“Eu tenho muito orgulho de ter feito o primeiro 'Top Gun' e de ter tido a oportunidade de voltar e fazer de novo”, é o que conta Tom Cruise em gravação inédita sobre o retorno de ambos os longas ao cinema. O vídeo divulgado traz membros do elenco como Miles Teller e Glen Powell, além de Cruise, comentando a importância do primeiro longa e como foi participar do segundo. “Top Gun: Ases Indomáveis” e “Top Gun: Maverick” retornam aos cinemas em 13 e 14 de maio respectivamente e permanecem em cartaz por uma semana. A exibição é uma celebração do aniversário de 40 anos do lançamento do primeiro filme.
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segunda-feira, 11 de maio de 2026
.: "Top Gun: Ases Indomáveis" e “Top Gun: Maverick” voltam aos cinemas
“Eu tenho muito orgulho de ter feito o primeiro 'Top Gun' e de ter tido a oportunidade de voltar e fazer de novo”, é o que conta Tom Cruise em gravação inédita sobre o retorno de ambos os longas ao cinema. O vídeo divulgado traz membros do elenco como Miles Teller e Glen Powell, além de Cruise, comentando a importância do primeiro longa e como foi participar do segundo. “Top Gun: Ases Indomáveis” e “Top Gun: Maverick” retornam aos cinemas em 13 e 14 de maio respectivamente e permanecem em cartaz por uma semana. A exibição é uma celebração do aniversário de 40 anos do lançamento do primeiro filme.
domingo, 10 de maio de 2026
.: Mariana Salomão Carrara fala sobre linguagem, Justiça e desconforto
Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com. Foto: Instagram da escritora
O processo começa como tantos outros: um prazo estourado, uma cobrança formal, a necessidade de responder a instâncias superiores. Mas, no caso de "Cláudia Vera Feliz Natal", novo romance de Mariana Salomão Carrara publicada pela Editora Todavia, a resposta não se limita ao que se espera de um juiz. O que deveria caber em linhas técnicas se alonga, hesita, é contaminado por memórias, desconfortos, e uma intimidade que não costuma despachar nada. Aos poucos, a defesa vira outra coisa.
Autora dos premiados romances "Não Fossem as Sílabas do Sábado" e " Árvore Mais Sozinha do Mundo", Mariana Salomão Carrara desta vez parte de um ambiente em que cada palavra carrega peso institucional para acompanhar um personagem que já não consegue sustentar a distância entre a função e a vida. As comarcas se sucedem, os vínculos rareiam, e o que se acumula não é só trabalho. Há um cansaço difícil de nomear, uma espécie de desencontro persistente com os outros, com o lugar, consigo próprio.
Sem recorrer a qualquer ideia de bastidor pitoresco, o livro circula por situações em que o cotidiano do Judiciário se aproxima do absurdo. E é nesse deslocamento que a narrativa encontra ritmo: quando o protocolo continua de pé, mas já não dá conta.
Nesta entrevista exclusiva ao portal Resenhando.com, a escritora comenta o humor que atravessa o texto, a solidão que não se resolve com autoridade e o que acontece quando a linguagem, mesmo treinada para decidir, começa a falhar. Compre "Cláudia Vera Feliz Natal", o novo romance de Mariana Salomão Carrara, neste link.
Resenhando.com - Em "Cláudia Vera Feliz Natal", você transforma um documento burocrático em matéria literária. Em que momento a linguagem jurídica deixou de ser apenas forma e passou a ser, para você, também personagem?
Mariana Salomão Carrara - Desde o início minha ideia foi trazer humor a partir do ruído entre a formalidade dos vernáculos ou construções do narrador e o jorro emocional que se inicia a partir da acusação de que se defende. Conforme os dias passam e ele segue redigindo o documento, mais ele se confessa e revela sua intimidade e grandes angústias pessoais e profissionais ao órgão corregedor, o que chega a relaxar a linguagem, mas sem perder sua referência às liturgias jurídicas. O próprio narrador satiriza o “juridiquês” mais clichê, replicando os jargões costumeiros das peças advocatícias para narrar o modo como se referem a ele. Então se pode dizer que toda essa linguagem é também personagem desse livro. É dobrada e flexibilizada conforme a emoção do narrador, e quando a lei não dá conta de promover Justiça, a linguagem jurídica está lá para escancarar a ironia do seu encastelamento.
