, trouxeram um afago. Além de ajudar a viver ao máximo, naquele espaço tão agradável, as histórias sonhadas e transformadas em filmes.

Ao assistir pela terceira vez a cinebiografia tão comentada, "Michael", a linda homenagem musical sobre a vida e carreira do Rei do Pop, Michael Jackson, dirigida por Antoine Fuqua e estrelada por seu sobrinho, Jaafar Jackson, recebi a oportunidade como um brinde que resultou na efervescência emocional ao refletir que logo mais aquele lugar deixaria de existir. Inevitavelmente, lágrimas escorreram ao som de um dos maiores ícones culturais do século XX.

Assim, para a Cineflix Cinemas fica a mensagem final do longa "Michael", "e sua história continua...". Afinal, a produção de Michael: Parte 2 foi oficialmente confirmada. 

Portanto, fica um valeu para a cidade de Santos, pois está aí a promessa de novos e melhores ares em Praia Grande. Que venha a evolução do lugar da diversão!


* Mary Ellen é editora do site cultural www.resenhando.com, jornalista, professora e roteirista, além de criadora do photonovelas.blogspot.com. Instagram: instagram.com/maryellen.fsm


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"Michaelé a grande atração da Cineflix Cinemas de Santos


A unidade Cineflix Cinemas de Santos, localizada no Shopping Miramar, exibe hoje, dia 30 de abril de 2026, a cinebiografia sobre o eterno Rei do Pop "Michael", o drama nacional "Rio de Sangue", com Giovanna Antonelli, a animação "Super Mario Galaxy: O Filme" e a comédia de ação policial nacional com Fernanda Montenegro e Ary Fontoura, "Velhos Bandidos" Compre antecipadamente os ingressos aquihttps://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN.

Estão disponíveis para venda baldes colecionáveis da animação "Super Mario Galaxy: O Filme" e de "O Diabo Veste Prada 2"A unidade de Cinemas Cineflix Santos, fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga.

O Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021. Para acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no GonzagaConsulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN.


"Michael"(Michael). Gênero: Cinebiografia. Direção: Antoine Fuqua. Roteiro: John Logan. Duração: 2h 06min. Distribuição: Universal Pictures Brasil. Elenco: Jaafar Jackson, Colman Domingo, Nia Long, Miles Teller. Sinopse: A trajetória nos Jackson Five até se tornar o maior artista do mundo. Foca na ambição criativa e na vida pessoal do "Rei do Pop".

"Rio de Sangue" (nacional). Gênero: Thriller, Ação, DramaDireção: Gustavo Bonafé. Roteiro: Felipe Berlinck, Dennison RamalhoDuração: 1h 46 minutos. Distribuição: Disney. Classificação Indicativa: 16 anos. Elenco: Giovanna Antonelli (Patrícia Trindade), Alice Wegmann (Luiza), Antônio Calloni, Felipe Simas, Sérgio Menezes, Fidélis Baniwa, Ravel Andrade. Sinopse: Patrícia, uma policial afastada após uma operação fracassada e jurada de morte, se refugia no Pará. A trama engrena quando sua filha Luiza, médica em missão humanitária, é sequestrada por garimpeiros, forçando Patrícia a agir.  

"Super Mario Galaxy: O Filme" (The Super Mario Galaxy Movie). Gênero: Animação, Aventura, Comédia. Direção: Aaron Horvath e Michael Jelenic. Roteiro: Matthew Fogel. Duração: 1h 39 minutos.  Distribuição: Universal Pictures. Sinopse: Desta vez, a trama expande o universo cinematográfico para uma missão intergaláctica onde Mario e seus amigos devem deter uma nova ameaça cósmica. O filme marca a introdução da Princesa Rosalina e conta com a participação de Bowser Jr.

"Velhos Bandidos"(nacional). Gênero: Comédia, ação, policialDireção: Cláudio Torres. Roteiro: Cláudio Torres, Fábio Mendes e Renan Flumian. Duração: 1h 33min. Distribuição: Paris Filmes. Elenco: Fernanda Montenegro, Ary Fontoura, Bruna Marquezine, Vladimir Brichta, Lázaro Ramos. Sinopse: O longa acompanha o casal de aposentados que planeja um assalto audacioso a um banco para garantir uma aposentadoria tranquila. Para executar o plano, eles recrutam dois jovens comparsas, mas acabam sendo perseguidos por um obstinado investigador. 


