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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

.: Fernanda Montenegro reabre Teatro do Sesc Santos em ano histórico


Fernanda Montenegro inaugura o palco renovado do Teatro do Sesc Santos, marcando a reabertura do espaço com a leitura “Fernanda Montenegro Lê Simone de Beauvoir”. Foto: Guilherme Pires

Com Fernanda Montenegro no palco, o Teatro do Sesc Santos reabre as cortinas em grande estilo. A atriz inaugura oficialmente o espaço renovado com a leitura dramática “Fernanda Montenegro Lê Simone de Beauvoir”, entre os dias 20 e 22 de fevereiro, marcando o retorno da programação artística ao teatro após um amplo processo de modernização técnica. Na leitura dramática extraída da obra “A Cerimônia do Adeus”, Fernanda Montenegro apresenta reflexões centrais do pensamento de Simone de Beauvoir sobre o feminismo, a liberdade e sua relação com o filósofo Jean-Paul Sartre. O encontro entre a atriz e a pensadora francesa resulta em uma experiência íntima e potente, que aproxima o público de uma das vozes mais revolucionárias do século XX.

A reabertura acontece em um ano simbólico: o Sesc celebra 80 anos de atuação no país, enquanto o Teatro do Sesc Santos completa quatro décadas de história em 2026. Para celebrar esse duplo aniversário, a unidade apresenta uma programação especial que reúne grandes nomes da cena cultural brasileira e internacional, com espetáculos de teatro, dança e música voltados a públicos de todas as idades.

O espaço passou por uma renovação profunda da caixa cênica, dos bastidores e da infraestrutura técnica. Entre as melhorias estão a instalação de novos equipamentos de iluminação e audiovisual, a ampliação e automatização das varas de cenário e luz, além da substituição completa do piso do palco. O resultado é um teatro mais moderno, seguro e versátil, preparado para receber produções de alta complexidade técnica.

Após a estreia com Fernanda Montenegro, a programação de reabertura segue com a São Paulo Companhia de Dança, que apresenta, nos dias 26 e 27 de fevereiro, um programa com três obras internacionais: “Odisseia” (Joëlle Bouvier), “O Canto do Rouxinol” (Marco Goecke) e “Gnawa” (Nacho Duato). No dia 28/2, a cantora Fafá de Belém sobe ao palco ao lado do pianista André Mehmari com o show “BrasilEssenza”. Já no dia 1º de março, o público infantil é contemplado com o show “Zoró Zureta”, de Zeca Baleiro.

Os ingressos para a programação de reabertura do Teatro do Sesc Santos estarão disponíveis a partir de 3 de fevereiro, às 17h, pelo aplicativo Credencial Sesc SP e pelo site centralrelacionamento.sescsp.org.br. As vendas presenciais começam em 4 de fevereiro, às 17h, nas bilheterias das unidades do Sesc SP. Para a leitura dramática “Fernanda Montenegro lê Simone de Beauvoir”, os ingressos poderão ser adquiridos a partir de 6 de fevereiro, às 15h, tanto on-line quant o presencialmente.É recomendável consultar a classificação indicativa e o limite de ingressos por pessoa. A programação completa está disponível em sescsp.org.br/santos.


Um teatro renovado, técnico e contemporâneo
Considerado um dos principais equipamentos culturais da Baixada Santista, o Teatro do Sesc Santos foi inaugurado em 1986 e hoje tem capacidade para 765 pessoas. O espaço conta com plena acessibilidade, incluindo rampas, elevadores, áreas reservadas para cadeirantes, poltronas adaptadas para pessoas obesas e banheiros acessíveis.

Ao longo de 2025, o teatro passou por uma reestruturação técnica que o coloca em patamar equivalente ao dos grandes teatros brasileiros. Entre os principais avanços está a implantação de um sistema totalmente motorizado de varas cênicas: agora são 45 varas operadas por controle computadorizado, garantindo mais precisão, segurança e agilidade na montagem dos espetáculos.

Os sistemas de iluminação também foram atualizados, com novos equipamentos profissionais e maior uso de tecnologia LED, ampliando tanto a eficiência energética quanto as possibilidades criativas. Outro destaque é o novo piso do palco, com cerca de 600 m² em madeira Tauari, escolhida por seu conforto ergonômico, resistência à umidade característica do clima de Santos e possibilidade de revitalizações futuras. Com essas melhorias, o Teatro do Sesc Santos se reafirma como referência cultural na região, pronto para receber produções contemporâneas de diferentes linguagens e ampliar o diálogo com o público.

Serviço
“Fernanda Montenegro Lê Simone de Beauvoir”
Datas: 20 a 22 de fevereiro
Horários: sexta e sábado, às 20h00; domingo, às 19h00
Classificação: não recomendado para menores de 14 anos
Ingressos: R$ 21,00 (credencial plena), R$ 35,00 (meia), R$ 70,00 (inteira)
Limite: até 2 ingressos por pessoa
Observação: não é permitida a entrada após o início da leitura

Venda de ingressos
As vendas de ingressos para os shows e espetáculos da semana seguinte (segunda a domingo) começa na semana anterior às atividades, em dois lotes: on-line pelo aplicativo Credencial Sesc SP e portal do Sesc São Paulo: às terças-feiras, a partir das 17h00. Presencialmente, nas bilheterias das unidades: às quartas-feiras, a partir das 17h00.

Bilheteria Sesc Santos - Funcionamento
Terça a sexta, das 9h às 21h30 | Sábados e domingos, 10h às 18h30   

Sesc Santos
Rua Conselheiro Ribas, 136 - Aparecida / Santos
Telefone: (13) 3278-9800        
Site do Sesc Santos
Instagram e Facebook: @sescsantos

domingo, 1 de fevereiro de 2026

.: Entrevista: Victor Garbossa reinventa “O Alienista” para fazer o Brasil repensar


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.comFoto: Joaquim Araújo

Em um país onde o clássico frequentemente é visto como sinônimo de inacessível, "O Alienista" -adaptação teatral protagonizada por Victor Garbossa e dirigida por Eduardo Figueiredo - surge como uma espécie de rebelião poética: leve, irônica, musical e, ao mesmo tempo, profundamente crítica. Inspirada no conto homônimo de Machado de Assis, a montagem reimagina o médico Simão Bacamarte que, além de um estudioso da razão e da loucura, é també, alguém que faz parte das contradições e obsessões de nosso tempo.

Em cartaz até o dia 1º de fevereiro no Teatro J. Safra, em São Paulo, "O Alienista" convida cada espectador a revisitar Machado de Assis. Em entrevista exclusiva para o portal Resenhando.com, Victor Garbossa fala sobre arte, identidade, redes sociais, fé cega e o ofício performático que transita entre palco, estúdio de dublagem e tela.

Com uma linguagem que dialoga diretamente com o público jovem e familiar, o espetáculo propõe uma aproximação radical entre palco e plateia - que começa ainda na recepção do teatro, quando um ator se mistura aos espectadores para compartilhar como a leitura de um clássico transformou sua vida. Ao longo de 60 minutos, humor e reflexão se misturam à música ao vivo e à multiplicidade de personagens encarnados por Garbossa, convidando o público a rir, pensar e questionar a própria noção de normalidade.


Resenhando.com - "O Alienista" é uma obra sobre o poder de definir quem é “normal”. Em 2026, quem você acredita que ocupa esse lugar de alienista na sociedade brasileira: a ciência, a política, o mercado ou as redes sociais?
Victor Garbossa - Eu acredito que o tribunal das redes sociais seja um antro onde pessoas de todos os segmentos se sentem autorizadas - e empoderadas - a julgar o que é certo, o que é errado, o que é normal e o que não é. Existe uma crença perigosa de que qualquer um pode opinar sobre qualquer assunto sem embasamento algum, e as redes sociais reforçam isso ao oferecerem anonimato e sensação de impunidade. Basta um perfil fechado ou falso para que atrocidades sejam ditas e, na maioria das vezes, nada acontece.


Resenhando.com - Ao se misturar ao público logo na recepção e contar sua própria “queda” em Machado de Assis, você rompe a quarta parede e também a hierarquia entre ator e espectador. Esse gesto é mais teatral ou mais político?
Victor Garbossa - É mais humano. A partir do momento em que busco equalizar a nossa relação, tento trazer para as pessoas uma proximidade que muitas vezes o estereótipo de um texto difícil cria logo de início. Quando somos apresentados a um texto clássico, geralmente temos a impressão de algo arcaico, chato ou de difícil leitura. O que eu busco dizer, por meio desse ato, é que estamos juntos. Ao fazer isso, rompo previamente uma barreira que, por exemplo, no cinema, existe de forma clara entre tela e espectador. Aqui, apesar de também existir uma separação, estamos todos dentro da mesma história.


Resenhando.com - Machado de Assis escreveu "O Alienista" como sátira, mas muitos hoje o leem quase como profecia. Em cena, você ri mais de Simão Bacamarte ou sente medo dele?
Victor Garbossa - A primeira coisa que busco é a empatia. Não posso ser leviano ou ingênuo a ponto de dizer que nunca julguei algo com preconceito ao longo da minha trajetória, nem condenar o personagem como um tipo de monstro. Esse discernimento vem primeiro do lugar de leitor e espectador, para só depois se transformar em intérprete. Procuro entender as motivações do personagem, mas também faço questão de analisar o resultado final disso tudo nos dias de hoje. Existem pessoas com comportamentos muito semelhantes aos de Bacamarte, e elas me assustam. Como disse na primeira pergunta, a sensação de impunidade lhes dá uma falsa segurança para rotular, julgar e aprisionar pessoas e situações conforme lhes convém, sustentadas por atitudes egoicas, absurdas e prepotentes. Talvez o riso surja justamente desse desconforto: perceber que, ainda hoje, há quem prefira julgar em vez de acolher.


Resenhando.com - Interpretar vários personagens sozinho exige rapidez, precisão e risco. O que mais o assusta num solo: o silêncio da plateia ou o riso que vem no tempo errado?
Victor Garbossa - O que mais me assusta é suprir uma expectativa que muitas vezes eu mesmo crio. Fazer um solo exige, antes de tudo, estar despido de vaidade, permitir ser vulnerável e generoso a tudo o que pode acontecer. É evidente que ensaiamos muito e nos preparamos intensamente para que a piada entre no tempo certo, para que a comoção chegue até a plateia, mas também é fundamental estar atento e disponível para saber lidar com os reveses quando situações fora do nosso controle acontecem.


