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quinta-feira, 29 de maio de 2025

.: O drama da liberdade moderna na democracia da Era do Espetáculo


Por Helder Moraes Miranda, editor do portal Resenhando.com

No célebre discurso de 1819, Benjamin Constant diferenciou a liberdade dos antigos - baseada na participação direta na vida política - da liberdade dos modernos, centrada na proteção dos direitos individuais. Hoje, no entanto, vive-se uma metamorfose desse conceito: a liberdade moderna convive com a passividade eleitoral, o culto à opinião alheia nas redes sociais e atitudes que distorcem o próprio sentido de democracia. Esta reflexão pretende discutir como a noção de liberdade evoluiu, como ela se manifesta nas democracias atuais e como é, por vezes, distorcida por práticas e discursos autoritários travestidos de reivindicações legítimas.

Benjamin Constant argumentava que, nas democracias antigas, como em Atenas, a liberdade significava a participação ativa do cidadão na política, enquanto os modernos, em sociedades complexas e populosas, valorizam a autonomia privada e os direitos civis. Essa distinção se reflete nos regimes democráticos atuais, nos quais poucos cidadãos participam efetivamente além do voto. A democracia moderna pressupõe uma estrutura institucional estável - com divisão de poderes, eleições periódicas e garantias constitucionais -, mas que não impede o crescimento da apatia política e da alienação digital. Ao mesmo tempo, surgem novos desafios: a liberdade de expressão colide com o controle algorítmico e a cultura do like, e a intimidade é negociada em troca de aceitação e visibilidade.

Esse novo tipo de “prisão livre” revela um paradoxo: o indivíduo moderno, embora dotado de direitos civis, parece cada vez mais condicionado pela necessidade de aprovação externa e pela lógica das plataformas digitais. O romance "1984", de George Orwell, retrata uma sociedade dominada pela vigilância total do Estado. Hoje, vivemos uma forma invertida desse cenário: a vigilância é voluntária, e os cidadãos se expõem deliberadamente nas redes. A chamada “sociedade do espetáculo”, como denunciou Guy Debord, transformou a realidade em imagem, e a experiência em performance pública. Os reality shows como o "Big Brother Brasil" são o ápice desse modelo: desconhecidos e até famosos abrem mão da privacidade em troca de fama e entretenimento, e milhões consomem essas intimidades como forma de lazer. Nesse contexto, a liberdade se torna uma moeda de troca no mercado da atenção, e o escândalo, uma estratégia de marketing e visibilidade.

Essa alienação enfraquece a virtude democrática da responsabilidade, permitindo que cidadãos confundam liberdade com impunidade. Exemplo disso são as ações de vandalismo durante os atentados de 8 de janeiro de 2023, em Brasília: os participantes alegaram estar exercendo sua liberdade de expressão, enquanto destruíam instituições que garantem justamente a liberdade de se manifestar a partir do diálogo. A sensação de impunidade e a ausência de culpa - acompanhadas por pedidos absurdos de anistia - revelam como a democracia pode ser corroída por discursos que retalham seus fundamentos. A “sociedade do escândalo” se alimenta da indignação instantânea e da comoção superficial, esvaziando o debate público e normalizando atos extremistas como se fossem manifestações legítimas de liberdade.

Dessa forma, a liberdade dos modernos, se por um lado ampliou direitos individuais e privacidade, por outro exige uma vigilância ética constante. A democracia não se resume ao direito de votar, nem a uma aparência de liberdade digital. Exige consciência crítica, participação ativa e compromisso com o bem coletivo. Em tempos de superficialidade virtual e extremismos travestidos de liberdade, é urgente retomar o sentido profundo da democracia: garantir que sejamos, de fato, livres para viver com dignidade, sem abrir mão da responsabilidade que essa liberdade exige. Porque não há liberdade sem consciência ou consistência - e muito menos não existe democracia sem pessoas dispostas a defendê-la.

terça-feira, 21 de março de 2023

.: "A Baleia": mensagem além das telas do filme premiado no Oscar

Quanto pesa uma palavra não dita? Um sentimento não expressado? No filme “A Baleia”, a obesidade e a “gordofobia” são apenas as primeiras camadas da arqueologia de uma alma em sofrimento. Que usa o corpo para carregar suas dores.

Quando atravessamos essa primeira barreira do peso, verificamos que sob o peso do corpo escondem-se outros sentimentos, que segundo a neuropsicóloga Roselene Espírito Santo Wagner são a perda, luto, repressão, castração, culpa, arrependimento, remorso e redenção. "Tal qual o famoso quadro de Edvard Munch: O grito", relembrou.

Segundo ela, no filme premiado no Oscar e no quadro citado só observamos o pânico, o desespero. Mas no fundo da tela, talvez com olhos atentos, possamos enxergar um pôr do sol. Uma nova possibilidade, no novo amanhecer. A busca do perdão, da redenção e da reconciliação com amores importantes, laços indissolúveis.

"Segundo Freud , 'É preciso amar para não adoecer'. Mas é igualmente necessário se sentir aceito, antes de ser amado. Pelo que se é, dedicando-se nessa aceitação, no projeto de vir a ser um ser humano. Somente o amor, ofertado e recebido pode nos humanizar de fato", mencionou.

Ainda conforme Leninha, como é mais conhecida, a Psicanálise aponta que a compulsão por comer constitui apenas uma forma de evitar a angústia que paradoxalmente produz um sofrimento ou um ato que se funde ao eu e cobra seu preço na moeda da angústia. "O personagem central da trama utiliza a obesidade numa tentativa de manifestação por meio do comer excessivo, uma compulsão, que mascara a falta de amor e amar. A intensidade da relação com a comida não parte de uma necessidade nutricional, nem de uma tentativa de obter prazer. Mas sim de uma necessidade de sobrevivência psíquica", explicou.

"O transtorno alimentar, seja anorexia, bulimia ou obesidade, é apenas o lugar de expressão da dificuldade de lidar com o sofrimento. E o alimento é tido como uma forma de preencher um vazio interno. Tais manifestações ocorrem quando o indivíduo não consegue expressar verbalmente seus conflitos. O psiquismo pode utilizar-se de outras formas para expor o que o aflige. O vazio existencial é sempre marcado pela falta do objeto perdido. Não conseguindo identificar que estamos sempre na esfera do olhar do outro. É pelos olhos que adentramos a alma", adendou.

Também conforme a neuro, o corpo físico é usado para as representações do ego subjetivo. Não somos só a pele que habitamos, somos principalmente os desejos que guardamos. O desejo de pertença e importância. O desejo de amar e ser amado.

"O personagem come sua fome de todos os amores perdidos, de todos os lutos vividos. É preciso ser humano para entender outro ser humano e igualmente imperfeito e finito, como nós", finalizou.


Sobre Dra Roselene Espírito Santo Wagner: Também conhecida como Dra. Leninha, é Ph.D em Neurociências, Dra em Psicologia, Mestre em Psicanálise e Neuropsicóloga especialista no tratamento de diversos transtornos, além de ser habilitada para aplicação de testes psicométricos reconhecidos mundialmente. Dra. Leninha tem participação em diversos programas de rádio e televisão, assim como periódicos e revistas nacionais e internacionais.  


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quarta-feira, 8 de março de 2023

.: Dia Internacional da Mulher: cinco conquistas e leis pelo universo feminino

Conheça as principais conquistas e leis em prol dos direitos das mulheres e entenda sua importância para a luta por uma sociedade mais justa e igualitária


O Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, é uma data que celebra a luta das mulheres pela igualdade de direitos e reconhecimento de suas conquistas sociais, políticas e econômicas. Embora a data tenha sido oficializada pela Organização das Nações Unidas apenas em 1975, ela remonta a manifestações que ocorreram no início do século XX.

Desde lá, muitas lutas e avanços foram conquistados. No entanto, ainda há muito a ser feito para garantir a equidade de gênero, seja no ambiente de trabalho, no acesso à saúde, na educação e na vida em sociedade. Para se ter uma ideia, dados do IBGE relatam que uma mulher negra recebe cerca de 44,4% – menos da metade – da renda média dos homens brancos Ainda assim, é importante destacar as conquistas e leis que protegem o universo feminino.