Resenhando.com - Seu jovem juiz tenta justificar a própria lentidão, mas parece, no fundo, incapaz de dar conta do que vive. Escrever esse romance foi, de algum modo, investigar o fracasso da linguagem como ferramenta de controle?
Mariana Salomão Carrara - Não sei se a linguagem de fato fracassa como ferramenta de controle. A linguagem jurídica é autorreferente e deixa o leigo alijado do saber que ela expõe. Faz com que o cidadão não compreenda, por exemplo, a sua sentença. Há inclusive uma cena em que o réu questiona, por uma frase que consta de sua condenação, se será “lançado ao rol dos culpados”. Embora muitas vezes automatizada e apartada da vida prática, essa linguagem não necessariamente falha em controlar, mas pode falhar em promover a justiça.
Resenhando.com - Há um humor incômodo que atravessa o livro, uma espécie de riso que denuncia e constrange. O que a interessa mais: expor o ridículo do sistema ou revelar a fragilidade humana por trás dele?
Mariana Salomão Carrara - Não é possível separar as duas coisas, a sensação de ridículo que acompanha o livro ao mesmo tempo expõe as debilidades do sistema e a fragilidade humana, não somente dos atores da justiça, às vezes perdidos em seus rituais, ou impotentes diante da falha da própria nação em garantir direitos, mas também a fragilidade do cidadão que tem a sua vida decidida num processo.
Resenhando.com - No romance "A Árvore Mais Sozinha do Mundo", você constrói a narrativa a partir de objetos que observam. Já no novo romance, temos um sujeito que tenta se explicar. O que muda quando a narração deixa de observar e passa a se defender?
Mariana Salomão Carrara - Na "Árvore Mais Sozinha do Mundo", os objetos narram o que observam, mas também e principalmente o que sentem a partir disso, o que sentem sobre a família e a dor que supõem nos humanos. Nisso, também se defendem ou se culpam por seus defeitos – a toxidade da árvore, a inadequação da roupa de segurança, o a incapacidade da caminhonete rural de correr o suficiente para a urgência do parto. Defender-se e culpar-se são elementos da narração em primeira pessoa, e neste novo livro ganham também a dimensão jurídica da defesa e da culpa, com suas implicações. E é o susto de ter que se defender formalmente de algo que era na verdade um bom exercício do seu ofício que dá o gatilho para toda o relato e digressões sobre a carreira, o ato decisório e a imensa solidão do narrador.
Resenhando.com - O juiz de "Cláudia Vera Feliz Natal" tem poder sobre o destino alheio, mas não consegue sustentar vínculos pessoais. A solidão, no seu livro, é uma consequência do cargo ou uma condição anterior a ele?
Mariana Salomão Carrara - O narrador traz em si algumas dificuldades de vínculo e intimidade que podemos atribuir genericamente aos homens e, também, aos profissionais do Direito, estes perdidos entre os tratamentos formais, disputas de poder e tradições consagradas. Mas também é um sujeito peculiar, que tem muito boas intenções, mas dificuldade de alcançar propriamente o outro, vincular-se inteiramente aos novos personagens da sua vida – e não parece ter deixado muitas pessoas para trás, em São Paulo. Sua solidão é involuntária, agravada pelo deslocamento e pela sensação de ser um estrangeiro nas pequenas comarcas, mas sua inabilidade social e íntima é bastante particular sua. Tem alguma dificuldade em se conectar com as próprias emoções e faz o que pode para compreender a dos outros.