Resenhando.com - Sua carreira transita entre teatro, dublagem, televisão e literatura infantil. Em qual desses territórios você sente que pode errar mais - e por que errar ainda é essencial para um artista?
Victor Garbossa - Eu vejo o "erro"na verdade como o que funciona e o que não funciona às vezes uma técnica uma expressão uma piada funciona e/ou não funciona para um espetáculo em específico o teatro acaba sendo esse espaço mais fértil pois muitas vezes ele nasce desse inesperado ele nasce da experimentação de apostar de sair um pouco do óbvio Em contrapartida, a dublagem e a televisão exigem um estado de mais prontidão existe ensaio existe preparo mas poucas vezes você pode fugir muito a regra E são poucos os momentos em que você pode improvisar com algo que pode acontecer de inesperado numa apresentação com uma plateia diferente.


Resenhando.com - Como dublador, você empresta voz a outros corpos; como ator solo, empresta corpos a muitas vozes. O que essa inversão ensinou a você sobre identidade e atuação?
Victor Garbossa - Toda experiência artística nos transforma de alguma maneira. Mesmo quando utilizo apenas a minha voz, o corpo está atuando e vice-versa. Criar personagens amplia minha gama e meu repertório, para que, quando estou diante de um estande, eu tenha mais arsenal para trabalhar com a voz. O bonito do nosso trabalho é que, para aqueles que sabem aproveitar, toda ocasião se torna uma oportunidade de aprendizado e de enriquecimento do próprio ofício.


Resenhando.com - Machado de Assis ironiza a obsessão científica de Bacamarte. Hoje, que tipo de “fé cega” você enxerga substituindo a religião ou a ciência no imaginário coletivo?
Victor Garbossa - Acredito que hoje basta alguém pensar diferente para que um conflito se instale. Quando trazemos à tona questionamentos que demandam fatos e estudos, o mais coerente seria permitir que aquilo que se aproxima da verdade se sobreponha à sua antítese. No entanto, a disseminação de notícias falsas e o uso malicioso da inteligência artificial acabam confundindo e influenciando pessoas que chegam a confrontar fatos que não deveriam sequer ser contestados. Muitas vezes, essas mesmas pessoas tentam trazer à luz argumentos e opiniões infundadas apenas pelo prazer de estarem certas, mesmo quando não estão. Isso, por si só, já é suficiente para alimentar uma nova forma de “fé cega”, capaz de gerar atrito, ruído e discussão.


Resenhando.com - A montagem aposta em uma linguagem jovem e musical sem “simplificar” Machado de Assis. Existe um preconceito silencioso contra o público jovem quando o assunto é clássico brasileiro?
Victor Garbossa - Da nossa parte, é justamente o contrário. Acreditamos que o jovem tem plena capacidade de absorver e se entreter com um texto clássico, respeitando sua forma original, fazendo apenas as adequações necessárias. Talvez isso não se trata nem de preconceito, mas de uma preocupação genuína em resgatar, junto aos jovens, o acesso aos nossos livros clássicos e à nossa identidade cultural. Vivemos um tempo em que eles são diariamente bombardeados pelas redes sociais e, muitas vezes, têm acesso mais fácil ao que vem de fora do que ao que é nosso. Nesse contexto, o espetáculo acaba se tornando também um evento familiar, no qual o jovem pode trazer sua família e amigos para consumir e compartilhar arte e literatura brasileira.


Resenhando.com - Você atua em produções bíblicas na TV e, ao mesmo tempo, encarna um personagem que questiona moral, razão e poder. Como conciliar fé, dúvida e crítica no mesmo artista?
Victor Garbossa - Eu não vejo por que elas não podem coexistir. A fé não deveria nos enclausurar; deveria nos sustentar, mas também abrir espaço para o questionamento e para o conhecimento das coisas, como forma de nos apaziguar, e não de nos prender ou limitar. Como artista, acredito que personagens diversos e temas conflituosos tendem a nos enriquecer, ampliando nossa dialética e nosso repertório. O saber não deve ser visto como algo assustador, mas como algo libertador.


Resenhando.com - Se Machado de Assis sentasse hoje na plateia do Teatro J. Safra, o que ele estranharia mais: o espetáculo, o Brasil ou nós mesmos?
Victor Garbossa - Sinceramente eu espero que tudo. Ele faleceu em 1908, um salto centenário de princípios de valores, de regras que mudaram, de meios de se contar histórias. Eu espero que ele se choque com tudo, no entanto esperaria que ele tivesse a empatia de compreender essas mudanças e assimilar que elas fazem parte de um novo cotidiano.

.: "Rua" ocupa o Sesc Pinheiros e convida a juventude a olhar o outro lado


A temporada segue até 29 de março, com apresentações aos domingos, às 15h00 e 17h00, e sessões especiais terça e quarta-feira, dias 17 e 18 de março, nos mesmos horários. Foto: Sérgio Silva

O espetáculo "Rua", que estreia dia 1º de março no Auditório do Sesc Pinheiros, marca o terceiro projeto infantojuvenil da dramaturga e atriz Fran Ferraretto, indicada ao Prêmio APCA 2024 pelo texto de "Valentim Valentinho". Antes disso, ela estreou como idealizadora em "A Minicostureira", espetáculo dirigido por Débora Falabella e Cynthia Falabella, que se destacou na temporada de 2018 pelo sucesso de público e de crítica. Com direção de Eugênio Lima, fundador do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, o novo espetáculo propõe um olhar sensível e necessário sobre temas como desigualdade social, família, sonhos e oportunidades. O elenco reúne Barroso, Fernando Lüfer, Fran Ferraretto, Jennifer Souza e Rodrigo Pavon, em uma encenação que aposta na força da música, da dança e da linguagem urbana para dialogar com o público jovem.

A temporada segue até 29 de março, com apresentações aos domingos, às 15h00 e 17h00, e sessões especiais terça e quarta-feira, dias 17 e 18 de março, nos mesmos horários. Na trama, o público acompanha a história de Jeffinho, um menino talentoso que adora criar rimas e passos de dança. Morador de uma comunidade separada por apenas uma rua de um dos bairros mais ricos da cidade, ele conhece Lucas, garoto da mesma idade que vive “do outro lado”. A partir desse encontro, nasce uma amizade que atravessa diferenças sociais e revela, de forma lúdica e potente, descobertas sobre o mundo, a convivência e as desigualdades estruturais da sociedade.

Com ritmo, afeto e diversão, "Rua" fala sobre sonhos possíveis, oportunidades negadas e a força transformadora da amizade. Além da direção geral, Eugênio Lima assina também a direção musical, ao lado de Barroso, responsável pela trilha sonora original. A ficha técnica inclui ainda Luaa Gabanini na preparação corporal, Khalifa Idd no workshop de passinho, Claudia Schapira no figurino, Matheus Brant no desenho de luz e Vic von Poser na videografia. A produção é conduzida por Paula Malfatti, com coordenação da FATTO Realizações, e conta com assessoria de imprensa da Canal Aberto.


Ficha técnica
Espetáculo "Rua"

Idealização e texto: Fran Ferraretto
Direção: Eugênio Lima
Elenco: Barroso, Fernando Lüfer, Fran Ferraretto, Jennifer Souza, Rodrigo Pavon
Direção musical: Eugênio Lima
Trilha sonora: Barroso e Eugênio Lima
Preparadora corporal: Luaa Gabanini
Workshop Passinho: Khalifa Idd
Figurino: Claudia Schapira
Desenho de luz: Matheus Brant
Videografia: Vic von Poser
Operação de som: Viviane Barbosa
Cenotécnico: Wanderley Wagner
Design gráfico: Murilo Thaveira
Assessoria de imprensa: Canal Aberto – Márcia Marques
Mídias sociais: Rafael Américo
Fotos: Sérgio Silva
Direção de Produção: Paula Malfatti
Coordenação de produção: FATTO Realizações
Apoio: Oficina de Atores Nilton Travesso


Serviço
Espetáculo "Rua"
Temporada: 1° a 29 de março, aos domingos, às 15h00 e às 17h00. Terça e quarta-feira, dias 17 e 18 de março, às 15h00 e 17h00.

Sesc Pinheiros  
Rua Paes Leme, 195, Pinheiros / São Paulo
Horário de funcionamento: Terça a sexta: 10h00 às 22h00. Sábados, 10h00 às 21h00. Domingos e feriados: 10h00 às 18h30
Estacionamento com manobrista

Como chegar de transporte público
São 350 metros a pé da Estação Faria Lima (metrô | linha amarela), 350 metros a pé da Estação Pinheiros (CPTM | Linha Esmeralda) e do Terminal Municipal Pinheiros (ônibus). Acessibilidade: a unidade possui rampas de acesso e elevadores, além de banheiros e vestiários adaptados para pessoas com mobilidade reduzida. Também conta com espaços reservados para cadeirantes.

sábado, 31 de janeiro de 2026

.: Escrevivência de Conceição Evaristo vira ópera no Theatro São Pedro


Programação terá as óperas "Orfeu no Inferno", "Don Pasquale" e "Conceição Evaristo - Uma Ópera Escrevivência", com texto da própria autora que completa 80 anos em 2026. Foto: divulgação

A temporada 2026 do Theatro São Pedro ganha um ponto de inflexão simbólico e artístico com “Conceição Evaristo - Uma Ópera Escrevivência”, criação que coloca no centro do palco uma das vozes mais decisivas da literatura brasileira contemporânea. Em um gesto que ultrapassa a programação cultural e toca a história, o teatro dedica uma ópera inteira à autora mineira justamente no ano em que ela completa 80 anos - e o faz com texto assinado pela própria escritora.

A estreia está marcada para 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, data que não poderia ser mais precisa para a proposta do espetáculo. As récitas seguintes acontecem nos dias 22, 25, 27 e 29 de novembro, esta última coincidindo com o aniversário de Conceição Evaristo. Não se trata apenas de uma homenagem, mas de uma afirmação estética e política: a ópera, gênero historicamente associado a narrativas europeias e cânones brancos, abre espaço para a escrevivência - conceito criado pela autora para nomear uma escrita atravessada por memória, corpo, experiência e ancestralidade.