Para a advogada com perspectiva de gênero, especialista em Direitos Humanos e Penal, Mayra Cardozo, essas conquistas são importantes, mas ainda há muito a ser feito em termos de igualdade de gênero. "Ainda vivemos em uma sociedade patriarcal e machista, que oprime as mulheres de diversas formas. É preciso continuar lutando por mais direitos e pela valorização das mulheres em todos os setores da sociedade", afirma.

Abaixo, a especialista destaca 5 conquistas e leis que são marcos na luta pela igualdade de gênero. Essas conquistas foram alcançadas a partir de muita luta, perseverança e representatividade feminina em diversos campos. Confira:

1. Direito ao voto: “Em 1932, as mulheres conquistaram o direito ao voto no Brasil. Antes disso, elas eram impedidas de participar das decisões políticas do país. No entanto, apesar desse avanço, a desigualdade política ainda é uma realidade presente no país. As mulheres, por exemplo, representam apenas 13% dos cargos eletivos do país, o que evidencia a necessidade de mais esforços para garantir a participação igualitária de todos os segmentos da sociedade nas decisões políticas”, explica.

2. Lei Maria da Penha: “A Lei Maria da Penha representa um importante avanço na proteção dos direitos das mulheres no Brasil. Desde a sua criação, a lei tem sido uma ferramenta fundamental para combater a violência doméstica e garantir a segurança e o bem-estar das vítimas. Além de aumentar as punições para agressores, a lei também estabelece medidas de proteção que podem incluir o afastamento do agressor da casa da vítima, a proibição de se aproximar da vítima ou de seus familiares e a garantia de assistência jurídica e social às vítimas. Embora ainda haja muito a ser feito para erradicar a violência contra as mulheres, a Lei Maria da Penha é um importante passo na direção de uma sociedade mais justa e igualitária”, mostra.

3. Igualdade salarial: “A igualdade salarial entre homens e mulheres é um princípio fundamental para garantir a equidade de gênero no mercado de trabalho e na sociedade em geral. A Constituição Federal de 1988 estabelece claramente que homens e mulheres devem receber salários iguais para trabalhos de igual valor, mas, infelizmente, ainda há uma grande disparidade salarial entre os gêneros em muitas empresas. Essa disparidade salarial prejudica as mulheres em termos financeiros e também afeta sua independência econômica. É importante que empresas e governos tomem medidas concretas para garantir a igualdade salarial entre homens e mulheres, como a realização de auditorias salariais e a promoção de políticas de igualdade de gênero no ambiente de trabalho”, indica Mayra.

4. Licença-maternidade: “A licença-maternidade é um direito fundamental para garantir a proteção da saúde da mãe e do bebê e promover o desenvolvimento infantil. As mulheres que trabalham têm direito a 120 dias de licença remunerada após o nascimento do filho, podendo ser prorrogada em casos de adoção ou de complicações de saúde da mãe ou do bebê. Durante a licença-maternidade, a mãe pode se dedicar ao cuidado do filho e à sua própria recuperação, sem prejuízo de seu emprego ou salário. Além disso, a licença-maternidade é importante para incentivar a amamentação e a formação de vínculos afetivos entre mãe e filho”, diz a advogada.

5. Lei do Feminicídio: “A Lei do Feminicídio, criada em 2015, é um importante marco na luta contra a violência de gênero no Brasil. Essa lei tornou o assassinato de mulheres em decorrência do gênero um crime hediondo, o que significa que os agressores podem ser punidos de forma mais rigorosa. Além disso, a lei reconhece que o feminicídio é uma forma extrema de violência de gênero e que é preciso adotar medidas específicas para prevenir e combater esse tipo de crime. Embora ainda haja muito a ser feito para erradicar a violência contra as mulheres, a Lei do Feminicídio representa um importante avanço na defesa dos direitos das mulheres e no combate à violência de gênero”, finaliza Mayra Cardozo. 


Sobre Mayra Cardozo: É advogada com perspectiva de gênero, sócia do escritório Martins Cardozo Advogados. Membro permanente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB - CNDH. Educadora, ministra aulas na Escola Paulista de Direito, na Escola Superior de Propaganda e Marketing - ESPM e no Centro Universitário de Brasília. É colaboradora executiva da revista suíça Brainz Magazine. Palestrante sobre diversidade e inclusão. É líder de empoderamento feminino, desenvolve sessões 1:1 na sua "Mentoria para Mulheres Mal Comportadas" na qual integra suas pesquisas sobre gênero, sua formação em Feminist Coach e sua perspectiva psicanalítica em um trabalho que visa questionar crenças internalizadas que sustentam a sociedade patriarcal e impedem que mulheres tenham relacionamentos saudáveis, ocupem espaços de poder e tenham um boa relação com seu corpo.


terça-feira, 6 de dezembro de 2022

.: Maria Firmina dos Reis, presente! Artigo de Danielle Barreto Nigromonte


Maria Firmina dos Reis foi homenageada por conta de sua vida e obra na 20ª Flip, Festa Literária Internacional de Paraty, realizada neste mês (Foto/Divulgação). Artigo assinado por Por Danielle Barreto Nigromonte*

Um grupo com pouco mais de dez pessoas se reuniu em frente à Casa Gueto, no Centro Histórico de Paraty, na última sexta-feira, dia 25. Orgulhosos, traziam no peito o rosto imaginado da professora e escritora Maria Firmina dos Reis, com os dizeres: ‘de Guimarães para o mundo’. Conterrâneos da autora homenageada da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) deste ano - que retomou o presencial depois de duas edições no formato online -, eles comemoravam o fato dela e da cidade onde nasceram, que tem pouco mais de 12 mil habitantes, serem lembrados por um dos principais eventos literários do país. “Ela é a protagonista da nossa cidade e merece que todos conheçam sua história”, clamavam.

Na ocasião, estava sendo lançada a biografia da maranhense, que teria vindo ao mundo no mesmo período em que o Brasil se tornou independente. Mas tanto sua feição quanto o ano exato de seu nascimento permanecem incógnitos - menos a sua obra. Da primeira à última mesa do evento, nas ruas, nas prateleiras das livrarias, declamações, slams, tudo lembrava Maria Firmina, que teve como ponto alto dos escritos o romance Úrsula, publicado em 1959. À época não assinava o texto, mas ele se tornou ícone da literatura brasileira e ela é reconhecida como a primeira romancista negra do Brasil.

“Celebrar a Maria Firmina é comemorar a possibilidade de ser livre”, foi dito na mesa inaugural do evento, a Pátrios Lares, em que a discussão desenhou o pioneirismo da escritora maranhense, que ficou órfã com 5 anos de idade, tornou-se professora - criou a primeira escola mista de seu estado - e colocou nos textos o protagonismo negro. Firmina também contribuiu para a luta abolicionista e esteve, ainda que dois séculos atrás, à frente de seu tempo.

Como forma de fomentar essa discussão, ouvir especialistas e exaltar os verdadeiros protagonistas de nossa história, as equipes das Agendas Bonifácio e Tarsila, geridas pela Organização Social Amigos da Arte, estiveram presentes nos cinco dias de evento, registrando a alegria de celebrar o reencontro e a cultura. Foi um trabalho intenso, permeado por diversas vozes, exaltando a diversidade que faz parte do cotidiano brasileiro e do trabalho que desempenhamos desde o início dos projetos, que já estão em fase final, mas ficarão como registros históricos de duas importantes efemérides brasileiras: o centenário da Semana de Arte Moderna e o bicentenário da Independência.

Revisitar o passado, analisar o presente e projetar o futuro, sempre tendo como farol os expoentes, de fato, casam com a frase de Maria Firmina dita na abertura do evento literário e divulgada por seus patrícios, na mesma camiseta vestida com ares de estandarte: "A mente, esta ninguém pode escravizar". Não mesmo.

*Historiadora e diretora-geral da Organização Social Amigos da Arte. Você pode comprar os livros de Maria Firmina dos Reis neste link.

terça-feira, 18 de outubro de 2022

.: "O que eu faço com isso?": a raiva não pode te controlar


Por Rosane Castilho*


A raiva é uma emoção natural, derivada de sensações como frustração ou impotência. Sua intensidade e expressão podem variar a partir de aspectos como idade, gênero e cultura e, quando descontrolada, pode ser o estopim de grandes conflitos.