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quarta-feira, 29 de abril de 2026

.: Crítica: "As Cores do Tempo" é espiral constante de vivências geracionais



Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora e criadora do Resenhando.com

Em abril de 2026


Heranças sempre trazem labirintos a serem decifrados. Na produção francesa e belga "As Cores do Tempo" (La Venue De L'avenir ), há complicações maravilhosas que, ao longo de 2 horas e 4 minutos, entrega poesia visual de perfeita contemplação. Exibido no 2º Festival de Cinema Europeu IMOVISION, na Cineflix Cinemas de Santos, o longa dirigido por Cédric Klapisch ("O Próximo Passo"entrega drama, enquanto transita pela comédia.

Em "As Cores do Tempo" um grupo de mais de trinta herdeiros, no tempo presente, descobre estar conectado por laços familiares, uma vez que cada um é descendente de Adèle Meunier (Suzanne Lindon, de "Jovens Amantes"), mulher que deixou uma casa de família na Normandia, fechada desde 1944. Reunidos pelo interessado na compra do terreno com a antiga casa com previsão para ser estacionamento de um grande shopping, alguns herdeiros acabam se aproximando por conta de uma pintura que chama a atenção do professor Abdelkrim (Zinedine Soualem, de "Bonecas Russas").

No filme de fotografia belíssima e contemplativa, é um retrato impressionista que desenha a trama que envolve do início ao fim, incluindo o pintor Claude Monet e a prostituta Odette (Sara Giraudeau, de "O Destino de Haffmann") para formar a narrativa de Adèle Meunier. Ora saindo do presente para o passado, entrelaça duas linhas temporais (1895 e 2024/2025). 

Enquanto num tempo distante, uma jovem sai de um vilarejo, após a morte da avó, em busca da mãe na grande Paris, em tempos mais modernos, seus descendentes decidem o que será feito de seu imóvel fechado desde os anos 40. Com delicadeza, "As Cores do Tempo" constrói constantemente um espiral em que as vivências de gerações distintas se sobrepõem, relacionando a arte, a memória e a passagem do tempo. Imperdível!


A equipe Resenhando.com assiste aos filmes em Santos, no primeiro andar do Miramar ShoppingPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN



"As Cores do Tempo" (La Venue De L'avenir ). Gênero: Drama, Comédia. Direção: Cédric Klapisch. Roteiro: Cédric Klapisch. Duração: 2h 06min. Distribuição: Imovision. Elenco: Suzanne Lindon: Adèle Meunier (1895), Paul Kircher: Anatole (2025), Vassili Schneider: Lucien, Abraham Wapler: Seb / Claude Monet (1874), Olivier Gourmet: Claude Monet (1895), Philippine Leroy-Beaulieu: Sarah Bernhardt, Vincent Pérez: Tio Théophraste, Cécile De France: Calixte de La Ferrière, Vincent Macaigne: Guy, Julia Piaton: Céline. Sinopse: O filme destaca a transição da ancestral Adèle, de 20 anos, que sai da Normandia para Paris no final do século XIX, conectando sua história com a de seus descendentes. A trama é descrita como um épico familiar com o estilo humanista do diretor.

Trailer de "As Cores do Tempo"





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terça-feira, 28 de abril de 2026

.: Nova edição de “Desemprego e Outras Heresias”: romance de Bruno Inácio


Com escrita fragmentada e fluxo de consciência, livro esgotado desde 2023 ganha nova edição pela Sabiá Livros e consolida a linguagem cortante do autor paulista.


Com uma escrita fragmentada, direta e construída em fluxo de consciência, o romance "Desemprego e Outras Heresias", escrito por Bruno Inácio, ganha nova edição pela Sabiá Livros, após o esgotamento da primeira edição. A obra investiga os efeitos duradouros do fanatismo religioso no ambiente familiar e reafirma a força literária de um autor que aposta na tensão entre forma e conteúdo. 

Trata-se de um romance inquietante sobre os traumas provocados por uma ruptura familiar. De forma crua e cortante, o autor traduz em linguagem o estado mental do protagonista, criando uma atmosfera de constante tensão, isolamento e desolação. A segunda edição conta com texto de orelha de Marcelo Labes, prefácio de Cintia Brasileiro, fotos de Lucas Orsini e textos de quarta capa assinados por Xico Sá, Carla Guerson, Pedro Augusto Baía e Gael Rodrigues. A capa, o projeto gráfico e o posfácio são de Andreas Chamorro.


Família, fanatismo e desamparo
Escrito em um fluxo de consciência não linear, o romance acompanha Fábio, um publicitário que vive em São Paulo, distante de sua cidade natal, e enfrenta o isolamento, o desemprego e a falta de perspectivas. A narrativa alterna entre passado e presente, costurando a melancolia da vida adulta com lembranças de uma infância marcada por culpa, rejeição e episódios familiares tensos. Quando Fábio recebe um pacote enviado por seu irmão, é lançado a um mergulho involuntário nas memórias desse passado, fazendo emergir um mistério que atravessa toda a obra e conecta essas duas pontas de sua existência.