Com composição musical de Juliana Ripke, a obra articula palavra e música a partir da própria matéria literária de Evaristo, marcada por vozes femininas negras, silêncios históricos e afetos forjados na resistência cotidiana. No elenco estão Edna D’Oliveira, Juliana Taino e Vinicius Costa, que dão corpo e voz a uma narrativa que não busca acomodação, mas escuta. Na mesma temporada, o teatro ainda apresenta títulos como “Orfeu no Inferno”, “Don Pasquale”, produções da Academia de Ópera, criações inéditas do Atelier de Composição Lírica, além de uma programação que envolve cinema, dança, música de câmara e concertos especiais.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

.: “A Primeira Cirurgia da História, ou O Barbeiro de Andaluzia” em três sessões


Monólogo autoral de Emerson Espíndola (Mister Emerson), com direção de Ivan Parente, mistura sátira histórica, humor físico e narrativa direta ao público em uma comédia sobre fé, ciência e desinformação — agora em curta reta final, aos finais de semana. Foto: Ronaldo Gutierrez

Depois de uma estreia que movimentou o teatro e de uma temporada que ganhou forte repercussão, a comédia histórica “A Primeira Cirurgia da História, ou O Barbeiro de Andaluzia” entra em reta final com novas datas aos sábados, devido ao sucesso de público. O monólogo autoral protagonizado por Emerson Espíndola (Mister Emerson), com direção de Ivan Parente, segue em cartaz no Teatro
MorumbiShopping (Teatro Multiplan) e anuncia apenas mais 3 apresentações, de
31 de janeiro a 14 de fevereiro, sempre às 20h30.

Ambientada há exatamente mil anos, em uma praça da Andaluzia medieval, a peça acompanha Raí, um barbeiro-curandeiro que improvisa “tratamentos” para sobreviver - e, no processo, expõe as contradições entre fé, ciência, ignorância e poder. Na trama, o personagem atende aldeões com “procedimentos” tão duvidosos quanto cômicos: cortes de cabelo, extrações de dentes, sangrias, rezas e curas improvisadas. O que começa como ofício e charlatanismo vira uma jornada inesperada quando Raí se vê diante da necessidade - e do desejo - de compreender o que, afinal, é conhecimento
de verdade.

Com humor físico, fala direta com o público e ritmo ágil, a encenação combina sátira histórica e comédia popular, traçando um caminho que leva não só o protagonista, mas o público, ao universo (surpreendentemente reconhecível) da história da medicina. O riso aqui não é só entretenimento - é ferramenta para refletir sobre como (ainda) lidamos com o corpo, a dor, o medo e a desinformação.

O espetáculo faz um “resgate histórico” também na linguagem: sem perder a velocidade contemporânea, o texto de Emerson flerta com um prazer narrativo que lembra as contações de história populares e educativas que marcaram parte da televisão dos anos 1990 - aquele tom de fábula, de causos e de curiosidade que prende o olhar e conduz o público pelo enredo com clareza e surpresa. Ainda que fictícia, a história é atravessada por informações reais e referências históricas que convidam o espectador a “mergulhar” em um tempo que, de algum modo, já estudamos - e a sentir o impacto da distância entre época e presente.

A condução cênica reforça esse jogo com o público por meio do corpo e do movimento, que seguram a plateia no enredo: a cena se organiza como um fluxo de ações e imagens que impulsionam o relato, com fisicalidade precisa e senso de ritmo. Na direção, Ivan Parente utiliza recursos ligados à tradição da commedia dell’arte para construir um teatro vivo, direto e popular. Entre as referências assumidas no processo de escrita, está Dario Fo, mestre do monólogo satírico e popular, cuja tradição de comicidade crítica ecoa no modo como a peça usa o riso para iluminar estruturas sociais
e contradições humanas.


Credibilidade e “boca a boca”
Segundo a produção, a estreia VIP teve casa cheia e reuniu plateia com
influenciadores, jornalistas e críticos — aquecendo o boca a boca que impulsionou a
mudança de datas para o fim de semana. Agora, com somente três sessões, a
temporada entra em clima de “última chance” para quem ainda não viu (ou para quem
quer voltar e indicar).


Serviço
Espetáculo "A Primeira Cirurgia da História, ou O Barbeiro de Andaluzia"
Temporada (reta final): 31 de janeiro a 14 de fevereiro - Três sessões, sempre aos sábados, às 20h30
Teatro Multiplan MorumbiShopping – São Paulo
Duração: 60 minutos
Classificação: 12 anos
Redes: @aprimeiracirurgiadahistoria
Ingressos: Sympla

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

.: Marcos Damigo desmonta o mito bandeirante para rir de projeto colonial


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com. Foto: Heloísa Bortz

Entre o mito e a farsa, a história do Brasil sempre foi um território disputado - não apenas por quem a escreveu, mas por quem decidiu o que não poderia ser falado. Ao longo de três décadas de trajetória, Marcos Damigo tem feito do teatro um espaço de fricção entre passado e presente, revisitando narrativas oficiais para expor o grotesco escondido sob o verniz da civilização e do progresso. Ator, autor e diretor, ele transforma pesquisa histórica em jogo cênico, ironia e desconforto, recusando a ideia de que o palco deva apenas ilustrar a história. Antes, ele a interroga.

Em cartaz com "Entre a Cruz e os Canibais", comédia farsesca ambientada na São Paulo de 1599, até dia até dia 15 de fevereiro no Teatro Arthur Azevedo, em São Paulo, Damigo desmonta o mito bandeirante ao revelar o desajuste entre o projeto colonial e a realidade violenta que o sustentou. Em entrevista exclusiva ao portal Resenhando.com, o artista fala sobre humor como estratégia crítica, a permanência de estruturas coloniais no Brasil contemporâneo, o risco do fracasso como método criativo e o papel do teatro na disputa por outras formas de imaginar o passado e, talvez, o futuro.


Resenhando.com - Você começou a vida adulta estudando agropecuária e agronomia. Em que momento o Brasil real - do campo, da terra e da exploração - virou matéria estética e política do seu teatro, e não apenas uma lembrança biográfica?

Marcos Damigo - Desde sempre, na verdade. Quando fazia agronomia, participava do movimento estudantil e tive muita convivência com a MST. O primeiro texto que eu escrevi nesse viés de história do Brasil no teatro foi sobre a Guerra de Canudos, eu tinha lido “Os Sertões” do Euclides da Cunha com 16, 17 anos, e foi um livro que me impactou muito. Então, quando abandonei a agronomia e caí no teatro, trouxe essas vivências e interesses pro meu fazer artístico. Essa questão da disputa pela terra e de histórias do Brasil ainda dizem muito pra gente - e da gente - são emblemáticas de estruturas que ainda permanecem hoje no Brasil, e elas estão presentes no meu trabalho desde o começo. Um certo idealismo que germinou em mim quando era mais jovem forjou o artista que eu me tornei.


Resenhando.com - Em "Entre a Cruz e os Canibais", o riso nasce do grotesco. Você acredita que hoje o humor é mais eficaz do que o drama para desmontar mitos nacionais, ou ele corre o risco de anestesiar a violência histórica que denuncia?
Marcos Damigo - O humor e o drama têm, cada um, sua força. O drama opera mais pela identificação, talvez, e a comédia pressupõe um distanciamento crítico. E eu fui me inspirar numa tradição de comédia popular pra escrever esse texto, desde Aristófanes, que criticava os poderosos da Grécia, mas passando também pelos nossos grandes brasileiros, como Martins Pena e Artur Azevedo, por exemplo. O Dario Fo também faz isso muito bem na “Descoberta das Américas”, por exemplo. Nesse caso, de “Entre a Cruz e os Canibais”, operamos no desmonte de uma certa ideia bem sedimentada no nosso imaginário, que é o bandeirante como esse desbravador, destemido, que vai gerar essa cidade-trabalho. Não à toa, quando o mito bandeirante é forjado, na passagem do século 19 para o 20, quando os barões do café investem na construção dessa imagem dos bandeirantes como heróis e de São Paulo como locomotiva do Brasil, é também quando a cidade tem a sua explosão populacional. De uma certa maneira, a construção do mito bandeirante foi muito bem sucedida, né? E eu acho que através do riso e da farsa, e de desmontar e mostrar o absurdo disso, a gente consiga talvez abrir espaço para se pensar outros modos de vida e outros modelos de cidade.


Resenhando.com - O bandeirante já foi herói, vilão, estátua e nome de avenida. O que mais assusta você nessa figura: o passado que ela representa ou a facilidade com que ainda é celebrada no presente?
Marcos Damigo - As duas coisas estão intimamente conectadas: o passado que ele representa, na maneira como esse mito bandeirante foi construído, justifica e fundamenta a celebração dele no presente, na forma das estátuas, das estradas, do Palácio do Governo. É realmente assustador pensar que a gente não está conseguindo se libertar de um paradigma cujo fracasso está cada vez mais evidente, porque ninguém aguenta mais, essa é a verdade, a gente está cada vez mais precarizado, trabalhando cada vez mais, ganhando cada vez menos, tudo em nome desse desenvolvimento desenfreado, e esse paradigma está ancorado nessa imagem dos bandeirantes.


Resenhando.com - Seus trabalhos com Machado de Assis dialogam com ironia, ambiguidade e corrosão moral. Ao olhar para o Brasil colonial, você se sentiu mais próximo de Machado ou de um cronista indignado dos dias de hoje?
Marcos Damigo - Eu sinto que hoje a gente está mais literal, talvez, né? Os discursos estão mais explícitos e nós, como artistas, estamos sendo convocados a nos posicionar de uma maneira mais explícita, para que não haja dúvida do nosso posicionamento e a gente não sofra cancelamentos e tal. O Machado é um pouco o oposto disso, né? Ele vivia, como homem negro, numa sociedade escravista, e alçou uma posição entre uma elite branca e letrada. Então, ele precisava da ironia como arma, que é justamente esse mecanismo de dizer sem dizer. Ele foi desenvolvendo isso como ferramenta, e isso é um dos elementos que o torna genial. Então, de uma certa maneira, nesse equilíbrio precário entre uma posição e outra, eu acho que eu me sinto mais próximo do Machado.


Resenhando.com - Você afirma ter pedido aos atores que “destruíssem” o seu texto. O que mais interessa a você hoje: o controle autoral ou o risco do fracasso em cena?