Por outro lado, apesar de ser percebida socialmente como uma emoção negativa, a raiva pode servir como mecanismo de proteção e, se bem administrada, pode trazer benefícios na direção do autoconhecimento e do manejo interno de emoções e sentimentos.

Frequentemente expressamos a raiva e nos sentimos mal. Antes de adotar o autojulgamento, é importante lembrar que essa emoção pode ser o último recurso para não cairmos em uma profunda tristeza.

"O que eu faço com isso?" Nos momentos de raiva, tente entrar em contato consigo e identifique a emoção expressa, já que muitas vezes não sabemos sequer o que estamos sentindo.

Após identificar essa emoção, tente perceber o que ela quer dizer, através das sensações corporais. No fundo, tudo o que as nossas dores desejam é alívio e esse alívio acontece quando nos reconectamos com o nosso eu e com tudo o que ele contém.

Observe para essa emoção sem julgamentos e busque encontrar, dentro de si, as ligações entre essa emoção e outras que a potencializam. Às vezes, a raiva está ligada à vergonha, à culpa, ao sentimento de desamparo, por isso toma uma proporção muito maior. Conecte-se a ela! Esse movimento pode revelar um nível de leveza nunca antes percebido...

Tente encaixar essas peças, como um quebra-cabeças, avaliando a possibilidade de realizar esses movimentos antes de reagir à uma situação. Talvez você pense que, sem a raiva, você pode se transformar, como ouvi certa vez, “em uma ameba”.

Mas esse pensamento é consequência de um movimento interno de polarização. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra, já que, quando nos damos um tempo antes de agir, expressamos o autocuidado, condição necessária a estados mais elevados de consciência.

Lembre-se de que estamos sempre aprendendo e não se martirize se a raiva aparecer tentando invadir seu espaço interno. Se essa emoção é sua, você pode acolhê-la ao invés de permitir que ela te controle.

Essa atitude permitirá alterar comportamentos que não mais expressam o seu modo de ser. Que tal experimentar?


*Rosane Castilho é autora do livro "O que eu faço com isso? 5 passos para a reconexão com o Eu" e doutora em Educação


Compre "O que eu faço com isso?" aqui: amzn.to/3TLWWaf

sábado, 15 de janeiro de 2022

.: “Não Olhe Para Cima”: "Não é manipulação da verdade, mas o reflexo"

Filme “Não olhe para cima”: "Não é manipulação da verdade, mas sim o reflexo da cultura do abstrato" diz neurocientista. O PhD neurocientista Dr. Fabiano de Abreu revela como o mundo dividido entre o que é real e virtual pode explicar as teorias apresentadas no novo sucesso da plataforma de streaming

 

Grande sucesso recente da Netflix, o filme “Não olhe para cima” tem despertado a atenção e a curiosidade de muitos espectadores devido aos artistas e ao conteúdo que fazem parte da produção. Recheado de estrelas como Meryl Streep, Jennifer Lawrence, Leonardo DiCaprio, Tyler Perry, Jonah Hill, Cate Blanchett, Timothée Chalamet e Rob Morgan, a obra conta também com participações especiais da popstar Ariana Grande e do rapper Kid Cudi. Todos, juntos, sob a direção de Adam McKay, levam ao público uma visão de como em um mundo com tantas fontes de informações, a verdade pode ser contada de diversas maneiras.

Na produção, personagens fictícios demonstram como estão fúteis e egoístas os interesses da massa. Além disso, a produção revela como uma verdade pode ser alterada, principalmente quando os líderes de uma nação colocam os seus interesses na frente da segurança da população e difundem uma série de inverdades.

Segundo o PhD, neurocientista, psicanalista, biólogo e antropólogo Prof. Dr. Fabiano de Abreu, "a questão principal não é a facilidade em manipular, como muita gente acredita que o filme revela, mas sim a cultura do abstrato. Vivemos numa era onde a realidade se confunde entre o real e o virtual. Também estamos passando por uma falta de fé, que tem relação com esta era virtual, já que tudo se tornou questionável”.

Além disso, o neurocientista acrescenta: A futilidade advém de um narcisismo impregnado na atual sociedade, reflexo dos efeitos da rede social, onde por trás de uma tela, o ser humano potencializou o narcisismo instintivo transformando-o em algo abstrato já que ninguém é soberano até que se apresente alguém imortal, ou seja, não existe. Na vida, assim como o equilíbrio é praxe, também é a semântica. O virtual é abstrato e com ele nossa vida está a se tornar fantasiosa”.

De acordo com Abreu, os políticos gananciosos e extravagantes do filme, nos dá a percepção de como se pode votar de forma incoerente. Mostrando uma sociedade vazia sem uma cognição desenvolvida para perceber que aquele político é uma fraude.  E a sociedade em si, mergulhada numa cultura já formatada de futilidade, descrédito, negacionista e viciada em dopamina (neurotransmissor da recompensa liberado na satisfação ou na esperança dela)”.

Para quem ainda não viu, “Não olhe para cima” aborda a guerra contra a ciência promovida por um grupo de empresários que elegem políticos “marionetes” com interesses egoístas e gananciosos em detrimento do bem-estar mundial. Diante disso, Fabiano completa: Quando cai a ficha, da realidade, já é tarde demais. Esse é o reflexo dos riscos que vivemos nos dias de hoje”.


quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

.: Sobrenatural: relato verídico sobre a experiência de quase morte do meu pai


Hely Celeste Moraes Miranda
, professora de ensino fundamental.

Vou contar uma breve história de Experiência Quase Morte que aconteceu com meu pai, Niord Castelo Branco Miranda. O fato ocorreu quando ele tinha entre 71 e 72 anos, por volta do ano 2007, não me recordo o mês. 

Na época eu trabalhava no Setor de Recursos Humanos da Prefeitura Municipal de São Vicente e minha mãe ligou de manhã e me contou a EQM que meu pai tinha passado. Eu não conhecia este termo – EQM -, mas ouvi atentamente o que ela me falou. 

Antes do relato, vou dar algumas informações sobre ele: meu pai tinha demência, por conta de um acidente de carro que sofreu quando tinha cerca de trinta anos, em Recife/PE; neste acidente ele perdeu boa parte do cerebelo, ficou 33 dias em coma e teve amnésia total por cerca de dois anos. Recuperou quase todas as faculdades mentais, apenas tornou-se um homem mais pacato, sem muita iniciativa, perdendo seu emprego de gerência que tinha em uma empresa de Pernambuco. Como sequela do acidente, sofreu convulsões por muitos anos, até conhecer minha mãe. 

Aqui, na Baixada Santista, construíram nova vida e os empregos que ele conseguia eram bem simples, como zelador e porteiro. Com as medicações corretas, as crises epiléticas sanaram.  Mas, aos poucos e com o avançar da idade, foi ficando desmemoriado, como se tivesse o Mal de Alzheimer mesmo.

Eu morava com meus pais e ia, todos os dias, almoçar em casa rapidamente. No dia que ocorreu a EQM ele estava super lúcido e me contou os fatos em detalhes, sentado à mesa, enquanto eu almoçava. Isso foi uma grande surpresa, pois eu acreditava que meu pai não se lembraria do acontecido relatado ao telefone por minha mãe.

Vamos começar o relato da EQM: Ele disse que estava deitado no sofá-cama onde dormia e ouviu um grande estrondo, como se fosse o barulho do teto se abrindo. Dali a pouco ele viu que estava lá em cima, no teto, tinha subido com grande velocidade. Disse, também, que viu uma “parentada” (não especificou quem). Neste instante ele disse “Meu Deus! Não me leve agora!”, quando uma voz (ele não viu quem falava) respondeu: “Não, ainda não é a sua hora” e a voz complementou: “Você ainda tem alguns meses”. Depois disto, ele retornou à cama, ao corpo, também de forma brusca.

Acredito que o fato aconteceu depois que eu saí para trabalhar, pois ele costumava acordar e levantar, já com dificuldades de locomoção, depois de mim. Morávamos eu, ele, minha mãe e meu filho em uma pequena sala living em São Vicente, no litoral de São Paulo, e dormíamos todos num mesmo cômodo. 