Resenhando.com - Você revisita pequenas comarcas do interior do Mato Grosso, mas evita qualquer exotização. Como equilibrar o olhar crítico sem transformar esses espaços em caricatura, algo que o próprio livro parece ironizar?
Mariana Salomão Carrara - Eu gostei da ideia de que a escolha das comarcas do livro tenha sido fruto do acaso, assim como a trajetória do narrador e de tantos profissionais aprovados em concursos em diversos estados, lotados na cidade que calhou no momento da aprovação. Eu quis descobrir junto com o juiz como seria a vida dali em diante. Um colega defensor passou a me contar em detalhes sua experiência, trazendo não só pequenos ou grandes casos e relatos do dia-a-dia profissional, mas principalmente sua sensação ao viver o deslocamento geográfico, começar uma carreira longe de sua cidade, deixar uma grande metrópole para fazer parte do sistema de justiça de uma comarca pequena, em que os atores do judiciário acabam sendo figuras conhecidas pela população, com certa notoriedade e ao mesmo tempo em perene estranhamento alienígena, com suas roupas e vernáculos solenes, e completa falta de vínculos e raízes naquele estado. Coletei depoimentos de pessoas que atuaram na burocracia de fóruns de cidades pequenas de todo o Brasil, bem como juízes, promotores, procuradores e defensores que passaram por comarcas muito pequenas ao longo de suas carreiras, inclusive, mas não somente, no Mato Grosso. A ideia foi partir dessas três cidades, com a peculiaridade de seus nomes, mas para representar algo que vai além de especificidades locais, e abordar uma realidade nacional, existente em interiores de muitos estados brasileiros, e focar na experiência desses agentes da Justiça deslocados de seus universos para lugares distantes de suas casas e com características difíceis de apreender rapidamente na atuação profissional. Então, não se trata, diferentemente do "Árvore Mais Sozinha do Mundo", de um retrato da vida naquelas cidades, mas do olhar solitário desse juiz, que acaba isolado também por alguma empáfia, própria talvez do status e da relação das capitais com as áreas ditas provincianas. O olhar crítico não recai especificamente sobre as cidades nomeadas, mas sobre o sistema jurídico em comarcas pequenas, desigualdades sociais e injustiças regionais e nacionais, sendo que a visão mais caricatural é a do olhar do narrador, que precisa de todo esse percurso narrando sua trajetória nessa peça de defesa para construir uma nova relação com o seu entorno.
Resenhando.com - Há uma recorrência de personagens femininas fortes e tensionadas em sua obra, enquanto aqui o foco recai sobre um homem em crise. O que a interessou nesse deslocamento de perspectiva?
Mariana Salomão Carrara - Embora seja narrado por um homem, é também uma outra forma de falar das mulheres. O olhar dele sobre o seu relacionamento é uma forma de imaginarmos o que na verdade ela poderia estar vivenciando com ele. Os casos jurídicos, principalmente o caso que o levou à total indecisão, é sobre maternidade e vínculos entre mulheres, e ele vem a partir da debilidade do juiz da própria letra da lei para compreender a situação. Então, o deslocamento de perspectiva traz novo ângulo para os mesmos temas, e traz também a possibiidade de passear pela amizade masculina, a dificuldade de intimidade entre amigos homens, e a solidão de um homem que quer ser uma boa pessoa, já sabe os caminhos éticos inclusive para o feminismo, mas se perde totalmente ao colocá-los em prática nas relações pessoais.
Resenhando.com - Sua escrita é frequentemente descrita como inventiva, mas também profundamente ancorada no real. Até que ponto a experimentação formal, para você, é um risco, e até que ponto é uma necessidade ética?
Mariana Salomão Carrara - Só consigo escrever escrevendo, ou seja, não sou capaz de desenhar em abstrato um enredo, uma frase, um planejamento de linguagem. Então, a inventividade vai me surpreender no ato da escrita, e conduzirá, a partir das palavras, o estilo da obra e a voz narrativa. Então, posso dizer que não há cálculo possível para mim, se haverá experimentações, riscos, reiterações. O que posso dizer é que, como leitora, o que me agrada é que o conteúdo traga uma visão de mundo interessante, e chegue elevado por um profundo prazer estético, que normalmente está ligado à habilidade com a linguagem, seja inventiva ou somente muito bem articulada literariamente.