Marcos Damigo - Eu não tenho nenhum apego ao meu texto, de verdade, eu acho que essa questão do controle autoral é uma armadilha, porque o texto precisa estar a serviço da cena, e não da vaidade do autor. E quando eu escrevo essas peças de conteúdo histórico, tem uma pesquisa prévia muito grande, então é natural que o texto fique um pouco “gordo”, com excesso de referências e tal. E aí é na cena, no ensaio com os atores, que as coisas vão ser testadas, e o que funciona fica, o que não funciona naturalmente cai. O próprio processo começa a se autogerir nesse sentido, e o trabalho do diretor passa a ser muito mais de abrir uma escuta para o que a cena pede do que exatamente impor um ponto de vista. Mas eu gosto de fazer essa dupla comigo mesmo, na dramaturgia e na direção, porque essas escolhas são fundamentadas na pesquisa que eu já fiz. No caso de “Entre a Cruz e os Canibais”, o “destruir o texto” que eu pedi para os atores no começo do processo era justamente nesse sentido de pegar aquilo que eu tinha estruturado através de uma pesquisa e colocar a serviço de uma cena que explicitasse o grotesco das situações.


Resenhando.com - Ao tratar personagens históricos como “tipos”, você rejeita a reconstituição fiel. Em tempos de disputas por narrativas históricas, o teatro deve disputar a verdade ou assumir a mentira como estratégia crítica?
Marcos Damigo - 
Hoje existe uma disputa sobre narrativas, a gente vê isso muito explicitamente na questão da ditadura empresarial-militar que existiu no Brasil, é importante usar essa denominação, que algumas pessoas ainda insistem em chamar de “revolução”. O que a peça faz, na verdade, é mais do que disputar a verdade: é revelar, pelas contradições, a farsa do projeto Moderno. Porque, de uma certa maneira, se a gente parar para pensar, toda a história é uma grande farsa, pelo menos da maneira como a gente conta sem pensar muito no que está dizendo. Se você pensar no Brasil colonial, bem no começo, ali, século 16, costumamos dizer “ah, o Brasil era colônia de Portugal”. Mas, na verdade, o que Portugal conseguiu ocupar eram pontinhos muito isolados de um imenso território. Ou mesmo o Tratado de Tordesilhas, que todo mundo aprende da escola: então quer dizer que um Papa, lá na época, reúne o rei de Portugal e o rei da Espanha, e fala “Vamos traçar uma linha nesse pedaço do mundo aqui e esse lado fica para você e esse outro fica para você”. Não é meio absurdo? Claro que esses absurdos foram se sedimentando no nosso imaginário e criando o mundo da maneira como ele é hoje. Mas a comédia tem essa função de revelar a farsa e talvez abrir possibilidades para outras formas de pensar o mundo.


Resenhando.com - Sua trajetória transita entre teatro, televisão, cinema e audiolivros. O que muda - ética e artisticamente - quando sua voz serve à ficção, à história oficial ou à memória traumática, como em "Última Parada: Auschwitz"?

Marcos Damigo - O que muda, principalmente, é que no teatro, especialmente nesses projetos que eu idealizo e que construo do zero, eu tenho uma autonomia maior para determinar os modos como essa obra vai operar com as questões. Quando eu estou a serviço de um outro produto, seja na televisão, no cinema ou mesmo no audiolivro, eu tento emprestar a minha sensibilidade e a minha visão de mundo para esses trabalhos, e isso obviamente é um importante na maneira como eu sou visto como artista e até do porquê eu sou contratado para esses trabalhos. Mas eu tenho muito menos autonomia, obviamente. Então quando eu pego um livro como esse que você mencionou, “Última Parada: Auschwitz”, eu fico muito feliz porque é um livro importante para entender o que aconteceu num momento tenebroso da história da humanidade.


Resenhando.com - Em "Entre a Cruz e os Canibais", o progresso nasce junto da barbárie. Você diria que São Paulo ainda vive sob essa mesma lógica colonial, apenas com nomes mais sofisticados?
Marcos Damigo - Desde a minha última peça, “Babilônia Tropical”, que estreou no CCBB BH em 2023, eu tive essa percepção muito evidente desse casamento entre “progresso” e “barbárie”. E cada vez mais vivemos essa distopia, essa dissociação entre o modo como as coisas realmente são e o que elas parecem ser. Então acredito que sim, tanto que eu cheguei a escrever uma frase, falando de “Entre a Cruz e os Canibais”, que é: “revelar o grotesco escondido sob o verniz de modernidade que mascara até hoje interesses abjetos”. E é isso, né? A gente hoje, por exemplo, vive uma situação de exploração absurda, mas através de uma captura do nosso desejo, por algo que alguns autores chamam de “servidão voluntária”. A gente não precisa mais ser obrigado a trabalhar porque a gente mesmo se obriga, a gente quer poder consumir, usufruir de uma vida confortável, e tudo certo, é legítimo, claro, mas isso mascara a violência e o absurdo da situação como um todo. Ainda mais no Brasil, que é um dos países com maior concentração de renda do mundo.


Resenhando.com - Depois de tantos anos revisitando a história do Brasil em cena, o que mais o incomoda: o que ainda não foi contado ou o que já foi contado demais, sempre do mesmo jeito?

Marcos Damigo - Essas duas questões andam juntas, porque o que a gente escolhe contar e a maneira como a gente escolhe contar diz muito de quem nós, coletivamente como sociedade, nos tornamos. Por exemplo, em “Leopoldina, Independência e Morte”, peça que eu escrevi sobre a imperatriz Leopoldina, questionando a maneira como a vida dela era contada, colocando ela só num lugar de mulher traída e abandonada, mãe… Isso mascarava a importância política que ela teve, porque não era interessante, numa sociedade patriarcal, que uma mulher fosse retratada tendo a importância e inteligência que ela teve naquela época. Então recontar histórias, que nos acostumamos a contar de um certo modo, de outros modos, é o que me move nessa pesquisa com a história do Brasil no teatro.


Resenhando.com - Se o espetáculo "Entre a Cruz e os Canibais" fosse visto daqui a 50 anos, o que você gostaria que o público entendesse sobre nós: que finalmente aprendemos com o passado ou que seguimos rindo para não encarar a realidade?
Marcos Damigo - É interessante pensarmos um pouco nesse paralelo entre o tempo atual e o tempo da história que é retratada em “Entre a Cruz e os Canibais”, porque foram ambos tempos de grandes transformações. Ali, a gente estava nas navegações, a Europa descobrindo outros continentes, povos, culturas, cobiçando muito também essas riquezas e se transformando a partir de tudo isso que eles foram encontrando. Porque é uma via de mão dupla, sempre. E muitas vezes nos acostumamos a pensar a colonização como uma sociedade impondo seus valores sobre outra. Mas o inverso também ocorre, embora seja silenciado, obviamente. E hoje a gente está vivendo essa revolução digital, também um mundo em grande transformação. Então é difícil imaginar como é que o espetáculo seria visto daqui a cinquenta anos. Sendo muito otimista, eu espero que a gente tenha superado questões urgentes, que têm a ver com as crises climáticas, as crises democráticas do mundo. Para que a gente pudesse olhar para essa peça pensando “nossa, que loucura que era naquele tempo!”, e não se identificasse tanto com as questões que ela suscita.

.: Grátis no Rio: Armando Babaioff e Sergio Saboya em conversa sobre teatro


O ator e produtor Armando Babaioff e o diretor de produção Sergio Saboya participam de um bate-papo aberto ao público no Teatro Municipal Carlos Gomes, nesta quinta-feira, dia 29, das 14h00 às 16h00. A conversa é sobre teatro e empreendedorismo cultural, com foco na internacionalização do espetáculo "Tom na Fazenda". Com patrocínio do Ministério da Cultura e da Petrobras, por meio da Lei Rouanet, e apoio do Instituto Guimarães Rosa, "Tom na Fazenda" vem se consolidando como um dos casos mais expressivos de circulação internacional do teatro brasileiro contemporâneo.

Ao longo de nove anos desde a estreia do espetáculo, Babaioff e Saboya compartilham com o público carioca as experiências, desafios, estratégias e aprendizados de uma produção independente criada no Rio de Janeiro, que já soma mais de 600 apresentações e um público superior a 200 mil espectadores em cinco países. 

A trajetória inclui participações em alguns dos mais importantes eventos das artes cênicas no mundo, como o Festival de Edimburgo, no Reino Unido, e o Festival de Avignon, na França. O encontro propõe uma reflexão sobre os caminhos possíveis para a internacionalização das artes, a sustentabilidade da produção teatral e o papel do empreendedorismo cultural no fortalecimento da cena artística brasileira.


Serviço
Bate-papo: “'Tom na Fazenda' e a internacionalização do Teatro Brasileiro”
Participantes: Armando Babaioff e Sergio Saboya
Local: Teatro Municipal Carlos Gomes
Endereço: Praça Tiradentes, s/n, Centro-RJ
Data: quinta-feira, dia 29 de janeiro
Horário: das 14h00 às 16h00
Entrada: gratuita (lotação mediante ordem de chegada)
Público-alvo: artistas, produtores culturais, estudantes de artes, gestores culturais e público interessado em teatro, economia criativa e internacionalização da cultura brasileira.
Este bate-papo é uma ação de democratização de acesso do Pronac 2412588 – Tom na Fazenda | Turnê Brasil, apresentado pelo Ministério da Cultura e Petrobras, por meio da Lei Rouanet – Incentivo a Projetos Culturais. Realização: ABGV Produções, @minc e @govbr.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

.: Entrevista: Gustavo Pinheiro desafia a crônica no teatro para provocar


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com. Foto: Pino Gomes

Grande nome da dramaturgia contemporânea, Gustavo Pinheiro escreve para colocar conflitos em suspensão. Nas peças teatrais assinadas por ele, nada é o que parece: o encontro nunca é confortável, o afeto jamais é neutro e o silêncio costuma dizer mais do que qualquer discurso bem articulado. Autor de textos como "Dois de Nós", em cartaz no Teatro Tuca em São Paulo, "A Tropa", e "A Lista", ele construiu uma dramaturgia que observa o Brasil pelo detalhe íntimo: um quarto de hotel, um apartamento na pandemia, um quarto de hospital. Em comum entre os textos, está o tempo, que resolve pedir a palavra.