Um ponto que chamou minha atenção foi a lucidez com que ele fez uma correção do que a “voz” falou. Antes, tinha dito que a voz disse: “Você ainda tem algumas semanas”, depois ele balançou a cabeça como se tivesse se enganado e consertou a frase dita: “Você ainda tem alguns meses”

Eu acreditei em tudo, mas, por pura ignorância do que se tratava e por pressa para voltar ao trabalho, não perguntei mais detalhes. Este dia meu filho, que tinha cerca de oito anos, recebeu muitos conselhos de meu pai, que o chamou e pediu para ser um bom homem, respeitar a mãe (eu) e coisas do gênero. Reforço que ficou lúcido durante todo este dia. Depois, voltou ao estado normal, nunca mais falou nisso e, poucos meses depois, realmente faleceu.

O fato é que meu pai não conhecia NADA sobre espiritismo, foi criado em escola de padres em Recife, era de família católica e não tinha interesse algum sobre novas religiões. Neste dia, eu contei a história para as pessoas que trabalhavam comigo e uma delas disse ter um livro sobre Experiência de Quase Morte, chegou a me emprestar. Só aí eu fui ver do que se tratava. 

Infelizmente, não sei de mais nenhuma informação, não sei como eram as pessoas que lá estavam, as cores que ele viu, se a voz era feminina ou masculina, apenas registrei o que ele me contou. Afirmo que ele não estava tomando nenhuma medicação diferente das que sempre tomou. Infelizmente, apenas eu sei o que aconteceu. Meu filho lembra vagamente da conversa com meu pai, depois da EQM, e minha mãe está com Alzheimer, também não poderia ajudar. 





sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

.: Tradição japonesa: ano novo no Japão busca renovação e purificação


A Organização Nacional do Turismo Japonês (JNTO) apresenta as principais tradições japonesas e locais sagrados em que o novo ano é celebrado

O feriado de Ano Novo no Japão é uma comemoração diferente se comparada às festividades no Brasil. O oshougatsu, como é chamado em japonês, é a principal celebração do calendário do país, e se estende do dia 31 de dezembro ao dia 3 de janeiro. A data é recheada de costumes que buscam renovação e prosperidade para o ano que vai chegar. Conheça as principais tradições japonesas e alguns locais sagrados em que o novo ano é celebrado:

108 badaladas
O oshougatsu é tradicionalmente sereno e reservado. Ao invés de fogos de artifícios e grandes festas, o novo ano no Japão é recebido com as 108 badaladas do ritual budista Joya no Kane, quando os templos batem os sinos na noite do dia 31 em contagem regressiva para afastar os desejos mundanos dos homens. A última badalada acontece exatamente à meia noite e marca a virada do ano e a purificação dos homens. Já nos templos xintoístas, um ritual tradicional de ano novo é o Saitan-sai, realizado na madrugada de 1º de janeiro, com orações pelas bênçãos para o ano novo.

Hatsumode - Templos e santuários
É muito comum que, durante todo o feriado, as pessoas visitem os templos budistas e santuários para rezar por um ano próspero e com saúde. O hatsumode é a tradição da primeira visita do ano a um local sagrado e é comum ver as pessoas com trajes típicos, como o quimono e o hakama. Nesses locais, também é possível adquirir novos talismãs da sorte como o Omamori, Daruma e Maneki Neko, e comprar Omikuji, a “loteria sagrada”, que traz mensagens sorteadas que predizem a sorte para o novo ano.

Conheça alguns templos e santuários tradicionais para o hatsumode, indicados pela Organização Nacional do Turismo Japonês (JNTO). É importante ressaltar que neste ano, devido à pandemia, esta tradição não deve se concretizar, pois os locais costumam atrair muitas pessoas durante o feriado e a recomendação é evitar aglomerações.

Templo Sensoji
O Templo budista Sensoji é um dos mais antigos e tradicionais de Tóquio. Localizado no bairro de Asakusa, o templo foi construído em 645 e abriga a estátua sagrada de Kannon, a deusa da misericórdia. O templo tem imponentes portões, um deles com uma lanterna de 700 quilos e um pagode de cinco andares. No pátio central, um jokoro, um enorme queimador de incenso banha os visitantes com sua fumaça sagrada que acredita-se curar feridas e melhorar o funcionamento do corpo. O local é famoso pelo seu ritual Joya no Kane, no dia 31 de dezembro. Mais informações: https://www.japan.travel/pt/spot/1691/

Santuário Fushimi Inari Taisha
Localizado em Quioto, este santuário xintoísta é dedicado à Inari, a divindade da boa colheita e sucesso nos negócios. É um dos principais cartões postais de Quioto e famoso pelo seu túnel de 10 mil portões torii, que conduzem os visitantes ao topo do Monte Inari, de 233 metros de altura. Durante o oshougatsu, muitas pessoas visitam o local para rezar e, no dia 31 de dezembro, é tradição à meia noite os visitantes também tocarem sinos para dar boas vindas ao novo ano. Mais informações: https://www.japan.travel/pt/spot/1128/

Hatsuhinode
O primeiro dia do ano também é especial na tradição do Ano Novo japonês. O costume de apreciar o primeiro nascer do sol, chamado hatsuhinode, leva muitas pessoas a acordar cedo para apreciar o nascer do sol, de algum lugar especial, para rezar e dar boas vindas ao novo ano. Acredita-se que durante o primeiro nascer do sol, as divindades do ano novo vem ao plano terreno para semear boas energias, sorte e felicidade.

Informações sobre viagens ao Japão
Devido à pandemia, as restrições de viagem estão mudando continuamente e se adaptaram conforme a situação evolui globalmente. A JNTO recomenda visitar seu site para obter as últimas notícias sobre o Japão e as restrições de viagens relacionadas à Covid-19. Acesse: https://www.japan.travel/en/coronavirus/

Sobre a JNTO
A Organização Nacional do Turismo Japonês (JNTO) é um orgão governamental japonês com escritórios em 22 cidades ao redor do mundo. A organização está envolvida em uma ampla variedade de atividades para incentivar turistas internacionais de todo o mundo a visitar o Japão. O JNTO presta consultoria em vendas de pacotes turísticos, sugestões e assistência na criação de itinerários para o Japão, e incentiva associações acadêmicas e industriais a realizar congressos no Japão, além de promovê-lo para as pessoas interessadas. Além disso, publica regularmente estatísticas de turismo e relatórios de mercado.

.: Talentoso ou medíocre - que profissional você será em 2021?

David Braga, CEO da Prime Talent *

Falar de um ano desafiador, incerto e de muitas mudanças, com certeza, é falar de 2020. Foram meses que colocaram à prova governos, empresas e pessoas. Todos tiveram que vivenciar, de fato, a palavra disrupção. Foi necessário revisar planos pessoais, planejamentos corporativos, sonhos, promoções na carreira, casamentos e até mesmo lançamento de produtos ou unidades de negócios. No entanto, os momentos difíceis só são determinantes e cruéis para quem não enxerga as oportunidades. Nas empresas, transformações positivas também surgiram, com destaque para as mudanças na cultura organizacional, o que, por sua vez, ampliou as exigências em relação às competências e habilidades de lideranças e liderados. Sendo assim, este é um bom momento para que os profissionais repensem – se ainda não o fizeram – o caminho em que estão e de que maneira ele os conduzirá para onde desejam. Afinal, você quer ser considerado talentoso ou medíocre em 2021?

Para essa reflexão, é bom lembrar que, do dia 31 de dezembro para 1º de janeiro, muda-se apenas uma data do calendário. Apesar de muitos acreditarem, erroneamente, mas com muita esperança, que tudo vai se resolver e melhorar com essa troca de ano, o poder de transformação está, na verdade, nas atitudes de cada um – aliás, uma das principais características apreciadas pelas empresas. E a autogestão da carreira definirá não apenas o presente, como, também, o futuro dos profissionais no mercado de trabalho. Nesse caso, as iniciativas, a forma com a qual ele lida com as pessoas, o poder de engajamento e de entrega dos resultados continuarão a definir quem mantém a empregabilidade ou quem estará desempregado em breve.