Resenhando.com - Depois de conquistar reconhecimento com obras como "A Árvore Mais Sozinha do Mundo", o que ainda a desestabiliza na escrita? Em outras palavras: o que você ainda não sabe fazer e, talvez, escreva justamente para descobrir?
Mariana Salomão Carrara - O que a vida de escritora mais me revela é o poder da literatura e a força dos leitores sobre o livro. Descubro com os leitores mais lados do que eu mesma escrevi.
.: Crônica: Elite. Ou quase, de Eduardo Caetano
Por Eduardo Caetano, jornalista, escritor e roteirista.
Maio, Mês das Mães, de Nossa Senhora de Fátima e dos Trabalhadores. Fim da escala 6x1 em pauta. Estados Unidos e Irã em guerra. Ou quase. Véspera do encontro entre Lula e Trump. Na mídia: o pós-briga de Neymar Jr. e Robinho Jr.. Nas redes, a quase briga de Jojô Ex-Todynho e Malévola. É maio, mas parece verão. Maré alta.
Moro em Santos, famoso balneário do litoral paulista. Cidade de médio porte, detentora do maior Porto do Hemisfério Sul. Terra da Liberdade e da Caridade, referência na luta abolicionista, sediou o segundo maior quilombo do Brasil e já não tinha escravizados dois anos antes da Lei Áurea. Hoje, possui a maior favela de palafitas da América Latina.
A Cidade tem este nome pois temos a primeira Santa Casa de Misericórdia de Todos os Santos. Todos os santos: Santo Antônio, São Francisco, Santa Clara, Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora de Fátima, São João, Santa Rita de Cássia, São Jorge... Todos!
Todos somos irmãos. Iguais perante a lei. Ou quase. Fazia tempo que eu não escrevia coisas puramente da minha cabeça e uma cena na noite de hoje, num supermercado, chamou a minha atenção. Um estabelecimento grande, popular, de rede, em um bairro intermediário. Nem nobre, nem periférico. Perto da Santa Casa. Aquela, da misericórdia.
Três mulheres conversavam. A mais simpática, cara de boa gente, falava às amigas, próxima à gôndola de guardanapos de papel e copos plásticos. Não eram ricas. Não eram tão pobres. Remediadas. Ou quase.
- Agora eu tô bem. Outro dia a moça foi limpar lá em casa e senti uma energia ruim, sabe? Até que ela me contou: 'não tô bem porque meu filho tá preso'. Acredita?! Eu não mereço isso. Não chamo mais!
As outras concordaram. A saúde mental da patroa não se abate pela dor da empregada, mas pela "energia" dela. Em tempos de inteligência artificial, as emoções são superficiais. Duram 15 segundos, como um reels visualizado no Instagram. A diarista, possivelmente sem Carteira de Trabalho assinada, sem plano de saúde e psicóloga, é tão descartável quanto guardanapos de papel e copos plásticos.
Isso em Santos, onde se tornou comum presenciarmos cachorros em carrinhos de bebê nos shoppings. Há farmácias, Oxxos e moradores em situação de rua se multiplicando a cada esquina.
Caridade? Liberdade? Empatia? Misericórdia?
Mãe condenada no Mês das Mães. Trabalhadora condenada no Mês dos Trabalhadores.