Nesta entrevista exclusiva ao portal Resenhando.com, Pinheiro reflete sobre o gesto de escrever para o palco como um exercício de escuta, sobre a fronteira por vezes ilusória entre o drama privado e a política, e sobre o compromisso ético de dialogar com o público sem subestimá-lo. Entre memória, maturidade e risco, o autor revela por que prefere provocar pensamento a oferecer respostas prontas e porque acredita que o teatro só faz sentido quando continua reverberando depois que as luzes se apagam.


Em "Dois de Nós", os personagens se veem frente a frente com versões mais jovens de si mesmos. Se você encontrasse hoje o Gustavo que escreveu "A Tropa", o que ele cobraria e o que você tentaria justificar?

Gustavo Pinheiro - Não sei dizer o que aquele Gustavo de dez anos atrás me cobraria. Na verdade, acho que ele ficaria orgulhoso e até um pouco surpreso com a versão de hoje. Mas sei o que eu diria hoje ao Gustavo “jovem”: que ele fosse menos ansioso, tivesse calma, fé no caminho, que tudo iria dar certo. E o que não deu, com certeza foi para abrir espaço para coisas melhores que vieram logo em seguida.


Seus textos parecem obcecados por encontros inevitáveis: pais e filhos, mães e filhas, casais que já deveriam ter ido embora, versões passadas que insistem em voltar. Você escreve para provocar reconciliação ou para expor o quanto ela é, muitas vezes, impossível?
Gustavo Pinheiro - Acho que cada relação tem sua própria dinâmica. Algumas relações podem ser irreconciliáveis, mas outras podem ser reconciliadas com o tempo, com a palavra certa, com o respeito ao sentimento alheio. As peças abordam situações muito diversas, é difícil generalizar. Mas gosto que o público acredite que pode fazer mais e melhor a partir do momento em que sai do teatro ao final da peça. O relato que recebemos dos espectadores nas redes sociais é que isso acontece muitas e muitas vezes.


"A Lista", "A Tropa" e "Dois de Nós" lidam com conflitos íntimos marcados por contextos históricos e sociais. Existe, para você, alguma fronteira ética entre o drama privado e a crônica do Brasil, ou tudo acaba sendo político, mesmo quando surge do afeto?
Gustavo Pinheiro - Uma vez um colega, depois de assistir “A Lista” e “A Tropa” disse que eu faço uma dramaturgia que flerta com a crônica. Nunca tinha pensado nisso. Mas acho que faz um pouco de sentido, na medida em que tenho a formação de jornalista. Esse é o meu olhar para o mundo. Gosto de política, não da partidária, mas dos grandes temas que motivam e movem a sociedade. Tenho prazer que temas políticos, econômicos, comportamentais, sexuais e culturais invadam, sutilmente, a realidade dos personagens. Nesse sentido, minhas peças são políticas, mas sem serem panfletárias. Exponho o panorama, os personagens se defendem, defendem seus pontos de vista e o espectador é convidado a pensar por si mesmo. É por isso que públicos tão heterogêneos, de todo o Brasil, se identificam com as peças. Aconteceu várias vezes de, ao final de “A Tropa”, por exemplo, espectadores de esquerda e de direita darem os parabéns pelo espetáculo. A escuta e compreensão que não exerciam na vida aconteceu naquela hora dentro do teatro. Não pode haver melhor resposta que essa.


Você costuma colocar seus personagens em espaços fechados: um hospital, um apartamento, um quarto de hotel. Isso é escolha dramatúrgica ou confissão involuntária de que o Brasil anda sem espaço para o diálogo aberto?
Gustavo Pinheiro - São escolhas dramatúrgicas, mas por diferentes razões. No caso de “A Tropa”, queria confinar aqueles cinco homens em um quarto de hospital, um cenário que expõe uma tensão por si só, há sempre um perigo colocado, além disso casava com um dos pontos que a peça ressaltava, de um país adoecido pelas divergências. “A Lista” se passava em um apartamento porque a peça surgiu na pandemia e era onde todos estávamos: confinados em casa. Quando levamos a peça para o palco com plateia, aí ampliamos para a segunda parte, quando a peça vai para a praia de Copacabana: do isolamento à liberdade. E “Dois de Nós” se passa em um quarto porque é o cômodo-metáfora de um casal. Trata-se de um quarto de hotel porque eu queria que fosse um lugar que fizesse parte da jornada daquele casal, mesmo depois de tantos anos de história. Casais casam-se e separam-se, mas tem seus pontos de referência no caminho: uma música, uma comida, uma cidade, um quarto de hotel.


 Ao escrever para atores como Antonio Fagundes, Christiane Torloni e Lilia Cabral, o texto vem já “habitado” por essas personalidades ou você escreve como quem oferece um risco, esperando que eles contrariem tudo no palco?
Gustavo Pinheiro - Quando sei para quem estou escrevendo, como o Fagundes e a Lilia, sem dúvida a voz deles povoa o meu pensamento. Como sou espectador deles há muitos anos, imagino a inflexão, exploro caminhos que também os deixem felizes. Mas eles sempre me surpreendem. Onde eu enxerguei cinco metros, eles enxergam dez. Cavam novas possibilidades, divisões de frases, pausas, pontos de humor que eu sequer enxerguei. E isso é uma das coisas mais bonitas da profissão de autor. Nos casos em que não escrevi pensando em um ator específico, como a Chris, o Otavio Augusto, a Ana Beatriz Nogueira, Deborah Evelyn, sou surpreendido de maneira muito positiva. A verdade é que eu tenho a felicidade de ter sempre cruzado com atores e diretores geniais, com quem aprendi muito.


Seus textos emocionam sem apelar para sentimentalismo fácil. Em que momento você percebeu que o silêncio, a pausa e o não-dito podem ser mais violentos do que qualquer grande discurso?
Gustavo Pinheiro - Sou apaixonado por silêncios. Não qualquer silêncio, mas aquele silêncio preenchido de sentido, silêncio que não abandona o público, ao contrário, faz ele entender exatamente o que o personagem está pensando. É um dos meus maiores prazeres como espectador: ver um personagem pensando, engendrando uma saída, uma resposta, um caminho de pensamento. E fico feliz de poder proporcionar essa sensação a outros espectadores também.


Como jornalista, você foi treinado para observar a realidade; como dramaturgo, você a reinventa. Em qual dessas duas funções você se sente mais vulnerável e, portanto, mais verdadeiro?
Gustavo Pinheiro - Acredito que tanto o jornalista como o dramaturgo observam a realidade. Por isso Nelson Rodrigues escrevia tão genialmente, era um jornalista observador da condição e do comportamento humanos. A diferença entre o dramaturgo e o jornalista está com o que se faz com essa observação. O jornalista a relata de forma mais imparcial possível. O dramaturgo, pelo menos no meu caso, usa como material de trabalho. Tudo que leio, ouço, vejo no supermercado, no metrô, na fila do banco, no check in do avião, num velório, tudo pode virar inspiração para a ficção.


"Dois de Nós" fala sobre envelhecer sem endurecer. O teatro brasileiro está envelhecendo com dignidade ou repetindo fórmulas por receio de se tornar irrelevante?
Gustavo Pinheiro - Não creio que o teatro esteja envelhecendo, a cena sempre se renova. O que temos que estar atentos é se há alguém interessado em assistir o que está sendo mostrado no palco. Tenho prazer em comunicar, gosto de ser entendido, sem nivelar por baixo, priorizando a inteligência e a elegância. E tenho a honra de ser correspondido pelo público.


Há algum tema que você não ousaria escrever sob hipótese alguma, não por censura externa, mas por algum limite que você pensa que não ousaria ultrapassar?
Gustavo Pinheiro - Acho que se pode e se deve escrever sobre tudo. Nunca me ocorreu de querer escrever sobre algum assunto e me autocensurar. Mais do que perder tempo pensando no que não posso escrever, prefiro me concentrar no que de fato tenho vontade de escrever, com verdade e honestidade. Acho bonito que eu seja um homem escrevendo personagens femininos para tantas mulheres no teatro. É sinal que esse diálogo pode acontecer, é saudável que aconteça, uma comprovação que somos capazes de nos ouvir e nos entender. Em “Antes do Ano que Vem”, quis escrever sobre suicídio, mas com humor. Mariana Xavier embarcou comigo nessa aventura e estamos em cartaz há quatro anos. Recebemos centenas de relatos de espectadores que repensaram a própria vida - e a possibilidade do suicídio - depois de assistirem à peça. Nossa missão está cumprida.


Depois de tantas histórias sobre encontros, acertos de contas e afetos em crise, o que ainda assusta você mais como autor: repetir a si mesmo ou finalmente escrever algo que o público talvez não queira assistir?
Gustavo Pinheiro - Sem dúvida alguma, escrever algo que o público não queira assistir. É para o público que eu trabalho. Se eu quisesse escrever para mim mesmo, fazia um diário. É o público quem paga o ingresso, a quem devo respeito e consideração. E isso não tem nada a ver com ser condescendente, abordar apenas temas para agradar. Ao contrário, não subjugo a capacidade da plateia, tanto que exploro muitos assuntos duros nos espetáculos, mas os espectadores embarcam conosco, eles entendem perfeitamente a razão de aqueles temas estarem sendo abordados de determinada forma.


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.: Helena Ritto e Jonathan Farias do "Quintal da Cultura" em cartaz no teatro


"Ciranda das Flores" estreia no dia 31 de janeiro, no BTG Pactual Hall, e marca o retorno aos palcos de Helena Ritto e Jonathan Farias, intérpretes de Dorotéia e Osório no "Quintal da TV Cultura". Os atores estiveram em cartaz por um ano e meio com A Incrível Viagem do Quintal. O elenco conta ainda com a atriz e flautista Beatriz Amado, e a direção geral é de Bernardo Berro. Foto: divulgação


Criado por Helena Ritto e Fábio Brandi Torres, do "Quintal da Cultura", o musical infantil "Ciranda das Flores" propõe uma aproximação sensível com o universo da infância por meio da música e das narrativas populares. Flores e personagens simples são usados como metáforas para sentimentos humanos, abordando temas como afeto, escuta, amizade e respeito às diferenças. Em cena, uma trupe de teatro constrói histórias ambientadas em um jardim imaginário, narradas por uma personagem misteriosa. 

