Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.
A estreia de “O Drama” chega à Rede Cineflix e aos cinemas brasileiros apostando na inquietação silenciosa das relações amorosas. Dirigido e roteirizado pelo norueguês Kristoffer Borgli, o longa-metragem confirma o interesse do cineasta por personagens desconfortáveis e situações emocionalmente ambíguas. Com Zendaya no papel melhor e mais desafiador da carreira, o desconforto ganha contornos mais íntimos ao acompanhar a derrocada de um relacionamento às vésperas do casamento.
Na trama, Emma e Charlie, vividos por Zendaya e Robert Pattinson, formam um casal aparentemente estável cuja rotina é atravessada pela revelação de um segredo do passado. O que poderia soar como um ponto de partida convencional transforma-se em motor de uma história que vai para o lado do estranhamento. Borgli constrói um jogo psicológico em que o espectador é convocado a lidar com a mesma confusão dos personagens, recusando explicações e deslocando o interesse para as reações, não para o fato em si.
A recepção crítica internacional tem destacado justamente essa escolha. O filme foi descrito como uma obra que parece deliberadamente construída para provocar debate. É uma história que tem um apelo universal, centrada na tensão entre aquilo que se imagina sobre o outro e aquilo que ele de fato é ou sempre foi. Parte da força do filme reside na química pouco convencional entre os protagonistas. Longe do romantismo idealizado, Zendaya e Pattinson investem em uma dinâmica marcada por desencontros, olhares atravessados e pausas incômodas. O resultado é uma relação que soa mais próxima do real do que da fantasia, reforçando a proposta do diretor de desmontar expectativas narrativas e afetivas.
Nos bastidores, algumas curiosidades ajudam a dimensionar o projeto. Antes das filmagens, Borgli recomendou ao elenco títulos como "Bob & Carol & Ted & Alice" (1969) e "Melancolia" (2011), além de "A Paixão de Ana" (1969), cuja influência aparece inclusive na cenografia do filme. Outro detalhe curioso é o livro fictício "The Damage", que surge na abertura como dispositivo narrativo e já foi anunciado pelo diretor como um possível projeto futuro. E, em um tom quase anedótico, a atriz Alana Haim revelou ter ficado levemente embriagada durante as gravações ao consumir grandes quantidades de suco de uva usado como substituto para o vinho em cena.
“O Drama” também marca uma ruptura na trajetória de Borgli por ser o primeiro longa-metragem dele a não estrear em festivais, tendo sido lançado diretamente em uma exibição em Los Angeles. A escolha sinaliza uma aposta maior no circuito comercial e no potencial de discussão que o filme pode gerar fora do ambiente tradicional de premiações. O filme se sustenta como um estudo incômodo sobre amor, expectativa e identidade.
Ficha técnica
“O Drama” | “The Drama” (título original)
Gênero: drama.
Duração: 1h45.
Classificação indicativa: 16 anos.
Ano de produção: 2026.
Idioma: Inglês.
Direção: Kristoffer Borgli.
Roteiro: Kristoffer Borgli.
Elenco: Robert Pattinson, Zendaya, Alana Haim, Mamoudou Athie.
Distribuição no Brasil: Diamond Films.
Cenas pós-créditos: não.
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