O mundo está acabando. Ou quase.
sábado, 9 de maio de 2026
.: "O Pai" e "O Filho" voltam em cartaz ao mesmo tempo em São Paulo
Dirigidas por Léo Stefanini, as peças mergulham, a partir de diferentes perspectivas, na teia complexa das relações familiares. Fotos: João Caldas Filho ("O Pai") e Ronaldo Gutierrez ("O Filho")
"O Pai"
Temporada: 22 de maio a 26 de junho de 2026
"O Filho"
.: "Ocupação Ruth Rocha" expande o universo da autora que forma gerações
Em mais uma exposição dedicada ao público infantil e aos adultos que beberam da mesma fonte, o Itaú Cultural propõe uma jornada pela vida e obra de uma das maiores autoras da literatura infantojuvenil brasileira. Em 2026, Ruth Rocha comemora 50 anos de trajetória e é celebrada com esta mostra, a reedição de um de seus livros e sendo tema da Mancha Verde no próximo Carnaval. Foto: Andŕe Seiti / Fundação Itaú
Serviço
.: "Onde Moram os Livros? Bibliotecas do Brasil" de Daniela Chindler é lançado
Há 15 anos, quando Daniela Chindler começou a pesquisar a histórias das bibliotecas, ela não podia imaginar a repercussão que alcançaria seu trabalho. Em 2012, a autora lançou o título “Bibliotecas do Mundo”, que recebeu o prêmio Malba Tahan de Melhor livro informativo para crianças e jovens pela FNLIJ e logo foi adaptado para o teatro. A peça foi apresentada em escolas, teatros e teve o privilégio de ser encenada na entrada da Biblioteca Nacional! Em 2017 a autora voltou seu olhar para as nossas fronteiras e escreveu “Onde Moram os Livros? Bibliotecas do Brasil”.
Sobre a autora
Biblioteca dos Saberes
Real Gabinete Português de Leitura
O inferno
sexta-feira, 8 de maio de 2026
.: Pianista pernambucano Amao Freitas ganha o prêmio Paul Acket
Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.
.: Filme “Valor Sentimental”, vencedor do Oscar, em cartaz no Cine Arte Posto 4
Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.
“Valor Sentimental” | “Sentimental Value” (título original)
Gênero: drama.
Classificação indicativa: 14 anos.
Ano de produção: 2025.
Idioma: inglês.
Direção: Joachim Trier.
Roteiro: Joachim Trier e Eskil Vogt.
Elenco: Renate Reinsve, Stellan Skarsgård, Elle Fanning, Inga Ibsdotter Lilleaas, Anders Danielsen Lie.
Distribuição no Brasil: Retrato Filmes / MUBI.
Duração: 2h13.
Cenas pós-créditos: não.
Em cartaz até dia 13 de maio
quinta-feira, 7 de maio de 2026
.: “Luta Pelo Amanhã” usa muay thai para reconstruir relações quebradas
Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico cultural, especial para o portal Resenhando.com.
A estreia de "Luta Pelo Amanhã", nesta quinta-feira, dia 7 de maio, aposta na fisicalidade das artes marciais para narrar uma história que, no fundo, é menos sobre golpes e mais sobre vínculos partidos. Dirigido por Chan Tai-Lee, o longa-metragem distribuído pel A2 Filmes conduz o espectador pelas ruas densas de Hong Kong, onde passado e presente colidem com a mesma intensidade de um ringue.
No centro da narrativa está Shi San-lung, ex-líder do submundo que tenta reconfigurar a própria existência após anos afastado do crime. O reencontro com o filho, no entanto, não oferece redenção imediata: ao contrário, funciona como gatilho para que antigas rivalidades retornem com força, arrastando ambos para um ciclo de violência que parecia encerrado. É nesse contexto que o Muay Thai surge não apenas como ferramenta de combate, mas como linguagem simbólica: cada luta encena aquilo que não foi dito, cada movimento carrega o peso de culpas acumuladas.
Há um esforço evidente do filme em equilibrar o espetáculo físico com um drama familiar que busca densidade emocional. A presença de Patrick Tam, nome veterano do cinema asiático, contribui para dar corpo a esse conflito, sustentando a ambiguidade de um personagem que oscila entre a brutalidade do passado e a tentativa - talvez tardia - de reconstrução afetiva. Em paralelo, a ambientação reforça esse embate: a Hong Kong retratada aqui não é cartão-postal, mas território de tensões, onde tradições e transformações urbanas coexistem de maneira instável.