Helena Ritto e Jonathan Farias interpretam um casal que atravessa três narrativas interligadas, entre elas a de uma florista e um lenhador que vivem um amor silencioso, além das versões metafóricas de Cravo e Rosa e Alecrim e Botão de Rosa. Costurado por canções tradicionais de domínio público, o espetáculo aposta em humor, música ao vivo e interação com o público.

Indicado para crianças a partir de três anos, "Ciranda das Flores" busca dialogar também com os adultos, valorizando a escuta, a imaginação e o prazer de compartilhar histórias. O espetáculo é uma produção da Morente Forte Produções Teatrais, que celebra 40 anos de atuação nas artes cênicas, em um percurso feito de encontros, escuta e criação, no qual cada projeto se constrói como parte de uma relação viva com o público e com o fazer artístico.


Ficha técnica
Espetáculo "Ciranda das Flores"

Texto: Helena Ritto e Fabio Brandi Torres
Elenco: Beatriz Amado, Helena Ritto e Jonathan Faria
Direção musical e direção artística: Bernardo Berro
Direção de movimento e coreografias: Zuba Janaina
Concepção de cenário, figurino: Helena Ritto e Jonathan Faria
Produtoras Selma Morente e Célia Forte
Assessoria de imprensa Thais Peres
Social media e conteúdo para redes sociais Isabella Pacetti
Camareiro e contrarregra: Toninho Pita
Assistente de produção Carol Ariza
Assistente administrativa Alcení Braz
Administração: Magali Morente
Coordenação de projeto: Egberto Simões
Uma produção Morente Forte Produções Teatrais


Serviço
Espetáculo "Ciranda das Flores"
Duração: 50 minutos
Local: BTG Pactual Hall
Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722 - São Paulo
Temporada: de 31 de janeiro a 5 de abril
Sessões: sábados e domingos, às 15h
Ingressos: R$ 60,00 a R$ 120,00
Classificação: livre
Acessibilidade: sessões acessíveis em todas as apresentações

Bilheteria
Terça a sábado, das 13h00 às 20h30
Domingos e feriados, apenas em dias de espetáculo, até o início da apresentação

Vendas Sympla
https://bileto.sympla.com.br/event/113971/d/352884?algoliaID=2949d80673b5fd462c368e29d381d62c&_gl=1*11dxxo4*_gcl_au*NTg0NTAwNjQzLjE3Njc5MDc0ODk.*_ga*NjUyNzgzMDkyLjE3NTk4NjE4Nzc.*_ga_KXH10SQTZF*czE3NjgzMzE2NzUkbzYkZzAkdDE3NjgzMzE2ODEkajU0JGwwJGg3MTM4MDMzNjA.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

.: Teatro: tragédia "Medea", de Séneca, em estreia nacional no Sesc Consolação


A montagem traz três intérpretes para Medea: Rosana Stavis, Mariana Muniz e a participação especial de Walderez de Barros. Foto: João Caldas

Ao atribuir a responsabilidade dos atos humanos aos próprios indivíduos, as tragédias do filósofo romano Séneca ficaram por séculos fora do palco, sob a ideia de que sua violência só poderia ser suportada na leitura. "Medea", na versão de Séneca, novo projeto do diretor Gabriel Villela, traz o desafio de colocar em cena a desmedida da fúria, da ira e da vingança. Até hoje, com raras montagens no Brasil, o espetáculo estreia dia 29 de janeiro de 2026, no Sesc Consolação, e a temporada segue até 8 de março.

Escrita cerca de quatro séculos depois da versão de Eurípides, a Medea de Séneca revisita o mito da mãe que mata os próprios filhos como vingança ao ser repudiada por Jasão, mas também apresenta outros debates como o etarismo. A ruptura entre Medea e Jasão expõe a lógica social que descarta mulheres com o avançar da idade; um tema que ressoa nas falas da peça. A montagem apresenta três intérpretes para Medea: Rosana Stavis, Mariana Muniz e a participação especial de Walderez de Barros. A elas se somam Jorge Emil, Claudio Fontana, Plínio Soares, Letícia Teixeira e Gabriel Sobreiro, completando o elenco.

A versão de Séneca também traz outras diferenças importantes. “Para começar, é mais curta e muito mais violenta. De modo geral, suas tragédias ampliam o que chamam de desmedida: a fúria, a ira, estão no centro de tudo o que escreve”, afirma Gabriel Villela. O diretor também destaca que, em Séneca, o conflito interno de Medea é mais evidente, com uma escalada dramática que conduz ao crime final.

Na tragédia do filósofo do período romano (Séneca foi preceptor do imperador Nero), Medea emerge como uma estrangeira, traída e politicamente silenciada, cuja revolta ecoa em questões femininas e na violência contra a natureza. A montagem desta Medea por Villela enfatiza essa dimensão: uma mulher que devolve ao mundo a fúria acumulada pelo desprezo de Jasão e a sentença de exílio proferida pelo rei Creonte, de Corinto. A natureza torna-se uma narradora trágica que responde às atrocidades cometidas pelos próprios homens.

“O texto é primoroso e parece importante hoje apontar a relação dele com a violência que ronda o nosso dia a dia. Nós temos nos confrontado com a barbárie o tempo inteiro, na política, nos assassinatos festivos, na internet que julga e sentencia, nos tornamos o vírus capaz de acabar com o planeta”, observa Villela. A equipe de criação destaca ainda a potência retórica de Séneca e sua capacidade de unir a palavra ao poder da imagem. “Isso é um valor importante de seu texto”, completa.

Com a cenografia de J. C. Serroni, a montagem cria um espaço duplo inspirado no circo-teatro mambembe e no palácio de Creonte. Os figurinos de Gabriel Villela são também um forte elemento cênico nesta montagem. Ao todo, são 27 peças usadas ao longo do espetáculo. Cada figurino traz a sobreposição de peças ou tecidos com elementos extraídos da natureza da floresta do cerrado mineiro.


Ficha técnica
Espetáculo "Medea"
Autor: Séneca
Tradução: Ricardo Duarte
Direção e figurinos: Gabriel Villela
Elenco: Walderez de Barros (participação especial), Rosana Stavis, Mariana Muniz, Jorge Emil, Claudio Fontana, Plínio Soares, Letícia Teixeira e Gabriel Sobreiro
Cenografia: J C Serroni
Iluminação: Wagner Freire
Trilha sonora original: Carlos Zhimber
Diretor adjunto: Ivan Andrade
Assistente de direção: Gabriel Sobreiro
Costureira: Zilda Peres
Máscaras: Shicó do Mamulengo e Junior Soares
Assistente de cenografia: Débora Ferreira
Pintura de arte e texturização: Beatriz Leandro, Débora Ferreira, Flávia Bittencourt e Camila Myczkowski
Cenotécnicos: Alicio Silva e Douglas Vendramini
Assistentes de cenotecnia: Theo Piazzi, João Portella e Benilson Alves
Costuras cenográficas: Flávia Bittencourt
Músicos convidados: Daniel Doctors, Luca Frazão e Gustavo Souza
Maquiagem: Claudinei Hidalgo
Assistente de maquiagem: Patrícia Barbosa
Fotografia: João Caldas Fº
Assistente de fotografia: Andréia Machado
Ilustração do morcego: Guilherme Crivelaro
Assessoria de Imprensa: Canal Aberto
Diretor de palco: Diego Dac
Operador de luz: Rodrigo Sawl
Operador de som: Ricardo Oliveira
Camareira: Ana Lucia Laurino
Produção executiva: Augusto Vieira
Direção de produção: Claudio Fontana


Serviço
Espetáculo "Medea"
Sesc Consolação - Teatro Anchieta - Rua Dr. Vila Nova, 245 - Vila Buarque, São Paulo - SP
Telefone para informações: 11 3234-3000
Temporada: 29 de janeiro a 8 de março de 2025
Horários: quintas, sextas e sábados, às 20h00. Domingos, às 18h00

Sessões em horários diferenciados
Dia 14 de fevereiro, sábado, às 18h00
Dias 26 de fevereiro e 5 de março, quintas-feiras, às 15h00
Lotação: 280 lugares | Duração: 80 minutos | Classificação: 16 anos
Ingressos: R$70 (inteira) R$35 (meia entrada) e R$21 (credencial plena)   
Venda on-line a partir de 20/01 (terça), às 17h, em centralrelacionamento.sescsp.org.br e no App Credencial Sesc SP



.: Monólogo "Pagu - Do Outro Lado do Muro" entra em curtíssima temporada


Com texto escrito por Tereza Freire espetáculo tem a atriz Thais Aguiar no papel de Patrícia Rehder Galvão, a Pagu, e revela o resultado de uma investigação dos destroços mais profundos e pouco conhecidos da história da militante política e cultural, e uma das pioneiras do feminismo no Brasil. Foto: Arô Ribeiro


Há mais de cinco anos, Thais Aguiar começou suas pesquisas para levar aos palcos a biografia de Pagu, uma das percursoras da luta feminista no Brasil. O espetáculo “Pagu -Do Outro Lado do Muro” tem o texto de Tereza Freire que também é autora do livro em que o espetáculo foi inspirado e faz curtíssima temporada, nos dias 30 e 31 de janeiro e 6, 7, 27 e 28 de fevereiro, no Teatro Arena Eugênio Kusnet, no Centro de São Paulo, com apoio da Funarte

“As pessoas precisam saber que Pagu foi muito além de ser a ‘mulher de Oswald de Andrade’, predicado injusto que é usado para descrevê-la. Ela me ensinou com sua trajetória de vida que o título de mulher e mãe nos é dado como um prêmio pelo patriarcado e que infelizmente esse prêmio nos serve mais como prisão e anulação dos nossos dons e escolhas. Os tempos mudaram”, explica Thais, que além de dar vida à personagem também assina a direção do espetáculo.

A atriz também destaca que “estamos nos fortalecendo como mulheres, recuperando nosso espaço de fala, de direito e Pagu já nos mostrava que o caminho seria árduo, mas possível! Escolhi dar vida a Pagu e com a dramaturgia de Tereza Freire, sem nenhum romantismo ou histórias pessoais e paralelas o espetáculo faz uma provocação extremamente atual sobre a luta por justiça social e retomando uma cultura de papel transformador. As pessoas poderão vivenciar uma jornada cheia de detalhes para entender toda a complexidade dessa personalidade”.