As relações familiares estão no centro do interesse literário de Bruno Inácio. “Ao longo dos séculos, a literatura tem se aprofundado nas mais diversas dinâmicas possíveis entre pessoas de uma mesma família e, ainda assim, o tema parece longe de estar esgotado”, afirma o autor. A desolação com que o protagonista encara a vida desde a infância é tão visceral que provoca no leitor a dúvida sobre o caráter autoficcional da obra. Bruno reconhece que parte da história dialoga com uma experiência pessoal: o desemprego. “Quando mudei de cidade, pensei que não teria dificuldades para encontrar trabalho, mas fiquei quase um ano e meio sem ocupação formal”, relata.

Ainda assim, o autor destaca que o romance nasce do encontro entre vivências distintas. “Resolvi escrever uma história que juntasse a questão do desemprego com outro tema que já me causava bastante preocupação: os impactos do fanatismo religioso na formação de crianças e adolescentes”, explica. Compre o livro "Desemprego e Outras Heresias", de Bruno Inácio, neste link.


Linguagem própria e amadurecimento literário
Mesmo diante de temas densos, Desemprego e outras heresias se constrói como uma obra coesa e instigante, consolidando o estilo próprio de Bruno Inácio: frases curtas, secas e diretas, que intensificam o ritmo da leitura e o impacto emocional da narrativa. Essa linguagem, já presente em seu livro de contos de estreia, ganha maior fôlego e complexidade no romance. “Foi desafiador construir uma história mais longa e compor um personagem tão complexo quanto o Fábio, alguém repleto de manias e contradições internas”, comenta o escritor.


Referências literárias e o fascínio pelo poeta do rock brasileiro
Bruno Inácio nasceu em Ituverava, interior de São Paulo, e vive desde 2018 em Uberlândia (MG). É graduado em Jornalismo pela Universidade de Franca, mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Uberlândia e pós-graduado em Psicanálise e Análise do Contemporâneo (PUCRS), Cinema e Produção Audiovisual (USCS) e Literatura Contemporânea (Centro Universitário Barão de Mauá). É colaborador do Le Monde Diplomatique, Jornal Rascunho e São Paulo Review. Já publicou textos em veículos como Rolling Stone Brasil e Estado de Minas.

Na literatura, estreou em 2022 com "Desprazeres Existenciais em Colapso" (Patuá) e "De Repente Nenhum Som" (Sabiá Livros), lançado em 2024. Desemprego e outras heresias, publicado originalmente em 2022, retorna agora em nova edição após o esgotamento dos 500 exemplares iniciais.

O interesse pela escrita surgiu ainda na adolescência. “Até os vinte e poucos anos me dediquei à poesia, depois, passei a escrever prosa e me encontrei”, conta. Entre suas referências literárias estão Marcelino Freire, Marcela Dantés e Carlos Eduardo Pereira, além de Caio Fernando Abreu, Clarice Lispector e Lygia Fagundes Telles.

Outro nome fundamental em sua formação estética é Cazuza. Trechos de músicas do cantor aparecem em passagens relevantes de Desemprego e outras heresias, especialmente canções dos primeiros discos do Barão Vermelho. “Cazuza me impacta desde a adolescência e me hipnotiza até hoje com seus versos, o mesmo acontece com Fábio, protagonista do livro”, afirma o autor.


Trecho do livro (p. 24)
“Fui demitido pela razão mais lugar-comum dos últimos anos: a falência.
A crise não veio sem aviso prévio, como uma tia inconveniente.
Enviou cartas.
Deixou mensagens na secretária eletrônica.
Fez sinal de fumaça.
Então apareceu.
Descalçou os sapatos.
Se acomodou no centro da sala.
E ficou.
Não bastou mudar a gerência. As estratégias. Nem
pôr a vassoura atrás da porta. Quando me dei conta, estava prestes a colocar meus objetos numa caixa de papelão e sair para nunca mais voltar.
Cena recortada de um desses filmes preguiçosos de Hollywood. Na ficção, um recomeço-pré epifania. Na vida real, uma merda”.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

.: Entre "O Pai, a Faca e o Beijo", Thiago Sobral escreve o romance da omissão


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico cultural, especial para o portal Resenhando.com

Há romances que não se contentam em apenas contar uma história. Eles cutucam, provocam, obrigam o leitor a encarar a vida de uma maneira mais pragmática. "O Pai, a Faca e o Beijo", de Thiago Sobral, é um desses livros que estabelece uma relação de gato e rato com o leitor justamente porque não entrega facilmente o que ele quer. A cada página desse excelente livro de estreia, publicado pela Editora Patuá, a sensação é de se estar diante de uma tragédia anunciada - e, ao mesmo tempo, a de testemunhar um beijo negado, ou acompanhar a trajetória daqueles que se suicidam em vida.