Além disso, está mais claro do que nunca que de nada vale somente ter um título, mesmo que seja da Universidade Harvard, se o indivíduo não possui empatia, escuta ativa e uma liderança sustentável. Aqui, reforçando que sustentabilidade nos negócios vai muito além do meio ambiente: diz respeito ao modo como os colaboradores, fornecedores e parceiros são tratados, a compliance, à governança e à ética. Sem falar de tantos outros atributos que deveriam ser básicos, porém ainda são usados para distinguir o ótimo do medíocre: resiliência, comunicação, persuasão, gestão de conflitos, adaptação ao novo, incluindo à tecnologia, só para dar alguns exemplos.

Do estagiário ao presidente de qualquer porte da organização – familiar, nacional ou internacional –, terão destaque apenas os talentos, ou seja, aqueles que se moldam de acordo com o tempo, das novas necessidades de mercado e de suas habilidades. São profissionais que se desafiam a serem melhores hoje do que foram ontem e, sobretudo, que não tenham medo da mudança. Como diria Albert Eisntein, “a vida é como andar de bicicleta. Para ter equilíbrio, é preciso estar em movimento”. Assim, evidentemente, os que saíram e sairão à frente serão sempre aqueles que, mesmo diante das piores adversidades, criam novos caminhos e têm novas ideias, conseguem pensar de forma criativa e desenvolver novos produtos, novas soluções e se apropriar do melhor da tecnologia, da inteligência artificial e, particularmente, dos indivíduos. Afinal, por mais tecnológica que seja uma empresa, é por meio das pessoas que se obtêm os resultados.

Por fim, discute-se tanto sobre propósito, felicidade no trabalho, legado, espiritualidade, compliance, capitalismo consciente, diversidade e tantos outros temas mais atuais do que nunca. Então, o profissional precisa saber o que quer da vida, seja no âmbito pessoal, seja na carreira. Para ter essa clareza, é vital se conhecer, o que pode ser acelerado por uma terapia ou um processo qualificado de coaching. Dessa forma, é mais fácil ter essa clareza a respeito de quais são suas principais competências e habilidades (soft skills), que pontos ainda precisam ser melhorados e, especialmente, o que deseja da vida. Quando alcançamos esse autoconhecimento, é exatamente quando assumimos o controle das nossas ações – ou o tão falado protagonismo. Portanto, para aquelas pessoas que projetam um 2021 diferente e mais produtivo, esse é o caminho a seguir.

* David Braga é CEO, board advisor e headhunter da Prime Talent, empresa de busca e seleção de executivos de média e alta gestão, que atua em todos os setores da economia na América Latina, com escritórios em São Paulo e Belo Horizonte. É também autor do livro “Contratado ou Demitido – só depende de você” e professor convidado da Fundação Dom Cabral (FDC) para matérias de gestão de pessoas. Ele atua, ainda, como embaixador do ChildFund, eleita, pelo quarto ano consecutivo, uma das 100 melhores ONGs do Brasil, que apoia crianças e adolescentes em extrema vulnerabilidade.

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

.: Por que o comunismo não existe? Helder Bentes responde


Por Helder Bentes*, professor de Língua Portuguesa e Literatura.

Após a segunda guerra mundial, o mundo se dividiu em dois blocos econômicos, e o principal símbolo geopolítico da guerra foi o muro que separava a cidade de Berlim, na Alemanha. Tinha a Berlim Oriental (socialista) e a Ocidental (capitalista). URSS e EUA eram as duas maiores potências mundiais. A União Soviética entrou num processo socialista de adoção do Comunismo. E os EUA seguiram no Capitalismo, que acabou globalizando-se e derrubando o muro de Berlim. 

Mas se o Capitalismo surgiu como modo de produção e não como ideologia política e se, após a guerra fria, ele se tornou um sistema hegemônico no mundo, por que esse pessoal “da direita” (os ricos e a burguesia que pensa poder ficar rica com neoliberais no poder) ainda tem medinho do Comunismo Burrice! 

Não sabem nada de geografia econômica. Desconhecem o poder de influência da economia sobre os aspectos sociais e políticos de uma nação em contexto mundial. Estão orientados pelo ódio teleguiado. Não leem, não se informam, não fazem uma apreciação crítica das informações e, quando tentam, fazem-no sem o distanciamento crítico necessário, já movidos pela força do ódio e absolutamente enredados em sugestão coletiva essencialmente capitalista que os abstrai de sua posição à esquerda. Por isso os chamamos de “pobres de direita”. 

Esse povo precisa entender que hoje existe uma Nova Ordem Mundial, e que o espaço geopolítico e a globalização estão todos interligados, não havendo lugar para a concretização do Comunismo marxista, nem do Socialismo leninista. 

O máximo que essas ideologias conseguem fazer é congregar seus adeptos sob uma legenda político partidária muito eficaz no poder legislativo, para conter as contradições capitalistas e dar um pouco de dignidade à maioria da população, que sobrevive à margem do sistema hegemônico.  Portanto, só o mau-caratismo justifica o voto em candidatos de direita. Por quê? Porque tem gente rica que reconhece que, tanto faz direita ou esquerda no poder, vai continuar rica. Por isso vota a favor do equilíbrio e da coesão social orgânica (Durkheim). 

A burguesia (classe média) é a categoria social mais iludida, porque vive acreditando romanticamente que vai chegar ao topo da pirâmide social, mesmo que nunca chegue. Sonega imposto, pedala, faz gato de energia elétrica, faz gato na declaração de imposto de renda, coloca bens e empresas em nomes de laranjas, casa por interesse, aplica golpes, puxa-saco de políticos, para conseguir cargos e vantagens, faz o escambau para conseguir ficar rica, mas não fica. O máximo que consegue é ferrar a vida dos outros. 

Aprendam isto: só fica rico quem já nasce rico, herdeiro de uma grande fortuna, quem rouba ou quem tiver a sorte de ganhar na Mega-sena. Ninguém fica rico trabalhando honestamente. No Capitalismo, não. Estou falando de regra. Não de exceções. Exceções não mudam a ordem mundial. E por falar em ordem mundial, ainda tem o Coronavírus, que chegou chegando, impondo não só uma crise na saúde pública, mas uma crise econômica que expõe ainda mais as contradições do Capitalismo neoliberal, assim como a  incompetência de governantes como Bolsonaro. 

Se a China emplacar a vacina contra o Coronavírus, poderemos ter um novo mapa geopolítico, considerando-se que, após a guerra fria, o que determina o conceito de superpotência não é mai exclusivamente o aparato militar, mas também seu potencial econômico. Entenderam agora por que Bolsonaro inventa presepada para suspender testes da vacina chinesa no Brasil? 

Esse é o verdadeiro desespero para desqualificar candidatos da esquerda na disputa por cargos executivos. Eles fazem oposição ferrenha ao governo Bolsonaro, são afiliados a partidos cuja matriz ideológica é socialista democrata. São destemidos, corajosos, informados, políticos experientes, tanto no legislativo, donde são egressos, como no executivo por onde hajam passado, sem dúvida alguma, são do lado do povo. 

Mas o marketing canalha da direita já está apelando para a rivalidade marketeira. Querem pintá-los como ladrões, para fazer a oposição “bandido X polícia”. Colocam até delegados e policiais para serem candidatos. Aqui em Belém, colocaram um delegado da Polícia Federal, a mesma que faz vista grossa para as acusações contra a família Bolsonaro e para denúncias de irregularidades nas investigações do assassinato de Marielle Franco, que por sinal também era do PSOL. 

Mas, voltando ao tema do post, depois da guerra fria, nações como Coreia do Norte, Cuba, China, Laos e Vietnã resolveram seguir com o propósito de implementar o Comunismo. Mas nem nesses países existe o Comunismo tal qual o conceberam seus ideólogos. Por quê? Porque O MUNDO É CAPITALISTA. Os ideais socialistas surgem lá no comecinho do século XVI, com um cara chamado Thomas More, que escreveu um livro sobre como seria uma sociedade onde a propriedade fosse comum, mas olha o nome do livro: “Utopia”. 

De acordo com os ideais socialistas, os meios de produção devem pertencer ao Estado e ser controlados pelos trabalhadores. Em tese, isto seria o Comunismo.  Mas um dos muitos exemplos de que isso não existe entre nós foi a privatização das estatais que controlavam serviços essenciais, como os de telecomunicações e de concessão de energia elétrica. 