O texto é baseado no livro “Dos Escombros de Pagu”, resultado de uma tese de mestrado de Tereza Freire, que também assina o texto do espetáculo. A pesquisa resgatou a vida e a obra dessa importante precursora de comportamentos político-socioculturais brasileiros de uma feminista, militante política, ilustradora, comunista e crítica literária e teatral. Ela marcou a história do Brasil, revolucionando e chocando a sociedade dos anos de 1930, com suas ações e pensamentos inovadores.

Em “Pagu – Do Outro Lado do Muro”, a personagem volta para narrar sua trajetória de vida com todos os acontecimentos vividos e superados, sem qualquer sentimento de culpa e vitimização dos fatos. Uma interpretação que mergulha nas memórias da personagem e emociona pela veracidade dos acontecimentos vivenciados, deixando o público livre para interpretar a história como quiser e com isso a narração atinge uma amplitude para além da informação.

Sobre Patrícia Redher Galvão (Pagu)
Nasceu em São João da Boa Vista em 9 de junho de 1910 e morreu em Santos em 12 de dezembro de 1962. Foi autora do primeiro romance proletário brasileiro "Parque Industrial" e a primeira presa política deste país. Casada com Oswald de Andrade, destacou-se significativamente no movimento Modernista de 1922. Ainda jovem, trabalhou em fábricas e militou pelo Partido Comunista.

Escreveu contos policiais publicados pela revista Detective, dirigida pelo dramaturgo Nelson Rodrigues, que depois (1998) foram reunidos na obra "Safra Macabra". Em trabalhos, junto a grupo teatrais, revelou e traduziu grandes autores, até então inéditos no Brasil, como James Joyce, Eugène Ionesco, Arrabal e Octavio Paz.

Fundou um jornal de esquerda com Oswald de Andrade, empastelado pela polícia repressora da época. Foi perseguida pela ditadura Vargas. Militou na França, foi presa e deportada para o Brasil. Antes, presenciou a coroação do Imperador Pu Yi, da Manchúria. Presa em 1935, permaneceu encarcerada por cinco anos. Foi torturada e, somente libertada por motivos de doença, pesando cerca 40kg.

Tentou suicídio por conta de um tratamento de câncer mal sucedido. Em Santos, tornou-se uma das grandes incentivadoras do teatro amador, responsável pela descoberta de Plínio Marcos. Morreu aos 52 anos, vítima de câncer no pulmão. Seu último marido foi Geraldo Ferraz, crítico do jornal “A Tribuna”, de Santos, em que também foi colaboradora. Caiu no esquecimento da história oficial até que Augusto de Campos publicou sua antologia poética e “gritou”: Quem resgatará Pagu? 


Ficha técnica

Espetáculo "Pagu - Do Outro Lado Do Muro"
Atuação e direção: Thais Aguiar
Texto: Tereza Freire
Orientação e provocação: Erika Moura e Natália Siufi
Trilha sonora original e execução ao vivo: Paulo Gianini
Iluminação e operação: Tomate Saraiva
Fotografias: Arô Ribeiro
Produção: Jucimara Canteiro
Cenário: Livia Loureiro
Assessoria de imprensa: Antonio Montano
Design gráfico: Theo Siqueira
Realização: Espontânea Cia. de Teatro
Apoio: Funarte

Serviço
Espetáculo "Pagu - Do Outro Lado Do Muro"
Sextas e sábados, dias 30 e 31 de janeiro e 6, 7, 27 e 28 de fevereiro
Horário de início do espetáculo: 20h00
Teatro de Arena Eugênia Kusnet
Rua Dr. Teodoro Baima, 94 - Vila Buarque / São Paulo
Gênero: drama
Duração: 70 minutos
Classificação: 14 anos
Ingressos: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia-entrada) via Sympla (https://www.sympla.com.br/evento/pagu---do-outro-lado-do-muro/3284227)

domingo, 25 de janeiro de 2026

.: "Shrek - O Musical" apresenta figurino de Fabi Bang e Myra Ruiz como Fiona


Atrizes vão se revezar no papel da princesa ogra em espetáculo no Teatro Renault em curtíssima temporada; ingressos já estão à venda. Foto: Jairo Goldflus (fotos); Gabriel Pinho (edição)/Divulgação

As estrelas do teatro musical Fabi Bang e Myra Ruiz já estão sentindo na pele o que será viver Fiona, a icônica princesa de "Shrek - O Musical". O Instituto Artium de Cultura apresentou o figurino das atrizes para o espetáculo que entra em cartaz no Teatro Renault, em São Paulo, em 15 de abril para uma breve temporada de três meses. Fabi Bang e Myra Ruiz vão se revezar no papel de Fiona nessa história de amor e aventura, que tem o ator e cantor Tiago Abravanel no papel de Shrek.

O figurino de Fiona tem assinatura de Ligia Rocha e foi inspirado nos desenhos originais do britânico Tim Hatley, criados para as montagens internacionais de "Shrek - O Musical". A figurinista conta que cada detalhe foi pensado, das texturas dos tecidos aos tons de verde, para sustentar a transformação da personagem em cena e acompanhar as exigências de movimento ao longo do espetáculo.

"Trabalhar o figurino de Fiona é um exercício de dualidade. Precisamos unir a delicadeza da princesa à robustez da ogra, preservando a agilidade necessária para as cenas. Beber na fonte dos desenhos de Tim Hatley foi fundamental para garantir que o público brasileiro tenha a mesma experiência visual impactante da Broadway, mas com o toque e a excelência da nossa produção local", explica Ligia Rocha.

A montagem que será levada aos palcos do Teatro Renault pelo Instituto Artium de Cultura, em coprodução com o Atelier de Cultura (os mesmos responsáveis pelo fenômeno de bilheteria "Wicked – A História Não Contada das Bruxas de Oz"), tem a direção-geral de Gustavo Barchilon.

A história acompanha Shrek e seu inseparável parceiro, o Burro Falante, em uma jornada repleta de humor, música e aventura, desafiando preconceitos e mostrando que todos merecem um final feliz, mesmo fora dos padrões tradicionais dos contos de fadas."'Shrek' é uma história sobre quebrar moldes, e ter Fabi e Myra se revezando no papel de Fiona é a personificação desse talento sem fronteiras. A montagem no Teatro Renault não é apenas uma reprodução, é uma celebração da grandiosidade técnica que o teatro musical brasileiro alcançou. Estamos unindo o humor ácido e o coração gigante dessa história para criar um espetáculo que conversa com todas as gerações”, afirma Barchilon.

Carlos Cavalcanti, presidente do Instituto Artium, reconhecido por trazer ao país montagens da Broadway com elevado padrão de qualidade, garante que o público vai se surpreender e se encantar com "Shrek". “Vamos manter a essência e as referências dessa história que encantou o mundo, mas vamos além. O público brasileiro pode esperar uma produção grandiosa, com belos figurinos e cenografia, soluções criativas de cena e efeitos especiais que marcam nossas produções”, diz Cavalcanti. Os ingressos para "Shrek - O Musical" já estão disponíveis e podem ser adquiridos pelo site ticketsforfun.com.br ou diretamente na bilheteria do Teatro Renault, sem cobrança de taxa de conveniência.


Serviço
"Shrek - O Musical"
Estreia:  15 de abril de 2026, às 20h
Temporada: semanalmente, quinta e sexta-feira às 20h00; sábado, às 15h00 e 19h30; domingo, às 14h00 e 18h30.
Local: Teatro Renault – Av. Brigadeiro Luís Antônio, 411 – Bela Vista, São Paulo – SP Bilheteria Oficial: Terça a domingo, das 12h às 20h, exceto feriados.
Venda de ingressos on-lineticketsforfun.com.br
Redes sociais oficiais: Instagram: @shrekomusicalbrasil;  TikTok: @shrekomusicalbrasilJairo Goldflus (fotos); Gabriel Pinho (edição)/Divulgação
Atrizes Fabi Bang e Myra Ruiz vão se revezar no papel de Fiona, em "Shrek - O Musical", com Tiago Abravanel

sábado, 24 de janeiro de 2026

.: Adaptação da obra de Machado de Assis, "O Alienista" será encenado em SP


No espetáculo, um jovem ator se mistura entre os espectadores logo na recepção do espetáculo, compartilhando como a leitura de um clássico da literatura transformou sua vida. Foto: Ronaldo Gutierrez


Em comemoração aos 185 anos de nascimento de Machado de Assis, um dos maiores autores brasileiros, o ator Victor Garbossa une-se ao diretor Eduardo Figueiredo para trazer aos palcos uma adaptação de "O Alienista", clássico que atravessa gerações e mantém-se atual ao abordar questões profundas sobre a sociedade contemporânea. A obra provoca reflexões sobre temas como razão, loucura, diferenças sociais, poder, e civilidade - assuntos que, embora raros, são de extrema relevância nos dias de hoje. Dentro do Projeto Domingo no Teatro, dias 25 de janeiro e 1° de janeiro, às 11h00. no Teatro J. Safra.

No espetáculo, um jovem ator se mistura entre os espectadores logo na recepção do espetáculo, compartilhando como a leitura de um clássico da literatura transformou sua vida. Tudo começou quando ele "tropeçou" em Machado de Assis. A partir daí, a narrativa nos transporta de volta ao teatro e à obra de Machado, que, com sua habitual ironia e humor, apresenta o célebre personagem Simão Bacamarte, ilustre morador de Itaguaí. Bacamarte dedicou sua vida ao estudo das doenças mentais e da loucura, sendo um homem da ciência e um fervoroso investigador, cuja única vocação é a prática científica.

"O Alienista" oferece uma nova perspectiva da obra, por meio da linguagem teatral e com músicas interpretadas ao vivo, com uma dinâmica pensada para o público jovem e familiar, sem perder a essência da narrativa original. No palco, o ator Victor Garbossa (recentemente visto na novela “Paulo o Apóstolo” da Record) interpreta não apenas o excêntrico médico Simão Bacamarte, mas também uma série de personagens cômicos e irônicos da trama. A peça faz uso de diversos recursos cênicos, proporcionando uma experiência repleta de humor e crítica social.