Curiosamente, produções recentes do cinema de ação asiático têm investido nesse cruzamento entre combate e melodrama, aproximando-se de um modelo que dialoga tanto com o público global quanto com questões locais de identidade e pertencimento. “Luta Pelo Amanhã” se insere nesse movimento ao utilizar o ringue como extensão do espaço doméstico - um lugar onde pai e filho precisam, literalmente, se enfrentar para que qualquer possibilidade de reconciliação exista.
Sem reinventar o gênero, o filme encontra força na maneira como articula seus elementos: a coreografia das lutas, a tensão entre gerações e a ideia de que o futuro, como sugere o título, é sempre uma conquista instável. Ao final, o que permanece não é apenas a memória dos combates, mas a sensação de que algumas batalhas, especialmente as familiares, jamais se encerram por completo. Locação digital nas melhores plataformas de streaming.
Ficha técnica
“Luta pelo Amanhã” | "Fight For Tomorrow" (título original)
Gênero: ação, drama.
Duração: 101 minutos.
Classificação indicativa: 16 anos.
Ano de produção: 2024.
Idioma: cantonês.
Direção e roteiro: Chan Tai-Lee.
Elenco: Patrick Tam, (demais nomes não amplamente divulgados).
Distribuição no Brasil: A2 Filmes.
Cenas pós-créditos: não.
Locação digital nas melhores plataformas de streaming.
.: “Deixando Neverland 2" desafia legado de Michael Jackson e reacende feridas
Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico cultural, especial para o portal Resenhando.com.
Com abordagem direta e sem recorrer a reconstituições dramáticas, o filme investe novamente na força dos depoimentos, ampliando o escopo para além da denúncia inicial e mergulhando nas engrenagens legais que atravancam processos dessa natureza. A narrativa expõe audiências, recursos e entraves jurídicos que, mais do que adiar decisões, revelam o quanto a figura pública de Jackson ainda mobiliza estruturas de defesa institucional e emocional. Ao mesmo tempo, Reed opta por manter o foco nas consequências íntimas: relações familiares tensionadas, traumas persistentes e o custo psicológico de enfrentar uma opinião pública frequentemente hostil.
A nova produção também surge em um contexto simbólico: enquanto cinebiografias e revisões da obra de Michael Jackson voltam a ganhar força na indústria, o documentário atua como contraponto incômodo, tensionando a memória coletiva e questionando a facilidade com que o entretenimento absorve ou silencia controvérsias. Há, inclusive, um dado curioso que atravessa sua trajetória recente: diferentemente do original - que estreou no Festival de Sundance e teve ampla difusão pela HBO -, esta sequência enfrentou dificuldades de distribuição internacional, chegando a ser disponibilizada de forma mais restrita e até considerada insatisfatória pelo próprio diretor em termos de alcance.
Esse deslocamento, longe de diminuir sua relevância, reforça o caráter quase insurgente da obra. Ao escapar dos circuitos tradicionais, “Deixando Neverland 2” se posiciona como um produto que insiste em existir apesar das barreiras, sejam comerciais, jurídicas ou simbólicas. O resultado é um filme que amplia o campo de discussão sobre abuso, poder e memória, reafirmando o documentário como instrumento de confronto e não de conciliação. Locação digital nas melhores plataformas de streaming.
Ficha técnica
“Deixando Neverland 2: Sobrevivendo a Michael Jackson” | "Leaving Neverland 2" | "Deixando Neverland 2: Sobrevivendo a Michael Jackson"
Gênero: documentário.
Duração: 53 minutos.
Classificação indicativa: 16 anos.
Ano de produção: 2025.
Idioma: Inglês.
Direção e roteiro: Dan Reed.
Elenco: Wade Robson, James Safechuck.
Distribuição no Brasil: A2 Filmes.
Cenas pós-créditos: não.