NO BRASIL NUNCA EXISTIU NEM SOCIALISMO, MUITO MENOS COMUNISMO. Aqui, como em todos os países que têm empresas privadas, existem ricos e pobres. Num país verdadeiramente socialista que esteja preparando a implementação do Comunismo, se toda propriedade é pública, ninguém é rico e ninguém é pobre. No Comunismo, então, a palavra “propriedade” nem existe. Tudo é bem comum, e a produção é dividida igualmente entre todo mundo, inclusive entre quem não trabalhou. Não tem esse papo de “quem não trabalha, não come”. A noção de justiça comunista passa longe desses ideais meritocráticos. 

Então aqui, os ideais socialistas - inclusive nos governos de Lula e Dilma, assim como nos dois mandatos de Edmílson Rodrigues na prefeitura de Belém - conviveram e convivem pacificamente com a distribuição meritocrática da produção, como jamais aconteceria num governo comunista.  No Comunismo o critério de distribuição é a NECESSIDADE. Não importa quem trabalhou. Não existe a distinção entre patrão e empregado. Todo mundo trabalha para todos. Em que lugar do mundo isso existe?

Sobre o autor
Helder Bentes* é professor de Língua Portuguesa e Literatura, na educação básica e superior, em Belém do Pará. Está escrevendo textos sobre política para educar leitores ao voto com consciência de classe.




quinta-feira, 26 de novembro de 2020

.: Diferença entre ideologia política e modo de produção


Por Helder Bentes*, professor de Língua Portuguesa e Literatura.

Já expliquei que direita e esquerda são POSIÇÕES políticas não escolhidas diretamente, mas que ocupamos na estratificação social gerada pelo Capitalismo.  Dito isto, vamos entender que Capitalismo não é simplesmente uma ideologia política, como o Socialismo e o Comunismo. Porque o Capitalismo não surgiu como reação. Ele surge já como modo de produção, em substituição gradativa ao Feudalismo, e marca a transição da Idade Média para a Idade Moderna. 

Teve mentores intelectuais? Teve. Claro! Mas não surgiu a partir de suas teorias. Todos os filósofos que defenderam a formação das monarquias nacionais, fomentaram a ideologia social necessária à expansão capitalista. O sistema está, portanto, na origem da noção de Estado.  Quem usou o termo “Capitalismo” pela primeira vez foi Karl Marx, em “O Capital”, o mesmo que teorizou o Socialismo como reação mais justa contra a exploração do trabalhador nas indústrias, isso já no século XIX, em defesa da classe operária. 

O Comunismo é um IDEAL socialista que, porque ameaçava o Capitalismo, fora mitificado como um fantasma a assustar a ordem econômica baseada na obtenção do lucro e na exploração da mão-de-obra, esta última a principal contradição do Capitalismo, geradora das revoluções proletárias e das duas grandes guerras mundiais.

As contradições do sistema nem sempre são evidentes. Por isso existem “pobres de direita”, classe média acreditando que vai ficar rica, gente teimando que há Comunismo no Brasil, porque existem siglas político-partidárias com C de Comunismo no meio, teimando que o Comunismo existe e que os países “comunistas” sejam, cada um, uma ilha alijada de relações internacionais. Essas pessoas só reproduzem o discurso midiático, não sabem nem quem seja Bolsonaro de fato, muito menos quem tenha sido Adam Smith ou Karl Marx.

Resumindo, Capitalismo e neoliberalismo econômico defendido pela direita, isto é, pelos ricos que detêm os meios de produção, que mantêm negócios cujo lucro depende do trabalho de empregados, é um modo de produção já globalizado, que domina o mundo inteiro, inclusive China, Coreia do Norte, Cuba, Laos e Vietnã, e até o Bolivarianismo de Hugo Chávez na Venezuela, porquanto o país só conseguiu se manter por causa da receita gerada pelo Petróleo. Todos esses países ditos “comunistas” tiveram que se adaptar aos imperativos do Capital. Isso NÃO É COMUNISMO. 

No entanto, a restrição da liberdade individual nessas tentativas ou experimentações comunistas, assim como oposições socialistas que se fazem em alguns países capitalistas da Europa e das Américas, inclusive aqui no parlamento brasileiro, assustam o povo, sobretudo porque quem está na direita, pega a maior corda com o terrorismo que se faz contra o Socialismo e o Comunismo. 

Reforma agrária, desapropriação, cobrança de mais impostos, restrição de liberdades individuais, legalização do aborto e da maconha, feminismo, teoria queer que apelidaram de “ideologia de gênero”, Estado laico, combate ao racismo, à violência contra a mulher, à injúria racial e ao racismo, e até reforma curricular da educação básica, a partir da socialização de avanços da pesquisa científica potencialmente modificadores do status quo capitalista, são xingados de “comunistas”. Sobrou até para o Coronavírus! Esse vírus “comunista”!

Mas agora que você já sabe a diferença entre ideologia política e meio de produção, você já deve ter entendido que representações socialistas no parlamento são forças de equilíbrio, e que um prefeito socialista, da social-democracia, num município cuja base econômica é o neoliberalismo, faz toda a diferença para o trabalhador, seja ele informal, autônomo, empregado, servidor público, ou micro-empreendedor.

Sobre o autor
Helder Bentes* é professor de Língua Portuguesa e Literatura, na educação básica e superior, em Belém do Pará. Está escrevendo textos sobre política para educar leitores ao voto com consciência de classe.




.: O que são direita e esquerda na política? Helder Bentes explica


Por Helder Bentes*, professor de Língua Portuguesa e Literatura.

No filme "Adeus, Lenin", de Wolfgang Becker (2002), uma idosa doente, comunista, não sabe que derrubaram o muro de Berlim. Seus filhos poupam-na de saber disso, porque acham que ela pode morrer, se souber do fim da Berlim Oriental, a parte comunista da Alemanha dividida pelo muro, e o consequente avanço do Capitalismo. Essa personagem é emblemática de um fanatismo político-ideológico extremamente pernicioso para os regimes democráticos. 

Esse extremismo não é privilégio de um lado. Ele acontece tanto do lado do capitalista que detém os meios de produção e se acha "o rei da cocada preta", porque gera emprego e renda e, mesmo sonegando impostos, é contra a corrupção; quanto do lado do comunista que defende a força do Estado, e quer porque quer que o Capitalismo e seus ideais de livre mercado, livre concorrência e de ascensão social meritocrática, sejam banidos do planeta. 

Pude perceber isso ontem, nos fóruns abertos no Facebook, sobre o resultado das eleições em Belém. É um raciocínio dicotômico extremamente temerário que ameaça nossa democracia, porque transfere, para a política, a lógica do futebol. E os marketeiros políticos sabem disso como o povo não sabe. Daí inventam rivalidades, e vale tudo para provar a suposta superioridade de um dos lados, desde fake news, até evocação de projetos indefensáveis de lei, porquanto se choquem com os interesses de uma frente parlamentar cristã que nem deveria existir, porque o Estado, mesmo o não comunista, é laico. 

Esses polos são denominados, ao modelo da estratificação político-partidária francesa de 1759, direita e esquerda. Mas a maioria sequer sabe o que eles representam, e os tratam como se fossem remoçada e terror bicolor, sem a menor consciência de classe, sem conhecimento sócio-político e econômico, escrevendo merda em português errado, e pagando mico nas redes sociais.

A mitificação do Comunismo é usada para a implementação de um sistema de opressão às avessas. Não à toa Bolsonaro foi canonizado como “mito”. O raciocínio mítico nega a ciência, os fatos, e a demonstração da verdade. Em seu lugar, cria-se uma retórica falaciosa que faz uma mentira repetida ganhar foro de verdade. Eis tudo! 

Ao inculcar o medo de um regime político autoritário, ditatorial, que proíbe quaisquer tipos de oposição ao Estado - seja este Estado neoliberal (o que Bolsonaro diz ser o dele, mas que na verdade não é) ou socialista (o defendido por partidos “de esquerda”, como PSOL, PCdoB, PSTU, UP, PCO, PCB, etc..), numa democracia sem educação - eu privo o povo da verdade que liberta, vendando-o com o mito do Comunismo (ou do Capitalismo), e gerando reações antitotalitárias que se refletem nas urnas. 