Ficha técnica
"O Alienista", da obra original de Machado de Assis
Adaptação: Eduardo Figueiredo e Victor Garbossa
Direção: Eduardo Figueiredo
Elenco: Victor Garbossa
Figurinos: Thais Boneville
Cenário: Demerson Campos
Máscaras: Murilo Inforsato
Desenho delLuz: Eduardo Figueiredo
Composições e versões musicais:  Victor Garbossa
Programação visual: Zurcc Studio Criativo
Fotografias divulgação: Ronaldo Gutierrez
Assessoria de imprensa: Flavia Fusco Comunicação
Idealização e produção: Carlton's Produções


Serviço
Espetáculo "O Alienista", de Machado de Assis
Adaptação: Eduardo Figueiredo e Victor Garbossa
Direção: Eduardo Figueiredo
Elenco:  Victor Garbossa
Duração: 60 minutos
Classificação: 12 anos
Temporada: 25 de janeiro e 1º de fevereiro, domingos, às 11h.
Ingressos: R$ 20 | R$ 10 meia

Bilheteria
Quartas e quintas, das 14h00 às 21h00
Sextas, sábados e domingos, das 14h00 até o horário dos espetáculos
Aceita os cartões de débito e crédito: Amex, Dinners, Elo, Mastercard, Visa e Hipercard. Não aceita cheques. 
Telefone da bilheteria: (11) 3611-3042
Teatro J. Safra | 627 lugares
Endereço: Rua Josef Kryss, 318 - Barra Funda - São Paulo – SP 
Telefone: (11) 3611 3042 e 3611 2561
Abertura da casa: 2 horas antes de cada horário de espetáculo, com serviço de lounge-bar no saguão do Teatro. 
Acessibilidade para deficiente físico 
Estacionamento: Valet Service (Estacionamento próprio do Teatro) - R$ 30,00 

.: Grátis: QINTI Companhia celebra a vida e a morte em "Temperos de Frida"


Com direção de Tatiana Motta Lima, espetáculo é embalado com músicas de cantoras latino-americanas e costurado por episódios da vida da pintora Frida Kahlo. Foto: Renato Mangolin

Em sua pesquisa sobre o universo feminino em intercâmbio cultural entre México, Brasil e Peru, a artista migrante peruana Rosana Reátegui criou o espetáculo "Temperos de Frida", que estreou no Rio de Janeiro em 2023. Agora, o trabalho, com direção de Tatiana Motta Lima, ganha duas apresentações gratuitas em São Paulo, nos dias 24 e 25 de janeiro, no Teatro Flávio Império. A peça tem como eixo temático central as simbologias que circundam vida e morte, suas manifestações nos espaços de convivência social e a criação de espaços sagrados e profanos nos cotidianos das mulheres, embalado com músicas de cantoras latino-americanas e costurado por episódios da vida da pintora Frida Kahlo.

Na trama, em plena noite de comemoração do "Dia dos Mortos", o público é convidado para conhecer o bar Viva La Vida, comandado por Rosana Reátegui, a dona da bodega. Nessa celebração da vida, também estão a cantora Natália Sarante e o violonista Luciano Camara para festejar a vida. Embalada por clássicos da música latino-americana, como La Llorona, La Bruja e  Cucurrucucu Paloma, Cariñito, Gracias a la Vida, Adelita e Explode Coração, interpretadas ao vivo, Reátegui traz à cena episódios da vida da pintora mexicana Frida Kahlo (1907-1954) e sua relação com Catrina, a Dona Morte.

Frida recebeu inúmeras vezes a visita de D. Catrina, sua madrinha, e do modo que podia e por sua conta e risco, como boa afilhada, sempre afirmou a vida. Fez arte, fez sexo e fez festa! Pois, como diz o escritor, professor e historiador brasileiro Luiz Antônio Simas, não se faz festa porque a vida é boa, mas justamente pela razão inversa. O público é convidado para um lugar provocador e cúmplice, no qual tempo e espaço se misturam, estabelecendo um ambiente de festa e memória para aproximar sagrado, profano, vida e morte. Em alguns momentos, o tempo cronológico e material para e flutua, sobretudo quando o principal oratório daquele bar se abre, pois assim é que se convoca Catrina.


Ficha técnica
Espetáculo "Temperos de Frida"
Concepção, atuação e dramaturgia: Rosana Reátegui
Direção: Tatiana Motta Lima
Canto: Natalia Sarante
Violonista: Luciano Camara
Figurinista e Adereços: Francisco Leite
Cenografia: Daniele Geammal e Renato Marques
Direção de palco: Francisco Leite
Colaboração dramatúrgica: Cadu Cinelli
Iluminação: Thiago Monte e Renato Marques
Operação de luz e montagem:Renato Marques
Confecção de Máscara da Catrina: Paul Colinó Vargas (Peru)
Preparação de máscara: Marise Nogueira
Designer cartaz: Pedro Pessanha
Designer visual e vídeos: Rodrigo Menezes
Fotografia: Renato Mangolin
Produção executiva e local: Adriana Silva
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Realização: QINTI Companhia


Serviço
Espetáculo "Temperos de Frida"
Dias 24 e 25 de janeiro, no sábado, às 20h00, e no domingo, às 18h00
Teatro Flávio Império - Rua Professor Alves Pedroso 600, Cangaíba. São Paulo. Prox Estação Engenheiro Goulart (linha 12)
Ingressos: grátis, distribuídos uma hora antes de cada sessão
Classificação: 16 anos
Duração: 60 minutos
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

.: Montagem do Grupo XPTO, “As Pedras de Javier”, ganha temporada em SP


Unindo literatura, mitologia e fantasia, o espetáculo convida o público a embarcar numa viagem imaginária que começa na guerra de Troia. 
Foto: Osvaldo Gabrieli

A mais recente montagem do Grupo XPTO, “As Pedras de Javier”, ganha temporada em São Paulo, no Teatro Arthur Azevedo, a partir de 24 de janeiro, com apresentações gratuitas aos sábados e domingos. Na peça, um jovem misterioso narra as aventuras de seu mestre Javier, um bonequeiro que percorreu o mundo contando histórias e apresentando suas peças de Teatro de Bonecos. Em suas viagens, Javier recolhia pedras “para aliviar o peso das montanhas”; a cada nova pedra recolhida, surgia uma nova história a ser contada. Após a sua morte, Javier deixa ao jovem pupilo a missão de seguir recolhendo pedras pelos caminhos da vida para contar histórias que se passam nos mais variados lugares e épocas.

Unindo literatura, mitologia e fantasia, o espetáculo convida o público a embarcar numa viagem imaginária que começa na guerra de Troia, atravessa a odisseia do rei Ulisses na ilha das sereias, alcança uma outra ilha mítica chamada Hy Brazil, desce até o sul do Chile para revelar a lenda do navio Caleuche, e culmina numa jornada pela Índia, onde Javier encontra a Árvore da Vida.

Esta montagem é uma homenagem ao poeta, escritor e bonequeiro argentino Javier Villafañe, personagem icônica do Teatro de Bonecos mundial. Sua obra envereda por caminhos onde o mágico, o surreal e o causo popular se misturam. A peça nasceu a partir de um personagem criado por Javier Villafañe - “O Homem que Carregava Pedras para Aliviar o Peso das Montanhas” - que funcionou como disparador da dramaturgia original deste projeto. Aqui, esse personagem ganha protagonismo e uma história pessoal, transformando-se numa espécie de pupilo que acompanhou, desde muito jovem, os passos do poeta titeriteiro.

“Aprendi a fazer teatro de bonecos ainda muito jovem guiado pelas histórias que meu mestre, Ariel Bufano, contava sobre Javier Villafañe, seu mentor — o velho titeriteiro errante cuja lenda atravessou a América Latina, Espanha e toda a Europa. Sempre me encantou o pensamento surrealista, delirante e luminosamente livre de suas obras. Este espetáculo nasce como um breve sopro dessa memória, contada para as novas gerações pela voz de um pupilo imaginário, para que o rastro poético de Javier continue sua caminhada a descobrir novas histórias para serem contadas”, afirma Osvaldo Gabrieli, autor e diretor.


XPTO Brasil
O Grupo Teatral XPTO é uma companhia de teatro brasileira fundada em 1984 que tem uma proposta de pesquisa baseada na integração de múltiplas linguagens artísticas, com destaque para o Teatro de Animação, Teatro Físico, Performance, Música, Artes Plásticas, Vídeo e Dança. Seu trabalho é conhecido por espetáculos (28 criações no total) com grande apelo visual e musical, que contribuem de forma substancial para a formação do teatro brasileiro contemporâneo.

O grupo recebeu 42 prêmios no Brasil – APCA, Mambembe, Shell, APETESP, Governador do Estado, Fundacen, Coca-Cola e Panamco, entre outros – e 2 prêmios internacionais: Prêmio Villanueva - Cinco melhores espetáculos internacionais de 2014 (Cuba) e Citação de Mérito da Organização Arlyn Award Society (Canadá), em 2019.

O XPTO já se apresentou em todas as regiões do Brasil e em mais 13 países, entre os quais Argentina, Uruguai, Colômbia, Venezuela, Cuba, Portugal, Espanha, França, Eslovênia, Croácia, Bósnia e Herzegovina, Hong Kong e Índia.

Ficha técnica
Espetáculo “As Pedras de Javier”

Dramaturgia, Direção, Cenografia e Iluminação: Osvaldo Gabrieli
Música original e sonoplastia: Beto Firmino
Ator contador de histórias: Tay Lopez
Videoartista: Tiago Carvalho
Operador de luz: Mauricio Aparecido Matos
Cenotécnico: Valdemir Leite
Produtora executiva: Sofia Safira Papo
Assessoria de imprensa: Adriana Monteiro
Produção: Grupo XPTO – Cooperativa Paulista de Teatro
Este projeto foi contemplado pela XXIª Edição do Prêmio Zé Renato de Teatro — Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa

Teatro Arthur Azevedo
Avenida Paes de Barros, 955 – Alto da Mooca / São Paulo
Telefone para informações – 11 26045558
Dias 24, 25 e 31 de janeiro e 01, 07, 08, 14 e 15 de fevereiro de 2026
Sábado e domingo às 16h00
Nos dias 1° e 8 de fevereiro haverá tradução em LIBRAS
Gratuito - Presencial
Duração: 45 minutos
Classificação Indicativa: livre / recomendado a partir de 7 anos
Gênero: Teatro de Animação / Teatro de Objetos / Contação de Histórias

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