O romance gira em torno de Santiago e Davi, o “Pirueta”. À primeira vista, parece uma história simples: dois homens tentando se aproximar, ainda que cercados por obstáculos, o principal deles é o embate com um pai que faz o que faz para proteger o filho da maledicência de uma cidade pequena. Mas Sobral não entrega um romance de amor no molde previsível. Em vez disso, o autor cria um campo de batalha em que as palavras são mal-entendidas, cada gesto se converte em desentendimentos e cada omissão para evitar o confronto carrega mais peso do que qualquer briga consumada. 

Santiago é o retrato da desesperança: um jovem que parece já ter desistido de si mesmo. Ele também é um paradoxo ambulante: homossexual e homofóbico, negro e racista, puritano e promíscuo, apaixonado e cruel, detestável e vítima das circunstâncias. O protagonista despeja todo tipo de chorume verbal, na fala e nos pensamentos, e ainda assim o leitor insiste em torcer por ele, como se a esperança de redenção pudesse surgir exatamente de quem mais nega a própria possibilidade de mudança e, sobretudo, de ser feliz.

Esse jogo perverso de expectativas é uma das forças do livro. Thiago Sobral não oferece personagens fáceis, mas desafia o leitor a se apegar a eles mesmo assim, como quem insiste em cuidar de uma planta que já nasceu murcha. Essa insistência faz parte da experiência da leitura desse livro: torcer pelo impossível. Mas não são apenas Santiago e Davi que sustentam o enredo de personagens carismáticos e fortes. 

Ao redor deles, um coro de personagens secundários amplia a sensação de claustrofobia emocional. A mãe, apresentada como doce e pilar da família, falha justamente por se omitir - a bondade dela é uma forma de covardia. O padre, que poderia ser refúgio espiritual, é ao mesmo tempo hipócrita e humano até demais, pois também revela-se incapaz de escapar dos dilemas dele. E Severo, o pai opressor e antagonista do próprio filho, representa a insatisfação destilada em cada atitude controversa. 

A falta de conciliação é a espinha dorsal de um livro que se constrói sobre a falha, a omissão e a impossibilidade. Cada gesto que poderia resolver é adiado e cada fala que poderia curar é engolida em um universo onde ninguém é de ninguém e todos se rejeitam o tempo todo. A escrita de Thiago Sobral é impregnada de fé, que no livro não aparece como dogma, muito menos como consolo. O autor, ex-seminarista, sabe quando a religião aperta e escreve sobre espiritualidade sem devoção cega, nem medo de expor as contradições de um universo que insiste em pregar amor enquanto ignora conflitos que poderiam ser resolvidos com uma fala mais incisiva. É uma literatura de coragem porque não teme nomear a ferida.

A influência de Machado de Assis é visível. Não se trata de copiar estilo do Bruxo do Cosme Velho, mas de herdar a ironia fina, a capacidade de desmontar o humano pela sutileza, o gosto pelo pessimismo elegante. Thiago Sobral parece olhar para os personagens que ele cria com a mesma frieza do autor de "Dom Casmurro" diante de Bentinho e Capitu: sem absolvições fáceis e muito menos recorrer ao melodrama.

Curiosamente, a leitura também evoca o cinema. Como no clássico "Casablanca", há uma sensação de destino interrompido, de que os protagonistas sempre carregarão um espaço vazio, um amor não realizado, um “barraco” abandonado em Cubatão, cidade que é cenário de toda essa história, e que traz o peso de uma geografia real para dentro do mito da separação eterna."O Pai, a Faca e o Beijo" é uma ode à liberdade, que nasce do confronto com o que se tentou calar. 

É a liberdade que pode ser percebida nos escombros, no beijo interdito, no pai irredutível e violento, no filho em fuga, naquilo que se faz escondido e no que se varre para baixo do tapete. Não é exagero dizer que também é um soco no estômago. Não há catarse porque não há reconciliação, e talvez esteja aí a ousadia maior do livro: recusar ao leitor a ilusão de que a vida sempre encontra um jeito. Compre o livro "O Pai, a Faca e o Beijo", de Thiago Sobral, neste link.

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