Mas Totalitarismo não tem nada a ver com Socialismo, Comunismo ou Capitalismo, que são IDEOLOGIAS de ECONOMIA POLÍTICA diferentes uma da outra. Não REGIMES políticos, nem POSIÇÕES políticas, tampouco PARTIDOS políticos. 

Ontem, quando eu disse que não existe esquerda no Brasil, um desses extremistas que votaram no Egum, retrucou dizendo que “rapidinho eu sumi com os partidos de esquerda”. E não adiantou tentar lhe explicar que esquerda e direita são posicionamentos políticos, não partidos, com elevado grau de variabilidade na dinâmica política de uma república democrática. Dei como exemplo a aliança firmada entre PT e PMDB em nome “da democracia”, para a conquista do poder executivo pelo PT, o que não significou necessariamente uma conquista da esquerda. Mencionei as consequências desastrosas disso para a esquerda, mas não adiantou. Na cabeça do cara, PT é de esquerda e PSOL é o PT disfarçado! kkkkkkk... Dá até pena! Por isso resolvi escrever este artigo. 

O Socialismo, IDEOLOGIA política de quem SE POSICIONA à esquerda, IDEALIZA a socialização dos recursos de produção econômica e a extinção da divisão da sociedade nas classes antagônicas de exploradores e explorados. 

Se eu sou explorado e entendo quem ou o que me explora, é meu instinto de sobrevivência que me posiciona ao lado dos explorados, no caso, à esquerda. Por isso, Lenin teorizou o Socialismo como norteador de um processo transitório do modo de produção capitalista, para o comunista. Mas ser afiliado a um partido dessa matriz ideológica, ser simpatizante, votar e fazer campanha para um candidato desse partido, não significa que vá mudar toda uma ordem mundial secular já consolidada. Isso é uma ignorância até dos processos que levaram às duas guerras mundiais e de suas consequências geopolíticas e econômicas. 

O Socialismo não foi inventado pelo PSOL, tampouco pelo PT. Este último pode até ter surgido nas lutas sindicais da CUT e ter feito história na oposição ao Capitalismo neoliberal, mas foi se descaracterizando como “esquerda” à medida que foi se aliançando ao Capital. Por isso não se pode mais dizer que o PT ainda esteja na esquerda. Porque esquerda e direita são posições onde se ESTÁ. Ninguém É de esquerda ou de direita. Os cidadãos ESTÃO, quer se reconheçam ou não, à esquerda ou à direita, e podem migrar para um meio termo, à medida que entendem COMO funciona a dinâmica da política brasileira. Sem estudo, portanto, você vai acabar à mercê desse marketing político dicotômico eficaz para o político, não para você.

Sobre o autor
Helder Bentes* é professor de Língua Portuguesa e Literatura, na educação básica e superior, em Belém do Pará. Está escrevendo textos sobre política para educar leitores ao voto com consciência de classe.




quinta-feira, 18 de junho de 2020

.: Cannes: o cinema está vivo. Por Daniel Bydlowski, cineasta brasileiro


Por Daniel Bydlowski, cineasta brasileiro.

Com as portas fechadas, o que será do cinema? O mesmo que será de qualquer setor. Passaremos o período de recessão e continuaremos a dar entretenimento de alto nível aos espectadores. E para mostrar que há força na indústria cinematográfica, o Festival de Cannes anuncia os filmes que receberão o selo oficial do evento, que não acontecerá  por conta da pandemia. E como sempre, Cannes traz uma grande diversidade de temas, mostrando que existem produções boas em todos os cantos do mundo e de todos os temas. Vamos falar de alguns?
 

"The French Dispatch": produção de Wes Anderson, com Benicio del Toro, o filme traz histórias da edição final de uma revista americana publicada em uma cidade da França no final do século XX. A expectativa é grande, uma vez que Wes sempre escolhe um bom elenco e a trilha sonora é de um dos grandes nomes no ramo, Alexandre Desplat. A intenção do diretor com esta obra, foi fazer uma carta de amor ao jornalismo. Os críticos estarão atentos.
 

"Casa de Antiguidades": o filme brasileiro é o primeiro longa de João Paulo Miranda, e fala sobre um operário negro que vive em uma cidade fictícia no Brasil colonizada pelos povos da Áustria. A polarização política, representatividade e problemas sociais estão presentes e o personagem começa a se conectar com a sua ancestralidade. Um assunto a ser sempre abordado no mundo, Miranda escolheu falar sobre o tema e deve provavelmente entregar o que se espera dele. O roteiro da produção foi desenvolvido em uma residência do Festival de Cannes. É o único filme dirigido por um latino-americano na seleção.
 

"Ammonite": com um elenco de peso com Kate Winslet e Saoirse Ronan, Francis Lee conta a história da paleontóloga Mary Anning e fala sobre diversidade na Era Vitoriana. O longa, teve alguns contratempos com os descendentes da homenageada, que não gostaram de ter a vida íntima de Anning exposta, no entanto acharam  importante que a história fosse abordada como ela é. O filme promete emoções e pelo que já deu para ver, a  fotografia é estonteante.
 

"Summer of ’85": os anos 80 sempre deram o que falar e principalmente em produções policiais. Um filme sobre crianças desaparecidas, algo bastante comum à época, , um vizinho suspeito (quem nunca?) e uma investigação feita por adolescentes. Um prato cheio para a mesmice, porém, esperamos mais François Ozon e para estar em um festival deste calibre, pode ser que conquiste os amantes desta década.

O cineasta brasileiro Daniel Bydlowski é membro do Directors Guild of America e artista de realidade virtual. Faz parte do júri de festivais internacionais de cinema e pesquisa temas relacionados às novas tecnologias de mídia, como a realidade virtual e o future do cinema. Daniel também tenta conscientizar as pessoas com questões sociais ligadas à saúde, educação e bullying nas escolas. 


É mestre pela University of Southern California (USC), considerada a melhor faculdade de cinema dos Estados Unidos. Atualmente, cursa doutorado na University of California, em Santa Barbara, nos Estados Unidos.  Recentemente, seu filme Bullies foi premiado em Newport Beach como melhor curta infantil, no Comic-Con recebeu 2 prêmios: melhor filme fantasia e prêmio especial do júri. O Ticket for Success, também do cineasta, foi selecionado no Animamundi e ganhou de melhor curta internacional pelo Moondance International Film Festival.

quarta-feira, 3 de junho de 2020

.: O que Harry Potter ensinou sobre os relacionamentos amorosos


Por Carolina Ferraz, única consultora master do Brasil do método Marie Kondo.

Criados sob a cultura do “Felizes para sempre”, quando terminamos um relacionamento experimentamos a sensação de fracasso. Independentemente se vivemos momentos alegres ou de quem partiu o término.

Os objetos que trazemos dessa relação - cartas, presentes, lembranças de viagens - tornam-se amargos num primeiro momento porque representam “o que não deu certo” e escancaram a frustração, mas aos poucos - com a elaboração do sentimento - entendemos que são parte do nosso aprendizado.

Por isso, recomendo que ao término da relação retire os objetos de vista e coloque em uma caixa de difícil acesso. Não jogue fora porque a intensidade do sentimento atrapalha nosso poder de decisão e quando terminamos um relacionamento de muito tempo - ou muito intenso - precisamos de tempo para separar o nosso “eu” do “outro”. É um momento de revisão de rotinas, hábitos e até amizades.

Quando isso estiver estabelecido - geralmente umas semanas são necessárias - encare a caixa novamente. Primeiro avalie o que não faz mais sentido, desapegue de objetos que não gosta e mantenha objetos que te trazem apenas sentimentos bons. É importante dizer que só podemos desapegar do que é nosso. Itens compartilhados devem ser discutidos e os que são da outra pessoa, devolvidos.

É provável que você se desfaça de muita coisa nesse momento, já que as emoções não estão mais à flor da pele, mas às vezes, mais visitas são necessárias com o passar do tempo.