Locação digital nas melhores plataformas de streaming.
.: Manual Crônico: “Sabor média”, a nova e triste receita
Thiago Sobral é escritor. Também publica semanalmente no site Minha Arca Literária e no Instagram @thiago.sobral_. É autor do livro "O Pai, a Faca e o Beijo", publicado pela Editora Patuá.
Como não apareço por aqui há algum tempo, penso que a dona de casa esteja com saudade - ou deveria, pelo menos. E, por isso, o paciente leitor há de ouvir, de forma condescendente, as minhas lamúrias advindas do mau trabalho feito pelos padeiros de hoje em dia.
Pois bem. A média pode ser muita coisa. Podemos andar por aí a fazer média com nossos pares. A Matemática nos deu a média aritmética, que tanto custou a entrar em meus miolos. O Direito nos informa sobre o homem médio, que não sei bem pra que serve. E as padarias, universo afora, servem aos clientes a boa e velha média que, para Noel Rosa, não pode ser requentada.
Por aqui, a coisa é diferente. A média de sempre não é média, é pingado, ainda que ali a proporção de leite e café vá além de um simples pingo. Não obstante as diferenças terminológicas, a coisa vai de mal a pior. Veja bem: aqui em nossa província santista (como diz um amigo cronista da região), a média não apresenta estado líquido. Ela é sólida, muito sólida e, hoje em dia, quase um tijolo. E os padeiros… ah, os padeiros! Meu amigo! Eu não sei bem o que está acontecendo com as padarias por aí. Não sei se são todas, mas sei que são muitas.
Talvez o curioso leitor esteja se perguntando o porquê de eu estar metendo o padeiro num assunto sobre média, pois, na prática, não é ele quem prepara e serve a média comum, saboreada por quase todos. Digo quase todos, porque aqui na Baixada não bebemos a média, mas a comemos - ou comíamos, não sei mais… E acabo de me dar conta de que ainda não informei o que é, para nós, a média.
Voilà:
A média aqui é pão. Sim, pão. Aquele pão gostoso, crocante, salgado, composto por apenas quatro ingredientes básicos: farinha de trigo, água, sal e fermento biológico. A boa e velha média, que hoje se tem que buscar à padaria, mas que antes chegava à porta de casa, cedinho, pelas mãos do padeiro, que dizia “não é ninguém, não. É o padeiro”, e nos despreocupávamos da pressa — a não ser que tivéssemos pressa para comê-la quentinha.
Esse mesmo pão, que por aqui se nomeia média, é, em outros lugares, pão de sal, pão francês, cacetinho, pãozinho, pão de trigo, carioquinha, pão careca, pão Jacó, filão, pão de massa grossa, ou o que se queira dizer para nomeá-lo, agora é um ex-manjar dos deuses.
Triste, muito triste…
E a culpa só pode ser dos padeiros. Se não deles, então, dos donos das padocas, que, certamente, seguindo a onda de simplificação na composição dos alimentos, tentam economizar nos ingredientes. Não encontro mais por aqui a boa e velha média, a crocante e saborosa média. Aquela que cabe na boca a cada bocada e faz crec crec durante a manducação. Antes, recebo da moça no balcão uma massa disforme, grande e boluda, que mais se assemelha a um sapo boi.
Indignadamente, protesto contra os padeiros! Abaixo os donos muquiranas das padocas contemporâneas! Sejam honestos e informem nas vitrinas de cada padaria: NESTE ESTABELECIMENTO VENDEMOS PÃO “SABOR MÉDIA”. “Sabor média”, entendeu? Porque média, mesmo, a verdadeira média da Baixada Santista, não existe mais.
Uma pena.
Compre o livro "O Pai, a Faca e o Beijo", de Thiago Sobral, neste link.
.: “12.12: O Dia” reconstrói golpe de 79 e estreia na Reserva Imovision
Ficha técnica
A equipe do Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas.
