Claro, a decisão de manter ou não um objeto depende muito do tipo de relação que atravessamos. No caso das sadias, conseguimos desassociar, já em relacionamentos que envolvem abuso ou violência física ou mental os itens podem desencadear sofrimento psíquico e emocional.

Casos como esses muitas vezes precisam de um ritual de encerramento - algumas pessoas passam por experiências tão traumáticas que só a destruição do objeto é capaz de abrir caminho para o novo. Outras pessoas precisam dar um novo propósito a ele. É uma forma de entender que algo de bom foi tirado daquela relação. Nesse caso, a doação para projetos sociais é uma boa opção. Caso a pessoa seja acompanhada por um psicólogo ou psicanalista é interessante levar o assunto para o divã para entender o momento específico que ele simboliza.

Uma mulher que passou pelo processo comigo e vivenciou uma relação abusiva apelidou as coisas que encontrava do ex como Horcrux - uma referência à magia dos livros de Harry Potter, em que o bruxo do mal guardava sua alma em objetos - A analogia é ótima para entender que eles carregam e representam sentimentos e o que antes era alegre, pode não ser mais e muitas vezes assombrar o presente e o futuro.

Isso não significa que precisamos nos desfazer de tudo. Alguns presentes muitas vezes representam tanto nossa personalidade, experiências e anseios que o fato de ser dado por um ex não faz a menor diferença e cai no esquecimento frente à representação do nosso eu. Manter uma foto ou outra e até algum bilhete também não significa que estamos apegados ao relacionamento - pode ser só uma forma de ter uma memória física do que passamos.

Não é porque o relacionamento teve fim que conseguimos ou precisamos apagá-lo completamente da nossa história, afinal os aprendizados que tivemos com essa relação é o que aguça e lapida nosso olhar para que possamos nos encontrar ou encontrar alguém para partilhar o futuro.



domingo, 9 de fevereiro de 2020

.: Oscar 2020: Netflix em busca da estatueta de ouro


As premiações mais tradicionais do cinema têm reconhecido as produções de filmes da gigante do streaming Netflix. Podemos elencar aí uma série de razões – desde a diminuição de visitas do público às salas de cinema, passando pela eficiência do financiamento das produções da empresa, até os filmes de diretores ilustres, como Martin Scorsese (O Irlandês) e Fernando Meirelles (Dois Papas).

Quando estamos diante da tela, seja do cinema ou dos nossos dispositivos domésticos, ficamos impressionados e distraídos com os conteúdos que nos são exibidos a ponto de esquecer que a produção de cultura de massa é feita por uma indústria. Ou seja, os títulos que tanto gostamos são feitos a partir de complexos processos de produção, os quais envolvem um sem número de recursos humanos e materiais.

As transformações em campos como o da telecomunicação e do processamento de dados possibilitaram a criação dos serviços de streaming, revolucionando as formas de se produzir e consumir cinema. Antes, éramos restritos à programação das salas físicas de cinema, ao catálogo das locadoras de fitas VHS ou DVDs ou, ainda, a contar com a sorte de que algum canal transmitisse filmes de nosso interesse. Acima de tudo, todas essas opções para entretenimento eram caras em comparação ao que pagamos hoje.

As produções também eram restritas à grandes estúdios, que já estavam ficando enjoativas. Plataformas de streaming, por sua vez, já atingiram porte grande o suficiente para financiar produções de diretores e elencos consagrados, permitindo que experimentem facetas irrealizáveis nas produções tradicionais. Ao mesmo tempo, abrem espaço para filmes de equipes independentes ao redor do mundo.

Esta conjuntura faz com que a edição do Oscar de 2020 seja peculiar, com títulos ousados e concorrência bem equilibrada. Para os brasileiros, a boa surpresa é concorrer com dois títulos, ambos produzidos pela Netflix. Os "Dois Papas", dirigido por Fernando Meirelles (Cidade de Deus e Ensaio Sobre a Cegueira) recebe as indicações de Melhor Ator, com Jonathan Price, e Melhor Ator Coadjuvante, com Anthony Hopkins. O longa ainda foi indicado por Melhor Roteiro Adaptado (Anthony McCarten). Já "Democracia em Vertigem", de Petra Costa, concorre como Melhor Documentário.

Na categoria de Melhor Filme, a empresa conta com duas indicações: O Irlandês (Martin Scorsese) e História de um Casamento (Noah Baumbach), concorrendo com títulos como Coringa (Todd Phillips) e Parasita (Bong Joon-ho). Na categoria de melhor ator, além de Jonathan Price, Adam Driver foi indicado pela sua atuação no longa de Noah Baumbach, concorrendo com Joaquim Phoenix e Leonardo Di Caprio.

Por um lado, a premiação este ano está mais equilibrada e diversa do que em qualquer outro. Por outro, a presença magnânima dos títulos, diretores, roteiristas e atores da Netflix na lista de indicados deixou qualquer cinéfilo sem saber em quem apostar.



Douglas Henrique Antunes Lopes é professor do Centro Universitário Internacional Uninter. Atua nos cursos de Filosofia, Serviço Social e Pedagogia, além do Curso de Extensão Cineclube Luz, Filosofia e Ação.

domingo, 29 de dezembro de 2019

.: Surdez em músicos: alto volume de som nos palcos e estúdios prejudica

Alto volume de som nos palcos e estúdios pode prejudicar a audição ao longo dos anos. Diversos astros da música brasileira e mundial sofrem de perda auditiva mas alguns conseguem driblar a deficiência sem abandonar a carreira



Eric Clapton. Foto: divulgação


O que seria da vida sem música? Com um microfone nas mãos ou tocando um instrumento musical, os músicos levam alegria e descontração às pessoas. Exercem seu dom nos palcos, na maioria das vezes em meio a altos volumes de som. E quando não estão nos palcos, estão em estúdios de som. Esquecem, muitas vezes, do risco que correm de sofrerem danos auditivos cada vez mais severos. Eric Clapton, considerado um dos melhores guitarristas da história do Rock, já anunciou que está perdendo a audição. O guitarrista, em entrevista para um documentário sobre sua carreira, falou sobre as sequelas; reflexo dos mais de 50 anos que passou em cima dos palcos.


Coldplay. Foto: divulgação


Além de Clapton, diversos músicos famosos têm perda auditiva. Chris Martin, vocalista da banda britânica Coldplay, foi diagnosticado com Tinnitus (Zumbido) há mais de dez anos. Phil Collins, Ozzy Osbourne, Bono Vox, o brasileiro Rogério Flausino, do Jota Quest, e até mesmo Ludwing van Beethoven tiveram que realizar mudanças ou rupturas em suas carreiras após uma perda de audição significativa.


Phil Collins. Foto: divulgação


"É importante que os músicos atentem para a importância de se prevenir de danos auditivos usando tampões durante os shows. E para quem já foi ao médico e detectou a perda auditiva, é recomendada a avaliação com uma fonoaudióloga para que se identifique o melhor aparelho auditivo. Além de não ouvir direito, perda auditiva em músicos pode causar perda emocional também. Por isso, é tão importante usar a prótese auditiva, que traz de volta não somente a audição, mas também a sensibilidade por meio da música e da criatividade", explica Marcella Vidal, fonoaudióloga da Telex Soluções Auditivas.

Atualmente, com as novas tecnologias, os aparelhos auditivos são discretos, têm design moderno e podem oferecer uma boa qualidade de vida, inclusive com a continuidade da carreira musical dos artistas. Estudo da OMS (Organização Mundial da Saúde) considera a perda de audição relacionada ao ruído musical a segunda maior causa de surdez no mundo. Por isso, Vidal recomenda o uso frequente de protetores auriculares.

"Os protetores não eliminam o som por completo e nem impedem que o músico ouça o seu instrumento ou o que acontece à sua volta. Eles apenas reduzem o volume excessivo que chega aos ouvidos, protegendo a cóclea e propiciando uma audição mais confortável do som ambiente", ressalta a fonoaudióloga, que é especialista em audiologia.

Existem vários tipos de protetores auriculares no mercado, como os da Telex, por exemplo, que são feitos em acrílico e moldados de acordo com a anatomia do ouvido de cada pessoa, e que diminuem o barulho ambiente em 15 ou 25 decibéis, conforme a necessidade do usuário.

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